O machismo e a medicina

“Dopasmina”: o machismo no nome da turma de medicina da UFPB.

Por Luísa Gadelha

DOPASMINA

Em entrevista concedida em junho ao jornal L’humanité, o médico e romancista francês Martin Winkler declarou que “na França, a seleção dos estudantes de medicina ocorre sobretudo entre os jovens das classes mais favorecidas. E esses estudantes são educados para tratar pacientes de sua própria classe e não de setores operários nem sub-proletariados. É por isso que a formação medica deixa a entender, para os estudantes, que dentro da própria medicina existe uma elite, e que isso os motiva a tornarem-se parte dessa elite. Pensando nesse sentido, isso significa que ‘alguns’ valem mais que ‘outros’.”

A situação francesa parece se repetir no Brasil. Além dos absurdos do dia-a-dia e da notícia assombrosa divulgada no mês passado, de um médico brasileiro que fez chacota de um paciente  que não sabia pronunciar corretamente “pneumonia”, uma turma de alunos de medicina da Universidade Federal da Paraíba se auto-intitulou “dopasmina”, numa incontestável referência à cultura de estupro, e utilizou a alcunha para seu time de futebol.

A polêmica veio à tona depois que, criticados pelo nome da turma e do time, os alunos ainda tentaram defender seu direito de escolha, o que gerou uma nota de repúdio do Coletivo Feminista Nise da Silveira (UFPB), assinado também por mais outros 37 coletivos.

Em sua nota de esclarecimento, publicada ontem, a turma “dopasmina” insiste que o epíteto é uma referência ao neurotransmissor dopamina, sem a “intenção de fazer apologia ao estupro ou de desrespeitar as mulheres”.

Embora o grupo dopasminas, agora intitulado “turma 99”, tenha pedido desculpas, não deixa de ser preocupante a atitude de continuar negando o caráter extremamente machista e incitador de violência do nome da turma, que claramente não se refere apenas à substância. Segundo o Coletivo Nise da Silveira, “o trocadilho dopasmina é um termo bastante utilizado pelos estudantes de medicina de todo o país ao nomear festas e eventos, onde ocorrem diversas tentativas e abusos sexuais às mulheres, a maioria realizada por futuros médicos e acobertada pela própria universidade e centros acadêmicos. É notável a falta de empatia da turma com diversas vítimas e também com as colegas que, mais uma vez, se encontram a mercê do machismo e da cultura do estupro”.

Quando a própria classe médica, que supostamente deveria proteger e informar a população dá rédeas à cultura de estupro, reproduzindo comportamentos intolerantes, preconceituosos e machistas, torna-se difícil ter referências seguras daqueles que cuidam de nossa saúde.

É necessário repensar a formação de médicos no Brasil, visando sobretudo a construção de empatia e solidariedade entre médico e paciente, e não apenas uma mera marionete da indústria farmacêutica ou a escolha mais fácil de profissão para aqueles que visam estritamente o lucro.

Como bem disse Martin Winkler em sua entrevista, de maneira sucinta e direta, infelizmente “os preconceitos dos médicos são os preconceitos de classe”.

FONTE: DCM

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Jornalismo machista

 

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As críticas à cobertura machista da participação das atletas olímpicas

JorMach

Quando se referem às competidoras de elite nos Jogos Olímpicos, os discursos jornalísticos se inclinam mais a destacar ou avaliar sua beleza, sexualizar a visão sobre seus corpos e não valorizar seus méritos.

A reportagem é de Sonia Santoro, publicada por Página/12, 16-08-2016. A tradução é do Cepat.
A cobertura destes Jogos Olímpicos destaca que quando falam de esportistas mulheres e de suas conquistas, os meios de comunicação não fazem o mesmo que quando falam de esportistas varões. “A cobertura dos meios de comunicação esportivos é majoritariamente machista, homofóbico e esconde conquistas, resultados, marcas, abusos, violências, destrato, falta de apoio que as mulheres vivem no esporte. Graças a estes Jogos isso foi evidenciado. Seria bom que dure e se siga com o mesmo olhar sobre as coberturas”, destaca a especialista em Esporte e Gênero, Marta Antúnez.

Manchetes dos meios de comunicação de todo o país e da região concordam em aplicar esses critérios. Desde Cuyo, uma logo adiantou suas preferências: “As guerreiras argentinas: mais sexys que nunca”. Uma portenha se inclinou pelos “Dez rostos bonitos que serão vistos na Rio 2016”. “A sexy esgrimista mexicana que tem um corpo escultural”, apontou outra do mesmo grupo. E, ao mesmo tempo, da América Central se expressaram a favor da “Linda do futebol que caiu na Rio 2016”, outra retrucava, de Rio de la Plata, pelas “Bonecas suecas”. O diálogo é um pouco monotemático: corpos belos (de mulheres), dependências femininas, amores que conquistam medalhas.

Antúnez observa que, desta vez, há “muita mais cobertura que outros Jogos e com a mesma misoginia”. “Ocorre que se conseguiu uma maior cobertura. Em muitas olimpíadas nem se sabia dos Jogos, a cobertura ocupava um espaço reduzido nos meios de comunicação. Ao crescer a cobertura, cresce a visibilidade e se notam mais os comentários espantosos que cotidianamente os meios de comunicação fazem das mulheres esportistas”.

“Agora, parece que todos nós estamos apreendendo que a cobertura dos meios de comunicação é machista. No entanto, pouco ou nada se fala da capa de algum suplemento esportivo, nem da quantidade de espaço que o esporte feminino normalmente ocupa nos meios de comunicação, dos títulos das notas e dos comentários dos usuários de internet sob as mesmas, sem falar das redes sociais. A cobertura dos meios de comunicação esportivos é majoritariamente machista, homofóbica e esconde conquistas, resultados, marcas, abusos, violências, destrato, falta de apoio vivido pelas mulheres no esporte. Graças a estes Jogos isso foi evidenciado. Seria bom que dure e se siga com o mesmo olhar sobre as coberturas”, acrescenta a especialista.

Barbara Duhau, da organização unpastiche.org, disse que os Jogos Olímpicos funcionam como uma lupa: “há uma quantidade suficiente ou um foco colocado nas mulheres que em outros momentos não ocorre e que permite analisar este escrutínio constante que se faz dos corpos, da invisibilização de seus méritos esportivos. É um tratamento usual que se dá às mulheres, mas neste tempo específico há uma grande necessidade de falar sobre isto. Então, muitas vezes, por nunca se tratar destes temas, porque o esporte e as mulheres quase não são abordados nos meios de comunicação, acredito que por um lado não sabem como tratá-lo e acabam ficando no ranking das mais sexys”.

Duhau acompanha este discurso midiático machista em torno das atletas, desde que sua sócia Taluana Wenceslau, que vive no Brasil, viu o que vinha com semelhante evento esportivo internacional. Por isso, decidiram encarar um Observatório de Gênero dos Jogos Olímpicos – Rio 2016, junto à organização Grow, para focar o “problema de representação, invisibilização e tratamento sexista que as mulheres recebem, neste caso específico, no esporte”.

Antes dos jogos, revisaram mais de 300 notícias publicadas nos meios de comunicação on-line. Das notas focadas nos atletas, apuraram que 61% se referiam só a homens, 22% exclusivamente às mulheres, e 17% a ambos. Isto significa uma diferença importante, já que hoje a participação de mulheres quase se equiparou a dos homens. “Desde Sydney, quando foram equiparadas as provas com as dos homens, e com a ação do Comitê Olímpico Internacional para que os esportes que sejam agregados ao programa olímpico tenham obrigatoriamente as duas categorias, a quantidade de mulheres subiu 45% nestes jogos”, explica Antúnez.

Das notícias que só falaram de mulheres, quase 27% enfatizaram a beleza das atletas. O estereótipo das mulheres não só se centra em ressaltar seu atrativo físico, como também em sempre conceder suas conquistas a fatores externos, em geral masculinos: um treinador, um amor. Exemplo disto é o monólogo de um jornal portenho sobre a nadadora que ganhou uma medalha de ouro: “A história de amor da nadadora húngara Katinka Hosszu e seu treinador, que os levou ao ouro na Rio 2016” e “A estranha relação de Katinka Hosszu com seu treinador, que a levou ao ouro e ao recorde mundial”. Mas não é único e nem novo. Quando, em 2009, a primeira mulher argentina escalou o Monte Everest, um jornal intitulou: “A argentina que conseguiu chegar ao cume do Everest, fez isto por amor”.

É que a história do sexismo e o esporte não começa, nem terminará com os Jogos do Rio, nem tampouco nos meios de comunicação de fala espanhola. Uma pesquisa de Cambridge University Press, publicada no dia 6 de agosto, analisou mais de 160 milhões de palavras de jornais, blogs e postagens em redes sociais – entre outras fontes – relativas aos esportes olímpicos e verificou que as palavras mais usadas em diversas combinações em relação às mulheres são “idade”, “grávida”, “solteira”. Ao contrário, as palavras mais utilizadas em relação aos homens foram: “rápido”, “forte”, “grande”, “real”, “fantástico”.

Quando se fala de seu rendimento, parece que os homens têm de antemão o triunfo de seu lado. Predominam palavras como “gênio”, “ganhar”, “dominar” e “batalha”, ao passo que quando se fala das mulheres aparecem “competir”, “lutar” ou “participar”. Também há uma infantilização da mulher. Muitas esportistas são chamadas de “pequena”, se fala muito das “pequenas”, frente aos pouquíssimos homens que receberão o apelido de “pequeno”. Também são utilizados termos mais tradicionais. A pesquisa diz que há duas vezes mais probabilidades que uma esportista seja chamada de “senhora”, que um atleta de “cavalheiro”. A linguagem que utilizamos pode condicionar nossas atitudes de gênero para o esporte? O estudo parece indicar que sim.

“Compreendo que o esporte é uma questão cultural, no qual os homens continuam mandando e nós, mulheres, somos esportistas de segunda e, claro, colocando-o no foco, seria estupendo que os meios de comunicação, com sua sensibilidade de gênero, possam difundir o que ocorre no esporte. Alucinar-se com os Jogos Olímpicos a cada 4 anos e perder o alvo depois é avançar como o caranguejo, para o lado”, disse Antúnez.

Depois, acrescenta: “E quando digo fazer a cobertura do que acontece no esporte não é atuar como o jornalismo machista, com os resultados das partidas e as conquistas de um campeonato, mas colocar o olhar justamente naquilo que os meios de comunicação não veem: no que acontece com nós, mulheres, no esporte, como chegam, como as federações, associações e estado fazem as políticas. Mostrar as diferenças de apoios econômicos, mecanismos de discriminação. É extenso o tema porque o esporte é muito amplo”.

Fonte: IHU

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Blog terapia, catarse e empatia

Escribir para existir: ¿Qué es la blogterapia?

Una tendencia que no solo se extendió con la explosión de las redes sociales: la necesidad de expresarse se plasma también en talleres que incluyen técnicas para escribir pero también reflexión

Blogterapia

Por Katya Nantez, de la redacción de
El Observador

Muchos comienzan en las redes sociales. Otros con el tiempo se animan a pasarse a otras plataformas más completas. Unos se basan en material fotográfico, otros le dan más peso a la escritura. Pero lo que tienen en común la mayoría de los casos es que todo empieza con una necesidad de hacer catarsis, de expresar sentimientos y de plasmar una idea o compartir con otros una realidad.

Alfonsina Almandoz, mamá de Candelaria, una niña con síndrome de Down, creó un blog llamado “Cande Down Side Up”, en el que cuenta el día a día de su hija y cómo la pequeña y su familia sobrellevan, de una forma natural, la vida con síndrome de Down. Almandoz afirmó que todo comenzó como una catarsis involuntaria: “Me resultaba sano contar lo que estaba viviendo en mi vida y enviar ese mensaje de positivismo a la gente. Es una catarsis que, en cierta medida, es difícil porque tenés que transmitir positivismo de algo que para muchos puede ser negativo”. Comenzó a escribir en las redes sociales y en su blog para, como dice en su fan page de facebook, “descubrir que la vida con Síndrome de Down es una vida up” y poder compartir este mensaje con los demás.

Mariana Olivera, comunicadora, actriz y bloguera, comenzó a escribir por una necesidad de conexión con ella misma; quería aclarar sus ideas, necesitaba encontrar un rumbo. “Escribir me salvó la vida”, contó a El Observador. Con el paso del tiempo descubrió que al compartir sus vivencias con otras personas, todos los efectos positivos de la escritura se potenciaban. Hoy, luego de haber escrito un libro sobre la maternidad (Madrecoco), el cual surgió a raíz de uno de sus blogs, Mariana se dedica a brindar talleres de, como ella misma llama, Blogging Therapy (en español sería algo así como “terapia de blogueo” o “blogterapia”). Son espacios de escritura en los que el objetivo no es solamente que los alumnos se creen un blog, sino que también se genere un momento de reflexión, de introspección y a la vez de compartir lo que se piensa.

Para Olivera, la clave para una escritura exitosa es dar rienda suelta sin censura a la imaginación y por sobre todas las cosas ser honestos y desprejuiciados, tanto con nosotros mismos como con los demás. “El objetivo es conectar con nuestro ser a través de la escritura. Es impresionante el valor que tiene un texto, un relato o un post cuando sale de mi honestidad máxima y desde la misión de desprejuiciarme en serio”, explicó. Olivera prioriza una escritura libre, que sea transparente y que permita generar empatía, más allá de las técnicas y métodos estrictos. “No creo que haya un virtuosismo literario o poético al que eventualmente accedo si soy talentoso o no. Para mí es una cuestión de libertad, de hacerlo y de conectar con uno. Todos, absolutamente todos, somos creativos, y por el hecho de estar alfabetizados todos podemos escribir y leer”, afirmó.

Alfonsina Almandoz sostuvo que cuando una persona escribe en un blog o en las redes sociales tiene que ser consciente y estar dispuesto a exponerse, pero que a pesar del precio de hacerlo y lo que eso conlleva, es de los aspectos más valorables de la experiencia, ya que con esa exposición es que justamente se logran cosas muy positivas. “Yo expongo a mi familia con un fin. Y es el fin lo importante, no la exposición. Es un costo real pero el beneficio es mucho mayor”, añadió. Además aconseja que, una vez que la persona acepta exponerse, lo mejor es entregarse de lleno a esa apertura y contar tanto las cosas buenas como las malas, y no a medias.

Catársis y empatía

Una tendencia que no solo se extendió con la explosión de las redes sociales: la necesidad de expresarse se plasma también en talleres que incluyen técnicas para escribir pero también reflexión

Tanto Olivera como Almandoz sostienen con firmeza que uno de los principales beneficios de la escritura es el “soltar”, plasmar lo que se piensa y luego poder recurrir a eso cuantas veces se desee para reflexionar o recordar. “A las palabras se las lleva el viento cuando son orales; en cambio lo escrito sentencia. Y salió de vos, lo soltaste, eso que estaba en tu cabeza ahora está ahí, y te sentís más liviana”, compartió Olivera. En la misma línea, Almandoz dijo que “la escritura regala tener para siempre ese minuto reflexivo ahí, plasmado. Me pasa que cuando escribo puedo volver a ese minuto reflexivo y releerlo”.

Asimismo, ambas recalcaron que el mejor fruto de compartir la escritura es la empatía que se genera. Señalaron que, cuando la persona escribe desde su honestidad, muchos lectores se van a sentir fuertemente identificados con su experiencia, con sus sentimientos, con su óptica y con su historia. “Cuando lo compartís, estás diciéndole a otro allá afuera que no está solo y eso es lo más valioso de la blogterapia. Su poder está en lo que genera en la comunidad, en ese poder de encontrarnos con personas que están atravesando una situación igual o semejante. Lo bueno es generar redes humanas con esto”, sentenció Alfonsina.

El miedo a la hoja en blanco

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“No existe esa cosa de ‘no tengo nada para contar’. Tú sos un ser humano, tenés una historia, te pasaron cosas, tenés mucho para decir. Es un tema de libertad, de darse el permiso para hacerlo”, aseguró la creadora de Blogging Therapy. Según ella, el bloqueo tiene mucho que ver con la desvalorización, con el “para qué me voy a animar si lo que voy a hacer va a ser una porquería, si nunca va a ser tan bueno como lo hace otro”, comentó tras asegurar que estas son excusas para “no hacerse cargo de uno mismo”.

Desde los dibujos en las cavernas de los neandertal y desde las primeras escrituras de los humanos civilizados, el gran protagonista de las historias transmitidas ha sido el hombre. Olivera está convencida de que “a la inspiración la encontramos en nosotros y que el personaje, por más que tenga otro nombre, somos nosotros mismos”. Así, todo lo que nos rodea a la vida de una persona la condiciona, y a su vez todo lo que vemos es una potencial historia. Por eso, para inspirarse tan solo hay que detenerse y observar. “El pez gordo está dentro de cada uno”, concluyó.

Consejos para crear un blog – por Mariana Olivera

– “Lo más importante es conectar con nosotros mismos y eliminar los prejuicios. Contar una idea o tema encarada desde nuestra honestidad y sin prejuzgarnos”.

– “Ser contundente. Menos es más, cada palabra que elegimos está ahí por algo. El lector de internet es muy disperso, necesita la información digerida y precisa”.
– “No es imprescindible, pero es muy recomendable escribir en papel. No dejarse devorar por la vorágine de las tecnologías y no olvidar que hay una conexión muy importante entre el cerebro y la hoja papel”.

– “No releer y corregir más de 3 veces. Luego del papel pasarlo a una versión más correcta en digital, y darle otra revisión cuando lo voy a postear, pero no más para que no comience a actuar la censura”.

– “El título y bajada del blog son muy importantes, ya que son el ‘qué’. Es importante pensarlos bien y es atractivo que no haya una literalidad estricta, sino abrirse a jugar con las palabras y mezclar conceptos”.

– “Las fotos son muy importantes para ilustrar el post. Si son sacadas por nosotros, mejor”.

– “Plataformas más recomendadas para armar un blog: Tumblr, WordPress y Blogger”.

O papel dos pais na violência dos adolescentes

Nivel de violencia en jóvenes uruguayos, similar al de Zúrich

Viol.Juv

Factores de riesgo, como el contexto o relación con los padres, son los mismos

EstatísticaTasas de victimización violenta en Montevideo y en Zúrich, en los últimos 12 meses*
Un estudio publicado por la Facultad de Ciencias Sociales, con apoyo de la ANEP, que se basó en una investigación de los criminalistas uruguayos Nicolás Trajtenberg y Manuel Eisner, reveló que los grados de violencia juvenil en Mointevideo y Zúrich (Suiza) no difieren sustancialmente.
El informe de los uruguayos –que cursaron en la Universidad de Cambridge esa carrera, inexistente en Uruguay– fue financiado por Optimus Foundation, y contó también con el aporte del Ministerio de Desarrollo Social. Si bien no tuvo una gran difusión, el objetivo de sus realizadores es que sirva para aplicar políticas públicas en materia de adolescencia.

Para el estudio se trabajó sobre una muestra de 2.000 adolescentes de liceos públicos y privados. Eso equivale a uno de cada ocho alumnos de Montevideo. Tuvo lugar sobre fines de 2013 y se basó en un cuestionario del llamado estudio z-proso, que buscó medir los niveles de violencia y victimización de jóvenes en la ciudad Suiza de Zúrich.

Cuando el estudio fue replicado en Uruguay, el Producto Interno Bruto (PIB) per cápita de Suiza era de US$ 53.000 y el uruguayo de US$ 18.000.

El estudio reveló que el robo en la vía pública y el arrebato se denuncian mucho más a menudo en Montevideo que en Zúrich. “De hecho, las tasas de robo en la vía pública en Montevideo son al menos cinco veces más altas (1.044 por cada 100.000 habitantes) que las de Zúrich (192 por cada 100.000 habitantes)”.

El 17% de los adolescentes admite haber cometido al menos un acto de violencia durante el último año.

Sin embargo “la exposición de los jóvenes a distintos tipos de violencia es sorprendentemente similar en las dos sociedades. Los niveles generales de experiencia de castigos abusivos por parte de los padres en casa, agresión y lesiones por parte de personas de la misma edad o bullying crónico son muy comparables”.

Probablemente los robos (con una tasa cuatro veces superior a Zúrich) marquen una diferencia significativa entre ambas ciudades.

En el ítem violencia grave “no se hallaron diferencias significativas para hombres ni mujeres entre las dos ciudades. De hecho, resulta llamativo lo similares que son las tasas de prevalencia de violencia autorreportada en las dos ciudades, dado que están a 11.000 kilómetros de distancia una de otra, que tienen estructuras económicas, sociales y políticas distintas, y una mezcla étnica y cultural muy distinta en sus poblaciones jóvenes”, dice el estudio.

En la perpetración de bullying, sobre todo insultos y burlas, son los adolescentes de Zúrich quienes admiten estas conductas con mayor frecuencia que los de Montevideo.

“Este es especialmente el caso para los hombres, cuyas tasas de perpetración en Zúrich son casi el doble de las de Montevideo. Este resultado contrasta llamativamente con los datos sobre victimización, donde los hombres uruguayos reportaron sustancialmente más victimización por bullying que los hombres suizos. En la actualidad, no tenemos una buena explicación de esta inconsistencia”, admiten los investigadores.

Los resultados indican que hay, en cierto modo, más jóvenes en Montevideo que están involucrados en actividades de grupo que implican el uso de violencia. “Sin embargo, en ambas ciudades la inmensa mayoría de los adolescentes no está involucrada en ninguna actividad grupal violenta”.

Los mismos

El estudio concluye que Zúrich y Montevideo podrán ser distintas en el plano económico, social y cultural, pero la mayoría de los factores de riesgo asociados con la violencia juvenil son los mismos en ambas ciudades.

“De hecho, para 21 de los 25 factores de riesgo el tamaño de la asociación estadística no difiere en ambos contextos. Aquellos factores fuertemente asociados con la violencia juvenil en un contexto también tienen una correlación alta en el otro. En el ámbito de las características individuales, la falta de autocontrol, la debilidad de las creencias en las reglas y normas convencionales, ser cínico respecto a la ley y tener pocas habilidades de resolución de conflictos están asociados con un alto índice de violencia, tanto en Zúrich como en Montevideo. En ambas ciudades, las mismas variables relacionadas con el centro educativo al que concurren los jóvenes están asociadas con la violencia: el poco compromiso con la institución tiene la correlación más alta con la violencia juvenil, seguido de una mala relación con los profesores, una mala percepción de las futuras ventajas del aprendizaje y una alta tasa en términos de escaparse del centro educativo”.

Casi dos de cada diez adolescentes reporta estar involucrado en un grupo que amenaza, roba o agrede.

Sostiene además que “las asociaciones más fuertes con la violencia en ambas ciudades son con la débil supervisión de los padres y la falta de implicación de los padres en actividades compartidas. Se ven asociaciones muy fuertes entre las conductas violentas y las actividades de rutina. En ambas ciudades, los adolescentes que pasan mucho tiempo con pares delincuentes, que consumen muchos contenidos violentos en los medios de comunicación y que pasan mucho tiempo libre a la noche con personas de su edad tienen una probabilidad mucho mayor de agredir a otros. En ambas ciudades hallamos que la violencia está fuertemente asociada con tipos no violentos de conductas problemáticas que incluyen robo, vandalismo, consumo de alcohol y consumo de cannabis”.
“Conviene señalar que dentro del ámbito de las actividades de rutina fuera de la institución educativa, los adolescentes de Montevideo tienen mayor probabilidad de pasar mucho tiempo jugando a juegos violentos de computadora que los adolescentes de su edad en Zúrich. Por ejemplo, se preguntó a los adolescentes de cada ciudad cuánto jugaban a juegos recomendados para mayores de 18 años en sus computadoras o consolas. En Zúrich, 8 % de los adolescentes señaló que jugaba esos juegos a diario. En Montevideo, la proporción era tres veces mayor, concretamente 24 %”.

Sin causa única para la violencia

“Los resultados de más de 70 años de investigaciones empíricas sobre las causas de la agresión y la violencia indican que la violencia juvenil no tiene una causa única. En lugar de eso, parece ser el resultado de la confluencia y la interacción de distintos factores de riesgo, procesos evolutivos y dinámicas de toma de decisiones a corto plazo”, señala el informe.

*Las tasas significativamente más altas en Montevideo se escriben en negrita; las tasas significativamente más bajas en Montevideo se escriben en cursiva.

**Cifras en cursiva: niveles significativamente más altos en Zúrich que en Montevideo. Cifras en negrita: valores significativamente más altos en Montevideo que en Zúrich.

Fonte: El Observador

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Sou racista, mas estou pronto para mudar

Sou racista, mas estou pronto para mudar

“Sou branco, casado com uma loira de olhos verdes e tenho dois filhos de olhos azuis. Cresci em uma família sólida, tive oportunidades e sempre contei com o benefício da dúvida”. Homem que sempre se sentiu à vontade com as desigualdades raciais explica por que (e como) decidiu mudar

souracistaFamília americana (Imagem: Beyondtheglasswall)

por Jeff Cook*

Eu sou um branco americano. Sou casado com uma linda loira de olhos verdes e tenho dois filhos loiros de olhos azuis. Fui uma criança loira de olhos azuis que cresceu nos subúrbios de Nova Jersey, em uma família sólida, com mãe, pai, um irmão e dois cães. Tive uma vida marcada pela oportunidade e pelo perdão; embora nem sempre tenha tido “muito“, sempre contei com o benefício da dúvida.

Aprendi a tratar a todos igualmente, independentemente de raça ou qualquer outro identificador demográfico. E, embora minha cidade fosse predominantemente branca, certamente não cresci isolado de outras raças e culturas.

Mesmo com a educação e a exposição com que fui abençoado, provavelmente sou racista. Não quero dizer racista como um fanático cheio de ódio que desumaniza e menospreza a vida alheia com base na cor da pele. Quero dizer que estou distante e me sinto pouco à vontade com as desigualdades raciais que existem no meu país.

É OK para mim admitir isso. Não quer dizer que eu seja má pessoa. Só que estou pronto para mudar. Admitir exigiu duas coisas: pesquisa e honestidade. Ao longo dos últimos anos, li, assisti, ouvi e participei de inúmeras discussões sobre o tema, vindas de várias fontes diferentes. Por meio desse processo, fui capaz de perceber as realidades que mencionei acima. O que é ótimo para mim, mas, para os fins deste post, vamos analisá-las um pouco mais a fundo.
Me sinto pouco à vontade com as desigualdades raciais que existem no meu país.

Raramente sou forçado a confrontar essas realidades. Certamente a mídia, social e tradicional, destaca a questão, mas não é isso o que quero dizer. Lendo um post poderoso num blog ou um tweet inspirador não significa confrontar nada. O que quero dizer é que quando a polícia me para, quando vou às compras, quando faço uma entrevista de emprego, conheço alguém etc… espero ser julgado por quem sou.

Sim, tenho tatuagens e barba, e com certeza às vezes fazem generalizações sobre mim, mas não me preocupo com isso porque sei que esses julgamentos serão esquecidos uma vez que a pessoa me conhecer. E pressuponho que isso vá acabar acontecendo, porque, mesmo com os julgamentos, terei o benefício da dúvida. Vivo minha vida me aproveitando das paredes de vidro dos outros. Isso simplesmente não é verdade para as pessoas de cor. Elas são forçadas a confrontar julgamentos todos os dias. Talvez não de maneira abertamente intolerante e odiosa (embora tenha certeza de que isso também aconteça). Mas elas têm o “déficit da dúvida”.

O vigia que faz uma nota mental de que eles por ali, a mulher que trava a porta do carro quando eles se aproximam e, sim, todas as vezes que eles são parados pela polícia só porque são negros e estão dirigindo um carro. (Não importa se você acha que isso acontece poucas ou muitas vezes, todos nós sabemos que acontece.) Então veja: enquanto eu fico muito pouco à vontade quando sou forçado a enfrentar uma realidade terrível que posso geralmente evitar, meus amigos e vizinhos de cor são forçados a enfrentá-las todos os dias.

Consequentemente, eles desenvolveram uma certa resistência em relação a esse assunto e são mais livres para discuti-lo. Isso pode ser facilmente mal interpretado como impetuosidade ou agressividade. Deixe-me colocar da seguinte maneira: todos temos em nossas vidas uma pessoa que consegue dizer a coisa que deixa todo mundo pouco à vontade. Talvez seja um amigo ou colega de trabalho, talvez seja o seu primo ou sua cunhada; quem quer que seja, a nossa atitude é geralmente achar que o problema é deles. Achamos que eles estão fazendo algo com a gente, porque estamos nos sentindo pouco à vontade com o que eles estão dizendo ou fazendo, em vez de assumir a responsabilidade pelos nossos próprios sentimentos.

Até o dia em que eu admitir que me sinto menos à vontade para falar de desigualdade racial do que as pessoas que são forçadas a lidar com isso todos os dias de suas vidas, nunca serei capaz ser parte da solução. E, se não sou parte da solução, sou parte do problema.

Não conheço as desigualdades raciais que existem no meu país.

Recentemente estava assistindo a um culto de domingo da Igreja North Point. O pastor principal, Andy Stanley, convidou dois homens negros que também eram líderes cristãos a participar de uma discussão sobre os acontecimentos recentes e o racismo em geral no país. Ambos explicaram que aprenderam como se comportar se fossem parados pela polícia. Falaram como se fosse algo perfeitamente normal. Uma lição óbvia como não beber e dirigir, ou sempre pagar suas contas. Pode não parecer tão estranho, até que eles descreveram exatamente o que queriam dizer com “como se comportar se fossem parados pela polícia”.

Uma das coisas que eles disseram foi que você nunca deve tentar pegar a carteira. Eu entendo que, se você está sendo abordado por um policial, não deve fazer movimentos bruscos, mas foi surpreendente perceber como essa lição é incutida nos jovens negros. Era algo tão profundo que, quando ele ouviu falar sobre os incidentes recentes, admitiu ter pensado: “Por que você tentou pegar a carteira? Você sabe que não deve fazer isso”.

Vou ensinar meus filhos a sempre respeitar a polícia. Vou ensiná-los a não resistir ou fugir se forem abordados, e a serem sempre abertos e honestos. Mas não vou ter de ensinar-lhes a não tentar pegar a carteira. É inimaginável ter de ensinar meus filhos como se proteger das pessoas que deveriam protegê-los.

Se ignorância é definida como falta de conhecimento, educação ou consciência, então sou certamente ignorante das desigualdades raciais que existem em nosso país. A coisa bela da ignorância, porém, é que ela é facilmente remediada — mas não sem vontade e intenção.

Um vídeo que tem circulado recentemente mostra várias pessoas sentadas num restaurante. Todas são brancas, exceto uma. A garçonete traz pizza para todos os clientes brancos. O negro então pergunta para a garçonete: “Onde está minha pizza?”. Os outros clientes respondem: “Por que você está implicando tanto? Todas as pizzas são importantes”. A ideia é ilustrar a tensão entre o movimento #blacklivesmatter (as vidas dos negros são importantes) e #alllivesmatter (todas as vidas são importantes). Acho que é uma excelente ilustração, mas deixa de fora um dos fatores mais importantes. Ela teria sido muito mais precisa se os homens brancos estivessem de olhos vendados. Porque, queiramos ou não, a maioria de nós está de olhos vendados em relação às coisas que as pessoas de cor enfrentam todos os dias. Não é culpa nossa, mas se as coisas vão mudar um dia, depende da gente.

Meu desconforto e minha ignorância podem ser atribuídos principalmente a uma coisa:

Estou distante das desigualdades raciais que existem no meu país.

Moro em Nova Jersey. Não passei vida inteira sem interagir com pessoas de cor. Não me informo só pela mídia sobre as outras culturas e raças que não a minha. Tenho amigos, colegas de trabalho, vizinhos, mentores e parentes que são pessoas de cor, mas ainda estou distante das desigualdades raciais que marcam suas vidas. Nunca foi segredo que fui “jovem rebelde”. E com isso quero dizer que eu era um criminoso. Tomei decisões muito erradas e fiz um monte de coisas horríveis. Coisas que jamais serei capaz de reparar plenamente.

Mas nunca passei mais que um fim de semana na cadeia. Sempre atribuí a realidade de ser um homem livre a Deus me protegendo e me permitindo aprender as lições sem passar tempo na cadeia. Entretanto, tenho de reconhecer que minha carta de “saída livre da prisão” veio, pelo menos em parte, devido à minha capacidade de me queimar no sol em apenas 15 minutos. Também expresso regularmente minha gratidão por todas as oportunidades que me deram para fazer coisas para as quais eu não era qualificado. Me deixaram ficar nos bastidores várias vezes, e isso formou quem sou e me desenvolveu em minha área, sem nenhuma explicação razoável.

Nunca saberei com certeza, mas tenho de me perguntar se minha experiência seria diferente se eu fosse diferente. O “déficit da dúvida” enfrentado pelas pessoas de cor ao longo das suas vidas é algo que estou apenas começando a entender. E essa compreensão é apenas intelectual. Diz-se frequentemente que a maior distância no mundo é de 46 centímetros, a distância entre a cabeça e o coração. Sempre estarei distante do déficit da dúvida até que eu permita que ele se aproxime do meu coração. A questão então é: como?

Conhecer alguém.

Não estou dizendo conhecer alguém como os brancos costumam dizer quando o assunto racismo vem à tona: “Um dos meus melhores amigos é negro”. Quero dizer que tenho de entrar. Superar meu desconforto. Tenho de ter a intenção de me educar e aumentar minha conscientização para diminuir minha ignorância. Tem de ser algo pessoal.

Tenho deixar meu coração se cortar com o fato de que há pessoas neste país que nunca, jamais recebem o benefício da dúvida. Tenho de me importar o suficiente para fazer algo. Algo mais que só escrever um post de blog ou compartilhar um vídeo. Tenho de construir relações genuínas com pessoas de cor e parar com essa idiotice de “não enxergo cores”.

Tenho de enxergar cores e aprender a apreciá-las pelo que elas são. Tenho de me permitir participar e curtir uma cultura que não é a minha. Uma cultura que tem seus prós e contras, como todas as outras. Tenho de estar disposto a estar perto o suficiente para aplaudir quando há uma vitória, lamentar quando há uma perda e denunciar quando há injustiças. Tenho de enxergar meus irmãos e irmãs de cor como família.

Tenho um certo grau de poder e privilégio por causa da cor da minha pele. Não me sinto culpado. Não pedi nem procurei, mas tenho. A responsabilidade por ter esse privilégio não é minha; mas a responsabilidade do que faço com ele privilégio, sim.

*Jeff Cook é apaixonado pela mudança de uma perspectiva única sobre cultura, fé e humanidade, HuffPost US

Fonte: Pragmatismo Político

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Deus decide

Bebês pecadores

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Por Marcelo Gruman

Já carecas de saber, pelo menos assim espero, peço desculpas por repetir-lhes algumas informações referentes à microcefalia. Há um motivo para isso.

A microcefalia é uma condição neurológica rara em que a cabeça e o cérebro da criança são significativamente menores do que os de outras da mesma idade e sexo, condição esta normalmente diagnosticada no início da vida. Crianças com microcefalia têm problemas de desenvolvimento. Não há uma cura definitiva, mas tratamentos realizados desde os primeiros anos melhoram o desenvolvimento e qualidade de vida. A microcefalia pode ser causada por uma série de problemas, dentre as quais: malformações do sistema nervoso central; diminuição do oxigênio para o cérebro fetal; exposição a drogas, álcool e certos produtos químicos na gravidez; desnutrição grave na gestação; rubéola congênita na gravidez; toxoplasmose congênita na gravidez; infecção congênita por citomegalovírus.

Sabe-se, hoje, que a microcefalia pode ser consequência do zika vírus, transmitido pelo mosquito Aedes Aegypti, o mesmo que transmite dengue e chikungunya.

A criança com microcefalia pode apresentar as seguintes complicações: déficit intelectual; atraso nas funções motoras e de fala; distorções faciais; nanismo ou baixa estatura; hiperatividade; epilepsia; dificuldades de coordenação e equilíbrio; alterações neurológicas.

O inferno na terra, não? Para os pais, para os filhos, para os parentes próximos, para amigos da família.

Pois bem. Foram divulgados dados de uma pesquisa realizada pelo Instituto Patrícia Galvão, com 3.155 gestantes de todas as regiões do país no intuito de mapear as demandas das grávidas brasileiras e identificar como elas têm lidado com o vírus zika, que motivou a declaração de emergência internacional em saúde. O projeto tem o apoio da ONU Mulheres e da Fundação Ford. A informação que mais me chamou a atenção foi o fato de cerca de um quarto das entrevistadas acreditar que a prevenção não é de grande valia, pois é Deus quem decidirá se o bebê terá microcefalia. 41% das entrevistadas têm, no mínimo, ensino superior, prova de que o alienamento da realidade não tem relação direta com o menor ou maior grau de educação formal.

É revoltante testemunhar o quanto a sociedade brasileira, no rastro do que vem acontecendo em outras partes do mundo, mergulha cada vez mais profundamente em narrativas sacralizadas descoladas da realidade sensível. De nada adiantam os avanços no conhecimento científico aplicado à medicina porque, ao fim e ao cabo, o arbítrio está nas mãos de alguém ou algo que não se vê e a quem é dado o poder de vida e morte. De nada adiantam campanhas de prevenção e profilaxia, responsabilizando a cada um nós por atitudes que contribuem ou não para o controle ou descontrole da epidemia de uma doença, a zika, que há muito deveria estar extinta. Lavar as mãos em nome da tutela de um pai-padrasto que pune ou recompensa de acordo com critérios obscuros, infantilizar-se é, no mínimo, expressão de covardia atroz com quem ainda não pode se defender.

Ouvi, certa vez, um rabino dizer que mesmo os bebês judeus assassinados nas câmaras de gás dos campos de extermínio nazistas mereciam, de uma forma ou de outra, a partir do julgamento “divino”, a punição. As razões serão para sempre desconhecidas, mas o ditador celestial (magnífica expressão de Christopher Hitchens) não se equivoca, manda quem pode, obedece quem tem juízo. As gestantes que responderam não acreditar muito na prevenção humana contra a aquisição de microcefalia pelos próprios filhos têm, se não com as mesmas palavras e o mesmo teor ideológico, o mesmo discurso do rabino. Não há o que fazer, o destino já foi traçado, só nos resta a resignação.

Quem, conscientemente, dotado de todas as faculdades mentais, sem microcefalia, ESCOLHE abdicar do livre-arbítrio em nome de um poder sobrenatural opressor?

Quem está mais doente: a mãe que acredita ser o sofrimento terreno uma espécie de provação a caminho do paraíso, ou o filho que terá de conviver, se assim deus ou que outro nome tiver esta eminência parda determinar, com todo tipo de dificuldades físicas e psicológicas fruto da miséria intelectual de quem o concebeu?

Que Deus nos proteja…

Links:

http://www.minhavida.com.br/saude/temas/microcefalia

http://oglobo.globo.com/rio/um-quarto-das-gravidas-atribui-microcefalia-deus-diz-pesquisa-19834338

Fonte: Des-Construindo Marcelo

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O estudo, publicado na revista britânica The Lancet Psychiatry, foi apresentado no México por autoridades sanitárias e da Organização Mundial da Saúde (OMS).

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A pesquisa, informaram, é a primeira de várias que já estão a ser feitas no Brasil, França, Índia, Líbano e África do Sul, e que serão apresentadas em 2018 na discussão da 11ª versão da Classificação Internacional de Doenças (CID-11) da OMS, que serve como referência médica para os países-membros.

Esta reclassificação não só vai promover a discussão de novas políticas de saúde para que a comunidade trans tenha melhores acessos aos serviços de saúde e atenção, mas também pode ajudar a reduzir o estigma e a rejeição de que são vítimas.

A pesquisa demonstra que as questões psiquiátricas na população transexual são produto da violência e discriminação que sofrem e não, como se classifica actualmente, produto da sua transexualidade.

«Se não é uma doença agora, então ocorre que nunca foi, que fique claro, não é que antes fosse uma doença e agora não é mais», explicou Eduardo Madrigal, presidente da Associação Mexicana de Psiquiatria.

O estudo de campo consistiu em 260 entrevistas com adultos (maiores de 18 anos) transgénero que recebem atenção médica na clínica especializada Condesa, que trata exclusivamente doenças de transmissão sexual.

A presidente do Conselho Nacional para Prevenir a Discriminação, Alexandra Haas, afirmou que «é problemático que se assuma a identidade trans como patologia».

«Pensar a identidade como uma doença obriga-nos a procurar uma cura, e em vez disso os esforços institucionais devem focar-se em reconhecer a diversidade, promover a inclusão e garantir os direitos», acrescentou.

Fonte: Atlas da Saúde

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Incesto é ou não crime?

Debate sobre eliminar delito de incesto, figura que no se aplica

Investigan a fiscal que no pidió prisión para hombre que violaba a sus hijas

Incesto
El Partido Colorado inició gestiones con el objetivo de evitar que se elimine el delito de incesto, tal como lo propuso el Poder Ejecutivo en 2010 en un proyecto que modifica el Código Penal y que hoy analiza la comisión de Constitución y Códigos. La diputada Cecilia Eguiluz (Vamos Uruguay Salto) dijo ayer a El Observador que “es un error” derogar esa figura y hacerlo será enviar “un mensaje equivocado” a la sociedad.

Su planteo surgió a raíz del caso ocurrido en Rivera, donde un hombre de 56 años violó durante años a sus dos hijas menores, y luego a nietos y sobrinos. Paralelamente, el Ministerio Público abrió una investigación para determinar si hubo responsabilidades del fiscal de Rivera, que no pidió procesamientos cuando se dio el episodio.

La denuncia se había radicado en 2009 y luego fue retirada. El fiscal Ricardo Chiecchi no solicitó el procesamiento del abusador al no haber “escándalo público”, que es una de las condiciones para que se configure el delito de incesto.
Tras una nueva denuncia presentada este año por un vecino, el hombre resultó procesado a comienzos de julio. El día que entró a la cárcel se suicidó. La madre de las niñas, que sabía lo que estaba pasando, fue procesada sin prisión.

Qué es el incesto

El artículo 276 del Código Penal define el delito: “Cometen incesto los que, con escándalo público mantienen relaciones sexuales con los ascendientes legítimos y los padres naturales reconocidos o declarados tales, con los descendientes legítimos y los hijos naturales reconocidos o declarados tales, y con los hermanos legítimos. Este delito será castigado con seis meses de prisión a cinco años de penitenciaría”.

El asunto es que, según explicaron fuentes judiciales a El Observador, la relación sexual entre familiares no está penada, salvo que se realice con menores de 15 años, y en ese caso no es incesto sino violación. Sólo se configura incesto cuando el vínculo sexual se da con consentimiento de ambas partes y en una situación que genere escándalo público.

Por esa razón hay quienes consideran que no tiene sentido mantener esa figura, ya que es practicamente inaplicable. En cualquier caso, si la persona es obligada o si es menor de 15 años, hay violación, no incesto. Y si es mayor de 15 años se debe poder probar que existió consentimiento.

Investigan caso de Rivera

El fiscal de Corte, Jorge Díaz, pidió información a la fiscalía de Rivera sobre las actuaciones del fiscal Chiecchi, quién pidió archivar la causa y dejó al abusador libre. El fiscal Chiecchi siguió su carrera y actualmente se desempeña en una sede penal de Montevideo.

Díaz dijo ayer que espera recibir en horas el informe. El fiscal de Corte analizará cómo se procedió y luego definirá si toma acciones administrativas. “Me preocupa que por la razón que fuere haya pasado lo que pasó. Son situaciones que no pueden volver a pasar”, afirmó. El máximo jerarca del Ministerio Público dijo que la institución no “rehúye” a sus responsabilidades, pero primero debe determinarse si las hay, y más tomando en cuenta que se trata de un caso de 2009.

Mientras tanto, el ministro de la Suprema Corte de Justicia, Jorge Chediak, dijo que la jueza que intervino, Isaura Tórtora (que por entonces se desempeñaba en Rivera y actualmente lo hace en Pando) “actuó de la forma en que el fiscal pidió” y eso “ata al juez” porque “no puede seguir adelante con un procesamiento si el fiscal entiende que hay que archivar la causa”. También comentó que aún no tiene claro por qué no se aplicó “la presunción de violencias y amenazas que establece el Código para las menores de 15 años”, donde allí se invierte la presunción y el acusado debe probar que hubo consentimiento del menor.

Parlamento

La diputada colorada Cecilia Eguiluz reclamó al Estado que cumpla con “sus responsabilidades en la protección a las víctimas de violaciones intrafamiliares, incestos y violación de los Derechos Humanos de los menores que son abusados”, según escribió en su blog.

“Se han detectado serias omisiones que han permitido que menores sigan siendo abusados en forma reiterada cuando organismos como el Mides (Ministerio de Desarrollo Social) y el INAU estaban en conocimiento de lo sucedido”.

“Para completar las omisiones a la protección de los menores abusados en el seno familiar, el Poder Ejecutivo envió una propuesta de eliminar el delito de Incesto del Código Penal, eliminarlo, no sustituirlo. Nos oponemos firmemente a eso. ¿Cuál es el mensaje a los violadores de sus hijas e hijos o cualquier menor de la familia? ¿Cuál es el mensaje a la sociedad que una y otra vez conoce que hay niños violados por sus mayores y los agresores siguen libres y conviviendo con ellos?”, se preguntó la legisladora. Opinó que el Frente Amplio pretende legislar “en base a estadísticas” y que retirará un delito porque hay pocos casos. “Así no se protege a las víctimas” dijo a El Observador.

En los argumentos del gobierno enviados al Parlamento se afirmó que el incesto, “ha sido imposible de castigar desde que se sancionó el Código” por la referencia al escándalo público.
Eguiluz convocó a la comisión de Derechos Humanos a la ministra de Desarrollo Social, Marina Arismendi y a las autoridades del Instituto del Niño y el Adolescente del Uruguay (INAU), que en su opinión “estuvieron omisos”. Además, la semana pasada cursó pedidos de informes a la Suprema Corte de Justicia para que le informen cuántos procesamiento hubo por incesto en los últimos 10 años. Otros pedidos fueron para el Mides y el INAU a los que la diputada preguntó qué seguimiento hicieron del caso de Rivera. Eguiluz dijo a El Observador que empezó a redactar un proyecto de ley que mantiene el delito de incesto y da garantías a las víctimas para que hagan las denuncias.

Fonte: El Observador

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O experimento uruguaio e a guerra perdida contra as drogas

Me aferro con esperanza a la marihuana libre

Por Gabriel Pereyra
El experimento uruguayo se da en el contexto de una guerra perdida


De un lado tenemos este experimento uruguayo de que el Estado se haga cargo de vender marihuana, y en torno a él surgen todo tipo de enojos, advertencias, ingenuidades, ignorancias, buena parte de ellas condimentadas con las dudas que puede generar una iniciativa impulsada por el expresidente José Mujica, quien se ha caracterizado por lanzar al viento más de una excentricidad. Pero en definitiva, cuando uno pasa raya a esta idea de la marihuana, lo que queda es un gran signo de interrogación. ¿Qué resultará?, en realidad nadie lo sabe.

Del otro lado tenemos una historia a la que le podemos poner su punto de partida en un discurso pronunciado en la década de 1970 por el entonces presidente estadounidense Richard Nixon, quien por primera vez utilizó el termino “guerra” para referirse a las medidas que se adoptarían contra las drogas ilegales. En realidad la guerra se libraría en otro lado, en los países productores, pero no entre los estadounidenses, el pueblo más adicto del mundo, cuyo apetecible mercado le da especial sentido al negocio de los narcóticos.

Entonces, de este lado y como correlato del discurso de Nixon, hay una cifra inestimable en miles de millones de dólares retaceados a la salud o a la educación que fueron destinados a militares, aviones, helicópteros y todo lo que uno se pueda imaginar para guerrear contra las drogas. Aunque esos pertrechos militares fueron enviados a los países productores donde contribuyeron a generar decenas de miles de muertos a fuerza de bala, Estados Unidos puso su cuota de víctimas pero producto del consumo.

En México, país productor donde la guerra a las drogas tuvo sus seguidores y es terreno de enfrentamientos entre las mafias, hubo 60 mil muertos en menos de seis años. Mientras, en Estados Unidos, donde los 53 mil muertos que dejó la guerra de Vietnam en los 60 y 70 desataron un trauma nacional que llega hasta estos días, en un solo año hubo 28 mil muertos por sobredosis, más víctimas que los que dejan los accidentes de tránsito.

Cada 19 minutos muere un estadounidense por sobredosis. De este lado, la guerra a las drogas contribuyó a que el precio de las sustancias bajara: en 10 años la heroína cuesta un 70% menos.

De este lado tenemos también una legión de políticos, policías, militares y funcionarios que hicieron de la corrupción un modo de vida. De este lado, junto a las armas, los cadáveres y la corrupción, tenemos un incremento de los cultivos de la materia prima para fabricar drogas: los cultivos de coca aumentaron un 40% en un año y los de amapola un 70%. De este lado, el abanderado de la guerra a los narcóticos, Estados Unidos, se convirtió en la mayor cárcel del mundo, en buena parte, por penar el consumo: 2.300.000 reclusos (tiene el 5% de la población mundial y el 25% de todos los presos del planeta).

Uruguay no estuvo ajeno a ese aumento de la población carcelaria por la guerra a las drogas: en 1991 se procesaron 102 persona por narcotráfico y en 2015 fueron 2.554 los procesados por ese delito.

De este lado de la estrategia antinarcóticos, a pesar de los muertos y los presos, hay cada día más tipos de drogas: 541 nuevas especies, según información de Naciones Unidas. De este lado, a pesar de los presos, los muertos y los corruptos, el tránsito de drogas por el mundo aumentó de manera incesante: de un año a otro en Estados Unidos se trafica un 320% más de heroína, mientras que en Uruguay las requisas de cocaína sumaban 10 kilos en el año 1991 y 1.500 kilos en 2013.

En suma, de un lado un signo de interrogación con el experimento uruguayo en torno a la marihuana, y del otro todo lado los generales de la derrota que siguen mandando a sus hombres y a los adictos al matadero.

De un lado un signo de interrogación y del otro más adictos, más muertos, más presos, más cultivos, más drogas, más corrupción, más dólares tirados a la basura. Todas las drogas son perjudiciales, sí, pero yo me cuento entre los partidarios de no alentar una guerra que está perdida desde hace décadas, y me aferro con esperanzas a este signo de interrogación que se abre en Uruguay.

Fonte: El Observador

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Fallo por el tabaco sienta precedente: salud por encima de interés comercial

Por Martín Viggiano

La lección tras el fallo del juicio con Philip Morris

Saúdeacima

El contundente fallo del Centro Internacional de Arreglo de Diferencias Relativas a Inversiones (Ciadi) sobre el arbitraje de la tabacalera Philip Morris contra el Estado uruguayo desestima cada uno de los reclamos de esa compañía internacional con distintos argumentos, pero destaca uno de fondo que permitió al gobierno de Tabaré Vázquez celebrar una victoria histórica.

Según insiste el fallo de forma clara y reiterada, Uruguay sale vencedor del diferendo porque ejerció el principio “válido” del poder de “policía del Estado” para proteger la salud de la población, incluso por encima de intereses económicos y pérdidas comprobadas que deriven de esas decisiones en el privado.

Ello, además del precedente que de por sí generaba la noticia a nivel mundial, provoca un antecedente claro sobre la prevalencia del cuidado de la salud por sobre los intereses comerciales de las empresas.

“La protección de la salud pública se ha reconocido como una manifestación esencial del poder de policía del Estado por mucho tiempo, que permite que los Estados nieguen a admitir inversiones por razones de seguridad, orden público, salud pública o moralidad”, dice la sentencia de 250 páginas en uno de sus pasajes concluyentes.

“A Uruguay le asiste el derecho de ejercer su poder soberano inherente de proteger la salud pública sin incurrir en responsabilidad en términos generales”, agrega.

Los jueces del Ciadi citan en su sentencia legislación internacional establecida en 1987 por la cual se avala esa doctrina: “Un Estado no es responsable de la pérdida de una propiedad u otra desventaja económica que resulte de gravámenes impositivos generales, regulaciones, confiscación penal u otra acción similar de buena fe comúnmente aceptada dentro del poder de policía de los Estados, mientras no sea discriminatoria”.
La tabacalera había presentado su reclamo en febrero de 2010, alegando perjuicios económicos y empresariales por las medidas aplicadas por el gobierno de Vázquez (2005-2010) en el marco de su política antitabaco.

Si bien en su planteo no cuestionó los objetivos del país en preservar la salud de la población, ni tampoco negó los perjuicios que tiene para la salud el tabaco, dijo que esas medidas habían perjudicado a sus marcas y reducido sus ingresos.

Philip Morris intentó establecer que Uruguay le “expropió” varias de sus marcas de cigarrillos que vendía en el mercado local hasta el establecimiento de las disposiciones restrictivas de comercio y publicidad.

Entre otras, el gobierno uruguayo impidió a las tabacaleras ofrecer al mercado cigarros del tipo “suave” o contenidos bajos de alquitrán y otros productos nocivos, como forma de captar fumadores o distorsionar la percepción de daños.

También limitó el espacio en las cajillas para mostrar sus marcas, para colocar allí pictogramas alusivos al daño causado por el tabaco .

La compañía aseguró que con esas disposiciones tuvo que sacar de circulación varias de sus marcas, con lo cual perdió el valor y la plusvalía de ellas.

Dijo en el juicio que registró una caída en sus ventas, y recordó incluso que tuvo que retirar su producción en Uruguay para luego importar el producto desde Argentina.

Tanto en ese como en todos los puntos cuestionados por la demandante, el tribunal del Ciadi fue contundente a favor de Uruguay.

El ejercicio de policía del Estado aplicado de forma “razonable” y “de buena fe” en cuestiones tales como “el mantenimiento del orden público, la salud o la moralidad, excluye la indemnización, aún si causa un perjuicio económico a un inversor”, dice el fallo. Y agrega:

“Las medidas adoptadas con ese fin no se deberían considerar expropiatorias; no halló un reconocimiento inmediato en las decisiones sobre tratados de inversión”.

Vázquez no dejó que le hagan sombra

La sentencia favorable a Uruguay tuvo nombre y apellido: Tabaré Vázquez. El presidente de la República se anotó una victoria histórica por haber sido el defensor de las políticas de salud antitabaco, incluso cuando había dudas y miedos desde la izquierda.

Y el mandatario lo sabe. Por eso eligió no solo ser el portador de la noticia el pasado viernes 8 de julio, sino que además dio una orden al resto de su plantel de gobierno: el único vocero es el presidente.

Ese viernes 8 se sabía de alguna forma que Uruguay había tenido éxito en el arbitraje internacional de Philip Morris, pero fue Vázquez quien confirmó la noticia y sus detalles. Y lo hizo en cadena nacional de radio y televisión, algo reservado para las cosas importantes.

Esa cadena, que lo mostraba detrás de un mostrador junto a una bandera uruguaya, se repitió en dos horarios ese viernes: 17 y 20 horas.

Según pudo saber El Observador, el presidente dio la orden expresa de que él sería el único vocero del tema.
Por lo tanto, nadie, ni siquiera los involucrados en el arbitraje por la parte uruguaya, podrían abrir la boca en los medios de comunicación para sacarse la foto.

La semana pasada, cuando el presidente recibió en la Torre Ejecutiva a representantes de los partidos por el tema hidrocarburos, la reunión se inició con una ronda de felicitaciones y halagos al mandatario. Vázquez, con el pecho inflado, agradeció.

Fonte: El Observador

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