“A saúde é um negócio para que poucos se enriqueçam”

La salud como negocio privado

“Nosotros tenemos una economía social de libre mercado que está consagrada en el artículo 59 de la Constitución. El mandato constitucional es que todos seamos ricos. Existe lo que se llama libre mercado. Aquí no hay regulación de precios. Y si (varias clínicas) se ponen de acuerdo en que un medicamento cuesta 10 soles, yo nada puedo hacer. Ni yo ni el presidente de la República ni el presidente de la Corte Suprema. Aquí hay libre mercado”.

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Quien afirma esto es la médico Flor de María Philipps, superintendente de la Superintendencia de Salud (Susalud), en una polémica entrevista dada a Ojo Público (17 jun. 2015). Esta superintendencia es la encargada de fiscalizar y sancionar los abusos contra los pacientes, sean estos de establecimientos públicos o privados.
La doctora Philipps proviene del sector privado. Ha sido gerente de Pacífico Seguros y Pacífico Salud EPS, directora médica de la clínica Ricardo Palma y gerente administrativa del complejo hospitalario San Pablo, “justamente el grupo al que luego le tocaría supervisar por la muerte de los recién nacidos debido a malas prácticas”. Como informa Ojo Público y para sorpresa de muchos ya que se trató de una abdicación de sus funciones, el caso no fue visto por Susalud y “se derivó a la Dirección de Salud de Lima Sur, que solo impuso el cierre temporal del servicio por dos meses” cuando, por la gravedad de los hechos, bien se pudo clausurar dicho establecimiento de salud.

También, según esta misma fuente, Flor Philipps participó como representante del sector privado en los grupos de trabajo que discutieron con el sector público las primeras reformas de salud. Se podría decir que el caso de la superintendente de salud es el típico ejemplo de la llamada “puerta giratoria”. Es decir, trabaja para el sector privado y como representante de dicho sector discute con el Estado las nuevas normas y luego se traslada al Estado para dirigir el organismo que supuestamente fiscalizará a los privados.

Por eso no nos debe extrañar lo afirmado por la funcionaria respecto a que la salud se rige por el libre mercado. Es tal su ideología neoliberal y privatista que no solo comete equivocaciones como decir que “si un grupo de empresas se ponen de acuerdo en fijar un precio determinado a los medicamentos, el Estado nada puede hacer (ya que). Aquí hay libre mercado”, porque olvida que ello está prohibido en el país ya que se trata de un abuso de dominio y de concertación de precios; también agrega disparates como cuando dice que según “el mandato constitucional” todos debemos ser ricos con lo cual justificaría que la  salud antes que un servicio público, un derecho humano y ciudadano, es un negocio para que algunos pocos se enriquezcan.

Por otro lado, algunos expertos señalan que el crecimiento de Susalud ha sido tan exagerado que ha convertido a la institución en una hipertrofia ya que su funcionamiento, finalmente, beneficia a los privados porque para presentar una queja es tanto el número de instancias y barreras que se deben sortear que hace prácticamente imposible una sanción en el corto plazo. La “tramitología” al servicio de los privados.

A ello se suma otro hecho. Susalud, según ley, tiene la potestad de acreditar a los establecimientos de salud. Nos preguntamos cómo un organismo que avala puede, al mismo tiempo, controlar lo que el mismo acredita. Es más, se dice que se está creando un organismo privado, también supervisado por Susalud, para este fin. El problema, señalan los mismos expertos, es el apremio. Hoy se está convocando a concurso el puesto de acreditador cuando todavía no existe la norma que fija los parámetros de la función. La urgencia tendría relación, según fuentes confiables, no solo con el corto tiempo que tiene el gobierno para implementar esta reforma privatista sino también con otro apuro, el de la mismísima doctora Philipps quien tendría intenciones de dirigir este nuevo organismo privado de acreditación. Así, un organismo privado con escasa o débil fiscalización pública terminará por acreditar a los privados. El resultado será un sector de salud disminuido y un servicio de salud dominado por los privados y al servicio del “mercado”. Es decir, un negocio que poco o nada tiene que ver con los pacientes y con la salud de los peruanos.
(*) Parlamentario Andino
(*) “Jefa de Susalud: clínicas y pacientes se rigen por el libre mercado”. OjoPúblico, Lima, 17 Junio 2015 http://ojo-publico.com/69/Jefa-de-Susalud-cl%C3%ADnicas-y-paciente-se-ri…
Fonte: OtraMirada
Por Alberto Adrianzén
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A violência está nos genes da religião?

Religião em tempos de terrorismo: a violência está nos genes da religião?

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Para alguns, a religião é quem nos salva nos momentos trágicos. Para outros, é um poder perigoso. A religião pode resolver conflitos? Um debate entre a pastora protestante alemã Antje Vollmer, ex-vice-presidente do Bundestag alemão, o cientista político alemão-egípcio Hamed Abdel-Samad e o jesuíta alemão Klaus Mertes, diretor do colégio St. Blasien e ex-reitor do colégio Canisius.

A reportagem é de Britta Baas, publicada na revista Publik-Forum, n. 14, 21-07-2017. A tradução é de Moisés Sbardelotto.
Sra. Vollmer, Sr. Abdel-Samad, Sr. Mertes, quase todas as semanas, vemos imagens de bairros incendiados, de pessoas chorando, de hospitais transbordando, de mortes em tantas partes do mundo. Muitas vezes, diz-se que o Estado Islâmico reivindicou certos ataques. Em outros lugares, outros grupos religiosos estão envolvidos em guerras e terrorismo. A violência está nos genes da religião?

Hamed Abdel-Samad – Pelo menos está nos genes do Islã político. Se levarmos os muçulmanos de volta ao exemplo do profeta e à palavra do Alcorão, teremos o salafismo ou o Estado islâmico. Por isso, eu não acredito na frase “voltar ao verdadeiro Islã” ou “voltar à essência do Alcorão”. Eu acho que precisamos nos libertar do poder dos textos e do exemplo de Maomé.

A religião em tempos de terrorismo: uma parte da solução? Ou uma parte do problema?

Klaus Mertes – A tarefa que se apresenta a todos, também às pessoas religiosas, é uma reflexão sobre o próprio papel. Não fazemos parte da solução de um problema se não reconhecemos que fazemos parte do problema. Sempre podemos ceder ao perigo da violência. Não é uma especificidade do Islã ou dos muçulmanos. É problemático lidar com pessoas que afirmam que elas absolutamente não fazem parte do problema…

Antje Vollmer – E também não é uma solução simplesmente abrir mão da história da própria religião. Muitas vezes, eu encontro a expressão: “A religião é boa se for individual e, possivelmente, humanista”. Mas, assim, ignoramos o fato de que estamos inseridos em sociedades, em histórias, em relações familiares. Eu vivo da tradição do protestantismo e vejo que Martinho Lutero não é alheio à história do cristianismo. Ele leu os textos fundamentais e se confrontou com a práxis daquele tempo da sua Igreja. Ele viu que as coisas não iam bem, que havia um vínculo negativo entre religião e poder. Era esse vínculo que ele queria desfazer. Apesar da separação – que inicialmente parecia que funcionava –, depois ele fez a experiência de que a violência voltava. No desejo de reformar a sua Igreja, ele jogou um continente inteiro em uma história de violência de 100 anos, na qual, em essência, tratava-se sempre de “ter razão”. Por isso, a separação entre religião e poder simplesmente não é a solução. É preciso também refletir sobre a história da própria instituição. Quem diz que não tem nada a ver com a religião dos seus ancestrais é vítima de uma ilusão.

Abdel-Samad – Mas também é verdade que as religiões e as suas instituições nunca se transformaram voluntariamente. Elas tiveram que ser violentamente criticadas e pressionadas por parte daqueles que saíram delas para poderem ser reformadas. E nunca fizeram isso no ápice do seu poder, mas em fases de fraqueza. Também foi assim em 2010, quando se descobriu o escândalo da pedofilia na Igreja Católica. Isso também foi mantido às escondidas por anos, até que a opinião pública disse “chega”, e se seguiu uma onda de desistências da Igreja. Só então é que as pessoas de dentro da Igreja aceitaram ter que enfrentar o problema. E a mesma coisa acontece com o Islã. Não podemos esperar que a Universidade de Al-Azhar, ou os muftis sauditas, ou as organizações xiitas no Irã reformem o Islã. É preciso esperar que os próprios fiéis mudem a sua atitude mental em relação aos textos e à sua religião.

Mertes – Não há dúvida de que sempre deve haver também uma pressão de fora. Mas, quanto à questão dos abusos, pode-se ver que também deve haver uma mudança a partir de dentro. Os primeiros a falar foram as vítimas. Que fazem parte do sistema! Só depois é que a opinião pública se apropriou do assunto. Eu conheço pessoas que deixaram a Igreja em um período doloroso. Com boas razões. Mas, apesar disso, elas sempre têm a ver com esse “dentro”. Elas não podem fazer com que essa parte da sua biografia desapareça. Então, se eu considero a palavra religiosa que existe dentro apenas como objeto de crítica, se eu a pressiono, a avalio, a critico, então eu reforço o problema da violência.

Abdel-Samad – Por quê?

Mertes – Eu a reforço porque, naquele momento, eu não me comunico com aqueles que estão dentro do sistema, mas apenas falo deles. Por isso, também é necessária a discussão com quem está dentro para evitar que se criem espirais de violência.

Abdel-Samad – Você descreve como é doloroso se distanciar das estruturas religiosas e depois voltar a olhar para a religião a partir de fora. Eu conheço bem esse caminho. Eu me pergunto: por que é assim? Porque fomos infectados pela religião quando crianças. Antes de sermos capazes de manter distância e de reconhecer como verdadeiro ou falso aquilo que é transmitido. A religião, assim, torna-se uma parte da identidade, uma couraça de identidade da qual não é nada fácil sair.

Mertes – Mas nem toda a marca que é deixada pelos pais é um ato de violência. Se os pais rezam à noite com o seu filho, isso é violência? Se uma criança me pergunta em que eu acredito, a resposta já é violência? Não podemos considerar qualquer ato educativo como um ato de violência! Como as grandes perguntas da religião também são as grandes perguntas das crianças, uma educação sem deixar marcas não é possível. Os pais não dizem aos seus filhos: “Vou responder às suas perguntas somente quando você tiver aprendido a avaliar todos os prós e os contras”. Não é bom um individualismo que requeira uma total ausência de marcas. Além disso, o individualismo só é uma libertação quando eu o entendo como algo que pode me libertar de uma situação vinculante inevitável, e se eu a quiser. Mas, caro Abdel-Samad, eu também gostaria de ser, como crente, um sujeito no debate sobre a religião e quero poder dizer que sou uma parte da sociedade. Não devem me livrar do jugo da minha marca religiosa. Posso lhe dizer de bom grado como eu me vejo.

Abdel-Samad – Estou plenamente de acordo. Mas eu também tive a experiência de como a religião pode agarrar com os seus tentáculos de polvo. E como nos sentimos culpados ao ir embora.

Sra. Vollmer, na sua biografia, a religião e a política tiveram um papel importante. Você é teóloga evangélica e pastora, mas, por muitos anos, também esteve envolvida na política. Foi importante para você separar o papel político do religioso. Por quê?

Vollmer – Porque eu entendi que, se a pessoa política e a pastora se tornam uma mesma coisa, há uma sobreposição equivocada. Fazer política envolve sempre uma ponderação entre possibilidades diferentes de solução de problemas práticos. Nunca deve faltar uma alternativa. Muitas vezes é preciso também aceitar compromissos. Se dermos uma importância excessiva à nossa própria opinião, acreditando que somos uma figura moral importante que não pode ser contradita, arrogamo-nos mais poder do que nos cabe. A religião tem em si a sedução para essa presunção. É preciso se dotar de defesas contra isso. É perigoso quando uma pessoa que trabalha no campo político não o faz.

Abdel-Samad – E quanto mais a religião é poderosa como entidade política, mais ela se empobrece espiritualmente. As Igrejas alemãs são ricas, influenciam a política, os conselhos diretivos de rádios e televisões – e as suas igrejas estão vazias. Ao contrário, na China, o cristianismo está vivendo um renascimento. Onde as pessoas não aguentam mais uma religião política como o comunismo, onde tudo é decidido de cima, onde cresce o materialismo, as pessoas buscam justamente aquele acesso à religião que, na Europa, parece estar perdido.

Vollmer – Nós aprendemos no século XX, como a excessiva importância da política no religioso pode levar ao engano, pode se tornar uma loucura coletiva. O nazismo e o stalinismo eram sistemas de poder mascarados de religião. Não tendo textos de origem para poderem fazer referência, para poderem se deparar, não tendo uma história em relação à qual pudessem aprender a renúncia, tiveram aquela louca pretensão de onipotência.

Houve muito poucos cristãos que, na época, se opuseram àquela excessiva importância da política no religioso. Aqueles que fizeram isso tiveram que fazer as contas com a perseguição, às vezes até por parte dos seus correligionários. No cristianismo, continua havendo muitos conflitos não resolvidos, não elaborados. Tanto política quanto teologicamente.

Vollmer – Eu acho que nós, cristãos europeus, não estamos em uma boa posição para o diálogo com as outras religiões. Não só por causa do consumismo sem alma – que constrange espiritualmente as nossas igrejas e que, politicamente, não nos deixa nos colocarmos do lado dos pobres –, mas também porque ainda não chegamos ao fim da superação da nossa violência. Vemos isso ao observarmos a história contemporânea. E sentimos isso na falta de um sinal no presente, até mesmo com atraso: nem mesmo neste ano de Lutero, 500 anos depois da divisão da Igreja, conseguimos dar um sinal, um símbolo de superação da violência. Esse sinal seria a Ceia do Senhor juntos, a hospitalidade eucarística. Eu sempre sofro muito com isso, pelo fato de que as hierarquias eclesiásticas ainda impedirem isso. Se nem mesmo entre nós, cristãos, encontramos um sinal de mudança real, não estamos prontos para um diálogo com as outras religiões, que têm os seus próprios problemas históricos.

Sr. Abdel-Samad, você acredita na força espiritual que pode nascer da “autodesautorização” da religião. Sra. Vollmer, você está convencida de que a paz deve começar a partir das diferentes confissões, para que possam ser credíveis no diálogo inter-religioso, afirmando estarem livres da violência. A pessoa religiosa, então, é um pacificador em tempos de terrorismo, Sr. Mertes?

Mertes – Não faz sentido agir como se não tivéssemos nenhum poder para combater os abusos de poder. Precisamos de emancipação para enfrentar os conflitos internos das nossas religiões e instituições, para torná-los públicos, para curá-los. Se estivermos dispostos a isso, poderemos também falar com os outros, sem violência. Mas isso não significa resolver todos os problemas internos antes de enfrentar qualquer coisa a mais.

Abdel-Samad – Se deve haver menos violência, uma coisa deve ficar clara: “Antes de tudo, seja um ser humano! Depois, escolha a sua religião!”. Esse é um princípio humanístico em que eu acredito. Infelizmente, o que acontece na maioria dos casos é algo diferente. As poderosas Igrejas alemãs se tornam sustentadoras do Islã político. Elas se preocupam que ele tem cada vez mais privilégios. O Islã quer estar na mesma posição que as Igrejas. Se o Islã político conseguir isso, será uma catástrofe!

Mas há também um Islã diferente, liberal, democrático, um movimento que se baseia na busca livre na religião. Você não o vê?

Abdel-Samad – Você tem uma visão de futuro que ainda não existe. Há reformadores individuais, mas não há um movimento de reforma.

Mas justamente você acaba de publicar um livro com Mouhanad Khorchide sobre a reforma do Islã! Khorchide é um dos inúmeros muçulmanos de primeiro plano, na Alemanha, que não ensinam um Islã inimigo da democracia.

Abdel-Samad – Mouhanad Khorchide, a quem eu estimo muito, quer libertar o Islã da violência, fala de um “Islã da misericórdia”. Ele diz que os trechos de violência que existem no Alcorão não dizem respeito ao nosso tempo. As associações islâmicas dizem que ele segue uma doutrina equivocada e pedem que lhe seja removida a permissão de ensinar. Algo que vimos na Igreja Católica com Hans Küng. Isso significa que o Islã não quer nenhuma reforma e nenhum movimento de reforma. Ele os sufoca na raiz. As associações islâmicas na Alemanha são círculos étnico-nacionais, que levam em frente a política dos seus países de origem, em primeiro lugar a política turca. Essas instituições se fortalecem e tiram credibilidade de pessoas como Khorchide.

Vollmer – Devemos levar muito a sério a sua advertência, caro Abdel-Samad. Mas eu digo que, mesmo que tirássemos da religião tudo o que ela tem de institucional e deixássemos o indivíduo sozinho com a sua orientação religiosa, veríamos que a violência está no homem, não na instituição. Os homens devem se exercitar para dominar as próprias paixões e as próprias fantasias de poder para viverem em harmonia com a criação.

Mertes – A resposta do cristianismo à pergunta sobre a violência é pôr no centro da própria religiosidade uma vítima da violência: Jesus. A resposta ao problema da violência é o Crucificado. Essa é uma mensagem radical! Se nós nos identificamos com uma vítima não violenta da violência e da arbitrariedade, o que isso significa? Não estaria, talvez, na essência profunda da religião a força para a superação de qualquer tipo de violência?

Vollmer – Se olharmos para a história do cristianismo, a mensagem da não violência logo se perdeu. O cristianismo se tornou a religião de um império…

Abdel-Samad – E na história do Islã, infelizmente, não se encontra nenhum princípio de não violência. Exceto na fase inicial, quando Maomé ainda não tinha nenhum exército, quando ele pregava a não violência. Mas, quando chegou ao poder, ele usou violência. Se, para o cristianismo, a solução da questão da violência está no Crucificado, então, para o Islã, devo dizer que, de acordo com o ensinamento do Alcorão, Deus é superior e espera que os homens se sacrifiquem por ele. Mas, sobre isso, não podemos construir nenhum princípio de não violência, embora eu conheça muitas pessoas que vivem o Islã de maneira pacífica.

Uma pessoa religiosa, portanto, não pode mudar o seu papel? Não pode aprender a ver as coisas de uma maneira nova e ser, ela mesma, vista de uma maneira nova?

Mertes – Certamente sim! No cristianismo, há exemplos desse tipo. Pensemos em Paulo. Nas origens do cristianismo, está a escolha desse homem que, inicialmente, pensava que devia matar pessoas por ordem de Deus, fazendo, assim, uma obra que agradasse a Deus. Ver o processo da sua transformação é importante. Ver como os parentes daqueles que anteriormente tinham sido mortos por ele começam a aceitá-lo no seu novo papel, como pregador da não violência. Essa é a resposta do cristianismo ao terrorismo no mundo. É possível se converter. Mudar tudo. A qualquer momento.

Vollmer – Quem é cristão e faz política deve refletir sobre o pacifismo política. Isto é, deve refletir se o seu tipo de reação aumenta ou diminui a violência. Se aumenta ou reduz sentimentos de impotência. É um problema fundamental.

Abdel-Samad – Desde o 11 de setembro de 2001, procuramos respostas: de onde vem o terrorismo? Certamente, as estruturas socioeconômicas têm o seu peso, assim como as experiências de discriminação. Mas tudo isso não estaria unido sem uma ideologia que justifique o ódio. Vem de uma determinada forma de ler o Alcorão. Por isso, para mim, é difícil imaginar como possa vir do Islã institucionalizado um contra-modelo que seja contra a violência. Porque não temos esse ensinamento da não violência. Não temos o convite a amar os nossos inimigos! Temos um modelo de sucesso do Islã que, quase desde o início, foi político. E é um modelo para os islamistas hoje. Naturalmente, existem trechos do Alcorão que falam da paz. Mas não podemos avançar com esses trechos de paz contra os trechos de violência no Alcorão. Senão, transformamos esse livro em um manual político, em um instrumento político, e isso não deve acontecer. O que podemos fazer é combater a ideologia. Chamemos as coisas pelo nome. E critiquemos aqueles que cortejam o Islã político. Quando a chanceler [alemã] faz negócios bilionários com a Arábia Saudita vendendo armas, quando Trump faz a mesma coisa, e ambos dizem que estão combatendo o terrorismo e as causas da emigração, estão brincando conosco.

Fonte: IHU
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Polícia religiosa?

polícia

Leio que a prefeitura do Rio de Janeiro está realizando uma espécie de “censo religioso” junto à Guarda Municipal. O questionário tem apenas três perguntas: se o servidor professa alguma religião; se sim, se é católico, evangélico, espírita ou “outro”; se é ou não praticante. A justificativa dada para a ação, segundo a comandante da Guarda Municipal, é criar uma assistência religiosa aos servidores e que, após a consolidação dos dados do censo, a ideia é estabelecer uma capelania. A iniciativa foi criticada pela Comissão de Combate à Intolerância Religiosa do Rio, que interpreta o levantamento como limitação e constrangimento dos profissionais, além de não incluir outras religiões como a Umbanda e o Candomblé, consideradas patrimônio imaterial da cidade.

Um breve parêntese no estilo “advogado do diabo”.

Quando matriculamos nosso filho numa escola municipal, nos foi perguntado se professávamos alguma religião dentre uma lista pré-estabelecida de meia dúzia de denominações, incluindo a categoria “outra”. Não me senti ofendido com a pergunta, porque a ideia é possibilitar o ensino religioso aos alunos fora do horário escolar regulamentar. Tendo a concordar, embora por motivos diversos, com a o mantra usado por muitos defensores da mistura entre Estado e religião que diz que “o Estado é laico, mas a sociedade não o é”. Apenas um Estado laico é capaz de garantir a diversidade religiosa, portanto, fortalecer a laicidade do Estado é garantir o respeito à identidade religiosa dos cidadãos. O Estado não pode ter religião, mas deve fornecer os meios para que os cidadãos exerçam sua religiosidade, inclusive seu ateísmo, se for o caso. O Estado laico nos resguarda do fundamentalismo, de polícias religiosas ao estilo saudita ou iraniano. Falo da garantia à cidadania cultural, entendendo cultura, aqui, de modo amplo, o que inclui as manifestações religiosas.

Fecha parênteses.

A questão que se coloca, conforme a Comissão de Combate à Intolerância Religiosa do Rio, é a real motivação do censo religioso. Por que incluir esta religião e não aquela outra? Como foi definida a lista de parcas três denominações? O Censo 2010 do IBGE identificou mais de duas dezenas de religiões, portanto, e a despeito da Guarda Municipal não ter as pretensões científicas e metodológicas dos técnicos do IBGE, é inexplicável a simplicidade do questionário aplicado aos servidores municipais. Ou se colocam todas as categorias ou não se coloca nenhuma. Ou melhor: deixe-se um espaço em branco para o preenchimento voluntário, sem categorias pré-estabelecidas. E por que não uma capelania ecumênica?

Relegar à categoria “outras” religiões seguidas por milhões de pessoas, além dos que se consideram sem religião ou simplesmente ateus (os espíritas somavam, em 2010, cerca de quatro milhões de adeptos, enquanto os sem religião, em torno de quinze milhões), invisibilizando seus adeptos, é diminui-los, deslegitima-los no mapa religioso da cidade, desrespeitá-los como portadores de uma identidade historicamente importante na sociedade brasileira. O poder de nomear ou não carrega em si o poder simbólico de reconhecer ou não o “outro” e, uma vez não reconhecido, deixa de ser objeto de políticas públicas democráticas.
Não quero desconfiar dos reais propósitos deste censo religioso, mas que é estranho, ah, isso é…

Fonte: Des-Construindo Marcelo
Por Marcelo Gruman
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Drogas psiquiátricas podem piorar a doença mental

Editora Fiocruz lança ‘Anatomia de uma Epidemia’ de Robert Whitaker em português

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Com a tradução para o português recém lançada pela Editora Fiocruz, Anatomia de uma Epidemia: pílulas mágicas, drogas psiquiátricas e o aumento assombroso da doença mental parte da constatação de que desde os anos 1990 houve um aumento expressivo de doenças mentais nos EUA, justamente quando os meios científicos e órgãos governamentais da área da saúde festejavam o surgimento de drogas psiquiátricas supostamente mais eficientes (e também mais caras). Jornalista experiente e premiado por seus artigos sobre temas médicos, Robert Whitaker investiga os efeitos da abordagem medicalizante dos transtornos mentais, do uso crescente de “pílulas mágicas” agravando ou simplesmente criando falsos quadros patológicos. Livro premiado e traduzido em diversos idiomas, Anatomia de uma Epidemia aborda a contravertida questão das drogas e tratamentos psiquiátricos, que o autor considera “um tremendo campo minado político”.

Whitaker foi impulsionado pela leitura de uma matéria que denunciava maus-tratos em pesquisas com pacientes psiquiátricos. Entre eles, experiências financiadas pelo Instituto Nacional de Saúde Mental dos EUA, como o uso de medicamentos para exacerbar sintomas em esquizofrênicos, ou ao contrário, privando-os de antipsicóticos. Sempre com riscos para os pacientes-cobaias, até com a ocorrência de mortes durante os testes. Ao iniciar uma série de reportagens sobre esses experimentos, o autor confessa que estava convencido de que estavam sendo desenvolvidas novas drogas psiquiátricas que ajudavam a “equilibrar” a química cerebral, e que seria antiético retirar a medicação dos pacientes experimentalmente. Seria como retirar a insulina de diabéticos, para ver com que rapidez eles adoeceriam, pensava.

No entanto, ao concluir as reportagens, restava um certo incômodo os resultados de duas pesquisas com que havia deparado em sua investigação. A primeira era da Faculdade de Medicina de Harvard, que, em 1994, anunciara que “os resultados observados nos pacientes de esquizofrenia nos Estados Unidos haviam piorado durante as duas décadas anteriores, e não estavam melhores agora do que tinham sido cem anos antes”. A segunda era da Organização Mundial da Saúde, que contatara que os resultados sobre a esquizofrenia eram muito melhores em países pobres do que em países desenvolvidos. Consultando especialistas a este respeito, Whitaker ouviu que os maus resultados nos EUA, por exemplo, tinham origem em “políticas públicas e valores culturais” e que nos países pobres os pacientes tinham mais apoio das famílias.

Insatisfeito com a explicação, o autor reviu seu material de pesquisa e ficou sabendo que nos países pobres apenas 16% dos pacientes eram tratados com antipsicóticos. Seguindo em frente na investigação, esbarrou com descobertas da OMS, “que parecia haver encontrado uma associação entre os resultados positivos (no tratamento de esquizofrênicos) e a não utilização contínua desses medicamentos”. A partir daí dedicou-se a “busca intelectual” que originou este livro, que, segundo Whitaker, “conta uma história da ciência que leva os leitores a um lugar socialmente incômodo (…) estas páginas falam de uma epidemia de doenças mentais incapacitantes induzidas pelos fármacos”.

O livro analisa e questiona o resultado de pesquisas que sustentam a aprovação, comercialização e prescrição desses medicamentos em escala alarmante, não só nos EUA, mas no Brasil e em diversos outros países. Traz depoimentos de vários pacientes submetidos a tratamentos medicamentosos de longo prazo, para mostrar a consequência no funcionamento do cérebro e questionar a eficácia das drogas psiquiátricas. O jornalista detalha o conluio entre empresas farmacêuticas, instituições e formadores de opinião para garantir a disseminação dos psicofármacos, mas também aponta alternativas terapêuticas, nas quais os medicamentos não são o centro do tratamento e sim um recurso a que se pode lançar mão de forma consciente e cuidadosa.

Fonte: Agência Fiocruz de Notícias
Por Gustavo Mendelsohn Carvalho
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Convertendo gente sadia em enferma e cronificando doenças ao invés de curá-las

Masturbação: tabu e mitos

Ocho cosas que hay que saber sobre la masturbación
Masturbarse no significa estar insatisfecho.mast

Onanismo, masturbación, digiturbación, darse amor propio… Da igual cómo lo llames, todo el mundo lo hace (sí, tú también, no te escondas).

La masturbación, que implica excitarse uno mismo tocándose los genitales, es un asunto tan importante en la vida sexual de la gente que hasta el Servicio Nacional de Salud del Reino Unido (NHS por sus siglas en inglés) le ha dedicado una entrada en su página web.

No existe una forma correcta o incorrecta de masturbarse, pero el NHS lo describe del siguiente modo: “Los hombres suelen hacerlo mediante el frotamiento del pene, mientras que las mujeres suelen acariciarse el clítoris y la zona que rodea la vagina”.

Aunque es un hecho totalmente normal, el tema sigue siendo un gran tabú y todavía existen muchos mitos que hay que corregir.

1. Casi todo el mundo se masturba.
El 95% de los hombres y el 89% de las mujeres se masturban, al menos en el Reino Unido. Por lo tanto, no hay ningún motivo por el que avergonzarse.

2. Masturbarse teniendo pareja no implica nada malo.
Existe mucho debate en Internet sobre si tendrían que preocuparse aquellas personas cuyas parejas siguen buscando pasar esos ratos a solas.

Suzi Godson, columnista de asuntos sexuales en el periódico The Times y bloguera de la edición británica del HuffPost, escribió: “Algunas personas sienten su relación en peligro por el hecho de que su pareja tenga la necesidad de buscar satisfacción sexual por su cuenta. Al fin y al cabo, si pueden tener sexo, ¿para qué necesitan masturbarse? Este argumento pasa por alto la obviedad de que el sexo y la masturbación son experiencias completamente diferentes”.

3. Masturbarse no significa estar insatisfecho.
Tal y como dice Suzi Godson en el punto anterior, no hay ningún motivo por el que masturbarse signifique algo malo sobre tu relación o sobre tu vida sexual con otras personas. Los estudios científicos han descubierto que la gente que practica sexo regularmente suele masturbarse más que aquellas personas que llevan un tiempo sin acostarse con nadie.

De modo que no pienses que la masturbación es un sustituto del sexo, sino más bien una forma de matar el gusanillo de vez en cuando.

4. No eres la única persona que se siente culpable cuando acaba.
Pese a que masturbarse no es algo de lo que haya que avergonzarse, hay un montón de razones personales, religiosas y culturales por las que una persona se puede sentir un poco sucia al terminar. No te pasa solo a ti.

De hecho, según un estudio, la mitad de las personas que se masturban experimentan dudas por lo que han hecho: “Aproximadamente el 50% de las mujeres y el 50% de los hombres que se masturban se sienten culpables por ello”. Así que no te sientas excluido ni pienses que es una razón para dejar de masturbarte. Estamos todos en el mismo barco.

5. Las mujeres que se masturban suelen estar más satisfechas en sus relaciones.
Un estudio de febrero de 2017 descubrió que las mujeres que se masturban con frecuencia suelen recibir más sexo oral, tener relaciones sexuales más largas, pedir más a menudo que les hagan lo que les gusta en la cama, elogiar a su pareja tras el acto, probar nuevas posiciones, intercambiar palabras eróticas y expresar su amor durante el coito.

6. A los hombres les sirve como escudo contra el cáncer de próstata.
Parece el típico argumento de adolescente, pero es cierto: masturbarse al menos 21 veces al mes puede ayudar a reducir un 33% las probabilidades de sufrir cáncer de próstata. Los investigadores realizaron el seguimiento de 30.000 hombres durante casi 20 años para llegar a estas conclusiones.

7. Es bueno para la salud.
La masturbación también ha demostrado producir beneficios en la salud tanto de hombres como de mujeres. Aparte de reducir el riesgo de cáncer de próstata en hombres, sirve para reducir la tensión arterial y para relajarse.

8. No conlleva ningún riesgo de contraer enfermedades de transmisión sexual ni de embarazos indeseados.
El sexo está muy bien, pero siempre hay que acordarse de tomar precauciones, ya que puede acarrear sus riesgos. En cambio, con la masturbación tienes la seguridad de que estás a salvo.

Este artículo fue originalmente publicado en el ‘HuffPost’ Reino Unido y ha sido traducido del inglés por Daniel Templeman Sauco.

Fonte: HuffPost Es
Por Sophie Gallagher
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A psicologia atribui à educação fútil e consumista a hipersexualização das meninas

A psicologia atribui à educação fútil e consumista a hipersexualização das meninas

Efeitos da hipersexualização: meninas transformadas em ‘Lolitas’

Roupas, brinquedos e séries de TV inoculam de forma sutil a erotização precoce no universo infantil

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Em 2007, a Associação Norte-americana de Psicologia (APA na sigla em inglês) publicou um documento em que denunciava a tendência sexualizadora das crianças nas sociedades modernas. O documento apontava que o fenômeno abrange desde roupa, brinquedos e videogames até séries de TV, inoculando de forma sutil o erotismo prematuro no universo das meninas. O estudo mostrou que meninas a partir de quatro anos são bombardeadas com modelos de sucesso que triunfam graças a seus atributos físicos, às medidas que o mercado impõe, mas não por suas qualidades pessoais e profissionais. Dez anos mais tarde essa tendência, longe de ser corrigida, cresceu.

É um fenômeno tão crônico, tão incorporado que às vezes os adultos nem se dão conta: sutiãs com ou sem recheio para meninas de oito anos, saltos, tops e minissaias, heroínas de séries com corpos esculturais, bufês infantis que propõem concursos de beleza e desfile na passarela em festinhas de aniversário… Fala-se, inclusive, de uma chegada precoce à adolescência, uma etapa desconhecida há poucas gerações chamada de pré-adolescência que vai encolhendo tristemente a infância, reduzindo-a a anos cada vez mais escassos.

As razões fundamentais são, como quase sempre, de consumo: a moda, principal artífice da utilização de meninas em anúncios publicitários como Lolitas cada vez mais jovens, impulsiona esta imagem como um potente gancho comercial para vender seus produtos. Tudo está à venda numa sociedade ultramaterialista, tudo pode ser usado para gerar dinheiro, até mesmo a infância.

Por outro lado, vivemos em uma sociedade com profundas contradições e com grandes doses de moral ambígua. O sexo vende sempre, e a atitude da sociedade sobre a sexualidade feminina é no mínimo confusa e ancorada em padrões machistas. Por um lado se critica uma mulher que se veste de forma provocante, mas, por outro, se aceitam tanto uma menina vestida de mulher, maquiada, de saltos e minissaia, como uma mulher vestida de menina, beirando os limites da pedofilia. É o sintoma de uma cultura que flerta desde a infância com o mercado do sexual e que continua ancorada em padrões que enquadram o gênero feminino no acessório’.

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Efeitos da hipersexualização: meninas transformadas em ‘Lolitas’

O verdadeiro veneno de tudo isso é que a maioria das meninas vai crescer sem o espírito crítico necessário para sair desse roteiro e passará grande parte de sua vida tentando se encaixar em medidas físicas, num roteiro unilateral que não foi decidido nem negociado por elas porque vem do mercado e do gênero masculino. Depois passarão outra parte de sua vida tentando preservar o que puderem dessas medidas e submetendo-se a cirurgiões plásticos, a dietas e à ansiedade de uma corrida contra o tempo que invariavelmente perderemos.

Os efeitos no desenvolvimento normal de uma menina são os que derivam de quebrar o equilíbrio e pular etapas. Por exemplo, temos dados de que, na França, 37% das meninas afirmam estar fazendo dieta, as conversas sobre moda e peso ideal aparecem cedo, as meninas são constantemente estimuladas pela televisão e pelas revistas juvenis, e vão assumindo com uma naturalidade perversa sua condição de objetos sexuais, vão adquirindo a crença de que a sociedade vai valorizá-las em função de sua aparência mais ou menos atraente para os homens. Um exemplo muito claro é que um presente cada vez mais frequente dos pais antes dos 18 anos é um aumento de seios. Outro sintoma alarmante e derivado desse desajuste é o arrepiante aumento nas percentagens de meninas afetadas por transtornos alimentares, principalmente anorexia e bulimia, que já estão sendo detectados entre os 5 e os 9 anos.

Além disso, ou sobretudo, essa hipersexualização do universo infantil acarreta uma aproximação muito violenta e distorcida do mundo da sexualidade adulta, perdendo-se experiências imprescindíveis que vão introduzindo de forma saudável e gradativa uma parte essencial do que depois será sua vida conjugal e sua forma de entender as relações sociais, não só sexuais. O erotismo, a sensualidade, a sexualidade são capacidades que se desenvolverão paulatinamente, assumindo uma forma específica em cada etapa do desenvolvimento e aproximando-se dos padrões adultos na adolescência. Há sexualidade nas crianças, é óbvio, porque é condição humana, mas muito diferente da que a mídia mostra a elas e a nós. Expressa-se na consciência de identidade de gênero, em saber que é homem ou mulher, nos jogos de papéis (quando brincam de casinha), na curiosidade saudável de conhecer as diferenças no corpo do outro, mas não há erotização alguma nisso. Trata-se de um processo que, se não for adulterado por interesses comerciais e tóxicos, levará a uma sexualidade adulta livre.

Nós, os pais, temos a responsabilidade neutralizar, o quanto possível, toda essa influência externa, para isso precisamos estar muito atentos e muito presentes, acompanhar com interesse o que leem e assistem, filtrar e canalizar o que chega a eles de todos os lados, dosar as mídias. Não permitir que frequentem lugares nem façam atividades que não sejam condizentes com sua idade, unicamente pelo fato de que as outras crianças fazem. Ser parte da solução, não do problema. Educar em valores que priorizem o esforço, o ganho, o espírito cooperativo e a igualdade. E, sobretudo, oferecer um referencial sólido através do exemplo.

Assim, quando chegarem os anos difíceis, a adolescência, precoce ou não, terão raízes. Terão critério. Não serão invulneráveis, obviamente estarão sujeitas às pressões sociais, mas teremos deixado uma base sólida em sua personalidade que lhes ajudará a saber diferenciar e sair ilesas dessa etapa tão difícil como imprescindível.
Fonte: EL PAÍS – BRASIL
Por Olga Carmona
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Curso de educação sexual para adulto com aula prática

O que é ensinado nos cursos de educação sexual para adultos

aula 1Estou sentada sobre uma almofada no meio de uma sala espaçosa, junto com um casal, uma moça solteira e um homem divorciado. Na minha frente está Anahí Canela, educadora sexual para adultos que dá uma masterclass sobre ponto G e squirt (ejaculação feminina). Começamos a conversar sobre anatomia feminina e, depois de uma breve pausa para recuperar as energias, passamos à parte prática do curso. Anahí Canela tira a calcinha e nos faz uma demonstração do que é a ejaculação feminina. Ficamos mudos. E o interesse aumenta. Um por um, colocamos luvas de látex, um pouco de lubrificante e introduzimos os dedos dentro da vagina da professora, que nos guia até que, finalmente, encontramos o seu ponto G. Após essa descoberta, aprendemos algumas técnicas para estimulá-lo e conseguir assim o tão conhecido squirt. Mais tarde é a vez das mulheres, que devem tentar encontrar o próprio ponto G. No meu caso, sem sucesso. Até que Anahí Canela coloca luvas de látex e introduz dois dedos na minha vagina. Um movimento simples e… “porra”. É a única coisa que pude pronunciar. Mas não sem antes me perguntar como era possível que soubesse tão pouco sobre os meus órgãos genitais e minha sexualidade.

Anahí Canela oferece uma grade variedade de cursos em que trata de assuntos como sexo oral ou anal. E, quase sempre, por meio de cursos práticos como o que assisti. “No meu caso, abordo um nível muito físico e muito prático, e encontrei pessoas bloqueadas que não aceitam a si mesmas, nem sua identidade, desejos ou prazer”, diz. Ela rompe todos os padrões clássicos ao dividir suas aulas em uma parte teórica e outra prática.

Os cursos são presenciais, têm uma duração que varia entre 4 e 8 horas e são dirigidos a todo tipo de pessoas, independentemente da orientação, identidade sexual, idade ou estado civil. Oscilam de 40 a 80 euros (150 a 300 reais) e tratam de assuntos tão interessantes como masturbação feminina e sexo oral ou, o mais pedido, o ponto G e o squirt. “As mulheres se interessam por assuntos como felação ou masturbação masculina, enquanto os homens preferem falar sobre ponto G e squirt”, diz Canela. “Embora o que continua a me surpreender hoje é que homens e mulheres não saibam onde está o prazer na vagina. Não têm a menor ideia sobre onde se pode tocar ou como se deve fazer”, diz Canela.

Nas escolas primárias é ensinada alguma coisa sobre anatomia sexual. No ensino médio, várias ONGs como a Cruz Vermelha desenvolvem em algumas escolas cursos sobre como evitar uma gravidez indesejada e doenças sexualmente transmissíveis, que podem ser resumidos em “como colocar uma camisinha em uma banana”. Aí acaba a educação sexual de muita gente. A sexóloga e terapeuta de casais María Esclapez, autora do blog Diário de una Sexóloga, diz que “a sexualidade está envolvida em mitos, estigmas ou crenças pré-concebidas” e fala de “auge” dos cursos para aprender a desfrutar da sexualidade.

Esse auge que é percebido no setor se reflete em projetos como a Sex Academy, a primeira academia de sexualidade da Espanha, fundada em 2012 por Laila Pilgren, sua gerente de projetos e atual diretora. “No nosso país, o pouco que se educa sobre sexualidade se faz em meio a uma aura de medo. Então chega um momento na vida dos adultos em que percebem que sua sexualidade esteve limitada e muitas vezes ficou estagnada por falta de informação e formalismos sociais”, diz Mireia Manjón, sexóloga e diretora adjunta da Sex Academy.

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Educação sexual com pornografia

A pornografia também pode ser outro meio para ensinar técnicas de forma clara. Na Espanha existem projetos como o site Pornoeducativo, um portal onde são explicadas de forma explícita e por meio de vídeos, diferentes práticas sexuais. Ele nasceu há dois anos e, desde então, dizem que tiveram mais de 20.000 usuários registrados. A equipe é formada por um grupo de sexólogos e psicólogos responsáveis pela orientação do conteúdo pedagógico e educativo do site. E, por outro lado, existem os teachers, aqueles que se gravam diante de suas câmeras e colocam em prática todas as técnicas descritas. E não devemos esquecer os técnicos de imagem e som e seu diretor de Comunicação, Adrián Pérez, responsável por dirigir, organizar e estruturar todo o projeto.

Seus conteúdos são muito diversificados e englobam da masturbação ao sexo anal, abrangendo todos os grupos, inclusive pessoas com deficiência. Seu tutorial mais visto fala de ejaculação precoce, um guia passo-a-passo para tratá-la. Esse conteúdo e os relacionados ao sexo anal são os mais populares entre os homens, enquanto as mulheres usuárias consultam principalmente vídeos sobre vaginismo e anorgasmia.

A equipe continua a se surpreender quando realiza pesquisas de opinião e as pessoas não sabem o que é uma felação ou um cunnilingus. Ficam espantados, por exemplo, que as pessoas não conheçam a forma técnica (felação) para nomear a prática. “Isso nos dá o que pensar: a educação sexual tem de ser normalizada e para isso é preciso ensinar tudo de uma vez. Revolucionar a educação sexual como a conhecemos até agora” afirma Pérez.

Mas, como se poderia mudar a educação sexual atual? “Até agora, a educação sexual foi desenvolvido na forma de desenhos animados, textos, frutas ou hortaliças nas quais se colocam preservativos e coisas desse tipo. Nós preferimos ensinar tudo como é. Mostrar um pênis se falamos de pênis ou uma vagina se falamos de vaginas. A pornografia também pode ser educativa, sempre que exista uma equipe de profissionais por trás que mantenha os conteúdos no âmbito didático”, comenta.
Fonte: EL PAÍS – BRASIL
Por Noemí Casquet
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O último tabu médico: os objetos no reto

Antropólogo denuncia “estigmatização” do prazer anal na literatura científica

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Radiografia de um homem de 68 anos com uma chave de fenda no reto, em Cartagena. ELENA ROMERA ET AL.

Num dia de 2015, um homem de 50 anos chegou ao pronto-socorro do Hospital Universitário de Getafe, na Grande Madri. Relatava prisão de ventre. Na radiografia não havia nada de estranho, então os médicos lhe administraram um enema de limpeza. Ao cabo de algumas horas em observação, o homem não suportava a dor abdominal. “Tinha taquicardia e suores”, recorda uma das médicas que o atenderam, Myriam Valdés. Uma tomografia revelou então “um objeto estranho no cólon” e uma peritonite fecaloide decorrente de uma perfuração do intestino. Na sala de cirurgia, os cirurgiões encontraram uma cenoura de 20 centímetros inserida por via anal.

O homem passou horas sem mencionar a hortaliça, mas depois da operação relatou que a introduzira “porque tinha lido na Internet que era bom para as hemorroidas”, segundo Valdés. A literatura científica está cheia de casos similares. O Hospital Universitário Doutor Josep Trota, em Girona (nordeste da Espanha), recebeu certa vez um homem de 67 anos que havia inserido uma maçã no ânus 24 horas antes. Outros casos são mais extremos, como o vivido no ano passado no Hospital Valle del Nalón, em Riaño (norte da Espanha). Um rapaz de 29 anos foi ao pronto-socorro com dor abdominal, após uma noite de bebedeira e consumo de cocaína, segundo sua versão. Dizia não se lembrar de nada. Os médicos encontraram dois tubos metálicos de desodorante, de 25 centímetros cada um, no reto e no cólon.

“A presença de um objeto no reto há muito tempo é fonte de piadas e suspeitas tanto na rua como no discurso médico”, reflete o antropólogo William J. Robertson, da Universidade do Arizona (EUA). O pesquisador mergulhou na literatura científica e encontrou 147 estudos aprofundados sobre corpos estranhos no reto, além de um grande número de trabalhos meramente descritivos. Seu veredicto é que os médicos reforçam “o tabu do prazer anal” e contribuem para que os pacientes, por vergonha, adiem a ida ao hospital, agravando os casos mais problemáticos.

“A medicina se baseia em dividir as coisas em normais e anormais ou patológicas. Infelizmente, o anormal frequentemente não se refere simplesmente a uma variação da norma estatística; esse anormal está envolto em ideias derivadas da cultura a respeito do que é um comportamento moral”, observa Robertson. Sua análise, recém-publicada na revista especializada Culture, Health & Sexuality, detectou que 69% dos estudos médicos vinculam os corpos estranhos no reto a práticas sexuais “pervertidas ou aberrantes”.

O antropólogo cita como exemplo uma revisão de 30 casos dirigida pelo cirurgião José Ignacio Rodríguez Hermosa, do hospital Universitário Doutor Josep Trota. No texto, a equipe médica salienta que em cinco dos casos a homossexualidade era um “fator associado”. Curiosamente, segundo Robertson, “os heterossexuais não são classificados como um grupo no qual se possam observar corpos estranhos, embora só 5 dos 30 pacientes, ou 17%, tenham sido identificados como homossexuais”.

“Essa patologia é observada em reclusos penitenciários, em pessoas com transtornos psicológicos, em tentativas de suicídio ou homicídio, em homossexuais, em atos eróticos, em práticas sadomasoquistas, em casos de estupro ou agressões sexuais, em pessoas semi-inconscientes sob os efeitos de drogas ou álcool ou em mulas que ocultam narcóticos”, dizia Rodríguez-Hermosa em outro artigo, publicado em 2001 na revista Cirugía Española.

Para Robertson, essas descrições vinculam tais casos a práticas aberrantes, no contexto de um sistema “heteronormativo” cujo único modelo válido é a relação heterossexual tradicional. “Por que não situar os corpos estranhos no reto no âmbito das práticas sexuais consensuais e saudáveis entre pessoas de vários gêneros e orientações sexuais?”, pergunta-se o antropólogo norte-americano. A médica Myriam Valdés confirma que muitos pacientes são totalmente sinceros, como uma mulher que chegou ao pronto-socorro do Hospital Universitário de Getafe e relatou ter enfiado um desodorante roll-on inteiro no reto enquanto “brincava com o marido” em busca de prazer anal. No ano passado, um homem de 68 anos foi ao Hospital Geral Universitário Santa Lucía, em Cartagena (sudeste espanhol), depois de introduzir uma chave de fenda no ânus.

Robertson salienta que não existem dados epidemiológicos, apenas estudos isolados, então é impossível saber a frequência desses incidentes com corpos estranhos no reto. Além disso, talvez os casos extremos – como o do homem que apareceu num hospital de Hong Kong com o reto perfurado por uma enguia – estejam super-representados na literatura médica. Também já foram descritos casos envolvendo guarda-chuvas, canos de escopeta, velas, pepinos, cabos de vassoura, tubos de aspirador, cabos de martelo, garrafas e, obviamente, vibradores. O primeiro objeto no reto descrito em uma revista médica, a norte-americana JAMA, data de 1919: um copo. Quase qualquer objeto imaginável já serviu para proporcionar prazer anal a alguém.

O trabalho do Robertson destaca que, segundo seus critérios, em apenas 16% dos estudos analisados a reação médica apresentada foi completamente profissional e sensível. “Há uma cultura da vergonha em torno do prazer anal. E os próprios profissionais da saúde contribuem para esta estigmatização, ao enquadrarem os corpos estranhos no reto como um problema de perversões sexuais, mentiras do paciente e anormalidade”, opina Robertson. “Não é muito surpreendente que os pacientes evitem ir ao médico.”

Fonte: EL PAÍS – BRASIL
Por Manuel Ansede
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Por que homens ‘heteros’ fazem sexo com outros homens?

Por que homens ‘heteros’ fazem sexo com outros homens?

SMSMSim, você leu certo: homens que fazem sexo com outros homens e não são homossexuais. É mais habitual do que se pode imaginar. E é bem simples: um homem heterossexual conhece outro (num bar, numa rede social, tanto faz) e eles decidem fazer alguma brincadeira sexual. E, como se não bastasse, gostam. Depois, cada um segue com sua vida perfeitamente hétero, sem que o encontro os faça duvidar da sua orientação. O que leva alguns homens a essas práticas? E por que é incorreto catalogá-los como gays?

Hoje em dia, a aceitação da diversidade sexual é muito maior do que no passado. “À medida que há uma maior tolerância, todos saímos um pouquinho dos nossos armários”, argumenta o psicólogo, psicoterapeuta e sexólogo espanhol Joan Vílchez. “Homens que não chegam a se sentir muito satisfeitos sexualmente podem ter a chance de manter relações com outras mulheres, com um homem, ou de experimentar certas práticas que em outros tempos eram mais censuradas.” Para Juan Macías, psicólogo especializado em terapias sexuais e de casal, “conceitos como heteroflexível ou heterocurioso estão permitindo aos homens explorar sua sexualidade sem a necessidade de questionar sua identidade como heterossexuais”. Por outro lado, a Internet facilita o contato, que pode ser virtual ou físico.

Os especialistas acham isso a coisa mais natural do mundo, pois partem da premissa de que uma coisa é a orientação sexual de um indivíduo, e outra as práticas que ele realiza. “A orientação sexual”, explica Macías, “é construída socialmente, são categorias rígidas e excludentes, com implicações que afetam a identidade individual e social”. Forçosamente, alguém precisa se encaixar em alguma destas três classificações: heterossexual, homossexual ou bissexual. Por outro lado, “a prática sexual é mais flexível e mais livre, é um conceito descritivo. Um espaço tremendamente saudável na exploração do desejo se abre quando a pessoa se liberta da identificação com uma orientação sexual”, diz Macías.

Isso é tão natural que vem de longe. Na Roma antiga, não era raro que um homem comprometido com uma mulher mantivesse um amante. Por não falar do que acontecia nos bacanais. E jovens de todas as épocas recorreram a passatempos com uma conotação sexual difusa. “Na adolescência é bastante comum que haja jogos de certa forma associados aos genitais: ver quem urina mais longe, ver quem tem o maior, existem toques…”, diz Vílchez. “Não deixam de ser incursões homossexuais, mas ainda prepondera o modelo heterossexual, e acontecem a partir da transgressão própria da juventude”, observa o psicólogo.

Um novo modelo: SMSM

Em 2006, um estudo sobre a discordância entre comportamento sexual e identidade sexual realizado por pesquisadores da Universidade de Nova York revelou que 131 homens, de um total de 2.898 entrevistados, admitiram ter relações com homens apesar de se definirem como heterossexuais. Pelos cálculos dos especialistas, esse grupo representa 3,5% da população. Há anos, os médicos empregam a sigla HSH para se referir ao conjunto dos homens (héteros ou gays) que fazem sexo com outros homens. Mas, recentemente, aflorou outro acrônimo mais preciso para definir esse grupo: SMSM (“straight men who have sex with other men”, ou homens heterossexuais que fazem sexo com outros homens). Sites como o Straightguise.com se dedicam ao tema.

Em julho, saiu os EUA o livro Not Gay: Sex Between White Straight Men (“Não gay: sexo entre homens brancos heterossexuais”), em que a professora Jane Ward, da Universidade da Califórnia, fazia a seguinte colocação: uma garota hétero pode beijar outra garota, pode gostar disso, e mesmo assim continua sendo considerada hétero; seu namorado pode inclusive estimulá-la a isso. Mas e os rapazes? Eles podem experimentar essa fluidez sexual? Ou beijar outro garoto significa que são gays? A autora acredita que estamos diante de um novo modelo de heterossexualidade que não se define como o oposto ou a ausência da homossexualidade. “A educação dos homens tem sido bastante homofóbica. Fizeram-nos acreditar que é antinatural ter esses impulsos por outros homens”, explica Vílchez.

Experimentando, experimentando

As motivações, logicamente, são múltiplas. O perfil mais difundido é o do explorador sexual, que gosta de provar coisas novas. “Experimentar uma relação homossexual é uma novidade para ele e, mesmo que ele goste, não podemos dizer que seja homossexual, e sim que goste dessa prática”, diz o médico de família e sexólogo Pedro Villegas. Vílchez compartilha dessa ideia. “A bissexualidade está muito na moda, e na verdade somos todos bissexuais: se você fechar os olhos, dificilmente conseguiria identificar quem está lhe acariciando, se é um homem ou uma mulher. Não há um homem que seja 100% homossexual, nem 100% heterossexual”, sentencia.

Outra das causas é um desencanto com as mulheres, frequente depois de alguns rompimentos conjugais. Vílchez explica: “Quando um casal heterossexual está em crise, é habitual que alguns homens sintam que não se entendem com as mulheres, que são incapazes de se dar bem com elas, e é como se olhassem para o outro lado. Acontece uma espécie de regressão, volta-se a um estágio anterior no qual os homens se sentiam bem juntos, como na adolescência. Em muitos casos é uma necessidade mais afetiva do que realmente sexual”.

De fato, para esse especialista, essas relações eróticas às vezes escondem uma necessidade de afeto que o homem não está acostumado a expressar. “Nos homens há muita tendência à genitalização. Entre a cabeça e os genitais há o coração, que representa os sentimentos, e os intestinos, que simbolizam os comportamentos mais viscerais e as emoções mais intensas, e é como se os homens tivessem aprendido a fazer um desvio: passamos da cabeça diretamente para os genitais, sem viver plenamente as emoções. No caso das mulheres, por tanta repressão da sua sexualidade e por medo da gravidez, acontece o contrário: elas têm muita dificuldade de genitalizar. Para um homem às vezes é mais fácil fazer isso do que expressar emoções mais sutis ou dizer a outro homem: ‘É que me sinto inseguro, tenho medo, sinto-me frágil, não sei o que quero’.”

O impulso narcisista

Entre os homens héteros que vão para a cama com outros homens também há muitos narcisistas. “É aquele sujeito que gosta que prestem atenção nele. Acontece muito nas academias de ginástica: ele gosta de despertar admiração, e não se importa se isso provém de homens ou mulheres”, aponta Eugenio López, também psicólogo e sexólogo. Outros simplesmente têm vontade de transar e recorrem a inferninhos gays, porque acham que lá será mais fácil.

Há homens heterossexuais que se envolvem com homens porque gostam; outros, por falta de alternativas – pensemos nos que são privados do contato com mulheres por períodos prolongados (será que eram mesmo gays os caubóis de O Segredo de Brokeback Mountain?). “O ser humano se rege por seus pensamentos”, argumenta López. “E, se ele acreditar que está perdendo sua sexualidade pela falta de uma mulher, pode reafirmá-la com outro homem. Costuma começar com um simples roçar.”

Se não houver conflito, não há problema

Alguns desses neo-heterossexuais podem ter sentido impulsos desse tipo no passado, mas sem se atreverem a dar o passo. “Aí vêm as circunstâncias da vida que colocam isso de bandeja e eles decidem viver a experiência, mas isso gera um conflito para eles, porque por um lado lhes proporciona prazer, mas por outro ameaça um pouco seu status e sua imagem: ‘Sou ou não sou?’, perguntam-se”, comenta Vílchez. Também podem ficar confusos aqueles que chegam ao SMSM pela carência de uma figura paterna positiva na sua infância: “Às vezes, para reforçar sua masculinidade, integram-se a atividades ‘de homens’ (futebol, musculação) ou têm contatos sexuais com outros homens, mas o que procuram é sobretudo compreensão e carinho”, acrescenta. Os psicólogos são unânimes em dizer que sua intervenção é dispensável quando essas experiências não provocam um conflito no indivíduo. “Se não estão incomodados, não há nada para tratar”, conclui Villegas.
Fonte: EL PAÍS – BRASIL
Por Miguel Ángel Bargueño
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La Iglesia Católica, esa que llama por la libertad de culto donde es minoría pero ataca y censura donde es mayoría, mostró nuevamente su carácter inquisidor en la ciudad de Malargüe, Argentina. Y lo hizo de la mano del sacerdote Jorge Gómez (alías “padre Pato) quien hizo de nuevo gala de su celo censurador.

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El pasado 30 de junio se realizó una jornada de educación sexual para los estudiantes de secundaria de la ciudad, que incluyó información sobre el preservativo. Para el sacerdote argentino esta jornada fue una gran afrenta a la fe católica y durante el acto oficial por el Día de la Independencia hizo un llamado a defender a las familias, incluso, recurriendo al levantamiento armado.
Según explicó el clérigo “Usaron penes de madera para que le pongan el preservativo, aquí, todos los (alumnos) secundarios de nuestras escuelas. ¿Eso es educación sexual?”, se preguntó indignado el sacerdote. Y enseguida espetó: “Eso es una ofensa a Dios, y tenemos que levantarnos en armas para defender nuestras familias”.

Al parecer el Dios ofendido por una clase de uso del condón, no puede usar su omnipotencia para revelar su ira y debe recurrir a sus sacerdotes para que pidan al pueblo que usen las armas contra los educadores sexuales.

Según informó el diario Los Andes, a pesar de la airosa queja del padre Pato Las jornadas “fueron un éxito por varias razones: era la primera vez que se podían hacer en Malargüe” desde que se creó el programa, “asistieron casi 300 jóvenes acompañados de sus docentes y los chicos pudieron hablar libremente de la temática”. Afirmó la docente Carolina Sandmeier.

La docente explicó que abordaron “todos los métodos anticonceptivos, cómo prevenir el embarazo adolescente y al final las capacitadoras le enseñaron a los chicos cómo se coloca un preservativo”, para lo que se valieron de “unas maquetas que son unos penes de madera. Es un tema natural y necesario para los chicos de las escuelas secundarias, a quienes van dirigidas estas jornadas”, afirmó.

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La docente dijo que “el problema es que la Iglesia católica alzó su voz en contra: primero hicieron hablar a los adolescentes de una escuela religiosa, luego mandaron a su gente a presionar al Concejo Deliberante y quieren pedir la banca del ciudadano, dijeron que se incitaba a la sexualidad”.

El historial de frases desde la caverna e incidentes polémicos del “padre Pato” no son pocos. En el año 2011 el sacerdote Pato interrumpió un acto cultural del grupo coral Lutherieces. En ese momento el grupo se encontraban interpretando la pieza “Educación Sexual Moderna”, de Les Luthiers, pero nunca pudo concluirla. En medio de la presentación, el sacerdote se subió al escenario, le quitó el micrófono a uno de los integrantes y les exigió que cambiara su número porque atacaba “a su castidad”, añadiendo que “aquí somos católicos”

Poco después el sacerdote se defendió de las críticas favoreciendo la censura con las siguientes palabras: “La violación de la fe es peor que un delito, si una sociedad empieza a reírse de la fe, esa sociedad ya está destruida. La violación de la fe es diez mil veces peor que la violación de una hija”.

Así pues, el sacerdote que ve más grave reírse de las supersticiones católicas que violar a una niña, ahora llama a atacar con las armas a quienes hablan de educación sexual a los jóvenes.

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Fonte: Blog Sin Dioses
Por Ferney Yesyd Rodríguez
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