Médico é denunciado pelo filho por crimes da ditadura

“Há muito tempo eu desconfiava que meu pai tinha cometido crimes na ditadura militar. Nas conversas em casa, ele demonstrava conhecer detalhes demais dos crimes cometidos naquele período horrível. Mas quando eu perguntava por que ele sabia tanto, respondia que eram as enfermeiras que lhe contavam.”

MA 1Verna integra grupo que reúne 25 filhos de ex-repressores da ditadura | Foto: Arquivo pessoal

A luta de argentino para denunciar o próprio pai por crimes da ditadura

O advogado Pablo Verna, de 44 anos, fez um pedido ao Congresso Nacional do seu país, a Argentina: ele quer que a legislação em vigor, que impede familiares de denunciarem e prestarem depoimentos à Justiça contra seus parentes, seja modificada.

Seu objetivo é ter o direito de denunciar e depor contra o pai, que foi médico do Exército durante a ditadura argentina (1976-1983). Ele diz que Julio Alejandro Verna, hoje aos 70 anos, admitiu ter injetado sedativos em vítimas do regime militar antes que elas fossem lançadas dos chamados “voos da morte”, que arremessavam os prisioneiros ainda vivos em rios ou no mar.

O pai dele está livre. Questionado certa vez por uma repórter, o médico negou ter sedado desaparecidos políticos para esse fim. “Não, senhora. De onde tiraram isso?”

Pablo Verna integra o Histórias Desobedientes, grupo que reúne 25 filhos de ex-repressores da ditadura argentina. Leia seu depoimento à BBC Brasil:

“Há muito tempo eu desconfiava que meu pai tinha cometido crimes na ditadura militar. Nas conversas em casa, ele demonstrava conhecer detalhes demais dos crimes cometidos naquele período horrível. Mas quando eu perguntava por que ele sabia tanto, respondia que eram as enfermeiras que lhe contavam.

Meu pai era médico do Exército argentino. E com o passar dos anos, baseado no que ele mesmo me dizia, passei a questioná-lo com tom mais critico, e de acusação.

Nossa relação foi ficando cada vez mais tensa. Duas conversas foram aos gritos. Em 2009, eu já tinha certeza de que ele tinha participado dos crimes. Mas não sabia como. Não tinha os fatos concretos. Além disso, como filho, acho que queria manter a dúvida diante de algo tão pavoroso.

Então, em meados de 2013, em mais uma conversa tensa, ele admitiu que tinha cometido os crimes. Não lembro as palavras exatas que usei para que admitisse isso. Mas naquele encontro lembrei o que meu pai tinha contado a um familiar e as respostas anteriores que tinha me dado cada vez que abordei o assunto. Foi impossível para ele negar o que tinha feito. E até que me disse: ‘foi isso mesmo’.

Como médico, meu pai participava dos crimes da ditadura injetando sedativos nas pessoas que seriam jogadas vivas ao rio ou ao mar. Eram anestesias que as deixavam imediatamente paralisadas, mas respirando. E quando elas estavam assim, as jogavam dos ‘voos da morte’, como ficaram conhecidos.

Meu pai cometeu outros crimes. Ele também participava dos sequestros dos opositores, dos militantes sociais e políticos. Foram 30 mil desaparecidos no nosso país. A ditadura genocida sequestrava e fazia essas pessoas desaparecerem.

MA 2Mães da Praça de Maio foram a primeira organização civil que denunciou o desaparecimento de jovens durante o regime militar na Argentina | Foto: Daniel Garcia

Depois daquela conversa em meados de 2013, ele disse a um familiar que não estava arrependido. E ainda acrescentou que tinha participado de um caso específico que teve muita repercussão aqui na Argentina.

Em 1979, quatro pessoas foram sequestradas e também receberam as injeções de anestesia. Elas foram jogadas em um riacho, uma simulação de um acidente de carro em uma ponte. As quatro morreram.

Como médico militar, meu pai estava sempre armado. Isso até passar para a reserva, em 1983, com o retorno da democracia no país. E além desses crimes genocidas, certa vez ele apareceu em casa com uma maleta de primeiros-socorros de médico que não era dele. Que era de uma das vítimas da ditadura. Eu perguntei porque estava com duas maletas, e me respondeu que tinha sido um presente. Que uma das maletas tinha sido de um subversivo.

Na minha casa, as palavras que ele usava eram chamativas, como ‘subversivo’. Eram palavras de um genocida. Era um discurso ideológico para eliminar os que eram opositores ao regime militar. Uma vez, disse que os opositores eram mortos porque, quando eram presos e soltos, ficavam ainda piores.

A nossa relação foi rompida naquela conversa em meados de 2013, quando meu pai admitiu os crimes. Mas no dia seguinte ele me ligou para saber se eu tinha contado para minha mulher. Depois disso, ficamos sem nos falar até pouco tempo – dias atrás, ele me telefonou para, ao meu ver, fazer ameaças. Também faz isso por meio de conversas com parentes, cujos relatos chegam até mim.

Eu me afastei de muitos familiares. Primeiro, para evitar encontrá-lo, e ainda porque uma parte da minha família se recusa a saber, nega o que ocorreu. Acha que isso é um problema entre duas pessoas – no caso meu pai e eu. Mas isso não é um simples problema entre duas pessoas, é entre ele e a humanidade, na qual eles, os familiares, estão incluídos.

MA 3Pai de Pablo Verna (foto) admitiu, segundo ele, ter injetado sedativos nas vítimas da ditadura | Foto: Arquivo pessoal

Hoje meu pai está livre, mas é investigado porque o denunciei na Secretaria de Direitos Humanos poucos meses depois daquela nossa conversa. Agora o caso dele faz parte de uma imensa apuração, levada adiante pelos defensores das vítimas na que ficou conhecida como ‘megacausa contraofensiva’, pela repressão e extermínio ocorridos no Campo de Mayo nos anos 1970 e 1980. O local foi um centro clandestino de prisão e extermínio horrível no nosso país.

Essa casa deixou poucos sobreviventes e provas. Meu problema hoje, como filho, é que, apesar de ter essas certezas contra meu pai, encontrei barreiras na legislação que me impedem de denunciá-lo penalmente. No Código de Processo Penal da Argentina, existem dois artigos que proíbem que familiares denunciem e deem depoimento, já no processo, contra outros familiares.

Ou seja, não podem ser testemunhas contra outros familiares. Por isso, entramos com esse projeto de lei pedindo que essas proibições não sejam aplicadas para os casos de crimes contra a humanidade. E assim nós, filhos de repressores, poderemos denunciar nossos pais judicialmente, além de prestar depoimento contra eles nos julgamentos.

Nós do coletivo Historias Desobedientes, que somos filhos e filhas de genocidas, vivemos nas nossas casas, com nossos pais, a imposição de um mandato de silêncio, de maneira implícita ou explicita.

Os genocidas fizeram um pacto de silêncio que cumprem até hoje. Eles não revelam o que fizeram e o que os outros militares fizeram. Mas depois de muitos anos, e de conscientização do que aconteceu, e da nossa própria ética, decidimos levar as acusações adiante. Mas aí nos deparamos com esses artigos da legislação argentina.

Apresentamos esse projeto de lei no dia 7 de novembro na mesa de entrada da Câmara dos Deputados. No nosso grupo, alguns já têm os pais mortos, outros condenados e outros, impunes.

No meu caso, espero que meu pai seja investigado. E que ele e os outros genocidas reflitam e tenham alguma dignidade em seus últimos anos de vida. Que deem um pouco de paz a tantos familiares que não sabem qual foi o destino de seus parentes desaparecidos. E paz até para eles, genocidas. Porque eles também devem viver um inferno em suas mentes e corações.
Nós, como coletivo, sabemos que nossa iniciativa, com esse projeto de lei, pode ajudar no contexto das investigações. Coisas que ouvimos nas nossas casas podem aportar no contexto em que os crimes foram cometidos. Inclusive os casos de roubo que as vítimas da ditadura sofreram.

Nossa iniciativa não dará resposta a tudo. Mas pode contribuir para acabar com a impunidade mantida pelos genocidas.”

Fonte: BBC Brasil
Por: Marcia Carmo
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Como e quem incentiva a epidemia de obesidade

Alimentos: o ‘manual’ da indústria para frear a regulação na América Latina

Na Pátria Grande da Obesidade, dividir para dominar é a palavra de ordem. Criar confusão nas evidências científicas, ameaçar com ações internacionais e acionar amigos poderosos são o centro da ofensiva. Se nada funcionar, vai na porrada

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“Una família”, do colombiano Fernando Botero
Um segmento econômico deve acender o sinal amarelo para o risco de sofrer regulação quando alguns fatores se encontram: instituições relevantes defendem a adoção de regras, há uma considerável atenção midiática ao tema e a sociedade está preocupada. O sinal vermelho pisca quando a regulação está consolidada em outros países, há uma intensa pressão pública e os principais atores daquele setor estão cobrando medidas.

É, a chapa esquentou para os fabricantes de alimentos ultraprocessados na América Latina. Como mostramos em O joio e o trigo, alguns países estão à frente de uma agenda política inédita que tenta colocar freio à epidemia de obesidade. Ninguém prega os olhos. O bagulho ficou louco.

As transnacionais sabem que essa é a hora de matar a criança no berço. A chilena, que colocou um sinal de advertência frontal no rótulo de produtos com excesso de calorias, sal, gordura e açúcar. E a mexicana, que criou um imposto sobre bebidas açucaradas. Já falamos sobre como no Congresso Internacional de Nutrição, realizado em outubro em Buenos Aires, a indústria tentou desmerecer as duas iniciativas, tidas como inúteis e confusas.

A seguir, algumas evidências de como a indústria está articulada para fazer abortar as iniciativas que ainda não vieram ao mundo. E quais as contradições nesse discurso.

1. Cerca o frango
“Gostei muito da apresentação do colega do Uruguai, mas a população brasileira é bem diferente”, enfatizou Mariângela Almeida, da Confederação Nacional da Indústria (CNI), durante um seminário organizado em novembro pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para discutir a adoção de um modelo de rotulagem frontal de alimentos.

Talvez nossa alma sambista e boêmia não lide muito bem com os sinais de alerta defendidos pela sociedade civil, tão pesados.

Isolar para derrotar é uma primeira medida da indústria. No Brasil, por enquanto a Anvisa tem aceito a ideia de que as evidências científicas acumuladas em outros países não podem ser transpostas ao cenário local.

2. A República Unida da Obesidade
Isso nos leva ao segundo ponto. Desde a 2ª Guerra Mundial, essas empresas não pouparam esforços para derrubar fronteiras nacionais e criar produtos que pudessem ser vendidos do extremo mais pobre da África ao vilarejo mais rico da Europa.

Para essa função foi criado o Codex Alimentarius, um organismo conjunto da Organização Mundial de Saúde (OMS) e da FAO que “harmoniza” a legislação dos países para que os produtos possam circular com facilidade. É ali que se define, por exemplo, quanto de cada aditivo será permitido em alimentos. Ou como serão as normas nacionais sobre fórmulas infantis. Desde que a Organização Mundial do Comércio (OMC) adotou o Codex como baliza para as transações na área alimentícia, as decisões têm efeito praticamente compulsório.

“O Codex trabalha no sentido de ajudar a indústria a produzir alimentos seguros e no sentido de que o consumidor tenha esses produtos seguros”, diz Felix Reyes, professor da Faculdade de Engenharia de Alimentos da Unicamp que, durante muitos anos, integrou a comitiva brasileira de um dos grupos de trabalho. “Quando o Codex se reúne, todos os países estão representados. Um país pode querer proteger seus interesses políticos no Codex. Pode tentar induzir problemas a um concorrente.”

Ele diz, porém, que, na área científica, não há espaço para a proteção de interesses políticos.

Há muitas divergências. “Um estudo mostrou que mais de 400 dos participantes não governamentais nos comitês do Codex representam a indústria, enquanto apenas 1% representavam organizações de interesse público”, narra o livro Lethal but legal. “Companhias como Nestlé, Hershey, Kraft, General Foods, Coca-Cola e Pepsico, além de grupos como a Associação dos Fabricantes de Alimentos dos EUA e a Associação Nacional dos Processadores de Alimentos, frequentemente têm mais pessoas nessas reuniões que os governos de países pequenos. Em resumo, a indústria e suas entidades de classe são comumente os juízes, os jurados e os especialistas na formulação de decisões sobre acordos comerciais, deixando pouco espaço a considerações sobre saúde.”

Se quiser ler mais a respeito, recomendamos também o artigo Do food regulatory systems protect public health?, que mostra como a saúde foi colocada em segundo plano no Codex.

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3. Insaciáveis
Também não foram poucos os esforços da indústria por criar alimentos hiperpalatáveis que piram o cabeção de gregos e mexicanos, driblando os mecanismos de saciedade de nosso cérebro. Uma farta literatura sobre o assunto pode ser encontrada no livro Sal, açúcar, gordura, do jornalista Michael Moss.

“As próprias empresas de alimentos estão viciadas em sal, açúcar e gordura. A incansável determinação de gerar a maior atratividade pelo menor custo possível as leva, de modo inexorável, a esses três ingredientes”, ele explica.

Os níveis de obesidade na América Latina explodiram em simultâneo, desde a década de 1970 e com maior intensidade no final do século, quando os mercados ricos estavam mais próximos da saturação e o marketing das transnacionais se voltou aos países de média renda. Nesse momento, a região está em algum ponto da transição entre uma alimentação tradicional e uma totalmente industrializada.

Não custa lembrar que, para além dessa semelhança, há uma igualdade absoluta: cem gramas de açúcar são a mesma coisa no Brasil, no México ou na Austrália. E um pacotinho de M&Ms é vendido do mesmo modo na Argentina ou na Itália.

4. Que baixem as fronteiras
Se nada disso funcionar, esqueçam tudo o que falamos sobre as especificidades nacionais. É hora de derrubar as fronteiras e irmanar nossos povos. Sim, o Mercosul serve para essas horas de aperto. Frente à iminência da adoção dos sinais de alerta nos rótulos no Uruguai e ao cenário indefinido no Brasil, a indústria trabalha para levar a discussão para o âmbito do bloco regional.

A enorme quantidade de interesses conflitantes e a falta de acordo dentro dos próprios governos nacionais farão qualquer decisão subir no telhado. A Coca já sinalizou ao Uruguai que acionará a OMC pela interpretação de que a rotulagem frontal violaria os acordos regionais.

5. Amigo é coisa pra se guardar
Nessa hora vale acionar os amigos nos governos. As equipes econômicas e de agronegócio são sempre a porta de entrada na tentativa de frear qualquer iniciativa regulatória. Muitos países da região dependem fortemente desses segmentos e não estão dispostos a pelejas.

Um argumento central é a perda de arrecadação provocada por restrições ao setor privado, podendo levar ao fechamento de postos de trabalho. Outro reside na violação aos tratados internacionais de livre comércio.

No flanco oposto, pesquisadores e organizações da sociedade cobram que se coloque na ponta do lápis o custo provocado por esses produtos aos sistemas de saúde.

6. Deixa que eu chuto
“Vamos taxar quem não faz exercício? Vamos taxar quem come mais de duas mil calorias por dia? Vamos taxar o sujeito que tem estresse no trabalho?”, questionou Alexandre Kruel Jobim, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Refrigerantes e Bebidas não Alcoólicas (Abir), durante uma audiência pública na Câmara dos Deputados para debater a criação de um imposto sobre esses produtos.

É uma fala interessante porque condensa alguns argumentos. Primeiro, de que a obesidade é causada por vários fatores – e, claro, os ultraprocessados estão longe de ser o fator central, de acordo com as empresas. Segundo, que o indivíduo é o grande culpado porque faz escolhas erradas. Terceiro, que nenhuma medida isolada resolve o caso.

De fato, tanto não resolve que, além da taxação, são propostos restrições à publicidade e à venda para crianças, sinais de advertência frontais nos rótulos e estímulos à venda de alimentos in natura, entre outras possibilidades. E, ainda que não fosse assim, por algum ponto é preciso começar.

7. Mal educados
Sim! É preciso começar – e terminar – pela educação alimentar. Em 100% das falas de representantes das empresas e de acadêmicos mais simpáticos a elas, essa é a panaceia. As pessoas estão gordas porque não sabem comer. Basta explicar a elas que Doritos se come à tarde e não na hora do jantar; que Coca é para ser tomada depois de uma caminhadinha pela rua e que esse corpinho flácido não deve ficar parado.

Mas, calma, quem foi mesmo que disse que era impossível comer um só? E quem nos ensinou que bastava um movimento simples para poder tomar um montão de refrigerante? E que Danoninho vale por um bifinho? E que o suquinho em pó está cheio de vitaminas e minerais, mesmo que as frutas tenham passado longe daquele pacotinho?

Há certas babás que você não quer para os seus filhos.

De todo modo, essas empresas não promoveram até agora nenhuma ação relevante de educação alimentar, mesmo com o farto investimento publicitário na televisão.

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8. A diferença entre farinha de trigo e Fandangos
Não importa quanta evidência científica exista indicando determinado caminho, ela nunca é suficiente. Ou conclusiva. Para garantir o êxito desse argumento, o setor privado se esmera em financiar a produção de pesquisas científicas que caminhem no sentido contrário à regulação, confundindo a sociedade e os formuladores de políticas públicas. Já mostramos como a roda gira na Anvisa.

Pegando o caso da rotulagem, a Associação Brasileira das Indústrias de Alimentação (Abia) diz que o modelo de semáforos está ancorado em uma revisão da literatura feito pelo Núcleo de Estudos e Pesquisas em Alimentação, da Unicamp, cujo coordenador é consultor de diversas empresas.

No mundo todo, dois tipos de organização têm sido acionados para defender as empresas.

– as sociedades acadêmicas nacionais de alimentação e nutrição, há longo tempo prestadoras de serviços

– as organizações de tecnologia de alimentos

Vamos falar sobre essas. Susana Socolovsky, presidente da Associação Argentina de Tecnólogos Alimentares, tem rodado o continente. México, Brasil e Uruguai foram três dos alvos. No geral, a fala consiste em acusar preconceito contra a indústria, mirando dois coelhos com uma cajadada.

Primeiro, a separação entre processados e ultraprocessados. Segundo, o modelo de perfil de nutrientes da Organização Pan-Americana de Saúde (Opas), que toma essa separação como base para definir os limites de ingestão por produto e não mais pela dieta total do dia: consumindo alimentos que não excedam os limites, é provável que você mantenha uma dieta saudável.

“O modelo de perfil de nutrientes proposto está baseado nas calorias do produto. Não permite mostrar as diferenças entre um produto tradicional e um produto baixo em açúcar”, disse Socolovsky a um jornal uruguaio. Em outra entrevista, ela afirmou que os veganos são uma tribo de fanáticos que encontraram uma maneira de substituir a religião. “Existe uma culpabilidade não justificada do alimento empacotado, como se fosse por si prejudicial.”

Não nos parece que a reação da média da sociedade seja aos alimentos industrializados. É fácil entender que um feijão continua sendo feijão, mesmo dentro do pacotinho.

Uma linha central da defesa das empresas consiste em dizer que o processamento é praticado há séculos. O trigo passa pelos moinhos desde tempos imemoriais. Algas e vegetais são fermentados para aumentar o tempo de conservação. Mas é simples entender que existe uma distância grande entre isso e um Fandangos.

Na Colômbia, quem atua é Jairo Romero, presidente da Associação Latino-Americana e do Caribe de Ciência e Tecnologia de Alimentos. Ele foi ao Senado afirmar que o modelo de rotulagem frontal com base em sinais de advertência não tem evidências científicas e entra em conflito com os sistemas adotados internacionalmente.

Romero é dono de uma consultoria que presta serviço às empresas de alimentos. E, em 2011, esteve envolvido em um escândalo acadêmico: foi co-signatário de uma carta que determinou o cancelamento de um debate sobre obesidade infantil e mídia no congresso mundial da área sob a alegação de que poderia causar “inconvenientes com os patrocinadores”.

9. Olé
Em pelo menos dois países, Brasil e Peru, as empresas jogam com o regulamento debaixo do braço, num drible digno dos grandes mestres. Não deu pelo Executivo, vai pelo Legislativo.

No final de novembro, a Comissão de Assuntos Econômicos do Senado aprovou o Projeto de Lei 489, de 2008, que ficou travado durante anos por ação da própria indústria. O PL postula a rotulagem por semáforos, que na década passada era visto como ruim pelo setor privado. Mas os anos passaram e o sistema se mostrou ineficiente. Então, é melhor fazer aprovar e sancionar uma lei que feche as portas à ação da Anvisa. No Chile, a história também começou com um semáforo e foi terminar num sinal de advertência.

Breve observação: a Comissão de Assuntos Econômicos é presidida por Tasso Jereissati (PSDB-CE), um dos maiores engarrafadores de Coca do mundo. Ele designou como relator Armando Monteiro Neto (PTB-PE), que já foi presidente da Confederação Nacional da Indústria.

No Peru, o Ministério da Saúde já havia aprovado em agosto uma resolução para adotar sinais de advertência inspirados no caso chileno, cumprindo as recomendações da Lei de Promoção da Alimentação Saudável, de 2013.

Mas o partido do ex-presidente Alberto Fujimori tirou da cartola um projeto para impor o semáforo. Como no Brasil, hierarquicamente uma lei estaria acima de uma decisão do Executivo. O texto foi aprovado rapidamente pela Comissão de Defesa do Consumidor do Congresso, que decidiu excluir do debate as evidências científicas.

10. É treta
Se nada disso funcionar, sempre teremos a violência. Duas extensas e bem documentadas reportagens do The New York Times relatam ameaças e espionagem contra agentes públicos, pesquisadores e integrantes de ONGs envolvidas no debate regulatório no México e na Colômbia.

Fonte: O joio e o trigo
Por: João Peres
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O Estado Laico trata melhor a todas religiões do que um Estado Teocrático

¿Qué es una democracia laica?

Para la Iglesia persecución es que le quiten el derecho a decir la última palabra. La religión como derecho debe ser respetada pero como deber no puede serlo. Es incompatible con la democracia. En los países en que la religión es un deber no pueden convivir distintas iglesias, no puede haber tolerancia religiosa.

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La sociedad democrática debe ser laica, no puede elegir serlo o no serlo. En el pasado la religión oficial ha servido para vertebrar la sociedad. La religión no pertenecía al ámbito privado. Pero en un momento dado, el centro de la vida social pasa a ser el debate y la controversia democrática. Fueron los griegos los primeros que convierten el debate en la asamblea en el centro de la vida social. En ese momento, lo que vertebra la vida social es algo revocable, en lugar de los fundamentos religiosos que son inalterables.

Se produce el paso de la sociedad teocéntrica, que pregunta a lo otro para saber cómo es ella, a la sociedad democrática en la que se pregunta a sí misma. Son los hombres los que se dan sentido. Lo característico de la sociedad democrática es que recibe su sentido de sí misma. La sociedad para los individuos y no los individuos para la sociedad. La sociedad clásica tenía un plus de estabilidad. Lo que no es humano es lo que está a resguardo. Cuando es la propia relación de ciudadanos el centro de la vida social, hay controversia y discusión.

La sociedad democrática no puede ser teocéntrica porque son términos contradictorios. Cuando la religión deja de ser el centro de la vida social es posible la sociedad democrática. La religión no tiene que desaparecer, simplemente debe dejar de ser el centro para que pueda existir la sociedad democrática.

En el momento en que la religión deja de ser el centro de la sociedad se convierte en la vía de búsqueda de sentido de los individuos. La sociedad da cierto sentido, pero somos mortales y, por eso también necesitamos la religión. La religión va a seguir teniendo un tema porque existe la mortalidad. La religión es una de las mayores transmisoras de sentido que ayudan a las personas a vivir con su finitud. Cada cual debe negociar su vida en ese asunto. La religión es un derecho de buscar sentido a la vida. Esto está en la base de la tolerancia democrática, que era tolerancia religiosa antes que política. Voltaire, asombrado por la tolerancia religiosa de los ingleses, decía: “Los ingleses van al cielo y al infierno cada cual por el camino que quiere”.

Para que la religión sea vista como un derecho no solo es necesario la tolerancia del poder, sino también que el individuo renuncie a la religión como centro de la sociedad. La diferencia entre un fanático y un religioso, es que para el fanático la religión no es un derecho sino un deber para él y para todos los demás. Y además él considera que tiene el deber de hacer que los demás cumplan ese deber.

La Iglesia española dice que hay persecución religiosa cuando lo único que hay es que se les ha prohibido perseguir. Antes existía persecución religiosa porque eran ellos los que perseguían. La homosexualidad, el aborto, el divorcio… además de pecado eran delito.

Para la Iglesia persecución es que le quiten el derecho a decir la última palabra. La religión como derecho debe ser respetada pero como deber no puede serlo. Es incompatible con la democracia. En los países en que la religión es un deber no pueden convivir distintas iglesias, no puede haber tolerancia religiosa.

El Estado debe ser escéptico frente a la religión. El Estado laico trata mejor a las religiones que las tratarían otras religiones en un Estado teocrático. La mayor persecución religiosa ha sido por parte de otras religiones. La lucha por el laicismo está inscrita en la propia lucha democrática. El cristianismo es la religión para salir de la religión. Es la religión por medio de la cual se entra en el mundo laico.

Los dioses romanos cumplían una función estatal. Los romanos acosaban a los cristianos no por tener su propio dios sino por no adorar a los dioses de Roma. Los cristianos ponían por delante la distinción entre el mundo transcendente y el mundo social, que estaban radicalmente separados.

Este es el comienzo de separación entre el mundo social y el mundo de la religión. Cristo fue condenado por el Estado y, por tanto, no puede representarlo. El cristianismo introduce la separación de Iglesia y Estado. Ahora existe el debate de si la Constitución europea debe recoger una mención a la religión cristiana. En mi opinión sí debe recogerla pero no en el sentido que le da la Iglesia. Habría que mencionar al cristianismo para decir que gracias a él Europa es laica.

Respecto a la educación, se dice que sin la religión no podrían entenderse, por ejemplo, los cuadros de Zurbarán. Pero del mismo modo es interesante la mitología griega para comprender los cuadros renacentistas. Todo puede ser enseñado y estaría bien explicar la religión para entender la pintura religiosa, pero no puede ser dado por religiosos. La Iglesia no pretende enseñar la dimensión estética sino la ética.

En la escuela democrática se deben enseñar dos cosas: Una los conocimientos verificables, aceptados científicamente y respaldados dentro de los parámetros de la época. Otra los valores sobre los que hay acuerdo. No los que aceptan unos y otros no, sino los consensuados, las pautas éticas aceptadas.

Lo demás es aceptable pero no debe estar en la enseñanza y mucho menos en la enseñanza pública. La religión es respetable siempre que no contradiga los valores constitucionales. Existe el derecho a aprender la religión pero costeándoselo el mismo individuo. La sociedad no debe costearlo ni mucho menos imponerlo.

La religión tiene derecho a decir qué es pecado pero no ha decir qué es delito. Tampoco es lógico que diga, por ejemplo, que la homosexualidad es una enfermedad. Eso deben decirlo los médicos que son los que entienden de esos temas.

La modernidad consiste en alejarse de la religión como vertebradora de la sociedad. Debe vertebrarse hacia la polémica, la controversia y el debate democrático. La educación sirve para dar la posibilidad a todos de que la religión sea un derecho. Es necesaria una educación sobre contenidos verificables y valores aceptados para que cada cual sea libre de elegir su propia religión. La Iglesia no puede considerar persecución que se le dé el mismo trato que al resto de organizaciones.

Fonte: Red de Blogs Ateos
Por: Fernando Savater
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Aceitarias retirar um órgão saudável para evitar o câncer?

Profilaxia. Genética estuda cada vez mais famílias com genes propícios a tumores. Deixou de ser raro retirar órgãos antes de ter cancro

“Durante um mês não consegui tomar banho, pentear-me ou deitar-me sozinha. Retiraram-me músculo dorsal para suportar as próteses e pele das costas para fazer a auréola do peito. Correu bem, apesar das cicatrizes que ficam nas costas”, conta Filipa, 43 anos. Casou-se um ano depois da cirurgia, aos 40, e nunca lhe faltou o apoio do marido: “Disse-me sempre que preferia que eu estivesse viva a ter mamas.”

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Era mais um turno no Hospital Dona Estefânia, em Lisboa. Tamara foi chamada para ajudar uma jovem de 27 anos, mãe recente de duas crianças, a quem tinha sido retirado o peito cancerígeno. Enfermeira experimente, daquela vez deixou-se comover, e isso salvou-a. A ela e a outras mulheres.

A doente viria a morrer dois anos depois. Tamara esteve presente na morte, que desde então tem sido a sua vida: “Prometi-lhe que não ia deixar que voltasse a acontecer, que mais mulheres morressem desnecessariamente por ignorância.” O caso da jovem despertou Tamara para uma realidade que agora partilha: há quem nasça com genes mais suscetíveis ao cancro, mas essa fragilidade pode ser descoberta a tempo de agir. Foi o que Tamara fez.

Estudou a história familiar e percebeu que estava em perigo. A mãe teve cancro da mama e duas tias paternas tiveram tumores da mama e ovário, que atingiu ainda a avó paterna. Com origem germânica, Tamara fez os testes na Alemanha e confirmou o pior. Herdara do pai uma mutação que lhe dava 87% de risco.

Em 2009, com 41 anos e um ano depois do decisivo turno no hospital, submeteu-se a uma intervenção preventiva. A cirurgia para retirar a mama foi realizada no IPO-Lisboa, onde regressou aos 42 anos para extrair o útero, os ovários e as trompas. Com duas filhas e quatro sobrinhas, Tamara Milagre já lhes explicou o perigo que vivem.

Foi com o mesmo objetivo de informar que em 2011 fundou a associação EVITA, para os “‘previventes’, sobreviventes à pré-exposição de desenvolver cancro”. “Tentamos salvar vidas”, afirma Tamara Milagre, apelido que adotou do marido português. Tem conhecimento de 40 mulheres que, como ela, optaram por ficar sem mama, um procedimento há vários anos praticado no Serviço Nacional de Saúde e que o caso da atriz americana Angelina Jolie publicitou.

O cancro hereditário tem origem em mutações genéticas que se transmitem entre gerações e representa 10% de todas as neoplasias (tumores malignos). Este valor pode vir a aumentar à medida que são identificadas mais ligações entre genes e tumores malignos. A genética tem cada vez mais testes para determinar os níveis de risco de cancro impostos pelas mutações nos genes. A comunidade científica é consensual em considerar ameaçadores valores acima de 80%.

Em Portugal faltam números, mas nos três institutos do IPO e, por exemplo, no São João, as famílias estudadas e os utentes que optaram pela cirurgia profilática já não são residuais.
No estudo do risco para as neoplasias da mama — as mais comuns — só o IPO-Lisboa soma cerca de cinco mil famílias, com mais de 700 pessoas portadoras de mutações. Em Coimbra são mais de 2000 agregados familiares, 90 com alterações que lhes conferem risco aumentado, e no IPO-Porto vão além de 120. No vizinho São João, também são mais de 100 as famílias sob avaliação.

O cenário repete-se noutros tumores, embora com uma expressão menor. No cancro do cólon e reto, o IPO-Lisboa segue 300 a 400 famílias, com alterações genéticas definidas, e o São João tem cinco agregados com uma mutação rara que aumenta a suscetibilidade a tumores malignos em vários órgãos.

Sobre os procedimentos cirúrgicos preventivos, igualmente sem dados precisos, os especialistas admitem que os hospitais mais diferenciados, como as unidades do IPO, fazem cerca de 20 extrações por ano, sobretudo de mama, ovário, útero e cólon. “Desde 2016, fizemos 33 mastectomias, a maior parte em mulheres saudáveis”, diz Fernando Castro, responsável pela área de risco familiar do IPO-Porto. A média é semelhante à registada em Coimbra: “Temos cerca de 20 cirurgias redutoras de risco por ano”, explica a administração.

Nas intervenções para retirar o cólon (intestino grosso), os números são próximos. Isabel Claro, gastrenterologista do IPO-Lisboa e responsável pela unidade de avaliação de risco nesta área, adianta que “nos últimos anos realizou-se, pelo menos, uma dezena de cirurgias profiláticas por ano no contexto das síndromes hereditários de cancro do cólon e reto”. Mesmo em casos muito raros, como a alteração que dita o cancro do estômago, há registo de extrações preventivas. “Temos sete famílias com a mutação E Caderina e 26 utentes aceitaram a gastrectomia”, diz Margarida Damasceno, diretora da Oncologia do Hospital de São João.

“O cancro hereditário é o cancro com o maior potencial de prevenção e o ‘enteado’ da oncologia porque não há dados. E, não havendo dados, não há progressos nem argumentação junto 
do poder político”, critica Tamara Milagre. “Temos conhecimento de tempos de espera muito longos, com mais de um ano para saber o resultado do teste.”

O IPO-Lisboa é o pioneiro e aquele que oferece a resposta mais completa na avaliação do risco familiar de cancro, com uma clínica dentro do IPO só para esta área, e mesmo assim tem lista de espera. “Em casos sem urgência — que quando existe, o utente tem a consulta e o teste feito em três meses — a espera pode ultrapassar seis meses”, reconhece a diretora da clínica, Fátima Vaz.

Esperar meio ano para saber se é um alvo fácil pode parecer muito, mas a maioria dos médicos desvaloriza porque é um contexto sem doença. Para alguns doentes a espera ajuda a pensar. Extrair um órgão saudável tem consequências, muitas inimagináveis para quem não é profissional de saúde.

“Durante um mês não consegui tomar banho, pentear-me ou deitar-me sozinha. Retiraram-me músculo dorsal para suportar as próteses e pele das costas para fazer a auréola do peito. Correu bem, apesar das cicatrizes que ficam nas costas”, conta Filipa, 43 anos. Casou-se um ano depois da cirurgia, aos 40, e nunca lhe faltou o apoio do marido: “Disse-me sempre que preferia que eu estivesse viva a ter mamas.”

Filha de uma vítima de cancro aos 38 anos, Filipa herdou a perigosa mutação e quis mudar o destino. “O primeiro pensamento quando acordei da cirurgia foi que poderia chegar a velhinha. Já não tinha duas bombas-relógio no meu corpo.” Mas saber que o risco é muito elevado nem sempre muda tudo.

Ana, 41 anos, ainda não deu o passo para retirar o peito. “Não consigo ficar quieta, há a questão dos filhos e a própria estética. Estou em espera para retirar os ovários, que fui adiando…”, conta. Viu a mãe morrer depois de três recidivas, sabe que tem a mesma mutação mas confia nos exames sistemáticos que faz desde os 24 anos. “Claro que todas as vezes que vou ao IPO levo o medo: será que é desta?”

Tamara reconhece que a maioria das mulheres prefere a vigilância apertada à cirurgia preventiva e a falta de informação é um argumento. “Estamos a tentar ter um registo de cancro hereditário. Não é fácil porque a lei não permite o acesso a alterações genéticas germinais”, explica o responsável pela estratégia nacional para as doenças oncológicas, Nuno Miranda. O oncologista sublinha, no entanto, a importância da prevenção: “Quando podemos intervir antes da doença, esse é só mais um motivo para lhe atribuirmos prioridade.”

Saber que se é mais vulnerável a ter um cancro e poder decidir retirar um órgão saudável para reduzir o risco é uma vantagem para uns e uma maldição para outros. Tamara tem uma resposta pronta, uma pergunta. “Embarcava se soubesse que o avião tinha 80% de probabilidades de cair?”

Fonte: Expresso Pt
Por: Vera Lúcia Arreigoso
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O partidarismo* está se tornando uma “discriminação religiosa”

Evangélicos, musulmanes, ateos y cristianos ¿De dónde se originan los prejuicios religiosos?
Froese dijo que el partidismo se está convirtiendo en un marcador de diferencias tan fuerte como la religión. “Cada vez más estamos llegando a la conclusión de que la identidad de un partido es una identidad cultural, tal y como lo es la religión”,…part 1
A los evangélicos no les gusta los valores de los ateos. La gente no religiosa teme que los cristianos conservadores quieran limitar sus libertades. Los republicanos temen que los musulmanes representen una amenaza para su seguridad física.

En resumen, muchos grupos de identidad estadounidense están muy preocupados unos de otros. Ese es el punto de partida de una nueva encuesta publicada por la Universidad de Bayler que analizó a los estadounidenses acerca de sus percepciones sobre sus conciudadanos.

Parte del estudio, llamado Miedo del otro, examinó las actitudes negativas hacia cuatro grupos: los ateos, los cristianos conservadores, los judíos y los musulmanes. Tras ese análisis encontró que los estadounidenses, generalmente, albergan miedos y prejuicios sobre los cuatro grupos. Sin embargo, esos temores eran diferentes según la clasificación.

part 2“La gente cree que los ateos tienen unos valores terribles, pero no son una amenaza física. También se piensa que los musulmanes tienen unos valores inferiores y son un peligro físico”, recalcó Paul Froese sociólogo del Instituto Universitario de Estudios de Religión de Baylor y director de la encuesta. “La gente hace distinciones entre “eres una persona desviada” versus “eres una persona peligrosa”. Más de un tercio de los estadounidenses no temen por su seguridad cuando se trata de cristianos conservadores, pero piensan que están limitando su libertad. Tienen esa dinámica interesante: diferentes tipos de amenazas”, agregó.

La encuesta mostró quién teme o desconfía de quién. Por ejemplo, el 40 por ciento de las personas religiosas no afiliadas a una congregación dijeron que los cristianos conservadores tienen valores inferiores, mientras que cerca del 20 por ciento de los protestantes y solo el 3 por ciento de los judíos estaban de acuerdo con esa declaración.

part 3Cerca del 52 por ciento de los evangélicos blancos dijeron que los musulmanes querían limitar su libertad, mientras que el 46 por ciento dijo lo mismo de los ateos. Otros grupos eran mucho menos propensos a estar de acuerdo, pero el 50 por ciento de los judíos y el 66 por ciento de las personas que admitieron no tener ninguna afiliación religiosa vieron a los cristianos conservadores como una amenaza a su libertad.

Cuando se trata de seguridad física, la mayoría de los grupos aún no estaban de acuerdo. Los evangélicos, protestantes y católicos vieron a los musulmanes como la mayor amenaza. Los protestantes negros veían a los ateos como la mayor amenaza a su seguridad física, mientras que los judíos y los no religiosos veían a los cristianos conservadores como los más peligrosos.

Las percepciones negativas de los judíos eran menos comunes, pero aún prevalecen entre algunos estadounidenses: alrededor del 10 por ciento de las personas que no tienen afiliación religiosa dijo que los judíos querían limitar su libertad y tener valores inferiores, y un número similar de evangélicos y protestantes negros con cuerda con al menos una de esas declaraciones.

part 4El estudio demostró que el partidismo también tiene un fuerte efecto cuando se trata de predecir las opiniones de los pueblos sobre estos temas. Los republicanos tienen opiniones más negativas sobre los musulmanes y los ateos, y los demócratas tienen opiniones más negativas de los cristianos conservadores.

Froese dijo que el partidismo se está convirtiendo en un marcador de diferencias tan fuerte como la religión. “Cada vez más estamos llegando a la conclusión de que la identidad de un partido es una identidad cultural, tal y como lo es la religión”, apostilló.

* Partidarismo

Fonte: The Washington Post
Por: Julie Zauzmer y Michelle Boorstein
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“As maracutaias da indústria do açúcar”

A indústria do açúcar está há décadas manipulando a ciência

Esta semana, uma equipe da qual participam Cristin Kearns e Stanton Glantz, pesquisadores da Universidade da Califórnia em São Francisco conhecidos por apontar as maracutaias do negócio açucareiro, recuperou antigos documentos que mostram sua forma de trabalhar.

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A indústria do açúcar ocultou durante cerca de 50 anos estudos efetuados com animais que sugeriam os efeitos negativos que a sacarose tem na saúde. MARK R. CRISTINO EFE

Durante a história da humanidade morrer de câncer de pulmão era uma verdadeira raridade. No entanto, o consumo em massa de tabaco, que começou no final do século XIX, causou uma epidemia mundial. A relação entre o hábito de fumar e o câncer começou a ser demonstrada nos anos 40, e no final dos 50 as provas já eram irrefutáveis. Em 1960, porém, somente um terço dos médicos dos Estados Unidos acreditavam que o vínculo entre a doença e o tabagismo fosse real. Para essa confusão dos médicos e da população a ciência também contribuiu. Em 1954, o pesquisador Robert Hockett foi contratado pelo Comitê de Investigação da Indústria do Tabaco, dos EUA, para pôr em dúvida a solidez dos estudos sobre os malefícios dos cigarros.

Apesar dos esforços daquela indústria, a acumulação de provas conseguiu fazer com que a consciência sobre os perigos de fumar seja quase universal e que as campanhas tenham reduzido significativamente o número de fumantes. Mas o negócio do tabaco não é o único que manipulou a ciência para proteger seus lucros. Como o tabagismo, o consumo desenfreado de açúcar é um hábito doentio moderno. E embora a consciência sobre os danos do açúcar seja algo muito mais recente, parece que a própria indústria está ciente deles há muito tempo. De fato, Hockett, antes de buscar a proteção do tabaco por meio da confusão, tinha feito o mesmo com o açúcar. Nesse caso, ao não poder negar a relação entre a sacarose e as cáries, tentava promover intervenções de saúde pública que reduzissem os dados no açúcar em vez de restringir seu consumo.

Esta semana, uma equipe da qual participam Cristin Kearns e Stanton Glantz, pesquisadores da Universidade da Califórnia em São Francisco conhecidos por apontar as maracutaias do negócio açucareiro, recuperou antigos documentos que mostram sua forma de trabalhar. Segundo explicam em um artigo publicado na revista PLOS Biology, a Sugar Research Foundation (SRF), conhecida agora como Sugar Association, financiou em 1965 uma revisão no New England Journal of Medicine na qual eram descartados indícios que relacionavam o consumo de açúcar, os níveis de gordura no sangue e doenças cardíacas. Essa mesma fundação também realizou estudos em animais em 1970 para analisar esses vínculos. Seus resultados encontraram um maior nível de colesterol em ratos alimentados com açúcar em relação a outros alimentados com amido, uma diferença que atribuíam a distintas reações dos micróbios de seu intestino. Quando a SRF conheceu os dados, que indicavam uma relação entre o consumo de açúcar e as doenças cardíacas, e até um maior risco de câncer de bexiga, interrompeu as pesquisas e nunca publicou seus resultados.

Glatz e seus colegas comentam que este tipo de trabalho propagandístico, direcionado a semear dúvidas sobre qualquer relação entre o consumo de sacarose e as doenças crônicas, continua hoje. Como exemplo citam uma nota à imprensa divulgada pela Sugar Association em 2016 como resposta a um estudo publicado na revisa Cancer Research. Nela, eram questionados os dados obtidos por uma equipe do Centro para o Câncer MD Anderson da Universidade do Texas, nos quais se observou em ratos que o consumo de açúcar favorecia o crescimento de tumores e a metástase.

Estratégias em vigor

As estratégias da indústria açucareira do passado continuam vigentes. Como quando Hockett propunha mitigar o impacto do consumo do açúcar nas cáries sem reduzir seu consumo, hoje, empresas como a Coca-Cola focam na necessidade de se fazer exercícios para reduzir a obesidade, deixando de lado a de diminuir o consumo de açúcar.

Em uma entrevista a El País, Dana Small, uma cientista da Universidade Yale que trabalha para entender a maneira como o entorno moderno, desde a alimentação à poluição, favorece a obesidade, comentou sua experiência colaborando com a Pepsi. Apesar de reconhecer que os dirigentes da empresa tinham boas intenções quando começaram a financiar projetos sobre alimentação e saúde, conta que tudo andou bem até que tiveram “resultados que indicavam que seus produtos poderiam estar causando danos”. Não podiam assumir que conheciam os perigos de seus produtos para a saúde porque essa informação poderia ser utilizada contra eles em futuras ações judiciais. “Deixaram de financiar-me na semana seguinte e confiscaram os computadores dos cientistas com os quais estava trabalhando”, relatou.

Glanz considera que a atitude das entidades açucareiras “questiona os estudos financiados pela indústria do açúcar como uma fonte confiável de informação para a elaboração de políticas públicas”. Small, no entanto, considera que a indústria do açúcar e a da alimentação em geral são grandes demais para serem ignoradas. Em sua opinião é necessário buscar meios de proteger este tipo de colaboração de tal maneira que ambas as partes possam trabalhar de forma honesta “sem ter que se preocupar com segredos comerciais ou ser alvo de ações judiciais”.

Fonte: El país
Por: Daniel Mediavilla
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O Transtorno de Personalidade Narcisista e a geração “floco de neve”

A geração “floco de neve”: pessoas sensíveis que se ofendem por tudo

A voz de alarme, por assim dizer, foi dada por alguns professores de universidades como Yale, Oxford e Cambridge, que notaram que a nova geração de alunos que frequentavam suas aulas era particularmente suscetível, não tolerante à frustração e particularmente inclinados fazerem uma tempestade em um copo de água.

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Necessidade de ser admirado. A pessoa precisa ser bajulada e exige atenção dos outros

Quando imaginamos um floco de neve, nós o associamos à beleza e singularidade, mas também à sua enorme vulnerabilidade e fragilidade. Estas são precisamente duas das características que definem as pessoas que atingiram a idade adulta na década de 2010. Afirma-se que a geração “floco de neve” seja formada por pessoas extremamente sensíveis aos pontos de vista que desafiam sua visão do mundo e que respondem com uma suscetibilidade excessiva às menores queixas, com pouca resiliência.

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Mania de grandeza. Há a crença que ele é melhor do que qualquer pessoa. Narcisistas também costumam exagerar nas suas próprias características positivas.

A voz de alarme, por assim dizer, foi dada por alguns professores de universidades como Yale, Oxford e Cambridge, que notaram que a nova geração de alunos que frequentavam suas aulas era particularmente suscetível, não tolerante à frustração e particularmente inclinados fazerem uma tempestade em um copo de água.

Cada geração reflete a sociedade que eles viveram

Dizem que as crianças saem mais ao padrão da sua geração que aos pais. Não há dúvida de que, para entender a personalidade e o comportamento de alguém, é impossível abstrair do relacionamento que estabeleceu com seus pais durante a infância e a adolescência, mas também é verdade que os padrões e expectativas sociais também desempenham um papel importante no estilo educacional e moldam algumas características de personalidade. Em resumo, podemos dizer que a sociedade é a terra onde a semente é plantada e crescida e os pais são os jardineiros que são responsáveis por fazer crescer.

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Buscam a perfeição. Possuem expectativas irreais sobre si mesmo e só desejam coisas como: beleza, par ideal (a sua altura) e sucesso.

Isso não significa que todas as pessoas de uma geração respondam ao mesmo padrão, felizmente há sempre diferenças individuais. No entanto, não se pode negar que as diferentes gerações têm metas, sonhos e formas de comportamento característico que são o resultado das circunstâncias que tiveram que viver e, em alguns casos, tornam-se inimagináveis em outras gerações.
Claro, o mais importante é não colocar rótulos, mas analisemos para entender o que está na base desse fenômeno, para não repetir os erros e para que possamos dar a devida importância a habidades de vida tão importantes quanto a Inteligência Emocional e a resiliência.

3 erros educacionais colossais que criaram a geração “floco de neve”

1. Sobreprotecção. A extrema vulnerabilidade e escassa resiliência desta geração têm suas origens na educação. Estes são, geralmente, crianças que foram criadas por pais superprotetores, dispostos a pavimentar o caminho e resolver o menor problema. Como resultado, essas crianças não teve a oportunidade de enfrentar as dificuldades e conflitos do mundo real e desenvolver tolerância à frustração, ou resiliência. Não devemos esquecer que uma dose de proteção é necessária para que as crianças cresçam em um ambiente seguro, mas quando impede que explorem o mundo e limite seu potencial, essa proteção se torna prejudicial.

2. Sentido exagerado de “eu”. Outra característica que define a educação recebida pelas pessoas da geração “floco de neve” é que seus pais os fizeram sentir muito especiais e únicos. Claro, somos todos únicos, e não é ruim estar ciente disso, mas também devemos lembrar que essa singularidade não nos dá direitos especiais sobre os outros, já que somos todos tão únicos quanto os outros. O sentido exagerado de “eu” pode dar origem ao egocentrismo e à crença de que não é necessário tentar muito, uma vez que, afinal, somos especiais e garantimos o sucesso. Quando percebemos que este não é o caso e que temos que trabalhar muito para conseguir o que queremos, perdemos os pontos de referência que nos guiaram até esse momento. Então começamos a ver o mundo hostil e ameaçador, assumindo uma atitude de vitimização.

3. Insegurança e catástrofe. Uma das características mais distintivas da geração do floco de neve é que eles exigem a criação de “espaços seguros”. No entanto, é curioso que essas pessoas tenham crescido em um ambiente social particularmente estável e seguro, em comparação com seus pais e avós, mas em vez de se sentir confiante e confiante, temem. Esse medo é causado pela falta de habilidades para enfrentar o mundo, pela educação excessivamente superprotetiva que receberam e que os ensinou a ver possíveis abusos em qualquer ação e a superestimar eventos negativos transformando-os em catástrofes. Isso os leva a desejarem se bloquear em uma bolha de vidro, para criar uma zona de conforto limitado onde eles se sintam seguros.

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Falta empatia. É egocêntrico, insensível, desconfiado e usa os outros para alcançar  seus objetivos.

Para entender melhor como a educação recebida afeta uma criança, é importante ter em mente que as crianças procuram pontos de referência em adultos para processar muitas das experiências que experimentam. Isso significa que uma cultura paranóica, que vê abusos e traumas por trás de qualquer ato e responde com sobreproteção, gerará efetivamente crianças traumatizadas. A forma como os adultos enfrentam uma situação particularmente delicada para a criança, como um caso de abuso escolar, pode fazer a diferença, levando a uma criança que consegue superar e se torna resiliente ou uma criança que fica com medo e torna-se uma criança vítima

Qual é o resultado?

O resultado de um estilo de parentesco superprotetivo, que vê o perigo em todos os lugares e promove um sentido exagerado de “eu”, são pessoas que não possuem as habilidades necessárias para enfrentar o mundo real.

Essas pessoas não desenvolveram tolerância suficiente à frustração, então o menor obstáculo os desencoraja. Nem desenvolveu uma Inteligência emocional adequada, então eles não sabem como lidar com as emoções negativas que certas situações suscitam.

Como resultado, eles se tornam mais rígidos, se sentem ofendidos por diferentes opiniões e preferem criar “espaços seguros”, onde tudo coincide com suas expectativas. Essas pessoas são hipersensíveis à crítica e, em geral, a todas as coisas que não se encaixam na visão do mundo.

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Desprezam outras pessoas. Narcisistas acreditam que devem ser constantemente admirados porque são naturalmente superiores, mas em nenhum momento demonstram consideração ou amor pelas pessoas com quem convivem.

Também são mais propensos a adotar o papel das vítimas, considerando que estão todos contra ou equivocados. Desta forma, eles desenvolvem um local de controle externo, colocando a responsabilidade sobre os outros, em vez de se encarregar de suas vidas e mudar o que podem mudar.

O resultado também é que essas pessoas são muito mais vulneráveis ao desenvolvimento de transtornos psicológicos, do estresse pós-traumático à ansiedade e à depressão. Na verdade, não é estranho que o número de transtornos de humor aumente ano após ano.

Fontes: Revista Pazes e Transtorno de Personalidade Narcisista
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Como prevenir 40% dos cânceres

Cuatro de cada diez casos de cáncer están relacionados con factores de riesgo evitables

fumarCuatro de cada diez casos de cáncer están relacionados con factores de riesgo evitables.

Con una estrategia adecuada de prevención se podría minimizar los factores de riesgo que desencadenan en cáncer, señala estudio publicado en la revista médica CA: A. Cáncer Journal for Clinicians.

La investigación especifica que cuatro de cada diez casos de cáncer y la misma proporción de muertes son provocados en Estados Unidos por factores de riesgo.

“El 42% de todos los tipos de cáncer (659.640 casos de los 1,57 millones diagnosticados en Estados Unidos) y el 45,1% de las muertes atribuidas a esta enfermedad (265.150 sobre 587.521) podrían ser prevenidos”, sugiere el estudio.

El trabajo advierte que una gran proporción de enfermedades por cáncer provienen por algunos malos hábitos como fumar; comer mal o en exceso (sobrepeso); consumir alcohol; exponerse a los rayos ultravioletas o la falta de actividad física.

Entre los cánceres que se deben a un factor de riesgo, los investigadores señalaron que el que tiene la proporción más elevada con 85,8% es de cáncer de pulmón, seguido con 71% por cáncer de hígado, 54,6% colorrectal y 28,7 de cáncer de mama.

Relación y prevención

El hábito de fumar como factor de riesgo representó el 81,7% del cáncer de pulmón, 73,8% del de laringe, 50% del de esófago y 46,9% del de vesícula”, precisa la investigación.

El sobrepeso y la obesidad están ligados a 60,3% de los cánceres de cuello uterino, a un tercio de los tipos de cáncer de hígado, así como a un 11,3% de los cánceres de mama y un 5,2% colorrectal”, agrega.

A su vez cerca del “25% de los cánceres de hígado en los hombres y 11,9% de las mujeres son atribuibles al consumo de alcohol, así como 16,4% de los tumores de mama”.

La exposición a los rayos ultravioleta es la causa del 96% de los melanomas, un cáncer agresivo de piel, en los hombres y del 93,7% en las mujeres.

El estudio también señala que el consumo insuficiente de frutas y verduras representa el factor de riesgo que lleva al 1,9% de los cánceres y 2,7% de los decesos resultantes, mientras que una infección por el virus del papiloma humano (VPH) está relacionado con 1,8% de los casos y 1,1 de los decesos.

En una declaración conjunta, los autores del estudio dijeron que los resultados del trabajo enfatizan la necesidad de que los profesionales médicos y los pacientes usen medidas preventivas para disminuir el riesgo de esta enfermedad.

“Aumentar el acceso a la atención médica preventiva y la conciencia sobre las medidas preventivas debe ser parte de cualquier estrategia integral para la implementación amplia y equitativa de las intervenciones conocidas para acelerar el progreso contra el cáncer”, expresaron.

Fonte: LaRed21 Uy
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A saúde mental de filhos de casais homossexuais

Pesquisadores publicaram na Child Development, uma das mais conceituadas revistas científicas de Psicologia do Desenvolvimento, e baseado no NHIS, inquérito nacional levados a cabo pelo governo federal norte-americano o histórico psicológico de 21.000 crianças e adolescentes compreendidos entre os 4 e os 17 anos de idade.

CWCNPM Boy walking with two men in a park. Image shot 2012. Exact date unknown.

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Homoparentalidade: estudo massivo reafirma sanidade mental de crianças enquanto Portugal a confronta no pequeno ecrã

Novas e detalhadas evidências de algo que já sabíamos: filhos e filhas de casais homoparentais não sofrem maiores dificuldades psicológicas e emocionais do que aquelas criadas por casais heterossexuais. Este estudo massivo publicado na Child Development, uma das mais conceituadas revistas científicas de Psicologia do Desenvolvimento, é baseado no NHIS, inquérito nacional levados a cabo pelo governo federal norte-americano, e que agora inclui orientação sexual dos pais.

Os investigadores olharam para o historial psicológico de 21.000 crianças e adolescentes compreendidos entre os 4 e os 17 anos de idade, e não encontraram quaisquer diferenças entre as criadas por casais homo- e heteroparentais. O acordo sugere inclusivamente que as crianças de casais homoparentais podem sim sofrer residualmente pelo estigma social sofrido pelas mães e pais, nomeadamente no caso da bissexualidade, pelo que apontam a discriminação social dirigida aos pais como o único fator desviante, e não a capacidade dos mesmos de criar uma criança saudável e equilibrada.

Ontem o programa da SIC “E Se Fosse Consigo?” abordou a temática da homoparentalidade em Portugal. Mostrou a habitual encenação de rua, neste caso num parque infantil, onde dois actores homens estavam a encarnar os pais de uma criança enquanto uma mulher os abordava e questionava a capacidade de dois homossexuais cuidarem de uma criança. Apesar de algumas (poucas) reações claramente homofóbicas, a maioria censurou de forma veemente a atitude da agressora. Estavamos, no entanto, num jardim em Lisboa, resta saber o quão mudaria aquele mesmo cenário noutra cidade ou vila do país. Mas mais iluminador e com poder transformativo foram os testemunhos reais de pais, mães, filhos e filhas que demonstraram de forma inequívoca que a única coisa que de facto interessa a uma criança é amor.

Numa altura em que em também em Portugal alguns profissionais da área da psicologia continuam a questionar a validade de casais do mesmo sexo ou pessoas de diferente orientação sexual na educação de uma criança ou alas políticas mais conservadoras a insistirem no debate do “superior interesse da criança” é importante que estudos sérios e compreensivos como este continuam a derrubar estigmas e preconceitos arcaicos.
Fonte: Escrever.com e Newsweek
Por: Lola Huete Machado
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Fátima Oliveira, nosso anjo se foi; que o seu espírito guerreiro permaneça entre nós

Há homens que lutam um dia e são bons, há outros que lutam um ano e são melhores, há os que lutam muitos anos e são muito bons. Mas há os que lutam toda a vida e estes são imprescindíveis. Bertold Brecht (1898-1956), dramaturgo e poeta alemão, voz dos oprimidos do mundo

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Fátima Oliveira sempre foi imprescindível.

Médica, feminista e escritora. Negra e nordestina. Cabelinho nas ventas. Não mandava recado, falava na lata. Revolucionária.

Na manhã de 5 de novembro de 2017, aos 63 anos, ela “se encantou”, como diria o grande escritor Guimarães Rosa.

Foi no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais, onde estava internada há cerca de um mês.

Ironicamente no mesmo HC onde foi médica muito querida por 30 anos e se aposentou em março de 2014.

Fátima já está fazendo falta. E vai fazer muito mais.

A médica e feminista Ana Maria Costa, que presidiu o Centro Brasileiro de Estudos em Saúde (Cebes), me avisou pelo zap:

–Acabo de saber da morte de Fátima Oliveira! Muito triste!”

— O quê???!!!!

— Como, doutora?!

— De câncer.

–Onde?

A gente se conheceu em 2009.

Fátima já tinha uma coluna semanal em O TEMPO, que saía às terças-feiras.

De vez em quando a reproduzíamos no Viomundo. Depois, quase toda semana.

Fátima reunia condições difíceis de serem vistas juntas num mesmo profissional: competente, atualizada, ética, corajosa, sem papas na língua, retidão ímpar.

Em se tratando de direitos sexuais e direitos reprodutivos, saúde integral das mulheres, saúde da população negra e SUS, Fátima era fonte fundamental.

Entrevistei-a para muitas reportagens nessas áreas.

Algumas vezes, eu, como repórter, buscava a sua ajuda. Outras, ela, antenadíssima, me alertava sobre temas. Ficava feliz, quando percebia que tinha colocado pilha, para eu ir atrás de algum tema mais cabeludo.

Em março de 2014, após morar décadas em Belo Horizonte, ela retornou ao seu querido Maranhão.

Em agosto deste ano, em resposta a um e-mail meu, querendo saber dela, veio a esta carinhosa resposta:

Oi, Conceição!

Quantas saudades de você!

Como vai? E como vai o Azenha?

Há momentos, a maioria deles, que penso estar em outro país!

É tudo muito surreal…

Digo sempre: ainda bem que tenho meus cactos e Clarinha Kkkkk

Morar no Maranhão tem sido um alento porque vivemos sob a égide de um governo humanista e ganhamos as eleições nas quatro cidades da Ilha de São Luís. Falando sério!

Beijim

Na sequência, me mandou uma foto da neta Clarinha.

Nas duas últimas semanas tudo isso veio à cabeça.

Revi nossos e-mails, nossas reportagens, entre elas as muitas sobre a MP 557, de 26 de dezembro de 2011, a famigerada MP do Nascituro, contra a qual Fátima, movimentos e entidades de saúde da mulher e saúde coletiva lutaram bravamente, denunciando o absurdo. O Viomundo e esta repórter se orgulham muito de terem remado contra a maré e lhes dado voz.

É difícil acreditar que ela partiu.

Foi ao remexer essas lembranças que me veio a ideia de, a exemplo do que fizemos em várias reportagens, nos juntarmos mais uma vez. Só que, agora, para homenagear Fátima.

Por e-mail, perguntei a vários participantes de alguma dessas matérias — a maioria conheci através de Fátima — se queriam dar uma declaração sobre o ser humano que cada um conheceu.

Resultado, de coração: depoimentos singelos, despretensiosos, pequenos fragmentos do gigante mosaico chamado Fátima Oliveira.

MARGARETH ARILHA: “OBRIGADA PELA LUZ QUE TRANSMITIU”

E porque a vida é assim, me arrepiei ontem a noite quando li o teu convite, Conceição!

Explico. Acabava de sair de uma tarde maravilhosa, na casa de Elza Berquó, onde recordamos com muita alegria e tristeza, o momento que tivemos juntas nós duas, e mais Fátima, Sonia , Tania Lago, Valeria e Jacqueline Pitanguy, em fevereiro de 2016.

Nos recordamos de como ela estava feliz, e de como havia chegado trazendo um pequeno cacto de presente para a dona da casa, dizendo, eu trouxe para você, não se preocupe, ele não precisa de muita água. Ele ficou plantado num vasinho pequeno de porcelana, e ontem veio iluminar aquela mesma mesa.

Juntas, colocamos as mãos sobre ele, abraçamos a Fátima, que permaneceu ali, toda a tarde conosco.

Eu a conheci no Cebrap [Centro Brasileiro de Análise e Planejamento], e lá conversamos muito, muito, muito, rimos, rimos, rimos muito, choramos muito.

Durante anos. Tivemos medos e sonhos. Mas nunca esse pesadelo: o de sua partida tão fora de hora. Esbanjando saúde, sua lucidez parecia atirá-la para uma vida quase sem fim.

Afinal, parecia sempre estar carregada com tanta imaginação, palavras e lucidez, temas para debater, raivas pra curtir e lamentar, e prazeres para compartilhar, que ela e sua vida pareciam intermináveis.

Sempre dividia conhecimento e sabedoria. Falávamos das crias, do meu e do seu Gabriel, perguntava da Marina, falava dos filhos e mais recentemente da Débora. A presença instigante nas reuniões, e a luta sempre presente para tocar os plantões no hospital e seguir militando.

Sempre se fazia presente em todos os debates da Comissão de Cidadania e Reprodução (CCR), sempre compreendeu sua natureza e missão, e participou com seu pensamento continuo e agitado.

Da professora Elza, era assim que a chamava, sempre falava com admiração, e apreciava imensamente a confiança por ter colaborado com o Programa de Bolsistas Negras do Cebrap, altamente inovador.

Ironicamente, as últimas imagens de seu twitter vinham sendo os cactos, pássaros e a casa no sertão.

Ironicamente, sua penúltima foto é com Fernando Pacheco Jordão [falecido em 14 de setembro de 2017], também membro da CCR, e falando da Democracia.

Ironicamente não tive tempo de dizer a você, Fátima, que o Maranhão, suas belezas e agrestes agruras são agora o centro da vida de minha filha.

Você gostaria de saber. Obrigada por tudo o que nos ensinou, e pela luz que transmitiu.

Margareth Arilha é psicanalista e pesquisadora da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Desde os anos 1980 dedica-se a questões de gênero, saúde reprodutiva e políticas públicas.

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Tanto Margareth (depoimento acima) quanto Sonia Corrêa (abaixo) resgatam o último encontro com Fátima. Foi, em 26 de fevereiro de 2016, na casa da professora Elza Berquó, que fundou e dirigiu o consagrado Núcleo de Estudos da População, da Universidade Estadual de Campinas (Nepo/Unicamp). Da esquerda para direita: Margareth Arilha, Valéria Pandjiarjian, Elza Berquó, Jacqueline Piranguy, Sonia Correa e Fátima Oliveira

SONIA CORRÊA: “UM TEMPO PARA O LUTO; AXÉ, FÁTIMA!”

Primeiro, soube que alguma coisa tinha acontecido com a feminista negra Fátima de Oliveira, com quem compartilhei momentos fáceis e difíceis, travessias tensas, mas também passagens muito prazerosas no curso de incessantes lides em torno da saúde e dos direitos das mulheres que transcorreram ao longo dos últimos quase trinta anos.

Um pouco mais tarde soube que ela havia partido.

Conheci Fátima nos início dos anos 1990, quando ela passou a integrar a Comissão de Cidadania e Reprodução.

Olhando suas fotos hoje, nas notas que circulavam sobre sua partida prematura, lembrei de muitos de nossos momentos juntas. Visualizei espaços, climas, conversas, expressões faciais.

Um desses momentos aconteceu, possivelmente, em 1998, num encontro anual da Rede Feminista de Saúde e Direitos Sexuais e Reprodutivos em Caxambu.

Era uma noite gélida. Sentadas num canto protegido do bar à beira da piscina, já meio bêbadas, tivemos um longo embate. Fátima havia aplicado para uma bolsa individual da Fundação Mac Arthur e dizia, obsessivamente, que não ia nunca ser selecionada pois era comunista.

Eu, de meu lado, dizia, obsessivamente, que ela estava enganada. Como o impasse não tinha solução, encerramos a conversa apostando uma garrafa de uísque 12 anos.

Eu ganhei. Bebemos quase metade da garrafa alguns meses depois para comemorar.

Mas também me voltaram imagens da última vez em que a vi, no início de 2016, num almoço com Margareth Arilha, Jacqueline Pitanguy, Tania Lago e Valéria Pandjiarjian na casa de Elza Berquó.

Nesse dia, ela estava alegre e cheia de energia. Falou das plantas do seu jardim, das frutas do seu pomar, da vida quase rural que havia escolhido. Falou de seus filhos e filhas e netos, das amizades e inevitavelmente das políticas, a com “P” mas também as políticas em que estivemos juntas metidas por tanto tempo.

Como podíamos imaginar que ela ia partir?

Segunda feira, frente à tela, eu lia as notas de lamento, olhava fotos de Fátima e buscava mais notícias, circulando as que ia encontrando, mandando mensagens para saber mais.

Tudo muito rapidamente, pois tinha que seguir adiante, pois há sempre muito mais a fazer.

Até que, de repente, me dei conta de que essa brutal aceleração já não deixa espaço nem mesmo para o luto. Parei, me aquietei, senti o vazio. Fui atirada ao lugar da nossa precariedade comum.

Essa nota foi escrita para não evadir esse abismo, como um gesto encantatório que traz Fátima um pouco de volta, mas também como uma tentativa de romper a jaula da compressão temporal a que estamos hoje sujeitas.

Axé, Fátima.

Sonia Corrêa é pesquisadora associada da Associação Brasileira Interdisciplinar de Aids (Abia) e co-coordenadora do Observatório de Sexualidade e Política/Sexuality Policy Watch

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ALAERTE MERTINS: “MULHER DE FIBRA, FORTE”

Com certeza, esta é uma merecidissíma homenagem!

Mas, sinceramenre, não consigo escrever nem dois parágrafos, pois fiquei sem palavras, surpresa, desde que soube do passamento.

Se você me conheceu, assim como outras pessoas neste país e fora dele, foi graças à persistência da Fátima na luta pela saúde das mulheres, especialmente a redução da morte materna, e das mulheres negras, tema que insistentemente ela me pedia para escrever.

Guardarei sempre a lembrança da mulher de fibra, forte. Segue aí a foto de nosso último encontro, na República Dominicana, em 2015.

Alaerte Leandro Martins é enfermeira obstétrica e doutora em Saúde Pública. Incentivada por Fátima, pesquisou para sua tese mestrado “Mulheres negras e mortalidade materna no estado do Paraná”. Depois, no doutorado, gestantes negras que não foram a óbito, mas que ficaram com graves sequelas

BEATRIZ GALLI: SEUS OLHOS DE ÁGUIA SEMPRE VIAM DE LONGE”

Fátima era uma mulher negra, guerreira e intensa.

Era incansável na luta pelos direitos sexuais e reprodutivos das mulheres e nunca deixava de pontuar o que poderia ser uma ameaça de retrocesso no nosso campo de luta.

Seus olhos de águia sempre viam de longe, com clareza.

Ela sempre esteve muito atenta e por muitas vezes lia nas entrelinhas o que de fato estava acontecendo.

Eu tive a oportunidade de conhecê-la, em 2004, em uma reunião das Jornadas pelo Direito ao Aborto Legal e Seguro.

Desde então, sempre esteve presente nas reações rápidas em análises afiadas sobre o contexto político nacional. Mesmo de longe, ela continuava presente.

Fátima, que falta você está nos fazendo!

Beatriz Galli é advogada e assessora de políticas para a América Latina do Ipas.

ANA MARIA COSTA: ‘LACUNA NA ESQUERDA E NO FEMINISMO POLITIZADO”

Fátima Oliveira foi mulher admiravelmente múltipla: militante, médica, mãe, escritora, formuladora e muito mais!

Sua partida deixa uma lacuna na esquerda e no feminismo politizado que luta por direitos e políticas universais.

Meu enorme respeito pela Fátima!

Ana Maria Costa é médica, professora e diretora do Cebes, que já presidiu.

Através do Viomundo, muitos leitores se encantaram com a Fátima. Acabaram se tornando muito próximos, amigos, mesmo, como Telmo Kiguel e Gerson Carneiro.

A convite nosso, eles também fizeram as suas homenagens.

TELMO KIGUEL: EM COMUM, A MEDICINA, AS DISCRIMINAÇÕES E A POLÍTICA

Conheci a Fátima há poucos anos no Viomundo e solicitei à Conceição o seu email. A partir daí, passamos a nos corresponder e acabei publicando aqui, em Porto Alegre, três textos seus: Médico branco racista e médica negra discriminada; Médica diz: o Conselho Federal de Medicina não me representa; E a médica não se corrompeu.

A partir daí, descobrimos vários interesses em comum e parecia que nos conhecíamos há muito tempo. E tudo isso só pela internet.

Finalmente veio a POA e tive a oportunidade de conhecê-la pessoalmente e a família. A impressão de “velhos amigos” foi confirmada. Um dia só foi muito pouco para o que tínhamos em comum: a medicina, as discriminações, a política, etc. Acabamos o dia numa floricultura em que ela me deu uma aula sobre uma de suas muitas paixões, os cactos.

Ao saber de sua morte, não descansei enquanto não falei com sua filha Débora para saber o que tinha ocorrido. Muito triste. Muita saudade.

Telmo Kiguel é médico psiquiatra e responsável pelo blog Saúde Publica(da) ou não, no portal Sul21

LUANA TOLENTINO: FÁTIMA ME ESTENDEU A MÃO

Fátima Oliveira parte, mas entre nós fica o legado de uma mulher que lutou de maneira incansável pelo SUS e pelas mulheres negras desse país. Como um mantra, guardo uma frase dita por ela: “A superação do racismo no Brasil exige uma faxina moral”. Guardo também a mais profunda gratidão. Fátima me estendeu as mãos no momento mais doloroso da minha vida. Fátima será sempre nossa grande Mestra!

Luana Tolentino é professora e historiadora; ativista dos movimentos Negro e Feminista.

GERSON CARNEIRO: TIVE A SATISFAÇÃO DE SER CORRIGIDO PELA FÁTIMA; CONHECI UM ANJO

“Nós nos conhecemos através do Viomundo por volta do ano de 2009.

Eu comentava os textos dela. Passamos a compartilhar mensagens no twitter e logo estávamos trocando mensagens privadas, onde falávamos sobre nossas observações do mundo e também dávamos gargalhadas. Sim, ela tinha um humor fino, inteligentíssimo.

Fazia bem ter a companhia dela, saber que ela gostava das minhas tiradas no twitter, gostava dos meus textos.

Ela era muito poética. Adorava cactos. Postou no twitter muitas fotos belíssimas de cactos. A admiração pelos cactos era um dos pontos de ligação entre mim e ela.

Em uma tarde de 2011, no começo do julgamento do mensalão, eu ainda estava dando expediente no trabalho e, de soslaio, acompanhei as pessoas, ela inclusive, comentando o início do julgamento.

Em um das oportunidades comentei:

— Se eu não tivesse nada pra fazer eu também iria acompanhar o julgamento do mensalão.

Ela soltou uma gostosa gargalhada:

— Kkkkkkkk… Deixe de ser invejoso.

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Cirúrgica, a Dra. Fátima acertou. Era só inveja mesmo.

Em outra oportunidade, ela disse, em público, que uma fala minha no twitter era machista. Tentei justificar. Ela rebateu: “É machista. Apague, senão lamentavelmente vou ter que deixar de seguir o amigo”.

Diante de tal aviso, na hora, claro, me curvei na hora. E tive grande satisfação de ser corrigido por ela. Um enorme prazer.

Há um ano deixei essa foto do Frido na caixa postal dela no twitter.

E mais uma vez fui presenteado com a sua gostosa gargalhada. Foi nossa última troca de mensagem.

Realmente, conheci um anjo.

— Por que anjo? –, alguns talvez questionem.

Por causa da autoridade dela advinda da retidão em que trilhou. Só tem verdadeira autoridade quem tem retidão de caráter.

E por isso ela tinha autoridade para com seus conhecimentos nos proteger na labuta em favor das causas que acreditamos e defendemos.

De longe e, ao mesmo tempo, tão perto, nos proporcionava acolhimento nas batalhas. Sua repentina partida deixou uma imensa lacuna. Sentiremos nesse tempo sombrio o qual estamos passando.

É como a ” Estrela”, de Gilberto Gil:

“Há de surgir

Uma estrela no céu

Cada vez que você sorrir

Há de apagar

Uma estrela no céu

Cada vez que você chorar

O contrário também

Bem que pode acontecer

De uma estrela brilhar

Quando a lágrima cair

Ou então

De uma estrela cadente se jogar

Só pra ver

A flor do seu sorriso se abrir

Hum!

Deus fará

Absurdos

Contanto que a vida

Seja assim

Sim

Um altar

Onde a gente celebre

Tudo o que Ele consentir”

Estrela – Gilberto Gil

Gerson Carneiro é frequentador assíduo das redes sociais.

Curiosamente, até no seu “encantamento” Fátima Oliveira nos juntou, obrigando-nos a refletir sobre lutas passadas.

Mas também sobre o aqui e agora: só juntos teremos condições de enfrentar e buscar as saídas para a destruição do SUS, dos direitos sexuais e reprodutivos das mulheres brasileiras.

Fátima Oliveira, presente!

Fonte: Viomundo
Por: Conceição Lemes