Psicanalista avalia chacina de Campinas (2)

A cultura do ódio e a chacina de Campinas

Por Manoel Olavo, psiquiatra e psicanalista

Sidnei é a expressão sociológica do que o Brasil se transformou

olavo

Ato contra a violência direcionada à mulher, no Rio

Como professor de psicopatologia, sei que é questionável fazer afirmações categóricas sem examinar pessoalmente um paciente. Mas no caso da recente chacina a sangue frio de 12 indivíduos em Campinas arrisco-me a dizer algumas coisas, pois envolvem reflexões necessárias e urgentes sobre o adoecimento de nossa sociedade.
Em primeiro lugar, chama a atenção a ausência de qualquer alteração psicopatológica óbvia na carta deixada pelo assassino. Em termos formais, não se verificam alterações de pensamento, conteúdo delirante, referências a alterações de senso-percepção, desorganização formal da escrita ou linguagem. Nada, enfim, que possa sugerir um quadro psicótico agudo ou crônico.

Por sua vez, descartando uma alteração de consciência, observa-se um discurso coerente e bem organizado, típico de alguém com formação cultural relativamente elevada, que busca desenvolver, com argumentos lógicos, uma justificativa para seu ato.

Sidnei justifica a chacina múltipla que cometeu, inclusive do filho e da ex-mulher, seguida de suicídio, como um ato de heroísmo exemplar contra as leis de “um paizeco feito para bandidos e bandidas”.

A carta é raivosa, mas não irracional. Na tipologia de suicídios proposta por Durkheim, podemos falar de um suicídio de tipo altruístico. Sidnei seria uma espécie de homem-bomba brasileiro. Um vingador solitário de filme norte-americano, acertando as contas com as injustiças que sofreu, oferecendo um exemplo para a sociedade.

Dois temas percorrem a carta de alto a baixo: a misoginia e o ódio. A palavra “vadia” é repetida dezenas de vezes, como sinônimo de mulher. O aparente enquadramento de Sidnei na lei Maria da Penha e sua proibição de ver o filho, segundo ele, por imposição da ex-mulher, teriam sido os elementos que detonaram a sua “loucura”.

Para Sidnei, “na verdade, somos todos loucos, depende da necessidade dela aflorar”. Mas o que nele aflorou, ao invés de loucura, foi o ódio passional de tipo fascista.

Um outro aspecto chama a atenção na carta de Sidnei. Ela nos parece estranhamente familiar. Na realidade, é. A carta é um apanhado de quase todos os lugares comuns do pensamento de extrema-direita que tomou conta do Brasil nos últimos anos. A raiva, a misoginia, o horror ao feminismo, o desprezo à democracia, o discurso fanático anticorrupção, o ódio aos direitos humanos, ao Estado, a intolerância social, a glorificação da violência e dos militares. Está tudo lá.

É como se ouvíssemos o discurso de algum coxinha exaltado numa mesa de bar, como se assistíssemos a um programa policial na TV Bandeirantes, como se ouvíssemos um comentarista da rádio Jovem Pan, como se lêssemos os comentários postados na redes sociais sobre os mais diferentes assuntos.

O pensamento de Sidnei, em seu conteúdo, é uma expressão sociológica clara do que nos transformamos, graças à ação de grupos de extrema-direita, visando seus interesses políticos, e ao trabalho diário da mídia.

Mais um trecho da carta: “Não tenho medo de ficar preso, além do que eu, preso, vou ter 3 alimentações completas, banhos de sol, salário, não precisarei acordar cedo pra trabalhar, vou ter representantes dos direitos humanos puxando meu saco, também não vou perder 5 meses do meu salário em impostos”.

Ao pensar sobre si mesmo na cadeia, Sidnei se atribui todos os jargões de extrema-direita sobre bandidos em penitenciárias (vagabundo, recebe salário, come 3 vezes ao dia, tem defensores dos direitos humanos etc). Vida boa, enfim. Termina referindo-se a uma ideia do ultraliberalismo norte-americano que também predomina no pensamento de extrema-direita que nos invadiu: ele será feliz porque não pagará mais impostos.

Noutro trecho, dirigido ao filho, Sidnei escreve: “Morto também já estou, porque não posso ficar contigo, ver você crescer, desfrutar a vida contigo por causa de um sistema feminista e um bando de loucas”. Aqui, uma pretensa declaração de amor paterno encontra seu grande obstáculo: são elas, “as loucas feministas”, outra ideia onipresente no pensamento de extrema-direita brasileiro.

Mais adiante, Sidnei nega sua misoginia. “Filho, não sou machista e não tenho raiva das mulheres”, mas acrescenta: “tenho raiva das vadias que se proliferam e muito, a cada dia se beneficiando da lei Vadia da Penha”.

A ideia de um país dominado pela corrupção que sustenta os políticos, o que causa todos os seus males e mortes (o clichê dos clichês do fascismo brasileiro) surge no trecho a seguir, ao lado de uma referência aos “bandidos que matam por um celular”: “No Brasil, crianças adquirem microcefalia e morrem por corrupção, policiais e bombeiros morrem dignamente na profissão, jovens de bem (dois sexos) morrem por celulares, tênis, selfies e por ídolos, jornalistas morrem por amor à profissão, muitas pessoas pobres morrem no chão dos hospitais para manter políticos na riqueza e no poder”.

O ódio misógino sequer poupa uma citação ao impeachment da presidente “vadia” Dilma Rousseff, criticando, pelo viés da extrema-direita, a preservação de seus direitos políticos: “Infelizmente muitas vadias fazem tudo de errado para distanciar os filhos dos pais e elas conseguem, pois as leis deste paizeco são para bandidos e bandidas. A justiça brasileira é igual ao Lewandowski (um marginal que limpou a bunda com a constituição no dia que tirou outra vadia do poder), um lixo!”

Quem costuma percorrer os meandros das publicações de direita das redes sociais sabe que esta expressão – “É um lixo!” – é a maior ofensa possível. É outro jargão muito usado pela extrema-direita. No trecho a seguir, Sidnei exalta o caráter exemplar de seu ato, definindo-se como o herói de uma classe: “Eu morro por justiça, dignidade, honra e pelo direito de ser pai! Na verdade somos todos loucos, depende da necessidade dela aflorar! A vadia foi ardilosa e inspirou outras vadias a fazer o mesmo com os filhos, agora os pais quem irão se inspirar e acabar com as famílias das vadias. As mulheres, sim, tem medo de morrer com pouca idade”.

A violência do seu ato foi, sobretudo, uma ameaça com endereço certo. As feministas que se cuidem. Assim, a violência extrema é apresentada como um recurso legítimo, quando cometida por alguém verdadeiramente corajoso, honrado e ultrajado. Esta “violência legítima” contra os diversos “lixos” que infestam o País (feministas, bandidos, corruptos, petistas, gays) é moeda corrente no pensamento de extrema-direita que prolifera entre nós.

Esta talvez seja a fórmula mais repetida dentre todas. Só a morte nos libertará dos lixos. É fácil, por exemplo, encontrar postagens nas redes sociais dizendo que o erro da ditadura foi só ter torturado, e não ter matado todos os comunistas enquanto era possível. A evidência que se coloca diante desta tragédia é o fato de ela pertencer não apenas ao homem que a cometeu e às suas pobres vítimas, mas a todos nós. Ela é o produto de um país.

Há pelo menos uma década este pensamento doentio, intolerante, misógino, homofóbico, anticomunista, anti-humanista, contrário aos direitos humanos, pregador da barbárie e da violência viceja entre nós. Era uma questão de tempo para um fato como este acontecer, dentro desse caldo de cultura.

O ódio, a agressão ao diferente, o ideário fascista, a ruptura dos padrões mínimos de civilidade, a morte como solução estão impregnados em todas as relações sociais e espaços públicos de discussão no Brasil. E também na carta de Sidnei.

Seu ato monstruoso alimentou-se do ideário fascista existente entre nós. Significativa parte da elite sócio-política e da mídia tem estimulado este pensamento, pois foi-lhes útil para chegar ao poder pela derrubada de um governo legitimamente eleito, para desmoralizar a esquerda e para obter o que antes não tinham no Brasil: credibilidade social. Diante de tamanho horror e irresponsabilidade, deixo no ar uma pergunta simples: até quando?

(2) Segundo texto de uma série de avaliações sobre a chacina de Campinas.

Fonte: CartaCapital

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Psicanalista avalia chacina de Campinas (1)

Redes sociais validam o ódio das pessoas, diz psicanalista

Psi 1
Nas redes sociais, é possível expressar o seu ódio, dar a ele uma dimensão pública, receber aplausos de seus amigos e seguidores e se sentir, de alguma forma, validado.

Além disso, a linha entre uma ameaça virtual e uma ação criminosa é tênue, como ocorreu no caso da chacina ocorrida em Campinas (SP) no começo do ano, quando um homem matou a ex-mulher, o filho e outras dez pessoas durante uma festa de Ano Novo.

Essa é avaliação que o psicanalista Contardo Calligaris, doutor em psicologia clínica e autor de diversos livros, faz sobre a disseminação dos discursos de ódio nas redes sociais, que para ele deveria ser “perseguida”. “Deveríamos ter limites claros ao que é o campo da liberdade de expressão, que é intocável, e o momento em que aquilo se torna uma ameaça.”

Em entrevista à BBC Brasil, ele ressalta que as redes também trazem efeitos muitos positivos, refuta discursos de que o mundo está mais violento e fala de sua esperança de que os brasileiros se tornem “cidadãos melhores”. Confira os principais trechos:

BBC Brasil – Temos observado casos de violência brutal – chacinas como a de Campinas, a morte de um ambulante espancado em uma estação de metrô, atentados, matanças. Vivemos uma época de mais intolerância ou apenas sabemos mais sobre ela?

Contardo Calligaris – Eu tendo sempre a diminuir os gritos de horror, que são plenamente justificados, mas tendo a diminuí-los porque a sensação de que estamos em um mundo mais violento no médio e longo prazo é sempre falsa. Estamos em um mundo infinitamente menos violento do que era dois séculos atrás, por exemplo – essa é a progressão. Mas claro, é um gráfico que sobe e desce.

Nos casos recentes, um é diferente do outro. Uma coisa é o espancamento de um ambulante que tentou ajudar as travestis, de populações particularmente expostas à violência coletiva – aqui realmente se trata de um crime de ódio, de ódio à diferença.

Quase sempre são crimes inspirados pelo horror e medo de poder se identificar com a vítima – a sensação de que “eu mato o morador de rua ou a travesti que eu poderia vir a ser e de tal forma eu nunca virei a ser essa mesma pessoa”. É a base fundamental de muitos comportamentos racistas, de extermínio de diferentes.

Esse é um tipo de mecanismo de violência, mas outro é o caso da boate em Istambul, por exemplo, que é o desejo de “destruir o local onde os “ocidentais se reúnem para suas festas de infiéis porque não quero ser tentado por isso e mato a minha própria tentação de cair na gandaia”.

Psi 2

Max Calligaris
Para psicanalista, discurso de ódio na internet deveria ser levado mais a sério
E outro tipo ainda é o episódio de Campinas, que é o que me dá mais pena – aqui tem uma coisa que a imprensa deveria sublinhar muito para que seja ouvida, que é uma história absolutamente anunciada.

Houve, ao longo de cinco anos, vários boletins de ocorrência, a mulher não consentiu com as medidas restritivas que poderiam fazer a diferença. E aí você vai me dizer, “mas a polícia e a Justiça não fariam nada, só iriam à casa do suspeito”, mas isso sim já faria a diferença.

Alguém deveria ter orientado a mulher sobre a possibilidade disso acontecer, mesmo sendo o pai de seu filho. As estatísticas dizem que quando você tem quatro ou cinco boletins de ocorrência depois da separação, as chances são grandes de você ter episódios de violência.

BBC Brasil – A descrença que a gente vê nesse caso – de que o homem não seria capaz de fazer algo concretamente – também observamos nos casos dos comentários raivosos das redes sociais. Especialmente depois desse caso, mas em tantos outros, em muitos dos argumentos que a gente já leu na internet, muito desse discurso do ódio está explícito. Será que isso é um alerta de que esse discurso estaria passando para o ato e se concretizando na vida real?

Calligaris – Nas redes sociais, é possível expressar o seu ódio, dar a ele uma dimensão pública, receber aplausos pelos seus amigos e seguidores, e se sentir de alguma coisa validado. Ou seja, as redes sociais produzem uma espécie de validação do seu ódio que era muito mais difícil antes de elas existirem e se tornarem tão importantes na vida das pessoas.

Isso não tem remédio porque não podemos voltar atrás, e essa é certamente a parte menos interessante das redes sociais, que em contrapartida têm efeitos sociais muito positivos.

É uma coisa um pouco ridícula ouvir isso de um psicanalista, mas eu acho que o discurso de ódio nas redes sociais é algo que deveria ser perseguido, deveríamos ter limites claros ao que é o campo da liberdade de expressão, que é intocável, e o momento em que aquilo se torna uma ameaça e deveria receber imediatamente a atenção da polícia e do Judiciário.

Existe uma linha tênue de passagem entre a ameaça na rede social, a confirmação que ela recebe do discurso de quatro, cinco, ou mil malucos nos comentários – pessoas que vão ter respondido, no caso de Campinas, por exemplo, “vai lá e mata mesmo aquela ‘vadia'” – e a possibilidade de ação criminosa.

Ele é um louco, no sentido geral e num sentido clínico certamente poderíamos especificar melhor. De toda forma, todos nós somos capazes de pensar a forma como essa panela de pressão foi se construindo.
BBC Brasil – Assim como as redes sociais têm essa ambiguidade – um lado positivo e outro negativo – o nosso mundo e nossa sociedade parece caminhar um pouco da mesma forma, dando dois passos para frente e um para trás. Por exemplo, na questão de gêneros, temos uma fluidez maior, mas muitos ataques contra gays e trans. Como fica o indivíduo nesse período em que parece que temos duas realidades: uma abertura maior com relação a alguns assuntos e um preconceito rigoroso sobre eles?

Calligaris – As redes sociais proporcionaram, por um lado, coisas que eram impensáveis anos atrás. Por exemplo, tem um ódio coletivo que se manifesta contra a comunidade trans, alimentado por figuras sinistras que comandam até igrejas, e isso é alimentado, apesar de poder ser caracterizado como um crime de incitação ao ódio.

Mas, por outro lado, alguém que não se reconhecia no seu corpo, uma trans que morava no interior do Mato Grosso e achava que era um monstro, único do tipo e destinada a uma vida escondida, de repente descobre que tem pessoas como ela pelo mundo afora, e grupos, e pessoas dispostas a escutar, a dar conselhos. Isso é o outro efeito positivo das redes.

Agora é verdade que fundamentalmente as redes sociais são construídas no modelo da sociedade contemporânea, ou seja, você vale o apreço que você produz. Ou no caso, o número de “likes” que suas postagens conseguem receber.

Isso aconteceria mesmo que as redes sociais não existissem. Ou seja, na sociedade contemporânea, você não vale os seus diplomas ou nem mesmo o que é a sua história – o que importa é quem e quantos gostam de você. Assim é o funcionamento da sociedade contemporânea, gostemos dele ou não.

Agora, o problema é que, quando você vive, se alimenta do apreço dos outros, é muito fácil se enredar em formações de grupo absolutamente espantosas.

Então o discurso de ódio, por exemplo, se alimenta porque é uma coisa “maravilhosa”: você constitui, pelas redes sociais, um imenso grupo de pessoas que pensam absolutamente a mesma coisa que você – o que é trágico porque frequentar e trocar mensagens com quem diz “é isso mesmo, meu irmão” é de um tédio mortal.

BBC Brasil – E isso tem a ver com as bolhas informacionais e com algoritmos que “pensam por nós” e reforçam esse comportamento…

Calligaris – Sim… eu acho que deveríamos ler aquilo com o qual não concordamos, não só o que concordamos. Eu, como colunista, penso isso. Para que ler algo que você sabe que vai concordar?
BBC Brasil – Falando sobre esse reforço de ideias ainda e sobre avanços e atrasos, há o que parece ser um incômodo sobre a conquista de direitos dos outros – e aqui falo especificamente sobre a mulher. A psicanálise explica por que essa conquista incomoda tanto alguns grupos da sociedade?

Calligaris – O que mais me surpreende é, por um lado, a tremenda insegurança de quem se ofende com os direitos de uma maioria oprimida.

Essa inquietação tem uma força ideológica muito mais ao redor de pessoas que sobrevivem ou acham que sobrevivem graças a precárias posições de vantagem.

Tem um monte de homens um pouco perdidos porque ficou cada vez menos claro o que é esperado deles. Também não sabemos mais como defini-lo – ele já não é o provedor. Essas são mudanças lentas.

BBC Brasil – Você falou sobre a vantagem – isso é sempre identificado com o brasileiro, de forma geral, aquele que sempre quer levar vantagem em tudo, o malandro. Mas temos um revés disso com grandes políticos e empreiteiros sendo presos, a corrupção mais combatida, que pode mostrar que “não vale mais tanto a pena”. Isso pode mudar esse comportamento de apontar ou dedo e não olhar para si, nunca pensar na sua própria responsabilidade?

Calligaris – Essa é a grande esperança, embora eu não acredite que ela vai mudar a qualidade ética da nossa classe política tradicional. A Lava Jato tem esse aspecto de dilúvio universal nas casas das pessoas, mas não estou vendo os efeitos disso ainda.

Mas, do ponto de vista do cidadão comum, tenho uma pequena esperança de que isso mude um pouco a regra de querer levar vantagem em tudo, aproxime da gente a ideia de que em pequenas operações da vida cotidiana possamos ser tão corruptos no sentido de confundir o público e privado e de tornarmos a convivência publica uma coisa tão problemática. E ao compreender isso, podemos nos tornar cidadãos melhores.

(1) Primeiro texto de uma série de avaliações sobre a chacina de Campinas.

Fonte: BBC Brasil

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“A ditadura homossexual”: texto e comentário

2017, ano da homossexualidade obrigatória

Soube-o aqui em primeira mão. Em 2017, vai ser obrigatório ser homossexual. Isso ao mesmo tempo que vai ser proibido dizer certas palavras – e compreenda que não as diga aqui porque já começou o novo ano e não quero ir presa ou que o DN seja encerrado por ordem do tribunal.

Como é que isto aconteceu? Ainda por cima, como é que aconteceu num país onde ainda em 2014 as e os homossexuais estavam impedidos de, em casal, adotar crianças, até 2009 eram proibidos de casar, até 2007 eram alvo de um tipo criminal especial – atos homossexuais com adolescentes -, até 1999 estavam classificados como “invertidos” e “anormais sexuais” na lista de incapacidades das Forças Armadas e até 1982 tipificados como criminosos? Quem é que podia adivinhar que, em tão pouco tempo, subjugariam a maioria heterossexual, obrigando-a a converter-se? Que pais rejeitariam os filhos por serem heterossexuais ou os levariam a psicólogos para convencê-los a aderir à homossexualidade?

Começou tudo de forma aparentemente inocente. Primeiro vieram dizer que eram discriminados e que era preciso mudar as leis. As boas gentes resistiram muito no início, mas lá foram sendo convencidas: realmente, por que motivo é que se havia de discriminar e perseguir alguém por amar ou desejar pessoas do mesmo sexo em vez de pessoas de sexo diferente? Ainda por cima parecia que acabar com as discriminações não prejudicava ninguém. O que custou mais foi deixá-los adotar crianças e recorrer à procriação assistida, mas como os estudos científicos certificam que os petizes não ficam com problemas e que há imensos países onde casais de homossexuais adotam e geram a sua prole há décadas sem apocalipse nenhum, pronto.

Depois, não contentes com a igualdade na lei, deram em dizer que ainda não chegava, que queriam ser respeitados, que estavam fartos de ser insultados e achincalhados, e que havia palavras que não suportavam, ameaçando ir para o Facebook fazer peixeirada.

Aí houve quem começasse a desconfiar: então agora queriam coartar a liberdade das pessoas de exprimirem o seu desgosto, nojo e estranheza com a homossexualidade, ou de fazer piadas com uma coisa tão cómica? Ia-se fazer piadas com quê, então? Com pessoas normais? Quem é que se iria rir disso? Toda a gente sabe que o que tem graça é fazer pouco de quem está em situação de inferioridade ou de menos poder, dos indivíduos ou grupos com os quais a maioria não se identifica. Qual a graça de fazer pouco de homens hetero brancos de classe média, por exemplo? Nem há expressões específicas para os designar, quanto mais.

Perante mais esta exigência dos homossexuais, alguns, mais avisados, denunciaram o advento da “censura” e o perigo da “ditadura”. Aliás diga-se, em nome da justiça, que muitos dos que lançaram esse alerta andam há anos a dizer o mesmo (e pouco mais): que os homossexuais, em aliança com as feministas (e outros movimentos alegadamente “pela igualdade”) têm um plano maquiavélico para destruir a sociedade tal como a conhecemos. Infelizmente, ninguém levou essas pessoas a sério. Até lhes chamaram fundamentalistas, imagine-se, fazendo delas motivo de chacota. Nem o facto de haver humoristas de renome a clamar contra a perseguição e o escorraçar de certas palavras, coitadas, que não sendo mais que palavras também têm direito à vida, serviu para impedir o desastre. Devíamos ter-lhes dado ouvidos. E levado a sério os visionários que, no Facebook, Twitter e caixas de comentários de jornais, vaticinaram que “eles só ficam satisfeitos quando formos todos homossexuais”. É para aprendermos a não ser boas pessoas.

Fonte: DN PT

LITERALMENTE, CÂNCIOcancio
Fernanda Câncio escreveu hoje no DN um artigo sarcasticamente intitulado “2017, ano da homossexualidade obrigatória“. Nele, Câncio questiona “quem é que podia adivinhar que, em tão pouco tempo, [homossexuais] subjugariam a maioria heterossexual, obrigando-a a converter-se?” Concluindo então que “devíamos ter-lhes dado ouvidos. E levado a sério os visionários que vaticinaram que ‘eles só ficam satisfeitos quando formos todos homossexuais’.”

O texto em si não me causou estranheza, achei-o uma sátira que inverte os papéis da maioria heterossexual e da minoria homossexual. Mais, fá-lo espelhando ódios e fobias que parte de uma tem da outra, desconstruindo argumentos que nalgum ponto já todos e todas lemos nas redes sociais e caixas de comentários.

O texto em si não me causou estranheza só por isto, mas também porque a jornalista é uma forte aliada na luta pelos direitos da população LGBTI portuguesa. Desde há décadas. Por isso faz sentido que o tenha escrito numa altura em que as acusações de censura e de lobbies gay proliferam, renascidas num mundo ocidental pós-Trump.

Causa-me estranheza, sim, algumas das reacções ao texto caricatural da Câncio, especialmente de pessoas LGBTI ou aliadas, levando à letra toda.e.qualquer.sílaba. E isso perturba-me. Porque, goste-se ou não do estilo, goste-se ou não até da figura da jornalista, dificilmente poderia ser um texto literal. Ou se calhar é precisamente esse o problema, é que poderia efectivamente ser um texto literal. E isso é assustador. Mas é também isso que valida o tom irónico usado e a indignação que provocou é a prova dos nove de que o preconceito e a homofobia (e acrescento, já agora, a misoginia) estão ainda entranhados na nossa forma de pensar, por vezes até traindo aquilo que noutro contexto defenderíamos com unhas e dentes. Há pois que saber ler nas entre-linhas – seja do humor, seja da ofensa – para aprendermos a ser boas pessoas. Sim, literalmente.

Fonte: Escrever Gay PT

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Por que não diminuem as ocorrências de racismo?

Nota prévia do blog: criminalização e educação não previnem nenhuma discriminação. Todos sabemos que o psiquismo do racista não começa a partir de uma ocorrência que gera um BO. Muito antes disso ele já é um racista. E ninguém que o conhecia se surpreende quando, mais cedo ou mais tarde, ele acaba sendo denunciado formalmente. Como é este período da vida do racista antes de uma denúncia policial? Tanto para ele como para sociedade em geral é como se sua conduta não fosse problemática. E é assim porque não houve ainda, infelizmente, interesse de nenhum grupo preocupado com a questão, em definir como um comportamento indesejável/perigoso/anormal como expusemos aqui. E por fim, não acreditamos em diminuição de ocorrências sem prevenção. esperamos que esta seja a idéia do entrevistado ao afirmar: “Digo isso para que não reste dúvidas de que as medidas penais, apesar do seu importante caráter simbólico, não terão o poder de incidir eficazmente sobre problemas complexos como o racismo e a discriminação racial.”. O blog e o autor tem um interesse em comum que é a diminuição de ocorrências de Condutas Discriminatórias Raciais.

“Racismo impacta na tomada de decisão dos magistrados”

Pesquisador Felipe Freitas alerta sobre os efeitos do racismo institucional do Judiciário

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O racismo impacta nos filtros subjetivos de tomada de decisão dos magistrados e produz uma taxa maior de encarceramento e de condenação judicial de pessoas negras em relação às pessoas brancas. É o que afirma o pesquisador Felipe da Silva Freitas, mestre e doutorando em Direito pela Universidade de Brasília (UnB).

Em entrevista ao JOTA, Freitas falou sobre o racismo presente no Judiciário brasileiro – um racismo estrutural, produto de uma realidade maior, vivida na sociedade.

“As pesquisas sobre vitimização, assim como os dados sobre formas de condenação judicial e sobre o perfil da população carcerária, demonstram como as pessoas negras procuram as instituições policias para notificar fatos violentos em índices inferiores aos das pessoas brancas”, afirmou. Segundo ele, também são menores as taxas de confiança das pessoas negras em relação ao sistema de justiça. “A população negra sabe, pela experiência concreta, que são reais as barreiras que interditam seu acesso à justiça. ”

Membro dos grupos de pesquisa Desigualdades, Desrespeito e Discriminação da PUC do Rio de Janeiro e Política Criminal da UnB, atualmente ele investiga o papel do Ministério Público na apuração dos casos de morte decorrentes de intervenção policial. Trabalhou junto à Rede Justiça Criminal e ao Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), prestando consultoria nas áreas de estatísticas criminais, juventude, relações raciais e execução penal.

“Sempre me interessei pelos temas da segurança pública e por isso estruturei tanto a minha reflexão acadêmica quanto a minha ação política neste campo, por entender a relevância desta questão para a democracia brasileira e para o enfrentamento aos efeitos do racismo”, contou. Foi assim que, segundo ele, se aproximou cada vez mais do problema da violência policial. Uma questão “que é responsável não só por uma série de ocorrências letais no país como também é indicativo do baixo grande democratização das nossas instituições”.

Entre 2013 e 2016 trabalhou na Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial da Presidência da República, quando foi coordenador do Plano Nacional de Prevenção a Violência contra Juventude Negra (2012 – 2014) e secretário executivo do Conselho Nacional de Promoção da Igualdade Racial (2015).

Freitas observa que ao longo de quase 30 anos de criminalização do racismo, o que se tem observado é que a forma de tratamento destas ocorrências no âmbito do sistema de justiça é revitimizante, ineficaz e imprecisa. “Há uma tolerância generalizada com a discriminação racial e o sistema de justiça é espaço de reprodução destas práticas”.

Leia, na íntegra, a entrevista que o pesquisador concedeu ao JOTA:

– Podemos falar num racismo institucional no nosso sistema Judiciário? Quais são os efeitos sociais desse racismo institucional?

O racismo é um fenômeno estrutural e sistêmico, portanto, um fenômeno que também influi na forma de funcionamento das instituições, nos seus códigos e nas suas formas de distribuição do poder. Assim, o Judiciário – como parte da sociedade – é, também ele, organizado pelos códigos do racismo que chamamos de racismo institucional.

Este fenômeno tem como principal efeito a alteração do nosso sentido de humanidade e, por consequência, a destruição do conceito de cidadania. O racismo subverte nossa noção de quem é humano em nossa sociedade e a principal decorrência disto é que toda a ideia de igualdade, equidade e justiça ficam irrevogavelmente comprometidas. Se o racismo fez dos negros cidadãos de segunda classe e impediu o acesso de pessoas negras aos espaços de poder, ele também criou mecanismos objetivos e simbólicos que constroem e alimentam desigualdades econômicas, culturais, políticas e sociais.

O principal efeito social disso tudo é que a democracia e o direito ficam interditados enquanto se fala em racismo. Uma sociedade não pode ser definida como uma sociedade democrática enquanto critérios raciais seguem orientando quem pode e não pode viver nesta determinada sociedade, uma sociedade racista é, por definição, uma sociedade violenta e antidemocrática. Este é o caso da sociedade brasileira.

– Esse fenômeno também é responsável pela limitação do acesso à justiça para a população não branca?

Os dados de que dispomos não deixam qualquer dúvida em demonstrar que as pessoas negras têm menos acesso à justiça (bem como a outros serviços públicos). Desde o primeiro atendimento referente à prestação jurisdicional até a litigância nos tribunais superiores os negros são, sem dúvidas, limitados por barreiras decorrentes do seu pertencimento racial.

As pesquisas realizadas nos últimos anos sobre vitimização, sobre composição das carreiras jurídicas e sobre perfil das pessoas condenadas e absolvidas pelo sistema de justiça criminal são fartas em demonstrações de como a identidade racial das pessoas é bastante influente na estruturação do tipo de trajetória que esta pessoa terá no que diz respeito ao acesso à justiça no país.

Para se ter uma ideia de como a raça importa em termos de maior ou menor chance de acessar um julgamento justo no Brasil podemos pensar no caso recente das audiências de custódia na cidade de São Paulo nas quais, segundo estudo realizado pelo Instituto de Defesa do Direito de Defesa (IDDD), 69% das pessoas negras levadas à audiência tiveram a prisão preventiva decretada enquanto entre as pessoas brancas este número não ultrapassava os 55%.

Outro dado eloquente é a composição da população carcerária brasileira. Segundo dados do Departamento Penitenciário Nacional (DEPEN) os negros formam a maioria da nossa população carcerária, correspondendo a percentuais superiores à participação das pessoas negras no universo da população do país.

Ou seja, é o racismo que impacta nos filtros subjetivos de tomada de decisão dos magistrados importando, portanto, em uma maior taxa de encarceramento e de condenação judicial de pessoas negras em relação às pessoas brancas.

As pesquisas sobre vitimização, assim como os dados sobre formas de condenação judicial e sobre o perfil da população carcerária, são eloquentes em demonstrar como as pessoas negras procuram as instituições policias para notificar fatos violentos em índices inferiores aos das pessoas brancas bem como são menores as taxas de confiança das pessoas negras em relação ao sistema de justiça.

A população negra sabe, pela experiência concreta, que são reais as barreiras que interditam seu acesso à justiça;

– Como você avalia os efeitos da criminalização do racismo desde o advento da Lei Caó, em 1989?

Primeiro me parece bastante oportuno frisar que a criminalização do racismo é apenas uma das inúmeras demandas políticas formuladas pelo movimento negro no âmbito da luta por direitos, e, portanto, é apenas um dos muitos instrumentos possíveis para se buscar incidir sobre o fenômeno da violência racial e para superá-lo. Digo isso para que não reste dúvidas de que as medidas penais, apesar do seu importante caráter simbólico, não terão o poder de incidir eficazmente sobre problemas complexos como o racismo e a discriminação racial.

No entanto, ainda que se destaque o caráter limitado do direito penal como forma de intervenção nos casos em que se verifica a prática de discriminação racial (crime de racismo) também é preciso falar que, por outro lado, sequer neste ponto foi possível para os negros brasileiros contar com o apoio e a proteção do Estado brasileiro.

Ao longo destes quase 30 anos de criminalização do racismo o que se tem observado é que a forma de tratamento destas ocorrências no âmbito do sistema de justiça é revitimizante, ineficaz e imprecisa. Os casos de racismo são amplamente reclassificados como casos de injuria racial ou injuria simples, e, ainda assim, são baixíssimas as taxas de elucidação dos casos e de condenação dos culpados.

Em pesquisa recente realizada sobre o tema a professora Gislene dos Santos [1] observou como os discursos do Judiciário nos processos judiciais referentes ao crime de racismo são marcados pela absolvição dos acusados de racismo, e, por outro lado, pelo reforço a uma narrativa despolitizante sobre a sociedade brasileira ratificando as crenças e mitos relativos à suposta harmonia racial do país.

Na mesma direção o estudo de doutorado de Thula Pires, professora de direito constitucional da PUC do Rio de Janeiro, aponta para os limites da criminalização do racismo, mas, ao mesmo tempo, adverte quanto aos modos racistas pelos quais o dispositivo legal vem sendo interpretado pelo Judiciário brasileiro. Há uma tolerância generalizada com a discriminação racial e o sistema de justiça é espaço de reprodução destas práticas.

– O Judiciário tem dificuldade em lidar, acolher e suprir as demandas movidas contra condutas racistas?

Há uma evidente má vontade do Poder Judiciário – e dos outros órgãos do sistema de justiça – em tratar das demandas apresentadas pelos movimentos antirracismo. Assim como as pessoas negras são vistas como não humanos (e, portanto, como sujeitos de segunda classe ou como sujeitos desprovidos de direitos) o racismo no país também é tratado como um “problema menor” e isso logicamente contribui – muito – para a perpetuação de práticas violentas e discriminatórias.

– Você acredita que a falta de operadores do direito negros – pouquíssimos juízes negros, desembargadores, um STF monocromático desde a saída de Joaquim Barbosa – influencia para que nós continuemos assistindo (e vivendo) a um massacre constante da juventude negra?

O censo do Poder Judiciário, publicado pelo CNJ em junho de 2014 destaca que apenas 1,4 % dos juízes se autodeclaram pretos e 14,2%, pardos e que 64,1% dos juízes brasileiros são homens e 82,8%, brancos. Nos tribunais superiores não chega a 10% o número de negros.

Estas informações já haviam sido identificadas em Pesquisa do Laboratório de Análises Econômicas, Históricas, Sociais e Estatísticas das Relações Raciais (LAESER), de 2014, do Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Segundo o estudo, pardos e pretos correspondem a apenas 22,7% dos juristas e advogados do funcionalismo público.

O trabalho intitulado Ministério Público: guardião da democracia brasileira? – lançado este mês pelo Centro de Estudos de Segurança e Cidadania segue também na mesma direção e aponta o grave problema de sub-representação dos negros nas carreiras jurídicas. A pesquisa realizada para traçar o perfil dos promotores e procuradores brasileiros mostra que o número de negros no Ministério Público brasileiro corresponde apenas a cerca de 22%, ou seja, o mesmo número apontado em 2014 pelo LAESER em outra pesquisa realizada sobre a matéria.

É um cenário aterrador tanto pelo que isso representa em termos de obstáculos para o acesso de pessoas negras a espaço de poder quanto em termos de construção da subjetividade de pessoas negras. Se um jovem negro não consegue localizar na sua experiência concreta outras pessoas parecidas com ele ocupando espaços de decisão é muito improvável que este jovem consiga reunir as condições subjetivas necessárias para construir um caminho em direção a estes espaços. A representatividade neste caso é decisiva na construção das trajetórias políticas e profissionais.

Neste sentido, não temos como negar que a baixa quantidade de pessoas negras ocupando cargos importantes no mundo jurídico tem efeitos muito danosos para a vida da comunidade negra. Ao mesmo tempo, a hegemonia branca nos espaços de decisão do poder judiciário (e do mundo jurídico como um todo) contribui sim para que os direitos da população negra deixem de ser observados.

Na medida em que as pessoas negras estão afastadas dos espaços jurídicos este universo passa a ser apenas um espaço de reprodução de privilégios e vantagens sociais e não um espaço de afirmação de outros valores. Na medida em que os órgãos do sistema de justiça são monopolizados por pessoas brancas diminuem as chances de que decisões de combate ao racismo e a desigualdade racial sejam tomadas. Não podemos esquecer que o racismo é um sistema que ao lado de criar desvantagens para as pessoas negras também vai criando vantagens para as pessoas brancas, é o que chamamos de privilégios da branquitude. [2]

Neste sentido são cada vez mais relevantes medidas políticas afirmativas que busquem alterar esta realidade como reserva de vagas para negros nos concursos, apoio à criação de comissões de negros nos órgãos de classe e fomento às pesquisas jurídicas feitas por pessoas negras voltadas à identificação e ao combate ao racismo institucional.

[1] SANTOS, Gislene Aparecida. Nem crime, nem castigo: o racismo na percepção do judiciário e das vítimas de atos de discriminação. Revista do Instituto de estudos brasileiros. N. 16, São Paulo, dez/2015, p. 184 – 207

[2] Ver trabalho de Maria Aparecida Bento e Lia Vainer Schucman.
Por Mariana Muniz – Brasília

Fonte: JOTA

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Abuso sexual de técnicos em jovens atletas: um modelo de prevenção para o Brasil

El protocolo contra el acoso sexual que pudo salvar a Antonio Peñalver

UN ASUNTO SIEMPRE LLENO DE SOMBRAS
Existe un protocolo perfectamente diseñado para que el silencio no sea complice en casos de abusos sexuales, tanto en mayores como en menores de edad

tecnicos-1El mundo del atletismo español se ha convulsionado con la denuncia de Antonio Peñalver. (Reuters)

Una denuncia de un joven atleta sacó a la luz un asunto que existe desde hace mucho, pero que casi siempre queda tapado, y olvidado, por el paso del tiempo. La semana pasada, era detenido Miguel Ángel Millán por la acusación de un antiguo pupilo, que le denunció por haber sufrido abusos sexuales cuando era menor de edad. Este episodio provocó que Antonio Peñalver, subcampeón olímpico de decatlón en Barcelona 1992, declarara ante la Policía haber sufrido los mismos abusos por parte de este técnico cuando ambos trabajaban juntos. Pasan los años y muchos casos, conocidos pero no denunciados, van quedando en el olvido. Desde hace tiempo, ante una cuestión de tanta gravedad y que genera alarma social, se adoptan medidas para evitar que el abusador quede impune.

Un punto de vital importancia es que desde hace tiempo ya existe un registro en el que aparecen los nombres de las personas involucradas en asuntos de esta índole. Hasta hace poco no existía, pero ahora ya están perfectamente anotados los nombres de aquellas personas implicadas en materias de este tipo. Este listado depende del Ministerio del Interior, y en el mismo se incluyen los datos relativos a la identidad y perfil genético (ADN) de las personas condenadas mediante una sentencia firme por los delitos contra la libertad e indemnidad sexuales. Antes, una persona señalada por un delito de estas características podía cambiar de residencia sin que en el nuevo destino se supiera prácticamente nada de su pasado.
tecnicos-2Antonio Peñalver, tras ganar la plata en Barcelona 92.
Ahora, todos los entrenadores, en este caso, deben presentar un documento (‘certificado de delitos de naturaleza sexual para trabajar con menores’) en el que quede corroborado perfectamente que en su hoja de servicios no aparece un precendente de esta naturaleza. Ni hechos ni denuncias. El Consejo Superior de Deportes (CSD) exige a todas las federaciones deportivas la elaboración de un protocolo propio para poder recibir las subvenciones anuales de este organismo, algo que todas han realizado de manera unánime. El organismo que ahora preside José Ramón Lete presentó en mayo de 2014 el Protocolo para la Prevención, Detección y Actuación frente al Acoso y Abuso Sexual, escrito que trasladó, además de a las diferentes federaciones, a comunidades autónomas y ayuntamientos.
Han cambiado mucho las cosas en los últimos tiempos. Antonio Peñalver se mantuvo en silencio durante años, cosa que posiblemente no hubiera sucedido si estas medidas y protocolos hubieran estado activos en su momento. El CSD cuenta con un pormenorizado protocolo para atajar el acoso y abuso sexual. Para empezar, el director general de Deportes ha de nombrar dos delegados de protección, de distinto sexo, entre personas que sean cercanas a los deportistas, personas que conozcan perfectamente este terreno. Además, existe un comité asesor, formado por un representante de la Subdirección General de Régimen Jurídico del CSD, un asesor de la presidencia del CSD, un representante de la Dirección General de Deportes y un representante de la Dirección de los Centros de Alto Rendimiento.
tecnicos-3El CSD tiene diseñado un protocolo para cazar al acosador. (Reuters)
¿Qué debe hacer la víctima? ¿Cuáles son los pasos que ha de seguir? En primer lugar, el procedimiento para denunciar al acosador comienza por la comunicación, verbal o escrita, de la víctima, su representante legal o una persona que tenga un detallado conocimiento de la situación. La misma ha de presentarse ante uno de los delegados de protección, que tratará de obtener la mayor información posible para hacer un primer diagnóstico. Es el momento de entrevistarse con todas las personas que están inmersas en el caso —denunciante, denunciado, presunta víctima…—, además de con testigos u otras personas cuyo testimonio sea de relevancia. Se abre un plazo de 10 días en el que el delegado deberá redactar un informe, evaluando la situación y proponiendo qué camino tomar o acciones a adoptar.
El comité asesor, con el informe en la mano, deberá archivar, continuar con el procedimiento —si hay indicios, pero no hechos probados— o poner de inmediato en conocimiento de la Dirección General de Deportes el caso, en el supuesto de tener claro que hay un caso de posible acoso o abuso sexual. Cuando no hay dudas sobre el hecho, se comunicará al juzgado de guardia o a la Fiscalía el presunto acoso o abuso sexual en caso de menores. Otro paso es comunicar a la federación afectada lo sucedido, para que adopte las medidas pertinentes. Si hablamos de un entrenador que trabaja en el Centro de Alto Rendimiento, se le expulsará de inmediato de la Residencia Joaquín Blume. El deportista dañado, obviamente, podrá emprender las acciones que considere oportunas a nivel particular.
Si se trata de un menor, la Dirección General de Deportes trasladará los hechos a la Fiscalía de Menores, también a los padres o tutores cuando se trate de una situación ejercida por personas ajenas a la familia. Igualmente, el CSD informará a los Servicios Sociales de la comunidad autónoma correspondiente de la existencia del protocolo en cuestión, con el fin de que sea designada una persona de enlace directo en los mismos para proporcionar, cuando sea preciso, el oportuno asesoramiento. En cualquier caso, el CSD llevará a cabo, en el ámbito de sus competencias, todas las actuaciones necesarias para la defensa y protección del menor. Con este protocolo, se trata de promover un contexto social de rechazo, también de respuesta inmediata ante cualquier brote de violencia sexual, tanto contra mayores como menores de edad.
La aparición pública y mediática de Peñalver ha removido un asunto que provoca una gran inquietud en la sociedad, al aparecer en escena menores de edad. Raúl Chapado, nuevo presidente de la Real Federación Española de Atletismo (RFEA), opta por mantener una prudente postura ante una cuestión tan desagradable. Así, y de manera escueta, explica en conversación con El Confidencial que “dada la gravedad del tema, que además me afecta en lo personal porque he sido compañero y soy amigo de Antonio Peñalver, creo que lo mejor es dejar trabajar al juzgado y a la Policía. No solo afecta a las personas, también a sus entornos”. Y deja claro que “aquí, en la RFEA, vamos a estar en plena colaboración con lo que se nos requiera, y con el CSD con respecto a los protocolos actuales y los que se puedan implantar a partir de ahora”.
Texto: ALONSO CASTILLA
Fonte: El Confidencial ESP.
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“Drogas homeopáticas não tem respaldo científico”

EE.UU.: Drogas homeopáticas deben indicar que carecen de evidencia científica

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La Comisión Federal de comercio (FTC, por sus siglas en inglés) de Estados Unidos hizo pública una resolución en la que se establece la obligatoriedad de avisarle a los consumidores que la supuesta efectividad para curar enfermedades no tiene ningún respaldo científico.

Según el comunicado de la FTC, “la gran mayoría de las indicaciones en los productos homeopáticos no están basadas en métodos científicos modernos y no son aceptadas por médicos actuales”.

La Administración de Alimentos y Medicinas de EE.UU. también está revisando sus políticas sobre estos productos, según confirmó su portavoz Theresa Eisemann.

Según publica la Asociación de Medicina Homeopática del Uruguay, se trata de un método desarrollado por Samuel Hahnemann en el siglo XIX y que “el tratamiento homeopático está indicado en general para cualquier enfermedad y en cualquier época de la vida, ya como tratamiento exclusivo o como complemento de otras terapéuticas”.

Qué es la homeopatía

Hahnemann creía que las causas de las enfermedades eran fenómenos que llamó miasmias y que los remedios homeopáticos actuaban sobre estos.

Existen tres escalas logarítmicas de potencia de común en la homeopatía. Hahnemann creó la escala centesimal o “escala C”, diluyendo una sustancia por un factor de 100 en cada etapa. Esto significa que cada 100 partes de agua contienen 1 parte de un ingrediente activo. De esta solución se toma de nuevo 1 parte y se diluye de nuevo entre 100.

Este proceso se realiza varias veces hasta que la relación 100−6=10−12, o sea una parte en un billón (1/1 000 000 000 000).

Al final, el elemento activo es prácticamente indetectable en el medio en que es diluido (alcohol o agua).

Para Hahnemann y los seguidores del esta práctica, existe un supuesto hecho denominado “memoria del agua”, lo que significa que esa disolución de 1 parte en 1 millón memoriza las propiedades del ingrediente activo indetectable.homeopatia-2
Solución homeopática que contiene peligrosas bacterias en su preparación. Foto: Wikimedia Commons.

Hahnemann también defendió el uso de sustancias que producían síntomas semejantes a aquellos que supuestamente deberían tratar, y que este hecho ayudaba a curarlos. Bajo esta premisa, algunas soluciones homeopáticas pueden llegar a contener peligrosos elementos como la bacterias Esteriquia coli, Clostridium botulinum, Salmonella, Mycobacterium tuberculosis y Estreptococo.

Diversas empresas presentes en Uruguay aseguran poder tratar padecimientos como el ácido úrico, agotamiento físico, aftas, afonia, alcoholismo, alergias, anemia, artrosis, bruxismo, bronquitis y decenas de otras enfermedades.

Fonte: LARED21

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Religiosos discriminam agnósticos e ateus: medidas preventivas são criadas

Relator da ONU elogia medidas dos EUA para proteger agnósticos e ateus

O especialista de direitos humanos da ONU sobre liberdade de religião e de crença, Ahmed Shaheed, elogiou nesta quarta-feira (28) as novas emendas legislativas dos Estados Unidos à Lei da Liberdade Religiosa Internacional. As medidas, assinadas na semana passada pelo presidente Barack Obama, visam a proteger os agnósticos e ateus no país.

onuO especialista de direitos humanos da ONU sobre liberdade de religião e de crença, Ahmed Shaheed, elogiou nesta quarta-feira (28) as novas emendas legislativas dos Estados Unidos à Lei da Liberdade Religiosa Internacional. As medidas, assinadas na semana passada pelo presidente Barack Obama, visam a proteger os agnósticos e ateus no país.

“Este é um desenvolvimento importante. Crentes, agnósticos e ateus devem ser igualmente protegidos. Muitos humanistas e agnósticos ainda são amplamente estigmatizados e perseguidos em todo o mundo”, disse Shaheed em comunicado emitido pelo Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH).

De acordo com o especialista, a promoção do pensamento ateu é considerado ato terrorista em muitos países. Em outros locais, a expressão de não crença ou ateísmo é condenada como blasfêmia e apostasia e recebe punição severa, incluindo sentença de morte ou ataques de grupos de vigilância.

“As pessoas muitas vezes não compreendem completamente o alcance do direito humano internacional à liberdade religiosa. Não se trata apenas de religiões ou crenças, mas também abrange o direito à liberdade de pensamento e de consciência, tal como previsto na Declaração Universal dos Direitos Humanos”, observou Shaheed.

O relator disse ainda que os termos “religião” e “crença” devem ser entendidos em um sentido amplo, a fim de incluir crenças teístas, não-teístas e o ateísmo, bem como o direito de não professar qualquer religião ou crença.

“Todos têm um papel importante a desempenhar na construção de sociedades pluralistas, inclusivas, pacíficas e prósperas no século 21”, frisou o especialista. “Em face da crescente diversidade, a liberdade de religião e de crença só pode ser mantida com a aceitação e inclusão plena dos ateus e dos agnósticos”, acrescentou.

Fonte:  ONU
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Políticos machistas “descobrem” a violência de gênero

Los políticos mexicanos acaban de descubrir la violencia de género

La respuesta de la clase política mexicana a la agresión contra Guevara es tan oportunista como atroz fue la golpiza que recibió la senadora.

senadora

La senadora Ana Gabriela Guevara, en febrero de este año./ DIEGO SIMÓN (CUARTOSCURO)

Este martes se reportó que el presidente Enrique Peña Nieto había llamado a la senadora y medallista olímpica Ana Gabriela Guevara para ofrecerle apoyo ante la brutal agresión que sufrió a manos de cuatro hombres el domingo 11 de diciembre.

El gesto solidario de Peña Nieto fue uno de muchos que recibió la legisladora. Pero si el presidente mexicano tuviera el mismo detalle con todas las mujeres que son agredidas diariamente en el país, simplemente no le alcanzaría el tiempo. Necesitaría hacer una llamada por minuto, y eso contando que estuviera despierto las 24 horas del día. Igual número de mensajes por minuto tendrían que enviar todos los políticos que por redes sociales expresaron apoyo a la velocista y legisladora.

Y es que, según datos de la Comisión Ejecutiva de Atención a Víctimas a 2015, más de 1,200 agresiones contra mujeres son cometidas cada día en México, casi tantas como minutos tiene el día. Y cada día, siete mujeres son asesinadas, según el Inegi.

Por eso la respuesta de la clase política mexicana, de legisladores, dirigentes partidistas o funcionarios públicos a la agresión contra Guevara es tan oportunista como atroz fue la golpiza que recibió la senadora. Parece que acaban de descubrir que en México hay violencia de género.

“#NoTienenMadre. Punta de cobardes”, escribió en Twitter el senador panista Javier Lozano.

“Lamento el incidente de mi compañera Senadora”, expresó el líder de los senadores del PRI, Emilio Gambia en la misma red.

El presidente del Senado, Pablo Escudero, del Partido Verde, dijo que lo ocurrido a Guevara “no tiene lugar en un Estado de Derecho”.

Pero si nos atenemos a los datos de la CEAV, calculados a partir de encuestas de victimización porque la cifra negra de delitos es mayor al 90% por la falta de denuncia, podemos asumir que en los 346 días de 2016 antes de que Guevara fuera golpeada más de 400 mil mujeres fueron agredidas en México por “puntas de cobardes” en “lamentables incidentes” que “no tienen lugar en un Estado de Derecho”, parafraseando lo dicho por los senadores. En ese mismo lapso, más de 2 mil mujeres fueron asesinadas.

Esas agresiones que pasaron tan desapercibidas como las más de dos mil que se dieron en las 24 horas anteriores y las 24 posteriores a la noche del 11 diciembre que no fueron condenadas de manera tan enérgica, si es que fueron condenadas del todo.

Cuestionar las reacciones de la clase política no es minimizar la agresión que sufrió Guevara. Es que la misma realidad la minimiza pues en igualdad de circunstancias ella es solamente una en más de un millar de personas que corrieron con su misma suerte ese 11 de diciembre.

A Guevara la distingue su calidad de legisladora y deportista ejemplar. Y por lo mismo tiene en su poder aprovechar la agresión para que sus colegas volteen a ver el tema de violencia de género y pongan manos a la obra. Tras su recuperación y al narrar el ataque, Guevara convocó a una cruzada nacional contra la violencia de género con mesas de trabajo de distintos actores sociales y dijo que va a insistir para que se dictaminen las iniciativas pendientes que hay sobre esta materia.

La palabra clave en este llamado no es “iniciativas” sino “pendientes”, pues significa que en el Congreso hay ya proyectos de ley sobre esta materia que están congelados porque hasta antes del 11 de diciembre la violencia de género no era un tema que ocupara su atención.

Apenas en abril pasado más de 6 mil personas marcharon en la Ciudad de México y miles más en varias ciudades del país para exigir el fin a la violencia de género. La marcha avanzó por el Paseo de la Reforma, enfrente del edificio del Senado, pero por lo visto ningún colega de Ana Gabriela Guevara se dio por enterado en aquel momento.

Y como para los legisladores mexicanos no hay iniciativa que resista un periodo vacacional, el Congreso terminó el 15 de diciembre su periodo de sesiones y el siguiente empieza el 1 de febrero.

Esto significa que desde hoy hasta que el Congreso mexicano regrese a trabajar y retome (si es que no se le olvida) el tema e violencia de género, 55.000 mujeres habrán sido agredidas y 329 asesinadas desde que los legisladores se fueron a receso, llenos de indignación por el ataque a su compañera, hasta que regresen a trabajar.

Texto: Javier Garza Ramos es conductor del noticiero Reporte100 en Imagen Laguna y consultor de la Asociación Mundial de Periódicos.

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Quem é o homem e quem é a mulher na relação homossexual?

La Homofobia, o el me “hace daño hasta lo que no como”

Nota do blog (NB): No texto de hoje introduzimos, em alguns trechos, NB fazendo referência a posts já publicados por nós.

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¿QUIÉN NO SE HA TOPADO CON LA ‘VECINA’ O ‘VECINO’ CHISMOSO QUE VIVE AL PENDIENTE DE LO QUE HACEN LOS DEMÁS?

Esa persona que parece conocer al detalle cada cosa de la vida de quienes están a su alrededor, pero curiosamente tratándose de la suya; es como si le hubiesen borrado la memoria.

Sí, así es como funciona la homofobia.

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En algún momento en todos los discursos de odio injustificado, muestras de desprecio físicas, psicológicas y un llamativo vocabulario que alcanzaría para establecer una nueva lengua, llega un punto donde la situación del individuo (o individuos) alcanza tal extremo de la ridiculez, que hasta nos parece gracioso.

No, no estoy diciendo que la discriminación sea un chiste o que deba tomarse a la ligera, pero como hemos aprendido en todo éste tiempo, la confianza en ti mismo no permitirá que ninguna ofensa te afecte. Se convierte en una especie de armadura que te protege de todo insulto a nivel personal.

Decir con exactitud que motiva a éstas personas a inclinarse por esa postura… ¡Simplemente no se puede!  NB*

Entendemos que tal vez fueron criados por familias sumamente conservadoras, dándoles quizá una religión y educación que no les permite la entrada y oportunidad a otras ideas; pero, ¿De dónde viene esa fijación por meterse en la vida de la gente?  NB**

Desde los comentarios desafortunados en redes sociales dentro de publicaciones pro gay (¿por qué leen eso, si tanto les incomoda? ¡Dah!) hasta los actos de desprecio cara a cara, si ven a una pareja de hombres o mujeres tomados de la mano u otra muestra de afecto., por ejemplo.

La verdad es que, no hay explicación congruente para su actitud homofóbica, ¡No existe!  NB***

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LA AGRESIÓN…

ACTIVA Y PASIVA.

No, no estamos hablando de roles sexuales, sino de las diferentes formas que algunos individuos usan para hostigar, ya sea de manera directa o indirecta, sobre la orientación sexual de alguien.

Los más escurridizos y astutos utilizan sermones donde ellos pasan a ser una especie de jueces, pero sin abandonar su estatus de falsa bondad, engañándose a ellos mismos como si hicieran un favor por aceptar la homosexualidad de alguien. Son precisamente éstos discursos los que más rabia causan, ya que envueltos en una doble moral resguardada ya sea por la religión o por el contrario, una visión moderna (Sí, ajá), toleran todo y a todos… “mientras no lo hagan en público está bien. Pero yo los acepto, apoyo y quiero”.

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La otra cara de la moneda se materializa en quienes sin reparos atacan verbal y/o físicamente. Suelen ser los más tóxicos y claro, los más peligrosos.

Éste tipo de individuos no piensan lo que dicen, y lo más grave no tienen ni una pizca de razón en lo que sale de su boca, porqué como bien lo dice Paramore… ignorance is your best friend.

Sin tener claro un porque, su existencia gira en torno a volver la vida de los otros, miserable; un ejemplo contundente son los Bullies en las escuelas. La mayoría del tiempo son gente con autoestima baja que busca caracteristicas diferentes en otros para burlarse y de ésta forma, en su cabeza, creer que los demás no verán sus ‘defectos’ (a veces ni quién esté al tanto de ello, pero en su mente es así).  NB****

Otros por el contrario, es un misterio qué los orilla a atacar, incluso ya siendo adultos.

Para muestra un botón, las pasadas marchas del malamente nombrado, ‘Frente Nacional por la Familia’.

WHY ARE YOU OBSESSED WITH ME?.

quem-5

El sexo.

Si el acto sexual hetero, al que llaman “normal”, es aún un tema que sigue causando escalofríos en los sectores más reacios, que lo llegan casi a satanizar.

Ahora, ¿Qué pasa con el sexo gay?

Algunos de los mensajes más tontos con los que me he topado se centran en esto. Sí, al parecer para ellos el sexo no es más que una perversión.

Partiendo desde la curiosidad bañada con un poco de ignorancia:

“¿Quién es el hombre y quién la mujer?”

(Qué en algunos casos no lo hacen por molestar, ¡Vaya, nadie nace sabiendo y menos si no hay mucha información clara. Se vale explicarles, chavxs.)

Pasando por el … “¡Qué asco!, Te gusta que te la metan. ¡Pasiva!”

Terminando con los más ‘correctos’ :

“El sexo entre dos hombres o dos mujeres está mal porque no pueden tener hijos. Recuerden que … ‘No te echaras con varones porque no heredaras el reino de Dios.’

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Bueno, podría hacer una lista interminable de las frases más usadas, y estoy seguro que ustedes se saben muchísimas más. Tanto así, que hasta podríamos escribir un libro completo sobre ello.

Como vemos, de una y mil maneras, esa o ese ‘vecino chismoso’ se entromete en los asuntos que no son de su incumbencia y que ni para bien ni para mal le afectan.

¿Alguna vez has tenido que lidiar con una situación así?

¿Qué hiciste para superarla?

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Marcos A. Alonso

Cinéfilo, lector compulsivo. Creo que en éste mundo lleno de guerra, cualquier demostración de amor debe ser considerada un verdadero milagro.

Fonte: Clóset LGBT

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Freiras que plantam e fumam maconha e a indústria farmacêutica

Conheça as Freiras da Califórnia que plantam e fumam maconha para fins medicinais

freiras1As irmãs do Valley que ficaram famosas por sua luta contra a proibição, plantando e produzindo medicamentos à base de maconha na cidade de Mercedes, Califórnia, continuam firmes em seu propósito de produzir remédios naturais e ajudar as pessoas que precisam da cannabis para o tratamento de suas enfermidades. Saiba mais sobre as Sisters of the Valley no texto de Fernanda Caldas.

Hábitos tradicionais de freiras, fé na ciência e devoção à natureza. Logo à primeira vista, o véu branco que emoldura o rosto sereno de uma senhora de 57 anos nos remete a ideia de sabedoria. No interior da Califórnia, nos Estados Unidos, Sister Kate lidera a comunidade das Sisters of the Valley. Em uma pequena fazenda nos arredores de Mercedes, a cerca de duas horas de São Francisco, as irmãs cultivam uma plantação de maconha e produzem medicamentos à base de cannabis.

Tudo começou em 2011, quando Sister Kate comprou a fazenda onde vive hoje com outras irmãs. Ela lembra que na época, quando se auto declarou freira, plantava seus próprios vegetais e já tinha a intenção de utilizar o terreno para cultivar maconha, produzir medicamentos e ajudar pessoas. Todo o processo seria feito por mulheres com espírito ativista, permitindo que elas trabalhassem, dando apoio e incentivo a outras mulheres.

As freiras auto ordenadas fazem questão de deixar claro que não pertencem a nenhuma religião. Para elas, o homem deixou de seguir, ao longo dos anos, os princípios básicos e essenciais para a fé, destruindo os reais valores das doutrinas religiosas. Sister Kate chama atenção para o fato de que a religião causou inúmeros danos ao meio ambiente, assim como tirou o poder das mulheres. Ela acredita, no entanto, que é importante existirem pessoas que lutem pela volta do que foi esquecido no tempo.

freiras-2Sister Kate, uma senhora de 57 anos nos remete a ideia de sabedoria.

Sister Kate explica o porquê das vestes, já que elas são contra qualquer religião:

“Estamos introduzindo um estilo de vida, não estamos tentando imitar as freiras convencionais”.

Ela esclarece que existem três razões para o uso das roupas. O hábito as associa às Oito Mães citadas na Bíblia, além de lhes dá a certeza de estarem respeitando um trabalho que vem sendo desrespeitado há anos.

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Por fim a irmã lembra que muitas freiras cobrem seus corpos por razões espirituais:

“Isso nos dá a força que precisamos, é a espiritualidade e não a religião que nos move. Nós só produzimos os medicamentos quando estamos vestidas com nossas roupas brancas”.

Entre as razões para desacreditar em qualquer religião, ela afirma:

“Na Bíblia diz: […] e todos os animais, e todas as plantas foram feitos para vocês.”

E continua:

“E o que o homem faz? Vai contra o que Deus criou e segue um caminho totalmente oposto, descartando a natureza que poderia beneficiá-lo”.

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Para as irmãs, com a maconha, que é fruto da terra, não poderia ser diferente. Apesar de as leis da Califórnia permitirem o consumo de maconha medicinal para maiores de 21 anos, a Câmara Municipal de Mercedes criou uma proposta para acabar com todas as formas de cultivo da planta. Mas as freiras não desistem e continuam acreditando no poder da Mãe Natureza.

O trabalho realizado pelas Sisters of the Valley conta com três conceitos básicos. Sister Kate explica que o primeiro é em relação ao ativismo das mulheres para que elas possam mostrar para si mesmas que são capazes de trabalhar, sem depender de nada nem ninguém. O segundo está ligado ao serviço prestado pelas irmãs, que tem como objetivo beneficiar pessoas. Por fim vem o elemento espiritual, que não tem nada a ver com religião, mas sim com a individualidade de cada pessoa em busca do significado para a vida por meio de conceitos que transcendem o tangível. Ela lembra que a espiritualidade é usada em benefício das próprias freiras, enquanto o serviço e o ativismo são para a sociedade.

freiras-5Produção na Fazenda.

As irmãs acreditam no poder medicinal da planta. Para elas, o que é cultivado na sua casa e no seu jardim deve ser usado em benefício de sua família. Sister Kate afirma, entretanto, que em Mercedes é ilegal plantar maconha e fazer medicamentos à base de cannabis, o que as obriga a comprar a planta fora da cidade.

Para ela o nome disse é corrupção:

“É corrupção quando você diz para as pessoas que elas não podem plantar em seus jardins, é ridículo. Eu não entendo, porque não podemos fazer isso dentro da lei?”

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Por outro lado, o otimismo é aliado fiel da freira:

“Esse processo é devagar, as pessoas são devagar. Quando eu tinha 17 anos nunca poderia imaginar que a essa altura da minha vida já teríamos evoluído tanto na ciência e na humanidade”.

Sister Kate lembra que a proibição alimenta o mercado negro, uma vez que a maconha é facilmente encontrada em qualquer lugar:

“Depois de ter viajado pelo mundo eu tenho certeza que eu vou conseguir a minha maconha aonde eu quiser. Proibir só incentiva o mercado negro”.

Ela diz ainda que em lugares onde a maconha nunca foi ilegal apenas 10% da população faz uso da cannabis, o que não é surpresa para a freira:

“É o que podemos esperar de uma sociedade que não sofre com crimes em relação a isso. Simplesmente 10% da população encontra seus remédios na natureza e não precisa recorrer a indústria farmacêutica”.

Apesar das dificuldades impostas pelas leis e até mesmo pela igreja, as Sisters of the Valley desejam um dia poder pagar impostos pelo seu trabalho e contribuir com o governo. As freiras fabricam medicamentos que ajudam a controlar inúmeras desordens, como insônia, alívio da dor, tratamento capilar, depressão e até problemas crônicos de pele em animais de estimação. Os produtos são vendidos para diversas cidades dos Estados Unidos e para o exterior. Para Sister Kate o que mais a deixa feliz e realizada é saber que ela ajuda pessoas a se livrarem da indústria farmacêutica e fazerem uso de medicamentos naturais totalmente eficazes.

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Os produtos são feitos por elas e ricos em Canabidiol (CBD) – uma substância química que corresponde a 40% dos extratos da planta e pode ajudar a aliviar os sintomas de diferentes doenças, como artrose e até o câncer. Os medicamentos produzidos pelas irmãs são livres de THC – o responsável pelo barato -, e por isso não oferecem efeitos psicoativos.

A freira explica que existem dois tipos de medicamentos em gota produzidos por elas. Ambos possuem CBD, mas enquanto um tem um gosto horrível, o outro é saboroso. O primeiro leva álcool na composição e é absorvido rapidamente pelo corpo. Com efeito instantâneo, o remédio é usado em casos mais urgentes, como, por exemplo, uma crise de convulsão. O segundo, por sua vez, é um óleo cozido que dá um efeito mais relaxante e duradouro.

Perguntada sobre os benefícios que a maconha medicinal pode trazer para o ser humano Sister Kate afirma ter fé no poder da natureza e na evolução da ciência:

“A maconha é uma planta inteligente. Eu não acredito que ela seja boa para doenças específicas, mas ela vai suprir o que está em falta no organismo de cada pessoa, agindo de forma diferente no corpo dos indivíduos”.

E acrescenta:

“Se eu tivesse diabetes, por exemplo, fumaria todos os dias com a certeza de que isso estaria ajudando meu corpo.”

Sister Kate afirma que chega a ser ofensivo ter que plantar cannabis em espaços pequenos por ser ilegal:

“É como eu ter que dormir em uma cama minúscula, é ofensivo com a planta, é triste.”

A líder ativista acredita que não somente a maconha medicinal deveria ser legalizada. Para ela, que se diz anarquista, não faz sentido existir regulamentação em relação a uma planta:

“Não acredito em nenhum tipo de regulamentação para planta, nenhum. Além disso, enquanto para algumas pessoas a cannabis pode aliviar sintomas de diversas doenças, para outras ela pode ser uma válvula de escape ou um meio de diversão, de entretenimento”.

A Califórnia, que desde 1996 só autorizava o consumo de maconha para fins medicinais, deu um passo a diante e no início de novembro aprovou também o uso recreativo. A medida passa a permitir que maiores de 21 anos portem até 28,5 gramas de cannabis. A vitória da legalização tem importância nacional, dado o poder de influência do estado.

Para Sister Kate, se a maconha fosse liberada em todo o território norte-americano, isso poderia alavancar a economia mundial. Ela acredita que quando os Estados Unidos finalmente legalizarem totalmente o consumo da planta, o mundo estará pronto para seguir o mesmo caminho.

Sister Kate tem certeza que a ciência vai evoluir a ponto de nas próximas gerações a maconha ser vista como uma solução e não um problema:

“A ciência está evoluindo aos poucos. Acredito que nas próximas gerações, daqui a 10 ou 20 anos, as crianças vão comer maconha junto com o cereal, no café manhã, para ajudar no desenvolvimento, no apetite a fome ou o que for. As pessoas vão poder comprar pílulas, óleos e afins à base de CBD para usar a cannabis em benefício da saúde. É uma planta, vem da natureza, devemos usá-la para nos beneficiar e não destruí-la”.

A representante das Sisters of the Valley afirma que a humanidade utiliza a ciência por caminhos errados, desprezando o que foi dado por Deus. Ela chama atenção para o fato de que, ao invés de o homem pegar o que foi dado pela Mãe Natureza para curar doenças, ele acaba descartando essa possibilidade, destruindo o que é natural e fabricando novos remédios. A freira diz que desta forma surgem novas doenças ao longo dos anos, além de diversos efeitos colaterais causados pelas medicações.

A comparação que muitas pessoas fazem entre a maconha e outras drogas mais pesadas ao afirmar que a cannabis é a porta de entrada para outras substâncias não abala Sister Kate:

“Eu ignoro essas pessoas, não podemos dar atenção a esse tipo de informação equivocada. A ciência está evoluindo devagar. Essas pessoas não sabem o que dizem, elas não prestam atenção ao que acontece no mundo, são elas que acham que aquecimento global não existe, são elas que não prestam atenção para o que ciência aponta”.

E finaliza:

“Eu sei que em cinco ou dez anos elas vão mudar de opinião, simplesmente porque você não pode viver na escuridão para sempre”.

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Texto: Fernanda Caldas é jornalista e publicitária
Fotografias : Pedro Teixeira

Fonte: SMOKE BUDDIES

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