A psicanálise como ciência e a indústria farmacêutica

Vejamos os argumentos de natureza mercantil que atravessam o interesse tecnológico do fazer científico. Por exemplo, quando observamos que o negócio da medicação psiquiátrica passou de 80 milhões por ano em 1987 para 40 bilhões por ano em 2015, compreende-se que há uma forte pressão de interesse para legitimar certos métodos comprobatórios em detrimento de outros. Quando 72% dos envolvidos na reformulação do Manual Estatístico de Transtornos Mentais em 2013 possuíam vínculos declarados com a indústria farmacêutica, intui-se a possibilidade que entre a ciência ela mesma e o uso ideológico do discurso científico exista uma zona cinzenta, profundamente interessada em desqualificar outros métodos de tratamento.

A psicanálise como ciência

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Recebi um grande número de comentários sobre minha última coluna, acerca do discurso da “pós-verdade” e seu uso da ideia de pseudociência. Muitos desses leitores concordavam com crítica feita ao jornalismo científico mal feito e à ingenuidade com a qual se usa a ideia de ciência como instrumento de autoridade e silenciamento no Brasil. Para aqueles que pediam detalhes sobre o problema da cientificidade da psicanálise, aqui vai uma coluna que compila dados e autores em favor do reposicionamento da psicanálise tanto no campo da ciência, quanto da crítica da ideologia.
A psicanálise tem encontrado no Brasil dos dez últimos anos um reposicionamento social surpreendente. Tida como uma prática feita pelas elites para as elites1, tendo sua eficácia terapêutica colocada sob suspeita diante dos psicofármacos e com sua fundamentação científica posta sob questão pelas neurociências, tudo indicava que desta vez, finalmente, Freud seria enterrado e com ele suas viúvas e carpideiras. Mas aparentemente as coisas não saíram assim como tinham sido planejadas. Trazido inconsciente pelas mãos de paramédicos, como Lacan e Winnicott, submetido a doses de desfibrilação foucaultiana, feminista e pós-colonialista, reanimado por gente como o Dr. Victor Žižek Frankestein, a psicanálise retornou como um zumbi canibal disposto a comer o cérebro dos neurocientistas.

Primeiro vieram os achados das pesquisas mais sérias mostrando que, como psicoterapia, a psicanálise apresenta resultados superiores à média geral de suas concorrentes para a maioria dos diagnósticos2 – inclusive para autismo e psicoses3. O mito da supremacia das Terapias Cognitivo Comportamentais (TCCs), particularmente no tratamento da depressão, começava a ser abalado4. Ficava cada vez mais claro que a sua eficácia e eficiência dependiam do fato de que elas se preocupavam, bem mais do que a psicanálise, em aparelhar seus resultados em termos metodológicos e traduzir seus conceitos em formato operacional. Ou seja, confundia-se a dificuldade de mensuração com a ausência de efetividade e inferia-se disso sua pseudo-cientificidade 5.

Soma-se ao declínio de confiança na tecnologia terapêutica perfeita o fato de que os resultados comparativos começaram a se mostrar cada vez mais erráticos6. Variáveis diversas como a experiência clínica, o tempo de formação, o tipo de orientação teórica e a modalidade diagnóstica geravam combinatórias tão grandes que não se conseguia chegar a um consenso razoável sobre o que, exatamente, se estava comparando – isso sem contar que os resultados obtidos eram favoráveis à própria psicanálise em comparação com psicoterapias em geral,7 o que por si só mostra a extensão problemática destas categorias. Separadamente, todos esses fatores são insuficientes para traçar um perfil terapêutico adequado. Ademais, pesquisas recentes que comparam o efeito placebo8 tanto com medicamentos9 quanto com psicoterapias, chegaram a resultados surpreendentemente próximos. No cômputo geral, a vantagem parece estar do lado de tratamentos mais longos sobre os mais curtos – o que não deixa de ser óbvio, uma vez que o fator mais consistentemente encontrado tem sido a “qualidade da relação entre paciente e terapeuta” (para o qual o fator tempo fornece uma medida indireta).

Nos últimos anos verificou-se um desânimo com os efeitos de longo prazo do uso das “novas medicações”10 dos anos 1990. Pacientes tornam-se crônicos em escala de massa. Crianças iniciam suas carreiras psiquiátricas à base da ampliação diagnóstica de categorias como autismo e déficit de atenção. Adolescentes tornam-se hiperativos tratados com metilfenidato (ritalina). Uma epidemia de suicídios acomete os jovens adultos. Velhos adultos ingressam na depressão ansiosa e resistente à medicação. Enquanto isso, a terceira idade aproveita os benefícios das medicações que restauram a potência sexual. Ao mesmo tempo, surge um dado espantoso: a eficácia genérica das medicações psiquiátricas diminui conforme o tempo. Ou seja, tais remédios envelhecem. As grandes esperanças, apresentadas como drogas da felicidade, como a paroxetina e a fluoxetina, não apresentam a mesma eficácia hoje. As novíssimas medicações concentram-se em reduzir efeitos colaterais e os antigos clássicos dos anos 1960, como o haloperidol e os anticonvulsivantes, são redescobertos, junto com a eletroconvulsoterapia (rebatizada de estimulação transcraniana) agora modalizadas em novas doses, para novos quadros. A busca da felicidade virou a fuga do desprazer. A esperança de cura tornou-se o consolo de possuir quatro ou cinco diagnósticos e ter que administrar, burocraticamente, a própria alma para sempre – o que ironicamente ressoa fortemente com a antiga crítica de que a psicanálise demora muito.

É importante frisar que a força desses achados também decorre do fato de que eles foram produzidos por pesquisadores independentes, ou seja, não psicanalistas. Apesar disso, entretanto, nada disso justifica nem subsidia o método psicanalítico de pesquisa. Ademais, até aqui a psicanálise tem sido abordada como uma prática de tratamento do sofrimento, o que a coloca no domínio amplo das tecnologias de cura, na qual se insere como um instrumento do alívio comparável como a medicação. Freud, no entanto, definia a psicanálise de três maneiras: (1) um método de tratamento, (2) um método de investigação e (3) uma teoria que reúne e colige os resultados clínicos e conceituais assim obtidos.

Passando portanto para o segundo vetor, enunciado por Freud, da psicanálise – o “método de investigação” – encontramos um conjunto de provas extra-clínicas que desmontam os argumentos de Cioffi e Grünbaum sobre o tipo de argumentação envolvida no discurso psicanalítico e a falta de plausibilidade de seus conceitos de referência11. Chegou a hora de discutir que tipo de ciência é a psicanálise, que tipo de fundamentação ela exige e quais os critérios de externalidade que sua teoria da prova pode apresentar, tanto como método clínico quanto como análise de discurso12. Assim, a variedade de formas assumidas pela psicanálise poderá então ser melhor reconhecida de modo a contemplar a própria conflitiva epistemológica no interior do campo psicanalítico.

As variedades do método psicanalítico envolvem um grande número de incidências, tal a variedade de fatos e ocorrências que ela pretende abordar. Por isso, os argumentos sobre sua inconsistência metodológica recentemente dividem-se em argumentos clínicos extra-clínicos, que retomam uma longa e interessante tradição de crítica psicanalítica da ciência. Isso não quer dizer que ela entenda a ciência como uma farsa ideológica, mas que ela coloca em questão certos pressupostos para construir uma ciência ainda mais universalista, materialista e racional do que se obtém com as tradicionais reduções metodológicas ao comportamento, operacionalidade metodológica e aos recursos mais comuns para o controle e objetivação de fenômenos13. Muitos psicanalistas levantam uma crítica genérica da ciência, decorrente de certas considerações de Lacan. Assinalar uma incompatibilidade constitutiva entre estes dois campos, apoiando-se em objeções ao funcionamento universitário ou à concepção moderna de conhecimento, só faz sentido à luz de uma crítica da metafísica científica, movimento na qual o psicanalista francês se engajou desde o início. Ou seja, interessa saber o que há de falsa ciência, ou de ideologia, na ciência instituída e normal. Assim, a psicanálise coloca-se em série com um conjunto de considerações eminentemente epistemológicas, e que portanto não são exteriores à ciência. Elas afirmam que a psicanálise não pode corresponder a todos os critérios assim declarados e que deve permanecer como um caso anômalo que não pode nem bem ser completamente incluído na ciência convencional, nem excluído dela.

Outra coisa são os argumentos de natureza mercantil que atravessam o interesse tecnológico do fazer científico. Por exemplo, quando observamos que o negócio da medicação psiquiátrica passou de 80 milhões por ano em 1987 para 40 bilhões por ano em 201514, compreende-se que há uma forte pressão de interesse para legitimar certos métodos comprobatórios em detrimento de outros. Quando 72% dos envolvidos na reformulação do Manual Estatístico de Transtornos Mentais em 2013 possuíam vínculos declarados com a indústria farmacêutica, intui-se a possibilidade que entre a ciência ela mesma e o uso ideológico do discurso científico exista uma zona cinzenta, profundamente interessada em desqualificar outros métodos de tratamento.

Mas isso por si só não garante nem avança em nada o problema da cientificidade da psicanálise. Não nos tornamos nem mais nem menos científicos porque uma parte da psiquiatria também não responde aos critérios de isenção que gostaríamos, e de um saber desinteressado. Todavia, quando institutos de pesquisa estadunidenses investem 1 bilhão de Dólares por ano em pesquisas de saúde mental e apenas 10% deste montante destina-se a pesquisas não-biológicas, temos que discutir melhor se esta deve ser também a política científica brasileira na matéria. Eventualmente a desativação e suspeita levantada contra as práticas de tratamento pela palavra justificam a redução de custos e investimentos em saúde mental, restando a medicação farta e sempre disponível nos Centros de Atenção Psicossociais, ao custo de cortes na formação dos agentes de cuidado e atenção.

Chegamos assim à terceira objeção, a saber, de que a psicanálise não conseguiria se justificar, conceitual e teoricamente como uma ciência. Depois de vários trabalhos que mostravam ou sugeriam como as neurociências, longe de desmentir a psicanálise, pareciam fornecer a esta uma fundamentação neurológica, desde o trabalho seminal de Freud em seu Projeto de psicologia científica para neurólogos no longínquo ano de 1895, até o recente esforço para constituir uma neuropsicanálise, há uma exposição contínua ao escrutínio científico. Há os que advogam que seu fundamento está nas ciências da linguagem15 e na lógica, alguns para os quais ela pode ser corroborada pela biologia evolutiva16, pelas neurociências17 e pela psicologia do desenvolvimento18, outros que chamam a atenção para o fato de que ela depende de uma psicopatologia19, sem falar em modelos derivados da antropologia20, da filosofia da história21 e até mesmo da hermenêutica literária ou jurídica22. Novamente, a dificuldade de formar uma definição unificada do que vem a ser a psicanálise, sua diversidade de escolas e modalidades de projetos clínicos, representa um obstáculo para apreciar e estabelecer critérios de cientificidade. Todavia querer ver nisso um sinal de perturbação da “ordem”, da “unidade” e do “consenso” que existiriam “na ciência” em geral e seu monismo metodológico, é um claro movimento ideológico que exemplifica o funcionamento da “pós-verdade”.

Há vários critérios mais óbvios que a psicanálise responde perfeitamente bem, na medida em que são normativos: ela está presente em universidades, forma linhas de pesquisa e comporta-se em todos aspectos como uma comunidade cientifica como qualquer outra, com suas revistas, seus comitês de área, seus diretórios de pesquisa (na filosofia, na educação, na psicologia etc.), sem falar em uma tradição de autores que se reformulam e se criticam em busca de evidências e conjecturas explicativas a partir de paradigmas, ou seja, tudo aquilo que, em acordo com o que o teórico da ciência chamado Thomas S. Kuhn chamaria de “comunidade de cientistas”23. Mas, atenção: isso não quer dizer que pesquisadores em psicanálise sejam eles mesmos psicanalistas e nem que a universidade e a pesquisa substituam a formação do psicanalista que passa pela análise pessoal, supervisão e estudo teórico.

Aqui encontramos o que me parece ser o juízo mais razoável para a questão: como método de tratamento, a psicanálise apresenta resultados, como método de pesquisa, ela se inscreve no circuito universitário, e como teoria, ela é discutida como um caso controverso, quiçá em parte científica em parte não. Ocorre que esse tipo de análise deveria incidir em todos os campos da ciência, da economia à física e da geografia à geologia. Fazer ciência é sempre descobrir conceitos, redescobrir articulações hipotéticas equivocadas, reformular teses e reagrupar evidências. Talvez existam partes mais filosóficas e outras mais científicas de fundamentação da psicanálise. Se a entendemos como um conjunto de procedimentos de fala e escuta orientados por uma ética e por uma experimentação não controlada, diremos: “isso não é uma ciência”. Quando olharmos para as decisões de um médico em seu exercício clínico veremos que ele se apoia em evidências, mas que seu fazer ele mesmo não é o de um cientista. Ele está tentando curar pessoas, não provar teses. Por isso, esse fazer que varia muito conforme cada um e já foi aproximado de uma arte. Quando tomamos a psicanálise como uma ciência da linguagem habitada pelo sujeito (como queria Lacan), ou seja, um saber que se apoia em ciências como a linguística ou a antropologia, em saberes como a psicopatologia e a história, e até mesmo a etologia ou a psicologia do desenvolvimento, podemos dizer que sua cientificidade está sendo colocada à prova, o que a torna, por isso mesmo, parte do debate das ciências. Ainda que não consigamos estabelecer se ela é uma ciência como a física ou a biologia, ou em vez disso algo como a economia ou a lógica, o certo é que sua pretensão é comparável com a teoria da evolução das espécies de Darwin ou com o materialismo histórico de Marx, tal a abrangência de fenômenos que ela tenta reunir e explicar e tal a extensão de evidências que ela requer em sua teoria da prova.
Quero chamar atenção aqui para o fato de que é justamente a impossibilidade prática e teórica de delimitar precisamente onde começa a linha divisória entre o que sabemos de um ponto de vista neutro (e é transmitido em linguagem pública, conforme uma racionalidade de aspiração universal), e onde se infiltram crenças, interesses e orientações políticas, que a psicanálise representa um caso interessante para o confronto com as tendências de “pós-verdade”, que se tornaram agudas nos últimos tempos. Abrangência de fenômenos não quer dizer visão de mundo ou sistema de crenças metafísicas. Da mesma forma: valores não definem a forma com eles serão abordados. A relação com os valores presume crítica, assim como a relação com o fazer presume método.

O novo irracionalismo brasileiro – com sua disposição predatória contra professores, estudantes, artistas, aposentados e demais “parasitas” que não sabem o “valor do trabalho” e que não aceitam as “verdades óbvias” – presume uma geografia simples e bem dividida entre ciência e religião, ordem e baderna, fatos e opiniões. A “pós-verdade” não é, portanto, o regime das opiniões desenfreadas e do relativismo niilista, tal como se anunciava no pós-modernismo liberal. Sua estrutura cognitiva, propriamente regressiva, depende do mito da unidade da ciência, da força de sua autoridade normativa, justamente para que ela possa se aliar com as piores formas de metafísica. Por isso, Lacan dizia que, quando a ciência se aliar com a religião, aí sim, encontraremos o pior.

NOTAS

1 Um contra exemplo brutal contra esta perspectiva é a recente iniciativa de instalar uma Clínica Pública de Psicanálise na Vila Itororó. http://vilaitororo.org.br/clinica-publica-de-psicanalise-plantao/
2 Falk Leichsenring, DSc; Sven Rabung. Effectiveness of Long-term Psychodynamic Psychotherapy A Meta-analysis. JAMA. 2008;300(13):1551-1565.
3 Cantin, Lucie. An Effective Treatment of Psychosis with Psychoanalysis in Quebec City, since, 1982. Annual Rewiew of Critical Psychology. 1999
4 Dorothea Huber; Johannes Zimmermann; Gerhard Henrich; Guenther Klug (2012) Comparison of cognitive-behaviour therapy with psychoanalytic and psychodynamic therapy for depressed patients – A three-year follow-up study. Z Psychosom Med Psychother 58/2012, 299–316.
5 Shevrin, Howard. “Is Psychoanalysis One Science, Two Sciences, or No Science at All? A Discourse among Friendly Antagonists”, Journal of the American Psychoanalytic Association, Vol 43, Issue 4, 1995
6 Doidge N. Empirical evidence for the efficacy of psychoanalytic psychotherapies and psychoanalysis: an overview. Psychoanal Inq1997;102-150.
7 Sandell, R.; Blomberg, J.; Lazar et ali (2002) Diferenças de resutados a longo prazo entre pacientes de psicanálise e psicoterapia (uma revisão das descobertas do projeto Estocolmo de resultados de psicanálise e psicoterapia). In Livro Anual de Psicanálise (2002) XVI, 259-280.
8 Howick, Jeremy. Friedemann, Claire. Tsakok, Maria. Et. Ali. (2013) Are Treatments More Effective than Placebos? A Systematic Review and Meta-Analysis. PLos One, May 15, 2013.
9 Kirsch I. Antidepressants and the Placebo Effect. Zeitschrift Fur Psychologie. 2014;222(3):128-134. doi:10.1027/2151-2604/a000176.
10 B Jonsson, P E Bebbington. “What price depression? The cost of depression and the cost-effectiveness of pharmacological treatment. The British Journal of Psychiatry, May 1994, 164 (5) 665-673.
11 Howard Shevrin, Michael Snodgrass, Linda A. W. Brakel, Ramesh Kushwaha, Natalia L. Kalaida and Ariane Bazan Subliminal unconscious conflict alpha power inhibits supraliminal conscious symptom experience. Front Hum Neurosci. 2013; 7: 544.
12 Dunker, C.I.L., Paulon, C. e Milán-Ramos, J.G. Análise Psicanalítica de Discurso. São Paulo: Estação das Letras e Cores. 2016.
13 Beer, P. Questões e tensões entre psicanálise e ciência: considerações sobre validação. Dissertação de Mestrado, Instituto de Psicologia da USP, 2015.
14 Veras, Marcelo, A Loucura entre Nós. Rio de Janeiro: Contracapa. 2014.
15 Lacan, Jacques. “Ciência e verdade”. Em: Escritos. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1998.
16 Mezan, Renato. “Que tipo de ciência é a psicanálise”. Em Patto, M.H e Frayze Pereira, J.A. Pensamento Cruel: humanidade e ciências humanas: há lugar para a psicologia? São Paulo, Casa do Psicólogo, 2007.
17 Kaplan-Solms, K y Solms, M. Estudios Clínicos em Neuropsicanálisis. México: Fundo de Cultura Econômica. 2000.
18 Ansermet, François e Magistretti Pierre Julius. Biology of Freedom: Neural Plasticity, Experience, and the Unconscious. 2007.
19 Carlo Vigano (2010) Evaluation and clinical evidence in mental health. Rev. latinoam. psicopatol. fundam. online. 2010, vol.13, n.3, pp.469-481.
20 Dunker, Christian I. L. Mal-estar, sofrimento e sintoma: uma psicopatologia do Brasil entre muros. São Paulo, Boitempo, 2015.
21 Žižek, Slavoj. Menos que nada: Hegel e a sombra do materialismo dialético. São Paulo, Boitempo, 2012.
22 Spence, D. A metáfora freudiana. Rio de Janeiro, Imago, 1998.
23 Andrade, L.F.G. Lacan: um novo Freud? O Paradigma lacaniano e seu alcance clínico. São Paulo, Annablume, 2016.

Fonte: Blog da Boitempo
Por Christian Ingo Lenz Dunker, psicanalista
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Como a indústria farmacêutica influi nas prescrições médicas

Como a indústria farmacêutica influi nas prescrições médicas

Ninguém imagina um juiz comendo com uma das partes de um processo ou que lhe paguem um congresso. Mas isto é o que está ocorrendo no mundo médico. O médico é um juiz que determina qual o melhor remédio para um paciente. E uma das partes lhe paga viagens, hotéis, cursos, livros e comidas.

 

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¿Hasta dónde debe llegar la relación entre las empresas que fabrican los medicamentos y los médicos que tienen que decidir el tratamiento de sus pacientes?

El pasado año la industria farmacéutica, representada en España por Farmaindustria, decidió dar un paso importante hacia la transparencia en el sector, publicando los datos de los pagos realizados a profesionales y organizaciones sanitarias. Sin embargo, la publicación de estos datos ha reabierto el debate en torno al control que la industria mantiene sobre la formación continuada de los médicos y sobre su influencia en las decisiones de los facultativos a la hora de prescribir medicamentos.

La continua evolución de los tratamientos farmacológicos hace que sea necesario que los médicos se actualicen con relativa frecuencia, lo que se conoce como formación continuada. Esta formación, que se mezcla con actividades publicitarias, se apoya fundamentalmente en el contacto con visitadores médicos, que son representantes de las farmacéuticas, así como en la asistencia a congresos o cursos y por medio de publicaciones especializadas.
La mayor parte de esta formación es financiada por la industria farmacéutica, lo que, a juicio de diversas organizaciones, supone un riesgo debido a la pérdida de independencia. Según el presidente de la plataforma NoGracias, Abel Novoa, “debido al abandono de las administraciones públicas, las actividades de formación han acabado controladas por la industria, que termina imponiendo sus intereses”. Novoa asegura que “la relación entre médicos e industria puede ser productiva, pero el problema está en determinar qué actividades son beneficiosas para el paciente y cuáles no”.
Para el director de la Unidad de Supervisión Deontológica de Farmaindustria, José Zamarriego, el objetivo de las actividades de formación es “ayudar al médico a que prescriba según la evidencia científica disponible” y aunque no niega la influencia que se pueda ejercer sobre los facultativos, aclara que ésta se puede considerar “positiva en la medida en la que se le ofrece al médico información sobre los mejores medicamentos disponibles”.

La influencia negativa de los visitadores

El primer contacto entre la industria y la comunidad médica se realiza través de los conocidos como visitadores médicos, representantes de la industria que ofrecen información a los especialistas sobre los medicamentos disponibles. Aunque su número se ha reducido drásticamente durante los últimos años, debido a la crisis y a diversos cambios en la regulación, estos profesionales siguen siendo un importante canal de comunicación entre los laboratorios y los facultativos.

if 1“Antes de que un médico tome una decisión ya ha tenido a un ejército de representantes que han ido a recordarle lo bueno que es un medicamento, lo que termina influyendo en su decisión, de forma que acaba prescribiendo los nuevos medicamentos pensando que está haciendo lo mejor para sus pacientes, cuando no siempre es así”, explica Novoa.

Zamarriego disiente y recuerda que “los médicos son grandes profesionales, que están muy bien formados” y asegura que “no se puede pensar que se les puede engañar con facilidad”. Además, insiste en recordar que los medicamentos están respaldados por estudios científicos y que desde su unidad se trabaja para que siempre se ofrezca “información rigurosa”.

Sin embargo, un reciente estudio muestra que efectivamente los contactos con representantes de la industria pueden debilitar la calidad de las prescripciones. Según los autores de esta investigación, existe “una asociación consistente entre las actividades relacionadas con la promoción de un medicamento y un aumento inapropiado de las tasas de prescripción o una reducción de la calidad de la prescripción”, por lo que recomiendan “restringir las interacciones médico-industria”.

Los congresos médicos controlados por la industria

El otro gran caballo de batalla de esta relación son los congresos médicos, patrocinados y financiados mayoritariamente por el sector farmacéutico. En España solo algunas sociedades médicas han tratado de llevar a cabo congresos independientes, algo que trata de promover la plataforma NoGracias a través de unas serie de recomendaciones para que los congresos estén “basados en los valores de austeridad, independencia, transparencia, proporcionalidad y progreso científico”.

También desde Farmaindustria se han hecho esfuerzos por mejorar en este aspecto y Zamarriego asegura que desde su unidad se trabaja para que “el interés científico sea el único a tener en cuenta a la hora de asistir a un congreso”. De esta forma, el código de autorregulación es el que determina “cuándo un laboratorio farmacéutico puede patrocinar la asistencia de un médico a un congreso”, explica Zamarriego, desautorizando los que no cumplen las condiciones del código de buenas prácticas.

Sin embargo, Novoa considera que el problema va más allá y exige un mayor grado de independencia. “Nadie se imagina a un juez comiendo con una de las partes de un juicio o que le paguen un congreso, pero esto es lo que está sucediendo en el mundo de la medicina, porque el médico es un juez que tiene que determinar cuál es el mejor remedio para un paciente y una de las partes le paga viajes, hoteles, cursos, libros o comidas”.

En este sentido se pronunciaba hace unos años el investigador de la Universidad de Stanford, John Ioannidis, en un controvertido editorial publicado en la revista de la Asociación Americana de Medicina. Ioannidis asegura que “hay suficientes pruebas de que los congresos médicos están al servicio de valores muy cuestionables que van en contra de la medicina y el sistema de salud” y que “solo favorecen a los departamentos comerciales de las farmacéuticas y a las cadenas hoteleras”.

Limitar el contacto directo entre médicos e industria

Desde NoGracias consideran que existe demasiada laxitud en el sector y que se debería elaborar un marco regulatorio más estricto, que evite “el contacto directo de la industria con los médicos, porque eso no beneficia a los pacientes, ni vale para que los médicos estén mejor formados”, explica Novoa.

En este sentido también se ha pronunciado el presidente Federación de Asociaciones Científico-Médicas, quien ha asegurado que el hecho de “que las aportaciones de la industria se vehiculen a través de nuestras organizaciones contribuiría” a que los profesionales puedan “acceder sin trabas a una formación de calidad e independiente”.

if 2Así lo hará a partir del próximo 1 de enero de 2018 la patronal del sector de las tecnologías sanitarias, FENIN, que, a diferencia de Farmaindustria, ha especificado en su código ético que “las empresas no darán ayudas a profesionales de la salud a título personal”.

Zamarriego, sin embargo, considera que “la clave no es tanto el hecho de que las ayudas se concedan a profesionales concretos o a entidades, como que estas transferencias de valor sean absolutamente transparentes” e insiste en que el sistema de transparencia de Farmaindustria “cuenta con el aval explícito de la Agencia Española de Protección de Datos”.

Publicidad vs formación

La legislación española hace referencia al conflicto de intereses en el ámbito sanitario por medio de la ley de garantías y uso racional del medicamento, que “prohíbe el ofrecimiento directo o indirecto de cualquier tipo de incentivo, bonificaciones, descuentos, primas u obsequios” por parte de la industria a los profesionales sanitarios.

Sin embargo, los pagos a médicos que realiza la industria, a los que se suelen referir como transferencias de valor, se consideran como actividades de publicidad o de formación, con lo que quedan excluidas de la citada ley. De esta forma, las relaciones económicas entre la industria farmacéutica y la comunidad médica están esencialmente reguladas a través de sus propios mecanismos de autorregulación.

La actual polémica respecto a las transferencias de valor ha surgido porque la Agencia Tributaria consideraba que estos pagos como retribuciones en especie y, por lo tanto, deben tributar. Tanto Farmaindustria, que se refiere a estos pagos como “becas para la asistencia a congresos”, como el PP y Ciudadanos, aducen que la formación de los médicos debería estar libre de cargas fiscales, sin embargo, según la actual legislación muchos de estos pagos son considerados como publicidad y no como formación.

De hecho, según el Real Decreto que regula la publicidad de los medicamentos, se consideran como tal “las visitas médicas efectuadas por los visitadores médicos”, “el suministro de muestras gratuitas” y “el patrocinio de congresos científicos en los que participen personas facultadas para prescribir o dispensar medicamentos y, en particular, el hecho de correr a cargo con los gastos de desplazamiento y estancia con motivo de dichos congresos”.

Pocos estudios sobre el conflicto de intereses en España

Aunque en España el conflicto de intereses en el ámbito médico apenas ha sido analizado en la bibliografía científica, en el año 2009 se publicó una investigación en la que se analizaron 9 revistas médicas españolas. Los resultados mostraron que el 92,8% de los autores había recibido algún tipo de financiación de la industria en el último año, siendo lo más frecuente el pago de viajes e inscripciones a congresos.

Sobre el la posición de los médicos respecto a estos conflictos de interés, apenas existen datos en España, aunque un estudio realizado en Cataluña en 2004 mostraba que el 70% de los médicos consideraba ético aceptar inscripciones a congresos o cursos y un 20% el pago de viajes.

A nivel internacional, el análisis más reciente sobre la posición de los médicos respecto a esta cuestión se publicó el pasado mes de marzo en EEUU y sus resultados indican que, aunque más del 90% de los médicos encuestados son conscientes de la existencia de normas que regulan los conflictos de interés en sus instituciones, existen varios ámbitos en los que hay un profundo desconocimiento.

Existe “una asociación consistente entre las actividades relacionadas con la promoción de un medicamento y un aumento inapropiado de las tasas de prescripción”

Solo el 77,5% conoce las normas sobre aceptación de regalos, comidas o actividades lúdicas y menos del 59% tiene conocimiento de la existencia de limitaciones a la hora de participar en eventos patrocinados por la industria o de recibir fondos de la industria para formación. Respecto a las políticas de restricción de acceso a los representantes de ventas, solo el 21,8% reconoce saber algo. Un porcentaje similar (22,6%) a los que tienen algún conocimiento sobre las normas de reclutamiento de pacientes para los ensayos clínicos financiados por la industria.

Fonte: eldiario.es
Por Teguayco Pinto
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A homeopatia, uma nova fé

La homeopatía, una nueva fe
homeopatia
Leo: “La muerte en Italia de un niño de siete años por una otitis tratada sólo con homeopatía …”. Se me cae el alma a los pies. La homeopatía es objeto de refutaciones de lo más serias en las publicaciones científicas de más prestigio. A las atrocidades mundiales que vivimos sumámosle este horror; la estupidez de los padres que, por creencias falsas e ignorancia, optan por curar a los hijos con homeopatía, madres que durante la gestación no toman expresamente proteínas y padres y madres que las eliminan de las dietas alimentarias de sus criaturas. Y tal vez el caso más clásico del paraguas alternativo son los padres antivacunas y, en consecuencia, los nuevos brotes de sarampión, viruela y rubéola cuando pensábamos que eran enfermedades casi del todo erradicadas. Todas ellas, enfermedades muy graves que, si no se fulminan debidamente, tienen múltiples efectos y dejan secuelas perniciosas hasta llegar a la muerte.

Pero no caigamos en la trampa de mezclarlo todo. La medicina natural tiene una cierta eficacia, muy limitada, pero a fin de cuentas en algunos casos la tiene. Es cierto, por ejemplo, que una infusión de tila tiene unas modestas propiedades ansiolíticas, y ello está explicado científicamente. Obviamente, la medicina natural no puede considerarse sustitutiva de la medicina real, pero sí, de vez en cuando, complementaria.

La homeopatía no es una medicina natural y tiene un 0,00% de eficacia. Por lo tanto, vaya por delante que defiendo y me gustan la agricultura ecológica, los productos naturales de proximidad, el consumo responsable, la reflexoterapia, el yoga, la acupuntura, la meditación… pero de ninguna manera abrazo al cien por ciento el mundo alternativo. Me parece que hay alternativas naturales saludables y otras que se postulan como dogmas de fe, que coartan la libertad de las personas y que son nefastas en todos sentidos. En cualquier caso es un fenómeno de hoy en día que parte de un concepto muy vasto y complejo. Hay muchas posturas, muchas maneras de ser alternativos y muchas cotas y rasantes.

Pues bien, desde hace tiempo, un nuevo establishment pseudo-médico y pseudo-psicoterapéutico se extiende como una plaga de pulgón: sustentado en creencias irracionales se dedica a jugar con la salud y el bienestar de las personas. Me refiero a todo este mundo paralelo que monta sus puestos y ofrece prodigios portentosos. Me refiero también en aquellos que se aprovechan del dolor de la gente, de la necesidad de buscar soluciones y consuelo a sus problemas a veces terribles, para sacar rédito. Tanto si actúan con cinismo o de buena fe, una gran mayoría hacen usurpación profesional, ejercen sin títulos académicos reconocidos que los avalen y la mayoría ni siquiera tiene ninguna licenciatura. Son pseudo-médicos, pseudo-psicoterapeutas y pseudo-psicólogos falsos y arrogantes, fanáticos de los productos y las técnicas milagro; charlatanes narcisistas que hacen yacer a los incautos pacientes sobre mantas en el suelo de dudosa limpieza y algunos incluso rezan mandalas como una letanía o blanden un péndulo.

Charlatanes que se ofrecen como especialistas, como expertos, como los grandes entendidos en la materia, guiados por misteriosas doctrinas incuestionables, caídas del cielo o de un gurú, casi siempre de nombre extranjero… charlatanes que utilizan procedimientos y herramientas mentales ilusorias desprovistas de base científica y que prometen a sus clientes peras al olmo, la curación de la angustia, de la ansiedad, los sentimientos de culpabilidad o de lo que sea mientras los bolsillos se llenen de billetes. Sectas pseudo-sanitarias, sanadores y ONG que explotan negocios para lucrarse de la debilidad, la incultura y la ingenuidad. Todo un montaje de comercialización y usura a base del engaño y la estafa.
Son aquellos que pretenden curar el SIDA o el cáncer con luz azul, con pensamientos positivos o con técnicas de imaginación. Y todo este bulto de despropósitos tan nefasto como lucrativo se esparce por las redes sociales como una mancha de aceite. Es un escándalo, una inmoralidad y una absoluta falta de responsabilidad social. Grupos y personas individuales que proceden con impunidad, que actúan en el vacío legal que desgraciadamente debería rellenarse con urgencia de leyes y normativas. Grupos y personas que se aprovechan de la confusión y el desencanto que significa el mundo que nos rodea. Que se aprovechan de la ignorancia sobre la ciencia y el miedo que produce el desconocimiento.

Me entero que este pasado mes de marzo la Organización Médica Colegial ha creado un Observatorio contra las pseudo-ciencias, las pseudo-terapias, el intrusismo y las sectas sanitarias. Se trata de una red colegial estructurada a nivel estatal que permite compartir y transmitir información contrastada, verificada y validada sobre este tipo de acciones doctrinarias. Una iniciativa para salvaguardar la salud y la seguridad de la ciudadanía. Este proyecto nos alivia; constituye, sin duda, una reacción de lucidez ante tanta petulancia fanática y del fraude deliberado. El Observatorio mencionado tendrá un trabajo ingente. De momento, el 53% de los españoles confía en mayor o menor medida en los productos homeopáticos.

Pero más allá de esto, ¿qué es lo que ocurre con los “alternativos” pseudo-médicos o pseudo-psicólogos? No hablo de los falsos alternativos, de esos que engatusan y se aprovechan a mansalva del miedo y la debilidad humana, sino de los que se lo creen profundamente. Los alternativos cuestionan el statu quo, buscan la autenticidad, y eso me parece de lo más loable. Pero ¿cómo explicamos este rechazo tan frontal al establishment médico y psicológico instituido con el rigor de la ciencia? Porque en realidad de eso se trata, de un alejarse o mejor dicho de un no sentirse perteneciente al grupo de la mayoría que, en el caso del que hablamos, abarca los conocimientos objetivos de la ciencia como una aportación de las más importantes desde que apareció la humanidad. Buena parte de lo que ocurre con los “alternativos” pseudo-psicoterapeutas es que ante una sociedad tan atomizada buscan refugio en un grupo que les dote de distintividad y así revigorizar la autoestima diluida en el magma de la vida actual.

Los “pseudo”, se conozcan o no personalmente, comparten las mismas creencias, las mismas normas y comportamientos estereotipados, y eso les refuerza el sentimiento de identidad al grupo de pertenencia. Rechazan por sistema lo que les parece una imposición y llevando la contraria obtienen reconocimiento, son admirados y respetados. Pero está claro, cogen el atajo y de un día para otro se autoproclaman terapeutas de todo tipo, luciendo unas titulaciones, si es que las tienen, que hacen reír mientras que los que son avalados por estudios científicos reconocidos se rompen los cuernos para poder practicar su trabajo con rigor.

Quizás los modelos médico y psicológico requieren miradas críticas pero lo que no se puede decir es que no son modelos honestos e íntegros. Y lo que es seguro es que sus conocimientos de partida no se fundamentan en el esoterismo y el oscurantismo. Lo que es seguro es que no se basan en ideas, teorías y propuestas de efectividad más que dudosa poniendo en serio peligro la salud y el bienestar de las personas. Es cierto que en la medicina real y la industria farmacéutica hay mucho son of a bitch, y muchas cosas mejorables, pero comparado con estos desaprensivos es un mundo perfecto.

Fonte: El Huffington Post
Por Maria Àngels Viladot
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Harvard expulsa 10 calouros discriminadores

Harvard expulsa 10 calouros após troca de mensagens ‘chocantes’

HAREntrada do escritório de admissão de Harvard

Pelo menos 10 calouros em Harvard, uma das mais tradicionais universidades do mundo, tiveram sua aprovação revogada após trocarem memes e piadas ofensivas em um grupo fechado no Facebook.

A instituição afirma que não fala publicamente sobre as matrículas individuais de estudantes. Porém, de acordo com uma reportagem do jornal local “The Harvard Crimson“, publicada neste domingo (4), são pelo menos dez os estudantes que já haviam sido aprovados na universidade, mas acabaram ficando de fora da Classe de 2021, como é conhecido o grupo de alunos que passarão os próximos quatro anos em Harvard.

Todos os anos, a própria instituição cria e administra um grupo oficial dos novos estudantes, onde só são aceitas pessoas que constam na lista oficial de aprovados. O grupo, hoje com mais de 1.500 membros, é usado como uma forma de os jovens encontrarem futuros colegas com interesses em comum. Mas, desde então, dois novos grupos não-oficiais foram criados pelos próprios estudantes, para reunir os colegas que eram fãs de trocar memes e outras imagens bem-humoradas.

O jornal conversou com estudantes que participaram dos dois grupos, entre eles um jovem que preferiu permanecer anônimo e confirmou ter sido “desconvidado” a estudar em Harvard. Eles afirmaram que a primeira comunidade manteve um tom respeitoso nas mensagens trocadas, mas que, em dezembro do ano passado, um grupo menor de membros decidiu criar um canal ainda mais restrito para compartilhar conteúdo “proibido para menores”, segundo uma das alunas ouvidas.

Segundo o “Harvard Crimson“, que diz ter obtido capturas de tela de algumas das mensagens trocadas, os estudantes compartilharam imagens zombando de abuso sexual, do Holocausto e da morte de crianças. “Algumas das mensagens brincavam sobre o abuso de crianças ser sexualmente excitante, enquanto outras tinham piadas direcionadas a grupos raciais ou étnicos específicos. Uma [mensagem] chamou o enforcamento hipotético de uma criança mexicana de ‘hora da piñata’”, diz a reportagem.

Para ser admitido no grupo restrito de memes, os estudantes eram desafiados a publicar mensagens no grupo que tinha mais colegas.

O jornal afirma que as mensagens ofensivas enviadas nesse grupo privado chegou ao conhecimento da universidade meses depois. Em abril, o Escritório de Admissões de Harvard enviou e-mails aos estudantes envolvidos solicitando que eles encaminhassem todas as mensagens que haviam publicado, segundo um dos estudantes que acabou rejeitado por Harvard mesmo antes do início das aulas.

Segundo o jornal, o estudante recebeu a seguinte mensagem via e-mail: “O Comitê de Admissões ficou decepcionado ao descobrir que diversos estudantes em um grupo privado da Classe de 2021 estavam enviando mensagens que continham mensagens e gráficos ofensivos. (…) Como entendemos que você está entre os membros distribuindo esse material nesse chat, pedimos que você envie um posicionamento até amanhã às 12h para explicar suas contribuições e ações para discussão no Comitê de Admissões.”

Uma semana depois, esse estudante e pelo menos outros nove calouros receberam cartas informando que suas admissões haviam sido revogadas.

Fonte: Pragmatismo Político
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Por que não mencionar o racista numa entrevista sobre racismo?

Nota do blog
Surpreende o fato de que tanto o entrevistador (da ONU) como a entrevistada (no Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Genebra, na Suíça) não fazem referência a prevenção do racismo e ao racista em nenhum momento.
Mesmo sabendo que o secretário-geral da ONU, António Guterres (em Genebra, na Suíça) sugeriu que o racista deve ser definido como um doente, assim como o que desrespeita os direitos humanos.
Talvez só se consiga diminuir as ocorrências relatadas na entrevista se estas sugestões de prevenção forem aceitas pelos ativistas e suas lideranças.
A possibilidade de prevenção e que o racista e outros discriminadores venham a ser definidos como doentes é também exposta em Textos correlatos*

Fundadora do Black Lives Matter diz que leis internacionais podem ajudar países a enfrentar o racismo

OTOpal Tometi, cofundadora do movimento global Black Lives Matter. Foto: ONU

As leis internacionais de direitos humanos podem ajudar os países a enfrentar problemas de racismo estrutural, como a impunidade nos assassinatos de negros cometidos pela polícia. A opinião é da norte-americana Opal Tometi, uma das fundadoras do Black Lives Matter, movimento ativista internacional que promove e preserva os direitos humanos e a dignidade dos negros.

Em entrevista ao Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH) realizada em Genebra, na Suíça, Tometi disse que o racismo afeta a qualidade de vida e a liberdade dos negros em qualquer país, daí a importância de mecanismos internacionais de direitos humanos para combatê-lo.

“É importante fortalecer a solidariedade entre movimentos e membros da sociedade civil em espaços internacionais”, declarou na entrevista, realizada na ocasião de sua participação em abril na 20ª sessão do Grupo de Trabalho de Especialistas em Pessoas de Ascendência Africana.

Em 2013, a comunidade internacional declarou a Década Internacional de Afrodescendentes (2015-2024), reconhecendo que os direitos humanos dos povos afrodescendentes precisam ser promovidos e protegidos globalmente.

ACNUDH: Por que você veio hoje ao Escritório das Nações Unidas para os Direitos Humanos, em Genebra?

Tometi: Estou aqui hoje, como membro da sociedade civil, para participar da 20ª sessão do Grupo de Trabalho de Especialistas em Pessoas de Ascendência Africana, que trata dos desafios que atingem os negros ao redor do mundo. Viajei a Genebra porque quero descobrir uma maneira de colaborarmos para a justiça social e os direitos humanos ao redor do mundo.

Acredito que nossas comunidades podem se beneficiar, se tiverem conhecimento e participarem dos diversos fóruns de direitos humanos da ONU. As leis internacionais dos direitos humanos podem nos ajudar a resolver alguns dos principais problemas da sociedade norte-americana — como a impunidade pelos assassinatos de negros pela polícia – os quais as leis da estrutura nacional de direitos civis não tratam adequadamente. E a antinegritude é global. O racismo estrutural afeta os negros, a qualidade de vida e a sua liberdade em qualquer lugar. Assim, é importante fortalecer a solidariedade a movimentos e membros da sociedade civil em espaços internacionais como este.

ACNUDH: Como o movimento Black Live Matters pode se beneficiar dos mecanismos da ONU que lidam com o racismo?

Tometi: Eu e vários ativistas dos EUA acreditamos que os movimentos de direitos humanos têm de evoluir e compreender as implicações globais do racismo estrutural. Isso significa envolver as Nações Unidas e uma série de outros órgãos de direitos humanos. A realidade é que o racismo contra negros está em toda parte, globalizado em grande parte pela herança da escravidão de pessoas de ascendência africana, do legado colonial e das atuais relações neocoloniais.

Temos que abordar os fatos reais, e temos uma grande quantidade de relatórios, dados e histórias que ilustram o fato de que os negros estão vivenciando uma gama de resultados distintos em todos os setores da nossa sociedade e em todos os contextos geográficos. Este não é o problema de um país, mas, literalmente, ocorre no mundo todo.

É importante lembrar que diversos outros heróis dos direitos humanos vieram antes de nós, como Martin Luther King, Malcom X, que recorreram à comunidade internacional e às instituições globais como a ONU para intervirem nas injustiças infligidas contra as comunidades negras. É ao mesmo tempo animador reconhecer que temos uma tradição peculiar de lutar pelos direitos humanos em âmbito internacional, e também preocupante, porque ainda estamos lutando por algo tão básico para a humanidade, que é a capacidade de ter qualidade de vida.

Existem diversas ferramentas e recursos importantes das Nações Unidas possuem que podem ser usados para legitimar e apoiar as comunidades oprimidas. Um deles é especialmente importante para as comunidades com as quais trabalho: o Comitê para a Eliminação da Discriminação Racial (CERD), que supervisiona a implementação da convenção de direitos humanos contra a discriminação racial. É relevante saber que existe um corpo e um conjunto expressivo de documentos e mecanismos que concluíram de forma unânime que o racismo é uma violação dos direitos humanos.

ACNUDH: O movimento Black Lives Matter é conhecido em diversos países em que as comunidades negras são estigmatizadas. Existe hoje um maior entendimento de que o racismo é uma questão de direitos humanos?

Tometi: Sim, quase todo mundo sabe que o racismo é uma violação dos direitos humanos, mas seus defensores não necessariamente investem em estratégias para lidar com isso do ponto de vista legal. Quero incentivar as comunidades negras de toda parte a usar essas ferramentas e estratégias que a estrutura dos direitos humanos oferece. Isto é, ao mesmo tempo profundo e incrivelmente simples. Somos humanos, e temos direito à qualidade de vida. Todos nós merecemos isso. Esse é — ou deveria ser — um direito inalienável. E esses direitos são básicos, não estamos nem falando sobre justiça de verdade neste momento, que poderia significar algo como reparação etc.

Consideramos que os mecanismos e ferramentas internas dos direitos civis dos EUA são frequentemente frustrantes, porque são limitados em termos de implementação e impacto. As ferramentas internacionais de direitos humanos são um padrão universal e, por isso, podem ser aplicadas em escala internacional. Nossa dignidade humana inerente é legitimada no âmbito dos direitos humanos, enquanto no âmbito dos direitos civis tantas pessoas ficam presas à semântica sobre cidadania. Para as comunidades com as quais trabalho, e que são criminalizadas por causa da raça ou da condição de imigrantes, não há vencedores, mas os diretos humanos dizem o contrário, que nossas vidas são importantes.

ACNUDH: Você chamou seu movimento de movimento dos direitos humanos. Pode nos falar mais sobre isso? Como você reagiu às pessoas dizendo que todas as vidas são importantes?

Tometi: Sim. O BLM ou o movimento pela vida dos negros não é apenas um movimento por direitos civis, é um movimento global de direitos humanos! É um movimento de direitos humanos porque tem de ser. O tratamento injusto com o qual os negros são forçados a enfrentar ocorre em diversas nações, e em todos os âmbitos de nossas vidas. Nós somos um movimento de direitos humanos porque nossas demandas são mais profundas do que as almejadas pelos direitos civis. Além disso, somos parte da família negra global. Muito da nossa beleza e da nossa força vem de sabermos que fazemos parte (disso), não importa onde estivermos.

Quanto a “todas as vidas são importantes”, (…) apenas digo que afirmar a minha humanidade e defender os negros é uma postura em relação aos direitos humanos e à justiça. Isso não diminui ou retira os direitos e a dignidade ou a liberdade de outras pessoas. Ajudei a fundar o Black Lives Matter porque realmente acredito que todas as vidas são importantes; quando ouvimos histórias e lemos relatórios que deixam claro que a vida dos negros não têm valor nos EUA, é nossa obrigação moral mudar isso. Eu estou empolgada porque, literalmente, milhões de pessoas nos EUA e ao redor do mundo entendem isso, e foram às ruas dizendo que “a vida dos negros importa” porque elas não têm dúvida de que o racismo existe e isso deve parar.

ACNUDH: Quais são os meios práticos para que pessoas do mundo todo defendam os direitos humanos? Como as pessoas podem agir?

Tometi: As pessoas podem defender os direitos humanos em qualquer lugar, abordando o racismo sistêmico em seu próprio ambiente. Se as pessoas levarem a sério a luta pela justiça em seu próprio país, com parceiros e imigrantes em sua comunidade, com pessoas da comunidade internacional, acredito que veremos a aplicação dos direitos humanos a todas as pessoas. Quero incentivar nossos irmãos e irmãs a se envolverem de modo mais eficaz com esse grande conjunto de ferramentas de direitos humanos internacional, que reafirmam nossos direitos com tanta profundidade.

A realidade é que o racismo contra os negros é um fenômeno global, e parece ser diverso em cada contexto, mas se você olhar para as consequências, se ouvir e olhar para essas experiências, verá que é claro e que ocorre ao redor do globo. No Brasil, estamos presenciando mais negros desarmados serem mortos pela ação da lei. Em lugares como a França, existem milhares de negros africanos sem-teto em busca de asilo, forçados a criar seu próprio campo de refugiados sob as pontes de Paris. Eles não têm saneamento, nem comida. As pessoas são expulsas. Esse é um exemplo de injustiça racial.

Negros têm sido atacados na Ásia e em muitos outros lugares ao redor do mundo. Por exemplo, no Kuwait, uma trabalhadora doméstica etíope foi atirada pela janela do 7º andar de um edifício. A condição dos negros em todo o mundo é terrível, e temos que fazer tudo o que pudermos para acabar com isso de uma vez por todas. A realidade é que estamos aqui. Essa é a cor da nossa pele. Isso é o que somos, e somos belos. Precisamos de um mundo que respeite nossa humanidade, nossa dignidade humana inerente. Esse mundo não pode tardar.

Fonte: ONU Brasil
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Sobre a Necessidade e os Perigos de Declarar Trump Mentalmente Incapaz Para Exercer a Presidência dos EUA         

Texto de Andrew Spitznas, médico psiquiatra (EUA).

TrumpEm tempos normais, eu continuaria a escrever as avaliações de filmes que aparecem semanalmente nesta coluna. Mas estes não são tempos normais.
Nunca nas minhas cinco décadas de vida temi tanto pelo futuro da nossa república, para não mencionar a segurança de todo o nosso globo. Nunca houve um estrangulamento tão tóxico em nossos poderes executivos, legislativos e judiciais pela ala reacionária de um partido político, de tal modo que o EUA funcionassem substancialmente como um estado de um só partido. Nunca pensei que nosso país pudesse cair em uma autocracia instável e se degradasse no fascismo.

Escrever sobre a saúde mental do nosso presidente acarreta um risco profissional para mim, sobre o qual terei de comentar mais tarde. Eu poderia me esquivar desse perigo, conscientemente, se meu estado natal do Tennessee não estivesse submetido tão impiedosamente no coração de “Trumpland”. Juntei-me aos protestos, escrevi e liguei para os políticos que ajudei a eleger, mas essas ações agora tem um sentimento de inutilidade. Meus dois senadores republicanos, Lamar Alexander e Bob Corker, raramente mostram sinais de um caminho correto diante da flagrante corrupção e desumanidade de Trump. Meu representante no Parlamento dos Estados Unidos, Phil Roe, é um tumor maligno no corpo político, um regurgitador sem imaginação da propaganda do “Freedom Caucus” *.

Tais tempos perigosos exigem o uso de todos os meios legais para tentar remover pacificamente o ser humano doente que ocupa o Escritório Oval. Não só estou plenamente convencido de sua imoralidade, corrupção, inépcia e baixeza, mas estou plenamente convencido de que ele não está mentalmente apto para a presidência.

Na qualidade de psiquiatra especializado, com mais de 20 anos de experiência profissional, escrevo essas palavras com o maior cuidado. Sinto-me completamente certo de que Donald Trump sofre de duas condições, que devem excluí-lo de uma posição de liderança.

Em primeiro lugar, as afirmações e o comportamento de Trump poderiam, literalmente, servir como um exemplo de livros didáticos de paranóia delirante. Se você ler algum dos principais textos sobre psicologia ou psiquiatria, você descobrirá que um delírio é definido como uma falsa crença fixa, da qual seu portador não pode ser dissuadido por evidências racionais. Os tweets de Trump e as declarações sobre a alegada escuta telefônica pelo presidente Obama, bem como suas declarações sobre a corrupção maciça de voto e as multidões inexistentes no Dia da Posse, cumprem claramente esta definição.

Em segundo lugar, estou convencido de que Trump cumpre os critérios para o diagnóstico de transtorno de personalidade antisocial (ASPD). Para confirmar o que escrevi, permita-me acompanhar os sintomas e comportamentos desta desordem, conforme elaborado no Manual de Diagnóstico e Estatística de Transtornos Mentais, Quinta Edição (DSM-5), o padrão-ouro para fazer diagnósticos psiquiátricos nos Estados Unidos Estados.
Um indivíduo com ASPD, também conhecido como um sociopata, não conseguirá se adaptar às normas sociais e se envolverá de forma flagrante em comportamentos ilegais. A fraude da Universidade Trump, o uso repetido da Casa Branca para promover seus interesses comerciais e o encorajamento do hacker russo durante as eleições demonstram isso em abundância.
Os sociopatas também se envolvem em engano, evidenciados por “mentiras repetidas, uso de distorções, ou enganando outros” (para citar o DSM-5 diretamente). Preciso elaborar muito aqui, sobre Donald Trump / John Miller / John Barron? Nada melhor do que citar On Tyranny do historiador de Yale, Timothy Snyder, onde ele escreve que Trump expõe de forma tão descarada e frequente “que faz as afirmações corretas parecerem negligências involuntárias levando a uma total ficção”.

Outro critério do DSM-5 para a sociopatia é a impulsividade. A primeira constatação para esse sintoma teria de ser os repetidos tweets das 2:00 da manhã. Por essa questão, a presidência de Trump parece sair pelo “assento de suas enormes calças de golfe”, com mudanças de posição de 180 graus que ocorrem semanalmente.
Irritabilidade e agressividade são outros critérios. As evidências para esses problemas emergem dos relatos da Casa Branca, de teimosias de Trump e explosões de raiva. A própria admissão do presidente de assédio sexual no Billy Bush (programa de TV). Assim como o fato de ele pedir a seus partidários que fiquem em manifestações para agredir fisicamente dissidentes.
A irresponsabilidade consistente é outro sintoma de sociopatia, sendo citado na DSM-5, especificamente, desrespeito das obrigações financeiras e deficiência ética no trabalho. Muitas situações podem ainda ser citadas. Que tal as viagens semanais ao Trump National Golf Club Mar a Lago, as repetidas recusas de pagamento aos empreiteiros por serviços em suas propriedades), exploração da Fundação Trump para ganhos pessoais e fracasso em cumprir a promessa de doações para instituições de caridade de veteranos, todas referidas pela mídia?

Aqueles com ASPD também mostram falta de remorso. Temos na Casa Branca um homem que nunca se desculpa, que está cercado por comunicadores que duplicam suas falsidades e maldades. Sua fanfarronice de assédio sexual era apenas “conversa no vestiário”; ele se engana que não sofre ações judiciais, ao dizer que nunca está errado.
Em termos gerais, indivíduos com distúrbios de personalidade exibem seus comportamentos de forma crônica e em várias situações (dentro de suas famílias, no trabalho e em outras configurações sociais). Os seus sintomas também prejudicam significativamente a sua capacidade de funcionar. Creio que os exemplos oferecidos acima demonstram claramente que a falta de conduta de Trump satisfaz esses critérios gerais.

Outros escritores sugeriram que Trump também poderia ser diagnosticado com Transtorno da personalidade narcisista. Não vou contestar essa afirmação, mas minha forte suspeita é que muitas figuras políticas a nível nacional sofrem desta condição, e não as torna necessariamente não funcionais para o trabalho.
Também tenho um grau moderado de suspeita que Trump está nos estágios iniciais da demência. Passei milhares de horas trabalhando com indivíduos com doença de Alzheimer e demências vasculares, e o fato de Trump enunciar frases grosseiramente incoerentes, de apresentar vocabulário diminuído, confabulações repetitivas e paranoia têm uma forte semelhança com os sintomas que observei nesses pacientes. Alguns testes neuropsicológicos em profundidade de nosso presidente seriam altamente esclarecedores a esse respeito.
Mas, para retornar às minhas duas principais afirmações clínicas, a presença de paranoia delirante ou ASPD seria, por si só, suficiente para desqualificar um político para o cargo que ocupa. Se estiverem juntas, são duplamente “tóxicas”. Não se pode confiar em um indivíduo paranoide que não consegue discernir os perigos reais daqueles que apenas imaginava. Um sociopata, por definição, sempre atua em seu próprio interesse, ameaçando a segurança e o bem-estar de todos os que os rodeiam.

Em seguida, devo reconhecer as armadilhas na formulação dos meus diagnósticos presuntivos do nosso presidente, bem como os meus motivos para avançar apesar desses riscos.
Obviamente, eu não examinei Trump pessoalmente, o que é uma grande limitação. No entanto, nosso presidente optou por se tornar uma das figuras mais publicamente expostas na história americana, por meio do seus show Aprendiz, suas aparições frequentes em programas de notícias, seus comícios incompreensíveis e seu feed no Twitter. Ele tirou vantagem de toda essa cobertura, sem o que nunca teria sido eleito presidente.
Esta exposição é uma faca de dois gumes, mas, eleva meu grau de certeza nos diagnósticos clínicos de Trump. E estes não são diagnósticos que exigem um alto nível de sofisticação para serem feitos. Isso não é tão complicado, digamos, como diferenciar um distúrbio bipolar do transtorno de personalidade borderline, ou discernir a etiologia de uma psicose atípica. Um indivíduo imparcial que seja Bacharel em Ciências ou em Psicologia poderia chegar às mesmas conclusões que eu.
No entanto, a falta de entrevistas presenciais, além da ausência do consentimento de Trump para avaliação, me deixa infringindo a “Regra Goldwater” da minha associação profissional. Este princípio ético, articulado pela Associação Americana de Psiquiatria (APA), é para impedir que seus membros diagnosticassem funcionários públicos que não estejam tratando.
Mas, tempos desesperados exigem medidas desesperadas. Sobre este assunto, aderi ao movimento Dever de Advertência, assinando sua petição e ingressando em sua organização. E espero que você faça o mesmo e adicione seu nome aos 55.000 signatários.
Dever de advertir é obrigação ética que os profissionais de saúde mental têm, quando obrigados a romper a confidencialidade terapeuta-paciente se um paciente apresentar um risco iminente para si ou para outros.
Na sua imprudência, Trump é um perigo constante para nossa nação e nosso mundo. Não se pode nele confiar para que nos mantenha fora das guerras impulsivamente iniciadas. Seu racismo doentio já criou um ambiente nacional, onde hispânicos, muçulmanos, judeus e afro-americanos vivem em maior risco de danos físicos e até de morte.

Nas exigências da APA de que seus membros adiram à Regra de Goldwater, repetidas em suas publicações, ultimamente, minha organização profissional está abandonando de forma rígida e irresponsável um chamado mais alto para usar nossa sabedoria clínica duramente conquistada para proteger a cidadania dos Estados Unidos.

Acho que essa covardia é hipócrita, já que a APA simultaneamente adora promover sua diversidade étnica e religiosa. Nossa principal revista iniciou recentemente uma coluna mensal que aborda problemas de saúde mental que afetam os moradores dos países muçulmanos, para onde Trump proibiu viagens.

Essa assertiva institucional é irônica também. As minorias étnicas e religiosas que a APA pretende defender incluem as que atualmente estão em perigo iminente pelas decisões de nosso presidente. E, para afirmar o que deve ser óbvio, os adeptos da cultura e da religião judaicas têm uma longa representação dentro da nossa profissão, começando pelo grande Sigmund Freud. Os judeus, obviamente, sofreram o peso da brutalidade sob os regimes fascistas do século XX, o estilo de liderança que Trump, frequentemente, admira e se esforça para imitar.

Publicar este ensaio me coloca em risco de sofrer consequências profissionais. Mas para mim, desconsiderar a Regra de Goldwater na América em 2017 é análogo a um soldado profissional desconsiderando uma ordem imoral, sabendo que pode ter de responder por isso. Estou disposto a me desligar da APA se necessário. (Embora eu pense que meu risco pessoal é relativamente baixo: considerando as 55 mil pessoas que já assinaram a petição de Dever de Advertência, a APA e outras organizações profissionais teriam que investir muito tempo e dinheiro para instigar um processo de expulsão contra nós).

O presidente Trump, manifestamente, não trabalha sob o peso de uma consciência. Eu o faço. Minha tranquilidade pessoal já foi interrompida pelas injustiças semanais que Trump e seus servos infligem aos nossos pobres, nossos desprotegidos, nossas minorias e nosso ambiente. Minha consciência e empatia exigem que eu faça tudo o que for pela paz, para ajudar a acabar com o reinado de alguém que considero perigoso à luz de sua instabilidade mental. Espero que você esteja fazendo o mesmo.

* Caucus

Nos Estados Unidos designa-se por caucus o sistema de eleger delegados em dois estados (Iowa e Nevada), na fase das eleições primárias (ou preliminares), na qual cada partido decide quem será o candidato desse partido à presidência dos Estados Unidos.
Cada partido político reúne os apoiadores dos vários candidatos.
Nessa reunião, o número de delegados é atribuído conforme a quantidade de residentes no círculo eleitoral. Há uma fórmula matemática que determina o número de votos que é preciso obter na eleição primária (caucus), e os delegados são eleitos por representação proporcional.
Desde 2004, os eleitores do estado de Nevada participam do caucus.
Depois de apurados os resultados das votações nos estados, cada partido nomeia seu candidato à presidência.
No final, o presidente do país é escolhido em eleições indiretas por um colégio eleitoral.

Fonte: Patheos

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Un edil Barbate a una vecina: “Unos chupan cámara* y otras chupan otra cosa”

cc

El concejal de Cultura de Barbate, Sergio Román, ‘chupando cámara’.
Fuente:FACEBOOK DE SERGIO ROMÁN

Su nombre es Sergio Román, es concejal de Barbate y en unas horas ha alcanzado la fama. Tras ver los comentarios críticos de una vecina a su conducta política, Román le dio esta respuesta: “A unos les gusta chupar cámara y a otras chupar otras cosas, y encima cobrando. Así es la vida”.

Los detalles del caso son estos: el comentario del concejal se produjo en Facebook tras la emisión el pasado miércoles de la serie ‘Perdóname Señor’, cuando una vecina realizó un comentario criticando “el argumento de la serie” y “la palabrería de algún concejal”, así como que le gustaba “chupar cámara”, a lo que el edil de Cultura contestó diciendo que “a unos les gusta chupar cámara y a otras chupar otras cosas, y encima cobrando”. Esta situación ha provocado que toda la oposición en bloque haya pedido su dimisión, como lo ha hecho ahora el PSOE a nivel provincial.

Una ofensa a las mujeres

La parlamentaria andaluza y secretaria de Organización del PSOE de Cádiz, Araceli Maese, ha pedido al alcalde de la localidad gaditana Miguel Molina (Partido Andalucista), que “cese y desautorice” al “machista” concejal de Cultura, Sergio Román, y lo mismo ha pedido Podemos.
En una nota, Maese ha calificado de “declaraciones totalmente ofensivas y de ataque hacia las mujeres” el comentario de Romero. “No puede permanecer ni un minuto más en el cargo de concejal, y más de Cultura, representando a la ciudadanía una persona que ha demostrado ser un ejemplo de incivismo y de atrocidad, alguien que se permite la chulería de decir una barbaridad”, afirma Maestre.

En el mismo sentido, Podemos Cádiz ha considerado “intolerable Román ni dimita ni haya sido cesado” de su cargo tras los insultos, ya que “no está capacitado para ostentar cargo público alguno”. Podemos también ha lamentado “el silencio cómplice del alcalde, Miguel Molina”.

* “chupar cámara”
Se aplica a las personas que tienen excesivo afán de protagonismo, de salir en la foto o en la televisión.
Se arriman tanto a la cámara que parecen querer chuparla.
<<La mayoría de los políticos lo único que pretenden con tanta foto y tanta entrevista es chupar cámara>>
Salir en todas las fotos.
Fonte: el plural.com
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Pastor evangélico propõe que homossexuais usem roupas com cores especias para serem identificados

Pastor evangélico pide que los gays y lesbianas lleven vestimentas distintivas para identificarlos

PE 1 El famoso pastor estadounidense Pat Robertson recientemente repitió su profecía de que los derechos LGBT harán que Dios destruya los mercados financieros de Estados Unidos. La advertencia fue hecha en su programa “EL Club 700”, desde el cual el octogenario e influyente predicador bautista ha lanzado toda serie de diatribas contra gays, lesbianas, feministas y ateos.

“Los Estados Unidos se están convirtiendo en Sodoma ahora que ha consagrado la sodomía en la Constitución de Estados Unidos y que ciudades como Houston están tratando de obligar a las mujeres a entrar en baños de hombres y hombres para entrar en los baños de mujeres”, dijo Robertson.

“Ahora es un derecho constitucional de los sodomitas casarse unos con otros”, se lamentó, advirtiendo que “la ira de Dios se revela contra estas cosas”. Explicó: “No quiero que la ira de Dios llegue a este país, es un gran país, me gustaría ver a América continuar fuerte, pero ésta es una forma de debilitarla. En primer lugar, vamos a tener este colapso financiero. Nos estamos preparando para un colapso financiero masivo y creo que si Dios va a castigar a este país es probablemente la forma en que lo haría”.

En ese momento, un televidente llamó y le preguntó al pastor cristiano si había alguna manera de evitar su profecía. La respuesta de Robertson fue esta: “Creo que sí, sí, pero debemos dejar de extender el lesbianismo y la homosexualidad. La única manera de detener la propagación de estas enfermedad, que está plagando el país, es hacer una especie de distinción obvia entre gays y la gente normal y heterosexual. Yo personalmente creo que debemos imponer como norma a la población gay que deban usar ropa de colores especiales, por ejemplo. Estoy pensando que tenemos que pasar por el Senado esto y hacerlo oficial. De esa manera, la gente normal sabría que la persona que lleva el color es un desviado sodomita y que tienen que permanecer lejos de ellos a toda costa, así como mantener a sus hijos lejos de su alcance”, opinó el pastor Robertson.

El televidente interrumpió al pastor y le dijo que “eso suena muy parecido a lo que los nazis hicieron a los judíos en los acontecimientos que precedieron a la Segunda Guerra Mundial”, refiriéndose al hecho de que los judíos de Polonia y Alemania fueron obligados a usar un parche distintivo con la estrella de David para que de esta manera fueras acosados y violentados.

Rapidamente el pastor Robertson defendiéndose dijo: “No creo eso. Estoy hablando tan solo de proteger a las personas normales de los Estados Unidos, no exponiendo gays y lesbianas como miembros de la población que deben ser torturados y sacrificados en campos de concentración. ¿Entiendes mi punto de vista aquí? -preguntó el pastor al anfitrión.

“Sí,” contestó la persona que llamaba. “Pero también entiendo que estás tratando de hacer a los gays lo que los nazis le hicieron a mi pueblo hace más de medio siglo. Y estoy horrorizada por ello”.

Cabe señalar que durante la opresión nazi, no sólo los judíos fueron identificados en sus vestimentas. También los homosexuales fueron marcados en los campos de concentración con un triángulo rosado invertido.

Proponen prohibir adopción a gays, lesbianas, hinduistas y ateos en Texas

PE 2 James Frank, autor del proyecto de ley contra adopción en Texas

Mientras que la propuesta del histórico evangélico era presentada en el Club 700, en el Estado de Texas sigue pendiente de debate el proyecto de ley HB 3859, que propone permitir a las agencias temporales de adopción y crianza el derecho de discriminar a los postulantes LGBT, ateos y minorías religiosas no cristianas.

Muchas agencias de adopción y de crianza temporal están dirigidas por iglesias cristianas y consideran los evangélicos que poder vetar a hinduistas, ateos y gays es parte de su “libertad religiosa”. El proyecto de ley que estaba pendiente de votación a inicios de mayo, quedó suspendido hasta una nueva orden.

El representante estatal James Frank le dijo a la CBS que como cristiano sentía que la ley que los obliga a no poder restringir la adopción a los centros cristianos es terrible y que él desea que estos centros puedan vetar a no cristianos y LGBT pero conservando la financiación pública.

El proyecto de ley no permitiría a CPS discriminar basado en las creencias religiosas de sus empleados.

Pero Texas también se asocia con cientos de adopciones privadas y agencias de fomento, algunas de las cuales reciben fondos estatales. El proyecto permitiría a estas agencias reclamar la exención religiosa para trabajar con padres LGBT o padres de otra religión, sin temor a perder su financiamiento.

“Yo creo que se trata de adaptaciones razonables para que todos puedan participar en el sistema”.
“Si tienes una agencia LGBT, van a elegir una familia LGBT, y si tienes una agencia Bautista, es más probable que escojan una familia Bautista”, dijo Frank a la CBS. “Ellos son libres de hacer eso y deben ser libres para hacer eso.”

Lo curioso es que en el Estado de Texas las entidades privadas de adopción son casi en su totalidad de los bautistas. La misma iglesia de Pat Robertson. No hay ninguna orientada a dar niños a LGBT o a hinduistas o ateos.

Los críticos del proyecto cuestionan su constitucionalidad. “El proyecto de ley permitiría la discriminación sobre la base de la creencia religiosa”, dijo a Catherine Oakley al períodico The Daily Beast. Oackley, que es consejera legislativa de la Campaña de Derechos Humanos, afirmó: Con este proyecto se busca que una organización que recibe fondos de los contribuyentes y presta servicios en nombre de los contribuyentes de Texas puede descartar padres potenciales porque ellos tienen sun desacuerdo religioso con ellos”.

Susan Bryant cuestionó el proyecto diciendo: “Supón que llamas a una agencia y dices ‘Soy judío’, y si la agencia es católica te cuelgan”, dijo Bryant. “El proyecto de ley dice que usted puede ser referido a otra agencia, pero no hay mecanismo para establecer eso”.

El activismo de James Frank en Texas recuerda el de la colombiana, y también evangélica, Vivianne Morales.

Fonte: Blog sin dioses
Por Ferney Yesyd Rodriguez
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La culpa siempre es del otro

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No pertenece a nuestra nación. No comparte nuestra ideología. No procede de nuestra clase social. No es de nuestra raza. No profesa nuestra fe. A veces cabe incluso preguntarse si es de nuestra misma especie. Se trata de “el otro”.

Con estos rasgos define Ricardo Llamas en su Teoría torcida al enemigo por antonomasia, el epítome del mal. El otro ha sido de manera sistemática un índice de decadencia de la sociedad: la presencia del enemigo, el extranjero, el loco o el pervertido ha supuesto a lo largo de la historia un marcador infalible de la pérdida de valores y de la debilidad de una nación.

La historia de Estados Unidos resume a la perfección esta tendencia mundial. En el baluarte de la democracia han sido objeto de persecución y discriminación indígenas, negros, judíos, comunistas, homosexuales, musulmanes… El nacionalismo y la obsesión por la sangre pura —ya presente en tiempos romanos y recuperada, entre otros, por el nazismo— son una constante histórica, y su método, cansinamente reproducido.

En líneas generales, coincide con lo que Abraham Roback denominó etnofaulismo: localizar el vicio en el otro. Solo así se explican los primeros nombres que recibieron enfermedades como la sífilis o el sida o que aún reciben diversas prácticas sexuales. Leroy-Forgeot lo llamaría silogismo del otro: “X es malo. Mi enemigo es malo, luego es X”.

A modo de ejemplo, en 1991 la primera ministra francesa, Edith Cresson, afirmaba que el 25% de los ciudadanos estadounidenses, ingleses y alemanes eran homosexuales. Países como Irán o, más recientemente, la región de Chechenia directamente niegan la existencia de personas LGTB en sus fronteras. Como explica Llamas en su libro, la homosexualidad “constituye la quintaesencia de lo extranjero, de lo ajeno”.

Para reforzar la propia identidad por negación de lo abyecto, es necesario realizar un exorcismo y situar el mal en el otro, lo que explica por qué históricamente la sodomía siempre la ha practicado el foráneo —el extranjero, el urbanita, el aldeano, el indígena, el colonizador…— cuando no directamente el enemigo —según a quién se preguntase, el fascista o el comunista, el capitalista o el proletario, el hereje o el religioso…—.

En español y en inglés aún conservamos las palabras bujarra y bugger para designar peyorativamente al homosexual. El primer término era usado por los cruzados como insulto contra los herejes, que se identificaban así con los búlgaros —ortodoxos—, origen de ambas voces. El mismo envilecimiento han sufrido en nuestra lengua otras palabras, como gitano, judío, cafre, bárbaro, mameluco, vándalo, esclavo —’eslavo’— o villano.
Actualmente, el papel de los medios de comunicación es clave en esta cuestión. Entre reportajes de banalización del mal —al fin y al cabo, ¿qué podría salir mal?— y de normalización de la miseria —que podríamos titular ya “Estos locos millennials“—, las mismas estrategias de deslegitimación utilizadas históricamente contra musulmanes, judíos, indígenas, negros, comunistas y homosexuales se han esgrimido contra las nuevas amenazas del siglo XXI, como los indignados del 15M y movimientos homólogos, sin olvidar a los actores de siempre.

La primera estrategia para desacreditar es la trivialización, demostrar la irrelevancia, infantilidad o inferioridad del objetivo. En la práctica, esta estrategia se ha traducido sobre todo en la exotización o frivolización, esto es, mostrar al individuo o colectivo como extravagante, singular, llamativo. Puede pensarse por ejemplo en el interés científico que durante el siglo XIX despertaron razas distintas a la caucásica o, en la actualidad, la cobertura televisiva del Orgullo LGTB o del 15M en sus inicios. Tampoco ha sido inhabitual la feminización; en una sociedad aún fuertemente machista, la igualación con lo femenino sigue suponiendo relegar al estigmatizado a la invisibilidad o a mero objeto de mofa.

La segunda estrategia, normalmente consecutiva a la anterior —que no obstante no cae en desuso—, es la demonización, presentar al otro como un salvaje, un peligro para la sociedad. Ya es famosa la obra de Owen Jones sobre la demonización de la clase obrera en Reino Unido; no cuesta relacionarla con el pánico rojo, los peligrosos sociales, los perroflautas o la actual ola de islamofobia en Occidente. Tampoco nos es ajena la xenofobia, particularmente hacia los inmigrantes latinos, rumanos, marroquíes y chinos.

Con la revitalización de las extremas derechas y las proclamas de devolver el país a sus ciudadanos —o “hacer grande al país de nuevo”—, el discurso demonizador va mucho más allá de instaurar una “doctrina del shock” o pavimentar el camino hacia nuevas “democracias iliberales” o “autoritarismos competitivos”.

La otrorización, convertir al congénere en otro, implica una separación, despojar a la persona de su humanidad. Cuando se logra anular toda posibilidad de empatía, las personas pierden la noción de lo justo y proporcionado y son capaces de permitir auténticos horrores. El otro queda apartado de la sociedad, en los márgenes de lo tolerable, dudoso entre tratar de pasar desapercibido o asumir las consecuencias de luchar por su visibilidad. Esta otredad es la que une a todos los otros en un mismo sino y, a la vez, los enfrenta entre sí en cuanto otrorizados.

Culpabilizar al otro se presenta como la solución fácil y una catarsis inmediata. Más allá de su intensa instrumentalización política, el recurso al otro externaliza la responsabilidad y permite a los ciudadanos vivir sin mácula aparente. No debemos, sin embargo, ser llamados a error: nada nos diferencia de aquellos a los que achacamos todos los problemas de nuestra sociedad. Aunque la historia continúe empeñada en buscar culpables, quizá vaya siendo hora de madurar como sociedad y empezar a asumir que la culpa siempre es nuestra.

Fonte: Huffpost
O autor Nacho Esteban faz parte do grupo El Orden Mundial

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Igrejas passam a pagar impostos

Se empieza a cobrar impuestos a las Iglesias en Montreal

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La exención total de impuestos a las iglesias se ha levantado, parcialmente, en Montreal, Canadá.

La mayor ciudad de la provincia del Quebec ha decidido dejar sin cobro de impuesto solo a los lugares destinados para el culto y empezar a cobrarlo a los edificios anexos propios de las iglesias, como librerías, bodegas, auditorios y demás.

También las iglesias que han cerrado y que dejan de realizar servicios religiosos se hacen inmediatamente merecedoras de cobro de los impuestos locales.

Joel Coppetiers, el pastor de la iglesia presbiteriana de Cote des Neiges, se sorprendió cuando su institución recibió por primera vez un impuesto municipal a principios de 2015. Los encargados del fisco cobraban por los espacios no destinados al culto, tal como se hace con los demás predios de la ciudad. Los funcionarios locales consideran que es una manera justa en que todos apoyan el crecimiento de la ciudad. Coppetiers no está de acuerdo. Para el concejal cristiano Peter McQueen esto va en detrimento de las iglesias y de la posibilidad de que puedan predicar. “Ya nuestras iglesias están en peligro, están teniendo una serie de problemas financieros y esto es un golpe más bajo”

Bill Maher, un ateo estadounidense aplaudió la decisión de sus vecinos canadienses. “La religión se ha utilizado para justificar todo, desde la mutilación genital hasta el genocidio. Muchas veces se aumenta el impuesto sobre el tabaco para que los niños no tengan cáncer, OK. Pero pongamos uno a la escuela dominical para que no se vuelvan estúpidos”.

El alegato de muchos no religiosos y creyentes no afiliados es que toda exención de impuestos es un favorecimiento económico y de esa manera el estado termina subvencionando la religión. Si miramos que además se han recortado presupuesto a la ciencia, cultura y educación, tenemos que el Estado está prefiriendo la protección de la religión sobre la investigación científica. De hecho el pasado 22 de abril miles de personas salieron a protestar por el recorte de presupuesto a la investigación científica en Estado Unidos y en otros países.

En el contexto latinoamericano, solo Colombia se planteó la posibilidad de empezar a cobrar impuestos a las iglesias en el 2016, pero la propuesta fue rechazada gracias a la fuerte presencia de los pastores en la política y sus estrechos laxos con la ultraderecha.

En su momento el diario El Espectador presentó las siguientes razones por la cuales las iglesias deberían pagar impuestos en una columna editorial:
Primero, la exención tributaria lo que hace, en la práctica, es que les otorga a las instituciones religiosas un beneficio financiero que no reciben otras iniciativas de origen laico. Entonces, el Estado, que se dice separado de la iglesia, termina privilegiando a los cultos. Eso significa que una persona no creyente está recibiendo un trato distinto a un creyente, única y exclusivamente por cuestión de su religión. ¿Está justificada esa discriminación?
Segundo, la exención es un privilegio que no puede asociarse con la libertad de cultos. De hecho, imponer un régimen tributario igual para organizaciones laicas y religiosas lo que garantiza es que el Estado no entre a definir qué cultos ameritan la exención y cuáles no, dando vía libre a que las personas se organicen alrededor de las creencias que deseen. Por supuesto, tampoco se trata de que mediante cargas tributarias se censure un culto, pero eso puede definirse con una regulación adecuada, no con la exención.
Tercero, la exención causa que el Estado no cobre impuestos que, de tratarse de un particular laico, sí cobraría. Esa falta de recaudo implica que los impuestos de todos los colombianos, entre los que se encuentran personas ateas y otras que no están de acuerdo con ciertas religiones, vayan a suplir ese vacío, utilizando los recursos de todos para subsidiar el privilegio de unos cuantos (que, aunque sean mayoría, no han justificado esa diferenciación).
Cuarto, cada vez más algunas iglesias se han convertido en espacios de participación política activa. Eso no es malo, pero si la organización de los cultos se va a utilizar para intervenir en los asuntos de la democracia, ¿no deberían entonces someterse a las reglas que cumplen todas las otras organizaciones con facetas políticas?
¿Y usted qué opina?

Fonte: Blog sin dioses

Por Ferney Yesyd Rodríguez
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