Ex-ministro da cultura não é o machista agressor-padrão

  A CENSURA DA VÍTIMA E AS LÁGRIMAS DO AGRESSOR

(“(…) quem comeu uma mulher dos 20 aos 40 anos, comeu tudo o que há para comer”)…Ao que parece, não compareceu na posição de arguido e agressor, mas na pele de vítima que perdeu a sua família, a casa e, numa curiosa menção, os livros – este ponto é fulcral para que não nos esqueçamos de que não é um homem comum nem corresponde ao protótipo de um agressor, mas antes um ex-ministro da cultura, professor catedrático “querido pelos alunos” e um intelectual por excelência. Juntando estas notáveis características à sua frágil constituição física, parece difícil crer que fosse capaz, sequer, de uma palavra grosseira dirigida à ex-cônjuge.

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Em dois acórdãos distintos, Manuel Maria Carrilho foi caracterizado como se agregasse duas personalidades inimigas. No acórdão em que foi absolvido, na Secção Criminal da Instância Local de Lisboa, assinado pela juíza Joana Ferrer, “agiu sob a pressão dos acontecimentos e da completa e súbita alteração da sua vida, operada em outubro de 2013, factos que o desnortearam a ponto de carecer de ajuda psiquiátrica, pois já apresentava ideação suicida e com plano de concretização; mas, sobretudo, sob o sofrimento resultante de não ver os seus filhos”, sendo, ademais, valorizada a forma como prestou declarações, nomeadamente a “voz embargada” e os “olhos lacrimejantes”. Ao que parece, Carrilho não compareceu na posição de arguido e agressor, mas na pele de vítima que perdeu a sua família, a casa e, numa curiosa menção, os livros – este ponto é fulcral para que não nos esqueçamos de que Carrilho não é um homem comum nem corresponde ao protótipo de um agressor, mas antes um ex-ministro da cultura, professor catedrático “querido pelos alunos” e um intelectual por excelência. Juntando estas notáveis características à sua frágil constituição física, parece difícil crer que fosse capaz, sequer, de uma palavra grosseira dirigida à ex-cônjuge.

Acontece que, a par do que sucede com a figura mística da vítima perfeita, não existe um agressor-padrão.

No anterior acórdão, presidido pela juíza Emília Costa, a 31 de Outubro, Carrilho assumia outra personalidade, negando os factos pelos quais estava a ser acusado, não manifestando sinais de arrependimento e mostrando-se agressivo e, inclusive, “desagradável”. Ora, a não ser que estejamos perante um estranho caso de transtorno dissociativo de identidade e Carrilho tenha incorporado o polido Dr. Jekyll e o sinistro Mr. Hyde em diferentes cenários, terá aprendido com a anterior condenação a manipular, com uma postura e voz dócil, o tribunal, usando as mesmas tácticas que parece ter utilizado a fim de manipular Bárbara Guimarães. Note-se, contudo, que as lágrimas e a voz embargada estão ausentes da narrativa da sentença anterior.

São estas as manobras commumente usadas pelo agressor para manter a vítima num círculo vicioso – após uma fase de violência física e/ou psicológica, que começa subtilmente e se vai intensificando, surge o pedido de desculpas e a promessa de que foi apenas um deslize emocional que não se repetirá, bem como a conveniente transferência de culpa do agressor para a conduta da vítima, que o terá levado a tal comportamento.

Acresce que existem quatro factores que potencialmente influenciarão o poder do agressor sobre a vítima no contexto matrimonial: (i) o sexo; (ii) a idade; (iii) poder económico e (iv) estatuto social. Pese embora a maior parte dos crimes conjugais seja praticada pelo sexo masculino e uma significativa diferença de idades implique um maior domínio de uma pessoa em relação à outra, pela sua experiência de vida, será nos últimos pontos que nos iremos concentrar.

É o próprio agressor quem rebaixa a capacidade intelectual da ex-cônjuge ao afirmar que é “incrivelmente ignorante e inculta”, enquanto mantém a sua própria intelectualidade intacta (independentemente de ter perdido o acesso aos seus livros), ao citar H. Miller para insultar tanto Bárbara como o seu namorado (“(…) quem comeu uma gaja dos 20 aos 40 anos, comeu tudo o que há para comer”). Isto desfaz o barro estereotipado do agressor: é possível insultar a inteligência da ex-mulher e descer à vulgaridade com recurso à intelectualidade. Por analogia, é possível ser misógino e profundamente letrado, o que implica que o misógino não tenha de ser um ignorante, mas, ao invés, um machista com excelentes referências bibliográficas. Carrilho não mudou de personalidade – é a mesma pessoa.

Carrilho sabe que está em vantagem. Por muito culta que Bárbara possa ser, o que não vem ao caso, não é o “ex-ministro da cultura”, como incansavelmente repete a imprensa, embora não esteja a ser acusado nessa qualidade, mas a apresentadora de televisão cuja vida privada é constantemente escrutinada e exposta pelas revistas cor-de-rosa. Esquecemo-nos que Carrilho sempre nos é apresentado como um ser intelectualmente superior. É essa diferença de estatuto que é evidenciada pelo tratamento dos dois em tribunal: Bárbara é tratada pelo primeiro nome, ao passo que Manuel Maria Carrilho é o “Senhor Professor” – pode parecer um pormenor sem importância, mas contribui para um desequilíbrio entre as pessoas envolvidas.

Por outro lado, e não obstante a disparidade de estatuto entre ambos, Bárbara não corresponde ao estereótipo de vítima perfeita. Não só é privada do comando da sua própria narrativa como é descredibilizada pela sua posição – já recentemente o Tribunal de Viseu considerou que uma “mulher moderna e autónoma” não poderia ser vítima de violência doméstica, por ser empregada e com salário próprio, isto é, insubmissa ao marido. O discurso feminista é, como em tantas outras circunstâncias, convenientemente deturpado para benefício da parte mais forte: é plausível que uma mulher sem recursos económicos e, portanto, financeiramente dependente do cônjuge, seja vítima de violência doméstica, uma vez que não se lhe pode exigir que simplesmente abandone o lar, mas se essa mulher for independente, tiver uma formação académica ou for apenas informada, não é credível que tolere passivamente uma agressão, sem apresentar queixa ou sem tomar uma rápida decisão que solucione o problema.

Esta suposta facilidade em apresentar queixa pressuporia um não questionamento da conduta da vítima durante o processo e uma maior sensibilidade dos juízes perante a fragilidade emocional de quem recorre aos tribunais, o que não se tem verificado.

De facto, existe uma maior divulgação do crime de violência doméstica e dos procedimentos a tomar em relação ao mesmo, mas, aparentemente, não o bastante – apesar de todas as alterações legislativas e formação complementar na Ordem dos Advogados sobre o tema, persiste uma ignorância sobre o processo emocional vivenciado pela vítima. Salientamos ainda que este é um período em que a defesa de princípios constitucionais elementares é desvalorizada e categorizada como doutrina do politicamente correcto, por contraponto com uma misoginia mascarada de liberdade de expressão, culminando na publicação de teses de mestrado que vitimizam directamente o agressor (in casu, “A discriminação do gênero-homem no Brasil em face à Lei Maria da Penha”, de autoria do juiz criminalista Gilvan Macêdo dos Santos).

No presente caso, Joana Ferrer emociona-se perante as lágrimas ensaiadas de Carrilho, mas desconsidera a versão de Bárbara, uma mulher “destemida e senhora da sua vontade”.

Ao tecer um padrão de fragilidade na pele das vítimas de violência doméstica e “elogiar” a personalidade destemida da assistente, que estaria a mentir por facilmente poder libertar-se da situação, Joana Ferrer demonstra não estar capacitada para julgar um crime desta natureza. A sua parcialidade e julgamento de um caso concreto a partir de critérios arbitrários acerca da personalidade da vítima e do agressor dão origem a um desconhecido critério de exclusão da culpa do arguido – o carácter destemido da assistente. Como terá aferido a douta juíza esta característica em Bárbara Guimarães (ou em qualquer outra vítima)?

Ao presumir, puramente a partir da sua convicção pessoal, que Bárbara é uma mulher auto-suficiente e que a sua personalidade forte não lhe permitiria permanecer naquela relação, está a afirmar, por maioria de razão, que o Direito não protege as vítimas que sejam autónomas, informadas e financeiramente estáveis, assumindo que a violência estará circunscrita às classes sociais mais baixas.

O princípio da independência dos juízes, defendido aquando do acórdão de Neto de Moura, não pode justificar uma aparente institucionalização da violência exercida contra a vítima e a naturalização de decisões judiciais perpetuadoras de noções estereotipadas de vítimas enquanto meios de prova.

Uma formação adequada e consequente sensibilização no que respeita a este crime e o psicológico dos seus afectados tolheriam a magistrada de proferir afirmações que colocam em causa o discurso da vítima. A argumentação de que Bárbara, enquanto mulher informada, deveria ter apresentado queixa corresponde à idêntica transferência de culpa que o agressor pratica no decurso do círculo. Sabendo-se de antemão que os sentimentos de vergonha, culpa e medo são partilhados pela esmagadora maioria das vítimas de violência doméstica ou de crimes sexuais, o que interfere na decisão de participarem o crime – caindo por terra a invocação de que a juíza se baseia em factos notórios ou de conhecimento geral para decidir neste processo –, é incompreensível que seja a própria Justiça a responder à questão “Por que não fez queixa?”, perpetuando a cultura do silenciamento das vítimas. Após finalmente romper o silêncio imposto pelas regras sociais, pela família, pelo cônjuge agressor e por ela própria, a vítima terá de enfrentar o julgamento que o seu próprio medo originou, a ponto de perder o direito a ser vítima.

A vergonha sentida por Bárbara é menorizada e os motivos que ali a trouxeram secundarizados – a vantagem pende sobre o homem “cuja vida sofreu um dramático volte-face” e cuja depressão é considerada mais relevante do que o tumulto psicológico sofrido por ela. Assistimos a uma dupla vitimização da assistente, que sofre as mesmas humilhações e a mesma vergonha que a impediram de participar ou realizar perícias médicas no Instituto Legal de Medicina. Aliás, é precisamente esta uma das razões que coíbem as vítimas de apresentar queixa: a humilhação e desacreditação por parte de quem as deveria proteger.

Em suma, o fundamento de que o crime de violência doméstica está suficientemente divulgado é, cite-se, “um argumento fraquinho”.

Bárbara e muitas outras mulheres puderam enfim quebrar o silêncio e tentar abrir a porta da Lei, ainda que lhes seja negada a entrada. Um número maior de mulheres, pese embora toda a informação tornada pública sobre o assunto e os esforços para que falassem, não chegou sequer perto da Lei – são as mulheres que acabaram mortas e que, após a morte, vêem finalmente a sua voz restituída. Terão morrido por culpa do seu próprio silêncio ou de quem deslegitima o discurso de quem ousa conquistar uma voz?

Joana Ferrer censura Bárbara e, neste gesto, censura todas as vítimas de violência doméstica, que não são imunes a agressões físicas e psicológicas pela sua condição económica nem dotadas de frivolidade sobrehumana, conseguindo reagir atempadamente e dizer basta ao círculo vicioso. São seres humanos que merecem que a Justiça lhes garanta uma voz que durante tanto tempo viram sufocada. Por negar esta voz a uma vítima, nós censuramo-la.

Fonte: Capazes Pt
Por: Beatriz Alves da Silva
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Psiquiatras continuam debatendo a saúde mental de Trump

              Por qué se está cuestionando la salud mental de Donald Trump

¿Es Donald Trump mentalmente apto para su cargo?
Sin embargo, algunos han sugerido que Trump puede tener síntomas que apuntarían al Trastorno Narcisista de la Personalidad (TNP).

Las personas con esta afección a menudo muestran algunas de las siguientes características, de acuerdo con el medio especializado Psychology Today:

Grandiosidad, que es la falta de empatía por otras personas y una necesidad de admiración
Creen que son superiores o que merecen un trato especial.
Buscan la admiración y la atención de forma excesiva, y tienen conflictos para manejar la crítica o la derrota

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Es una discusión que los adversarios del presidente de Estados Unidos han tenido desde hace tiempo: ¿es Donald Trump mentalmente apto para su cargo?

El tema ha resurgido en en los últimos días en algunos medios de comunicación como el Washington Post o la cadena CNN, tras la publicación del polémico libro del periodista Michael Wolff, en el que relata el ascenso de Trump a la presidencia con entrevistas a personas cercanas al mandatario.

Incluso este viernes, el secretario de Estado de EE.UU., Rex Tillerson, se pronunció sobre el tema, asegurando que él “nunca se cuestionó” la salud mental del presidente, pese a que Wolff dice en su libro que en la Casa Blanca consideran a Trump un “niño”.

La idiosincrasia del presidente, su fuerte personalidad y su forma de hablar, diferentes a la de la élite de Washington, han sacudido la política estadounidense en el último año.

Pero esa personalidad y carácter también han contribuido a que se forme una atmósfera en la que sus críticos han ido más y más lejos, hasta cuestionar si Trump es apto para el cargo.

Algunos incluso han llegado a poner en duda su salud mental.

¿Qué se dice actualmente?

psi 02El libro de Michael Wolff creó gran controversia en Estados Unidos. EFE

La oleada actual de especulaciones se ha reavivado tras la publicación del libro “Fuego y Furia”, en el que el periodista Michael Wolff escribe que, durante el tiempo que pasó en la Casa Blanca para preparar su ensayo, conoció a gente alrededor de Trump que notaba que “sus facultades mentales patinaban”.

Durante la promoción de su libro, Wolff aseguró que Trump, de 71 años, repite frases para sí mismo a menudo.

La repetición puede ser causada por la mala memoria a corto plazo, así como por otros factores.

Puede ser un signo de demencia, que afecta hasta 8% de las personas mayores de 60 años en todo el mundo, según la Organización Mundial de la Salud.

“Todo el mundo era muy consciente del creciente ritmo de sus repeticiones”, escribe Wolff.

“Antes solía tener un periodo de 30 minutos en el que repetía, palabra por palabra y expresión por expresión, las mismas tres frases. Pero ahora ocurre en periodos de menos de 10 minutos”.

Wolff no dio ningún otro contexto sobre esas presuntas repeticiones.

Trump ha desdeñado el libro, que calificó de “errado” y “lleno de mentiras”, además de rechazar que él le haya dado alguna vez acceso a la Casa Blanca a Wolff.

          I authorized Zero access to White House (actually turned him down many times) for author of phony book! I never spoke to him for book. Full of lies, misrepresentations and sources that don’t exist. Look at this guy’s past and watch what happens to him and Sloppy Steve!

           — Donald J. Trump (@realDonaldTrump) 1:52 – 5 ene. 2018
Los críticos del libro también han cuestionado sus fuentes, ponen en duda que Wolff haya sido testigo de los hechos que describe y consideran como “chismes” algunas de las informaciones que contiene.

¿Qué se ha dicho antes?

Algunos psicólogos han especulado previamente acerca de los síntomas que veían en el comportamiento de Trump.

Varios libros fueron publicados sobre el tema unos meses después de la toma de posesión de Trump, como “El peligroso caso de Donald Trump”, de Bandy X. Lee; “El crepúsculo de la Cordura Estadounidense”, de Allen Frances, o “Fantasilandia”, de Kurt Andersen.

El doctor Lee, quien es profesor de psiquiatría en la Universidad de Yale, dijo a un grupo de senadores demócratas el mes pasado que Trump “iba a desmoronarse y ya estamos viendo señales“.

Pero vale la pena recordar que ninguna de estas personas ha tratado como paciente a Trump, ni tienen información de primera mano sobre su estado mental.

Cualquier profesional que lo hubiera tratado y quisiera hablar al respecto iría contra las normas de ética, así como en contra de leyes federales que protegen a los pacientes.

¿Por qué es importante?

En teoría estaría en juego el trabajo que tiene Trump.

En virtud de la enmienda 25 de la Constitución de Estados Unidos, si se considera que el presidente es “incapaz de ejercer los derechos y obligaciones de su cargo”, el vicepresidente tomaría el puesto.

Su gabinete y el vicepresidente tendrían que poner en marcha un proceso de destitución, por lo que es poco probable que suceda aunque muchas voces lo pidan.

¿Ha habido presidentes con problemas mentales?

Sí, presidentes de Estados Unidos han sufrido de enfermedades mentales, como Abraham Lincoln, cuya depresión clínica le provocó varios episodios negativos.

Más recientemente, Ronald Reagan, quien fue presidente de 1981 a 1989, sufría de desorientación y en ocasiones parecía no estar seguro de dónde se encontraba.

Fue diagnosticado con la enfermedad de Alzheimer 5 años después de dejar el cargo.

Sin embargo, la enmienda 25 nunca se ha utilizado para destituir a un presidente en ejercicio.

¿Qué hay de las evidencias sobre Trump?

Vale la pena reiterarlo: no hay evidencia real de nada mientras que no haya nadie que haya examinado al presidente y hable públicamente.

Sin embargo, algunos han sugerido que Trump puede tener síntomas que apuntarían al Trastorno Narcisista de la Personalidad (TNP).

Las personas con esta afección a menudo muestran algunas de las siguientes características, de acuerdo con el medio especializado Psychology Today:

Grandiosidad, que es la falta de empatía por otras personas y una necesidad de admiración
Creen que son superiores o que merecen un trato especial.
Buscan la admiración y la atención de forma excesiva, y tienen conflictos para manejar la crítica o la derrota
Sin embargo, el hombre que describió los criterios para el TNP, Allen Frances, dijo que no podía decir que Trump tuviera ese trastorno ya que no encontraba muestras de angustia evidente en el presidente.

“Trump provoca angustia grave en lugar de experimentarla y ha sido recompensado con creces, en lugar de ser castigado, por su grandiosidad, ensimismamiento y falta de empatía”, escribió Frances.

El libro de Wolff ha llevado a algunos a preguntarse si Trump podría estar sufriendo de deterioro cognitivo.

La repetición de frases y la manera de hablar de Trump han sido señaladas como pruebas de esto.

Algunos dicen que el presidente está ocultando un deterioro cognitivo dado que han notado momentos en los que Trump parece no tener un control total de sus propios movimientos.

Hubo un caso en diciembre, cuando estaba dando un discurso y levantó un vaso con torpeza, con las dos manos.

Durante otro discurso, arrastró algunas palabras, algo que la Casa Blanca atribuyó a una afección en la garganta, pero algunos dijeron que podría ser un signo de algo más serio.

La próxima semana, el presidente se someterá a su primer examen médico -un examen físico- desde que asumió el cargo.

¿Es un debate justo?

Esa es la cuestión.

Sarah Huckabee Sanders, la portavoz de la Casa Blanca, consideró que esto es “lamentable y ridículo”.

“Si no fuera apto, probablemente no estaría sentado allí, no habría derrotado al grupo más cualificado de candidatos que se haya visto en el Partido Republicano”.

Algunos legisladores republicanos han calificado las preocupaciones sobre la salud del presidente como un ataque partidista.

El doctor Frances ha dicho que este debate es injusto con las personas que sufren de enfermedades mentales: “El mal comportamiento no suele ser un signo de enfermedad mental, además de que los enfermos mentales se comportan mal solo en raras ocasiones”, dijo.

“Es un insulto estigmatizar a los enfermos mentales (que son en su mayoría bien educados y bien comportados) al ser comparados con el señor Trump (que no lo es)”, señaló.

Otros han hecho eco de esto, como el columnista David M. Perry, quien dijo que el debate haría “que la gente con necesidades de atención mental se mantuvieran en silencio”.

Pero los profesionales que han dado su opinión sobre el estado psicológico de Trump dicen que han hablado con el objetivo de advertir a la nación.

Rompiendo la regla Goldwater

Al hablar de este asunto, los profesionales de la salud mental han roto sus propias reglas de ética.

La regla Goldwater prohíbe a los psiquiatras ofrecer un diagnóstico sobre alguien que no han evaluado personalmente.

Se instauró después de que una revista preguntó a miles de expertos en 1964 si el candidato republicano Barry Goldwater era psicológicamente apto para ser presidente.

Él demandó con éxito el editor de la revista por difamación después de que los resultados fueran publicados.

La Asociación Estadounidense de Psicología advirtió durante la campaña pasada que romper la regla al intentar analizar a los candidatos en la elección presidencial era “irresponsable, potencialmente estigmatizante y definitivamente no ético”.

Considerando la regla contra el diagnóstico a distancia, algunos argumentan que debería establecerse un mecanismo para examinar a un mandatario.

“Un presidente podría ser un alucinador activo”, escribe la revista The Atlantic, “que amenace con lanzar un ataque nuclear en base a información de inteligencia obtenida de David Bowie, y la comunidad médica podría quedar relegada a especular en la distancia”.

De hecho, hay un proyecto de ley para que se conforme un comité que pueda evaluar la salud del presidente cuando se requiera. Se llamaría Ley para la Comisión de Supervisión de la Capacidad Presidencial.

A pesar del amplio debate que ha generado el tema de la salud mental del presidente, muchos analistas prefieren no considerar la cuestión.

Carlos Lozada escribe en el Washington Post: “Hay algo demasiado simplista en desestimar sus fechorías como producto de una enfermedad mental; eso lo exonera a él y a nosotros”.

“Si no nos gusta la política de alguien, nos lanzamos en su contra, hacemos campaña en su contra, no utilizamos el sistema psiquiátrico en su contra”, escribe Alan Dershowitz, exprofesor de la Escuela de Derecho de Harvard, pues considera que eso es “simplemente peligroso”.

Cree que las personas que piensan que la Enmienda 25 pondría fin a la presidencia Trump están poniendo “los deseos sobre la realidad”.

Únicamente un “importante brote psicótico” daría lugar a eso.

Fonte: Eldiariony
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…Medicina papa-fina, não é coisa prá menina,…

 

Antigo hino dos bixos da Faculdade de Medicina

Qüim qüim qüim quiririm qüim qüérum (4 x); Oh Nicodemo [idem], Oh Jalaô [idem],
Oh Nicodemo Jalaô oba, oba oba oba oba, oba oba oba oba; e o esqueleto [idem]
da Faculdade [idem], ‘tava guardado em creolina, creolina, creolina, creolina, creolina; mas acordou [idem], e gargalhou [qua qua qua qua], e a maior é a Medicina, Medicina papa-fina, não é coisa prá menina, e a maior é a Medicina!

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Fonte: Capazes Pt

Versão ampliada em “Cuando impedían a las mujeres ser doctoras, ella lo logró”

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Imigrantes muçulmanos também discriminam europeus

Alemanha, Áustria: Imãs Advertem Muçulmanos a Não se Integrarem

Na celeuma que gira em torno dos migrantes na Alemanha e na Áustria, nenhum outro termo é usado com mais frequência do que “integração”. Contudo, a instituição mais prestigiada por muitos migrantes muçulmanos, via de regra, não colabora muito nesse empreendimento e não raramente se opõe a ele, qual seja: a mesquita. Essa é a conclusão de um estudo oficial austríaco, bem como de um levantamento do setor privado realizado por um jornalista alemão.

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Centro Islâmico de Viena. (Imagem: Zairon/Wikimedia Commons)

No final de setembro, o Austrian Integration Fund (ÖIF), órgão do Ministério das Relações Exteriores , publicou o estudo: “o papel da mesquita no processo de integração”. Para efeitos do estudo, funcionários do ÖIF estiveram em dezesseis mesquitas em Viena, participaram de diversos sermões das sextas-feiras e conversaram com os imãs ao pé do ouvido, isto é, quando os imãs se disponibilizavam a conversar, o que amiúde não era o caso. A conclusão, de acordo com o ÖIF, é que apenas duas das associações de mesquitas fomentam a integração de seus membros. O estudo aplaude uma associação de mesquitas da Bósnia que também dirige um clube de futebol. Durante a conversa, o imã salientou: “qualquer país, como a Áustria por exemplo, tem suas leis e seus costumes, eu não me canso de dizer, é nosso dever religioso respeitar as normas e se integrar como manda o figurino”.

No tocante aos papéis de gênero, em todas as mesquitas em que estiveram, os autores foram surpreendidos pela quase total ausência de mulheres nas rezas das sextas-feiras:

“Apenas três das mesquitas percorridas… proporcionam espaço reservado para as mulheres, reservado e ocupado por elas. Caso haja esse tipo de acomodação, a maioria das mesquitas também transforma esses espaços às sextas-feiras em lugares para os homens”.

Separação por Etnia

Salvo raríssimas exceções, as mesquitas de Viena são divididas de acordo com a etnia:

“Há mesquitas turcas, albanesas, bósnias, árabes, paquistanesas e outras, nas quais os sermões são, via de regra, proferidos exclusivamente no respectivo idioma da terra natal. Somente em casos excepcionais, trechos do sermão, e mais excepcionalmente ainda, todo sermão, é traduzido para o idioma alemão”.

Portanto as associações de mesquitas são “espaços fechados em termos de etnia e idioma”. Essa diferenciação estimula a “integração social em um ambiente étnico próprio e, consequentemente, a segmentação étnica”. Em oito das dezesseis mesquitas avaliadas, essa propensão é ainda mais reforçada pelo “nacionalismo predominante, flagrantemente difundido”.

A mesquita gerida pelo movimento turco Milli Görüs se destacou pelo alto grau de radicalismo. Milli Görüs é uma das organizações islâmicas da Europa mais influentes e está intimamente ligada ideologicamente ao presidente turco Recep Tayyip Erdogan. De acordo com o estudo, o imã da mesquita de Milli Görüs “defende abertamente o estabelecimento de uma Ummah (nação muçulmana) politicamente unida regida por um califado”. Ele atribui a instabilidade no Islã à fitna (“revolta”) trazida para a comunidade islâmica de fora para dentro. Segundo os autores do estudo, o imã “se vê cercado em todos os lugares pelos inimigos do Islã que querem impedir a comunidade islâmica de dominar o mundo conforme previsto nas profecias”. Nos três serviços religiosos dos quais participamos, o tema crucial era a unidade dos muçulmanos: muçulmanos de um lado, “infiéis” de outro. De acordo com o estudo, algumas das declarações do imã indicaram uma “pesada visão de mundo impulsionada por teorias da conspiração”, como por exemplo: “as forças que estão fora da Ummah fizeram tudo que estava ao seu alcance para minar a percepção da Ummah pela própria Ummah”.

A conclusão do estudo assinala:

“Em síntese, poder-se-ia dizer que das dezesseis associações de mesquitas avaliadas neste estudo, com exceção das mesquitas D01 (uma das poucas mesquitas de língua alemã) e B02 (a mesquita da Bósnia mencionada acima), que elas não promovem diligentemente a integração social de seus membros. Na melhor das hipóteses elas não impedem que isso ocorra. Na maioria das vezes elas têm em si um efeito inibitório no processo de integração”.

Conforme a matéria, seis das dezesseis mesquitas avaliadas (37,5%) cortejam “uma política que impede diligentemente a integração dos muçulmanos na sociedade e, até certo ponto, manifestam propensões fundamentalistas”. Metade das dezesseis mesquitas examinadas “pregam uma visão de mundo dicotômica, cujo princípio central é a divisão do mundo em muçulmanos de um lado e o restante do outro”. Constatou-se que seis das mesquitas praticavam o “enxovalhamento explícito da sociedade ocidental”.

Recriminação ao Estilo de Vida na Alemanha

Observações parecidas foram feitas pelo jornalista alemão Constantin Schreiber que em 2016 passou mais de oito meses assistindo serviços religiosos das sextas-feiras em mesquitas alemãs. Schreiber, fluente em árabe, é conhecido como moderador de programas de televisão em árabe, nos quais ele explica como funciona a vida na Alemanha aos imigrantes. Ele publicou suas experiências nessas mesquitas em um livro que esteve na lista de best sellers na Alemanha por meses a fio: Dentro do Islã: O que está Sendo Pregado nas Mesquitas da Alemanha.

Schreiber se apresentou às associações de mesquitas como jornalista, revelando que pretendia escrever um livro de não ficção sobre mesquitas na Alemanha. Pouquíssimos imãs se dispuseram em aceitar conceder uma entrevista. Em uma ocasião, ele foi informado de que era “proibido” falar com ele. Normalmente os imãs com os quais era permitido conversar não falavam praticamente nada de alemão. “Ao que tudo indica, é possível viver na Alemanha por anos a fio, com esposa e filhos e sequer ser capaz de comprar pão em alemão”, ressalta Schreiber.

Um assunto habitual nos sermões que Schreiber assistiu nas mesquitas consistia em recriminações ao estilo de vida na Alemanha.

“Vira e mexe, como acontece na mesquita Al-Furqan (mesquita árabe sunita em Berlim), os muçulmanos parecem estar comprometidos com a ideia de que eles são uma espécie de comunidade com um destino em comum: ‘vocês são a diáspora! Nós somos a diáspora! Eles (alemães) se assemelham a uma torrente que aniquila vocês, que destrói vocês e tira de vocês seus valores e os substitui pelos valores deles’.”

Na mesquita sunita/turca Mehmed Zahid Kotku Tekkesi em Berlim, no sermão das sextas-feiras, no dia anterior à véspera de Natal, o imã alertou para a ameaça do “maior de todos os perigos”, o “perigo do Natal”: “todo aquele que imita outra tribo se torna membro dela. É a nossa Passagem do Ano Novo? As árvores de natal têm algo a ver com a gente? Não, nada a ver com a gente!”

O imã da mesquita de Al-Rahman em Magdeburg comparou a vida na Alemanha com um caminho através de uma floresta sedutora, realça Schreiber. Seus encantos têm o poder de desviar os muçulmanos, de afastá-los do caminho da virtude, de perderem o caminho na “mata densa” até serem “devorados pelos animais selvagens que vivem na floresta”.

O Estado Não Tem Um Panorama Claro

O que chamou a atenção de Schreiber, ainda no estágio de planejamento das visitas às mesquitas, foi a falta de transparência envolvendo as mesquitas na Alemanha. Para começar, não existe um diretório oficial de mesquitas. Ninguém sabe quantas mesquitas existem na Alemanha. O Website Moscheesuche.de, mantido pela iniciativa privada, é o único cadastro dessa natureza. “De modo que as autoridades alemãs”, salienta Schreiber, “dependem de cadastros compilados por um particular, que obviamente é caracterizado por um determinado posicionamento ideológico”. Além disso, como a inserção de dados no cadastro é voluntária, é incerto se as mesquitas que desejam permanecer na surdina estejam lá cadastradas. Schreiber considera improvável que o cadastro esteja perto de ser concluído ou atualizado:

“Eu me deparei com mesquitas que constam do cadastro, mas não existem mais, pelo menos por enquanto. Ou então mesquitas recém inauguradas que não estão registradas em nenhum lugar, nem os serviços de inteligência nem as autoridades regionais sabem de sua existência”.

Além disso, o pedido de Schreiber à prefeitura de Hanover revelou que as autoridades alemãs se sentem constrangidas no tocante ao fornecimento de informações sobre as mesquitas de sua própria cidade. Um funcionário da administração local escreveu em um e-mail: “por gentileza, forneça informações mais detalhadas sobre a finalidade do cadastro. Não queremos que essas instituições estejam sob suspeição generalizada”.

Medo e Silêncio

Schreiber foi tomado de surpresa com a reação defensiva daqueles cujas profissões exigem transparência e cooperação. Como Schreiber queria certificar-se de que, na tradução dos sermões, não haveria nenhuma interpretação equivocada, ele contatou o que afirma ser uma das agências de tradução mais conceituadas da Alemanha:

“A agência solicitou o envio da transcrição de um dos sermões para análise e estimativa de precificação. A agência recusou o trabalho. O texto foi considerado ‘fora da alçada habitual de trabalho’ dos tradutores, uma vez que não havia ninguém seguro de si o suficiente para traduzir corretamente este tipo de texto.”

Achar um tradutor dos sermões proferidos no idioma turco também foi difícil: “o simples fato de eu estar interessado neste assunto resultava na imediata acusação de que o que eu realmente queria era instigar “atacar o Islã”.

Schreiber também se viu diante de forte resistência ao procurar estudiosos alemães especializados em Islã para conversar com eles sobre o conteúdo dos sermões. Professores universitários, cujos salários são pagos pelos contribuintes alemães, se recusaram em providenciar informações sobre matéria relacionada à sua própria especialidade.

“Por meses a fio, enviei consultas a diversas faculdades de estudos islâmicos com as quais trocávamos ideias na nossa função de editores. Uma universidade ficou me enrolando durante meses com a desculpa de que ainda estavam procurando a pessoa certa. Em 16 de dezembro, isto é, três meses depois do meu primeiro pedido, o professor de estudos islâmicos me escreveu que já não havia tempo suficiente para marcar uma reunião. Quando respondi que, se necessário fosse, poderíamos marcar outra reunião no início de janeiro, não recebi mais nenhuma resposta . Vários professores da universidade me pediram para que eu lhes enviasse os sermões, o que eu fiz de imediato. Após enviá-los não recebi mais nenhum e-mail, sequer uma confirmação de recebimento”.

Segundo Schreiber, todo esse trabalho mostrou ser uma “experiência interessante”, a despeito do fato de estudiosos de estudos islâmicos e especialistas em Islã “serem por demais prestativos em se disponibilizarem em conceder entrevistas sobre questões de política atual”. Entretanto, essa abertura não existe, quando se trata de sermões em mesquitas alemãs: “inúmeros especialistas me evitam após receberem minhas perguntas, sem responderem, de forma consistente, aos meus e-mails”. Um estudioso do Islã me aconselhou, indiretamente, a abandonar o projeto, porque isso poderia, ‘hipoteticamente’, “aumentar ainda mais o abismo”. Por quê isso? Porque, segundo esse estudioso de estudos islâmicos, “mesmo leitores liberais e tolerantes poderiam facilmente achar esses textos extremamente incompreensíveis e estranhos, bem como grosseiros”.

Políticos Ingênuos

A conclusão de Schreiber sobre os sermões que presenciou:

“Após 8 meses de pesquisa devo dizer que as mesquitas são espaços políticos. A maioria dos sermões que eu participei visava resistir à integração dos muçulmanos na sociedade alemã. Quando o assunto se voltava para o estilo de vida na Alemanha, isso acontecia primordialmente em contexto negativo. Normalmente os imãs retratavam a vida cotidiana na Alemanha como ameaça e exortavam suas comunidades a resistirem. A característica comum de quase todos os sermões é o apelo aos fiéis para se fecharem e não compartilharem”.

Em “praticamente todas as mesquitas”, Schreiber notou a presença de “dezenas de refugiados que não estavam há muito tempo na Alemanha”. Eles também haviam sido alertados para o perigo da integração: “fora da mesquita há muita conversa sobre integração, o contrário é pregado dentro dela”.
O perigo dessa abordagem fica evidente pelo assassinato de Farima S., uma afegã que foi assassinada na cidade bávara de Prien. Há oito anos ela abandonou o Islã, se converteu ao cristianismo e, dois anos depois, fugiu para a Alemanha. Em 29 de abril, ela foi assassinada por um muçulmano afegão em plena luz do dia. Inúmeros muçulmanos que moram na cidade foram ao funeral, ao passo que as associações de mesquitas faziam de conta que o assassinato não lhes dizia respeito. Karl-Friedrich Wackerbarth, pastor da igreja evangélica de Prien, onde Farima S. era afiliada, pediu às associações que condenassem o crime. Em outubro, meio ano após o assassinato, ele respondeu a uma consulta do Gatestone Institute: “lamentavelmente, até hoje”, salientou ele, “ninguém se manifestou”.

Wackerbarth acha que as associações islâmicas não querem emitir um comunicado contra as fatwas emitidas pela Universidade Al-Azhar do Cairo e de outras, segundo as quais os “apóstatas” (aqueles que abandonam o Islã) devem ser mortos.

Esse quadro levanta a questão da razão do governo alemão acreditar que as associações de mesquitas o ajude a resolver problemas. Não faz muito tempo, a consagrada ativista de direitos humanos e crítica do Islã, Necla Kelek salientou:

“Os políticos que enfatizam repetidamente a intenção de cooperarem com as mesquitas, que convidam seus integrantes a conferências sobre o Islã, não fazem ideia de quem está pregando o quê naquelas mesquitas”.

Fonte: Gatestone
Por: Stefan Frank, jornalista sediado na Alemanha
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Indústria de alimentos esconde que alimentos ultra processados são prejudiciais a saúde

    Ultra-ataque: investigador brasileño es objeto de trasnacionales de alimentos
Pero la clasificación de los alimentos por el grado de procesamiento fue una de las ideas que comenzaron a apuntar el dedo a la industria como la principal responsable de la epidemia de obesidad que estalló en las últimas décadas. Varios grupos de investigación del mundo volvieron la mirada a los ultra procesados y, desde entonces, no dejan de enumerar evidencias científicas sobre la asociación entre el consumo y las enfermedades crónicas no transmisibles (diabetes, hipertensión, cáncer). Recientemente, el Instituto Nacional del Cáncer afirmó haber evidencia sólida de correlación entre la obesidad y 13 tipos de cáncer.

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Académicos y publicaciones con lazos financieros con la industria refuerzan la artillería contra Carlos Monteiro (foto), profesor de la USP que mostró que una bolsa de arroz es diferente de un paquete de salchichas

Carlos Monteiro estaba asistiendo a un debate en la sala Libertador cuando recibió un mensaje en el celular: “Ven aquí. Te están atacando.” Pero la presentación sobre el papel de la biodiversidad en la mejora de la salud y la nutrición, para la que había sido invitado, estaba muy interesante. Y los ataques, de todos modos, no son novedad para el profesor de la Facultad de Salud Pública de la USP.

Especialmente después de que él formuló una propuesta que enfureció a la industria de ultra procesados: nombrarla. Aceptar una etiqueta no es fácil.

Fue eso que se dio en 2009, cuando Monteiro y el Núcleo de Investigaciones Epidemiológicas en Nutrición y Salud (Nupens) decidieron proponer una nueva clasificación de alimentos. En el lugar de los macro nutrientes (proteína, lípidos, carbohidratos) y de los micro (vitaminas y minerales), entró en escena el grado de procesamiento. La clasificación NUEVA, como se llama, divide los alimentos en cuatro grupos. Los tres primeros han sido la base de la alimentación humana por muchos siglos: alimentos no o mínimamente procesados, ingredientes culinarios procesados y alimentos procesados. Y el cuarto grupo, constituido por formulaciones industriales de sustancias derivadas de alimentos y aditivos cosméticos, llamados alimentos ultra procesados.

Hasta allí, la industria de ultraprocesados caminaba por las calles medio anónimas. Algunos la llamaban comida chatarra. Otros, de tranquera o porquería – “niño, no vayas a comer porquería antes de cenar”. Pero no había un nombre científico consensuado, lo que, en cierto modo, continúa no existiendo.

Pero la clasificación de los alimentos por el grado de procesamiento fue una de las ideas que comenzaron a apuntar el dedo a la industria como la principal responsable de la epidemia de obesidad que estalló en las últimas décadas. Varios grupos de investigación del mundo volvieron la mirada a los ultra procesados y, desde entonces, no dejan de enumerar evidencias científicas sobre la asociación entre el consumo y las enfermedades crónicas no transmisibles (diabetes, hipertensión, cáncer). Recientemente, el Instituto Nacional del Cáncer afirmó haber evidencia sólida de correlación entre la obesidad y 13 tipos de cáncer.

“Estos estudios, conducidos por investigadores de varios países, han comprobado el vertiginoso crecimiento mundial del consumo de alimentos ultra procesados, como gaseosas, snacks industrializados y comidas congeladas, y el sistemático impacto negativo de esos alimentos sobre la calidad nutricional de la alimentación humana y sobre el riesgo de la obesidad, la hipertensión, el síndrome metabólico, las dislipidemias y otras enfermedades crónicas no transmisibles “, escribió Monteiro la semana pasada al defenderse de uno de los ataques más recientes.

Las transnacionales nunca ahorraron recursos en la creación de evidencias científicas que apuntaran el dedo hacia cualquier otro lado. Lo que la investigación de Monteiro hizo fue recoger al niño que practicaba bullying, colocarlo en el centro del patio y mostrarle cómo es incómodo quedarse expuesto.

Mucha cosa cambió hasta llegar a Octubre de 2017, en el Congreso Internacional de Nutrición, en un hotel en el centro de Buenos Aires.

El debate realizado a pocos metros de la sala donde estaba Monteiro adoptó una huella fuerte en el intento de desmerecerlo como investigador. Cuando el profesor se embarcó a Argentina, ya esperaba que su trabajo fuera sometido a críticas y elogios. Es parte de estar en evidencia. Pero, en uno de los primeros debates, surgieron golpes por encima del tono para el cauteloso universo científico.

“Alimentos procesados: tecnología alimentaria para una mejor nutrición” fue el mote escogido por la Asociación Latinoamericana de Ciencia y Tecnología de Alimentos para uno de los simposios iniciales del mega evento.

“Es erróneo creer que el desarrollo de la obesidad y de las enfermedades crónicas tenga que ver con el nivel de procesamiento”, dijo Julie Miller Jones, de la Saint Catherine University. “La comida procesada ya es parte del sistema y está siendo juzgada o es considerada culpable por la obesidad, lo que no es verdad.”

En realidad, la NUEVA propone una división bien clara entre procesados y ultra procesados. Sin embargo, los detractores normalmente borran esa línea, lo que hace que parezca que la clasificación está en contra de la industrialización.

“La comunidad científica de todo el mundo cuestionó la base científica y los beneficios de la NUEVA, que, además, implica una demonización injustificada de los alimentos procesados y el papel crucial históricamente desempeñado por la ciencia y la tecnología de alimentos”, continuó Susana Socolovsky, presidenta de la Comisión Asociación Argentina de Tecnólogos Alimenticios.

Ella mostró una diapositiva: “El uso de la clasificación NUEVA en políticas públicas e irresponsabilidad. “Fue una alusión a un artículo publicado poco antes en el American Journal of Clinical Nutrition por un grupo encabezado por Michael Gibney, de la Universidad de Dublín, en Irlanda.

“Alimentos procesados en la salud humana: una evaluación crítica” fue un ataque frontal a la clasificación NUEVA. La alegación central es que la separación entre in natura, procesados y ultra procesados es simplista e induce a errores. Los autores defienden que esta sistematización es inútil para lidiar con las asociaciones entre alimentación y enfermedades.

Y proponen que se mantenga el enfoque por nutrientes. Este enfoque se volvió dominante en la segunda mitad del siglo pasado. Hoy, hay decenas, cientos o miles de expertos para cada uno de estos nutrientes (sodio, zinc, vitamina A, etc etc, etc). Y no parece que la ciencia esté caminando hacia un consenso. El propio Congreso Internacional de Nutrición da prueba de ello: un mismo nutriente aparece como villano o héroe dependiendo de quien organiza el simposio.

Gyorgy Scrinis, profesor de la Universidad de Melbourne, acuñó para ello la expresión “nutricionismo”. “El reduccionismo al nutriente aislado a menudo ignora o simplifica las interacciones entre nutrientes, con los alimentos y con el cuerpo”, critica Scrinis en el libro Nutritionism, en el que acusa de haber un enfoque determinista que indica ese o aquel nutriente como responsable de determinada enfermedad. Para él, ese sistema llevó a que la comunidad científica se desviara de la complejidad existente en la alimentación, ignorando los cambios en el patrón alimentario ocurridos durante las últimas décadas, con la introducción de productos con altos niveles de sal, azúcar y grasa.

En el artículo en que critican la clasificación NUEVA, los autores confunden ultra procesados con empaquetados – el arroz es empaquetado, pero no es ultra procesado. Y en ciertos momentos generalizan, dando a entender que el grupo de Monteiro es contra cualquier procesamiento – la harina de trigo es procesada.

El grupo de Gibney todavía dice que hay “problemas éticos” en adoptar la NUEVA. Sería un abordaje peligroso porque, al supuestamente desestimular el consumo de procesados, no tendría en cuenta el papel de esos productos en la ingestión de nutrientes. “Para nuestro conocimiento, ningún argumento se ha ofrecido sobre cómo, o si, el procesamiento de alimentos de todos modos constituye un riesgo para la salud del consumidor”, escribió.

En los últimos meses, hemos visto varios enfoques parecidos.

“Ellos quieren que tengamos una vaca en el balcón del apartamento”, dijo una profesora. “¿Quieres volver a comer frijoles con caramelo?”

“Quieren llevarnos de vuelta a la Edad Media. ¿Sabías cuál era la expectativa de vida en la Edad Media? “, Me preguntó un médico.

“Ahora existe esta cosa romantizada de comer como en la época de los abuelos. ¿Sabéis cómo eran los alimentos en la época de nuestros abuelos? “Las personas morían de infección alimenticia”, amenazó a otra investigadora.

En la mayoría de los casos, los intentos de descalificar la clasificación por el grado de procesamiento prefieren abrazar la exageración y desconsiderar la evidente diferencia entre una bolsa de arroz y un paquete de Fandangos.

Luego de la publicación del artículo de Gibney, un sitio brasileño produjo un texto que destacaba que “Eliminar alimentos procesados del menú no te deja más sano”. Además de citar fragmentos del trabajo original, el reportaje abría espacio al comentario de una nutricionista. Fue ahí donde la historia comenzó a revelarse.

Esta nutricionista actúa como consultora de Nestlé. El editor del sitio brasileño decidió retirar el contenido del aire, admitiendo un claro conflicto de intereses.

Gibney también tiene contrato con Nestlé. Monteiro advirtió que otros dos autores del artículo ocultaron sus conflictos de interés. Uno de ellos trabajó entre 2010 y 2014 vinculado a un centro de investigación de la transnacional. Y otro fue consultor de una empresa que tiene McDonalds como cliente.

“Esperamos que este episodio pueda generar una discusión productiva sobre la conflictiva y creciente infiltración de la industria de alimentos ultra procesados en instituciones académicas, sociedades profesionales y revistas científicas”, cobra el grupo de Monteiro.

Desde Abril, investigando sobre esa área, vimos una lluvia de críticas contra la NUEVA. Prácticamente, todas partieron de científicos con lazos financieros con la industria de ultra procesados.

Hay algunos ingenieros de alimentos que hacen la ponderación de que, desde el punto de vista de ellos, los alimentos procesados son procesados y punto. No tiene sentido separar por el grado de procesamiento. Pero, aun así, algunos admiten que desde la perspectiva de la nutrición y de la salud pública la clasificación NOVA puede ser importante.

La Asociación Argentina de Tecnólogos Alimenticios tiene Coca y Danone como patrocinadoras. Lo mismo vale para sus entidades homólogas en los otros países de América Latina.

El American Journal, donde salió el artículo del grupo de Gibney, es conocido en el medio académico. Es una de las publicaciones de la American Society for Nutrition, que tiene actualmente 28 empresas asociadas – Coca, Kellogg, Pepsi, Nestlé, Monsanto y de ahí en adelante. La organización es una defensora de esas corporaciones. Ya llegó a administrar la emisión de un sello positivo que decoró envases de cereales altísimos en azúcar, entre otros ultra procesados.

En 2015, la investigadora Michele Simon, especializada en la industria alimenticia, publicó un artículo en el que aborda los lujosos eventos de la American Society. De 34 paneles científicos en la edición de aquel año, 14 eran bancados por empresas o asociaciones empresariales – sin contabilizar instituciones de fachada.

“Es precisamente porque la industria de alimentos tiene objetivos vastamente diferentes de las organizaciones de salud que esas relaciones son problemáticas”, escribió. “Para asegurar su credibilidad, reflejar la ciencia objetiva que el público tiene en mente y mantener la industria de alimentos bajo observación, es primordial que la American Society for Nutrition reconsidere sus lazos financieros.”

Había todavía un punto interesante en el artículo de Simon. Ella llamaba la atención sobre la defensa enfática de la entidad al procesamiento de alimentos. Y aquí podemos volver al texto de Gibney.

“En relación al uso de la clasificación NUEVA en el desarrollo de documentos de directrices alimentarias, mostramos que la definición amplia de ultra procesados lo hace imposible”, defiende el artículo.

En realidad, tanto es posible que ya está en dos documentos del tipo, en Brasil y en Uruguay. Por aquí, el Ministerio de Salud publicó en 2014 la Guía Alimentaria para la Población Brasileña. El trabajo fue desarrollado justamente por el grupo de Monteiro. Y salió con una recomendación clara: evite el consumo de ultra procesados. La industria hizo grandes esfuerzos para que el documento no fuera publicado, pero no lo logró.

El trabajo brasileño fue saludado por figuras de buena reputación del mundo de la nutrición. La FAO lo considera uno de los mejores documentos de orientación alimentaria. El concepto de ultra procesados es cada vez más usado científicamente. “Durante la fase de consulta pública de la Guía, un sector absolutamente comprometido con el lenguaje de la industria decía que el término no funcionaría”, cuenta Patricia Jaime, profesora de la Facultad de Salud Pública de la USP y en la época coordinadora general de Alimentación y Nutrición del ministerio. “Es impresionante ver cómo hoy está siendo utilizado por las personas fuera del campo técnico de la nutrición. La gente ve en la prensa. El concepto está siendo apropiado porque tiene sentido para las personas.’

Algunos documentos del Ministerio de Salud y del Ministerio de Desarrollo Social adoptan la NUEVA. El ministro de la Salud, Ricardo Barros, determinó la prohibición de la venta de ultra procesados en las dependencias ministeriales – y nadie por ahí entendió que eso significa no poder comer arroz o productos con harina de trigo.

La Organización Panamericana de la Salud (OPAS) adoptó la NUEVA para definir el modelo de perfil nutricional lanzado el año pasado, el cual propone que, si se consumen sólo alimentos que encajen en los estándares aceptables de sal, grasa, azúcar y calorías, al final del día probablemente haya mantenido una dieta sana. El documento es la base para el etiquetado frontal de procesados y ultra procesados en Uruguay, medida que está a una firma de ser adoptada.

Carlos Monteiro es respetado por los pares. Lo notamos no sólo circulando por el congreso en Buenos Aires, sino en las entrevistas que hicimos con investigadores brasileños cuya línea de raciocinio es opuesta a la suya. Todos reconocen el rigor científico con que actúa y la relevancia de su trabajo.

Por eso, por regla general, las críticas se concentran en la Guía y sobre la clasificación. En cuanto a la publicación del documento brasileño, la American Society for Nutrition salió en defensa de los procesados, ignorando la línea divisoria con los ultra procesados, en una de las primeras indicaciones del rumbo que el debate tomaría. Fue una clara y rápida reacción a los elogios que el trabajo recibió en la prensa y en la academia de Estados Unidos.

La Guía brasileña es pionera no sólo por hablar sobre el grado de procesamiento, sino por proponer un lenguaje accesible al público en general y pensar en el alimento más allá de los nutrientes, con el enaltecimiento de cuestiones culturales y del comer en conjunto.
La defensa enfática de la American Society a la industria nuevamente levantó críticas de Michele Simon: “En un momento en que los estadounidenses están crecientemente reconociendo que los alimentos procesados no son exactamente sanos, la posición es notablemente sorda.” Para ella, la única explicación para ello es la conexión con los patrocinadores.

A comienzos de la década, Monteiro mostró que el techo para el mercado de ultra procesados es alcanzado cuando corresponden al 60% de la ingesta diaria de energía, nivel alcanzado por algunos países del Norte. Brasil, que fue del 20% y 28% en la década pasada, es por lo tanto un mercado y tanto para la expansión. O una nación que puede poner un freno mientras está en el medio del camino.

Este año, el grupo de Monteiro divulgó en Public Health Nutrition un trabajo mostrando una correlación directa entre ultra procesados y obesidad: cada punto de energía proveniente de ultra procesado eleva en 0,25 punto la tasa de obesidad. Los países con menor consumo presentan índices más bajos de obesidad.

Por eso, cuando Gibney afirmó no haber evidencias de esa correlación, Monteiro rebotó, acusando al colega de ignorar varios trabajos científicos. “De hecho, todos los estudios excepto el citado en la “crítica” muestran asociaciones de los alimentos ultra procesados con efectos negativos a la salud “, dice el profesor. El investigador de Irlanda dejó fuera dos estudios de una investigación de alta calidad realizada en España, que acompañó durante nueve años un grupo poblacional, mostrando la correlación del consumo de ultra procesados con obesidad e hipertensión.

“El sistema de clasificación NUEVA desafía un sistema de clasificación mucho más antiguo y dominante, basado en la composición nutricional. Por supuesto, debería ser criticado. “Pero los avances científicos vienen del intercambio de argumentos fundamentados y razonables, y de un debate equilibrado”, lamentó el grupo brasileño, en un comentario que acabó por salir el pasado día 11 en la Public Health Nutrition, después de que el editor del American Journal rechazó abrirse espacio a las respuestas de los investigadores brasileños.

No quiso publicar una carta del profesor de la USP. Y, hasta ahora, no proporcionó respuesta en cuanto a la omisión de la relación entre algunos investigadores y empresas.

Fonte: O Joio e o Trigo
Por: João Peres
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Dormir ou fazer exercício físico? Eis o dilema

¿Dormir o hacer ejercicio?… he ahí el dilema

Para los padres que trabajan, es difícil encontrar tiempo para hacer ejercicio durante la semana, y casi siempre el único momento disponible es muy temprano por la mañana. ¿Es mejor para mi salud dormir ocho horas cada noche durante la semana, y no hacer ejercicio, o dormir seis y media o siete horas cada noche y levantarme temprano para una rutina de ejercicio matutina?

dormir

iStock

“Es horrible tener que escoger”, dijo Charles Czeisler, un experto del sueño en el Hospital de la Mujer, en el Hospital Brigham y en la Escuela de Medicina de Harvard en Boston. Ambos, el sueño y el ejercicio, son factores importantes para una vida saludable y no deberían contraponerse, dijo Czeisler.

El experto señaló que dormir es importante para las rutinas de ejercicio, para reducir el riesgo de lesiones y para permitirle a los músculos recuperarse del esfuerzo. La falta de sueño debilita el sistema inmunitario, lo que aumenta la probabilidad de que la gente se enferme; esto significaría perderse algunas sesiones de ejercicio.

Sacrificar el sueño también se relaciona con el aumento de peso, las enfermedades cardiovasculares y la diabetes, entre otros problemas de salud. Por supuesto, hacer ejercicio con regularidad también trae muchos beneficios, como un sueño más reparador.

Czeisler también acotó que irse a la cama tarde, en especial si utilizas aparatos electrónicos y permaneces bajo luces brillantes antes de irte a dormir, atrasa el ritmo circadiano del cuerpo. Sin embargo, la gente aún necesita más o menos ocho horas de sueño cada noche. Así que si te levantas después de seis horas y media de sueño para hacer ejercicio, “estás básicamente ejercitándote durante tu noche biológica”, dijo.

La investigación de la Universidad de Northwestern sugiere que las células musculares también tienen ritmos circadianos, y que se desempeñan y se recuperan mucho mejor durante el día biológico que durante la noche biológica. “Así que levantarte durante tu noche biológica para ejercitarte es contraproducente”, dijo Czeisler.

Desiree Ahrens, una experta nutricional y de salud en la Clínica Mayo en Rochester, Minnesota, dijo que para los que nunca tienen tiempo, siempre hay algunas maneras de colar un poco de ejercicio durante el día sin ir al gimnasio o sin tomar una clase formal.

Subir corriendo las escaleras en tu casa es un ejercicio tan bueno como una rutina en una escaladora, señaló. Las sesiones de ejercicio también pueden dividirse en pequeños lapsos de actividad a lo largo del día. “Sé un poco más creativo con tus ejercicios”, sugirió.

Además, si tienes niños pequeños en casa, está bien aceptar que estos quizá no sean los años de ejercicio más intenso en tu vida, dijo Ahrens. No es necesario volverlo una catástrofe y preocuparte porque nunca más harás ejercicio en tu vida.

Más que nada, aconsejó Ahrens, utiliza tu sentido común cuando tengas que lograr el equilibrio entre dormir lo suficiente y levantarte para hacer ejercicio por las mañanas.

“Si tenías todas las ganas y resulta que tuviste que levantarte tres veces esa noche para atender a los niños”, dijo “vuélvete a dormir”.

Fonte: The New York Times Es
Por: Karen Weintraub

Ensinando, na escola, bondade e empatia, reduziríamos conflitos interpessoais?

                                 ¿Se puede enseñar la bondad?

Rosemarie Truglio descubrió que al tener mayor conciencia de sus emociones, los niños podían ser más empáticos con los sentimientos de otros y que respondían ante ellos de una manera más útil. Al principio, recuerda, muchos de los niños con los que trabajaron no conocían el significado de la palabra “bondadoso”. Los padres y los maestros siempre les decían que fueran “buenos”. “Queríamos mostrarles la palabra ‘bondadoso’”, dijo, “pero no es posible definirla con palabras, sino con acciones”.

bo 1Estudiantes de preescolar en el colegio P.S. 212 en Jackson Heights, Queens, en una clase que busca fomentar la bondad. Jeenah Moon para The New York Times

NUEVA YORK – Varias escuelas de preescolar ahora intentan enseñar algo que no siempre se ha considerado una asignatura académica: la bondad.

“¿Puedes buscar en tu interior y decirme lo que sientes?”, le preguntó hace poco Danielle Mahoney-Kertes a sus estudiantes en el colegio P. S. 212 en Queens.

“Me siento feliz”, dijo una niña. “Enferma”, dijo otra. Un niño con playera azul hizo un tímido gesto con el pulgar hacia abajo. “Eso también es común”, le aseguró Mahoney-Kertes, asesora de alfabetización.

El ejercicio forma parte del Programa para la Bondad, desarrollado por el Centro para las Mentes Saludables en la Universidad de Wisconsin, Madison, en el que se les presenta a los niños de preescolar un popurrí de juegos sensoriales, canciones y cuentos diseñados para ayudarles a prestar mayor atención a sus emociones.

“Nuestro mundo da un poco de miedo”, señaló Mahoney-Kertes. “No siempre podemos controlar lo que sucede, pero les enseñamos que sí pueden controlar su respuesta ante ello”.

Desde que se comenzó a trabajar con el programa en agosto, lo han adoptado más de 15.000 educadores, padres de familia y otras personas en todo el mundo.

El colegio P. S. 212, que se encuentra en el barrio Jackson Heights, hogar de muchos nuevos migrantes, fue una de las primeras escuelas públicas en Nueva York en realizar actividades basadas en la concienciación y atención plena, como el yoga. El programa era un paso lógico a partir de ahí.

“Un niño puede entrar y decir: ‘Anoche deportaron a mi papá’. ¿Cómo reaccionas ante eso?”, comentó la directora del colegio, Carin Ellis. “Nosotros les damos herramientas para sobrellevar su dolor y sufrimiento”.

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Danielle Mahoney-Kertes dirige a los estudiantes en el P.S. 212 durante un ejercicio. Jeenah Moon para The New York Times

Ellis cree que el Programa para la Bondad también ha ayudado a los niños a manejar el estrés de las pruebas estandarizadas y a reducir los conflictos interpersonales.

“Cuando no eres bondadoso con alguien más, por lo general se debe a cómo te sientes”, dijo. “Si los niños son capaces de tomarse un momento para respirar, podrán evitar reaccionar exageradamente en contra de los demás”.

Al parecer hay otros beneficios. Un estudio dirigido por la psicóloga clínica Lisa Flook ha demostrado que los jóvenes que reciben capacitación para la bondad se vuelven más altruistas en pruebas que miden su disposición a compartir, además de que su capacidad de concentración se ve reforzada y se registra un ligero aumento en su desempeño académico.

Algunos arguyen que es mejor que los padres sean quienes enseñen las habilidades emocionales y no los maestros. Pero Flook subraya que cuando los niños llegan al salón de clases ansiosos, molestos y temerosos, por lo general están demasiado distraídos para concentrarse. “Los niños que tienen relaciones positivas con sus pares y con sus maestros se desempeñan mejor en la escuela”, agregó.

También podría irles mejor en la vida más adelante. En un estudio realizado en 2015 que monitoreaba niños desde el preescolar hasta la adultez temprana se descubrió que los individuos con habilidades sociales (una conducta positiva, comedida y amistosa) solían ser más exitosos de adultos que aquellos que, aunque obtenían buenas notas en lectura y matemáticas, carecían de la habilidad de llevarse bien con los demás.

El Programa para la Bondad es parte de un movimiento mundial para la enseñanza de la inteligencia emocional en las escuelas. Quienes abogan por este enfoque señalan que los profesores que se centran solo en la enseñanza académica tienen poca visión e ignoran las habilidades emocionales de cooperación que fomentan el aprendizaje y hacen que los estudiantes prosperen.

Aun así, algunos ponen en duda si es posible enseñar rasgos de personalidad como la bondad.

Richard Davidson, fundador del Centro para la Salud Mental, cree que la sabiduría budista podría ofrecer algunas pistas. Según dice, a él lo inspiró la solicitud del líder espiritual del Tíbet, el dalái lama, quien le pidió que sacara del contexto religioso los preceptos de la práctica contemplativa y los utilizara para desarrollar estrategias que ayuden a mejorar la vida de las personas.

Los meditadores budistas observan sus sensaciones corporales y sus sentimientos para generar una sensación de serenidad destinada a fomentar la compasión. Davidson afirma que usó el concepto como base para enseñar a los niños a centrar su atención en cómo se sienten y en la forma en que se mueven sus cuerpos.

En una de las prácticas, los niños observaron a su “amigo de pancita”, un peluche que se colocan en el vientre y que ven subir y bajar al ritmo de su respiración. La respiración de la pancita es una adaptación del programa para niños Plaza Sésamo, el cual consultó al equipo de la Universidad de Wisconsin e hizo de la bondad el tema de su temporada más reciente.

Plaza Sésamo alienta a los niños a “identificar sus sentimientos y ponerles una etiqueta”, afirmó Rosemarie Truglio, vicepresidenta de temas y contenido de Sesame Workshop, que produce el programa. “Cuando ayudas a un niño a lograrlo, se siente reconocido; le ayuda a comprender ese sentimiento”.

Truglio descubrió que al tener mayor conciencia de sus emociones, los niños podían ser más empáticos con los sentimientos de otros y que respondían ante ellos de una manera más útil. Al principio, recuerda, muchos de los niños con los que trabajaron no conocían el significado de la palabra “bondadoso”. Los padres y los maestros siempre les decían que fueran “buenos”. “Queríamos mostrarles la palabra ‘bondadoso’”, dijo, “pero no es posible definirla con palabras, sino con acciones”.

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Los niños que tienen relaciones positivas con compañeros y padres llegan a tener mejores resultados en clases, según una psicóloga. Jeenah Moon para The New York Times

Davidson afirmó que el periodo entre los cuatro y los siete años es un periodo crucial en el desarrollo, pues es cuando el cerebro se reorganiza y se muestra especialmente receptivo a nueva información (como los idiomas extranjeros), así como a los hábitos psicológicos perdurables.

Con el objetivo de tener un impacto más duradero, dijo, las clases para las emociones que se enseñan a los niños en preescolar deben reforzarse a medida que estos crecen.

Kind Campaign, o campaña para la bondad, fundada en 2009, es uno de los programas que trabaja la bondad con estudiantes mayores. Este programa, por ejemplo, organiza asambleas durante la educación secundaria y preparatoria que abordan la problemática del acoso escolar. Se invita a los estudiantes a escribir una “disculpa bondadosa” y entregarla a alguien a quien hayan tratado mal.

Otro grupo, llamado Random Acts of Kindness Foundation, o la fundación para actos azarosos de bondad, ha desarrollado planes de estudio para todos los grupos etarios a nivel preparatoria. En él se guía a los estudiantes en debates dentro del aula y se les pide que piensen en acciones positivas, como sentarse junto a alguien que está solo en la cafetería escolar y escribir cartas de agradecimiento a sus futuros yo.

“La bondad hacia uno mismo es clave”, comentó Brooke Jones, vicepresidenta de la fundación. “Cuando, por ejemplo, repruebas un examen dices: ‘Qué tonto soy’, ¿o te dices: ‘Tengo mucho que aprender’? Nosotros nos enfocamos en la importancia de que los niños crean en ellos mismos”.

Mahoney-Kertes también recalcó que los educadores deben aprender a predicar con el ejemplo para que sus clases sean verdaderamente efectivas. “Los maestros deben aprender a trabajar en su persona. Deben convertirse en modelos de la bondad que tratan de enseñar”.

Fonte: The New York Times Es
Por: Richard Schiffman
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Publicidades mais discriminadoras de 2017 “ganham prêmios”

Estos comerciales fueron anti-premiados por ser los más sexistas y clasistas del año
Las Publivíboras organizaron su quinta ceremonia de anti-reconocimientos a la publicidad mexicana que más discrimina
“Según la publicidad, las mujeres deben ser altas, delgadas, rubias, blancas, seductoras, compradoras compulsivas y, sobretodo, sonrientes. Las mujeres deben limpiar la casa, atender a los hijos, cocinar y, si les queda tiempo libre, trabajar sensualmente. Ni una arruga ni una mancha ni un kilo de más”, sostienen Las Publivíboras.

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Lo anterior es imposible, afirma este observatorio que está en contra de los estereotipos y la violencia de género en los medios de comunicación. La organización ha realizado por quinta vez desde el 2011 una ceremonia de anti-premiación a los comerciales más discriminatorios del año transmitidos en México. La Noche de las Publivíboras se llevó a cabo el lunes pasado con su ya clásico estilo cabaretero en el Teatro de la Ciudad de México.

Ana Laura Ramírez, una de las integrantes del grupo, explica a Verne vía telefónica el método de selección de los anti-ganadores. En su página de Facebook suelen postear publicidad sexista, clasista, machista o que muestre algún tipo de discriminación. Al final del año y a partir de las reacciones de la gente (comentarios y likes), se eligen las ternas de nominados y a los anti-premiados, que se presentan en varias categorías de nombres burlescos o con doble sentido. Esta es la primera:

1. Quién crees que lava la ropa (productos de limpieza, jabones, detergentes)

Los nominados de este 2017 fueron Comercial Mexicana, Salvo y Dr. Beckmann. Y el ganador fue… el tercero de ellos. En este aparece una madre de familia limpiando muy feliz el desastre que hicieron en la cocina su marido y sus hijos.


Aunque los anti-ganadores siempre han estado invitados a las noches de premiación, es muy raro que asistan, cuenta Ramírez. Pero sí ha sucedido que las empresas o las agencias de publicidad acepten dialogar con la asociación. “Cuando hay una ventana abierta, muchas veces nos dicen que hicieron la campaña sin intención de discriminar. Nosotros les exponemos nuestra opinión con perspectiva de género: ‘en tus comericales hay perpetuación de estereotipos, metas inalcanzables o no incluyes nuevos roles sociales”, explica. “Los publicistas se quedan con eso y piensan si necesitan cambiar”.

Este año, Las Publivíboras han logrado sumar a su proyecto al Consejo Nacional para Prevenir la Discriminación (Conapred) y esperan que esto sirva para afianzar ese diálogo. Las siguientes categorías de antipremios se otorgaron más adelante en la ceremonia:

2. Bájate por los chescos (bebidas, refrescos, jugos, tés, jarabes)

Estuvieron nominados XX Lager, Vick VitaPyrena y José Cuervo. El comercial del medicamento se impuso frente a los de bebidas alcohólicas, con un mensaje que informa a las madres que ellas no tienen derecho a enfermarse.


3. No me ayudes comadre (buena intención, pero fallan en el mensaje)

Los nominados fueron Caminos y Puentes Federales (Capufe), Yoplait y Lomecan. Y el anti-reconocimiento se lo llevó el primero, por un comercial que fue muy comentado en las redes sociales antes de ser borrado por el organismo público. “Una institución federal no puede deshumanizar a una persona aparentemente en situación de calle convirtiéndolo en perro. Menos si usas los recursos de la gente para hacer tu publicidad”, opina Ramirez..

4. Ay que cosita tan bonita (productos de belleza, higénicos, salud)

El anti-ganador de esta categoría resultó Lomecan, un champú inhibidor de vello púbico “para las niñas bien”. Compitió contra Palmolive Optims, que nos presenta a una chica que “solo se tiene que preocupar por salir bien en sus selfis”, y Bi-O Clarify, un desodorante para aclarar las axilas. “Muchas veces, la discriminación viene desde el producto”, sostiene Ramírez haciendo referencia al anti-ganador de esta categoría.


5. Feo, fuerte y formal (artículos o servicios para hombres / cómo ser un buen hombre)

En esta categoría, que anti-premiaba los anuncios de productos dirigidos a los hombres, compitieron los desodorantes Old Spice, Speed Stick y las galletas Príncipe. El ganador fue el de Speed Stick, seguramente por su final fantasioso y lleno de estereotipos sexistas.


6. Anti-premio a la trayectoria: Tecate

Cada edición de La Noche de las Publivíboras, la marca de cerveza se ha llevado el anti-reconocimiento a la trayectoria por sus comerciales. En sus campañas de Somos Bax, “un hombre no puede sentir frío, no puede llorar, no puede tomarse una selfi”, comenta Ramírez. “El mensaje es horrible: ‘necesitamos que sean machos fuertes, invencibles que tomen cerveza”. En su opinión, la marca está consciente de las repercusiones de sus comerciales sexistas, y por eso este año también realizó clips publicitarios con motivo del Día Internacional de la Mujer.


Este 2017, Las Publivíboras decidieron agregar una terna de los comerciales más incluyentes, pues reflejan que también hay marcas que envían mensajes antidiscriminatorios. En esta categoría llamada I Have a Dream (Tengo un sueño), compitieron Fabuloso Complete, Aeroméxico y Sally México con el clip Born Feminist. Ganó la aerolínea mexicana con este anuncio protagonizado por una pareja homosexual.

Fonte: El País América
Por: Eugenia Coppel
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“Sou racista, não posso controlar”.“Quero saber o que passa na minha cabeça.”

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“Sou racista, mas não posso controlar”. Autointitulada socialite, Day McCarthy diz que não pretende pedir desculpas, mas cogita procurar tratamento

dmcDay McCarthy foi entrevistada por Roberto Cabrini

Day McCarthy, que proferiu ofensas raciais contra Titi, filha do ator Bruno Gagliasso e de Giovanna Ewbank, em um vídeo na internet, conversou com Roberto Cabrini em uma entrevista para o SBT.

Dayane Alcântara Couto de Andrade, que se autointitula socialite, disse que não pretende pedir desculpas à família, mas que gostaria de se arrepender.

“Eu sei que estou errada. Sei que sou racista, mas é uma coisa que eu não posso controlar, é uma coisa que eu não sei como controlar, como não ser racista”, disse.

“Quero sentar e ter uma conversa comigo mesma”, disse, antes de garantir que planeja procurar ajuda psicológica. “Quero saber o que passa na minha cabeça.”

Ao ser questionada se deveria pagar pelo que fez, ela diz: “Se eu for condenada, sim”.

Day ainda usou a ocasião para dizer que espera que Titi, daqui a dez anos, não tenha conhecimento das ofensas ditas contra ela. O programa vai ao ar neste domingo, na Retrospectiva SBT 2017.

O caso

No dia 26 de novembro viralizou na internet o vídeo em que Day chama Titi de macaca, enquanto destila outras ofensas.

No dia seguinte, Gagliasso procurou a Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática (DRCI), no Rio de Janeiro, e prestou queixa contra a mulher por injúria racial.

Fonte: Pragmatismo Político
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Médico é denunciado pelo filho por crimes da ditadura

“Há muito tempo eu desconfiava que meu pai tinha cometido crimes na ditadura militar. Nas conversas em casa, ele demonstrava conhecer detalhes demais dos crimes cometidos naquele período horrível. Mas quando eu perguntava por que ele sabia tanto, respondia que eram as enfermeiras que lhe contavam.”

MA 1Verna integra grupo que reúne 25 filhos de ex-repressores da ditadura | Foto: Arquivo pessoal

A luta de argentino para denunciar o próprio pai por crimes da ditadura

O advogado Pablo Verna, de 44 anos, fez um pedido ao Congresso Nacional do seu país, a Argentina: ele quer que a legislação em vigor, que impede familiares de denunciarem e prestarem depoimentos à Justiça contra seus parentes, seja modificada.

Seu objetivo é ter o direito de denunciar e depor contra o pai, que foi médico do Exército durante a ditadura argentina (1976-1983). Ele diz que Julio Alejandro Verna, hoje aos 70 anos, admitiu ter injetado sedativos em vítimas do regime militar antes que elas fossem lançadas dos chamados “voos da morte”, que arremessavam os prisioneiros ainda vivos em rios ou no mar.

O pai dele está livre. Questionado certa vez por uma repórter, o médico negou ter sedado desaparecidos políticos para esse fim. “Não, senhora. De onde tiraram isso?”

Pablo Verna integra o Histórias Desobedientes, grupo que reúne 25 filhos de ex-repressores da ditadura argentina. Leia seu depoimento à BBC Brasil:

“Há muito tempo eu desconfiava que meu pai tinha cometido crimes na ditadura militar. Nas conversas em casa, ele demonstrava conhecer detalhes demais dos crimes cometidos naquele período horrível. Mas quando eu perguntava por que ele sabia tanto, respondia que eram as enfermeiras que lhe contavam.

Meu pai era médico do Exército argentino. E com o passar dos anos, baseado no que ele mesmo me dizia, passei a questioná-lo com tom mais critico, e de acusação.

Nossa relação foi ficando cada vez mais tensa. Duas conversas foram aos gritos. Em 2009, eu já tinha certeza de que ele tinha participado dos crimes. Mas não sabia como. Não tinha os fatos concretos. Além disso, como filho, acho que queria manter a dúvida diante de algo tão pavoroso.

Então, em meados de 2013, em mais uma conversa tensa, ele admitiu que tinha cometido os crimes. Não lembro as palavras exatas que usei para que admitisse isso. Mas naquele encontro lembrei o que meu pai tinha contado a um familiar e as respostas anteriores que tinha me dado cada vez que abordei o assunto. Foi impossível para ele negar o que tinha feito. E até que me disse: ‘foi isso mesmo’.

Como médico, meu pai participava dos crimes da ditadura injetando sedativos nas pessoas que seriam jogadas vivas ao rio ou ao mar. Eram anestesias que as deixavam imediatamente paralisadas, mas respirando. E quando elas estavam assim, as jogavam dos ‘voos da morte’, como ficaram conhecidos.

Meu pai cometeu outros crimes. Ele também participava dos sequestros dos opositores, dos militantes sociais e políticos. Foram 30 mil desaparecidos no nosso país. A ditadura genocida sequestrava e fazia essas pessoas desaparecerem.

MA 2Mães da Praça de Maio foram a primeira organização civil que denunciou o desaparecimento de jovens durante o regime militar na Argentina | Foto: Daniel Garcia

Depois daquela conversa em meados de 2013, ele disse a um familiar que não estava arrependido. E ainda acrescentou que tinha participado de um caso específico que teve muita repercussão aqui na Argentina.

Em 1979, quatro pessoas foram sequestradas e também receberam as injeções de anestesia. Elas foram jogadas em um riacho, uma simulação de um acidente de carro em uma ponte. As quatro morreram.

Como médico militar, meu pai estava sempre armado. Isso até passar para a reserva, em 1983, com o retorno da democracia no país. E além desses crimes genocidas, certa vez ele apareceu em casa com uma maleta de primeiros-socorros de médico que não era dele. Que era de uma das vítimas da ditadura. Eu perguntei porque estava com duas maletas, e me respondeu que tinha sido um presente. Que uma das maletas tinha sido de um subversivo.

Na minha casa, as palavras que ele usava eram chamativas, como ‘subversivo’. Eram palavras de um genocida. Era um discurso ideológico para eliminar os que eram opositores ao regime militar. Uma vez, disse que os opositores eram mortos porque, quando eram presos e soltos, ficavam ainda piores.

A nossa relação foi rompida naquela conversa em meados de 2013, quando meu pai admitiu os crimes. Mas no dia seguinte ele me ligou para saber se eu tinha contado para minha mulher. Depois disso, ficamos sem nos falar até pouco tempo – dias atrás, ele me telefonou para, ao meu ver, fazer ameaças. Também faz isso por meio de conversas com parentes, cujos relatos chegam até mim.

Eu me afastei de muitos familiares. Primeiro, para evitar encontrá-lo, e ainda porque uma parte da minha família se recusa a saber, nega o que ocorreu. Acha que isso é um problema entre duas pessoas – no caso meu pai e eu. Mas isso não é um simples problema entre duas pessoas, é entre ele e a humanidade, na qual eles, os familiares, estão incluídos.

MA 3Pai de Pablo Verna (foto) admitiu, segundo ele, ter injetado sedativos nas vítimas da ditadura | Foto: Arquivo pessoal

Hoje meu pai está livre, mas é investigado porque o denunciei na Secretaria de Direitos Humanos poucos meses depois daquela nossa conversa. Agora o caso dele faz parte de uma imensa apuração, levada adiante pelos defensores das vítimas na que ficou conhecida como ‘megacausa contraofensiva’, pela repressão e extermínio ocorridos no Campo de Mayo nos anos 1970 e 1980. O local foi um centro clandestino de prisão e extermínio horrível no nosso país.

Essa casa deixou poucos sobreviventes e provas. Meu problema hoje, como filho, é que, apesar de ter essas certezas contra meu pai, encontrei barreiras na legislação que me impedem de denunciá-lo penalmente. No Código de Processo Penal da Argentina, existem dois artigos que proíbem que familiares denunciem e deem depoimento, já no processo, contra outros familiares.

Ou seja, não podem ser testemunhas contra outros familiares. Por isso, entramos com esse projeto de lei pedindo que essas proibições não sejam aplicadas para os casos de crimes contra a humanidade. E assim nós, filhos de repressores, poderemos denunciar nossos pais judicialmente, além de prestar depoimento contra eles nos julgamentos.

Nós do coletivo Historias Desobedientes, que somos filhos e filhas de genocidas, vivemos nas nossas casas, com nossos pais, a imposição de um mandato de silêncio, de maneira implícita ou explicita.

Os genocidas fizeram um pacto de silêncio que cumprem até hoje. Eles não revelam o que fizeram e o que os outros militares fizeram. Mas depois de muitos anos, e de conscientização do que aconteceu, e da nossa própria ética, decidimos levar as acusações adiante. Mas aí nos deparamos com esses artigos da legislação argentina.

Apresentamos esse projeto de lei no dia 7 de novembro na mesa de entrada da Câmara dos Deputados. No nosso grupo, alguns já têm os pais mortos, outros condenados e outros, impunes.

No meu caso, espero que meu pai seja investigado. E que ele e os outros genocidas reflitam e tenham alguma dignidade em seus últimos anos de vida. Que deem um pouco de paz a tantos familiares que não sabem qual foi o destino de seus parentes desaparecidos. E paz até para eles, genocidas. Porque eles também devem viver um inferno em suas mentes e corações.
Nós, como coletivo, sabemos que nossa iniciativa, com esse projeto de lei, pode ajudar no contexto das investigações. Coisas que ouvimos nas nossas casas podem aportar no contexto em que os crimes foram cometidos. Inclusive os casos de roubo que as vítimas da ditadura sofreram.

Nossa iniciativa não dará resposta a tudo. Mas pode contribuir para acabar com a impunidade mantida pelos genocidas.”

Fonte: BBC Brasil
Por: Marcia Carmo
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