Violência e racismo no futebol

É frequente a ocorrência de violência física nos estádios de futebol.
A referência é aos episódios em que torcedores lançam objetos ou bombas em jogadores, juízes e outros torcedores.
E muitas vezes provocam brigas violentas com sua própria torcida ou de adversários.
Tendo como resultado feridos graves e até mortos.
Imediatamente a imprensa manifesta sua indignação com os causadores da ação exigindo sua identificação, prisão e punição.
Nunca essas manifestações ficam somente na indignação com a violência no estádio.
A exigência é completa: os “desqualificados, baderneiros, vândalos, indignos de convívio social devem ser identificados e punidos”.
Felizmente menos frequentes tem sido a ocorrência de manifestações de discriminação racista.
Mas foram quatro as mais recentemente divulgadas nas últimas semanas.
Na Espanha envolvendo um atleta negro juvenil de um clube inglês e a torcida do Atlético de Madrid.
E as que envolveram os atletas Tinga (Cruzeiro de BH) e Arouca (Santos) e o árbitro Márcio Chagas aqui no RS.
A cobertura foi intensa durante poucos dias.
A indignação levou a grande imprensa a entrevistar dezenas de pessoas q. se solidarizavam com os discriminados.
A enfase era que pessoas de “bom caráter” como os ofendidos não mereciam estes ataques.
E descreviam traços elogiosos de personalidade (psicológicos), pessoais, profissionais, de coleguismo e grupais dos atacados.
Os entrevistados se mostravam surpresos como isto ainda ocorria nos tempos atuais e contra pessoas tão valorizadas.
Mas matérias não descreviam características (psicológicas) dos agentes desta conduta discriminatória.
Diferentemente da violência física em que todos tem a clareza que a violência não sobrevive sozinha na sociedade.
A violência física não existe sem uma pessoa ou grupo violento.
O que não é diferente na conduta discriminatória racista que é uma conduta violenta psicológica.
E como na situação anterior há um agente causador: uma pessoa ou grupo racista.
Chama a atenção é não haver interesse em conhecer (psicologicamente) quem causa esse sofrimento mental no atacado.
A impressão é que não há interesse em identificar e conhecer melhor o(s) racista(s).
Como se a origem ou causa do sofrimento estivesse no racismo e não no racista.
A imprensa descreve detalhadamente características do discriminado.
Como ele é antes do ataque e como é o seu sofrimento emocional depois.
Em matéria de Saúde conhecer o causador do sofrimento humano ajuda a inibi-lo/combatê-lo.
Quanto mais se conhecer/identificar o agente patológico mais fácil a prevenção.
E isto vale para um virus ou para uma pessoa que cause sofrimento humano em outra.
A sociedade precisa (re)conhecer o racista para ajudar a inibir sua ação.

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