Protegendo o discriminador

Telmo Kiguel

A prefeitura de São José (SC) sugeriu cirurgia plástica para estudantes com orelha em abano.

Objetivo: combater o bullying.

Proporcionou com isso um novo e curto debate.

Formal, politicamente correto, opiniões prós e contras.

E por esse formato, passou sem maiores repercussões na imprensa.

A idéia central não foi debatida.

Para não ocorrer a discriminacão modifique-se o discriminado.

Se não fosse realidade poder-se-ia pensar em ficcão.

Lembrou de eugenia, nazismo, George Orwell, 1984, “loucos são os outros”…?

Embarquem nessa ficcão e imagine esse tipo de proposta se alastrando

Cirurgia para o “elefante” (orelha em abano).

Cirurgia para o “quatro olho” (quem usa óculos).

Cirurgia para o “baleia” (obeso).

E logo a seguir branqueamento de pele para os negros.

E assim poderíamos imaginar esse princípio em outras discriminacões.

Para que se mantenha invisível, preservado, indefinido o discriminador.

Até quando serão protegidos pela sociedade?

Telmo Kiguel

Médico Psiquiatra

Psicoterapeuta

1 comentário em “Protegendo o discriminador”

  1. PROTEGENDO O DISCRIMINADO – Fui professor durante vários anos. Há uns cinco anos, durante um encontro, perguntei para uma autoridade sobre o que achava de apelidos pejorativos, e outros tipos de discriminação que alguns alunos sofriam. Naquela época, a palavra bullyng era pouco difundida. A insistência de alguns alunos na prática de bullyng, causava na escola várias brigas, discussões… Cansei de apartar brigas entre alunos de várias idades, inclusive de sexo feminino… Quem é portador de qualquer defeito físico, ou até forma de falar, deficiência psicológica, sofre duas vezes. Primeiro, pelo fato de não ser totalente igual aos outros. Isto pode causar transtornos psicológicos os mais variados. Segundo, por ser discriminado pelos alunos de forma explícita através do bulling ou de forma sutil, através do isolamento. Creio que o autor do texto, respeitando sua opinião, levou o tema para outro lado. Também não concordo com o bulling, e creio que qualquer manifestação do gênero, demonstra uma atitude de caráter desumano de quem a pratica. É o mesmo que alguém estiver com uma ferida no corpo sentindo dores, e alguém vem e toca propositalmente na parte machucada. A dor será dobrada, ou até mais. Penso que mesmo que o bulling seja totalmente suprimido, a pessoa não se sentirá totalmente feliz sendo diferente. A dor da ferida continua.

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