O antissemita, o racista, o machista e a inveja

O antissemitismo é antigo, multi causal e multi facetado.

Para alguns pesquisadores seria, basicamente, uma discriminação religiosa.
O racismo seria uma visão equivocada da biologia a serviço de uma determinada supremacia grupal.
Aqui no Brasil é traduzida por uma pretensa superioridade dos brancos sobre índios e negros.
E o machismo seria a idéia preconcebida da superioridade do homem sobre a mulher.


Mesmo organizados, estes grupos discriminados, não conseguem prevenir a ocorrência de atos hostis contra eles.
Inclusive com o recente auxílio do Direito que criminaliza estas condutas.
A inconformidade com os ataques tende a aumentar por não se sentirem inferiores a seus algozes.
E da maior conscientização de que o problema das discriminações está na mente do discriminador. 
E cada vez mais trazem argumentos em que demonstram os valores de seus grupos.
Na expectativa que estes valores previnam essas Condutas Discriminatórias.
Vejamos alguns exemplos desta argumentação, inevitavelmente, ineficaz.


Os judeus argumentam com a grande quantidade de seus membros que já receberam o Premio Nobel.
E que Israel é um dos mais avançados centros tecnológicos da atualidade do qual o mundo todo se beneficia.
Atos racistas são freqüentemente perpetuados contra jogadores de futebol.
Famosos, ricos e muito valorizados pela importância que nós brasileiros damos a este esporte.
E as mulheres também tem uma argumentação de peso.
Todo homem teve uma mulher importante em sua vida que foi sua mãe.
E nem isto inibe a conduta machista.


Todas estas argumentações nos leva a pensar que estas condutas discriminatórias podem ser potencializadas por inveja.
Para muitos o Premio Nobel desperta admiração e inveja.
Ser negro, famoso e rico no Brasil também.
Ter sido gerado, alimentado, criado, educado por uma mulher.
E depender de outra para ter filhos, também pode despertar admiração e inveja.
Conclusão: a criminalização e a argumentação, que é uma forma de educação dirigida, não inibem a Conduta Discriminatória.
 
 
 
Telmo Kiguel
Médico psiquiatra
Psicoterapeuta

6 ideias sobre “O antissemita, o racista, o machista e a inveja

  1. Hoje em dia, pode ser por inveja, sim, porque, hoje, as pessoas não podem mais usar seu preconceito em benefício próprio, como quando escravizavam pessoas para trabalharem em seu lugar.

  2. Exata, didática e profundamente pedagógica — eis como defino a abordagem do Dr Telmo Kigel em torno do anti-semitismo, do racismo e do machismo. Estes três “ismos” nos trouxeram (e continuam a trazer) tantos absurdos e são responsáveis por tantos crimes que precisávamos de uma análise profunda e fácil sobre suas origens. Parabéns ao Médico Psiquiatra pela aula que nos dá.
    Flávio Tavares – Porto Alegre

  3. Pingback: O antissemita, o racista, o machista e a inveja | Saúde Publica(da) ou não | Jornais de Araruama

  4. Admiração e inveja, caminham juntas. As fronteiras entre a admiração e a inveja a alguém são tênues. Admira-se uma pessoa de sucesso, sempre com um pindo de inveja, e com a pergunta, como alguém igual a mim conseguiu o que não consigo, e para por aí. Como então, admirar, alguém que não seja considerado uma pessoa do ” nosso nível”, aí a inveja se transforma numa poderosa arma do racismo, caro Telmo Miguel. Esta inveja, bem manipulada e potencializada pode e foi utilizada aos extremos pelos nazistas no século passado. Os brancos vizinhos na Alemanha, tinham os ricos e pobres, como era “iguais” trataram de inventar o mal judeu. Pronto a inveja do vizinho transformou em máquina de morte do racismo. A inveja não é inteligente, opera no campo das emoções, o racismo não, o racismo é uma máquina inteligente racional, operada de fora por um poder econômico e político que na defesa de seus interesses passa a operar com os sentimentos mais canhestros do ser humano, o ódio, o medo, a raiva e inclusive a inveja.
    Conclusão: A inveja faz parte de todo o ato racista, mas não o explica.

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