A eleição, os eleitores, os políticos, os debates e as discriminações

Não lembro de uma eleição em que as discriminações mais conhecidas fossem tão usadas como argumento.
Sabemos que na vigência de enfrentamentos/disputas, o seu uso, como ataque ou defesa, é mais freqüente.
Como temos visto ocorrer também no futebol, aqui e no exterior.
“Discriminação na política, na imprensa, no judiciário e na medicina”.
Foi o título do evento que organizamos em 2010 no auditório da AMRIGS.
Veja em: http://jcrs.uol.com.br/site/noticia.php?codn=30197
Já na naquela época detectávamos pequenos sinais do que hoje cresceu muito.
A nossa percepção é que as discriminações estão invadindo, e muito, o espaço público e político.
Como consequência a dedicação da imprensa ao tema também aumentou.
Já publicamos, em 18/07, que não temos previsão de avançar no combate às discriminações.
As eleições, os debates e a repercussão na imprensa, ao que parece, confirma isso.
Depois de ler todas as notícias abaixo, agrupadas por categorias, repito:
Educação e criminalização não previnem a discriminação.
Em medicina quando um sofrimento humano não melhora/diminui temos que repensar a nossa conduta.
Vejamos como exemplo três frases do texto publicado por Erick Andrade em:
http://juntos.org.br/2014/10/ser-lgbtt-ser-lgbttfobico-nao/
“Fico imaginando quantos mais serão necessários para que o Brasil reaja…”
“…grandes canais de mídia, que preferem se omitir…”
“Sigamos na luta por direitos. Sem retrocessos e sem omissão!”

Todas verdadeiras e importantes mas, infelizmente, não estão funcionando.
Penso que os Grupos Discriminados (GD) não podem, na situação atual, esperar pelo Brasil…
Pelas profissões citadas no título do nosso evento, descrito acima, não se pode esperar muito deles nesta questão.
Talvez o melhor seja os GD mudarem suas estratégias de prevenção/enfrentamento dos discriminadores.

Homofobia:
http://blogay.blogfolha.uol.com.br/2014/09/30/levy-fidelix-a-liberdade-de-expressao-e-o-discurso-de-odio/
http://www.onortao.com.br/noticias/vivemos-estigma-diz-wyllys-sobre-baixa-votacao-de-lgbts,25160.php
http://politica.estadao.com.br/noticias/eleicoes,debate-de-candidatos-no-rio-tem-bate-boca-entre-crivella-e-malafaia,1573530
http://brasil.elpais.com/brasil/2014/10/07/politica/1412684374_628594.html
http://extra.globo.com/noticias/brasil/eleicoes-2014/deputado-eleito-racista-do-ano-o-mais-votado-no-rio-grande-do-sul-14158727.html
http://www.dw.de/elei%C3%A7%C3%A3o-deixa-congresso-mais-conservador/a-17981539

Xenofobia em relação aos nordestinos:
https://www.brasil247.com/pt/247/midiatech/156204/Blog-da-Cidadania-entrevista-de-FHC-estimulou-ataques-a-nordestinos.htm
http://www.valor.com.br/politica/3728162/navegacao-no-preconceito
http://ultimosegundo.ig.com.br/politica/2014-10-08/medica-de-grupo-anti-pt-minimiza-holocausto-a-nordestinos-e-revolucao-do-agir.html

Racismo:
http://www.cartacapital.com.br/politica/brancos-serao-quase-80-da-camara-dos-deputados-3603.html
http://extra.globo.com/noticias/brasil/eleicoes-2014/deputado-eleito-racista-do-ano-o-mais-votado-no-rio-grande-do-sul-14158727.html
http://www.dw.de/elei%C3%A7%C3%A3o-deixa-congresso-mais-conservador/a-17981539

Antissemitismo
http://www.cartamaior.com.br/?/Editoria/Politica/O-discurso-do-medo-versao-etnica/4/31944

Telmo Kiguel
Médico psiquiatra
Psicoterapêuta

2 comentários em “A eleição, os eleitores, os políticos, os debates e as discriminações”

  1. Olá Telmo
    Muito bom teu artigo.
    Um toque: aqui na Europa as visões discriminatórias vão de vento em popa, em todos os quadrantes. Na Inglaterra o xenófobo UKIP (United Kingdom Independence Party…), depois de ter sido o mais votado no país para o Parlamento Europeu em maio, acaba de eleger seu primeiro deputado para o Parlamento em Londres. Há uma ala do Labour que, preocupada com o avanço do UKIP, pressiona o líder Ed Milliband para que ele endureça a política do partido com relação às leis de imigração – quer dizer, endureçao o jogo contra os imigrantes. Na França nem se fala: Marine Le Pen é séria candidata em 2017. A Hungria está em mãos praticamente fascistas. Aqui na Alemanha o partido Alternative für Deutschland, anti-euro e anti-europeu, que tem vários membors que vieram da extrema-direita, avança em parlamentos regionais e quase conquistou cadeiras no Bundestag. Sem falar que o livro racista “A Alemanha que se auto-destrói”, de Thiloo Sarrazin, contra os muçulmanos, mas sobretudo contra os turcos, fez seu autor milionário e que… pertence ao SPD!! Entretanto ninguém mais se diz “racista”. A questão agora é “cultural”. São “culturas” diferentes, e isto explica tudo. Chega-se ao cúmulo de dizer que o problema do “sul” da Europa – Grécia, Portugal, Espanha, Itália, é que “eles” aceitam” e “cultivam” uma “cultura da corrupção” e “anti-trabalho”, ao contrário, é claro, dos laboriosos povos do “norte” – alemães, holandeses, ingleses, nórdicos (a França fica no meio do caminho) – que cultivam os valores saudáveis do “trabalha e serás recompensado”.
    E há ainda o “bom e velho” antissemitismo: este, pelo menos, não disfarça que é racista mesmo…
    Abraços
    Flávio Aguiar.

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