Uma possibilidade de progresso para enfrentar os racistas

Ação de médicos contra Ministério da Saúde solicita definição de “ações racistas”.

O Ministério da Saúde, em 25/11, lançou uma campanha contra o racismo no SUS com o slogan “Racismo faz mal à saúde”. Ver abaixo:

Campanha mobiliza a população contra o racismo no SUS

O Conselho Federal de Medicina, em 27/11, contestou a campanha e repudiou o “tom racista” do MS como pode ser visto abaixo:

CFM repudia campanha do governo sobre preconceito no SUS

A Associação Piauiense de Medicina (Aspimed), em dia 17/12, entrou com uma ação na Justiça Federal contra o Ministério da Saúde por prevaricação, desqualificação do trabalho médico e solicitando a interrupção de veiculação de todo o material publicitário da campanha. Ver abaixo:

Aspimed entra com ação na Justiça contra o Ministério da Saúde.

Eis o que diz um dos trechos da ação: “o vídeo coloca em risco a segurança de profissionais da saúde em seus postos, podendo gerar tumulto, uma vez que não deixa claro que tipo de ações possam ser consideradas racistas“.

Esperamos que esta ação progrida e, finalmente, possamos encontrar uma definição para a Conduta Discriminatória ou “ações racistas”.

Sem esta definição, como foi solicitado na petição, não conseguiremos prevenir o racismo.

Se este objetivo for atingido neste processo, estaríamos encaminhando, também, uma definição do racista.

Prevenção em Medicina, sabemos, se consegue ao definir o agente causador do sofrimento humano. E como é sua ação.

Infelizmente nenhum grupo discriminado luta pela prevenção da discriminação da qual é vítima.

Até hoje, em nosso país, não conhecemos uma proposta que encaminhe a questão desta forma.

Portanto o nosso desejo é que a ação chegue a termo e leve a esta definição.

E que não haja acordo para continuar mantendo o racista invisível antes que atue de forma criminosa.

O racista já é racista antes de ser criminalizado.

Todos conhecem pessoas que agem como discriminadores e que não foram criminalizados.

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Eis um discriminador racista e antissemita. Reconhecendo é possível prevenir.                                                                                           Racista, doente mental, condenada e inimputável

Telmo Kiguel
Médico psiquiatra
Psicoterapeuta

2 comentários em “Uma possibilidade de progresso para enfrentar os racistas”

  1. AUTODISCRIMINAÇÃO – Há atualmente no Brasil, vários conflitos institucionais além da questão racial. Agropecuaristas e ambientalistas. Indigenistas e proprietários rurais. Sem teto, sem terra e proprietários urbanos e rurais. Divergências de pensamento e ações, nas áreas de homosexualismo, uso de drogas, Lei Maria da Penha, leis de trânsito, direitos dos idosos,direitos dos menores, uso de agrotóxicos, programas sociais do governo, sugurança pública, segurança no trabalho… Os fatos citados acima, apresentam um quadro estarrecedor, causador de dezenas de milhares de mortes todos os anos no país. Muitas vezes, os eleitores votam sem saber que estão elegendo corruptos. Em outros casos, votam de forma deliberada em candidatos comprovadamente envolvidos em desvios públicos. Os negros e pardos, atualmente beneficiados por sistemas de quotas, se autodiscriminam ao não votarem em candidatos identificados com sua etnia. Esta autodiscriminação, está presente entre a mulheres que não votam em mulheres e pobres que não votam em pobres. Pior, são os indígenas que não possuem represntação no Congresso Nacional. Vejo o Judiciário tentando mediar os conflitos institucionais. Vejo o Executivo, municípios, estados e União, procurando aglutinar posturas divergentes. Enquanto o Legislativo, com representatividades fortalecidas de minorias oligárquicas, eleitos por uma maioria que se autodiscrimina. Não sou nem um pouco socialista. Porém, as leis que existem no país, não atendem na prática os direitos constitucionais dos cidadãos. Nem de ricos , nem de pobres e nem classes intermediárias. Talvez, nas próximas eleições para prefeitos e principalmente para vereadores, tenhamos o surgimento de novas lideranças. A quase totalidade dos partidos políticos estão envolvidos com corrupção. Na minha humilde opinião, não adianta nada reforma disso ou daquilo, se não houver mudança no quadro político. Esta mudança somente será possível se houver mudança na postura dos eleitores.

  2. A Política Nacional de Saúde Integral da População Negra (lei 12.288/2010) trata da desconstrução do racismo institucional no SUS, da promoção do encontro clínico CENTRADO NA PESSOA (e não em estereótipos), bem como da inclusão de práticas de saúde afrobrasileiras no processo terapêutico apresentadas.
    O racismo institucional está operante nos alicerces, colunas e fundações do Ministério da Saúde, SES e SMS, casas onde vivemos trabalhando e cuidando(?)…
    O racismo institucional pode ser evidenciado ou detectado em processos, atitudes ou comportamentos que denotam discriminação derivada de estereótipos, preconceito inconsciente, ignorância ou falta de atenção e que colocam pessoas e grupos em situações de desvantagem quando comparados ao grupo ideologicamente dominador (“ismos” de sexo, raça, capacidade física, idade, etc).
    Por estar incluso na estrutura das instituições, esta forma de racismo se perpetua em códigos de costumes, hábitos e normatizações. Por funcionar deste modo, nunca se encontra uma pessoa ou indivíduo que possa ser responsabilizado DIRETAMENTE pelo ato discriminatório. Ainda que o efeito deste ato apareça nos dados epidemiológicos nas diferenças de morbi-mortalidade entre branc@s e negr@s (RACISMO INSTITUCIONAL).
    Ao contrário, em vez de agir contra “o/a outro/a”, o racismo institucional pode ser reconhecido pela imobilidade ou indiferença diante da necessidade. Indiferença ou imobilidade ativada quando se cuida de uma pessoa pertencente ao gripo populacional cujo estereótipo é negativo (profissional age motivad@ por viés racial implícito [estereótipo negativo] e causa de forma inconsciente dano).
    Como corrigir isso? Autocrítica ajuda. Compaixão ajuda muito. Instituições de saúde geridas com base no CUIDADO CENTRADO NA PESSOA & BASEADO EM EVIDÊNCIA deveriam ser a norma.
    Pode ajudar também fazer o curso sobre Saúde da População Negra pela UNA-SUS. Online & gratuito.

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