O mercado negro da eutanásia.

Portugueses compram droga letal online no mercado negro da eutanásia

Eutanasia

É ilegal e não está autorizada para uso humano em Portugal, mas pode facilmente ser comprada pela internet. A droga, rápida e indolor, mais utilizada para a prática do suicídio assistido (a mesma que é usada nas clínicas da Dignitas, na Suíça), já causou quatro mortes em Portugal, confirmadas pelo Instituto de Medicina Legal. Uma investigação da VISÃO, que faz a capa desta semana, esta quarta-feira nas bancas, apurou que há inúmeros vendedores que fornecem, por 500 euros, o barbitúrico fatal. O mercado negro da morte floresce na internet, com procura crescente nos países onde a legislação proíbe o suicídio assistido.

A VISÃO falou com Philip Nitschke, o médico australiano que difundiu o uso desta droga para os doentes terminais. O Dr. Morte, como é conhecido, confirmou o interesse dos portugueses pela substância. Na Exit, a associação pró-eutanásia que fundou e que ajuda a encontrar os vendedores fidedignos, estão mais de 30 portugueses inscritos.

Interesse confirmado também por Laura Ferreira dos Santos, fundadora do movimento “Direito a Morrer com Dignidade” e doente oncológica desde 2001. “Estou entre a espada e a parede. Tenho metástases ósseas e vivo atormentada com dores permanentes e insuportáveis. Tenho acesso a um produto letal, sei onde arranjar a droga e equaciono usá-la”, revelou à VISÃO.
Nota: Por motivos éticos, e de acordo com as recomendações para prevenção do suicídio, a VISÃO optou por omitir o nome do medicamento letal e o seu princípio ativo e os endereços dos sites onde pode ser comprado.

Fonte: Expresso

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Peça LGBT conta com tecnologia para surpreender em escola de Toronto

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Enquanto o Brasil discute a polêmica inserção do tema LGBT nas escolas, o Canadá já conta com campanhas criativas e funcionais nos corredores escolares de Toronto.

Com intuito de aumentar o respeito e conscientizar sobre as diferenças de gênero e orientação sexual, o grupo Pflag, organização em defesa da comunidade LGBTQ, criou cartazes que comunicam a proximidade dos gays e heterossexuais.

Com as cores do arco-íris, símbolo adotado pela causa, os banners trazem a lista de nomes “Lésbica, Gay, Bissexual, Trans, Hétero, Queer e 2-Spirited”, nas paredes da Toronto District School. Tanto Queer quanto 2-Spirited são variações norte-americanas da comunidade LGBT, a primeira, considera pessoas que não definem seu sexo, já a segunda, abrange gays da comunidade indígena.

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A surpresa dos cartazes está no momento em que os alunos fotografam as peças. Devido a luz do flash, outras palavras surgem, complementando as primeiras. Assim, “lésbica”, ganha o adicional “parceira”, “gay”, leva o complemento “companheiro de equipe”, e assim segue com todas as catalogações da lista.

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O pôster é assinado pela J. Walter Thompson Canadá, que desenvolveu uma técnica especial de impressão especialmente para a campanha.

“Ao tomar um meio tradicional como o impresso e adicionar um componente interativo, que é acionado por telefones dos alunos, a nossa mensagem tem uma maior probabilidade de ser compartilhada”, disse o diretor criativo da agência, Ryan Spelliscy, ao Adweek.

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Fonte: Redação Adnews

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Eutanásia entra com força na agenda política em Portugal

Eutanásia entra em força na agenda política

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Foto: ShutterStock

O movimento “Direito a morrer com dignidade” já escreveu um manifesto a favor da legalização da eutanásia – que pretende publicar na íntegra em pelo menos dois jornais de grande tiragem depois das presidenciais – e se encontra neste momento na fase de recolha de “assinaturas de notáveis da sociedade portuguesa”, escreve o jornal iOnline.

O manifesto prevê “tanto a eutanásia como o suicídio medicamente assistido para pessoas lúcidas”. Os proponentes do manifesto dizem que é “óbvio que haja um direito inviolável à vida, o que não quer dizer que haja um direito irrenunciável a viver. Ninguém pode obrigar ninguém a viver com sofrimento”, defendem.

O movimento “Direito a morrer com dignidade”, criado em novembro pela antiga professora Laura Ferreira dos Santos e pelo médico nefrologista João Ribeiro Santos, foi desde logo apoiado por nomes como o cientista e deputado Alexandre Quintanilha e o jornalista José Júdice.

A lista de apoiantes aumentou e já aderiram o cineasta António-Pedro Vasconcelos, a pediatra Isabel Ruivo, a jornalista Lucília Galha e a investigadora Tatiana Marques, além dos dois fundadores do “Direito a morrer com dignidade”.

Nunca chegou à AR Em 2009, o então líder do Bloco de Esquerda, Francisco Louçã, defendeu publicamente num debate na Ordem dos Médicos, em Lisboa, a “legalização da morte assistida”, pedindo “acesso livre e informado” para os cidadãos. Embora tivesse afirmado que o seu partido iria apoiar esta posição, não houve iniciativa legislativa.

João Semedo, que ajudou a constituir o movimento “Direito a morrer com dignidade”, admitiu ao jornal iOnline que “o Bloco venha a apresentar a sua própria iniciativa”, provavelmente mais para a frente, “em virtude do calendário político dos próximos tempos”.

Tal como o aborto, é possível que um referendo à eutanásia venha a ser agendado, entregando a decisão aos portugueses. Em entrevista à Renascença, Assunção Cristas admitiu na quarta-feira esta possibilidade, para além de prometer que o CDS irá “tomar uma posição sobre a matéria nos próximos tempos”. Enquanto a posição do partido não chega, a antiga ministra deixou a sua visão pessoal: “Os cuidados paliativos são a resposta civilizada para o sofrimento em fim de vida.”

Liberdade de escolha Laura Ferreira dos Santos, 56 anos, é uma professora reformada da Universidade do Minho ao lado de João Ribeiro Santos, que lançou as primeiras sementes da iniciativa.

A aposentação antecipada deveu–se a problemas oncológicos, e foram dois cancros – o seu, na mama; e o da mãe, no pâncreas – que a fizeram estudar o tema desde 2001.

Estas situações levaram-na a contactar com realidades de sofrimento profundo e a refletir sobre os meandros do direito de pôr termo à vida. “A minha mãe morreu nove meses depois do diagnóstico, nos meus braços”, conta. “É que nem toda a gente tem a sorte de morrer como o Dr. Almeida Santos, ou como o meu irmão, que morreu repentinamente”, considera.

Já escreveu três livros sobre o tema: “Ajudas-me a Morrer?”, “Testamento Vital” e, mais recentemente, “A Morte Assistida e Outras Questões de Fim-de-Vida”.

É a favor da eutanásia e do suicídio assistido (realidade que desconhecia quando começou a pesquisar sobre o tema) e acredita que estas questões não se resolvem em referendo. “Os direitos fundamentais das pessoas não devem estar sujeitos a uma maioria. É uma questão íntima e uma decisão de cada pessoa.”

Assim, Laura acredita que este não só é um direito como “deve ser legislado pela Assembleia da República”. “As leis servem para que não haja abusos e a liberdade de consciência também é um direito constitucional”, lembra.

Por outro lado, para a antiga professora, “é um abuso da parte do Estado interferir nas convicções íntimas das pessoas. Só quem sabe o que sofre é o próprio”.

Uma questão transversal Para a antiga professora, a questão da eutanásia é transversal à sociedade. “Há pessoas de direita e de esquerda, religiosas ou não, que acreditam que as pessoas devem ter a liberdade de escolher morrer, desde que estejam lúcidas e não estejam deprimidas”, alerta.

Sobre a ideia de que uma rede de cuidados paliativos bem construída é uma alternativa ao problema, diz não estar contra o ramo da medicina, mas não o considera uma solução. “Nenhum defensor da morte assistida é contra os cuidados paliativos. O que dizemos apenas é que, se numa situação de fim de vida a pessoa não quiser viver mais, deve poder escolher não o fazer.”
Fonte: http://www.atlasdasaude.pt/publico/content/eutanasia-entra-em-forca-na-agenda-politica?utm_source=Not%C3%ADcias+di%C3%A1rias+Atlas+da+Sa%C3%BAde&utm_campaign=ba85beccf3-Not_cias_Di_rias_25_de_Janeiro1_25_2016&utm_medium=email&utm_term=0_273b3d8d31-ba85beccf3-98294813

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Cantada enviada por escrito pelo celular é crime?

Em mensagem sexual, mulher leva ‘cantada’ de funcionário de banco e juiz vê como aceitável

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Uma mulher procurou a Justiça após ser assediada por um funcionário de um banco em Erechim, no Norte do Rio Grande do Sul. Pelo número de telefone fornecido por ela, o homem mandou uma mensagem “pedindo para fazer atos sexuais”, explicou a mulher para a RBS TV (veja o vídeo). Ela procurou a gerência do banco Itaú, que, segundo ela, nada fez. Por isso, recorreu à Justiça. A decisão cabe recurso.Leia a íntegra da mensagem:

“Oi, _. Tudo bem? É o _ do _.Lembra que atendi hoje?Mando esta mensagem para saber ser você está solteira. Te achei tri gata”Fiquei afim de ficar com vc.. E quem sabe se rolar um sexo bom. Vou ficar aqui a semana toda.Há possibilidade?Beijo.”

Entretanto, a mulher se surpreendeu quando o juiz avaliou o pedido de indenização como uma tentativa de tirar benefício financeiro da situação. Ele também afirmou, na sentença, que ‘cantada’ seria uma conduta aceita e tolerada pela sociedade.

Entre os argumentos, o juiz ainda disse que” as conquistas das mulheres na luta pela igualdade evoluíram e que, portanto, uma proposta de encontro sexual não pode ofender a moral “de alguém. Em primeira instância, a jovem também foi condenada a pagar os honorários do advogado do banco.

“Eu me senti quase um lixo, desamparada totalmente, sabe? Um cara que estudou pra defender uma pessoa chegar e dizer que eu tenho culpa do que aconteceu?”, observa a mulher, que preferiu não se identificar.

O advogado da vítima, Luciano Campagnolo, disse que não esperava”uma sentença nesses moldes”.”Essa mensagem, com cunho sexual, restou por ferir direitos de personalidade, em especial a questão da honra, da autoestima, da intimidade”, complementa.

 

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A defesa da jovem, então, recorreu ao Tribunal do estado, e o processo foi invertido. A decisao do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul (TJ-RS) obrigou o banco a pagar R$ 8 mil por danos morais. E a desembargadora avaliou o discurso do juiz como fora dos padrões, extremamente grosseiro e até discriminatório.

“Estou feliz agora. Que isso não aconteça com outras pessoas”, desabafa a vítima. O banco Itaú não quis se manifestar sobre a decisão, e ainda não informou se vai recorrer à Justiça. O funcionário que protagonizou o assédio foi demitido.

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Para juiz, uma proposta de encontro” não pode ofender moral de homem comum “(Foto: Reprodução/RBS TV)

Mulher foi ao banco pedir um cartão

A mulher conta que foi até o banco para pegar um cartão.”Eu só passei, peguei a senha, passei na frente e pedi pra ele que eu queria um cartão. Ele pediu telefone, CPF, nome. Foi meio brincalhão, sorridente.”

Ela conta que, em seguida, o homem mandou uma mensagem para seu celular.”Eu achei um pouco grosseiro da parte dele, pedindo pra fazer atos sexuais, falando coisas como se ele me conhecesse a vida inteira.”

No dia seguinte, ela procurou o gerente da agência para denunciar a situação. E foi aí que as atitudes começaram a surpreendê-la.”Eu só ia falar com o gerente pra ele dar uma advertência, falar, pra não acontecer com outras pessoas.”

Depois que o gerente pediu pra ela apagar a mensagem e deixar a agência, a jovem entrou na justiça. Pediu indenização por danos morais e pela violação dos dados cadastrais que ela forneceu ao banco. E foi quando se deparou com o juiz que entendia que a ‘cantada’ era aceitável.

A psicóloga Daniele Mioto reforça que as mulheres precisam ir atrás dos seus direitos.”Nós, mulheres, não temos a necessidade de aceitar coisas que nos faltem com o respeito. Da mesma forma que um homem não vai aceitar coisas que o faltem com respeito.”

Fonte: http://camilavazvaz.jusbrasil.com.br/noticias/299930738/em-mensagem-sexual-mulher-leva-cantada-de-funcionario-de-banco-e-juiz-ve-como-aceitavel?utm_campaign=newsletter-daily_20160125_2695&utm_medium=email&utm_source=newsletter

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Prevenindo a Conduta Discriminatória Machista.

‘Precisamos que mais homens apoiem feminismo’, diz americano que dá treinamento antimachismo

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Jackson Katz é ativista e luta pela igualdade de gênero; sua fala no TED tem mais de 1,2 milhão de views.
Quando estava na faculdade nos Estados Unidos, Jackson Katz fazia parte do time de futebol americano. Foi lá que ele aprendeu que um “homem de verdade” precisava ser “forte”, “durão” e “macho”.

Mas por não concordar com esse pensamento – e por entender que o número crescente de casos de abuso e violência sexual contra mulheres nas universidades americanas estava diretamente ligado a ele -, Katz decidiu formar um grupo de homens universitários para combater essa cultura. E o nome escolhido para o grupo foi exatamente “Homem de Verdade”.

Os anos se passaram e, depois de formado, Katz foi se aprofundando nos estudos sobre essa questão até criar um treinamento para combater o machismo e a violência contra a mulher no ambiente universitário.

Foi assim que surgiu, em 1993, o “MVP” – Mentors in Violence Prevention (Mentores na Prevenção da Violência, na tradução livre) -, programa aplicado em equipes esportivas e instituições universitárias para ensinar os homens a serem lideres proativos contra o sexismo.

O programa – que hoje tem como público-alvo tanto homens quanto mulheres – fez sucesso e já foi expandido para outras instituições universitárias e até para forças armadas de Estados Unidos, Alemanha, Iraque e Japão, entre outros.

O método do treinamento é focado em dois objetivos: primeiro em conscientizar as pessoas sobre os males do sexismo, depois em inspirar uma mudança de comportamento delas baseada na “abordagem do espectador”.

“Temos que mudar a socialização dos homens, mudar o conceito de masculinidade. O fato de homens serem educados para serem dominantes sobre as mulheres, para serem abusivos na hora de conseguir o que querem, e de isso ser aceitável. Se mudarmos a maneira como educamos e socializamos esses garotos, então a maioria da violência contra a mulher vai desaparecer”, explicou Jackson Katz à BBC Brasil.

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‘Quem aí tem alguma mulher, seja irmã, mãe, namorada, que ama e com a qual se importa?’, pergunta o mentor no programa de treinamento.
“Quero que pensem em uma mulher que vocês amam. Imaginem que ela está subindo as escadas ou em uma boate ou mesmo andando na rua, e um cara começa a mexer com ela. Ele fala coisas desrespeitosas, todos os tipos de abusos verbais. E talvez esse cara decida colocar as mãos nela, atacá-la fisicamente. Ele vai além, abusa sexualmente dela. Agora imaginem uma terceira pessoa ali vendo tudo isso. Mas ela só olha e não faz nada a respeito”.

Foi dessa forma que os mentores do programa se aproximaram de atletas de equipes universitárias de beisebol, futebol americano e basquete para ensiná-los sobre o papel e a responsabilidade que têm ao presenciarem situações de machismo ou abuso.

“Existe um ditado que diz ‘aquele que vê uma situação de opressão e não faz nada está assumindo o lado do opressor’. Se há uma situação de abuso na sua frente e você não faz nada, você está consentindo”, disse.

Katz ressalta que é preciso tomar cuidado quando as situações envolverem desconhecidos, mas reforça: “Se eu estou em uma festa e vejo meu amigo abordando uma mulher de uma maneira invasiva, abusiva, eu preciso pará-lo e dizer que ele está errado. Se eu escolho não fazer nada, eu estou dando meu consentimento para aquele comportamento abusivo.”

Cultura machista

Um dos homens pioneiros na luta pela igualdade de gênero, Katz começou o ativismo para combater a “cultura machista” ainda na década de 1980 e hoje coleciona inúmeras palestras em mais de 30 países – incluindo sua fala no TED, conferência de projetos e ideias inovadoras, que já teve mais de 1,2 milhão de visualizações.

Em visita ao Brasil em dezembro para participar do Fórum “Fale sem medo” organizado pelo Instituto Avon, ele falou à BBC Brasil sobre a importância de ampliar o debate sobre “questões de gênero” também para os homens.

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Programa MVP, criado por Katz, foi levado ao Exército americano no Iraque.
“Quando falamos em gênero, muita gente já associa essa palavra diretamente à mulher. Mas homem também é gênero. E a cultura machista também é prejudicial a ele. O mesmo sistema que produz homens que abusam de mulheres, produz homens que abusam de outros homens”, afirmou em entrevista à BBC Brasil.

“Nós sempre combatemos esse problema ensinando as mulheres a se protegerem, como se vestirem, o que devem evitar. Mas precisamos de novas formas de pensar isso. A questão não é ensinar as mulheres a se protegerem. É acabar com a cultura que ensina os homens a abusá-las”, completou.

Para conseguir essa mudança de cultura, Katz defende a importância de mais homens se juntarem à causa.

“As mulheres são protagonistas e a liderança delas tem sido transformadora. É a base de tudo. Mas é preciso pensar que os homens ainda detêm o poder político, econômico e social no mundo”, disse.

“O meu trabalho é pensar em como eu, como homem, posso usar o acesso que tenho a instituições políticas, sociais e econômicas, para, trabalhando em parceria com mulheres, mudar essa realidade. E precisamos de mais homens que pensem da mesma forma.”

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‘Se você acredita em democracia, em direitos humanos, então você é a favor do feminismo e da igualdade de gênero’, afirma Jackson Katz.
Democracia e feminismo

Jackson Katz começou a se interessar pelo tema da igualdade de gênero ao observar o cuidado que suas vizinhas na Universidade tinham para sair na rua ou ir a festas.

Enquanto ele andava tranquilamente de um lugar para o outro, sem se importar com nada, elas estavam constantemente em alerta, preocupadas com a segurança pessoal, com medo de serem abusadas ou estupradas.

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Treinamento nasceu voltado para equipes esportivas universitárias, que enfrentavam muitas acusações de abuso e violência contra a mulher.
Mas mais do que empatia, Katz diz que se juntou à causa do feminismo por uma “conscientização política”.

“Eu entendo que existe uma subordinação da mulher, que é uma questão política, baseada em uma estrutura social, política e econômica. E, como homem e como cidadão responsável, eu quero fazer algo para mudar esse sistema de desigualdade.”

“Eu costumo dizer para os homens nos meus treinamentos e palestras: se você acredita em democracia, você acredita em justiça, em igualdade e, consequentemente, em feminismo, ponto final. Então se você se diz a favor da democracia, mas não é a favor do feminismo, ou você não entende o que é feminismo, ou você não entende o que é democracia.”
Fonte: http://www.bbc.com/portuguese/noticias/2016/01/160121_homens_feminismo_rm

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A venda de doença e a mulher.

Feminismo, homossexualidade e maconha na máquina do consumismo
Por Dênis Matos*

É surrado o argumento de que os signos culturais produzem o modus operandi de toda e qualquer relação humana e tendem a se metamorfosear conforme novas articulações e insígnias batem à porta. No entanto, revisitá-los e reescrevê-los faz-se necessário para compreensão de alguns processos de nosso tempo.

Neste sentido, entre o assombro estupefato e a excitação do excesso, a contemporaneidade presencia transformações constantes e irrefreáveis em inúmeros níveis, agudizando tudo o que se refere ao comportamento humano.

O ato de fumar e os papéis da mulher na esfera social e no campo simbólico – mote central aqui – estão nesse balde há quase um século. Quando desse fenômeno cultural, nos idos de 1930, este era um modelo pouco usual e de fato muito profícuo para a época, diferente do contexto atual em que a rearticulação do comportamento coletivo pela mídia se faz à exaustão.

Este cenário constante de sobreposições imagéticas, convém retomar, é algo que foi acirrado nos últimos 20 anos, não escapando em nenhuma medida à lógica do capital e às suas mais orgânicas peripécias para construir a noção do que é consumir e existir de tempos em tempos.

Das orgias gastronômicas – que passam pela gourmetização e pela glamourização do corriqueiro ato de se alimentar – às normas estéticas do corpo e da autoindulgência – defendendo a metamorfose das cirurgias plásticas e o consenso de direito individual e irrestrito ao excesso –, o hipercapitalismo pós-moderno vem se apropriando de todos os raciocínios e construindo, por vias midiáticas, produtos e comportamentos que atendem a todo e qualquer estrato social. Para rever estes movimentos, faz-se necessário olhar para trás e observar no passado alguns nós com os do presente.

Uma nova feminilidade

Uma postulação precisa de Michel Foucault (2003) refaz caminho semelhante utilizando-se de outros “produtos” e do poder da comunicação de massa para direcionar o onisciente coletivo. Nos idos do século 19, havia um claro obscurantismo sobre a sexualidade, como tentativa de extirpar do discurso o prazer do indivíduo e mantê-lo focado para a lógica do trabalho – atendendo às demandas da Revolução Industrial. Naquele período, escreveu o autor, o contexto do sexo era encoberto e somente manifesto num espaço mais “utilitário e fecundo: o quarto dos pais”.

“Um princípio de explicação se esboça por isso mesmo: se o sexo é reprimido com tanto rigor, é por ser incompatível com uma colocação no trabalho, geral e intensa; na época em que se explora sistematicamente a força de trabalho, poder-se-ia tolerar que ela fosse dissipar-se os prazeres, salvo naqueles, reduzidos ao mínimo, que lhe permitem reproduzir-se?”

Há trajetos semelhantes em nosso tempo, a exemplo da lobotomia prescrevida recentemente, na virada de 2014, para a liberação do uso recreativo da maconha no estado estadunidense do Colorado. Tirada das sombras, a cannabis sativa movimentou filas em postos autorizados e chegou aos hospitais por supostas superdosagens dos entusiastas, assim que a lei foi aplicada. A coqueluche daqueles que consomem a planta, contudo, pareceu irrisória se comparada à do mercado financeiro. Em meados de 2013, empresas que já comercializavam a erva para uso medicinal e demonstravam interesse na recente empreitada do uso recreativo registraram grande aumento de suas ações na Bolsa de Valores. Em alguns casos, a alta superou 1.500% e alargou os sorrisos dos investidores do setor.

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Foto Wikimedia / CC

A nova indústria, estimam analistas, deve superar as cifras e movimentar US$ 120 bilhões anualmente. O mercado de álcool é avaliado em US$ 263 bilhões; o de tabaco, em US$ 75 bilhões. Nesse contexto, o Colorado elevou sua previsão de receita tributária dos usos recreativo e medicinal da cannabis, em 2014, para US$ 134 milhões – frente à especulação anterior de US$ 67 milhões. Somente no primeiro mês da venda, a soma do faturamento chegou a US$ 14 milhões e os cofres públicos levaram US$ 2,9 milhões em impostos.

Não por menos, os significantes começam a ganhar elasticidade e a maconha sai do limbo dos viciados e decrépitos para abocanhar os cifrões do mercado financeiro – deslocando, naturalmente, o discurso social do que é consumir maconha. Movimento, necessário mencionar, que ocorreu de forma idêntica com o setor de bebidas alcoólicas num passado não tão longínquo.

Estatuto de mesma estirpe tornou-se concreto quanto a produtos e serviços destinados a gays, lésbicas e transexuais. Até o início dos anos de 1990, a própria OMS (Organização Mundial da Saúde) nomeava a homossexualidade como doença, porém o equívoco começou a perder força e o tema passou a figurar nos planos de marketing das mais conservadoras corporações. A Parada do Orgulho Gay, que em 2015 comemorou sua 19ª edição em São Paulo, movimenta mais de 2 milhões de pessoas e é a maior do mundo – tendo excluído do pódio até mesmo o milionário circuito de Fórmula 1. O mercado que era tabu e sinônimo de “patologia social “deixou tangível seu potencial de negócios e ganhou o abraço do capital, que conta cada vez mais entusiasmado os dividendos do pink money.

Tais rearticulações sígnicas dão cabo exatamente ao mesmo simulacro que construiu o casamento mulher e tabaco nas telas do cinema no início do século 20. O movimento cíclico e sine qua non para o capitalismo abraçou o esboço do que era uma nova feminilidade – livre, fumante e independente –, dando respaldo para as caixas fortes da indústria tabagista.

A promoção da beleza de se ser fumante

Apesar de ser o cinema o grande disseminador do protótipo fálico feminino atrelado ao cigarro, um fato social, com respaldo midiático, inaugurou esse movimento. Conhecido como “o pai da sociedade de consumo”, Edward Bernays assinou tal processo. Sobrinho de Sigmund Freud, Bernays utilizou as teorias do tio relacionadas à cultura das massas para atingir as mulheres e para ampliar os dividendos da indústria do tabaco. Embasado na leitura de que o cigarro não era apenas produto, mas também agente fálico, o relações públicas promoveu uma campanha em que contratou modelos para fumar numa passeata, como se elas fossem “militantes femininas” – com entrelinhas de desafiar o “poder masculino”.

A encomenda vinha da Corporação de Tabaco Americana, cujo objetivo era dobrar o consumo de cigarro naquele país. As mulheres, metade da então população norte-americana, eram mal vistas se fumassem e tal significante precisava ser recomposto. No dia 1º de abril de 1929, em meio ao desfile de páscoa de Nova York, o grupo de modelos contratadas se reuniu para dar cabo à ação. O publicitário avisou jornalistas de toda a cidade dizendo que as moças eram militantes feministas e estariam protestando em defesa do direito da mulher a voto. Em meio à algazarra, dezenas de repórteres estavam a postos quando, juntas, as figurantes sacaram cigarreiras de suas meias-calças e fumaram em público.

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Foto Wikimedia / CC

A medida ficou conhecida em pouco tempo e, no dia seguinte, o frenesi chegou a jornais de todo o mundo, com a inscrição do cigarro como símbolo da determinação feminina. Não demorou uma semana para que as vendas disparassem e a indústria tabagista atingisse seu real objetivo.

Na contemporaneidade, em meio à elasticidade do olhar imposta ao indivíduo, a ação do publicitário seria só mais uma na overdose de angústias marqueteiras que inundam a mídia. Entretanto, dado o cenário de 1930, tudo soara como transformação. Como escreveu Valter Hugo Mãe, “era uma ideia razoável de quem fora sempre mulher e nunca percebera o mundo longe dos desígnios falocráticos de uma sociedade tão musculada”.

A propagação de atrocidades

Em nossa sociedade do espetáculo, o poder capitalista está disseminado por toda a vida social, na qual há simultaneamente produção e consumo de mercadorias e de imagens. Por isso, os corpos também se compõem como objetos e, mais especificamente, corpos de alguns seres “escolhidos”, conhecidos da mídia, vão pautar o que é esta imagem.

Daí a função das muitas atrizes de cinema em talhar o que seria este corpo erotizado e preso ao fetiche, exposto em conjunto à imagem fálica do cigarro. Necessário mencionar ainda o papel da sétima arte e a sedução exercida por este tipo de mídia, que se transformaram em coqueluches sociais; uma vez que nossas faltas e feridas narcísicas se exasperam a cada instante na busca de uma imagem condizente que dê conta de nos representar.

Todos queremos nos sentir inseridos, singulares, alternativos, especiais, transgressores da ordem vigente – e, se este imperativo rege tais aspectos num cigarro, tanto para homens quanto para mulheres, por que não atendê-lo? É aqui, precisamente, que incidem os meandros de como todas as formas de disseminação da informação têm seus públicos-alvo.

Evocar o discurso de uma liberdade prometida e merecida, da proximidade de novas ordens e leis, da miragem de um futuro que é uma deliciosa sobremesa depois engolir a indigesta refeição da vida – eis o que, sem eira, nem beira, sustenta a obstinação do capital de tirar a maconha, a homossexualidade, o cigarro atrelado à imagem feminina, enfim, toda e qualquer hipocrisia social do toupeirismo, atribuindo a estes significantes um novo valor mercantil.

Não faça cara de pasmado caso o incesto, a comercialização de órgãos, a pedofilia ou a mutilação humana ganhem o discurso do politicamente correto e se agrupem ao capital. Para propagar tais atrocidades, toda e qualquer mídia pode ser recrutada, a exemplo do cinema e suas inúmeras potencialidades de devaneio.

*Dênis Matos é jornalista e pesquisador, especialista em Semiótica Psicanalítica. O texto acima é parte de sua monografia de pós-graduação
Fonte: http://observatoriodaimprensa.com.br/diretorio-academico/feminismo-homossexualidade-e-maconha-na-maquina-do-consumismo/

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