“Pequenas Igrejas Grandes Negócios”

Não ter religião é a nova maior religião do mundo

Por Natasha Romanzoti

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Se você já ouviu a máxima “Pequenas Igrejas, Grandes Negócios”, com certeza não vai acreditar que igrejas estão fechando mundo afora. Mas isso acontece.

Não tanto aqui no Brasil, e mais em países como os Estados Unidos, o grupo de pessoas “sem religião” tem crescido substancialmente.

Os religiosamente não afiliados são o segundo maior grupo religioso na América do Norte e na maior parte da Europa. Nos Estados Unidos, compõem quase um quarto da população. Na última década, superaram católicos, protestantes e todos os seguidores de religiões não cristãs, por exemplo.

Ateísmo pode substituir a religião: estudo mostra o porquê

Por todos os cantos

Há muito tempo existem previsões de que a religião perderia relevância conforme o mundo se modernizava. Porém, todas as pesquisas recentes estão descobrindo que isso está acontecendo surpreendentemente rápido.

A França terá uma população de maioria secular em breve. O mesmo acontecerá com Holanda e Nova Zelândia. O Reino Unido e a Austrália em breve perderão suas maiorias cristãs. A China também possui uma população bastante secularizada.

–  A religião possivelmente será extinta nestes 9 países
A religião está se tornando menos importante do que jamais foi, mesmo para as pessoas que vivem em países onde a fé afeta de tudo, desde o voto a governantes a fronteiras e arquitetura.

Mas muita calma nessa hora: os sem religião não estão herdando a Terra ainda. Em muitas partes do mundo – na África subsaariana, em particular -, a religião está crescendo tão rápido que a participação dos “sem religião” na população mundial deve de fato diminuir em 25 anos.

Ateísmo é tão natural quanto a religião

Divisões

Dentro do grupo dos sem religião, as divisões são tão profundas como entre os religiosos. Alguns são ateus confessos. Outros são agnósticos. E muitos simplesmente não se importam o suficiente para indicar uma preferência religiosa (os famosos não praticantes?).

Apesar de unidos em torno do ceticismo em relação a organizações e por uma crença comum de que eles não acreditam, os sem religião são tão internamente complexos quanto outras religiões. E como acontece com elas, estas contradições internas poderiam manter novos seguidores longe.

Por que o mundo está ficando sem religião?

Existem algumas teorias sobre por que as pessoas tornam-se ateias em grandes números. Alguns demógrafos atribuem esse fato a segurança financeira, o que explicaria por que os países europeus com programas de segurança social mais fortes são mais seculares do que os Estados Unidos, onde a pobreza é mais comum e uma emergência médica pode levar à falência.

Medo da morte torna ateus inconscientemente mais receptivos à religião

O ateísmo também está ligado à educação, medido pelo desempenho acadêmico (ateus em muitos lugares tendem a ter diploma universitário) ou conhecimento geral das crenças ao redor do mundo (daí teorias de que o acesso à internet estimula o ateísmo).

Há alguma evidência também de que as religiões oficiais dos países afastam totalmente as pessoas de fé, o que poderia ajudar a explicar porque os EUA é mais religioso do que a maioria das nações ocidentais que, tecnicamente, têm uma religião de Estado, mesmo que raramente observada.

–  Veja o que acontece com o cérebro de quem acredita em uma religião

Grupo homogêneo

O avanço científico não faz apenas as pessoas questionarem a Deus, mas também está conectando aqueles que questionam. É fácil encontrar grupos de discussão ateus e agnósticos online, mesmo se você vem de uma família ou comunidade religiosa. Tais grupos mostram que as pessoas que não acreditam não estão sozinhas.

Ainda assim, o grupo dos não crentes não é tão heterogêneo quanto dos religiosos. Na Europa e na América do Norte, os não afiliados tendem a ser vários anos mais jovens do que a média da população. 11% dos norte-americanos nascidos depois de 1970 foram criados em lares seculares. Além disso, a secularização ocidental é cheia de homens brancos. Nos EUA, 68% dos ateus são homens, e 78% são brancos.

Em todo o mundo, o Pew Research Center constata que as mulheres tendem a ser mais propensas a ter uma religião e a rezar. Isso muda quando elas têm mais oportunidades, no entanto. “As mulheres que estão na força de trabalho são mais como os homens na religiosidade”, disse Conrad Hackett, do Pew Research Center.

O fundador do grupo Black Skeptics Group Sikivu Hutchinson ressalta que “o número de jovens negros e latinos com acesso à ciência e educação matemática de qualidade ainda é extremamente baixo”, o que significa que eles têm menos oportunidades econômicas e menor exposição a uma visão de mundo que não requer a presença de Deus.

Tomando o globo

Apesar do grupo dos “sem religião” ter aumentado ao longo do tempo, o número correto de pessoas que não acreditam em Deus pode ser maior, porque elas ainda não assumem isso.

Mesmo brancos do sexo masculino e educados podem temer o estigma de ser rotulados como descrentes. Um dentista branco, por exemplo, não quis dar entrevista para a National Geographic por medo de que seus pacientes não gostassem que um ateu mexesse em seus dentes.

No entanto, parece inevitável que essa tendência não continue. Conforme os seculares de hoje crescem e têm seus próprios filhos, a única tradição de domingo que vai passar adiante parece ser a de acordar tarde. [NatGeo

Fonte: HypeScience

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Trajetória ateista de Sigmund Freud (1856-1939)* (4)

 

Uma Rede de Municípios por um Estado Laico

UNA VEINTENA DE MUNICIPIOS YA APLICAN UN REGLAMENTO LAICO

  Adiós a las vírgenes y las misas oficiales: la campaña que sulfura a los ayuntamientos

Las mociones para formar una Red de Municipios por un Estado Laico, impulsadas por IU, PSOE y Podemos, están desatando pasiones en pueblos y capitales de provincia

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Un paso de Semana Santa frente al Ayuntamiento de Murcia.

DAVID BRUNAT

Los ayuntamientos españoles andan revueltos desde hace unas semanas.

Conversaciones subidas de tono, acusaciones cruzadas al grito de “fascista”, manos a la cabeza, carteles en alto como señal de protesta, incluso súplicas de algunos concejales para no aprobar una moción que los convertiría en un “ayuntamiento proscrito”. No hay pleno en el que la propuesta para sumarse a la Red de Municipios por un Estado Laico no genere choques dialécticos. Su objetivo: retirar de los consistorios crucifijos y vírgenes, impedir que ningún cargo público acuda a actos religiosos en nombre del ayuntamiento y garantizar que la Iglesia pague el Impuesto sobre Bienes Inmuebles (IBI) y deje de recibir financiación y concesiones de suelo público.

“Se trata de un proyecto a medio plazo que busca un cambio de actitud de los responsables públicos hacia los actos y expresiones religiosas, como forma de defender la libertad de conciencia y los derechos humanos en el ámbito municipal”, indica Francisco Delgado, presidente de Europa Laica, la asociación que está detrás de este movimiento. “Por ejemplo, en muchos municipios sigue siendo muy complicado realizar funerales civiles en cementerios, o celebrar actos civiles de bienvenida a un recién nacido. Cuesta mucho que la Iglesia pague el IBI de su propiedades. Al final, España es un Estado con un sesgo confesional católico muy fuerte desde hace siglos, y eso sigue presente aún en muchos ayuntamientos”, prosigue Delgado.

Dos meses para crear un ‘lobby’

La red está en plena fase de construcción. Abril y mayo serán los meses clave, en los que cientos de ayuntamientos deberán votar ser o no ser un municipio laico. Izquierda Unida, Podemos y el PSOE son los partidos que están llevando la moción a los plenos. Y el Partido Popular, con el apoyo irregular de Ciudadanos, es el encargado de rechazarlo a ultranza al considerarlo un atropello a los derechos civiles. Ya van más de 50 ayuntamientos sondeados: una veintena han votado a favor de adherirse a la red, con Gijón, Mieres y Sagunto entre los más destacados, mientras que en otros 30 ayuntamientos no ha prosperado, ya sea por rechazo directo o por abstención. En esos casos, los grupos municipales de izquierdas han prometido sumarse a la red aunque sea a título privado, con el fin de observar y denunciar comportamientos reprobables en sus municipios.

“No se trata de perseguir procesiones o romerías, sino de que los ayuntamientos valoren el coste social y económico de apoyar actividades religiosas. En Sevilla, por ejemplo, argumentan que los millones de euros que el ayuntamiento dona a las cofradías repercute en un aumento del turismo. Sí, puede ser que en España haya diez o quince municipios donde la religión sea un activo turístico, pero hay otros 8.000 en los que no. No puede ser que haya pueblos de 1.000 habitantes donde se gasta el 10% del presupuesto en procesiones y actos religiosos”, indica el presidente de Europa Laica.

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La moción para adherir a Sevilla a la red de municipios laicos puso a los vecinos en pie de guerra. (EC)

Centenares de personas se han manifestado en Murcia y Sevilla contra la posibilidad de convertirse en “ciudadanos laicos”. En Santander, histórico feudo del Partido Popular, la moción ha caído casi como una ofensa en el equipo de gobierno. La concejal Carmen Ruiz organizó días atrás una rueda de prensa solo para expresar su rechazo a la propuesta conjunta de PSOE, IU y Ganemos. Afirmó que es “una moción total y radicalmente discriminatoria, intransigente y dura” que “muestra una radicalización hacia los que no piensan como ellos, sin importarles el daño que hubieran infligido a muchos ciudadanos”. Ruiz argumentó que el ayuntamiento colabora con asociaciones, fundaciones y ONG confesionales, y que regirse como municipio laico pondría en peligro la financiación de servicios sociales a los más desfavorecidos. “Lo que pretenden es imponer una férrea discriminación que no contempla la Constitución. No sé si la Navidad también puede correr peligro”, clamó la concejal de Barrios y Participación Ciudadana de Santander.

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Sevilla, Murcia y Santander han expresado un rechazo total, mientras que Asturias es la comunidad autónoma con mayor fervor laicista

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El artículo de la discordia es el 16.3 de la Constitución: “Ninguna confesión tendrá carácter estatal. Los poderes públicos tendrán en cuenta las creencias religiosas de la sociedad española y mantendrán las consiguientes relaciones de cooperación con la Iglesia católica y las demás confesiones”. Los ayuntamientos que votan en contra de sumarse a la red de municipios laicos se apoyan en este punto, que pone de relieve la aconfesionalidad del Estado, mientras que los que optan por adherirse lo hacen precisamente como medida de presión para modificar la Carta Magna.
En Gijón, hasta la fecha municipio bandera de la red, la portavoz popular Sofía Cosmen se quejó en ese sentido: “La Constitución dice que este es un Estado aconfesional, por lo tanto sus instituciones también. No estamos aquí para quitar ni para dar derechos fundamentales”. Una opinión compartida por José Luis Huertas, portavoz del PP en Segovia, cuyo ayuntamiento decidió no entrar en la red pero sí regirse por los principios de laicidad. “Es sorprendente que se presenten mociones para hacer de Segovia una ciudad laica y no se presente nada en cuestión de reasfaltado de calles o gestión de aguas”, se lamenta.

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Un manifestante en contra de la participación de concejales en actos religiosos en Gijón. (Asturias Laica)

Para Guillermo Martín, concejal del PSOE en Torrelodones (Madrid), “España debería ser un Estado laico, y nosotros vamos a intentar dar ese paso”. Su grupo no ha llegado a tiempo de llevar la moción al pleno de este mes, pero se guarda el cartucho para el pleno de mayo. “Sabemos que la Constitución está como está, por eso son los municipios los que deben iniciar este cambio. Yo mismo tuve que quitar un crucifijo de la mesa cuando prometí el cargo y volverlo a colocar después”, denuncia el concejal. Y aclara: “Para el ciudadano, formar parte de la red de municipios laicos quizá no repercute en un bien material, pero es un avance social que, aunque sea pequeño, planta una semilla. El laicismo es la única garantía hacia el respeto de las distintas visiones de una sociedad”. Como ejemplos concretos, Martín pretende impulsar fiestas laicas en honor a personajes ilustres del municipio en lugar de basar todo el calendario de festividades en patrones y vírgenes católicas. “Pero no se trata solo de poner límite a las expresiones cristianas. También habría que ver si las escuelas deben tener menús específicos para musulmanes”, apunta.

La moción sí llegó a tiempo a Quartell, un pueblo valenciano de 1.500 habitantes. Y se armó el escándalo. Los vecinos amenazaron con echarse a la calle si el pueblo se adhería a la red de municipios laicos, extremo que fue rechazado por un escaso margen. “Este asunto ha provocado una alarma social muy grande, la gente tiene miedo de que no se conceda permiso para celebrar las procesiones o que nos expropien el cementerio, que aquí es propiedad de la Iglesia”, explica Iván Villalba, portavoz popular en Quartell. Tal ha sido el revuelo en el pueblo, que el portavoz de Izquierda Unida, Vicent Arlandis, ha tenido que calmar los ánimos esta semana, si bien dejando un recado: “¿Alguien vería normal que el ayuntamiento cediera la glorieta del pueblo para que se instalara un logo de una empresa privada a perpetuidad? Pues lo mismo sería dejarlo a cualquier confesión religiosa para que instalara una imagen o símbolo religioso”.

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Carteles de protesta del PP en el pleno municipal de Coslada. (Arco)

Disputas del mismo calado se están repitiendo en municipios grandes y pequeños a lo ancho de la geografía española. En Coslada (Madrid), los concejales populares acudieron al pleno con carteles que rezaban “soy cristiano”, “soy musulmán” y “soy budista” para protestar por una iniciativa con “claros tintes fascistas y totalitarios” que supone “un retroceso en el ejercicio de las libertades”, según clamó el portavoz popular Raúl López. En el extremo opuesto se encuentra Asturias, hasta la fecha la comunidad autónoma con mayor fervor laicista. No solo son Gijón y Mieres. En Langreo, por ejemplo, el apoyo ha sido total, y los detractores ya temen que la imagen de la Virgen de El Carbayu que preside el ayuntamiento tenga los días contados.

“En Bélgica, Francia y Grecia ya nos han preguntado acerca de esta red”, destaca el presidente de Europa Laica. Antes del verano, los impulsores deberán valorar si hay mimbres para hacer de esta Red de Municipios por un Estado Laico un ‘lobby’ en favor de modificar la Constitución. De momento, guiños como el del presidente del Congreso, Patxi López, que recientemente retiró dos crucifijos de su despacho en la Cámara, alientan a quienes apuestan por un nuevo modelo social.

Fonte: El Confidencial

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Tática sofisticada para vender mais alcoolismo.

O esquema tático da Heineken para ativar a Champions League no Brasil

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Futebol de muita qualidade e uma das cervejas mais amadas do mundo. A Heineken parece ter o sistema de jogo ideal para trabalhar sua comunicação e ganhar campo em seu segmento de mercado. Vale lembrar que marca tem os direitos de propriedade para trabalhar com a UEFA Champions League, o maior campeonato de clubes do mundo. Mas isso significa que o jogo está ganho? Certamente não. Assim como nos campos, além de talentos e atributos, vencer requer uma grande dose de estratégia.

Na última semana, a marca holandesa escolheu o Brasil como palco para a sua ativação global Champion the Match, um combo de ações que, entre outras iniciativas, inclui a participação de grandes estrelas do futebol com o público e a imprensa local. Não à toa, na última quarta-feira (06) o ex-jogador italiano Alessandro Del Piero esteve em São Paulo para comentar ao vivo os lances do jogo Real Madrid X Wolfsburg e interagir com os seguidores do Twitter @heinekenbr. Por meio da hashtag #championthematch, os fãs puderam enviar perguntas e saber as opiniões do ídolo sobre a partida.

Tática sofisticada

Para não ficar apenas no papo com Del Piero, a marca também trouxe para o Brasil a taça da Champions, que ficou exposta na Trophy Tour, exposição que foi realizada no MUBE, em São Paulo, entre os dias 1 e 3 de abril. “A barra é alta no Brasil. As pessoas sempre esperam coisas legais de Heineken e ao mesmo tempo a Champions League tem crescido ano após ano por aqui. A Champion the Match é uma ação global e o país foi escolhido por ser um dos grandes potenciais da companhia. Além disso, o brasileiro sente-se conectado com o maior campeonato de clubes do mundo, mas costuma apenas vê-lo pela televisão. É essencial essa aproximação”, explica Renata Silva, gerente de marketing da Heineken.

Além de todas essas movimentações em conjunto, como se fosse um time atacando em bloco, a Heineken também gravou um filme que estreou nesta semana nos canais da marca nas redes sociais. O mote é um desafio para a audiência dos jogos no mercado brasileiro: as partidas acontecem no horário comercial no país, quando as pessoas estão geralmente trabalhando em seus escritórios. Para ajudar os torcedores a driblarem seus chefes e conseguirem acompanhar as partidas, Del Piero dá dicas de como os funcionários podem distrair seus patrões para saírem do trabalho e acompanharem os jogos de volta das quartas de final. O filme protagonizado pelo ídolo da Juventus foi gravado em São Paulo, em um ambiente de escritório. A produção é da TribalDDB e a filmagem da Conspiração Filmes.

Veja aqui.

O Adnews acompanhou parte das filmagens e constatou o alinhamento tático de todo o processo de ativação, incluindo a apertada agenda do atleta, que grava comercial e interage com fãs e imprensa em menos de 48 horas. “É uma agenda desafiadora. Todos os layers de aprovação estão aqui alinhados, todo o script é muito bem definido para que tudo saia perfeito. A ação foi pensada no ano passado, mas a execução de tudo precisa ser muito ágil para casar com o time do jogo. O storytelling precisa acontecer exatamente dessa maneira”, ressalta Renata.

Por Renato Rogenski

Fonte: Adnews

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Táticas da indústria do tabaco para vender mais doenças

Plataforma online detalha táticas da indústria do tabaco para driblar controle no Brasil

Estratégias de empresas é tema de plataforma online que disponibiliza dados atuais e informações detalhadas sobre as táticas que o setor privado usa para enfraquecer ações que fortalecem o controle do tabaco no país.

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Medidas do governo e da sociedade civil para conter consumo de produtos derivados do tabaco são enfraquecidas por estratégias da indústria da substância. Foto: Município de Aracruz

A Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS/OMS) no Brasil participou na quinta-feira (31) do lançamento da plataforma online Observatório das Estratégias da Indústria do Tabaco. O projeto oferece a pesquisadores, técnicos e militantes informações detalhadas sobre as táticas de empresas para comprometer e minar as ações que fortalecem o controle do tabaco no país.

O site também fornece dados atuais sobre medidas legislativas que o Brasil vem adotando para cumprir as recomendações da Convenção Quadro para o Controle do Tabaco (CQCT) da Organização Mundial da Saúde (OMS).

O portal disponibiliza ainda informações sobre a proibição de aditivos nos produtos derivados do tabaco, o contrabando de cigarros, o andamento da adoção do protocolo contra o comércio ilícito e a forma como empresas têm promovido a inserção de cigarros eletrônicos no mercado.

Com o projeto, o Brasil busca atender ao que foi estabelecido pelo Artigo 5º da CQCT, que versa sobre o monitoramento de como a indústria do tabaco atua para enfraquecer as medidas que favorecem o controle da substância no país.

A iniciativa foi desenvolvida pela Fundação Oswaldo Cruz (FIOCRUZ), em parceria com a OPAS, a Comissão Nacional para a Implementação da CQCT no Brasil (CONICQ), a União Internacional contra a Tuberculose e Doenças Respiratórias (The Union) e a Aliança para o Controle do Tabaco (ACTBr).

Estratégias e Táticas, Organizações e Pessoas

Organizações
Organizações ligadas a Indústria do Tabaco
Institutos de pesquisa
Pessoas
Pessoas da indústria do tabaco
Lobistas e Relações-Públicas
Políticos
Advogados
Cientistas
Blogueiros pró-tabaco
Libertários
Estratégias e Táticas da Indústria do Tabaco
Clique nos links abaixo para conhecer as diversas táticas empregadas pela indústria do tabaco e seus aliados:

Fazer manobras para ‘capturar’ processos políticos e legislativos
Influenciando tomadores de decisão
Técnicas envolvendo terceiros
Tática Jurídica
Porta Giratória
Exagerar a importância econômica da indústria
Rebatendo críticas
Manipular a opinião pública para ganhar uma aparência de respeitabilidade
Tática RSC
Táticas midiáticas
Táticas publicitárias e marketing
Táticas online
Táticas educativas
‘Fabricar’ apoio por meio de grupos de fachada
Depreciar pesquisas científicas comprovadas
Influenciando a ciência
Intimidar os governos com litígio ou ameaça de litígio

Fonte:  ONUBR/OMS/OPAS

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Quando crianças adotam o discurso de ódio

Professora de filosofia analisa o que leva crianças a hostilizarem umas às outras por motivações partidárias e as consequências disso para a sociedade.

Em São Paulo, um menino de 9 anos foi xingado e ameaçado por seus colegas de escola por usar uma peça da cor vermelha – era uma camiseta com a bandeira da Suíça. Um pai publicou em uma rede social, orgulhoso, o desenho que seu filho criou na aula de artes – Dilma e Lula, lado a lado, acompanhados por mensagens que pedem a morte dos dois. Em outra escola, uma adolescente se sente isolada pelos amigos e luta contra professores para ter o direito de defender o capitalismo e outras posições à direita.

Estes episódios pouco se diferenciam da cultura de violência que se instalou e se iniciou entre os brasileiros – adultos. E, agora, as crianças e adolescentes estão refletindo o mundo da “gente grande”, com consequências igualmente grandes para eles e para a sociedade.

Para a professora da PUC de São Paulo Dulce Critelli, especializada em filosofia da educação, a sociedade está semeando uma ambiente de intolerância que tem em sua base a incapacidade de respeitar o outro.

CartaCapital: Quais podem ser as consequências para uma criança de estar em um ambiente violento e de intolerância, reproduzindo discursos de ódio?

Dulce Critelli: Essas atitudes são um controle social a respeito de coisas absolutamente aparentes, por defesas de convicções que nem sempre são conscientemente assumidas ou compreendidas. O que assusta é isso, e na criança fica mais visível.

Qual é a capacidade que uma criança ou adolescente tem de conhecer mais profundamente, e de forma ponderada, os exemplos históricos e as posições que está assumindo? É uma adesão sem compreensão, muito por alto.

Uma criança que vê uma briga não entende o que está acontecendo, e nem a sociedade tem conseguido compreender. Adultos que supõem que o outro está em uma posição diferente da dele já estão se omitindo de conversar para evitar brigas. Uma criança, no entanto, não tem essa ponderação. Ela vive ressoando o que está no ambiente dela e que aprendeu naturalmente.

Durante a infância, acumulamos uma série de princípios, atitudes e valores muito distraidamente, e isso vai formando nosso caráter. Aquilo que aprendemos e reproduzimos naturalmente tende a permanecer conosco até o final da vida. Faz-se necessária muita leitura, muita história vivida e reflexão para conseguir ponderar o que se está fazendo. As crianças não têm essa condição.

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CC: Quais podem ser as consequências para a sociedade de ter crianças se desenvolvendo em um ambiente como este?

DC: Se nós e a escola não ajudarmos a mudar esse tipo de comportamento, é muito tentador dizer que caminhamos para o que vemos de convivência social e política nos países regidos por fundamentalismos e posições radicais. Toda essa intolerância anuncia como futuro possível o que está acontecendo nesses atentados em Paris, em Bruxelas, porque é a incapacidade de respeitar o outro.

O ideal é que a sociedade eduque as crianças favorecendo nelas o respeito pela própria opinião e pela opinião alheia, e que sejam capazes de construir acordos. Isso não significa ceder ou não ter opinião, mas compreender que, como todos os diferentes vivem no mesmo lugar, precisamos permitir que essas diferenças apareçam sem se destruir mutuamente. Uma sociedade precisa disso porque sempre vão surgir posições muito diferentes, e é necessário que surjam.

É muito duvidoso que todo mundo que esteja a favor ou contra o impeachment tenha uma posição só, por exemplo. Temos uma diversidade e uma singularidade imensa e cada um de nós provoca no meio social uma diferença. Não somos como os animais, que simplesmente se reproduzem constantemente no seu jeito e condição e são os mesmos ao longo da história.

BastãoEm bastão de manifestante lê-se ‘Aos petistas com carinho’ (Foto: Lula Marques/Agência PT).
CC: O fato de crianças estarem se envolvendo em brigas e violência por questões partidárias mostra o que sobre a nossa sociedade?
DC: Mostra quanto não temos um espírito cívico. Mas ao mesmo tempo é o começo de um interesse pela questão pública. Pode ser que ele não esteja sendo bem tratado e nem bem experimentado, mas é um começo.

CC: Qual seria a forma ideal para os pais e responsáveis se portarem em relação às crianças nesse momento de intolerância?

DC: Um dos artigos de Hannah Arendt sobre educação diz que toda criança, quando adentra uma sociedade, é uma novidade, e sua tendência é de não respeitar as tradições. A responsabilidade dos pais e professores seria a de fazer uma ligação: respeitar essa novidade, mas inseri-la no contexto da tradição.

Às vezes usamos essa palavra de uma maneira inadequada e parece que tradição é algo pesado e fechado, quando na verdade ela nos oferece um fio condutor que organiza nosso modo de ser atual.

Por exemplo, não faz parte de nossa tradição a noção de que a coisa pública também nos pertence e agora parece que isso está despertando. Respeitar essa tradição não é fazer de novo o mesmo, mas é entender o que vem vindo, conversar com o que nos organizou anteriormente e poder corrigir esse rumo.

Então os filhos sempre têm ideias diferentes dos pais e essa é uma oportunidade de começar a aprender que o pensamento do outro também tem valor, tanto quanto o seu. É um momento de criar acordos entre o novo e o velho, o possível e o atual. Não é porque elas já estão estabelecidas que são melhores, tampouco são melhores por serem novas. É nesse confronto, que não é um conflito, entre as duas facetas que se pode criar comportamentos novos.

E para isso eles têm de ouvir o que as crianças estão dizendo e refletir com elas, começando a oferecer a oportunidade de construir uma capacidade de compreensão e reflexão e de não pegar as coisas por alto, só porque o amigo também pensa assim.

CC: Que atitude um professor pode ter para promover um ambiente mais saudável?

DC: Nossa educação é precária e muitas escolas já têm um viés ideológico forte em que a intransigência e intolerância fazem parte, com a ideia de que existe uma verdade. Acho que a escola tem de se rever.

Um professor, por mais que tenha posição partidária clara para ele, não tem o direito de, numa escola, impor e mostrar que aquela é a única posição possível. Ele tem obrigação de mostrar todas as facetas de um debate.

Tenho aqui uma frase da Hannah Arendt que resume o fundamento da educação na escola e em casa: “Qualquer pessoa que se recuse a assumir a responsabilidade coletiva pelo mundo não deveria ter crianças. E é preciso proibi-la de tomar parte na sua educação”.
Fonte: Quando crianças adotam o discurso de ódio

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