Psiquiatra treina profissionais da saúde para prevenir a violência doméstica

Profissionais de saúde do Centro vão ter formação para prevenção de violência doméstica

joao-redondo

A região Centro vai dispor, em 2017, de ações de formação para prevenção da violência doméstica, dirigida a profissionais do setor da saúde, afirmou ontem o psiquiatra João Redondo, especialista e investigador naquela área.

Intervindo numa sessão pública intitulada “O papel dos serviços de saúde na prevenção da violência doméstica”, promovida pela Secção Regional do Centro da Ordem dos Médicos (SRCOM) e pelo “Grupo Violência: Informação, Investigação, Intervenção”, João Redondo, coordenador deste organismo, defendeu que os serviços de saúde “estão no sítio certo” para intervirem na prevenção da violência doméstica.

“Perguntar sobre violência na família envia à vítima uma mensagem securizante, de que a segurança do doente é importante para o profissional de saúde”, defendeu João Redondo.

Argumentou, no entanto, que embora uma pergunta sobre violência doméstica, da parte de um médico, nem sempre implique do doente uma resposta inicial que a confirme, a pergunta “poderá abrir portas” que venham a possibilitar esse cenário.

De acordo com o especialista, a não identificação de situações de violência doméstica por parte de profissionais de saúde, em hospitais e outras unidades de saúde às quais as vítimas recorrem, poderá implicar a continuação e escalada da violência e a possibilidade da morte da vítima.

“Em 2017, vamos desenvolver uma grande ação [destinada a profissionais de saúde] no sentido de mudar alguma coisa”, anunciou.

Em declarações à Agência Lusa, à margem da sessão, o psiquiatra do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra disse que a ideia das ações de formação é a de que “passe a fazer parte da história clínica [dos doentes] fazer perguntas sobre se há ou não um problema de violência”.

“Mas quando se pergunta sobre se há um problema de violência, também é preciso que a pessoa saiba o que fazer”, se a resposta for afirmativa, indicou João Redondo.

Adiantou que a sessão de ontem, promovida para assinalar o Dia Internacional pela Eliminação da Violência Contra as Mulheres (sexta-feira) foi útil para debater as necessidades dos profissionais de saúde nessa área e, em função disso, delinear estratégias para dar “alguma competência mínima” para que aqueles profissionais possam desenvolver trabalho na prevenção da violência doméstica.

“Muitas vezes, perguntar é abrir a caixa de Pandora, as pessoas perguntam e depois pensam ‘agora faço o quê com isto’. Também tem a ver com a falta de conhecimento sobre a área, ou quanto tempo a consulta passa a demorar a seguir, quando se sabe uma coisa destas”, explicou João Redondo.

O Grupo Violência tem vindo a organizar grupos de trabalho para a formação de profissionais de saúde e quer agora reforçar essas competências onde já existem e criá-las em instituições de saúde que não as possuem: “O que está provado é que sensibilizar não muda as narrativas, dar competências é que muda. A ideia é dar uma competência mínima para criar outro tipo de resposta”, frisou.

Fonte 1: Jornal Médico PT

Fonte 2: Diário as Beiras:    “Papel dos Serviços de Saúde na prevenção da violência doméstica” é o título da crónica de João Redondo, Médico Psiquiatra no Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra e Vogal do Conselho Regional do Centro da Ordem dos Médicos.

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