Saúde Mental e discriminação no debate político

Convivendo com quem discorda de mim

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Nos tempos atuais, é inevitável negar uma polarização das coisas, mas, em uma escala muito maior do que jamais vimos. Como já disse por aqui, nos últimos anos a ascendência de assuntos político-partidários se deu em proporções gigantes, e isso não é de todo negativo. Uma sociedade mais engajada politicamente e economicamente é saudável e necessária; porém, o mau uso de posições e a desinformação causam brigas e debates nada pacíficos.

Se você gosta de debater nas redes sociais — ou até mesmo na roda de amigos na faculdade e trabalho — sabe exatamente do que estou falando. Sempre há o colega que se exalta e fica irritado debatendo com posições divergentes. Sejamos francos, eu já fui assim. E isso é um erro tremendo. O debate nada mais é que uma discussão entre duas ou mais pessoas a fim de realizar a exposição de opiniões, argumentações e pontos de vista, contudo, já não é mais assim à algum tempo na maioria dos grupos de amigos.

O problema que enfrentamos atualmente, em meu ponto de vista, é a rotulação e a intolerância quanto ao próximo. Eu não tenho muitos colegas que compartilham da mesma visão política e religiosa das coisas, por exemplo, entretanto, adoro me comunicar com eles. Além de expor meus pontos, adquiro informações que possam me ajudar à entender visões diferentes e formular contra-argumentos caso necessário.

Mas, o que acontece hoje em dia, é a absorção de rótulos sem nem ao menos saber o que tais significam e utilizá-los como xingamentos e ataques pessoais. É mais fácil taxar o meu colega (ou até mesmo quem não conheço) de fascista, Hitler, extrema-alguma-coisa, do que saber o que realmente os termos englobam. É mais fácil utilizar frases de efeito e compartilhar publicações que nem ao menos li do que responder adequadamente os comentários expondo minhas opiniões e esclarecendo meus posicionamentos. Aliás, talvez nem exista um posicionamento concreto para ser esclarecido. A cada dia mais encontro publicações no meu feed de notícias de pessoas que compartilham coisas que não entendem — ou até mesmo não possuem o mínimo interesse — apenas para mostrarem que estão em dia com os acontecimentos do mundo.

Não obstante, opiniões políticas e econômicas se tornaram critério para amizades. Sabe quando estamos na pré-escola e para fazermos um coleguinha novo só basta ver que ele tem tanta vontade de brincar quanto você? Ou que ele pode te ajudar a rabiscar no papel e tomar o lanche junto? Pois é. Para mim, preferências semelhantes nunca foram necessárias para nada. Não é porque não gosto de rock ou de quiabo que não posso me relacionar com pessoas que o façam. E é assim em todos os aspectos da vida. Porém, a onda do unfollow-me-se-for-capaz vem corriqueiramente destruindo amizades e laços das mais diferentes esferas de relacionamentos. Para se tornar amigo de alguém, é como se houvesse uma ficha onde se faz necessário responder perguntas como: PT ou PSDB? Marx ou Mises? Azul ou Vermelho? Bolsonaro ou Jean Wyllys?

Se você defende a democracia e a liberdade de expressão e limita o próximo, nada mais é do que incoerente naquilo que defende. Uma sociedade plural é aquela que diverge e debate, com fundamentação e estudo sobre determinado assunto, sem sair no tapa ao fim da fala. O seu maior crescimento intelectual e pessoal se dá quando se rodeia daqueles que discordam de você, pois se a vida for só tapinha nas costas, lacre no facebook e cabeça em sinal de concordância, sinto dizer, mas a mediocridade vai querer dar as mãos pra você por um tempinho a mais.

Fonte: TRENDR
Por Aline Castro
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