A educação sexual para jovens esta indicada para as escolas

Com base em uma análise das melhores práticas no mundo, o guia mostra que a educação em sexualidade ajuda os jovens a se tornar mais responsáveis em sua atitude e comportamento no que se refere à saúde sexual e reprodutiva. Também é essencial no combate à evasão escolar de meninas provocada por gravidez ou casamento precoce. O documento também desmente teorias segundo os quais a educação em sexualidade aumentaria a atividade sexual, o comportamento de risco e as taxas de infecção por HIV. Também apresenta evidências de que os programas de abstinência sexual não conseguem evitar a iniciação sexual precoce ou reduzir a frequência de relações sexuais e de número de parceiros entre jovens.

guia

Foto: UNESCO

Guia de educação em sexualidade da ONU enfatiza igualdade de gênero e direitos humanos

Perto de completar dez anos, o guia “Orientações Técnicas de Educação em Sexualidade”, voltado para legisladores que trabalham na elaboração de currículos escolares no mundo todo, teve esta semana sua edição atualizada pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO).

Com base em uma análise das melhores práticas no mundo, o guia mostra que a educação em sexualidade ajuda os jovens a se tornar mais responsáveis em sua atitude e comportamento no que se refere à saúde sexual e reprodutiva. Também é essencial no combate à evasão escolar de meninas provocada por gravidez ou casamento precoce.

Perto de completar dez anos, o guia “Orientações Técnicas de Educação em Sexualidade”, voltado para legisladores que trabalham na elaboração de currículos escolares no mundo todo, teve esta semana sua edição atualizada pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO).

Em sua nova versão, a publicação enfatiza uma educação em sexualidade mais abrangente e de qualidade, de forma a promover saúde, bem-estar, respeito aos direitos humanos e igualdade de gênero, empoderando crianças e jovens para uma vida mais saudável, segura e produtiva.

O guia foi publicado no Brasil em 2014 com o título “Orientações Técnicas de Educação em Sexualidade para o Cenário Brasileiro” (disponível aqui).

“Com base nas evidências científicas mais recentes, o guia ‘Orientações Técnicas de Educação em Sexualidade’ reafirma a posição da educação em sexualidade com base em diretrizes de direitos humanos e de igualdade de gênero”, disse a diretora-geral da UNESCO, Audrey Azoulay.

“Promove a aprendizagem estruturada sobre sexualidade e relacionamentos de uma maneira positiva e centrada no melhor interesse dos jovens. Ao enfatizar os componentes essenciais de programas efetivos de educação em sexualidade, o guia permite às autoridades nacionais desenhar um currículo abrangente que tenha impacto positivo na saúde e no bem-estar dos jovens.”

O guia técnico foi criado para apoiar as políticas públicas dos países no desenho de currículos precisos e apropriados à idade correspondente, envolvendo crianças e jovens de 5 a 18 anos.

Com base em uma análise das melhores práticas no mundo, o guia mostra que a educação em sexualidade ajuda os jovens a se tornar mais responsáveis em sua atitude e comportamento no que se refere à saúde sexual e reprodutiva. Também é essencial no combate à evasão escolar de meninas provocada por gravidez ou casamento precoce.

De acordo com a UNESCO, a educação em sexualidade é necessária uma vez que, em algumas partes do mundo, duas em cada três meninas dizem não ter ideia do que acontece com seu corpo quando começam a menstruar, e as complicações no parto são a segunda causa de morte entre meninas de 15 a 19 anos.

O documento também desmente teorias segundo os quais a educação em sexualidade aumentaria a atividade sexual, o comportamento de risco e as taxas de infecção por HIV. Também apresenta evidências de que os programas de abstinência sexual não conseguem evitar a iniciação sexual precoce ou reduzir a frequência de relações sexuais e de número de parceiros entre jovens.

A publicação identifica uma necessidade urgente de educação em sexualidade abrangente e de qualidade para fornecer informações e orientações aos jovens sobre a transição da infância para a vida adulta e sobre os desafios físicos, sociais e emocionais que enfrentam nesse processo.

Também analisa outras questões de saúde sexual e reprodutiva, que são particularmente difíceis durante a puberdade, incluindo acesso a contraceptivos, gravidez precoce, violência baseada em gênero, infecções sexualmente transmissíveis, HIV e AIDS.

O documento foi produzido por meio de colaboração entre Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/AIDS (UNAIDS), Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA), Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), ONU Mulheres e Organização Mundial da Saúde (OMS).

Fonte: ONUBR
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“Nossos preconceitos nos deixam cegos e burros”

Não aceitar as diferenças entre as pessoas é não ter o mínimo poder de reflexão.
Se você pensa algo diferente de outra pessoa existem sempre dois caminhos: o da argumentação e o do ataque. Quem não está disposto a aceitar que talvez sua verdade não seja tão verdadeira assim já começa perdendo. Quem não se questiona não evolui.

burro

                           A opinião alheia sobre a sua vida
e por que você também deve parar de questionar as escolhas dos outros
Para vocês que não me conhecem de forma íntima, pode até ser um baque o que vou dizer agora, mas eu fui nascida e criada em um lar evangélico, onde a conduta social e o estilo e vida eram coisas muito importantes.
Sim, eu defendo os umbandistas, as prostitutas, os gays. Eu leio sobre poliamor, signos e consigo tranquilamente aceitar que, embora as pessoas não tenham uma vida como a minha, não pensem como eu e não sejam da maneira que eu sou, elas sejam pessoas incríveis — que por muitas vezes me ensinam mais que eu a elas.

A religião ainda faz parte, de certa forma, da minha vida, mas aprendi a observá-la e segui-la com outros olhos, que funcionaram bastante para mim: os do amor. Percebi que por muitas e muitas vezes, em um universo evangélico, era mais importante o que você bebia, o que você vestia, as tatuagens que você tinha ou a família de onde você vinha, que a pessoa que você era — e isso me incomodava um bocado. Me incomodava ao fato das pessoas não questionarem sobre tudo que as cercava. Os julgamentos sempre se faziam presentes e o lance dos cristãos acharem que estão absolutamente certos sobre tudo me deixava transtornada. Aliás, até hoje. Não saber dialogar e apenas atacar é um desserviço para qualquer religião, mas enfim, minha relação com a igreja, embora seja importante, não é exatamente o assunto principal nesse post, então vamos por partes.

Não importa o quanto as pessoas sejam diferentes de mim, ajam diferente de mim ou tenham atitudes completamente fora daquilo que acredito. Sempre que me proponho a conhecer alguém novo e a inserir essa pessoa na minha vida, tiro a máscara do preconceito e dos julgamentos e busco enxergar o que existe de melhor e mais rico nela.

Veja bem, não vivemos, fisicamente, em uma bolha. Somos obrigados, diariamente, a nos confrontar com tantas realidades e histórias, que acho um absurdo perdermos tempo querendo provar nossos pontos de vista — cada um tem seus filtros, sua essência e suas justificativas. Não aceitar as diferenças inerentes a isso é não ter o mínimo poder de reflexão.

Existem muitos jeitos de falar sobre qualquer assunto, aprender sobre o outro e entender a vida alheia sem as críticas. A fofoca e o blá blá blá xiita sobre qualquer tópico, seja político, sexual, futebolístico ou religioso é cansativo demais. E, se não for construtivo, não vale de nada. Quem não está disposto a aceitar que talvez sua verdade não seja tão verdadeira assim, já começa perdendo. Quem não se questiona, não evolui. E, francamente, a arte e a própria vida já não sinalizaram tantas e tantas vezes que quem enxerga tudo quadradinho acaba machucado em algum momento? Tanto que precisa sempre cutucar quem está feliz para se sentir menos miserável? Por favor.

Vivemos tempos difíceis. Tradicionalistas. Machistas. Vivemos um momento em que a discussão sobre toda e qualquer coisa pode destruir uma família, afastar amigos, demitir pessoas. Não fortaleça a fofoca sobre nenhum assunto dentro do ambiente de trabalho, não incentive a discórdia dentro de nenhum local, aliás. Se você pensa algo diferente de outra pessoa existem sempre dois caminhos: o da argumentação e o do ataque. E ainda que os seus argumentos não sejam ouvidos, que você seja minoria, que de nada transforme a opinião alheia, é muito mais sábio, educado e construtivo tentar conversar. A imposição é a arma dos fracos — e não existem absolutas certezas nem sobre a morte nessa vida.

Como profissional senti e vivi isso na pele, como gestora, mais ainda. Os melhores e mais cabulosos projetos foram feitos por muita gente diferente junta, com muitas ideias distintas, com muita treta boa, se é que isso aí ainda existe e com muito, muito respeito. É mais difícil? É. Mas é muito mais saboroso também.

Eu acho que nossos preconceitos deixam a gente cego. Deixam a gente burro. Fazem com que nos aproximemos de quem é parecido com a gente — e quem é parecido ensina bem menos sobre as coisas que precisamos aprender do que aqueles que são diferentes.

Esse texto pode estar saindo óbvio demais, clichê demais, mas a verdade é que em pleno século XXI, com toda a revolução das redes sociais e toda a enxurrada de informações que recebemos todos os dias, nunca estivemos tão estúpidos. Nunca fomos tão intolerantes. Nunca tanta gente perdeu seus cinco minutos online para transmitir ódio, para atacar o outro e tudo isso, obviamente, reflete nas nossas relações dentro da vida real. Tudo isso deixa nosso ambiente de trabalho mais pesado, nos faz sentir que falar mal é normal, nos dá o argumento de que preconceito é opinião própria — e não é.

Quero viver em um mundo de pessoas diferentes e fortes. De pessoas que não se sintam inadequadas, mas acolhidas. Quero sempre olhar para outras realidades e encontrar um ponto no qual podemos nos enxergar, ainda que seja na total discrepância de conceitos sobre a vida. E segue a velha máxima: não concorda? Não faça. Não acha certo? Não se contamine. Mas chega de falar mal do coleguinha no café numa tentativa desesperada de ser valorizado. Que os atos sempre falem mais que as palavras — e que a gente consiga reconhecer na diferença a magia de uma vida menos entediante.
Não vim aqui pra concordar sempre, mas vim pra aprender. E, mais que isso, para espalhar o que restou de bom dessa equação. Ouça mais que diga, entenda mais que julgue, seja mais que pareça: a vida fica bem mais suave. Eu juro.

Fonte: Trendr
Por: Ericka Moderno Rocha
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E se um homem se sentir galinha?

Iniciamos com os comentários publicados na “Fonte*”
Aqui temos o exemplo de um “monstro híbrido”…um humano com cérebro de burro… Comentário insultuoso e absolutamente desnecessário. Para o burro claro! O pobre do burro não fez nada de mal para ser comparado a este anormal.

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UMA NOITE destas, a horas improváveis – que são aquelas a que vejo televisão, para descontrair após um serão a trabalhar – vi um documentário aterrador. O pior que se pode ver antes de ir para a cama.
O documentário era sobre um transexual. Já escrevi sobre este tema, mas não resisto a voltar a ele, pois é das coisas mais aberrantes que a evolução da medicina trouxe. Refiro-me à ‘transformação’ de homens em mulheres e vice-versa. Se as intrusões na natureza são sempre duvidosas – quer se trate de mutações do milho ou de raças de cães produzidas artificialmente – as trocas de sexo por via cirúrgica são de uma inaudita brutalidade.

ALÉM DE QUE são enganosas. São burlas. Embustes. Porque é impossível por via cirúrgica transformar um homem em mulher (ou o contrário), pela simples razão de que homens e mulheres não são apenas diferentes pelo facto de terem pénis ou vaginas: são diferentes em tudo.
Os cromossomas são diferentes (os homens têm um X e um Y, enquanto as mulheres têm dois X). O cérebro é diferente (as mulheres têm mais conexões entre os dois hemisférios, enquanto os homens têm mais trocas de informação dentro de cada hemisfério), a circulação sanguínea é diferente (menor nas mulheres, por isso são em geral mais friorentas), etc.

NO MOMENTO em que comecei a ver o documentário, passavam no ecrã imagens de uma operação às cordas vocais.
Como ainda não sabia qual era o tema, pensei que o paciente teria nódulos ou outra qualquer excrescência que fosse necessário extirpar. Mas não. Tratava-se de cortar as cordas vocais às tiras longitudinais para as tornar mais finas. Aí comecei a desconfiar. Cordas mais finas deviam tornar a voz mais aguda… E mais aguda para quê? Talvez para deixar de ser uma voz de homem e se parecer com a de uma mulher. Acertei!

Depois da operação, entrevistavam o fulano que se queria transformar em fulana. Numa voz estranha, deu umas respostas que tornaram óbvio estarmos perante uma pessoa débil mental. Dizia umas patetices. Mostrava-se ansioso por se tornar uma mulher. Mas aí eu pergunto: se em vez de lhe operarem o corpo para se parecer com uma mulher, por que não optaram por tratá-lo psicologicamente para adaptar a mente ao físico que realmente tinha?
Argumentar-se-á que, desse modo, ele nunca seria completamente um homem. Mas com a operação ao corpo ele será alguma vez completamente uma mulher?

DEPOIS da cirurgia às cordas vocais, o documentário mostrava com todo o pormenor o corte dos atributos masculinos e a construção de uma vagina.

A médica cirurgiã atuava com grande frieza e explicava o que ia fazendo. Depois de cortar o escroto para extrair os testículos, agarrava num deles com a mão, mostrava-o à câmara e dizia: «São grandes», como quem diz: o fulano era muito macho.

Depois cortou o pénis, explicando que ia aproveitar uma parte deste para fazer o clítoris. Neste ponto, não consegui ver mais e mudei de canal.

EMBORA seja um liberal convicto, entendo que estas operações deveriam ser pura e simplesmente proibidas.
As pessoas que são vítimas delas tornam-se depois umas infelizes – porque não são carne nem peixe. Deixaram de ser homens mas não são mulheres – ou o contrário. Se a sua cabeça já era confusa, tornar-se-á muito mais confusa depois da operação. Nunca poderão ter uma vida familiar normal: não podem ter filhos e qual é o homem que se vai casar com uma mulher que já foi um homem?
Só por caridade alguém condescenderá em fazê-lo.
Se todas as intrusões na natureza são perigosas, estas são criminosas – porque significam experiências limite feitas com pessoas. Criam uns entes desgraçados, uns despojos humanos que serão sempre olhados de lado pela sociedade e ostracizados.

SE UM HOMEM pensar que é uma galinha, os médicos não vão transformá-lo em galinha. Tentarão tratá-lo, levando-o a convencer-se de que é um ser humano. Por que razão, quando um homem pensa que é uma mulher, não se faz o mesmo – tratá-lo – em vez de o transformar num monstro híbrido?
Numa sociedade saudável, os médicos que fazem estas operações, usando pessoas como cobaias, seriam chamados a explicar e sustentar solidamente os seus atos. E as pessoas vítimas dessas operações deveriam ser depois acompanhadas e objeto de um estudo, para avaliar o seu estado de felicidade.
Estou em crer que os resultados seriam devastadores.

Sugestões do blog:
1. Leia os comentários na publicação original.
2. Leia o comunicado da CIG (Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género) sobre este artigo de opinião.

Fonte*: Jornal SOL
Por: José António Saraiva
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A igreja ressuscita sua guerra contra a ideologia de gênero

La persecución por parte de la institución eclesiástica a la libertad sexual es una constante. Plantea que a la hora de resolver el problema de la igualdad de sexos no hay que considerar la cuestión de género, sino la antropología cristiana. Que en la educación afectivo-sexual solo se tenga en cuenta esta ideología para resolver problemas “urgentes” de la sociedad como la violencia en la familia y el machismo “rechazable”. Por otra parte, dos colegios concertados, Juan Pablo II de Guadarrama y Alcorcón, han exigido a las profesoras que potencien “la feminidad” en su forma de vestir, que permitan dar una imagen de “pudor y modestia”, y establecen que las faldas y vestidos deben ir por debajo de la rodilla, “como mínimo”, y prohíben el uso de “vaqueros, mallas o pantalones muy ajustados”, así como “los hombros al aire y las camisetas de tiras”, y el calzado “excesivamente abierto en verano”.
Las normas de vestimenta para los profesores establecen el uso de traje, corbata y “zapato de vestir adecuado”, además de “pelo corto”.

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El arzobispo de Toledo alerta del avance “vertiginoso” de la ideología de género

El arzobispo de Toledo, Braulio Rodríguez, ha alertado a través de su escrito semanal del avance “vertiginoso” de la ideología de género y ha rechazado que en la educación afectivo-sexual solo se tenga en cuenta esta ideología para resolver problemas “urgentes” de la sociedad como la violencia en la familia y el machismo “rechazable”.

En su escrito ha reflexionado sobre la responsabilidad de la educación y sobre que cada vez más hay “más preocupación” en los padres y madres sobre la “libertad” que tienen a la hora de escoger el tipo de educación que desean para sus hijos.

También hay, ha apuntado, otros “muchos” padres que “no se han percatado de la situación de riesgo que corren sus hijos de ser educados moralmente por otros en lo relativo a uno de los aspectos más importantes de la persona humana: su sexualidad y el modo de educar esta dimensión afectivo-sexual de modo adecuado”.

Ahí ha incidido monseñor Rodríguez en la ideología de género, que “avanza vertiginosamente” y cuyos defensores se encaminan hacia un pensamiento único aunque lo hagan con la “buena voluntad” de solucionar problemas “urgentes” de la sociedad, como la violencia en las familias y el machismo.
A su juicio, “es rechazable que en la educación afectivo-sexual se tenga en cuenta únicamente los criterios de esa ideología y su metodología, bastante discutible y peligrosa”, al tiempo que ha apuntado que a la hora de resolver el problema de la igualdad de sexos no hay que considerar únicamente la cuestión de género, sino que hay otros modos de abordarlo, entre ellos conociendo la antropología cristiana “de base humanista y respetuosa con lo que el ser humano es”.

El arzobispo de Toledo se ha referido, en este sentido, a “asignaturas inquietantes” o anteproyectos de ley para una sociedad libre de violencia de género que “preocupan y mucho” porque pueden suponer “merma (encolhimento) de libertad en los padres y en sus hijos una educación moral y afectivo-sexual sesgada (tendenciosa)”.

Fonte: El plural Es
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O normal na identidade sexual e a biologia sem ideologia

  Mi identidad natural trans (y por qué no soy una persona enferma)

¿Qué define lo natural en un comportamiento o identidad? Cualquiera que tenga interés en biología sin “ideología” –como repiten los conservadores– debería informarse y entender que la identidad no emana de nuestros genitales sino de nuestro cerebro. ¿Es tan revolucionaria esa idea? Está validada por psicólogos, psiquiatras, médicos, pediatras y neurocientíficos que las personas trans tenemos una identidad que se corresponde con el género opuesto al asignado al nacer y lo que recomiendan al respecto sus disciplinas, basándose en estudios, es que se nos permita vivir nuestra identidad en un ambiente que nos respete e integre.

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Nací en 1981. Mis padres, un matrimonio religioso, de esos que sienten orgullo por no haber tenido relaciones sexuales antes del matrimonio, me llamaron Alejandro. Era lo esperable. Me trataron como niño y me educaron sobre lo que hacen los niños y lo que no deben hacer porque son cosas de niñas.

A los cinco años me ponía la ropa de mi mamá y me maquillaba a escondidas hasta que, después de algunos llamados de atención, me quedó claro que no podía seguir haciéndolo. Mis padres no le dieron importancia al tema –era una “etapa”– y me siguieron educando como niño. Yo aprendí a comportarme, jugué fútbol, me peleé, jugué videojuegos, rechacé cualquier cosa femenina porque sabía que no era aceptable. Fue un periodo en el que casi me expulsan del colegio por conducta, y sólo me salvé por mis notas. Era un niño para quienes me veían, pero en las noches rezaba a Dios para que me convirtiera en una niña. También imaginaba historias fantásticas en las que podía ser la niña que quería ser.

Así llegó la adolescencia. Tuve pololas, carretié, terminé la universidad, conseguí un buen trabajo, escalé profesionalmente y me casé con una mujer increíble. Durante todo ese periodo seguí reprimiendo quién era porque sabía el costo social que pagaría si se sabía que me travestía a escondidas y que ésa era yo, no el hombre que proyectaba. Para quienes me veían era un hombre exitoso, felizmente casado y rodeado de amigos, pero yo realmente estaba al límite, y ya no podía más porque negarme me destruía internamente.

¿Qué define lo natural en un comportamiento o identidad? Como hombre nadie cuestionó mi identidad aunque gran parte de lo que proyectaba fuera mentira, fingido para poder encajar. Por el contrario, hoy que soy Alessia, la expresión más auténtica de mí que proyecté jamás ¿no soy natural? Cualquiera que tenga interés en biología sin “ideología” –como repiten los conservadores– debería informarse y entender que la identidad no emana de nuestros genitales sino de nuestro cerebro. ¿Es tan revolucionaria esa idea? Está validada por psicólogos, psiquiatras, médicos, pediatras y neurocientíficos que las personas trans tenemos una identidad que se corresponde con el género opuesto al asignado al nacer y lo que recomiendan al respecto sus disciplinas, basándose en estudios, es que se nos permita vivir nuestra identidad en un ambiente que nos respete e integre.

Todos somos más naturales cuando somos libres de ser y amar, y esa naturalidad nos hace felices. Las personas trans no somos enfermas, tampoco nuestra identidad, lo que nos enferma es que nos obliguen a comportarnos y vivir de una forma que no nos resulta natural. Lo que nos enferma es que cuando decidimos vivir con naturalidad quienes somos realmente, nos discriminan, aíslan, cierran la puerta, expulsan de las casas, insultan y rechazan.

Si es fácil percibir el daño que se le hace a alguien al obligarlo a casarse con quien no ama, ¿por qué es tan difícil sentir el daño que nos hacen al forzarnos a un género con el que no nos identificamos? Es ahí donde los conservadores anuncian las terribles estadísticas de suicidio de la gente trans (diez veces mayores al promedio) como evidencia de que somos personas enfermas, rehusándose a aceptar los estudios que muestran que en entornos donde somos aceptados e incluidos nuestra salud mental es igual a la de cualquier otra persona, y que es la discriminación que promueven es la culpable de esas cifras.

Hoy trabajo en un área de ingeniería gestionando soluciones y equipos en proyectos de alta complejidad, estoy rodeada de amigos y familiares con quienes tengo relaciones constructivas, tengo un matrimonio sano, una vida llena de amor, soy más segura, me atrevo a hablar en público, cambié mi cara seria por una sonrisa y me relaciono mejor con la gente. ¿Qué enfermedad mental se supondría que tengo? ¿Por qué no sería natural? Hoy no siento disforia sino euforia de género y es lo mismo que cuentan todas las personas trans respecto a aceptarse y los padres trans sobre sus hijos, niños que pasan de ser tristes y deprimidos a brillar cuando los dejan expresar su identidad y género con libertad.

Mi vida tiene muchos momentos felices, uno de los mayores es el matrimonio con mi esposa, a quien amo con todo mi corazón, pero el mejor momento de mi vida fue cuando volví a nacer, ese día en el que terminé de contar en mi trabajo y a todo el mundo: yo soy Alessia y no voy negarlo nunca más.

Hoy reconocen mi identidad mi familia, amigos, compañeros de trabajo y todos los que me conocen, menos el Estado. La ley de identidad de género no impone nada a nadie, sólo implica que el Estado acepte que todas las identidades –incluidas las identidades trans– merecen el mismo reconocimiento, entendiendo que no le corresponde a la burocracia estatal definir qué identidades son aceptables o no, que esa actitud paternalista no tiene espacio en una sociedad que respeta la libertad, individualidad y proyectos de vida de sus ciudadanos.
Fonte: El Mostrador Chi
Por: Alessia Injoque
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Ex-ministro da cultura não é o machista agressor-padrão

  A CENSURA DA VÍTIMA E AS LÁGRIMAS DO AGRESSOR

(“(…) quem comeu uma mulher dos 20 aos 40 anos, comeu tudo o que há para comer”)…Ao que parece, não compareceu na posição de arguido e agressor, mas na pele de vítima que perdeu a sua família, a casa e, numa curiosa menção, os livros – este ponto é fulcral para que não nos esqueçamos de que não é um homem comum nem corresponde ao protótipo de um agressor, mas antes um ex-ministro da cultura, professor catedrático “querido pelos alunos” e um intelectual por excelência. Juntando estas notáveis características à sua frágil constituição física, parece difícil crer que fosse capaz, sequer, de uma palavra grosseira dirigida à ex-cônjuge.

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Em dois acórdãos distintos, Manuel Maria Carrilho foi caracterizado como se agregasse duas personalidades inimigas. No acórdão em que foi absolvido, na Secção Criminal da Instância Local de Lisboa, assinado pela juíza Joana Ferrer, “agiu sob a pressão dos acontecimentos e da completa e súbita alteração da sua vida, operada em outubro de 2013, factos que o desnortearam a ponto de carecer de ajuda psiquiátrica, pois já apresentava ideação suicida e com plano de concretização; mas, sobretudo, sob o sofrimento resultante de não ver os seus filhos”, sendo, ademais, valorizada a forma como prestou declarações, nomeadamente a “voz embargada” e os “olhos lacrimejantes”. Ao que parece, Carrilho não compareceu na posição de arguido e agressor, mas na pele de vítima que perdeu a sua família, a casa e, numa curiosa menção, os livros – este ponto é fulcral para que não nos esqueçamos de que Carrilho não é um homem comum nem corresponde ao protótipo de um agressor, mas antes um ex-ministro da cultura, professor catedrático “querido pelos alunos” e um intelectual por excelência. Juntando estas notáveis características à sua frágil constituição física, parece difícil crer que fosse capaz, sequer, de uma palavra grosseira dirigida à ex-cônjuge.

Acontece que, a par do que sucede com a figura mística da vítima perfeita, não existe um agressor-padrão.

No anterior acórdão, presidido pela juíza Emília Costa, a 31 de Outubro, Carrilho assumia outra personalidade, negando os factos pelos quais estava a ser acusado, não manifestando sinais de arrependimento e mostrando-se agressivo e, inclusive, “desagradável”. Ora, a não ser que estejamos perante um estranho caso de transtorno dissociativo de identidade e Carrilho tenha incorporado o polido Dr. Jekyll e o sinistro Mr. Hyde em diferentes cenários, terá aprendido com a anterior condenação a manipular, com uma postura e voz dócil, o tribunal, usando as mesmas tácticas que parece ter utilizado a fim de manipular Bárbara Guimarães. Note-se, contudo, que as lágrimas e a voz embargada estão ausentes da narrativa da sentença anterior.

São estas as manobras commumente usadas pelo agressor para manter a vítima num círculo vicioso – após uma fase de violência física e/ou psicológica, que começa subtilmente e se vai intensificando, surge o pedido de desculpas e a promessa de que foi apenas um deslize emocional que não se repetirá, bem como a conveniente transferência de culpa do agressor para a conduta da vítima, que o terá levado a tal comportamento.

Acresce que existem quatro factores que potencialmente influenciarão o poder do agressor sobre a vítima no contexto matrimonial: (i) o sexo; (ii) a idade; (iii) poder económico e (iv) estatuto social. Pese embora a maior parte dos crimes conjugais seja praticada pelo sexo masculino e uma significativa diferença de idades implique um maior domínio de uma pessoa em relação à outra, pela sua experiência de vida, será nos últimos pontos que nos iremos concentrar.

É o próprio agressor quem rebaixa a capacidade intelectual da ex-cônjuge ao afirmar que é “incrivelmente ignorante e inculta”, enquanto mantém a sua própria intelectualidade intacta (independentemente de ter perdido o acesso aos seus livros), ao citar H. Miller para insultar tanto Bárbara como o seu namorado (“(…) quem comeu uma gaja dos 20 aos 40 anos, comeu tudo o que há para comer”). Isto desfaz o barro estereotipado do agressor: é possível insultar a inteligência da ex-mulher e descer à vulgaridade com recurso à intelectualidade. Por analogia, é possível ser misógino e profundamente letrado, o que implica que o misógino não tenha de ser um ignorante, mas, ao invés, um machista com excelentes referências bibliográficas. Carrilho não mudou de personalidade – é a mesma pessoa.

Carrilho sabe que está em vantagem. Por muito culta que Bárbara possa ser, o que não vem ao caso, não é o “ex-ministro da cultura”, como incansavelmente repete a imprensa, embora não esteja a ser acusado nessa qualidade, mas a apresentadora de televisão cuja vida privada é constantemente escrutinada e exposta pelas revistas cor-de-rosa. Esquecemo-nos que Carrilho sempre nos é apresentado como um ser intelectualmente superior. É essa diferença de estatuto que é evidenciada pelo tratamento dos dois em tribunal: Bárbara é tratada pelo primeiro nome, ao passo que Manuel Maria Carrilho é o “Senhor Professor” – pode parecer um pormenor sem importância, mas contribui para um desequilíbrio entre as pessoas envolvidas.

Por outro lado, e não obstante a disparidade de estatuto entre ambos, Bárbara não corresponde ao estereótipo de vítima perfeita. Não só é privada do comando da sua própria narrativa como é descredibilizada pela sua posição – já recentemente o Tribunal de Viseu considerou que uma “mulher moderna e autónoma” não poderia ser vítima de violência doméstica, por ser empregada e com salário próprio, isto é, insubmissa ao marido. O discurso feminista é, como em tantas outras circunstâncias, convenientemente deturpado para benefício da parte mais forte: é plausível que uma mulher sem recursos económicos e, portanto, financeiramente dependente do cônjuge, seja vítima de violência doméstica, uma vez que não se lhe pode exigir que simplesmente abandone o lar, mas se essa mulher for independente, tiver uma formação académica ou for apenas informada, não é credível que tolere passivamente uma agressão, sem apresentar queixa ou sem tomar uma rápida decisão que solucione o problema.

Esta suposta facilidade em apresentar queixa pressuporia um não questionamento da conduta da vítima durante o processo e uma maior sensibilidade dos juízes perante a fragilidade emocional de quem recorre aos tribunais, o que não se tem verificado.

De facto, existe uma maior divulgação do crime de violência doméstica e dos procedimentos a tomar em relação ao mesmo, mas, aparentemente, não o bastante – apesar de todas as alterações legislativas e formação complementar na Ordem dos Advogados sobre o tema, persiste uma ignorância sobre o processo emocional vivenciado pela vítima. Salientamos ainda que este é um período em que a defesa de princípios constitucionais elementares é desvalorizada e categorizada como doutrina do politicamente correcto, por contraponto com uma misoginia mascarada de liberdade de expressão, culminando na publicação de teses de mestrado que vitimizam directamente o agressor (in casu, “A discriminação do gênero-homem no Brasil em face à Lei Maria da Penha”, de autoria do juiz criminalista Gilvan Macêdo dos Santos).

No presente caso, Joana Ferrer emociona-se perante as lágrimas ensaiadas de Carrilho, mas desconsidera a versão de Bárbara, uma mulher “destemida e senhora da sua vontade”.

Ao tecer um padrão de fragilidade na pele das vítimas de violência doméstica e “elogiar” a personalidade destemida da assistente, que estaria a mentir por facilmente poder libertar-se da situação, Joana Ferrer demonstra não estar capacitada para julgar um crime desta natureza. A sua parcialidade e julgamento de um caso concreto a partir de critérios arbitrários acerca da personalidade da vítima e do agressor dão origem a um desconhecido critério de exclusão da culpa do arguido – o carácter destemido da assistente. Como terá aferido a douta juíza esta característica em Bárbara Guimarães (ou em qualquer outra vítima)?

Ao presumir, puramente a partir da sua convicção pessoal, que Bárbara é uma mulher auto-suficiente e que a sua personalidade forte não lhe permitiria permanecer naquela relação, está a afirmar, por maioria de razão, que o Direito não protege as vítimas que sejam autónomas, informadas e financeiramente estáveis, assumindo que a violência estará circunscrita às classes sociais mais baixas.

O princípio da independência dos juízes, defendido aquando do acórdão de Neto de Moura, não pode justificar uma aparente institucionalização da violência exercida contra a vítima e a naturalização de decisões judiciais perpetuadoras de noções estereotipadas de vítimas enquanto meios de prova.

Uma formação adequada e consequente sensibilização no que respeita a este crime e o psicológico dos seus afectados tolheriam a magistrada de proferir afirmações que colocam em causa o discurso da vítima. A argumentação de que Bárbara, enquanto mulher informada, deveria ter apresentado queixa corresponde à idêntica transferência de culpa que o agressor pratica no decurso do círculo. Sabendo-se de antemão que os sentimentos de vergonha, culpa e medo são partilhados pela esmagadora maioria das vítimas de violência doméstica ou de crimes sexuais, o que interfere na decisão de participarem o crime – caindo por terra a invocação de que a juíza se baseia em factos notórios ou de conhecimento geral para decidir neste processo –, é incompreensível que seja a própria Justiça a responder à questão “Por que não fez queixa?”, perpetuando a cultura do silenciamento das vítimas. Após finalmente romper o silêncio imposto pelas regras sociais, pela família, pelo cônjuge agressor e por ela própria, a vítima terá de enfrentar o julgamento que o seu próprio medo originou, a ponto de perder o direito a ser vítima.

A vergonha sentida por Bárbara é menorizada e os motivos que ali a trouxeram secundarizados – a vantagem pende sobre o homem “cuja vida sofreu um dramático volte-face” e cuja depressão é considerada mais relevante do que o tumulto psicológico sofrido por ela. Assistimos a uma dupla vitimização da assistente, que sofre as mesmas humilhações e a mesma vergonha que a impediram de participar ou realizar perícias médicas no Instituto Legal de Medicina. Aliás, é precisamente esta uma das razões que coíbem as vítimas de apresentar queixa: a humilhação e desacreditação por parte de quem as deveria proteger.

Em suma, o fundamento de que o crime de violência doméstica está suficientemente divulgado é, cite-se, “um argumento fraquinho”.

Bárbara e muitas outras mulheres puderam enfim quebrar o silêncio e tentar abrir a porta da Lei, ainda que lhes seja negada a entrada. Um número maior de mulheres, pese embora toda a informação tornada pública sobre o assunto e os esforços para que falassem, não chegou sequer perto da Lei – são as mulheres que acabaram mortas e que, após a morte, vêem finalmente a sua voz restituída. Terão morrido por culpa do seu próprio silêncio ou de quem deslegitima o discurso de quem ousa conquistar uma voz?

Joana Ferrer censura Bárbara e, neste gesto, censura todas as vítimas de violência doméstica, que não são imunes a agressões físicas e psicológicas pela sua condição económica nem dotadas de frivolidade sobrehumana, conseguindo reagir atempadamente e dizer basta ao círculo vicioso. São seres humanos que merecem que a Justiça lhes garanta uma voz que durante tanto tempo viram sufocada. Por negar esta voz a uma vítima, nós censuramo-la.

Fonte: Capazes Pt
Por: Beatriz Alves da Silva
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Psiquiatras continuam debatendo a saúde mental de Trump

              Por qué se está cuestionando la salud mental de Donald Trump

¿Es Donald Trump mentalmente apto para su cargo?
Sin embargo, algunos han sugerido que Trump puede tener síntomas que apuntarían al Trastorno Narcisista de la Personalidad (TNP).

Las personas con esta afección a menudo muestran algunas de las siguientes características, de acuerdo con el medio especializado Psychology Today:

Grandiosidad, que es la falta de empatía por otras personas y una necesidad de admiración
Creen que son superiores o que merecen un trato especial.
Buscan la admiración y la atención de forma excesiva, y tienen conflictos para manejar la crítica o la derrota

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Es una discusión que los adversarios del presidente de Estados Unidos han tenido desde hace tiempo: ¿es Donald Trump mentalmente apto para su cargo?

El tema ha resurgido en en los últimos días en algunos medios de comunicación como el Washington Post o la cadena CNN, tras la publicación del polémico libro del periodista Michael Wolff, en el que relata el ascenso de Trump a la presidencia con entrevistas a personas cercanas al mandatario.

Incluso este viernes, el secretario de Estado de EE.UU., Rex Tillerson, se pronunció sobre el tema, asegurando que él “nunca se cuestionó” la salud mental del presidente, pese a que Wolff dice en su libro que en la Casa Blanca consideran a Trump un “niño”.

La idiosincrasia del presidente, su fuerte personalidad y su forma de hablar, diferentes a la de la élite de Washington, han sacudido la política estadounidense en el último año.

Pero esa personalidad y carácter también han contribuido a que se forme una atmósfera en la que sus críticos han ido más y más lejos, hasta cuestionar si Trump es apto para el cargo.

Algunos incluso han llegado a poner en duda su salud mental.

¿Qué se dice actualmente?

psi 02El libro de Michael Wolff creó gran controversia en Estados Unidos. EFE

La oleada actual de especulaciones se ha reavivado tras la publicación del libro “Fuego y Furia”, en el que el periodista Michael Wolff escribe que, durante el tiempo que pasó en la Casa Blanca para preparar su ensayo, conoció a gente alrededor de Trump que notaba que “sus facultades mentales patinaban”.

Durante la promoción de su libro, Wolff aseguró que Trump, de 71 años, repite frases para sí mismo a menudo.

La repetición puede ser causada por la mala memoria a corto plazo, así como por otros factores.

Puede ser un signo de demencia, que afecta hasta 8% de las personas mayores de 60 años en todo el mundo, según la Organización Mundial de la Salud.

“Todo el mundo era muy consciente del creciente ritmo de sus repeticiones”, escribe Wolff.

“Antes solía tener un periodo de 30 minutos en el que repetía, palabra por palabra y expresión por expresión, las mismas tres frases. Pero ahora ocurre en periodos de menos de 10 minutos”.

Wolff no dio ningún otro contexto sobre esas presuntas repeticiones.

Trump ha desdeñado el libro, que calificó de “errado” y “lleno de mentiras”, además de rechazar que él le haya dado alguna vez acceso a la Casa Blanca a Wolff.

          I authorized Zero access to White House (actually turned him down many times) for author of phony book! I never spoke to him for book. Full of lies, misrepresentations and sources that don’t exist. Look at this guy’s past and watch what happens to him and Sloppy Steve!

           — Donald J. Trump (@realDonaldTrump) 1:52 – 5 ene. 2018
Los críticos del libro también han cuestionado sus fuentes, ponen en duda que Wolff haya sido testigo de los hechos que describe y consideran como “chismes” algunas de las informaciones que contiene.

¿Qué se ha dicho antes?

Algunos psicólogos han especulado previamente acerca de los síntomas que veían en el comportamiento de Trump.

Varios libros fueron publicados sobre el tema unos meses después de la toma de posesión de Trump, como “El peligroso caso de Donald Trump”, de Bandy X. Lee; “El crepúsculo de la Cordura Estadounidense”, de Allen Frances, o “Fantasilandia”, de Kurt Andersen.

El doctor Lee, quien es profesor de psiquiatría en la Universidad de Yale, dijo a un grupo de senadores demócratas el mes pasado que Trump “iba a desmoronarse y ya estamos viendo señales“.

Pero vale la pena recordar que ninguna de estas personas ha tratado como paciente a Trump, ni tienen información de primera mano sobre su estado mental.

Cualquier profesional que lo hubiera tratado y quisiera hablar al respecto iría contra las normas de ética, así como en contra de leyes federales que protegen a los pacientes.

¿Por qué es importante?

En teoría estaría en juego el trabajo que tiene Trump.

En virtud de la enmienda 25 de la Constitución de Estados Unidos, si se considera que el presidente es “incapaz de ejercer los derechos y obligaciones de su cargo”, el vicepresidente tomaría el puesto.

Su gabinete y el vicepresidente tendrían que poner en marcha un proceso de destitución, por lo que es poco probable que suceda aunque muchas voces lo pidan.

¿Ha habido presidentes con problemas mentales?

Sí, presidentes de Estados Unidos han sufrido de enfermedades mentales, como Abraham Lincoln, cuya depresión clínica le provocó varios episodios negativos.

Más recientemente, Ronald Reagan, quien fue presidente de 1981 a 1989, sufría de desorientación y en ocasiones parecía no estar seguro de dónde se encontraba.

Fue diagnosticado con la enfermedad de Alzheimer 5 años después de dejar el cargo.

Sin embargo, la enmienda 25 nunca se ha utilizado para destituir a un presidente en ejercicio.

¿Qué hay de las evidencias sobre Trump?

Vale la pena reiterarlo: no hay evidencia real de nada mientras que no haya nadie que haya examinado al presidente y hable públicamente.

Sin embargo, algunos han sugerido que Trump puede tener síntomas que apuntarían al Trastorno Narcisista de la Personalidad (TNP).

Las personas con esta afección a menudo muestran algunas de las siguientes características, de acuerdo con el medio especializado Psychology Today:

Grandiosidad, que es la falta de empatía por otras personas y una necesidad de admiración
Creen que son superiores o que merecen un trato especial.
Buscan la admiración y la atención de forma excesiva, y tienen conflictos para manejar la crítica o la derrota
Sin embargo, el hombre que describió los criterios para el TNP, Allen Frances, dijo que no podía decir que Trump tuviera ese trastorno ya que no encontraba muestras de angustia evidente en el presidente.

“Trump provoca angustia grave en lugar de experimentarla y ha sido recompensado con creces, en lugar de ser castigado, por su grandiosidad, ensimismamiento y falta de empatía”, escribió Frances.

El libro de Wolff ha llevado a algunos a preguntarse si Trump podría estar sufriendo de deterioro cognitivo.

La repetición de frases y la manera de hablar de Trump han sido señaladas como pruebas de esto.

Algunos dicen que el presidente está ocultando un deterioro cognitivo dado que han notado momentos en los que Trump parece no tener un control total de sus propios movimientos.

Hubo un caso en diciembre, cuando estaba dando un discurso y levantó un vaso con torpeza, con las dos manos.

Durante otro discurso, arrastró algunas palabras, algo que la Casa Blanca atribuyó a una afección en la garganta, pero algunos dijeron que podría ser un signo de algo más serio.

La próxima semana, el presidente se someterá a su primer examen médico -un examen físico- desde que asumió el cargo.

¿Es un debate justo?

Esa es la cuestión.

Sarah Huckabee Sanders, la portavoz de la Casa Blanca, consideró que esto es “lamentable y ridículo”.

“Si no fuera apto, probablemente no estaría sentado allí, no habría derrotado al grupo más cualificado de candidatos que se haya visto en el Partido Republicano”.

Algunos legisladores republicanos han calificado las preocupaciones sobre la salud del presidente como un ataque partidista.

El doctor Frances ha dicho que este debate es injusto con las personas que sufren de enfermedades mentales: “El mal comportamiento no suele ser un signo de enfermedad mental, además de que los enfermos mentales se comportan mal solo en raras ocasiones”, dijo.

“Es un insulto estigmatizar a los enfermos mentales (que son en su mayoría bien educados y bien comportados) al ser comparados con el señor Trump (que no lo es)”, señaló.

Otros han hecho eco de esto, como el columnista David M. Perry, quien dijo que el debate haría “que la gente con necesidades de atención mental se mantuvieran en silencio”.

Pero los profesionales que han dado su opinión sobre el estado psicológico de Trump dicen que han hablado con el objetivo de advertir a la nación.

Rompiendo la regla Goldwater

Al hablar de este asunto, los profesionales de la salud mental han roto sus propias reglas de ética.

La regla Goldwater prohíbe a los psiquiatras ofrecer un diagnóstico sobre alguien que no han evaluado personalmente.

Se instauró después de que una revista preguntó a miles de expertos en 1964 si el candidato republicano Barry Goldwater era psicológicamente apto para ser presidente.

Él demandó con éxito el editor de la revista por difamación después de que los resultados fueran publicados.

La Asociación Estadounidense de Psicología advirtió durante la campaña pasada que romper la regla al intentar analizar a los candidatos en la elección presidencial era “irresponsable, potencialmente estigmatizante y definitivamente no ético”.

Considerando la regla contra el diagnóstico a distancia, algunos argumentan que debería establecerse un mecanismo para examinar a un mandatario.

“Un presidente podría ser un alucinador activo”, escribe la revista The Atlantic, “que amenace con lanzar un ataque nuclear en base a información de inteligencia obtenida de David Bowie, y la comunidad médica podría quedar relegada a especular en la distancia”.

De hecho, hay un proyecto de ley para que se conforme un comité que pueda evaluar la salud del presidente cuando se requiera. Se llamaría Ley para la Comisión de Supervisión de la Capacidad Presidencial.

A pesar del amplio debate que ha generado el tema de la salud mental del presidente, muchos analistas prefieren no considerar la cuestión.

Carlos Lozada escribe en el Washington Post: “Hay algo demasiado simplista en desestimar sus fechorías como producto de una enfermedad mental; eso lo exonera a él y a nosotros”.

“Si no nos gusta la política de alguien, nos lanzamos en su contra, hacemos campaña en su contra, no utilizamos el sistema psiquiátrico en su contra”, escribe Alan Dershowitz, exprofesor de la Escuela de Derecho de Harvard, pues considera que eso es “simplemente peligroso”.

Cree que las personas que piensan que la Enmienda 25 pondría fin a la presidencia Trump están poniendo “los deseos sobre la realidad”.

Únicamente un “importante brote psicótico” daría lugar a eso.

Fonte: Eldiariony
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…Medicina papa-fina, não é coisa prá menina,…

 

Antigo hino dos bixos da Faculdade de Medicina

Qüim qüim qüim quiririm qüim qüérum (4 x); Oh Nicodemo [idem], Oh Jalaô [idem],
Oh Nicodemo Jalaô oba, oba oba oba oba, oba oba oba oba; e o esqueleto [idem]
da Faculdade [idem], ‘tava guardado em creolina, creolina, creolina, creolina, creolina; mas acordou [idem], e gargalhou [qua qua qua qua], e a maior é a Medicina, Medicina papa-fina, não é coisa prá menina, e a maior é a Medicina!

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Fonte: Capazes Pt

Versão ampliada em “Cuando impedían a las mujeres ser doctoras, ella lo logró”

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Imigrantes muçulmanos também discriminam europeus

Alemanha, Áustria: Imãs Advertem Muçulmanos a Não se Integrarem

Na celeuma que gira em torno dos migrantes na Alemanha e na Áustria, nenhum outro termo é usado com mais frequência do que “integração”. Contudo, a instituição mais prestigiada por muitos migrantes muçulmanos, via de regra, não colabora muito nesse empreendimento e não raramente se opõe a ele, qual seja: a mesquita. Essa é a conclusão de um estudo oficial austríaco, bem como de um levantamento do setor privado realizado por um jornalista alemão.

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Centro Islâmico de Viena. (Imagem: Zairon/Wikimedia Commons)

No final de setembro, o Austrian Integration Fund (ÖIF), órgão do Ministério das Relações Exteriores , publicou o estudo: “o papel da mesquita no processo de integração”. Para efeitos do estudo, funcionários do ÖIF estiveram em dezesseis mesquitas em Viena, participaram de diversos sermões das sextas-feiras e conversaram com os imãs ao pé do ouvido, isto é, quando os imãs se disponibilizavam a conversar, o que amiúde não era o caso. A conclusão, de acordo com o ÖIF, é que apenas duas das associações de mesquitas fomentam a integração de seus membros. O estudo aplaude uma associação de mesquitas da Bósnia que também dirige um clube de futebol. Durante a conversa, o imã salientou: “qualquer país, como a Áustria por exemplo, tem suas leis e seus costumes, eu não me canso de dizer, é nosso dever religioso respeitar as normas e se integrar como manda o figurino”.

No tocante aos papéis de gênero, em todas as mesquitas em que estiveram, os autores foram surpreendidos pela quase total ausência de mulheres nas rezas das sextas-feiras:

“Apenas três das mesquitas percorridas… proporcionam espaço reservado para as mulheres, reservado e ocupado por elas. Caso haja esse tipo de acomodação, a maioria das mesquitas também transforma esses espaços às sextas-feiras em lugares para os homens”.

Separação por Etnia

Salvo raríssimas exceções, as mesquitas de Viena são divididas de acordo com a etnia:

“Há mesquitas turcas, albanesas, bósnias, árabes, paquistanesas e outras, nas quais os sermões são, via de regra, proferidos exclusivamente no respectivo idioma da terra natal. Somente em casos excepcionais, trechos do sermão, e mais excepcionalmente ainda, todo sermão, é traduzido para o idioma alemão”.

Portanto as associações de mesquitas são “espaços fechados em termos de etnia e idioma”. Essa diferenciação estimula a “integração social em um ambiente étnico próprio e, consequentemente, a segmentação étnica”. Em oito das dezesseis mesquitas avaliadas, essa propensão é ainda mais reforçada pelo “nacionalismo predominante, flagrantemente difundido”.

A mesquita gerida pelo movimento turco Milli Görüs se destacou pelo alto grau de radicalismo. Milli Görüs é uma das organizações islâmicas da Europa mais influentes e está intimamente ligada ideologicamente ao presidente turco Recep Tayyip Erdogan. De acordo com o estudo, o imã da mesquita de Milli Görüs “defende abertamente o estabelecimento de uma Ummah (nação muçulmana) politicamente unida regida por um califado”. Ele atribui a instabilidade no Islã à fitna (“revolta”) trazida para a comunidade islâmica de fora para dentro. Segundo os autores do estudo, o imã “se vê cercado em todos os lugares pelos inimigos do Islã que querem impedir a comunidade islâmica de dominar o mundo conforme previsto nas profecias”. Nos três serviços religiosos dos quais participamos, o tema crucial era a unidade dos muçulmanos: muçulmanos de um lado, “infiéis” de outro. De acordo com o estudo, algumas das declarações do imã indicaram uma “pesada visão de mundo impulsionada por teorias da conspiração”, como por exemplo: “as forças que estão fora da Ummah fizeram tudo que estava ao seu alcance para minar a percepção da Ummah pela própria Ummah”.

A conclusão do estudo assinala:

“Em síntese, poder-se-ia dizer que das dezesseis associações de mesquitas avaliadas neste estudo, com exceção das mesquitas D01 (uma das poucas mesquitas de língua alemã) e B02 (a mesquita da Bósnia mencionada acima), que elas não promovem diligentemente a integração social de seus membros. Na melhor das hipóteses elas não impedem que isso ocorra. Na maioria das vezes elas têm em si um efeito inibitório no processo de integração”.

Conforme a matéria, seis das dezesseis mesquitas avaliadas (37,5%) cortejam “uma política que impede diligentemente a integração dos muçulmanos na sociedade e, até certo ponto, manifestam propensões fundamentalistas”. Metade das dezesseis mesquitas examinadas “pregam uma visão de mundo dicotômica, cujo princípio central é a divisão do mundo em muçulmanos de um lado e o restante do outro”. Constatou-se que seis das mesquitas praticavam o “enxovalhamento explícito da sociedade ocidental”.

Recriminação ao Estilo de Vida na Alemanha

Observações parecidas foram feitas pelo jornalista alemão Constantin Schreiber que em 2016 passou mais de oito meses assistindo serviços religiosos das sextas-feiras em mesquitas alemãs. Schreiber, fluente em árabe, é conhecido como moderador de programas de televisão em árabe, nos quais ele explica como funciona a vida na Alemanha aos imigrantes. Ele publicou suas experiências nessas mesquitas em um livro que esteve na lista de best sellers na Alemanha por meses a fio: Dentro do Islã: O que está Sendo Pregado nas Mesquitas da Alemanha.

Schreiber se apresentou às associações de mesquitas como jornalista, revelando que pretendia escrever um livro de não ficção sobre mesquitas na Alemanha. Pouquíssimos imãs se dispuseram em aceitar conceder uma entrevista. Em uma ocasião, ele foi informado de que era “proibido” falar com ele. Normalmente os imãs com os quais era permitido conversar não falavam praticamente nada de alemão. “Ao que tudo indica, é possível viver na Alemanha por anos a fio, com esposa e filhos e sequer ser capaz de comprar pão em alemão”, ressalta Schreiber.

Um assunto habitual nos sermões que Schreiber assistiu nas mesquitas consistia em recriminações ao estilo de vida na Alemanha.

“Vira e mexe, como acontece na mesquita Al-Furqan (mesquita árabe sunita em Berlim), os muçulmanos parecem estar comprometidos com a ideia de que eles são uma espécie de comunidade com um destino em comum: ‘vocês são a diáspora! Nós somos a diáspora! Eles (alemães) se assemelham a uma torrente que aniquila vocês, que destrói vocês e tira de vocês seus valores e os substitui pelos valores deles’.”

Na mesquita sunita/turca Mehmed Zahid Kotku Tekkesi em Berlim, no sermão das sextas-feiras, no dia anterior à véspera de Natal, o imã alertou para a ameaça do “maior de todos os perigos”, o “perigo do Natal”: “todo aquele que imita outra tribo se torna membro dela. É a nossa Passagem do Ano Novo? As árvores de natal têm algo a ver com a gente? Não, nada a ver com a gente!”

O imã da mesquita de Al-Rahman em Magdeburg comparou a vida na Alemanha com um caminho através de uma floresta sedutora, realça Schreiber. Seus encantos têm o poder de desviar os muçulmanos, de afastá-los do caminho da virtude, de perderem o caminho na “mata densa” até serem “devorados pelos animais selvagens que vivem na floresta”.

O Estado Não Tem Um Panorama Claro

O que chamou a atenção de Schreiber, ainda no estágio de planejamento das visitas às mesquitas, foi a falta de transparência envolvendo as mesquitas na Alemanha. Para começar, não existe um diretório oficial de mesquitas. Ninguém sabe quantas mesquitas existem na Alemanha. O Website Moscheesuche.de, mantido pela iniciativa privada, é o único cadastro dessa natureza. “De modo que as autoridades alemãs”, salienta Schreiber, “dependem de cadastros compilados por um particular, que obviamente é caracterizado por um determinado posicionamento ideológico”. Além disso, como a inserção de dados no cadastro é voluntária, é incerto se as mesquitas que desejam permanecer na surdina estejam lá cadastradas. Schreiber considera improvável que o cadastro esteja perto de ser concluído ou atualizado:

“Eu me deparei com mesquitas que constam do cadastro, mas não existem mais, pelo menos por enquanto. Ou então mesquitas recém inauguradas que não estão registradas em nenhum lugar, nem os serviços de inteligência nem as autoridades regionais sabem de sua existência”.

Além disso, o pedido de Schreiber à prefeitura de Hanover revelou que as autoridades alemãs se sentem constrangidas no tocante ao fornecimento de informações sobre as mesquitas de sua própria cidade. Um funcionário da administração local escreveu em um e-mail: “por gentileza, forneça informações mais detalhadas sobre a finalidade do cadastro. Não queremos que essas instituições estejam sob suspeição generalizada”.

Medo e Silêncio

Schreiber foi tomado de surpresa com a reação defensiva daqueles cujas profissões exigem transparência e cooperação. Como Schreiber queria certificar-se de que, na tradução dos sermões, não haveria nenhuma interpretação equivocada, ele contatou o que afirma ser uma das agências de tradução mais conceituadas da Alemanha:

“A agência solicitou o envio da transcrição de um dos sermões para análise e estimativa de precificação. A agência recusou o trabalho. O texto foi considerado ‘fora da alçada habitual de trabalho’ dos tradutores, uma vez que não havia ninguém seguro de si o suficiente para traduzir corretamente este tipo de texto.”

Achar um tradutor dos sermões proferidos no idioma turco também foi difícil: “o simples fato de eu estar interessado neste assunto resultava na imediata acusação de que o que eu realmente queria era instigar “atacar o Islã”.

Schreiber também se viu diante de forte resistência ao procurar estudiosos alemães especializados em Islã para conversar com eles sobre o conteúdo dos sermões. Professores universitários, cujos salários são pagos pelos contribuintes alemães, se recusaram em providenciar informações sobre matéria relacionada à sua própria especialidade.

“Por meses a fio, enviei consultas a diversas faculdades de estudos islâmicos com as quais trocávamos ideias na nossa função de editores. Uma universidade ficou me enrolando durante meses com a desculpa de que ainda estavam procurando a pessoa certa. Em 16 de dezembro, isto é, três meses depois do meu primeiro pedido, o professor de estudos islâmicos me escreveu que já não havia tempo suficiente para marcar uma reunião. Quando respondi que, se necessário fosse, poderíamos marcar outra reunião no início de janeiro, não recebi mais nenhuma resposta . Vários professores da universidade me pediram para que eu lhes enviasse os sermões, o que eu fiz de imediato. Após enviá-los não recebi mais nenhum e-mail, sequer uma confirmação de recebimento”.

Segundo Schreiber, todo esse trabalho mostrou ser uma “experiência interessante”, a despeito do fato de estudiosos de estudos islâmicos e especialistas em Islã “serem por demais prestativos em se disponibilizarem em conceder entrevistas sobre questões de política atual”. Entretanto, essa abertura não existe, quando se trata de sermões em mesquitas alemãs: “inúmeros especialistas me evitam após receberem minhas perguntas, sem responderem, de forma consistente, aos meus e-mails”. Um estudioso do Islã me aconselhou, indiretamente, a abandonar o projeto, porque isso poderia, ‘hipoteticamente’, “aumentar ainda mais o abismo”. Por quê isso? Porque, segundo esse estudioso de estudos islâmicos, “mesmo leitores liberais e tolerantes poderiam facilmente achar esses textos extremamente incompreensíveis e estranhos, bem como grosseiros”.

Políticos Ingênuos

A conclusão de Schreiber sobre os sermões que presenciou:

“Após 8 meses de pesquisa devo dizer que as mesquitas são espaços políticos. A maioria dos sermões que eu participei visava resistir à integração dos muçulmanos na sociedade alemã. Quando o assunto se voltava para o estilo de vida na Alemanha, isso acontecia primordialmente em contexto negativo. Normalmente os imãs retratavam a vida cotidiana na Alemanha como ameaça e exortavam suas comunidades a resistirem. A característica comum de quase todos os sermões é o apelo aos fiéis para se fecharem e não compartilharem”.

Em “praticamente todas as mesquitas”, Schreiber notou a presença de “dezenas de refugiados que não estavam há muito tempo na Alemanha”. Eles também haviam sido alertados para o perigo da integração: “fora da mesquita há muita conversa sobre integração, o contrário é pregado dentro dela”.
O perigo dessa abordagem fica evidente pelo assassinato de Farima S., uma afegã que foi assassinada na cidade bávara de Prien. Há oito anos ela abandonou o Islã, se converteu ao cristianismo e, dois anos depois, fugiu para a Alemanha. Em 29 de abril, ela foi assassinada por um muçulmano afegão em plena luz do dia. Inúmeros muçulmanos que moram na cidade foram ao funeral, ao passo que as associações de mesquitas faziam de conta que o assassinato não lhes dizia respeito. Karl-Friedrich Wackerbarth, pastor da igreja evangélica de Prien, onde Farima S. era afiliada, pediu às associações que condenassem o crime. Em outubro, meio ano após o assassinato, ele respondeu a uma consulta do Gatestone Institute: “lamentavelmente, até hoje”, salientou ele, “ninguém se manifestou”.

Wackerbarth acha que as associações islâmicas não querem emitir um comunicado contra as fatwas emitidas pela Universidade Al-Azhar do Cairo e de outras, segundo as quais os “apóstatas” (aqueles que abandonam o Islã) devem ser mortos.

Esse quadro levanta a questão da razão do governo alemão acreditar que as associações de mesquitas o ajude a resolver problemas. Não faz muito tempo, a consagrada ativista de direitos humanos e crítica do Islã, Necla Kelek salientou:

“Os políticos que enfatizam repetidamente a intenção de cooperarem com as mesquitas, que convidam seus integrantes a conferências sobre o Islã, não fazem ideia de quem está pregando o quê naquelas mesquitas”.

Fonte: Gatestone
Por: Stefan Frank, jornalista sediado na Alemanha
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Indústria de alimentos esconde que alimentos ultra processados são prejudiciais a saúde

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Pero la clasificación de los alimentos por el grado de procesamiento fue una de las ideas que comenzaron a apuntar el dedo a la industria como la principal responsable de la epidemia de obesidad que estalló en las últimas décadas. Varios grupos de investigación del mundo volvieron la mirada a los ultra procesados y, desde entonces, no dejan de enumerar evidencias científicas sobre la asociación entre el consumo y las enfermedades crónicas no transmisibles (diabetes, hipertensión, cáncer). Recientemente, el Instituto Nacional del Cáncer afirmó haber evidencia sólida de correlación entre la obesidad y 13 tipos de cáncer.

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Académicos y publicaciones con lazos financieros con la industria refuerzan la artillería contra Carlos Monteiro (foto), profesor de la USP que mostró que una bolsa de arroz es diferente de un paquete de salchichas

Carlos Monteiro estaba asistiendo a un debate en la sala Libertador cuando recibió un mensaje en el celular: “Ven aquí. Te están atacando.” Pero la presentación sobre el papel de la biodiversidad en la mejora de la salud y la nutrición, para la que había sido invitado, estaba muy interesante. Y los ataques, de todos modos, no son novedad para el profesor de la Facultad de Salud Pública de la USP.

Especialmente después de que él formuló una propuesta que enfureció a la industria de ultra procesados: nombrarla. Aceptar una etiqueta no es fácil.

Fue eso que se dio en 2009, cuando Monteiro y el Núcleo de Investigaciones Epidemiológicas en Nutrición y Salud (Nupens) decidieron proponer una nueva clasificación de alimentos. En el lugar de los macro nutrientes (proteína, lípidos, carbohidratos) y de los micro (vitaminas y minerales), entró en escena el grado de procesamiento. La clasificación NUEVA, como se llama, divide los alimentos en cuatro grupos. Los tres primeros han sido la base de la alimentación humana por muchos siglos: alimentos no o mínimamente procesados, ingredientes culinarios procesados y alimentos procesados. Y el cuarto grupo, constituido por formulaciones industriales de sustancias derivadas de alimentos y aditivos cosméticos, llamados alimentos ultra procesados.

Hasta allí, la industria de ultraprocesados caminaba por las calles medio anónimas. Algunos la llamaban comida chatarra. Otros, de tranquera o porquería – “niño, no vayas a comer porquería antes de cenar”. Pero no había un nombre científico consensuado, lo que, en cierto modo, continúa no existiendo.

Pero la clasificación de los alimentos por el grado de procesamiento fue una de las ideas que comenzaron a apuntar el dedo a la industria como la principal responsable de la epidemia de obesidad que estalló en las últimas décadas. Varios grupos de investigación del mundo volvieron la mirada a los ultra procesados y, desde entonces, no dejan de enumerar evidencias científicas sobre la asociación entre el consumo y las enfermedades crónicas no transmisibles (diabetes, hipertensión, cáncer). Recientemente, el Instituto Nacional del Cáncer afirmó haber evidencia sólida de correlación entre la obesidad y 13 tipos de cáncer.

“Estos estudios, conducidos por investigadores de varios países, han comprobado el vertiginoso crecimiento mundial del consumo de alimentos ultra procesados, como gaseosas, snacks industrializados y comidas congeladas, y el sistemático impacto negativo de esos alimentos sobre la calidad nutricional de la alimentación humana y sobre el riesgo de la obesidad, la hipertensión, el síndrome metabólico, las dislipidemias y otras enfermedades crónicas no transmisibles “, escribió Monteiro la semana pasada al defenderse de uno de los ataques más recientes.

Las transnacionales nunca ahorraron recursos en la creación de evidencias científicas que apuntaran el dedo hacia cualquier otro lado. Lo que la investigación de Monteiro hizo fue recoger al niño que practicaba bullying, colocarlo en el centro del patio y mostrarle cómo es incómodo quedarse expuesto.

Mucha cosa cambió hasta llegar a Octubre de 2017, en el Congreso Internacional de Nutrición, en un hotel en el centro de Buenos Aires.

El debate realizado a pocos metros de la sala donde estaba Monteiro adoptó una huella fuerte en el intento de desmerecerlo como investigador. Cuando el profesor se embarcó a Argentina, ya esperaba que su trabajo fuera sometido a críticas y elogios. Es parte de estar en evidencia. Pero, en uno de los primeros debates, surgieron golpes por encima del tono para el cauteloso universo científico.

“Alimentos procesados: tecnología alimentaria para una mejor nutrición” fue el mote escogido por la Asociación Latinoamericana de Ciencia y Tecnología de Alimentos para uno de los simposios iniciales del mega evento.

“Es erróneo creer que el desarrollo de la obesidad y de las enfermedades crónicas tenga que ver con el nivel de procesamiento”, dijo Julie Miller Jones, de la Saint Catherine University. “La comida procesada ya es parte del sistema y está siendo juzgada o es considerada culpable por la obesidad, lo que no es verdad.”

En realidad, la NUEVA propone una división bien clara entre procesados y ultra procesados. Sin embargo, los detractores normalmente borran esa línea, lo que hace que parezca que la clasificación está en contra de la industrialización.

“La comunidad científica de todo el mundo cuestionó la base científica y los beneficios de la NUEVA, que, además, implica una demonización injustificada de los alimentos procesados y el papel crucial históricamente desempeñado por la ciencia y la tecnología de alimentos”, continuó Susana Socolovsky, presidenta de la Comisión Asociación Argentina de Tecnólogos Alimenticios.

Ella mostró una diapositiva: “El uso de la clasificación NUEVA en políticas públicas e irresponsabilidad. “Fue una alusión a un artículo publicado poco antes en el American Journal of Clinical Nutrition por un grupo encabezado por Michael Gibney, de la Universidad de Dublín, en Irlanda.

“Alimentos procesados en la salud humana: una evaluación crítica” fue un ataque frontal a la clasificación NUEVA. La alegación central es que la separación entre in natura, procesados y ultra procesados es simplista e induce a errores. Los autores defienden que esta sistematización es inútil para lidiar con las asociaciones entre alimentación y enfermedades.

Y proponen que se mantenga el enfoque por nutrientes. Este enfoque se volvió dominante en la segunda mitad del siglo pasado. Hoy, hay decenas, cientos o miles de expertos para cada uno de estos nutrientes (sodio, zinc, vitamina A, etc etc, etc). Y no parece que la ciencia esté caminando hacia un consenso. El propio Congreso Internacional de Nutrición da prueba de ello: un mismo nutriente aparece como villano o héroe dependiendo de quien organiza el simposio.

Gyorgy Scrinis, profesor de la Universidad de Melbourne, acuñó para ello la expresión “nutricionismo”. “El reduccionismo al nutriente aislado a menudo ignora o simplifica las interacciones entre nutrientes, con los alimentos y con el cuerpo”, critica Scrinis en el libro Nutritionism, en el que acusa de haber un enfoque determinista que indica ese o aquel nutriente como responsable de determinada enfermedad. Para él, ese sistema llevó a que la comunidad científica se desviara de la complejidad existente en la alimentación, ignorando los cambios en el patrón alimentario ocurridos durante las últimas décadas, con la introducción de productos con altos niveles de sal, azúcar y grasa.

En el artículo en que critican la clasificación NUEVA, los autores confunden ultra procesados con empaquetados – el arroz es empaquetado, pero no es ultra procesado. Y en ciertos momentos generalizan, dando a entender que el grupo de Monteiro es contra cualquier procesamiento – la harina de trigo es procesada.

El grupo de Gibney todavía dice que hay “problemas éticos” en adoptar la NUEVA. Sería un abordaje peligroso porque, al supuestamente desestimular el consumo de procesados, no tendría en cuenta el papel de esos productos en la ingestión de nutrientes. “Para nuestro conocimiento, ningún argumento se ha ofrecido sobre cómo, o si, el procesamiento de alimentos de todos modos constituye un riesgo para la salud del consumidor”, escribió.

En los últimos meses, hemos visto varios enfoques parecidos.

“Ellos quieren que tengamos una vaca en el balcón del apartamento”, dijo una profesora. “¿Quieres volver a comer frijoles con caramelo?”

“Quieren llevarnos de vuelta a la Edad Media. ¿Sabías cuál era la expectativa de vida en la Edad Media? “, Me preguntó un médico.

“Ahora existe esta cosa romantizada de comer como en la época de los abuelos. ¿Sabéis cómo eran los alimentos en la época de nuestros abuelos? “Las personas morían de infección alimenticia”, amenazó a otra investigadora.

En la mayoría de los casos, los intentos de descalificar la clasificación por el grado de procesamiento prefieren abrazar la exageración y desconsiderar la evidente diferencia entre una bolsa de arroz y un paquete de Fandangos.

Luego de la publicación del artículo de Gibney, un sitio brasileño produjo un texto que destacaba que “Eliminar alimentos procesados del menú no te deja más sano”. Además de citar fragmentos del trabajo original, el reportaje abría espacio al comentario de una nutricionista. Fue ahí donde la historia comenzó a revelarse.

Esta nutricionista actúa como consultora de Nestlé. El editor del sitio brasileño decidió retirar el contenido del aire, admitiendo un claro conflicto de intereses.

Gibney también tiene contrato con Nestlé. Monteiro advirtió que otros dos autores del artículo ocultaron sus conflictos de interés. Uno de ellos trabajó entre 2010 y 2014 vinculado a un centro de investigación de la transnacional. Y otro fue consultor de una empresa que tiene McDonalds como cliente.

“Esperamos que este episodio pueda generar una discusión productiva sobre la conflictiva y creciente infiltración de la industria de alimentos ultra procesados en instituciones académicas, sociedades profesionales y revistas científicas”, cobra el grupo de Monteiro.

Desde Abril, investigando sobre esa área, vimos una lluvia de críticas contra la NUEVA. Prácticamente, todas partieron de científicos con lazos financieros con la industria de ultra procesados.

Hay algunos ingenieros de alimentos que hacen la ponderación de que, desde el punto de vista de ellos, los alimentos procesados son procesados y punto. No tiene sentido separar por el grado de procesamiento. Pero, aun así, algunos admiten que desde la perspectiva de la nutrición y de la salud pública la clasificación NOVA puede ser importante.

La Asociación Argentina de Tecnólogos Alimenticios tiene Coca y Danone como patrocinadoras. Lo mismo vale para sus entidades homólogas en los otros países de América Latina.

El American Journal, donde salió el artículo del grupo de Gibney, es conocido en el medio académico. Es una de las publicaciones de la American Society for Nutrition, que tiene actualmente 28 empresas asociadas – Coca, Kellogg, Pepsi, Nestlé, Monsanto y de ahí en adelante. La organización es una defensora de esas corporaciones. Ya llegó a administrar la emisión de un sello positivo que decoró envases de cereales altísimos en azúcar, entre otros ultra procesados.

En 2015, la investigadora Michele Simon, especializada en la industria alimenticia, publicó un artículo en el que aborda los lujosos eventos de la American Society. De 34 paneles científicos en la edición de aquel año, 14 eran bancados por empresas o asociaciones empresariales – sin contabilizar instituciones de fachada.

“Es precisamente porque la industria de alimentos tiene objetivos vastamente diferentes de las organizaciones de salud que esas relaciones son problemáticas”, escribió. “Para asegurar su credibilidad, reflejar la ciencia objetiva que el público tiene en mente y mantener la industria de alimentos bajo observación, es primordial que la American Society for Nutrition reconsidere sus lazos financieros.”

Había todavía un punto interesante en el artículo de Simon. Ella llamaba la atención sobre la defensa enfática de la entidad al procesamiento de alimentos. Y aquí podemos volver al texto de Gibney.

“En relación al uso de la clasificación NUEVA en el desarrollo de documentos de directrices alimentarias, mostramos que la definición amplia de ultra procesados lo hace imposible”, defiende el artículo.

En realidad, tanto es posible que ya está en dos documentos del tipo, en Brasil y en Uruguay. Por aquí, el Ministerio de Salud publicó en 2014 la Guía Alimentaria para la Población Brasileña. El trabajo fue desarrollado justamente por el grupo de Monteiro. Y salió con una recomendación clara: evite el consumo de ultra procesados. La industria hizo grandes esfuerzos para que el documento no fuera publicado, pero no lo logró.

El trabajo brasileño fue saludado por figuras de buena reputación del mundo de la nutrición. La FAO lo considera uno de los mejores documentos de orientación alimentaria. El concepto de ultra procesados es cada vez más usado científicamente. “Durante la fase de consulta pública de la Guía, un sector absolutamente comprometido con el lenguaje de la industria decía que el término no funcionaría”, cuenta Patricia Jaime, profesora de la Facultad de Salud Pública de la USP y en la época coordinadora general de Alimentación y Nutrición del ministerio. “Es impresionante ver cómo hoy está siendo utilizado por las personas fuera del campo técnico de la nutrición. La gente ve en la prensa. El concepto está siendo apropiado porque tiene sentido para las personas.’

Algunos documentos del Ministerio de Salud y del Ministerio de Desarrollo Social adoptan la NUEVA. El ministro de la Salud, Ricardo Barros, determinó la prohibición de la venta de ultra procesados en las dependencias ministeriales – y nadie por ahí entendió que eso significa no poder comer arroz o productos con harina de trigo.

La Organización Panamericana de la Salud (OPAS) adoptó la NUEVA para definir el modelo de perfil nutricional lanzado el año pasado, el cual propone que, si se consumen sólo alimentos que encajen en los estándares aceptables de sal, grasa, azúcar y calorías, al final del día probablemente haya mantenido una dieta sana. El documento es la base para el etiquetado frontal de procesados y ultra procesados en Uruguay, medida que está a una firma de ser adoptada.

Carlos Monteiro es respetado por los pares. Lo notamos no sólo circulando por el congreso en Buenos Aires, sino en las entrevistas que hicimos con investigadores brasileños cuya línea de raciocinio es opuesta a la suya. Todos reconocen el rigor científico con que actúa y la relevancia de su trabajo.

Por eso, por regla general, las críticas se concentran en la Guía y sobre la clasificación. En cuanto a la publicación del documento brasileño, la American Society for Nutrition salió en defensa de los procesados, ignorando la línea divisoria con los ultra procesados, en una de las primeras indicaciones del rumbo que el debate tomaría. Fue una clara y rápida reacción a los elogios que el trabajo recibió en la prensa y en la academia de Estados Unidos.

La Guía brasileña es pionera no sólo por hablar sobre el grado de procesamiento, sino por proponer un lenguaje accesible al público en general y pensar en el alimento más allá de los nutrientes, con el enaltecimiento de cuestiones culturales y del comer en conjunto.
La defensa enfática de la American Society a la industria nuevamente levantó críticas de Michele Simon: “En un momento en que los estadounidenses están crecientemente reconociendo que los alimentos procesados no son exactamente sanos, la posición es notablemente sorda.” Para ella, la única explicación para ello es la conexión con los patrocinadores.

A comienzos de la década, Monteiro mostró que el techo para el mercado de ultra procesados es alcanzado cuando corresponden al 60% de la ingesta diaria de energía, nivel alcanzado por algunos países del Norte. Brasil, que fue del 20% y 28% en la década pasada, es por lo tanto un mercado y tanto para la expansión. O una nación que puede poner un freno mientras está en el medio del camino.

Este año, el grupo de Monteiro divulgó en Public Health Nutrition un trabajo mostrando una correlación directa entre ultra procesados y obesidad: cada punto de energía proveniente de ultra procesado eleva en 0,25 punto la tasa de obesidad. Los países con menor consumo presentan índices más bajos de obesidad.

Por eso, cuando Gibney afirmó no haber evidencias de esa correlación, Monteiro rebotó, acusando al colega de ignorar varios trabajos científicos. “De hecho, todos los estudios excepto el citado en la “crítica” muestran asociaciones de los alimentos ultra procesados con efectos negativos a la salud “, dice el profesor. El investigador de Irlanda dejó fuera dos estudios de una investigación de alta calidad realizada en España, que acompañó durante nueve años un grupo poblacional, mostrando la correlación del consumo de ultra procesados con obesidad e hipertensión.

“El sistema de clasificación NUEVA desafía un sistema de clasificación mucho más antiguo y dominante, basado en la composición nutricional. Por supuesto, debería ser criticado. “Pero los avances científicos vienen del intercambio de argumentos fundamentados y razonables, y de un debate equilibrado”, lamentó el grupo brasileño, en un comentario que acabó por salir el pasado día 11 en la Public Health Nutrition, después de que el editor del American Journal rechazó abrirse espacio a las respuestas de los investigadores brasileños.

No quiso publicar una carta del profesor de la USP. Y, hasta ahora, no proporcionó respuesta en cuanto a la omisión de la relación entre algunos investigadores y empresas.

Fonte: O Joio e o Trigo
Por: João Peres
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