A Coca-Cola e a epidemia de obesidade

Tenta demonstrar que a obesidade se deve mais a falta de atividade física e atenuar os efeitos negativos do açúcar e dos adoçantes, dois elementos básicos da fórmula dos produtos vendidos pela Coca.

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Transparente nos EUA, Coca-Cola adota segredo sobre relação com     pesquisadores no Brasil

Corporação não quis revelar quais os estudos financiados. Nos Estados Unidos, foram US$ 140 milhões desde 2010. Nestlé, Unilever, Danone e Ajinomoto também não divulgaram informações.

Envolvida desde a fundação em controvérsias devido à fórmula secreta do principal produto, a Coca-Cola está habituada a financiar pesquisas científicas que busquem promover benefícios ou deslegitimar efeitos negativos. Nos Estados Unidos, frente a pressões da imprensa, a corporação revelou recentemente a lista de organizações e pessoas que tiveram trabalhos patrocinados.

Aqui, a Coca-Cola Brasil optou por não tornar disponível a O joio e o trigo a lista de pesquisadores que tiveram estudos financiados nesses trópicos. Entramos em contato com a assessoria de imprensa no final de junho de 2017, solicitando uma entrevista a ser feita pessoalmente. Dez dias mais tarde, recebemos a informação de que a conversa seria por telefone. Passadas mais três semanas, tivemos de encaminhar as perguntas por e-mail.

1. Quais são as principais motivações da Coca para financiar pesquisas científicas?
2. Quais os critérios utilizados para definir quais trabalhos receberão apoio da empresa? Via de regra, é a Coca quem escolhe os temas ou os pesquisadores que procuram a Coca? Quais têm sido os temas prioritários?
3. Quais pesquisadores já receberam apoio da empresa no Brasil? É possível saber o montante de recursos destinados a apoio científico?
4. Como a empresa se relaciona com o ILSI Brasil? E como avalia o papel da organização? É possível saber qual o montante investido no ILSI ou qual o percentual total do orçamento anual do instituto que corresponde à Coca?
5. Nos Estados Unidos, alguns veículos de comunicação têm contestado a relação da Coca com pesquisadores. Como a empresa vê essas críticas? Isso provocou alguma mudança na atuação da empresa no Brasil?
6. Há artigos de revisão indicando que estudos financiados pela indústria de refrigerantes tiveram tendência a não indicar o papel desses produtos na epidemia de obesidade. Qual a opinião da empresa sobre esses artigos?
7. Alguns autores afirmam que pesquisas com ênfase em atividade física buscam desviar o foco sobre as verdadeiras causas da obesidade. Como a empresa tem se posicionado em relação a essa crítica?

Questões parecidas também foram apresentadas a Nestlé, Danone, Unilever e Ajinomoto. Nenhuma delas quis responder.

A Coca-Cola chegou a encaminhar, um mês depois, uma nota curta, mas que ignorava todas as nossas questões.

“A Coca-Cola Brasil segue parâmetros rigorosos para patrocínio de pesquisas científicas e apoio a pesquisadores. Nosso interesse na literatura científica se reflete na preocupação de embasar todas as nossas decisões em evidências científicas – principalmente relacionadas à formulação de nossos produtos e ingredientes. Dessa forma, asseguramos que estamos oferecendo bebidas de qualidade às pessoas que escolhem consumir nossos produtos.

Para isso, temos uma relação de franco diálogo com os principais interlocutores envolvidos com as questões alimentares e a educação nutricional no Brasil. Buscamos estar atentos às críticas e às oportunidades da nossa atuação nessa área. Hoje estamos mais focados nas melhorias que podemos fazer em nosso portfólio e comprometidos em oferecer mais escolhas para as pessoas.”

A postura da empresa revela um duplo padrão. Nos Estados Unidos, após uma série de revelações feitas pela imprensa, a corporação decidiu divulgar os investimentos desde 2010 não apenas em pesquisa, mas em organizações da sociedade civil. Foram US$ 140 milhões, em torno de R$ 430 milhões. Historicamente, atividade física é um assunto preferencial, ao lado das pesquisas que tentam atenuar os efeitos negativos do açúcar e dos adoçantes, dois elementos básicos da fórmula dos produtos vendidos pela Coca.

Apesar dos escândalos, o interesse da empresa pelo tema não diminuiu. Nomeada em 2017 por Donald Trump, a nova chefe do Centro para o Controle de Doenças (CDC), Brenda Fitzgerald, teve trabalhos financiados pela Coca, a quem considera uma aliada na luta contra a obesidade. Após sucessivas polêmicas, Brenda deixou o cargo com a revelação de que comprou dezenas de milhares de dólares em ações de empresas de tabaco, justamente um tema central na atuação do CDC.

Trata-se do principal centro de saúde pública dos Estados Unidos, localizado justamente em Atlanta, sede da Coca. Antes do caso de Brenda, a imprensa abordou a relação entre o então assessor especial de Saúde Global do centro, Michael Pratt, e a corporação dos refrigerantes. Ele era um dos propulsores do ISCOLE, Estudo Internacional de Obesidade, Estilo de Vida e Ambiente na Infância, que buscava realizar uma pesquisa em toda a América Latina, justamente uma das áreas com maior evidência de correlação entre aumento do consumo de bebidas açucaradas e obesidade.

Entre 2010 e 2014, o ISCOLE recebeu US$ 6,4 milhões, o que inclui o Centro de Estudos do Laboratório de Aptidão Física de São Caetano do Sul (Celafiscs), comandado por Victor Matsudo e criador do Agita São Paulo. Ele é próximo ao International Life Sciences Institute (ILSI), criado pela Coca na década de 1970 e que, como mostramos, busca influenciar a agenda regulatória de saúde no Brasil.

Sabemos que, após o fim do ISCOLE, os recursos da Coca se direcionaram a uma iniciativa similar. O Estudo Latino-americano de Nutrição e Saúde (Elans) é encabeçado pelo brasileiro Mauro Fisberg, coordenador da Força-Tarefa Estilos de Vida Saudáveis do ILSI, e Irina Kovalskys, do ILSI Argentina. “São 12 mil casos avaliados entre adolescentes, adultos e sênior. É um estudo caríssimo. São amostras representativas, e amostra representativa é uma coisa complexa, especialmente em países grandes”, conta Fisberg.

Os resultados ainda não foram publicados e a coleta de algumas informações está em curso, mas o professor adianta uma parte: “Tem um gap mostrando que a obesidade se deve mais ao sedentarismo. É difícil fazer essa afirmação. Eu não gostaria. Mas os números mostram que a gente tem muito menos gente comendo mais do que deveria do que gente fazendo atividade física.”

Em 2002, alguns cientistas acordaram de manhã com um brinde na caixa de correios: “O uso de refrigerantes e a saúde humana” é um artigo de revisão, ou seja, um trabalho que revisa as evidências acumuladas sobre determinada questão. Neste caso, refrigerantes. Os autores, Mauro Fisberg e Olga Amâncio, da Unifesp, e Ana Maria Pitta Lottenberg, da USP, acusavam haver preconceito contra a bebida, “pouco compreendida pelos profissionais da área de saúde”. “Inúmeros alimentos artificiais, industrializados há anos, têm livre trânsito nas clínicas, consultórios e ambulatórios ou são pouco combatidos por estes mesmos profissionais, que rechaçam de forma cabal o uso de uma bebida que, na realidade, é utilizada para seu uso próprio, sem qualquer restrição.”

À época havia vários estudos jogando a responsabilidade para a gordura. E para os obesos, acusados de preguiça, de maneira que uma solução apontada pelos autores era o programa Agita São Paulo, coordenado por Victor Matsudo. Alguns dos estudos citados na bibliografia foram financiados pela indústria de refrigerantes.

Não sabemos quanto Matsudo recebe pelas palestras que dá a comunicadoras na sede da Coca. O mesmo vale para a professora Maria Cecília de Figueiredo Toledo, aposentada da Faculdade de Engenharia de Alimentos da Unicamp. Em outubro de 2014, ela deu palestra a blogueiros no Rio de Janeiro. Um encontro desse tipo tem resultado garantido para a corporação, já que vários deles saem reproduzindo as informações divulgadas pelos especialistas convocados. É uma aposta nos microinfluenciadores digitais, cenário que se abriu e consolidou nos últimos anos. “A marca mostra que sim, é possível beber o refrigerante com moderação, desde que você faça sua parte e corra atrás para manter sua saúde”, resumiu um dos blogueiros presentes.

Na ocasião, Maria Cecília gravou um bate-papo com uma das comunicadoras para divulgar uma espécie de resumo do que havia sido a palestra. “A partir de 12 semanas a criança pode consumir adoçante. E realmente é uma questão de cultura, de hábito alimentar. A uma criança obesa pode ser recomendado que consuma.”

A indústria de refrigerantes faz um esforço constante por conter danos relacionados à divulgação de informações sobre adoçantes. No começo de 2017, o ILSI realizou um encontro no qual Maria Cecília adotou o tradicional tom assertivo contra a ideia de que esses aditivos provocam danos à saúde. Na ocasião, ela falou que é preciso levantar dados sobre consumo entre crianças e que o ILSI estaria disposto a financiar esse estudo. “Se vocês souberem quem possa fazer essa pesquisa…”

Fonte: O joio e o trigo
Por: João Peres
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Os EUA é uma anomalia: recorde de mortos para proteger o lucro da Associação Nacional do Rifle

A avalanche de mortes por violência armada faz dos Estados Unidos uma anomalia no mundo desenvolvido. Não há um número exato de quantas armas de fogo estão nas mãos de civis no país, mas a estimativa é de que existam cerca de nove armas para cada 10 cidadãos. É a maior proporção do planeta.

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   A epidemia de tiroteios faz dos EUA uma anomalia no mundo desenvolvido
O tiroteio em uma escola de ensino médio em Parkland, na Flórida, que matou pelo menos 17 pessoas, é o exemplo mais recente de uma série de números horripilantes. As estatísticas são um duro golpe de realismo por trás da epidemia de violência armada que sacode os Estados Unidos sem trégua.

Desde o começo de 2018, 1.816 pessoas morreram nos EUA devido à violência armada, de acordo com os dados mais recentes da organização Gun Violence Archive. Isso equivale a uma média de 40 mortes por dia.

Em apenas seis semanas, 3.125 pessoas foram feridas por tiros. Houve 30 tiroteios em massa, que recebem essa classificação quando há pelo menos quatro mortos. A organização não inclui pessoas mortas por suicídio em suas estatísticas. Dentro desses parâmetros, a entidade estima que 15.590 pessoas morreram por armas de fogo em 2017 no território da maior potência mundial. No Brasil, um dos países mais violentos do mundo, 44.861 pessoas morreram vítimas de armas de fogo em 2014, últimos dados disponíveis, ou 123 por dia.

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A avalanche de mortes por violência armada faz dos Estados Unidos uma anomalia no mundo desenvolvido. Não há um número exato de quantas armas de fogo estão nas mãos de civis no país, mas a estimativa é de que existam cerca de nove armas para cada 10 cidadãos. É a maior proporção do planeta. Segundo cálculos do Serviço de Pesquisa do Congresso, com base em um estudo de 2012, havia cerca de 310 milhões de armas em 2009. O país tem 321 milhões de habitantes.

A Constituição norte-americana ampara o uso das armas de fogo, que muitos consideram parte do DNA nacional. Seus defensores receiam qualquer mudança que dificulte sua comercialização, num sentimento que combina o medo do intervencionismo governamental e a crença de que as armas são necessárias para a defesa pessoal. O presidente Donald Trump e os republicanos apoiam essa posição. Cada matança acentua a discrepância em relação ao grupo que opina o contrário: que para conter a epidemia de violência é preciso limitar o acesso a pistolas e rifles.

O ritual se repete após cada massacre dos últimos anos. Inicialmente, impulsionado sobretudo por políticos democratas e organizações sociais, reabre-se o debate sobre um maior controle das armas de fogo. Mas rapidamente o debate perde força por causa da falta de consenso entre os legisladores, pois existe uma forte rejeição ao controle por parte de muitos políticos conservadores e do poderoso lobby da Associação Nacional do Rifle (NRA, na sigla em inglês).

A última mudança legal significativa em nível nacional foi em 2007, quando se ampliou a proibição da venda a pessoas com transtornos mentais e a delinquentes. As maiores restrições dos últimos anos foram impostas individualmente por alguns Estados.

Em um primeiro momento, a morte de 20 crianças e seis adultos numa escola de Connecticut, em 2012, parecia ser um ponto de inflexão. O então presidente Barack Obama, do Partido Democrata, propôs ampliar o controle de antecedentes policiais, proibir os rifles de assalto e limitar o volume de munição que podia ser vendida a cada pessoa. Mas não obteve os votos suficientes no Congresso.

Também a morte de 49 pessoas numa discoteca de Orlando, em 2016 – até então o pior massacre armado nos EUA – serviu para mudar o panorama. Naquela ocasião, quem empunhava um rifle semiautomático era um simpatizante jihadista. Ressurgiu o debate sobre a proibição da venda desses fuzis, que havia sido revogada em 2004, mas, superada a comoção, o impulso reformista se atenuou.

E tampouco a morte de 58 pessoas em outubro passado em Las Vegas, na pior chacina da história do país, alterou suficientemente as consciências dos legisladores nacionais. Um homem abriu fogo da janela de seu hotel contra o público de um festival de música country. Tinha 20 armas e modificara algumas delas para que os rifles semiautomáticos disparassem com a potência de um automático. Nos dias posteriores à matança, a cúpula republicana do Congresso e inclusive a NRA apoiaram que fosse dificultada a venda do artefato utilizado para modificar os rifles, mas o debate perdeu fôlego desde então.

Fonte: El País Br
Por: Joan Faus
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Facebook Kids: agora, em busca das crianças apesar dos riscos

A Academia Americana de Pediatria publicou recomendações definindo limites no tempo de utilização de equipamentos eletrônicos por crianças, observando que “os problemas começam quando o uso dessas mídias substitui a atividade física, a exploração prática e a interação social face-a-face no mundo real, elementos cruciais para a aprendizagem” (AAP, 2016).

What started out as web surfing for one teen descended into online obsession and isolation.
O que começou como navegação na web para um adolescente, derivou para obsessão e isolamento on-line.

Facebook Kids: agora, em busca das crianças
Maior rede social do mundo quer penetrar no universo infantil, a partir dos 6 anos. Por que isso implica riscos comportamentais, políticos e neuronais

Nos últimos meses, as empresas de redes sociais têm passado por escrutínios cada vez mais rigorosos por parte dos críticos de mídia, grupos de vigilância e comitês do Congresso dos Estados Unidos.

A maioria das críticas gira em torno de como Facebook e Twitter facilitaram a propagação de mensagens sediciosas criadas por agentes russos durante as eleições presidenciais dos EUA em 2016, com o intuito ostensivo de polarizar os eleitores americanos. Anúncios de autoatendimento, “bolhas de filtro” e outros aspectos das redes sociais tornaram a manipulação das massas fácil e eficiente.

No entanto, algumas pessoas estão manifestando preocupações mais profundas quanto aos efeitos sociais, psicológicos, cognitivos e emocionais dessas plataformas, particularmente quando impactam as crianças.

O Facebook, por exemplo, sofreu um ataque de um grupo improvável de críticos: alguns de seus próprios ex-diretores. Seus comentários coincidem com o lançamento do “Messenger Kids”, o mais recente produto da empresa. Segundo comunicados, seu público-alvo são crianças de 6 a 12 anos (o Facebook não permite que menores de 13 anos criem contas, assim como a maioria dos aplicativos de redes sociais).

Embora o CEO do Facebook, Mark Zuckerberg, tenha se comprometido recentemente a “consertar” a plataforma em 2018, o “Messenger Kids” revela uma agenda diferente: ir pra cima de uma nova geração de usuários, habituá-los à vida virtual, aumentar a participação no mercado e desenvolver fidelidade às marcas em um ambiente mercadológico altamente competitivo. O primeiro presidente do Facebook, Sean Parker, reconheceu no fim do ano passado que seus criadores o projetaram intencionalmente para consumir o máximo possível de tempo e atenção de seus usuários. Segundo Parker, os “likes” e as postagens servem como “um círculo vicioso de validação”, explorando a necessidade psicológica de aceitação social. “Só Deus sabe o que isso está fazendo com os cérebros das nossas crianças”, disse (em citação de Allen, 2017).

Por que os arquitetos do Facebook, Google Plus, Twitter e demais redes sociais recorreriam a essas técnicas? O modelo de negócios do Facebook se baseia na receita gerada pelos anúncios. Um dos primeiros investidores do Facebook, Roger McNamee (2018), escreveu recentemente:

Os smartphones mudaram completamente a dinâmica da publicidade. Em poucos anos, bilhões de pessoas passaram a contar com um sistema de geração de conteúdo para os mais variados fins, facilmente acessível 16 ou mais horas por dia. Isso transformou a mídia em uma batalha para captar a atenção do usuário o máximo possível… Por que pagar a um jornal com a esperança de chamar a atenção de uma determinada parcela de seu público-leitor se você pode pagar ao Facebook para alcançar exatamente o perfil de pessoas que deseja?

Sean Parker e Roger Mcnamee não são os únicos. O investidor e ex-vice-presidente do Facebook, Chamath Palihapitiya, admitiu, no mês passado, que se arrepende de ter ajudado a empresa a expandir seu alcance global (o Facebook tem mais de dois bilhões de usuários em todo o mundo e continua crescendo).

Criamos ferramentas que estão esfarrapando o tecido social, do funcionamento da sociedade… você está sendo programado”, disse Palihapitiya ao público na Stanford Graduate School of Business. “Nada de discurso cidadão, de cooperação; é desinformação, inverdade. E não é um problema dos Estados Unidos somente – não são as propagandas russas. É um problema global… Atores prejudiciais agora podem manipular grupos inteiros de pessoas para que façam qualquer coisa que você quiser. É realmente uma situação muito, muito ruim – (Palihapitiya, 2017).

Outro ex-diretor do Facebook, Antonio García-Martínez, veio a público no meio do ano passado com suas críticas às técnicas da empresa:

Se usar de forma muito inteligente, com diversas iterações de aprendizagem automática e tentativa e erro sistemáticas, um marqueteiro sagaz pode encontrar a combinação exata de idade, posição geográfica, hora do dia e preferências musicais e de cinema que determinam o vencedor demográfico de um público. A “taxa de cliques”- para usar o jargão do marketing – não mente… O Facebook tem e oferece segmentação “psicométrica”, cuja meta é definir a parcela do público que é particularmente suscetível à mensagem de um anunciante específico… Às vezes os dados se comportam de maneira antiética… A plataforma nunca tentará limitar esse uso de seus dados, a não ser que os protestos dos usuários atinjam um nível de intensidade impossível de ser silenciado. (García-Martínez, 2017).

Essas declarações são alarmantes, porém não são novidade.

Há anos os cientistas sociais alertam sobre como a tecnologia pode desencadear vícios comportamentais. A antropóloga do MIT Natasha Schüll, que conduziu uma pesquisa nos cassinos de Las Vegas por um período de mais de 20 anos, observou que os caça-níqueis puxam alguns apostadores para uma “zona automática” desorientadora (a pesquisa de Schüll se baseia no trabalho pioneiro da antropóloga Laura Nader, da UC Berkeley, que desenvolveu o conceito “processos de controle” – como indivíduos e grupos são persuadidos a participarem de sua própria dominação). Após entrevistar fabricantes de caça-níqueis, arquitetos de cassinos e apostadores inveterados, entre outros, Schüll conclui, em seu livro Addiction by Design, que a atração magnética dos caça-níqueis se deve, em parte, a suas características profundamente interativas. Especialistas da indústria dos jogos de azar falam abertamente de maximizar o “tempo no dispositivo”. Conforme dito por um consultor a Schüll, “o segredo é a duração do jogo. Quero te manter lá o tempo que for humanamente possível – esse é o truque, é isso que te faz perder” (Schüll, 2012: 58; ver também Nader, 1997).

O professor de negócios da New York University, Adam Alter, autor de Irresistible: The Rise of Addictive Technology and the Business of Getting Us Hooked (2017), argumenta que o botão “gostei” (like) do Facebook tem um efeito comparável. Cada postagem, foto ou atualização do status é uma aposta que pode resultar em perda total (nenhum “gostei”) ou no grande prêmio (viralizar). Os “retweets” do Twitter, os corações do Instagram e as visualizações do YouTube funcionam da mesma maneira (vale mencionar que o YouTube, da Google, e a Amazon também estão fazendo esforços agressivos para açambarcar o mercado juvenil).

No mês passado, apenas três semanas antes do Natal, o Facebook divulgou um comunicado anunciando a chegada do “Messenger Kids”. De acordo com a empresa, o aplicativo foi desenvolvido com a consultoria de pais de família e “especialistas em cuidados parentais” para que fosse seguro para crianças. A plataforma também prometeu limitar a coleta de dados das crianças e não usar o aplicativo para anúncios.

Tais promessas não são sinceras. É óbvio que o “Messenger Kids” é parte de uma estratégia de longo prazo, pensada para viciar as crianças em hábitos de networking social (“likes”, mensagens de texto, bolhas de filtro) o mais cedo possível. Em outras palavras, a ideia é aumentar os níveis de dopamina das crianças nos anos formativos – de modo que picos frequentes desse neurotransmissor se tornem uma parte normal de suas vidas. Uma vez que isso aconteça, será ainda mais fácil para as futuras empresas de redes sociais (que são fundamentalmente agências de publicidade) alimentarem o vício comportamental de bilhões com propaganda personalizada.

Em 2016, a Academia Americana de Pediatria publicou recomendações definindo limites no tempo de utilização de equipamentos eletrônicos por crianças, observando que “os problemas começam quando o uso dessas mídias substitui a atividade física, a exploração prática e a interação social face-a-face no mundo real, elementos cruciais para a aprendizagem” (AAP, 2016).

O “Messenger Kids” pode mergulhar ainda mais as crianças no mundo virtual. Talvez o Admirável mundo novo de Aldous Huxley tenha chegado – pois, como o presciente crítico de mídia Neil Postman escreveu,

na visão de Huxley, não é necessário nenhum Big Brother para privar as pessoas de sua autonomia, maturidade e história. Conforme ele percebeu, as pessoas chegarão a amar sua opressão, a adorar as tecnologias que anulam sua capacidade de pensar… Como ressaltou no Regresso ao admirável mundo novo, os libertários civis e os racionalistas que estão sempre alertas para se opor à tirania “não foram capazes de levar em conta o apetite quase infinito do homem pelas distrações” (Postman, 1985: vii).
No mês passado, Chamath Palihapitiya disse à CNBC que seus filhos de 5 e 9 anos estão proibidos de usar equipamentos eletrônicos, mesmo que peçam constantemente. Bill Gates, Jonathan Ive (designer do iPad), o falecido Steve Jobs e muitas outras figuras bem conhecidas da indústria da tecnologia também impuseram limites estritos ao uso dessas mídias por seus filhos. Eles entendem claramente os efeitos colaterais cognitivos, psicológicos e emocionais dos aparelhos que ajudaram a criar. Se esses célebres personagens tomaram medidas drásticas para proteger seus filhos do lado negro da vida virtual, talvez mais de nós devêssemos seguir seu exemplo.

Para além do imediatismo dos nossos hábitos e práticas individuais e familiares, assoma-se um problema social maior: a possibilidade de um futuro em que as instituições autoritárias tenham a enorme capacidade de moldar as ideias, atitudes e comportamentos de públicos aprisionados por suas próprias compulsões.

Referências

AAP (2016). “American Academy of Pediatrics Announces New Recommendations for Children’s Media Use.” 21 de outubro.

Allen, Mike (2017). “Sean Parker Unloads on Facebook.” Axios.com, 9 de novembro.

Alter, Adam (2017). Irresistible: The Rise of Addictive Technology and the Business of Getting Us Hooked. Nova York: Penguin Books.

García-Martínez, Antonio (2017). “I’m an Ex-Facebook Exec: Don’t Believe What They Tell You Maabout Ads.” The Guardian, 2 de maio.

McNamee, Roger (2018). “How to Fix Facebook–Before It Fixes Us.” Washington Monthly, janeiro.

Nader, Laura (1997). “Controlling Processes: Tracing the Dynamic Components of Power.” Current Anthropology 38(5): 711-738.

Palihapitiya, Chamath (2017). “Money as an Instrument of Change.” Palestra apresentada na Stanford Graduate School of Business, 13 de novembro.

Postman, Neil (1985). Amusing Ourselves to Death: Public Discourse in the Age of Show Business. Nova York: Penguin Books.

Schüll, Natasha (2012). Addiction by Design: Machine Gambling in Las Vegas. Princeton, NJ: Princeton University Press.
Fonte: Outras Palavras
Por: Roberto Gonzales, Professor de antropologia na San José State University. Autor de Zapotec Science, American Counterinsurgency e Miltarizing Culture                                                                                                                         Textos correlatos:
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As recomendações da indústria de alimentos não visam somente a saúde do paciente

“É evidente, o comprometimento de associações e profissionais de saúde com a indústria de alimentos, que “aplica o dinheiro” para que pessoas criteriosamente escolhidas estejam presentes para discutir os produtos, que trazem retorno financeiro ao “investimento”, e não à saúde”.

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Uma embalagem de Actimel, um dos “queridinhos” do momento para muitos profissionais de saúde, tem 11, 5 gramas de açúcar, incluída a lactose, o que equivale a 2,85 torrões Foto: sinAzucar.org

                 A indústria alimentar engrossa a fila da saúde

Você já viu ou escutou falar do propagandista médico dos grandes laboratórios farmacêuticos? Saiba que as corporações de alimentos também têm um verdadeiro exército de propaganda, disfarçada ou não, na área da saúde

Você está lá, aguardando o atendimento do profissional de saúde com quem marcou consulta há tempos. Sala de espera. Quarenta, cinquenta, sessenta minutos de atraso. Impaciência. Várias olhadas no celular. Talvez, a leitura de um livro. Café. Qualquer coisa para fazer o tempo passar. O paciente que o antecedia na numeração da senha sai do consultório. Alívio: “É a minha vez”. Porém, o seu nome não é chamado. Tudo porque o médico acena ao portador de uma grande maleta cheia de caixas de remédios. É o propagandista da indústria farmacêutica, a pessoa que vai oferecer amostras grátis de medicamentos a quem já deveria ter lhe atendido bem antes. Respire fundo, vem mais chá de cadeira e não é improvável que o “doutor”, quando finalmente lhe abrir a porta, receite uma das marcas que acaba de receber como sugestão. Não faltam casos assim mundo afora. O que poucos de nós sabemos é que a indústria da alimentação adota prática semelhante. “À medida que os laboratórios farmacêuticos visitam os consultórios médicos para apresentar remédios, a indústria alimentar tem também uma agenda de apresentação de produtos”, ressalta o espanhol Juan Revenga, consultor em nutrição, que coloca a Danone como destaque entre as corporações que assim agem. “Essa empresa tem visitas no portfólio de atividades e isso está acontecendo até na saúde pública da Espanha”, afirma.

Revenga é professor da Universidade de San Jorge, na província de Saragoça, blogueiro, e autor dos livros Con las manos en la mesa (Com as mãos sobre a mesa, ainda sem edição em português) e Adelgázame, miénteme (Emagreça-me, minta-me, também sem edição em português), no qual relatou casos de médicos que recomendam o uso de certos produtos lácteos fermentados, como o Actimel, que leva um “fermento específico, exclusivo da Danone” e que serviria para regular a flora intestinal, além de “melhorar a imunidade a doenças”. Segundo ele, as recomendações não são embasadas cientificamente na maioria das vezes e a motivação não é a saúde do paciente, mas a manutenção das relações nebulosas entre profissionais e grandes corporações de alimentos.

“Esses tipos de práticas são desagradáveis para mim e fazem parte de todas as sociedades médicas e científicas que não declaram conflito de interesse”, diz o nutricionista. Ele acredita que as megaempresas do setor buscam se apresentar como saudáveis para obter o endosso de médicos e sociedades de saúde. Em troca, além de amostras de remédios, as transnacionais oferecem viagens, patrocínios a eventos científicos e financiamento de pesquisas.

Uma embalagem de Actimel, um dos “queridinhos” do momento para muitos profissionais de saúde, tem 11, 5 gramas de açúcar, incluída a lactose, o que equivale a 2,85 torrões

Não são poucos os casos em território espanhol de congressos ou fóruns nutricionais patrocinados por grandes marcas de alimentos. Um dos mais emblemáticos dos últimos tempos ocorreu no 36º C0ngresso da Sociedad Española de Medicina Familiar y Comunitaria (Semfyc), realizado na cidade de Corunha, em maio de 2016. Nele, um dos destaques foi o “IV Fórum de Educação em Saúde sobre Nutrição, Alimentação e Exercício Físico em Atenção Primária”, patrocinado por empresas como Danone e Herbalife Nutrition.

Médico de família em Madri e ex-vice-presidente da Sociedad Madrileña de Medicina de Familia y Comunitaria (Somamfyc), Vicente Baos concorda com muitos aspectos apresentados por Revenga. “Esses patrocínios são uma publicidade secreta, que as marcas patrocinadoras usam para apresentar opiniões a toda a comunidade profissional. São meras plataformas de propaganda. Não há nada para discutir cientificamente com uma empresa de salsicha, por exemplo”, argumenta.

Enquanto Baos e Revenga denunciam os conflitos de interesses existentes – mas não declarados – quando as entidades aceitam dinheiro das corporações e se comprometem a endossar determinados produtos financiadas por marcas de alimentos, há quem vá na contramão dessa linha crítica. Carmen Gómez Candela, médica com 25 anos de atuação como chefe da Unidade de Nutrição e Dietética Clínica do Hospital Universitário de La Paz, em Madri, justifica o apoio da indústria. “O fato é que as convenções científicas não são organizadas por empresas de alimentos; eles só contribuem com o capital para que possam ser realizadas, como acontece com as empresas farmacêuticas. Não há diferença em termos de conceito “, assegura.

A médica afirma que esse tipo de “parceria” permitiu que conhecesse de perto a evolução da indústria e serviu para esclarecê-la de que o açúcar pode ser defendido cientificamente, “na medida apropriada”. Também membro do comitê científico do Instituto de Estudos de Açúcar e Beterraba da Espanha, Carmen enfatiza: “Em quantidades moderadas, o açúcar faz parte de uma dieta saudável. Não pode ser demonizado.”

Ela deixa claro não apreciar “mensagens alarmistas” que “são lançadas por nutricionistas recém-chegados que adotam posições desse estilo”. Carmen Gómez refere-se aos profissionais que criticam a entrada da indústria alimentar no financiamento de congressos científicos, como já acontecia com a indústria farmacêutica. “Está muito na moda demonizar a comida. Todo mundo tem algo bom ou algo negativo. A chave é consumir em uma proporção correta”, destaca, claramente falando em favor da tese do balanço energético, que permite “comer de tudo na medida certa” desde que as calorias absorvidas sejam “queimadas” com o gasto calórico (atividade física) e é objeto de muitos debates, inclusive considerada “ultrapassada” e até um “mito de marketing” por pesquisadores que a veem apenas como uma maneira de a indústria alimentar, com o auxílio de alguns grupos científicos patrocinados, culpar exclusivamente o cidadão pela obesidade.

Os argumentos de Carmen não convencem Juan Revenga. Para ele, é evidente, o comprometimento de associações e profissionais de saúde com a indústria, que “aplica o dinheiro” para que pessoas criteriosamente escolhidas estejam presentes para discutir os produtos, que trazem retorno financeiro ao “investimento”, e não à saúde.

Uma prática que, na avaliação de Vicente Baos, se espalha porque as transnacionais farmacêuticas já não investem tanto dinheiro nos evento, o que motiva a procura de outros patrocinadores que tenham interesses comerciais na área da saúde. “Em outras palavras, misturar nutrição e saúde, para essas empresas, é uma pechincha”, ressalta.

Questionado sobre a viabilidade de modelos para a realização eventos de sociedades científicas livres de patrocínios da indústria, Baos não vacila. “Sim, existem. O pagamento de taxas proporcional aos rendimentos de cada inscrito e proporcional aos objetivos. Isso é educação fundamentalmente continuada. Não precisa ser cara (a inscrição) ou fazer megaeventos com milhares de pessoas, grandes mesas de café da manhã, almoço, jantar de gala, etc. Esse modelo está desatualizado. Com uma taxa razoável, você poderia fazer mais webinários , mais mini-eventos, mais reuniões locais e menos festas com decorações, danças e bandas”, conclui.

Para olhar com atenção

Fotos de objetos inanimados chamam a atenção nas redes sociais espanholas, porque a mensagem é clara. O sinAzucar.org, criado e liderado pelo fotógrafo Antonio Rodrigues Estrada, formado também em Nutrição Esportiva, busca revelar o “açúcar oculto” nos alimentos ultraprocessados. A escolha dos itens registrados pelas câmeras é fundamentada por um conselho de profissionais de saúde. Somente depois disso é que os produtos são fotografados, juntamente com a quantidade de açúcar contida em camadas, exibida na forma de torrões. “Usamos a mesma linguagem visual que a indústria usa para vender os produtos. Fotografia limpa, iluminação cuidadosa, retoque atraente, impacto visual, etc”, explica Estrada.

O resultado disso, além do site, é a grande participação em eventos sobre nutrição e principalmente a mobilização que o sinAzucar tem conseguido, tanto física – em encontros, debates e palestras – como virtualmente. Acompanhando a considerável audiência do site vêm os 214 mil seguidores no Facebook e os 131 mil no Instagram.

Em 28 de dezembro passado, a iniciativa divulgou uma tabela que inclui centenas de entidades de saúde e nutrição da Espanha que receberam apoio financeiro da Coca-Cola entre 2010 e 2017, num total de 14 milhões de euros repassados pela transnacional às organizações.

Fonte: O Joio e o Trigo
Por: Moriti Neto
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Dez drogas menos perigosas do que o álcool

O Brasil é um dos grandes consumidores de álcool do mundo. Somos o terceiro país das Américas com o maior número de mortes relacionadas ao álcool entre os homens. Os danos causados pelo cigarro são bem conhecidos, e a proibição de propagandas e os alertas nas embalagens ajudam a população a ter pleno conhecimento sobre os riscos do produto que está consumindo. Com o álcool, é um pouco diferente. Não há proibição da publicidade e o único alerta feito diz respeito à faixa etária permitida. Por isso, a impressão que fica é que bebidas alcoólicas não representam um risco tão grande, mas isso não é verdade. O manual de orientação da Sociedade Brasileira de Pediatria sobre o álcool diz que a Organização Mundial de Saúde aponta que o consumo de álcool excessivo no mundo é responsável por 2,5 milhões de mortes a cada ano. O percentual equivale a 4% de todas as mortes, o que faz com que o álcool se torne mais letal que a Aids e a tuberculose.

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     É mais difícil morrer usando estas 10 drogas do que ingerindo álcool
Drogas são proibidas por lei pelo grande risco que causam à saúde. Mas não é segredo para ninguém que drogas permitidas por lei, como o álcool e o cigarro, também nos trazem grandes riscos. Os danos causados pelo cigarro são bem conhecidos, e a proibição de propagandas e os alertas nas embalagens ajudam a população a ter pleno conhecimento sobre os riscos do produto que está consumindo. Com o álcool, é um pouco diferente. Não há proibição da publicidade e o único alerta feito diz respeito à faixa etária permitida.
Por isso, a impressão que fica é que bebidas alcoólicas não representam um risco tão grande, mas isso não é verdade. O manual de orientação da Sociedade Brasileira de Pediatria sobre o álcool diz que a Organização Mundial de Saúde aponta que o consumo de álcool excessivo no mundo é responsável por 2,5 milhões de mortes a cada ano. O percentual equivale a 4% de todas as mortes, o que faz com que o álcool se torne mais letal que a Aids e a tuberculose.

Um estudo de 2010 feito por cientistas britânicos chegou até mesmo a colocar o álcool como a droga mais perigosa, a frente de substâncias como heroína e crack.

Existem várias maneiras de calcular o perigo de uma droga além de quantas pessoas ela mata – já que isso poderia desvirtuar a análise, uma vez que o álcool, por exemplo, é mais difundido, é legal e possui mais propaganda do que outras drogas e, portanto, chega a mais pessoas. Um método é medir a diferença entre uma dose efetiva da droga e uma dose letal. Considerando isso, as dez drogas listadas abaixo são menos mortais que o álcool tanto no número total de pessoas que matam quanto em relação à diferença entre uma dose letal e uma dose comum – há mais espaço entre uma dose efetiva e uma dose letal entre elas do que no álcool.

10. Cafeína

al2A cafeína é um estimulante do sistema nervoso central e é a única droga psicoativa que não é rigorosamente regulada. É preciso, antes de tudo, diferenciar a cafeína do café. Casos de overdose de cafeína geralmente acontecem com pílulas ou outros tipos de cafeína concentrada. A xícara média de café tem apenas cerca de 100 miligramas de cafeína. Seria preciso um exagero muito grande de café para arriscar uma sobredosagem. Se você pesa cerca de 68 quilos, você precisaria tomar mais de 50 xícaras de uma só vez para que o café seja letal.

A ciência não sabe exatamente qual seria uma dose letal de cafeína, já que pesquisas sugerem que a tolerância à cafeína é algo individual. O que sabemos com certeza é que mulheres são mais vulneráveis aos seus efeitos do que os homens.

Casos de sobredosagem com cafeína noticiados na imprensa são raros e tendem a acontecer quando ela está em formas irregulares, como em pílulas ou em pó, e os indivíduos tomam uma quantidade excessiva muito rápido.

9. Cocaína

al3Só por que uma droga é menos perigosa do que o álcool não quer dizer que ela não seja perigosa, e a cocaína é definitivamente perigosa. Ela é o principal estimulante associado à sobredosagem e à morte, superando drogas como a anfetamina e a metanfetamina. Como a cafeína, a cocaína é um estimulante do sistema nervoso central. Ela funciona como um carro em uma via rápida em direção à via mesolímbica do cérebro, onde a sensação de recompensa é processada.
A cocaína funciona bloqueando a remoção de dopamina das sinapses do cérebro, deixando-a acumular, o que causa sentimentos de euforia intensa. Em excesso, a cocaína está associada a irregularidades de humor, alucinações, colapso do septo e psicose. Ela é menos mortal do que o álcool. Porém, quando tomada em conjunto com bebidas alcoólicas, ela cria algo chamado de cocaetileno. O cocaetileno é uma droga nova produzida por uma dose de uma só vez de cocaína e álcool, e seus níveis de toxicidade podem ser 30% maiores do que o da cocaína sozinha.

8. Óxido nitroso

al4O óxido nitroso, o famoso gás do riso, é um gás incolor e não inflamável. Ele possui um ligeiro odor metálico e a capacidade de causar uma intensa tontura. O óxido nitroso é famoso por seu uso médico como analgésico e anestésico. No entanto, ele também é usado de forma recreativa.

O óxido nitroso foi inventado no final do século 18 e logo tornou-se comum nas festas da classe alta da Grã-Bretanha, e somente depois de superar a resistência dos médicos da época passou a ser usado nos consultórios. Hoje, é possível encontrar óxido nitroso também como oxidante em foguetes e sendo usado para aumentar a produção do motor durante corridas de automóveis.

7. Ketamina

al5Conhecida como “Special K”, a ketamina, ou cetamina, é um tranquilizante de cavalos que também é usado como droga recreativa – apesar ou mesmo por causa disso. Ela é relativamente comum como anestesia pediátrica e veterinária e é considerada um anestésico disassociativo, causando efeitos parecidos de anestesia do que drogas como o PCP, ou pó de anjo, e a DXM, substância presente em xaropes para tosse, drogas que manipulam as percepções sensoriais de alguém.

Atualmente, pesquisas pioneiras sobre as propriedades químicas da cetamina sugerem que seus usos medicinais são mais amplos do que apenas um anestésico. Pesquisas mostram que ela pode ser útil no tratamento da depressão. Um estudo da Universidade de Yale mostrou que a cetamina, quando administrada corretamente, pode curar partes inteiras do cérebro desgastadas por anos de estresse e fadiga. Quando usada com abuso, ela traz riscos. O uso excessivo pode levar o usuário a uma síndrome clínica que se assemelha a uma psicose esquizofrênica.

6. Maconha

al6A maconha é uma das drogas psicoativas menos ameaçadoras do planeta. É praticamente impossível morrer com uma overdose de maconha. Na verdade, é uma das poucas drogas sem sobredosagens relatadas. Isso não significa que fazer algo estúpido sob efeito da erva, como dirigir ou tentar pular em um rio, não o matará. Mas é impossível que o corpo consuma níveis elevados de THC, o ingrediente ativo na maconha, a ponto de causar overdose. Seria preciso ingerir centenas de quilos de maconha em poucos minutos para morrer.

Além disso, a maconha possui efeitos medicinais comprovados para aqueles que sofrem de glaucoma, epilepsia, esclerose múltipla e ansiedade, entre muitos outros males.

Não há dúvidas de que a maconha é muito menos tóxica para nossos corpos do que o álcool.

5. Ecstasy

al7A metilenodioximetanfetamina, conhecida pela sigla MDMA e popularmente como Ecstasy, é um composto sintético produzido pela primeira vez por químicos alemães em 1912. Sua composição química é uma mistura entre a metanfetamina e a mescalina alucinógena. O ecstasy provoca diversas reações químicas no corpo, potencializadas pelo fato de que muitas vezes ele é tomado em conjunto com outras drogas. A droga catalisa uma onda de serotonina no cérebro, levando a sentimentos de euforia, empatia e serenidade que podem durar várias horas.

Quando ela começa a sair do nosso sistema, entretanto, desencadeia reações que causam sentimentos muito fortes de depressão e fadiga.

Overdoses de ecstasy, que geralmente ocorrem em raves e shows de música, levam a desidratação e, em alguns casos, insuficiência cardíaca. Mas o maior perigo da MDMA é que ela raramente é comprada em forma pura. Em vez disso, a droga é misturada a outros compostos que podem ser tóxicos para a saúde.

4. Codeína

al8Os EUA vivem atualmente uma epidemia de opiáceos, e a inclusão da codeína em xaropes contra a tosse desempenhou um papel nisso. A codeína é o único opiáceo que aparece nesta lista. Quando utilizados corretamente, os opiáceos ajudam a aliviar níveis moderados ou severos de dor. A codeína também é utilizada como supressora da tosse, muitas vezes em conjunto com acetaminofeno ou um fármaco antiinflamatório não esteróide (AINE).

Muitas pessoas vão atrás da codeína acreditando incorretamente que é uma droga mais segura do que outras, mais “pesadas” como a heroína.

A codeína no xarope contra a tosse é misturada com prometazina, uma substância que tem que tem um efeito sedativo. Como a codeína e a prometazina são depressores do sistema nervoso central, a overdose pode levar a uma insuficiência respiratória. Os adolescentes americanos são o subgrupo mais adepto à codeína. Um em cada dez entre eles admitiu usar xarope contra a tosse para fins recreativos em 2014.

Mas mesmo com os perigos de uso indevido e abuso, a codeína não apresenta a mesma ameaça para a saúde social que o álcool.

3. LSD

al9O LSD, também conhecido como ácido, é a sigla em inglês para dietilamida de ácido lisérgico. O cientista suíço Albert Hofmann sintetizou o LSD em 1938 enquanto trabalhava com o ergot, um fungo encontrado em grãos. Cinco anos depois, ele acidentalmente engoliu algumas de suas criações. Hofmann experimentou formas e imagens estranhas, efeitos comuns do LSD. Três dias depois, ele tomou uma dose maior da substância, no que seria a primeira viagem intencional de LSD no mundo.

O LSD é um alucinógeno que dá a seus usuários novas sensações auditivas, visuais e sensoriais. Em termos de toxicidade, a overdose de LSD é quase tão improvável quanto a do THC. Para ter uma overdose, um indivíduo precisaria aumentar em 1000 vezes a dose média. No entanto, as pessoas certamente podem fazer coisas estúpidas e perigosas sob a influência do LSD.

Outra característica em comum entre o LSD e a maconha são seus fins medicinais. Cientistas estudam como utilizar o LSD como um remédio contra a depressão. Testes em laboratório e com acompanhamento médico já mostraram que essa e outras drogas alucinógenas podem ser muito eficientes nestes casos.

2. Psilocibina

al10Ao contrário do LSD, a psilocibina é um psicodélico natural. Ela pode ser encontrada em várias espécies de cogumelos, conhecidos coloquialmente como “cogumelos mágicos”. Os cogumelos contendo psilocibina têm sido utilizados por suas propriedades “mágicas” para fins religiosos há milhares de anos.

Em termos de toxicidade, a psilocibina pura, como o LSD, é quase impossível de causar overdose. Assim como com o LSD, a dose efetiva média teria que ser aumentada 1000 vezes para alguém morrer de psilocibina, o que a torna muito menos letal do que o álcool.
Quando a psilocibina foi introduzida na cultura ocidental, seu potencial uso para tratamento da saúde mental já foi observado. Hoje, os médicos estão estudando como a psilocibina pode ajudar aqueles que sofrem de uma variedade de doenças mentais, e os resultados por enquanto são bastante positivos.

1. Mescalina

al11A mescalina é mais um alucinógeno. Porém, ao contrário do LSD ou dos cogumelos, não é muito difícil ter uma overdose com ela. Seria preciso aumentar a dose efetiva média em “apenas” 24 vezes – algo ainda distante do perigo do álcool.

Como a psilocibina, a mescalina é um alucinógeno natural, principalmente encontrado no cacto peiote, comum no sudoeste dos EUA e em boa parte do México. A mescalina tem uma história antiga, sendo usada desde a era pré-colombiana. Os astecas usavam o peiote por suas qualidades “divinas”.

O mais irônico é que alguns especialistas acreditam que a mescalina e os outros alucinógenos poderiam ser a chave para uma cura para o alcoolismo. [Listverse]
Fonte: Hypescience
Por: Jéssica Maes
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“Beba moderadamente” não funciona.

Calendario laicista, ateo y racionalista

Calendario laicista, ateo y racionalista

A continuación Sindioses presenta una compilación de las principales conmemoraciones que se han venido gestando en los últimos años, con el fin de promover la ciencia y el razonamiento crítico. Esta propuesta reúne 14 fechas propicias para promover la razón, la ciencia y la laicidad.

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Día de Darwin, 12 de Febrero. Es el aniversario de Charles Robert Darwin. naturalista británico que documentó diferentes evidencias a favor de la evolución biológica, y que, junto con Alfred Wallace postuló la selección natural como mecanismo evolutivo.

cal2El movimiento organizado para establecer esta celebración anual comenzó con el Dr. Robert Stephens, quien motivó a la comunidad humanista del Silicon Valley en California a celebrar el primer “Darwin Day” en 1995. El profesor Massimo Pigliucci inició la celebración en Universidad de Tennessee en 1997. Desde entonces la celebración se hace en muchos departamentos de biología, museos y organizaciones seculares alrededor del mundo. Actualmente hay una organización formada para promover el evento: http://darwinday.org/

Día de Hypatia, 23 de Febrero
El día de Hypatia fue establecido en 1991 en Indiana, Estados Unidos por Miriam Patrick Cooney. La finalidad de esta fecha fue la de resaltar la presencia de las mujeres en la ciencia y las matemáticas.cal3

“Queremos animar a las jóvenes a seguir tomando clases de matemáticas y ciencias avanzadas”, dijo Ewa Misiolek, profesor de matemáticas y director del programa en Indiana. “Después de reunirse en nuestras aulas y laboratorios con los estudiantes que han tenido éxito en matemáticas y ciencias, esperamos que estos estudiantes más jóvenes se sientan seguros de que pueden hacerlo también.”

La fecha también es útil para recordar el legado de esta valiente astrónoma y filósofa, así como para reflexionar sobre la persecución religiosa a la ciencia.

Hypatia fue la primera científica y filósofa que murió a manos del fundamentalismo cristiano, cuando el catolicismo creció en el Viejo Mundo. Fue destrozada viva con conchas de mar por una turba azuzada por el obispo Cirilo, quien luego sería un santo de la Iglesia Católica.
Día del Ateísmo, 14 de Marzo
Fecha escogida por la Asociación Madrileña de Librepensadores (AMAL) eligió el 14 de Marzo denominado Día Pi (3,141592…) para celebrar el ateísmo y librepensamiento.

Surgido en 2003 tras una publicación en Internet que se hizo viral, se ha popularizado en los Estados Unidos en las redes sociales, donde se ha dado la oportunidad de presentar los argumentos contra la existencia de los dioses.

Día de Marcha por la Ciencia, 22 de Abril

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En 2017 se presentó la primera “marcha por la ciencia” tras el recorte al presupuesto en las ciencias por parte de muchos gobiernos, además de la arremetida fundamentalista en el gobierno de Donald Trump que niega la evidencia del calentamiento global, la evolución y hasta la eficacia de las vacunas. Los males que llevaron a la marcha de 2017 aún no desaparacen, razón por la que la fecha no debe pasar desapercibida.

Día de dibujar a Mahoma, 20 de Mayo

cal5El derecho a la libertad de expresión NO es negociable.
Esta fecha nació como una protesta contra radicales islamistas. En el año 2010 unos fundamentalistas amenazaron asesinar a los dibujantes de South Park por haber dibujado a Mahoma en el episodio 201. Frente a esta amenaza a la libertad de expresión y las amenazas contra la vida de los críticos del islam, se creó una campaña para dibujar a Mahoma el 20 de mayo de 2010.

Desde entonces la fecha busca protestar contra los deseos violentos de los fundamentalistas de limitar la libertad de expresión y la crítica al islam.

Día del Orgullo Ateo, 6 de Junio

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¿Esperaban un Día del Orgullo Ateo así como existe un Día del Orgullo Gay? Pues aquí lo tienen. ¡Siéntete orgulloso de tu ateísmo! Ese es el mensaje que Dave Muscato, Director de Relaciones Públicas de American Atheist envió en 2013, fecha en que se lanzó el Día del Orgullo Ateos. Se trata de una fecha para reivindicar, sin temor alguno la inmensa libertad y felicidad de vivir libre de la opresión de los dogmas religiosos.

Día de la defensa de la ciencia frente a la religión, 22 de junio.

Muchas religiones organizadas mantienen un constante ataque a la ciencia desde posturas irracionales como el creacionismo, el Diseño inteligente, la defensa del diluvio universal, la negación del Big Bang y del calentamiento global, llegando algunos religiosos a defender el terraplanismo y desestimar la vacunación, entre otros temas. La ciencia también se encuentra bajo el ataque de posmodernistas y creadores de conspiranoias.

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Esta fecha se propone el 22 de junio, ya que un día similar, pero de 1633 Galileo Galilei fue condenado por la Inquisición. Esta no fue la primera vez, ni la última, en la que le religión buscaba limitar la ciencia. Sea una buena oportunidad para generar opinión y reflexión al respecto.

Día del Librepensamiento, 20 de septiembre.

El 20 de septiembre se celebra, como un homenaje a los hombres y mujeres combatientes de la libertad de pensamiento, el Día del Librepensamiento. La iniciativa de Europa Laica, lleva años celebrándose en España y otros países europeos.

Día de la Blasfemia, 30 de septiembre.

cal8Esta conmemoración fue lanzada en 2009 por el Center for Inquiry, en el que alienta a defender el derecho de criticar e incluso de burlarse de la religión. En su lanzamiento, Ronald Lindsay dijo que “Creemos que las creencias religiosas deben ser objeto de examen y la crítica al igual que lo son las creencias políticas, pero tenemos un tabú en la religión”

Precisamente para romper este tabú es que se conmemora el Día Internacional del Derecho a la Blasfemia. Esta fecha cae en el aniversario de la publicación de las caricaturas de Mahoma en el diario danés Jyllands-Postem, que desato una ola de asesinatos en Medio Oriente y África, por parte de los creyentes musulmanes. Esta fecha se diferencia de la del día de dibujar a Mahoma porque en este caso se trata de la libertad de criticar a cualquier religión, culto, secta, presunto libro sagrado, etc.

Día de Carl Sagan – 9 de Noviembre
cal9Carl Sagan, el astrofísico estadounidense que influyó a un número enorme de jóvenes en el mundo por la ciencia, el escepticismo y la razón. El Día de Carl Sagan fue presentado en 2009 por la organización Center for Inquiry y una coalición de organizaciones promotoras de la ciencia y el escepticismo científico en Estados Unidos. Luego se unió en apoyo la Fundación James Randi.

En esta fecha se conmemora el legado de Carl Sagan, con sus obras y su magistral serie Cosmos.

Día del Orgullo Primate, 24 de Noviembre

cal10El 24 de noviembre se conmemora la publicación de El Origen de las Especies, así como el descubrimiento de Lucy. Desde el 2010 se celebra el “Día del Orgullo Primate” o el “Día del orgullo evolucionista”. En esta fecha se han desarrollado actividades culturales y lúdicas en varios puntos de Latinoamérica en un intento por mejorar la divulgación de la biología evolutiva en diferentes espacios.

Día Internacional del Laicismo, 9 de diciembre

cal11El asenso del las iglesias evangélicas al poder político en toda Latinoamérica constituyen en una amenaza real y cada vez mayor a la laicidad estatal.

El 9 de diciembre de 1905 se proclamó la ley francesa de «Separación del Estado de las religiones», la cual supuso un hito mundial. Francia que trajo la declaración de derechos humanos, y los principios de libertad, igualdad y fraternidad, también nos legó por medio de su ejemplo de la separación entre Estado e iglesias como una condición para la libertad.
La conmemoración ha sido lanzada por la organización Europa Laica, quien estableció desde el 2012. En la declaración del 2014, Europa Laica manifestaba que:
“El Laicismo es sinónimo de Democracia y supone una apuesta por lo público, por la “res pública”, marco común de derechos y deberes ciudadanos…
Deseamos que las personas decidan sus normas colectivas, sin las imposiciones morales de cualquier doctrina religiosa…
Aspiramos a un modelo de Escuela y Universidad Públicas y Laicas, donde el conocimiento se construya desde la racionalidad, desde los métodos científicos y la filosofía humanista, no desde las creencias, que ya cuentan con sus propios lugares de culto: iglesias, templos, mezquitas, sinagogas…
Queremos, una efectiva orientación y formación afectivo-sexual para todas las personas y la libre decisión de las mujeres a la interrupción voluntaria del embarazo. Y como defensores de una vida digna, también queremos una muerte digna, mediante el derecho a la eutanasia.
[…] Pretendemos la neutralidad del Estado (de los Estados) en materia de convicciones. Para lo que debe eliminarse todo tipo de identificación, real o aparente, de éste, con cualquier convicción particular y, por lo tanto, debe suprimirse cualquier privilegio económico, tributario, jurídico, simbólico, etc. de las confesiones religiosas. Reclamamos, por tanto, una clara separación entre las religiones y los Estados. De ahí que Apostemos por una lucha permanente por la construcción de Estados verdaderamente laicos.”

Día del Escepticismo y contra el avance de las pseudociencias, 20 de diciembre

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En 2009 el Blog Proyecto Sandía propuso esta fecha para promover el razonamiento escéptico y luchar contra las pseudociencias. En esta fehca se conmemora la muerte de Carl Sagan, gran difusor de la ciencia y del pensamiento racional.

Una excelente oportunidad para hablar de pseudomedicinas, astrología, teorías conspiranoicas y demás rarezas que tanto suelen proliferar en ambientes donde el razonamiento crítico no es común.

Esperamos que esta compilación sea de ayuda a los activistas de América Latina y España

Fonte: Blog Sin Dioses  Es
Por: Ferney Yesyd Rodríguez                                                                           Textos correlatos:

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Guerra contra as drogas: sucesso em Portugal e fracasso nos EEUU

Los estudios muestran que Estados Unidos tiene una de las tasas más altas de abuso de drogas del mundo. El cartel de la cocaína comienza en las calles de Nueva York, Miami, Los Ángeles y en cada una de las ciudades estadounidenses donde se vende y compra crack”. Debemos crear centros de tratamiento de primer nivel con personal capacitado, donde la gente esté dispuesta a ir sin temor de ser condenada y con la confianza de que recibirá una atención eficaz. La experiencia de Portugal sugiere que los jóvenes que consumen drogas pero aún no son adictos a menudo pueden dejarlas. Aunque es difícil lograr que los adictos de más edad dejen las drogas, los programas de tratamiento pueden ofrecerles servicios útiles.
El fracaso de la guerra contra las drogas

droUna mujer en Nueva Jersey es interrogada por policías por una presunta posesión de heroína. Jessica Kourkounis para The New York Times

La guerra contra las drogas en Estados Unidos ha sido un fracaso que ha arruinado vidas, ha abarrotado las cárceles y ha costado una fortuna. Comenzó durante el gobierno de Nixon con la idea de que, dado que las drogas son malas para las personas, tiene que ser difícil conseguirlas. En consecuencia, se planteó una guerra contra el suministro.

Durante la epidemia del crack en la década de los ochenta, Nancy Reagan, la primera dama, trató de cambiar este enfoque. Sin embargo, su campaña para reducir la demanda, “Di no a las drogas”, tuvo un respaldo limitado.

El 25 de octubre de 1988, después de enfrentarse a las objeciones de una burocracia enfocada en el suministro de drogas, le dijo a una audiencia de las Naciones Unidas: “Si no podemos detener la demanda de drogas en Estados Unidos, habrá pocas esperanzas de evitar que los productores extranjeros satisfagan esa demanda. No lograremos nada si demandamos una carga de responsabilidad mayor en los gobiernos extranjeros que en los alguaciles, jueces y legisladores estadounidenses. El cartel de la cocaína no comienza en Medellín, Colombia. Comienza en las calles de Nueva York, Miami, Los Ángeles y en cada una de las ciudades estadounidenses donde se vende y compra crack”.

Su advertencia, aunque profética, no fue tomada en cuenta. Los estudios muestran que Estados Unidos tiene una de las tasas más altas de abuso de drogas del mundo. Aunque restringir el suministro no ha logrado frenar su consumo, las políticas draconianas han llevado a miles de jóvenes adictos a llenar las cárceles estadounidenses, donde aprenden a convertirse en verdaderos criminales.

La prohibición de las drogas también han creado incentivos económicos perversos que hacen muy difícil combatir a los productores y distribuidores de drogas. El alto precio de las drogas en el mercado negro les ha generado a los grupos que las producen y las venden ganancias enormes, que invierten en comprar armas sofisticadas, contratar pandillas que defiendan su negocio, sobornar a funcionarios públicos y, con la idea de convertirlos en adictos, hacer que las drogas sean de fácil acceso a los niños.

Las pandillas de los carteles, armadas con dinero y armas provenientes de Estados Unidos, están causando un caos sangriento en México, El Salvador y otros países de América Latina. Solo en México, la violencia relacionada con las drogas ha tenido un saldo de 100.000 muertes desde 2006. Esta violencia es una de las razones por las que la gente deja sus países y huye a Estados Unidos.

Si se considera todo lo anterior, es fácil ver que la estrategia que se enfoca en el suministro ha sido muy poco eficiente en disminuir las adicciones y, en cambio, ha provocado una serie de efectos colaterales terribles. Entonces, ¿qué podemos hacer?

En primer lugar, los gobiernos de Estados Unidos y México deben reconocer el fracaso de esta táctica. Solo en ese momento podremos abocarnos a diseñar a nivel nacional campañas educativas rigurosas para convencer a las personas de no consumir drogas.

La crisis actual de opioides profundiza la importancia de frenar la demanda. Este enfoque, con suficientes recursos y el mensaje correcto, podría tener un impacto similar al de la campaña para reducir el consumo de tabaco.

También debemos despenalizar la posesión a pequeña escala de drogas para uso personal, de manera que se detenga el flujo de consumidores no violentos al sistema penal. En Estados Unidos, algunos estados han dado un paso en esta dirección al despenalizar la posesión de cierta cantidad de marihuana. La Suprema Corte de Justicia de la Nación en México también declaró que las personas deberían tener derecho a cultivar y distribuir marihuana para uso personal. Al mismo tiempo, debemos seguir considerando ilegal la posesión de grandes cantidades de droga, de manera que los traficantes puedan ser procesados judicialmente y se mantenga cierto control sobre el suministro.

Por último, debemos crear centros de tratamiento de primer nivel con personal capacitado, donde la gente esté dispuesta a ir sin temor de ser condenada y con la confianza de que recibirá una atención eficaz. La experiencia de Portugal sugiere que los jóvenes que consumen drogas pero aún no son adictos a menudo pueden dejarlas. Aunque es difícil lograr que los adictos de más edad dejen las drogas, los programas de tratamiento pueden ofrecerles servicios útiles.

Ante un problema tan complejo, debemos estar dispuestos a experimentar con distintas soluciones. ¿Qué mensajes son más eficaces? ¿Cómo pueden lograrse tratamientos efectivos para distintos tipos de drogas y diferentes grados de adicción? Debemos tener la paciencia para evaluar qué funciona y qué no. Pero debemos comenzar ya.

A medida que estos esfuerzos progresen, las ganancias del narcotráfico se reducirán en gran medida, aun cuando los riesgos de involucrarse en él sigan siendo altos. El resultado será una disminución gradual de la violencia en México y los países centroamericanos.

Tenemos una crisis en nuestras manos, y durante los últimos cincuenta años hemos sido incapaces de resolverla. Sin embargo, hay opciones. Tanto Estados Unidos como México necesitan ver más allá de la idea de que la adicción a las drogas es un problema judicial que puede solucionarse con arrestos, juicios penales y restricciones al suministro. Debemos atacarlo juntos con políticas de salud pública y educación.

Aún estamos a tiempo de persuadir a nuestros jóvenes de no arruinar sus vidas.

Fonte: The New York Times Es
Por: George P. Shultz, ha sido secretario del Tesoro y secretario de Estado en Estados Unidos
Por: Pedro Aspe fue secretario de Hacienda y Crédito Público en México.
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