Saúde Mental, Trump e Bolsonaro

Psiquiatras (EUA) são os responsáveis pela avaliação de Trump, agora em processo de impeachment. Psicanalista e professor da USP analisa clinicamente a figura do presidente Jair Bolsonaro.

O “narcisismo maligno” de Trump está se deteriorando

Psicanalista, professor titular da Universidade de São Paulo (USP), analisa clinicamente a figura do presidente Jair Bolsonaro. 

Sem a descriminalização da maconha, continuaremos como traficantes

STF vai julgar ‘só Deus sabe quando’ processo que pode descriminalizar porte de drogas para consumo pessoal. Tema que começou a ser julgado em 2015 segue estagnado desde então, e consumidores continuam sendo presos e condenados como traficantes

#PraCegoVer: ilustração de várias pessoas de costas, com as mãos algemadas para trás, enfileiradas lado a lado. Crédito da ilustração: Brian Stauffer para Human Rights Watch.

Sem a descriminalização da maconha, continuaremos como traficantes

Entre promessas de entrega de voto, retorno de julgamento e adiamentos,mais de duas dezenas de matérias, nos últimos 4 anos, colocaram o Recurso Extraordinário (RE) 635.659 em pauta, trazendo esperança a uma nova abordagem em relação ao porte de maconha e outras drogas na sociedade brasileira.

O julgamento, que estava com retorno previsto para 6 de novembro, foi retirado mais uma vez da pauta, sem previsão de retorno. Enquanto isso,sem uma definição de quantidade, consumidores seguem sendo acusados e condenados por tráfico de drogas, correndo riscos de morte e de serem enquadrados em outros crimes.

Afinal, o que é o RE 635.659?

Tudo começou em 2011, quandoFrancisco Benedito de Souza foi pego com 3 gramas de maconha dentro de uma cela de uma penitenciária em Diadema (SP). A Defensoria-Pública de São Paulo foi responsável por entrar com o Recurso Extraordinário (RE) 635.659, que pede a inconstitucionalidade do artigo 28 com a justificativa que o mesmo ofende as garantias da inviolabilidade da intimidade e da vida privada.

Após 4 anos,no segundo semestre de 2015, o RE entrou na pauta do STF, que ficou responsável por julgá-lo– e cuja decisão seria replicada para todos os casos semelhantes em todo o território nacional. Em outras palavras: se decidissem por julgar o art. 28 como inconstitucional, já que o tema foi considerado de grande repercussão, relevância social e jurídica, grande parte dos consumidores e acusados por tráfico seriam tratados de forma diferente.

Após diversas sessões – as quais a Smoke Buddies acompanhou do começo ao fim, sem tirar os olhos da tela, e que levaram milhares de brasileiros a sintonizarem na TV Senado –, os ministrosGilmar MendesEdson FachinLuís Roberto Barrosodeclaram seus votos a favor da descriminalização do porte de maconha, para a alegria de todos.3×0: tem como não ficar feliz, viajando nas mudanças que estavam a alguns passos de ocorrer?

Porém,quando a esmola é muita, o santo desconfia. No dia 9 de setembro de 2015, quando o RE 635.659 chegou nas mãos do ministro Teori Zavascki, o processo foi freado.Teori pediu vista, requisitando mais tempo para analisar o assunto. Na época,tentamos contato com o gabinete, mas não tivemos resposta. Tudo indicava que não havia previsão de retomada do julgamento, o que, por fim, se confirmou:mais de um ano depois do pedido de vista, morre tragicamenteo ministroTeori Zavascki, em janeiro de 2017, sem efetuar a entrega do seu voto.

Herdando a cadeira e processos de Teori, Alexandre de Moraes, indicado pelo ex-presidente Michel Temer,liberou seu votoem 23 de novembro de 2018, depois de um hiato de quase dois anos. Por fim,com o processo liberado, aguardamos meses na expectativa de entrada da matéria na pauta de julgamentos do Supremo, o que até ocorreu, por duas vezes, mas foi, por duas vezes também, adiada pelo presidente da Casa, o ministro Dias Toffoli: uma, em junho, por conta do julgamento pela criminalização da homofobia e outra, em novembro, por conta da prisão em segunda instância.

Negligência Suprema

A negligência do Supremo Tribunal Federal sobre a descriminalização do porte de drogas para consumo pessoal vai além do que muitos imaginam que é a restrição da liberdade individual da pessoa que escolheu consumir maconha, por exemplo.

Em um breve resumo histórico, que pode ser verificado com uma rápida consulta noGoogle,que lista quase 600 mil resultados, é perceptível que no Brasila proibição da maconha e de outras drogas é de cunho racista.

Atualmente, o uso de drogas não é crime, mas, se não for para uso pessoal, o porte de entorpecentes é.E a distinção entre uso e tráfico fica a cargo do juiz,que determina caso a caso se o usuário pego com drogas pode ser liberado sem punição, ou depois de uma advertência, ou se cabe uma pena mais grave, como a prestação de serviços, ou mesmo penas por tráfico de drogas.Entretanto, a condenação pelo porte de drogas para uso pessoal “ofende o princípio da intimidade e vida privada”, garantido pelo artigo 5º da Constituição Federal.

Já é mais do que sabido que o porte de drogas para uso próprio não afronta a chamada “saúde pública”, mas apenas, e quando muito, a saúde pessoal do próprio usuário. A Lei de drogas e suas aplicações no Brasil continuarão obscuras e dúbias enquanto não houver uma definição clara sobre o tema, e jovens, sobretudo osnegros e pobres, pegos com pequenas quantidades de maconha continuarão sendoencarcerados em massa,tratados como traficantes, assim como as mulheresem condições mais vulneráveis, que superlotam as penitenciárias – segundo o INFOPEN (2018), “crimes relacionados ao tráfico de drogas correspondem a 62% das incidências penais pelas quais as mulheres privadas de liberdade foram condenadas ou aguardam julgamento em 2016”.

Assim continuamos todos, ou quase todos, traficantes

Deixemos a hipocrisia de lado e falemos da realidade que, por algumas vezes, já fora explanada até pelo Dr. Drauzio Varella:TODO USUÁRIO DE DROGAS ILÍCITAS– graças a atual lei –É UM POTENCIAL TRAFICANTE. Assim é a realidade de uma parcela de quem consome substâncias ilícitas no Brasil que, para minimizar danos e riscos, como abordagem policial, fazem ou pedem a amigos para “fazer o corre”, ou seja, comprar a droga.

Se chocou? Que bom, esse é o objetivo.Afinal, essa é a real de quem consome e é assim que uma parcela dos consumidores são vistos pelos agentes da lei e pelos juízes, que definem a vida de uma pessoa com base em achismos, provas fracas, testemunhos de policiais e, muitas vezes, cor da pele e classe social.

Hoje,quando uma pessoa é flagrada portando drogas, nos deparamos com dois cenários:se for branco e morador de área nobre, flagrado com algumas trouxinhas de maconha,possivelmente será conduzido a uma delegacia e assinará como um usuário, masquando a cor da pele é diferente a realidade é outra.

Negro e pobre, próximo de alguma periferia, possivelmente será detido como acusado de tráfico de drogas e aguardará, com risco de morte, por tempo indeterminado(apesar do sistema judiciário determinar diferente, essa é a realidade) um julgamento que poderá condená-lo como traficante, além de outros crimes.

Mas, você deve estar se perguntando:como assim, a pessoa foi pega com 5 trouxinhas de maconha e pode acabar condenada por outros crimes, e ainda corre risco de morte?

Sim, infelizmente essa é a realidade.A pessoa acusada, diante da superlotação das celas das cadeias e da demora do julgamento, é transferida para uma penitenciária super lotada, com seus pátios e celas comandadas por facções e pessoas que cometeram crimes violentos.Advinha só, tal como vemos nos seriados e com um cenário infinitamente pior, muitas vezes, para se manter vivo lá dentro é necessário cometer crimes. Logo, um mero consumidor de maconha pode ter dois finais: adicionar mais um crime a sua lista de condenações ou terminar de forma pior:morto. Como foi o caso de um dos mortos no massacre de 55 presos, que ocorreu em um presídio em Manaus, em maio deste ano: um usuário acusado de tráfico que não teve tempo de ser julgado, como relatou o magistrado Luís Carlos Valois., como relatou o magistrado Luís Carlos Valois.Como foi o caso de Fonte:Smoke Buddies

“Sou preguiçosa e me orgulho disso”

Pesquisa, por escaneamento cerebral, do Instituto de Neurociência Cognitiva da Universidade de Oxford na Inglaterra, concluiu que em situações de  esforço para obter uma recompensa, os cérebros das pessoas apáticas eram mais ativos do que os das pessoas motivadas.

Gransbury es actriz de profesión en Melbourne, Australia

“Soy perezosa y estoy orgullosa de ello”: la mujer que asegura que la pereza no es mala

Lucy Gransbury ha aprendido a llevar su vida por la ley del mínimo esfuerzo.Para ella eso es un reconocimiento a su eficiencia al resolver problemas y hacer tareas, y que sabe administrar su energía.

Lucy Gransbury confiesa que es una “persona perezosa” y se siente “orgullosa” de ello.

“No nos gusta causar drama porque no queremos molestarnos en lidiar con eso”, dice Lucy al hablar de sí misma y de otras personas perezosas que conoce.

¿Te suena familiar?

Bueno, si tú eres propenso a la pereza -la aversión o indisposición a esforzarse- te puedes sentir culpable por tu comportamiento.

Pero tal vez deberías pensarlo dos veces.

Gransbury, quien trabaja como actriz en Melbourne, Australia, argumenta que ser perezosa no es tan malo como se piensa y las investigaciones en la materia la respaldan.

“La gente perezosa merece más crédito. Encontramos el camino más eficiente al objetivo, y no vamos a perder el tiempo tomando el camino complicado”, dice Gransbury.

Reconoce que la pereza se ve sobre todo como un comportamiento negativo, pero ella sostiene que el ser perezoso debe ser visto como un atributo positivo.

Hace a las personas mejores en priorizar las tareas, más eficientes con su energía, y ayuda a encontrar la manera más rápida de hacer un trabajo de una sola vez.

Pereza o atajos

Al observar algunos atajos que toma Lucy para enfrentar las tareas cotidianas que son aburridas, se puede juzgar si es pereza o eficiencia.

Uno es limpiar la ducha mientras todavía la está usando; planchar solo con el aire cuando se está secando la ropa; hacer la cama mientras se encuentra todavía en ella haciendo una serie de movimientos de estrellas de mar o patadas hasta que todas las sábanas caen en su lugar… o saber exactamente qué toma corriente es la adecuado para enchufar la aspiradora para evitar perder tiempo.

¿Madre de la invención?

Gransbury asegura que muchos grandes inventos fueron motivados por la pereza.

“La rueda fue algo grande. La inventaron debido a que era demasiado difícil arrastrar cosas por todas partes… Las invenciones son en realidad un método de conveniencia. Como el teléfono, pues tomaba demasiado tiempo caminar hasta la casa del vecino y saludar”, dice.

Y no está sola en este razonamiento.

El fundador de Microsoft, Bill Gates, es a menudo citado por decir que él contrataría a una persona perezosa para hacer un trabajo duro, ya que esa persona encontraría la manera más fácil de hacerlo.

La pereza hace trabajar al cerebro

Una investigación del profesor Masud Husain en la Universidad de Oxford (Reino Unido) sugiere que ser perezoso podría hacer que el cerebro trabaje más, lo cual respalda la teoría de Lucy.

Husain diseñó un experimento para ver las diferencias que podría haber entre los cerebros de las personas perezosas y las que no lo son.

Varias personas fueron puestos a prueba después de ser clasificados en categorías: motivados, apáticos y un punto medio.

“Les pedimos que hicieran una prueba que les hacía decidir si vale la pena un esfuerzo físico por una recompensa en concreto”, explica.

Quizás no fue una sorpresa que el grupo perezoso fuera menos propenso a esforzarse para obtener una recompensa, pero cuando los escáneres cerebrales revelaron por qué, los científicos se sorprendieron.

“Los cerebros de las personas apáticas eran diferentes de los que estaban más motivados, no en términos de estructura, sino en términos del nivel de actividad que esos cerebros mostraban cuando tomaban estas decisiones”, explica Husain, profesor de Neurociencia Cognitiva en Oxford.

“Sorprendentemente, encontramos que los cerebros de las personas apáticas eran en realidad más activos en esas circunstancias que los cerebros de las personas motivadas”, continúa.

“Era como si les fuera más difícil tomar esa decisión. Y había un costo más alto para sus cerebros en términos de tratar de determinar si valía la pena o no”, añade.

El profesor explica que eso representa “un trabajo mucho más difícil” que el realizado por el cerebro de las personas que están más motivadas.

“Por supuesto, la actividad cerebral tiene un costo. Quemas combustible, quemas azúcar en el cerebro para tomar estas decisiones: cuando tus neuronas están activas, están consumiendo combustible”.

Entonces, si los cerebros de las personas perezosas queman más energía mientras están ocupados decidiendo lo que van a hacer, ¿por qué la pereza se considera un comportamiento negativo?

Adoctrinamiento

Catherine Carr, de la BBC, analizó por qué la sociedad en su conjunto desprecia la pereza en el programa de radio del Servicio Mundial de la BBC “The Why Factor“.

En un campamento militar de entrenamiento físico en Cambridge, en Reino Unido, una mujer que asistía a la clase de acondicionamiento físico le dijo a Catherine que acostumbraba a hacer flexiones en un parque frío, en lugar de pasar una mañana perezosa en la cama, porque “le encanta y es un buen comienzo de su día”.

Pero, ¿por qué se percibe esto como algo positivo, y no quedarse en casa?

Un hombre le dijo a Catherine que es lo que te enseñan a creer desde la infancia.

“Es moralmente incorrecto. Me han adoctrinado para creer que tienes que estar haciendo algo, constantemente. Creo que mis padres y la sociedad me lo impusieron. Deberías estar constantemente haciendo cosas, logrando cosas”, manifiesta.

Otra mujer de la clase estuvo de acuerdo.

“La perspectiva de la sociedad es que la pereza es algo malo. La verdad es que, cuando era niña, nunca se nos permitía recostarnos porque eso se consideraba malo. Mis padres siempre nos despertaban temprano en la mañana y los fines de semana porque teníamos que ‘levantarnos y hacer cosas’”.

“Pereza criminal”

Anastasia Burge, quien enseña e investiga filosofía en la Universidad de Cambridge, reconoce que esta actitud ha sido tan fuerte en el pasado que incluso las personas han sido severamente castigadas por tener flojera.

“En la antigua Unión Soviética procesaban a las personas por lo que llamaron parasitismo social, que en realidad era una especie de pereza criminal”.

“El poeta Joseph Brodsky -que llegó a ser premio Nobel tras dejar la URSS- fue cuestionado en un juicio: ‘¿Qué haces? ¿Cuál es tu trabajo? ¿Cuál es tu profesión?’”, cuenta Burge.

“Él respondió ‘Soy poeta’. Eso fue completamente incomprensible para los jueces, por lo que terminó siendo enviado a hacer trabajos forzados y forzado a exiliarse de la Unión Soviética para que se fuera a un lugar donde hubiera espacio para la poesía”.

Se trata de la salud mental

Son exactamente estas actitudes las que para Gransbury forman parte de una mentalidad del pasado y son un peligro para la salud mental.

“Creo que desconectarse y tener tiempo de inactividad es una gran parte de dejar que tu cerebro se apague, que tu cuerpo se apague; lo que significa realizar una siesta o acostarse en el sofá”, dice.

“Nuestra generación realmente incorpora estos momentos de cuidarse a uno mismo y preocuparse de la salud mental de cada uno, lo que para, algunas personas, puede significar ser perezoso por un corto periodo de tiempo”.

“Creo que es más probable que nuestra generación lo acepte y hable de ello que quizás las generaciones anteriores, para las que lo que se compensaba realmente era trabajar duro. Nuestra generación se está cuidando a sí misma”, opina.

En estos días, dice, se trabaja duro y no se cosechan el tipo de recompensas que solía haber.

“No podemos pagar nuestras hipotecas incluso después de trabajar durante 60 años”.

Gransbury no solo no se disculpa por ser lo que muchos consideran “perezosa”, sino que alienta a otros de su generación a seguir su ejemplo.

“Nos estamos moviendo más hacia reflexionar qué tipo de estilo de vida podemos mantener y somos capaces de hacerlo el resto de nuestra vida. Y eso incluye cuidar de uno mismo y ser conscientes de nuestro cuerpos y nuestra mentes, y eso incluye tomarse un descanso”.

Este texto es una adaptación del programa de radio del Servicio Mundial de la BBC “The Why Factor“.
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