Pesquisa: o que sentem as mulheres após abortarem

Pesquisadores das Universidades da California e de Columbia publicaram na revista Social Science & Medicine qual a principal e surpreendente emoção das mulheres depois de um aborto.

Foto: Wikimedia Commons

99% de las mujeres sienten alivio y no arrepentimiento 5 años después de tener aborto

En un estudio, casi todas las mujeres se sienten seguras de que el aborto fue la decisión correcta, a cinco años de haberlo sufrido.

¿Cuál es la principal emoción que experimentan las mujeres después de un aborto? La respuesta podría sorprender a muchas personas: una nueva investigación ha encontrado que la mayoría de las mujeres sientenalivioen los años posteriores a haberse practicado un aborto.

Casi todas las mujeres en el estudio, incluidas aquellas que tuvieron dificultades para tomar la decisión de interrumpir su embarazo, dijeron que fue la decisión correcta 5 años después del procedimiento.

El informe, que fue publicado en la revista Social Science & Medicine el 12 de enero, desmiente la suposición de que las mujeres lamentan interrumpir sus embarazos, una noción que los activistas contrarios a la elección han usado para presionar por períodos de espera obligatorios y asesoramiento sobre el aborto en muchos países.

Seguras de la decisión correcta

Para su investigación, expertos de la Universidad de California en San Francisco y la Universidad de Columbia analizaron datos de 667 mujeres en 21 estados de EE.UU. que participaron en el Estudio Turnaway, un proyecto de 5 años que examinó los efectos socioeconómicos y de salud de los abortos.

El estudio tuvo una base de participantes étnicamente diversa, compuesta por 35% de blancos no latinos, 32% afrodescendientes no latinos, 21% latinos y 13% de otros orígenes étnicos.

La edad promedio de los participantes era de 25 años al comienzo del estudio. Alrededor de 6 de cada 10 participantes ya tenían al menos un hijo.

eMientras que más de la mitad de las participantes lucharon por tomar la decisión de abortar, el 97.5% de las mujeres dijeron a las entrevistadoras que, incluso una semana después del procedimiento, ya sentían que la decisión había sido correcta.Después de 5 años, el 99% sintió que abortar no había sido un error.

“Realizo abortos, y la mayoría de las personas que vienen pidiéndolo saben que es lo que quieren”, dijo el doctor Tristan Bickman, un obstetra y ginecólogo de Santa Mónica, California, y coautor de “Whoa Baby!: Una guía para las nuevas mamás que se sienten abrumadas y asustadas (y se preguntan qué rayos acaba de pasar)”:

“Por supuesto que hay excepciones, pero la mayoría de las mujeres se sienten aliviados cuando termina (el aborto)”, añadió.

Fonte: LARED21
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Pregar abstinência sexual não previne a gravidez precoce

A Sociedade Americana pela Saúde e Medicina do Adolescente emitiu um documento: programas baseados na abstinência sexual são eticamente deficientes e deveriam simplesmente deixar de existir.

Foto: Kleyton Amorim/UOL/Folhapress

A ideia fundamentalista de Damares para prevenir gravidez precoce não faz o menor sentido

Diferentes pesquisas científicassobre sexo desprotegido e gravidez precoce trazem repetidamente a mesma conclusão: não há evidências de que programas baseados na abstinência sexual sejam eficazes como defende a ministra Damares Alves. São artigos, publicados internacionalmente de2007a2019, incluindo revisões sistemáticas, metanálises,estudos epidemiológicose atéuma revisão de revisões sistemáticas.

A maior parte dos dados vêm de países desenvolvidos, masuma metanálise feita em países em desenvolvimentotampouco conseguiu apontar efetividade nos programas centrados em abstinência.

Os dados são tão eloquentes que, em 2017, a Sociedade Americana pela Saúde e Medicina do Adolescenteemitiu um documentono qual considera que programas baseados na abstinência sexual são eticamente deficientes e deveriam simplesmente deixar de existir.

Diante das críticas ao seu programa que propõe ensinar abstinência sexual a adolescentes, Damaresfoi aoTwitterexpressar que a proposta não seria para “impor condutas morais ou religiosas”, e que teria base em “sérios estudos e pesquisas científicas”, citandoum estudo chileno de 2005. Damares recorreu ao que no mundo acadêmico é chamado de cherry-picking.

Cherry-picking(“apanhar cerejas”, em tradução ao português) significa o ato de selecionar na literatura científica um determinado resultado que reforce a visão de mundo que se está tentando defender. O estudo chileno citado por Damares é uma fruta única, lustrosa e isolada que está dentro de um cesto cheio de cerejas podres.

Como forma de se contornar resultados isolados, há outros estudos que, após uma série de critérios de seleção e qualidade, permitem analisar um tipo de intervenção em dezenas, às vezes, centenas de artigos científicos de uma só vez. Esses tipos de estudos são as revisões sistemáticas e metanálises mencionadas acima. Damares ignora isso.

Mas isso não é surpreendente. Basear-se em evidência científica e ser um membro do governo Bolsonaro já é uma contradição em termos. Afinal, trata-se da administração federal que nega fatos científicos como a mudança climática, despreza o financiamento para a pesquisa nacional e exonera um cientista do quilate de Ricardo Galvão, ex-presidente doInpedemitido por Bolsonaro, por ele se opor à narrativa oficial da inexistência de desmatamento na Amazônia.

Modelos centrados na abstinência não informam adequadamente sobre os métodos contraceptivos, não respeitam a diversidade de visões sobre sexualidade na população, oferecem risco ao não instruir sobre como evitar a transmissão de infecções sexualmente transmissíveis, as ISTs, e não consideram que a capacidade de rejeitar o ato sexual pode ser desigual a depender do gênero e da cor da pessoa.

A concepção de que a abstinência é o único método 100% eficiente esbarra na realidade de que, para um método funcionar, ele precisa ser aplicado de forma factível, e a realidade revela que as pessoas se casam cada vez mais tarde e o sexo antes do casamento é cada vez mais aceito pela sociedade, goste-se disso ou não.

Os especialistas e a literatura indicam que a solução estaria na adoção pelas escolas de programas de educação sexual abrangente: inclusivos, cientificamente corretos e culturalmente sensíveis. Isso significa acolher, sem necessariamente reforçar, a diversidade sexual que já existe na sociedade e afeta os nossos jovens de forma inequívoca: mais de um quarto deles já teve relação sexual no nono ano, segundopesquisa do IBGE de 2015.

Apesar da oposição dos bolsonaristas a esse tipo de intervenção, que são associados, sem base verossímil, à existência de “kits gays”, essesprogramasabrangentes estão internacionalmente associados a menores taxas de gravidez precoce e maior proteção em relação às ISTs, quando são avaliados, inclusive nos países em desenvolvimento, como o nosso.

Vale dizer que a saúde pública brasileira tem estudado o fenômeno de forma extensa, com grande acúmulo de pesquisas qualitativas e quantitativas, e seria necessário, para um programa federal eficiente, que os especialistas da área fossem convocados.

Não podemos esquecer da principal variável modificável associada com a gravidez infantil:a escolaridade. Quanto maiores as taxas de instrução da população e, especialmente, das adolescentes, menor a chance de ocorrer uma gravidez nesta fase da vida. Ou seja, a velha máxima de que se quisermos mudar esse país, o primeiro caminho é pela escola continua a valer também neste caso.

Por fim, é importante dizer que a opção pela abstinência é pessoal e deve ser respeitada – da mesma forma que a opção contrária. O que não pode ser admitido neste país é que tomemos decisões políticas baseadas em valores fundamentalistas e nos abstermos de evidências científicas sólidas.

Por: Luís Fernando Tófoli
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Os preconceitos e a dificuldade de mudar de opinião

Os preconceitos e a dificuldade de mudar de opinião

Pesquisas mostram que algumas pessoas funcionam basicamente em função de seus preconceitos e isto os impediria de mudar de opinião mesmo diante de argumentos válidos.

Tali Sharot

Nuestro cerebro funciona en base a prejuicios y a prueba de argumentos

UN ESTUDIO MUESTRA QUE UN ÁREA DEL CEREBRO PODRÍA ESTAR IMPIDIENDO A UNA PERSONA EL CAMBIAR DE OPINIÓN POR MÁS ARGUMENTOS VÁLIDOS QUE ÉSTA RECIBA PARA HACERLO

Una frase atribuida a Albert Einstein reza que «dividir un átomo es más fácil que romper un prejuicio», y esto podría ser cierto por la propia forma que tiene de funcionar el cerebro humano. ¿Cuántas veces hemos entrado en discusiones eternas sin que ninguno de los lados esté dispuesto a ceder en su posición? No importa qué tanta confianza se tengan dos personas en discusión, si sus opiniones están polarizadas no existe argumento que pueda ponerlas en común. Pueden ser los dos mejores amigos de toda la vida, pero si uno piensa que la tierra es plana y el otro que es redonda, o si uno defiende la teoría de la evolución y el otro es un ferviente defensor de la creación divina, nunca habrá argumentos que puedan acercar ambas opiniones. No existe lógica que pueda intercambiar visiones antagónicas del mundo. Si funcionamos cotidianamente según ciertos paradigmas básicos, cualquier detalle que venga a contradecirnos tal paradigma es eliminado cuasi por reflejo por nuestro cerebro. En la práctica más instintiva, nuestra mente necesita de certidumbres para funcionar, por lo que la incertidumbre se le presenta como su peor enemiga.

«¿Por qué hemos desarrollado un cerebro que descarta información perfectamente válida cuando esa información no se ajusta a su visión del mundo? Esto puede parecer un mal diseño que puede conducir a muchos errores de juicio. Entonces, ¿por qué no se ha corregido este fallo en el transcurso de la evolución humana?», se pregunta la neurocientífica Tali Sharot en The influential mind (La mente influyente, editorial Little Brown). Estas son las preguntas que intenta responder Sharot, de la University College de Londres, a través de una investigación que busca demostrar que el cerebro posee todo un mecanismo de filtración de aquella información que pueda contradecir las bases de su pensamiento. Los experimentos consistían en estudiar el comportamiento de varios participantes en un juego de apuestas acerca del costo de ciertos inmuebles. Particularmente interesaba analizar cómo variaban las apuestas de los participantes al conocer lo que había apostado su acompañante, pudiendo al saberlo solo aumentar o disminuir la apuesta pero no modificar el sentido original de la misma. Los científicos descubrieron que los jugadores solían aumentar su apuesta de forma proporcional al nivel de coincidencia de su compañero. Sin embargo, si los acompañantes habían apostado algo contrario a su apuesta original, los participantes no disminuían sus apuestas, o, si lo hacían, apenas la disminuían. Incluso daba lo mismo si el acompañante se mostraba muy seguro de su posición contraria: no importaba la magnitud de la apuesta antagonista, los participantes se mostraban aún muy reacios a modificar sus convicciones. «Descubrimos que cuando las personas no están de acuerdo, sus cerebros no logran registrar la fuerza de la opinión de la otra persona, lo que les da menos razones para cambiar de opinión», informó a El País de Madrid Andreas Kappes, investigador de la Universidad de la City de Londres y coautor de este estudio, que publica Nature Neuroscience. «Nuestros hallazgos sugieren que ni siquiera los argumentos más elaborados del otro lado convencerán a las personas más polarizadas porque el desacuerdo será suficiente para rechazarlo», aseguró Kappes. Y añadió: «El hecho de no observar la calidad del argumento opuesto hace que los cambios en la mente sean menos probables».

Por su parte Tali Sharot, directora del Affective Brain Lab en la University College de Londres, considera que el ser humano tiene tendencia a «buscar e interpretar datos de una manera que fortalezca nuestras opiniones preestablecidas». El equipo de Sharot se concentró en sus estudios en una región en específico del cerebro: a través del uso de resonancia magnética se focalizaron en entender el rol de la corteza prefrontal medial posterior en nuestra evaluación de los hechos y evidencias que nos lleva a formar una opinión dada. Los resultados apuntaron a que esa región del cerebro se encontraba activa cuando una persona estudiaba el nivel de confianza de otra respecto a una posición determinada para así ajustar sus propias creencias a la confianza de su interlocutor. Sin embargo esto sólo sucedía cuando ambas personas se encontraban de acuerdo en un tema en particular, el cerebro dando pocas posibilidades a un cambio de opinión en caso de que el interlocutor se oponga a sus convicciones. «La tendencia conductual a descartar la información discrepante tiene implicaciones significativas para los individuos y la sociedad, ya que puede generar polarización y facilitar el mantenimiento de creencias falsas», afirmó Kappes. Esto lleva incluso a los internautas a contentarse con los primeros resultados de una búsqueda de información en Internet siempre y cuando esa información satisfaga sus opiniones.

«Este estudio es un buen primer paso para estudiar los mecanismos del sesgo de confirmación, porque encuentran una correlación con las diferencias en esta región del cerebro, pero esto sigue sin explicar esa discrepancia entre nuestra opinión y la evidencia que nos contradice», opinó la neurocientífica Susana Martínez-Conde, especialista en estos autoengaños de la mente. «Seguimos sin saber el mecanismo neural; el hecho de encontrar actividad asociada no da una explicación, cualquier comportamiento va a estar basado en el cerebro, lo extraño sería que no se observara diferencia», apuntó la directora del laboratorio de Neurociencia Integrada de la Universidad del Estado de Nueva York. Aun así la científica considera que el mecanismo existe y por ende es posible el dilucidar su funcionamiento, «quizá no con estas herramientas actuales, pero a nivel teórico el mecanismo neural tiene una respuesta física que debemos poder observar». «Los resultados no son tan alarmantes: las opiniones negativas influyen, aunque mucho menos, aunque no tienen el mismo peso, pero sí las consideramos mínimamente. Es un comienzo», aseguró Martínez-Conde. Al desarrollar su argumento, Martínez-Conde coincide con lo que asegura Tali Sharot en su libro: «Los números y las estadísticas son necesarios y maravillosos para descubrir la verdad, pero no son suficientes para cambiar las creencias, y son prácticamente inútiles para motivar la acción». La mejor forma de tratar con este sesgo de confirmación es siempre presentar los argumentos que apoyan nuestra posición dentro de un esquema que haga sentir a nuestro interlocutor que ambos estamos dentro de la misma esfera de coincidencia. Como si en el experimento hubieras votado lo mismo, porque es cuando sí se atienden los argumentos del otro. «A la hora de intentar alcanzar un consenso, busquemos un punto de partida en el que estemos de acuerdo, y a partir de ahí será más fácil moderar las opiniones de los demás», concluyó Martínez-Conde.

Tali Sharot – Wikipedia

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Psicanalista é vítima de discriminadores

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REPRODUÇÃO/LACUNA

Virgínia Bicudo foi a primeira psicanalista não-médica do Brasil.

Quem foi Virgínia Bicudo: Mulher, negra e pioneira na psicanálise, mas invisível no Brasil

Neta de mulher escravizada alforriada, ela foi a primeira mulher a fazer análise na América Latina e disseminou esse saber pelo País.

Entre o esquecimento, o desconhecimento e a invisibilidade, uma grande história brasileira praticamente desaparece. Com ela, some também um referencial de vida e de conquistas. Bem aqui, no País que faz vista grossa ao racismo e às desigualdades, uma mulher negra preencheu a própria trajetória com pioneirismos.

Virgínia Leone Bicudo (1910-2003), paulistana, filha de uma imigrante italiana branca e de um brasileiro negro, neta de uma mulher escravizada alforriada, foi a primeira mulher a fazer análise na América Latina.

Foi a primeira pessoa a escrever uma tese sobre relações raciais no Brasil, inaugurando, na academia, o debate sobre racismo. Foi também a primeira psicanalista não-médica no País. Tantas credenciais desta psicanalista e socióloga e, no entanto, seu nome, seu protagonismo e sua história se tornaram invisíveis a muitos brasileiros.

″Àqueles que não sabiam desse fato e o acham estarrecedor, comungamos do mesmo sentimento de estranhamento: como nunca soubemos disso? Como não nos falaram antes?”, questiona a psicanalista Ana Paula Musatti Braga, doutora em psicologia clínica pela USP (Universidade de São Paulo), em seu artigo Pelas trilhas de Virgínia Bicudo: psicanálise e relações raciais em São Paulo, publicado na revista Lacuna.

“No meu modo de ver, nunca houve interesse na divulgação do trabalho dela. Eu diria que poucos negros conhecem o que a Virgínia fez”, afirma ao HuffPost Brasil a psicanalista Isildinha Baptista Nogueira, doutora em Psicologia pela USP e pesquisadora, desde a década de 1990, dos efeitos do racismo no psiquismo dos negros.

Quando era estudante, nunca soube da Virgínia. Não há essa informação nas escolas de psicanálise, nem de psicologia, nem de psicologia social. Se você for a uma livraria, não vai encontrar os textos dela.Isildinha Baptista Nogueira, em entrevista ao HuffPost Brasil

Ela quis conhecer a origem da rejeição que sofria

A história pessoal de Virgínia, marcada pela percepção do preconceito de cor e pelo sofrimento derivado dessa discriminação, incidiu sobre as escolhas profissionais dela ao se tornar pesquisadora e definir, como objeto de estudo, as relações raciais,observa Ana Paula Braga em seu artigo.

“Eu me interessei muito cedo por esse lado social. Não foi por acaso que procurei psicanálise e sociologia. Veja bem o que fiz: eu fui buscar defesas científicas para o íntimo, o psíquico, para conciliar a pessoa de dentro com a de fora. Fui procurar na sociologia a explicação para questões de status social. E, na psicanálise, proteção para a expectativa de rejeição. Essa é a história”, diz Virgínia, em uma entrevista de 1998.

Mais cedo, em 1983, ela havia revelado o primeiro e doloroso contato com o racismo:

“Eu fui criada fechada em casa. Quando saí, foi para ir à escola, e foi quando, pela primeira vez, a criançada começou: ‘negrinha, negrinha’. Quando eu estava em casa, eu nunca tinha ouvido. Então, eu levei um susto.”

Ela disseminou a psicanálise

Até chegar à psicanálise, Virgínia foi buscar respostas na sociologia. Em 1935, já graduada como educadora sanitária, matriculou-se na Escola de Sociologia e Política: “Eu queria me aliviar de sofrer. Imaginava que a causa do meu sofrimento fossem problemas sociais, culturais”, diz, em um depoimento de 1995.

No segundo ano do curso, conheceu a psicologia social e, por consequência, as ideias de inconsciente deSigmund Freud. Foi o suficiente para despertar o desejo de se tornar psicanalista. Assim, chegou ao médico e professor Durval Marcondes, que lhe recomendou procurar a psicanalista judia alemã Adelheid Koch, vinda ao Brasil para escapar do nazismo. “Eu fui a primeira pessoa que usou o divã da Doutora Koch”, diz em uma entrevista de 1995.

Marcondes havia fundado a Sociedade Brasileira de Psicanálise (SBPSP) em 1927. Virgínia se juntou a ele em sua luta para desenvolver este saber em São Paulo e se ligou à SBPSP por toda sua vida, lembra ao HuffPost Brasil a psicanalista Maria Ângela Gomes Moretzsohn, também membro da SBPSP.

“Virgínia participou ativamente da vida societária, como psicanalista e, muitas vezes, em cargos de direção, como secretária, tesoureira, professora, supervisora, analista didata e diretora do Instituto Durval Marcondes em várias gestões.”

Em 1970, a pioneira fundou o Grupo Psicanalítico de Brasília e, mais tarde, o Instituto de Psicanálise da capital federal.

″É incontestável que o papel de Virgínia Bicudo na implantação e desenvolvimento da psicanálise no Brasil foi fundamental para chegarmos ao ponto em que estamos hoje”, afirma Moretzsohn.

Ela aproximou a psicanálise das pessoas

“Virgínia, extrovertida, bem falante, logo se tornou uma comunicadora eficiente das ideias nas quais acreditava”, exalta Moretzsohn. Enquanto a psicanálise era implementada no Brasil, os grandes veículos de comunicação a divulgavam de uma forma acessível aos leigos, e Virgínia teve papel fundamental nessa democratização do conhecimento.

De acordo com Moretzsohn, em um programa na rádio Excelsior chamadoNosso Mundo Mental, Virgínia interpretava situações envolvendo temas como inconsciente, inveja, agressividade, ciúmes, amor e ódio. Tudo em forma de radioteatro.

“Em 1954, desenvolvi um programa de divulgação de princípios de higiene mental segundo a psicanálise, através da dramatização de textos que eu compunha, e que eram levados ao ar semanalmente”, explicou Virgínia,segundo o pesquisador Jorge Luís Ferreira Abraão.

O programa deu origem uma coluna dominical no Jornal da Manhã, com o mesmo nome. Em 1956, os textos se transformaram no livroNosso Mundo Mental, de autoria de Virgínia Bicudo.

Ela demonstrou que o racismo adoece

Entre os muitos feitos da psicanalista, o estudo da questão racial e dos conflitos existentes entre brancos e negros deu início um olhar urgente e necessário para o efeitos do racismo. A dissertação do mestrado na Escola Livre de Sociologia e Política de São Paulo, nomeada Estudo de Atitudes Raciais de pretos e mulatos em São Paulo, trouxe uma inovadora investigação a partir de pais e mães de alunos de escolas públicas em bairros populares e de classe média de São Paulo. Com o depoimento de 31 pessoas, ela mostrou que,mesmo quando diminuem as diferenças sociais, o preconceito de cor permanece.

“Virgínia conseguiu fazer uma leitura que fosse não só psicanalítica; foi política, sociológica, antropológica”, enaltece Isildinha Baptista Nogueira Nogueira. Segundo a psicanalista, é preciso levar em consideração, na clínica, as questões raciais trazidas pelos pacientes.

″É preciso entender que o racismo adoece e esse é o perigo que nós corremos, pois existe uma aparente inclusão do negro na sociedade, mas esse adoecer psíquico é muito mais eficiente do que a segregação e a discriminação.”

Nogueira, que realiza terapia em grupo com pacientes negros, diz perceber como eles são fragilizados pelo racismo.

“O fortalecimento dessas pessoas pode vir do fato de serem escutadas analiticamente e do fato de entenderem que não estão solitárias, principalmente nos medos, na depressão, nos ataques de pânico.”

A pesquisadora lembra que Virgínia entendia, por meio do trabalho dela, que os efeitos do racismo passavam de geração para geração. “Foram 300 anos de escravidão. Esse passado é de todos.”

Com uma tese de doutorado na USP dedicada à obra de Virgínia, a pesquisadora Janaina Damaceno Gomes, autora deOs segredos de Virgínia: Estudos de atitudes raciais em São Paulo, destaca em seu estudo que a psicanalista, mesmo tendo sido pioneira em um período em que a maioria dos negros nem sequer era alfabetizada, “sumiu e se fez sumir”:

“Virgínia enriqueceu com a psicanálise, tornou-se célebre e requisitada entre ministros e senadores, mas isso teve um preço: tal como suas personagens ela precisou se afastar de seu grupo para completar seu processo de ascensão. Mas nesse processo ela não embranqueceu, ela apenas perdeu a cor. Foram seus relatos já idosa, de alguém que precisa marcar a pertença e relembrar sua origem, que foram fazendo sua cor mais viva.”

Ela enfrentou resistência e difamação

Em seus 92 anos de vida, Virgínia desbravou ambientes predominantemente brancos e masculinos. Como lembra Braga, até a primeira metade do século 20, a produção acadêmica das ciências sociais vinha praticamente de homens brancos, alguns negros e pobres; algumas mulheres, somente brancas. Porém, a ideologia de branqueamento no Brasil,como se refere o pesquisador Marcos Chor, ficou evidente. No documento como professora de higiene Mental e psicanálise, Virgínia é identificada como “branca”.

Não foi a primeira vez que faltou reconhecimento da obra e da pessoa que Virgínia era. Em 1955, a Unesco financiou o maior projeto de pesquisa sobre relações sociais no Brasil. Conhecido como Unesco-Anhembi, o projeto derrubou a tese de que tínhamos uma democracia racial no País. A pesquisa de Virgínia Bicudo, pioneira e fundamental para o tema, foi publicada como um apêndice do estudo, e completamente excluída da segunda edição, em 1959, como lamenta Braga em seu artigo.

O golpe mais cruel, porém, veio da saúde mental. A psicanalista foi essencial para que a SBPSP aceitasse entre seus membros analistas leigos, ou seja, não médicos. Porém, durante o 1º Congresso Latino-Americano de Saúde Mental, em 1954, ela foi alvo de hostilidades por ser uma psicanalista não-médica:

“Eu estava sentada e todos os médicos de pé, todos gritando: ‘Absurdo! Psicanalistas não médicos!’ Foi horrível! Olha que eu quase me suicidei por isso. Você ouvir outras pessoas dizendo: ‘Você é charlatã!’ Ah! Você não fica de pé! Você vai pra casa e quer morrer”, revela em uma entrevista à SBPSP.

Na época, médicos chegaram a distribuir panfletos com os dizeres “Se eres neurótico e queres se tornar psicótico, procura a doutora Virgínia Bicudo. Se trate com a doutora Virgínia Bicudo.”

Ao transitar da dor do preconceito para a investigação das próprias origens, Virgínia evidenciou sua força e determinação, reforça Moretzsohn:

“Não é difícil imaginar que a vida de Virgínia, em instituições nas quais era praticamente inexistente a presença de pessoas negras, não era fácil. Ela voltou a abordar a questão racial em momentos diferentes de sua vida, se referindo sempre a ela como uma grande experiência na esfera da dor.”

Por: Amanda Mont’Alvão Veloso
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A penetração e os mitos da sexualidade feminina

As vezes as familias não estão de acordo com a educação sexual”, o que ajuda a fomentar os mitos na sexualidade e que as crianças busquem o conhecimento com seus pares ou na internet e não com um especialista no tema, o que incrementa a criação de mitos sexuais.

“La penetración está sobrevalorada”: Matrona Lunar derriba mitos de la sexualidad femenina

Marisol Pavez es matrona de la UdeC y llegó hasta La Cuarta Ola para derribar mitos y tabúes en torno a la sexualidad femenina. "El órgano que permite mayor estimulación o que llega más rápido al orgasmo, es el clítoris, y no la vagina", explicó. 

Marisol Pavez, más conocida como la “Sol Pavez”, es matrona titulada de la Universidad de Concepción y monitora en prevención de la violencia contra mujeres y niñas. La experta fue la invitada al más reciente capítulo del podcast deEl MostradorLa Cuarta Ola y, en conversación con Macarena Segovia, se encargó de derribar algunos mitos sobre la sexualidad femenina.

Educación sexual, métodos anticonceptivos y cómo funciona la pastilla del día después fueron algunos de los temas.

La Matrona Lunar, como es conocida Marisol en Instagram, asegura que no hay una educación sexual formal o establecida para todos los colegios chilenos, “sólo hay distintos programas que los establecimientos van tomando, pero depende de la voluntad de quienes están a cargo si los toman o no”, señala.

Además, Pavez dijo que “a veces las familias no están de acuerdo en que se realice la educación sexual”, lo que ayuda a fomentar los mitos en la sexualidad y que los niños busquen el conocimiento de sus pares o en internet y no de un especialista en el tema, lo que fomenta la creación y traspaso de estos mitos sexuales.

“Descubran su clítoris”

Para Marisol “hay harto tabú” en torno al órgano cuya única función conocida es dar placer y aclara que la penetración está sobrevalorada en torno al orgasmo femenino.

La matrona explica que “el órgano que permite mayor estimulación o que llega más rápido al orgasmo, es el clítoris, y no la vagina”, además, es sabido que “en el clítoris hay más de 8 mil terminaciones nerviosas”.

La profesional añadió que los orgasmos en general producen mucho placer y todas las hormonas que se generan en ese momento ayudan a manejar distintos tipos de dolores, por ejemplo, dolores menstruales, de cabeza, ayuda al insomnio.

Derribando mitos

Respecto a los mitos sobre la sexualidad, hay uno en particular por el que “Sol Pavez” ha recibido más consultas: ¿Se puede quedar embarazada si estás menstruando? La respuesta es sí, dice Marisol, pero de acuerdo a este mito, son muchas las mujeres que han alterado su percepción de la anticoncepción.

¿Se puede hacer una pastilla del día después con pastillas anticonceptivas? 

Sí, dice la experta.La pastilla del día después tiene una hormona que es el levonorgestrel, una progestina y que evita la ovulación. Esta hormona se encuentra enAnulettey en otros anticonceptivos. Entonces, dice

“Tú puedes, tomando elAnuletteu otro anticonceptivo conlevonorgestrel,hacer la misma cantidad de dosis que tiene la pastilla del día después que vienen como… comprimidas”, señaló.

¿Cuáles son los mejores métodos anticonceptivos?

La Matrona Lunar dice que no es fan de promover la abstinencia sexual -a diferencia de otros especialistas-, dice que es más fan del preservativo, porque en el uso correcto tiene un 98% de eficacia y permite también prevenir las enfermedades de transmisión sexual (ETS), y los embarazos no deseados.

“El condón femenino es maravilloso, pero lamentablemente es muy poco accesible, lo venden en muy pocas partes, por lo menos acá en Santiago creo que está en APROFA o en algunas fundaciones. En las farmacias es prácticamente imposible encontrarlo, además de que es muy caro, así que la verdad no es tan recomendable por la poca accesibilidad que tiene. Pero es más efectivo que el condón masculino en el control de ETS”, detalló.

Masturbación infantil

Otro de los temas fue la masturbación infantil. Marisol aclaró que los niños comienzan a sentir distintos tipos de placeres con distintas cosas y a tocarse a temprana edad, por lo que es aconsejable a los padres que enseñen a sus hijos que ese tipo de conductas se quedan en la casa y que es un momento ideal para comenzar con la educación sexual.

“Hay países en los que la educación sexual es en la etapa de primera infancia, por lo que al estar en conocimiento de lo que puede pasar y qué no, se retrasa la actividad sexual y se previene el embarazo adolescente”. comentó.

Sexualidad durante el embarazo

Finalmente, Marisol comentó que hay mujeres que aumentan su deseo sexual en el primer trimestre del embarazo, pero durante el segundo trimestre, estas ganas incrementan en un 80%, porque las mujeres durante ese período tienen unpeakhormonal y funcional. Es más, se ha comprobado que mujeres anorgásmicas tienden a sentir orgasmos en esta etapa del embarazo.

Por otro lado, “durante la cuarentena post parto se puede volver a tener vida sexual activa, pero depende de cada mujer y su parto, ya que hay bastantes posibles factores que puedan retrasar el tener relaciones sexuales y no se recomienda la penetración durante estos cuarenta días”, concluyó.

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