Educação sexual na escola com ótimos resultados

Enfrentando os machistas, professor que implantou programa de Educação Sexual e Construção da Cidadania foi finalista ao prêmio de melhor professor do mundo. São aulas de duas horas semanais com apoio de políticos.

De 70 adolescentes grávidas a zero: como a educação sexual mudou a realidade de uma escola na Colômbia

No país onde algumas farmácias chegam a negar aos jovens anticoncepcionais, um professor conseguiu por meio de aulas de educação e cidadania romper com um panorama desolador

Quando em 2010 o professor Luis Miguel Bermúdez chegou à escola Gerardo Paredes, em um bairro problemático de Bogotá (Colômbia), o panorama era desolador. Em média 70 adolescentes, ignorantes no que se referia ao sexo, viam todos os anos seu futuro travado por uma gravidez não desejada, fruto muitas vezes de uma relação violenta. De modo que Bermúdez, que se doutorou com uma tese sobre o assunto, colocou mãos à obra e em 2014 mudou o programa do colégio. Hoje o finalista do Global Teacher Prize 2017 (prêmio ao melhor professor do mundo) se orgulha de que as meninas educadas nesse formato não são mães, ainda que recebam gestantes que temem ser estigmatizadas em suas escolas. O cenário não é o mais favorável. Não em Suba Rincón, onde existem quadrilhas, tráfico de drogas, pobreza extrema e violência intrafamiliar. E em toda Colômbia, onde algumas farmácias negam aos jovens os anticoncepcionais.

As escolas colombianas têm certa liberdade para escolher seu programa, de modo que no Gerardo Paredes recebem aulas de Educação Sexual e Construção da Cidadania – duas horas semanais no caso dos mais velhos – e a intenção é reforçar a instrução a partir da pré-escola, quando são instaurados os papéis de gêneros.

Bermúdez não encontrou oposição na ala política – foi reconhecido como melhor professor da Colômbia em 2017 – em um país em que o aborto é proibido. Também não teve problemas no sentido de recusa das famílias – como ele esperava –, mas sim por parte de suas colegas que limitam o sexo a uma prática para se ter filhos. Ele forma outros professores para estender seu currículo, “precisam começar por eliminar preconceitos machistas”.

A questão fundamental, acredita, está em que a escola trabalhe em parceria com o Serviço Público de Saúde para programar a prevenção à gravidez. “Na Colômbia o direito a planejar não é respeitado. A menina que mantém relações é estigmatizada, as mães não querem que suas filhas se reúnam… E assim essa barreira desaparece”, diz Bermúdez, que ensina a essas alunas a serem donas de seus corpos, a ter prazer com o sexo sem preconceitos e a deter a violência de gênero muito instaurada e da qual não são conscientes. “As mães adolescentes, das quais se espera uma atitude abnegada, acabam sendo exploradas por seus filhos”.

O professor não culpabiliza os adolescentes, e sim a sociedade machista. “Um garoto de 15 anos que não tem namorada é incitado por sua família a ter relações sem receber educação. É o rito de passagem a nossa hombridade”, diz Bermúdez. E enumera as melhorias no colégio: com menos gravidezes a evasão escolar diminuiu, menos garotas trabalham e a convivência melhorou.

O educador exporta seu modelo que não é único em Bogotá. A capital, com sete milhões de habitantes, conseguiu reduzir em quatro anos (2014-2018) de 417 nascimentos anuais de mães de 10 a 14 anos a 274, e de 16.747 mulheres de 15 a 19 anos a 10.675. Os dados colombianos estão bem distantes dos espanhóis onde, com uma população de 46 milhões, nasceram 43 bebês de mães menores de 15 anos em 2018, e 556 de mães de 16 a 19 anos.

A Catalunha começou neste ano um projeto piloto de educação afetiva e sexual no Ensino Fundamental em 300 colégios e Navarra implantou no ano passado um programa parecido a partir da infância muito contestado pelos partidos conservadores, que veem “uma tentativa de doutrinar as crianças em ideologia de gênero”.

No Brasil, apesar de os dados mostrarem uma tendência de queda, a gravidez na adolecência está acima da média dos países latino americanos. Informações do Sistema de Informação sobre Nascidos Vivos (SINASC) apontam que entre os anos de 2000 a 2016, o número de casos de gravidez na adolescência (10 a 19 anos) teve redução de 33%, de 750.537 nascimentos e para 501.385 nascimentos. Dados preliminares mostram que nasceram 480.211 crianças filhas de mães entre 10 e 19 anos em 2017 e 394.717 em 2018.

Na Cúpula de Líderes pela Educação, organizada pela revista Semana e que contou com a participação a convite do EL PAÍS, dois dos candidatos à prefeitura de Bogotá em 29 de outubro analisaram essa bem-sucedida diminuição nas gravidezes. “O ciclo se repete. Há 50% de possibilidades de que uma mãe adolescente tenha uma filha mãe adolescente. É preciso continuar trabalhando com informação e formação. Na plataforma municipal foram feitas um milhão de consultas e podem ser pedidas consultas presenciais anônimas. Uma questão fundamental é incluir os pais no programa”, disse o conservador Miguel Uribe. E a candidata progressista Claudia López acrescentou: “Os dados de gravidez adolescente são maiores nos colégios públicos por um problema com as famílias e o acesso à informação. Encontramos os caminhos, agora precisamos de funcionários e orçamentos”.

CFM determina que um feto está acima de uma mulher

O Conselho Federal de Medicina acaba de tirar das gestantes o direito à recusa terapêutica, dando aos médicos o poder de realizar procedimentos à força. Decidiu que é o estado dos fetos que elas carregam, e não a integridade física e mental dessas mulheres, que os profissionais devem priorizar.

À esquerda/Acima: a protagonista June, no início de uma gravidez, é levada para conhecer o destino das gestantes que se rebelam ou colocam fetos em risco – isolamento total, acorrentamento e tortura. À direita/Abaixo: June passa pela punição na pele após desobedecer o sistema. Fotos: Divulgação/George Kraychyk/Hulu

CFM põe The Handmaid’s Tale em prática ao determinar que um feto está acima de uma mulher

Maior de idade, capaz, lúcido, orientado e consciente. É isso que você precisa ser para ter a liberdade de escolher se submeter ou não a um tratamento de saúde – exceto se você for uma mulher grávida. Uma nova resolução do Conselho Federal de Medicina, o CFM, acaba de tirar das gestantes o direito à recusa terapêutica, dando aos médicos o poder de realizar procedimentos à força. O CFM decidiu que é o estado dos fetos que elas carregam, e não a integridade física e mental dessas mulheres, que os profissionais devem priorizar.

O despacho, publicado no Diário Oficial da União em 16 de setembro, afirma que a vontade da mulher pode caracterizar um “abuso de direito” em relação ao feto. E, nesses casos, os médicos devem tomar providências “perante as autoridades competentes” para garantir que o procedimento recusado será imposto. No dia seguinte, o CFM publicou uma nota em defesa da resolução. “O Conselho Federal de Medicina, ao aprová-la, cumpre, mais uma vez, o seu compromisso com o respeito à dignidade da pessoa humana”, afirmou o relator Mauro Ribeiro. O compromisso claramente não abrange as mulheres.

Na prática, procedimentos altamente dolorosos e invasivos, como a episiotomia (corte feito abaixo da vagina na hora do parto, muitas vezes sem anestesia), poderão ser feitos mesmo que as mulheres afirmem expressamente que não os autorizam. Em 2018, a Organização Mundial da Saúde, a OMS, afirmou que “não há nenhuma evidência que prove a necessidade da episiotomia em qualquer situação” e que o corte nunca pode ser feito sem autorização. No entanto, o corte acontece em mais de metade dos partos naturais no Brasil – às vezes, sem autorização ou aviso.

Outra das formas mais cruéis de violência obstétrica que a medida pode permitir é a “manobra de Kristeller”, em que profissionais de saúde apertam ou chegam a se sentar sobre a barriga mulher durante as contrações para acelerar o parto. Apesar de a ciência já ter mostrado que as duas práticas violentas não se convertem em benefícios para a saúde, as mulheres, a partir de agora, não poderão mais recusá-las se o médico julgar que elas são importantes para o feto.

A obstetra Melania Amorim, pós-doutora em Saúde Reprodutiva pela OMS e representante da Rede Feminista de Ginecologistas e Obstetras, me disse que a resolução abre um “precedente perigoso” para que a medicina tutele os corpos das mulheres “em nome de uma suposta preocupação” com o feto. “Isso não pode ser admitido”, argumentou, ressaltando que a resolução se equivale ao Estatuto do Nascituro – projeto de lei que pretende garantir ao embrião e ao feto os mesmos direitos dos nascidos, acabando com o direito ao aborto em qualquer circunstância.

Bendito seja o fruto

A leitura da decisão logo traz à mente a série The Handmaid’s Tale, baseada no livro homônimo de Margaret Atwood. O drama retrata uma sociedade teocrática, dividida em castas, na qual as mulheres só são valorizadas como incubadoras e mães. Aquelas consideradas transgressoras vivem como escravas sexuais para procriação. Já as da classe dominante – belas, recatadas e do lar, mas incapazes de engravidar – devem ter como único objetivo ser mães das crianças geradas pelo estupro de suas aias.

O passo dado pelo CFM, guardadas as devidas proporções, é claro, lembra o início da caminhada que transformou o que costumavam ser os Estados Unidos no terrível governo de Gilead (se você ainda não assistiu à série: 1- assista; 2- agora é tarde para reclamar de spoilers). Traz à memória, ainda, uma das cenas mais chocantes da série: a de uma aia grávida acorrentada a uma cama, isolada de todo convívio social, vigiada por seguranças fortemente armados. É assim que são tratadas as gestantes do país fictício criado por Atwood que não agem de acordo com o que se julga ser o melhor para a gravidez – ou que praticam um “abuso de direito” sobre os fetos. É a resolução do CFM levada ao extremo. 

Como as grávidas do mundo distópico de The Handmaid’s Tale, gestantes brasileiras agora podem ser forçadas por médicos a passar por tratamentos dolorosos
ainda que não os autorizem. Foto: Divulgação/George Kraychyk/Hulu

Como na série, a mulher de que fala o artigo 5º da resolução é tratada meramente como incubadora – ou, no máximo, como mãe obrigada a abdicar de tudo, inclusive sua autonomia e bem-estar corporal, em nome do bendito fruto de seu ventre. É significativo que o parágrafo não use em nenhum momento a palavra “mulher” ou sequer “paciente”. A pessoa a que se refere é apenas “gestante” e “mãe”. Mas o CFM vai além de reduzir a mulher a esses dois papéis.

O Conselho passa a mensagem de que o feto está em condição superior à da mulher, que não tem capacidade de escolher o que autoriza ou não que seja feito a seu corpo. E de que a gravidez é, agora, uma condição infantilizadora, capaz de transformar uma adulta lúcida em criança, adolescente ou pessoa desprovida do “pleno uso de suas faculdades mentais” – os únicos grupos que, até o início desta semana, não tinham direito à recusa terapêutica.

Esses dois recados, passados pela autoridade responsável por garantir a ética médica no Brasil, não devem ser considerados algo menor diante da atual cruzada contra nossos direitos. Vale lembrar que não são poucas as propostas de lei que pretendem retirar das mulheres estupradas ou em risco de vida o direito ao aborto, nem os que intencionam endurecer o castigo dado àquelas que arriscam suas vidas tentando interromper gestações indesejadas. Mas a resolução do CFM é mais do que um símbolo dos tempos que vivemos. É uma decisão que tirou ainda mais poder de defesa das mulheres grávidas no país em que uma a cada quatro delas já sofria violência obstétrica.

Não é de agora que o CFM mostra seu desdém pela violência de médicos contra mulheres gestantes e em trabalho de parto. Para Melania Amorim, o posicionamento “vem ao encontro de diversas posturas do CFM” que ameaçam os direitos reprodutivos das mulheres, como a omissão do debate sobre a descriminalização do aborto, realizado em audiências públicas no Supremo Tribunal Federal em agosto de 2018. Em outubro daquele ano, o órgão publicou ainda um parecer afirmando que o termo violência obstétrica é “uma agressão contra a especialidade médica de ginecologia e obstetrícia” e, portanto, “contra a mulher”. “Desde 2013 o elitismo da classe médica como um todo tem se exacerbado com apoio maciço ao projeto conservador”, argumenta Amorim.

Se o documento assinado pelo relator Ademar Carlos Augusto em 2018 pretendia calar as vozes que se levantam contra a violência obstétrica, o despacho desta semana, assinado pelo presidente Carlos Vital Tavares Corrêa Lima e pelo secretário-geral Henrique Batista e Silva, acaba de torná-la prática oficial – e de nos aproximar um pouco mais da distopia de Margaret Atwood.

Fonte:  The Intercept

A política, o direito de nascer, casar, adotar e de morrer

 

A política que tradicionalmente se ocupo do “entre” o nascimento e a morte, agora se expande a ambos e tenta conceder às pessoas o direito de decidir o início e o final da vida.

La Moneda, el palacio presidencial de Chile, fue iluminado con los colores de la bandera LGBTQI el 17 de mayo de 2019. CreditReuters

 

 

 

 

 

A violência obstétrica e o CFM

Chamar a violência obstétrica pelo seu nome é o primeiro passo para combatê-la. O Conselho Federal de Medicina considerou uma agressão aos médicos que chega as raias da “histeria”.
Melinda Beck

¿Por qué en América Latina, una región que dice amar a las madres, reina la violencia obstétrica?

SÃO PAULO – Hace cinco años, una mujer brasileña en trabajo de parto fue detenida por la policía y obligada a parir por cesárea.

La mujer, Adelir de Goes, ya había tenido dos cesáreas previas (un procedimientodemasiado comúnen mi país) y esperaba parir a su tercer hijo vía vaginal, pero su bebé venía de nalgas. Los médicos pensaron que un parto vaginal podría poner en riesgo la vida del infante.

Obtuvieron una orden judicial para practicar una intervención quirúrgica forzosa. De Goes había dilatado casi por completo y se preparaba para ir al hospital cuando nueve policías tocaron a su puerta para llevársela. En el hospital, fue anestesiada y operada sin su consentimiento. Los grupos que defienden los derechos de las mujeres denunciaron el procedimiento como un ataque a su autonomía y una violación de su derecho a tomar decisiones informadas respecto a su salud y la de su bebé.

El caso de De Goes fue especialmente conocido, pero está lejos de ser el único. De acuerdo conuna encuesta de 2010, una de cada cuatro mujeres brasileñas ha sido maltratada durante el trabajo de parto. A muchas de ellas se les negaron analgésicos o no se les proporcionó información sobre el procedimiento que se les iba a practicar.El 23 por ciento de ellas fue violentada verbalmente por un profesional de la salud; uno de los insultos más comunes fue: “Na hora de fazer não chorou” (“No lloraste así cuando hiciste al bebé”).

Otra encuesta descubrió que, en 2011, el 75 por ciento de las mujeres en trabajo de parto en los hospitales de Brasil no recibió agua ni comida (el año pasado,me convertí en una de ellas), a pesar de que la práctica de no ingerir nada no está sustentada en evidencia científica. La Organización Mundial de la Salud recomienda que las mujeres en trabajo de parto con embarazos de bajo riesgo coman y beban a voluntad.

Algunos médicos, sin embargo, no reconocen que el término “a voluntad” también aplica para las mujeres. Cuando los doctores se enfrentan a una mujer que rechaza algún procedimiento, lo practican de cualquier modo. “Yo mando aquí”, insisten.

Indignadas ante este abuso permanente, las latinoamericanas en las últimas décadas han contribuido a identificar y definir jurídicamente un tipo distinto de violencia hacia las mujeres: la violencia obstétrica. Este concepto se refiere al trato irrespetuoso, abusivo o negligente durante el embarazo, el parto, el aborto y el posparto.

La episiotomía es un ejemplo. Se trata de un corte quirúrgico en la vagina que se realiza durante el parto y que ha demostrado no ser efectivo e incluso perjudicial cuando se hace de forma rutinaria. Los médicos en Brasil la siguen practicando con o sin el consentimiento de la mujer.Cuando es momento de suturar, en ocasiones incluyen una puntada extra para, supuestamente, apretar la vagina para el placer del hombre: lo han llamado “el punto para el marido”. (Hace cinco años, en Río de Janeiro, un ginecobstetra fue captado en video preguntándole al esposo de una paciente: “¿La quieres pequeña, mediana o grande?”).

La lucha en contra de la violencia obstétrica en Latinoamérica comenzó en la década de 1990 con los esfuerzos de activistas para divulgar prácticas que sí fueran basadas en evidencias respecto al cuidado materno infantil.Tales esfuerzos se respaldaron en un documento de la Organización Mundial de la Salud en 1996 (Cuidados en el parto normal: una guía práctica), que advierte del peligro de convertir un suceso fisiológico normal en un procedimiento médico,por medio de“la adopción, sin crítica previa, de toda una serie de intervenciones inútiles, inoportunas, inapropiadas y/o innecesarias, además, con frecuencia, pobremente evaluadas”.

Unos años después de la publicación del documento, Uruguay (2001), Argentina (2004), Brasil (2005) y Puerto Rico (2006) aprobaron leyes que garantizaban el derecho de la mujer a estar acompañada durante el trabajo de parto y el alumbramiento.Brasil y Argentina también desarrollaron una legislación más amplia que fomenta el llamadoparto humanizado o respetado.

En 2007, Venezuela se convirtió en el primer país en teneruna ley específicapara atender la violencia obstétrica. Dos años después, Argentina promulgó una ley similar; le siguieron Panamá, varios estados en México, Bolivia (con una ley que abordala “violencia en contra de los derechos reproductivos” y la “violencia en servicios de salud”) y El Salvador (cuya ley hace un llamado a un trato digno en los servicios de salud maternos y de salud reproductiva).

Estas leyes tardaron demasiado en ser creadas. Los reportes de violencia obstétrica en América Latina han sido ampliamente documentados. Incluso se han convertido en algo esperado, como si ese fuera el precio que tiene que pagar una mujer por ejercer su sexualidad. Las formas más comunes de maltrato consisten en procedimientos no consensuados (incluyendo la esterilización), intervenciones que se practican sin base en evidencias como las episiotomías rutinarias, así como la violencia física, verbal y sexual.

No queda más que preguntarnos por qué la violencia obstétrica está tan presente en Latinoamérica, un lugar donde la maternidad con frecuencia es santificada. Quizá sea precisamente por eso.En nuestras sociedades conservadoras y patriarcales, se considera que la verdadera vocación de una mujer es ser madre. Debemos sacrificarnos para cumplir con nuestro destino biológico. Esto significa someterse a la voluntad de esposos y médicos; la abnegación y la devoción son nuestras cualidades más preciadas. Si permanecemos como santas dolientes no podemos tener conciencia sexual ni autonomía sobre nuestro cuerpo.

Llamar a la violencia obstétrica por su nombre es el primer paso para combatirla y, en consecuencia, por supuesto, los médicos han comenzado a contraatacar. El año pasado, el Consejo Federal de Medicina de Brasilcalificóel término “violencia obstétrica” como una agresividad hacia los médicos que raya en la “histeria”. Notemos que el consejo no condenó la violencia en sí misma, sino únicamente la elección de palabras de las víctimas. Me pregunto si usaronel término “histeria”a propósito.

En febrero, el Consejo Médico Regional de Río de Janeiro publicó unaresoluciónque prohibía a los ginecobstetras avalar los planes de parto personales con el alegato de que es una “moda” perjudicial. El consejo también arguyó que el parto es riesgoso y exige que los médicos tomen decisiones rápidas sin miedo a las repercusiones legales. Declaró que “no hay tiempo de explicar qué se hará o de revocar los planes de parto”. De acuerdo con el consejo, la violencia obstétrica es “otro término inventado para difamar a médicos”.

Es decepcionante ver que algunos médicos están más preocupados por la forma en que estaagresiónsemántica daña su prestigio que por la realidad concreta y espantosa del abuso que predomina en contra de las mujeres durante el parto, no solo en América Latina, sino en todos lados. Es evidente que resienten la limitación de su autoridad.

No obstante, el embarazo no es una excepción al derecho de un paciente apto para tomar decisiones informadas acerca de su propia atención médica. Los proveedores de salud no deben “explicarles” a las mujeres embarazadas qué procedimiento se les practicará; deben hablar con sinceridad de las opciones y respetar nuestra autonomía corporal.

Además, elegir un término distinto como “falta de respeto durante el parto” en lugar de “violencia obstétrica” no suavizará las atrocidades que cometen con frecuencia los proveedores de cuidado, refugiados detrás de la frase “El médico sabe lo que hace”.

Ideologia de gênero parece ideologia mas é religião

O papa Bento XVI – Ratzinger – começou a usar a expressão para advertir dos “perigos” do feminismo, especialmente para a família tradicional.ide1

                        Parece ideología, pero es religión

Igual lo has leído en las noticias, se lo has escuchado a los políticos o incluso lo has usado en alguna conversación sin saber muy bien qué significaba. Es el término “ideología de género” que nada tiene que ver con “estudios de género” o “teoría de género”. Se parecen, pero no. Pablo Casado lo ha resucitado en las últimas semanas en su campaña para las primarias del PP, como si fuera un monstruo al que abatir. Literalmente, dijo que era “un colectivismo social que el centro derecha tiene que combatir”. Lo hizo en una entrevista en esRadio, en el programa de Federico Jiménez Losantos.

Pero, ¿qué es la ideología de género de la que habla Pablo Casado? Resulta que el término tiene más que ver con la religión que con la teoría académica, aunque ha terminado siendo política. Se popularizó principalmente cuando el papa Benedicto XVI – Ratzinger- empezó a usarla para advertir de los “peligros” que podría traer el feminismo, especialmente contra la familia tradicional. En España, los sectores de derechas y ultracatólicos lo adoptaron para oponerse a la ampliación de la Ley del aborto, como recoge esta columna de 2009 de Concha Caballero:

La derecha social y eclesial ha acuñado un término con el que designan los males sociales actuales y que denominan “la peligrosa ideología de género” que está impregnando las leyes actuales. Los think tank del pensamiento ultraconservador elaboran documentos, libros y artículos con un argumento común, tan fácil de comprender como un cuento infantil: la familia tradicional es la fuente de toda felicidad y fuera de ella sólo hay soledad y conflicto social”.

“En el contexto de la política hacer alusiones a combatir la ideología de género hace mención a ir en contra de los avances en igualdad de los derechos de las mujeres que se han producido fundamentalmente en el siglo XX como el acceso a la educación, a la igualdad de derechos civiles, y de forma más específica contra los avances sociales y leyes relacionadas con la salud sexual y reproductiva de las mujeres, la lucha contra la violencia machista o los derechos del colectivo LGTBI”, explica Rosa San Segundo, catedrática y directora del Instituto de Estudios de Género de la Universidad Carlos III.

Los que hablan de la ideología de género suelen acompañarlo de palabras como “adoctrinamiento” “radical” y tildarla como “peligrosa”. También aseguran que existe una agenda perfectamente planificada para imponer sus planteamientos a través de leyes innecesarias y adoctrinar a los niños en las escuelas sin el consentimiento de sus padres.

“En el fondo, muestra mucho desconocimiento y es un mal uso de la palabra. Creo que es una confusión con un uso interesado porque todos tenemos ideología, está implícita en todo lo que hacemos. Siempre nos educan con una perspectiva ideológica. En este caso, usan ideología de género para hablar del pensamiento feminista y sus logros, como para desacreditarlo”, opina Asunción Bernárdez Rodal, directora del Instituto de Investigaciones Feministas de la Universidad Complutense. “Pero ellos también tienen ideología de género, todos la tenemos, solo que la de los sectores más religiosos es una ideología basada en la desigualdad de la mujer”.

La prueba de Google también lo demuestra: la búsqueda “ideología de género” remite a resultados de páginas como conelpapa.com o catholic.net. Cuando alguien utiliza este término está eligiendo de manera consciente la idea que quiere transmitir y dónde se sitúa respecto al mensaje feminista. Y es importante. Pero cada vez que resucita ese término, que vuelve a tomar fuerza en el debate público, también resucita un histórico cántico de las manifestaciones “fuera los rosarios de nuestros ovarios”.

Fonte: EL PAÍS
Por: Mari Luz Peinado
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As 10 maiores “machistadas” da Biblia

Que la Biblia es un libro muy machista no lo puede negar nadie. Para empezar, habla de un Dios al que se le llama “Señor”, no “señora”, que además cuando decide bajar al mundo no lo hace en forma de mujer, sino de hombre, un tipo de Galilea que va por ahí de gira con doce amigotes.

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Las 10 machistadas más grandes de la Biblia

A lo largo de todo el libro sagrado, Dios va diciendo a su pueblo que se puede vender a tu hija como esclava, que si violas a una mujer luego puedes casarte con ella pagando cincuenta siclos de plata al padre, y en definitiva, que puedes hacer lo que te dé la gana con ellas porque no son más que algo similar a una vaca o un buey o una cosa propiedad del varón, que si se quiere se toma y si no, se vende o se regala.

Hoy os traigo un ranking con los diez momentos más machistas de la Biblia:

10. Génesis, 3;16. Tu marido te dominará.

Ya desde el principio, en el primer libro de la Biblia, la cosa empieza empieza mal para la mujer, a la que el mismo Dios sitúa por debajo del hombre:

“A la mujer le dijo: Multiplicaré los dolores de tu preñez, parirás tus hijos con dolor; desearás a tu marido, y él te dominará.”

9. Carta de San Pablo a Timoteo 2:11-15. La mujer es la culpable del pecado.

En efecto, la mujer le dio la manzana al varón, se la lió parda, algo parecido a cuando Pandora abrió la caja con todos los males de la humanidad. Por tanto:

“Que la mujer aprenda sin protestar y con gran respeto. No consiento que la mujer enseñe ni domine al marido, sino que debe comportarse con discrección. Pues primero fue formado Adán, y después Eva. Y no fue Adán el que se dejó engañar, sino la mujer que, seducida, incurrió en la transgresión. Se salvará, sin embargo, por su condición de madre, siempre que persevere con modestia en la fe, el amor y la santidad.”

8. Eclesiastés, 7:28. No hay mujer buena.

Uno de los libros considerados más “sabios de la Biblia” suelta esta perla sobre el género femenino:

“Por más que busqué no encontré; entre mil se puede encontrar un hombre cabal, pero mujer cabal, ni una entre todas.”

7. Levítico, 12: 1-5. Impura.

La mujer que da a luz es impura, pero si encima da a luz a una niña, doblemente impura:

“El Señor dijo a Moisés: – Di a los israelitas: la mujer que conciba y dé a luz un varón, quedará impura durante siete días, como cuando tiene la menstruación.”

“Si da a luz una niña, quedará impura durante dos semanas.”

6. Éxodo 20:17. El Mandamiento que cosifica a la mujer.

La Iglesia ha maquillado el décimo Mandamiento reduciéndolo a “No codiciarás los bienes ajenos”, pero lo que realmente dice la Biblia es esto:

“No codiciarás la casa de tu prójimo, ni su mujer, ni su siervo, ni su sierva, ni su buey, ni su asno, ni nada de lo que le pertenezca”

Es decir, la mujer es una cosa, propiedad del hombre.

5. Levítico 27:1. El precio de las personas.

Aquí Dios se pone en plan comerciante y se dedica a tasar a las personas en gramos de plata, y por supuesto, la mujer vale mucho menos:

“El Señor dijo a Moisés: – Di a los israelitas: Cuando alguien haga al Señor una promesa ofreciendo una persona, la estimación de su valor será la siguiente: el hombre entre veinte y sesenta años, quinientos gramos de plata, según las pesas del santuario; la mujer, trescientos; el joven entre los cinco y los veinte años, si es muchacho, doscientos gramos, y si es muchacha, cien; entre un mes y cinco años, si es niño, cincuenta gramos, y treinta gramos de plata si es niña; de sesenta años para arriba, el hombre, ciento cincuenta gramos y la mujer, cincuenta.”

4. Deuteronomio 21:11-15.

Si te gusta una mujer de entre tus enemigos, le rapas la cabeza y te la quedas.

“Si ves entre los prisioneros una mujer hermosa, te enamoras de ella y deseas hacerla tu esposa, la llevarás a tu casa, se rapará la cabeza y se cortará las uñas, se quitará el vestido de cautiva, se quedará en tu casa y llorará a su padre y a su madre durante un mes. Luego podrás unirte a ella. Si deja de gustarte, le darás la libertad, pero no la venderás por dinero ni sacarás provecho alguno, pues ya la has humillado.”

3. Deuteronomio 25:11-12. Si te agarra el pene le cortas la mano.

El pene es sagrado:

“Si dos hombres se están pegando, se acerca la mujer de uno de ellos y, para liberar a su marido del que lo golpea, mete la mano y agarra al otro por sus partes, le cortarás a ella la mano sin compasión.”

2. Jueces 21:10. Matad a todas menos las vírgenes.

El libro de los Jueces cuenta que se produjo una guerra civil entre los propios israelitas, enfrentándose todas las tribus contra la de Benjamín. Tras la derrota de los benjaminitas, a sus hermanos les dio pena ver que no tenían mujeres, y siguiendo el ejemplo de lo que tantas veces el Señor les había dicho que hicieran, tomaron esta bonita determinación:

“- Id y pasad a cuchillo a todos los habitantes de Yabés de Galaad, incluidas mujeres y niños. Consagraréis al exterminio a todos los varones y a todas las mujeres casadas, pero dejaréis con vida a las vírgenes.”

Problema, no había vírgenes suficientes para todos. Así que un poco más adelante les dijeron a los benjaminitas:

“Id y escondeos entre las viñas. Os quedáis observando, y cuando veáis que las jóvenes de Siló salen a bailar, salís a las viñas, os lleváis cada uno una muchacha de Siló y volveís a vuestra tierra.”

1. Carta de San Pablo a los Corintios, 14:34. La mujer, calladita.

“Que las mujeres guarden silencio en las reuniones; no les está pues, permitido hablar, sino que deben mostrarse recatadas, como manda la ley. Y si quieren aprender algo, que pregunten en casa a sus maridos, pues no es decoroso que la mujer hable en la asamblea.”

Fonte: Atresmedia
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O aborto e a armadilha para mulheres

Site oferece ajuda para mulheres grávidas que não desejam ter o filho sem esclarecer que o objetivo é impedi-las de abortar; domínio está registrado em nome de padre ligado ao Opus Dei e ao Centro de Ajuda à Mulher (CAM)

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           Armadilha para mulheres 

Fonte: apublica.org
Por: Andrea DiP

“Não posso ter um bebê!!!” Essa foi a mensagem de S., 27 anos, que iniciou a troca de mensagens com um site chamado “Gravidez Indesejada”, que acidentalmente foi parar na caixa de entrada de um jornalista da Pública por causa de um e-mail homônimo. Na resposta, que constava no mesmo e-mail, uma pessoa dizia que, para ajudar a moça, precisaria de seus dados pessoais e gestacionais. O nome do site, tão direto, e seu forte apelo chamaram atenção: o aborto é crime no Brasil, a não ser quando há risco de morte para a gestante, quando a gravidez resulta de estupro ou quando o feto é anencéfalo.

Diagramada em tons de rosa, com fotografias de bancos de imagens, a página contém mensagens do tipo: “Não perca mais tempo, fazer sua própria escolha em uma situação difícil é um direito seu!”. E ainda: “Não corra riscos desnecessários: temos 20 anos de experiência em ajudar as mulheres com uma gravidez indesejada […]. Ajudamos a resolver rapidamente e de forma segura os seus problemas; queremos lembrá-la de que neste momento cada minuto conta muito”. Oferece tratamento personalizado e sigiloso, gratuito, responde a dúvidas sobre o uso de medicamentos abortivos, especialmente o Cytotec – veja aqui a checagem dessas afirmações feita pelo Truco junto a especialistas –, e diz pertencer a uma tal Associação Mulher: “Somos a Associação Mulher, entidade sem fins lucrativos, com sede em diversas cidades do Brasil e do exterior. Ajudamos mulheres com gravidez indesejada, oferecendo atendimento personalizado em um momento difícil que possam estar vivendo”. Não há no site um CNPJ vinculado ou mais informações sobre essa organização. No Google também não é possível encontrar nada mais a respeito dela ou do trabalho que realiza. Mas uma busca ao domínio do site revela o nome de um padre: Hélio Tadeu Luciano de Oliveira. E um e-mail: cambrasildirecaonacional@gmail.com. Com essas primeiras informações em mãos e farejando uma armadilha para as mulheres grávidas – já que não se dizia nada sobre o tipo de ajuda que seria oferecido –, começamos a investigação e marcamos atendimento presencial através do telefone fornecido pelo site. Por eu ter o nome facilmente relacionado às pautas de defesa dos direitos das mulheres, optamos por chamar outra repórter da Pública para a visita. Eu iria como sua acompanhante. Por telefone, após ter insistido em obter todos os seus dados, uma mulher marcou a data e pediu seu telefone para que apenas um dia antes da “consulta” passasse o endereço. A repórter deu seu nome verdadeiro durante as duas visitas que faríamos, e eu, como sua acompanhante, também.

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Na aba “quem somos” está escrito que a associação ajuda mulheres com gravidez indesejada

O padre

Hélio Tadeu Luciano de Oliveira é um padre militante pró-vida que, segundo o site do Convívio Emaús (“convívio é o nome dado a uma atividade de formação organizada pelo Opus Dei que abrange um leque variado de formatos e finalidades), se formou em odontologia e teve sua vocação despertada ainda na faculdade. Fez parte do Movimento Jovens de Emaús em Florianópolis (SC) e, em 2004, foi estudar filosofia e teologia na Espanha, com bolsa integral, no Seminário Internacional de Bidasoa e na Universidade de Navarra, ambos confiados à prelazia do Opus Dei. Logo recebeu a sua ordenação diaconal na Paróquia San Nicolás, em Pamplona, Espanha, e depois retornou à Europa para continuar o doutorado em bioética em Roma. Em sua página pública no Facebook, é possível achar posts contra a “ideologia de gênero”, dezenas de mensagens e imagens contra o aborto (inclusive em casos de estupro) e até fotos de um dia de produção – feita por jovens de uma paróquia de Florianópolis – de fetos de borracha (frequentemente utilizados em manifestações pró-vida ou arremessados contra manifestantes pró-descriminalização do aborto). Também segundo essa entrevista de 2013, ele foi da arquidiocese de Florianópolis e, a pedido do então arcebispo da região, dom Murilo Krieger, empenhou-se nos estudos sobre bioética. É difícil dizer mais sobre o padre Hélio porque, após insistentes pedidos de entrevista por e-mail sem resposta e uma ligação à Arquidiocese de Florianópolis solicitando outro contato, fui informada por um funcionário de que esse era um projeto sigiloso e por isso ele ou outra pessoa da Igreja não falariam a respeito. Na página do Facebook, é possível constatar também seu envolvimento com a Associação Mulher, pois diversos de seus posts e vídeos pedem doações em dinheiro para ajudar a salvar “milhões de crianças do aborto, a sociedade, as mulheres”. Sua ligação com o CAM (aquele cujo e-mail constava no domínio do site do qual falaremos adiante) também aparece em sua página em posts como: “Hoje celebramos a São Josemaría Escrivá de Balaguer, o Fundador do Opus Dei. Recebi hoje muitas graças especiais e estou convencido de que foi pela intercessão desse santo sacerdote. Dentre essas graças está a reabertura do CAM Florianópolis e o crescimento na missão e no amor – quase palpável – de algumas pessoas amigas que confiam cada vez mais em Deus. São Josemaría – rogai por nós!”. Esse site mostra-o ainda como sacerdote da Rede Latino-Americana de CAMs e diz que ele esteve nos últimos encontros representando o Brasil.

apm2O padre Hélio Luciano utiliza o Facebook para pedir doações
A visita

Quando, no dia anterior, ligaram para nossa repórter com o endereço da “consulta”, não sabíamos muito bem o que nos aguardava. Preparamos os gravadores e fomos ao local indicado, onde uma feira livre estava sendo desmontada, tomando ruas e calçadas. Nós nos confundimos com a numeração e, enquanto procurávamos – sem dizer o que procurávamos –, fomos abordadas por um feirante que apontou uma casa: “Vocês vão ali, ó”. Caminhamos alguns metros e, surpresas, confirmamos a informação. Havia um número de ferro pregado à parede e outro escrito em uma placa posta ao lado. Tocamos a campainha e uma mulher de cerca de 30 anos abriu a porta. Perguntou quem seria atendida, e eu pedi para acompanhar o procedimento da minha amiga. Em uma rápida passada de olhos pela sala principal, não reparei nas fotos de papas, bispos e santos nas paredes. Minha colega também não. Apenas quando estávamos indo embora as notamos. Imagino que mulheres e meninas que entram na casa desesperadas todos os dias também não devam notar de imediato.

Em uma pequena sala, a voluntária que chamarei de Maria* pega uma prancheta e começa a fazer perguntas para a repórter. Idade gestacional, endereço de sua casa, número de seu documento de identidade, telefone. Ela responde que não se sente à vontade para dar seus dados sem saber que tipo de ajuda receberia ali. Maria diz que aquela ficha era para continuar o tratamento depois. “A gente, que é voluntária, atende as meninas que querem saber mais sobre aborto. Hoje a gente vai conversar sobre o aborto, se você sabe os procedimentos, por que você quer abortar, os riscos que você corre, tudo isso”. Nesse momento eu insisto, no papel da amiga chata, sobre que tipo de ajuda eles oferecem ali, já que não é uma informação clara no site. Após alguma enrolação, ela acaba dizendo que ali eles são “pela vida” e que ela seria informada de todos os riscos que corre ao abortar e que o aborto “é um caminho sem volta”. “Todo mundo acha que aborto é fácil, vai tomando Cytotec, que não tem consequência. Tem consequência gravíssima. A televisão não divulga a mortalidade de aborto. Agora deve estar morrendo menina. A gente recebe toda vez informações sobre mortes de meninas. Morte nessas clínicas de jogarem o corpo fora, as que fazem e voltam para tratar com psicólogos porque têm problemas psicológicos…” Interrompo mais uma vez e pergunto o que era ali e se estava ligado à Igreja. Ela diz que se tratava de uma comunidade em favor da vida que não abraça nenhuma bandeira. Eu insisto e pergunto se é uma ONG, uma clínica, uma igreja. Ela responde que é voluntária e a responsável é uma psicóloga e seu marido, que atendem e dão palestras. A voluntária diz à minha colega que ela pode doar o bebê, que pode, depois do parto, nem olhar para a cara dele, que a assistente social leva embora. “Um bebê recém-nascido com as suas características, branquinho com olho claro, acabou. Recém-nascido tá cheio de pai e mãe querendo.” O discurso de Maria segue truncado em uma mistura de terrorismo psicológico – “você pode morrer”; “podem furar seu útero”; “tem médico que dá tapa na cara”; “jogam seu corpo em qualquer lugar”; “pode pegar infecção, nada é esterilizado”; “eles te mostram o feto morto”; “você pode ser presa”; “dá hemorragia”; “sua consciência vai cobrar” – com histórias muito piores que a dela, em que abortos não foram realizados por sua intervenção, incluindo uma menina de 11 anos estuprada pelo primo. “Mas ela tinha direito ao aborto legal”, provoco. “Mas a mãe ficou com medo por causa do corpo dela, de não aguentar.” E diz que a menina, “coitadinha”, não está entendendo nada e ainda está sendo atendida pelo psicólogo da comunidade. Conta que muitas meninas chegam lá com o dinheiro na mão, achando que vão abortar, e, quando descobrem que não, querem quebrar tudo e saem furiosas. “Vocês atendem muitas mulheres?”, pergunto. “Muitas, três ou quatro por dia, de socialite a garota de programa. Cada caso que você pensa: ‘Meu Deus, o que eu vou falar”. Minha colega diz que vai pensar e que quer conhecer o psicólogo. Maria diz que vai ligar para marcar a sessão com o dr. Luiz. Em sua prancheta, mais uma vez a sigla “CAM”.

apm3Uma busca ao domínio do site revela o nome do padre Hélio Tadeu Luciano de Oliveira como responsável

O CAM

Em 1989, Jorge Serrano Limón, presidente do Comité Nacional Provida, inspirado por um trabalho que já era desenvolvido nos Estados Unidos, abriu o primeiro CAM na Cidade do México, com a missão de impedir mulheres de abortar. Para atrair as “clientes”, explica o jornalista mexicano Témoris Grecko, autor do livro El vocero de dios, Jorge Serrano Limón y la cruzada para dominar tu sexo, tu vida y tu país (“O porta-voz de Deus. Jorge Serrano Limón e a cruzada para dominar seu sexo, sua vida e seu país), o método era semelhante ao empregado no Brasil: “Colocar anúncios em jornais que lançavam um anzol: “Gravidez inesperada? Existe uma solução para sua gravidez! Garantido: Não te deixamos estéril nem te furamos o útero”, e ao lado o número de telefone da Provida”, conta Grecko em entrevista exclusiva à Pública (que você pode ler na íntegra aqui). No livro, o próprio Serrano Limón descreve para o jornalista o que acontece depois: “Elas nos ligam: ‘Oi, quanto me cobram pelo aborto?’. ‘Não posso te dar informações por telefone, venha’. Damos-lhes um questionário, se faz todo um procedimento e elas desistem de abortar”. O procedimento, explica o livro, inclui práticas em que se afirma que o aborto é “um assassinato e um pecado mortal” e a exibição de filmes com imagens impactantes. O site da rede latino-americana se gaba de ter atendido mais de 25 mil mulheres apenas em 2013, nos 14 países em que atua, nos mais de 90 centros. A maioria das mulheres atendidas está na faixa dos 25 anos e é solteira. Segundo uma planilha obtida pela Pública no site do CAM latino-americano, em vários países o procedimento se repete. No Brasil, a organização tem representantes em Florianópolis, São Paulo, Porto Alegre, Três Barras, Jacareí, Piracicaba e Rio de Janeiro. Ainda segundo o site, 85% das mulheres desistiram de abortar após a “conversa”.

apm4No Brasil, a organização tem representantes em diversas cidades

É importante dizer que o fundador do CAM no México, Jorge Serrano Limón, se envolveu em alguns escândalos de corrupção nos últimos anos, relacionados ao CAM, como explica Grecko: “Em 2005, o Ministério do Serviço Público ordenou que Serrano Limón devolvesse 25 milhões de pesos, que ele se recusou a pagar. E conseguiu recursos legais para evitar isso. Em 2012, um juiz federal o condenou a quatro anos de prisão pelo mau uso de 2 milhões 496 mil pesos para o CAM. Em fevereiro de 2016, Serrano Limón foi detido por dois dias por crime de peculato por 25 milhões de pesos (é o mesmo processo). De alguma maneira – provavelmente recebeu apoio de alguém com muito dinheiro –, ele conseguiu pagar fiança e atualmente enfrenta o processo em liberdade”.

apm5Nesse post o padre afirma que milhares de mães e crianças foram salvas por esse projeto

No Brasil, é difícil dizer com certeza quem são todos os envolvidos nos CAMs e quem os financia. Além da tentativa frustrada de falar com o padre Hélio, entrei em contato com a CNBB, que me passou o telefone de um bispo que estava na Comissão Episcopal Pastoral para a Vida e a Família e se responsabilizou pela implementação do projeto no país em 2011, mas não consegui contato. Liguei também para os telefones de cada CAM, de cada cidade (contidos nesta planilha obtida no site do CAM Latinoamérica) e no que dizia ser a coordenação nacional. Alguns telefonemas não foram atendidos e, quando foram, as pessoas negaram a relação. O telefone do CAM de São Paulo era o da casa onde fomos atendidas; a psicóloga responsável chegou a atender a ligação, mas disse que estava em uma reunião e não tornou a ligar. O CAM mexicano também não respondeu aos e-mails. Quando se busca pelo endereço da sede do CAM em São Paulo, a casa onde estivemos, segundo o site da Arquidiocese de São Paulo, o CNPJ que aparece vinculado é o de uma associação privada chamada Associação Nossa Senhora Rainha da Paz – Instituto Rhema, cuja atividade principal é psicologia e psicanálise. Seus fundadores, Eneida André Carmona e Luiz Carlos Carmona Reche, segundo esse site, são “fundadores da Comunidade Unidos em Cristo, psicólogos com atuação em clínica e peritos do Tribunal Eclesiástico de São Paulo, orientadores de consagrados e leigos para a Igreja Católica Apostólica Romana”, apesar de o psicólogo ter negado a relação com a Igreja durante a consulta com a nossa repórter.

O terrorismo final

Na segunda visita ao CAM em São Paulo, minha colega repórter subiu sozinha as escadas para a sala de terapia com o psicólogo Luiz Carmona enquanto eu fixava o olhar nos santos das paredes da sala de espera e ouvia um homem rezar alto na sala ao lado. Peguei alguns livros para ler – um escrito pelo padre Hélio, sobre regulação inteligente da natalidade. Ela desceria quase uma hora e meia depois, calada e abatida. Já na rua, ela contou que durante a sessão o psicólogo católico mais falou do que ouviu. Muito mais, aliás, segundo seu relato no box abaixo. Mostrou slides impressionantes, fez com que ela segurasse um feto de borracha nas mãos para que sentisse “o peso” do bebê que supostamente carregava no ventre, reforçou tudo o que de horrível poderia acontecer com ela caso decidisse abortar e falou até mesmo sobre as consequências psicológicas do aborto para os homens – uma das quais era a possibilidade de se tornar violento com a companheira. Durante uma hora e meia, a repórter, que poderia ser qualquer mulher ou menina que entrasse ali procurando ajuda, foi submetida a uma sessão de amedrontamento e culpa.

Enviei e-mail para o CAM Brasil em São Paulo dizendo que gostaria de falar com eles pessoalmente. Uma mulher me respondeu e pediu para eu entrar em contato com eles por telefone. Liguei e marquei o atendimento presencial, que é feito com a Maria*, que se apresenta como voluntária e explica que o CAM é uma comunidade pela vida. Depois dessa breve conversa, a primeira pessoa que falou comigo entrou em contato por WhatsApp marcando uma consulta com um psicólogo na sede do CAM.

Luiz, o psicólogo, me atende em uma sala na casa antiga localizada em uma rua pacata no bairro de Santana, em São Paulo. Ele preenche um cadastro com as minhas informações pessoais e se apresenta, explicando a sua função, e diz que o propósito do atendimento é baixar a ansiedade e o medo das mulheres da gravidez. O psicólogo enfatiza que a dúvida e a confusão são responsáveis pela mulher optar pelo aborto e diz que o trabalho realizado pelo CAM é em defesa da vida. Afirma que todas as mulheres nasceram para ser mães, essa é a função biológica destinada ao seu gênero. Depois pergunta sobre o que me incomoda, quais as minhas dúvidas, mas em nenhum momento pergunta como eu me sinto.

Sou questionada sobre a minha religião, digo que sou católica, e em alguns momentos durante a conversa o psicólogo se refere a Deus. Pergunto se o centro tinha algum apoio da Igreja Católica, e ele responde de maneira incisiva que não, mas que a entidade é reconhecida pela Igreja e o centro é mantido com a doação de sócios.

O psicólogo expõe os riscos de interromper a gravidez e me mostra em seu notebook slides com textos e desenhos de bebês, os tipos de aborto e a maneira como são conduzidos. Ele diz que essa apresentação é exibida em diversas universidades, sendo a última a Federal Fluminense, e que viaja pelo Brasil para falar sobre a chamada síndrome pós-aborto e suas consequências na vida da mulher e do homem.

Em uma parte dos slides, mostra-se que as mulheres passam a ter compulsão por álcool e drogas, que se sentem culpadas, com vergonha, depressivas e com transtorno de ansiedade generalizada. Já nos homens, além da compulsão por álcool e drogas, apresentariam obsessão por compras e esporte de risco. Segundo o psicólogo, os homens podem ter transtornos psíquicos e a sua autoimagem fica prejudicada “porque, toda vez que ele olhar para o próprio pênis, ele vai dizer: você entrou na vagina, fez o filho e por culpa desse pênis, por minha culpa, teve o aborto”; a disfunção erétil é uma das consequências citadas.

Luiz me diz que o homem pode apresentar também comportamentos violentos contra a companheira; por exemplo, pode passar a sentir raiva da mulher porque ela foi a responsável “pela conivência dele com o aborto”. O contrário também pode ocorrer: preocupação excessiva com o bem-estar da mulher e obsessão de que ela engravide novamente.

Ele pega o molde de um útero e simula como é feito o aborto. Com a ponta da caneta, ele demonstra como a cureta, instrumento cirúrgico, é introduzida no útero e como ela “cutuca” o embrião até despedaçá-lo. O psicólogo tira um boneco da gaveta com o tamanho aproximado de um feto e pede que eu segure. Esse foi o momento mais marcante de toda a conversa. Pude sentir de perto o constrangimento e a vergonha que outras mulheres passam quando se veem nessa situação. Não satisfeito, ele diz: “Esse bebê vai sangrar, vai sair o sangue, aí ele vai tentar fazer o seguinte: tirar os pedaços. Para ter certeza, ele vai colocar um sugador e vai aspirar os pedaços desse bebê”. Por fim pede que eu procure um padre para me tranquilizar.

Para reforçar a mensagem, menciona exemplos de mulheres que foram até eles com a ideia de abortar e, depois de passar por essa sessão, chamada “gravidez em crise”, decidiram ter o filho. Conta o caso de uma mulher casada com um filho que foi estuprada na rua por dois homens. Ela engravidou do estupro e contou para o marido, que não acreditou e começou agredi-la. A mulher se viu sem saída e foi até o CAM procurar ajuda. Depois de passar pela sessão, se convenceu a continuar com a gravidez – mesmo o aborto em caso de estupro sendo legalizado no Brasil.

Ao finalizar o atendimento, ele pergunta se eu tenho alguma dúvida, digo que não. Em seguida, passa um exercício para os seios que, de acordo com ele, tem como objetivo preparar a gestante para a amamentação do bebê e evitar a maceração dos mamilos. Ele faz a demonstração no corpo dele por cima da camisa. O exercício consiste em segurar a mama por baixo e puxá-la até onde conseguir, torcer e soltar.

Saio dali abatida, pensando nas mulheres que ele ainda vai “ajudar”.

O único relato que encontramos a respeito da armadilha escondida no site “Gravidez Indesejada” no Brasil foi o de uma mulher no site da organização holandesa Women on Web, que oferece ajuda legítima a mulheres que vivem em países onde o aborto legal é limitado. No relato, ela dizia que em um momento de desespero procurou a organização do site “Gravidez Indesejada” e, quando chegou lá, uma senhora tentou de toda forma convencê-la a não abortar, o que a deixou ainda mais desesperada. Em entrevista à Pública, Leticia Zenevich, coordenadora de Projetos na Women on Web, explicou que infelizmente essas armadilhas são uma prática comum em vários países. “Eu não sabia que havia chegado ao Brasil, mas faz sentido. Essas organizações existem no mundo todo, e a ideia é ser uma armadilha mesmo. Muitas vezes eles ficam postergando o atendimento, a mulher vai a primeira vez e eles continuam dizendo que vão ajudá-la, até que as semanas vão passando e o aborto se torne perigoso para a mulher. Ou eles prometem dinheiro e não dão. É um golpe, é de má-fé. Passam filmes, dizem que elas terão câncer, inventam uma síndrome pós-aborto que não tem CID [Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados com a Saúde] ou nenhum background científico”. Leticia diz ainda que o site recebeu em 2017 cerca de 40 mil acessos semanais do Brasil, em busca de informações sobre aborto seguro. Vale lembrar que a estimativa da Organização Mundial da Saúde (OMS) é que a cada dois dias uma mulher morre vítima de aborto clandestino no Brasil e que o procedimento de risco (ou seja, feito clandestinamente e de forma precária) é a quinta causa de morte materna. E, como explicou o ginecologista e obstetra Jefferson Drezett nesta entrevista à Pública, a criminalização do aborto tem sido eficaz em matar mulheres pobres porque clandestino não significa inseguro: “O que determina a insegurança do aborto não é ele ser clandestino; é não ter prática, técnica ou ser realizado em ambiente inseguro. A diferença entre as chances de morrer em um aborto inseguro é mil vezes maior. E qual é a diferença, já que no Brasil o aborto é proibido por lei? Depende se a mulher tem dinheiro para pagar por um aborto seguro, mas muito caro, ou se ela é pobre e vai procurar por métodos inseguros. Acaba-se criando uma desigualdade social, uma perversidade, porque uma mulher que tem um nível socioeconômico bom tem acesso a clínicas clandestinas, que não são legalizadas, mas são seguras. Esse aborto seguro pode custar mais de US$ 2 mil, enquanto um aborto inseguro pode custar R$ 50. A criminalização do aborto impõe à mulher pobre a busca pelo aborto inseguro e clandestino e para as mulheres ricas a busca pelo aborto clandestino e seguro”.

Em Portugal, por exemplo, onde o aborto é legalizado há mais de dez anos, desde que a prática foi descriminalizada o número de mulheres que morreram em decorrência do procedimento caiu e está em zero desde 2012.

Para Valeska Zanello, professora do Departamento de Psicologia Clínica da Universidade de Brasília e coordenadora do grupo de Estudo Saúde Mental e Gênero, submeter mulheres em situação de extrema vulnerabilidade a abordagens como essas que vivenciamos pode ser considerado tortura psicológica. Ela acrescenta: “Em geral, as pesquisas pró-vida enfatizam os impactos para a saúde mental em casos de aborto. E são pesquisas muito mal feitas porque comparam mulheres que tiveram filhos e queriam ter com mulheres que não queriam ter filhos e fizeram aborto. O ideal seria comparar mulheres que não queriam ter filhos e tiveram com mulheres que não queriam ter e não tiveram. Tem um problema metodológico. Você ter um filho sem desejar é que tem impacto sobre a saúde mental. A maternidade é uma tarefa pesada para a mulher na nossa cultura. Desejar estar nesse lugar é fundamental para a gente pensar os impactos. No Brasil, quando uma mulher deseja não ter filhos, ela não tem os meios legais de concretizar essa opção. A maioria das mulheres acaba por fazer o aborto de forma clandestina. Isso as torna totalmente vulneráveis. É uma tendência dizer que o aborto é um grande drama, mas o mais difícil é a criminalização. Muitas mulheres que abortaram e que eu já atendi relatam que se sentem como se fossem criminosas. Como se elas tivessem o tempo todo que tomar cuidado com a polícia, como se fossem traficantes, assassinas. Então são mulheres que estão em um alto grau de vulnerabilidade e muito suscetíveis à manipulação. E existe o mau uso da religião, que não se dá apenas via clandestinidade, porque até nos serviços de abortamento legal eu já tive denúncias de que profissionais religiosos tentam convencer mulheres a não abortar. A ONU já se manifestou afirmando que negar o aborto em casos legais pode ser considerado tortura ou tratamento cruel, desumano ou degradante”. Sobre a conduta dos psicólogos, Valeska diz que merece investigação por parte do Conselho Federal de Psicologia.

Em tempos de retrocesso, em que PECs como a 181/15, que insere na Constituição a proibição do aborto em todos os casos, inclusive os já previstos hoje pela legislação, avançam no Congresso e ameaçam os poucos direitos já conquistados pelas mulheres, armadilhas como essas promovidas pelo CAM são um desserviço por expor mulheres e meninas vulneráveis a tudo isso que presenciamos. Jamais esqueceremos o que ouvimos ali. Retomo a pergunta feita pela minha colega repórter ao sair da consulta: “Eles enfatizam que ali estão pensando na vida. Mas na vida de quem?”.

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