Faça amor não faça a barba

– Papai, eu tenho uns colegas do 6º ano que dizem que você parece um mendigo quando vai me buscar na escola. Tomado de uma curiosidade antropológica irresistível, pedi que o moleque me explicasse melhor o porquê daquela percepção dos colegas.

Outro dia, enquanto tomava fôlego entre uma e outra mordida nos seus sushis e sashimis preferidos, meu filho faz o seguinte comentário:

– Papai, eu tenho uns colegas do 6º ano – meninos na faixa dos onze, doze anos de idade – que dizem que você parece um mendigo quando vai me buscar na escola.

Tomado de uma curiosidade antropológica irresistível, pedi que o moleque me explicasse melhor o porquê daquela percepção dos colegas.

– É porque você vai de bermuda, chinelo e barba grande.

Esses colegas do meu filho associam vestimenta e estética corporal a uma determinada posição do indivíduo na escala social. A mendicância é um estigma, representa a falta de decência moral, equivale praticamente a um crime numa sociedade que valoriza os indivíduos pelo que têm e não por sua postura ética. É a criminalização da pobreza. É a lógica do “você é aquilo que você consegue comprar”. Não se contentam com nada menos do que os melhores celulares, as melhores chuteiras, o melhor sinal de Wi-Fi para jogar aqueles joguinhos interativos do qual entendo bulhufas.

A representação do sucesso nessa sociedade baseada na imagem e no consumo que a alimenta é, seguindo a lógica da galerinha que está às portas da adolescência, um homem na faixa dos quarenta anos que vai buscar o filho trajando um impecável terno e com a barba e o bigode devidamente aparados ou, simplesmente, ausentes, naquele estilo que nós, cariocas, costumamos chamar de “bundinha de neném”.

Fiquei matutando sobre tal percepção da realidade, tal visão de mundo e os valores a ela vinculados. Olho para mim no espelho e não consigo me enxergar sem a barba, cada vez mais branca, é verdade, traço indefectível de minha personalidade e que, modéstia à parte, deixam-me um pouco menos intragável visualmente. Sou um mendigo com doutorado, vejam vocês. Desprezo quem faz apologia à tortura, festejo a diversidade sexual, acredito piamente que a “mão do mercado” é uma falácia, uma historinha pra boi dormir, pra inglês ver. Por outro lado, o pai de terno e barba feita pode ter o colarinho branco, se é que vocês me entendem, porque pra bom entendedor, meia palavra basta. Estereótipos, estigmas, vento que venta lá, venta cá. Miséria material, miséria moral.

A barba por fazer é compreendida como sujeira, falta de higiene, de asseio, falta de banho. Mas ela é muito mais do que isso, ela incomoda porque é uma sujeira simbólica, porque, como dizia a antropóloga Mary Douglas, sujeira “é tudo aquilo que está fora do lugar”, é tudo aquilo que transgride uma determinada ordem das coisas, que desafia o certo e o errado, que questiona e não se curva à “impenetrabilidade da pedra”.

A barba, especialmente aquela pujante e desgrenhada, indomável, indócil, descontrolada, subverte. Nada mais apropriado do que a cultivarmos com carinho nos dias que correm, certo?

Conselhos sexuais da série ‘Sex Education’ serviriam na vida real?

Ao invés de se limitar a um olhar masculino, incorpora com naturalidade vozes femininas para falar de desejo, prazer e iniciativa (Lily, quando combina um encontro sexual com Otis, diz com segurança: “Eu entro com as camisinhas, você com o lubrificante”)…

Cena de ‘Sex Education’. 

Conselhos sexuais da série ‘Sex Education’ serviriam na vida real?

O grande acerto do seriado da Netflix é falar não só de sexo, mas também de valores

Liam aparece na tela pendurado na lua que decora o teto do salão de baile do seu colégio. Todos os olhares, assustados, se voltam para ele. O que ele está fazendo lá em cima? Está apaixonado por Lizzie, mas ela o ignora, e sua vida não faz mais sentido: na adolescência tudo é muito dramático. Esta é um caso para Otis Milburn, o protagonista deSex Education, que age como conselheiro de relacionamento para seus colegas de escola [se você continuar lendo, conhecerá a história de Liam e de alguns outros personagens. Não sãospoilersrelevantes, mas não deixam de serspoilers].

Essa série, um dos últimos lançamentos daNetflix, trata asexualidadedos jovens de forma global.Fala tanto de práticas eróticas quanto de orientações ou de como administrar as relações afetivas. Mas sempre sob um ponto de vista igualitário e positivo.

Igualitário porque, ao invés de se limitar a um olhar masculino, incorpora com naturalidade vozes femininas para falar de desejo, prazer e iniciativa (Lily, quando combina um encontro sexual com Otis, diz com segurança: “Eu entro com as camisinhas, você com o lubrificante”), assim como todo tipo de orientações eidentidades sexuais(pensemos em Eric mostrando sua parte feminina comocrossdresser).

Positivo porque osexonão é visto como algo sombrio ou sórdido, que gere riscos e necessidade de prevenção, e sim como uma forma de descoberta e crescimento pessoal.Sex Educationtrata mais de valores que de sexo, e esse é um grande acerto. Tomara que a segunda temporada da série, que acaba de ser anunciada, siga pelos mesmos caminhos.

Liam, o menino pendurado na lua, tentou insistentemente cortejar a garota, com a falsa ideia de que assim conseguiria derreter o coraçãozinho da dama.Otis, por sua vez, lhe fala sobre respeitar a decisão da outra pessoa esaber aceitar umnão.A atitude de Liam revela como os clichês do amor romântico influenciam nas relações sentimentais e as nossas carências em gestão emocional.

Rafael Guerrero, um dos poucos professores da Universidade Complutense de Madri que, na falta de uma disciplina específica, ensina técnicas de educação emocional a seus alunos de Magistério, dizianesta reportagemque algumas das consequências dessa falta de ferramentas são a insegurança, a baixa autoestima e os comportamentos compulsivos.

Não nos entendemos na cama

Tanya e Ruthie são namoradas. Parece que tentam manter relações sexuais, mas com pouco sucesso. Elas se acham atrapalhadas, não sabem como fazer, como se coordenar, como terem prazer juntas. Mas, se elas se entendem tão bem em outras coisas, por que não no sexo?

Otis sabe pouco das relações eróticas entre mulheres, então para tentar lhe dar conselhos assiste a filmes pornôs e faz anotações. Não acerta muito nesse recurso, porqueo pornô é ficção, e muitas vezes só transmite alguns clichês sobre o sexo lésbico.

O conselho não funciona. O assessoramento sexual nem sempre acerta de primeira, nem neste caso nem na vida real. Otis tenta levar a situação para o seu terreno: os relacionamentos a dois.E aí acerta mais, porque os problemas de cunho erótico às vezes escondem um conflito no relacionamento.

E você, o que quer?

Aimee está fazendo sexo com seu namorado. Pergunta-lhe se ele quer gozar no seu peito ou na sua cara. Ele não se sente cômodo com isso e lhe devolve a pergunta: e você, o que quer? Aimee não sabe, porque nunca se perguntou, simplesmente repete aquilo que viu e que acredita que deseja.

Para saber o que quer, Otis dá um bom conselho a Aimee: masturbe-se. Conhecer nosso corpo e nossas reações é fundamental para saber o que queremos e, depois, poder compartilhar com outras pessoas.

A primeira reação de Aimee mostra outro mito nas relações eróticas: para que vou me masturbar se tenho parceiro? Como se fosse uma prática destinada unicamente a solteiros. Mas depois ela se anima. E como!Assistimos a uma cena de autodescoberta que, com humor, é toda uma amostra de empoderamento.E depois vemos a repercussão positiva de conhecer a si mesma na vida sexual a dois.

Problemas na penetração

A obsessão em perder a virgindade é o problema de Lily. Ela quer que a penetrem porque precisa se livrar “disso” e saber o que se sente. Tamanha é sua obsessão que, quando finalmente consegue alguém que queria transar com ela (um aplauso aqui por mostrar corpos diferentes), não consegue. O pênis se choca contra um muro.

O vaginismo é a contração involuntária dos músculos da pélvis, de tal maneira que impedem a penetração. Ocorre muitas vezes por medo da penetração. A cabeça, nesse caso, interfere e prega uma peça. Qual é o conselho de Otis a Lily? Que se deixe levar, e lhe propõe um exercício de “loucura”.

É verdade que o sexo exige certo descontrole, certo abandono. Mas o vaginismo normalmente tem a ver com um medo irracional da penetração. É uma fobia e, como tal, soluciona-se com uma aproximação progressiva da situação que gera o medo. Serão acrescidos exercícios para conhecer os músculos pubococcígeos. E também haverá reeducação para, entre outras coisas, aprender a se deixar levar, sim, embora o tratamento vá um pouco além do que a série mostra. O vaginismo não se cura descendo um morro numa bicicleta sem freios.

E, já que falamos de genitálias internas femininas, “eu também tenho vagina” é uma frase-chave em uma cena de apoio a uma vítima desexting, uma prática que vem crescendo entre adolescentese que também recebe atenção na série. Teria sido mais correto falar de vulva, porque em uma foto dos geniais femininos geralmente é a parte externa que se vê. Mas perdoem-se certas imprecisões deSex Education.Afinal de contas, a educação em valores é mais importante do que usar bem uma palavra.

Fonte:El País
Por:Arola Poch
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Permitir aos padres apaixonados que se casem. Francisco pondera uma grande virada

“…o papa Francisco teria dito que entre as mudanças que mais lhe interessavam introduzir havia a abolição do vínculo do celibato para os padres”

Não se trata de vê-lo como remédio contra a pedofilia, mas como uma escolha para garantir sacerdotes apaixonados por sua vocação em tempo integral com outros casados em apoio do ministério e da própria família. Um livro deixa entender que, talvez, tenha chegado à hora certa para uma decisão do papa esperada por todos. O problema será abordado em 2019 no Sínodo sobre a Amazônia

A reportagem é de Carlo Di Cicco, vaticanista, publicada por Tiscali, 22-10-2018.

Poderia ser Francisco o papa que irá desatar o intrigado nó do celibato obrigatório para os padres na Igreja Católica do rito latino. Essa é, de fato, uma grande questão que vem atravessando toda a história da Igreja, especialmente a partir do século IV e a atitude escolhida em relação ao celibato dos padres amadureceu ou entrou em crise, segundo que a Igreja vivesse com mais força o valor da espiritualidade ou se adequasse ao modo de vida mundano.

A questão do celibato obrigatório para os sacerdotes na Igreja adquiriu novo vigor neste momento em que a opinião pública mundial está chocada pela revelação dos muitos casos de pedofilia do clero que, embora em percentual mínima em relação ao conjunto dos sacerdotes, está causando dor e desorientação entre os fiéis laicos. Pedofilia e celibato não têm nada em comum e um não é causa da outra, mas como ambos tocam a sexualidade e seu exercício, no sentido comum das pessoas são confusamente associados, multiplicando o escândalo.

O celibato para os padres decidido pela Igreja

Na verdade, desde a Segunda Guerra Mundial, a questão do celibato obrigatório como condição para se tornar padres na Igreja Católica Latina, a mais difundida no mundo e especialmente no Ocidente, começou a ser criticada, discutida, revista em círculos cada vez mais amplos. E um número crescente de vozes a partir de baixo e da própria hierarquia se pronunciaram em favor de uma revisão da lei que prevê a possibilidade de ser padre tanto a solteiros como a casados. Depois do Concílio Vaticano II (1962-1965), as vozes favoráveis a uma mudança aumentaram continuamente. Tanto a sugerir que poderia ser o próprio Francisco o papa que, com prudência e visão do conjunto, poderia iniciar uma experimentação prática nessa direção. Imagina-se que a ocasião para uma abertura como essa poderia surgir no outono de 2019, no Sínodo sobre a Amazônia, uma região imensa onde a escassez de padres e as dimensões gigantescas e complicadas em que estão dispersas as comunidades cristãs, torna difícil, quase impossível as suas celebrações religiosas, às quais eles também têm direito incontestável.

O problema dos padres destituídos

Uma das fontes à disposição de Francisco para tomar com toda a seriedade uma decisão desse tipo revelou-se um belo livro sobre a questão do celibato na igreja publicado recentemente. Foi escrito pelo jornalista Enzo Romeo, um especialista em Vaticano que estuda, se atualiza e verifica a confiabilidade de suas fontes. O resultado foi um livro interessante e confiável introduzido por uma minuciosa panorâmica do problema da destituição dos padres, assinada por Gianni Gennari, teólogo conhecido e padre romano, que teve que deixar o ministério depois de se apaixonar por uma mulher com quem se casou quando chegou a dispensa do celibato.

O livro de Romeo, confiável e excelente síntese sobre toda a questão do celibato, é resumida no título: “Lui, Dio e Lei” (Ele, Deus e Ela, 254 páginas), publicado pela Rubettino. Uma mina de informações, notícias, depoimentos, detalhes, citações estendidas em forma de narrativa que contam a evolução histórica de uma questão cada vez mais importante para compreender o cerne do problema do evangelho. Não que o celibato seja o coração do Evangelho, que continua sendo, é claro, o amor de Deus pelos homens, manifestado em Jesus e a missão de anunciar a misericórdia de Deus, que quer que todos os homens sejam salvos e conhecedores da verdade.

Amor, sexo e sacerdócio

Mas o celibato é uma perspectiva importante em pensar a fé e, portanto, a compreensão que foi se acumulando nos séculos de celibato levou a considerá-lo uma questão de amor. Enquanto nos séculos passados tratava-se de esclarecer a relação entre os eclesiásticos com as mulheres, após o Concílio Vaticano II tornou-se insistente, até mesmo no magistério da Igreja, enfrentar o problema do celibato como um problema de amor, ao invés de sexualidade. De fato, o amor representa a capacidade e a disponibilidade da pessoa de doar-se totalmente, enquanto a sexualidade pode ser vivida mesmo em uma condição de grande egoísmo que reduz as outras pessoas a instrumentos do próprio prazer. A obra de Romeo é valiosa pela simplicidade e clareza e coloca em foco essa grande verdade, levando, sem intenções apologéticas tendenciosas, a concluir que resolver a questão do celibato obrigatório não é uma concessão para a mundanidade, mas a demanda por uma responsabilidade e coerência mais radical com as escolhas da vocação de cada um. As citações do livro sobre o ensinamento dos papas do pós-concílio não por acaso colocam em paralelo a vida matrimonial e a vida missionária dos sacerdotes: nem uma nem a outra têm uma solução humana e não trazem felicidade para a pessoa se não forem vividas por amor. Para ambas as escolhas é preciso estar preparados, não é possível improvisar.

Por que impor uma regra nunca escrita na Bíblia

O sacerdócio, em particular, não tem o celibato como um elemento constitutivo, no sentido de que o ministério também pode ser exercido por padres casados. Não há uma ordem divina para ser padres celibatários, mas existe uma disposição vinculante da Igreja, plenamente legítima e racional pela qual aos padres se pede a fidelidade ao celibato, que garante alta qualidade no desempenho da missão. Por esse motivo, o celibato será frutífero e um real distintivo somente se livremente escolhido e não imposto como lei obrigatória para aqueles que queiram responder à sua vocação ao sacerdócio. Qualquer um que queira atualmente se tornar padre sabe que terá que respeitar o celibato. Mas se uma vez padre as circunstâncias da vida o levassem a quebrar esse compromisso, todos os padres sabem que a penalidade é a renúncia obrigatória ao ministério. Portanto, se pensa sobre a possibilidade de tornar a escolha do celibato opcional, prevendo padres celibatários e padres casados com um regulamento prático ainda totalmente a ser elaborado.

O que o papa pensava antes de se tornar sacerdote

E o que Francisco tem a ver com tudo isso? O livro de Romeo esclarece bastante o que Francisco pensava antes de se tornar padre, antes de se tornar bispo, antes de se tornar papa e, consequentemente, o que pensa agora que é papa. “No verão de 2015, o pastor pentecostal argentino Norberto Saracco, amigo de velha data de Bergoglio – como pode ser lido, entre outros exemplos, na página 63 – relata ao “National Geographic” uma longa conversa confidencial que teve com Francisco em Santa Marta dois meses após a sua eleição. Naquela ocasião, o papa teria dito que entre as mudanças que mais lhe interessavam introduzir havia a abolição do vínculo do celibato para os padres”.

Devemos acreditar? Talvez sim, talvez não, mas certamente está de acordo com a coerência com que Francisco está pedindo a cada cristão que viva o próprio livre testemunho do evangelho. Sua revolução e sua reforma da Igreja baseiam-se na conversão espiritual, a única que pode garantir o sucesso da reforma das estruturas e das leis. Só aparentemente a abolição da obrigação do celibato para os padres e a introdução de livre escolha da opção celibatária ou como casados pode ser considerada menos exigente. Na realidade, operar em liberdade é a forma mais exigente possível de assumir para si a responsabilidade e coerência na vida.

Fonte: Instituto Humanitas Unisinos – IHU

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EUA contra a amamentação e a favor de fabricantes de fórmulas para lactentes

“Lo que pasó fue equivalente a un chantaje, con EE. UU. tomando al mundo de rehén y tratando de revertir casi cuarenta años de consenso sobre la mejor manera de proteger la salud de los bebés y los niños pequeños”

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Una madre en Brooklyn que no puede lactar, alimenta a su bebé con leche materna donada. Las ventas de la industria de la fórmula instantánea se redujeron en los países ricos en los últimos años. CreditJames Estrin/The New York Times

Estados Unidos intentó frenar la promoción de la lactancia materna para favorecer a empresas

Se esperaba que los cientos de delegados gubernamentales reunidos esta primavera en Ginebra para la Asamblea Mundial de la Salud, afiliada a las Naciones Unidas, aprobaran de manera rápida y fácil una resolución para promover la lactancia materna.

Con base en décadas de investigaciones, la resolución dicta que la leche materna es la más sana para los niños y que los países deben esforzarse por limitar la publicidad inexacta o confusa sobre los sustitutos de la leche materna.

Pero entonces la delegación de Estados Unidos, siguiendo los intereses de los fabricantes de fórmula para lactantes, dieron un giro a las deliberaciones.

Los funcionarios estadounidenses buscaron debilitar la resolución al eliminar una frase que llamaba a los gobiernos a “proteger, promover y apoyar la lactancia materna”, así como otra parte que instaba a los encargados de las políticas a restringir la promoción de productos alimenticios que según muchos expertos pueden tener efectos nocivos en los niños pequeños.
Cuando eso falló, comenzaron a recurrir a amenazas, de acuerdo con algunos diplomáticos y funcionarios de gobierno que participaron en las discusiones. Ecuador, que tenía planeado introducir la medida, fue el primer país en encontrarse de pronto en la mira.

Los estadounidenses fueron directos: si Ecuador se negaba a olvidarse de la resolución, Washington desataría medidas comerciales punitivas y retiraría la crucial ayuda militar. El gobierno ecuatoriano cedió de inmediato.

La confrontación respecto de este asunto fue relatada por más de una decena de participantes de distintas naciones, muchos de los cuales solicitaron permanecer en anonimato por temor a represalias por parte de Estados Unidos.

Los activistas sanitarios se movilizaron para encontrar otro patrocinador de la resolución, pero al menos doce países, todos ellos naciones pobres de África y Latinoamérica, se deslindaron, al argumentar el temor a represalias, de acuerdo con funcionarios uruguayos, mexicanos y estadounidenses.

“Estábamos asombrados, horrorizados y también tristes”, dijo Patti Rundall, directora de políticas del grupo activista británico Baby Milk Action, quien ha asistido a reuniones de la asamblea, el órgano de la Organización Mundial de la Salud encargado de tomar las decisiones, desde finales de la década de los ochenta.

“Lo que pasó fue equivalente a un chantaje, con EE. UU. tomando al mundo de rehén y tratando de revertir casi cuarenta años de consenso sobre la mejor manera de proteger la salud de los bebés y los niños pequeños”, dijo.

A la postre, los esfuerzos de los estadounidenses no tuvieron éxito. Fueron los rusos quienes dieron el paso de presentar la medida, y los estadounidenses no los amenazaron.

El Departamento de Estado se negó a responder a nuestras preguntas, al indicar que no podía comentar sobre conversaciones diplomáticas privadas. El Departamento de Salud y Servicios Humanos, la agencia principal en el esfuerzo por modificar la resolución, explicó la decisión de oponerse a la redacción de la resolución, pero dijo que no había estado implicado en las amenazas a Ecuador.

“La redacción original de la resolución ponía obstáculos innecesarios a las madres que buscan proporcionar una buena nutrición a sus hijos”, asentó un vocero del Departamento de Salud y Servicios Humanos en un correo electrónico. “Nosotros reconocemos que no todas las mujeres pueden amamantar, por distintos motivos. Estas mujeres deben poder escoger y tener acceso a alternativas para la salud de sus bebés, y no ser estigmatizadas por las maneras en que pueden hacerlo”. El hombre pidió que se conservara su anonimato para hablar con mayor libertad.

Aunque los cabilderos de la industria de alimentos para bebés asistieron a las reuniones en Ginebra, los activistas sanitarios dijeron que no vieron evidencias directas de que desempeñaran algún papel en las tácticas intimidatorias de Washington. Esa industria de 70.000 millones de dólares, dominada por un puñado de empresas estadounidenses y europeas, ha visto una reducción de sus ventas en los países ricos en los últimos años, conforme más mujeres adoptan la lactancia materna. En general, se espera que las ventas globales aumenten un cuatro por ciento en 2018, de acuerdo con Euromonitor, y que la mayor parte de ese crecimiento tenga lugar en países en vías de desarrollo.

La intensidad de la oposición del gobierno de Estados Unidos a la resolución sobre lactancia materna asombró a los funcionarios de salud pública y a los diplomáticos extranjeros, quienes la describieron como marcadamente contrastante con la postura del gobierno de Obama, que apoyaba de manera importante la política que la OMS ha sostenido desde hace tiempo de alentar la lactancia materna.

Durante las deliberaciones, algunos delegados estadounidenses incluso sugirieron que su país podría recortar sus contribuciones a la OMS, según mencionaron varios negociadores. Washington es el más grande contribuyente individual a ese organismo: proporcionó 845 millones de dólares, o aproximadamente el 15 por ciento de su presupuesto, el año pasado.

Ilona Kickbusch, directora del Centro Mundial de Salud del Instituto de Estudios de Posgrado Internacionales y de Desarrollo en Ginebra, dijo que hay un miedo en aumento de que el gobierno de Trump pueda causar un daño duradero a instituciones internacionales de salud como la OMS, que han sido vitales para contener epidemias como la del ébola y la creciente cantidad de muertes debidas a diabetes y enfermedades cardiovasculares en el mundo en desarrollo.

“Está poniendo a todos muy nerviosos, porque si no puedes establecer acuerdos multilaterales sobre la salud, ¿en qué tipo de asuntos multilaterales sí podrías hacerlo?”, preguntó Kickbusch.

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La inauguración de la Asamblea Mundial de la Salud en mayo. Después de que los funcionarios estadounidenses presionaron a Ecuador, Rusia presentó una resolución para apoyar la lactancia materna. Peter Klaunzer/EPA, vía Shutterstock

Un delegado ruso dijo que la decisión de presentar la resolución sobre la lactancia materna era un asunto de principios.

“No estamos tratando de ser héroes, pero sentimos que está mal que un país grande trate de presionar a algunos países muy pequeños, en especial en un asunto que es muy importante para el resto del mundo”, mencionó el delegado, quien pidió no ser identificado pues no tenía autorización para hablar con los medios.

Dijo que Estados Unidos no presionó directamente a Moscú para retractarse de la medida. No obstante, la delegación estadounidense buscó desgastar a los otros participantes mediante maniobras de procedimientos en una serie de reuniones que se extendieron por dos días, un periodo inesperadamente largo.

A la larga, Estados Unidos no tuvo gran éxito. La resolución final conservó la mayor parte de la redacción original, aunque los negociadores estadounidenses sí lograron eliminar las palabras que hacían un llamado a la OMS para proporcionar asistencia técnica a los Estados miembros que busquen detener “la promoción inadecuada de alimentos para bebés y niños pequeños”.

Estados Unidos también insistió en que las palabras “basadas en evidencia” acompañen las referencias a las iniciativas de tiempo atrás que promueven la lactancia materna, algo que los críticos describieron como un ardid que podría usarse para socavar los programas que brindan apoyo y consejos de alimentación a los padres.

Elisabeth Sterken, directora de la Infant Feeding Action Coalition en Canadá, dijo que cuatro décadas de investigaciones han establecido la importancia de la leche materna, pues proporciona nutrientes esenciales, hormonas y anticuerpos que protegen a los recién nacidos de enfermedades infecciosas.

Un estudio publicado en 2016 en The Lancet reveló que la lactancia materna universal podría prevenir 800.000 muertes infantiles al año en todo el mundo y generar un ahorro de 300.000 millones de dólares por reducción de costos de atención a la salud y mejores desenlaces económicos para quienes son alimentados con leche materna.

Los científicos se muestran reacios a llevar a cabo estudios con el método doble ciego en los que se daría a un grupo leche materna y a otro, sustitutos de esta. “Este tipo de investigación ‘basada en evidencias’ sería ética y moralmente inaceptable”, dijo Sterken.

Abbott Laboratories, la empresa con sede en Chicago que es uno de los principales actores en el mercado de 70.000 millones de dólares de los alimentos para bebés, se negó a hacer comentarios.

Fonte: The New York Times
Por: Andrew Jacobs e Wesley Tomaselli
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“Minha esposa sugeriu que cases comigo”

Hace poco más de un año, mi esposa, Amy Krouse Rosenthal, publicó un ensayo de Modern Love titulado: “Te recomiendo casarte con mi esposo”min

Brian Rea

Mi esposa te recomendó que te casaras conmigo

Pues yo soy ese tipo.

Hace poco más de un año, mi esposa, Amy Krouse Rosenthal, publicó un ensayo de Modern Love titulado: “Te recomiendo casarte con mi esposo”. Amy, a sus 51 años, se estaba muriendo por cáncer de ovario y redactó ese ensayo como un perfil para que yo buscara citas. La verdad es que fue una carta de amor para mí.

Fueron las últimas palabras publicadas por Amy. Ella falleció diez días después.

Amy no podría haber anticipado que ese ensayo me daría la oportunidad de que yo también formara parte de esta columna, en el contexto del Día del Padre, y así poder contar lo que ha sucedido desde el año pasado. Claro que no pretendo tener el extraordinario don que Amy tenía con las palabras, pero algo es algo.

Durante toda nuestra vida juntos, Amy fue una escritora prolífica; publicó libros para niños, memorias y artículos. Cuando supo que sus días estaban contados, quiso terminar un último proyecto. En ese entonces teníamos cuidado médico en casa, una manera gentil de lidiar con el fin de una vida y que te permite cuidar a tu ser querido en un ambiente familiar, lejos de los hospitales con máquinas ruidosas y frecuentes interrupciones.

Yo estaba en la mesa del comedor, con vista hacia la sala de estar, donde Amy había construido su oficina. Entre siestas trabajaba ahí, en el sillón.

Esos momentos de paz eran inducidos por la morfina que necesitaba para paliar los síntomas. Un tumor había creado un bloqueo completo del intestino, por lo que no podía comer nada sólido. Se sentaba frente al teclado y empezaba a escribir, luego dormía un rato y al despertar volvía a empezar.

Cuando Amy terminó ese ensayo me lo dio para que lo leyera, como había hecho con todos sus textos. Pero esta vez fue distinto. En su libro de memorias había escrito sobre nuestros hijos y sobre mí, pero nunca de este modo. ¿Cómo es que logró combinar esos sentimientos de profunda tristeza con un humor irónico y una honestidad total?

Para cuando salió publicado el ensayo, Amy estaba demasiado enferma para poder celebrarlo. Conforme crecían las reacciones alrededor del mundo, yo me sentí contrariado de que no pudiera apreciar el impacto tan profundo que tuvieron sus palabras. El alcance de ese artículo, de todas las obras de Amy, era mucho más profundo y enriquecedor de lo que me había dado cuenta.

Me llegaron cartas de todo el mundo. Incluían notas de admiración, consejos médicos, compasión y ofertas de mujeres que querían conocerme. Yo estaba consumido por el pesar de los últimos días de Amy como para dedicarme a responder. Era muy extraño que en ese momento yo fuera el centro de atención, aunque la efusión global me hizo apreciar lo significativo que era su trabajo.

Cuando las personas piden que me describa siempre empiezo con la palabra “papá”, pero pasé buena parte de mi vida adulta siendo “el esposo de Amy”. La gente la conocía a ella y a su obra, mientras que yo era relativamente anónimo. No tenía presencia alguna en redes sociales y con mi profesión, abogado, no precisamente se obtiene mucha atención pública.

Después de que Amy murió me enfrenté a incontables decisiones en mi nuevo papel de padre soltero. Como en cualquier matrimonio o unión entre personas con hijos, teníamos una división de labores. Ya no. Muchos pensaban que Amy era desorganizada porque tenía listas y listas: notas por doquier, pedazos de papel y hasta mensajes que escribía en el dorso de su mano. Pero era una de las personas más organizadas que he conocido.

Existen temas de la vida diaria que ahora enfrento, pero a los que antes no les ponía mucha atención. ¿Cómo es que Amy lograba hacerlo todo tan habilidosamente? Puedo hacer muchas cosas yo solo, pero si dos personas se apoyan pueden lograr mucho más en los retos de la vida diaria.

Muchas mujeres se tomaron al pie de la letra la recomendación de Amy y me enviaron todo tipo de mensajes: muy frontales, chistosos, sabios, conmovedores, sinceros. En una carta escrita a mano de seis páginas una mujer enalteció su conocimiento sobre automóviles en un aparente intento de conquistarme: “Sé cómo revisar el radiador del coche en caso de que necesite un poco de agua antes de que explote el motor”.

Aunque no sé mucho sobre programas de telerrealidad, me llegó una carta adorable de una niña: “Me gustaría meter una solicitud para mi mamá, como los amigos y familiares pueden hacer para quienes participan en The Bachelor“.

Y admiro el sentimiento y el estilo de la mujer que escribió: “Tengo una imagen visual de mujeres esperanzadas haciendo fila afuera del Green Mill Jazz Club los jueves. Madres solteras, divorciadas elegantes, tías solteronas, amas de casa aburridas, hijas, señoras de edad avanzada… todas ansiosas por ver si la zapatilla les quedará a ellas y ellas solas, si el príncipe del cuento es el indicado. Que ellas son las indicadas para él”.

En ese momento no tenía cómo lidiar con estos mensajes, pero desde entonces he encontrado consuelo y hasta risas en muchos de ellos. Lo que sí he logrado entender es la magnitud del regalo que me dio Amy al enfatizar que yo aún tenía una larga vida por delante que podía estar llena de júbilo, felicidad y amor. Su decreto de que llenara mi vacío con una nueva historia me ha dado el permiso de realmente aprovechar el tiempo que me queda en este planeta.

Si puedo transmitir un mensaje sobre lo que aprendí gracias a su regalo, sería este: habla con tu pareja, tus hijos y otros seres queridos sobre qué quieres para ellos cuando fallezcas. Si haces eso les das la libertad de vivir una vida plena a la que, con el tiempo, le conseguirán sentido. Habrá mucho dolor y a diario pensarán en ti. Pero seguirán y construirán un nuevo futuro a sabiendas de que les diste el permiso e incluso el ánimo de hacerlo.

Quisiera tener más tiempo con Amy. Quiero tener más tiempo para ir de pícnic y escuchar música en el parque Millennium. Quiero tener más cenas del sabbat con los cinco Rosies, como nos apodamos entre nosotros, los Rosenthal.

Incluso me encantaría esperar en lo que Amy se tarda todo el tiempo que quiera para despedirse de todos en las reuniones familiares, como siempre hacía, incluso cuando ya habíamos estado ahí durante horas, teníamos ante nosotros un largo camino a casa y muy probablemente nos veríamos de nuevo en unos días.

Quisiera haber tenido más de todo eso, tal y como Amy también lo deseó, pero nada de eso pasó. En cambio, como ella describió, seguimos el plan de ser, que consiste en estar presentes en nuestras vidas porque se nos acaba el tiempo juntos. Así que hicimos lo posible para vivir el momento hasta que todo se terminó.

La peor ironía de mi vida es que cuando perdí a mi mejor amiga, a mi esposa durante veintiséis años y a la madre de mis tres hijos, fue que pude realmente apreciar todos y cada uno de mis días. Sé que suena a un cliché, y lo es, pero también es verdad.

Amy aún me abre puertas, influye en mis decisiones y me enfrenta con el mundo para que lo sepa aprovechar. Hace poco di una conferencia TED sobre el fin de una vida y mi proceso de duelo que espero que ayude a otras personas. Nunca me imaginé que iba a hacer algo así, pero agradezco la oportunidad de conectarme con personas en una situación similar. Y claro que esto solo lo escribo gracias a ella.

Ahora estoy consciente, de una manera que quisiera no haber tenido que aprender, de que la pérdida es la pérdida, ya sea un divorcio, perder un trabajo o a una mascota o enfrentar la muerte de algún familiar.

En ese aspecto no soy distinto a los demás. Pero mi esposa me dio un regalo cuando, al final de su columna, dejó un espacio en blanco, uno que ahora quisiera ofrecerte a ti. Un espacio que tú puedes llenar. La libertad y el permiso para que escribas tu propia historia.

Aquí va. ¿Qué vas a hacer con este nuevo comienzo?

 

 

 

Atentamente,

Jason

Fonte: The New York Times
Por: Jason B. Rosenthal
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“Enamorarse activa no solo el cerebro emocional, sino las regiones involucradas con actividades intelectuales y de cognición de alto nivel. “Eso significa que es posible que el amor tenga una función real: no solo poderse conectar emocionalmente con las personas, sino mejorar nuestro comportamiento”

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Stephanie Cacioppo y su esposo, John Cacioppo, son neurocientíficos de la Universidad de Chicago. Whitten Sabbatini para The New York Times

 Científicamente comprobado: eres una mejor persona cuando estás enamorado

“Durante años, la ciencia ha relegado al amor a un instinto básico, casi como una adicción que no tiene cualidades que la compensen”.

Así lo dice Stephanie Cacioppo. No es una evangelista del movimiento New Age predicando enfrente de parejas durante un retiro espiritual, sino una neurocientífica de la Universidad de Chicago que ha dedicado buena parte de su carrera a mapear las interacciones que provoca el amor en el cerebro. Sus investigaciones y algunas otras teorías que ha desarrollado la han confrontado con otros científicos que describen el amor romántico como una emoción o impulso primitivo, incluso una droga.

Con el uso de escaneos cerebrales, la Dra. Cacioppo ha recopilado datos que sugieren que enamorarse activa no solo el cerebro emocional, sino las regiones involucradas con actividades intelectuales y de cognición de alto nivel. “Eso significa que es posible que el amor tenga una función real: no solo poderse conectar emocionalmente con las personas, sino mejorar nuestro comportamiento”, dijo.
La Dra. Cacioppo afirma que hay beneficios mentales y físicos de todo tipo que provienen de estar enamorado. Dice que puede ayudarnos a pensar más rápido, a anticipar mejor los pensamientos y comportamiento de los otros o a recuperarnos con mayor rapidez de una enfermedad. “Las pruebas empíricas que he hecho en mi laboratorio sugieren que, de muchas maneras, cuando estás enamorado eres una mejor persona”, dijo.

Hablar por solo un rato con la Dra. Cacioppo es suficiente para comprender lo optimista que es respecto al romance tradicional, sobre todo en un mundo en el que el divorcio es común, las tasas de casamiento han bajado y cada vez hay más formas de relacionarse, como el poliamor. Aunque reconoce que es saludable que haya muchas maneras de estar en relaciones, cree que todos estamos en busca de ese “amor verdadero” que nos va a completar, que los humanos estamos predispuestos a la monogamia y que hay evidencia biológica indirecta de cosas sacadas de los cuentos de hadas como el amor a primera vista.

El primer caso que estudió fue el de sus propios padres. Creció a las afueras de Chambéry en los Alpes franceses y recuerda que sus padres se quedaban viendo con ensueño a los ojos y que siempre estaban agarrados de las manos. Cuando era niña pensaba que el vínculo entre sus padres era casi mágico, como si hubieran desarrollado una conexión telepática.

Y después estudió la biología detrás de ese comportamiento, que también es bastante mágica: hay maneras, dijo, en las que el sistema de neuronas espejo nos ayuda a predecir lo que va a hacer una pareja antes de que lo haga, mientras que verse a los ojos o darse las manos aumenta los niveles de oxitocina, un neuropéptido que incrementa los sentimientos de empatía y confianza hacia alguien.

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En un experimento de la Dra. Cacioppo y de su equipo, los participantes usan capuchas con sensores para electroencefalogramas mientras ven diferentes imágenes y se estudian sus movimientos oculares con un sistema infrarrojo. Stephanie Cacioppo

Su primer gran hallazgo en temas del amor surgió a principios de su carrera, cuando era una investigadora de posdoctorado en Dartmouth College. En varios experimentos le mostró a los participantes imágenes y nombres de personas –de desconocidos, de amigos neutros y de sus parejas– y usó técnicas de resonancia magnética para ver qué secciones del cerebro se activaban al verlas.

Utilizó los datos para diferenciar el amor pasional y romántico –de otras emocionas más básicas (como la felicidad) y de otros tipos de amor (el maternal, por ejemplo)–, pero también para identificar doce diferentes regiones cerebrales que eran activadas por este tipo de amor.

“Lo que se me hizo fascinante es que podías ver que el amor tiene su propio patrón cerebral, como un plano”, dijo la doctora. (Según algunos investigadores, otras emociones como el enojo y el desagrado también muestran oscilaciones eléctricas cerebrales propias).

Después utilizó electrodos para medir qué tan rápido se activaba esta “red neuronal del amor” cuando los participantes veían a alguien de quien estaban enamorados. El resultado la sorprendió: “Tardó menos de medio segundo, lo que es preconsciente. Entonces tu cerebro ya sabe que amas a esa persona antes de que tú mismo lo sepas”.

Claro que el ambiente estéril de un laboratorio de neurociencias es muy distinto al del mundo real. Pero estos experimentos permitieron que la Dra. Cacioppo y sus colegas pudieran identificar un área específica del cerebro –el giro o circunvolución angular– que parece ser más sensible al amor. Mientras más apasionadamente enamorada decía estar una persona, más se prendía esta zona.

Ubicado detrás de la oreja, el giro angular solo se encuentra en simios y humanos, lo que significa que se desarrolló durante una etapa tardía de la evolución, y ha sido vinculada a la creatividad y el pensamiento abstracto.

A la Dra. Cacioppo le gusta llamar a esta zona “el pequeño robot en tu cabeza”: aquel que nos ayuda a procesar los idiomas y números y que gestiona datos autobiográficos complejos y profundos, como la percepción de uno mismo y la “teoría de la mente”, la capacidad para reconocer y atribuir ciertos estados mentales (como los deseos y pensamientos) a uno mismo o a otros.

Así que enamorarse, según la Dra. Cacioppo, es como ejercitar intensamente el giro angular. “La manera en la que lo fortaleces es al formar nuevas asociaciones… aprender, viajar, explorar nuevos conceptos y culturas y, sí, enamorándote”, dijo. “Y dado que el giro angular está conectado a tantas partes integrales del cerebro, el hacer conexiones ahí te ayuda a ser más sagaz para otras situaciones que no necesariamente tienen que ver con tu pareja sentimental”.

Espera que su investigación invite a la gente a tener un punto de vista más abarcador sobre el valor del amor romántico.

“La gente tiene esta idea equivocada de que, cuando estás en las primeras etapas del amor, estás distraído y no te concentras en el trabajo, pero al contrario”, dijo. “Con base en esta ciencia, quizá queramos contratar a personas que están apasionadamente enamoradas porque probablemente estarán más motivadas y serán más creativas en el aspecto laboral”.

Amor o lujuria

La neurociencia involucra algo de trabajo de detective; hay que seguir corazonadas, revisar mucha evidencia y eliminar pistas falsas. Para dilucidar bien cómo influye el amor en el cerebro, la Dra. Cacioppo necesitaba hacer más que identificar las regiones cerebrales que se activan con estar enamorado: tenía que separar el amor de su compañera cercana, la lujuria.

Una zona del cerebro que tiene algo de pistas sobre la relación entre el romance y el deseo se llama la ínsula, dentro de la corteza cerebral. Se divide en dos partes: una ínsula posterior más pequeña (que registra el dolor, el calor y el contacto sensual) y una ínsula anterior algo más grande que puede ayudarnos a entender esos sentimientos y que, se cree, está involucrada en el pensamiento abstracto.

En sus estudios con resonancia magnética funcional (fMRI, por su sigla en inglés), la Dra. Cacioppo halló que la ínsula posterior se estimulaba más por sentimientos de deseo sexual y la ínsula anterior, por los de amor. Esta investigación apuntaba a que la ínsula está relacionada, de alguna manera, con nuestra capacidad de formar y mantener relaciones amorosas.

En vez de ver el deseo sexual como un opuesto total al amor, la investigación de la Dra. Cacioppo la ha llevado a pensar en ambos como parte de un espectro. Las sensaciones más viscerales relacionadas a la lujuria a veces pueden llevar a sentimientos más abstractos de amor. “Un deseo sexual fuerte, cuando es correspondido y coactivado con el amor, puede promover la fidelidad, un amor duradero y la monogamia”, dijo.

Pero, aunque el amor y la lujuria se complementan, la doctora advierte que no son requisitos previos el uno para el otro y que son sentimientos complejos que pueden cambiar con el paso del tiempo: el amor puede profundizarse y el deseo sexual desvanecerse.

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The Cacioppos share the same office and even the same desk. “I wouldn’t necessarily try this at home,” John joked. Whitten Sabbatini for The New York Times

Resultados a partir de la ciencia

Cacioppo, de 43 años, ha dedicado buena parte de su vida académica al amor, pero por mucho tiempo no tuvo un contacto personal con el fenómeno. Salía con personas de vez en cuando y nunca tuvo un novio en serio.

“Parecía que estaba casada con mi trabajo”, dijo.

Hasta hace seis años cuando, durante una conferencia en Shangái, terminó sentada junto al neurocientífico de la Universidad de Chicago John Cacioppo.

Él dedicaba su investigación a lo opuesto que ella: la soledad. En un principio, no tenían en mente estar juntos; incluso cada uno llegó a decir que nunca tendría planes de casarse. Aunque la investigación de ambos demuestra la importancia de establecer conexiones humanas y del posible daño al no hacerlo. Algunos de los datos de los estudios de John Cacioppo mostraban que quienes sufren de soledad son más propensos a morir de manera prematura.

Aun así, ambos pensaban que estaban felices con sus vidas académicas solitarias y ninguno se sentía solo. “Uno de los secretos para una buena relación es que te atraiga alguien por elección y no por necesidad”, dijo John, de 66 años. “No estábamos corriendo de algo, sino moviéndonos a algo que sería único”.

Las primeras citas fueron durante las conferencias científicas, pues él estaba en Chicago y ella en la Universidad de Ginebra, en Suiza. Pero cada vez se volvía más difícil separarse. Se casaron en 2011 en París y Cacioppo dejó atrás su apellido de soltera, Ortigue, y se sumó al equipo de la Facultad de Medicina Pritzker de la Universidad de Chicago, donde ahora dirige el Laboratorio de Dinámica Cerebral.

Ahí comparten oficina –la señalización de la puerta dice “Los Cacioppos”– y hasta escritorio.

“No recomiendo intentar esto en casa”, bromeó John, al decir que la sinergia que tiene con su esposa no necesariamente es la idónea para otras parejas ni la típica para todos los romances pasionales.

Retos no anticipados

Una enfermedad grave es la pesadilla de cualquier pareja y algo que enfrentaron los Cacioppo en 2015, cuando a John lo diagnosticaron con una forma agresiva y poco común de cáncer de las glándulas salivales. Se sometió a una cirugía, seguida de siete rondas de un tratamiento de quimioterapia y radiación, de catorce días de duración cada una. No podía comer por sí solo y tuvo que recibir alimentos por un tubo durante meses.

Mientras más se debilitaba, más se respaldaban él y la Stephanie. Compartían la cama del hospital, caminaban de la mano hacia la sala de tratamiento cada día y, según el oncólogo Everett Vokes, coordinaban sus atuendos.

“Tenemos muchos pacientes en los que una de las personas está involucrada y es servicial, hasta demasiado, mientras espera que la otra mejore”, dijo el Dr. Vokes. “Pero John y Stephanie eran otra cosa. Era casi como si le estuviéramos dando tratamiento a dos personas”.

El Dr. Vokes y sus colegas lograron que el cáncer estuviera en remisión total, con lo que John pudo regresar a dar clases e investigar a tiempo completo.

Para su esposa, fue un recordatorio de la capacidad del amor no solo de expandir nuestras mentes, como muestra su investigación, sino de, en algunos casos, ayudar a sanar nuestros cuerpos. Incluso citó estudios de que las personas casadas, en comparación con individuos solteros, tienen menos problemas físicos y sufren menos enfermedades de largo plazo, además de que la tasa de mortandad es menor y la tasa de supervivencia en caso de enfermedad es mayor.

Aunque la Dra. Cacioppo enfatizó que no se trata del tipo de relación, sino de la calidad de esta, lo que puede traer estos resultados. “El estado civil –si estás ‘casado’ o no– no es ni necesario ni suficiente para que haya estos beneficios de salud”, dijo.

“Se trata más bien de qué tan conectado o desconectado se siente uno de su pareja”.

Fonte: New York Times
Por: Stephen Heyman
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