Avanços no catolicismo, os evangélicos e a política

O presidente Bolsonaro, que considera a Igreja Católica um perigo, e em aliança política com líderes das Igrejas Evangélicas, ordenou à espionagem interna vigiar as atividades do sínodo da Amazônia convocado pelo Papa.

O diácono permanente Afonso Brito, e sua esposa, Socorro Oliveira, em Manaus TONI PIRES

O fim do celibato, a revolução católica que se inicia na Amazônia

Papa convoca bispos da região e especialistas para discutir neste mês de outubro em Roma a ordenação de padres casados e como proteger o ecossistema e seus habitantes

Nenhum deles tem aspecto de revolucionário, mas vocação. São casais felizes cujos filhos os tornaram avós. Maria Ana Albuquerque, professora indígena piratapuia aposentada, que durante anos viajou de barco para aldeias isoladas da Amazônia brasileira para dar catequese e levar a comunhão aos paroquianos que só veem o padre uma vez por ano ou, na melhor das hipóteses, a cada vários meses. Fiéis devotos como Denis Goma da Silva, 41 anos, indígena tucano, pai de família, que ganha a vida como segurança e, há uma década, assume uma infinidade de tarefas eclesiásticas e, inclusive, quando não há padre, celebra a missa o mais próximo possível que as normas permitem. Ou Socorro Oliveira, de 54 anos, casada com um diácono permanente, o mais semelhante a um padre católico. A principal diferença é que ele não pode dar a eucaristia, a extrema unção nem a confissão. Todos gozam da confiança de seus bispos e de suas comunidades, mas querem que o Vaticano vá mais longe.

Os católicos da Amazônia conseguiram que o Vaticano debata oficialmente uma proposta de ordenar homens casados como sacerdotes e mulheres como diáconas. Eles aceitaram o desafio do Papa quando este convocou bispos para um sínodo e pediu propostas “corajosas e inovadoras” para proteger a natureza e os habitantes deste imenso território, de paróquia dispersa, carente de padres e de vocações, e terreno fértil para os evangélicos. A reunião acontece neste mês de outubro no sínodo da Amazônia, que será realizado a 9.000 quilômetros daqui, em Roma.

Se Francisco abençoar a proposta, seria um passo com potencial revolucionário porque significaria o fim do monopólio do celibato adotado há um milênio na Igreja Católica Apostólica Romana. O sínodo, no qual o Pontífice e os bispos da Amazônia também discutirão como proteger as populações nativas e esse riquíssimo conjunto de ecossistemas, deixa os católicos brasileiros tão ocupados quanto esperançosos. As assembleias preparatórias acontecem há meses. Uma das últimas foi em Manaus, uma das cidades mais perigosas do Brasil, que, no entanto, possui um espetacular teatro de ópera, herança do esplendor da borracha. Cidade incrustada em uma paisagem de densa vegetação e rios sinuosos, as estradas asfaltadas são uma raridade e o trem é inexistente. Viaja-se de barco.

Antes de partir para Roma, o bispo de São Gabriel da Cachoeira, Edson Damian, de 71 anos, detalha durante a reunião de Manaus quem essa proposta tem em mente. “São esses líderes que estão à frente de comunidades isoladas, que há muito tempo celebram a palavra, que transmitem a catequese… Queremos que com a formação devida possam ser ordenados padres e que a eucaristia esteja presente em vez de negá-la como agora.” O documento de trabalho do sínodo, resultado de um longo processo de assembleias no qual participaram 87.000 pessoas dos nove países em que se estende a região, precisa que esses novos padres devem ser “preferencialmente indígenas”, “mesmo que tenham família constituída”. Trata-se de que os sacerdotes vivam com seus paroquianos nas aldeias mais isoladas, aonde agora vão em visitas esporádicas e rápidas.

O celibato não é sacrossanto em todos os ritos católicos. E nem sempre foi obrigatório na Igreja de Roma. “Seria resgatar o que funcionou durante 1.100 anos”, diz por telefone de Cruzeiro do Sul, outra diocese da Amazônia, seu bispo, Flavio Giovenale. Além disso, enfatiza o religioso nascido na Itália, apenas dois ou três dos 23 ramos do catolicismo não têm padres casados. Para os maronitas do Líbano ou os coptas do Egito, o casamento não os afasta do sacerdócio. Ressalta que também houve diáconas. Foi séculos antes da descoberta da América, aonde os missionários católicos chegaram com os conquistadores em 1500. A primeira coisa que os portugueses fizeram quando pisaram no que seria o Brasil foi celebrar uma missa.

O bispo Damian deixa claro que, se a proposta for adiante, os padres casados seriam apenas para a Amazônia. Entre a hierarquia e fiéis da Igreja do Brasil —a maior do mundo, embora em declínio, são 62% da população— ninguém menciona que seus colegas alemães —a Igreja mais rica do mundo— decidiram discutir o celibato, a ordenação de mulheres e a homossexualidade apesar da oposição do Vaticano.

A atual conjuntura —com a emergência climática no centro da agenda pública e a eleição de um presidente de extrema-direita no Brasil— deu uma inesperada relevância política ao sínodo convocado em 2017 por este Papa ecologista para analisar como preservar a floresta tropical, seus habitantes e o catolicismo em um território onde as muito dinâmicas igrejas evangélicas e os interesses econômicos predatórios —um adjetivo repetido pela Igreja— avançam velozmente.

O presidente Jair Bolsonaro, que considera a Igreja Católica um perigo para a soberania nacional, ordenou à espionagem interna vigiar suas atividades na Amazônia. “A Igreja não é maçonaria, não temos nada a esconder, que venham ver. Gostaríamos que todas as instituições participassem da defesa dos povos mais frágeis e da Amazônia”, afirma Damian. Muitos brasileiros indígenas como Silva acreditam que o Papa intercederá por eles. “Precisamos que nos defenda porque estão retirando nossos direitos e nossas terras. E as ONGs se preocupam com a natureza, não com as pessoas que vivem nela.”

O marido de Oliveira, Afonso Brito, 54 anos, foi um dos primeiros homens casados ordenados diáconos permanentes na Amazônia. Hoje eles são 418. Ela o acompanha desde o início. “É nossa tentativa de povoar espaços onde não existe um padre oficial”, diz ele. Ambos fazem trabalho pastoral, mas, como explica Oliveira, o Vaticano não os trata da mesma maneira: “Nos formamos juntos, mas não me impuseram as mãos. Embora o bispo diga que eu automaticamente também sou”, acrescenta rindo. Se Francisco aceitar ordenar diáconas, pouco mudaria na rotina dessas mulheres. Trata-se de oficializar o que já fazem.

Como as vocações são insuficientes nesta terra com muitos bispos vindos da Europa décadas atrás, acrescentar pais de família e mulheres é visto como uma solução. “Seria uma mudança muito necessária porque temos realidades muito negligenciadas”, explica a socióloga Marcia Oliveira desde Boa Vista, também na Amazônia brasileira. “A Igreja perdeu em 30 anos metade do que foi conquistado em 500 anos de evangelização”, diz esta professora que participará do sínodo como especialista. “Ou muda seus métodos e legitima as pessoas que acompanham os fiéis ou continuará perdendo muito espaço”, adverte.

Um bispo indígena

O bispo Damian sonha que seu sucessor à frente da diocese de São Gabriel da Cachoeira, na fronteira com a Colômbia, seja indígena. É o que deveria acontecer, diz, porque é uma das que têm maior proporção de fiéis nativos. Seis deles, cada um de uma etnia, participaram com ele da reunião com outros religiosos, leigos e bispos em Manaus. Percorrer os 800 quilômetros que separam as duas cidades leva de dois a quatro dias de barco. Depende se você pegar o rápido ou o barato. Os privilegiados podem chegar de avião. Graças a essa distância, é uma das que melhor resistiu ao ataque das ágeis igrejas evangélicas.

Embora o presidente Bolsonaro tenha sido batizado na fé católica como bom descendente de italianos e permaneça fiel ao Vaticano, forjou uma estreita aliança política com os principais líderes das igrejas evangélicas. Sua hostilidade à hierarquia católica é evidente desde a campanha eleitoral. Ele os considera esquerdistas. O ultradireitista admitiu recentemente que a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) vigiou os preparativos do sínodo, porque o Governo é extremamente sensível à questão da soberania da Amazônia e considera que o encontro com o Papa “tem muita influência política”. Os bispos estão cientes dessa desconfiança, que atribuem aos enormes interesses econômicos e políticos que a questão implica, e por isso realizaram vários encontros com representantes das Forças Armadas. A agência de inteligência chamou os representantes da Caritas para que explicassem em primeira mão seu trabalho. Algo que nunca tinham sido feito.

Embora a hierarquia católica não mencione os evangélicos, a Igreja está perfeitamente consciente da eficácia com que essas novas igrejas de inspiração norte-americana entram nas comunidades indígenas. Num piscar de olhos formam e enviam um pastor, uma pastora ou um casal de pastores que fica para viver entre os fiéis. E lá estão eles com a paróquia nas alegrias e nas tristezas. Coisa que não acontece com os católicos, que podem contar com seus sacerdotes para celebrar casamentos e batizados, mas não nos piores momentos, quando ficam doentes ou enfrentam a morte.

A Assembleia de Deus, a mais poderosa das igrejas evangélicas do Brasil, nasceu na Amazônia em 1911. Mas existem cultos focados exclusivamente nos indígenas, como a Missão Novas Tribos do Brasil, que criou mais de cem igrejas lideradas por membros pertencentes a 44 das mais de 300 etnias do Brasil, segundo seu site.

Gerardo Trinidade, 31 anos, é uma raridade entre os padres brasileiros porque é indígena. Ele é baniwa. Ordenado há um ano, se ocupa de 17 comunidades rodeadas por aldeias onde os evangélicos são maioria. “Só as visito quatro vezes por ano e são visitas muito apressadas”, explica ele em Manaus. Basicamente, ele chega, faz uma reunião, joga uma partida de futebol com os aldeões, mostra um filme, faz uma palestra, celebra a missa, administra a comunhão… Quando anoitece, pega a lancha para a próxima comunidade.

A última palavra é do argentino Jorge Bergoglio, o primeiro latino-americano e jesuíta do papado. Há muito em jogo dentro e fora da Amazônia. No fim da última missa que reuniu os participantes do encontro pré-sinodal, os fiéis de São Gabriel fizeram um ritual indígena para proteger seus bispos durante a missão no Vaticano.

Fonte:  EL PAÍS Brasil
Por: Naiara Galarraga Gortázar
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Permitir aos padres apaixonados que se casem. Francisco pondera uma grande virada

“…o papa Francisco teria dito que entre as mudanças que mais lhe interessavam introduzir havia a abolição do vínculo do celibato para os padres”

Não se trata de vê-lo como remédio contra a pedofilia, mas como uma escolha para garantir sacerdotes apaixonados por sua vocação em tempo integral com outros casados em apoio do ministério e da própria família. Um livro deixa entender que, talvez, tenha chegado à hora certa para uma decisão do papa esperada por todos. O problema será abordado em 2019 no Sínodo sobre a Amazônia

A reportagem é de Carlo Di Cicco, vaticanista, publicada por Tiscali, 22-10-2018.

Poderia ser Francisco o papa que irá desatar o intrigado nó do celibato obrigatório para os padres na Igreja Católica do rito latino. Essa é, de fato, uma grande questão que vem atravessando toda a história da Igreja, especialmente a partir do século IV e a atitude escolhida em relação ao celibato dos padres amadureceu ou entrou em crise, segundo que a Igreja vivesse com mais força o valor da espiritualidade ou se adequasse ao modo de vida mundano.

A questão do celibato obrigatório para os sacerdotes na Igreja adquiriu novo vigor neste momento em que a opinião pública mundial está chocada pela revelação dos muitos casos de pedofilia do clero que, embora em percentual mínima em relação ao conjunto dos sacerdotes, está causando dor e desorientação entre os fiéis laicos. Pedofilia e celibato não têm nada em comum e um não é causa da outra, mas como ambos tocam a sexualidade e seu exercício, no sentido comum das pessoas são confusamente associados, multiplicando o escândalo.

O celibato para os padres decidido pela Igreja

Na verdade, desde a Segunda Guerra Mundial, a questão do celibato obrigatório como condição para se tornar padres na Igreja Católica Latina, a mais difundida no mundo e especialmente no Ocidente, começou a ser criticada, discutida, revista em círculos cada vez mais amplos. E um número crescente de vozes a partir de baixo e da própria hierarquia se pronunciaram em favor de uma revisão da lei que prevê a possibilidade de ser padre tanto a solteiros como a casados. Depois do Concílio Vaticano II (1962-1965), as vozes favoráveis a uma mudança aumentaram continuamente. Tanto a sugerir que poderia ser o próprio Francisco o papa que, com prudência e visão do conjunto, poderia iniciar uma experimentação prática nessa direção. Imagina-se que a ocasião para uma abertura como essa poderia surgir no outono de 2019, no Sínodo sobre a Amazônia, uma região imensa onde a escassez de padres e as dimensões gigantescas e complicadas em que estão dispersas as comunidades cristãs, torna difícil, quase impossível as suas celebrações religiosas, às quais eles também têm direito incontestável.

O problema dos padres destituídos

Uma das fontes à disposição de Francisco para tomar com toda a seriedade uma decisão desse tipo revelou-se um belo livro sobre a questão do celibato na igreja publicado recentemente. Foi escrito pelo jornalista Enzo Romeo, um especialista em Vaticano que estuda, se atualiza e verifica a confiabilidade de suas fontes. O resultado foi um livro interessante e confiável introduzido por uma minuciosa panorâmica do problema da destituição dos padres, assinada por Gianni Gennari, teólogo conhecido e padre romano, que teve que deixar o ministério depois de se apaixonar por uma mulher com quem se casou quando chegou a dispensa do celibato.

O livro de Romeo, confiável e excelente síntese sobre toda a questão do celibato, é resumida no título: “Lui, Dio e Lei” (Ele, Deus e Ela, 254 páginas), publicado pela Rubettino. Uma mina de informações, notícias, depoimentos, detalhes, citações estendidas em forma de narrativa que contam a evolução histórica de uma questão cada vez mais importante para compreender o cerne do problema do evangelho. Não que o celibato seja o coração do Evangelho, que continua sendo, é claro, o amor de Deus pelos homens, manifestado em Jesus e a missão de anunciar a misericórdia de Deus, que quer que todos os homens sejam salvos e conhecedores da verdade.

Amor, sexo e sacerdócio

Mas o celibato é uma perspectiva importante em pensar a fé e, portanto, a compreensão que foi se acumulando nos séculos de celibato levou a considerá-lo uma questão de amor. Enquanto nos séculos passados tratava-se de esclarecer a relação entre os eclesiásticos com as mulheres, após o Concílio Vaticano II tornou-se insistente, até mesmo no magistério da Igreja, enfrentar o problema do celibato como um problema de amor, ao invés de sexualidade. De fato, o amor representa a capacidade e a disponibilidade da pessoa de doar-se totalmente, enquanto a sexualidade pode ser vivida mesmo em uma condição de grande egoísmo que reduz as outras pessoas a instrumentos do próprio prazer. A obra de Romeo é valiosa pela simplicidade e clareza e coloca em foco essa grande verdade, levando, sem intenções apologéticas tendenciosas, a concluir que resolver a questão do celibato obrigatório não é uma concessão para a mundanidade, mas a demanda por uma responsabilidade e coerência mais radical com as escolhas da vocação de cada um. As citações do livro sobre o ensinamento dos papas do pós-concílio não por acaso colocam em paralelo a vida matrimonial e a vida missionária dos sacerdotes: nem uma nem a outra têm uma solução humana e não trazem felicidade para a pessoa se não forem vividas por amor. Para ambas as escolhas é preciso estar preparados, não é possível improvisar.

Por que impor uma regra nunca escrita na Bíblia

O sacerdócio, em particular, não tem o celibato como um elemento constitutivo, no sentido de que o ministério também pode ser exercido por padres casados. Não há uma ordem divina para ser padres celibatários, mas existe uma disposição vinculante da Igreja, plenamente legítima e racional pela qual aos padres se pede a fidelidade ao celibato, que garante alta qualidade no desempenho da missão. Por esse motivo, o celibato será frutífero e um real distintivo somente se livremente escolhido e não imposto como lei obrigatória para aqueles que queiram responder à sua vocação ao sacerdócio. Qualquer um que queira atualmente se tornar padre sabe que terá que respeitar o celibato. Mas se uma vez padre as circunstâncias da vida o levassem a quebrar esse compromisso, todos os padres sabem que a penalidade é a renúncia obrigatória ao ministério. Portanto, se pensa sobre a possibilidade de tornar a escolha do celibato opcional, prevendo padres celibatários e padres casados com um regulamento prático ainda totalmente a ser elaborado.

O que o papa pensava antes de se tornar sacerdote

E o que Francisco tem a ver com tudo isso? O livro de Romeo esclarece bastante o que Francisco pensava antes de se tornar padre, antes de se tornar bispo, antes de se tornar papa e, consequentemente, o que pensa agora que é papa. “No verão de 2015, o pastor pentecostal argentino Norberto Saracco, amigo de velha data de Bergoglio – como pode ser lido, entre outros exemplos, na página 63 – relata ao “National Geographic” uma longa conversa confidencial que teve com Francisco em Santa Marta dois meses após a sua eleição. Naquela ocasião, o papa teria dito que entre as mudanças que mais lhe interessavam introduzir havia a abolição do vínculo do celibato para os padres”.

Devemos acreditar? Talvez sim, talvez não, mas certamente está de acordo com a coerência com que Francisco está pedindo a cada cristão que viva o próprio livre testemunho do evangelho. Sua revolução e sua reforma da Igreja baseiam-se na conversão espiritual, a única que pode garantir o sucesso da reforma das estruturas e das leis. Só aparentemente a abolição da obrigação do celibato para os padres e a introdução de livre escolha da opção celibatária ou como casados pode ser considerada menos exigente. Na realidade, operar em liberdade é a forma mais exigente possível de assumir para si a responsabilidade e coerência na vida.

Fonte: Instituto Humanitas Unisinos – IHU

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O celibato na Igreja Católica e os abusos sexuais

As crises na vida sacerdotal não surgem por razões de fé, mas por razões afetivas…. pode levar um padre a abusar, porque não consegue conciliar a vida celibatária com as necessidades que brotam.

O padre jesuíta alemão Hans Zollner

“Uma vida celibatária não sadia pode levar aos abusos”. Entrevista com Hans Zollner

Acrise dos abusos sexuaiscriou uma verdadeira tempestade noVaticano. Se há alguém especialista neste campo é o padre jesuíta alemãoHans Zollner, psicólogo e teólogo, professor naUniversidade Gregorianae membro daPontifícia Comissão para a Proteção dos Menores, instituída peloPapa Franciscoem 2014. Agora, liderou o projeto que resultou na criação do primeiro mestrado para prevenir este flagelo.

A entrevista é deAnna Buj, publicada porLa Vanguardia, 15-10-2018. A tradução é deAndré Langer.

Eis a entrevista.

Que erros a Igreja cometeu com os abusos sexuais?

Os erros e crimes que se encontram há setenta anos em todo o mundo são os mesmos: não acreditar nas vítimas, não ouvi-las,proteger os abusadorespor uma dificuldade de acreditar que um sacerdote possa ter cometido esses crimes e transferi-los de paróquia com suas promessas de não repeti-los.

NaEuropa, algumas famílias das vítimas pediam ao bispo para que não o tornasse público, porque as envergonhava. A culpa era considerada da vítima e não do sacerdote. O papel do poder era mais importante, e aIgrejapreferia proteger sua fama do que seguir os ditames do direito canônico. Houve pouca seriedade na seleção dos sacerdotes.

Você disse que os seminários precisam deixar de ser centros fechados à sociedade.

As diretrizes daIgrejachamam os responsáveis para dar uma formação humana, emocional e sexual. Em muitos seminários, esta não é a realidade. Durante muito tempo pensava-se que o simples fato de estar no seminário e rezar resolvia o problema. Não é assim. Os bispos sabem disso muito bem. As crises navida sacerdotalnão surgem por razões de fé, mas por razões afetivas.

O que você recomenda?

Escolher pessoas que sejam capazes. Para um professor de teologia, os responsáveis investem entre cinco e sete anos; para um formador, nem cinco semanas. Há uma grande desproporção entre a importância da formação intelectual e afetiva.

No final dos anos de seminário não há acompanhamento. Há algum choque?

Exatamente. Muitos sacerdotes deixam o sacerdócio nos primeiros cinco anos. O trabalho de um padre hoje não é o mesmo de cinquenta anos atrás, mas o modelo de formação continua o mesmo. Os sacerdotes que querem ser pastores de almas muitas vezes são administradores de bens ou de instituições e não estão preparados. Eles estudamteologiae acabam sendo gestores de escolas. Aordenação sacerdotalnão dá essas capacidades.

Acabar com o celibato resolveria o problema dos abusos sexuais?

Todos os relatórios oficiais científicos e encomendados por governos como dosEstados Unidos,AustráliaouAlemanha, críticos com aIgreja, negam que ocelibatopor si só leve aosabusos. O que eles dizem, e isso também eu digo, é que umavida celibatáriaque não é ajudada por uma formação humana sólida e que não vem acompanhada por um estilo de vida integrado, saudável, de trabalho em equipe… pode levar um padre a abusar, porque não consegue conciliar avida celibatáriacom as necessidades que brotam.

Ele não encontra satisfação suficiente, nem espiritual, nem humana, nem profissional, em seu trabalho. Muitos abusaram de crianças e adolescentes porque imaginavam um sentido de importância. Oabuso sexualé, sobretudo, umabuso de poderde alguém que não tem a força física, nem mental para resistir. Ocelibatonão é a causa, mas umavida celibatáriadoentia pode ser um fator de risco.

5% dos sacerdotes do mundo são abusadores.

Entre 1945 e 2010 a média está entre 3,5 e 6%, mais alta entre diocesanos que entre religiosos. Mas desde 2002, nosEstadosUnidos, e desde 2010, naAlemanhaou naÁustria, as novas acusações são em menor número. Onde há escândalo público, medidas sérias de formação e diretrizes, já não existem maisabusos.

Uma parte ultraconservadora da Igreja culpa a suposta homossexualidade de alguns sacerdotes como causa dos abusos. Isso tem algum fundamento?

Os relatórios dizem que ahomossexualidadenão leva aosabusos, mas também dizem que em uma porcentagem entre 70% e 80% dos casos não se trata de crianças, mas de meninos adolescentes. Isto é significativo. Falamos de uma época, entre 1940 e 1970, em que não havia escolas mistas, ou seja, o sacerdote tinha uma relação mais normal com os meninos.

E também devemos observar que alguns provavelmente entraram para o seminário nesses anos, porque descobriram que eramhomossexuais, mas acreditavam que poderiam conviver melhor em umavida celibatária, pensando em uma solução mágica, que com aordenaçãoasexualidadedesapareceria. Isso se agrava com os fatores que eu mencionei acima. Quando se está estressado, frustrado, sozinho, essas dinâmicas aparecem.

Por quanto tempo a Igreja terá que lidar com essa crise?

Eu sempre disse que interessará durante uma geração. Onde há a atenção da mídia, as denúncias diminuem com o tempo, mas em países em que não se falou sobre isso agora, existe a sensibilidade e a disposição para denunciar. De agora em diante, haverá muito a fazer, também naEspanha, para não repetir erros e fazer justiça às vítimas. É uma infecção que está em todo o corpo, não apenas naAmérica do Norteou naEuropa Central. Devemos abri-la e erradicá-la, mesmo que isso signifique perder dinheiro, fama, nossa imagem ou poder.

Fonte: Instituto Humanitas Unisinos – IHU

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Guía para un apoderado de colegio católico en la admisión 2019

De acuerdo a las palabras del Papa Francisco, la Iglesia Católica Chilena sufre de una “cultura del abuso”, manifestada en actuaciones y omisiones de sus más altas autoridades frente a las denuncias de agresiones sexuales en contra de menores de edad, y ahora último respecto de religiosas. O sea, se trata de una cultura abusiva que no distingue el ámbito en que se ejerce el ministerio de los sacerdotes y religiosos agresores.

Uno de los contextos más sensibles de desempeño de sacerdotes y religiosos, sino el más, es el de las comunidades escolares de los colegios católicos, que atienden entre un 15 a 20 por ciento del total de la matrícula escolar del país, esto es, casi un millón de alumnas y alumnos menores de edad.

Si usted pertenece como apoderado a este grupo, si le ha confiado la enseñanza de sus hijos a sacerdotes y religiosos, no obstante la advertencia pública efectuada por el Papa respecto de la cultura del abuso en la Iglesia Chilena, debiera considerar las siguientes recomendaciones para prevenir que sus hijos sufran de abusos sexuales mientras estudian.

Si el sacerdote o religioso ocupa un cargo directivo dentro del colegio, sea o no docente – la mayoría no lo es -, el riesgo es evidente pues en una misma persona confluyen la autoridad escolar y la religiosa dentro de una comunidad educativa y pastoral, que por lo general no tiene contrapeso al interior de un colegio. En el caso que estemos en presencia de un pederasta, este agresor buscará posicionarse en todas aquellas actividades escolares y religiosas que le procuren cercanía y confianza entre los menores, hasta encontrar víctimas que exhiban algún grado de descuido o abandono de parte de sus padres o tutores.

La preparación para el sacramento de la primera comunión o de la confirmación constituyen una inmejorable oportunidad para encuentros privados entre eventuales agresores y sus víctimas. Lo mismo puede decirse respecto de otras actividades en que el sacerdote o religioso pudiere erigirse como responsable del cuidado de los menores, como es el caso de comunidades pastorales y de ayuda social, que demandan traslados y visitas a poblaciones, hogares de ancianos, procesiones hasta santuarios, etc. Un aspecto clave es la extensión del tiempo en que los menores se encontrarán a disposición de su posible agresor.

Los contextos descritos son los más difíciles de controlar porque tanto el agresor eventual como la víctima no se mantienen en un lugar fijo, que pudiere estar vigilado con sistemas de cámaras, por ejemplo; el potencial agresor se desplaza junto con la víctima buscando el espacio ciego en que pueda acometer y concretar el delito. La labor preventiva de los padres demanda una comunicación permanente con sus hijos respecto de todos los detalles acaecidos en alguna de las actividades descritas, verificando si el sacerdote o religioso incurrió en conductas abusivas o precursoras de daños a la intimidad sexual; si se trató de aislar al menor respecto del grupo en que participa.

En el contexto de aula, si el potencial agresor es un sacerdote o religioso que se vale de la docencia para aproximarse a los menores de edad, sería conveniente que los padres puedan acceder on line a través de sus smartphones a todo lo que sucede al interior de la sala de clases, todo el tiempo, en especial cuando los niños la van desocupando y quede la instancia de un encuentro privado entre abusador y posible abusado. La colocación de cámaras de vigilancia al interior de salas de clases es un tema conflictivo en general, pues los docentes estiman que se vulnera su libertad de cátedra. Para mí, esta libertad debe ceder en favor de un bien superior que es la protección y cuidado en todo momento de los menores.

Ahora bien, sea cual sea el contexto, la afectividad natural que buscan con mayor o menor frecuencia los menores respecto de sus cuidadores ocasionales, genera la oportunidad para que un sacerdote o religioso efectúe caricias impropias a la víctima. A estas alturas ya es claro que no cabe ninguna posibilidad de abrazos de los menores con sus cuidadores mayores de edad al interior del colegio, en especial tratándose de los más pequeños de estatura, que con el abrazo quedan expuestos al roce de sus cuerpos con los genitales del agresor. No puede existir contacto físico, y un aspecto que puede dar cuenta de una relación sana sería la actitud del sacerdote o religioso de guardar debida distancia hacia el menor y expresar que la afectividad es posible comunicarla y recibirla sin necesidad de aproximar los cuerpos.

Las actividades deportivas también sirven de contexto para los agresores. Si un sacerdote o religioso se encuentra a cargo de una academia, esto puede servir de indicio de que un pederasta está buscando la instancia que le brinde acercamiento al menor. Qué decir si intenta compartir duchas y camarines con los menores, antes, durante o después de la actividad, como si fuera uno más del grupo de alumnos.

Posiblemente estas sugerencias puedan servir como alertas mínimas preventivas, considerando que buena parte del día nuestros hijos se encuentran bajo el cuidado de una entidad, de un grupo de personas que trabajan en un colegio, pero no bajo la responsabilidad directa de una persona determinada. Eso también podría exigirse en el contrato de prestación de servicios educacionales: que se señale con precisión al profesor o a los profesores que se hacen responsables en todo momento del cuidado de nuestros hijos mientras están en el colegio.

En fin, dado el desdoroso momento que experimenta la Iglesia Chilena, los evidentes encubrimientos de tantas agresiones que se han ido comprobando en todo el país, pareciera razonable la salida de sacerdotes y religiosos de los colegios y que la labor educativa y de acompañamiento pastoral quede entregada exclusivamente a los profesores y demás profesionales preparados para relacionarse cotidianamente con menores de edad. Esto es, separar lo educacional de lo pastoral, y que lo segundo se desarrolle siempre en presencia de los padres.

Fonte: El Mostrador
Por: Ricardo Retamal Ortiz
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Homens ressentidos com “privilégios” das mulheres

Para muchos hombres blancos del mundo occidental, los derechos y privilegios especiales alguna vez fueron un derecho obtenido por el acto mismo de nacer. Incluso aquellos que carecían de riquezas o poder tenían garantizado un estatus que estaba por encima del de las mujeres y las minorías.

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Una protesta en la Universidad de California, campus Santa Bárbara, en 2014, después de que un hombre asesinó a seis personas aparentemente motivado por la ideología “incel”. Monica Almeida/The New York Times

 Los extremistas de internet que odian a las mujeres

Un asesinato masivo en Toronto hace poco (una embestida contra peatones en una calle concurrida) fue realizado por un sospechoso que alguna vez incitó en redes a que hubiera una “rebelión de los inceles”, término que se deriva de las siglas en inglés de involuntary celibacy, o celibato involuntario. Este suceso ha atraído la atención hacia una comunidad en línea de hombres que lamentan no tener relaciones sexuales y que anhelan un orden social que les permita tener relaciones con las mujeres de su elección.

Puede que tal grupo parezca un sector radical estrafalario y pequeño, una expresión de opiniones y resentimientos añejos compartidos por un puñado de hombres solitarios.

Lo es. Sin embargo, los célibes involuntarios son también la más reciente manifestación de un movimiento mucho mayor que se asoma por debajo de la superficie de las cortesías sociales. Los expertos dicen que los inceles son solo una parte de un conjunto de ideologías, la cual ha aumentado en tamaño e influencia, que encapsula resentimientos más amplios entre los hombres de las sociedades occidentales.

Se trata del encuentro de dos de las fuerzas más perturbadoras de la sociedad moderna: el enojo entre muchos hombres por los cambios sociales que perciben como una amenaza y el auge de las redes sociales, que cambia drásticamente cómo las ideas se diseminan y cómo se forman las comunidades. El resultado es que movimientos como el de los célibes involuntarios se están volviendo más accesibles y más extremos a la vez.

Aunque no son tan comunes ataques como el de Toronto, que dejó sin vida a diez personas, el odio que se disemina en línea está conduciendo con mayor frecuencia a amenazas y llamados a la violencia. La mayoría de las veces, las amenazas tienen como blanco a las mujeres.

Una ‘ataque’ al privilegio

Para muchos hombres blancos del mundo occidental, los derechos y privilegios especiales alguna vez fueron un derecho obtenido por el acto mismo de nacer. Incluso aquellos que carecían de riquezas o poder tenían garantizado un estatus que estaba por encima del de las mujeres y las minorías.

Aunque todavía gozan de una condición preferencial en casi todos los ámbitos, desde las salas de juntas empresariales hasta los tribunales, fuerzas sociales como el movimiento #MeToo (#YoTambién) han puesto en entredicho ese estatus. Para algunos, cualquier paso tomado que busque lograr la equidad, aunque sea modesto, representa una amenaza.

“Tienen esta sensación de que ‘solíamos estar a cargo, y ahora ya no lo estamos, así que nos están atacando’”, dijo Lilliana Mason, una científica social de la Universidad de Maryland que estudia la identidad grupal y política.

“Si percibes que se te debe algo, de que tu condición merecida está bajo amenaza, entonces comienzas a luchar por ella”, comentó Mason.

Con frecuencia, esa lucha se da con ataques a integrantes de cualquier grupo social que se atreva a desafiar la jerarquía establecida.

“Uno pensaría que la sociedad debería tratar bien a los hombres jóvenes porque son los constructores y los protectores de la civilización”, escribió un usuario de nombre connorWM1996 en r/MGTOW, un foro de mensajes dentro de Reddit pensado para hombres que tratan de escapar de lo que consideran opresión por parte de una sociedad dominada por las mujeres. “Pero nos tratan como idiotas buenos para nada”.

En particular, el movimiento incel promueve entre sus simpatizantes la percepción de que las reglas de la sociedad actual están pensadas para impedirles que tengan sexo. Esa manera de ver el mundo les permite pensarse como víctimas, que quedan en la soledad a causa de una conspiración, y como personas superiores a otras, porque tienen una supuesta comprensión único de cómo son las cosas.

Algunos de estos hombres terminan buscando ideologías más extremas que den cabida a sus sentimientos de enojo y pérdida que parezcan ofrecerles una solución. Otros solamente se topan con ellas sin haberlas buscado.

Se aviva la llama extremista

El extremismo siempre ha existido, pero hasta hace poco su propagación era limitada. Existía el desafío básico de reunir a gente con ideas afines desperdigada a lo largo de grandes distancias. Más allá de eso, estaba el estigma social en contra de ideas que se perciben como ajenas a la corriente dominante. Las redes sociales han disminuido ambas barreras.

Ahora, los hombres que buscan explicar —y justificar— su enojo solo necesitan unos cuantos clics para encontrar comunidades enteras que se crean en torno a promesas de restaurar el poder y el control masculinos. En el pasado, quizá habrían estado relegadas a unos cuantos bares y salas de estar, pero ahora existen en rincones más oscuros de algunos de los sitios de las redes sociales más populares.

Aunque puede que esos hombres nunca se reúnan en persona, esas redes les permiten desarrollar una identidad poderosa. Los hombres que antes se sintieron desconectados y perdidos, ahora pueden tener una sensación de pertenencia e importancia.

“Estas comunidades en línea tienen una función muy importante en ese respecto”, comentó Michael Kimmel, sociólogo que dirige el Centro para el Estudio del Hombre y las Masculinidades de la Universidad Stony Brook. “La gente te alienta a sentir más y con mayor intensidad, y después valoran eso que dices que se siente más y es más intenso”.

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Una protesta en Francia con pancartas que dicen: “No más acoso”, “Una violación cada 8 minutos en Francia” y “Rompamos juntos el silencio”, el 29 de octubre de 2017. Claude Paris/Associated Press

Violencia para ‘desquitarse’

El control sobre las mujeres ha sido desde hace mucho tiempo una forma en la que los hombres muestran su estatus, comentó Kimmel. Eso ha hecho que las ideologías que prometen salvaguardar el poder que tienen los hombres sobre las mujeres sean especialmente atractivas para algunos.

Los célibes involuntarios son solo un subgrupo particularmente extremo de la “hombrósfera”, un conjunto de ideologías en línea que también incluye a los grupos para “salvaguardar” los derechos de los hombres y los conocidos como “artistas del ligue”. En esas comunidades, los adeptos pueden encontrar uno de los antídotos más poderosos para el sentimiento de que la sociedad los ha dejado atrás: la sensación de pertenecer a algo poderoso.

Un grupo de Reddit, r/TheRedPill, tiene más de un cuarto de millón de suscriptores, y ofrece una cosmovisión que coincide hasta cierto punto con la de los célibes involuntarios. Promete a sus seguidores que, si cumplen sus reglas de vida, muchas de las cuales incluyen manipular o ejercer presión contra las mujeres para que tengan sexo con ellos, se volverán machos “alfa” de estatus elevado (su nombre hace referencia al momento en la película Matrix cuando el protagonista toma la píldora roja y con ello empieza a ver la naturaleza falsa de su mundo).

“Ya sea que estemos hablando de grupos en pro de los derechos masculinos o del movimiento de los célibes involuntarios o la píldora roja”, dijo Kimmel, “detrás de ese privilegio ofendido subyace buena parte de ese enojo masculino”.

Y cuando los grupos extremistas diferencian entre mujeres y hombres como “ellas” y “nosotros”, eso puede convertirse en una vía para justificar la violencia.

Ocho de las diez personas atropelladas en Toronto cuando el conductor arremetió contra los peatones eran mujeres. Otras formas de violencia de género, que incluyen la violación y el abuso doméstico, son mucho más comunes que un ataque como ese. Cuando a las mujeres se les retrata como el enemigo opresor, a sus atacantes se les facilita tratar de legitimar sus acciones ante sí mismos, comentó Kimmel.

“Lo presentan como que ‘ellas’ los hacen sentir ‘menos’”, explicó el sociólogo. “Entonces la violación es como creen que pueden quedar en el mismo terreno. La violencia es la manera en la que se desquitan. ‘Ella tiene el poder y lo voy a reclamar’”.

Fonte: The New York Times
Por: Amanda Taub
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