A manipulação dos nossos cérebros vem aí

Apple, Facebook, Microsoft, Google e DARPA investem muito em projetos de neurotecnologia.

O neurocientista espanhol Rafael Yuste.

Por que é preciso proibir que manipulem nosso cérebro antes que isso seja possível

O cientista Rafael Yuste, que comanda projeto de pesquisa do cérebro, pede que os governos criem novas leis contra os riscos da neurotecnologia

“Temos uma responsabilidade histórica. Estamos num momento em que podemos decidir que tipo de humanidade queremos.” São palavras de peso, tanto quanto o desafio ao qual se propõe Rafael Yuste. Esse neurocientista espanhol, catedrático da Universidade Columbia (EUA), escuta sussurrarem em sua consciência os fantasmas de outrosgrandes cientistasda história que abriram a caixa de Pandora. Ele, que impulsionou a iniciativa BRAIN, a maior aposta já feita na descoberta dossegredos do cérebro, não foge à sua responsabilidade: “Carrego isso como um dever”, afirma. Yuste sabe bem o que seu campo, a neurotecnologia, já é capaz dever e fazer em nossas mentes. E teme que isso escape de nossas mãos se não for regulado. Por isso reivindica aos governos de todo o mundo que criem e protejamdireitos inéditos: os neurodireitos. O Chile deverá ser o primeiro país a incluí-losem sua Constituição, e já há negociações para que esse espírito se reflita na estratégia do Governo espanhol para ainteligência artificial.

No ano passado, Yuste conseguiumanipular o comportamento de ratos. Fez isso intervindo nos pequenos cérebros desses roedores, adestrados para sorver suco quando viam listras verticais numa tela. Yuste e sua equipe haviam observado os neurônios específicos que eram acionados nesse momento e os estimularam diretamente quando não havia barras aparecendo na tela. Os ratos sorviam o suco como se tivessem visto aquele gatilho. “Aqui em Columbia meu colega desenvolveu uma prótese visual sem fio para cegos com um milhão de eletrodos, que permite conectar uma pessoa à rede. Mas também se pode usar para criar soldados com supercapacidades”, adverte Yuste. Esse aparelho, financiado pelo DARPA (a agência de pesquisa científica doExército dos EUA), poderia estimular até 100.000 neurônios, propiciando habilidades sobre-humanas.

Quando Yuste começou a trabalhar na iniciativa dos neurodireitos, há dois anos, era quase uma colocação abstrata, de ficção científica. “Mas a urgência da situação aumentou, há problemas bastante sérios que estão vindo com tudo; as empresas tecnológicas estão se metendo nisto de cabeça porque pensam, acertadamente, que onovo iPhonevai ser umainterface cérebro-computadornão invasiva”, diz Yuste. O homem que impulsionou um projeto de seis bilhões de dólares nos EUA para investigar o cérebro enumera com preocupação os movimentos dos últimos meses. OFacebookinvestiu um bilhão de dólares (4,36 bilhões de reais) em uma empresa que trabalha na comunicação entre cérebros e computadores. E aMicrosoftdesembolsou outro bilhão na iniciativa de inteligência artificial deElon Musk, que investe 100 milhões na Neuralink, uma companhia que implantará fios finíssimos no cérebro de seus usuários para aumentar suas competências. E Yuste tem informações de que oGoogleestá sigilosamentefazendo esforços semelhantes. Chegou aera do neurocapitalismo.

“A privacidade máxima de uma pessoa é o que ela pensa, mas agora já começa a ser possível decifrar isso”, alerta Yuste

“Estas grandes empresas tecnológicas estão ficando nervosas para não ficarem atrás com o novo iPhone cerebral. Para evitar abusos, temos que recorrer diretamente à sociedade e a quem faz as leis”, afirma. A tecnologia impulsionada por Musk pretende ajudarpacientes com paralisia ou extremidades amputadasa controlarem sua expressão e movimentos e a verem e ouvirem sozinhos,apenascom o cérebro. Mas não oculta que o objetivo final é o de nos conectar diretamente com as máquinas para melhorarmos graças à inteligência artificial. A iniciativa do Facebook é similar: uma empresa com um histórico questionável de respeito à privacidade, como a de Zuckerberg, acessando os pensamentos de seus usuários.

Essas pretensões parecem de ficção científica, mas uma simples olhada em algunsfeitos da neurociêncianos últimos tempos revela que elas estão ao alcance da mão. Em 2014, cientistas espanhóis conseguiram transmitir “oi” diretamente do cérebro de um indivíduo ao de outro, situado a 7.700 quilômetros de distância, por meio de impulsos elétricos. Em vários laboratórios foi possível recriar uma imagem mais ou menos nítida do que uma pessoa está vendo apenas analisando as ondas cerebrais que ela produz. Graças à eletroencefalografia, cientistas puderamler diretamente do cérebropalavras como “colher” e “telefone” quando alguém pensava nelas. Também serviu para identificar estados de ânimo. Na Universidade de Berkeley, foram capazes de identificar a cena que os voluntários estavam vendo graças à nuvem de palavras que seu cérebro gerava ao vê-las: cachorro, céu, mulher, falar… Uma tecnologia que poderia servir para descobrir sentimentos, dependendo das palavras que surjam ao ver uma imagem: por exemplo, seria possível ler “ódio” ao ver a imagem de um ditador.

Alguns desses marcos já completaram uma década, e desde então bilhões de dólares foram investidos em monumentais projetos privados e governamentais, do Facebook à DARPA, passando pela Academia de Ciências da China. “Pense que o projeto chinês é três vezes maior que o norte-americano, e vai diretamente ao assunto, ao fundir as duas vertentes: inteligência artificial e neurotecnologia”, adverte Yuste, que se diz otimista quanto aos benefícios da neurotecnologia, daí seu desejo de regulá-la.

“Em curto prazo, o perigo mais iminente é a perda de privacidade mental”, adverte Yuste, que lançou sua iniciativa pelos neurodireitos após debater o assunto em Columbia com uma equipe de 25 especialistas emneurociência, direito e ética, denominado Grupo Morningside. Várias empresas já desenvolveram aparelhos, geralmente em forma de tiara, para registrar a atividade cerebral de usuários que queiram controlar mentalmente drones e carros, ou medir o nível de concentração eestresse dos trabalhadores, como acontece com motoristas de ônibus na China. Lá também existem aplicações nas escolas: a tiara lê as ondas cerebrais dos alunos e uma luzinha mostra ao professor seunível de concentração. O problema é que a companhia que os vende, a BrainCo, pretende conseguir assim a maior base de dados desse tipo de atividade cerebral. Quanto mais dados ela tiver, melhores e mais valiosas serão suas leituras, claro. Como a indústria tecnológica está há uma décadaextraindo todos os dadosque possam obter do uso de aplicações e dispositivos, a possibilidade de espremer cada neurônio é um filão irresistível.

Potencial de desastre

A regulação proposta pelo grupo de Yuste tem dois enfoques. Um de autorregulação, com um juramento tecnocrático que submeta deontologicamente engenheiros, programadores e outros especialistas dedicados à neurotecnologia. Neste sentido, há uma negociação com as autoridades espanholas para levar o espírito desse juramento à Estratégia Nacional de Inteligência Artificial, atualmente em preparação pelo Governo. Por outro lado, Yuste aspira a que os neurodireitos sejam incorporados àDeclaração de Direitos Humanos, e que os governos estabeleçam um marco jurídico que evite os abusos. O pioneiro será o Chile, com cujo Governo o grupo tem quase fechada uma legislação específica e suainclusão na nova Constituição.

“O que me preocupa com mais urgência é a decodificação dos dados neurológicos: a privacidade máxima de uma pessoa é o que ela pensa, mas agora já começa a ser possível decifrar isso”, avisa Yuste. “Estamos fazendo isso diariamente nos laboratórios com ratos, e quando as empresas privadas tivessem acesso a esta informação você vai rir dosproblemas de privacidade que tivemos com celularesaté agora. Por isso precisamos de neurodireitos, porque é um problema de direitos humanos”, resume. O neurocientista quer alertar à população que “não há nada de regulação, e isso afeta os direitos humanos básicos”.

“Existe um potencial para o desastre se deixarmos que continue escapando das nossas mãos, porque há uma total falta de regulação”, avisa Martínez-Conde

A neurobióloga Mara Dierssen, que não está envolvida na iniciativa de Yuste, destaca os problemas bioéticos decorrentes das possibilidades de melhora do ser humano pela neurotecnologia. Embora afirme haver muito sensacionalismo e arrogância em torno de empresas como a de Musk, Dierssen ressalta que “em longo prazo se pretende que os implantes possam entrar no campo da cirurgia eletiva para quem quiser ‘potencializar seu cérebro com o poder de um computador’”. “Que consequências pode ter a neuromelhoria em um mundoglobalizado, biotecnificado e socioeconomicamente desigual? Inevitavelmente surge a grande pergunta de em que medida essas técnicas seriam acessíveis a todos”, questiona Dierssen, pesquisadora do Centro de Regulação Genômica e ex-presidenta da Sociedade Espanhola de Neurociência.

Para a neurocientista Susana Martínez-Conde, trata-se de uma iniciativa “não só positiva como também necessária”. “Estamos dando conta como sociedade de que os avanços tecnológicos vão muito além do que estamos preparados filosófica e legalmente. Enfrentamos situações semexperiência prévia na história”, afirma Martínez-Conde, diretora do laboratório de Neurociência Integrada da Universidade do Estado de Nova York. “É necessário que prestemos atenção, porque a neurotecnologia tem repercussões diretas sobre o que significa ser humano. Existe um potencial para o desastre se deixarmos que continue escapando das nossas mãos, porque há uma total falta de regulação. É hora de agir antes de um desastre em escala global”, avisa.

Este desastre tem ressonâncias históricas. Enquanto conversa de seu escritório de Columbia, Yuste observa o edifício onde foi lançado o projeto Manhattan, que desembocou no lançamento dasbombas atômicas sobre Hiroshima e Nagasaki. “Esses mesmos cientistas foram depois os primeiros na linha de batalha para que se regulasse a energia nuclear. A mesma gente que fez a bomba atômica. Nós estamos ao lado, impulsionando uma revolução neurocientífica, mas também somos os primeiros que temos que alertar a sociedade.”

Os novos neurodireitos

O grupo impulsionado por Rafael Yuste desenvolve suas preocupações em torno de cinco neurodireitos:

1 – Direito à identidade pessoal.Esses especialistas temem que ao conectar os cérebros aos computadores a identidade das pessoas se dilua. Quando os algoritmos ajudarem a tomar decisões, oeudos indivíduos pode se esfumar.

2 – Direito ao livre-arbítrio.Este neurodireito está muito ligado ao da identidade pessoal. Quando contarmos com ferramentas externas que interfiram em nossas decisões, a capacidade humana de decidir seu futuro poderá ser posta em xeque.

3 – Direito à privacidade mental.As ferramentas de neurotecnologia que interagem com os cérebros terão capacidade para reunir todo tipo de informação sobre os indivíduos no âmbito mais privado que possamos imaginar: seus pensamentos. Os especialistas consideram essencial preservar a inviolabilidade dosneurodadosgerados pelos cérebros humanos.

4 – Direito ao acesso equitativo às tecnologias de ampliação.Yuste acredita que as neurotecnologias trarão inumeráveis benefícios para os humanos, mas teme que se multipliquem as desigualdades e privilégios de alguns poucos que terão acesso a estas novas capacidades humanas.

5 – Direito à proteção contra vieses e discriminação.Nos últimos anos, vieram à tona vários casos em que os programas e algoritmos multiplicam os preconceitos e vieses. Este direito pretende que essas falhas sejam buscadas antes de sua implantação.

Por: Javier Salas
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Dez truques para atacar a ciência

Há os que buscam desacreditar a ciência e minar sua autoridade, e há os que buscam reivindicar os benefícios da credibilidade e da autoridade científica para si mesmos e seus produtos… 

Atacando a ciência, por lucro ou diversão: as armas mais comuns

Dos grupos antivacinação aos vendedores de “curas” naturais, dos terraplanistas aos negadores do aquecimento global, dos criacionistas aos que têm fobia de transgênicos, não faltam, no mundo contemporâneo, quem esteja disposto a tentar desconstruir o conhecimento científico, seja por ganho financeiro ou apenas por hobby.

Dada a variedade de causas, interesses e metas envolvidos –há, por exemplo, os que buscam desacreditar a ciência e minar sua autoridade, e há os que buscam reivindicar os benefícios da credibilidade e da autoridade científica para si mesmos e seus produtos– é um pouco surpreendente perceber como o cardápio à disposição desse pessoal é compartilhado: não seria exagero dizer que todos usam os mesmos truques.

Uma manobra quase onipresente é a equivocação: o uso da mesma palavra com sentidos e contextos diferentes, sem deixar claro ao leitor (ou ouvinte, etc.) que houve tal deslocamento. “Energia” é uma vítima frequente: num instante a palavra é usada num sentido metafórico, como sinônimo de otimismo e disposição, e no parágrafo seguinte, no sentido de quantidade física, como a que aparece na equação E=mc2. A conclusão final pode ser, digamos, que otimismo e disposição (“energia”) pode virar dinheiro (“matéria”), mas você precisa fazer o treinamento e pagar a formação especial para descobrir exatamente como – esse deve ser o c2.

Promotores de terapias alternativas fazem muito disso com a palavra “melhora”, que num instante quer dizer alívio genérico, subjetivo, dos sintomas (sentido “a”) e, no outro, ação específica e efetiva contra a causa da doença (sentido “b”). Numa breve prestidigitação semântica, a “melhora”, no sentido “a”, que um placebo qualquer pode produzir, é vendida como equivalente a “melhora” no sentido “b”, algo que se espera de uma terapia realmente digna do nome.

A negação do aquecimento global representa ainda outro campo fértil, com equivocações envolvendo a própria expressão “aquecimento global”, deslocada do sentido técnico, de aumento progressivo das temperaturas médias globais ao longo de anos décadas, para o de “tudo está esquentando ao mesmo tempo, todo dia e de modo uniforme”, uma proposição bem mais fácil de refutar. Nesse caso, a manobra se aproxima da falácia do espantalho, que consiste em atacar não a proposta do oponente, mas uma caricatura – um “espantalho” – vagamente semelhante a ela.

Este cambalacho semântico, embora comum, não é a única peça do ferramental negacionista/pseudocientífico/curandeiro/picareta. Abaixo, para fins didáticos, apresento uma coleção de dez truques muito usados (com numerais romanos, pra deixar a coisa mais solene):

I. Apelo à incredulidade pessoal

“Eu ainda não estou convencido…”; “Não consigo imaginar como…”; “Me parece inconcebível…”. Claro, e a Terra vai parar de girar e as Leis da Natureza vão ficar suspensas só porque algumas pessoas têm dificuldade em assimilar certos fatos e conceitos. Não há nada de errado em manifestar perplexidade. Mas perplexidade, em si, não é argumento.

II. Apelo à motivação espúria

“Você precisa ver a agenda por trás disso aí…”. O fato de uma pessoa ter, talvez, motivos escabrosos para dizer que 2+2=4 não muda o fato de que 2+2=4. O apelo à motivação espúria é um dos modos mais eficientes de mudar de assunto: em vez de discutir os fatos, discute-se as intenções de quem cita os fatos.

III. Apelo à ignorância

“Ninguém sabe o que são essas luzes estranhas no céu, logo elas vêm de outro planeta” é o exemplo clássico. Se ninguém sabe o que elas são, logo ninguém sabe. Ponto. Dizer qualquer coisa além disso é a própria definição de não saber do que se está falando.

IV. Nivelamento das probabilidades

É a prima-irmã do apelo à ignorância: “Já que ninguém sabe o que aquela luz é, minha hipótese de que é uma nave de outro planeta tem tanto valor quanto a sua de que é um balão”. Não, não tem. Diferentes hipóteses podem ter, e geralmente têm, diferentes graus de probabilidade e requerem diferentes níveis de prova, definidos pelo contexto científico maior: a existência de balões, por exemplo, já está bem estabelecida. A de naves alienígenas…

V. Expectativa exagerada

“Ninguém tem uma compreensão completa do funcionamento do clima da Terra, então como se pode afirmar que o aquecimento global tem causa humana?” Ninguém tem compreensão completa da gravidade, também, mas a compreensão que temos é suficiente para permitir que enviemos sondas a Plutão, construamos arranha-céus e saibamos que pular de arranha-céus é uma má ideia. A questão não é se sabemos tudo; é se o que sabemos é adequado e suficiente para embasar certas ações e alegações.

VI. Descontextualização dos dados

A seleção feminina de basquete é toda composta por mulheres mais altas do que eu. Isso não muda o fato de que, em média, homens são mais altos que mulheres. O uso de exemplos isolados para tentar negar afirmações sobre médias ou tendências gerais tem impacto retórico, mas é um forte indicador de desonestidade intelectual.

VII. Apelo à pesquisa irrelevante

Citam-se estudos sem ligação, ou com ligação muito tênue, com o tema, ou escolhem-se para citar trabalhos de má qualidade, que nunca foram reproduzidos, cujas conclusões foram negadas por estudos mais rigorosos ou, até, já retratados. Tem até quem cite estudos inexistentes. Aqui, a aposta é de que ninguém vai ter paciência de rastrear e avaliar as referências de forma crítica.

VIII. Distorção das fontes

O exemplo clássico é o que criacionistas gostam de fazer com certas passagens de “A Origem das Espécies”, de Charles Darwin, em que o grande naturalista escreve, por exemplo, que “supor que olho, com todos os seus recursos admiráveis (…) poderia ter sido formado por seleção natural parece, confesso, o maior dos absurdos”. Ou, ainda, “a crença de que um órgão tão perfeito como olho pode ter se formado por seleção natural é mais do que suficiente para espantar qualquer um”. O que se omite, nesses casos, são as passagens seguintes, em que Darwin se põe a mostrar como esses “absurdos” e “espantos” são, sim, muito bem explicados pela evolução.

IX. Surdez (ou cegueira) seletiva

Ocorre quando se insiste em reapresentar, como válida ou desafiadora, uma anomalia já devidamente explicada. O Sudário de Turim, a “ausência” de fósseis de transiçãoe o “disco voador” de Roswellsão casos clássicos. Uma variação comum é insistir num argumento já claramente refutado, ou na citação de um fato cuja irrelevância para o tema já foi bem estabelecida (como invocar a infame tabela da IARC para tratar do risco efetivo de câncer).

X. Conspiração

Se o patriotismo é o último refúgio do canalha e a violência, o último recurso do incompetente, a teoria da conspiração é o último refúgio, e recurso, do pseudocientista. Trata-se de uma espécie de argumento pot-pourrique, de um só golpe, sintetiza todos os anteriores: questiona motivos, valida a pesquisa irrelevante, vira a hierarquia das probabilidades de ponta-cabeça, e, por fim, reduz tudo a uma questão de incredulidade pessoal: se “eles” controlam tudo, as pessoas então só podem confiar naquilo que concluem por conta própria… e no que os paranoicos dizem, é claro.

Por: Carlos Orsi
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Mulheres heterossexuais tem menos orgasmos do que as lésbicas


 Pesquisa realizada pelo Archives of Sexual Behavior em que foram entrevistadas 52.000 pessoas nos EEUU.

Meg Ryan en la mítica escena de ‘Cuando Harry encontró a Sally” en la que finge un orgasmo en un bar.

La brecha del orgasmo: por qué las mujeres heterosexuales se corren menos

Ante todo, tranquilidad. Tiene solución.

El orgasmo femenino está de moda. Acaparatitulares, conversaciones entre amigas,librosyprogramas de televisión. Está en todas partes, menos en la cama de las mujeres heterosexuales. Los datos están ahí: sólo el 65% de las mujeres hetero llegan al orgasmo habitualmente cuando mantienen relaciones sexuales frente al 95% de los hombres. Mucho menos también que las lesbianas, que consiguen alcanzar el clímax en un 86% de los casos.

Estos datos corresponden aun estudio publicado en Estados Unidosque preguntó a 52.000 encuestados. No es el único que ha puesto de manifiesto esta llamada brecha del orgasmo. En 2018, la marca de preservativos Control publicó su7º Barómetro,que concluía que el 60% de las mujeres tiene problemas para llegar al orgasmo frente al 23% de los hombres.

Esta brecha no puede resumirse en un solo motivo, son unos cuantos y, obviamente, cada persona vive su sexualidad de una manera diferente, pero para la sexóloga y embajadora de Lelo Valérie Tasso hay una razón especialmente importante que tiene que ver con el papel de la mujer en la sociedad. “Nos han educado en un afán por complacer al hombre y hemos recibido la herencia del llamado sexo completo, es decir, preliminares, coito y orgasmo. Es una idea errónea porque el sexo no tiene por qué incluir la penetración”, explica Tasso.

Elena Requena, sexóloga y asesora de parejas, está de acuerdo. “El placer femenino ha sido relegado durante generaciones a expensas del masculino. De hecho, en algunas culturas ha sido mal visto, tachado de algo turbio, sucio o impuro”, cuenta la experta, que cree que tradicionalmente la mujer “se ha visto coartada a la hora de expresar sus deseos y entenderse como ser con capacidad de disfrute”.

El rol secundario de la mujer es una razón de peso, pero el desconocimiento sobre la anatomía femenina, especialmente el clítoris, es “un gran lastre”. Así lo define Tasso, que piensa que este desconocimiento viene “por una falta tanto de educación como de autoexploración”. Si tenemos en cuenta que alrededor del76% de las mujeres necesitan la estimulación de este órganodedicado al placer para alcanzar el clímax, es perfectamente comprensible que no conocerlo tenga como consecuencia esa sequía de orgasmos.

Para la sexóloga francesa este aspecto del sexo es “totalmente diferente” en el caso las mujeres lesbianas porque es “un autodescubrimiento completo de la anatomía”. “Gracias a que cada vez hay más información y a la popularización de algunos juguetes como el succionador de clítoris, las mujeres empiezan a conocer mejor su anatomía, pero sus parejas hetero no lo hacen, o no le dan la importancia necesaria”, sentencia Tasso. Para ella, parte de este problema se podría solucionar mejorando la comunicación en pareja, pero es otra asignatura pendiente:“Se da por hecho lo que le gusta a la otra persona”.

El rol del espectador y el ‘imperativo del gozo’

Para Valérie Tasso, que recibe a decenas de mujeres en su consulta, otro problema añadido a la hora de conseguir una vida sexual plena es el conocido como ‘rol del espectador’, es decir, la autobservación durante el sexo, que es más latente en mujeres heterosexuales. “Si durante el sexo no te sientes guapa o estás más pendiente de tu cuerpo o del aspecto que tienes durante una postura, no estás al 100% centrada en tu placer”, explica la sexóloga, que cuenta que todo deriva del “ideal de belleza de nuestra sociedad”.

Por su parte, Elena Requena hace referencia al mundo hipersexualizado en el que vivimos, en el que se “se mercantiliza todo, incluido el placer, y se nos dicta cómo debemos desear, qué debemos desear y cuándo debemos disfrutar”. La experta señala que es imprescindible “salir un poco de la rueda” para intentar conocer el deseo propio y no el impuesto, algo que va en consonancia con el ‘imperativo del gozo’, otro concepto que explica Tasso.

“Lo introduce el psicoanalista francésJacques Lacany habla de la sociedad que dice que no puedes para de gozar y que tienes que llegar a toda costa. La realidad es que si no tienes un día no tienes un orgasmo, no pasa nada, y si un día vuelves cansado de trabajar y no te apetece tener sexo, tampoco. Hay miedo al fracaso”, sentencia la sexóloga.

Cómo mejorar la vida sexual

Ambas expertas coinciden en un ejercicio fundamental: experimentar con el cuerpo y darle importancia al autoconocimiento. “La aceptación de la propia capacidad de disfrute y de deseo como algo inherente a una misma es clave para poder tener una vida erótica satisfactoria”, explica Requena, que recuerda que “esto es aplicable tanto cuando tenemos pareja como cuando no la tenemos”.

Para Tasso experimentar en solitario es imprescindible, y recomienda a las mujeres que tienen grandes dificultades para llegar al orgasmo que prueben a utilizar juguetes como el succionador de clítoris. “Luego animo a usarlo en pareja, un juguete sólo puede ayudar”, sentencia ante la absurda polémica de que el succionador es un sustituto del hombre.

Y si descubrir lo que gusta es importante, saber expresarlo también. “Al final cada una somos las responsables de nuestro propio placer y eso es algo que debemos tener claro, también a la hora de hacer saber a la otra persona qué deseamos”, cuenta Requena. Tasso destaca la comunicación no tiene que ser necesariamente verbal ni hacerse de forma ortopédica en medio del sexo: “Puedes por ejemplo coger las manos y llevarlas a donde quieres que te toquen”.

La francesa insiste en que ante todo “hay que tener tranquilidad y restarle solemnidad al orgasmo”, mientras que Requena apunta que es importante “conseguir momentos de intimidad tanto en solitario como en una relación”.

El papel del feminismo para reclamar el placer de la mujer

La batalla por la igualdad se ha colado en todos los ámbitos de la vida de las mujeres, también a la hora de vivir más abiertamente su sexualidad. “El feminismo, que ha jugado un papel crucial en este tema, aboga por dar a la mujer la capacidad de desear y sentir en igualdad de condiciones”, cuenta Requena, que piensa que las mujeres deben “hacerse responsables y dueñas de sus deseos”. Para ella lo más importante es tener la capacidad de “decidir qué queremos, cuándo lo queremos y de qué forma”.

Fonte: El HuffPost Life

Por: Uxía Prieto

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EUA quer redefinir os Direitos Humanos para sua agenda política

Qual seria a legitimidade jurídica dos EUA para redefinir o significado de direitos garantidos não somente na DUDH, mas em tratados internacionais de direitos humanos?

Eleanor Roosevelt com a Declaração Universal dos Direitos Humanos, em 1948

EUA e a redefinição dos direitos humanos

Em fevereiro de 2020, o governo estadunidense anunciou sua intenção deredefinir os direitos humanos. Também aclamada pelo atualgoverno brasileiro, a medida pode ter impacto na Declaração Universal dos Direitos Humanos (DUDH) e nos demais tratados de direitos humanos.A mesma nação que impulsionou o estabelecimento da DUDH em 1948 por parte da ONU, a partir da figura deEleanor Roosevelt, busca hoje, contraditoriamente, fazer uma releitura de seu texto e de seus direitos, em mais uma tentativa de redefinir os direitos humanos para sua própria agenda política.

EmA Era dos Direitos(Elsevier, 2004), Norberto Bobbio afirmava que os direitos do homem sãode per sidireitos mutáveis, redefinidos por cada “geração” (“dimensão”, ou “categoria”, a depender do doutrinador), como direitos históricos. Segundo este filósofo e historiador, os direitos do homem nascem de forma gradual, sendo resultado de lutas e de movimentos históricos. Não haveria, portanto, uma concepção estática desses direitos, construídos histórica e politicamente. Como adverte Bobbio, na página 25 do livro mencionado acima,

A quem pretenda fazer um exame despreconceituoso do desenvolvimento dos direitos humanos depois da Segunda Guerra Mundial, aconselharia este salutar exercício: ler a Declaração Universal e depois olhar em torno de si. Será obrigado a reconhecer que, apesar das antecipações iluminadas dos filósofos, das corajosas formulações dos juristas, dos esforços dos políticos de boa vontade, o caminho a percorrer é ainda longo. E ele terá a impressão de que a história humana, embora velha de milênios, quando comparada às enormes tarefas que está diante de nós, talvez tenha apenas começado.

Em primeiro lugar, deve-se ressaltar os limites e as fronteiras entre a concepção de constante (re)nascimento dos direitos humanos, elaborada por Bobbio, e a política americana de releitura dos direitos humanos. Bobbio enunciava sua teoria sobre a constante mutação dos direitos humanos enquanto fator direto das transformações sociais, sobretudo, pela atualização das lutas e das demandas dos movimentos sociais e da sociedade civil.No caso da releitura estadunidense, trata-se de uma redefinição unilateral do governo americano, não se encaixando na teoria exposta por Bobbio.

Qual seria a legitimidade jurídica de uma única nação para redefinir o significado de direitos garantidos não somente na DUDH, mas em tratados internacionais de direitos humanos?

Apesar de a DUDH não possuir efeito vinculante — por não ser um tratado internacional —, é consideradadireito costumeiro internacional. Dessa forma, possui efeito vinculante para os Estados, pelo fato de expor práticas estatais reiteradas e uma opinião comum desses mesmos Estados sobre esses direitos(opinio juris).Portanto, ainda que se sejaapenasuma Declaração, a DUDH possui certo efeito vinculante perante os Estados.

Direitos sob risco

Grande parte dos direitos assegurados na DUDH também são assegurados no Pacto dos Direitos Civis e Políticos (1966). Tem-se como exemplo o direito à vida, à liberdade e à segurança pessoal, o qual é assegurado pelo artigo 3º da DUDH e, ao mesmo tempo, assegurado nos artigos 6 e 9 do Pacto dos Direitos Civis e Políticos. De acordo com o artigo 31 da Convenção de Viena sobre o Direito dos Tratados (CVDT), “um tratado deve ser interpretado de boa-fé segundo o sentido comum atribuível aos termos do tratado em seu contexto e à luz de seu objetivo e finalidade”.

Nesse sentido, fazer uma revisão unilateral dos direitos humanos não significa somente fazer uma releitura da DUDH, mas de diversos tratados internacionais de direitos humanos. Além disso, o próprio caráter costumeiro das normas definidas na DUDH, demonstrando seu caráter vinculante, já evidencia uma incapacidade de qualquer releitura unilateral que tenda a esvaziar a força protetiva e efetiva de seus direitos e a desprezar o “sentido comum” de interpretação previsto no artigo 31 da CVDT.

Deve-se ressaltar que a posição estadunidense como membro permanente do Conselho de Segurança da ONU não concede uma capacidade jurídica de dizer o Direito. Historicamente, os Estados Unidos demonstram posições controversas no Direito Internacional, ressaltando-se a tentativa de caracterização de intervenções humanitárias como sendo dedireito costumeiroe a tentativa constante de legitimar suas ações militares com base nalegítima defesa preventiva, a qual é consideradailegalpelo Direito Internacional. Ambos os casos citados evidenciam ocorrências de tentativas estadunidenses de legitimar ataques armados ilegais,claramente violando os direitos humanose a obrigação essencial deproteger civis.

Uma redefinição unilateral dos direitos humanos — em especial se considerarmos trajetória e antecedentes dos EUA com relação ao Direito Internacional — demonstra um possível perigo e tentativa desses direitos serem esvaziados. Também é um risco, como pontua Boaventura de Sousa Santos, de que esses direitos adquiram uma tonalidade puramente política, para serem utilizados comoarma defensiva e polarizadade determinada nações, como ocorreu na Guerra Fria.

Os direitos humanos são, antes de tudo, conquistas históricas árduas de movimentos sociais, de grupos minoritários e da sociedade civil, e não armas políticas das nações hegemônicas.

O “narcisismo maligno” de Trump está se deteriorando

Design inteligente” é mais do que pseudociência, é estratégia política

O Judiciário dos EEUU, em uma série de julgamentos, identificaram o design inteligente com propaganda religiosa e, por isso, proibiram seu ensino em escolas públicas.
Imagem Arte IQC

“Design inteligente” é mais do que pseudociência, é estratégia política

 
O recém-nomeado presidente da Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior), Benedito Guimarães Aguiar Neto, é um negacionista da Teoria da Evolução e defensor da doutrina pseudocientífica do “design inteligente”.  Estas não são apenas posições de foro íntimo: durante a gestão de Aguiar Neto como reitor, a Universidade Presbiteriana Mackenzie, de São Paulo, firmou parceria com o Discovery Institute (DI), um think tank criacionista dos Estados Unidos, e estabeleceu, em parceria com esse instituto, um núcleo de pesquisas com a finalidade de promover o criacionismo no Brasil.
O DI é a ponta de lança de implementação da chamada “estratégia da cunha”, um movimento criado nos Estados Unidos nos anos 90 para minar o apoio da opinião pública ao ensino da evolução nas escolas públicas. A pedra de toque da estratégia é tentar convencer os cidadãos da existência de uma teoria científica chamada “design inteligente”, que seria uma alternativa viável à evolução darwiniana e que, portanto, deveria ser parte do currículo de ciências das escolas mantidas pelo erário.
“Design inteligente”, no entanto, não é nada disso, pois não passa de uma tentativa de disfarçar o dogma religioso da criação divina como ciência. Não existe uma “teoria” coerente que atenda por esse nome: seus proponentes limitam-se a apontar supostas anomalias que a evolução darwiniana seria incapaz de explicar, e a oferecer a ideia de um “designer” como solução. A verdade, no entanto, é que as “anomalias” apontadas têm solução dentro da teoria evolutiva.
Mesmo se não tivessem, postular entidades sobrenaturais não é resposta válida para questões de ciência. Faz parte da natureza de teorias científicas, aponta o filósofo Larry Laudan, resolver problemas empíricos – explicar fenômenos do mundo físico – e, mesmo tempo, buscar reduzir ao mínimo o número de anomalias e de problemas conceituais criados no processo: se digo, por exemplo, que a gravidade é causada por duendes que puxam corpos dotados de massa para baixo, crio uma anomalia (por que ninguém nunca viu esses duendes?) e uma pletora de problemas conceituais (o que, afinal, são “duendes”? se eles nos puxam para baixo, quem os puxa? etc.).
Um discurso que se limita a enumerar anomalias imaginárias e a amplificar os problemas conceituais, postulando um “designer” misterioso, é mera retórica, não proposta a se levar a sério num contexto centífico.
De qualquer modo, a preocupação fundamental do DI não é científica, e sim cultural e política. Nesse aspecto, seus propósitos alinham-se bem com o clima de “guerra cultural” cultivado pelo governo Bolsonaro. A meta declarada dos fundadores do Discovery Institute é substituir o que eles acreditam ser a visão de mundo hegemônica hoje no Ocidente – “ateia, materialista, marxista, freudiana, darwinista, caótica” – por uma visão “cristã”, encantada, divina, plena de propósito.
documento fundamental da “estratégia da cunha”, elaborado pelo DI em 1998 e tratado, inicialmente, como secreto(depois que os papéis vazaram, a liderança do DI tentou, primeiro, negar a autoria e, depois, minimizar sua significância), afirma:
“As consequências sociais do materialismo têm sido devastadoras. Como sintomas, essas consequências merecem tratamento. No entanto, estamos convencidos de que, para derrotar ao materialismo, precisamos cortá-lo na raiz. Essa raiz é o materialismo científico. Esta é exatamente nossa estratégia. Se olharmos para a ciência predominantemente materialista como uma árvore gigantesca, nossa estratégia pretende funcionar como uma ‘cunha’ que, embora relativamente pequena, poder partir o tronco, quando aplicada a seus pontos mais fracos”.
O “design inteligente” é apenas uma ferramenta de propaganda para tal: minar a confiança do público na ciência, a fim de promover uma modalidade muito peculiar de cristianismo como alternativa. 
Esta constatação foi aceita não só pela comunidade científica, como também por todas as instâncias do Judiciário dos Estados Unidos, que em uma série de julgamentos identificaram o design inteligente com propaganda religiosa e, por isso, proibiram seu ensino em escolas públicas.
Faz parte da implementação da “cunha” o financiamento de trabalhos acadêmicos criacionistas, que tenham a aparência superficial de estudos científicos, a fim de borrar, aos olhos do público, a distinção entre ciência legítima e doutrinação religiosa. Outras organizações criacionistas resolveram seguir o mesmo “playbook”, e lançaram até mesmo seus próprios periódicos “com revisão pelos pares”.
Ver o orçamento Capes sob o comando de alguém afinado com essa agenda é algo que deveria tirar o sono de todos os educadores e cientistas sérios do Brasil.

 

Fonte:  Questão de Ciência

Por: Carlos Orsi

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O ódio à ciência

“Se Jesús não ensinou idiomas, literatura, física ou química, por que ensinar?”  Cada vez mais o pensamento racional se encontra ameaçado por um grupo maior de diversas religiões que se esforçam para lavar o cérebro de crianças, atrofiando sua capacidade de discernimento.

El odio por la ciencia de la fundadora del adventismo

La señora Elena G. de White nació un 26 de noviembre de 1827 y llegaría a ayudar a establecer la Iglesia Adventista del Séptimo Día, una variante del cristianismo nacido en el siglo XIX.
Para los adventistas la figura de Elena G. de White es muy importante porque para ellos es considerada como "profeta", elemento que los distancia de otros grupos protestantes. Sin embargo, un análisis escéptico a la vida y obra de la señora White nos muestra que su fanatismo y alucinaciones visuales y auditivas, se enmarcan con una epilepsia de lóbulo temporal, así como causa sobresalto sus predicciones incumplidas y sus posturas fanáticas en las que despreció la lucha por la igualdad racial y la emancipación de la mujer a cambio de defender la predicación de un inminente fin del mundo. En este artículo revisaremos las recomendaciones dadas al sistema de educación adventista.En el libro llamado "La educación cristiana" se muestra una torcida visión de la educación, en la que se promueve el lavado cerebral y el adoctrinamiento, en lugar del libre pensamiento, la lectura crítica y la ciencia.Nótese la siguiente declaración: "¿Qué es la educación superior? Ninguna puede ser llamada así a menos que lleve la semejanza del cielo, a menos que encamine a los jóvenes de ambos sexos a ser semejantes a Cristo, y los habilite para ponerse a la cabeza de sus familias, en lugar de Dios.Si, durante su vida escolar, un joven ha dejado de adquirir un conocimiento del griego o del latín y los sentimientos contenidos en las obras de autores incrédulos, no ha sufrido mucha pérdida. Si Jesucristo hubiera considerado esencial esta clase de educación, ¿no la hubiera dado a sus discípulos a quienes estaba educando para que hiciesen la obra más grande que jamás se haya encargado a los mortales, la de representarlo ante el mundo? Empero, en lugar de ella, puso la verdad sagrada en sus manos para que la diesen al mundo en su sencillez. EC 236.3 A veces son necesarios los eruditos en griego y latín. Alguien ha de estudiar estos idiomas. Eso está bien. Pero no todos, ni tampoco muchos, deben estudiarlos. Los que creen que el conocimiento del griego y el latín es esencial para una educación superior, no pueden ver muy lejos.Ni tampoco es necesario un conocimiento de los misterios de aquello que los hombres y el mundo llaman ciencia, para entrar en el reino de Dios.Satanás es el que llena la mente de sofismas y tradición, que excluyen la verdadera educación superior y perecerán con el estudiante" Es decir, si Jesús no le enseñó idiomas, literatura, física o química ¿para qué enseñarlos?. Noten el grado de lavado cerebral que desea inducir esta señora. Y para evidenciar, aún más, su desprecio por la ciencia, luego remata:"Muchos educadores de escuelas de la actualidad están practicando el engaño al guiar a sus alumnos a terrenos de estudio comparativamente inútiles, estudios que exigen tiempo, concentración y recursos que debieran emplearse en la obtención de aquella educación superior que Cristo vino a dar [...] El llamado árbol de la ciencia, se ha convertido en un instrumento de muerte. Satanás se ha entretejido artificiosamente, juntamente con sus dogmas y falsas teorías, en la instrucción impartida. Desde el árbol de la ciencia emite las lisonjas más agradables respecto a la educación superior. Millares participan del fruto de este árbol; mas ese fruto significa muerte para ellos.Cristo les dice: “Gastáis el dinero en lo que no es pan. Estáis empleando los talentos que Dios os ha confiado en la obtención de una educación que Dios considera como locura”.Estas ideas son tomadas literalmente por muchos adventistas, especialmente un grupo denominado "Movimiento de reforma" o reformistas. En estos grupos los niños asisten a escuelas adventistas, o incluso se les niega el derecho a la educación para ser educados en casa en el sistema de Home Schooling, además de negarse a usar medicamentos y oponerse a la vacunación. Cada vez el pensamiento racional se encuentra más amenazado por un grupo mayor de diversas religiones que apuntan sus esfuerzos en lavar el cerebro a niños pequeñas atrofiando su capacidad de discernimiento.Ver también: Elena G. de White y su temor por el racionalismo Elena G. de White: ¿Profeta de Dios o epiléptica de lóbulo temporal? Elena G. de White y los adventistas del séptimo día
En este artículo revisaremos las recomendaciones dadas al sistema de educación adventista. En el libro llamado “La educación cristiana” se muestra una torcida visión de la educación, en la que se promueve el lavado cerebral y el adoctrinamiento, en lugar del libre pensamiento, la lectura crítica y la ciencia.

Nótese la siguiente declaración:

“¿Qué es la educación superior? Ninguna puede ser llamada así a menos que lleve la semejanza del cielo, a menos que encamine a los jóvenes de ambos sexos a ser semejantes a Cristo, y los habilite para ponerse a la cabeza de sus familias, en lugar de Dios. Si, durante su vida escolar, un joven ha dejado de adquirir un conocimiento del griego o del latín y los sentimientos contenidos en las obras de autores incrédulos, no ha sufrido mucha pérdida.Si Jesucristo hubiera considerado esencial esta clase de educación, ¿no la hubiera dado a sus discípulos a quienes estaba educando para que hiciesen la obra más grande que jamás se haya encargado a los mortales, la de representarlo ante el mundo?Empero, en lugar de ella, puso la verdad sagrada en sus manos para que la diesen al mundo en su sencillez. EC 236.3
A veces son necesarios los eruditos en griego y latín. Alguien ha de estudiar estos idiomas. Eso está bien. Pero no todos, ni tampoco muchos, deben estudiarlos. Los que creen que el conocimiento del griego y el latín es esencial para una educación superior, no pueden ver muy lejos.Ni tampoco es necesario un conocimiento de los misterios de aquello que los hombres y el mundo llaman ciencia,para entrar en el reino de Dios. Satanás es el que llena la mente de sofismas y tradición, que excluyen la verdadera educación superior y perecerán con el estudiante”
Es decir, si Jesús no le enseñó idiomas, literatura, física o química ¿para qué enseñarlos?. Noten el grado de lavado cerebral que desea inducir esta señora. Y para evidenciar, aún más, su desprecio por la ciencia, luego remata:
“Muchos educadores de escuelas de la actualidad están practicando el engaño al guiar a sus alumnos a terrenos de estudio comparativamente inútiles, estudios que exigen tiempo, concentración y recursos que debieran emplearse en la obtención de aquella educación superior que Cristo vino a dar […]

El llamado árbol de la ciencia, se ha convertido en un instrumento de muerte. Satanás se ha entretejido artificiosamente, juntamente con sus dogmas y falsas teorías, en la instrucción impartida. Desde el árbol de la ciencia emite las lisonjas más agradables respecto a la educación superior. Millares participan del fruto de este árbol; mas ese fruto significa muerte para ellos. Cristo les dice: “Gastáis el dinero en lo que no es pan. Estáis empleando los talentos que Dios os ha confiado en la obtención de una educación que Dios considera como locura”.Estas ideas son tomadas literalmente por muchos adventistas, especialmente un grupo denominado “Movimiento de reforma” o reformistas. En estos grupos los niños asisten a escuelas adventistas, o incluso se les niega el derecho a la educación para ser educados en casa en el sistema deHome Schooling,además de negarse a usar medicamentos y oponerse a la vacunación.
Cada vez el pensamiento racional se encuentra más amenazado por un grupo mayor de diversas religiones que apuntan sus esfuerzos en lavar el cerebro a niños pequeñas atrofiando su capacidad de discernimiento.
 
Por: Ferney Yesyd Rodríguez
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Quem são os inimigos das crianças

Qualquer corrente alternativa que confronte a medicina baseada na ciência tem associados produtos e/ou serviços. Falsos medicamentos, falsos especialistas que dão consultas, cursos e palestras, que publicam livros, etc.

Quem são os inimigos das crianças?

A pergunta salta à vista do título do livro “Os Inimigos das Crianças: A iliteracia científica e os mitos da ignorância” (Casa das Letras, 2019), de vários autores, coordenado pelo especialista em neurodesenvolvimento Miguel Mealha Estrada e com prefácio do neuropediatra Nuno Lobo Antunes.

Serão muito poucos os pais que não querem o melhor para os filhos. Mas vivemos em tempos particulares. Décadas de medicina baseada na ciência esvaneceram os horrores da doença e da morte prematura. Os actuais jovens pais nunca viram ninguém com sarampo, não sabem de nenhuma mulher que tenha morrido a dar à luz nem perderam irmãos na infância.

É natural que muitos se sintam seguros e sabichões. A informação aparenta estar ao alcance de qualquer um que tenha acesso à internet e algum tempo livre. Mas é sempre possível encontrar uma página, um canal de youtube ou uma diarreia de tweets que pomposamente defenda qualquer disparate. Na Internet há de tudo e o seu contrário. Para tirar teimas não é difícil encontrar uma bolha de “amigos” no Facebook, que se confortam e criam uma ilusão de sentido no disparate. Quem discorda é rapidamente expulso, a blasfémia não é tolerada (é inacreditável o que se passa nos grupos de defensores da Terra Plana, por exemplo). Os algoritmos das redes sociais dão uma ajuda, pois mostram-nos preferencialmente os conteúdos com que temos mais probabilidade de interagir, que são aqueles com os quais concordamos.

E depois há os negócios. Talvez alguns comecem com pessoas auto-iludidas que querem fazer da sua epifania um modo de vida e “ajudar” os outros. Mas no fim do dia são negócios. Como escreveu o autor norte-americano Upton Sinclair “é difícil fazer um homem compreender uma coisa quando seu salário depende, acima de tudo, de não a compreender”.Qualquer corrente alternativa que confronte a medicina baseada na ciência tem associados produtos e/ou serviços. Falsos medicamentos, falsos especialistas que dão consultas, cursos e palestras, que publicam livros, etc.

Se podemos concordar que um adulto tenha uma ampla liberdade de decisão — devendo ter acesso a informação fundamentada — as decisões de saúde tomadas pelos filhos são mais delicadas. O conhecido caso do adolescente norte-americano Ethan Lindenberger, que se vacinou contra a vontade dos pais anti-vacinas quando fez 18 anos, é uma boa ilustração do problema.

O livro “Os Inimigos das Crianças” discute de modo fluído e muito bem fundamentado vários temas em que a desinformação é abundante. Por exemplo, num capítulo assinado pelo médico especialista em Medicina Geral e Familiar Armando Brito de Sá, discute-se a moda dos “doulas” e dos partos planeados em casa:

“Ainsatisfação actual acerca da forma como o parto decorre no contexto hospitalar não se resolve com partos em casa, que são um convite ao desastre, nem provavelmente com a introdução no sistema de pessoas bem intencionadas e modas new age. Essa insatisfação resolve- se através de modificações profundas nos serviços hospitalares de obstetrícia, aumentando as escolhas referentes ao parto e respeitando as decisões das mulheres, desde que isso não as coloque, e aos bebés, em risco.”

No capítulo seguinte, Armando Brito de Sá e a especialista em Medicina Geral e Familiar Sara Faustino, debruçam-se sobre a amamentação:

“Socialmente, estamos perante um processo complexo, com intervenção de forças por vezes contraditórias, que incluem convicções pes soais sobre o aleitamento, pressão social e laboral, forças de marketing e modelos de prestação de cuidados de saúde. Em algumas áreas, assiste-se inclusivamente a uma espécie de demonização do aleitamento artificial queécientificamente infundado e social mente inaceitável.”

O também especialista em Medicina Geral e Familiar Flávio Rodrigo Simões discute a vacinação e os movimentos anti-vacinas, refutando alguns dos principais mitos propalados pelos seus paladinos, como o de que são dadas demasiadas vacinas em pouco tempo:

“Em primeiro lugar, muitas doenças da infância preveníveis com vacinas podem surgir muito pre cocemente (exemplo: tosse convulsa). Atrasar a administração da vacina pode resultar numa infec ção grave. Ironicamente, o sistema imunitário da criança estará menos preparado para responderàinfecção do queàvacina.

Em segundo lugar, não háevidência de que a exposição antigénica precoce«sobrecarregue»de alguma forma o sistema imunitário de uma crian ça saudável. pelo contrário, a evidência disponível mostra que a exposição antigénica vacinal não tem qualquer impacto no funcionamento do sistema imunitário ou no risco de desenvolver infecções.”

Também o uso da ritalina e a Perturbação da Hiperactividade e Défice de Atenção (PHDA) são abordados num capítulo assinado pelo especialista em Medicina Geral e Familiar Óscar de Barros e por Miguel Mealha Estrada:

“A PHDA nãoéde todo uma patologia moder na. Existe o mito de que a PHDAéuma doença da modernidade, que a PHDA está a aumentar de forma dramática, que a causa desse aumentoéum sobre­diagnóstico da doença em crianças que são saudáveis (…). Isto nãoéverdade na maioria dos cenários avalia dos. Primeiro, a PHDA tem um componente genético importante: estudos de famílias, de gémeos e crian ças adoptadas demonstraram que a PHDA tem uma hereditariedade que ronda os 74%.”

São abordados outros temas, como a oposição ao uso do flúor em medicina dentária (da autoria do mestre em medicina dentária Ricardo Lopes), a cirurgia em idade pediátrica (pelo cirurgião Filipe Magalhães Ramos), a anestesia em crianças (pela anestesiologista Susana Garcia Vargas), o tratamento da depressão em crianças e uso de antidepressivos (pelo pedopsiquiatra Nuno Pangaio) e a escola, brincadeiras ebullying(Ricardo Lopes). O livro é de um valor inestimável para quem pretende tomar decisões bem informadas acerca da saúde das crianças.

Fonte: Observador Pt
Por: David Marçal, bioquímico
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Pesquisa: o que sentem as mulheres após abortarem

Pesquisadores das Universidades da California e de Columbia publicaram na revista Social Science & Medicine qual a principal e surpreendente emoção das mulheres depois de um aborto.

Foto: Wikimedia Commons

99% de las mujeres sienten alivio y no arrepentimiento 5 años después de tener aborto

En un estudio, casi todas las mujeres se sienten seguras de que el aborto fue la decisión correcta, a cinco años de haberlo sufrido.

¿Cuál es la principal emoción que experimentan las mujeres después de un aborto? La respuesta podría sorprender a muchas personas: una nueva investigación ha encontrado que la mayoría de las mujeres sientenalivioen los años posteriores a haberse practicado un aborto.

Casi todas las mujeres en el estudio, incluidas aquellas que tuvieron dificultades para tomar la decisión de interrumpir su embarazo, dijeron que fue la decisión correcta 5 años después del procedimiento.

El informe, que fue publicado en la revista Social Science & Medicine el 12 de enero, desmiente la suposición de que las mujeres lamentan interrumpir sus embarazos, una noción que los activistas contrarios a la elección han usado para presionar por períodos de espera obligatorios y asesoramiento sobre el aborto en muchos países.

Seguras de la decisión correcta

Para su investigación, expertos de la Universidad de California en San Francisco y la Universidad de Columbia analizaron datos de 667 mujeres en 21 estados de EE.UU. que participaron en el Estudio Turnaway, un proyecto de 5 años que examinó los efectos socioeconómicos y de salud de los abortos.

El estudio tuvo una base de participantes étnicamente diversa, compuesta por 35% de blancos no latinos, 32% afrodescendientes no latinos, 21% latinos y 13% de otros orígenes étnicos.

La edad promedio de los participantes era de 25 años al comienzo del estudio. Alrededor de 6 de cada 10 participantes ya tenían al menos un hijo.

eMientras que más de la mitad de las participantes lucharon por tomar la decisión de abortar, el 97.5% de las mujeres dijeron a las entrevistadoras que, incluso una semana después del procedimiento, ya sentían que la decisión había sido correcta.Después de 5 años, el 99% sintió que abortar no había sido un error.

“Realizo abortos, y la mayoría de las personas que vienen pidiéndolo saben que es lo que quieren”, dijo el doctor Tristan Bickman, un obstetra y ginecólogo de Santa Mónica, California, y coautor de “Whoa Baby!: Una guía para las nuevas mamás que se sienten abrumadas y asustadas (y se preguntan qué rayos acaba de pasar)”:

“Por supuesto que hay excepciones, pero la mayoría de las mujeres se sienten aliviados cuando termina (el aborto)”, añadió.

Fonte: LARED21
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Pregar abstinência sexual não previne a gravidez precoce

A Sociedade Americana pela Saúde e Medicina do Adolescente emitiu um documento: programas baseados na abstinência sexual são eticamente deficientes e deveriam simplesmente deixar de existir.

Foto: Kleyton Amorim/UOL/Folhapress

A ideia fundamentalista de Damares para prevenir gravidez precoce não faz o menor sentido

Diferentes pesquisas científicassobre sexo desprotegido e gravidez precoce trazem repetidamente a mesma conclusão: não há evidências de que programas baseados na abstinência sexual sejam eficazes como defende a ministra Damares Alves. São artigos, publicados internacionalmente de2007a2019, incluindo revisões sistemáticas, metanálises,estudos epidemiológicose atéuma revisão de revisões sistemáticas.

A maior parte dos dados vêm de países desenvolvidos, masuma metanálise feita em países em desenvolvimentotampouco conseguiu apontar efetividade nos programas centrados em abstinência.

Os dados são tão eloquentes que, em 2017, a Sociedade Americana pela Saúde e Medicina do Adolescenteemitiu um documentono qual considera que programas baseados na abstinência sexual são eticamente deficientes e deveriam simplesmente deixar de existir.

Diante das críticas ao seu programa que propõe ensinar abstinência sexual a adolescentes, Damaresfoi aoTwitterexpressar que a proposta não seria para “impor condutas morais ou religiosas”, e que teria base em “sérios estudos e pesquisas científicas”, citandoum estudo chileno de 2005. Damares recorreu ao que no mundo acadêmico é chamado de cherry-picking.

Cherry-picking(“apanhar cerejas”, em tradução ao português) significa o ato de selecionar na literatura científica um determinado resultado que reforce a visão de mundo que se está tentando defender. O estudo chileno citado por Damares é uma fruta única, lustrosa e isolada que está dentro de um cesto cheio de cerejas podres.

Como forma de se contornar resultados isolados, há outros estudos que, após uma série de critérios de seleção e qualidade, permitem analisar um tipo de intervenção em dezenas, às vezes, centenas de artigos científicos de uma só vez. Esses tipos de estudos são as revisões sistemáticas e metanálises mencionadas acima. Damares ignora isso.

Mas isso não é surpreendente. Basear-se em evidência científica e ser um membro do governo Bolsonaro já é uma contradição em termos. Afinal, trata-se da administração federal que nega fatos científicos como a mudança climática, despreza o financiamento para a pesquisa nacional e exonera um cientista do quilate de Ricardo Galvão, ex-presidente doInpedemitido por Bolsonaro, por ele se opor à narrativa oficial da inexistência de desmatamento na Amazônia.

Modelos centrados na abstinência não informam adequadamente sobre os métodos contraceptivos, não respeitam a diversidade de visões sobre sexualidade na população, oferecem risco ao não instruir sobre como evitar a transmissão de infecções sexualmente transmissíveis, as ISTs, e não consideram que a capacidade de rejeitar o ato sexual pode ser desigual a depender do gênero e da cor da pessoa.

A concepção de que a abstinência é o único método 100% eficiente esbarra na realidade de que, para um método funcionar, ele precisa ser aplicado de forma factível, e a realidade revela que as pessoas se casam cada vez mais tarde e o sexo antes do casamento é cada vez mais aceito pela sociedade, goste-se disso ou não.

Os especialistas e a literatura indicam que a solução estaria na adoção pelas escolas de programas de educação sexual abrangente: inclusivos, cientificamente corretos e culturalmente sensíveis. Isso significa acolher, sem necessariamente reforçar, a diversidade sexual que já existe na sociedade e afeta os nossos jovens de forma inequívoca: mais de um quarto deles já teve relação sexual no nono ano, segundopesquisa do IBGE de 2015.

Apesar da oposição dos bolsonaristas a esse tipo de intervenção, que são associados, sem base verossímil, à existência de “kits gays”, essesprogramasabrangentes estão internacionalmente associados a menores taxas de gravidez precoce e maior proteção em relação às ISTs, quando são avaliados, inclusive nos países em desenvolvimento, como o nosso.

Vale dizer que a saúde pública brasileira tem estudado o fenômeno de forma extensa, com grande acúmulo de pesquisas qualitativas e quantitativas, e seria necessário, para um programa federal eficiente, que os especialistas da área fossem convocados.

Não podemos esquecer da principal variável modificável associada com a gravidez infantil:a escolaridade. Quanto maiores as taxas de instrução da população e, especialmente, das adolescentes, menor a chance de ocorrer uma gravidez nesta fase da vida. Ou seja, a velha máxima de que se quisermos mudar esse país, o primeiro caminho é pela escola continua a valer também neste caso.

Por fim, é importante dizer que a opção pela abstinência é pessoal e deve ser respeitada – da mesma forma que a opção contrária. O que não pode ser admitido neste país é que tomemos decisões políticas baseadas em valores fundamentalistas e nos abstermos de evidências científicas sólidas.

Por: Luís Fernando Tófoli
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Os preconceitos e a dificuldade de mudar de opinião

Os preconceitos e a dificuldade de mudar de opinião

Pesquisas mostram que algumas pessoas funcionam basicamente em função de seus preconceitos e isto os impediria de mudar de opinião mesmo diante de argumentos válidos.

Tali Sharot

Nuestro cerebro funciona en base a prejuicios y a prueba de argumentos

UN ESTUDIO MUESTRA QUE UN ÁREA DEL CEREBRO PODRÍA ESTAR IMPIDIENDO A UNA PERSONA EL CAMBIAR DE OPINIÓN POR MÁS ARGUMENTOS VÁLIDOS QUE ÉSTA RECIBA PARA HACERLO

Una frase atribuida a Albert Einstein reza que «dividir un átomo es más fácil que romper un prejuicio», y esto podría ser cierto por la propia forma que tiene de funcionar el cerebro humano. ¿Cuántas veces hemos entrado en discusiones eternas sin que ninguno de los lados esté dispuesto a ceder en su posición? No importa qué tanta confianza se tengan dos personas en discusión, si sus opiniones están polarizadas no existe argumento que pueda ponerlas en común. Pueden ser los dos mejores amigos de toda la vida, pero si uno piensa que la tierra es plana y el otro que es redonda, o si uno defiende la teoría de la evolución y el otro es un ferviente defensor de la creación divina, nunca habrá argumentos que puedan acercar ambas opiniones. No existe lógica que pueda intercambiar visiones antagónicas del mundo. Si funcionamos cotidianamente según ciertos paradigmas básicos, cualquier detalle que venga a contradecirnos tal paradigma es eliminado cuasi por reflejo por nuestro cerebro. En la práctica más instintiva, nuestra mente necesita de certidumbres para funcionar, por lo que la incertidumbre se le presenta como su peor enemiga.

«¿Por qué hemos desarrollado un cerebro que descarta información perfectamente válida cuando esa información no se ajusta a su visión del mundo? Esto puede parecer un mal diseño que puede conducir a muchos errores de juicio. Entonces, ¿por qué no se ha corregido este fallo en el transcurso de la evolución humana?», se pregunta la neurocientífica Tali Sharot en The influential mind (La mente influyente, editorial Little Brown). Estas son las preguntas que intenta responder Sharot, de la University College de Londres, a través de una investigación que busca demostrar que el cerebro posee todo un mecanismo de filtración de aquella información que pueda contradecir las bases de su pensamiento. Los experimentos consistían en estudiar el comportamiento de varios participantes en un juego de apuestas acerca del costo de ciertos inmuebles. Particularmente interesaba analizar cómo variaban las apuestas de los participantes al conocer lo que había apostado su acompañante, pudiendo al saberlo solo aumentar o disminuir la apuesta pero no modificar el sentido original de la misma. Los científicos descubrieron que los jugadores solían aumentar su apuesta de forma proporcional al nivel de coincidencia de su compañero. Sin embargo, si los acompañantes habían apostado algo contrario a su apuesta original, los participantes no disminuían sus apuestas, o, si lo hacían, apenas la disminuían. Incluso daba lo mismo si el acompañante se mostraba muy seguro de su posición contraria: no importaba la magnitud de la apuesta antagonista, los participantes se mostraban aún muy reacios a modificar sus convicciones. «Descubrimos que cuando las personas no están de acuerdo, sus cerebros no logran registrar la fuerza de la opinión de la otra persona, lo que les da menos razones para cambiar de opinión», informó a El País de Madrid Andreas Kappes, investigador de la Universidad de la City de Londres y coautor de este estudio, que publica Nature Neuroscience. «Nuestros hallazgos sugieren que ni siquiera los argumentos más elaborados del otro lado convencerán a las personas más polarizadas porque el desacuerdo será suficiente para rechazarlo», aseguró Kappes. Y añadió: «El hecho de no observar la calidad del argumento opuesto hace que los cambios en la mente sean menos probables».

Por su parte Tali Sharot, directora del Affective Brain Lab en la University College de Londres, considera que el ser humano tiene tendencia a «buscar e interpretar datos de una manera que fortalezca nuestras opiniones preestablecidas». El equipo de Sharot se concentró en sus estudios en una región en específico del cerebro: a través del uso de resonancia magnética se focalizaron en entender el rol de la corteza prefrontal medial posterior en nuestra evaluación de los hechos y evidencias que nos lleva a formar una opinión dada. Los resultados apuntaron a que esa región del cerebro se encontraba activa cuando una persona estudiaba el nivel de confianza de otra respecto a una posición determinada para así ajustar sus propias creencias a la confianza de su interlocutor. Sin embargo esto sólo sucedía cuando ambas personas se encontraban de acuerdo en un tema en particular, el cerebro dando pocas posibilidades a un cambio de opinión en caso de que el interlocutor se oponga a sus convicciones. «La tendencia conductual a descartar la información discrepante tiene implicaciones significativas para los individuos y la sociedad, ya que puede generar polarización y facilitar el mantenimiento de creencias falsas», afirmó Kappes. Esto lleva incluso a los internautas a contentarse con los primeros resultados de una búsqueda de información en Internet siempre y cuando esa información satisfaga sus opiniones.

«Este estudio es un buen primer paso para estudiar los mecanismos del sesgo de confirmación, porque encuentran una correlación con las diferencias en esta región del cerebro, pero esto sigue sin explicar esa discrepancia entre nuestra opinión y la evidencia que nos contradice», opinó la neurocientífica Susana Martínez-Conde, especialista en estos autoengaños de la mente. «Seguimos sin saber el mecanismo neural; el hecho de encontrar actividad asociada no da una explicación, cualquier comportamiento va a estar basado en el cerebro, lo extraño sería que no se observara diferencia», apuntó la directora del laboratorio de Neurociencia Integrada de la Universidad del Estado de Nueva York. Aun así la científica considera que el mecanismo existe y por ende es posible el dilucidar su funcionamiento, «quizá no con estas herramientas actuales, pero a nivel teórico el mecanismo neural tiene una respuesta física que debemos poder observar». «Los resultados no son tan alarmantes: las opiniones negativas influyen, aunque mucho menos, aunque no tienen el mismo peso, pero sí las consideramos mínimamente. Es un comienzo», aseguró Martínez-Conde. Al desarrollar su argumento, Martínez-Conde coincide con lo que asegura Tali Sharot en su libro: «Los números y las estadísticas son necesarios y maravillosos para descubrir la verdad, pero no son suficientes para cambiar las creencias, y son prácticamente inútiles para motivar la acción». La mejor forma de tratar con este sesgo de confirmación es siempre presentar los argumentos que apoyan nuestra posición dentro de un esquema que haga sentir a nuestro interlocutor que ambos estamos dentro de la misma esfera de coincidencia. Como si en el experimento hubieras votado lo mismo, porque es cuando sí se atienden los argumentos del otro. «A la hora de intentar alcanzar un consenso, busquemos un punto de partida en el que estemos de acuerdo, y a partir de ahí será más fácil moderar las opiniones de los demás», concluyó Martínez-Conde.

Tali Sharot – Wikipedia

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