Pregar abstinência sexual não previne a gravidez precoce

A Sociedade Americana pela Saúde e Medicina do Adolescente emitiu um documento: programas baseados na abstinência sexual são eticamente deficientes e deveriam simplesmente deixar de existir.

Foto: Kleyton Amorim/UOL/Folhapress

A ideia fundamentalista de Damares para prevenir gravidez precoce não faz o menor sentido

Diferentes pesquisas científicassobre sexo desprotegido e gravidez precoce trazem repetidamente a mesma conclusão: não há evidências de que programas baseados na abstinência sexual sejam eficazes como defende a ministra Damares Alves. São artigos, publicados internacionalmente de2007a2019, incluindo revisões sistemáticas, metanálises,estudos epidemiológicose atéuma revisão de revisões sistemáticas.

A maior parte dos dados vêm de países desenvolvidos, masuma metanálise feita em países em desenvolvimentotampouco conseguiu apontar efetividade nos programas centrados em abstinência.

Os dados são tão eloquentes que, em 2017, a Sociedade Americana pela Saúde e Medicina do Adolescenteemitiu um documentono qual considera que programas baseados na abstinência sexual são eticamente deficientes e deveriam simplesmente deixar de existir.

Diante das críticas ao seu programa que propõe ensinar abstinência sexual a adolescentes, Damaresfoi aoTwitterexpressar que a proposta não seria para “impor condutas morais ou religiosas”, e que teria base em “sérios estudos e pesquisas científicas”, citandoum estudo chileno de 2005. Damares recorreu ao que no mundo acadêmico é chamado de cherry-picking.

Cherry-picking(“apanhar cerejas”, em tradução ao português) significa o ato de selecionar na literatura científica um determinado resultado que reforce a visão de mundo que se está tentando defender. O estudo chileno citado por Damares é uma fruta única, lustrosa e isolada que está dentro de um cesto cheio de cerejas podres.

Como forma de se contornar resultados isolados, há outros estudos que, após uma série de critérios de seleção e qualidade, permitem analisar um tipo de intervenção em dezenas, às vezes, centenas de artigos científicos de uma só vez. Esses tipos de estudos são as revisões sistemáticas e metanálises mencionadas acima. Damares ignora isso.

Mas isso não é surpreendente. Basear-se em evidência científica e ser um membro do governo Bolsonaro já é uma contradição em termos. Afinal, trata-se da administração federal que nega fatos científicos como a mudança climática, despreza o financiamento para a pesquisa nacional e exonera um cientista do quilate de Ricardo Galvão, ex-presidente doInpedemitido por Bolsonaro, por ele se opor à narrativa oficial da inexistência de desmatamento na Amazônia.

Modelos centrados na abstinência não informam adequadamente sobre os métodos contraceptivos, não respeitam a diversidade de visões sobre sexualidade na população, oferecem risco ao não instruir sobre como evitar a transmissão de infecções sexualmente transmissíveis, as ISTs, e não consideram que a capacidade de rejeitar o ato sexual pode ser desigual a depender do gênero e da cor da pessoa.

A concepção de que a abstinência é o único método 100% eficiente esbarra na realidade de que, para um método funcionar, ele precisa ser aplicado de forma factível, e a realidade revela que as pessoas se casam cada vez mais tarde e o sexo antes do casamento é cada vez mais aceito pela sociedade, goste-se disso ou não.

Os especialistas e a literatura indicam que a solução estaria na adoção pelas escolas de programas de educação sexual abrangente: inclusivos, cientificamente corretos e culturalmente sensíveis. Isso significa acolher, sem necessariamente reforçar, a diversidade sexual que já existe na sociedade e afeta os nossos jovens de forma inequívoca: mais de um quarto deles já teve relação sexual no nono ano, segundopesquisa do IBGE de 2015.

Apesar da oposição dos bolsonaristas a esse tipo de intervenção, que são associados, sem base verossímil, à existência de “kits gays”, essesprogramasabrangentes estão internacionalmente associados a menores taxas de gravidez precoce e maior proteção em relação às ISTs, quando são avaliados, inclusive nos países em desenvolvimento, como o nosso.

Vale dizer que a saúde pública brasileira tem estudado o fenômeno de forma extensa, com grande acúmulo de pesquisas qualitativas e quantitativas, e seria necessário, para um programa federal eficiente, que os especialistas da área fossem convocados.

Não podemos esquecer da principal variável modificável associada com a gravidez infantil:a escolaridade. Quanto maiores as taxas de instrução da população e, especialmente, das adolescentes, menor a chance de ocorrer uma gravidez nesta fase da vida. Ou seja, a velha máxima de que se quisermos mudar esse país, o primeiro caminho é pela escola continua a valer também neste caso.

Por fim, é importante dizer que a opção pela abstinência é pessoal e deve ser respeitada – da mesma forma que a opção contrária. O que não pode ser admitido neste país é que tomemos decisões políticas baseadas em valores fundamentalistas e nos abstermos de evidências científicas sólidas.

Por: Luís Fernando Tófoli
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Pesquisas mostram que algumas pessoas funcionam basicamente em função de seus preconceitos e isto os impediria de mudar de opinião mesmo diante de argumentos válidos.

Tali Sharot

Nuestro cerebro funciona en base a prejuicios y a prueba de argumentos

UN ESTUDIO MUESTRA QUE UN ÁREA DEL CEREBRO PODRÍA ESTAR IMPIDIENDO A UNA PERSONA EL CAMBIAR DE OPINIÓN POR MÁS ARGUMENTOS VÁLIDOS QUE ÉSTA RECIBA PARA HACERLO

Una frase atribuida a Albert Einstein reza que «dividir un átomo es más fácil que romper un prejuicio», y esto podría ser cierto por la propia forma que tiene de funcionar el cerebro humano. ¿Cuántas veces hemos entrado en discusiones eternas sin que ninguno de los lados esté dispuesto a ceder en su posición? No importa qué tanta confianza se tengan dos personas en discusión, si sus opiniones están polarizadas no existe argumento que pueda ponerlas en común. Pueden ser los dos mejores amigos de toda la vida, pero si uno piensa que la tierra es plana y el otro que es redonda, o si uno defiende la teoría de la evolución y el otro es un ferviente defensor de la creación divina, nunca habrá argumentos que puedan acercar ambas opiniones. No existe lógica que pueda intercambiar visiones antagónicas del mundo. Si funcionamos cotidianamente según ciertos paradigmas básicos, cualquier detalle que venga a contradecirnos tal paradigma es eliminado cuasi por reflejo por nuestro cerebro. En la práctica más instintiva, nuestra mente necesita de certidumbres para funcionar, por lo que la incertidumbre se le presenta como su peor enemiga.

«¿Por qué hemos desarrollado un cerebro que descarta información perfectamente válida cuando esa información no se ajusta a su visión del mundo? Esto puede parecer un mal diseño que puede conducir a muchos errores de juicio. Entonces, ¿por qué no se ha corregido este fallo en el transcurso de la evolución humana?», se pregunta la neurocientífica Tali Sharot en The influential mind (La mente influyente, editorial Little Brown). Estas son las preguntas que intenta responder Sharot, de la University College de Londres, a través de una investigación que busca demostrar que el cerebro posee todo un mecanismo de filtración de aquella información que pueda contradecir las bases de su pensamiento. Los experimentos consistían en estudiar el comportamiento de varios participantes en un juego de apuestas acerca del costo de ciertos inmuebles. Particularmente interesaba analizar cómo variaban las apuestas de los participantes al conocer lo que había apostado su acompañante, pudiendo al saberlo solo aumentar o disminuir la apuesta pero no modificar el sentido original de la misma. Los científicos descubrieron que los jugadores solían aumentar su apuesta de forma proporcional al nivel de coincidencia de su compañero. Sin embargo, si los acompañantes habían apostado algo contrario a su apuesta original, los participantes no disminuían sus apuestas, o, si lo hacían, apenas la disminuían. Incluso daba lo mismo si el acompañante se mostraba muy seguro de su posición contraria: no importaba la magnitud de la apuesta antagonista, los participantes se mostraban aún muy reacios a modificar sus convicciones. «Descubrimos que cuando las personas no están de acuerdo, sus cerebros no logran registrar la fuerza de la opinión de la otra persona, lo que les da menos razones para cambiar de opinión», informó a El País de Madrid Andreas Kappes, investigador de la Universidad de la City de Londres y coautor de este estudio, que publica Nature Neuroscience. «Nuestros hallazgos sugieren que ni siquiera los argumentos más elaborados del otro lado convencerán a las personas más polarizadas porque el desacuerdo será suficiente para rechazarlo», aseguró Kappes. Y añadió: «El hecho de no observar la calidad del argumento opuesto hace que los cambios en la mente sean menos probables».

Por su parte Tali Sharot, directora del Affective Brain Lab en la University College de Londres, considera que el ser humano tiene tendencia a «buscar e interpretar datos de una manera que fortalezca nuestras opiniones preestablecidas». El equipo de Sharot se concentró en sus estudios en una región en específico del cerebro: a través del uso de resonancia magnética se focalizaron en entender el rol de la corteza prefrontal medial posterior en nuestra evaluación de los hechos y evidencias que nos lleva a formar una opinión dada. Los resultados apuntaron a que esa región del cerebro se encontraba activa cuando una persona estudiaba el nivel de confianza de otra respecto a una posición determinada para así ajustar sus propias creencias a la confianza de su interlocutor. Sin embargo esto sólo sucedía cuando ambas personas se encontraban de acuerdo en un tema en particular, el cerebro dando pocas posibilidades a un cambio de opinión en caso de que el interlocutor se oponga a sus convicciones. «La tendencia conductual a descartar la información discrepante tiene implicaciones significativas para los individuos y la sociedad, ya que puede generar polarización y facilitar el mantenimiento de creencias falsas», afirmó Kappes. Esto lleva incluso a los internautas a contentarse con los primeros resultados de una búsqueda de información en Internet siempre y cuando esa información satisfaga sus opiniones.

«Este estudio es un buen primer paso para estudiar los mecanismos del sesgo de confirmación, porque encuentran una correlación con las diferencias en esta región del cerebro, pero esto sigue sin explicar esa discrepancia entre nuestra opinión y la evidencia que nos contradice», opinó la neurocientífica Susana Martínez-Conde, especialista en estos autoengaños de la mente. «Seguimos sin saber el mecanismo neural; el hecho de encontrar actividad asociada no da una explicación, cualquier comportamiento va a estar basado en el cerebro, lo extraño sería que no se observara diferencia», apuntó la directora del laboratorio de Neurociencia Integrada de la Universidad del Estado de Nueva York. Aun así la científica considera que el mecanismo existe y por ende es posible el dilucidar su funcionamiento, «quizá no con estas herramientas actuales, pero a nivel teórico el mecanismo neural tiene una respuesta física que debemos poder observar». «Los resultados no son tan alarmantes: las opiniones negativas influyen, aunque mucho menos, aunque no tienen el mismo peso, pero sí las consideramos mínimamente. Es un comienzo», aseguró Martínez-Conde. Al desarrollar su argumento, Martínez-Conde coincide con lo que asegura Tali Sharot en su libro: «Los números y las estadísticas son necesarios y maravillosos para descubrir la verdad, pero no son suficientes para cambiar las creencias, y son prácticamente inútiles para motivar la acción». La mejor forma de tratar con este sesgo de confirmación es siempre presentar los argumentos que apoyan nuestra posición dentro de un esquema que haga sentir a nuestro interlocutor que ambos estamos dentro de la misma esfera de coincidencia. Como si en el experimento hubieras votado lo mismo, porque es cuando sí se atienden los argumentos del otro. «A la hora de intentar alcanzar un consenso, busquemos un punto de partida en el que estemos de acuerdo, y a partir de ahí será más fácil moderar las opiniones de los demás», concluyó Martínez-Conde.

Tali Sharot – Wikipedia

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REPRODUÇÃO/LACUNA

Virgínia Bicudo foi a primeira psicanalista não-médica do Brasil.

Quem foi Virgínia Bicudo: Mulher, negra e pioneira na psicanálise, mas invisível no Brasil

Neta de mulher escravizada alforriada, ela foi a primeira mulher a fazer análise na América Latina e disseminou esse saber pelo País.

Entre o esquecimento, o desconhecimento e a invisibilidade, uma grande história brasileira praticamente desaparece. Com ela, some também um referencial de vida e de conquistas. Bem aqui, no País que faz vista grossa ao racismo e às desigualdades, uma mulher negra preencheu a própria trajetória com pioneirismos.

Virgínia Leone Bicudo (1910-2003), paulistana, filha de uma imigrante italiana branca e de um brasileiro negro, neta de uma mulher escravizada alforriada, foi a primeira mulher a fazer análise na América Latina.

Foi a primeira pessoa a escrever uma tese sobre relações raciais no Brasil, inaugurando, na academia, o debate sobre racismo. Foi também a primeira psicanalista não-médica no País. Tantas credenciais desta psicanalista e socióloga e, no entanto, seu nome, seu protagonismo e sua história se tornaram invisíveis a muitos brasileiros.

″Àqueles que não sabiam desse fato e o acham estarrecedor, comungamos do mesmo sentimento de estranhamento: como nunca soubemos disso? Como não nos falaram antes?”, questiona a psicanalista Ana Paula Musatti Braga, doutora em psicologia clínica pela USP (Universidade de São Paulo), em seu artigo Pelas trilhas de Virgínia Bicudo: psicanálise e relações raciais em São Paulo, publicado na revista Lacuna.

“No meu modo de ver, nunca houve interesse na divulgação do trabalho dela. Eu diria que poucos negros conhecem o que a Virgínia fez”, afirma ao HuffPost Brasil a psicanalista Isildinha Baptista Nogueira, doutora em Psicologia pela USP e pesquisadora, desde a década de 1990, dos efeitos do racismo no psiquismo dos negros.

Quando era estudante, nunca soube da Virgínia. Não há essa informação nas escolas de psicanálise, nem de psicologia, nem de psicologia social. Se você for a uma livraria, não vai encontrar os textos dela.Isildinha Baptista Nogueira, em entrevista ao HuffPost Brasil

Ela quis conhecer a origem da rejeição que sofria

A história pessoal de Virgínia, marcada pela percepção do preconceito de cor e pelo sofrimento derivado dessa discriminação, incidiu sobre as escolhas profissionais dela ao se tornar pesquisadora e definir, como objeto de estudo, as relações raciais,observa Ana Paula Braga em seu artigo.

“Eu me interessei muito cedo por esse lado social. Não foi por acaso que procurei psicanálise e sociologia. Veja bem o que fiz: eu fui buscar defesas científicas para o íntimo, o psíquico, para conciliar a pessoa de dentro com a de fora. Fui procurar na sociologia a explicação para questões de status social. E, na psicanálise, proteção para a expectativa de rejeição. Essa é a história”, diz Virgínia, em uma entrevista de 1998.

Mais cedo, em 1983, ela havia revelado o primeiro e doloroso contato com o racismo:

“Eu fui criada fechada em casa. Quando saí, foi para ir à escola, e foi quando, pela primeira vez, a criançada começou: ‘negrinha, negrinha’. Quando eu estava em casa, eu nunca tinha ouvido. Então, eu levei um susto.”

Ela disseminou a psicanálise

Até chegar à psicanálise, Virgínia foi buscar respostas na sociologia. Em 1935, já graduada como educadora sanitária, matriculou-se na Escola de Sociologia e Política: “Eu queria me aliviar de sofrer. Imaginava que a causa do meu sofrimento fossem problemas sociais, culturais”, diz, em um depoimento de 1995.

No segundo ano do curso, conheceu a psicologia social e, por consequência, as ideias de inconsciente deSigmund Freud. Foi o suficiente para despertar o desejo de se tornar psicanalista. Assim, chegou ao médico e professor Durval Marcondes, que lhe recomendou procurar a psicanalista judia alemã Adelheid Koch, vinda ao Brasil para escapar do nazismo. “Eu fui a primeira pessoa que usou o divã da Doutora Koch”, diz em uma entrevista de 1995.

Marcondes havia fundado a Sociedade Brasileira de Psicanálise (SBPSP) em 1927. Virgínia se juntou a ele em sua luta para desenvolver este saber em São Paulo e se ligou à SBPSP por toda sua vida, lembra ao HuffPost Brasil a psicanalista Maria Ângela Gomes Moretzsohn, também membro da SBPSP.

“Virgínia participou ativamente da vida societária, como psicanalista e, muitas vezes, em cargos de direção, como secretária, tesoureira, professora, supervisora, analista didata e diretora do Instituto Durval Marcondes em várias gestões.”

Em 1970, a pioneira fundou o Grupo Psicanalítico de Brasília e, mais tarde, o Instituto de Psicanálise da capital federal.

″É incontestável que o papel de Virgínia Bicudo na implantação e desenvolvimento da psicanálise no Brasil foi fundamental para chegarmos ao ponto em que estamos hoje”, afirma Moretzsohn.

Ela aproximou a psicanálise das pessoas

“Virgínia, extrovertida, bem falante, logo se tornou uma comunicadora eficiente das ideias nas quais acreditava”, exalta Moretzsohn. Enquanto a psicanálise era implementada no Brasil, os grandes veículos de comunicação a divulgavam de uma forma acessível aos leigos, e Virgínia teve papel fundamental nessa democratização do conhecimento.

De acordo com Moretzsohn, em um programa na rádio Excelsior chamadoNosso Mundo Mental, Virgínia interpretava situações envolvendo temas como inconsciente, inveja, agressividade, ciúmes, amor e ódio. Tudo em forma de radioteatro.

“Em 1954, desenvolvi um programa de divulgação de princípios de higiene mental segundo a psicanálise, através da dramatização de textos que eu compunha, e que eram levados ao ar semanalmente”, explicou Virgínia,segundo o pesquisador Jorge Luís Ferreira Abraão.

O programa deu origem uma coluna dominical no Jornal da Manhã, com o mesmo nome. Em 1956, os textos se transformaram no livroNosso Mundo Mental, de autoria de Virgínia Bicudo.

Ela demonstrou que o racismo adoece

Entre os muitos feitos da psicanalista, o estudo da questão racial e dos conflitos existentes entre brancos e negros deu início um olhar urgente e necessário para o efeitos do racismo. A dissertação do mestrado na Escola Livre de Sociologia e Política de São Paulo, nomeada Estudo de Atitudes Raciais de pretos e mulatos em São Paulo, trouxe uma inovadora investigação a partir de pais e mães de alunos de escolas públicas em bairros populares e de classe média de São Paulo. Com o depoimento de 31 pessoas, ela mostrou que,mesmo quando diminuem as diferenças sociais, o preconceito de cor permanece.

“Virgínia conseguiu fazer uma leitura que fosse não só psicanalítica; foi política, sociológica, antropológica”, enaltece Isildinha Baptista Nogueira Nogueira. Segundo a psicanalista, é preciso levar em consideração, na clínica, as questões raciais trazidas pelos pacientes.

″É preciso entender que o racismo adoece e esse é o perigo que nós corremos, pois existe uma aparente inclusão do negro na sociedade, mas esse adoecer psíquico é muito mais eficiente do que a segregação e a discriminação.”

Nogueira, que realiza terapia em grupo com pacientes negros, diz perceber como eles são fragilizados pelo racismo.

“O fortalecimento dessas pessoas pode vir do fato de serem escutadas analiticamente e do fato de entenderem que não estão solitárias, principalmente nos medos, na depressão, nos ataques de pânico.”

A pesquisadora lembra que Virgínia entendia, por meio do trabalho dela, que os efeitos do racismo passavam de geração para geração. “Foram 300 anos de escravidão. Esse passado é de todos.”

Com uma tese de doutorado na USP dedicada à obra de Virgínia, a pesquisadora Janaina Damaceno Gomes, autora deOs segredos de Virgínia: Estudos de atitudes raciais em São Paulo, destaca em seu estudo que a psicanalista, mesmo tendo sido pioneira em um período em que a maioria dos negros nem sequer era alfabetizada, “sumiu e se fez sumir”:

“Virgínia enriqueceu com a psicanálise, tornou-se célebre e requisitada entre ministros e senadores, mas isso teve um preço: tal como suas personagens ela precisou se afastar de seu grupo para completar seu processo de ascensão. Mas nesse processo ela não embranqueceu, ela apenas perdeu a cor. Foram seus relatos já idosa, de alguém que precisa marcar a pertença e relembrar sua origem, que foram fazendo sua cor mais viva.”

Ela enfrentou resistência e difamação

Em seus 92 anos de vida, Virgínia desbravou ambientes predominantemente brancos e masculinos. Como lembra Braga, até a primeira metade do século 20, a produção acadêmica das ciências sociais vinha praticamente de homens brancos, alguns negros e pobres; algumas mulheres, somente brancas. Porém, a ideologia de branqueamento no Brasil,como se refere o pesquisador Marcos Chor, ficou evidente. No documento como professora de higiene Mental e psicanálise, Virgínia é identificada como “branca”.

Não foi a primeira vez que faltou reconhecimento da obra e da pessoa que Virgínia era. Em 1955, a Unesco financiou o maior projeto de pesquisa sobre relações sociais no Brasil. Conhecido como Unesco-Anhembi, o projeto derrubou a tese de que tínhamos uma democracia racial no País. A pesquisa de Virgínia Bicudo, pioneira e fundamental para o tema, foi publicada como um apêndice do estudo, e completamente excluída da segunda edição, em 1959, como lamenta Braga em seu artigo.

O golpe mais cruel, porém, veio da saúde mental. A psicanalista foi essencial para que a SBPSP aceitasse entre seus membros analistas leigos, ou seja, não médicos. Porém, durante o 1º Congresso Latino-Americano de Saúde Mental, em 1954, ela foi alvo de hostilidades por ser uma psicanalista não-médica:

“Eu estava sentada e todos os médicos de pé, todos gritando: ‘Absurdo! Psicanalistas não médicos!’ Foi horrível! Olha que eu quase me suicidei por isso. Você ouvir outras pessoas dizendo: ‘Você é charlatã!’ Ah! Você não fica de pé! Você vai pra casa e quer morrer”, revela em uma entrevista à SBPSP.

Na época, médicos chegaram a distribuir panfletos com os dizeres “Se eres neurótico e queres se tornar psicótico, procura a doutora Virgínia Bicudo. Se trate com a doutora Virgínia Bicudo.”

Ao transitar da dor do preconceito para a investigação das próprias origens, Virgínia evidenciou sua força e determinação, reforça Moretzsohn:

“Não é difícil imaginar que a vida de Virgínia, em instituições nas quais era praticamente inexistente a presença de pessoas negras, não era fácil. Ela voltou a abordar a questão racial em momentos diferentes de sua vida, se referindo sempre a ela como uma grande experiência na esfera da dor.”

Por: Amanda Mont’Alvão Veloso
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Governo federal ideologiza assunto científico

Presidente da Anvisa,William Dib: “Eles estão ideologizando um assunto científico. Não dá para discutir ciência e religião. Ideologia e ciência não dá”

LUIS MACEDO/CÂMARA DOS DEPUTADOSWilliam Dib, presidente da Anvisa, critica forma como governo Bolsonaro trata de maconha medicinal.

‘Estão ideologizando um assunto científico’, diz presidente da Anvisa sobre maconha medicinal

Prestes a deixar a presidência da agência reguladora, William Dib critica postura de ministros de Bolsonaro ao misturar ideologia e ciência.

A dez dias de deixar a presidência da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), William Dib comemora a liberação da venda de produtos à base de Cannabis e critica a postura de integrantes do governo de Jair Bolsonaro sobre o uso da maconha medicinal. Para o médico e ex-deputado federal, a limitação do plantio no Brasil irá atrasar em duas décadas a pesquisa científica na área.

“Eles estão ideologizando um assunto científico. Não dá para discutir ciência e religião. Ideologia e ciência não dá”, afirmou Dib em entrevista ao HuffPost Brasil em seu gabinete nesta terça-feira (10), ao se referir à postura dos integrantes do primeiro escalão do Executivo.

Para o presidente da Anvisa, não há justificativa técnica para o argumento de que a permissão do plantio da Cannabis estimularia o consumo da erva para uso recreativo, conforme afirma o ministro da Cidadania, Osmar Terra, principal opositor da liberação do cultivo da planta no Brasil. “Não existe possibilidade de você imaginar que alguém vai plantar para fazer uso recreativo se no mercado do lado, na esquina, você compra por um preço irrisório para uso recreativo”, afirmou.

Dib também disse que o ministro mente ao afirmar que há registro de canabidiol sintético no Brasil e rebateu a ameaça feita por Terra de fechar a agência, caso o plantio fosse liberado. “Se fechar a Anvisa, para o País”, afirmou.

Em 3 de dezembro, a Anvisa aprovou normas para regular a venda em farmácias de produtos à base de maconha. No mesmo dia, contudo, o colegiado rejeitou proposta que permitia o cultivo da planta para fins medicinais. A resolução era restrita a empresas, com plantio feito em locais fechados e cujo acesso seria controlado por portas de segurança e com uso de biometria. Também seria exigida a apresentação de planos de segurança para evitar desvios, e as empresas seriam alvo de inspeções periódicas.

Apesar da derrota, Dib vê com bons olhos a permissão dos produtos em farmácias e aposta que o Congresso Nacional irá avançar na regulação. Na Câmara dos Deputados, o relator do projeto de lei sobre o tema, Luciano Ducci (PSB-PR), defende uma proposta de plantio similar à rejeitada pela Anvisa.

Desde 2017, a agência permite a produção e comercialização do Metatyl, medicamento à base de maconha, indicado para adultos com rigidez muscular excessiva relacionada à esclerose múltipla. A medicação é composta tanto pelo THC quanto CBD.

Hoje, o CFM (Conselho Federal de Medicina) só reconhece o uso medicinal da erva em casos de pacientes com epilepsia refratária e menores de idade. Estudos já mostram a eficácia dessa aplicação também para casos de autismo, dor crônica, mal de Parkinson e alguns tipos de câncer.

Com o avanço de evidências científicas dos benefícios da Cannabis para a saúde, têm crescido nos últimos anos decisões judiciais que permitem o cultivo ou a importação de substâncias. Segundo dados da Anvisa, mais de 7 mil pacientes conseguiram aval para importar esse tipo de produto, com base em laudos médicos.

HuffPost Brasil: Em vigor desde 2006, a Lei de Drogas prevê que a União pode autorizar o plantio de “vegetais e substratos dos quais possam ser extraídas ou produzidas drogas” exclusivamente para “fins medicinais ou científicos”. Em setembro, a Procuradoria-Geral da República enviou um parecer ao Supremo Tribunal Federal em que afirmou que houve “omissão inconstitucional” do poder público na implementação das condições necessárias ao acesso ao uso medicinal da Cannabis. O que impede a regulação do plantio?

William Dib: A agência trabalhou esses anos todos sob a seguinte métrica: o que a sociedade quer, o usuário, a classe científica, a academia, e o que a gente podia oferecer. A equipe técnica fez um desenho, visto que há cinco anos eram dezenas de casos de autorização judicial de plantio e hoje são milhares de casos. Antes eram entidades. Passou para indivíduos e agora teve até uma ação de uma empresa. Tudo que a sociedade quer e você não regulamenta vira um caos. A Anvisa se viu no dever, não só no direito – o direito estava na lei – de fazer algo que pudesse ser incorporado à legislação brasileira e aos compromissos internacionais que o Brasil tem de controle e prevenção de danos.

A gente estudo o modelo canadense, israelita, de Portugal, pouquíssimas contribuições americanas. Juntando isso a gente fez um projeto, que resultou num pedido de consulta pública aprovado por unanimidade. Foi para consulta e voltou. A gente fez uma redação final. Nisso aumentou muito a pressão do governo. Faz parte, eu acho, do processo democrático. O governo tem duas alegações. Uma de que a Anvisa não detém o direito de regulamentar, apesar de PGR ter dito que é obrigação. E outra de que não estava claro o grau de segurança desse plantio.

Para o senhor está claro que a Anvisa tem o poder legal de regulamentar o plantio [da erva]?

Para mim está claro, tanto que mantive meu voto. Acho que está claro também que o modelo proposto era seguro. A gente tem de respeitar as opiniões. Não passou, mas passou o registro mais ágil [de produtos à base da Cannabis]. Isso apaga um quase que totalmente a derrota [sobre o plantio]. É um grande avanço. A obrigação da agência é dar acesso a um produto de qualidade, segurança e eficácia. Isso a gente vai conseguir com produtos importados, seja o produto final ou o insumo produzido aqui que a gente vai poder fiscalizar, fazer análise.

Sem a permissão para o plantio, as empresas que podem vender esses produtos à base de Cannabis são obrigadas a importar esses insumos. É possível chegar a um valor acessível de fato, com essa limitação?

Não saberia dizer porque não há patente de Cannabis. Conforme aumenta o consumo, aumenta a produção. Ninguém produz para estocar. Quando isso existe, pode existir uma concorrência que vai reduzir o preço. Óbvio que no começo, primeiro, segundo ano, pode não haver nenhuma redução. Pelo contrário, vai haver um acréscimo porque não tem tabela. Então cada um vende seu produto pelo preço que quiser.

Ficamos à mercê do mercado internacional. E da boa vontade disso. Por exemplo, a legislação de Israel permite o cultivo, mas não permite a exportação. De alguns estados americanos você também não pode plantar.

A proposta de plantio feita pela Anvisa só permitia o cultivo por empresas, em ambientes fechados, com diversas limitações de segurança. Apesar disso, integrantes do governo disseram que ela poderia levar ao plantio para fins recreativos. Há argumentos concretos para esse tipo de argumento?
Eu não consigo absorver isso. A gente precisa partir de uma realidade. A realidade é que você acha Cannabis por um preço baratinho, irrisório, quando ela é de uso recreativo. A Cannabis medicinal, por uma série de motivos, de quantidade de CDB, de THC, ela já fica mais cara mesmo na produção outdoor. Na produção indoor, fica violentamente mais cara. E a produção indoor, monitorada 24 horas, com íris de reconhecimento digital, ainda mais cara.

Não sei quem consegue entender que isso vai estimular o consumo de Cannabis. A filosofia, a base científica disso, eu desconheço. Nunca ouvi uma justificativa técnica que pudesse me convencer de que isso era verdade. Seria capaz de mudar minha opinião. Não consigo mudar de opinião porque não consigo ver essa versão como passível de existência.

Há um discurso moralista que dificulta um debate com foco nos pacientes que precisam desse tipo de medicamento?

[Esse discurso] Inibiu o debate e uma coisa mais importante, que é aumentar a dependência brasileira para insumos. Isso é ruim demais. Mas eu insisto que a gente deve ter ficado feliz de ter passado a regulação da venda dos produtos. Acho que é de questão de dias, de meses, para o Congresso assumir esse papel de regular até porque o governo vai durar mais três anos. Isso não vai ficar assim.

E está havendo uma articulação no mundo para retirar a Cannabis da lista de drogas proibidas. Isso pode ocorrer ano que vem. Se isso acontecer, nem plantio indoor vamos precisar discutir.

Mas não precisaria de a Anvisa também retirar da lista de drogas proibidas no Brasil?

Seria uma decisão da ONU [Organização da Nações Unidas]. O Brasil é signatário de convenções internacionais. Se uma convenção tirar da lista, nós assinamos que ela saiu da lista. Acabou.

As pessoas poderiam plantar [maconha medicinal] então?

Igual à rosa, arroz, feijão.

O relator do projeto de lei na Câmara dos Deputados, Luciano Ducci (PSB-PR), é a favor do plantio em termos similares ao proposto pela Anvisa. Alguns deputados conservadores também, mas há resistência de integrantes da bancada evangélica. Ainda assim, o senhor acha que essa proposta será aprovada?

Alguma coisa será aprovada. O Congresso é mais liberal do que a Anvisa, com certeza. Todos os Congressos são mais liberais do que as agências. As agências são mais restritivas porque mexem com a segurança da saúde das pessoas. Os congressos são mais abertos. No governo da Dilma [Rousseff] a proposta era liberar o cultivo. Não era regulamentar o remédio. Dois anos depois, muda tudo.

A proposta da Anvisa liberava o cultivo só para empresas e houve críticas de que não atenderia às demandas das famílias de pacientes e associações. É viável liberar o plantio para atender a esses grupos?

O presidente da Anvisa tem de responder por leis específicas. As leis brasileiras são restritivas. A Anvisa faz regulamentações restritivas.

O senhor entende que para as pessoas poderem plantar em casa seria necessário mudar a lei então?

Isso. Quem tem que fazer isso é o Congresso. A Anvisa não discute o uso recreativo. Não discute liberação de droga de nenhuma ordem. A Anvisa discute o seguinte: tem uma doença que precisa de um remédio e eu preciso garantir o acesso a um produto de qualidade dessa pessoa.

Se fosse em outro governo, seria possível aprovar uma proposta mais liberal?

Se fosse no governo da Dilma, eles teriam ficado bravos de não ter liberado tudo.

Considerando a posição do presidente Jair Bolsonaro e de ministros como o da Cidadania, Osmar Terra, então foi uma vitória o que se conseguiu aprovar?

Foi uma grande vitória da sociedade. Não minha, muito menos da Anvisa, em regulamentar o uso medicinal. Isso é o produto final. Não adiantava liberar o plantio e não garantir o remédio de qualidade. O nosso papel era o remédio. Com certeza é mais importante que o plantio. O plantio só vinha organizar a sociedade.

Quase todas as sentenças de autorização de plantio o juiz escreve ‘autorizo o plantio até a regulamentação pela Anvisa’. A agência é um problema para a sociedade. Alguém pedia um remédio e demorava 9 dias. Agora demora 60. Por quê? Porque aumenta o número de receitas e não aumenta o número de funcionários [da Anvisa]. Não dá para fazer mágica.

Mas as pessoas ainda podem pedir para importar…

Mas aí é um pedido que não preciso mais regulamentar caso a caso. Aqui eu faço um por um porque é um pedido individual e dose individual. O grande foco dessa alteração é que mesmo que tiver um pedido de importação, ninguém vai importar mais um vidrinho. Vai pedir autorização para um contêiner.

O senhor sentiu diferença com a mudança de governo na postura de integrantes do Executivo sobre a Anvisa votar a regulamentação do uso medicinal da maconha?

Estou acostumado…

Mas houve uma grande mudança de 2016 para 2019?

Eu diria para prestar atenção nas votações. Se teve uma votação há 90 dias e todo mundo votou em conjunto, 60 dias depois votaram diferente, você conclui…

Houve algum pedido do governo para que a regulação não fosse votada?

Para mim, não.

O ministro Osmar Terra é crítico à liberação do plantio e defende o canabidiol sintético. Essa solução é viável?

Noventa e nove porcento dos medicamentos tiveram origem vegetal. Quando o consumo começa a crescer e é difícil plantar, vem um geniozinho da lâmpada e consegue sintetizar esse produto. Fica um pouco mais caro, mas quando todo mundo consome o sintético, fica mais barato. Essa é a história de praticamente todo medicamento. Óbvio que um dia vai ter o canabidiol sintético, só que o que tem hoje não serve para nada. A classe médica odeia. Não tem registro. Ele [Osmar Terra] diz que tem registro aqui no Brasil. É tudo mentira. Não sei de onde ele tira essas coisas da cabeça.

Não existe o produto sintético. Existe no laboratório. Tem o registro? Não. Por quê? Porque não funciona.  Por que não funciona? Segundo os israelenses que estão mais avançados na depuração dos canabinoides, é porque quando precisar tomar você precisa de 411 canabinoides e ninguém conseguiu sintetizar 411. Consegue sintetizar o CBD e mais alguns. Precisa tomar o xarope com o óleo total para provocar o efeito [medicamentoso] que precisa. A chance de ter um produto sintético em pouco tempo é muito remota porque é muito complexa a formulação.

O senhor entende que essa discussão sobre a separação do THC tem uma base científica ou também é um debate ideológico?

A Cannabis sem THC não tem nenhum efeito deletério, nem psicotrópico. Tanto é que o [Donald] Trump autorizou o plantio do que eles chama de hemp, o cannabidiol puro, com menos de 0,2% de THC. Não precisa de autorização; você planta. Assim como planta milho, planta Cannabis. Eles têm o cânhamo, indústria têxtil, agropecuária, serve para várias outras fontes. Esse plantio do canabidiol sem o THC nem isso nós conseguimos [aprovar no Brasil]. Agora, determinadas patologias precisam de uma quantidade de THC para ter efeito. Só em um remédio registrado no Brasil.

O Metatyl, que tem THC…

E não é pouco. É 50%. A maior parte dos remédios que circulam nos países que têm a cultura científica do uso, a proporção entre CBD e THC máxima é essa. Quase todos produtos com maior eficácia têm THC. Tirar todo THC limita muito o espectro da autorização.

O ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, afirmou que o canabidiol pode ser incluído no SUS, mas criticou normas que permitem o registro de produtos que contenham THC. Sendo assim, na prática, a distribuição desses produtos pela rede pública seria inviabilizada?

Será que ele sabe que já tem um remédio que o Ministério da Saúde receita que já têm 50% de THC? Eu não sei se ele sabe. Não é vontade cultural. É um problema ideológico. Eles estão ideologizando um assunto científico. Não dá para discutir ciência e religião. Ideologia e ciência não dá.

É complicado demais. Eles querem [misturar os temas], mas não sei como eles conseguem. Desculpa. Com todo o respeito que tenho aos ministros – o ministro [da Saúde] é meu colega médico — mas não sei se ele sabe. Eu tenho dúvidas porque ele já autoriza [o uso de medicamento com THC]. Ele acha que não, mas já autoriza.

Daqui a três anos essa liberação da venda de produtos à base de Cannabis pode ser revisada pela Anvisa. O que pode acontecer? Voltar a proibir?

Acho que não. A ciência tem de estar de cabeça aberta se isso é bom mesmo. Se os resultados para sociedade vão ser positivos. O pouco que eu estudei, eu vejo um campo magnífico para desenvolvimento para o uso da Cannabis e acho que vai ser um sucesso. Mesmo assim, acho que tem de se revista a legislação. Estamos fazendo uma legislação em que a comprovação científica é o menos importante. Agora é a comprovação de que não têm efeitos deletérios. É garantir que você não está usando um remédio que vai te fazer mal. Se não resolver seu problema, daqui a três anos vou ter de tirar ele do mercado.

Pesquisadores apontam algumas dificuldades nas exigências de evidências científicas, como desenvolver os  chamados estudos multicêntricos randomizados duplo cego, o padrão mais elevado, por ser muito caro. A regulação da venda de produtos vai ter algum impacto nessa dificuldade de pesquisa?

A ideia do plantio era porque a convenção que assinamos era para produtos medicinais, mas o mais importante era para pesquisa. Retirando o cultivo, a pesquisa vai atrasar uns 20 anos. Não é função da agência produzir ciência, mas também não é dificultar. Quando a academia pede semente e planta para pesquisa, a gente autoriza, mas eles [pesquisadores] que pagam.

Acho que pode haver alguma facilidade porque os laboratórios que vão lançar seus produtos vão querer se associar à academia para fazer pesquisa para ganhar tempo e eficácia. Isso pode baratear a pesquisa.

E o laboratório pode fazer pesquisa para doença que não está registrada. Só precisa se cadastrar. Se o laboratório que vai produzir aqui vai ganhar mercado e reconhecimento científico, isso não tem preço. Então pode ser que esse seja um facilitador. É óbvio que não estamos falando de universidades. Universidades precisariam do plantio.

O Conselho Federal de Medicina (CFM) só reconhece o uso medicinal da erva em casos de pacientes com epilepsia refratária e menores de idade. Com a regulação da venda de produtos, deve haver uma revisão desse entendimento?

Sou médico, não posso dar palpite. Mas acha que algum médico leva em consideração o que o CFM fala? Não há possibilidade de a Anvisa fazer receita. Quem prescreve é a classe médica, que responde ao Conselho. Mas alguém ouve o Conselho?

O ministro Osmar Terra chegou a falar em fechar a Anvisa, caso o plantio fosse liberado. O senhor acredita que haverá algum tipo de retaliação do governo, se a agência ampliar o acesso à maconha medicinal?

Se fechar, para o País. A Anvisa tem um reconhecimento no mundo, muito alto. E tem aqui dentro. Ela é fundamental para a indústria farmacêutica. Quando a Anvisa foi criada, a indústria farmacêutica tinha duas empresas brasileiras entre as vinte maiores. Hoje das dez maiores empresas [do mundo], sete são brasileiras. A Anvisa não atrapalha ninguém. Ela regulamenta mercado.

Harvard pesquisa há 80 anos sobre a felicidade, a solidão, as doenças e a longevidade

Harvard acompanhou 724 alunos desde 1938 até a sua morte: para ser feliz o mais importante era qualidade dos relacionamentos. As conclusões coincidem com outros 70 estudos com 3,4 milhões de pessoas.

 

Fonte:Rob Dial
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Colégio adventista é acusado de aplicar prova com conteúdo homofóbico

O livro “De bem com você”, de Sueli Nunes Ferreira, foi recomendado pelo professor da matéria. O conteúdo explica como a criança pode se tornar  homosexual , como deve ser evitado e que existe cura gay…

Reprodução / Instagram   Questionário com 50 perguntas incluíam questões homofóbicas. Parentes demonstraram revolta diante da proposta pedagógica.

Colégio adventista é acusado de aplicar prova com conteúdo homofóbico

A Escola Adventistas Belém, localizada no bairro da Marambaia, em Belém, no Pará, está sendo acusada dehomofobiapor familiares de uma aluna do 9º. Aprovade língua portuguesa aplicada na segunda (18), continha questões sobre como evitar a homossexualidade; se o indivíduo nasce ou se torna homossexual e se a bíblia condena a relação homoafetiva estavam entre as 50 perguntas do questionário.

O irmão de umaestudantede 14 anos, compartilhou as imagens da prova em sua conta do Instagram. Em entrevista ao G1, Herisson Lopes, de 26 anos, disse que a irmã se negou a responder as perguntas e que ficou indignada com o teor das questões.

O livro “De bem com você”, de Sueli Nunes Ferreira, foi recomendado pelo professor da matéria. O conteúdo explica como a criança pode se tornarhomosexual, como deve ser evitado e que existe cura gay, segundo informou Herisson ao G1. “Eu não consigo achar conveniente esse tipo de ensinamento para uma turma, principalmente a quem está prestes a fazer seu processo seletivo”.

A direção pedagógica da instituição disse que a família daalunadesconhece o método utilizado pelo professor em sala de aula. A escola alegou ainda que os professores são independentes para tratar assuntos diversos em sala de aula.

“Eu fico pensando como esse tipo de ensinamento para adolescentes, como a minha irmã, que estão em fase de construção, podem torná-loshomofóbicos. Não podemos esquecer que o Brasil é o país onde mais se mata homossexuais. Uma escola repassando esse tipo de coisa propaga a ideia. Isso não pode ficar impune”, disse Herrisson ao G1.

As questões contidas no questionário tinham como intuito colher as diversas opiniões e sentimentos sobre a temática em estudo e davam a cada estudante a oportunidade de expressar livremente sua opinião, segundo a nota emitida pelo colégio.

Criminalização da homofobia

O Supremo Tribunal Federal (STF) definiu em junho que ahomofobiae atransfobiapassariam a ser crimes no Brasil. Os ministros consideraram que preconceito com homossexuais e transsexuais devem ser enquadrados como crime de racismo.

A pena para quem discriminar em função daorientaçãosexual é de um a três anos, além de multa. Se houver divulgação de conteúdo preconceituoso em redes sociais, a pena é de dois a cinco anos, além de multa.

Fonte: iG Último Segundo

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Saúde Mental, Trump e Bolsonaro

Psiquiatras (EUA) são os responsáveis pela avaliação de Trump, agora em processo de impeachment. Psicanalista e professor da USP analisa clinicamente a figura do presidente Jair Bolsonaro.

O “narcisismo maligno” de Trump está se deteriorando

Psicanalista, professor titular da Universidade de São Paulo (USP), analisa clinicamente a figura do presidente Jair Bolsonaro. 

Guia alimentar brasileiro é o melhor…com protestos da indústria de alimentos

Foram analisados guias de outros 11 países: Austrália, Reino Unido, Estados Unidos, Holanda, Países Nórdicos, Suécia (que tem um guia independente dos outros nórdicos) Albânia, São Vicente e Granadinas, Granada, Catar e Tailândia.

Notas de cada um dos guias alimentares nacionais participantes | Foto: Reprodução – Ahmed et al

Estudo considera Guia brasileiro o melhor ao relacionar alimentação e sustentabilidade

O documento recebeu a maior nota em um comparativo que analisou 32 parâmetros de sustentabilidade em guias alimentares de 12 países

Um estudo realizado por pesquisadoras de três universidades dos Estados Unidos considerou o Guia Alimentar para a População Brasileira como o mais abrangente em relação à sustentabilidade. Além do brasileiro, publicado em 2014 pelo Ministério da Saúde, foram analisados os guias de outros 11 países, como Austrália, Reino Unido e Estados Unidos.

As pesquisadoras usaram um conceito ampliado de sustentabilidade, que leva em consideração não apenas os impactos ambientais da produção e do consumo de alimentos, mas aspectos econômicos, sociais, culturais e de saúde. Cada um dos 12 guias foi avaliado com base na presença de 32 parâmetros de sustentabilidade. A análise resultou em uma “nota” percentual para cada guia.

O brasileiro recebeu a maior: 74%. O segundo mais bem avaliado foi o guia australiano, com 69%. Todos os demais tiveram rendimento inferior a 50%. Das quatro dimensões principais estabelecidas pelo estudo — ecológica, econômica, de saúde humana e sociocultural e política — o guia brasileiro só não teve nota máxima na econômica.

Além dos países já citados, foram analisados Albânia, São Vicente e Granadinas, Granada, Catar, Holanda, Países Nórdicos, Suécia (que tem um guia independente dos outros nórdicos) e Tailândia.

Apesar do espaço amostral pequeno, as pesquisadoras ressaltam no estudo a superioridade do guia brasileiro em relação à sustentabilidade: “As diretrizes alimentares brasileiras, por exemplo, mencionam a importância de comprar alimentos sazonais e locais em várias páginas e em múltiplos contextos, enquanto as diretrizes de vários outros países, como Granada, mencionam essa subdimensão em uma extensão notavelmente menor.”

Selena Ahmed, Shauna Downs e Jessica Fanzo, autoras do estudo, escolheram os 12 participantes randomicamente em uma lista de 34 países de renda alta ou média-alta e que possuíam guias alimentares traduzidos para o inglês.

Para elas, os guias são ferramentas políticas com poder determinante sobre os padrões de consumo das populações e devem se adequar às novas demandas de sustentabilidade. “A incorporação efetiva de múltiplas dimensões da sustentabilidade em diretrizes alimentares tem o potencial de transformar os sistemas alimentares e permitir que os consumidores façam escolhas que sustentem a saúde planetária”, concluem.

Não é de hoje

Essa não é a primeira vez que as recomendações de sustentabilidade do guia brasileiro recebem menção honrosa da academia internacional. Em 2016, um relatório produzido por pesquisadores da Universidade de Oxford e publicado pela Agência das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO) destacou o guia brasileiro como um dos mais sustentáveis do mundo.

O relatório ressalta que apesar de 83 países possuírem guias alimentares próprios, apenas quatro apresentam explicitamente questões de sustentabilidade: Brasil, Catar, Suécia e Alemanha. O guia brasileiro inova ao indicar que a população deve evitar o consumo de produtos ultraprocessados não somente pelos impactos negativos à saúde, mas também pelos impactos sociais e ambientais.

De acordo com os pesquisadores, existem fortes evidências de que dietas mais saudáveis tendem também a produzir menor impacto ambiental. Introduzir dimensões de sustentabilidade nos guias é, portanto, uma maneira de incentivar escolhas alimentares mais saudáveis.

O problema é que mesmo os guias mais preocupados com a sustentabilidade ainda se fiam majoritariamente em impactos ambientais, deixando de lado os efeitos sociais e econômicos das dietas, por exemplo. Neste sentido, o guia brasileiro é apontado como o único a apresentar uma visão mais completa do conceito de sustentabilidade.

O relatório aponta ainda a experiência de outros países que tentaram incluir, sem sucesso, parâmetros de sustentabilidade em seus guias, como Estados Unidos e Austrália. No caso dos EUA, a indústria reagiu fortemente quando o grupo de especialistas que revisa o guia alimentar a cada cinco anos apontou as correlações entre dietas saudáveis e sustentáveis. Frente aos protestos da indústria, o Departamento de Agricultura (USDA, na sigla em inglês) acatou o argumento de que a sustentabilidade extrapola a competência do documento e proibiu a inclusão.

Os protestos da indústria

Não foi diferente no Brasil. Nos meses que antecederam a publicação do Guia Alimentar para a População Brasileira, representantes da indústria de alimentos se esforçaram para barrar o documento. A principal crítica era ao segundo capítulo do guia, que usa a classificação NOVA, desenvolvida pelo médico Carlos Monteiro, professor da Faculdade de Saúde Pública da USP, para dividir os alimentos por grau e propósito de processamento.

O guia sempre foi uma pedra no sapato da indústria de alimentos, que não perde uma oportunidade de criticá-lo. Para desacreditar o documento vale tudo, até dizer que ele não traz informações — acredite — sobre sustentabilidade.

“Não sei se alguém aqui já teve a curiosidade de ler o guia brasileiro com esse olhar, mas ele não traz de maneira explícita essa questão da sustentabilidade.” A frase é de Fernanda Martins, gerente sênior de Saúde e Nutrição para América Latina da Unilever, dita a uma plateia de nutricionistas e estudantes de nutrição no último congresso da SBAN — Sociedade Brasileira de Alimentação e Nutrição.

No mesmo evento, o médico e nutrólogo Carlos Alberto Nogueira, membro da Associação Brasileira de Nutrologia (Abran), registrou sua opinião sobre o guia brasileiro, mas de maneira velada. Falando sobre o guia holandês, ironizou: “Esse, diferente de outros por aí, não é um guia político e ideológico”.

No início de novembro, o Guia Alimentar para a População Brasileira completa cinco anos de existência. É um jovem que conquistou prestígio dentro e fora do Brasil, mas continua entalado na garganta da indústria.

Por:Victor Matioli
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O que ocorre no teu corpo durante um toque íntimo. Contaremos tudo

Na escola deveriam ensinar além do funcionamento do corpo, o que ocorre durante o sexo. Isto permitiria entender porque vítimas de abuso sexual podem ter orgasmo e sentem culpa.

¿QUÉ LE PASA A TU CUERPO DURANTE LA CARICIA? TE CONTAMOS TODITO

Seguro te ha pasado que una persona y tú se atraen muchísimo: comienzan esas cosquillitas en la panza que poco a poco se extienden por todo el cuerpo y, si todo sale bien y ambos lo desean, llega La Caricia.
Cool, ¿no? Claro, tener relaciones sexuales es tan natural como comer, pero no sólo es “mete-saca” y sanseacabó.
En nuestro cuerpo ocurren miles de estímulos y reacciones que hacen que coger sea una experiencia increíble.
Y como nadita se escapa de los ojos de la ciencia, hay investigaciones interesantísimas sobre qué ocurre en nuestro cuerpo cuando tenemosrelaciones sexuales.
¿Quién analizó primero el cuerpo humano durante las relaciones sexuales?
A mediados del siglo pasado, William Masters y Virginia Johnson observaron y estudiaron científicamente más de 10,000 actos sexuales para conocer a detalle la reacción fisiológica del cuerpo durante el sexo.
La investigación tuvo un origen curioso: Masters, quien era ginecólogo, le pagaba a trabajadoras sexuales para que le permitieran esconderse en un clóset mientras observaba y registraba todo lo que pudiera de los encuentros que ellas tenían con sus clientes: tiempos de excitación, duración del orgasmo, etc.
Tiempo después, él y Johnson, su entonces asistente, montaron un laboratorio donde lograron medir la respuesta fisiológica de cientos de personas que se masturbaron o tuvieron relaciones sexuales frente a ellos, todo en nombre de la ciencia.
A través de sus investigaciones, Masters y Johnson describieron la llamada “respuesta sexual humana”*, que son las reacciones corporales que ocurren durante la actividad sexual.
Ellos describieron cuatro fases: excitación, meseta, orgasmo y resolución. Tiempo después se le agregaron otras dos que también mencionaré: estímulo sexual efectivo y periodo refractario.
[*Existe otra investigadora importante que también diseñó su propio modelo de respuesta sexual humana, Helen Kaplan, pero por la extensión del texto, no hablaré de su teoría. Quizás después.]
Estímulo sexual efectivo
El estímulo sexual efectivo (ESE) es todo estímulo que produce excitación.
El ESE no aparecía originalmente en el modelo de Masters yJohnson, sino que fue agregado por el mexicano Juan Luis Álvarez-Gayou años después.
Hay de dos tipos: psíquicos, que pueden ser desde ver una persona desnuda, escuchar una canción, o a tus vecinos, o tener una fantasía sexual; y reflexogénicos, que son estimulación directa al cuerpo.
Los reflexogénicos, a su vez, se dividen en dos: exteroceptivos, aquellos que estimulan externamente el cuerpo; e interoceptivos que es por ejemplo, tener una erección en la mañana provocada por nervios que se tocan al tener una vejiga llena.
Hay tantos ESEs como personas en el mundo y su diversidad es inagotable. Al hablar de las cosas que nos excitan, siempre hay que tener en cuenta algo: si algo me prende, existe al menos otra persona en el mundo que también se excitará con lo mismo.
Excitación
La excitación se desata por un ESE y se trata de, básicamente, tu cuerpo poniéndose en disposición de tener actividad sexual.
Las personas con pene tendrán una erección, sus testículos se elevarán hacia el perineo, el escroto se tensará y engrosará.
Las personas con vulva lubricarán, sus clítoris tendrán una erección —porque sí, los clítoris también se erectan—, incrementará el tamaño de sus pechos, los labios mayores se engrosarán, los labios menores se abrirán para exponer la vagina que ahora tendrá un color más oscuro y se habrán alargado sus primeros dos tercios internos y se iniciará la verticalización del útero.
Además de esto, todas las personas experimentarán erección de pezones, aumentarán su presión sanguínea y tendrán una ligera taquicardia.
Algo importante: en los cuerpos con pene, la sangre solo se irradia hacia ese órgano, pero en los cuerpos con clítoris la sangre se irá hacia toda la vulva, lo que hace que muchas mujeres, personas no binarias u hombres trans tarden un poco más en excitarse. O sea: fajen mucho, amigues  El juego previo salva vidas… Y orgasmos.
Meseta
Esta es la etapa del los besos largos, del faje, del sexo oral, de la masturbación, del coito y de todo antes del orgasmo
 Aquí, habrá rubor sexual en el cuerpo —que es un enrojecimiento en la piel de pecho a brazos a rostro que es la señal del cuerpo de, oh sí, hoy hubo suerte—, la respiración se volverá agitada, rápida y profunda, aumentará el diámetro del pene y de las mamas, se incrementará la coloración del glande y de los labios menores (así como su tamaño), se elevarán los testículos y aumentarán de tamaño, el clítoris comenzará a retraerse, el útero continuará su verticalización, la vagina se alargará un poco más, aumentará la lubricación, tu corazón podrá llegar a latir hasta a 175 latidos por minuto y comenzarás a tener contracciones musculares un tanto intensas que se sentirán bien.
Conforme avanza la meseta —y déjenla avanzar, denle chance, ábranle paso, disfruten su existencia—  nos acercamos al momento favorito de toda relación y esto eeeees:
¡Orgasmo (s)!
En el orgasmo habrán fuertes espasmos de grupos musculares, se tendrán alrededor de 40 respiraciones por minuto y la frecuencia cardiaca podrá aumentar hasta 180 latidos por minuto.
Las sensaciones placenteras suelen concentrarse en la zona genital —pene, próstata y vesículas seminales o clítoris, vagina y útero—.
Durante el orgasmo, las gran mayoría de personas con pene eyacularán —aunque es posible separar ambas respuestas, por ejemplo, con orgasmos prostáticos o con sexo tántrico—  y, en algunas ocasiones, también lo harán algunas personas con vulva —aunque la eyaculación no se presenta siempre junto al orgasmo—.
(Si te estás preguntando qué onda con los orgasmos múltiples, sigue leyendo…)
Resolución
La resolución es ese momento post-orgasmo también conocido como “NO ME TOQUES” o “VEN Y ABRÁZAME” o “¿Y si ya nos vamos a dormir?”.
Durante la resolución te relajarás leeeeeentamente durante unos diez o quince minutos.
Tu cuerpo regresará al estado previo a la excitación: el pene y el clítoris perderán su erección, los órganos que se inflamaron soltarán la sangre acumulada, puede que tengas alguna contracción muscular que se sienta rico, posiblemente te den ganas de orinar debido a la vasopresina y puede que te dé algo de sueño, por eso es tan rico dormir después de La Caricia.
Periodo refractario
¿Ubicas cómo después de tener un orgasmo se te van las ganas de seguir cogiendo? Esto es por el periodo refractario, que se refiere al tiempo que tardas en volver a excitarte.
Algo curioso es que para las personas con pene suele ser un poco largo, mientras que para un buen número de personas con vulva el periodo refractario o no existe o es súper corto: de ahí que muchas puedan tener múltiples orgasmos en una sola relación sexual, incluso seguidos.
El periodo refractario varía de persona a persona y de situación a situación y suele aumentar con la edad.
Algunas personas tendrán un periodo refractario mínimo y podrán tener un orgasmo y seguir teniendo relaciones sexuales toda la noche, otras —y me incluyo acá— necesitarán de mucho tiempo de recuperación antes de volver a excitarse, incluso días o semanas.
Debido a la diversidad de los cuerpos y de respuestas, no hay tiempo de espera “normal”. Lo que a ti te funcione está bien.
 
¿Por qué es importante conocer la respuesta sexual humana? 
Porque es una función natural, sorprendente y maravillosa de nuestros cuerpos.
Porque en la escuela nos enseñan sobre el funcionamiento del cuerpo, pero deliberamente se omite el conocimiento que existe sobre lo que nos ocurre durante el sexo.
 
Porque muchas víctimas de abuso sexual sienten culpa por excitarse —e incluso, tener un orgasmo— durante el abuso sin saber que eso sucede porque el cuerpo es cuerpo y está diseñado para responder a estímulos muchas veces sin importar si existe deseo, consentimiento o voluntad.
 
Porque hay personas que viven con la angustia de no sentirse suficientes por no tener tanto deseo como su pareja, cuando podría ser solo cuestión de tener un periodo refractario más largo.
 
Porque hay quien nunca descubre sus estímulos sexuales efectivos y muere sin conocer aquellas cosas que pudieron haber hecho de su vida sexual algo más rico.
 
Porque son nuestros cuerpos y tenemos derecho a conocerlos.
 
Como dijo Paracelso: “Quien no conoce nada, no ama nada”. Conocer a nuestro cuerpo es otra forma de amarlo.

Entendendo a bissexualidade

Os bissexuais não são pessoas que estão “apenas passando por uma fase”. “E agora é uma questão de desaprender meus vieses pessoais e minha homofobia interiorizada.”

12 pessoas compartilham como entenderam que são bissexuais

Não, os bissexuais não são pessoas que “apenas passando por uma fase”.

As pessoas bissexuais são a maior parcela da população LGBT nos Estados Unidos. Em 2016 o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) divulgou que 5,5% das mulheres e 2% dos homens se declaram bissexuais. Apesar desses números, as pessoas que se identificam como bissexuais tendem a ser pouco levadas em conta, tanto dentro quanto fora da comunidade LGBT.

A escritoria bissexual Ashley C. Ford explicou em um ensaio de 2015 intitulado I’m Queer No Matter Who I’m With (Eu sou queer, não importa com quem eu esteja, em tradução livre), que o fato de que uma pessoa bissexual “não pode ser classificada imediatamente nem como homossexual nem como hétero deixa as pessoas nervosas”. Por conta deste imaginário, muitas pessoas bissexuais se sentem pressionadas a escolher um “time”, por assim dizer.

E há mais: muitas pessoas pensam que a bissexualidade não existe realmente ou que é “apenas uma fase”. É uma premissa injusta e que acaba levando ao apagamento, ou invisibilidade, como o problema também é conhecido.

Não surpreende que estas pessoas levem tempo para falar sobre sexualidade publicamente como bissexuais. Enquanto algumas dizem que se descobriram bissexuais assim que começaram a se apaixonar por meninos e meninas, outras contam que levaram décadas para identificar-se desta forma.

O HuffPost US conversou com *12 pessoas que aceitaram compartilhar publicamente como foi sua jornada particular enquanto bissexuais.

“Era uma coisa que eu fingia não perceber e à qual eu não dava vazão, porque não entendia aqueles sentimentos.” 

“Desde criança sinto uma afinidade enorme por personagens femininas. Tudo começou com a Princesa Leia, de ‘Star Wars’. Eu tentava racionalizar, dizendo a mim mesma que queria uma figura feminina poderosa para admirar e respeitar. Embora isso seja sem dúvida parte da explicação, eu também tentava imaginar como seria se eu pudesse estar no lugar de Han Solo e ser a pessoa que beijava Leia, que segurava suas mãos nas minhas. Acho que devido ao ambiente em que fui criada, nunca me ocorreu que aqueles sentimentos fossem românticos. Era uma coisa que eu fingia não perceber e à qual não dava vazão, porque eu não entendia aqueles sentimentos e pensava que era a única pessoa a me sentir assim.

“Quando eu já era mais velha e estava na faculdade, tomei conhecimento do termo ‘bissexual’ e tive aquele momento de afirmação que ocorre com muitas pessoas LGBTQ+ em que me dei conta: ‘Uau, quer dizer que não sou só eu? Que eu não estou louca?’ Pensei em todas as personagens femininas com as quais estava obcecada e percebi que tinha sentimentos semelhantes em relação a personagems masculinos que eu achava atraentes. Desde então vem sendo uma questão de desaprender meus vieses pessoais e minha homofobia interiorizada.” ― Elise Marie, ilustradora

“Eu amo minha sexualidade e sua fluidez.” 

“Entender que eu sou bissexual foi muito mais fácil do que aceitar, abraçar e colocar em prática minha bissexualidade. Aos 14 anos eu percebi que sentia atração por homens, mas foi apenas com 24 que eu realmente encarei isso para valer e comecei a sair publicamente com homens. Até lá eu estava fazendo as coisas às escondidas e estava tendo dificuldade em estar ‘no meio, em algum lugar’. Fiquei aborrecido porque eu não podia simplesmente ser ou uma coisa ou a outra. Levei bons 10 anos para realmente abraçar essa realidade. Agora estou feliz com quem eu sou e aceito que nem sempre é no meio. Curto minha sexualidade e toda sua fluidez.” ―  Remy Duran, personalidade de reality show na TV 

“Nem todo o mundo recebe a aceitação (ou pelo menos a leve indiferença) com que eu fui tratada.” 

“De um jeito estranho, minha história de autopercepção e autoaceitação não foi tão difícil quanto o que muitas outras pessoas enfrentam. Percebi que sou bi quando tinha 16 ou 17 anos e simplesmente incorporei isso na minha vida. Minha mãe achou que era uma fase e meu pai faz questão de não saber de nada, já que não consegue conceber uma realidade em que algum filho ou filha dele não seja hétero. Nunca tive um bom relacionamento com ele, por isso, para mim, o que ele escolhe pensar é problema dele.

“Eu escolho acreditar no direito das pessoas de serem felizes e inteiras, então procuro apoiar qualquer pessoa que esteja precisando. Sou muito transparente em relação a ser bissexual e quero apoiar todo o mundo da comunidade LGBTQIA+. Nem todo o mundo recebe a aceitação (ou pelo menos a leve indiferença) com que eu fui tratada. Se eu puder, quero estar presente para ajudar essas pessoas a se sentirem validadas e inteiras.” ― Addy, 36 anos

“Só fui descobrir o termo ‘bissexual’ aos 17 anos, quando outra pessoa se assumiu como bi.”

“Percebi que eu não era hétero aos 11 anos de idade, quando comecei a ter paixonites por garotos da minha série e homens que eram celebridades. Mas eu não conhecia o termo ‘bissexual’. Ninguém nunca me ensinou isso. Só fui descobrir esse termo aos 17 anos, quando outra pessoa se assumiu como bissexual. Mas ele foi apagado imediatamente, então eu continuei a pensar que eu devia ser ‘gay em negação’. Dizer que eu era gay não explicava porque eu sentia atração por pessoas de muitos gêneros. Mas eu não enxergava outra opção.

“Encontrei maneiras de mentir para mim mesmo sobre minha sexualidade, me dizendo que eu jamais poderia fazer sexo com um homem ou me visualizar em um relacionamento com um homem. Isso mudou quando eu me apaixonei por meu melhor amigo, que era hétero. Ficou muito mais difícil negar a verdade para mim mesmo, e isso começou a me causar sofrimento real. Percebi que não havia mais como negar quem eu era. Assim, pouco antes de completar 25 anos, me assumi publicamente como bissexual.” ― Vaneet Mehta, produtor e roteirista

“Foi preciso eu ir trabalhar em um lugar muito quadrado depois de me formar para eu entender que não era hétero.”

“O processo de entender que sou bissexual foi uma jornada feita de muitos pedacinhos. Eu sempre sentira atração por mulheres, mas me lembro de ler artigos na revista Cosmo que diziam que é totalmente normal e muito comum as mulheres sentirem atração por outras mulheres e que isso não significava que eu era lésbica (ufa!). Acho que a confusão da sociedade em relação às pessoas bissexuais faz com que sejamos tratadas como héteros até prova em contrário, mesmo que estejamos sentindo e fazendo coisas queer. Essa cultura é responsável pelo fato de tantas pessoas bissexuais não se sentirem suficientemente queer para saírem do armário, ou então por apenas saírem do armário muito depois que seus amigos gays e lésbicas.

“Foi preciso eu ir trabalhar num lugar muito certinho e quadrado depois de me formar para entender que eu não era hétero. A maioria das mulheres hétero não sente atração por outras mulheres, a maioria das mulheres hétero não se sente mais à vontade em comunidades queer, e a maioria das mulheres hétero não têm uma paixão louca por sua amiga lésbica comprometida com outra. Não eram coisas normais para uma mulher hétero. E com aquele último pedacinho de entendimento, como se uma bigorna com ‘VOCÊ É IDIOTA’ estampada em cima tivesse caído em cima de mim, eu entendi finalmente que sou bissexual.” ― Nicole, 33 anos

“Foi apenas na faculdade que cheguei a dizer a outra pessoa que eu era bissexual, e mesmo assim só falei à minha então noiva.”

“Todo o mundo tem paixonites na adolescência, e desde que eu entendi o que era uma paixonite percebi que as minhas não se limitavam a um gênero. Mas, como fui criada numa comunidade religiosa rigidamente fundamentalista, eu sabia que só havia um conjunto de sentimentos que poderia expressar ou manifestar. O fato de ter crescido sofrendo de disforia de gênero também não ajudou em nada; embora em meu íntimo eu me sentisse tudo menos um homem hétero, aquela era a única identidade que eu era autorizada a expressar.

“Foi apenas na faculdade que cheguei a dizer a outra pessoa que eu era bissexual, e mesmo assim só falei à minha então noiva para lhe dizer que não ia traí-la com ninguém, de gênero algum, enquanto estivéssemos geograficamente distantes. Mantive aquele segredo escondido de todo o mundo por mais dez anos, só admitindo publicamente quando me assumi como mulher trans, o que teve como consequência o nosso divórcio. Eu estava com quase 30 anos de idade, era militar havia dez anos e não tinha nada a ganhar se continuasse a negar quem sou.” ― Ex-soldado do exército, 35 anos

“Eu não tinha certeza se era bissexual realmente ou se aquilo era ‘só uma fase’, por isso mantive silêncio durante anos.”

“Posso agradecer a Joseph Gordon-Levitt por ter despertado minha bissexualidade. Quando eu tinha 13 anos, era grande fã da série ‘Third Rock from the Sun’ e sempre que eu via Joseph Gordon-Levitt, percebia que gostava dele do mesmo jeito que eu gostava da minha outra grande paixão-celebridade da época, Christina Ricci. Ao longo da adolescência também tive paixões passageiras por Taylor Hanson e dois garotos que estudavam comigo no colégio. Os dois eram héteros, por isso nunca tentei nada com eles, mas mesmo assim tinha fantasias com eles. Mas eu hesitava em me dizer bissexual porque 1) na época o discurso sobre questões LGBTQ dizia respeito apenas a gays e lésbicas, sendo os bissexuais nada mais que uma nota de rodapé; e 2) eu não tinha certeza se era bissexual realmente ou se aquilo era ‘só uma fase’, por isso mantive silêncio sobre isso por anos.

“Eu me assumi como bi finalmente quando tinha 29 anos e era noivo de uma mulher cristã conservadora. Terminamos o relacionamento pouco depois disso e comecei a namorar um homem que era tudo que minha ex-noiva não era. Aquele relacionamento só durou nove meses, infelizmente, mas, por mais que isso possa   parecer chavão, estar com ele me fez sentir que eu estava vivo pela primeira vez na vida.” ― Tris Mamone, jornalista

“Tive paixões passageiros por garotos da minha classe e de séries de TV. Foi um período bizarro, que me deixou superconfuso.”

“Cresci no interior do Illinois numa comunidade agrícola rural tão pequena e hétero que, mesmo que houvesse alguém gay no colégio, a pessoa com toda certeza não teria se identificado como tal. Levei muito tempo para aceitar que eu sentia atração tanto por homens quanto por mulheres. Aquilo não me ajudava em nada a me enquadrar na escola. Num colégio cheio de caipiras e atletas amadores, eu já era um nerd tremendo. Eu assistia a pornografia com homens e mulheres; tive paixões passageiras por garotos da minha classe e de séries de TV. Foi um período bizarro, que me deixou superconfuso.

“Fazendo um fast-forward até a faculdade, onde passei um bom tempo em negação, sem querer me aceitar. Tive experiências tanto com homens quanto com mulheres, mas encontrei maneiras de compartimentalizar minhas preferências mesmo ali, em um ambiente que teria sido mais tolerante e me aceitado melhor. Foi apenas quando me formei e me mudei para Chicago, onde vivo hoje, que aceitei o fato de talvez ser bissexual, e só me assumi publicamente como tal dois ou três anos atrás. (Contei à minha agora esposa quando começamos a namorar. Ela sempre me deu apoio total, mesmo quando a mãe dela descobriu através de um post no Facebook e perguntou se isso queria dizer que tínhamos uma relação ‘aberta’, hehe!) Hoje fico superfeliz por ter me assumido. Encontrei muito apoio de pessoas de todo o espectro sexual. Mas não consigo deixar de pensar que eu poderia ter sido muito mais livre e mais honesto comigo mesmo sem o estigma que acompanha a bissexualidade.” ― Clint, podcaster e crítico de cinema e televisão no The Spool

“Qualquer garota que eu conhecesse que tivesse beijado outra menina numa festa era vista como vagabunda, como alguém que só queria chamar a atenção, e eu não queria que me encarassem assim.”

“Na adolescência, acho que eu tinha um interesse por mulheres que eu me recusei a encarar de perto durante todo o colegial, acho que em parte em função da misoginia. Qualquer garota que eu conhecesse que tivesse beijado outra menina numa festa, por exemplo, era vista como vagabunda, como alguém que só queria chamar a atenção, e eu não queria que me encarassem assim. Quase cheguei a falar à minha melhor amiga que eu tinha curiosidade de explorar minha sexualidade, mas antes de conseguir falar as pessoas começaram a fazer piadas sobre bissexualidade. Qualquer pessoa que tivesse interesse em explorar isso não apenas era ridicularizada, como também diziam brincando que ela tinha paixão por todo o mundo ou estava tentando transar com todo o mundo. Então eu sufoquei aqueles sentimentos até terminar o ensino médio. Assim que me vi livre da obrigação de  ver aquelas pessoas todos os dias, tive uma espécie de revelação. Literalmente, lendo um post de Zendaya no Instagram, tive um momento de clareza e percebi: ‘Oh, sou bissexual’.” ― Tayla, 23 anos

“Tudo bem você sentir atração por muitos gêneros e mesmo por pessoas sem gênero. É mais do que tudo bem, é lindo.” 

“Compreendi que sou bissexual pela primeira vez no ensino médio. Foi também a primeira vez que contei a um amigo sobre isso, mas não foi algo que passou a fazer parte do conhecimento público. Foi mais como um segredo aberto. Ao longo dos anos, as pessoas com quem saí sabiam (eu sempre fiz questão que soubessem, independentemente do gênero delas), mas essa questão sempre foi meio que empurrada para o lado. Durante anos as pessoas diziam brincando que eu era ‘o hétero mais gay do mundo’.

“Quando eu estava com 35 anos e me preparava para me casar pela segunda vez, eu simplesmente tive um estalo. Eu tinha muitos amigos queers de todos os tipos que estavam sendo criticados por quem eram, e deixar de ficar ao lado deles começou a me parecer criminoso. Sou um homem branco cisgênero; com esse grau de privilégio, se eu não sou capaz de ficar ao lado de meus amigos, então não sou amigo de verdade. Eu me assumi perante umas 200 pessoas ao longo de alguns dias. Nunca mais desde então eu escondi minha bissexualidade nem usei linguagem indireta ou disfarçada; estou fora do armário e estarei para sempre. Hoje posso falar abertamente as coisas que eu precisava tão desesperadamente ouvir quando era adolescente queer. Tudo bem você sentir atração por muitos gêneros e mesmo por pessoas sem gênero. É mais do que tudo bem, é lindo. Ser bissexual não é algo a ser escondido. Hoje posso afirmar com segurança que sou um homem bissexual e nunca voltarei para dentro daquele armário.” ― David Kaye, roteirista e músico

“Na adolescência, as pessoas me manipulavam psicologicamente e diziam que, porque sou feminino, minha atração por meninas não era real.”

“Sou um homem bissexual feminino. Sempre fui, de modo que não tive realmente a opção de ficar dentro do armário, se bem que às vezes eu me pergunte se teria sido melhor estar. Algumas das minhas primeiras recordações são de ter paixões passageiras por meninas e meninos do meu bairro e de me chamaram de viado. Quando eu era adolescente, as pessoas me manipulavam psicologicamente para me fazer duvidar de quem sou; diziam que, porque sou feminino, minha atração por meninas não era real. Aquilo me deixava superconfuso. O que outras pessoas diziam sobre mim me levou a pensar que talvez eu fosse gay e estivesse apenas tentando fugir dessa realidade. Mas continuei a me apaixonar por meninas.

“O que me ajudou foi aprender que homens héteros, homens gays e homens bissexuais são todos uma combinação de masculino e feminino, e por isso é tão importante não priorizar ou glorificar o lado masculino em detrimento do femino. É uma coisa arbitrária à qual as pessoas atribuem tanto valor.” ― J.R. Yussuf, autor de “The Other F Word: Forgiveness” e criador da hashtag #bisexualmenspeak

“Hoje minha bissexualidade é uma coisa que eu valorizo e curto. É uma parte intrínseca de mim, embutida em meu DNA.”

“Como você toma consciência do que você é quando não conhece outra coisa senão isso? Para mim, descobri quem sou ao reconhecer minha diferença. Para dar um nome a essa parte de mim, primeiro tive que aprender que eu era diferente do que as pessoas esperavam que eu fosse. Quando tento recuperar aquelas memórias, o que lembro principalmente é o medo. Eu sentia algo dentro de mim que precisava ser definido e explicado, mas não tinha como definir ou explicar. Eu gostaria de dizer que me parecia normal, que pude curtir minhas paixonites adolescentes por pessoas de todos os gêneros. Mas sei que não era assim, porque me recordo do pânico que eu sentia quando tínhamos que trocar de roupa para as aulas de educação física. Eu fixava os olhos num ponto na parede ou no chão, desviando meu olhar de minhas colegas, com medo de atrair o olhar de outra garota acidentalmente e de ela de algum jeito descobrir meu segredo, que não tinha nome. Eu escondi essa parte de mim porque, apesar de ignorar as palavras com que me descrever, eu sabia que se fosse descoberta seria o fim para mim.

“Hoje me sinto grata porque minha bissexualidade é uma coisa que eu valorizo e curto. É uma parte intrínseca de mim, embutida em meu DNA, minha vida e minha personalidade. Está presente em meu trabalho também; durante toda a vida eu tivesse esse desejo de me entender, um desejo que nunca era satisfeito realmente, e hoje posso passar minhas horas livres pesquisando a história da comunidade bissexual. Isso me lembra que aquela sensação de estar sozinha, o medo de eu ser a única pessoa que jamais se sentiu assim, não poderia estar mais distante da verdade. Sempre existiram pessoas bissexuais, apesar do apagamento e do preconceito. Mesmo que não tivéssemos sabido que nome nos darmos, sempre estivemos presentes e estamos presentes agora.” ― Mel Reeve, arquista e escritora residente em Glasgow, Escócia.

*As respostas recebidas foram levemente editadas para permitir maior clareza. Algumas fontes pediram para ser identificadas apenas pelo primeiro nome, para proteger sua privacidade.