“Prolongar a vida em UTIs é uma praga moderna”

“A maior dificuldade que existe hoje é tratar a morte como uma questão pessoal, considerar o próprio fim”. “As diversas incertezas que rondam a finitude fazem do último suspiro um dos grandes tabus sociais”.

MJK

Maria Julia Kováca – foto: Carine Wallauer/UOL

‘Prolongar a vida em UTIs é uma praga moderna’, diz especialista em morte

Há quem tenha medo da morte e prefira não falar sobre ela. Algumas culturas costumam celebrá-la. Há quem queira ter controle sobre o fim da vida, já outros preferem que seja natural — sem dor, preferencialmente. Fato é que as diversas incertezas que rondam a finitude fazem do último suspiro um dos grandes tabus sociais. E foi exatamente sobre esse assunto que a psicóloga Maria Julia Kovács, 65, decidiu se dedicar profissionalmente.

Professora do Instituto de Psicologia da USP e coordenadora do Laboratório de Estudos sobre a Morte (LEM), ela começou a estudar o tema nos anos 1980. O interesse surgiu de uma questão pessoal, a doença de uma tia. “Ela estava muito mal e queria falar sobre a morte. Eu me recusava, reproduzindo o jeito de ser da nossa sociedade atual. E foi aí que ouvi dela: ‘Que tipo de psicóloga você vai ser que não fala sobre o assunto?’”, contou em entrevista à Daniela Carasco, da UOL. “Comecei lendo alguns livros, até me especializar em 1982, no mestrado.”

Em 1986, ela criou na Universidade de São Paulo a disciplina “psicologia da morte” a fim de aproximar os alunos de uma questão tão implacável. “A maior dificuldade que existe hoje é tratar a morte como uma questão pessoal, considerar o próprio fim”, conta.

A “interdição” do tema, segundo Maria Julia, veio com o avanço da medicina. “Do ponto de vista médico, a morte é vista como um fracasso profissional, daquele que não conseguiu evitá-la”, diz. Como consequência, surgiu a “distanásia”, o prolongamento do processo de morte por meio de tratamentos cada vez mais modernos. Algo questionável na visão da especialista, que, como muitos, também tem medo do próprio óbito.

Aqui, ela fala abertamente sobre as mais variadas especulações e certezas que envolvem o processo de falecimento, como eutanásia, luto, cuidados paliativos, sofrimento, prorrogação artificial, suicídio e diferenças culturais.

A maneira como a morte passou a ser tratada mudou com o tempo?
Drª Maria Julia Kováca: – A grande mudança se processou na passagem do século 19 para o 20, com o desenvolvimento da medicina, principalmente na sua busca de cura e de tratamentos cada vez mais sofisticados. Do ponto de vista médico, a morte passou a ser vista como fracasso profissional. Então, houve a interdição do tema, isolamento de pessoas que estão morrendo em salas e corredores distantes nos hospitais, além da exploração de técnicas que pudessem postergá-la a todo custo. Assim se criou a “distanásia”, um processo muito sério de medicalização e prolongamento do processo de morte, que pode vir acompanhado de muito sofrimento.

Qual o lado bom e o ruim de prolongar a vida com os novos tratamentos?
Há benefícios, como permitir que pessoas com o diagnóstico de doenças sem cura vivam por muito tempo e com menos efeitos colaterais. A maior desvantagem é que muita gente não está conseguindo morrer naturalmente. Os maiores prejudicados nesse ponto são os idosos, com doenças crônicas e degenerativas. Eles são submetidos a uma série de intervenções inúteis, porque não se concebe a ideia de que possam morrer. Isso acaba ampliando o sofrimento do doente e de seus familiares, que os vê em situações muito graves, quase mortas, entubadas, sem a possibilidade de se comunicar. Prolongar a vida em UTIs é uma praga moderna.

Você é favorável à eutanásia?
Eutanásia quer dizer “boa morte”. O que aconteceu é que, nos últimos tempos, ela passou a ser associada ao apressamento do fim, possivelmente uma reação ao prolongamento. Sou a favor da sua legalização como possibilidade de atender ao desejo de uma pessoa que não quer mais viver. O direito de morrer e de planejar o final da vida é importante. Não apressá-la, mas deixar acontecer naturalmente sem muita intervenção, só cuidando para que a pessoa não sofra com dores ou outros sintomas. Daí a importância dos cuidados paliativos.

O que são os cuidados paliativos?
São cuidados de alívio e controle de sintomas de uma doença que não tem cura para garantir qualidade de vida ao paciente. Não é uma preparação para a morte, mas a dor, dificuldade respiratória, problema gástrico, ansiedade e outros problemas que ela possa ter. Eles são muito aplicados nas áreas de oncologia. Nas de doença mental precisam ser melhor trabalhados.

Optaria pela eutanásia para si?
Não, porque ela envolve uma terceira pessoa que executa o procedimento, alguém que lhe dá a medicação para morrer. E isso é complicado. Nos países em que é legalizada, ela é realizada por médicos. Para mim, seria a última possibilidade, mas quem deseja deveria ter esse direito de escolha. Se meu sofrimento for muito grande, aceitarei a sedação paliativa para aliviá-lo, diminuindo a consciência. Acho interessante a ideia do suicídio assistido.

O que é o suicídio assistido?
É quando o próprio doente executa o ato final. Ele é regulamentado em vários Estados dos Estados Unidos, onde a liberdade individual é muito prezada. Existem duas formas clássicas de realizá-lo. Um dos processos é feito com três seringas instaladas no paciente. A primeira é o acesso; a segunda, o relaxante; e a terceira, a substância que provoca a morte. Ele é quem vai acionar a última quando achar que deve. A outra forma é quando o médico entrega à pessoa a receita de uma medicação fatal e ela toma quando quiser. Isso ajuda muitas a repensarem a decisão. Essa é frequente na Suíça, onde existe uma clínica especializada em “morte com dignidade”, como preferem chamar.

Em Goiás, uma mãe entrou na Justiça para obrigar o filho a se submeter a sessões de hemodiálise. O menino de 22 anos sofre de uma doença crônica e decidiu abrir mão do tratamento. Ela pergunta se “é egoísmo uma mãe querer que o filho não desista de viver”. O que a senhora responderia a ela? Então, a morte é uma escolha pessoal?
Essa é uma grande discussão atual. Em muitas religiões, a vida e a morte pertencem somente a Deus ou a uma divindade. Portanto, não é uma escolha pessoal. Algumas até possibilitam uma conversa com o sacerdote neste sentido para um certo conforto espiritual. A Igreja Católica, por exemplo, defende que seja um processo natural, sem apressamento, nem prolongamento indefinido. O judaísmo se coloca da mesma maneira. Por outro lado, quando se tira o viés religioso, muita gente considera que a escolha do modo de morrer é própria.

Do ponto de vista dele, é absolutamente compreensível seu desejo. Mas a mãe também está certa por querer o filho vivo. Alguns dilemas nunca serão resolvidos, esse é um deles. A minha tendência seria apoiar o rapaz, porque quem está vivendo essa vida de sofrimento é ele. O que eu faria com ela seria legitimar seu sentimento e oferecer acolhimento. É um egoísmo natural de mãe. Seria até muito estranho se ela não lutasse pela vida do filho.

Culturalmente existem diferenças na interpretação da morte?
Podemos dizer que, de maneira geral, a cultura ocidental e a oriental lidam diferente. A primeira tem mais dificuldade de lidar com a finitude, a segunda enxerga mais como um ritual de passagem. Mas não existe um padrão. O México é um bom exemplo. Ele está no Ocidente, mas celebra a morte como possibilidade de evolução. Já uma metrópole como São Paulo, onde o trânsito e a rotina atribulada interferem até numa ida a um enterro, esse processo é perturbador.

“As pessoas não têm tempo de se enlutar na capital paulista. No trabalho, só podem ficar, no máximo, três dias afastadas após a perda de um familiar.

Quanto tempo dura o luto?
O luto é um processo de elaboração de uma perda significativa e não acaba nunca. Ele vai evoluindo, com dias melhores e outros piores. É como as ondas do mar, que vêm e vão. O mais importante é permitir ao enlutado expressar seus sentimentos da melhor forma para ele, seja de maneira intensa ou recolhida. Quando a gente ama profundamente uma pessoa, estão misturados aí medo, raiva, insegurança. Na hora que ocorre a perda, esses sintomas todos emergem e precisam ser legitimados. O problema é que nossa sociedade não tolera o sofrimento por muito tempo, nem muito intensamente. E isso perturba profundamente o processo. O capitalismo e a medicalização nos exige resolver os problemas emocionais rapidamente. Essa é uma característica dos tempos atuais.

O luto é uma doença?
Não. Segundo o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais – DSM-5, depois de duas semanas, se as expressões emocionais continuarem muito fortes, pode ser dado o diagnóstico de depressão. Essa, sim, é uma doença.

Por que essa obsessão pela eternidade?
Porque a gente sempre imagina as coisas boas de se viver para sempre, mas as coisas ruins também podem perdurar. À medida que você envelhece, vai perdendo a potência, a força… Pense que isso deve permanecer com a o prolongamento da vida. Aí não fica mais gostoso, nem atrativo.

É possível sentir a morte chegando?
Sim. Normalmente, a gente consegue sentir isso quando está doente e a doença agrava. Muitas pessoas têm essa percepção e é terrível quando o mundo em volta diz que está tudo bem, que ela vai sair dessa. Ela viveu com esse corpo a vida inteira, sente que está terminando.

Dentre todas as mortes, qual é a mais tabu?
O suicídio, porque é um tipo de morte muito complexo, difícil de elaborar. A gente sabe que para tudo na vida existem inúmeras possibilidades. Então, entender que ele foi escolhido em detrimento de tantas outras é muito complicado. Por isso, é muito importante falar sobre o assunto. A única certeza que temos é que ignorá-lo não resolve. Pelo contrário, pode aumentar as chances diante da falta de compreensão.

Existe morte digna?
Sim e é essa que devemos batalhar para ter. É aquela que possa acontecer da maneira como a pessoa gostaria que fosse, com os valores que são importantes para ela. Se ela quiser, com as pessoas que são importantes na vida dela, sem dor e sem sofrimento possíveis de serem controlados.

Você teme perder pessoas queridas?
Sim. O fato de estudar a morte, ministrar disciplinas e atender em psicoterapia pessoas enlutadas não me protege da dor da perda. É uma ilusão pensar que estamos protegidos e vamos saber como lidar.

“Nada nos blinda do sofrimento. Como profissionais temos a tarefa de cuidar, mas temos que ter o espaço de elaboração e também de ser cuidado se necessário.

É normal ter medo da morte?
Eu diria que o medo da morte faz parte do existir humano para o bem e para o mal. Ele nos permite lutar pela sobrevivência, evitar perigos, se cuidar. Por outro lado, pode ser danoso no momento em que faz a gente deixar de existir — não vai viajar porque pode ter atentado, não vai trabalhar para não ser castigada pelo chefe, não se relaciona para não perder a pessoa amada. Você se superprotege e não vive. Alguns riscos para a vida são necessários, seja no amor ou no trabalho.

Por que as pessoas sentem isso?
Pessoas podem ter medo de morrer, medo de perder pessoas, medo da finitude, medo do desconhecido, medo do que vem após a morte… É multidimensional.

E você tem medo dela?
Sim. Tenho medo principalmente da morte com sofrimento e dor. Vamos dizer que ainda pretendo continuar vivendo, não gostaria de morrer agora. Se tivesse que acontecer neste momento, por alguma circunstância, não gostaria de passar pelo prolongamento do processo de morrer.

Fonte: Revista Prosa Verso e Arte
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“Minha esposa sugeriu que cases comigo”

Hace poco más de un año, mi esposa, Amy Krouse Rosenthal, publicó un ensayo de Modern Love titulado: “Te recomiendo casarte con mi esposo”min

Brian Rea

Mi esposa te recomendó que te casaras conmigo

Pues yo soy ese tipo.

Hace poco más de un año, mi esposa, Amy Krouse Rosenthal, publicó un ensayo de Modern Love titulado: “Te recomiendo casarte con mi esposo”. Amy, a sus 51 años, se estaba muriendo por cáncer de ovario y redactó ese ensayo como un perfil para que yo buscara citas. La verdad es que fue una carta de amor para mí.

Fueron las últimas palabras publicadas por Amy. Ella falleció diez días después.

Amy no podría haber anticipado que ese ensayo me daría la oportunidad de que yo también formara parte de esta columna, en el contexto del Día del Padre, y así poder contar lo que ha sucedido desde el año pasado. Claro que no pretendo tener el extraordinario don que Amy tenía con las palabras, pero algo es algo.

Durante toda nuestra vida juntos, Amy fue una escritora prolífica; publicó libros para niños, memorias y artículos. Cuando supo que sus días estaban contados, quiso terminar un último proyecto. En ese entonces teníamos cuidado médico en casa, una manera gentil de lidiar con el fin de una vida y que te permite cuidar a tu ser querido en un ambiente familiar, lejos de los hospitales con máquinas ruidosas y frecuentes interrupciones.

Yo estaba en la mesa del comedor, con vista hacia la sala de estar, donde Amy había construido su oficina. Entre siestas trabajaba ahí, en el sillón.

Esos momentos de paz eran inducidos por la morfina que necesitaba para paliar los síntomas. Un tumor había creado un bloqueo completo del intestino, por lo que no podía comer nada sólido. Se sentaba frente al teclado y empezaba a escribir, luego dormía un rato y al despertar volvía a empezar.

Cuando Amy terminó ese ensayo me lo dio para que lo leyera, como había hecho con todos sus textos. Pero esta vez fue distinto. En su libro de memorias había escrito sobre nuestros hijos y sobre mí, pero nunca de este modo. ¿Cómo es que logró combinar esos sentimientos de profunda tristeza con un humor irónico y una honestidad total?

Para cuando salió publicado el ensayo, Amy estaba demasiado enferma para poder celebrarlo. Conforme crecían las reacciones alrededor del mundo, yo me sentí contrariado de que no pudiera apreciar el impacto tan profundo que tuvieron sus palabras. El alcance de ese artículo, de todas las obras de Amy, era mucho más profundo y enriquecedor de lo que me había dado cuenta.

Me llegaron cartas de todo el mundo. Incluían notas de admiración, consejos médicos, compasión y ofertas de mujeres que querían conocerme. Yo estaba consumido por el pesar de los últimos días de Amy como para dedicarme a responder. Era muy extraño que en ese momento yo fuera el centro de atención, aunque la efusión global me hizo apreciar lo significativo que era su trabajo.

Cuando las personas piden que me describa siempre empiezo con la palabra “papá”, pero pasé buena parte de mi vida adulta siendo “el esposo de Amy”. La gente la conocía a ella y a su obra, mientras que yo era relativamente anónimo. No tenía presencia alguna en redes sociales y con mi profesión, abogado, no precisamente se obtiene mucha atención pública.

Después de que Amy murió me enfrenté a incontables decisiones en mi nuevo papel de padre soltero. Como en cualquier matrimonio o unión entre personas con hijos, teníamos una división de labores. Ya no. Muchos pensaban que Amy era desorganizada porque tenía listas y listas: notas por doquier, pedazos de papel y hasta mensajes que escribía en el dorso de su mano. Pero era una de las personas más organizadas que he conocido.

Existen temas de la vida diaria que ahora enfrento, pero a los que antes no les ponía mucha atención. ¿Cómo es que Amy lograba hacerlo todo tan habilidosamente? Puedo hacer muchas cosas yo solo, pero si dos personas se apoyan pueden lograr mucho más en los retos de la vida diaria.

Muchas mujeres se tomaron al pie de la letra la recomendación de Amy y me enviaron todo tipo de mensajes: muy frontales, chistosos, sabios, conmovedores, sinceros. En una carta escrita a mano de seis páginas una mujer enalteció su conocimiento sobre automóviles en un aparente intento de conquistarme: “Sé cómo revisar el radiador del coche en caso de que necesite un poco de agua antes de que explote el motor”.

Aunque no sé mucho sobre programas de telerrealidad, me llegó una carta adorable de una niña: “Me gustaría meter una solicitud para mi mamá, como los amigos y familiares pueden hacer para quienes participan en The Bachelor“.

Y admiro el sentimiento y el estilo de la mujer que escribió: “Tengo una imagen visual de mujeres esperanzadas haciendo fila afuera del Green Mill Jazz Club los jueves. Madres solteras, divorciadas elegantes, tías solteronas, amas de casa aburridas, hijas, señoras de edad avanzada… todas ansiosas por ver si la zapatilla les quedará a ellas y ellas solas, si el príncipe del cuento es el indicado. Que ellas son las indicadas para él”.

En ese momento no tenía cómo lidiar con estos mensajes, pero desde entonces he encontrado consuelo y hasta risas en muchos de ellos. Lo que sí he logrado entender es la magnitud del regalo que me dio Amy al enfatizar que yo aún tenía una larga vida por delante que podía estar llena de júbilo, felicidad y amor. Su decreto de que llenara mi vacío con una nueva historia me ha dado el permiso de realmente aprovechar el tiempo que me queda en este planeta.

Si puedo transmitir un mensaje sobre lo que aprendí gracias a su regalo, sería este: habla con tu pareja, tus hijos y otros seres queridos sobre qué quieres para ellos cuando fallezcas. Si haces eso les das la libertad de vivir una vida plena a la que, con el tiempo, le conseguirán sentido. Habrá mucho dolor y a diario pensarán en ti. Pero seguirán y construirán un nuevo futuro a sabiendas de que les diste el permiso e incluso el ánimo de hacerlo.

Quisiera tener más tiempo con Amy. Quiero tener más tiempo para ir de pícnic y escuchar música en el parque Millennium. Quiero tener más cenas del sabbat con los cinco Rosies, como nos apodamos entre nosotros, los Rosenthal.

Incluso me encantaría esperar en lo que Amy se tarda todo el tiempo que quiera para despedirse de todos en las reuniones familiares, como siempre hacía, incluso cuando ya habíamos estado ahí durante horas, teníamos ante nosotros un largo camino a casa y muy probablemente nos veríamos de nuevo en unos días.

Quisiera haber tenido más de todo eso, tal y como Amy también lo deseó, pero nada de eso pasó. En cambio, como ella describió, seguimos el plan de ser, que consiste en estar presentes en nuestras vidas porque se nos acaba el tiempo juntos. Así que hicimos lo posible para vivir el momento hasta que todo se terminó.

La peor ironía de mi vida es que cuando perdí a mi mejor amiga, a mi esposa durante veintiséis años y a la madre de mis tres hijos, fue que pude realmente apreciar todos y cada uno de mis días. Sé que suena a un cliché, y lo es, pero también es verdad.

Amy aún me abre puertas, influye en mis decisiones y me enfrenta con el mundo para que lo sepa aprovechar. Hace poco di una conferencia TED sobre el fin de una vida y mi proceso de duelo que espero que ayude a otras personas. Nunca me imaginé que iba a hacer algo así, pero agradezco la oportunidad de conectarme con personas en una situación similar. Y claro que esto solo lo escribo gracias a ella.

Ahora estoy consciente, de una manera que quisiera no haber tenido que aprender, de que la pérdida es la pérdida, ya sea un divorcio, perder un trabajo o a una mascota o enfrentar la muerte de algún familiar.

En ese aspecto no soy distinto a los demás. Pero mi esposa me dio un regalo cuando, al final de su columna, dejó un espacio en blanco, uno que ahora quisiera ofrecerte a ti. Un espacio que tú puedes llenar. La libertad y el permiso para que escribas tu propia historia.

Aquí va. ¿Qué vas a hacer con este nuevo comienzo?

 

 

 

Atentamente,

Jason

Fonte: The New York Times
Por: Jason B. Rosenthal
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A eutanásia, a religião, os cuidados paliativos e a educação

“Um “declínio na religiosidade” explica em parte um aumento da aceitação da eutanásia” na Europa Ocidental.

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Cuidados paliativos e eutanásia não são práticas contraditórias

Segundo um estudo publicado no ano passado na revista internacional Palliative Medicine, a percentagem de pessoas que teve acesso a cuidados paliativos na Bélgica é superior entre os que solicitaram eutanásia do que na restante população que não morre de morte repentina.

Um dos autores deste estudo, o sociólogo belga Joachim Cohen, refere que, na Bélgica, a eutanásia acontece depois de os doentes terem acesso a cuidados paliativos com qualidade.

O estudo, publicado em 2017 e que analisou a realidade belga, mostra que, de todos os utentes de cuidados paliativos, houve 14% que solicitaram eutanásia.

Em resposta escrita à agência Lusa, o sociólogo, que trabalha num centro dedicado às questões de fim de vida, refere ter estudos e análises de dados que demonstram que as pessoas que procuram a eutanásia são sobretudo doentes mais informados e com níveis de educação elevados.

Os doentes oncológicos e pessoas entre os 65 e os 79 anos estão também entre os grupos mais relevantes quanto aos pedidos de eutanásia, segundo o estudo, após análise a mais de 6.800 casos de vários tipos de mortes na Bélgica.

Os autores destacam ainda que, no país, as federações de cuidados paliativos aceitam que a eutanásia aconteça no contexto de bons cuidados paliativos.

“Num contexto de eutanásia legalizada, a eutanásia e os cuidados paliativos não surgem como práticas contraditórias. Uma proporção substancial de pessoas que realizou pedido de eutanásia era seguida por serviços de cuidados paliativos”, refere uma das conclusões do estudo.

Joachim Cohen e a equipa do End-of-Life Care Research Group analisaram também a posição das sociedades e dos países relativamente à eutanásia e à morte medicamente assistida.

“A aceitação pública aumentou ao longo do tempo, mas com variações consideráveis entre os países”, concluiu o investigador.

Nesta análise coube ainda a procura pelas razões desta variação, sendo que a religiosidade surgiu como um dos fatores que influencia a posição sobre a eutanásia.

De acordo com Joachim Cohen, um “declínio na religiosidade” explica em parte um aumento da aceitação da eutanásia” na Europa Ocidental.

Outro dos fatores que influencia a posição sobre a eutanásia é a tolerância à autonomia e à liberdade de escolha.

Num outro artigo científico em que Joachim Cohen participou, de 2016, mostra que nem sempre as opiniões dos cidadãos e dos médicos sobre a eutanásia são coincidentes, podendo ser mais fácil despenalizar a eutanásia quando essa diferença de opinião não é tão significativa.

Fonte: Atlas de Saúde Pt
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