CFM determina que um feto está acima de uma mulher

O Conselho Federal de Medicina acaba de tirar das gestantes o direito à recusa terapêutica, dando aos médicos o poder de realizar procedimentos à força. Decidiu que é o estado dos fetos que elas carregam, e não a integridade física e mental dessas mulheres, que os profissionais devem priorizar.

À esquerda/Acima: a protagonista June, no início de uma gravidez, é levada para conhecer o destino das gestantes que se rebelam ou colocam fetos em risco – isolamento total, acorrentamento e tortura. À direita/Abaixo: June passa pela punição na pele após desobedecer o sistema. Fotos: Divulgação/George Kraychyk/Hulu

CFM põe The Handmaid’s Tale em prática ao determinar que um feto está acima de uma mulher

Maior de idade, capaz, lúcido, orientado e consciente. É isso que você precisa ser para ter a liberdade de escolher se submeter ou não a um tratamento de saúde – exceto se você for uma mulher grávida. Uma nova resolução do Conselho Federal de Medicina, o CFM, acaba de tirar das gestantes o direito à recusa terapêutica, dando aos médicos o poder de realizar procedimentos à força. O CFM decidiu que é o estado dos fetos que elas carregam, e não a integridade física e mental dessas mulheres, que os profissionais devem priorizar.

O despacho, publicado no Diário Oficial da União em 16 de setembro, afirma que a vontade da mulher pode caracterizar um “abuso de direito” em relação ao feto. E, nesses casos, os médicos devem tomar providências “perante as autoridades competentes” para garantir que o procedimento recusado será imposto. No dia seguinte, o CFM publicou uma nota em defesa da resolução. “O Conselho Federal de Medicina, ao aprová-la, cumpre, mais uma vez, o seu compromisso com o respeito à dignidade da pessoa humana”, afirmou o relator Mauro Ribeiro. O compromisso claramente não abrange as mulheres.

Na prática, procedimentos altamente dolorosos e invasivos, como a episiotomia (corte feito abaixo da vagina na hora do parto, muitas vezes sem anestesia), poderão ser feitos mesmo que as mulheres afirmem expressamente que não os autorizam. Em 2018, a Organização Mundial da Saúde, a OMS, afirmou que “não há nenhuma evidência que prove a necessidade da episiotomia em qualquer situação” e que o corte nunca pode ser feito sem autorização. No entanto, o corte acontece em mais de metade dos partos naturais no Brasil – às vezes, sem autorização ou aviso.

Outra das formas mais cruéis de violência obstétrica que a medida pode permitir é a “manobra de Kristeller”, em que profissionais de saúde apertam ou chegam a se sentar sobre a barriga mulher durante as contrações para acelerar o parto. Apesar de a ciência já ter mostrado que as duas práticas violentas não se convertem em benefícios para a saúde, as mulheres, a partir de agora, não poderão mais recusá-las se o médico julgar que elas são importantes para o feto.

A obstetra Melania Amorim, pós-doutora em Saúde Reprodutiva pela OMS e representante da Rede Feminista de Ginecologistas e Obstetras, me disse que a resolução abre um “precedente perigoso” para que a medicina tutele os corpos das mulheres “em nome de uma suposta preocupação” com o feto. “Isso não pode ser admitido”, argumentou, ressaltando que a resolução se equivale ao Estatuto do Nascituro – projeto de lei que pretende garantir ao embrião e ao feto os mesmos direitos dos nascidos, acabando com o direito ao aborto em qualquer circunstância.

Bendito seja o fruto

A leitura da decisão logo traz à mente a série The Handmaid’s Tale, baseada no livro homônimo de Margaret Atwood. O drama retrata uma sociedade teocrática, dividida em castas, na qual as mulheres só são valorizadas como incubadoras e mães. Aquelas consideradas transgressoras vivem como escravas sexuais para procriação. Já as da classe dominante – belas, recatadas e do lar, mas incapazes de engravidar – devem ter como único objetivo ser mães das crianças geradas pelo estupro de suas aias.

O passo dado pelo CFM, guardadas as devidas proporções, é claro, lembra o início da caminhada que transformou o que costumavam ser os Estados Unidos no terrível governo de Gilead (se você ainda não assistiu à série: 1- assista; 2- agora é tarde para reclamar de spoilers). Traz à memória, ainda, uma das cenas mais chocantes da série: a de uma aia grávida acorrentada a uma cama, isolada de todo convívio social, vigiada por seguranças fortemente armados. É assim que são tratadas as gestantes do país fictício criado por Atwood que não agem de acordo com o que se julga ser o melhor para a gravidez – ou que praticam um “abuso de direito” sobre os fetos. É a resolução do CFM levada ao extremo. 

Como as grávidas do mundo distópico de The Handmaid’s Tale, gestantes brasileiras agora podem ser forçadas por médicos a passar por tratamentos dolorosos
ainda que não os autorizem. Foto: Divulgação/George Kraychyk/Hulu

Como na série, a mulher de que fala o artigo 5º da resolução é tratada meramente como incubadora – ou, no máximo, como mãe obrigada a abdicar de tudo, inclusive sua autonomia e bem-estar corporal, em nome do bendito fruto de seu ventre. É significativo que o parágrafo não use em nenhum momento a palavra “mulher” ou sequer “paciente”. A pessoa a que se refere é apenas “gestante” e “mãe”. Mas o CFM vai além de reduzir a mulher a esses dois papéis.

O Conselho passa a mensagem de que o feto está em condição superior à da mulher, que não tem capacidade de escolher o que autoriza ou não que seja feito a seu corpo. E de que a gravidez é, agora, uma condição infantilizadora, capaz de transformar uma adulta lúcida em criança, adolescente ou pessoa desprovida do “pleno uso de suas faculdades mentais” – os únicos grupos que, até o início desta semana, não tinham direito à recusa terapêutica.

Esses dois recados, passados pela autoridade responsável por garantir a ética médica no Brasil, não devem ser considerados algo menor diante da atual cruzada contra nossos direitos. Vale lembrar que não são poucas as propostas de lei que pretendem retirar das mulheres estupradas ou em risco de vida o direito ao aborto, nem os que intencionam endurecer o castigo dado àquelas que arriscam suas vidas tentando interromper gestações indesejadas. Mas a resolução do CFM é mais do que um símbolo dos tempos que vivemos. É uma decisão que tirou ainda mais poder de defesa das mulheres grávidas no país em que uma a cada quatro delas já sofria violência obstétrica.

Não é de agora que o CFM mostra seu desdém pela violência de médicos contra mulheres gestantes e em trabalho de parto. Para Melania Amorim, o posicionamento “vem ao encontro de diversas posturas do CFM” que ameaçam os direitos reprodutivos das mulheres, como a omissão do debate sobre a descriminalização do aborto, realizado em audiências públicas no Supremo Tribunal Federal em agosto de 2018. Em outubro daquele ano, o órgão publicou ainda um parecer afirmando que o termo violência obstétrica é “uma agressão contra a especialidade médica de ginecologia e obstetrícia” e, portanto, “contra a mulher”. “Desde 2013 o elitismo da classe médica como um todo tem se exacerbado com apoio maciço ao projeto conservador”, argumenta Amorim.

Se o documento assinado pelo relator Ademar Carlos Augusto em 2018 pretendia calar as vozes que se levantam contra a violência obstétrica, o despacho desta semana, assinado pelo presidente Carlos Vital Tavares Corrêa Lima e pelo secretário-geral Henrique Batista e Silva, acaba de torná-la prática oficial – e de nos aproximar um pouco mais da distopia de Margaret Atwood.

Fonte:  The Intercept

Cloto: o mais provável tratamento para as Demências

Pesquisas descobriram que uma maior quantidade de cloto protege os ratos com sintomas de Alzheimer da deterioração cognitiva. “Seus pensamentos ficaram preservados”. Além de proteger, também melhora o funcionamento cerebral.

Benedicte Muller

¿Quién debería recibir un medicamento que turbocargue el cerebro?

En 2011, Dena Dubal fue contratada por la Universidad de California, campus San Francisco, como profesora asistente de Neurología. Ella montó un nuevo laboratorio con un objetivo primordial: entender a una misteriosa hormona llamada cloto.

Dubal se preguntaba si esta hormona podría ser la clave para encontrar tratamientos eficaces para la demencia y otras enfermedades relacionadas con el envejecimiento del cerebro. En ese momento, los científicos sabían lo suficiente sobre cloto para que esta fuera fascinante para ellos.

Por ejemplo, los ratones criados para producir más cloto tenían una vida un 30 por ciento más larga. Pero los científicos también habían descubierto cloto en el cerebro; entonces Dubal comenzó a realizar experimentos para descubrir si influía de alguna manera en la forma en que los ratones aprenden y recuerdan.

Los resultados fueron asombrosos. Enun estudio, ella y sus colegas descubrieron que una mayor cantidad de cloto protege a los ratones con síntomas de alzhéimer de un deterioro cognitivo. “Su pensamiento, a cualquier grado que la midiéramos, fue preservado”, señaló Dubal.

Ella y sus colegas también criaron ratones saludables para que produjeran más cloto. Ellos tuvieron un mejor desempeño que sus compañeros roedores en cuanto al aprendizaje de laberintos y otras pruebas cognitivas.

Cloto no solo les protegió el cerebro, concluyeron los científicos, sino quese los mejoró. Los experimentos realizados con más ratones arrojaron resultados similares.

“Simplemente no podía creerlo, ¿era verdad o solo era un falso positivo?”, recordó Dubal. “Pero es cierto. Mejora la cognición incluso en un ratón joven. Los hace más listos”.

Han pasado cinco años desde que Dubal y sus colegas empezaron a publicar estos extraordinarios resultados. Otros investigadores han realizado interesantes hallazgos por su cuenta, lo que indica que cloto podría servir de protección contra otras enfermedades neurológicas, incluyendo laesclerosis múltiple y el párkinson.

Ahora Dubal y otros investigadores están intentando idear tratamientos basados en estos resultados. Esperan tratar enfermedades como elalzhéimer, ya sea inyectando cloto en el cuerpo o estimulando al cerebro para que aumente la producción de esta hormona.

Los investigadores que están desarrollando estos tratamientos reconocen sin problema que estos podrían no tener éxito. Además, otros expertos en cloto creen que queda mucho trabajo por hacer para averiguar el efecto que esta hormona tiene en el cerebro.

“Tenemos todos estos hallazgos sorprendentes que muestran un impacto realmente importante, pero en verdad no podemos explicar por qué”, comentó Gwendalyn D. King, neurocientífica de la Universidad de Alabama en Birmingham. “Es ahí donde estamos empantanados”.

Pero ¿qué sucede si los científicos se desempantanan? ¿Qué pasaría si en verdad fuera posible crear un medicamento que mejore la cognición?

Tendemos a pensar que los medicamentos que mejoran el desempeño son malos; un ejemplo: el dopaje en el deporte. Que los medicamentos que curan o previenen las enfermedades son buenos. “La comunidad científica y la sociedad ponen esos límites”, señaló Eric Juengst, director del Centro de Bioética de la Universidad de Carolina del Norte.

Cuando hablamos de cloto, quizá no existan esos límites. En teoría, un medicamento así podría ofrecer tanto una forma de prevenir las enfermedades del cerebro como de mejorarlo.

Hilvanando las hebras

En 1991, un cardiólogo japonés llamado Makoto Kuro-o empezó a estudiar la hipertensión. Insertó ADN en embriones de ratón, con la esperanza de crear una línea de roedores que tuviera ese padecimiento.

En cambio, algunos de sus ratones, al parecer, envejecían demasiado rápido. “Por lo general, los ratones viven dos años, pero estos ratones se morían después de dos o tres meses”, comentó Kuro-o, quien ahora es profesor de la Jichi Medical University en Japón.

Kuro-o sospechaba que accidentalmente había desactivado un gen que tenía algo que ver con la esperanza de vida. Cuando les practicó la autopsia a los ratones, se sorprendió al encontrar atrofia muscular, huesos quebradizos y ateroesclerosis.

Pasó los siguientes años buscando este gen. Cuando por fin él y sus colegas lo encontraron, le dieron elnombre de cloto, en honor a una de las tres moiras de la mitología griega. Su trabajo era hilar las hebras de la vida de todas las personas.

Kuro-o y sus colegas descubrieron que la hormona cloto se produce en algunos órganos, dentro de los que está incluido el cerebro. Cuando estudiaron a los ratones que no tenían esta hormona, descubrieron que la cognición se deterioraba mucho más rápido que en los animales normales.


Benedicte Muller

Algunas personas también conllevan una variación genética que hace que produzcan niveles más elevados de cloto en su cuerpo que el promedio.

En marzo, Dubal y sus colegas publicaronun estudioque indicaba que quizá cloto también le proporcionaba a la gente cierta protección contra el alzhéimer.

Uno de los factores de riesgo más grandes del alzhéimer es una variante genética llamada APOE e4. Heredar dos copias de este gen puede aumentar el riesgo más de ocho veces.

Dubal y sus colegas descubrieron que, aparentemente, mucha gente con APOE e4 tendría alzhéimer en algún momento incluso si todavía no mostraba signos de demencia. Tenían marcadores que indicaban que había una acumulación de coágulos en su cerebro.

Posteriormente, Dubal y sus colegas estudiaron a las personas con APOE e4 y con más cloto. No tenían un exceso de coágulos.

Dubal especuló que es posible que en estas personas, cloto esté disminuyendo los efectos de portar APOE e4. “Tal vez su cerebro es más joven en términos biológicos”, señaló.

¿Una hormona protectora?

En 2015, una de las colaboradoras de Dubal, Carmela Abraham de la Universidad de Boston, decidió que ya era hora de formar una empresa. Ella y sus cofundadores la llamaron Klogene Therapeutics.

Basada en sus quince años de investigación, Carmela Abraham consideró que aumentar los niveles de cloto en el cerebro podría proteger a la gente de enfermedades degenerativas del cerebro. Klogene ha estado desarrollando una gama de técnicas nuevas para manipular esta hormona.

En una serie de experimentos, emplearon la técnica de modificación genética llamada Crispr a fin de modificar el ADN de las neuronas humanas. Las células modificadasproducen más cloto.

Klogene también ha estado probando compuestos que pueden aumentar la producción de cloto. “La solución con la que soñamos es que se tome una pastilla al día, de la misma forma en que ahora se toman las estatinas”, comentó Carmela Abraham.

¿Qué pasaría si encontrara la solución con la que sueña e inventara una pastilla para aumentar los niveles de cloto en el cerebro?

Tal vez la gente responda como los ratones y obtenga protección contra las enfermedades. También es posible que la gente saludable responda a esa pastilla de la forma en que responden los ratones a más cloto y su mente tenga un mejor desempeño.

Para Juengst, sería complicado resolver la cuestión ética de dicho medicamento. ¿Sería aceptable emplear la modificación genética para cambiar el cerebro de la gente a fin de que produzca mayor cantidad de esa hormona? ¿Por qué no empezar desde antes y modificarla en los embriones?

Las encuestas sobre la modificación genética tienden a reflejar una división tradicional entre la enfermedad y el aumento de la capacidad. La gente se inclina más a aprobar la modificación genética para prevenir una enfermedad y tiende a decir que aumentar la capacidad es algo incorrecto.

Sin embargo, si un tratamiento que se basa en cloto algún día llega a prevenir la demencia, no hay forma de obtener esos beneficios sinaceptar también su uso como un componente que aumenta la capacidad del cerebro.

Pese a las complejidades éticas, Dubal cree que el aumento de la capacidad cognitiva derivada de cloto sería algo bueno, no solo para las personas, sino también para la sociedad.

En última instancia, el factor más importante para Dubal es si las inquietudes éticas acerca del aumento de la capacidad pueden impedir la investigación sobre cloto como mecanismo para tratar las enfermedades que amenazan la vida.

“Tendremos a 115 millones de personas con alzhéimer para 2050”, afirmó. “Si podemos lograr que este sea un tratamiento eficaz, entonces sería poco ético no hacerlo”.

Por: Carl Zimmer
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“Prolongar a vida em UTIs é uma praga moderna”

A astrologia “é falsa” mas tem padrões técnicos

Para calcular a carta astral de uma pessoa, utilizada para diagnosticar a sua personalidad, seu perfil psicológico e o rumo de sua vida, o primero que se faz é identificar a alinhação dos planetas  no momento do seu nascimento, o qual está relacionado com a local onde ocorreu o parto.

Credit Ilustración fotográfica por Tracy Ma/The New York Times; cara vía Shutterstock

La astrología ‘es falsa’, pero tiene estándares

La mañana en que se celebró el examen de Certificación de Competencia Astrológica (CAP) de la Sociedad Internacional de Investigación Astrológica (ISAR), el cual se llevó a cabo en mayo en un hotel Marriot en Chicago, el clima cósmico era un buen augurio.

La Luna estaba en Sagitario, el más erudito de los signos, y el planeta de la comunicación, Mercurio, acababa de entrar al ingenioso Géminis. La noche anterior había habido una Luna llena dramática, pero el puñado de astrólogos que se inscribieron para presentar el examen no parecían sentir sus efectos. Después de todo, eran profesionales… o al menos, esperaban serlo: tras años de preparación intensa para este examen de aptitudes “metafísico” de seis horas de duración. Aunque es a libro abierto, el CAP del ISAR tiene la reputación de ser uno de los exámenes más extenuantes en el campo de la astrología.

En efecto. En 2018, hay múltiples exámenes rigurosos que evalúan la capacidad para leer las estrellas.

Sí, podría parecer extraño que se apliquen estándares extremadamente técnicos a esta práctica espiritual abstracta, pero hacerlo no es inédito. De alguna u otra forma, la astrología ha existido por lo menos desde la antigua Babilonia y durante mucho tiempo se le consideró una manera totalmente lógica de explicar el mundo. No fue sino hasta que el racionalismo se convirtió en la mayor moda en el siglo XIX que la astrología quedó relegada al terreno de lo místico y lo absurdo.

En la actualidad, se le considera un campo para revistas de público femenino y memes de Instagram; en el mejor de los casos, una ficción inofensiva y, en el peor, una seudociencia perniciosa. No obstante, una cantidad creciente de estudiantes y especialistas lo toma con una enorme seriedad pese al reconocimiento de que no tiene rigor científico.

El repunte en la popularidad de la astrología se ha atribuido a un aumento de la espiritualidad poco convencional, a un estilo juguetón de nihilismo posrecesión (la “astrología es falsa”, dice un meme,“pero…”) y, por supuesto, al internet. O también podría ser porque todos los nacidos entre noviembre de 1983 y noviembre de 1995 aparentemente son una generaciónde Plutón en Escorpio, por lo que se inclinan a las prácticas ocultas y el pensamiento mágico.

Otro factor es que ahora hay más mecanismos que nunca para volverse muy versado en astrología. Gracias a internet se pueden generar con gran rapidez cartas astrales, las cuales se pueden revisar mediante aplicaciones, correos electrónicos y otros recursos parecidos, y los astrólogos pueden conversar con miles de personas a través de las redes sociales. Son formas que superan el viejo método: generar una carta astral requería una serie de conversiones y cálculos bizantinos y al menos dos libros esotéricos de referencia.

En otras palabras, para hacerlo a mano, se necesita un experto.

The New York Times 

Por ejemplo, para calcular la carta natal o astral de una persona, la cual se utiliza para evaluar la personalidad, los patrones psicológicos y el rumbo de la vida, lo primero que se debe hacer es identificar la alineación precisa de los planetas en el cielo en el momento del nacimiento de esa persona, lo cual está relacionado con la ubicación exacta donde ocurrió el parto.

Después se hace una referencia cruzada de esta información con las doce casas astrológicas —divisiones fijas y conceptuales de la esfera celeste, cada una de las cuales gobierna un área específica de la vida (por ejemplo, el subconsciente, el matrimonio y las relaciones)— y los doce signos del Zodiaco, los cuales están en constante movimiento a través de las casas y corresponden al cielo como se ve desde la Tierra, nuestro hogar físico.

En la lectura total de una carta astral se explican todas estas variables, así como los ángulos exactos que cada cuerpo celeste crea con otros en el cielo para producir resultados personalizados. Esta parte es tan “real” en términos objetivos como cualquier otro concepto relacionado con el tiempo en la Tierra: implica la aplicación de fórmulas matemáticas invariables a datos históricos finitos.

La siguiente parte —la interpretación de esos resultados— es donde los astrólogos se sumergen en el terreno de lo que ellos llaman inferencia o intuición (aquello que los no creyentes califican como vínculos aleatorios que fueron memorizados).

La interpretación es una de las muchas habilidades que pone a prueba el CAP del ISAR. Incluye un ensayo y alrededor de seiscientas preguntas de opción múltiple, de verdadero o falso y de respuesta corta, las cuales cubren cálculos de cartas, historia de la astrología, astronomía básica aplicada a la astrología y habilidades predictivas.

Entre las preguntas están: ¿Cuál es la mayor distancia entre el Sol y el ecuador celeste? ¿Cuál es el armónico de un aspecto quintil, y cuántos grados tiene? Y ¿con qué frecuencia Mercurio y Venus están en conjunción de un trígono? (¡Es una pregunta capciosa! Un trígono es un ángulo de 120 grados entre dos planetas, lo cual aparentemente nunca sucede entre Mercurio y Venus).

“Debido a que la gente suele considerar la astrología como mística y mágica, tal vez un poco inventada, pensé que tener un certificado demostraría compromiso y diligencia”, dijo Debbie Stapleton, estilista. Stapleton, una capricornio típica: muy trabajadora, había viajado a Chicago desde Canadá para hacer el examen.

Stapleton dijo sobre obtener la certificación: “Me dará la confianza profesional para seguir en este camino una vez que fui evaluada por los más experimentados de esta comunidad, mis pares, y al saber que hay estos estándares”.

El examen de mayo se realizó durante el Congreso de Astrología Unida (UAC), un gran evento astrológico para entablar contactos que se ha celebrado una vez cada cuatro o seis años desde 1986 —todavía no queda claro quiénes deciden exactamente cuándo será cuatrienal o sexenal, ni cómo lo deciden—. El congreso de este año tuvo la mayor concurrencia de la historia: atrajo a 1500 astrólogos, quienes pasaron la semana en páneles como “Cómo trabajar con la Luna”, “Eclipses: Portales del destino” y “La astrología de una nueva visión sobre el capitalismo”.

Los astrólogos asistieron para compartir sus investigaciones y conocer a los iconos del campo. Sí, es posible que también hayan ido para comprar cristales y caftanes psicodélicos, pero muchos aseguraron que estaban muy comprometidos con hacer que se reconozca a la astrología como una profesión legítima. La certificación astrológica es una parte crucial de este objetivo; a lo largo del fin de semana, un puñado de personas la comparó con aprobar el examen para ingresar a un colegio de abogados o para obtener la acreditación de terapeuta.

“Es bueno que tengamos este nivel de aprendizaje. Es muy pero muy bueno”, opinó Shelley Ackerman, la vocera oficial de la UAC y libra (diplomática).

“No garantiza la perfección absoluta en el campo, pero es cierto que elimina y aborda muchos contratiempos que pueden presentarse si no tienes la formación”, añadió. “Podemos decir cosas que inspiren a las personas pero, si no somos cuidadosos, podemos decir cosas que las aterroricen, las dañen y las aíslen”. (El ISAR prohíbe exprofeso que los miembros hagan predicciones aterradoras o extremas, como profecías sobre muertes u otras calamidades, aun si pueden verlas con claridad en la carta de alguien).

El examen de certificación astrológica del ISAR no es el único; hay otras organizaciones metafísicas con programas propios de certificación. Sin embargo, el CAP del ISAR destaca en la comunidad astrológica por el énfasis marcado que pone en la forma apropiada de dar orientación a los clientes. Además de la prueba escrita, con una dificultad desconcertante (tiene 446 preguntas más que el examen “no metafísico” de ingreso a licenciatura en Estados Unidos), los estudiantes también deben tomar un curso de ética y capacitación de habilidades de orientación que dura dos días y medio, lo cual culmina en un segundo examen (por fortuna, uno mucho más breve).

“En resumidas cuentas, la astrología no es para gente impaciente o que teme a los retos”, expresó Ackerman. “Te deben encantar los rompecabezas, las matemáticas, los mitos y la complejidad de la vida. No puedes tener prisa y ser un buen astrólogo”.

“No es para tontos”, remató.

Fonte: The New York Times
Por: Callie Beusman
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É melhor consultar uma médica ou um médico?

Pesquisa com 580.000 pacientes concluiu que há diferença no resultado em função do gênero escolhido para o atendimento.

consu1Agnes Lee

                                  Consultar a una médica puede salvar tu vida

¿El género importa cuando hay que escoger un médico?

El que tu médico sea hombre o mujer podría ser cuestión de vida o muerte, indica un nuevo estudio. Este, que incluyó a más de 580.000 pacientes de cardiología que ingresaron a lo largo de dos décadas a salas de urgencias en Florida, reveló que las tasas de mortalidad tanto de hombres como de mujeres son más bajas cuando el tratante es una médica. Además, es menos probable que las mujeres tratadas por médicos varones sobrevivan.

Investigaciones previas respaldan estos hallazgos. En 2016, un estudio de la Universidad de Harvard de más de 1,5 millones de pacientes de Medicare hospitalizados mostró que cuando estos eran tratados por médicas era menos probable que murieran o tuvieran que ingresar de nuevo al hospital en un periodo de treinta días que los atendidos por doctores. La diferencia en la mortalidad fue leve —de cerca de medio punto porcentual—, pero cuando esto se aplica al total de la población de Medicare, se traduce en 32.000 muertes menos.

Otros estudios también han encontrado diferencias significativas en la forma en que hombres y mujeres ejercen la medicina. Los investigadores de la Escuela Bloomberg de Salud Pública de Johns Hopkins analizaron varios estudios enfocados en cómo se comunican los médicos. Descubrieron que las médicas de atención primaria simplemente pasaban más tiempo escuchando a sus pacientes que sus colegas de sexo masculino. Sin embargo, escuchar tiene un costo. Las médicas pasaron, en promedio, dos minutos extra o cerca de diez por ciento más de tiempo en consulta, lo que generó retrasos en su agenda y las había demorado una hora o más que a sus colegas varones para cuando terminó el día.

Nieca Goldberg, una cardióloga cuyo libro Women Are Not Small Men ayudó a comenzar un debate nacional sobre las cardiopatías en las mujeres, dijo que la investigación no debe usarse para desprestigiar a los médicos, sino hacer que los pacientes puedan buscar profesionales de la salud que los escuchen.

“Todos los médicos, ya sean hombres o mujeres, realmente se proponen salvar la vida de las personas”, dijo Goldberg, quien es directora médica del Centro Joan H. Tisch para la Salud de la Mujer en NYU Langone. La comunicación es particularmente importante en los pacientes de cardiología porque los síntomas pueden ser muy distintos en hombres y mujeres, dijo. Por ejemplo, el dolor de pecho es menos común en las mujeres que tienen un infarto, pero los doctores a menudo preguntan a los pacientes si tienen dolor en el pecho para descartar el diagnóstico. “Solo quisiera asegurarme de que pasen tiempo con las mujeres para realmente llegar a los detalles de los síntomas de una persona”, comentó.

Goldberg dijo que una nueva paciente le dijo hace poco que buscó una médica porque su médico no se tomaba el tiempo para explicarle las cosas o responder a sus preguntas. “Los pacientes no quieren que los atiendas solo en términos de darles un diagnóstico correcto, sino que también quieren sentirse escuchados, y una parte importante de la atención a la salud es la comunicación”, afirmó.

Los autores del estudio de Florida, publicado en Proceedings of the National Academy of Sciences, invitan a tener precaución al interpretar los resultados y hacen notar que solo es posible especular acerca de las razones por las que las pacientes mostraron una supervivencia mayor cuando las trataban médicas. Puede ser que las mujeres se sientan más cómodas hablando con doctoras. O puede ser que las médicas se enfoquen más en los síntomas únicos de las cardiopatías en las mujeres, o que, de hecho, simplemente sean mejores comunicadoras y más rápidas para captar las claves proporcionadas por sus pacientes que los médicos.

“No estoy segura de poder afirmar que las mujeres deberían de evitar consultar médicos ni que la gente debería enfocarse en un tipo único de médico, pues eso solo le da la vuelta al problema”, dijo Brad Greenwood, autor principal del estudio y profesor adjunto de Ciencias de la Información y la Decisión de la Escuela Carlson de Administración de la Universidad de Minnesota. “Definitivamente, los pacientes deben asegurarse de que se les tome en serio y ser firmes defensores de sí mismos”.

Don Barr, profesor de la Escuela de Medicina de Stanford, dijo que a menudo les habla a sus estudiante sobre las investigaciones relacionadas con las diferencias de género en cuanto a la forma en que los profesionales de la salud se comunican. Los médicos, asevera, son tristemente célebres por interrumpir a sus pacientes en un esfuerzo por reencauzar la conversación. En un estudio, las médicas de atención primaria esperaron un promedio de tres minutos antes de interrumpir a un paciente; los médicos de atención primaria, un promedio de 47 segundos.

Barr dijo que una vez llevó a cabo un experimento personal, en el que decidió dejar a su siguiente paciente hablar tanto como lo requiriera sin interrupciones. Resultó que la paciente era una mujer de más de 70 años que había estado renuente a buscar atención médica y solo estaba ahí para tranquilizar a sus amigos y familiares. Habló del clima, de una tos, de no estar segura de qué medicina escoger en la farmacia; su hermana se preocupaba demasiado, le dijo. A pesar de las señales frenéticas de sus enfermeras para indicarle que se estaba pasando del tiempo, Barr no la interrumpió. La mujer habló durante veintidós minutos.

Finalmente, el diagnóstico de cáncer pulmonar de la mujer fue desolador. Barr la consoló y la mujer le sonrió. “He tenido una buena vida. Solo quería que supiera que esta es la mejor consulta con un médico que jamás he tenido. Ha sido el único que me escuchó”.

Barr escribió un ensayo sobre esa experiencia que se publicó en Annals of Internal Medicine, y dice que le dejó una impresión duradera. Aunque no es práctico pasar tanto tiempo con cada uno de los pacientes, lo hizo mucho más considerado a la hora de escuchar.

“Con todos los pacientes a los que he tratado después de eso, he sido más cuidadoso de asegurarme de darles la oportunidad de contarme su historia”, dijo. “Si requería guiar la conversación, trataba de hacerlo de manera más amable. El hecho de que el doctor esté escuchando lo que dices, se preocupe por ti y comprenda aquello por lo que estás pasando hace que lidiar con la enfermedad y sus implicaciones sea más fácil”.

Edna Haber, propietaria retirada de una empresa hipotecaria que vive en Nueva York, dijo que ha tenido maravillosos médicos hombres y mujeres, pero que sus peores experiencias siempre han sido con los primeros. Uno desestimó tanto la historia clínica que le entregó, que le ofreció una copia de su expediente médico para corroborar lo que le decía y nunca regresó.

Hace poco decidió ver a Goldberg para hablar sobre sus palpitaciones cardiacas y mareos. Una serie de exploraciones durante la visita al consultorio mostraron que su corazón estaba en condiciones normales. “Estoy convencida de que si hubiera ido con un médico en lugar de con la médica, solo me habría rodeado con el brazo y me habría dicho: ‘Mire, vaya a casa, relájese, medite, quizá tómese un tranquilizante’, y eso habría sido todo”.

Sin embargo, Goldberg sabía que la paciente estaba lo suficientemente preocupada como para consultar a un médico, así que le sugirió usar un monitor cardiaco durante algunos días. Varios días después, los técnicos que revisaban los datos notaron un patrón que mostró que Haber requería de un marcapasos.

“Me puso atención y me trató como a alguien que dice algo creíble”, dijo Haber. “Desearía que todas las mujeres que conozco pudieran entender lo importante que es tener un médico que les ponga atención, sin importar cuál sea la parte del cuerpo que les revise. Creo que muchas mujeres están recibiendo muy poca atención”.

Fonte: The New York Times
Por: Tara Parker-Pope
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