“Mulheres não podem ser mais inteligentes do que seus maridos”

“A felicidade das mulheres decorre da submissão ao esposo. Se o marido não for a cabeça do casamento, isto trará infelicidade para as mulheres.”

Las chicas deberían saltarse la universidad para no ser más inteligentes que sus maridos: Iglesia Universal

En una prédica de la Iglesia Universal del Reino de Dios, su fundador y principal Obispo, Edir Macedo, alertó contra la educación universitaria de las mujeres.

En un vídeo de redes sociales el líder religioso e impulsor de Jair Bolsonaro a la presidencias, apareció en la plataforma de la iglesia junto a su hija. A la feligresía le dijo que si sus hijas Cristiane y Viviane hubieran asistido a la universidad serían las “cabezas” del matrimonio, cuando según la Biblia, la cabeza del hogar debe ser el varón. 
“Las casadas estén sujetas a sus propios maridos, como al Señor. Porque el marido es cabeza de la mujer, así como Cristo es cabeza de la iglesia; y él es el que da la salud al cuerpo. Así que, como la iglesia está sujeta a Cristo, así también las casadas lo estén a sus maridos en todo.” (Efesios 5: 22 -24) ”Pero quiero que sepan que la cabeza de todo hombre es Cristo, y la cabeza de la mujer es el hombre, y la cabeza de Cristo es Dios.” (1 de Corintios 11:3)

En el sermón, las palabras de Edir Macedo fueron:
“Harás hasta la secundaria. Después irás a la universidad. Pero, hasta que te cases serás solo una persona con secundaria. Si Cristiane fuera médico y tuviese un alto grado de conocimiento y conociera a un hombre que tiene un bajo grado de conocimiento, no sería él el jefe. Ella sería la cabeza”.El pastor, que también es dueño de la la cadena televisiva Record TV, prosiguió su sermón señalando que la felicidad para las mujeres está siendo sumisas frente al esposo, y que cualquier situación en la que el marido nos ea la cabeza del hogar traerá infelicidad para las mujeres:
“Lo que se les enseña es: ‘Hija mía, nunca estarás sujeta a un hombre’ Pues bien, entonces no estarás sujeta a la felicidad. Porque si no hay familia, no hay felicidad, siendo la mujer la cabeza y hombre el cuerpo. Tanto es así que hay mujeres inteligentes que no pueden encontrar sus cabezas. ¿Cómo se somete una persona que tiene una cabeza allá arriba a una persona que está aquí?En el periódico de esta iglesia de abril de 2016 de la Iglesia Universal del Reino de Dios, mejor conocida como “Pare de sufrir”, presentó un articulo titulado “La mujer disciplinada no cuestiona”.

En el artículo se lee: “Las mujeres comprendieron que la mujer disciplinada no cuestiona, obedece a Dios. […] Es maravilloso oír y poner en práctica, obedecer, porque así se ven los frutos de la disciplina”, destacó la señora Lucelaine. Luego invitó a las mujeres que querían ser disciplinadas a orar delante del Altar para buscar la disciplina que agrada a Dios.”

A inicios de septiembre, Edir Macedo fue noticia también por haber estado presente en los actos de la fiesta nacional de Brasil junto a Jair Bolsonaro, y previamente lo había ungido en el templo como mandatario elegido por Dios, mientras anunciaba que él necesitaría cuatro años más en la presidencia.
El Obispo Macedo direccionó a millones de feligreses evangélicos en Brasil para que votaran por ultraderechista, que también tiene ideas machistas. Ambos detestan el Estado laico, y promulgan por derribar la separación entre Estado e Iglesias.
 

En el momento la laicidad, y con ella los derechos de las mujeres y otros sectores se encuentran fuertemente amenezados por el asalto de los grupos evangélicos en América Latina. Cuestionar las creencias no basadas en evidencia, la Biblia y la religión en general, así como defender el Estado Laico, son fundamentales para poder avanzar en el tema de igualdad de género. 

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casamento, isto trará infelicidade para as mulheres.”

Entendendo a bissexualidade

Os bissexuais não são pessoas que estão “apenas passando por uma fase”. “E agora é uma questão de desaprender meus vieses pessoais e minha homofobia interiorizada.”

12 pessoas compartilham como entenderam que são bissexuais

Não, os bissexuais não são pessoas que “apenas passando por uma fase”.

As pessoas bissexuais são a maior parcela da população LGBT nos Estados Unidos. Em 2016 o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) divulgou que 5,5% das mulheres e 2% dos homens se declaram bissexuais. Apesar desses números, as pessoas que se identificam como bissexuais tendem a ser pouco levadas em conta, tanto dentro quanto fora da comunidade LGBT.

A escritoria bissexual Ashley C. Ford explicou em um ensaio de 2015 intitulado I’m Queer No Matter Who I’m With (Eu sou queer, não importa com quem eu esteja, em tradução livre), que o fato de que uma pessoa bissexual “não pode ser classificada imediatamente nem como homossexual nem como hétero deixa as pessoas nervosas”. Por conta deste imaginário, muitas pessoas bissexuais se sentem pressionadas a escolher um “time”, por assim dizer.

E há mais: muitas pessoas pensam que a bissexualidade não existe realmente ou que é “apenas uma fase”. É uma premissa injusta e que acaba levando ao apagamento, ou invisibilidade, como o problema também é conhecido.

Não surpreende que estas pessoas levem tempo para falar sobre sexualidade publicamente como bissexuais. Enquanto algumas dizem que se descobriram bissexuais assim que começaram a se apaixonar por meninos e meninas, outras contam que levaram décadas para identificar-se desta forma.

O HuffPost US conversou com *12 pessoas que aceitaram compartilhar publicamente como foi sua jornada particular enquanto bissexuais.

“Era uma coisa que eu fingia não perceber e à qual eu não dava vazão, porque não entendia aqueles sentimentos.” 

“Desde criança sinto uma afinidade enorme por personagens femininas. Tudo começou com a Princesa Leia, de ‘Star Wars’. Eu tentava racionalizar, dizendo a mim mesma que queria uma figura feminina poderosa para admirar e respeitar. Embora isso seja sem dúvida parte da explicação, eu também tentava imaginar como seria se eu pudesse estar no lugar de Han Solo e ser a pessoa que beijava Leia, que segurava suas mãos nas minhas. Acho que devido ao ambiente em que fui criada, nunca me ocorreu que aqueles sentimentos fossem românticos. Era uma coisa que eu fingia não perceber e à qual não dava vazão, porque eu não entendia aqueles sentimentos e pensava que era a única pessoa a me sentir assim.

“Quando eu já era mais velha e estava na faculdade, tomei conhecimento do termo ‘bissexual’ e tive aquele momento de afirmação que ocorre com muitas pessoas LGBTQ+ em que me dei conta: ‘Uau, quer dizer que não sou só eu? Que eu não estou louca?’ Pensei em todas as personagens femininas com as quais estava obcecada e percebi que tinha sentimentos semelhantes em relação a personagems masculinos que eu achava atraentes. Desde então vem sendo uma questão de desaprender meus vieses pessoais e minha homofobia interiorizada.” ― Elise Marie, ilustradora

“Eu amo minha sexualidade e sua fluidez.” 

“Entender que eu sou bissexual foi muito mais fácil do que aceitar, abraçar e colocar em prática minha bissexualidade. Aos 14 anos eu percebi que sentia atração por homens, mas foi apenas com 24 que eu realmente encarei isso para valer e comecei a sair publicamente com homens. Até lá eu estava fazendo as coisas às escondidas e estava tendo dificuldade em estar ‘no meio, em algum lugar’. Fiquei aborrecido porque eu não podia simplesmente ser ou uma coisa ou a outra. Levei bons 10 anos para realmente abraçar essa realidade. Agora estou feliz com quem eu sou e aceito que nem sempre é no meio. Curto minha sexualidade e toda sua fluidez.” ―  Remy Duran, personalidade de reality show na TV 

“Nem todo o mundo recebe a aceitação (ou pelo menos a leve indiferença) com que eu fui tratada.” 

“De um jeito estranho, minha história de autopercepção e autoaceitação não foi tão difícil quanto o que muitas outras pessoas enfrentam. Percebi que sou bi quando tinha 16 ou 17 anos e simplesmente incorporei isso na minha vida. Minha mãe achou que era uma fase e meu pai faz questão de não saber de nada, já que não consegue conceber uma realidade em que algum filho ou filha dele não seja hétero. Nunca tive um bom relacionamento com ele, por isso, para mim, o que ele escolhe pensar é problema dele.

“Eu escolho acreditar no direito das pessoas de serem felizes e inteiras, então procuro apoiar qualquer pessoa que esteja precisando. Sou muito transparente em relação a ser bissexual e quero apoiar todo o mundo da comunidade LGBTQIA+. Nem todo o mundo recebe a aceitação (ou pelo menos a leve indiferença) com que eu fui tratada. Se eu puder, quero estar presente para ajudar essas pessoas a se sentirem validadas e inteiras.” ― Addy, 36 anos

“Só fui descobrir o termo ‘bissexual’ aos 17 anos, quando outra pessoa se assumiu como bi.”

“Percebi que eu não era hétero aos 11 anos de idade, quando comecei a ter paixonites por garotos da minha série e homens que eram celebridades. Mas eu não conhecia o termo ‘bissexual’. Ninguém nunca me ensinou isso. Só fui descobrir esse termo aos 17 anos, quando outra pessoa se assumiu como bissexual. Mas ele foi apagado imediatamente, então eu continuei a pensar que eu devia ser ‘gay em negação’. Dizer que eu era gay não explicava porque eu sentia atração por pessoas de muitos gêneros. Mas eu não enxergava outra opção.

“Encontrei maneiras de mentir para mim mesmo sobre minha sexualidade, me dizendo que eu jamais poderia fazer sexo com um homem ou me visualizar em um relacionamento com um homem. Isso mudou quando eu me apaixonei por meu melhor amigo, que era hétero. Ficou muito mais difícil negar a verdade para mim mesmo, e isso começou a me causar sofrimento real. Percebi que não havia mais como negar quem eu era. Assim, pouco antes de completar 25 anos, me assumi publicamente como bissexual.” ― Vaneet Mehta, produtor e roteirista

“Foi preciso eu ir trabalhar em um lugar muito quadrado depois de me formar para eu entender que não era hétero.”

“O processo de entender que sou bissexual foi uma jornada feita de muitos pedacinhos. Eu sempre sentira atração por mulheres, mas me lembro de ler artigos na revista Cosmo que diziam que é totalmente normal e muito comum as mulheres sentirem atração por outras mulheres e que isso não significava que eu era lésbica (ufa!). Acho que a confusão da sociedade em relação às pessoas bissexuais faz com que sejamos tratadas como héteros até prova em contrário, mesmo que estejamos sentindo e fazendo coisas queer. Essa cultura é responsável pelo fato de tantas pessoas bissexuais não se sentirem suficientemente queer para saírem do armário, ou então por apenas saírem do armário muito depois que seus amigos gays e lésbicas.

“Foi preciso eu ir trabalhar num lugar muito certinho e quadrado depois de me formar para entender que eu não era hétero. A maioria das mulheres hétero não sente atração por outras mulheres, a maioria das mulheres hétero não se sente mais à vontade em comunidades queer, e a maioria das mulheres hétero não têm uma paixão louca por sua amiga lésbica comprometida com outra. Não eram coisas normais para uma mulher hétero. E com aquele último pedacinho de entendimento, como se uma bigorna com ‘VOCÊ É IDIOTA’ estampada em cima tivesse caído em cima de mim, eu entendi finalmente que sou bissexual.” ― Nicole, 33 anos

“Foi apenas na faculdade que cheguei a dizer a outra pessoa que eu era bissexual, e mesmo assim só falei à minha então noiva.”

“Todo o mundo tem paixonites na adolescência, e desde que eu entendi o que era uma paixonite percebi que as minhas não se limitavam a um gênero. Mas, como fui criada numa comunidade religiosa rigidamente fundamentalista, eu sabia que só havia um conjunto de sentimentos que poderia expressar ou manifestar. O fato de ter crescido sofrendo de disforia de gênero também não ajudou em nada; embora em meu íntimo eu me sentisse tudo menos um homem hétero, aquela era a única identidade que eu era autorizada a expressar.

“Foi apenas na faculdade que cheguei a dizer a outra pessoa que eu era bissexual, e mesmo assim só falei à minha então noiva para lhe dizer que não ia traí-la com ninguém, de gênero algum, enquanto estivéssemos geograficamente distantes. Mantive aquele segredo escondido de todo o mundo por mais dez anos, só admitindo publicamente quando me assumi como mulher trans, o que teve como consequência o nosso divórcio. Eu estava com quase 30 anos de idade, era militar havia dez anos e não tinha nada a ganhar se continuasse a negar quem sou.” ― Ex-soldado do exército, 35 anos

“Eu não tinha certeza se era bissexual realmente ou se aquilo era ‘só uma fase’, por isso mantive silêncio durante anos.”

“Posso agradecer a Joseph Gordon-Levitt por ter despertado minha bissexualidade. Quando eu tinha 13 anos, era grande fã da série ‘Third Rock from the Sun’ e sempre que eu via Joseph Gordon-Levitt, percebia que gostava dele do mesmo jeito que eu gostava da minha outra grande paixão-celebridade da época, Christina Ricci. Ao longo da adolescência também tive paixões passageiras por Taylor Hanson e dois garotos que estudavam comigo no colégio. Os dois eram héteros, por isso nunca tentei nada com eles, mas mesmo assim tinha fantasias com eles. Mas eu hesitava em me dizer bissexual porque 1) na época o discurso sobre questões LGBTQ dizia respeito apenas a gays e lésbicas, sendo os bissexuais nada mais que uma nota de rodapé; e 2) eu não tinha certeza se era bissexual realmente ou se aquilo era ‘só uma fase’, por isso mantive silêncio sobre isso por anos.

“Eu me assumi como bi finalmente quando tinha 29 anos e era noivo de uma mulher cristã conservadora. Terminamos o relacionamento pouco depois disso e comecei a namorar um homem que era tudo que minha ex-noiva não era. Aquele relacionamento só durou nove meses, infelizmente, mas, por mais que isso possa   parecer chavão, estar com ele me fez sentir que eu estava vivo pela primeira vez na vida.” ― Tris Mamone, jornalista

“Tive paixões passageiros por garotos da minha classe e de séries de TV. Foi um período bizarro, que me deixou superconfuso.”

“Cresci no interior do Illinois numa comunidade agrícola rural tão pequena e hétero que, mesmo que houvesse alguém gay no colégio, a pessoa com toda certeza não teria se identificado como tal. Levei muito tempo para aceitar que eu sentia atração tanto por homens quanto por mulheres. Aquilo não me ajudava em nada a me enquadrar na escola. Num colégio cheio de caipiras e atletas amadores, eu já era um nerd tremendo. Eu assistia a pornografia com homens e mulheres; tive paixões passageiras por garotos da minha classe e de séries de TV. Foi um período bizarro, que me deixou superconfuso.

“Fazendo um fast-forward até a faculdade, onde passei um bom tempo em negação, sem querer me aceitar. Tive experiências tanto com homens quanto com mulheres, mas encontrei maneiras de compartimentalizar minhas preferências mesmo ali, em um ambiente que teria sido mais tolerante e me aceitado melhor. Foi apenas quando me formei e me mudei para Chicago, onde vivo hoje, que aceitei o fato de talvez ser bissexual, e só me assumi publicamente como tal dois ou três anos atrás. (Contei à minha agora esposa quando começamos a namorar. Ela sempre me deu apoio total, mesmo quando a mãe dela descobriu através de um post no Facebook e perguntou se isso queria dizer que tínhamos uma relação ‘aberta’, hehe!) Hoje fico superfeliz por ter me assumido. Encontrei muito apoio de pessoas de todo o espectro sexual. Mas não consigo deixar de pensar que eu poderia ter sido muito mais livre e mais honesto comigo mesmo sem o estigma que acompanha a bissexualidade.” ― Clint, podcaster e crítico de cinema e televisão no The Spool

“Qualquer garota que eu conhecesse que tivesse beijado outra menina numa festa era vista como vagabunda, como alguém que só queria chamar a atenção, e eu não queria que me encarassem assim.”

“Na adolescência, acho que eu tinha um interesse por mulheres que eu me recusei a encarar de perto durante todo o colegial, acho que em parte em função da misoginia. Qualquer garota que eu conhecesse que tivesse beijado outra menina numa festa, por exemplo, era vista como vagabunda, como alguém que só queria chamar a atenção, e eu não queria que me encarassem assim. Quase cheguei a falar à minha melhor amiga que eu tinha curiosidade de explorar minha sexualidade, mas antes de conseguir falar as pessoas começaram a fazer piadas sobre bissexualidade. Qualquer pessoa que tivesse interesse em explorar isso não apenas era ridicularizada, como também diziam brincando que ela tinha paixão por todo o mundo ou estava tentando transar com todo o mundo. Então eu sufoquei aqueles sentimentos até terminar o ensino médio. Assim que me vi livre da obrigação de  ver aquelas pessoas todos os dias, tive uma espécie de revelação. Literalmente, lendo um post de Zendaya no Instagram, tive um momento de clareza e percebi: ‘Oh, sou bissexual’.” ― Tayla, 23 anos

“Tudo bem você sentir atração por muitos gêneros e mesmo por pessoas sem gênero. É mais do que tudo bem, é lindo.” 

“Compreendi que sou bissexual pela primeira vez no ensino médio. Foi também a primeira vez que contei a um amigo sobre isso, mas não foi algo que passou a fazer parte do conhecimento público. Foi mais como um segredo aberto. Ao longo dos anos, as pessoas com quem saí sabiam (eu sempre fiz questão que soubessem, independentemente do gênero delas), mas essa questão sempre foi meio que empurrada para o lado. Durante anos as pessoas diziam brincando que eu era ‘o hétero mais gay do mundo’.

“Quando eu estava com 35 anos e me preparava para me casar pela segunda vez, eu simplesmente tive um estalo. Eu tinha muitos amigos queers de todos os tipos que estavam sendo criticados por quem eram, e deixar de ficar ao lado deles começou a me parecer criminoso. Sou um homem branco cisgênero; com esse grau de privilégio, se eu não sou capaz de ficar ao lado de meus amigos, então não sou amigo de verdade. Eu me assumi perante umas 200 pessoas ao longo de alguns dias. Nunca mais desde então eu escondi minha bissexualidade nem usei linguagem indireta ou disfarçada; estou fora do armário e estarei para sempre. Hoje posso falar abertamente as coisas que eu precisava tão desesperadamente ouvir quando era adolescente queer. Tudo bem você sentir atração por muitos gêneros e mesmo por pessoas sem gênero. É mais do que tudo bem, é lindo. Ser bissexual não é algo a ser escondido. Hoje posso afirmar com segurança que sou um homem bissexual e nunca voltarei para dentro daquele armário.” ― David Kaye, roteirista e músico

“Na adolescência, as pessoas me manipulavam psicologicamente e diziam que, porque sou feminino, minha atração por meninas não era real.”

“Sou um homem bissexual feminino. Sempre fui, de modo que não tive realmente a opção de ficar dentro do armário, se bem que às vezes eu me pergunte se teria sido melhor estar. Algumas das minhas primeiras recordações são de ter paixões passageiras por meninas e meninos do meu bairro e de me chamaram de viado. Quando eu era adolescente, as pessoas me manipulavam psicologicamente para me fazer duvidar de quem sou; diziam que, porque sou feminino, minha atração por meninas não era real. Aquilo me deixava superconfuso. O que outras pessoas diziam sobre mim me levou a pensar que talvez eu fosse gay e estivesse apenas tentando fugir dessa realidade. Mas continuei a me apaixonar por meninas.

“O que me ajudou foi aprender que homens héteros, homens gays e homens bissexuais são todos uma combinação de masculino e feminino, e por isso é tão importante não priorizar ou glorificar o lado masculino em detrimento do femino. É uma coisa arbitrária à qual as pessoas atribuem tanto valor.” ― J.R. Yussuf, autor de “The Other F Word: Forgiveness” e criador da hashtag #bisexualmenspeak

“Hoje minha bissexualidade é uma coisa que eu valorizo e curto. É uma parte intrínseca de mim, embutida em meu DNA.”

“Como você toma consciência do que você é quando não conhece outra coisa senão isso? Para mim, descobri quem sou ao reconhecer minha diferença. Para dar um nome a essa parte de mim, primeiro tive que aprender que eu era diferente do que as pessoas esperavam que eu fosse. Quando tento recuperar aquelas memórias, o que lembro principalmente é o medo. Eu sentia algo dentro de mim que precisava ser definido e explicado, mas não tinha como definir ou explicar. Eu gostaria de dizer que me parecia normal, que pude curtir minhas paixonites adolescentes por pessoas de todos os gêneros. Mas sei que não era assim, porque me recordo do pânico que eu sentia quando tínhamos que trocar de roupa para as aulas de educação física. Eu fixava os olhos num ponto na parede ou no chão, desviando meu olhar de minhas colegas, com medo de atrair o olhar de outra garota acidentalmente e de ela de algum jeito descobrir meu segredo, que não tinha nome. Eu escondi essa parte de mim porque, apesar de ignorar as palavras com que me descrever, eu sabia que se fosse descoberta seria o fim para mim.

“Hoje me sinto grata porque minha bissexualidade é uma coisa que eu valorizo e curto. É uma parte intrínseca de mim, embutida em meu DNA, minha vida e minha personalidade. Está presente em meu trabalho também; durante toda a vida eu tivesse esse desejo de me entender, um desejo que nunca era satisfeito realmente, e hoje posso passar minhas horas livres pesquisando a história da comunidade bissexual. Isso me lembra que aquela sensação de estar sozinha, o medo de eu ser a única pessoa que jamais se sentiu assim, não poderia estar mais distante da verdade. Sempre existiram pessoas bissexuais, apesar do apagamento e do preconceito. Mesmo que não tivéssemos sabido que nome nos darmos, sempre estivemos presentes e estamos presentes agora.” ― Mel Reeve, arquista e escritora residente em Glasgow, Escócia.

*As respostas recebidas foram levemente editadas para permitir maior clareza. Algumas fontes pediram para ser identificadas apenas pelo primeiro nome, para proteger sua privacidade. 

Biólogos alemães defendem fim do termo ′raça′ para humanos

Não há base biológica para raças, e nunca houve uma. O conceito de raça é resultado do racismo
não seu pré-requisito”. A simples remoção da palavra “raça” do vocabulário acadêmico não evitará o racismo
mas pode contribuir para garantir que esse preconceito “não possa mais ser invocado por nós como uma justificativa”

Classificação biológica de pessoas em raças é uma forma de racismo, defendem especialistas

Biólogos alemães defendem fim do termo ‘raça’ para humanos

Em manifesto, pesquisadores afirmam que não há base biológica para classificação da humanidade em raças e que conceito é resultado do racismo, além de ter sido usado para justificar perseguições e escravidão.

Cientistas da Universidade de Jena, localizada no leste da Alemanha, afirmaram que não há base biológica para a classificação da humanidade em raças e lançaram um manifesto pedindo que o termo deixe de ser usado na descrição humana.

“A justificativa primariamente biológica para definir grupos humanos em raças, por exemplo, com base na cor de pele ou de seus olhos ou no formato de seus crânios, levou à perseguição, escravização e matança de milhões de pessoas”, diz um trecho do manifesto intitulado Declaração de Jena.

“Não há base biológica para raças, e nunca houve uma. O conceito de raça é resultado do racismo, não seu pré-requisito”, acrescenta o texto. Segundo os pesquisadores signatários do manifesto, a categorização hierárquica de grupos de pessoas com base em seus traços biológicos supõe relações evolutivas entre as espécies, sendo assim uma forma de racismo.

A Declaração de Jena foi elaborada pelos biólogos, especializados em evolucionismo, Martin Fischer, Uwe Hossfeld e Johannes Krause, da Universidade Friedrich Schiller de Jena, e Stefan Richter, da Universidade de Rostock. O manifesto foi apresentado no âmbito do 100º aniversário da morte de Ernst Haeckel, que foi considerado por muitos a versão alemã de Charles Darwin.

Haeckel foi um notório zoólogo e biólogo que teria contribuído para a biologia nazista. O cientista categorizou os humanos em 12 “espécies” e 36 “raças”, afirmando inclusive que grupos indígenas e negros seriam menos civilizados que europeus.  Por meio de uma suposta classificação científica de “raças humanas” em “árvores genealógicas”, Haeckel contribuiu para “uma forma de racismo aparentemente baseada na ciência”, ressalta o manifesto.

O biólogo Uwe Hossfeld afirmou que Haeckel era um “racista naturalista”, pregando ideias do seu tempo, e que o atual manifesto é uma revisão crítica da tradição da disciplina.

Pesquisas científicas sobre variações genéticas de seres humanos apontaram que “em vez de limites definidos, os gradientes genéticos ocorrem entre grupos humanos”, segundos os pesquisadores. “Para ser explícito, não apenas não há um único gene que sustente as diferenças ‘raciais’, como não existe nem mesmo um único par de bases”, explicaram.

O manifesto carrega um peso adicional na Alemanha, onde, durante o regime nazista, a eugenia, um conjunto de crenças e práticas que visava melhorar a qualidade genética de uma população humana, e a higiene racial foram amplamente aplicadas para promover o dogma ideológico nazista de manter uma raça matriz pura e biologicamente superior a outras.

O presidente da Universidade de Jena, Walter Rosenthal, admitiu que a simples remoção da palavra “raça” do vocabulário acadêmico não evitará o racismo, mas pode contribuir para garantir que esse preconceito “não possa mais ser invocado por nós como uma justificativa”.

Na Declaração de Jena, o grupo de cientistas estabeleceu uma ligação entre as formas atuais de racismo e “disciplinas aparentemente científicas”, como higiene racial e eugenia. “Designar ‘os africanos’ como uma suposta ameaça à Europa e atribuir certas características biológicas a eles está na tradição direta do pior racismo do nosso passado. Portanto, vamos garantir que as pessoas nunca mais sejam discriminadas com base em especificações biológicas”, concluíram os cientistas.

Para animais domésticos, o termo raça ainda é adequado. Segundo Hossfeld, isso ocorre porque as raças nestes casos são resultado de criação e não de um processo biológico natural. “A qualificação geográfica não se aplica a animais domésticos. Não existem dachshunds de Gilbratar que migraram para o norte”, acrescentou o biólogo.

O “narcisismo maligno” de Trump está se deteriorando

Lance Dodes, professor de psiquiatria de Harvard e colaborador do libro “El caso peligroso de Donald Trump” elaborado por 27 especialistas em saúde mental, em 2017, alerta sobre o perigo “real e presente” do presidente que padece de “narcisismo maligno”, disse, esta semana, que a condição de Trump está se deteriorando.

Olhar Digital
Trump se diz o eleito

Em busca da reeleição, Trump amplia crueldade e messianismo de sua figura política

Mais que "só" um ódio contra migrantes, a crueldade do presidente americano acompanha e nutre o desejo punitivo histórico dos conservadores estadunidenses

A estonteante tormenta de insultos, ataques, mentiras e contradições que marcam cada dia sob o regime de Donald Trump está chegando outra vez a níveis em que vários analistas e observadores se preocupam pela saúde mental do presidente, e ao mesmo tempo se assombram pelo grau de crueldade nas políticas impulsionadas por este governo.

Ao longo desta semana, o presidente provocou uma crise diplomática com outro país aliado, fez declarações antissemitas ao atacar opositores aos quais acusou de antissemitas, olhou para o céu e proclamou “sou o eleito” e citou uma mensagem de ultradireitista que afirmava que ele era algo assim como o Messias.

E, como costuma fazer, o presidente se contradisse em vários temas, admitindo que seu governo está buscando promover medidas de estímulo econômico ao mesmo tempo que proclamou que a economia nunca esteve melhor na história do país que sob o seu comando, e por outro lado afirmou que está interessado em medidas para controlar as armas só para anunciar o contrário pouco depois, entre outras coisas.

Enquanto comentava sobre sua guerra comercial contra a China, entre jornalistas na quarta-feira, Trump insistiu em que só estava fazendo o que presidentes anteriores deveriam ter feito há muito tempo, e afirmou “alguém tinha que fazer isso”  e olhando para o céu, concluiu – supõem-se que de brincadeira -: “Eu sou o eleito”.

Pouco antes, o presidente já havia citado em um tuíte a um ultradireitista e promotor de teorias de conspiração que afirmava que os israelitas pensam que ele é “a segunda chegada de Deus” (os judeus não compartilham esse conceito teológico), “como se fosse o Rei de Israel”.

Por certo, o fato de Trump citar isso em um tuíte, nutriu especulações de que o presidente não só acredita no que diz de si mesmo – o melhor, o maior, o mais presidencial de todos os presidentes – mas inclusive que é algum enviado de Deus. 

De fato, alguns setores cristãos ultraconservadores expressam que Trump, mesmo que talvez não seja Deus, foi sim divinamente escolhido para resgatar os Estados Unidos, e que se opor a ele seria igual a repudiar a Deus.

Enquanto isso, em assuntos mais terrenos, depois de provocar uma crise diplomática com outro país aliado nesta semana, nessa ocasião a Dinamarca, porque se sentiu ofendido pela resposta negativa desse governo em abordar uma possível aquisição da Groenlândia – uma noção que ele sozinho inventou e que quase todos pensavam no início que fosse uma brincadeira – mas acontece que a ideia não foi algo novo. Um ex alto funcionário da Casa Branca revelou ao New York Times que Trump havia – diz que brincando- falado em 2018 sobre trocar Porto Rico – que desprezou abertamente – pela Groenlândia.

A ideia foi bem recebida agora por alguns porto-riquenhos que meio de brincadeira, disseram que seria maravilhoso desfazer-se de sua relação subordinada com os Estados Unidos, e alguns até se batizaram de “Vikings caribenhos”.

Crueldade 

Falando em trocar países morenos por brancos, o regime de Trump continuou defendendo suas novas iniciativas anti-imigrantes, sobretudo a de buscar deter de maneira indefinida os menores de idade. Isto provocou uma série de denúncias de seções editoriais (Los Angeles Times, Chicago Tribune), defensores de direitos civis e outros: “Parece não haver limite à crueldade que Donald Trump e seu governo estão dispostos a exibir e cobrar quando se trata de imigrantes e solicitantes de asilo da América Latina”, escreveu o colunista do New York Times Charles Blow.

Mas este observador e outros assinalam que isto se traduz em mais que só um ódio contra migrantes. Blow escreve que a crueldade de Trump acompanha e nutre o desejo punitivo histórico dos conservadores estadunidenses. “Este insaciável desejo de infligir dor tem alvos particulares: mulheres…, minorias raciais, pessoas LGBTQ e minorías religiosas neste país, ou seja, os castigos estão dirigidos a qualquer que não seja parte do, ou que o apoie o, patriarcado supremacista branco”.

Loucura?

Com esta combinação de autoelogio com tinturas messiânicas, e a “defesa” de seu Estados Unidos contra a “invasão” dos “outros”, se renova o debate sobre se o presidente é um jogador político brilhante que é mestre em manipular as alavancas do poder para seu próprio benefício e os interesses que o apoiam, ou se é alguém que sempre enganou a todos e que no fundo não tem a mínima ideia de como governar, a não ser por malcriação e autopromoção.

Trump “perdeu a capacidade de diferenciar entre ele e o país, entre suas necessidades psicológicas e os interesses do país. Opor-se a ele é ser “inimigo do povo”, adverte a colunista Jennifer Rubin do Washington Post.

Outros insistem em que o que ele está manifestando é um problema mental sério.

O doutor Lance Dodes, ex-professor assistente de psiquiatria na Universidade de Harvard e colaborador do libro “El caso peligroso de Donald Trump” elaborado por 27 especialistas em saúde mental, em 2017, alertando sobre o perigo “real e presente” de um presidente que padece do que alguns diagnosticaram como “narcisismo maligno”, disse esta semana que a condição de Trump está se deteriorando.

Afirmou em entrevista à MSNBC que o presidente tem “uma necessidade fundamental de ser todo poderoso e não pode aguentar nada que o desafie. Não pode aguentar nada que esteja em desacordo com ele, e cada vez que alguém o desafia, se torna mais louco, mais paranoico, e potencialmente mais violento”. Concluiu: “pensa de si mesmo como um ditador, e tudo se trata dele, e nada mais importa”.

O projeto Duty to Warn criado por especialistas em saúde mental quando Trump assumiu o poder para advertir sobre seu estado psicótico e a ameaça para o país, indicou há alguns dias que seus comentários desta semana são parte de seu “narcisismo maligno – o que está no fundo da inumanidade mais viciosa da história. Sociopatia, paranoia e sadismo…vemos algo disso agora, logo veremos mais”.

Direitos Humanos recomenda reparar crianças discriminadas

Instituição de Direitos Humanos recomenda reparação integral para crianças e adolescentes que passaram a infância com grande desproteção de  direitos, tanto por não poder viver com sua família como por desenvolver uma vida em sociedade que os excluía, invisibilizava e os rechaçava.

Institución de DDHH recomienda reparación para menores víctimas de terrorismo de Estado

La directora de la INDDHH, Mariana Mota, informó sobre una resolución que la institución remitió a Vázquez y a Michelini a través de la cual recomienda la “reparación integral” para niños y adolescentes violentados por el terrorismo de Estado, desde el año 1968 y en el marco de la pasada dictadura cívico – militar (1973-1985).

Mota dijo a radio Uruguay que el planteo tiene como punto de partida una denuncia que presentó en 2018 el colectivo “Memoria en Libertad”, que está integrado por hijos de ex presos políticos, que eran niños cuando sus padres fueron recluidos, y quedaron en una situación de desprotección grave”.

Muchos de dichos niños tenían a ambos padres en prisión y transitaron su infancia con una gran desprotección de sus derechos, “tanto por no poder vivir con su familia como por desarrollar su vida en una sociedad que excluía o generaba rechazo hacia las personas privadas de libertad, por motivos políticos”.

Mota manifestó que la Ley reparatoria 18.596 es la única que hace referencia a los menores, pero solo a los hijos de presos políticos nacidos en cautiverio.

Aclaró que los niños nacidos antes de la prisión de sus padres deben tener un reconocimiento, porque si bien su condición de víctima es diferente a la de sus progenitores, quedaron “invisibilizados” y sufrieron una situación “muy lesiva de sus derechos”.

Recomendaciones

En tal sentido, la INDDHH recomienda: “Disponer medidas administrativas que garanticen la prestación de cobertura integral de salud y acompañamiento psicosocial, aprobar una normativa que contemple la reparación integral, realizar un acto público de reconocimiento de responsabilidad que incluya un pedido de disculpas por parte del Estado a las personas que siendo niños o adolescentes durante la dictadura sufrieron graves vulneraciones de sus derechos, e incluir en el relato histórico nacional lo acontecido con esta población, investigando la verdad y difundiéndola”.

Fonte: Uruguay Titulares
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Reações ao racismo do presidente de clube de futebol

É sintomático que figuras exponenciais da assim chamada elite política e econômica tenham vindo em socorro do dirigente. Para essa elite, se tratou apenas de um comentário infeliz que não deveria ser sobrevalorizado. Fica-se com a  impressão de que, para o andar de cima da sociedade, o discurso da dignidade da pessoa humana, da ética, dos valores da inclusão de todos é um discurso para boi dormir, especialmente quando um de seus integrantes é acusado de racismo e discriminação. 

Clemens Tönnies ficará três meses afastado da direção do Schalke 04

A fala racista do presidente do Schalke e o poder do vil metal

Após o bilionário Clemens Tönnies insultar africanos, fica-se com a impressão de que, para a elite, o discurso da dignidade humana é para boi dormir, especialmente quando um de seus integrantes é acusado de racismo.

Clemens Tönnies ficou bilionário com sua empresa de produtos alimentícios (Tönnies Holding, de carnes e salsichas) em Rheda-Wiedenbrück, pequena cidade de 48.500 habitantes a pouco mais de 100 quilômetros de Gelsenkirchen, casa do Schalke 04. O time sempre foi a grande paixão de Tönnies e, desde 2001, ele é o presidente do clube.

Na qualidade de empresário, e como um dos homens mais ricos da Alemanha e do mundo (atual nº 1.349 da lista da Forbes), ele foi convidado pelos organizadores do evento Dia do Ofício, em Paderborn, a falar perante 1.600 convidados no começo deste mês.

Um dos temas do seu discurso foi a possível instituição de um imposto para combater as mudanças climáticas, especialmente em países da África. Em vez de mais um imposto, Tönnies propôs o financiamento e construção de 20 usinas elétricas na África por ano.

Ele justificou sua proposta com o seguinte argumento: “Assim, os africanos parariam de derrubar árvores e de produzir crianças quando fica escuro.”

Além da estapafúrdia afirmação racista, talvez um dos aspectos mais assustadores tenha sido a não reação da plateia. Ninguém protestou. Ninguém vaiou. Ninguém se levantou e deixou o recinto como atitude simbólica de repulsa. Nem o arcebispo convidado de honra sentado na primeira fila foi capaz de um mínimo gesto de desaprovação. Pelo contrário, ao final, o discurso foi aplaudido pelos presentes.

Não bastasse isso, após a repercussão negativa de sua fala, o próprio Tönnies propôs ao Conselho de Ética do Schalke 04 o seu afastamento temporário da presidência do clube por três meses. Ditou a sua própria sentença, que foi aceita sem mais delongas pelo conselho, com a justificativa de que a acusação de racismo contra o presidente é “infundada”.

É o caso de se perguntar: o que mais precisa ser dito para considerar como racista uma afirmação que insulta toda população da África?

Houve, porém, algumas vozes que se levantaram contra o racismo explícito manifestado pelo dirigente.

Pablo Thiam, por exemplo, que nasceu na Guiné e cresceu em Bonn, onde seu pai trabalhava como diplomata. Durante anos, Thiam jogou na Bundesliga, em clubes como Colônia, Wolfsburg, Stuttgart e Bayern. Atualmente, dirige o departamento dos times de base do Wolfsburg, além de ser o responsável pelo setor de integração que luta contra discriminação e racismo.

“Estou estupefato. Simplesmente me faltam palavras. Nem sei o que dizer. Com seu discurso, o presidente do Schalke contraria frontalmente todo trabalho que estamos desenvolvendo pelo diálogo e pela integração de migrantes e refugiados”, disse.

Para Thiam desculpas não bastam: “São desculpas de meia-pataca. Por acaso ele se desculpou com a população africana que insultou? Não. O seu pedido de desculpas se dirigiu exclusivamente aos próprios alemães. Nenhuma palavra sobre os africanos alvos da sua manifestação.”

Hans Sarpei, de origem africana e ex-jogador do Schalke, foi no mesmo diapasão: “Do clube e do senhor Tönnies espero que as palavras sejam seguidas por ações. É preciso se distanciar claramente de toda e qualquer discriminação e xenofobia. O presidente deve pedir desculpas publicamente a todos os africanos.”

Peter Lohmeyer não é apenas um dos atores de cinema mais conhecidos da Alemanha, mas também um dos mais famosos fãs de carteirinha do Schalke 04. Só que depois da difamação dos africanos pelo presidente do clube e da generosa pena de três meses de suspensão do cargo, Lohmeyer decidiu devolver a carteira de sócio.

“Faço isso porque sou fanático pelo Schalke, clube que sempre esteve na vanguarda e na luta contra discriminação e racismo. Tenho muito orgulho disso. Agora vem um açougueiro rico e questiona essa postura. O clube sempre se orgulhou de mostrar o cartão vermelho para palavras e atos racistas. Quem contraria esse preceito não é Schalke de coração. Está lá por outros motivos; quiçá por interesses pessoais”,a firmou o ator.

Na TV alemã pipocaram depoimentos de torcedores, especialmente das torcidas organizadas, muito contrariados com as declarações do dirigente. Muitos pediram sua renúncia. Na partida do Schalke pela Copa da Alemanha sábado último, centenas de fãs levantaram cartões vermelhos exigindo a saída do presidente.

É interessante verificar que a maioria das críticas veio de pessoas da grande massa torcedora, dos assim chamados cidadãos comuns. Também era de se esperar que a classe dirigente deste meganegócio chamado futebol se posicionasse claramente sobre o assunto.

Cartolas influentes, como Watzke, do Dortmund, ou Rummenige e Hoeness, do Bayern, todos muito falantes quando do alto do pódio fazem discursos sobre responsabilidade social, mantiveram silêncio sepulcral e se fecharam em copas. Não reações, como se sabe, na verdade representam uma tomada de posição, porque quem cala, consente.

O próprio arcebispo de Paderborn, Hans-Josef Becker, presente no evento, só se manifestou discretamente alguns dias depois, através de comunicado oficial, ressaltando que o arcebispado é contra qualquer tipo de discriminação, seja por palavras ou atos. Aproveitou para dizer que Tönnies já havia pedido desculpas, dando assim o caso por encerrado.

Não resta dúvida de que Tönnies é muito importante para o Schalke. Basta lembrar que foi a figura-chave na obtenção do patrocínio milionário da empresa russa Gazprom e que pessoalmente injetou recursos financeiros consideráveis no clube quando necessário. Além do mais, como um dos homens mais ricos da Alemanha, é muito bem relacionado nas altas rodas políticas e empresariais, não só do país como também da Europa.

É sintomático que figuras exponenciais da assim chamada elite política e econômica tenham vindo em socorro do dirigente. Para essa elite, se tratou apenas de um comentário infeliz que não deveria ser sobrevalorizado. Fica-se com a  impressão de que, para o andar de cima da sociedade, o discurso da dignidade da pessoa humana, da ética, dos valores da inclusão de todos é um discurso para boi dormir, especialmente quando um de seus integrantes é acusado de racismo e discriminação. 

Tönnies ficará três meses afastado da direção do Schalke 04, pelo menos formalmente. Nem pensa em renunciar ao cargo. Em novembro estará de volta. É tempo suficiente para refletir e se lembrar de que o mínimo a fazer é pedir desculpas publicamente a todos os africanos que insultou com seu discurso.

Fonte:  Deutsche Welle

ONU: “Crimes de ódio são precedidos por discurso de ódio”

“Palavras matam assim como balas. O Holocausto não começou com as câmeras de gás mas muito antes com discurso de ódio. Com a subida de extremistas, em toda a parte, nota-se um número crescente de grupos neonazistas e neofascistas”.

 

“Temos de lembrar que crimes de ódio são precedidos por discurso de ódio”

O Conselheiro Especial para a Prevenção do Genocídio, Adama Dieng, disse que “todos temos de lembrar que crimes de ódio são precedidos por discurso de ódio.”

Adama Dieng foi o autor da Estratégia e Plano de Ação das Nações Unidas contra o Discurso de Ódio, lançada este mês em Nova Iorque.

História

Em entrevista à ONU News, o representante lembrou vários exemplos históricos de violações de direitos humanos que começaram com palavras contra grupos étnicos ou religiosos.

O representante disse que “todos têm de lembrar que o genocídio dos tutsis em Ruanda começou com discurso de ódio.” Ele acrescentou que “o Holocausto não começou com as câmeras de gás, mas muito antes, com discurso de ódio e que “o que é observado em Mianmar contra a população rohingya também começou com discurso de ódio.”

Atualidade

Na atualidade, Dieng vê um aumento do extremismo no mundo e defende que é necessário combater este tipo de incitação.

O enviado disse que “o que é visto pelo mundo, com a subida de extremistas, seja na Europa, na Ásia, em toda a parte, quando se nota um número crescente de grupos neonazistas, grupos neofascistas, e quando é observada a forma como os migrantes e refugiados estão sendo vilificados, é preciso fazer todos os esforços para abordar este discurso de ódio.”

Combate

Dieng diz que deve ser lembrado que palavras matam. Segundo ele, “palavras matam assim como balas.”

Por essa razão, o conselheiro defende que sejam feitos todos os esforços para investir em educação e na juventude “para que a próxima geração entenda a importância da vida em conjunto.

Para o alto funcionário da ONU, é necessário “fazer todos os esforços para que ataques, como aquele no Sri Lanka, quando igrejas foram atacadas, na Nova Zelândia, em Pittsburgh, tudo tenha de parar.”

Para isso, Adieng sugere “um investimento em mobilizar a juventude, usar o verbo para que se torne uma ferramenta para a paz, para o amor, para aumentar a coesão social e a harmonia no mundo, em vez de ser uma ferramenta para continuar a cometer genocídio e crimes contra a humanidade.”

Estratégia

A Estratégia e Plano de Ação das Nações Unidas contra o Discurso de Ódio foi lançada este mês pelo secretário-geral da organização, António Guterres.

No lançamento, o chefe da ONU considera que esse ato de comunicação “é um ataque direto” aos valores centrais de tolerância, da inclusão e do respeito pelos direitos humanos e pela dignidade humana.

O secretário-geral afirmou também que as Nações Unidas, os governos, o setor privado, a academia, a sociedade civil e a comunidade internacional precisam de intensificar esforços.

Fonte:  ONU
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Trump discriminador e seus estereótipos com judeus, negros e portorriquenhos

Em se tratando de discriminação, Trump brinca com fogo como nenhum presidente em um século. Mantém a estratégia política de nós contra eles que caracterizou sua presidência desde o início. No Twitter deixa seus assessores de mãos atadas – incapazes ou indispostos – para defendê-lo.

El presidente Trump niega ritualmente cualquier animadversión o motivación racial. “Soy la persona menos racista que hayas conocido”, ha dicho más de una vez. Erin Schaff/The New York Times

Trump aviva las llamas del fuego racial

WASHINGTON—El presidente estadounidense Donald Trump despertó la mañana del domingo, miró hacia la nación que lidera, vio las astillas secas de las relaciones raciales y decidió arrojar una cerilla encendida. No era la primera vez que lo hacía y no parece que vaya a ser la última. Tiene una caja bien grande de fósforos y un suministro disponible de querosene.

A muchos les sorprendió su arenga de Twitter que incitaba a las congresistas demócratas de color a “volver”al país del que habían venido, aunque la mayoría de ellas en realidad habían nacido en Estados Unidos. Pero debería haber sorprendido a pocos de los que han visto la forma en que ha gobernado un país multicultural y multirracial en los últimos dos años y medio.

Cuando se trata de la raza, Trump juega con fuego como no lo ha hecho ningún presidente en un siglo.Aunque otros de sus antecesores en la Casa Blanca en ocasiones se acercaron o incluso cruzaron la línea al encontrar modos de apelar a los resentimientos de los estadounidenses blancos de manera sutil y no tan sutil, ninguno en la época moderna ha atizado las llamas de manera tan abierta, implacable e incluso entusiasta como Donald Trump.

Su ataque a lascongresistas demócratassucedió el mismo día que su administración amenazaba con redadas masivas a los inmigrantes que viven en el país de manera ilegal. Y fue apenas días después de que convocara a la Casa Blanca aalgunas de las voces más incendiarias de la extrema derechaen Internet y de que juró que iba a encontrar otro modode contar a los ciudadanos del país de manera separada de los no-ciudadanos, a pesar de que una decisión de la Corte Suprema le impidió añadir una pregunta al censo que se realiza cada diez años.

Su suposición de que las demócratas de la cámara de representantes deben haber nacido en otro país —o de que no pertenecen a Estados Unidos—es coherente con la estrategia política de nosotros-contra-ellos que ha estado en el corazón de la presidencia de Trump desde el inicio.En el camino a la elección del próximo año, parece estar trazando una línea profunda entre el país blanco, nacido en los Estados Unidos de su memoria, y la nación étnicamente diversa y con una población crecientemente nacida en el exterior que preside, desafiando así a los votantes en 2020 a declarar en qué lado de la línea se encuentran.

“De muchas formas, esta es la clase más insidiosa de demagogia racial”, dijo Douglas A. Blackmon, autor deSlavery by Another Name, una historia ganadora del Pulitzer sobre la servidumbre racial en Estados Unidos entre la Guerra Civil y la Segunda Guerra Mundial.

“El presidente ha pasado de invocar las obvias calumnias raciales de hace 50 años, clichés como los de los barrios negros ‘en llamas’, y ahora invoca la mentalidad de supremacía blanca de principios de 1900, cuando cualquiera que no pareciera blanco podía ser calificado como indeseable en Estados Unidos”.

Trump formalmente niega cualquier motivación o animadversión racial. Su lucha contra la inmigración ilegal, dice, es para asegurar la frontera y proteger al país. A menudo se jacta de que el desempleo entre hispanos y afroamericanos ha alcanzado récords bajos. La semana pasada le agradeció aRobert L. Johnson, el fundador de Black Entertainment Television, por reconocer su administración de la economía.

“Soy lapersona menos racistaque han conocido”, ha dicho más de una vez. 

Pero no se esmera en evitar la apariencia de que sí lo es y su seguidilla de publicaciones en Twitter del domingo dejó a sus asesores atados de manos —incapaces o indispuestos— para defenderlo. Ninguno de los seis voceros de la Casa Blanca o de su campaña respondieron en un inicio a las solicitudes de declaraciones.

Solo uno de los funcionarios de su gobierno que ya tenía previsto aparecer en los programas de conversación del domingo, Mark Morgan, el comisionado en funciones de Aduanas y Protección Fronteriza, dejó en claro que no estaba dispuesto a formar parte del asunto.“Van a tener que preguntarle al presidente qué quiere decir con esos tuits en particular”, dijo enFace the Nationde CBS.

Los congresistas republicanos en general no acudieron a ponerse del lado del presidente el domingo ni tampoco se aprestaron a denunciarlo.Aunque muchos republicanos se sientan profundamente incómodos con lapolítica empapada de racismode Trump, les preocupa ofender a los votantes de base que vitorean al presidente como alguien que dice la verdad en la tiranía de la corrección política. 

Solo por la noche Trump respondió al furor, al decir que los demócratas estaban defendiendo a colegas que “hablan mal de nuestro país” y “cuando se les confronta” llaman a sus adversarios “RACISTAS”.

Entones, Tim Murtaugh, un vocero de campaña de Trump, respondió al pedido de declaraciones y dijo: “El presidente señaló que muchos demócratas dicen cosas terribles sobre este país, que en realidad es la nación más grandiosa de la Tierra”. Murtaugh no explicó por qué Trump le dijo a las congresistas nacidas en Estados Unidos que “volvieran” a países de los que no eran.

Otros presidentes han jugado a la política racial o se han regodeado en los estereotipos.Las grabaciones secretas de Lyndon B. Johnson y Richard M. Nixon muestran que a puerta cerrada ambos hacían comentarios virulentos y racistas.La estrategia de Nixon en el sur se dice que estaba dirigida a los blancos desencantados.

A Ronald Reagan se le acusó de hacer referencias racistas en código al referirse tanto a las “reinas del bienestar”. George Bush y sus seguidores insistieron en el caso de un asesino afroamericano que estaba de licencia de una prisión llamadoWillie Horton. A Bill Clinton se le acusó de hacer una jugada racial al criticar a una estrella negra del hip-hop.

Pero incluso hace una generación había límites y la mayoría de los presidentes predicaron la unión racial por encima de la división. Johnson, por supuesto, pasó la legislación de derechos civiles más radical de la historia de Estados Unidos. Bush firmó una ley de derechos civiles y denunció aDavid Duke, el líder del Ku Klux Klan, cuando postuló a la gobernación de Louisiana como republicano. Su hijo, George W. Bush, puso énfasis en visitar una mezquita días después de los ataques del 11 de septiembre de 2001 para mostrar que Estados Unidos no estaba en guerra con los musulmanes. Barack Obama invitó a una “cumbre de cerveza” a un profesor afroamericano de Harvard y al policía blanco que lo arrestó por error.

La historia de Trump en asuntos raciales ha quedado bien documentada desde sus días de desarrollador inmobiliario, cuando llegó a un acuerdo con el departamento de Justicia en torno a una demanda por discriminación al rentar departamentos, hasta la agitación pública que causó durante el caso de los Central Park Five en Nueva York. Jack O’Donnell, el expresidente del Casino y Hotel Plaza Trump en Atlantic City, después escribió que Trump abiertamente desprestigiaba a otros según su raza al quejarse, por ejemplo, de que no quería que hombres negros administraran su dinero.

“Trump no solo ha sido siempre un racista, y cualquiera a su alrededor que lo niegue está mintiendo”, dijo O’Donnell el domingo. “Donald Trump hace comentarios racistas todo el tiempo. Una vez que lo conoces, dice lo que piensa sobre la raza de manera muy abierta”.

Dijo que Trump traficaba regularmente con los estereotipos raciales: los judíos son buenos con el dinero, los negros son holgazanes, los puertorriqueños se visten mal. “La gente blanca son los estadounidenses para Trump, todos los demás son de otro lado”, dijo O’Donnell. “Simplemente niega la realidad de cómo inmigramos todos a Estados Unidos”.

Trump impulsó su camino a la Casa Blanca en parte al promover la falsa teoría de conspiración de que Obama había nacido en África, no en Hawaii. Abrió su postulación presidencial en 2015 con un ataque a los “violadores mexicanos” que cruzaban la frontera (aunque “algunos, asumo, son buenas personas”) y después llamó aprohibir a todos los musulmanesel ingreso a Estados Unidos. Dijo queun juez nacido en Estados Unidos de ascendencia mexicanano sería justo con él debido a su origen étnico.

Como presidente, se ha quejado en reuniones que ahora son públicas de que los inmigrantes haitianos “todos tienen SIDA” y de que los visitantes africanos nunca“volverían a sus chozas”. Ha desprecado a Haití y a algunos países africanos con una vulgaridad y dijo que en lugar de inmigrantes procedentes de allí, Estados Unidos debería aceptar más de Noruega. Dijo que había “muy buenas personas en ambos lados” refiriéndose a una manifestación para salvar un monumento confederado que se volvió mortal en Charlottesville, Virginia, aunque también condenó a los neonazis allí.

Insiste en que solo dice lo que otros creen pero tienen miedo de expresar. Y cada vez que las llamas rugen, Trump agrega un poquito más de combustible a la hoguera. Puede que el fuego esté caliente, pero así es como le gusta.

Por: Peter Baker
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Os Estados Unidos cheira a podre por ter um presidente racista

Trump é racista. É um problema de caráter a que se soma o sexismo e a xenofobia. “Resumindo, o racismo é malévolo porque sua lógica de fundo é o genocídio”. A boca que desdenha nem sempre está conectada com a mão que destrói, mas compartem o mesmo espírito e desejo de causar dano.

En Estados Unidos huele a podrido y es por un presidente racista

Es desesperante ser tan repetitivo y seguir señalando que Donald Trump es racista, pero alguien tiene que hacerlo. Es necesario porque se trata de un problema fundamental de carácter, que arruina y determina muchos otros rasgos, casi de la misma manera en que lo hacen su sexismo y su xenofobia.

El sábado, Trump tuiteó que el distrito del representante Elijah Cummings era “un caos terrible, infestado de ratas y roedores”, un “lugar muy peligroso y sucio”; además afirmó que “ningún ser humano querría vivir ahí”. Cummings es de raza negra, como la mayoría de las personas que viven en su distrito.

El hecho de que utilice el verbo “infestar” revela en gran medida sus percepciones, pues al parecer solo lo aplica a problemas que involucran a personas negras y de tez morena. Criticó las “áreas infestadas de ébola en África”. Dijo que el distrito de Atlanta del congresista John Lewis está “infestado de delincuentes” y le recomendó concentrarse en “los barrios pobres de Estados Unidos infestados de criminalidad, un tema imperioso”. Comentó que las ciudades santuario son un “concepto infestado de criminalidad y semillero de la delincuencia”. Advirtió que los “inmigrantes no autorizados” vendrán “en bandadas e infestarán nuestro país”. También describió la presencia de miembros de la pandilla MS-13 “en ciertas partes del país” como una “infestación”.

En ninguno de esos casos se refiere a la delincuencia como un fenómeno discreto, sino quevincula inextricablemente la criminalidad con las personas de tez oscura. Los partidarios de la supremacía blanca no siempre consideran a las personas de raza blanca como superhombres; en muchos casos, más bien clasifican a laspersonas que no son de raza blanca como subhumanos.De cualquier manera, el punto es establecer una jerarquía en la que la raza blanca ocupa la posición superior.

Un estudio de los tuits de Trump revela que cuando asocia la criminalidad con grupos de la población, casi siempre se refiere a personas de raza negra o tez morena y a “barrios pobres”, un eufemismo urbano para referirse a vecindarios de gente negra y morena.

Trump no ha perdido ninguna oportunidad para mostrar su postura, desde el caso de los Cinco de Central Park hasta una serie de tuits que publicó en 2013, cuando escribió: “Por desgracia, la impresionante cantidad de delitos violentos que ocurren en nuestras principales ciudades son cometidos por personas negras y morenas —un tema difícil— y debemos hablar de eso”.

Hay que dejar claro que las personas de raza negra no son más propensas a abusar de otros, como tampoco alguien es más propenso a abusar de los opioides solo por ser blanco. Los seres humanos respondemos a nuestro entorno, a nuestras necesidades y deseos, así como a nuestra desesperanza.

Por ejemplo, en Nueva York aumentó mucho la delincuencia en el siglo XIX, cuando casi no había personas de raza negra en la ciudad.De hecho, en 1985, un escritor y cronista prodigioso de la ciudad de Nueva York, Edward Robb Ellis, escribió en The New York Times sobre un ciudadano que se quejaba en 1852 porque “el incremento de la tasa de delincuencia, la violencia y frecuencia de los ataques a ciudadanos comunes y corrientes por la noche en la ciudad, y la… estupidez e ineficacia de la policía son motivo de gran alarma entre el segmento de la ciudadanía que actúa con decencia y respeta la ley”.

Según Ross, el propio Walt Whitman afirmó: “Nueva York es una de las ciudades más plagadas de delitos y más peligrosas de la cristiandad”.

¿Los blancos que vivían en Nueva York en esa época estaban predispuestos racial y patológicamente a la criminalidad? Por supuesto que no. Tampoco lo están las personas de tez negra y morena en la actualidad. Los racistas no consideran en absoluto ese contexto histórico y sociológico.

Lo peor es que no hay nada positivo en el lenguaje que usa Trump. Cuando hay infestaciones, existe justificación para exterminar la plaga.Por algo Martin Luther King Jr. dijo: “En resumidas cuentas, el racismo es malévolo porque su lógica de fondo es el genocidio”. Quizá la boca que desdeña no siempre esté conectada a la mano que destruye, pero sin duda comparten el mismo espíritu y el deseo de causar daño.

Sería fácil exponer fundamentos para un juicio en contra de Trump por motivos de política pública, pero las políticas no están en la naturaleza de la criatura. Más bien, en su naturaleza están la supremacía blanca, el nacionalismo blanco y el patriarcado blanco.

Este hombre es, en esencia, racista, y esa perspectiva está tan fundida con su sentido del mundo que no es capaz de reconocer que es racista. Su instinto es atacar a las personas negras.Para él resulta natural denigrar los lugares en los que viven y los países de sus ancestros.

Está tan convencido de las ideas que defiende la supremacía blanca, que su ideología ya no necesita ninguna etiqueta, según cree. Para él, esta mentira es precisamente la verdad y, si algo está “bien”, no puede ser racista.

Los racistas han operado de esta manera a lo largo de la historia para evitar que los asocien con aquellos que azotaron la piel de los esclavos, con quienes violaron a las mujeres y vendieron a los niños, con quienes soltaron los perros y apuntaron los cañones de agua, o con quienes pusieron las sogas al cuello y les prendieron fuego a las cruces.

Esos que se expresaron, consumidos por el odio y el sadismo, eran los racistas. No los grupos cada vez más grandes que se han tragado y han regurgitado una visión deformada del mundo, una visión adulterada de la historia y que presentan “hechos” supuestamente irrecusables sin contextualización.

Trump es racista. Gritémoslo a voces. Gritémoslo con la profundidad que se merece. Para mí, es el principio y el fin de la lógica que necesito para mantenerme firme en la resistencia.

Por: Charles M. Blow
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O futebol e seu maior tabu

O futebol parece ser o último refúgio da virilidade masculina. É como se fosse uma religião. E assim como acontece em comunidades religiosas, a homossexualidade no templo chamado futebol é expressamente rejeitada.

Também o time masculino do Wolfsburg ostenta a faixa de capitão arco-íris

Futebol profissional e seu maior tabu

Para alguns, o futebol parece ser o último refúgio da virilidade masculina. Isso se reflete não só em sexismo, como também na forma que se lida com a homossexualidade. Mas há bons exemplos, como na Alemanha.

A palavra tabu, na sua origem, refere-se à proibição de determinado ato que, uma vez cometido, implica em maldição sobre o indivíduo ou grupo social que o cometeu. O termo propriamente dito, tem sua origem nos idiomas tonganês e maori, como foi registrado pelo explorador inglês James Cook há mais de 200 anos. Naquela época, o conceito de tabu foi associado fortemente à cultura polinésia do Pacífico Sul, mas fato é que tabus existem ou existiram em praticamente todas as sociedades.

No século XXI, um dos maiores tabus que ainda subsiste na sociedade é o da homossexualidade. Nos esportes, e particularmente no futebol, esse tabu continua fortemente arraigado.

Há cinco anos, o alemão Thomas Hitzlsperger foi o primeiro jogador profissional da Bundesliga a assumir publicamente sua condição de homossexual. Na ocasião, já tinha encerrado a sua carreira. O assunto rendeu manchetes nos jornais e inúmeras entrevistas na TV. Afinal, se tratava de um ex-jogador da seleção.

É verdade que a sociedade alemã como um todo fez grandes avanços no quesito de desconstruir o discurso homofóbico e, ao mesmo tempo, combater a descriminação contra pessoas da comunidade LGBT. Constata-se, cada vez mais, que muitos alemães caminham rumo a uma cultura da aceitação dos diferentes.

Entretanto, no esporte e, especificamente no futebol, o tema da homossexualidade continua sendo tratado como tabu. Manifestações homofóbicas nas arquibancadas, cartolas reticentes quanto ao tema e falta de posicionamento claro dos clubes contra homofobia são apenas alguns aspectos que denotam o quanto ainda precisa ser feito no mundo do futebol.

Para alguns, o futebol parece ser o último refúgio da virilidade masculina. Para outros é como se fosse uma religião. E assim como acontece em comunidades religiosas, a homossexualidade no templo chamado futebol é expressamente rejeitada. Pode-se até afirmar que talvez não exista nenhuma outra atividade dominada por homens onde a homossexualidade é tão oprimida e silenciada quanto no futebol.

Thomas Hitzlsperger: ex-jogador da seleção alemã foi o primeiro do país a se declarar homossexual

Gabriele Dietze, professora da Universidade Humboldt de Berlim, em matéria publicada no portal Zeit Online explica que o futebol implementa a construção da masculinidade, além de representar a “corporificação da Nação”. É por esta razão que torcedores, jogadores e dirigentes não hesitam em dizer, especialmente em momentos decisivos de uma competição internacional, que “torcer contra a seleção” é “torcer contra o país”.

É como se os 11 homens em campo representassem valentes guerreiros dispostos a dar o sangue pela pátria. Consequentemente, no futebol não haveria lugar para mulheres nem gays.

De acordo com a pesquisadora, “…a masculinidade só existe enquanto oposição à feminilidade, feminilidade essa que no futebol não é desejável. É por esse motivo que um homem muitas vezes acaba tendo posturas homofóbicas, justamente para se posicionar em relação ao homem efeminado”.

O efeito colateral dessa postura é achar que não se pode comparar o futebol feminino ao masculino por não ser “futebol de verdade”.

Nilla Fischer com a braçadeira de arco-íris: jogadora é ativa na luta contra a homofobia

E por falar em futebol feminino, parece que por aquelas bandas o tema da diversidade é tratado com mais naturalidade. Nos clubes e nas seleções de diversos países que disputam atualmente o Mundial da França, atuam jogadoras que inequivocamente assumiram a sua orientação sexual homoafetiva.

Foi o caso de Nilla Fischer, jogadora da seleção da Suécia que de 2013 a 2018 jogou pelo Wolfsburg, vencendo dois títulos nacionais e um da Champions League. Em 2011, quando ainda vivia na Suécia, Nilla decidiu assumir publicamente a sua homossexualidade numa entrevista a um jornal local.

Desde o seu “outing”, a zagueira de classe mundial vez por outra recebe mensagens de ódio nas redes sociais. Para a veterana jogadora de 34 anos, silenciar e tolerar tanto ódio não é uma opção. Ela passou a se engajar em movimentos pró-LGBT. No ano passado, conseguiu a aprovação da diretoria do Wolfsburg para que as jogadoras do time usassem uma braçadeira com as cores do arco-íris nas partidas do campeonato alemão.

Ao final de uma entrevista dada à TV NDR recentemente, Nilla faz um comovente apelo:

“No Wolfsburg foi dado um primeiro passo, que é apenas um começo. Todos os times do clube agora jogam com a braçadeira do arco-íris. Não podemos esquecer que estamos numa luta contra a homofobia e pela aceitação da homossexualidade. Ainda há muito que fazer no mundo do futebol para acabar com esse tabu”. 

As mulheres, só para variar, mais uma vez numa linha de frente de um bom combate.

Fonte: Deutsche Welle
Por: Gerd Wenzel
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