Médica diz: o Conselho Federal de Medicina não me representa.

 

Qual é a parte do racismo na saúde que o CFM não enxerga?

A saúde da população negra é um campo construído com subsídios da medicina baseada em evidências, de bases científicas irrefutáveis. Negá-la é ignorância científica!

Sou uma das sistematizadoras de tais saberes construídos fora da universidade, a muitas mãos, com o empenho de professores como Marco Antônio Zago, atual reitor da USP, e Elza Berquó, demógrafa da Unicamp e do Cebrap, como consta em meu livro “Saúde da População Negra no Brasil 2001” (Opas, www.twixar.me/Xm4).

A quase totalidade dos médicos brasileiros desconhece a saúde da população negra porque as faculdades de medicina não lhes ensinam (e por que não ensinam?). Num país racista, a categoria médica e as faculdades de medicina não são ilhas sem racismo.

É cruel esperar que a saúde esteja 100% em excelência de funcionamento para que profissionais da saúde se apropriem de tais saberes e das repercussões do racismo na saúde, como propugna o Conselho Federal de Medicina (CFM) em “Nota à Sociedade”, só porque o Código de Ética Médica diz que médico não pode discriminar. Hein… Hein…

Sou médica negra, formada na Universidade Federal do Maranhão em 1978. Pertenço a uma geração médica que tem no CFM a sua grande referência para fazer medicina. Pelo apreço ao CFM, no entrevero gerado pelo programa Mais Médicos, ao perceber que o conselho estava perdendo o eixo, conversei por telefone com o presidente Roberto D’Ávila, avaliando aquele momento político.

Sugeri que eram emergenciais para o CFM duas consultorias: uma de imagem e outra de mídia para se posicionar adequadamente no debate em curso. Ninguém em sã consciência é contra acesso real à atenção médica, e o CFM não conseguia dizer que não era contra o povo ter médico, mas contra a admissão de médicos estrangeiros à margem da lei!

Em comum com o CFM, defendo o Revalida, controle básico de qualidade científica, norma do governo. Reafirmo que o CFM quase nada fez contra a precarização do trabalho médico que o Estado brasileiro continua abençoando. Defendo uma carreira de Estado para médicos do SUS. Era preciso mais médicos? Era, e o Brasil não os possuía! Mas é imoral que o governo não dê solução à precarização do trabalho médico, como eu disse em “Os bastidores, a charlatanice e o escárnio da importação de médicos” (Portal do CFM, 14.6.2014, www.twixar.me/hm4).

O CFM caiu numa teia de confronto desnecessário com o governo e se perdeu, deixando de saldo o desabrochar de posturas conservadoras e até fascistas no meio médico, sobre as quais o governo também tem responsabilidades, pois criou uma peleja equivocada e abriu a caixa de Pandora, soltando os espíritos maus que se aninharam nas mentes que odeiam o PT. O governo tem poder, bastava tê-lo usado para trazer os médicos de que necessitava, sem rodeios e sem satanização da categoria médica nacional.

Mas o que está ruim sempre pode piorar, e o CFM, mais uma vez, “meteu os pés pelas mãos”, após a Campanha de Combate ao Racismo, lançada em 25.11.2014, sob a subjetiva alegação de um “tom” racista! Disse tudo: não conhece a Política Nacional de Atenção Integral à Saúde da População Negra (2009), e o “tom” deve ser uma subjetividade de quem assina a nota, da qual exijo ser excluída, pois diz falar em nome de mais de 400 mil médicos. O CFM não me representa quando nega o racismo insidioso e cotidiano nos serviços e nos profissionais de saúde porque falta com a verdade, segundo várias pesquisas sobre a temática! Como autarquia federal, o CFM perdeu o rumo. O que é muito grave.

Fonte: Jornal O Tempo
Por: Dra. Fátima Oliveira é médica e escritora.
Textos correlatos:

 

Condutas discriminatórias precisam de diagnóstico compatível com o crime, defende psiquiatra
As discriminações e o desrespeito aos direitos humanos devem ser prevenidos e definidos como doença
Discriminação racial: “a vítima é o culpado”
Por que não mencionar o racista numa entrevista sobre racismo?
Por que mulheres, negros e homossexuais não se unem contra todos discriminadores?
As Discriminações são abordadas de forma diferente nas “paróquias brancas e negras”
Síndrome do Distúrbio Racial: seria um bom diagnóstico para o racista brasileiro? E para o antissemita?

Médico branco racista e médica negra discriminada

Corredor polonês racista é coisa do cotidiano brasileiro

Uma “historinha” sobre falta de caráter, xenofobia e racismo de um médico idoso, que em nada difere de gente desprezível de outras profissões, pois o microcosmo das categorias profissionais é revelador das ideias dominantes numa sociedade de “racismo cordial”, onde ninguém se diz racista, só os outros são!

Na manhã de 1º de agosto passado, fui aos Correios do meu bairro com uma grande caixa para ser despachada. Como não havia lugar no balcão para a caixa de preciosidades para minha neta Clarinha, avisei a funcionária de que seria a próxima. Aguardei ao lado. Chegou a minha vez. Ao dizer: “Encomenda PAC”, um senhor todo pimpão, cabelos menos brancos que os meus, mas aparência de 70 e cacetada, fez de conta que eu não existia e entregou um envelope. Negra, aprendi a reagir quando fazem de conta que sou invisível.

Na maciota, mas firme, disse: “Senhor, é a minha vez! Estava na fila!”. E ele: “Isso aqui é rápido. É meu voto para o Conselho Regional de Medicina do Espírito Santo. Sabe o que é isso?”. Eu: “Senhor, espere! Estou sendo atendida!”. Ele: “Desculpe-me, não a vi! Sou muito educado! Pode passar, madame! Nordestino não respeita fila!”.

E o muito educado foi esbravejar no fim da fila: “Esse povo do Nordeste nem sabe o que é fila. Lá não existe isso. Conheço essa gente do meu consultório de ajudar pobres ali na favela. Há muitos desses nordestinos lá que eu ajudo! Favela não, que esse nome é discriminação e tá errado, da comunidade da Barragem Santa Lúcia. Sou caridoso. Atendo de graça lá. Ora, não vou me trocar com qualquer uma, sou médico, sou rico!”.

Gargalhei e, com o sangue fervendo, detonei: “E moleque, safado, xenófobo e racista. E cale a boca: sou tão médica quanto o senhor, há quase 40 anos…”. Ele (mirando a negra que vos fala): “Será? Então sou médico há mais anos que você!”. Eu: “E daí? Tá pensando que medicina nasceu só para o senhor, que é branco e do Sudeste? Deixe de bestagem e de xenofobia. Vou chamar a polícia para o senhor deixar de ser safado. Suma daqui, seu moleque, se não quiser sair algemado. Chispa!”.

Assustadíssimo, tropeçou nos próprios pés e, tremendo como vara verde, saiu feito um azougue… “Já vai? Espera a polícia, quero ver tua riqueza te safar!”. Mas ele fugiu! O único temor foi de o sujeito ter ou simular uma “sapituca” e eu ter de socorrê-lo ali…

Quando um médico setentão diz o que disse, demonstra que há caráter de todo tipo em qualquer profissão. Não é surpresa que médicos jovens portem cartazes “sou médico, sou culto, sou rico”, que evidenciam uma faceta da desfaçatez reinante; nem é coisa de outro mundo, é daqui mesmo, a exibição do corredor polonês do banditismo do racismo ocorrido em Fortaleza, uma criminosa intimidação a médicos cubanos. E Juan Merquiades Duvergel Delgado, médico, negro, cubano, tirou de letra: passou por ele – eternizando numa foto, que ganhou o mundo, a naturalização e a banalização do racismo brasileiro! Aliás, o maior mérito da importação de médicos, que oficializa a precarização do trabalho médico – pois até o governo solapa direitos trabalhistas e ainda quer aplausos –, é comprovar a falta de vergonha de ser racista sem medos!

Negro no Brasil vive num corredor polonês racista. Mas só negros percebem e sentem, como o aceite ou a omissão diante de práticas racistas institucionais, a exemplo do engavetamento da Política Nacional de Atenção Integral à Saúde da População Negra, que não andou um milímetro em sua implementação no atual governo. “Pra quem sabe ler, um pingo é letra”.

Fonte: Jornal O Tempo
Por: Dra. Fátima Oliveira
Textos correlatos:

A invisibilidade dos negros é indesejável. A dos racistas é paralisante.
A Medicina, provavelmente, não está selecionando as pessoas certas.
Religião e laicidade: discriminação e violência.
De onde partirá a iniciativa de prevenir a Conduta Discriminatória Racista
Condutas discriminatórias precisam de diagnóstico compatível com o crime, defende psiquiatra
As discriminações e o desrespeito aos direitos humanos devem ser prevenidos e definidos como doença

Psicanálise, discriminação, publicidade e saúde mental

O psicanalista Jorge Bruce
O psicanalista Jorge Bruce

Apresentaremos entrevista com Jorge Bruce, psicólogo e psicoanalista.

As descrições são basicamente do Peru, seu país de origem.

Mas poderíamos encontrar muitas delas aqui no Brasil.

Objetivo: divulgar melhor a questão da Conduta Discriminatória como uma questão de Saúde Mental.

Quanto ao entendimento/compreensão das questões emocionais, pensamos que valem para qualquer local.

Jorge Bruce esteve em Porto Alegre para participar do evento abaixo:

http://www.aprs.org.br/agenda/icalrepeat.detail/2014/11/22/132/63/forum-interdisciplinar-de-discussao-sobre-a-maldade-a-etica-e-a-corrupcao-no-cotidiano

Telmo Kiguel
Médico Psiquiatra
Psicoterapeuta

Políticos e partidos usam grupos discriminados para fins eleitorais?

O texto gira em torno do (mau) uso eleitoral das Discriminações por políticos e partidos.

As Discriminações enfocadas por nós são as que o discriminador pode ser criminalizado ou passível de criminalização:

O racista, o machista, o homofóbico, o antissemita, etc.

O advogado e militante político português João Lemos Esteves publicou em 29/10/2014:
PS: O Partido que é adversário da igualdade dos gays! – Sol

Em que aparece mais um obstáculo para o avanço do combate aos discriminadores, no caso em Portugal

Nosso maior interesse está na idéia que permeia as seguintes frases da matéria (integralmente copiada abaixo):

“É que o Partido Socialista não quer defender os direitos dos homossexuais – os socialistas pretendem, apenas, utilizar os homossexuais como arma de arremesso político.”
“…o que os socialistas fazem aos nossos concidadãos homossexuais: a utilizá-los como meios para os seus objectivos políticos.”
“…porquê tratar diferentemente os homossexuais? Só porque o PS acha que vai buscar alguns votos?).” 

Nos links abaixo já publicamos nossa opinião sobre algumas dificuldades para combater as Discriminações aqui no Brasil.

Não temos previsão de avançar no combate ao racismo
Debater o racismo, sem o racista, é muito complicado ou quase impossível.
A eleição, os eleitores, os políticos, os debates e as discriminações
A invisibilidade dos negros é indesejável. A dos racistas é paralisante.

Até agora não tínhamos abordado, aqui no blog, esta possibilidade aventada pelo professor João Lemos.
Você conhece político ou partido, em função legislativa ou executiva, na esfera municipal, estadual ou federal que utiliza um grupo discriminado para fins eleitorais?
E de que maneira percebeu ou observou esta ação?
Já viu alguma denúncia com esse conteúdo?
Pensa que esse tipo de ocorrência deve ser comentada/denunciada aqui no Brasil?

PS: O Partido que é adversário da Igualdade dos gays!
 
1.    Um grupo de Deputados socialistas propôs que o dia 17 de Maio se tornasse o Dia Nacional contra a Homofobia. Porquê este dia? Porque foi precisamente no dia 17 de Maio de 1990 que a Organização Mundial de Saúde retirou a homossexualidade da lista de doenças: até então, a homossexualidade era classificada como uma patologia mental/psiquiátrica.
2.    Pois bem, a Deputada Isabel Moreira – que muito estimamos e por quem temos uma elevadíssima consideração pessoal e intelectual – lá se lembrou de trazer novamente a homossexualidade para a agenda política. Note-se que não escrevemos “ Isabel Moreira voltou a trazer para a agenda política o tema da defesa dos direitos dos homossexuais”. Propositadamente. É que o Partido Socialista não quer defender os direitos dos homossexuais – os socialistas pretendem, apenas, utilizar os homossexuais como arma de arremesso político. 

3.    Para nós, qualquer forma de discriminação – quer seja fundada no sexo, na idade, na raça ou na orientação sexual – é um acto abjecto. Que nos repugna profundamente. Que nos revolta – como qualquer acto cobarde, a discriminação funda-se num sentimento de pretensa superioridade, apenas e só pelo facto de o indivíduo se integrar num grupo considerado como “padrão” num dado meio social. Como qualquer acto cobarde, a discriminação dos cidadãos homossexuais só deixa ficar mal quem a pratica. Urge, pois, lutar contra todas e qualquer forma de discriminação. Lutar contra a exclusão de qualquer cidadão da sociedade, contra a privação imposta a qualquer cidadão do exercício dos direitos que lhes são legal e constitucionalmente conferidos, contra a negação do direito de todos a nós, como ficou para a eternidade expresso na Declaração da Independência dessa enorme Nação Livre que é os Estados Unidos da América, de perseguir a felicidade pessoal – são imperativos categóricos dos defensores (como nós) intransigentes do Estado de Direito Democrático. 

4.    E como poderemos lutar contra a estigmatização dos cidadãos homossexuais? Através da prática, constante e diária, da tolerância, do respeito, de mostrar que não há diferenças na dignidade dos cidadãos. Todos os seres humanos são dotados da mesma dignidade. O PS não respeita o princípio da dignidade da pessoa humana! 

5.    O Partido Socialista faz precisamente o contrário. Ao propor a criação de um Dia Nacional contra a Homofobia, e ao fazer da sua criação um pretexto para a discussão e luta política, o Partido Socialista não trata os homossexuais como ser iguais, dotados da mesma dignidade, relativizando as diferenças entre seres humanos. Pelo contrário: os socialistas lembram que os cidadãos homossexuais são diferentes, são uma “categoria social” à parte, com limitações e restrições à sua capacidade jurídica e de autodeterminação. Consequência: os socialistas só perpetuam as diferenças e a estigmatização. O PS parece querer fazer subsistir (por muitos e longos anos) a ideia dos homossexuais como coitadinhos, como dotados de uma capitis diminutio, que merecem protecção especial. Porquê? 

6.    Por uma razão muito simples: a manutenção dos homossexuais como cidadãos a carecer de protecção é muito conveniente para o PS. Quando os socialistas não têm iniciativa política, quando não sabem o que propor quanto aos grandes temas que preocupam os portugueses – vai daí e recorrem ao cliché dos direitos dos homossexuais. É sempre o mesmo filme!

7.    Ora, esta postura dos socialistas viola o princípio da dignidade da pessoa humana: converte os cidadãos homossexuais em verdadeiras “marionetas”, instrumentos ou “muletas” das estratégias políticas do PS. O PS quer desviar as atenções do vazio programático de António Costa – e, para conseguir preservar o silêncio de Costa, os socialistas utilizam o “tema fracturante” (como os socialistas qualificam) dos homossexuais. Hoje é o Dia Nacional – amanhã, o que será? 

8.    Alguém deve recordar aos socialistas que todos os seres humanos são fins em si mesmos – não podem ser tratados como objectos, como meios para atingir certos fins. Não podemos ficar calados perante o que os socialistas fazem aos nossos concidadãos homossexuais: a utilizá-los como meios para os seus objectivos políticos. Triste. Muito triste. Lamentável. 

9.    Enfim, importa reter – e lembrar todos os dias – que os cidadãos homossexuais são indivíduos dotados de plena autonomia ética, que não precisam que certos partidos políticos interfiram a toda a hora na sua esfera privada. Que o Estado os considere como seres incapazes, que necessitam de protecção especial – a solução, para acabar com a discriminação, é precisamente a inversa. Os homossexuais são tão cidadãos como qualquer um de nós – há, pois, que deixá-los viver normalmente. Sem dias nacionais do homossexual (tanto quanto sabemos, não existe nenhum dia nacional do heterossexual: porquê tratar diferentemente os homossexuais? Só porque o PS acha que vai buscar alguns votos?). 

10.    Só mesmo um partido irresponsável, sem consciência social e humana como é o PS, é que propõe a criação de um Dia Nacional para defender os homossexuais – com a mesma leviandade com que se propõe o Dia nacional do gato ou o Dia Nacional da Árvore e da Floresta. Os homossexuais merecem mais – muito mais! – consideração. E respeito. 

Telmo Kiguel

Médico Psiquiatra

Psicoterapeuta

A invisibilidade dos negros é indesejável. A dos racistas é paralisante.

Prezado professor Douglas Belchior

Sou seu leitor e temos objetivos em comum: o enfrentamento das Condutas Discriminatórias (CD). (1)

No seu blog está clara a preocupação, também, com o machismo e a homofobia.

No seu texto “Para os presidenciáveis, os negros não existem” encontrei muitos trechos fundamentais para um bom debate. (2)

http://negrobelchior.cartacapital.com.br/2014/10/03/4026/

Bom debate é o que ocorre entre os que estão ativamente empenhados em enfrentar os discriminadores.

Inicio com sua muito procedente preocupação com a invisibilidade do negro. (3)

Na condição de médico psiquiatra tenho um enfoque complementar ao seu.
Diante de um agente causador de sofrimento humano temos a obrigação de descobrir/definir o mesmo.

Lá no nosso blog (1) enfatizamos como o discriminador é mantido, confortavelmente, invisível. (3)

E o desinteresse em definir, deixar a descoberto, o racista torna quase impossivel prevenir a sua ação. (4)

É por isso, no nosso entendimento, que as “declarações racistas proliferam” porque o seu agente não é reconhecido.

Mas,de qualquer maneira, o que fazer para o negro deixar de ser invisível?

Propugnamos que lute para que a ciência defina o seu inimigo: o racista invisível. (5)

Durante este movimento, que seria um avanço no combate ao racismo, o negro e o racista se tornarão visíveis.

Vejamos o trecho em que você aborda indiretamente a questão acima onde o negro ficou visível:

“Pergunto aos mais velhos: qual foi a última vez ou o último período em que o debate sobre racismo foi tão presente e evidente no Brasil? Talvez no auge do debate sobre cotas raciais há uns 10 anos? No centenário da abolição, em 1988? Na transição do trabalho escravo para o trabalho livre no final do século 19?”

Daí decorre a ideia que há dois tipos de debate/divulgação na imprensa.

Ao primeiro podemos chamar de ocorrência conservadora.

Quando o negro é vítima de algum tipo de CD do tipo “racismo no futebol”. (6)

Segue-se uma revolta, a repercussão na imprensa, a tentativa de indiciamento, etc…

E o segundo tipo é o desejado e descrito nos exemplos da sua frase acima.

O racista só pode ser enfrentado, pelo negro e por suas lideranças, porque foi reconhecido.

Esta é uma ocorrência progressista por enfrentar a estrutura construída pelos racistas.

E o que tenho proposto não é nenhum enfrentamento físico ou parlamentar.

A proposta é que, assim como propuseram à Ciência Jurídica que criminalizasse a CD.

Sugiro que proponham tornar visível o discriminador antes dele agir de forma criminosa. (4)

Reivindicando que a Medicina e a Psicologia definam a CD.

Sabemos que o discriminador age e causa sofrimento mesmo antes de ser definido como criminoso.

E para terminar, a sua referência ao “racismo estrutural e institucionalizado”.

Quem estrutura e institucionaliza o racismo?

São pessoas, racistas que agem livremente por não serem conhecidas, definidas, caracterizadas como tal.

Creio que enfrentar o racista, definido, é um bom caminho para enfrentar a questão racial no Brasil.

Textos correlatos:

A eleição, os eleitores, os políticos, os debates e as discriminações

Debater o racismo, sem o racista, é muito complicado ou quase impossível.

Educação e criminalização não previnem discriminação

Progressos na inibição da Conduta Discriminatória

Conduta Discriminatória: tentativa de conceituação motiva correspondência entre psiquiatras.

O antissemita seria um doente? E o racista?

Racista: uma definição que compete à Saúde Mental

Síndrome do Distúrbio Racial: seria um bom diagnóstico para o racista brasileiro? E para o antissemita?

Violência e racismo no futebol

Telmo Kiguel

Médico psiquiatra

Psicoterapeuta

A eleição, os eleitores, os políticos, os debates e as discriminações

Não lembro de uma eleição em que as discriminações mais conhecidas fossem tão usadas como argumento.
Sabemos que na vigência de enfrentamentos/disputas, o seu uso, como ataque ou defesa, é mais freqüente.
Como temos visto ocorrer também no futebol, aqui e no exterior.
“Discriminação na política, na imprensa, no judiciário e na medicina”.
Foi o título do evento que organizamos em 2010 no auditório da AMRIGS.
Veja em: http://jcrs.uol.com.br/site/noticia.php?codn=30197
Já na naquela época detectávamos pequenos sinais do que hoje cresceu muito.
A nossa percepção é que as discriminações estão invadindo, e muito, o espaço público e político.
Como consequência a dedicação da imprensa ao tema também aumentou.
Já publicamos, em 18/07, que não temos previsão de avançar no combate às discriminações.
As eleições, os debates e a repercussão na imprensa, ao que parece, confirma isso.
Depois de ler todas as notícias abaixo, agrupadas por categorias, repito:
Educação e criminalização não previnem a discriminação.
Em medicina quando um sofrimento humano não melhora/diminui temos que repensar a nossa conduta.
Vejamos como exemplo três frases do texto publicado por Erick Andrade em:
http://juntos.org.br/2014/10/ser-lgbtt-ser-lgbttfobico-nao/
“Fico imaginando quantos mais serão necessários para que o Brasil reaja…”
“…grandes canais de mídia, que preferem se omitir…”
“Sigamos na luta por direitos. Sem retrocessos e sem omissão!”

Todas verdadeiras e importantes mas, infelizmente, não estão funcionando.
Penso que os Grupos Discriminados (GD) não podem, na situação atual, esperar pelo Brasil…
Pelas profissões citadas no título do nosso evento, descrito acima, não se pode esperar muito deles nesta questão.
Talvez o melhor seja os GD mudarem suas estratégias de prevenção/enfrentamento dos discriminadores.

Homofobia:
http://blogay.blogfolha.uol.com.br/2014/09/30/levy-fidelix-a-liberdade-de-expressao-e-o-discurso-de-odio/
http://www.onortao.com.br/noticias/vivemos-estigma-diz-wyllys-sobre-baixa-votacao-de-lgbts,25160.php
http://politica.estadao.com.br/noticias/eleicoes,debate-de-candidatos-no-rio-tem-bate-boca-entre-crivella-e-malafaia,1573530
http://brasil.elpais.com/brasil/2014/10/07/politica/1412684374_628594.html
http://extra.globo.com/noticias/brasil/eleicoes-2014/deputado-eleito-racista-do-ano-o-mais-votado-no-rio-grande-do-sul-14158727.html
http://www.dw.de/elei%C3%A7%C3%A3o-deixa-congresso-mais-conservador/a-17981539

Xenofobia em relação aos nordestinos:
https://www.brasil247.com/pt/247/midiatech/156204/Blog-da-Cidadania-entrevista-de-FHC-estimulou-ataques-a-nordestinos.htm
http://www.valor.com.br/politica/3728162/navegacao-no-preconceito
http://ultimosegundo.ig.com.br/politica/2014-10-08/medica-de-grupo-anti-pt-minimiza-holocausto-a-nordestinos-e-revolucao-do-agir.html

Racismo:
http://www.cartacapital.com.br/politica/brancos-serao-quase-80-da-camara-dos-deputados-3603.html
http://extra.globo.com/noticias/brasil/eleicoes-2014/deputado-eleito-racista-do-ano-o-mais-votado-no-rio-grande-do-sul-14158727.html
http://www.dw.de/elei%C3%A7%C3%A3o-deixa-congresso-mais-conservador/a-17981539

Antissemitismo
http://www.cartamaior.com.br/?/Editoria/Politica/O-discurso-do-medo-versao-etnica/4/31944

Telmo Kiguel
Médico psiquiatra
Psicoterapêuta

Debater o racismo, sem o racista, é muito complicado ou quase impossível.

Hoje vamos debater a matéria publicada por Danilo Santos:
“O papel da mídia na difusão do racismo e o silêncio acadêmico”.
Em http://camanducaiahistory.blogspot.com.br/2014/09/o-papel-da-midia-na-difusao-do-racismo.html
Em primeiro lugar quero cumprimentar o autor e todos que reproduziram a matéria.
Alai Online, Geledés e muitos outros.
Na minha opinião ela contem alguns elementos para um bom debate.
Exatamente por explicitar o desejo e as dificuldades para debater a discriminação racial.
A invisibilidade do discriminador, no caso o racista, é um aspecto decisivo para a dificuldade.
Podemos dizer, simplificando, que a questão das discriminações seria um tipo enfrentamento.
O discriminador ataca o discriminado através da Conduta Discriminatória (CD).
E consequentemente o discriminado passa a ter um sofrimento mental e/ou fisico.
Constatamos que o discriminado, até agora, reagiu a este ataque criando duas instâncias de defesa.
Organizou-se em grupos ao qual se juntaram seus simpatizantes:
Organizações governamentais e Organizações não governamentais.
E conseguiu, através de pressão social e política, que o direito criminalizasse algumas CD.
Como em qualquer enfrentamento é necessário conhecer o oponente.
Sem essa premissa, o debate é praticamente impossivel.
E também só o (re)conhecendo, ele poderá ser enfrentado, neutralizado, denunciado.
Mas até agora não se tem um perfil/definição de quem é o discriminador.
Antes de agir (CD) de forma criminosa ele consegue se manter invisivel.
Não é conhecido pela sociedade e pode ter uma aparência de uma pessoa insuspeita.
Mas já é um discriminador.
E enquanto ele não for conhecido/definido pelo meio acadêmico não teremos um debate razoável, sério.
E não poderemos prevenir as ações dos discriminadores.
Como agir contra um agente de sofrimento humano que se mantém invisível?
A CD e o conseqüente sofrimento mental e/ou físico do discriminado é uma questão de Saúde Pública/Mental.
E prevenção faz parte do enfrentamento a qualquer agente causador de sofrimento humano.
Creio que a discussão do tema seria melhor se todas as mídias interessadas introduzissem uma nova pauta.
Pressionar o meio acadêmico, as ciências médicas, psicológicas, psicanalíticas, etc., para definir o discriminador.
Para que elas se apropriassem do estudo das Condutas Discriminatórias como a Ciência Jurídica já o fez.
E todas mídias inclui as ligadas aos grupos discriminados: numerosas, combativas e bem organizadas.
Agindo assim ainda enfrentariam a falácia do “coitadismo exacerbado”.
Nada melhor, para isso, do que uma atitude pró-ativa contra o discriminador.

Telmo Kiguel
Médico Psiquiatra
Psicoterapeuta

Educação e criminalização não previnem discriminação.

Para nós que pensamos no discriminador como agente causador de sofrimento psíquico e/ou físico não podemos deixar
de insistir que o fato de alguem ou um grupo ter uma educacão formal não irá impedi-la de ter uma Conduta Discriminatória. Portanto de agir como um machista, um racista, um homofóbico, etc.
Leiam mais este exemplo:
“Um grupo de estudantes da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) foi flagrado tendo uma atitude, ao menos, machista ao minimizar o estupro e ao não tratá-lo como crime. Em um bar na Savassi, na região Centro-Sul de Belo Horizonte, na noite desse sábado (20), a turma cantava “não é estupro, é sexo surpresa”, dentre outras frases sexistas”.
Leia mais em:
http://www.otempo.com.br/cidades/estudantes-da-ufmg-fazem-apologia-ao-estupro-e-geram-revolta-em-bh-1.919877

E como vemos no texto abaixo, não basta todo aparato policial e jurídico para prevenir a ação do discriminador. Apesar de todas providencias legais, os números das ocorrências só comprovam que as ações dos discriminadores não são inibidas pela criminalização:
“Vejam se não é premiar o agressor a situação revelada pelos dados a seguir; somente em 2012, foram registrados 197 feminicídios, 9.716 lesões corporais, 24.500 ameaças e 1.492 estupros apenas aqui no Ceará. Infelizmente, o resultado dessas agressões foram 7.781 boletins de ocorrência registrados, onde apenas 2.019 resultaram em inquéritos policiais, 2.435 medidas protetivas, e pasmem, apenas 348 prisões”.
Leia mais em:
http://anaeufrazio.blogspot.com.br/

Textos correlatos:
Machismo na Harvard e USP: a diferença do enfrentamento
Juízas julgam diferente de juízes em caso de abuso sexual?
Meios acadêmicos indiferentes a violência de gênero
Saúde mental dos políticos e juizes em avaliação
O que não quer mulher na política prova que educação não previne discriminação
O machismo e a medicina

Telmo Kiguel
Médico psiquiatra
Psicoterapeuta

Síndrome do Distúrbio Racial: seria um bom diagnóstico para o racista brasileiro? E para o antissemita?

A publicação de hoje consta de duas partes.

Inicialmente trechos do resumo do livro Americanah, reproduzido do blog da Editora Companhia das Letras.

E logo após nossos comentários sobre alguns conteúdos mencionados por Ifemelu, personagem do livro.

chimamanda-ngozi-adichieIfemelu é uma blogueira aclamada nos Estados Unidos e protagonista de Americanah, novo romance de Chimamanda Ngozi Adichie. Nos anos 1990, em busca de alternativas às universidades nacionais, paralisadas por sucessivas greves, a jovem Ifemelu muda-se para os Estados Unidos, deixando para trás sua família e Obinze, seu primeiro namorado. Ao mesmo tempo em que se destaca no meio acadêmico, ela se depara pela primeira vez com a questão racial e com as agruras da vida de imigrante, mulher e negra. O sucesso que obteve quinze anos depois, contudo, não atenuou o apego à sua terra natal, tampouco anulou sua ligação com Obinze. Quando ela volta para a Nigéria, terá de encontrar seu lugar num país muito diferente do que deixou e na vida de seu companheiro de adolescência.

Americanah foi o romance vencedor do National Book Critics Circle Award e eleito um dos 10 melhores livros do ano pela New York Times Book Review.

Por Ifemelu

Raceteenth ou Observações diversas sobre negros americanos (antigamente conhecidos como crioulos) feitas por uma negra não americana.

6. Ofertas de emprego nos Estados Unidos — a principal maneira nacional de decidir “quem é racista”

Nos Estados Unidos, o racismo existe, mas os racistas desapareceram. Os racistas pertencem ao passado. Os racistas são os brancos malvados de lábios finos que aparecem nos filmes sobre a era dos direitos civis. Esta é a questão: a maneira como o racismo se manifesta mudou, mas a linguagem, não. Então, se você nunca linchou ninguém, não pode ser chamado de racista. Se não for um monstro sugador de sangue, não pode ser chamado de racista. Alguém tem de poder dizer que racistas não são monstros. São pessoas com família que o amam, pessoas normais que pagam impostos.

Alguém tem de ter a função de decidir quem é racista e quem não é. Ou talvez esteja na hora de esquecer a palavra “racista”. Encontrar uma nova. Como Síndrome do Distúrbio Racial. E podemos ter categorias diferentes para quem sofre dessa síndrome: leve, mediana e aguda.

7.
Querido Americano Não Negro, caso um Americano Negro estiver te falando sobre a experiência de ser negro, por favor, não se anime e dê exemplos de sua própria vida. Não diga: “É igualzinho a quando eu…”. Você já sofreu. Todos no mundo já sofreram. Mas você não sofreu especificamente por ser um Negro Americano. Não se apresse em encontrar explicações alternativas para o que aconteceu. Não diga: “Ah, na verdade não é uma questão de raça, mas de classe. Ah, não é uma questão de raça, mas de gênero. Ah, não é uma questão de raça, é o bicho-papão”. Entenda, os Negros Americanos na verdade não querem que seja uma questão de raça. Para eles, seria melhor se merdas racistas não acontecessem. Portanto, quando dizem que algo é uma questão de raça, talvez seja porque é mesmo, não? Não diga: “Eu não vejo cor”, porque, se você não vê cor, tem de ir ao médico, e isso significa que, quando um homem negro aparece na televisão e eles dizem que ele é suspeito de um crime, você só vê uma figura desfocada,meio roxa, meio cinza e meio cremosa. Não diga: “Estamos cansados de falar sobre raça” ou “A única raça é a raça humana”. Os Negros Americanos também estão cansados de falar sobre raça. Eles prefeririam não ter de fazer isso. Mas merdas continuam acontecendo. Não inicie sua reação com a frase “Um dos meus melhores amigos é negro”, porque isso não faz diferença, ninguém liga para isso, e você pode ter um melhor amigo negro e ainda fazer merda racista. Além do mais provavelmente não é verdade, não a parte de você ter um amigo negro, mas a de ele ser um de seus “melhores” amigos. Não diga que seu avô era mexicano e que por isso você não pode ser racista (por favor, clique aqui para ler sobre o fato de que Não há uma Liga Unida dos Oprimidos). Não mencione o sofrimento de seus bisavós irlandeses. É claro que eles aturaram muita merda de quem já estava estabelecido nos Estados Unidos. Assim como os italianos. Assim como as pessoas do Leste Europeu. Mas havia uma hierarquia. Há cem anos, as etnias brancas odiavam ser odiadas, mas era meio que tolerável, porque pelo menos os negros estavam abaixo deles. Não diga que seu avô era um servo na Rússia na época da escravidão, porque o que importa é que você é americano agora e ser americano significa que você leva tudo de bom e de ruim. Os bens dos Estados Unidos e suas dívidas, sendo que o tratamento dado aos negros é uma dívida imensa. Não diga que é a mesma coisa que o antissemitismo. Não é. No ódio aos judeus, também há a possibilidade da inveja — eles são tão espertos, esses judeus, eles controlam tudo, esses judeus —, e nós temos de admitir que certo respeito, ainda que de má vontade, acompanha essa inveja. No ódio aos Negros Americanos, não há inveja— eles são tão preguiçosos, esses negros, são tão burros, esses negros.

Não diga: “Ah, o racismo acabou, a escravidão aconteceu há tanto tempo”. Nós estamos falando de problemas dos anos 1960, não de 1860. Se você conhecer um negro idoso do Alabama, ele provavelmente se lembra da época em que tinha de sair da calçada porque um branco estava passando. Outro dia, comprei um vestido de um brechó no eBay que é da década de sessenta. Ele estava em perfeito estado e eu o uso bastante. Quando a dona original usava, os negros americanos não podiam votar por serem negros. (E talvez a dona original fosse uma daquelas mulheres que se vê nas famosas fotos em tom sépia que ficavam do lado de fora das escolas em hordas, gritando “Macaco!” para as crianças negras pequenas porque não queriam que elas fossem à escola com seus filhos brancos. Onde estão essas mulheres agora? Será que elas dormem bem? Será que pensam sobre quando gritaram “Macaco”?) Finalmente, não use aquele tom de Vamos Ser Justos e diga: “Mas os negros são racistas também”. Porque é claro que todos nós temos preconceitos (não suporto nem alguns dos meus parentes de sangue, uma gente ávida e egoísta), mas o racismo tem a ver com o poder de um grupo de pessoas e, nos Estados Unidos, são os brancos que têm esse poder. Como? Bem, os brancos não são tratados como merda nos bairros afro-americanos de classe alta, não veem os bancos lhes recusarem empréstimos ou hipotecas precisamente por serem brancos, os júris negros não dão penas mais longas para criminosos brancos do que para os negros que cometeram o mesmo crime, os policiais negros não param os brancos apenas por estarem dirigindo um carro, as empresas negras não escolhem não contratar alguém porque seu nome soa como de uma pessoa branca, os professores negros não dizem às crianças brancas que elas não são inteligentes o suficiente para serem médicas, os políticos negros não tentam fazer alguns truques para reduzir o poder de veto dos brancos através da manipulação dos distritos eleitorais e as agências publicitárias não dizem que não podem usar modelos brancas para anunciar produtos glamorosos porque elas não são consideradas “aspiracionais” pelo “mainstream”.

Então, depois dessa lista do que não fazer, o que se deve fazer? Não tenho certeza. Tente escutar, talvez. Ouça o que está sendo dito. E lembre-se de que não é uma acusação pessoal. Os Negros Americanos não estão dizendo que a culpa é sua. Só estão dizendo como é. Se você não entende, faça perguntas. Se tem vergonha de fazer perguntas, diga que tem vergonha de fazer perguntas e faça assim mesmo. É fácil perceber quando uma pergunta está sendo feita de coração. Depois, escute mais um pouco. Às vezes, as pessoas só querem ser ouvidas. Um brinde às possibilidades de amizade, de elos e de compreensão.

O texto de hoje poderá ser melhor entendido acessando outras publicações abaixo.

Motivação para essa publicação:

“Ifemelu” postou em seu blog idéias semelhantes às já postadas por nós.

Textos correlatos:

1 – Propôs uma definição psiquiatrica para o racista: Síndrome do Distúrbio Racial.

Condutas discriminatórias precisam de diagnóstico compatível com o crime, defende psiquiatra

Conduta Discriminatória: tentativa de conceituação motiva correspondência entre psiquiatras.

O antissemita seria um doente? E o racista?

É possível o diálogo entre discriminado e discriminador?

De onde partirá a iniciativa de prevenir a Conduta Discriminatória Racista
Eis um discriminador racista e antissemita. Reconhecendo é possível prevenir.

2 – Enfatizou a invisibilidade do racista: “os racistas desapareceram”.

Violência e racismo no futebol

Protegendo o discriminador

Proteja o discriminador e modifique o discriminado

Debater o racismo, sem o racista, é muito complicado ou quase impossível.

A invisibilidade dos negros é indesejável. A dos racistas é paralisante.

3 – Lembrou que a conduta do antissemita pode vir acompanhada de inveja.

O antissemita seria um doente? E o racista?

O antissemita, o racista, o machista e a inveja

4 – “Mas os negros são racistas também”. Porque é claro que todos nós temos preconceitos”…

Uma contribuição exploratória psicodinâmica para o estudo da etiopatogenia da Conduta Discriminatória.

Conduta Discriminatória: tentativa de conceituação motiva correspondência entre psiquiatras.

Discriminados também discriminam 

O Feminismo, seus mitos e as mulheres machistas

5 – “Os Negros Americanos não estão dizendo que a culpa é sua”.

Progressos na inibição da Conduta Discriminatória

Projeto Discriminação – APRS

Agora uma possível discordância: diz respeito à conduta discriminatória racista que, segundo a personagem do livro, não viria acompanhada de inveja. Ela se refere aos Estados Unidos. Na nossa idéia, e o que temos acompanhado a respeito do racismo no futebol, os discriminados, também poderiam ser atacados por inveja: da sua fama (visibilidade) e de situação financeira invejável.

Esperamos que este livro estimule, aos brasileiro interessados em diminuir o sofrimento dos grupos discriminados, a procurar outras alternativas para prevenção das Condutas Discriminatórias além da educação e criminalização.

Telmo Kiguel
Médico psiquiatra
Psicoterapeuta

Orgulho de ser discriminador

Paul Weston
Paul Weston

Prezado leitor.

Gostaria muito de saber sua opinião sobre esta manifestação.
Já viu algo semelhante (e tão explícito), sobre questões nossas, aqui no Brasil?
Qual foi a reação ao fato na grande imprensa e na internet?
Se não viu, pensa que isto possa ocorrer, em relação a algum grupo em nosso país?
O que pensa que deva ser feito para evitar este tipo de conduta discriminatória?
Esta manifestação é, na sua forma, diferente das que ocorrem em campos de futebol.
E nas suas essências, são diferentes?
Na sua opinião qual delas é mais perigosa para sociedade como um todo?
Qual delas é mais fácil de punir? E de prevenir?

Sobre o uso da palavra “racista” no video (Inglaterra) e na tradução.
Aqui utiliza-se a palavra/expressão discriminador.
Em muitos países a expressão “racista” tem o significado que aqui atribui-se a “discriminador”.

Veja abaixo o vídeo “I am a racist”. O vídeo é falado em inglês. Ao lado tem uma tradução em francês. E, a seguir, a tradução para o português.

Olá, meu nome é Paul Weston e eu sou um racista. Eu sei que sou racista porque muitas pessoas me dizem que sou racista. A extrema esquerda pensa que sou um racista, o Partido dos Trabalhadores pensa que sou um racista, conservadores pensam que eu sou um racista, democratas liberais pensam que sou um racista, a BBC pensa que sou um racista. Portanto, devo ser racista. Por que sou racista? É muito simples: eu desejo preservar a cultura do meu país, o povo do meu país e ao fazer isso eu sou designado racista na sociedade atual.

Isso é algo que tem sido movido pela esquerda, o cursor do racismo mudou consideravelmente. Para se tornar racista 30 ou 40 anos atrás, teria que realmente desgostar de estrangeiros. Eu não desgosto de estrangeiros. O que eu gosto mesmo, o que eu amo é meu país, minha cultura e meu povo. E eu vejo isso sob uma terrível ameaça atualmente.

A Inglaterra é um país muito pequeno que abriu suas portas para uma massa de imigrantes do Terceiro Mundo e estamos sobrecarregados. Nossas escolas não conseguem lidar com isso, nossos hospitais não conseguem. Na verdade, muito poucos setores ainda conseguem lidar. O sistema de bem-estar social está afundando também. Então, se eu quero defender o lugar que nasci e cresci, meu país, minha cultura britânica, meu patrimonio e minha história eu sou, aparentemente, de acordo com todo mundo diz atualmente, um racista.

Mas não acho que seja o caso. Não que eu não seja racista, eu vou assumir isso completamente. Porque claramente eu sou. Eu ouvi isso de tantas pessoas que só pode ser verdade. Eu sou provavelmente também islamofóbico. Uma fobia é um medo irracional de alguma coisa, e eu não tenho um medo irracional do Islã. Eu olho para o mundo hoje, para a Síria, por exemplo, onde 100 mil pessoas morreram nos últimos 2 anos, onde muçulmanos xiitas estão matando sunitas e vice-versa. Eu olho para lugares como Indonésia, Egito e China e as Filipinas. Em todo lugar que se olha, se vê problemas com islamismo. Eles são violentos e são, me atrevo a dizer para reforçar meu caráter racista, profundamente selvagens em ideologias políticas e religiosas.

Agora, muitas pessoas descordarão disso. A extrema esquerda dirá que não se pode criticar o Islã porque Islã é uma religião e agora há regras nesse país que dizem que se você criticar religião, está incitando o ódio religioso. Mas o Islã não é apenas uma religião, é uma ideologia política também e precisamos chamar dessa forma. É uma cultura que é política e religiosa. E eu gostaria de saber se posso dizer algumas coisas sobre isso. Nós temos um grande problema nesse país que não irá embora, vai piorar cada vez mais. Nós, como povo, estamos decrescendo demograficamente, e a população islâmica está crescendo nove vezes mais rápido do que qualquer outra.

Quando eu olho para o futuro, vejo uma grande guerra civil religiosa ocorrendo nesse país. As coisas impensáveis que estão acontecendo na Síria atualmente irão acontecer aqui antes de 2040, certamente antes de 2050. E eu não quero que a Inglaterra se torne assim, então vou denunciar o Islã como uma ideologia religiosa e política retrógrada e selvagem. E que vá para o inferno o que as pessoas pensem sobre isso. Porque se não fizermos algo sobre isso, vamos nos envolver em algo que a maioria das pessoas nem consegue imaginar na Inglaterra.

Então, precisamos denunciar isso pelo que é e começar a montar alguma defesa contra isso. O problema de montar uma defesa é que deparamos com a acusação de racismo, com o “Eu não sou um racista, mas…” Bem, aqui está: eu sou um racista. Se eu quero evitar uma guerra civil em meu país, estou preparado para ser chamado de racista. E você deveria aceitar ser chamado de racista também.

Vamos apenas dizer que somos racistas detestáveis e começar a denunciar uma ideologia que é a mais primitiva, selvagem e retrógrada que foi importada para dentro desse país pela esquerda, por pessoas como Tony Blair, que fizeram isso deliberadamente para debilitar meu país, meu povo. Eles fizeram isso deliberadamente e depois disseram que não temos permissão de discutir sobre isso. Bem, eu discuto sobre isso, e eu vou lhe dizer que você denunciou e retirou a Lei da Traição logo que chegou ao poder. Eu acho que você cometeu traição quando disse que nós vamos importar o terceiro mundo para esfregar a diversidade na cara da direita (política). Para mim, isso é traição.

Sua missão foi esquecer do melhor interesse das pessoas desse país para deliberadamente nos menosprezar e nos subverter, e isso é um ato criminoso. Não importa que você repeliu a lei, as leis podem retornar e algum dia você será julgado por traição, junto com o resto de seu gabinete e todos os políticos em altos cargos que permitiram esse ato criminal. E eu vou lhe dizer isso: não importa que você possa me processar por racismo ou incitar violência religiosa, eu não acredito nisso. Acredito apenas na defesa de meu país, a defesa do meu povo e da minha cultura. Todo o resto pode ir para o inferno. Eu sou um racista.

Tradução: Débora Fogliatto.

Por: Telmo Kiguel, médico psiquiatra e psicoterapeuta
Textos correlatos:
Racista: uma definição que compete à Saúde Mental
Síndrome do Distúrbio Racial: seria um bom diagnóstico para o racista brasileiro? E para o antissemita?
Educação e criminalização não previnem discriminação
Religião e laicidade: discriminação e violência.
O Projeto Discriminação da Associação de Psiquiatria do RGS – APRS
O fascismo, o nazismo e as discriminações