O alto preço dos medicamentos e as retaliações dos Estados Unidos

O assunto é muito pouco transparente e você só se da conta de sua importância na hora de pagar a conta da farmácia.…….PREÇOS de novas linhas de tratamento do câncer ou de doenças imunológicas na faixa de milhares de dólares por pílula ou por picada.

PU 20

  [ AS PATENTES FARMACÊUTICAS E SEUS EFEITOS COLATERAIS ]

Passou despercebida pela imprensa uma carta de cem organizações e sindicatos dos Estados Unidos, do Canada e do Mexico contra as medidas de restrição a acesso a medicamentos inscritas no NAFTA.

Após mais de 20 anos de vigência do NAFTA, o Canada, o Mexico e até os Estados Unidos sentem o impacto negativo das proteções leoninas aos detentores de patentes farmacêuticas. O assunto é muito pouco transparente e você só se da conta de sua importância na hora de pagar a conta da farmácia.…….

Surpreende neste momento a recusa de Trump em assinar o TPP (Tratado de Parceria Trans-Pacifica) formado por Japão, Malásia, Vietnam, Cingapura, Brunei Australia, Nova Zelandia, Canada, Mexico, Chile e Peru. Os negociadores americanos, assessorados por mais de quarenta advogados de empresas farmacêuticas, desenharam um capítulo sobre Propriedade Intelectual sob medida para a obesa Pharma, Pentágono da indústria farmacêutica.

Extensão dos prazos de patenteabilidade alem dos 20 anos, proibição de genéricos ou condições leoninas para produzi-los, liberalidade na renovação de patentes de medicamentos, tornando possível que cosméticas alterações em suas fórmulas aumentem o prazo de patenteabilidade para 30 ou 50 anos. Restrições adicionais à capacidade dos governos de promoverem programas de barateamento dos medicamentos ou concorrência de preços internacionais. PREÇOS de novas linhas de tratamento do câncer ou de doenças imunológicas na faixa de milhares de dólares por pílula ou por picada. Coisa para um por cento da população. Classe média alta, emergentes, novos ricos: favor não insistir. Monopólio é Monopólio. Thank you for calling.

Segundo ato. Trump acusa publicamente a OMC de não servir aos interesses americanos. Paralisa os trabalhos de escolha de novos árbitros para o mecanismo de solução de controvérsias da entidade. Não satisfeito, excomunga o NAFTA, execra os diplomatas americanos. Chama o Mexico para uma conversinha de parceiros da comunidade hemisférica : “você meu amigo, meu irmão ,meu camarada…”.

Exige a revisão do NAFTA. México e Canada são chamados a fazer correções de rumo. Logo se evidencia o interesse da Pharma em aprimorar a proteção das patentes farmacêuticas além das normas acordadas em 1995, no âmbito do acordo TRIPS da OMC, que vincula todos os países membros, inclusive o Brasil. De 1995 ate 2017 os Estados Unidos incentivaram a formação de acordos regionais, bilaterais ou plurilaterais como o NAFTA. Em todos esses acordos a questão da proteção das patentes farmacêuticas era central. Por essa razão criou-se no jargão das negociações a expressão Trips-plus. Algum dia precisa-se fazer a gramática da OMC ou a sua semiótica, de grande relevância para o marketing neoliberal.

Antes da OMC, a propriedade industrial era disciplinada pela Convenção de Paris da Propriedade Industrial, instrumento criado no fim do século XIX de que o Brasil foi sócio fundador por decisão do Imperador Dom Pedro II. A Convenção de Paris deixava latitude aos membros com relação a patenteabilidade de produtos farmacêuticos. Nos anos 80 do século XX, iniciam-se negociações que transformariam o GATT em OMC e criariam outras obrigações na Rodada Uruguai, dentre as quais o acordo TRIPS, acrônimo inglês para acordo sobre propriedade industrial relacionado ao comercio.

A adição da expressão “relacionado ao comercio” foi a fórmula encontrada para preservar a Convenção de Paris como instrumento venerável da comunidade jurídica internacional. Em compensação, TRIPS, por ser acordo vinculado a OMC ,foi dotado de mecanismos inéditos e discutíveis dentre os quais a possibilidade de retaliações comerciais aos países que não se conformassem às novas regras. Assim, nos tornamos menos livres e menos soberanos na nossa área de saúde publica. Na fase do TRIPS-PLUS, andamos sapateando no pântano da ALCA, que nos levaria a uma situação igual a do Canada e Mexico.A ALCA nada mais seria do que um NAFTA ampliado. .

Trump deixou claro que não dará pelota para a OMC e que a partir de agora negociará com os países amigos acordos comerciais exclusivamente bilaterais. Obviamente, ninguém será tão inocente de se voluntariar para entrar em negociações com tal disparidade de forças. Trump sabe disso e já começou a impor barreiras ilegítimas a determinados produtos e a determinados países. O Brasil foi contemplado em suas exportações de aço. Uma delegação do setor privado pretende iniciar conversações sobre o assunto nos Estados Unidos. Postura legitima sem duvida. E será recebida como o Mexico, parceiro fraternal da comunidade hemisférica. Vamos, queiramos ou não, entrar na cantilena. “Você meu irmão etc”

Preocupa essa nova estratégia em andamento. Sentar com os Estados Unidos para negociar um acordo bilateral seria rematada insanidade.

O caminho correto nesta hora seria exigir o debate das novas medidas americanas no âmbito exclusivo da OMC e inclusive deixar claro que eventuais retaliações dos Estados Unidos contra o aço brasileiro seriam no mesmo montante reciprocadas com cortes nas remessas de royalties de patentes farmacêuticas americanas. Pode ser medida drástica, porém legal.

Caso contrário, nos veremos enredados em negociações insalubres com a maior nação do planeta, convencida de que suas medidas de proteção ao monopólio farmacêutico são amparadas por supostos direitos de uma legislação internacional em tudo e por tudo muito mais próxima de um neocolonialismo globalizado do que da arenga esquizóide sobre o comércio livre do surrado neoliberalismo.

Fonte: União Brasileira de Escritores
Por: Adhemar Bahadian Diplomata aposentado
Textos correlatos:
Preço de medicamento de doença grave é inflacionado se não há tratamento alternativo
A Indústria Farmacêutica, os “homicídios involuntários” e os “cadáveres nos armários”.
Médicos + laboratório = fraude milionária
Médicos e hospitais corruptos. É possível prevenir?
Como a indústria farmacêutica influi nas prescrições médicas
Drogas psiquiátricas podem piorar a doença mental

Surpresa nos Estados Unidos: há uma forte onda de decência

Estaria terminando a Primavera da Extrema Direita —a primavera dos fascistas? — quando os supremacistas brancos e os antissemitas foram encorajados pela eleição de Donald Trump?

dec 2

Os Estados Unidos são um dos poucos lugares do mundo onde ser abertamente neonazista é amparado pela Constituição

                          El despertar de la fuerza… de la decencia

Una cosa curiosa está sucediendo en Estados Unidos: hay una poderosa oleada de decencia. Repentinamente, parece como si los peores carecieran de toda convicción, mientras que los mejores están llenos de una intensidad apasionada. Todavía no sabemos si esto se traducirá en algún cambio político, pero tal vez estemos en medio de un momento transformador.

Pueden ver el abrupto vuelco a la decencia en el ascenso del movimiento #MeToo (#YoTambién); en cuestión de meses, un terreno que parecía inamovible cambió y los depredadores sexuales poderosos comenzaron a enfrentar consecuencias que acabaron con sus carreras.

Lo pueden ver en las reacciones a la masacre de la escuela en Parkland, Florida. Al menos por ahora, ya no estamos viendo las reacciones habituales a los asesinatos en masa —un día o dos de encabezados, seguidos de una especie de encogimiento de hombros colectivo de la clase política y la vuelta a la obediencia normal a los cabilderos de las armas de fuego—. En cambio, la historia sigue viva en los noticieros y los vínculos con la Asociación Nacional de Rifle (NRA) están comenzando a verse como el veneno político y comercial que debieron haber sido desde siempre.

Diría que lo pueden ver en las urnas, donde los políticos de extrema derecha en distritos que por lo general eran republicanos siguen perdiendo gracias al activismo emergente de ciudadanos comunes.

Esto es algo que nadie, mucho menos los analistas políticos, habría esperado.

Después de la elección de 2016 muchos en los medios noticiosos parecieron adelantarse a dar por hecho de que el trumpismo representaba al verdadero Estados Unidos, aun cuando Hillary Clinton había ganado el voto popular y —dejando de lado la intervención rusa y la carta de Comey— seguramente también habría ganado el voto electoral, de no haber sido por el “gran menosprecio”: el tono burlón que adoptaron innumerables reporteros y críticos. Son cientos, sino es que miles, las historias de seguidores canosos de Trump en restaurantes, que supuestamente ejemplifican el desfase de nuestra élite cultural.

Ni las inmensas manifestaciones en contra de Trump justo después de su toma de protesta parecieron afectar la sabiduría convencional. Sin embargo, esos gorros rosas de orejas de gato pudieron haber representado el comienzo de un verdadero cambio social y político.

Los politólogos tienen un término y una teoría para lo que estamos viendo en relación con el movimiento #MeToo, las armas de fuego y quizá más: “Cambio de régimen en cascada”.

Así es como funcionan: cuando las personas consideran que el statu quo es inamovible, tienden a la pasividad, incluso si se sienten insatisfechas. De hecho, pueden no estar dispuestas a revelar su descontento ni a admitirlo plenamente para sí mismas. Sin embargo, una vez que otros se pronuncian de manera visible en contra de algo, los que no lo habían hecho adquieren mayor confianza en su descontento y están más dispuestos a hacer algo en conjunto —y sus acciones pueden inducir la misma respuesta en los demás, ocasionado una especie de reacción en cadena—.

Este efecto en cascada explica cómo es que pueden aparecer turbulencias políticas rápidamente, casi de la nada. Algunos ejemplos incluyen las revoluciones que se extendieron por Europa en 1848, el repentino colapso del comunismo en 1989 y la Primavera Árabe de 2011.

Ahora bien, nada dice que dicho efecto en cascada tenga que ser positivo, ni en sus motivaciones ni en sus resultados. El periodo de 2016 a 2017 claramente representó una especie de Primavera de la Extrema Derecha —¿la primavera de los fascistas? —, en la que no nada más la elección de Donald Trump envalentonó a los supremacistas blancos y antisemitas, sino también las evidencias de que había más gente de la que uno se hubiera imaginado que pensaba igual, tanto en Europa como en Estados Unidos. Mientras tanto, los historiadores habían descrito 1848 como un momento crucial en el que la historia de algún modo no había logrado propiciar un cambio: a fin de cuentas, los regímenes corruptos y arcaicos seguían de pie.

No obstante, me parece que la ola de indignación que se está gestando en Estados Unidos es tremendamente alentadora. Y sí, creo que es una sola ola. El movimiento #MeToo, la negativa a encogerse de hombros ante la masacre de Parkland, el nuevo activismo político de ciudadanos enfurecidos (muchos de ellos mujeres) que se deriva en general de una percepción común: a saber, que no solo se trata de la ideología, sino de que hay hombres que sencillamente son malas personas que tienen demasiado poder en sus manos.

Y la principal evidencia de esa hipótesis es, por supuesto, el tuitero jefe.

Al mismo tiempo, lo que me sorprende sobre la reacción a esta creciente respuesta negativa no es solo su vileza, sino su pobreza. La respuesta de Trump a Parkland —¡Vamos a armar a los maestros!— no solo fue estúpida, sino un intento cobarde de eludir el tema y me parece que mucha gente se dio cuenta de ello.

Igualmente, pensemos en el creciente salvajismo de los discursos de luminarias de extrema derecha como Wayne LaPierre de la NRA. En resumen, han abandonado el uso de ideas sustanciales para defender su postura recurriendo a diatribas sobre socialistas que tratan de arrebatarles su libertad. Es de dar miedo, pero también es una queja sin sentido; es como se oye alguien cuando sabe que no tiene la razón.

De nuevo: no hay garantía de que las fuerzas de la decencia ganarán. En específico, el sistema electoral estadounidense está, en efecto, manipulado para favorecer a los republicanos, así que los demócratas necesitan ganar el voto popular más o menos con siete puntos porcentuales más para recuperar la Cámara de Representantes. Sin embargo, estamos ante un verdadero levantamiento y sobran los motivos para esperar el cambio.

Fonte: The New York Times
Por: Paul Krugman
Textos correlatos:
Os EUA é uma anomalia: recorde de mortos para proteger o lucro da Associação Nacional do Rifle
Os Estados Unidos tem uma longa história de simpatia pelos nazistas
Estado Unidos: 10% da população apoia os neonazistas
Pessoas imaturas, discriminadoras, facistas, nazistas, de sangue puro e o bode expiatório
As Discriminações são abordadas de forma diferente nas “paróquias brancas e negras”
Psiquiatras continuam debatendo a saúde mental de Trump                                                                                               Kroger se junta a Walmart e Dick’s e aumenta para 21 idade mínima …

A imprensa manipuladora e os eleitores manipuláveis

¿Quién no se deja influir por el pensamiento de los pares, de aquellos a quienes ve como iguales? Un título o un tuit sensacionalista pueden ser suficientes para influenciar a algunas personas, incluso para cambiar su pensamiento. Esas historias imprecisas, engañosas o falsas se replican de usuario en usuario, propagando los mitos e influyendo en las opiniones de otros. En Facebook son nuestros ‘amigos’ los que comparten esas cosas, un círculo de confianza que nos da aún más razones para creer”

em1

Portada del reporte “Media Manipulation and Disinformation Online”, del instituto Data&Society

Del mito a la realidad: hasta dónde puede llegar la manipulación electoral de los votantes
La investigación del fiscal Robert Mueller sobre la injerencia rusa en las elecciones de Estados Unidos reveló la existencia de redes que buscan cambiar la conducta de los votantes, pero su efectividad es un interrogante. Qué personas son más influenciables y qué se puede hacer para no caer en la trampa

“Los acusados y sus conspiradores, a través del fraude y la mentira, crearon cientos de cuentas en las redes sociales, y las usaron para convertir a personajes ficticios en líderes de opinión pública en Estados Unidos”.

La inquietante sentencia es una de las conclusiones a las que arribó el fiscal especial Robert Mueller, que investiga desde hace ocho meses la interferencia del Kremlin en las elecciones presidenciales de 2016. Por el escándalo imputó a 13 ciudadanos y a tres organizaciones de origen ruso.

El ex director del FBI encontró evidencias de que Yevgeniy Viktorovich Prigozhin, un magnate conocido como “el chef de Vladimir Putin” por ser contratista del Estado ruso en el rubro gastronómico, financió la creación de la Agencia de Investigaciones de Internet (AII). Esta organización contó con un presupuesto millonario y una planta de al menos 80 agentes abocados a tiempo completo a una sola misión: manipular a la opinión pública estadounidense para afectar el resultado de las elecciones y crear un ambiente de inestabilidad política.

em22

                                              El fiscal Robert Mueller

La AII administró miles de cuentas falsas en las redes sociales, que se hacían pasar por ciudadanos estadounidenses políticamente comprometidos con diferentes causas, para crear y difundir mensajes e incluso convocar a manifestaciones. El principal objetivo fue deslegitimar la candidatura de Hillary Clinton, difundiendo noticias inventadas que la presentaban como una corrupta. Entre otras cosas, crearon grupos que se hacían pasar por representantes de los afroamericanos y de los musulmanes —minorías que históricamente acompañan al Partido Demócrata—y los incentivaron a no votar.

La otra pata de la estrategia fue promover las campañas de Bernie Sanders, que enfrentó a Clinton en la interna demócrata, y de Donald Trump, quien terminaría imponiéndose en los comicios del 8 de noviembre de 2016. “Donald quiere derrotar al terrorismo, Hillary quiere alentarlo”, fue una de las tantas consignas promocionadas por la AII. Su actividad fue especialmente intensa en los “estados oscilantes”, en los que había mucha paridad en la previa y que a último momento se inclinaron por el candidato republicano.

El caso de la injerencia rusa en los comicios de Estados Unidos muestra hasta qué punto internet se convirtió en un medio idóneo para lanzar campañas de manipulación que pueden pasar desapercibidas. Hay indicios de que grupos similares actuaron en el referéndum del Brexit en Reino Unido y en las presidenciales francesas del año pasado, y que pretenden interferir en las elecciones del próximo 4 de marzo en Italia.
El gran interrogante es si tienen éxito. Los amantes de las teorías conspirativas están convencidos de que es posible lavarle el cerebro a las personas —menos a ellos mismos—, pero no hay evidencia de que eso sea posible, sobre todo a escala masiva. Al mismo tiempo, está probado que la posibilidad de los canales de comunicación tradicionales de influir en las opiniones es cada vez menor.

“El impacto de la fábrica rusa de trolls es muy debatible. Quizás sea relativamente mínimo. Pero eso no significa que la opinión pública no sea manipulable. Desde que fue descubierta a principios de los años 20 por el escritor estadounidense Walter Lippmann, hubo cuantiosas inversiones de todo tipo de profesionales para medir, predecir y manipular a la opinión pública. Algunas han sido más exitosas que otras”, sostuvo Mitchell Dean, profesor de sociología y gobierno en la Escuela de negocios de Copenhague, consultado por Infobae.

Lo distintivo de este tiempo histórico es que ya no hay un puñado de instituciones reconocidas que bajan mensajes desde una posición de autoridad. Son miles de personajes virtuales —reales o ficticios—, que se presentan como personas comunes dando sus puntos de vista. ¿Quién no se deja influir por el pensamiento de los pares, de aquellos a quienes ve como iguales?

em33

                      Yevgeniy Viktorovich Prigozhin, “el chef de Vladimir Putin”

Posibilidades y limitaciones de la manipulación

“De acuerdo a nuestras investigaciones, la mayor parte de la gente sólo lee el encabezado y el primer párrafo de los artículos que ve en Facebook o en Twitter. Un título o un tuit sensacionalista pueden ser suficientes para influenciar a algunas personas, incluso para cambiar su pensamiento. Esas historias imprecisas, engañosas o falsas se replican de usuario en usuario, propagando los mitos e influyendo en las opiniones de otros. En Facebook son nuestros ‘amigos’ los que comparten esas cosas, un círculo de confianza que nos da aún más razones para creer”, explicó a Infobae Neill Fitzpatrick, profesor de comunicación en la Universidad MacEwan, en Edmonton, Canadá.

La repercusión de las fake news sería mínima si todos los lectores pudieran contrastar distintas fuentes antes de dar por cierta una noticia. Pero, lógicamente, sólo una minoría tiene el tiempo y el interés para hacer ese trabajo. Si a este problema se suma el efecto de los algoritmos que definen las publicaciones a las que acceden los usuarios en ciertas redes sociales a partir de sus gustos, se termina configurando una burbuja informativa.

Este fenómeno favorece la consolidación de posturas sesgadas y radicalizadas, ya que las personas están cada vez más sobreexpuestas a las opiniones de su tribu, y cada vez menos a miradas diferentes. No obstante, hay grupos sociales que tienen mucha más predisposición que otros a cerrarse y fanatizarse.

em44

El presidente Donald Trump

“Por lo que hemos observado, el principal objetivo de la interferencia rusa era esparcir información engañosa o falsa, para crear una disrupción en grupos de votantes que ya estaban polarizados, no necesariamente en todo el electorado. Se trata de una porción concentrada de la opinión pública. Por ejemplo, encontramos que las noticias basura eran desproporcionadamente compartidas por redes de Twitter de extrema derecha. No diría que la opinión pública en general es vulnerable a este tipo de manipulación, pero hay grupos que parecen más inclinados”, dijo a Infobae el politólogo Samuel Maynard, doctorando en la Universidad de Oxford.

Hacer que alguien cambie radicalmente de opinión es muy difícil, por eso cualquier esfuerzo de manipulación está destinado al fracaso si se propone esa meta. Pero sí se puede reforzar ciertas ideas preconcebidas, y atenuar otras. Las consecuencias políticas de estos movimientos pueden no ser depreciables.

Por caso, es posible que un individuo que dudaba entre ir o no a votar termine optando por abstenerse. De la misma manera, es poco probable que un simpatizante demócrata se pase al Partido Republicano, pero no es tan descabellado que un republicano moderado se incline por un precandidato más extremo de su mismo partido.
Adam Badawy, investigador del Instituto de Ciencias de la Información de la Universidad del Sur de California, sostuvo que para analizar una campaña de manipulación como la que ensayaron los rusos es necesario considerar tres niveles de lectura: el alcance del proyecto, a cuánta gente llegó; su capacidad para reforzar ciertas creencias y legitimarlas; y su impacto en el comportamiento de los votantes.

“Hay evidencias fuertes de la magnitud de la campaña de desinformación, pero todavía no tenemos respuestas para los otros dos puntos”, dijo Badawy a Infobae. “Es plausible que haya consolidado opiniones preexistentes, particularmente entre los conservadores. Pero no hay pruebas de que la interferencia rusa volcó el voto hacia Trump o convenció a los ciudadanos de ir a votar. Al contrario, muchos estudios previos han demostrado que las ideas políticas son difíciles de cambiar, y cuando cambian, lo hacen lentamente”.

Entonces, ¿se puede o no manipular a la opinión pública para que vote de determinada manera? “Creo que la respuesta general es que no”, afirmó Dean. “Sin embargo —aclaró—, la posibilidad de focalizar en ciertos grupos se ha incrementado, y es posible hacerlo en lugares en los que podría afectar una elección, como los estados oscilantes. Las estrategias más sofisticadas identifican racimos de individuos persuadibles en esas áreas, y prueban qué tipo de información los interpela. Pueden no buscar cambiar enteramente su visión, pero sí potenciar el enojo, el miedo o incluso la apatía que ya sentían”.           em55                                                Hillary Clinton

Cómo combatir la desinformación

Las repercusiones de lo ocurrido en las elecciones estadounidenses encendieron las alarmas en todo el mundo. En Italia, por ejemplo, distintas organizaciones civiles alertaron sobre los riesgos de que haya una interferencia externa para favorecer al Movimiento 5 Estrellas, una fuerza populista y antisistema. Su triunfo podría desestabilizar a la ya debilitada Unión Europea.

“Tenemos que empezar a educar a los jóvenes en la escuela, para que aprendan a identificar qué es preciso y qué no entre la información que reciben —dijo Fitzpatrick—. Tienen que saber cómo chequear distintas fuentes o, al menos, encontrar versiones alternativas de una misma historia. Así como les enseñamos los peligros de los depredadores en internet, tenemos que enseñarles sobre los riesgos del engaño y la manipulación online”.

Esto es precisamente lo que está haciendo Italia. A fines del año pasado, lanzó un proyecto que busca explicarles a estudiantes de 8.000 escuelas cómo distinguir noticias falsas de verdaderas. Probablemente, el impacto será limitado en un primero momento, pero es un comienzo.

em66

El primer ministro italiano Paolo Gentiloni

Otra parte del trabajo la tienen que hacer las propias redes sociales. “Tienen que suprimir a los usuarios maliciosos que esparcen las fake news. Segundo, hay que aumentar la exposición a noticias producidas por los principales medios periodísticos, que no deberían ser penalizados por ser pagos, como ocurre ahora. Tercero, mostrar un puntaje de autenticidad al lado del artículo podría ser una buena idea”, dijo Badawy.

No obstante, sería ingenuo creer que se puede eliminar todo el contenido basura que hay en la web. Por otro lado, si bastara con una simple denuncia para censurar un contenido empezaría a estar amenazada la libertad de expresión.

“Los peligros de la propaganda y de la manipulación de las masas están allí desde hace 100 años. Lo mejor que podemos hacer es tomar conciencia de lo que está pasando y educarnos a nosotros mismos y a los jóvenes al respecto. De lo contrario, la alternativa es regular internet y volvernos indistinguibles de China”, concluyó Dean.

Fonte: Infobae Ar
Por: Darío Mizrahi
Textos correlatos:
Mídia manipuladora
Imagens de mídia manipuladora
“Nossos preconceitos nos deixam cegos e burros”
O Transtorno de Personalidade Narcisista e a geração “floco de neve”
O partidarismo* está se tornando uma “discriminação religiosa”
“Mídia e publicidade influenciam nos transtornos mentais”

A Coca-Cola e a epidemia de obesidade

Tenta demonstrar que a obesidade se deve mais a falta de atividade física e atenuar os efeitos negativos do açúcar e dos adoçantes, dois elementos básicos da fórmula dos produtos vendidos pela Coca.

cc1

Transparente nos EUA, Coca-Cola adota segredo sobre relação com     pesquisadores no Brasil

Corporação não quis revelar quais os estudos financiados. Nos Estados Unidos, foram US$ 140 milhões desde 2010. Nestlé, Unilever, Danone e Ajinomoto também não divulgaram informações.

Envolvida desde a fundação em controvérsias devido à fórmula secreta do principal produto, a Coca-Cola está habituada a financiar pesquisas científicas que busquem promover benefícios ou deslegitimar efeitos negativos. Nos Estados Unidos, frente a pressões da imprensa, a corporação revelou recentemente a lista de organizações e pessoas que tiveram trabalhos patrocinados.

Aqui, a Coca-Cola Brasil optou por não tornar disponível a O joio e o trigo a lista de pesquisadores que tiveram estudos financiados nesses trópicos. Entramos em contato com a assessoria de imprensa no final de junho de 2017, solicitando uma entrevista a ser feita pessoalmente. Dez dias mais tarde, recebemos a informação de que a conversa seria por telefone. Passadas mais três semanas, tivemos de encaminhar as perguntas por e-mail.

1. Quais são as principais motivações da Coca para financiar pesquisas científicas?
2. Quais os critérios utilizados para definir quais trabalhos receberão apoio da empresa? Via de regra, é a Coca quem escolhe os temas ou os pesquisadores que procuram a Coca? Quais têm sido os temas prioritários?
3. Quais pesquisadores já receberam apoio da empresa no Brasil? É possível saber o montante de recursos destinados a apoio científico?
4. Como a empresa se relaciona com o ILSI Brasil? E como avalia o papel da organização? É possível saber qual o montante investido no ILSI ou qual o percentual total do orçamento anual do instituto que corresponde à Coca?
5. Nos Estados Unidos, alguns veículos de comunicação têm contestado a relação da Coca com pesquisadores. Como a empresa vê essas críticas? Isso provocou alguma mudança na atuação da empresa no Brasil?
6. Há artigos de revisão indicando que estudos financiados pela indústria de refrigerantes tiveram tendência a não indicar o papel desses produtos na epidemia de obesidade. Qual a opinião da empresa sobre esses artigos?
7. Alguns autores afirmam que pesquisas com ênfase em atividade física buscam desviar o foco sobre as verdadeiras causas da obesidade. Como a empresa tem se posicionado em relação a essa crítica?

Questões parecidas também foram apresentadas a Nestlé, Danone, Unilever e Ajinomoto. Nenhuma delas quis responder.

A Coca-Cola chegou a encaminhar, um mês depois, uma nota curta, mas que ignorava todas as nossas questões.

“A Coca-Cola Brasil segue parâmetros rigorosos para patrocínio de pesquisas científicas e apoio a pesquisadores. Nosso interesse na literatura científica se reflete na preocupação de embasar todas as nossas decisões em evidências científicas – principalmente relacionadas à formulação de nossos produtos e ingredientes. Dessa forma, asseguramos que estamos oferecendo bebidas de qualidade às pessoas que escolhem consumir nossos produtos.

Para isso, temos uma relação de franco diálogo com os principais interlocutores envolvidos com as questões alimentares e a educação nutricional no Brasil. Buscamos estar atentos às críticas e às oportunidades da nossa atuação nessa área. Hoje estamos mais focados nas melhorias que podemos fazer em nosso portfólio e comprometidos em oferecer mais escolhas para as pessoas.”

A postura da empresa revela um duplo padrão. Nos Estados Unidos, após uma série de revelações feitas pela imprensa, a corporação decidiu divulgar os investimentos desde 2010 não apenas em pesquisa, mas em organizações da sociedade civil. Foram US$ 140 milhões, em torno de R$ 430 milhões. Historicamente, atividade física é um assunto preferencial, ao lado das pesquisas que tentam atenuar os efeitos negativos do açúcar e dos adoçantes, dois elementos básicos da fórmula dos produtos vendidos pela Coca.

Apesar dos escândalos, o interesse da empresa pelo tema não diminuiu. Nomeada em 2017 por Donald Trump, a nova chefe do Centro para o Controle de Doenças (CDC), Brenda Fitzgerald, teve trabalhos financiados pela Coca, a quem considera uma aliada na luta contra a obesidade. Após sucessivas polêmicas, Brenda deixou o cargo com a revelação de que comprou dezenas de milhares de dólares em ações de empresas de tabaco, justamente um tema central na atuação do CDC.

Trata-se do principal centro de saúde pública dos Estados Unidos, localizado justamente em Atlanta, sede da Coca. Antes do caso de Brenda, a imprensa abordou a relação entre o então assessor especial de Saúde Global do centro, Michael Pratt, e a corporação dos refrigerantes. Ele era um dos propulsores do ISCOLE, Estudo Internacional de Obesidade, Estilo de Vida e Ambiente na Infância, que buscava realizar uma pesquisa em toda a América Latina, justamente uma das áreas com maior evidência de correlação entre aumento do consumo de bebidas açucaradas e obesidade.

Entre 2010 e 2014, o ISCOLE recebeu US$ 6,4 milhões, o que inclui o Centro de Estudos do Laboratório de Aptidão Física de São Caetano do Sul (Celafiscs), comandado por Victor Matsudo e criador do Agita São Paulo. Ele é próximo ao International Life Sciences Institute (ILSI), criado pela Coca na década de 1970 e que, como mostramos, busca influenciar a agenda regulatória de saúde no Brasil.

Sabemos que, após o fim do ISCOLE, os recursos da Coca se direcionaram a uma iniciativa similar. O Estudo Latino-americano de Nutrição e Saúde (Elans) é encabeçado pelo brasileiro Mauro Fisberg, coordenador da Força-Tarefa Estilos de Vida Saudáveis do ILSI, e Irina Kovalskys, do ILSI Argentina. “São 12 mil casos avaliados entre adolescentes, adultos e sênior. É um estudo caríssimo. São amostras representativas, e amostra representativa é uma coisa complexa, especialmente em países grandes”, conta Fisberg.

Os resultados ainda não foram publicados e a coleta de algumas informações está em curso, mas o professor adianta uma parte: “Tem um gap mostrando que a obesidade se deve mais ao sedentarismo. É difícil fazer essa afirmação. Eu não gostaria. Mas os números mostram que a gente tem muito menos gente comendo mais do que deveria do que gente fazendo atividade física.”

Em 2002, alguns cientistas acordaram de manhã com um brinde na caixa de correios: “O uso de refrigerantes e a saúde humana” é um artigo de revisão, ou seja, um trabalho que revisa as evidências acumuladas sobre determinada questão. Neste caso, refrigerantes. Os autores, Mauro Fisberg e Olga Amâncio, da Unifesp, e Ana Maria Pitta Lottenberg, da USP, acusavam haver preconceito contra a bebida, “pouco compreendida pelos profissionais da área de saúde”. “Inúmeros alimentos artificiais, industrializados há anos, têm livre trânsito nas clínicas, consultórios e ambulatórios ou são pouco combatidos por estes mesmos profissionais, que rechaçam de forma cabal o uso de uma bebida que, na realidade, é utilizada para seu uso próprio, sem qualquer restrição.”

À época havia vários estudos jogando a responsabilidade para a gordura. E para os obesos, acusados de preguiça, de maneira que uma solução apontada pelos autores era o programa Agita São Paulo, coordenado por Victor Matsudo. Alguns dos estudos citados na bibliografia foram financiados pela indústria de refrigerantes.

Não sabemos quanto Matsudo recebe pelas palestras que dá a comunicadoras na sede da Coca. O mesmo vale para a professora Maria Cecília de Figueiredo Toledo, aposentada da Faculdade de Engenharia de Alimentos da Unicamp. Em outubro de 2014, ela deu palestra a blogueiros no Rio de Janeiro. Um encontro desse tipo tem resultado garantido para a corporação, já que vários deles saem reproduzindo as informações divulgadas pelos especialistas convocados. É uma aposta nos microinfluenciadores digitais, cenário que se abriu e consolidou nos últimos anos. “A marca mostra que sim, é possível beber o refrigerante com moderação, desde que você faça sua parte e corra atrás para manter sua saúde”, resumiu um dos blogueiros presentes.

Na ocasião, Maria Cecília gravou um bate-papo com uma das comunicadoras para divulgar uma espécie de resumo do que havia sido a palestra. “A partir de 12 semanas a criança pode consumir adoçante. E realmente é uma questão de cultura, de hábito alimentar. A uma criança obesa pode ser recomendado que consuma.”

A indústria de refrigerantes faz um esforço constante por conter danos relacionados à divulgação de informações sobre adoçantes. No começo de 2017, o ILSI realizou um encontro no qual Maria Cecília adotou o tradicional tom assertivo contra a ideia de que esses aditivos provocam danos à saúde. Na ocasião, ela falou que é preciso levantar dados sobre consumo entre crianças e que o ILSI estaria disposto a financiar esse estudo. “Se vocês souberem quem possa fazer essa pesquisa…”

Fonte: O joio e o trigo
Por: João Peres
Textos correlatos:
As recomendações da indústria de alimentos não visam somente a saúde do paciente
Indústria de alimentos esconde que alimentos ultra processados são prejudiciais a saúde
Como e quem incentiva a epidemia de obesidade
“As maracutaias da indústria do açúcar”
A saúde e as propagandas enganosas.
Imagens de alimentos ultraprocessados

Os EUA é uma anomalia: recorde de mortos para proteger o lucro da Associação Nacional do Rifle

A avalanche de mortes por violência armada faz dos Estados Unidos uma anomalia no mundo desenvolvido. Não há um número exato de quantas armas de fogo estão nas mãos de civis no país, mas a estimativa é de que existam cerca de nove armas para cada 10 cidadãos. É a maior proporção do planeta.

anomalia1

   A epidemia de tiroteios faz dos EUA uma anomalia no mundo desenvolvido
O tiroteio em uma escola de ensino médio em Parkland, na Flórida, que matou pelo menos 17 pessoas, é o exemplo mais recente de uma série de números horripilantes. As estatísticas são um duro golpe de realismo por trás da epidemia de violência armada que sacode os Estados Unidos sem trégua.

Desde o começo de 2018, 1.816 pessoas morreram nos EUA devido à violência armada, de acordo com os dados mais recentes da organização Gun Violence Archive. Isso equivale a uma média de 40 mortes por dia.

Em apenas seis semanas, 3.125 pessoas foram feridas por tiros. Houve 30 tiroteios em massa, que recebem essa classificação quando há pelo menos quatro mortos. A organização não inclui pessoas mortas por suicídio em suas estatísticas. Dentro desses parâmetros, a entidade estima que 15.590 pessoas morreram por armas de fogo em 2017 no território da maior potência mundial. No Brasil, um dos países mais violentos do mundo, 44.861 pessoas morreram vítimas de armas de fogo em 2014, últimos dados disponíveis, ou 123 por dia.

anomalia2

A avalanche de mortes por violência armada faz dos Estados Unidos uma anomalia no mundo desenvolvido. Não há um número exato de quantas armas de fogo estão nas mãos de civis no país, mas a estimativa é de que existam cerca de nove armas para cada 10 cidadãos. É a maior proporção do planeta. Segundo cálculos do Serviço de Pesquisa do Congresso, com base em um estudo de 2012, havia cerca de 310 milhões de armas em 2009. O país tem 321 milhões de habitantes.

A Constituição norte-americana ampara o uso das armas de fogo, que muitos consideram parte do DNA nacional. Seus defensores receiam qualquer mudança que dificulte sua comercialização, num sentimento que combina o medo do intervencionismo governamental e a crença de que as armas são necessárias para a defesa pessoal. O presidente Donald Trump e os republicanos apoiam essa posição. Cada matança acentua a discrepância em relação ao grupo que opina o contrário: que para conter a epidemia de violência é preciso limitar o acesso a pistolas e rifles.

O ritual se repete após cada massacre dos últimos anos. Inicialmente, impulsionado sobretudo por políticos democratas e organizações sociais, reabre-se o debate sobre um maior controle das armas de fogo. Mas rapidamente o debate perde força por causa da falta de consenso entre os legisladores, pois existe uma forte rejeição ao controle por parte de muitos políticos conservadores e do poderoso lobby da Associação Nacional do Rifle (NRA, na sigla em inglês).

A última mudança legal significativa em nível nacional foi em 2007, quando se ampliou a proibição da venda a pessoas com transtornos mentais e a delinquentes. As maiores restrições dos últimos anos foram impostas individualmente por alguns Estados.

Em um primeiro momento, a morte de 20 crianças e seis adultos numa escola de Connecticut, em 2012, parecia ser um ponto de inflexão. O então presidente Barack Obama, do Partido Democrata, propôs ampliar o controle de antecedentes policiais, proibir os rifles de assalto e limitar o volume de munição que podia ser vendida a cada pessoa. Mas não obteve os votos suficientes no Congresso.

Também a morte de 49 pessoas numa discoteca de Orlando, em 2016 – até então o pior massacre armado nos EUA – serviu para mudar o panorama. Naquela ocasião, quem empunhava um rifle semiautomático era um simpatizante jihadista. Ressurgiu o debate sobre a proibição da venda desses fuzis, que havia sido revogada em 2004, mas, superada a comoção, o impulso reformista se atenuou.

E tampouco a morte de 58 pessoas em outubro passado em Las Vegas, na pior chacina da história do país, alterou suficientemente as consciências dos legisladores nacionais. Um homem abriu fogo da janela de seu hotel contra o público de um festival de música country. Tinha 20 armas e modificara algumas delas para que os rifles semiautomáticos disparassem com a potência de um automático. Nos dias posteriores à matança, a cúpula republicana do Congresso e inclusive a NRA apoiaram que fosse dificultada a venda do artefato utilizado para modificar os rifles, mas o debate perdeu fôlego desde então.

Fonte: El País Br
Por: Joan Faus
Textos correlatos:
Apesar das pesquisas sobre os atentados Trump não quer alterar sua relação com a indústria de armas
Psiquiatras continuam debatendo a saúde mental de Trump
Saúde mental dos políticos e juízes em avaliação
Os Estados Unidos tem uma longa história de simpatia pelos nazistas
Psiquiatras deveriam avaliar a Saúde Mental do Presidente da República antes da posse?
Saúde Mental e discriminação no debate político

Facebook Kids: agora, em busca das crianças apesar dos riscos

A Academia Americana de Pediatria publicou recomendações definindo limites no tempo de utilização de equipamentos eletrônicos por crianças, observando que “os problemas começam quando o uso dessas mídias substitui a atividade física, a exploração prática e a interação social face-a-face no mundo real, elementos cruciais para a aprendizagem” (AAP, 2016).

What started out as web surfing for one teen descended into online obsession and isolation.
O que começou como navegação na web para um adolescente, derivou para obsessão e isolamento on-line.

Facebook Kids: agora, em busca das crianças
Maior rede social do mundo quer penetrar no universo infantil, a partir dos 6 anos. Por que isso implica riscos comportamentais, políticos e neuronais

Nos últimos meses, as empresas de redes sociais têm passado por escrutínios cada vez mais rigorosos por parte dos críticos de mídia, grupos de vigilância e comitês do Congresso dos Estados Unidos.

A maioria das críticas gira em torno de como Facebook e Twitter facilitaram a propagação de mensagens sediciosas criadas por agentes russos durante as eleições presidenciais dos EUA em 2016, com o intuito ostensivo de polarizar os eleitores americanos. Anúncios de autoatendimento, “bolhas de filtro” e outros aspectos das redes sociais tornaram a manipulação das massas fácil e eficiente.

No entanto, algumas pessoas estão manifestando preocupações mais profundas quanto aos efeitos sociais, psicológicos, cognitivos e emocionais dessas plataformas, particularmente quando impactam as crianças.

O Facebook, por exemplo, sofreu um ataque de um grupo improvável de críticos: alguns de seus próprios ex-diretores. Seus comentários coincidem com o lançamento do “Messenger Kids”, o mais recente produto da empresa. Segundo comunicados, seu público-alvo são crianças de 6 a 12 anos (o Facebook não permite que menores de 13 anos criem contas, assim como a maioria dos aplicativos de redes sociais).

Embora o CEO do Facebook, Mark Zuckerberg, tenha se comprometido recentemente a “consertar” a plataforma em 2018, o “Messenger Kids” revela uma agenda diferente: ir pra cima de uma nova geração de usuários, habituá-los à vida virtual, aumentar a participação no mercado e desenvolver fidelidade às marcas em um ambiente mercadológico altamente competitivo. O primeiro presidente do Facebook, Sean Parker, reconheceu no fim do ano passado que seus criadores o projetaram intencionalmente para consumir o máximo possível de tempo e atenção de seus usuários. Segundo Parker, os “likes” e as postagens servem como “um círculo vicioso de validação”, explorando a necessidade psicológica de aceitação social. “Só Deus sabe o que isso está fazendo com os cérebros das nossas crianças”, disse (em citação de Allen, 2017).

Por que os arquitetos do Facebook, Google Plus, Twitter e demais redes sociais recorreriam a essas técnicas? O modelo de negócios do Facebook se baseia na receita gerada pelos anúncios. Um dos primeiros investidores do Facebook, Roger McNamee (2018), escreveu recentemente:

Os smartphones mudaram completamente a dinâmica da publicidade. Em poucos anos, bilhões de pessoas passaram a contar com um sistema de geração de conteúdo para os mais variados fins, facilmente acessível 16 ou mais horas por dia. Isso transformou a mídia em uma batalha para captar a atenção do usuário o máximo possível… Por que pagar a um jornal com a esperança de chamar a atenção de uma determinada parcela de seu público-leitor se você pode pagar ao Facebook para alcançar exatamente o perfil de pessoas que deseja?

Sean Parker e Roger Mcnamee não são os únicos. O investidor e ex-vice-presidente do Facebook, Chamath Palihapitiya, admitiu, no mês passado, que se arrepende de ter ajudado a empresa a expandir seu alcance global (o Facebook tem mais de dois bilhões de usuários em todo o mundo e continua crescendo).

Criamos ferramentas que estão esfarrapando o tecido social, do funcionamento da sociedade… você está sendo programado”, disse Palihapitiya ao público na Stanford Graduate School of Business. “Nada de discurso cidadão, de cooperação; é desinformação, inverdade. E não é um problema dos Estados Unidos somente – não são as propagandas russas. É um problema global… Atores prejudiciais agora podem manipular grupos inteiros de pessoas para que façam qualquer coisa que você quiser. É realmente uma situação muito, muito ruim – (Palihapitiya, 2017).

Outro ex-diretor do Facebook, Antonio García-Martínez, veio a público no meio do ano passado com suas críticas às técnicas da empresa:

Se usar de forma muito inteligente, com diversas iterações de aprendizagem automática e tentativa e erro sistemáticas, um marqueteiro sagaz pode encontrar a combinação exata de idade, posição geográfica, hora do dia e preferências musicais e de cinema que determinam o vencedor demográfico de um público. A “taxa de cliques”- para usar o jargão do marketing – não mente… O Facebook tem e oferece segmentação “psicométrica”, cuja meta é definir a parcela do público que é particularmente suscetível à mensagem de um anunciante específico… Às vezes os dados se comportam de maneira antiética… A plataforma nunca tentará limitar esse uso de seus dados, a não ser que os protestos dos usuários atinjam um nível de intensidade impossível de ser silenciado. (García-Martínez, 2017).

Essas declarações são alarmantes, porém não são novidade.

Há anos os cientistas sociais alertam sobre como a tecnologia pode desencadear vícios comportamentais. A antropóloga do MIT Natasha Schüll, que conduziu uma pesquisa nos cassinos de Las Vegas por um período de mais de 20 anos, observou que os caça-níqueis puxam alguns apostadores para uma “zona automática” desorientadora (a pesquisa de Schüll se baseia no trabalho pioneiro da antropóloga Laura Nader, da UC Berkeley, que desenvolveu o conceito “processos de controle” – como indivíduos e grupos são persuadidos a participarem de sua própria dominação). Após entrevistar fabricantes de caça-níqueis, arquitetos de cassinos e apostadores inveterados, entre outros, Schüll conclui, em seu livro Addiction by Design, que a atração magnética dos caça-níqueis se deve, em parte, a suas características profundamente interativas. Especialistas da indústria dos jogos de azar falam abertamente de maximizar o “tempo no dispositivo”. Conforme dito por um consultor a Schüll, “o segredo é a duração do jogo. Quero te manter lá o tempo que for humanamente possível – esse é o truque, é isso que te faz perder” (Schüll, 2012: 58; ver também Nader, 1997).

O professor de negócios da New York University, Adam Alter, autor de Irresistible: The Rise of Addictive Technology and the Business of Getting Us Hooked (2017), argumenta que o botão “gostei” (like) do Facebook tem um efeito comparável. Cada postagem, foto ou atualização do status é uma aposta que pode resultar em perda total (nenhum “gostei”) ou no grande prêmio (viralizar). Os “retweets” do Twitter, os corações do Instagram e as visualizações do YouTube funcionam da mesma maneira (vale mencionar que o YouTube, da Google, e a Amazon também estão fazendo esforços agressivos para açambarcar o mercado juvenil).

No mês passado, apenas três semanas antes do Natal, o Facebook divulgou um comunicado anunciando a chegada do “Messenger Kids”. De acordo com a empresa, o aplicativo foi desenvolvido com a consultoria de pais de família e “especialistas em cuidados parentais” para que fosse seguro para crianças. A plataforma também prometeu limitar a coleta de dados das crianças e não usar o aplicativo para anúncios.

Tais promessas não são sinceras. É óbvio que o “Messenger Kids” é parte de uma estratégia de longo prazo, pensada para viciar as crianças em hábitos de networking social (“likes”, mensagens de texto, bolhas de filtro) o mais cedo possível. Em outras palavras, a ideia é aumentar os níveis de dopamina das crianças nos anos formativos – de modo que picos frequentes desse neurotransmissor se tornem uma parte normal de suas vidas. Uma vez que isso aconteça, será ainda mais fácil para as futuras empresas de redes sociais (que são fundamentalmente agências de publicidade) alimentarem o vício comportamental de bilhões com propaganda personalizada.

Em 2016, a Academia Americana de Pediatria publicou recomendações definindo limites no tempo de utilização de equipamentos eletrônicos por crianças, observando que “os problemas começam quando o uso dessas mídias substitui a atividade física, a exploração prática e a interação social face-a-face no mundo real, elementos cruciais para a aprendizagem” (AAP, 2016).

O “Messenger Kids” pode mergulhar ainda mais as crianças no mundo virtual. Talvez o Admirável mundo novo de Aldous Huxley tenha chegado – pois, como o presciente crítico de mídia Neil Postman escreveu,

na visão de Huxley, não é necessário nenhum Big Brother para privar as pessoas de sua autonomia, maturidade e história. Conforme ele percebeu, as pessoas chegarão a amar sua opressão, a adorar as tecnologias que anulam sua capacidade de pensar… Como ressaltou no Regresso ao admirável mundo novo, os libertários civis e os racionalistas que estão sempre alertas para se opor à tirania “não foram capazes de levar em conta o apetite quase infinito do homem pelas distrações” (Postman, 1985: vii).
No mês passado, Chamath Palihapitiya disse à CNBC que seus filhos de 5 e 9 anos estão proibidos de usar equipamentos eletrônicos, mesmo que peçam constantemente. Bill Gates, Jonathan Ive (designer do iPad), o falecido Steve Jobs e muitas outras figuras bem conhecidas da indústria da tecnologia também impuseram limites estritos ao uso dessas mídias por seus filhos. Eles entendem claramente os efeitos colaterais cognitivos, psicológicos e emocionais dos aparelhos que ajudaram a criar. Se esses célebres personagens tomaram medidas drásticas para proteger seus filhos do lado negro da vida virtual, talvez mais de nós devêssemos seguir seu exemplo.

Para além do imediatismo dos nossos hábitos e práticas individuais e familiares, assoma-se um problema social maior: a possibilidade de um futuro em que as instituições autoritárias tenham a enorme capacidade de moldar as ideias, atitudes e comportamentos de públicos aprisionados por suas próprias compulsões.

Referências

AAP (2016). “American Academy of Pediatrics Announces New Recommendations for Children’s Media Use.” 21 de outubro.

Allen, Mike (2017). “Sean Parker Unloads on Facebook.” Axios.com, 9 de novembro.

Alter, Adam (2017). Irresistible: The Rise of Addictive Technology and the Business of Getting Us Hooked. Nova York: Penguin Books.

García-Martínez, Antonio (2017). “I’m an Ex-Facebook Exec: Don’t Believe What They Tell You Maabout Ads.” The Guardian, 2 de maio.

McNamee, Roger (2018). “How to Fix Facebook–Before It Fixes Us.” Washington Monthly, janeiro.

Nader, Laura (1997). “Controlling Processes: Tracing the Dynamic Components of Power.” Current Anthropology 38(5): 711-738.

Palihapitiya, Chamath (2017). “Money as an Instrument of Change.” Palestra apresentada na Stanford Graduate School of Business, 13 de novembro.

Postman, Neil (1985). Amusing Ourselves to Death: Public Discourse in the Age of Show Business. Nova York: Penguin Books.

Schüll, Natasha (2012). Addiction by Design: Machine Gambling in Las Vegas. Princeton, NJ: Princeton University Press.
Fonte: Outras Palavras
Por: Roberto Gonzales, Professor de antropologia na San José State University. Autor de Zapotec Science, American Counterinsurgency e Miltarizing Culture                                                                                                                         Textos correlatos:
Publicidades mais discriminadoras de 2017 “ganham prêmios”
A psicologia atribui à educação fútil e consumista a hipersexualização das meninas
YouTube discrimina homossexuais
“Mídia e publicidade influenciam nos transtornos mentais”
Os mamilos e as Discriminações
A psicopatologia e o WhatsApp.
Os racistas e o You Tube

As recomendações da indústria de alimentos não visam somente a saúde do paciente

“É evidente, o comprometimento de associações e profissionais de saúde com a indústria de alimentos, que “aplica o dinheiro” para que pessoas criteriosamente escolhidas estejam presentes para discutir os produtos, que trazem retorno financeiro ao “investimento”, e não à saúde”.

actimel-768x768

Uma embalagem de Actimel, um dos “queridinhos” do momento para muitos profissionais de saúde, tem 11, 5 gramas de açúcar, incluída a lactose, o que equivale a 2,85 torrões Foto: sinAzucar.org

                 A indústria alimentar engrossa a fila da saúde

Você já viu ou escutou falar do propagandista médico dos grandes laboratórios farmacêuticos? Saiba que as corporações de alimentos também têm um verdadeiro exército de propaganda, disfarçada ou não, na área da saúde

Você está lá, aguardando o atendimento do profissional de saúde com quem marcou consulta há tempos. Sala de espera. Quarenta, cinquenta, sessenta minutos de atraso. Impaciência. Várias olhadas no celular. Talvez, a leitura de um livro. Café. Qualquer coisa para fazer o tempo passar. O paciente que o antecedia na numeração da senha sai do consultório. Alívio: “É a minha vez”. Porém, o seu nome não é chamado. Tudo porque o médico acena ao portador de uma grande maleta cheia de caixas de remédios. É o propagandista da indústria farmacêutica, a pessoa que vai oferecer amostras grátis de medicamentos a quem já deveria ter lhe atendido bem antes. Respire fundo, vem mais chá de cadeira e não é improvável que o “doutor”, quando finalmente lhe abrir a porta, receite uma das marcas que acaba de receber como sugestão. Não faltam casos assim mundo afora. O que poucos de nós sabemos é que a indústria da alimentação adota prática semelhante. “À medida que os laboratórios farmacêuticos visitam os consultórios médicos para apresentar remédios, a indústria alimentar tem também uma agenda de apresentação de produtos”, ressalta o espanhol Juan Revenga, consultor em nutrição, que coloca a Danone como destaque entre as corporações que assim agem. “Essa empresa tem visitas no portfólio de atividades e isso está acontecendo até na saúde pública da Espanha”, afirma.

Revenga é professor da Universidade de San Jorge, na província de Saragoça, blogueiro, e autor dos livros Con las manos en la mesa (Com as mãos sobre a mesa, ainda sem edição em português) e Adelgázame, miénteme (Emagreça-me, minta-me, também sem edição em português), no qual relatou casos de médicos que recomendam o uso de certos produtos lácteos fermentados, como o Actimel, que leva um “fermento específico, exclusivo da Danone” e que serviria para regular a flora intestinal, além de “melhorar a imunidade a doenças”. Segundo ele, as recomendações não são embasadas cientificamente na maioria das vezes e a motivação não é a saúde do paciente, mas a manutenção das relações nebulosas entre profissionais e grandes corporações de alimentos.

“Esses tipos de práticas são desagradáveis para mim e fazem parte de todas as sociedades médicas e científicas que não declaram conflito de interesse”, diz o nutricionista. Ele acredita que as megaempresas do setor buscam se apresentar como saudáveis para obter o endosso de médicos e sociedades de saúde. Em troca, além de amostras de remédios, as transnacionais oferecem viagens, patrocínios a eventos científicos e financiamento de pesquisas.

Uma embalagem de Actimel, um dos “queridinhos” do momento para muitos profissionais de saúde, tem 11, 5 gramas de açúcar, incluída a lactose, o que equivale a 2,85 torrões

Não são poucos os casos em território espanhol de congressos ou fóruns nutricionais patrocinados por grandes marcas de alimentos. Um dos mais emblemáticos dos últimos tempos ocorreu no 36º C0ngresso da Sociedad Española de Medicina Familiar y Comunitaria (Semfyc), realizado na cidade de Corunha, em maio de 2016. Nele, um dos destaques foi o “IV Fórum de Educação em Saúde sobre Nutrição, Alimentação e Exercício Físico em Atenção Primária”, patrocinado por empresas como Danone e Herbalife Nutrition.

Médico de família em Madri e ex-vice-presidente da Sociedad Madrileña de Medicina de Familia y Comunitaria (Somamfyc), Vicente Baos concorda com muitos aspectos apresentados por Revenga. “Esses patrocínios são uma publicidade secreta, que as marcas patrocinadoras usam para apresentar opiniões a toda a comunidade profissional. São meras plataformas de propaganda. Não há nada para discutir cientificamente com uma empresa de salsicha, por exemplo”, argumenta.

Enquanto Baos e Revenga denunciam os conflitos de interesses existentes – mas não declarados – quando as entidades aceitam dinheiro das corporações e se comprometem a endossar determinados produtos financiadas por marcas de alimentos, há quem vá na contramão dessa linha crítica. Carmen Gómez Candela, médica com 25 anos de atuação como chefe da Unidade de Nutrição e Dietética Clínica do Hospital Universitário de La Paz, em Madri, justifica o apoio da indústria. “O fato é que as convenções científicas não são organizadas por empresas de alimentos; eles só contribuem com o capital para que possam ser realizadas, como acontece com as empresas farmacêuticas. Não há diferença em termos de conceito “, assegura.

A médica afirma que esse tipo de “parceria” permitiu que conhecesse de perto a evolução da indústria e serviu para esclarecê-la de que o açúcar pode ser defendido cientificamente, “na medida apropriada”. Também membro do comitê científico do Instituto de Estudos de Açúcar e Beterraba da Espanha, Carmen enfatiza: “Em quantidades moderadas, o açúcar faz parte de uma dieta saudável. Não pode ser demonizado.”

Ela deixa claro não apreciar “mensagens alarmistas” que “são lançadas por nutricionistas recém-chegados que adotam posições desse estilo”. Carmen Gómez refere-se aos profissionais que criticam a entrada da indústria alimentar no financiamento de congressos científicos, como já acontecia com a indústria farmacêutica. “Está muito na moda demonizar a comida. Todo mundo tem algo bom ou algo negativo. A chave é consumir em uma proporção correta”, destaca, claramente falando em favor da tese do balanço energético, que permite “comer de tudo na medida certa” desde que as calorias absorvidas sejam “queimadas” com o gasto calórico (atividade física) e é objeto de muitos debates, inclusive considerada “ultrapassada” e até um “mito de marketing” por pesquisadores que a veem apenas como uma maneira de a indústria alimentar, com o auxílio de alguns grupos científicos patrocinados, culpar exclusivamente o cidadão pela obesidade.

Os argumentos de Carmen não convencem Juan Revenga. Para ele, é evidente, o comprometimento de associações e profissionais de saúde com a indústria, que “aplica o dinheiro” para que pessoas criteriosamente escolhidas estejam presentes para discutir os produtos, que trazem retorno financeiro ao “investimento”, e não à saúde.

Uma prática que, na avaliação de Vicente Baos, se espalha porque as transnacionais farmacêuticas já não investem tanto dinheiro nos evento, o que motiva a procura de outros patrocinadores que tenham interesses comerciais na área da saúde. “Em outras palavras, misturar nutrição e saúde, para essas empresas, é uma pechincha”, ressalta.

Questionado sobre a viabilidade de modelos para a realização eventos de sociedades científicas livres de patrocínios da indústria, Baos não vacila. “Sim, existem. O pagamento de taxas proporcional aos rendimentos de cada inscrito e proporcional aos objetivos. Isso é educação fundamentalmente continuada. Não precisa ser cara (a inscrição) ou fazer megaeventos com milhares de pessoas, grandes mesas de café da manhã, almoço, jantar de gala, etc. Esse modelo está desatualizado. Com uma taxa razoável, você poderia fazer mais webinários , mais mini-eventos, mais reuniões locais e menos festas com decorações, danças e bandas”, conclui.

Para olhar com atenção

Fotos de objetos inanimados chamam a atenção nas redes sociais espanholas, porque a mensagem é clara. O sinAzucar.org, criado e liderado pelo fotógrafo Antonio Rodrigues Estrada, formado também em Nutrição Esportiva, busca revelar o “açúcar oculto” nos alimentos ultraprocessados. A escolha dos itens registrados pelas câmeras é fundamentada por um conselho de profissionais de saúde. Somente depois disso é que os produtos são fotografados, juntamente com a quantidade de açúcar contida em camadas, exibida na forma de torrões. “Usamos a mesma linguagem visual que a indústria usa para vender os produtos. Fotografia limpa, iluminação cuidadosa, retoque atraente, impacto visual, etc”, explica Estrada.

O resultado disso, além do site, é a grande participação em eventos sobre nutrição e principalmente a mobilização que o sinAzucar tem conseguido, tanto física – em encontros, debates e palestras – como virtualmente. Acompanhando a considerável audiência do site vêm os 214 mil seguidores no Facebook e os 131 mil no Instagram.

Em 28 de dezembro passado, a iniciativa divulgou uma tabela que inclui centenas de entidades de saúde e nutrição da Espanha que receberam apoio financeiro da Coca-Cola entre 2010 e 2017, num total de 14 milhões de euros repassados pela transnacional às organizações.

Fonte: O Joio e o Trigo
Por: Moriti Neto
Textos correlatos:
Imagens de alimentos ultraprocessados
Indústria de alimentos esconde que alimentos ultra processados são prejudiciais a saúde
Como e quem incentiva a epidemia de obesidade
“As maracutaias da indústria do açúcar”
Como prevenir 40% dos cânceres
A saúde e as propagandas enganosas.
Propaganda enganosa na saúde.

Psiquiatras continuam debatendo a saúde mental de Trump

              Por qué se está cuestionando la salud mental de Donald Trump

¿Es Donald Trump mentalmente apto para su cargo?
Sin embargo, algunos han sugerido que Trump puede tener síntomas que apuntarían al Trastorno Narcisista de la Personalidad (TNP).

Las personas con esta afección a menudo muestran algunas de las siguientes características, de acuerdo con el medio especializado Psychology Today:

Grandiosidad, que es la falta de empatía por otras personas y una necesidad de admiración
Creen que son superiores o que merecen un trato especial.
Buscan la admiración y la atención de forma excesiva, y tienen conflictos para manejar la crítica o la derrota

psi 1

Es una discusión que los adversarios del presidente de Estados Unidos han tenido desde hace tiempo: ¿es Donald Trump mentalmente apto para su cargo?

El tema ha resurgido en en los últimos días en algunos medios de comunicación como el Washington Post o la cadena CNN, tras la publicación del polémico libro del periodista Michael Wolff, en el que relata el ascenso de Trump a la presidencia con entrevistas a personas cercanas al mandatario.

Incluso este viernes, el secretario de Estado de EE.UU., Rex Tillerson, se pronunció sobre el tema, asegurando que él “nunca se cuestionó” la salud mental del presidente, pese a que Wolff dice en su libro que en la Casa Blanca consideran a Trump un “niño”.

La idiosincrasia del presidente, su fuerte personalidad y su forma de hablar, diferentes a la de la élite de Washington, han sacudido la política estadounidense en el último año.

Pero esa personalidad y carácter también han contribuido a que se forme una atmósfera en la que sus críticos han ido más y más lejos, hasta cuestionar si Trump es apto para el cargo.

Algunos incluso han llegado a poner en duda su salud mental.

¿Qué se dice actualmente?

psi 02El libro de Michael Wolff creó gran controversia en Estados Unidos. EFE

La oleada actual de especulaciones se ha reavivado tras la publicación del libro “Fuego y Furia”, en el que el periodista Michael Wolff escribe que, durante el tiempo que pasó en la Casa Blanca para preparar su ensayo, conoció a gente alrededor de Trump que notaba que “sus facultades mentales patinaban”.

Durante la promoción de su libro, Wolff aseguró que Trump, de 71 años, repite frases para sí mismo a menudo.

La repetición puede ser causada por la mala memoria a corto plazo, así como por otros factores.

Puede ser un signo de demencia, que afecta hasta 8% de las personas mayores de 60 años en todo el mundo, según la Organización Mundial de la Salud.

“Todo el mundo era muy consciente del creciente ritmo de sus repeticiones”, escribe Wolff.

“Antes solía tener un periodo de 30 minutos en el que repetía, palabra por palabra y expresión por expresión, las mismas tres frases. Pero ahora ocurre en periodos de menos de 10 minutos”.

Wolff no dio ningún otro contexto sobre esas presuntas repeticiones.

Trump ha desdeñado el libro, que calificó de “errado” y “lleno de mentiras”, además de rechazar que él le haya dado alguna vez acceso a la Casa Blanca a Wolff.

          I authorized Zero access to White House (actually turned him down many times) for author of phony book! I never spoke to him for book. Full of lies, misrepresentations and sources that don’t exist. Look at this guy’s past and watch what happens to him and Sloppy Steve!

           — Donald J. Trump (@realDonaldTrump) 1:52 – 5 ene. 2018
Los críticos del libro también han cuestionado sus fuentes, ponen en duda que Wolff haya sido testigo de los hechos que describe y consideran como “chismes” algunas de las informaciones que contiene.

¿Qué se ha dicho antes?

Algunos psicólogos han especulado previamente acerca de los síntomas que veían en el comportamiento de Trump.

Varios libros fueron publicados sobre el tema unos meses después de la toma de posesión de Trump, como “El peligroso caso de Donald Trump”, de Bandy X. Lee; “El crepúsculo de la Cordura Estadounidense”, de Allen Frances, o “Fantasilandia”, de Kurt Andersen.

El doctor Lee, quien es profesor de psiquiatría en la Universidad de Yale, dijo a un grupo de senadores demócratas el mes pasado que Trump “iba a desmoronarse y ya estamos viendo señales“.

Pero vale la pena recordar que ninguna de estas personas ha tratado como paciente a Trump, ni tienen información de primera mano sobre su estado mental.

Cualquier profesional que lo hubiera tratado y quisiera hablar al respecto iría contra las normas de ética, así como en contra de leyes federales que protegen a los pacientes.

¿Por qué es importante?

En teoría estaría en juego el trabajo que tiene Trump.

En virtud de la enmienda 25 de la Constitución de Estados Unidos, si se considera que el presidente es “incapaz de ejercer los derechos y obligaciones de su cargo”, el vicepresidente tomaría el puesto.

Su gabinete y el vicepresidente tendrían que poner en marcha un proceso de destitución, por lo que es poco probable que suceda aunque muchas voces lo pidan.

¿Ha habido presidentes con problemas mentales?

Sí, presidentes de Estados Unidos han sufrido de enfermedades mentales, como Abraham Lincoln, cuya depresión clínica le provocó varios episodios negativos.

Más recientemente, Ronald Reagan, quien fue presidente de 1981 a 1989, sufría de desorientación y en ocasiones parecía no estar seguro de dónde se encontraba.

Fue diagnosticado con la enfermedad de Alzheimer 5 años después de dejar el cargo.

Sin embargo, la enmienda 25 nunca se ha utilizado para destituir a un presidente en ejercicio.

¿Qué hay de las evidencias sobre Trump?

Vale la pena reiterarlo: no hay evidencia real de nada mientras que no haya nadie que haya examinado al presidente y hable públicamente.

Sin embargo, algunos han sugerido que Trump puede tener síntomas que apuntarían al Trastorno Narcisista de la Personalidad (TNP).

Las personas con esta afección a menudo muestran algunas de las siguientes características, de acuerdo con el medio especializado Psychology Today:

Grandiosidad, que es la falta de empatía por otras personas y una necesidad de admiración
Creen que son superiores o que merecen un trato especial.
Buscan la admiración y la atención de forma excesiva, y tienen conflictos para manejar la crítica o la derrota
Sin embargo, el hombre que describió los criterios para el TNP, Allen Frances, dijo que no podía decir que Trump tuviera ese trastorno ya que no encontraba muestras de angustia evidente en el presidente.

“Trump provoca angustia grave en lugar de experimentarla y ha sido recompensado con creces, en lugar de ser castigado, por su grandiosidad, ensimismamiento y falta de empatía”, escribió Frances.

El libro de Wolff ha llevado a algunos a preguntarse si Trump podría estar sufriendo de deterioro cognitivo.

La repetición de frases y la manera de hablar de Trump han sido señaladas como pruebas de esto.

Algunos dicen que el presidente está ocultando un deterioro cognitivo dado que han notado momentos en los que Trump parece no tener un control total de sus propios movimientos.

Hubo un caso en diciembre, cuando estaba dando un discurso y levantó un vaso con torpeza, con las dos manos.

Durante otro discurso, arrastró algunas palabras, algo que la Casa Blanca atribuyó a una afección en la garganta, pero algunos dijeron que podría ser un signo de algo más serio.

La próxima semana, el presidente se someterá a su primer examen médico -un examen físico- desde que asumió el cargo.

¿Es un debate justo?

Esa es la cuestión.

Sarah Huckabee Sanders, la portavoz de la Casa Blanca, consideró que esto es “lamentable y ridículo”.

“Si no fuera apto, probablemente no estaría sentado allí, no habría derrotado al grupo más cualificado de candidatos que se haya visto en el Partido Republicano”.

Algunos legisladores republicanos han calificado las preocupaciones sobre la salud del presidente como un ataque partidista.

El doctor Frances ha dicho que este debate es injusto con las personas que sufren de enfermedades mentales: “El mal comportamiento no suele ser un signo de enfermedad mental, además de que los enfermos mentales se comportan mal solo en raras ocasiones”, dijo.

“Es un insulto estigmatizar a los enfermos mentales (que son en su mayoría bien educados y bien comportados) al ser comparados con el señor Trump (que no lo es)”, señaló.

Otros han hecho eco de esto, como el columnista David M. Perry, quien dijo que el debate haría “que la gente con necesidades de atención mental se mantuvieran en silencio”.

Pero los profesionales que han dado su opinión sobre el estado psicológico de Trump dicen que han hablado con el objetivo de advertir a la nación.

Rompiendo la regla Goldwater

Al hablar de este asunto, los profesionales de la salud mental han roto sus propias reglas de ética.

La regla Goldwater prohíbe a los psiquiatras ofrecer un diagnóstico sobre alguien que no han evaluado personalmente.

Se instauró después de que una revista preguntó a miles de expertos en 1964 si el candidato republicano Barry Goldwater era psicológicamente apto para ser presidente.

Él demandó con éxito el editor de la revista por difamación después de que los resultados fueran publicados.

La Asociación Estadounidense de Psicología advirtió durante la campaña pasada que romper la regla al intentar analizar a los candidatos en la elección presidencial era “irresponsable, potencialmente estigmatizante y definitivamente no ético”.

Considerando la regla contra el diagnóstico a distancia, algunos argumentan que debería establecerse un mecanismo para examinar a un mandatario.

“Un presidente podría ser un alucinador activo”, escribe la revista The Atlantic, “que amenace con lanzar un ataque nuclear en base a información de inteligencia obtenida de David Bowie, y la comunidad médica podría quedar relegada a especular en la distancia”.

De hecho, hay un proyecto de ley para que se conforme un comité que pueda evaluar la salud del presidente cuando se requiera. Se llamaría Ley para la Comisión de Supervisión de la Capacidad Presidencial.

A pesar del amplio debate que ha generado el tema de la salud mental del presidente, muchos analistas prefieren no considerar la cuestión.

Carlos Lozada escribe en el Washington Post: “Hay algo demasiado simplista en desestimar sus fechorías como producto de una enfermedad mental; eso lo exonera a él y a nosotros”.

“Si no nos gusta la política de alguien, nos lanzamos en su contra, hacemos campaña en su contra, no utilizamos el sistema psiquiátrico en su contra”, escribe Alan Dershowitz, exprofesor de la Escuela de Derecho de Harvard, pues considera que eso es “simplemente peligroso”.

Cree que las personas que piensan que la Enmienda 25 pondría fin a la presidencia Trump están poniendo “los deseos sobre la realidad”.

Únicamente un “importante brote psicótico” daría lugar a eso.

Fonte: Eldiariony
Textos correlatos:
Psiquiatra diagnostica Trump mentalmente incapaz para exercer a presidência dos EUA
Psiquiatras deveriam avaliar a Saúde Mental do Presidente da República antes da posse?
Apesar das pesquisas sobre os atentados Trump não quer alterar sua relação com a indústria de armas
Saúde mental dos políticos e juízes em avaliação
Narcisismo, homofobia e discriminação na política.
“Comecem pela saúde mental dos políticos”

Médico é denunciado pelo filho por crimes da ditadura

“Há muito tempo eu desconfiava que meu pai tinha cometido crimes na ditadura militar. Nas conversas em casa, ele demonstrava conhecer detalhes demais dos crimes cometidos naquele período horrível. Mas quando eu perguntava por que ele sabia tanto, respondia que eram as enfermeiras que lhe contavam.”

MA 1Verna integra grupo que reúne 25 filhos de ex-repressores da ditadura | Foto: Arquivo pessoal

A luta de argentino para denunciar o próprio pai por crimes da ditadura

O advogado Pablo Verna, de 44 anos, fez um pedido ao Congresso Nacional do seu país, a Argentina: ele quer que a legislação em vigor, que impede familiares de denunciarem e prestarem depoimentos à Justiça contra seus parentes, seja modificada.

Seu objetivo é ter o direito de denunciar e depor contra o pai, que foi médico do Exército durante a ditadura argentina (1976-1983). Ele diz que Julio Alejandro Verna, hoje aos 70 anos, admitiu ter injetado sedativos em vítimas do regime militar antes que elas fossem lançadas dos chamados “voos da morte”, que arremessavam os prisioneiros ainda vivos em rios ou no mar.

O pai dele está livre. Questionado certa vez por uma repórter, o médico negou ter sedado desaparecidos políticos para esse fim. “Não, senhora. De onde tiraram isso?”

Pablo Verna integra o Histórias Desobedientes, grupo que reúne 25 filhos de ex-repressores da ditadura argentina. Leia seu depoimento à BBC Brasil:

“Há muito tempo eu desconfiava que meu pai tinha cometido crimes na ditadura militar. Nas conversas em casa, ele demonstrava conhecer detalhes demais dos crimes cometidos naquele período horrível. Mas quando eu perguntava por que ele sabia tanto, respondia que eram as enfermeiras que lhe contavam.

Meu pai era médico do Exército argentino. E com o passar dos anos, baseado no que ele mesmo me dizia, passei a questioná-lo com tom mais critico, e de acusação.

Nossa relação foi ficando cada vez mais tensa. Duas conversas foram aos gritos. Em 2009, eu já tinha certeza de que ele tinha participado dos crimes. Mas não sabia como. Não tinha os fatos concretos. Além disso, como filho, acho que queria manter a dúvida diante de algo tão pavoroso.

Então, em meados de 2013, em mais uma conversa tensa, ele admitiu que tinha cometido os crimes. Não lembro as palavras exatas que usei para que admitisse isso. Mas naquele encontro lembrei o que meu pai tinha contado a um familiar e as respostas anteriores que tinha me dado cada vez que abordei o assunto. Foi impossível para ele negar o que tinha feito. E até que me disse: ‘foi isso mesmo’.

Como médico, meu pai participava dos crimes da ditadura injetando sedativos nas pessoas que seriam jogadas vivas ao rio ou ao mar. Eram anestesias que as deixavam imediatamente paralisadas, mas respirando. E quando elas estavam assim, as jogavam dos ‘voos da morte’, como ficaram conhecidos.

Meu pai cometeu outros crimes. Ele também participava dos sequestros dos opositores, dos militantes sociais e políticos. Foram 30 mil desaparecidos no nosso país. A ditadura genocida sequestrava e fazia essas pessoas desaparecerem.

MA 2Mães da Praça de Maio foram a primeira organização civil que denunciou o desaparecimento de jovens durante o regime militar na Argentina | Foto: Daniel Garcia

Depois daquela conversa em meados de 2013, ele disse a um familiar que não estava arrependido. E ainda acrescentou que tinha participado de um caso específico que teve muita repercussão aqui na Argentina.

Em 1979, quatro pessoas foram sequestradas e também receberam as injeções de anestesia. Elas foram jogadas em um riacho, uma simulação de um acidente de carro em uma ponte. As quatro morreram.

Como médico militar, meu pai estava sempre armado. Isso até passar para a reserva, em 1983, com o retorno da democracia no país. E além desses crimes genocidas, certa vez ele apareceu em casa com uma maleta de primeiros-socorros de médico que não era dele. Que era de uma das vítimas da ditadura. Eu perguntei porque estava com duas maletas, e me respondeu que tinha sido um presente. Que uma das maletas tinha sido de um subversivo.

Na minha casa, as palavras que ele usava eram chamativas, como ‘subversivo’. Eram palavras de um genocida. Era um discurso ideológico para eliminar os que eram opositores ao regime militar. Uma vez, disse que os opositores eram mortos porque, quando eram presos e soltos, ficavam ainda piores.

A nossa relação foi rompida naquela conversa em meados de 2013, quando meu pai admitiu os crimes. Mas no dia seguinte ele me ligou para saber se eu tinha contado para minha mulher. Depois disso, ficamos sem nos falar até pouco tempo – dias atrás, ele me telefonou para, ao meu ver, fazer ameaças. Também faz isso por meio de conversas com parentes, cujos relatos chegam até mim.

Eu me afastei de muitos familiares. Primeiro, para evitar encontrá-lo, e ainda porque uma parte da minha família se recusa a saber, nega o que ocorreu. Acha que isso é um problema entre duas pessoas – no caso meu pai e eu. Mas isso não é um simples problema entre duas pessoas, é entre ele e a humanidade, na qual eles, os familiares, estão incluídos.

MA 3Pai de Pablo Verna (foto) admitiu, segundo ele, ter injetado sedativos nas vítimas da ditadura | Foto: Arquivo pessoal

Hoje meu pai está livre, mas é investigado porque o denunciei na Secretaria de Direitos Humanos poucos meses depois daquela nossa conversa. Agora o caso dele faz parte de uma imensa apuração, levada adiante pelos defensores das vítimas na que ficou conhecida como ‘megacausa contraofensiva’, pela repressão e extermínio ocorridos no Campo de Mayo nos anos 1970 e 1980. O local foi um centro clandestino de prisão e extermínio horrível no nosso país.

Essa casa deixou poucos sobreviventes e provas. Meu problema hoje, como filho, é que, apesar de ter essas certezas contra meu pai, encontrei barreiras na legislação que me impedem de denunciá-lo penalmente. No Código de Processo Penal da Argentina, existem dois artigos que proíbem que familiares denunciem e deem depoimento, já no processo, contra outros familiares.

Ou seja, não podem ser testemunhas contra outros familiares. Por isso, entramos com esse projeto de lei pedindo que essas proibições não sejam aplicadas para os casos de crimes contra a humanidade. E assim nós, filhos de repressores, poderemos denunciar nossos pais judicialmente, além de prestar depoimento contra eles nos julgamentos.

Nós do coletivo Historias Desobedientes, que somos filhos e filhas de genocidas, vivemos nas nossas casas, com nossos pais, a imposição de um mandato de silêncio, de maneira implícita ou explicita.

Os genocidas fizeram um pacto de silêncio que cumprem até hoje. Eles não revelam o que fizeram e o que os outros militares fizeram. Mas depois de muitos anos, e de conscientização do que aconteceu, e da nossa própria ética, decidimos levar as acusações adiante. Mas aí nos deparamos com esses artigos da legislação argentina.

Apresentamos esse projeto de lei no dia 7 de novembro na mesa de entrada da Câmara dos Deputados. No nosso grupo, alguns já têm os pais mortos, outros condenados e outros, impunes.

No meu caso, espero que meu pai seja investigado. E que ele e os outros genocidas reflitam e tenham alguma dignidade em seus últimos anos de vida. Que deem um pouco de paz a tantos familiares que não sabem qual foi o destino de seus parentes desaparecidos. E paz até para eles, genocidas. Porque eles também devem viver um inferno em suas mentes e corações.
Nós, como coletivo, sabemos que nossa iniciativa, com esse projeto de lei, pode ajudar no contexto das investigações. Coisas que ouvimos nas nossas casas podem aportar no contexto em que os crimes foram cometidos. Inclusive os casos de roubo que as vítimas da ditadura sofreram.

Nossa iniciativa não dará resposta a tudo. Mas pode contribuir para acabar com a impunidade mantida pelos genocidas.”

Fonte: BBC Brasil
Por: Marcia Carmo
Textos correlatos:
Algumas questões que você deveria saber como seu médico pensa
A onipotência, o narcisismo e a perversão na prática médica
A Medicina, provavelmente, não está selecionando as pessoas certas.
Médicos e hospitais corruptos. É possível prevenir?
O lado da imprensa no caso Roger Abdelmassih “o maior predador sexual que a história deste país conheceu”*
O neuropsiquiatra e o ditador

Como e quem incentiva a epidemia de obesidade

Alimentos: o ‘manual’ da indústria para frear a regulação na América Latina

Na Pátria Grande da Obesidade, dividir para dominar é a palavra de ordem. Criar confusão nas evidências científicas, ameaçar com ações internacionais e acionar amigos poderosos são o centro da ofensiva. Se nada funcionar, vai na porrada

como 1

“Una família”, do colombiano Fernando Botero
Um segmento econômico deve acender o sinal amarelo para o risco de sofrer regulação quando alguns fatores se encontram: instituições relevantes defendem a adoção de regras, há uma considerável atenção midiática ao tema e a sociedade está preocupada. O sinal vermelho pisca quando a regulação está consolidada em outros países, há uma intensa pressão pública e os principais atores daquele setor estão cobrando medidas.

É, a chapa esquentou para os fabricantes de alimentos ultraprocessados na América Latina. Como mostramos em O joio e o trigo, alguns países estão à frente de uma agenda política inédita que tenta colocar freio à epidemia de obesidade. Ninguém prega os olhos. O bagulho ficou louco.

As transnacionais sabem que essa é a hora de matar a criança no berço. A chilena, que colocou um sinal de advertência frontal no rótulo de produtos com excesso de calorias, sal, gordura e açúcar. E a mexicana, que criou um imposto sobre bebidas açucaradas. Já falamos sobre como no Congresso Internacional de Nutrição, realizado em outubro em Buenos Aires, a indústria tentou desmerecer as duas iniciativas, tidas como inúteis e confusas.

A seguir, algumas evidências de como a indústria está articulada para fazer abortar as iniciativas que ainda não vieram ao mundo. E quais as contradições nesse discurso.

1. Cerca o frango
“Gostei muito da apresentação do colega do Uruguai, mas a população brasileira é bem diferente”, enfatizou Mariângela Almeida, da Confederação Nacional da Indústria (CNI), durante um seminário organizado em novembro pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para discutir a adoção de um modelo de rotulagem frontal de alimentos.

Talvez nossa alma sambista e boêmia não lide muito bem com os sinais de alerta defendidos pela sociedade civil, tão pesados.

Isolar para derrotar é uma primeira medida da indústria. No Brasil, por enquanto a Anvisa tem aceito a ideia de que as evidências científicas acumuladas em outros países não podem ser transpostas ao cenário local.

2. A República Unida da Obesidade
Isso nos leva ao segundo ponto. Desde a 2ª Guerra Mundial, essas empresas não pouparam esforços para derrubar fronteiras nacionais e criar produtos que pudessem ser vendidos do extremo mais pobre da África ao vilarejo mais rico da Europa.

Para essa função foi criado o Codex Alimentarius, um organismo conjunto da Organização Mundial de Saúde (OMS) e da FAO que “harmoniza” a legislação dos países para que os produtos possam circular com facilidade. É ali que se define, por exemplo, quanto de cada aditivo será permitido em alimentos. Ou como serão as normas nacionais sobre fórmulas infantis. Desde que a Organização Mundial do Comércio (OMC) adotou o Codex como baliza para as transações na área alimentícia, as decisões têm efeito praticamente compulsório.

“O Codex trabalha no sentido de ajudar a indústria a produzir alimentos seguros e no sentido de que o consumidor tenha esses produtos seguros”, diz Felix Reyes, professor da Faculdade de Engenharia de Alimentos da Unicamp que, durante muitos anos, integrou a comitiva brasileira de um dos grupos de trabalho. “Quando o Codex se reúne, todos os países estão representados. Um país pode querer proteger seus interesses políticos no Codex. Pode tentar induzir problemas a um concorrente.”

Ele diz, porém, que, na área científica, não há espaço para a proteção de interesses políticos.

Há muitas divergências. “Um estudo mostrou que mais de 400 dos participantes não governamentais nos comitês do Codex representam a indústria, enquanto apenas 1% representavam organizações de interesse público”, narra o livro Lethal but legal. “Companhias como Nestlé, Hershey, Kraft, General Foods, Coca-Cola e Pepsico, além de grupos como a Associação dos Fabricantes de Alimentos dos EUA e a Associação Nacional dos Processadores de Alimentos, frequentemente têm mais pessoas nessas reuniões que os governos de países pequenos. Em resumo, a indústria e suas entidades de classe são comumente os juízes, os jurados e os especialistas na formulação de decisões sobre acordos comerciais, deixando pouco espaço a considerações sobre saúde.”

Se quiser ler mais a respeito, recomendamos também o artigo Do food regulatory systems protect public health?, que mostra como a saúde foi colocada em segundo plano no Codex.

como 2

3. Insaciáveis
Também não foram poucos os esforços da indústria por criar alimentos hiperpalatáveis que piram o cabeção de gregos e mexicanos, driblando os mecanismos de saciedade de nosso cérebro. Uma farta literatura sobre o assunto pode ser encontrada no livro Sal, açúcar, gordura, do jornalista Michael Moss.

“As próprias empresas de alimentos estão viciadas em sal, açúcar e gordura. A incansável determinação de gerar a maior atratividade pelo menor custo possível as leva, de modo inexorável, a esses três ingredientes”, ele explica.

Os níveis de obesidade na América Latina explodiram em simultâneo, desde a década de 1970 e com maior intensidade no final do século, quando os mercados ricos estavam mais próximos da saturação e o marketing das transnacionais se voltou aos países de média renda. Nesse momento, a região está em algum ponto da transição entre uma alimentação tradicional e uma totalmente industrializada.

Não custa lembrar que, para além dessa semelhança, há uma igualdade absoluta: cem gramas de açúcar são a mesma coisa no Brasil, no México ou na Austrália. E um pacotinho de M&Ms é vendido do mesmo modo na Argentina ou na Itália.

4. Que baixem as fronteiras
Se nada disso funcionar, esqueçam tudo o que falamos sobre as especificidades nacionais. É hora de derrubar as fronteiras e irmanar nossos povos. Sim, o Mercosul serve para essas horas de aperto. Frente à iminência da adoção dos sinais de alerta nos rótulos no Uruguai e ao cenário indefinido no Brasil, a indústria trabalha para levar a discussão para o âmbito do bloco regional.

A enorme quantidade de interesses conflitantes e a falta de acordo dentro dos próprios governos nacionais farão qualquer decisão subir no telhado. A Coca já sinalizou ao Uruguai que acionará a OMC pela interpretação de que a rotulagem frontal violaria os acordos regionais.

5. Amigo é coisa pra se guardar
Nessa hora vale acionar os amigos nos governos. As equipes econômicas e de agronegócio são sempre a porta de entrada na tentativa de frear qualquer iniciativa regulatória. Muitos países da região dependem fortemente desses segmentos e não estão dispostos a pelejas.

Um argumento central é a perda de arrecadação provocada por restrições ao setor privado, podendo levar ao fechamento de postos de trabalho. Outro reside na violação aos tratados internacionais de livre comércio.

No flanco oposto, pesquisadores e organizações da sociedade cobram que se coloque na ponta do lápis o custo provocado por esses produtos aos sistemas de saúde.

6. Deixa que eu chuto
“Vamos taxar quem não faz exercício? Vamos taxar quem come mais de duas mil calorias por dia? Vamos taxar o sujeito que tem estresse no trabalho?”, questionou Alexandre Kruel Jobim, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Refrigerantes e Bebidas não Alcoólicas (Abir), durante uma audiência pública na Câmara dos Deputados para debater a criação de um imposto sobre esses produtos.

É uma fala interessante porque condensa alguns argumentos. Primeiro, de que a obesidade é causada por vários fatores – e, claro, os ultraprocessados estão longe de ser o fator central, de acordo com as empresas. Segundo, que o indivíduo é o grande culpado porque faz escolhas erradas. Terceiro, que nenhuma medida isolada resolve o caso.

De fato, tanto não resolve que, além da taxação, são propostos restrições à publicidade e à venda para crianças, sinais de advertência frontais nos rótulos e estímulos à venda de alimentos in natura, entre outras possibilidades. E, ainda que não fosse assim, por algum ponto é preciso começar.

7. Mal educados
Sim! É preciso começar – e terminar – pela educação alimentar. Em 100% das falas de representantes das empresas e de acadêmicos mais simpáticos a elas, essa é a panaceia. As pessoas estão gordas porque não sabem comer. Basta explicar a elas que Doritos se come à tarde e não na hora do jantar; que Coca é para ser tomada depois de uma caminhadinha pela rua e que esse corpinho flácido não deve ficar parado.

Mas, calma, quem foi mesmo que disse que era impossível comer um só? E quem nos ensinou que bastava um movimento simples para poder tomar um montão de refrigerante? E que Danoninho vale por um bifinho? E que o suquinho em pó está cheio de vitaminas e minerais, mesmo que as frutas tenham passado longe daquele pacotinho?

Há certas babás que você não quer para os seus filhos.

De todo modo, essas empresas não promoveram até agora nenhuma ação relevante de educação alimentar, mesmo com o farto investimento publicitário na televisão.

como 3

8. A diferença entre farinha de trigo e Fandangos
Não importa quanta evidência científica exista indicando determinado caminho, ela nunca é suficiente. Ou conclusiva. Para garantir o êxito desse argumento, o setor privado se esmera em financiar a produção de pesquisas científicas que caminhem no sentido contrário à regulação, confundindo a sociedade e os formuladores de políticas públicas. Já mostramos como a roda gira na Anvisa.

Pegando o caso da rotulagem, a Associação Brasileira das Indústrias de Alimentação (Abia) diz que o modelo de semáforos está ancorado em uma revisão da literatura feito pelo Núcleo de Estudos e Pesquisas em Alimentação, da Unicamp, cujo coordenador é consultor de diversas empresas.

No mundo todo, dois tipos de organização têm sido acionados para defender as empresas.

– as sociedades acadêmicas nacionais de alimentação e nutrição, há longo tempo prestadoras de serviços

– as organizações de tecnologia de alimentos

Vamos falar sobre essas. Susana Socolovsky, presidente da Associação Argentina de Tecnólogos Alimentares, tem rodado o continente. México, Brasil e Uruguai foram três dos alvos. No geral, a fala consiste em acusar preconceito contra a indústria, mirando dois coelhos com uma cajadada.

Primeiro, a separação entre processados e ultraprocessados. Segundo, o modelo de perfil de nutrientes da Organização Pan-Americana de Saúde (Opas), que toma essa separação como base para definir os limites de ingestão por produto e não mais pela dieta total do dia: consumindo alimentos que não excedam os limites, é provável que você mantenha uma dieta saudável.

“O modelo de perfil de nutrientes proposto está baseado nas calorias do produto. Não permite mostrar as diferenças entre um produto tradicional e um produto baixo em açúcar”, disse Socolovsky a um jornal uruguaio. Em outra entrevista, ela afirmou que os veganos são uma tribo de fanáticos que encontraram uma maneira de substituir a religião. “Existe uma culpabilidade não justificada do alimento empacotado, como se fosse por si prejudicial.”

Não nos parece que a reação da média da sociedade seja aos alimentos industrializados. É fácil entender que um feijão continua sendo feijão, mesmo dentro do pacotinho.

Uma linha central da defesa das empresas consiste em dizer que o processamento é praticado há séculos. O trigo passa pelos moinhos desde tempos imemoriais. Algas e vegetais são fermentados para aumentar o tempo de conservação. Mas é simples entender que existe uma distância grande entre isso e um Fandangos.

Na Colômbia, quem atua é Jairo Romero, presidente da Associação Latino-Americana e do Caribe de Ciência e Tecnologia de Alimentos. Ele foi ao Senado afirmar que o modelo de rotulagem frontal com base em sinais de advertência não tem evidências científicas e entra em conflito com os sistemas adotados internacionalmente.

Romero é dono de uma consultoria que presta serviço às empresas de alimentos. E, em 2011, esteve envolvido em um escândalo acadêmico: foi co-signatário de uma carta que determinou o cancelamento de um debate sobre obesidade infantil e mídia no congresso mundial da área sob a alegação de que poderia causar “inconvenientes com os patrocinadores”.

9. Olé
Em pelo menos dois países, Brasil e Peru, as empresas jogam com o regulamento debaixo do braço, num drible digno dos grandes mestres. Não deu pelo Executivo, vai pelo Legislativo.

No final de novembro, a Comissão de Assuntos Econômicos do Senado aprovou o Projeto de Lei 489, de 2008, que ficou travado durante anos por ação da própria indústria. O PL postula a rotulagem por semáforos, que na década passada era visto como ruim pelo setor privado. Mas os anos passaram e o sistema se mostrou ineficiente. Então, é melhor fazer aprovar e sancionar uma lei que feche as portas à ação da Anvisa. No Chile, a história também começou com um semáforo e foi terminar num sinal de advertência.

Breve observação: a Comissão de Assuntos Econômicos é presidida por Tasso Jereissati (PSDB-CE), um dos maiores engarrafadores de Coca do mundo. Ele designou como relator Armando Monteiro Neto (PTB-PE), que já foi presidente da Confederação Nacional da Indústria.

No Peru, o Ministério da Saúde já havia aprovado em agosto uma resolução para adotar sinais de advertência inspirados no caso chileno, cumprindo as recomendações da Lei de Promoção da Alimentação Saudável, de 2013.

Mas o partido do ex-presidente Alberto Fujimori tirou da cartola um projeto para impor o semáforo. Como no Brasil, hierarquicamente uma lei estaria acima de uma decisão do Executivo. O texto foi aprovado rapidamente pela Comissão de Defesa do Consumidor do Congresso, que decidiu excluir do debate as evidências científicas.

10. É treta
Se nada disso funcionar, sempre teremos a violência. Duas extensas e bem documentadas reportagens do The New York Times relatam ameaças e espionagem contra agentes públicos, pesquisadores e integrantes de ONGs envolvidas no debate regulatório no México e na Colômbia.

Fonte: O joio e o trigo
Por: João Peres
Textos correlatos:
“As maracutaias da indústria do açúcar”
Como prevenir 40% dos cânceres
A saúde e as propagandas enganosas.
Tática sofisticada para vender mais alcoolismo.
Philip Morris quer mandar no Uruguai e no seu pulmão.
Como a indústria farmacêutica influi nas prescrições médicas