Pesquisa: o que sentem as mulheres após abortarem

Pesquisadores das Universidades da California e de Columbia publicaram na revista Social Science & Medicine qual a principal e surpreendente emoção das mulheres depois de um aborto.

Foto: Wikimedia Commons

99% de las mujeres sienten alivio y no arrepentimiento 5 años después de tener aborto

En un estudio, casi todas las mujeres se sienten seguras de que el aborto fue la decisión correcta, a cinco años de haberlo sufrido.

¿Cuál es la principal emoción que experimentan las mujeres después de un aborto? La respuesta podría sorprender a muchas personas: una nueva investigación ha encontrado que la mayoría de las mujeres sientenalivioen los años posteriores a haberse practicado un aborto.

Casi todas las mujeres en el estudio, incluidas aquellas que tuvieron dificultades para tomar la decisión de interrumpir su embarazo, dijeron que fue la decisión correcta 5 años después del procedimiento.

El informe, que fue publicado en la revista Social Science & Medicine el 12 de enero, desmiente la suposición de que las mujeres lamentan interrumpir sus embarazos, una noción que los activistas contrarios a la elección han usado para presionar por períodos de espera obligatorios y asesoramiento sobre el aborto en muchos países.

Seguras de la decisión correcta

Para su investigación, expertos de la Universidad de California en San Francisco y la Universidad de Columbia analizaron datos de 667 mujeres en 21 estados de EE.UU. que participaron en el Estudio Turnaway, un proyecto de 5 años que examinó los efectos socioeconómicos y de salud de los abortos.

El estudio tuvo una base de participantes étnicamente diversa, compuesta por 35% de blancos no latinos, 32% afrodescendientes no latinos, 21% latinos y 13% de otros orígenes étnicos.

La edad promedio de los participantes era de 25 años al comienzo del estudio. Alrededor de 6 de cada 10 participantes ya tenían al menos un hijo.

eMientras que más de la mitad de las participantes lucharon por tomar la decisión de abortar, el 97.5% de las mujeres dijeron a las entrevistadoras que, incluso una semana después del procedimiento, ya sentían que la decisión había sido correcta.Después de 5 años, el 99% sintió que abortar no había sido un error.

“Realizo abortos, y la mayoría de las personas que vienen pidiéndolo saben que es lo que quieren”, dijo el doctor Tristan Bickman, un obstetra y ginecólogo de Santa Mónica, California, y coautor de “Whoa Baby!: Una guía para las nuevas mamás que se sienten abrumadas y asustadas (y se preguntan qué rayos acaba de pasar)”:

“Por supuesto que hay excepciones, pero la mayoría de las mujeres se sienten aliviados cuando termina (el aborto)”, añadió.

Fonte: LARED21
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Pregar abstinência sexual não previne a gravidez precoce

A Sociedade Americana pela Saúde e Medicina do Adolescente emitiu um documento: programas baseados na abstinência sexual são eticamente deficientes e deveriam simplesmente deixar de existir.

Foto: Kleyton Amorim/UOL/Folhapress

A ideia fundamentalista de Damares para prevenir gravidez precoce não faz o menor sentido

Diferentes pesquisas científicassobre sexo desprotegido e gravidez precoce trazem repetidamente a mesma conclusão: não há evidências de que programas baseados na abstinência sexual sejam eficazes como defende a ministra Damares Alves. São artigos, publicados internacionalmente de2007a2019, incluindo revisões sistemáticas, metanálises,estudos epidemiológicose atéuma revisão de revisões sistemáticas.

A maior parte dos dados vêm de países desenvolvidos, masuma metanálise feita em países em desenvolvimentotampouco conseguiu apontar efetividade nos programas centrados em abstinência.

Os dados são tão eloquentes que, em 2017, a Sociedade Americana pela Saúde e Medicina do Adolescenteemitiu um documentono qual considera que programas baseados na abstinência sexual são eticamente deficientes e deveriam simplesmente deixar de existir.

Diante das críticas ao seu programa que propõe ensinar abstinência sexual a adolescentes, Damaresfoi aoTwitterexpressar que a proposta não seria para “impor condutas morais ou religiosas”, e que teria base em “sérios estudos e pesquisas científicas”, citandoum estudo chileno de 2005. Damares recorreu ao que no mundo acadêmico é chamado de cherry-picking.

Cherry-picking(“apanhar cerejas”, em tradução ao português) significa o ato de selecionar na literatura científica um determinado resultado que reforce a visão de mundo que se está tentando defender. O estudo chileno citado por Damares é uma fruta única, lustrosa e isolada que está dentro de um cesto cheio de cerejas podres.

Como forma de se contornar resultados isolados, há outros estudos que, após uma série de critérios de seleção e qualidade, permitem analisar um tipo de intervenção em dezenas, às vezes, centenas de artigos científicos de uma só vez. Esses tipos de estudos são as revisões sistemáticas e metanálises mencionadas acima. Damares ignora isso.

Mas isso não é surpreendente. Basear-se em evidência científica e ser um membro do governo Bolsonaro já é uma contradição em termos. Afinal, trata-se da administração federal que nega fatos científicos como a mudança climática, despreza o financiamento para a pesquisa nacional e exonera um cientista do quilate de Ricardo Galvão, ex-presidente doInpedemitido por Bolsonaro, por ele se opor à narrativa oficial da inexistência de desmatamento na Amazônia.

Modelos centrados na abstinência não informam adequadamente sobre os métodos contraceptivos, não respeitam a diversidade de visões sobre sexualidade na população, oferecem risco ao não instruir sobre como evitar a transmissão de infecções sexualmente transmissíveis, as ISTs, e não consideram que a capacidade de rejeitar o ato sexual pode ser desigual a depender do gênero e da cor da pessoa.

A concepção de que a abstinência é o único método 100% eficiente esbarra na realidade de que, para um método funcionar, ele precisa ser aplicado de forma factível, e a realidade revela que as pessoas se casam cada vez mais tarde e o sexo antes do casamento é cada vez mais aceito pela sociedade, goste-se disso ou não.

Os especialistas e a literatura indicam que a solução estaria na adoção pelas escolas de programas de educação sexual abrangente: inclusivos, cientificamente corretos e culturalmente sensíveis. Isso significa acolher, sem necessariamente reforçar, a diversidade sexual que já existe na sociedade e afeta os nossos jovens de forma inequívoca: mais de um quarto deles já teve relação sexual no nono ano, segundopesquisa do IBGE de 2015.

Apesar da oposição dos bolsonaristas a esse tipo de intervenção, que são associados, sem base verossímil, à existência de “kits gays”, essesprogramasabrangentes estão internacionalmente associados a menores taxas de gravidez precoce e maior proteção em relação às ISTs, quando são avaliados, inclusive nos países em desenvolvimento, como o nosso.

Vale dizer que a saúde pública brasileira tem estudado o fenômeno de forma extensa, com grande acúmulo de pesquisas qualitativas e quantitativas, e seria necessário, para um programa federal eficiente, que os especialistas da área fossem convocados.

Não podemos esquecer da principal variável modificável associada com a gravidez infantil:a escolaridade. Quanto maiores as taxas de instrução da população e, especialmente, das adolescentes, menor a chance de ocorrer uma gravidez nesta fase da vida. Ou seja, a velha máxima de que se quisermos mudar esse país, o primeiro caminho é pela escola continua a valer também neste caso.

Por fim, é importante dizer que a opção pela abstinência é pessoal e deve ser respeitada – da mesma forma que a opção contrária. O que não pode ser admitido neste país é que tomemos decisões políticas baseadas em valores fundamentalistas e nos abstermos de evidências científicas sólidas.

Por: Luís Fernando Tófoli
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A penetração e os mitos da sexualidade feminina

As vezes as familias não estão de acordo com a educação sexual”, o que ajuda a fomentar os mitos na sexualidade e que as crianças busquem o conhecimento com seus pares ou na internet e não com um especialista no tema, o que incrementa a criação de mitos sexuais.

“La penetración está sobrevalorada”: Matrona Lunar derriba mitos de la sexualidad femenina

Marisol Pavez es matrona de la UdeC y llegó hasta La Cuarta Ola para derribar mitos y tabúes en torno a la sexualidad femenina. "El órgano que permite mayor estimulación o que llega más rápido al orgasmo, es el clítoris, y no la vagina", explicó. 

Marisol Pavez, más conocida como la “Sol Pavez”, es matrona titulada de la Universidad de Concepción y monitora en prevención de la violencia contra mujeres y niñas. La experta fue la invitada al más reciente capítulo del podcast deEl MostradorLa Cuarta Ola y, en conversación con Macarena Segovia, se encargó de derribar algunos mitos sobre la sexualidad femenina.

Educación sexual, métodos anticonceptivos y cómo funciona la pastilla del día después fueron algunos de los temas.

La Matrona Lunar, como es conocida Marisol en Instagram, asegura que no hay una educación sexual formal o establecida para todos los colegios chilenos, “sólo hay distintos programas que los establecimientos van tomando, pero depende de la voluntad de quienes están a cargo si los toman o no”, señala.

Además, Pavez dijo que “a veces las familias no están de acuerdo en que se realice la educación sexual”, lo que ayuda a fomentar los mitos en la sexualidad y que los niños busquen el conocimiento de sus pares o en internet y no de un especialista en el tema, lo que fomenta la creación y traspaso de estos mitos sexuales.

“Descubran su clítoris”

Para Marisol “hay harto tabú” en torno al órgano cuya única función conocida es dar placer y aclara que la penetración está sobrevalorada en torno al orgasmo femenino.

La matrona explica que “el órgano que permite mayor estimulación o que llega más rápido al orgasmo, es el clítoris, y no la vagina”, además, es sabido que “en el clítoris hay más de 8 mil terminaciones nerviosas”.

La profesional añadió que los orgasmos en general producen mucho placer y todas las hormonas que se generan en ese momento ayudan a manejar distintos tipos de dolores, por ejemplo, dolores menstruales, de cabeza, ayuda al insomnio.

Derribando mitos

Respecto a los mitos sobre la sexualidad, hay uno en particular por el que “Sol Pavez” ha recibido más consultas: ¿Se puede quedar embarazada si estás menstruando? La respuesta es sí, dice Marisol, pero de acuerdo a este mito, son muchas las mujeres que han alterado su percepción de la anticoncepción.

¿Se puede hacer una pastilla del día después con pastillas anticonceptivas? 

Sí, dice la experta.La pastilla del día después tiene una hormona que es el levonorgestrel, una progestina y que evita la ovulación. Esta hormona se encuentra enAnulettey en otros anticonceptivos. Entonces, dice

“Tú puedes, tomando elAnuletteu otro anticonceptivo conlevonorgestrel,hacer la misma cantidad de dosis que tiene la pastilla del día después que vienen como… comprimidas”, señaló.

¿Cuáles son los mejores métodos anticonceptivos?

La Matrona Lunar dice que no es fan de promover la abstinencia sexual -a diferencia de otros especialistas-, dice que es más fan del preservativo, porque en el uso correcto tiene un 98% de eficacia y permite también prevenir las enfermedades de transmisión sexual (ETS), y los embarazos no deseados.

“El condón femenino es maravilloso, pero lamentablemente es muy poco accesible, lo venden en muy pocas partes, por lo menos acá en Santiago creo que está en APROFA o en algunas fundaciones. En las farmacias es prácticamente imposible encontrarlo, además de que es muy caro, así que la verdad no es tan recomendable por la poca accesibilidad que tiene. Pero es más efectivo que el condón masculino en el control de ETS”, detalló.

Masturbación infantil

Otro de los temas fue la masturbación infantil. Marisol aclaró que los niños comienzan a sentir distintos tipos de placeres con distintas cosas y a tocarse a temprana edad, por lo que es aconsejable a los padres que enseñen a sus hijos que ese tipo de conductas se quedan en la casa y que es un momento ideal para comenzar con la educación sexual.

“Hay países en los que la educación sexual es en la etapa de primera infancia, por lo que al estar en conocimiento de lo que puede pasar y qué no, se retrasa la actividad sexual y se previene el embarazo adolescente”. comentó.

Sexualidad durante el embarazo

Finalmente, Marisol comentó que hay mujeres que aumentan su deseo sexual en el primer trimestre del embarazo, pero durante el segundo trimestre, estas ganas incrementan en un 80%, porque las mujeres durante ese período tienen unpeakhormonal y funcional. Es más, se ha comprobado que mujeres anorgásmicas tienden a sentir orgasmos en esta etapa del embarazo.

Por otro lado, “durante la cuarentena post parto se puede volver a tener vida sexual activa, pero depende de cada mujer y su parto, ya que hay bastantes posibles factores que puedan retrasar el tener relaciones sexuales y no se recomienda la penetración durante estos cuarenta días”, concluyó.

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Enfrentando os machistas, professor que implantou programa de Educação Sexual e Construção da Cidadania foi finalista ao prêmio de melhor professor do mundo. São aulas de duas horas semanais com apoio de políticos.

De 70 adolescentes grávidas a zero: como a educação sexual mudou a realidade de uma escola na Colômbia

No país onde algumas farmácias chegam a negar aos jovens anticoncepcionais, um professor conseguiu por meio de aulas de educação e cidadania romper com um panorama desolador

Quando em 2010 o professor Luis Miguel Bermúdez chegou à escola Gerardo Paredes, em um bairro problemático de Bogotá (Colômbia), o panorama era desolador. Em média 70 adolescentes, ignorantes no que se referia ao sexo, viam todos os anos seu futuro travado por uma gravidez não desejada, fruto muitas vezes de uma relação violenta. De modo que Bermúdez, que se doutorou com uma tese sobre o assunto, colocou mãos à obra e em 2014 mudou o programa do colégio. Hoje o finalista do Global Teacher Prize 2017 (prêmio ao melhor professor do mundo) se orgulha de que as meninas educadas nesse formato não são mães, ainda que recebam gestantes que temem ser estigmatizadas em suas escolas. O cenário não é o mais favorável. Não em Suba Rincón, onde existem quadrilhas, tráfico de drogas, pobreza extrema e violência intrafamiliar. E em toda Colômbia, onde algumas farmácias negam aos jovens os anticoncepcionais.

As escolas colombianas têm certa liberdade para escolher seu programa, de modo que no Gerardo Paredes recebem aulas de Educação Sexual e Construção da Cidadania – duas horas semanais no caso dos mais velhos – e a intenção é reforçar a instrução a partir da pré-escola, quando são instaurados os papéis de gêneros.

Bermúdez não encontrou oposição na ala política – foi reconhecido como melhor professor da Colômbia em 2017 – em um país em que o aborto é proibido. Também não teve problemas no sentido de recusa das famílias – como ele esperava –, mas sim por parte de suas colegas que limitam o sexo a uma prática para se ter filhos. Ele forma outros professores para estender seu currículo, “precisam começar por eliminar preconceitos machistas”.

A questão fundamental, acredita, está em que a escola trabalhe em parceria com o Serviço Público de Saúde para programar a prevenção à gravidez. “Na Colômbia o direito a planejar não é respeitado. A menina que mantém relações é estigmatizada, as mães não querem que suas filhas se reúnam… E assim essa barreira desaparece”, diz Bermúdez, que ensina a essas alunas a serem donas de seus corpos, a ter prazer com o sexo sem preconceitos e a deter a violência de gênero muito instaurada e da qual não são conscientes. “As mães adolescentes, das quais se espera uma atitude abnegada, acabam sendo exploradas por seus filhos”.

O professor não culpabiliza os adolescentes, e sim a sociedade machista. “Um garoto de 15 anos que não tem namorada é incitado por sua família a ter relações sem receber educação. É o rito de passagem a nossa hombridade”, diz Bermúdez. E enumera as melhorias no colégio: com menos gravidezes a evasão escolar diminuiu, menos garotas trabalham e a convivência melhorou.

O educador exporta seu modelo que não é único em Bogotá. A capital, com sete milhões de habitantes, conseguiu reduzir em quatro anos (2014-2018) de 417 nascimentos anuais de mães de 10 a 14 anos a 274, e de 16.747 mulheres de 15 a 19 anos a 10.675. Os dados colombianos estão bem distantes dos espanhóis onde, com uma população de 46 milhões, nasceram 43 bebês de mães menores de 15 anos em 2018, e 556 de mães de 16 a 19 anos.

A Catalunha começou neste ano um projeto piloto de educação afetiva e sexual no Ensino Fundamental em 300 colégios e Navarra implantou no ano passado um programa parecido a partir da infância muito contestado pelos partidos conservadores, que veem “uma tentativa de doutrinar as crianças em ideologia de gênero”.

No Brasil, apesar de os dados mostrarem uma tendência de queda, a gravidez na adolecência está acima da média dos países latino americanos. Informações do Sistema de Informação sobre Nascidos Vivos (SINASC) apontam que entre os anos de 2000 a 2016, o número de casos de gravidez na adolescência (10 a 19 anos) teve redução de 33%, de 750.537 nascimentos e para 501.385 nascimentos. Dados preliminares mostram que nasceram 480.211 crianças filhas de mães entre 10 e 19 anos em 2017 e 394.717 em 2018.

Na Cúpula de Líderes pela Educação, organizada pela revista Semana e que contou com a participação a convite do EL PAÍS, dois dos candidatos à prefeitura de Bogotá em 29 de outubro analisaram essa bem-sucedida diminuição nas gravidezes. “O ciclo se repete. Há 50% de possibilidades de que uma mãe adolescente tenha uma filha mãe adolescente. É preciso continuar trabalhando com informação e formação. Na plataforma municipal foram feitas um milhão de consultas e podem ser pedidas consultas presenciais anônimas. Uma questão fundamental é incluir os pais no programa”, disse o conservador Miguel Uribe. E a candidata progressista Claudia López acrescentou: “Os dados de gravidez adolescente são maiores nos colégios públicos por um problema com as famílias e o acesso à informação. Encontramos os caminhos, agora precisamos de funcionários e orçamentos”.