Queres uma Heineken ou Coca-Cola com maconha?

Negócio, que movimenta R$ 20 bilhões por ano, faz grandes multinacionais estudarem as possibilidades do uso da Cannabis. As fabricantes de bebidas alcoólicas estão mergulhando de cabeça no universo da maconha.

Heineken e Coca-Cola podem aderir ao uso da maconha nos produtos; entenda

As fabricantes de bebidas alcoólicas estão mergulhando de cabeça no universo da maconha. Nos últimos meses, executivos de empresas como AB InBev, Heineken, Coca-Cola e Diageo deixaram suas bebidas tradicionais de lado e foram entender como funciona esse universo. Segundo o jornal canadense The Globe and Mail, as companhias começaram uma aproximação com algumas das principais produtoras de Cannabis do Canadá.

Representantes das multinacionais do setor de bebidas realizaram diversos tours nas instalações das empresas canadenses de marijuana e têm feito reuniões com os executivos dessas empresas. Não é à toa. Em outubro, o país deve legalizar o uso recreativo da planta, dando tração a um mercado que já movimenta globalmente US$ 20 bilhões por ano.

Além disso, há claramente um temor das fabricantes em relação aos impactos do crescimento do mercado de Cannabis legal no negócio de bebidas alcoólicas.

#PraCegoVer: Fotografia de duas latas recheado de flores de cannabis de uma bebida feita com Infusão de maconha desenvolvida pela Heineken em parceria com a Canna Craft, produtora de maconha da Califórnia

O namoro entre os dois setores não é de hoje. A Constellation Brands, que fabrica a Corona nos Estados Unidos, investiu no ano passado US$ 191 milhões em uma fatia de 9,9% da canadense Canopy Growth. Há duas semanas, ela intensificou a aposta. Por mais US$ 4 bilhões, aumentou a participação para 38% – e, pelo acordo, tem a opção de comprar mais 139,7 milhões de ações nos próximos três anos.
Caso decida exercer o direito, sua fatia na canadense subiria para mais de 50%, garantindo o controle da empresa, e ela teria que desembolsar outros US$ 5 bilhões.

A intenção das duas empresas com a união é clara. A Canopy e a Constellation estão desenvolvendo bebidas feitas à base da planta – como infusões com THC e CBD – e querem, após a legalização do uso recreativo, inundar o Canadá com esses produtos.

“Essas bebidas não terão calorias e farão você se sentir animado”, garantiu Bruce Linton, CEO da Canopy, em entrevista à CNBC. “Estamos falando de ir em um bar e tomar uma ‘tweed and tonic’ (como esse tipo de bebida tem sido chamado).” Ele acrescentou ainda que os produtos poderão ter 80 misturas potenciais diferentes com canabinóides.

A Heineken tomou a dianteira e já oferece, desde o mês passado, um produto semelhante – em alguns mercados específicos – por meio de sua marca Lagunitas (uma joint venture com a CannaCraft, produtora de maconha da Califórnia). A americana Molson Coors também está se movimentando e fechou em agosto uma joint venture com a canadense The Hydropothecary Corporation, para buscar oportunidades nesse segmento.

A incursão das fabricantes de bebidas no universo da maconha não é difícil de entender. Enquanto o consumo da planta tem disparado nos últimos anos, principalmente entre os jovens, o uso de bebidas alcoólicas segue uma trajetória constante de queda, nos principais mercados do mundo.

Nos últimos cinco anos, as vendas de cervejas caíram mais de 12% na América do Norte, segundo um estudo da consultoria Euromonitor. As previsões também não são nada animadoras. Até 2022, a expectativa é de um recuo de mais 14%. Enquanto as duas indústrias trazem alguns aspectos complementares, como a produção de produtos híbridos, há também um fator claro de substituição, que impacta as bebidas. Isso porque alguns consumidores deixam de usar bebidas alcoólicas quando estão consumindo maconha.

A maior parte das oportunidades na indústria de marijuana se encontra no Canadá, onde o setor encontrou um terreno fértil, em termos regulatórios e legais, para crescer. Mas, nos Estados Unidos, há também um mercado em ebulição. Nove estados já permitem o uso recreativo da Cannabis e 30, o medicinal. Até 2020, a previsão da Euromonitor é que o mercado legal de maconha movimente mais de US$ 16 bilhões só nos Estados Unidos.

Por enquanto, quem investiu nessa indústria já percebeu que a história é séria: as ações das empresas de maconha têm decolado nos últimos anos. O Marijuana Index, que acompanha a evolução dos papéis de 35 companhias listadas nas bolsas do Canadá e dos Estados Unidos, valorizou mais de 500% do início de 2016 até hoje. E, com o avanço na legalização da planta em cada vez mais mercados, a tendência é que esse crescimento continue. As fabricantes de bebida também querem surfar nessa onda.

Fonte: Smoke Buddies
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“Impostos ao pecado”

O que são os “impostos ao pecado” (e porque causam tanta polêmica no mundo)

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El tabaco mata a más de 7 millones de personas al año, según la OMS, que considera que los impuestos al tabaco son el medio más eficaz para reducir el consumo.

Qué son los “impuestos al pecado” (y por qué causan tanta polémica en el mundo)

Un alza de impuestos siempre genera polémica. Pero cuando los países aplican los “impuestos al pecado”, la discusión suele ir mucho más allá de los argumentos meramente económicos.

Conocidos también como los impuestos a los vicios, se trata de gravámenes que afectan productos considerados negativos para la salud, como el alcohol, el tabaco y el azúcar.

Los defensores de esta carga tributaria argumentan que reduce prácticas nocivas a nivel individual y social y, además, contribuye con recursos a las arcas fiscales.

“Los impuestos al pecado son una herramienta importante para combatir problemas sociales“, le dice a BBC Mundo Jonathan Gruber, economista del Massachusetts Institute of Technology (MIT).

“Está demostrado que la gente fuma menos cuando suben los precios”, afirma.

De hecho, el gobierno francés anunció el mes pasado que subirá el impuesto al tabaco, dado que en otros países, como Reino Unido, la política ha funcionado.

La cajetilla de 20 cigarrillos que actualmente vale cerca de US$8, llegará a casi US$12 en los próximos tres años.

Delicious sweets on candy buffet

Las bebidas y alimentos azucarados también han sido objeto de nuevos impuestos.

Según la Organización Mundial de la Salud (OMS), el tabaco mata a más de 7 millones de personas al año, de las cuales más de 6 millones son consumidores directos y alrededor de 890.000 son personas que no fuman, pero que han estado expuestas al humo ajeno.

“Los impuestos al tabaco son el medio más eficaz para reducir el consumo, especialmente entre los jóvenes y los pobres”, dice también el organismo.

De acuerdo a sus estudios, un 10% de aumento en el gravamen reduce el consumo de tabaco aproximadamente 4% en los países de ingresos altos y 5% en los países de ingresos bajos o medios.

El dulce ejemplo latinoamericano

El impuesto al azúcar, como forma de combatir la obesidad, es otro ejemplo de “pecado” que ha sido merecedor de impuestos especiales.

Y aunque en el mundo se han registrado experiencias de todo tipo, pero en América Latina, suelen destacarse los casos de Chile y México para defender los resultados de la mayor carga tributaria.

pec 1,2México aprobó un impuesto a los refrescos azucarados en 2014.

Un estudio de la Universidad de Chile señala que desde 2014 -año en que se aprobó un impuesto a las bebidas azucaradas- su consumo se redujo 22% en el país.

Y en México, un país con alta obesidad y diabetes que también aprobó un impuesto sobre refrescos azucarados en 2014, el consumo total de las gaseosas bajó 12% en el primer año de su implementación.

Por lo demás, recientemente Perú aumentó el impuesto a cervezas, gaseosas, cigarros y combustibles porque el costo social por enfermedades asociadas al consumo de esos productos, equivale a cerca del 11% del PBI anual, según el gobierno.

Carbonated drink poured into a glass

Perú acaba de subir impuestos a las cervezas, gaseosas, cigarros y combustibles.

Y, en lo que alimentos se refiere, aparte del azúcar los impuestos selectivos también se han aplicado en algunos países a los alimentos con mucha grasa dañina para la salud.

Eso ocurrió en Dinamarca en 2011. Pero un año después el gobierno lo eliminó al constatar que muchas personas simplemente compraban mantequilla en Alemania o Suecia.

Mientras que Escocia se convirtió a inicios de año en el primer país del mundo en implementar un precio mínimo para la venta de alcohol, para tratar de combatir sus problemas de bebida.

Pero no todos están de acuerdo con este tipo de políticas.

“Incentiva el mercado negro”

Efectivamente, el debate sobre los impuestos al pecado habitualmente apunta en dos direcciones: el daño que los productos generan en las personas y el costo que le provoca a la sociedad, lo que los economistas llaman “externalidades negativas”.

Pero los que se oponen a este tipo de medidas argumentan que en la práctica, el alza de impuestos genera contrabando y discrimina a las personas con menores ingresos porque ellos gastan una parte mayor de su salario en los productos gravados.

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Para algunos expertos, los impuestos al pecado pueden estimular la aparición de mercados negros.

“Estos impuestos castigan a los más pobres“, le dice a BBC Mundo Chris Snowdon, investigador del Institute of Economic Affairs en Londres.

“Mi objeción es que son regresivos y discriminan contra la gente basándose en las opciones de estilo de vida”, explica.

Un impuesto regresivo es aquel que golpea más duro a las familias con menos recursos económicos y en este sentido, los impuestos al pecado son injustos porque los más pobres tienden a gastar más en alcohol, en tabaco y en bebidas azucaradas como porcentaje de sus ingresos, argumenta Snowdon.

Y esa no es la única razón por la que el economista se opone a estos impuestos.

“No logran sus objetivos paternalistas muy eficazmente, salvo que los productos sean gravados a una alta tasa punitiva, lo que incentiva elmercado negro“, advierte Snowdon, para quien estos impuestos también atentan contra la libertad individual de las personas.

Y ante los argumentos de salud, también hay economistas que dicen que en realidad, los que contraen enfermedades crónicas producto del alcohol, el tabaco o el exceso de azúcar, no implican un costo tan elevado para el sistema de salud de los países porque mueren antes y cobran menos pensiones.

pec 2México ha intentado combatir su problema de obesidad con un impuesto a las bebidas azucaradas.

Otros expertos, sin embargo, defienden la estrategia.

“Los beneficios de los impuestos dependen del perfil del consumo en cada país”, explica Rachel Nugent, coordinadora del grupo de trabajo sobre enfermedades crónicas de la revista médica The Lancet, que publicó varias investigaciones sobre el tema.

“Y los más pobres no siempre son necesariamente los más afectados por estos impuestos”, asegura, explicando que los grupos vulnerables se benefician de este tipo de tributos porque bajan el consumo y retrasan la aparición de enfermedades crónicas.

Hay también lugares como Filadelfia, en Estados Unidos, que utilizan el dinero recolectado a partir del impuesto al azúcar en programas sociales, como una forma de mitigar el efecto regresivo.

Y para John Cawley, economista de la Universidad de Cornell, bebedores, fumadores y consumidores de mucha azúcar ponen presión en el sistema de salud y por lo tanto, generan efectos negativas de los que tiene que hacerse cargo toda la sociedad en su conjunto.

“Creo que deberíamos poner impuestos a las cosas que le generan costos a la sociedad”, le dijo a BBC Mundo.

Fonte: BBC Mundo
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Beber álcool moderadamente também faz mal para a saúde

Más notícias para quem pensava que era “saudável” uma taça de vinho por dia: até beber moderadamente faz mal para a saúde.copa1

Ni una copa al día: esto dice sobre el alcohol el mayor estudio sobre enfermedades del mundo

Entre los mayores de 50 años, el 27% de las muertes por cáncer entre las mujeres y el 19% de las de los hombres está vinculado al consumo de alcohol.

Malas noticias para quienes disfrutan de lo que pensaban que era una “saludable” copa de vino al día: hasta beber moderadamente es malo para la salud.

Esa es la advertencia de los autores de un gran estudio global publicado en la prestigiosa revista The Lancet, que confirma lo que algunos estudios anteriores ya habían apuntado: que ningún nivel de consumo de alcohol puede ser considerado saludable.

El estudio Global Burden of Disease es la mayor y más detallada investigación sobre las causas de enfermedad y muerte en el mundo, y sus datos analizan también los niveles de consumo de alcohol y su impacto sobre la salud de la población en 195 países.

En 2016 tomar alcohol fue el principal factor de riesgo de muerte prematura y discapacidad para las personas entre los 15 y los 49 años y su consumo está ligado a la décima parte de todas las muertes de ese grupo demográfico.

Por eso si bien los investigadores admiten que beber moderadamente puede proteger ligeramente de algunas cardiopatías, (como señalaron algunos estudios en el pasado), los riesgos combinados de desarrollar cáncer, lesiones y otras enfermedades asociadas al consumo de alcohol superan ampliamente esos posibles beneficios.

“Ningún límite es seguro”

“Aunque los riesgos para la salud asociados al alcohol cuando consumes una bebida al día son muy bajos, aumentan rápidamente al beber más“, le dijo a la BBC el autor líder del estudio, el doctor Max Griswold, de la Universidad de Washington, en Seattle.

“Estudios anteriores encontraron un efecto positivo del alcohol para algunas cardiopatías, pero nosotros descubrimos que, combinados, los riesgos para la salud asociados al alcohol aumentan con cualquier cantidad consumida”, por baja que sea, dijo.

“Este informe demuestra que ningún límite es seguro“, dijo Sonia Saxena, una de las autoras del estudio.

Según la académica, las recomendaciones de las instituciones de salud pública deben actualizarse y los gobiernos deberían repensar sus políticas.

“Si vas a beber, edúcate sobre los riesgos, y toma una decisión bien informada”, recomienda.

Las cifras del “riesgo”

El estudio fue llevado a cabo por investigadores del Institute of Health Metrics and Evaluation, de la Universidad de Washington.

Según Saxena esta es una de las investigaciones más importantes y detalladas jamás realizadas sobre el tema.

Los académicos analizaron los niveles de consumo de alcohol y su impacto para la salud en 195 países, entre 1990 y 2016 y para edades comprendidas entre los 15 y los 95 años.

Usaron información de casi 700 estudios para entender cuán común es la práctica de beber alcohol y de otros casi 600 para medir los riesgos para la salud. En total se estima que consideraron datos de unos 28 millones de personas de todo el mundo.

Y así pudieron comparar la salud de la gente abstemia con la de la gente que toma distintas cantidades de alcohol al día.

Se estima que en el mundo una de cada tres personas bebe alcohol. En términos globales, lo consume el 25% de las mujeres y el 39% de los hombres.

Entre los jóvenes, el riesgo para la salud de tomar una bebida al día es solo ligeramente superior a la abstención, un 0.5%.

Pero ese riesgo se incrementa rápidamente con un consumo más elevado del alcohol, un 7% para quienes toman dos bebidas al día y un 37% para quienes toman cinco.

Una bebida alcohólica fue definida como 10g de alcohol, que equivale a una pequeña copa de vino, a una lata o botella de cerveza o a una medida estándar de licor fuerte.

El estudio encontró que a nivel global entre los mayores de 50 años, el 27% de las muertes por cáncer entre las mujeres y el 19% de las de los hombres estaba vinculado al consumo de alcohol.

Entre la población más joven el mayor riesgo de muerte vinculada al consumo de alcohol es la tuberculosis (1,4% de las muertes), los accidentes de tráfico (1,2%) y las autolesiones (1,1%).

Un matiz

Si bien el abuso del alcohol es un grave problema de salud a nivel global, hay quien pide tomar cierta perspectiva ante estos resultados.

El profesor David Spiegelhalter, profesor de percepción pública del riesgo en la Universidad de Cambridge, hace un matiz sobre las conclusiones de los académicos.

“Dado el placer presuntamente asociado al consumo moderado de alcohol, decir que no hay ningún nivel ‘seguro’ no parece ser un argumento para la abstención“, comentó el académico, que no estuvo involucrado en el estudio.
“Ningún nivel de conducción es seguro, pero el gobierno no le recomienda a la gente que no conduzca”, ejemplificó.

“Si lo piensas bien, ninguna manera de vivir tiene un nivel seguro, pero nadie recomendaría abstenerse de ello”, concluyó.

Fonte: Animal Político
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Estados Unidos cancelou o financiamento do maior estudo sobre consumo de álcool jamais realizado.

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   Uma história de conflito de interesses

O NIH ( National Institutes of Health), que reúne institutos nacionais de saúde e é vinculado ao governo dos Estados Unidos, anunciou na sexta sua decisão de cancelar o financiamento do maior estudo sobre consumo de álcool jamais realizado. É que a pesquisa estava sendo considerada suspeita mesmo antes de começar pra valer. A fundação do NIH recorreu à indústria de bebidas para financiá-la.

A ideia era acompanhar pessoas que bebem uma vez por dia com as abstinentes para descobrir se afirmações como “uma taça de vinho no jantar faz bem” são verdadeiras ou não. Pela primeira vez, isso seria feito em grande escala: a ideia era testar sete mil pessoas escolhidas aleatoriamente em quatro continentes do planeta. E com elas consumindo as bebidas de sua escolha por seis anos seguidos (estudos anteriores, bem menores, encontraram dificuldades no engajamento do público por obrigarem as pessoas a beber o que não queriam, tipo compostos alcóolicos preparados pelos cientistas). Cinco empresas, entre elas as multinacionais InBev* e Heineken, toparam doar as bebidas, poupando ao estudo um custo de US$ 67 milhões. Com isso, se tornaram as maiores financiadoras da pesquisa que custava US$ 100 milhões.

Mas a participação das empresas nem sempre foi informada pelo instituto que coordena o estudo, o NIAAA (National Institute on Alcohol Abuse and Alcoholism), aos seus parceiros ao redor do mundo. E o pesquisador-chefe e professor de Harvard Kenneth Mukamal negou para repórteres da Wired e do New York Times ano passado que soubesse desse financiamento – mas eis que um pesquisador da África do Sul tornou pública uma troca de e-mails com Mukamal de dois anos atrás em que justifica sua recusa em participar do estudo por conta do conflito de interesses. Outras trocas de e-mail vazaram, mostrando que Mukamal chegou a discutir a metodologia da pesquisa com a InBev e a Diageo**.

Por fim, um vídeo mostrou diretores do NIH fazendo propaganda para um projeto da InBev durante uma reunião da empresa. A repercussão de tudo isso foi enorme na comunidade científica. E isso fez com que o NIH abrisse a investigação que levou à decisão de cancelar o estudo. Mas a instituição vai levar muito tempo para recuperar sua imagem, dizem pesquisadores.

*A Anheuser-Busch InBev é uma empresa multinacional belgo-brasileira de bebidas e cervejas formada em 2004 pela fusão da belga Interbrew e da brasileira Ambev.

**Diageo plc é do Reino Unido, a maior fabricante de bebidas destiladas do mundo.

 

Fonte: Outra Saúde
Por: Raquel Torres Gurgel
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Indústria do álcool não quer a concorrência da maconha legalizada

A cervejaria norte-americana Molson Coors divulgou no começo do ano que considerava o advento da maconha legalizada um grave risco para seus negócios.

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A batalha contra a legalização nos estados norte-americanos tem muitas atores, e um deles é a indústria de bebidas

  Maconha: por que a indústria do álcool parece não querer a legalização

Quando a cervejaria norte-americana Molson Coors divulgou no começo do ano que considerava o advento da maconha legalizada um grave risco para seus negócios, o que a empresa estava fazendo era marcar posição em um dos lados de um debate acirrado, que vem acompanhando o movimento pela retirada da maconha da obscuridade para o mundo dos bens de consumo tributados e regulados.

No Colorado, o estado norte-americano pioneiro na legalização, os defensores centralizaram sua campanha no argumento de que a maconha seria muito mais segura que o álcool, e por isso deveria ser tratada pelo menos de forma semelhante.

O argumento, no entanto, se torna inócuo se a maconha for um complemento para o álcool em vez de um substituto, isto é: se fumar fizer você beber mais, não faz diferença se ficar doidão for mais seguro que ficar bêbado.

Como o governo federal dos EUA vem há bastante tempo negando recursos para pesquisas sobre a cannabis, ainda há muito a se aprender, mas os resultados iniciais parecem indicar que o que se intuía era verdade: a maconha é um substituto não apenas para o álcool, mas também para os opiáceos.

“Embora ainda não se conheça o impacto final disso, o surgimento de cannabis legalizada em alguns estados dos EUA e do Canadá pode resultar em um afastamento da renda discricionária em relação aos nosso produtos ou em uma mudança nas preferências dos consumidores em prejuízo da cerveja”, alertou em seu documento a Molson Coors Brewing Company.

Mas a indústria de bebidas alcoólicas tampouco está ignorando a ameaça. Diversas empresas da área de bebidas, além de organizações do setor, ajudaram a financiar campanhas contra as iniciativas de legalização da maconha, o que indica que devem estar suficientemente convencidas dessa teoria para gastar dinheiro com ela.

Fiz uma análise preliminar sobre a venda de bebidas alcoólicas no Oregon, e os resultados indicam que as preocupações da indústria podem ter seus méritos, e que a maconha legalizada pode realmente estar fazendo as pessoas consumirem menos álcool.

A forma como o uso recreativo da maconha impacta o consumo de álcool pode ser a consequência mais importante da legalização em termos financeiros e de saúde pública. Embora o uso de maconha não esteja isento de problemas, o álcool é responsável por aproximadamente 88 mil mortes por ano nos Estados Unidos, e estima-se que o consumo excessivo crie um custo econômico de cerca de 250 bilhões de dólares.

Os eleitores do estado do Oregon decidiram pela legalização da maconha em 2014, por meio da Medida 91. Em outubro de 2015 o estado começou a permitir vendas para uso recreativo a adultos maiores de 21 anos, mas as cidades e os condados tinham a prerrogativa de impedir esse tipo de comércio; por isso, em alguns lugares essa modalidade de venda continuou proibida. Tal fato possibilita comparar as vendas de bebida alcoólica entre as partes do estado onde há lojas de maconha para uso recreativo e aquelas onde elas não existem, com base em dados da Comissão de Controle de Bebida do Oregon (Oregon Liquor Control Commission, OLCC).

Nessa análise, os municípios do Oregon foram divididos em dois grupos: cidades onde havia pelo menos uma loja que vendia maconha para uso recreativo durante o ano fiscal de 2017 da OLCC (do meio de 2016 ao meio de 2017), e cidades onde nunca havia sido vendida maconha para uso recreativo até julho de 2017. Os dados das lojas se baseiam nas informações obtidas da Autoridade de Saúde do Oregon e da OLCC.

Nos anos fiscais de 2016 e 2017, o total das vendas de bebidas alcoólicas nas cidades onde havia também venda de maconha para uso recreativo aumentou apenas 4,17%. Em comparação, nas cidades onde não havia lojas de maconha, o total das vendas de bebidas alcoólicas aumentou 5,86%. Embora a diferença absoluta seja pequena, foi a maior distância entre as taxas desses dois grupos ao longo de quatorze anos. Nos anos anteriores, o crescimento havia sido bastante próximo.

É claro que outros fatores podem ter estado em jogo, e trata-se apenas de dados relativos ao período de um ano. As cidades que permitem a venda de maconha tendem a ser mais liberais. Além disso, um grande número de habitantes do Oregon vivem perto da fronteira com o estado de Washington, que privatizou a venda de bebida alcoólica em 2012 e deu início à venda de maconha para uso recreativo em 2014. Ainda assim, a nítida divergência que se mostrou depois do primeiro ano fiscal completo de venda de maconha para uso recreativo é um resultado intrigante – em especial quando combinado com outros estudos que mostram que as pessoas podem estar substituindo outras drogas por maconha.

Embora os esforços para estudar esse assunto estejam intrinsecamente limitados pelo fato de que a maconha só foi legalizada recentemente e em poucos lugares, já existem estudos indicando que a aprovação estadual do uso da maconha para fins medicinais esteve associado a uma redução de 15% nas vendas de álcool. A pesquisa examinou as vendas de álcool em condados antes e depois da adoção da maconha para uso medicinal e as comparou com as vendas em condados vizinhos e em outros estados. Um relatório recente da Cowen Research concluiu, de forma semelhante, que os episódios de consumo excessivo de álcool eram menos comuns nos estados que haviam legalizado a maconha.

Outras pesquisas sobre o tema tiveram resultados mais variados. Um estudo da organização Rand concluiu que a maconha para uso medicinal estava associada a um discreto aumento nas mortes relacionadas à intoxicação por álcool em pessoas abaixo de 21 anos, mas também a uma redução de maior proporção da mortalidade relacionada ao álcool e aos opiáceos em adultos mais velhos.

Alguns estudos também concluíram que os estados onde existe distribuição de maconha para uso medicinal tiveram uma redução relativa no número de mortes ligadas ao uso de opiáceos. Isso parece indicar que a maconha também substitui outras substâncias mais perigosas, além do álcool. Apenas este mês, dois novos estudos foram publicados na revista JAMA Internal Medicine. Um deles constatou que a existência de legislação regulando o uso de maconha por adultos estava associada a uma taxa de prescrição de opiáceos 6,38% menor entre os pacientes com Medicaid (programa de saúde americano para pessoas de baixa renda). Os demais detectaram uma redução no número de receitas de opiáceos registradas pelos pacientes com Medicare (seguro de saúde público destinado a idosos dos EUA) depois que a maconha para uso medicinal passou a ser distribuída em seus estados.

Importante destacar que no estado do Oregon só existem dados referentes ao período de um ano, e que seria razoável imaginar que o efeito de substituição fosse relativamente pequeno, a princípio. Hábitos e vícios são por essência comportamentos refratários à mudança. Na hipótese de que haja um efeito de substituição em curso, não seria exatamente de se esperar que consumidores de álcool em grande doses imediatamente se tornassem usuários de cannabis. O mais provável, na verdade, é que algumas pessoas com potencial para se tornarem grandes consumidores de álcool passem, em vez disso, a usar cannabis.

Essa análise se baseia apenas em dados preliminares, mas destaca uma questão de grande interesse. Serão necessários muitos anos para reunir dados suficientes para atingir conclusões definitivas sobre o impacto da plena legalização, mas a comparação entre as cidades nos estados de Oregon, Alaska, Nevada e Massachussetts que decidiram permitir a venda de maconha para uso recreativo, e aquelas que não o fizeram pode se mostrar uma fonte muito útil de informação.

Embora os estados do Colorado e de Washington tenham sido tecnicamente os primeiros a legalizar a maconha, ambos já possuíam há anos sistemas de distribuição de maconha para uso medicinal, que facilitavam o acesso pela população por meio de jardins coletivos ou dispensários. Seria difícil separar o impacto de uma legislação já muito liberal em relação à maconha de uso medicinal do impacto da maconha de uso recreativo. Já Oregon, Alaska, Nevada e Massachussetts tinham distribuição muito restrita de maconha de uso medicinal, ou apenas por curtos períodos, antes da legalização.

Em vários estados, os governos que estão decidindo como lidar com a maconha de uso recreativo estão indiretamente fazendo parte de um enorme experimento natural. O potencial resultado pode impactar as políticas relativas à maconha, ao álcool e à saúde pública ainda por muitos anos.

Fonte: Outra Saúde
Por: Raquel Torres Gurgel
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