A intolerância religiosa contra os judeus, os ateus e à laicidade

“Estes preconceitos terminam com relacionamentos amorosos, às vezes casamentos de muitos anos. Por isto pessoas são despedidas ou não chegam a ser contratadas. Vínculos familiares foram destruídos para sempre. Menores de idade são expulsos de casa por seu ateísmo”.

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O apresentador de TV José Luiz Datena foi condenado por ofender ateus em cadeia nacional e teve de se retratar.

A luta dos ateus contra Datena e a intolerância religiosa

A Associação Brasileira de Ateus e Agnósticos, a ATEA, move uma luta silenciosa contra a intolerância dirigida a quem não acredita em divindades. Neste texto, o presidente da entidade, que tem hoje 19 mil membros, conta como tem sido a batalha contra José Luiz Datena, que difamou ateus em cadeia nacional, e pela defesa do estado laico.

Imagine um país em que apresentadores de tevê qualificam os assassinos mais brutais dizendo “esse sujeito só pode ser judeu”. Imagine que uma associação judaica processa o apresentador e sugere a seus membros que façam o mesmo. E imagine que a resposta dele seja processar a associação se dizendo alvo de uma perseguição a fim de arrecadar contribuições e discriminá-lo.

Esse país é o Brasil. Chocado? Ora, dirá você, se isso é verdade, onde estão as manchetes cobrindo todos os jornais, a matéria no Jornal Nacional, a comoção pública, o protesto nas redes sociais? Tem razão, elas não existiram. É porque as vítimas do caso, na verdade, foram outras. Na vida real, ninguém ousaria cometer uma barbaridade daquelas – a não ser que você vivesse em um país de maioria muçulmana onde o antissemitismo é lei.

O protagonista dessa história é José Luiz Datena, o… ahn… “jornalista”. Em 2010, ao comentar o fuzilamento de um menino de 2 anos e a morte de um idoso que possivelmente foi enterrado vivo, ele cravou: “esses crimes só podem ter uma explicação: ausência de deus no coração.” E botou no ar uma pesquisa perguntando quem era ateu.

Sua diatribe continuou por longos 15 minutos, e foi bem clara: “o sujeito que é ateu, na minha modesta opinião, não tem limites. É por isso que a gente tem esses crimes aí.” Quando os ateus começaram a se identificar na enquete, a explicação foi “ é provável que tenham bandidos votando até de dentro da cadeia!”

Felizmente, a sociedade não aceita mais o preconceito contra judeus. Mas dizer as mesmíssimas coisas contra os ateus está mais do que liberado. Alguém consegue imaginar uma campanha do tipo #EuTambémSouAteu? Pois é, eu também não. Não houve absolutamente nenhuma comoção com as declarações do Datena porque a opinião dele sobre os ateus está mais para regra do que para exceção entre os brasileiros.

Pesquisa da Fundação Perseu Abramo mostrou que 25% dos brasileiros tem antipatia com relação a ateus e outros 17% sentem ódio. Sim, ódio. Por pessoas que não conhecem. Como fundador e atual presidente da Associação Brasileira de Ateus e Agnósticos (ATEA), uma entidade sem fins lucrativos que conta hoje com cerca de 19 mil membros, sei que o trabalho da entidade está garantido por muitas gerações.

Há quem pense que a capacidade da religião de criar violência e ódio é coisa de nações e séculos distantes, mas as evidências contam uma outra história. A entidade já recebeu muitos depoimentos mostrando como o preconceito terminou relacionamentos amorosos – às vezes casamentos de muitos anos –, como pessoas foram despedidas ou não chegaram a ser contratadas, como vínculos familiares foram destruídos para sempre. Mais de uma vez, recebemos relatos de menores de idade expulsos de casa por seu ateísmo. A Atea procura dar apoio a essas vítimas e orientar medidas judiciais quando é o caso.

O Golias da discriminação de ateus não será vencido com mágica nem com orações. Aliás, foram elas que nos puseram nessa situação diabólica. Esse estado de coisas não surgiu do nada. Ele está gravado com toda as letras nos dois livros mais lidos do mundo, a bíblia e o corão que deixam bem claro que ateus são pessoas odiosas.

O trabalho da associação inclui trazer os ateus e o ateísmo à luz do dia, na esperança de que vejam que somos feitos de carne e osso e não somos nós que temos escândalos de pedofilia nem aviões lançados contra edifícios para explicar. Estranhamente, em nenhuma cadeia brasileira parecem existir pavilhões de ateus. Já os cristãos não podem dizer o mesmo.

A origem religiosa do preconceito que nos atinge é um dos motivos pelos quais a laicidade do Estado é uma importante frente de ação da Atea. A separação entre religião e Estado no Brasil é quase uma causa perdida. A direita não a quer. A esquerda diz que quer, mas, para ser bem eufemista, é de uma enorme seletividade em suas demandas. O que fazem esses políticos progressistas contra os símbolos religiosos em repartições públicas, a inscrição religiosa no dinheiro e o uso de verbas públicas para eventos, obeliscos e até praças religiosas? Cadê os discursos inflamados contra a imunidade tributária das igrejas e o ensino religioso em escolas públicas?

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Crucifixo no hall da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo. Foto: Alf Ribeiro/Folhapress

Quatro presidências de esquerda consecutivas deixaram apenas duas marcas na laicidade, ambas bem claras: o veto à proibição de símbolos religiosos em repartições públicas previsto pelo PNDH-3 (Dilma) e a assinatura de um tratado (Lula) entre o Brasil e, pasmem, o Vaticano, em que o país oferece diversas benesses aos católicos, incluindo o ensino religioso confessional em escolas públicas, recentemente ratificado no Supremo.

A Atea tem orgulho de ser a única instituição que age concretamente e continuamente para preservar a laicidade. Não há no país nenhum partido ou instituição que tome esse papel para si. São praças da bíblia, financiamento público de eventos religiosos, doações de terrenos públicos para igrejas, leis que estabelecem orações em escolas públicas e uma infinidade de outras iniciativas que enfrentamos com ações judiciais ou representações ao Ministério Público. Nunca obtivemos apoio do legislativo ou do executivo. De lá, só vêm as violações da laicidade.

Nossa luta é, em grande parte, para financiar esse ativismo judiciário. Para piorar as coisas, nós pagamos impostos. Ao contrário das igrejas. Já conseguimos alguns progressos, como a ação do Ministério Público Federal contra o Datena, mas que infelizmente só resultou na exibição de vinhetas bem aguadas e genéricas sobre intolerância religiosa. As pesquisas apontam que a vasta maioria dos eleitores não votaria em ateus, então a representação política nos é negada sem que possamos reclamar de qualquer ilegalidade.

Então, suplico que não nos peçam para respeitar a religião. Respeitamos religiosos e sua liberdade de culto e de pensamento, mesmo sem receber a mesma deferência. Mas a religião da maioria é a causa do ódio gratuito que chove sobre nós. E cada violação da laicidade, cada crucifixo em repartição pública, cada cédula com “deus seja louvado”, cada praça da bíblia e cada placa “esta cidade é do senhor jesus” é um tributo ao sistema que faz brotar e ajuda a manter bem vivo esse ódio. Aceitamos a sua ajuda e não prometemos “uma bênção” como resultado, apenas um país melhor. E, por favor, não orem por nós.

Fonte: The Intercept
Por: Daniel Sottomaior
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“Subvenção governamental para fazer campanhas racistas, machistas e homofóbicas”

“Associação católica recebe subvenção para para fazer campanha racista, contra a comunidade LGTBIQ+ e aos direitos da mulher. Isto vai frontal e radicalmente contra os direitos humanos, da familia, da infância, da igualdade de oportunidades e tolerância”

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Autobús de la plataforma HazteOír.org que recorre varias ciudades de España con lemas rotulados contra los niños transexuales

El Gobierno, “de momento, no se ha planteado” retirar la “utilidad pública” a Hazte Oír

El Gobierno de Pedro Sánchez, “de momento, no se ha planteado” retirar la declaración de “titularidad pública” a la asociación ultracatólica Hazte Oír, por la cual puede recibir subvenciones pese a centrar sus campañas que se centran en ideas racistas y homófobas.

Así lo han confirmado desde el Ministerio del Interior que dirige Fernando Grande-Marlaska a ElPlural.com, explicando también que, llegado el momento, habría que seguir la normativa que regula el derecho de asociación, en concreto la Ley 1/2002 del 22 de marzo.

Esta posición de inacción contrasta con la beligerante que tomó el PSOE hace poco más de un año cuando exigió al Ejecutivo de Mariano Rajoy retirar esta tipificación a la organización ultracatólica en plena polémica por el autobús transfobo que intentó recorrer las carreteras españolas. Su campaña y reiterados ataques a la comunidad LGTBIQ+, así como a los derechos de la mujer, provocaron una gran movilización en contra, junto con el rechazo de algunas administraciones, no así del anterior Gobierno central. Según su propia información, esta organización homófoba dispone de un presupuesto anual que supera los 2,6 millones de euros.

En marzo de 2017 Podemos presentó una proposición no de ley en el Congreso para exigir que el Gobierno dejase de dar esta calificación de forma inmediata, petición a la que se sumó el PSOE y que al final fue aprobada por sus votos más los de Ciudadanos y ERC, pidiendo al Gobierno del Partido Popular que revocase esta declaración de utilidad pública, ya que las actividades desarrolladas por Hazte Oír son “frontal y radicalmente contrarias a los valores, fines y principios que justifican la declaración de interés general de una asociación y, en concreto, a los de promoción de los valores constitucionales, de los derechos humanos, de la familia, de la infancia y de la igualdad de oportunidades y de la tolerancia”.

Motivos suficientes para retirarla

Ahora, con la llegada de Pedro Sánchez al Ejecutivo, el PSOE tiene la posibilidad de retirar de un plumazo la “titularidad pública” a Hazte Oír. Según la ley “la declaración será revocada, previa audiencia de la asociación afectada e informe de las Administraciones públicas competentes, por Orden del Ministro que se determine reglamentariamente, cuando las circunstancias o la actividad de la asociación no respondan a las exigencias o requisitos fijados” en la norma.

Hace un año, desde la oposición tenían claro que Hazte Oír no cumplía los requisitos legales para ostentar este estatus que son, entre otros, que sus fines “sean de carácter cívico, educativo, científico, cultural, deportivo, sanitario, de promoción de los valores constitucionales, de promoción de los derechos humanos, de asistencia social, de cooperación para el desarrollo, de promoción de la mujer, de protección de la infancia, de fomento de la igualdad de oportunidades y de la tolerancia”.

La portavoz de Igualdad del PSOE en el Congreso, Ángeles Álvarez, en conversaciones con ElPlural.com, señala un paso más, y es que Hazte Oír “no hace prestación de servicios” sino que sólo se dedica a la “movilización”, por lo que se podría interpretar que tampoco está cumpliendo la normativa.

Hazte Oír no, pero otras sí

El caso de la organización ultracatólica es más llamativo si se recuerda que el Gobierno de Mariano Rajoy retiró la titularidad pública a otras asociaciones como con la Federación de Planificación Familiar, dedicada a hacer campañas de prevención del sida o de embarazos no deseados que sí que son de utilidad pública. La decisión de Interior, en ese momento dirigido por Juan Ignacio Zoido, partió a partir de una denuncia de la Asociación Española de Abogados Cristianos, como recuerda Ángeles Álvarez.

Fonte: El Plural
Por: Alejandro Godoy
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Orgulho de ser discriminador

Paul Weston
Paul Weston

Prezado leitor.

Gostaria muito de saber sua opinião sobre esta manifestação.
Já viu algo semelhante (e tão explícito), sobre questões nossas, aqui no Brasil?
Qual foi a reação ao fato na grande imprensa e na internet?
Se não viu, pensa que isto possa ocorrer, em relação a algum grupo em nosso país?
O que pensa que deva ser feito para evitar este tipo de conduta discriminatória?
Esta manifestação é, na sua forma, diferente das que ocorrem em campos de futebol.
E nas suas essências, são diferentes?
Na sua opinião qual delas é mais perigosa para sociedade como um todo?
Qual delas é mais fácil de punir? E de prevenir?

Sobre o uso da palavra “racista” no video (Inglaterra) e na tradução.
Aqui utiliza-se a palavra/expressão discriminador.
Em muitos países a expressão “racista” tem o significado que aqui atribui-se a “discriminador”.

Veja abaixo o vídeo “I am a racist”. O vídeo é falado em inglês. Ao lado tem uma tradução em francês. E, a seguir, a tradução para o português.

Olá, meu nome é Paul Weston e eu sou um racista. Eu sei que sou racista porque muitas pessoas me dizem que sou racista. A extrema esquerda pensa que sou um racista, o Partido dos Trabalhadores pensa que sou um racista, conservadores pensam que eu sou um racista, democratas liberais pensam que sou um racista, a BBC pensa que sou um racista. Portanto, devo ser racista. Por que sou racista? É muito simples: eu desejo preservar a cultura do meu país, o povo do meu país e ao fazer isso eu sou designado racista na sociedade atual.

Isso é algo que tem sido movido pela esquerda, o cursor do racismo mudou consideravelmente. Para se tornar racista 30 ou 40 anos atrás, teria que realmente desgostar de estrangeiros. Eu não desgosto de estrangeiros. O que eu gosto mesmo, o que eu amo é meu país, minha cultura e meu povo. E eu vejo isso sob uma terrível ameaça atualmente.

A Inglaterra é um país muito pequeno que abriu suas portas para uma massa de imigrantes do Terceiro Mundo e estamos sobrecarregados. Nossas escolas não conseguem lidar com isso, nossos hospitais não conseguem. Na verdade, muito poucos setores ainda conseguem lidar. O sistema de bem-estar social está afundando também. Então, se eu quero defender o lugar que nasci e cresci, meu país, minha cultura britânica, meu patrimonio e minha história eu sou, aparentemente, de acordo com todo mundo diz atualmente, um racista.

Mas não acho que seja o caso. Não que eu não seja racista, eu vou assumir isso completamente. Porque claramente eu sou. Eu ouvi isso de tantas pessoas que só pode ser verdade. Eu sou provavelmente também islamofóbico. Uma fobia é um medo irracional de alguma coisa, e eu não tenho um medo irracional do Islã. Eu olho para o mundo hoje, para a Síria, por exemplo, onde 100 mil pessoas morreram nos últimos 2 anos, onde muçulmanos xiitas estão matando sunitas e vice-versa. Eu olho para lugares como Indonésia, Egito e China e as Filipinas. Em todo lugar que se olha, se vê problemas com islamismo. Eles são violentos e são, me atrevo a dizer para reforçar meu caráter racista, profundamente selvagens em ideologias políticas e religiosas.

Agora, muitas pessoas descordarão disso. A extrema esquerda dirá que não se pode criticar o Islã porque Islã é uma religião e agora há regras nesse país que dizem que se você criticar religião, está incitando o ódio religioso. Mas o Islã não é apenas uma religião, é uma ideologia política também e precisamos chamar dessa forma. É uma cultura que é política e religiosa. E eu gostaria de saber se posso dizer algumas coisas sobre isso. Nós temos um grande problema nesse país que não irá embora, vai piorar cada vez mais. Nós, como povo, estamos decrescendo demograficamente, e a população islâmica está crescendo nove vezes mais rápido do que qualquer outra.

Quando eu olho para o futuro, vejo uma grande guerra civil religiosa ocorrendo nesse país. As coisas impensáveis que estão acontecendo na Síria atualmente irão acontecer aqui antes de 2040, certamente antes de 2050. E eu não quero que a Inglaterra se torne assim, então vou denunciar o Islã como uma ideologia religiosa e política retrógrada e selvagem. E que vá para o inferno o que as pessoas pensem sobre isso. Porque se não fizermos algo sobre isso, vamos nos envolver em algo que a maioria das pessoas nem consegue imaginar na Inglaterra.

Então, precisamos denunciar isso pelo que é e começar a montar alguma defesa contra isso. O problema de montar uma defesa é que deparamos com a acusação de racismo, com o “Eu não sou um racista, mas…” Bem, aqui está: eu sou um racista. Se eu quero evitar uma guerra civil em meu país, estou preparado para ser chamado de racista. E você deveria aceitar ser chamado de racista também.

Vamos apenas dizer que somos racistas detestáveis e começar a denunciar uma ideologia que é a mais primitiva, selvagem e retrógrada que foi importada para dentro desse país pela esquerda, por pessoas como Tony Blair, que fizeram isso deliberadamente para debilitar meu país, meu povo. Eles fizeram isso deliberadamente e depois disseram que não temos permissão de discutir sobre isso. Bem, eu discuto sobre isso, e eu vou lhe dizer que você denunciou e retirou a Lei da Traição logo que chegou ao poder. Eu acho que você cometeu traição quando disse que nós vamos importar o terceiro mundo para esfregar a diversidade na cara da direita (política). Para mim, isso é traição.

Sua missão foi esquecer do melhor interesse das pessoas desse país para deliberadamente nos menosprezar e nos subverter, e isso é um ato criminoso. Não importa que você repeliu a lei, as leis podem retornar e algum dia você será julgado por traição, junto com o resto de seu gabinete e todos os políticos em altos cargos que permitiram esse ato criminal. E eu vou lhe dizer isso: não importa que você possa me processar por racismo ou incitar violência religiosa, eu não acredito nisso. Acredito apenas na defesa de meu país, a defesa do meu povo e da minha cultura. Todo o resto pode ir para o inferno. Eu sou um racista.

Tradução: Débora Fogliatto.

Por: Telmo Kiguel, médico psiquiatra e psicoterapeuta
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