Pesquisa: o que sentem as mulheres após abortarem

Pesquisadores das Universidades da California e de Columbia publicaram na revista Social Science & Medicine qual a principal e surpreendente emoção das mulheres depois de um aborto.

Foto: Wikimedia Commons

99% de las mujeres sienten alivio y no arrepentimiento 5 años después de tener aborto

En un estudio, casi todas las mujeres se sienten seguras de que el aborto fue la decisión correcta, a cinco años de haberlo sufrido.

¿Cuál es la principal emoción que experimentan las mujeres después de un aborto? La respuesta podría sorprender a muchas personas: una nueva investigación ha encontrado que la mayoría de las mujeres sientenalivioen los años posteriores a haberse practicado un aborto.

Casi todas las mujeres en el estudio, incluidas aquellas que tuvieron dificultades para tomar la decisión de interrumpir su embarazo, dijeron que fue la decisión correcta 5 años después del procedimiento.

El informe, que fue publicado en la revista Social Science & Medicine el 12 de enero, desmiente la suposición de que las mujeres lamentan interrumpir sus embarazos, una noción que los activistas contrarios a la elección han usado para presionar por períodos de espera obligatorios y asesoramiento sobre el aborto en muchos países.

Seguras de la decisión correcta

Para su investigación, expertos de la Universidad de California en San Francisco y la Universidad de Columbia analizaron datos de 667 mujeres en 21 estados de EE.UU. que participaron en el Estudio Turnaway, un proyecto de 5 años que examinó los efectos socioeconómicos y de salud de los abortos.

El estudio tuvo una base de participantes étnicamente diversa, compuesta por 35% de blancos no latinos, 32% afrodescendientes no latinos, 21% latinos y 13% de otros orígenes étnicos.

La edad promedio de los participantes era de 25 años al comienzo del estudio. Alrededor de 6 de cada 10 participantes ya tenían al menos un hijo.

eMientras que más de la mitad de las participantes lucharon por tomar la decisión de abortar, el 97.5% de las mujeres dijeron a las entrevistadoras que, incluso una semana después del procedimiento, ya sentían que la decisión había sido correcta.Después de 5 años, el 99% sintió que abortar no había sido un error.

“Realizo abortos, y la mayoría de las personas que vienen pidiéndolo saben que es lo que quieren”, dijo el doctor Tristan Bickman, un obstetra y ginecólogo de Santa Mónica, California, y coautor de “Whoa Baby!: Una guía para las nuevas mamás que se sienten abrumadas y asustadas (y se preguntan qué rayos acaba de pasar)”:

“Por supuesto que hay excepciones, pero la mayoría de las mujeres se sienten aliviados cuando termina (el aborto)”, añadió.

Fonte: LARED21
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Pregar abstinência sexual não previne a gravidez precoce

A Sociedade Americana pela Saúde e Medicina do Adolescente emitiu um documento: programas baseados na abstinência sexual são eticamente deficientes e deveriam simplesmente deixar de existir.

Foto: Kleyton Amorim/UOL/Folhapress

A ideia fundamentalista de Damares para prevenir gravidez precoce não faz o menor sentido

Diferentes pesquisas científicassobre sexo desprotegido e gravidez precoce trazem repetidamente a mesma conclusão: não há evidências de que programas baseados na abstinência sexual sejam eficazes como defende a ministra Damares Alves. São artigos, publicados internacionalmente de2007a2019, incluindo revisões sistemáticas, metanálises,estudos epidemiológicose atéuma revisão de revisões sistemáticas.

A maior parte dos dados vêm de países desenvolvidos, masuma metanálise feita em países em desenvolvimentotampouco conseguiu apontar efetividade nos programas centrados em abstinência.

Os dados são tão eloquentes que, em 2017, a Sociedade Americana pela Saúde e Medicina do Adolescenteemitiu um documentono qual considera que programas baseados na abstinência sexual são eticamente deficientes e deveriam simplesmente deixar de existir.

Diante das críticas ao seu programa que propõe ensinar abstinência sexual a adolescentes, Damaresfoi aoTwitterexpressar que a proposta não seria para “impor condutas morais ou religiosas”, e que teria base em “sérios estudos e pesquisas científicas”, citandoum estudo chileno de 2005. Damares recorreu ao que no mundo acadêmico é chamado de cherry-picking.

Cherry-picking(“apanhar cerejas”, em tradução ao português) significa o ato de selecionar na literatura científica um determinado resultado que reforce a visão de mundo que se está tentando defender. O estudo chileno citado por Damares é uma fruta única, lustrosa e isolada que está dentro de um cesto cheio de cerejas podres.

Como forma de se contornar resultados isolados, há outros estudos que, após uma série de critérios de seleção e qualidade, permitem analisar um tipo de intervenção em dezenas, às vezes, centenas de artigos científicos de uma só vez. Esses tipos de estudos são as revisões sistemáticas e metanálises mencionadas acima. Damares ignora isso.

Mas isso não é surpreendente. Basear-se em evidência científica e ser um membro do governo Bolsonaro já é uma contradição em termos. Afinal, trata-se da administração federal que nega fatos científicos como a mudança climática, despreza o financiamento para a pesquisa nacional e exonera um cientista do quilate de Ricardo Galvão, ex-presidente doInpedemitido por Bolsonaro, por ele se opor à narrativa oficial da inexistência de desmatamento na Amazônia.

Modelos centrados na abstinência não informam adequadamente sobre os métodos contraceptivos, não respeitam a diversidade de visões sobre sexualidade na população, oferecem risco ao não instruir sobre como evitar a transmissão de infecções sexualmente transmissíveis, as ISTs, e não consideram que a capacidade de rejeitar o ato sexual pode ser desigual a depender do gênero e da cor da pessoa.

A concepção de que a abstinência é o único método 100% eficiente esbarra na realidade de que, para um método funcionar, ele precisa ser aplicado de forma factível, e a realidade revela que as pessoas se casam cada vez mais tarde e o sexo antes do casamento é cada vez mais aceito pela sociedade, goste-se disso ou não.

Os especialistas e a literatura indicam que a solução estaria na adoção pelas escolas de programas de educação sexual abrangente: inclusivos, cientificamente corretos e culturalmente sensíveis. Isso significa acolher, sem necessariamente reforçar, a diversidade sexual que já existe na sociedade e afeta os nossos jovens de forma inequívoca: mais de um quarto deles já teve relação sexual no nono ano, segundopesquisa do IBGE de 2015.

Apesar da oposição dos bolsonaristas a esse tipo de intervenção, que são associados, sem base verossímil, à existência de “kits gays”, essesprogramasabrangentes estão internacionalmente associados a menores taxas de gravidez precoce e maior proteção em relação às ISTs, quando são avaliados, inclusive nos países em desenvolvimento, como o nosso.

Vale dizer que a saúde pública brasileira tem estudado o fenômeno de forma extensa, com grande acúmulo de pesquisas qualitativas e quantitativas, e seria necessário, para um programa federal eficiente, que os especialistas da área fossem convocados.

Não podemos esquecer da principal variável modificável associada com a gravidez infantil:a escolaridade. Quanto maiores as taxas de instrução da população e, especialmente, das adolescentes, menor a chance de ocorrer uma gravidez nesta fase da vida. Ou seja, a velha máxima de que se quisermos mudar esse país, o primeiro caminho é pela escola continua a valer também neste caso.

Por fim, é importante dizer que a opção pela abstinência é pessoal e deve ser respeitada – da mesma forma que a opção contrária. O que não pode ser admitido neste país é que tomemos decisões políticas baseadas em valores fundamentalistas e nos abstermos de evidências científicas sólidas.

Por: Luís Fernando Tófoli
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Governo federal ideologiza assunto científico

Presidente da Anvisa,William Dib: “Eles estão ideologizando um assunto científico. Não dá para discutir ciência e religião. Ideologia e ciência não dá”

LUIS MACEDO/CÂMARA DOS DEPUTADOSWilliam Dib, presidente da Anvisa, critica forma como governo Bolsonaro trata de maconha medicinal.

‘Estão ideologizando um assunto científico’, diz presidente da Anvisa sobre maconha medicinal

Prestes a deixar a presidência da agência reguladora, William Dib critica postura de ministros de Bolsonaro ao misturar ideologia e ciência.

A dez dias de deixar a presidência da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), William Dib comemora a liberação da venda de produtos à base de Cannabis e critica a postura de integrantes do governo de Jair Bolsonaro sobre o uso da maconha medicinal. Para o médico e ex-deputado federal, a limitação do plantio no Brasil irá atrasar em duas décadas a pesquisa científica na área.

“Eles estão ideologizando um assunto científico. Não dá para discutir ciência e religião. Ideologia e ciência não dá”, afirmou Dib em entrevista ao HuffPost Brasil em seu gabinete nesta terça-feira (10), ao se referir à postura dos integrantes do primeiro escalão do Executivo.

Para o presidente da Anvisa, não há justificativa técnica para o argumento de que a permissão do plantio da Cannabis estimularia o consumo da erva para uso recreativo, conforme afirma o ministro da Cidadania, Osmar Terra, principal opositor da liberação do cultivo da planta no Brasil. “Não existe possibilidade de você imaginar que alguém vai plantar para fazer uso recreativo se no mercado do lado, na esquina, você compra por um preço irrisório para uso recreativo”, afirmou.

Dib também disse que o ministro mente ao afirmar que há registro de canabidiol sintético no Brasil e rebateu a ameaça feita por Terra de fechar a agência, caso o plantio fosse liberado. “Se fechar a Anvisa, para o País”, afirmou.

Em 3 de dezembro, a Anvisa aprovou normas para regular a venda em farmácias de produtos à base de maconha. No mesmo dia, contudo, o colegiado rejeitou proposta que permitia o cultivo da planta para fins medicinais. A resolução era restrita a empresas, com plantio feito em locais fechados e cujo acesso seria controlado por portas de segurança e com uso de biometria. Também seria exigida a apresentação de planos de segurança para evitar desvios, e as empresas seriam alvo de inspeções periódicas.

Apesar da derrota, Dib vê com bons olhos a permissão dos produtos em farmácias e aposta que o Congresso Nacional irá avançar na regulação. Na Câmara dos Deputados, o relator do projeto de lei sobre o tema, Luciano Ducci (PSB-PR), defende uma proposta de plantio similar à rejeitada pela Anvisa.

Desde 2017, a agência permite a produção e comercialização do Metatyl, medicamento à base de maconha, indicado para adultos com rigidez muscular excessiva relacionada à esclerose múltipla. A medicação é composta tanto pelo THC quanto CBD.

Hoje, o CFM (Conselho Federal de Medicina) só reconhece o uso medicinal da erva em casos de pacientes com epilepsia refratária e menores de idade. Estudos já mostram a eficácia dessa aplicação também para casos de autismo, dor crônica, mal de Parkinson e alguns tipos de câncer.

Com o avanço de evidências científicas dos benefícios da Cannabis para a saúde, têm crescido nos últimos anos decisões judiciais que permitem o cultivo ou a importação de substâncias. Segundo dados da Anvisa, mais de 7 mil pacientes conseguiram aval para importar esse tipo de produto, com base em laudos médicos.

HuffPost Brasil: Em vigor desde 2006, a Lei de Drogas prevê que a União pode autorizar o plantio de “vegetais e substratos dos quais possam ser extraídas ou produzidas drogas” exclusivamente para “fins medicinais ou científicos”. Em setembro, a Procuradoria-Geral da República enviou um parecer ao Supremo Tribunal Federal em que afirmou que houve “omissão inconstitucional” do poder público na implementação das condições necessárias ao acesso ao uso medicinal da Cannabis. O que impede a regulação do plantio?

William Dib: A agência trabalhou esses anos todos sob a seguinte métrica: o que a sociedade quer, o usuário, a classe científica, a academia, e o que a gente podia oferecer. A equipe técnica fez um desenho, visto que há cinco anos eram dezenas de casos de autorização judicial de plantio e hoje são milhares de casos. Antes eram entidades. Passou para indivíduos e agora teve até uma ação de uma empresa. Tudo que a sociedade quer e você não regulamenta vira um caos. A Anvisa se viu no dever, não só no direito – o direito estava na lei – de fazer algo que pudesse ser incorporado à legislação brasileira e aos compromissos internacionais que o Brasil tem de controle e prevenção de danos.

A gente estudo o modelo canadense, israelita, de Portugal, pouquíssimas contribuições americanas. Juntando isso a gente fez um projeto, que resultou num pedido de consulta pública aprovado por unanimidade. Foi para consulta e voltou. A gente fez uma redação final. Nisso aumentou muito a pressão do governo. Faz parte, eu acho, do processo democrático. O governo tem duas alegações. Uma de que a Anvisa não detém o direito de regulamentar, apesar de PGR ter dito que é obrigação. E outra de que não estava claro o grau de segurança desse plantio.

Para o senhor está claro que a Anvisa tem o poder legal de regulamentar o plantio [da erva]?

Para mim está claro, tanto que mantive meu voto. Acho que está claro também que o modelo proposto era seguro. A gente tem de respeitar as opiniões. Não passou, mas passou o registro mais ágil [de produtos à base da Cannabis]. Isso apaga um quase que totalmente a derrota [sobre o plantio]. É um grande avanço. A obrigação da agência é dar acesso a um produto de qualidade, segurança e eficácia. Isso a gente vai conseguir com produtos importados, seja o produto final ou o insumo produzido aqui que a gente vai poder fiscalizar, fazer análise.

Sem a permissão para o plantio, as empresas que podem vender esses produtos à base de Cannabis são obrigadas a importar esses insumos. É possível chegar a um valor acessível de fato, com essa limitação?

Não saberia dizer porque não há patente de Cannabis. Conforme aumenta o consumo, aumenta a produção. Ninguém produz para estocar. Quando isso existe, pode existir uma concorrência que vai reduzir o preço. Óbvio que no começo, primeiro, segundo ano, pode não haver nenhuma redução. Pelo contrário, vai haver um acréscimo porque não tem tabela. Então cada um vende seu produto pelo preço que quiser.

Ficamos à mercê do mercado internacional. E da boa vontade disso. Por exemplo, a legislação de Israel permite o cultivo, mas não permite a exportação. De alguns estados americanos você também não pode plantar.

A proposta de plantio feita pela Anvisa só permitia o cultivo por empresas, em ambientes fechados, com diversas limitações de segurança. Apesar disso, integrantes do governo disseram que ela poderia levar ao plantio para fins recreativos. Há argumentos concretos para esse tipo de argumento?
Eu não consigo absorver isso. A gente precisa partir de uma realidade. A realidade é que você acha Cannabis por um preço baratinho, irrisório, quando ela é de uso recreativo. A Cannabis medicinal, por uma série de motivos, de quantidade de CDB, de THC, ela já fica mais cara mesmo na produção outdoor. Na produção indoor, fica violentamente mais cara. E a produção indoor, monitorada 24 horas, com íris de reconhecimento digital, ainda mais cara.

Não sei quem consegue entender que isso vai estimular o consumo de Cannabis. A filosofia, a base científica disso, eu desconheço. Nunca ouvi uma justificativa técnica que pudesse me convencer de que isso era verdade. Seria capaz de mudar minha opinião. Não consigo mudar de opinião porque não consigo ver essa versão como passível de existência.

Há um discurso moralista que dificulta um debate com foco nos pacientes que precisam desse tipo de medicamento?

[Esse discurso] Inibiu o debate e uma coisa mais importante, que é aumentar a dependência brasileira para insumos. Isso é ruim demais. Mas eu insisto que a gente deve ter ficado feliz de ter passado a regulação da venda dos produtos. Acho que é de questão de dias, de meses, para o Congresso assumir esse papel de regular até porque o governo vai durar mais três anos. Isso não vai ficar assim.

E está havendo uma articulação no mundo para retirar a Cannabis da lista de drogas proibidas. Isso pode ocorrer ano que vem. Se isso acontecer, nem plantio indoor vamos precisar discutir.

Mas não precisaria de a Anvisa também retirar da lista de drogas proibidas no Brasil?

Seria uma decisão da ONU [Organização da Nações Unidas]. O Brasil é signatário de convenções internacionais. Se uma convenção tirar da lista, nós assinamos que ela saiu da lista. Acabou.

As pessoas poderiam plantar [maconha medicinal] então?

Igual à rosa, arroz, feijão.

O relator do projeto de lei na Câmara dos Deputados, Luciano Ducci (PSB-PR), é a favor do plantio em termos similares ao proposto pela Anvisa. Alguns deputados conservadores também, mas há resistência de integrantes da bancada evangélica. Ainda assim, o senhor acha que essa proposta será aprovada?

Alguma coisa será aprovada. O Congresso é mais liberal do que a Anvisa, com certeza. Todos os Congressos são mais liberais do que as agências. As agências são mais restritivas porque mexem com a segurança da saúde das pessoas. Os congressos são mais abertos. No governo da Dilma [Rousseff] a proposta era liberar o cultivo. Não era regulamentar o remédio. Dois anos depois, muda tudo.

A proposta da Anvisa liberava o cultivo só para empresas e houve críticas de que não atenderia às demandas das famílias de pacientes e associações. É viável liberar o plantio para atender a esses grupos?

O presidente da Anvisa tem de responder por leis específicas. As leis brasileiras são restritivas. A Anvisa faz regulamentações restritivas.

O senhor entende que para as pessoas poderem plantar em casa seria necessário mudar a lei então?

Isso. Quem tem que fazer isso é o Congresso. A Anvisa não discute o uso recreativo. Não discute liberação de droga de nenhuma ordem. A Anvisa discute o seguinte: tem uma doença que precisa de um remédio e eu preciso garantir o acesso a um produto de qualidade dessa pessoa.

Se fosse em outro governo, seria possível aprovar uma proposta mais liberal?

Se fosse no governo da Dilma, eles teriam ficado bravos de não ter liberado tudo.

Considerando a posição do presidente Jair Bolsonaro e de ministros como o da Cidadania, Osmar Terra, então foi uma vitória o que se conseguiu aprovar?

Foi uma grande vitória da sociedade. Não minha, muito menos da Anvisa, em regulamentar o uso medicinal. Isso é o produto final. Não adiantava liberar o plantio e não garantir o remédio de qualidade. O nosso papel era o remédio. Com certeza é mais importante que o plantio. O plantio só vinha organizar a sociedade.

Quase todas as sentenças de autorização de plantio o juiz escreve ‘autorizo o plantio até a regulamentação pela Anvisa’. A agência é um problema para a sociedade. Alguém pedia um remédio e demorava 9 dias. Agora demora 60. Por quê? Porque aumenta o número de receitas e não aumenta o número de funcionários [da Anvisa]. Não dá para fazer mágica.

Mas as pessoas ainda podem pedir para importar…

Mas aí é um pedido que não preciso mais regulamentar caso a caso. Aqui eu faço um por um porque é um pedido individual e dose individual. O grande foco dessa alteração é que mesmo que tiver um pedido de importação, ninguém vai importar mais um vidrinho. Vai pedir autorização para um contêiner.

O senhor sentiu diferença com a mudança de governo na postura de integrantes do Executivo sobre a Anvisa votar a regulamentação do uso medicinal da maconha?

Estou acostumado…

Mas houve uma grande mudança de 2016 para 2019?

Eu diria para prestar atenção nas votações. Se teve uma votação há 90 dias e todo mundo votou em conjunto, 60 dias depois votaram diferente, você conclui…

Houve algum pedido do governo para que a regulação não fosse votada?

Para mim, não.

O ministro Osmar Terra é crítico à liberação do plantio e defende o canabidiol sintético. Essa solução é viável?

Noventa e nove porcento dos medicamentos tiveram origem vegetal. Quando o consumo começa a crescer e é difícil plantar, vem um geniozinho da lâmpada e consegue sintetizar esse produto. Fica um pouco mais caro, mas quando todo mundo consome o sintético, fica mais barato. Essa é a história de praticamente todo medicamento. Óbvio que um dia vai ter o canabidiol sintético, só que o que tem hoje não serve para nada. A classe médica odeia. Não tem registro. Ele [Osmar Terra] diz que tem registro aqui no Brasil. É tudo mentira. Não sei de onde ele tira essas coisas da cabeça.

Não existe o produto sintético. Existe no laboratório. Tem o registro? Não. Por quê? Porque não funciona.  Por que não funciona? Segundo os israelenses que estão mais avançados na depuração dos canabinoides, é porque quando precisar tomar você precisa de 411 canabinoides e ninguém conseguiu sintetizar 411. Consegue sintetizar o CBD e mais alguns. Precisa tomar o xarope com o óleo total para provocar o efeito [medicamentoso] que precisa. A chance de ter um produto sintético em pouco tempo é muito remota porque é muito complexa a formulação.

O senhor entende que essa discussão sobre a separação do THC tem uma base científica ou também é um debate ideológico?

A Cannabis sem THC não tem nenhum efeito deletério, nem psicotrópico. Tanto é que o [Donald] Trump autorizou o plantio do que eles chama de hemp, o cannabidiol puro, com menos de 0,2% de THC. Não precisa de autorização; você planta. Assim como planta milho, planta Cannabis. Eles têm o cânhamo, indústria têxtil, agropecuária, serve para várias outras fontes. Esse plantio do canabidiol sem o THC nem isso nós conseguimos [aprovar no Brasil]. Agora, determinadas patologias precisam de uma quantidade de THC para ter efeito. Só em um remédio registrado no Brasil.

O Metatyl, que tem THC…

E não é pouco. É 50%. A maior parte dos remédios que circulam nos países que têm a cultura científica do uso, a proporção entre CBD e THC máxima é essa. Quase todos produtos com maior eficácia têm THC. Tirar todo THC limita muito o espectro da autorização.

O ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, afirmou que o canabidiol pode ser incluído no SUS, mas criticou normas que permitem o registro de produtos que contenham THC. Sendo assim, na prática, a distribuição desses produtos pela rede pública seria inviabilizada?

Será que ele sabe que já tem um remédio que o Ministério da Saúde receita que já têm 50% de THC? Eu não sei se ele sabe. Não é vontade cultural. É um problema ideológico. Eles estão ideologizando um assunto científico. Não dá para discutir ciência e religião. Ideologia e ciência não dá.

É complicado demais. Eles querem [misturar os temas], mas não sei como eles conseguem. Desculpa. Com todo o respeito que tenho aos ministros – o ministro [da Saúde] é meu colega médico — mas não sei se ele sabe. Eu tenho dúvidas porque ele já autoriza [o uso de medicamento com THC]. Ele acha que não, mas já autoriza.

Daqui a três anos essa liberação da venda de produtos à base de Cannabis pode ser revisada pela Anvisa. O que pode acontecer? Voltar a proibir?

Acho que não. A ciência tem de estar de cabeça aberta se isso é bom mesmo. Se os resultados para sociedade vão ser positivos. O pouco que eu estudei, eu vejo um campo magnífico para desenvolvimento para o uso da Cannabis e acho que vai ser um sucesso. Mesmo assim, acho que tem de se revista a legislação. Estamos fazendo uma legislação em que a comprovação científica é o menos importante. Agora é a comprovação de que não têm efeitos deletérios. É garantir que você não está usando um remédio que vai te fazer mal. Se não resolver seu problema, daqui a três anos vou ter de tirar ele do mercado.

Pesquisadores apontam algumas dificuldades nas exigências de evidências científicas, como desenvolver os  chamados estudos multicêntricos randomizados duplo cego, o padrão mais elevado, por ser muito caro. A regulação da venda de produtos vai ter algum impacto nessa dificuldade de pesquisa?

A ideia do plantio era porque a convenção que assinamos era para produtos medicinais, mas o mais importante era para pesquisa. Retirando o cultivo, a pesquisa vai atrasar uns 20 anos. Não é função da agência produzir ciência, mas também não é dificultar. Quando a academia pede semente e planta para pesquisa, a gente autoriza, mas eles [pesquisadores] que pagam.

Acho que pode haver alguma facilidade porque os laboratórios que vão lançar seus produtos vão querer se associar à academia para fazer pesquisa para ganhar tempo e eficácia. Isso pode baratear a pesquisa.

E o laboratório pode fazer pesquisa para doença que não está registrada. Só precisa se cadastrar. Se o laboratório que vai produzir aqui vai ganhar mercado e reconhecimento científico, isso não tem preço. Então pode ser que esse seja um facilitador. É óbvio que não estamos falando de universidades. Universidades precisariam do plantio.

O Conselho Federal de Medicina (CFM) só reconhece o uso medicinal da erva em casos de pacientes com epilepsia refratária e menores de idade. Com a regulação da venda de produtos, deve haver uma revisão desse entendimento?

Sou médico, não posso dar palpite. Mas acha que algum médico leva em consideração o que o CFM fala? Não há possibilidade de a Anvisa fazer receita. Quem prescreve é a classe médica, que responde ao Conselho. Mas alguém ouve o Conselho?

O ministro Osmar Terra chegou a falar em fechar a Anvisa, caso o plantio fosse liberado. O senhor acredita que haverá algum tipo de retaliação do governo, se a agência ampliar o acesso à maconha medicinal?

Se fechar, para o País. A Anvisa tem um reconhecimento no mundo, muito alto. E tem aqui dentro. Ela é fundamental para a indústria farmacêutica. Quando a Anvisa foi criada, a indústria farmacêutica tinha duas empresas brasileiras entre as vinte maiores. Hoje das dez maiores empresas [do mundo], sete são brasileiras. A Anvisa não atrapalha ninguém. Ela regulamenta mercado.

Os homens são mais espirituosos do que as mulheres?

Christopher Hitchens publicou um artigo sobre as mulheres não serem espirituosas. Veja uma pesquisa sobre o tema no Journal of Research in Personality.

¿Son los hombres más chistosos que las mujeres?

Antes de su prematura muerte, el gran Christopher Hitchens publicó un artículo sobre por qué las mujeres no son chistosas — aunque la indignación fue masiva (y dio lugar a un artículo de seguimiento en el que Hitchens se defiende de los ataques y dobla la apuesta), pocos se tomaron la molestia de ir más allá del título y ver que el argumento de Hitch era que hay una explicación plausible de por qué, en promedio, los hombres son más divertidos en su producción humorística que las mujeres: a saber, porque los hombres usamos la producción humorística para impresionar a las mujeres, mientras que este aspecto no hace parte del repertorio de cortejo de ellas. O, puesto de otra forma, mientras ser divertido es un rasgo que definitivamente puede acercar a un hombre a un encuentro sexual, los hombres en general no nos fijamos en qué tan chistosa es la producción humorística de una mujer a la hora de considerarla como una pareja sexual en potencia.

Los investigadores Gil Greengross, Paul Silvia y Emily Nusbaum acaban de publicar el primer metaanálisis cuantitativo sistemático sobre las diferencias de sexo en la capacidad de producción humorística en el Journal of Research in Personality, y parece que Hitchens no estaba demasiado equivocado.

Greengross explica en su blog en qué consistió el estudio y los resultados que obtuvieron:

En nuestro caso, sólo se incluyeron estudios que evaluaron objetivamente la capacidad humorística. Se excluyeron los estudios en los que las personas evaluaron su propia capacidad de humor, ya que la mayoría de las personas creen que tienen un sentido del humor por encima de la media. Tampoco se incluyeron los estudios en los que el evaluador conocía el sexo de la persona. Por ejemplo, el sexo de un profesor puede tener un efecto sobre qué tan gracioso se percibe que es.

Nos centramos entonces en estudios en los que se evaluó objetivamente la capacidad humorística de hombres y mujeres. ¿Qué significa esto? En un estudio típico que cumplía con nuestros criterios de inclusión, los sujetos fueron presentados con un estímulo, a menudo una caricatura sin texto. Luego se les pidió a los sujetos que le escribieran una frase divertida. Más tarde, los jueces independientes calificaron en una escala (por ejemplo, 1-5) qué tan divertidas eran las respuestas. La clave para estas tareas es que los calificadores no sepan nada sobre quiénes producen el humor, incluyendo su sexo. Tales comparaciones son más confiables y válidas, y elevaron nuestra confianza en que estamos midiendo la verdadera capacidad humorística con poca influencia de los estereotipos.

Pudimos encontrar 28 estudios con 36 muestras independientes que cumplieron con los criterios. La muestra combinada incluyó 5,057 participantes (67 por ciento mujeres). Los estudios fueron de varios países (EEUU, Reino Unido, Hungría, Alemania, Israel y más). La mayoría de los datos (60 por ciento) provenían de datos que nunca antes se habían publicado en una revista revisada por pares, lo que ayuda a minimizar el efecto del sesgo de publicación.

Luego calculamos las diferencias de sexo en la muestra combinada y encontramos que los hombres eran, en general, clasificados como más divertidos que las mujeres. ¿Qué tan grande fue la diferencia? En términos técnicos estadísticos, el tamaño del efecto fue de 0,32, o aproximadamente un tercio de la desviación estándar. En términos sencillos, esto significa que el 63 por ciento de los hombres obtienen una puntuación superior a la capacidad humorística media de las mujeres. Esto se considera una diferencia pequeña a media.

También buscamos una larga lista de posibles variables de confusión que pudieran explicar la diferencia. Los países de donde provienen los datos, el sexo de los autores que realizan la investigación, la edad de los participantes, si había más hombres o mujeres que juzgaban el humor — ninguno de estos hizo una diferencia en nuestro análisis.

¿Qué significa todo esto? Significa que, según nuestro leal saber y entender, en promedio, los hombres parecen tener una mayor capacidad de producción humorística que las mujeres.

[…]

¿Por qué los hombres tendrían mayor capacidad humorística promedio que las mujeres? Es posible que la opinión de que las mujeres son menos graciosas sea tan generalizada que las fuerzas sociales desalientan a las niñas y a las mujeres a desarrollar y expresar su humor, lo que hace que sea menos probable que una mujer sea percibida como graciosa. Sin embargo, hay poca evidencia que apoye la opinión de que nuestra sociedad suprime la producción y exhibición de humor por parte de las mujeres.

Por otro lado, la evidencia sugiere que el humor juega un papel importante en el apareamiento, con una fuerte base evolutiva. Como he explicado en posts anteriores, las mujeres, que asumen los costos más elevados de la reproducción (embarazo, lactancia materna), son más selectivas que los hombres a la hora de elegir una pareja. Las mujeres tienden a buscar varios indicadores de la calidad de las parejas, y uno de ellos es un gran sentido del humor. El humor está fuertemente correlacionado con la inteligencia, lo que explica por qué las mujeres valoran a los hombres con un gran sentido del humor, ya que la inteligencia fue crucial para la supervivencia a lo largo de nuestra historia evolutiva cuando vivíamos principalmente en grupos de cazadores-recolectores.

Los hombres, por otro lado, prefieren a las mujeres que se ríen de su humor. Esto significa que a lo largo de nuestra historia evolutiva, los hombres probablemente tuvieron que competir más duramente con otros hombres para impresionar a las mujeres con su sentido del humor. Mucha evidencia apoya este punto de vista, mostrando lo importante que es para las mujeres encontrar a un hombre con un gran sentido del humor, mientras que los hombres generalmente no dan un alto valor a la capacidad de producción humorística de las mujeres.
No está de más recordar que estos resultados son promedios, que son descriptivos y no prescriptivos, que no significan que no haya hombres cuya producción humorística deje bastante que desear, o que no haya mujeres con una producción humorística absolutamente maravillosa y por encima de la media de los hombres — estos resultados tampoco dicen nada sobre ningún hombre o ninguna mujer en particular.

La producción humorística de cada quién debe juzgarse por sus méritos individuales, en vez de aspectos sobre los cuales las personas no tenemos control, como el sexo con el que nacemos.

Fonte: De Avanzada

Por: David Osorio

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Fonte:Rob Dial
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Gransbury es actriz de profesión en Melbourne, Australia

“Soy perezosa y estoy orgullosa de ello”: la mujer que asegura que la pereza no es mala

Lucy Gransbury ha aprendido a llevar su vida por la ley del mínimo esfuerzo.Para ella eso es un reconocimiento a su eficiencia al resolver problemas y hacer tareas, y que sabe administrar su energía.

Lucy Gransbury confiesa que es una “persona perezosa” y se siente “orgullosa” de ello.

“No nos gusta causar drama porque no queremos molestarnos en lidiar con eso”, dice Lucy al hablar de sí misma y de otras personas perezosas que conoce.

¿Te suena familiar?

Bueno, si tú eres propenso a la pereza -la aversión o indisposición a esforzarse- te puedes sentir culpable por tu comportamiento.

Pero tal vez deberías pensarlo dos veces.

Gransbury, quien trabaja como actriz en Melbourne, Australia, argumenta que ser perezosa no es tan malo como se piensa y las investigaciones en la materia la respaldan.

“La gente perezosa merece más crédito. Encontramos el camino más eficiente al objetivo, y no vamos a perder el tiempo tomando el camino complicado”, dice Gransbury.

Reconoce que la pereza se ve sobre todo como un comportamiento negativo, pero ella sostiene que el ser perezoso debe ser visto como un atributo positivo.

Hace a las personas mejores en priorizar las tareas, más eficientes con su energía, y ayuda a encontrar la manera más rápida de hacer un trabajo de una sola vez.

Pereza o atajos

Al observar algunos atajos que toma Lucy para enfrentar las tareas cotidianas que son aburridas, se puede juzgar si es pereza o eficiencia.

Uno es limpiar la ducha mientras todavía la está usando; planchar solo con el aire cuando se está secando la ropa; hacer la cama mientras se encuentra todavía en ella haciendo una serie de movimientos de estrellas de mar o patadas hasta que todas las sábanas caen en su lugar… o saber exactamente qué toma corriente es la adecuado para enchufar la aspiradora para evitar perder tiempo.

¿Madre de la invención?

Gransbury asegura que muchos grandes inventos fueron motivados por la pereza.

“La rueda fue algo grande. La inventaron debido a que era demasiado difícil arrastrar cosas por todas partes… Las invenciones son en realidad un método de conveniencia. Como el teléfono, pues tomaba demasiado tiempo caminar hasta la casa del vecino y saludar”, dice.

Y no está sola en este razonamiento.

El fundador de Microsoft, Bill Gates, es a menudo citado por decir que él contrataría a una persona perezosa para hacer un trabajo duro, ya que esa persona encontraría la manera más fácil de hacerlo.

La pereza hace trabajar al cerebro

Una investigación del profesor Masud Husain en la Universidad de Oxford (Reino Unido) sugiere que ser perezoso podría hacer que el cerebro trabaje más, lo cual respalda la teoría de Lucy.

Husain diseñó un experimento para ver las diferencias que podría haber entre los cerebros de las personas perezosas y las que no lo son.

Varias personas fueron puestos a prueba después de ser clasificados en categorías: motivados, apáticos y un punto medio.

“Les pedimos que hicieran una prueba que les hacía decidir si vale la pena un esfuerzo físico por una recompensa en concreto”, explica.

Quizás no fue una sorpresa que el grupo perezoso fuera menos propenso a esforzarse para obtener una recompensa, pero cuando los escáneres cerebrales revelaron por qué, los científicos se sorprendieron.

“Los cerebros de las personas apáticas eran diferentes de los que estaban más motivados, no en términos de estructura, sino en términos del nivel de actividad que esos cerebros mostraban cuando tomaban estas decisiones”, explica Husain, profesor de Neurociencia Cognitiva en Oxford.

“Sorprendentemente, encontramos que los cerebros de las personas apáticas eran en realidad más activos en esas circunstancias que los cerebros de las personas motivadas”, continúa.

“Era como si les fuera más difícil tomar esa decisión. Y había un costo más alto para sus cerebros en términos de tratar de determinar si valía la pena o no”, añade.

El profesor explica que eso representa “un trabajo mucho más difícil” que el realizado por el cerebro de las personas que están más motivadas.

“Por supuesto, la actividad cerebral tiene un costo. Quemas combustible, quemas azúcar en el cerebro para tomar estas decisiones: cuando tus neuronas están activas, están consumiendo combustible”.

Entonces, si los cerebros de las personas perezosas queman más energía mientras están ocupados decidiendo lo que van a hacer, ¿por qué la pereza se considera un comportamiento negativo?

Adoctrinamiento

Catherine Carr, de la BBC, analizó por qué la sociedad en su conjunto desprecia la pereza en el programa de radio del Servicio Mundial de la BBC “The Why Factor“.

En un campamento militar de entrenamiento físico en Cambridge, en Reino Unido, una mujer que asistía a la clase de acondicionamiento físico le dijo a Catherine que acostumbraba a hacer flexiones en un parque frío, en lugar de pasar una mañana perezosa en la cama, porque “le encanta y es un buen comienzo de su día”.

Pero, ¿por qué se percibe esto como algo positivo, y no quedarse en casa?

Un hombre le dijo a Catherine que es lo que te enseñan a creer desde la infancia.

“Es moralmente incorrecto. Me han adoctrinado para creer que tienes que estar haciendo algo, constantemente. Creo que mis padres y la sociedad me lo impusieron. Deberías estar constantemente haciendo cosas, logrando cosas”, manifiesta.

Otra mujer de la clase estuvo de acuerdo.

“La perspectiva de la sociedad es que la pereza es algo malo. La verdad es que, cuando era niña, nunca se nos permitía recostarnos porque eso se consideraba malo. Mis padres siempre nos despertaban temprano en la mañana y los fines de semana porque teníamos que ‘levantarnos y hacer cosas’”.

“Pereza criminal”

Anastasia Burge, quien enseña e investiga filosofía en la Universidad de Cambridge, reconoce que esta actitud ha sido tan fuerte en el pasado que incluso las personas han sido severamente castigadas por tener flojera.

“En la antigua Unión Soviética procesaban a las personas por lo que llamaron parasitismo social, que en realidad era una especie de pereza criminal”.

“El poeta Joseph Brodsky -que llegó a ser premio Nobel tras dejar la URSS- fue cuestionado en un juicio: ‘¿Qué haces? ¿Cuál es tu trabajo? ¿Cuál es tu profesión?’”, cuenta Burge.

“Él respondió ‘Soy poeta’. Eso fue completamente incomprensible para los jueces, por lo que terminó siendo enviado a hacer trabajos forzados y forzado a exiliarse de la Unión Soviética para que se fuera a un lugar donde hubiera espacio para la poesía”.

Se trata de la salud mental

Son exactamente estas actitudes las que para Gransbury forman parte de una mentalidad del pasado y son un peligro para la salud mental.

“Creo que desconectarse y tener tiempo de inactividad es una gran parte de dejar que tu cerebro se apague, que tu cuerpo se apague; lo que significa realizar una siesta o acostarse en el sofá”, dice.

“Nuestra generación realmente incorpora estos momentos de cuidarse a uno mismo y preocuparse de la salud mental de cada uno, lo que para, algunas personas, puede significar ser perezoso por un corto periodo de tiempo”.

“Creo que es más probable que nuestra generación lo acepte y hable de ello que quizás las generaciones anteriores, para las que lo que se compensaba realmente era trabajar duro. Nuestra generación se está cuidando a sí misma”, opina.

En estos días, dice, se trabaja duro y no se cosechan el tipo de recompensas que solía haber.

“No podemos pagar nuestras hipotecas incluso después de trabajar durante 60 años”.

Gransbury no solo no se disculpa por ser lo que muchos consideran “perezosa”, sino que alienta a otros de su generación a seguir su ejemplo.

“Nos estamos moviendo más hacia reflexionar qué tipo de estilo de vida podemos mantener y somos capaces de hacerlo el resto de nuestra vida. Y eso incluye cuidar de uno mismo y ser conscientes de nuestro cuerpos y nuestra mentes, y eso incluye tomarse un descanso”.

Este texto es una adaptación del programa de radio del Servicio Mundial de la BBC “The Why Factor“.
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Guia alimentar brasileiro é o melhor…com protestos da indústria de alimentos

Foram analisados guias de outros 11 países: Austrália, Reino Unido, Estados Unidos, Holanda, Países Nórdicos, Suécia (que tem um guia independente dos outros nórdicos) Albânia, São Vicente e Granadinas, Granada, Catar e Tailândia.

Notas de cada um dos guias alimentares nacionais participantes | Foto: Reprodução – Ahmed et al

Estudo considera Guia brasileiro o melhor ao relacionar alimentação e sustentabilidade

O documento recebeu a maior nota em um comparativo que analisou 32 parâmetros de sustentabilidade em guias alimentares de 12 países

Um estudo realizado por pesquisadoras de três universidades dos Estados Unidos considerou o Guia Alimentar para a População Brasileira como o mais abrangente em relação à sustentabilidade. Além do brasileiro, publicado em 2014 pelo Ministério da Saúde, foram analisados os guias de outros 11 países, como Austrália, Reino Unido e Estados Unidos.

As pesquisadoras usaram um conceito ampliado de sustentabilidade, que leva em consideração não apenas os impactos ambientais da produção e do consumo de alimentos, mas aspectos econômicos, sociais, culturais e de saúde. Cada um dos 12 guias foi avaliado com base na presença de 32 parâmetros de sustentabilidade. A análise resultou em uma “nota” percentual para cada guia.

O brasileiro recebeu a maior: 74%. O segundo mais bem avaliado foi o guia australiano, com 69%. Todos os demais tiveram rendimento inferior a 50%. Das quatro dimensões principais estabelecidas pelo estudo — ecológica, econômica, de saúde humana e sociocultural e política — o guia brasileiro só não teve nota máxima na econômica.

Além dos países já citados, foram analisados Albânia, São Vicente e Granadinas, Granada, Catar, Holanda, Países Nórdicos, Suécia (que tem um guia independente dos outros nórdicos) e Tailândia.

Apesar do espaço amostral pequeno, as pesquisadoras ressaltam no estudo a superioridade do guia brasileiro em relação à sustentabilidade: “As diretrizes alimentares brasileiras, por exemplo, mencionam a importância de comprar alimentos sazonais e locais em várias páginas e em múltiplos contextos, enquanto as diretrizes de vários outros países, como Granada, mencionam essa subdimensão em uma extensão notavelmente menor.”

Selena Ahmed, Shauna Downs e Jessica Fanzo, autoras do estudo, escolheram os 12 participantes randomicamente em uma lista de 34 países de renda alta ou média-alta e que possuíam guias alimentares traduzidos para o inglês.

Para elas, os guias são ferramentas políticas com poder determinante sobre os padrões de consumo das populações e devem se adequar às novas demandas de sustentabilidade. “A incorporação efetiva de múltiplas dimensões da sustentabilidade em diretrizes alimentares tem o potencial de transformar os sistemas alimentares e permitir que os consumidores façam escolhas que sustentem a saúde planetária”, concluem.

Não é de hoje

Essa não é a primeira vez que as recomendações de sustentabilidade do guia brasileiro recebem menção honrosa da academia internacional. Em 2016, um relatório produzido por pesquisadores da Universidade de Oxford e publicado pela Agência das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO) destacou o guia brasileiro como um dos mais sustentáveis do mundo.

O relatório ressalta que apesar de 83 países possuírem guias alimentares próprios, apenas quatro apresentam explicitamente questões de sustentabilidade: Brasil, Catar, Suécia e Alemanha. O guia brasileiro inova ao indicar que a população deve evitar o consumo de produtos ultraprocessados não somente pelos impactos negativos à saúde, mas também pelos impactos sociais e ambientais.

De acordo com os pesquisadores, existem fortes evidências de que dietas mais saudáveis tendem também a produzir menor impacto ambiental. Introduzir dimensões de sustentabilidade nos guias é, portanto, uma maneira de incentivar escolhas alimentares mais saudáveis.

O problema é que mesmo os guias mais preocupados com a sustentabilidade ainda se fiam majoritariamente em impactos ambientais, deixando de lado os efeitos sociais e econômicos das dietas, por exemplo. Neste sentido, o guia brasileiro é apontado como o único a apresentar uma visão mais completa do conceito de sustentabilidade.

O relatório aponta ainda a experiência de outros países que tentaram incluir, sem sucesso, parâmetros de sustentabilidade em seus guias, como Estados Unidos e Austrália. No caso dos EUA, a indústria reagiu fortemente quando o grupo de especialistas que revisa o guia alimentar a cada cinco anos apontou as correlações entre dietas saudáveis e sustentáveis. Frente aos protestos da indústria, o Departamento de Agricultura (USDA, na sigla em inglês) acatou o argumento de que a sustentabilidade extrapola a competência do documento e proibiu a inclusão.

Os protestos da indústria

Não foi diferente no Brasil. Nos meses que antecederam a publicação do Guia Alimentar para a População Brasileira, representantes da indústria de alimentos se esforçaram para barrar o documento. A principal crítica era ao segundo capítulo do guia, que usa a classificação NOVA, desenvolvida pelo médico Carlos Monteiro, professor da Faculdade de Saúde Pública da USP, para dividir os alimentos por grau e propósito de processamento.

O guia sempre foi uma pedra no sapato da indústria de alimentos, que não perde uma oportunidade de criticá-lo. Para desacreditar o documento vale tudo, até dizer que ele não traz informações — acredite — sobre sustentabilidade.

“Não sei se alguém aqui já teve a curiosidade de ler o guia brasileiro com esse olhar, mas ele não traz de maneira explícita essa questão da sustentabilidade.” A frase é de Fernanda Martins, gerente sênior de Saúde e Nutrição para América Latina da Unilever, dita a uma plateia de nutricionistas e estudantes de nutrição no último congresso da SBAN — Sociedade Brasileira de Alimentação e Nutrição.

No mesmo evento, o médico e nutrólogo Carlos Alberto Nogueira, membro da Associação Brasileira de Nutrologia (Abran), registrou sua opinião sobre o guia brasileiro, mas de maneira velada. Falando sobre o guia holandês, ironizou: “Esse, diferente de outros por aí, não é um guia político e ideológico”.

No início de novembro, o Guia Alimentar para a População Brasileira completa cinco anos de existência. É um jovem que conquistou prestígio dentro e fora do Brasil, mas continua entalado na garganta da indústria.

Por:Victor Matioli
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Biólogos alemães defendem fim do termo ′raça′ para humanos

Não há base biológica para raças, e nunca houve uma. O conceito de raça é resultado do racismo
não seu pré-requisito”. A simples remoção da palavra “raça” do vocabulário acadêmico não evitará o racismo
mas pode contribuir para garantir que esse preconceito “não possa mais ser invocado por nós como uma justificativa”

Classificação biológica de pessoas em raças é uma forma de racismo, defendem especialistas

Biólogos alemães defendem fim do termo ‘raça’ para humanos

Em manifesto, pesquisadores afirmam que não há base biológica para classificação da humanidade em raças e que conceito é resultado do racismo, além de ter sido usado para justificar perseguições e escravidão.

Cientistas da Universidade de Jena, localizada no leste da Alemanha, afirmaram que não há base biológica para a classificação da humanidade em raças e lançaram um manifesto pedindo que o termo deixe de ser usado na descrição humana.

“A justificativa primariamente biológica para definir grupos humanos em raças, por exemplo, com base na cor de pele ou de seus olhos ou no formato de seus crânios, levou à perseguição, escravização e matança de milhões de pessoas”, diz um trecho do manifesto intitulado Declaração de Jena.

“Não há base biológica para raças, e nunca houve uma. O conceito de raça é resultado do racismo, não seu pré-requisito”, acrescenta o texto. Segundo os pesquisadores signatários do manifesto, a categorização hierárquica de grupos de pessoas com base em seus traços biológicos supõe relações evolutivas entre as espécies, sendo assim uma forma de racismo.

A Declaração de Jena foi elaborada pelos biólogos, especializados em evolucionismo, Martin Fischer, Uwe Hossfeld e Johannes Krause, da Universidade Friedrich Schiller de Jena, e Stefan Richter, da Universidade de Rostock. O manifesto foi apresentado no âmbito do 100º aniversário da morte de Ernst Haeckel, que foi considerado por muitos a versão alemã de Charles Darwin.

Haeckel foi um notório zoólogo e biólogo que teria contribuído para a biologia nazista. O cientista categorizou os humanos em 12 “espécies” e 36 “raças”, afirmando inclusive que grupos indígenas e negros seriam menos civilizados que europeus.  Por meio de uma suposta classificação científica de “raças humanas” em “árvores genealógicas”, Haeckel contribuiu para “uma forma de racismo aparentemente baseada na ciência”, ressalta o manifesto.

O biólogo Uwe Hossfeld afirmou que Haeckel era um “racista naturalista”, pregando ideias do seu tempo, e que o atual manifesto é uma revisão crítica da tradição da disciplina.

Pesquisas científicas sobre variações genéticas de seres humanos apontaram que “em vez de limites definidos, os gradientes genéticos ocorrem entre grupos humanos”, segundos os pesquisadores. “Para ser explícito, não apenas não há um único gene que sustente as diferenças ‘raciais’, como não existe nem mesmo um único par de bases”, explicaram.

O manifesto carrega um peso adicional na Alemanha, onde, durante o regime nazista, a eugenia, um conjunto de crenças e práticas que visava melhorar a qualidade genética de uma população humana, e a higiene racial foram amplamente aplicadas para promover o dogma ideológico nazista de manter uma raça matriz pura e biologicamente superior a outras.

O presidente da Universidade de Jena, Walter Rosenthal, admitiu que a simples remoção da palavra “raça” do vocabulário acadêmico não evitará o racismo, mas pode contribuir para garantir que esse preconceito “não possa mais ser invocado por nós como uma justificativa”.

Na Declaração de Jena, o grupo de cientistas estabeleceu uma ligação entre as formas atuais de racismo e “disciplinas aparentemente científicas”, como higiene racial e eugenia. “Designar ‘os africanos’ como uma suposta ameaça à Europa e atribuir certas características biológicas a eles está na tradição direta do pior racismo do nosso passado. Portanto, vamos garantir que as pessoas nunca mais sejam discriminadas com base em especificações biológicas”, concluíram os cientistas.

Para animais domésticos, o termo raça ainda é adequado. Segundo Hossfeld, isso ocorre porque as raças nestes casos são resultado de criação e não de um processo biológico natural. “A qualificação geográfica não se aplica a animais domésticos. Não existem dachshunds de Gilbratar que migraram para o norte”, acrescentou o biólogo.

Quem ganha com falsas controvérsias sobre ciência

É cada vez mais difícil entender sobre falsas controvérsias, polêmicas fabricadas e mentiras que tentam se passar por opinião científica respeitável. Boa parte da culpa é atribuida a “condição de pós-verdade” do mundo Ocidental – em que o valor dos fatos parece variar de acordo com sua capacidade de servir aos preconceitos dos diferentes grupos sociais, e onde figuras públicas se julgam autorizadas a mentir com impunidade – nas costas do jornalismo business as usual, aquele praticado por grandes jornais, revistas de ampla circulação, rádios e estações de TV.

 

IMAGEM IQC

Quem ganha com falsas controvérsias sobre ciência

Está cada vez mais difícil ficar atualizado com a bibliografia sobre falsas controvérsias, polêmicas fabricadas e mentiras que tentam se passar por opinião científica respeitável.Não faz muito tempo, resenhei dois livrosque tratam do assunto. Semana passada aproveitei para ler outros dois, Post-Truth, do filósofo Lee McIntyre, eLies Incorporated, do jornalista Ari Rabin-Havt, ligado à ONG Media Matters e ao Partido Democrata.

Ambos os livros põem boa parte da culpa pela atual “condição de pós-verdade” do mundo Ocidental – em que o valor dos fatos parece variar de acordo com sua capacidade de servir aos preconceitos dos diferentes grupos sociais, e onde figuras públicas se julgam autorizadas a mentir com impunidade – nas costas do jornalismo business as usual, aquele praticado por grandes jornais, revistas de ampla circulação, rádios e estações de TV.

Não porque esses veículos estejam envolvidos em alguma grande conspiração para disseminar fake news– este é o discurso de gente como Donald Trump – mas porque,ao longo do século passado (e ainda neste), esses veículos adotaram normas e procedimentos cheios de bugs, bugs que foram manipulados à larga por políticos e publicitários.

O principal efeito desses bugs é o de confundir “equilíbrio” com “objetividade”, o que se reflete na norma de que todas as partes interessadas numa determinada questão devem ter igual voz na cobertura. Trata-se de uma regra útil quando o que está em jogo é, por exemplo, a construção de um novo parque, e também pode ser importante quando se realiza um trabalho investigativo de fôlego.

Mas quando se reduz ao meramente declaratório – “ele disse isso, ela disse aquilo” – e, principalmente, quando o que está sendo discutido são pontos científicos consensuais, o recurso engana, distrai e sugere preguiça ou, pior, covardia da parte de quem escreve e publica.Como afirma McIntyre, o ponto de equilíbrio entre verdade e mentira ainda não é a verdade – portanto, é mentira. 

Ao adotar uma política de equilíbrio (na verdade, uma falsa equivalência) em questões de consenso científico, a grande mídia “longe de ganhar objetividade, produziu o efeito irônico de reduzir seu compromisso com a cobertura precisa das notícias”. 

“Quando os erros são predominantemente responsabilidade de um dos lados, fingir que todos os lados são iguais é um desserviço à verdade”, escreve.

Novo problema velho

O filósofo sugere que essa ampliação do “outroladismo” para questões de ciência agravou-se com o surgimento, no mercado americano, de redes como a Fox News, claramente partidarizadas. Para criar contraste com as redes polarizadas e evitar acusações de partidarismo, os meios que se acreditam neutros e almejam à imparcialidade teriam caído na armadilha de tentar apresentar os “dois lados” a respeito de tudo.

O fenômeno Fox News pode ter acelerado a tendência, mas está longe de tê-la criado: o próprio McIntyre aponta (no que acompanha o diagnóstico de Rabin-Havt) que o “paciente zero” da manipulação da mídia por uma controvérsia científica fabricada foi a falsa polêmica da relação entre tabaco e câncer.

Em Lies Incorporated, o jornalista relata uma série de casos – indo do tabaco à questão da saúde mental de crianças criadas por casais gays (a ciência é clara: não há problema nenhum), e passando pelo aquecimento global – em que grupos de pressão encomendaram a produção de lixo científico, ou distorceram a ciência real, para empurrar para a mídia a ideia de que a questão teria “dois ou mais lados” dignos de consideração.

E a mídia caiu como um patinho, todas as vezes. O bug da “ciência com outro lado” está aí, escancarado, desde os anos 50, e ainda é explorado – na verdade, é cada vez mais fácil explorá-lo: McIntyre nota que, depois que a CNN estabeleceu o ciclo de notícias contínuo de 24 horas, programas de debate – em que “especialistas” e jornalistas conversam entre si ad nauseam– passaram a predominar sobre o conteúdo investigativo. E para haver debate, é preciso haver “vários lados”. 

Controvérsias, aponta Rabin-Havt, servem aos status-quo. Quem fabrica uma polêmica sobre ciência quer que tudo continue como está: que nada seja feito. Que as pessoas continuem fumando, queimando petróleo e derrubando árvores, por exemplo. A função da falsa polêmica é transformar o debate político em atoleiro.

E, com a colaboração, ainda que involuntária, da mídia, a estratégia funciona: estudo conduzido por pesquisadores da Universidade Yale mostrou que, de 2008 a 2010, a proporção de americanos que acreditava da realidade do aquecimento global antropogênico havia caído de 71% para 57%. Nenhuma descoberta científica ocorrida no período explica essa queda. A questão é, apenas, de percepção e comunicação.

Para usar na escola

Já existe até material didático que aproveita o fenômeno. Creating Scientific Controversies, de David Harker, é um curso de filosofia da ciência construído em torno do tema das falsas controvérsias. Ele abre com uma revisão histórica do caso da percepção pública da relação entre tabaco e câncer, e então se lança numa densa discussão de temas filosóficos relacionados à percepção da ciência e ao fazer científico.

O autor trata de estabelecer que incerteza e convicção não são mutuamente excludentes– o fato de não existir certeza absoluta de que uma explicação é correta não nega a possibilidade de ela ser a melhor possível – e, depois, constrói o caso de que o consenso da comunidade científica, dadas as características dessa comunidade (hábito de crítica metodológica, revisão pelos pares, descentralização, tensão permanente entre competição e colaboração, etc.) tende a produzir sempre isso, a melhor explicação possível: aquela que, mesmo incerta, é a que merece convicção, pelo menos até que esse mesmo consenso evolua e traga uma melhor.

Não que o consenso seja infalível. Mas alegações extraordinárias requerem evidências extraordinárias, lembra o autor, e pondera que afirmar que o consenso de milhares de especialistas que estudam “X” está errado, e exatamente sobre “X”, é talvez a mais extraordinária alegação possível, logo deveria vir acompanhada de evidência contundente.

Harker aponta, ainda, o que considera as três “marcas” de uma controvérsia fabricada, com a ressalva de que essas marcas são mais indícios do que provas cabais. São elas:

Grupo interessado: alguém geralmente tem algo a ganhar com a negação do consenso científico, seja dinheiro, prestígio ou a mera manutenção de uma visão de mundo incompatível com a ciência. Harker adverte que o indício do “grupo interessado” pode degenerar facilmente para a falácia ad hominem, em que a crítica ao argumentador é tomada como crítica ao argumento, e pede cautela em seu uso.

Argumentação exclusivamente negativa: uma alternativa legítima ao consenso científico deve, espera-se, ser construída a partir de um conjunto de observações e experimentos originais, e oferecer uma teoria capaz de dar conta dessas observações e experimentos. Em resumo, alternativas legítimas são propositivas. Já uma controvérsia manufaturada raramente propõe algo, limitando-se a citar anomalias (reais ou fabricadas) no corpo experimental preexistente e falhas explicativas (mais uma vez, reais ou fabricadas) no corpo da teoria reinante.

Aqui, Harker retoma o princípio de que incerteza e convicção não são mutuamente excludentes. Toda teoria possui uma “superfície de contato”, uma zona-limite onde entra em choque com dados que não é imediatamente capaz de absorver, detalhes que ainda não consegue explicar de modo satisfatório, irregularidades e incertezas. É nessa zona de contato que a teoria encontra material para evoluir. E, sim, o impacto acumulado das anomalias pode até levar a teoria a ser abandonada e substituída. Mas apenas apontar a existência dessa “zona de choque” não prova nada: ela é parte normal da ciência.

Apelo à opinião pública, não aos pares: no curso normal dos eventos, um especialista que discorda honestamente de outros especialistas apresenta suas discordâncias e argumentos na literatura técnica, não nos telejornais. O apelo direto à mídia popular é um forte indicador de que a única argumentação à disposição dos promotores da controvérsia é do tipo negativo, ou de que ela não resistiria por cinco minutos à análise de uma audiência de especialistas.

“O mundo da política de pós-verdade é o resultado patético de uma cultura política onde vitória ideológica, não progresso, representa o verdadeiro objetivo”, escreve Rabin-Havt em Lies IncorporatedEle se refere aos Estados Unidos, mas a situação no Brasil não é muito diferente.

De fato, a atual campanha que tenta desmoralizar os dados oficiais do Inpe sobre desmatamento se conforma bem aos padrões de desonestidade intelectual estudados lá fora. A intenção, aventada várias vezes for figuras-chave do governo, de criar uma “apuração paralela” da taxa de desmatamento da Amazônia segue de perto o playbook dos fabricadores de controvérsias, que buscam transformar debates em atoleiros: se os dados legítimos não agradam, fabriquem-se (e comprem-se) dados “alternativos”.

Não temos – ainda, ao que parece – empresas de relações públicas e think tanks mercenários especializados em construir mentiras científicas, como os denunciados em Lies Incorporated, mas o mercado é sempre sensível à demanda. O Heartland Institute, recentemente visitado por representantes do governo brasileiro, é um grande produtor de laudos sobre aquecimento global que dizem os que os negacionistas gostam de ouvir, por exemplo.

Pelo menos no caso do desmatamento, a mídia brasileira parece ter acordado de sua catalepsia outroladista. Vamos ver como o jogo prosseguirá quando (e se) os números alternativos começarem a aparecer.

 

 

 

“Nature” publica guia sobre pensamento crítico

Experiências pessoais e relatos isolados, por si sós, não provam nada. O fato de uma solução/terapia/intervenção ser usada há décadas ou séculos não implica que ela seja segura ou eficiente. O fato de uma solução/terapia/intervenção ser baseada numa nova descoberta científica ou numa tecnologia maravilhosa não implica que ela seja segura ou eficiente. Opiniões de especialistas, autoridades ou celebridades não bastam para embasar uma alegação.

A revista “Nature” publicou, no início do mês, um artigo de opinião, assinado por 25 pesquisadores, sugerindo uma série de critérios e advertências para a tomada de decisão em questões de política e pública e saúde, adaptados do padrão-ouro da pesquisa médica, o teste controlado, randomizado, duplo-cego com grupo placebo, o popular RCT. 

O artigo todo é muito bom e vale a leitura, mas como é longo e está em inglês, vamos dar um resumo por aqui. O princípio básico é de que alegações de eficácia e propostas para a solução de problemas – médicos, sociais, econômicos, domésticos, você escolhe – devem, sempre que possível, ser baseadas em evidência produzida preferencialmente por comparações justas.

A ideia de comparação justa – em que os grupos avaliados têm formação semelhante, encontram-se em condições iguais e são tratados de forma idêntica, exceto no que diz respeito à intervenção testada – é a base dos RCTs médicos. Generalizar o procedimento específico dos testes clínicos para questões sociais pode ser complicado (embora não impossível), mas o princípio é algo que vale a pena ter em mente, ainda que como um ideal a ser alcançado.

Fazem também parte do guia uma série de princípios que, neste alvorecer do século 21, quatrocentos anos após a Revolução Científica e quase duzentos anos depois de a profissão médica ter se convencido de que lavar mãos salva vidas, deveriam ser tão óbvios quanto o fato de que galinhas têm penas e porcos não voam. Mas não são. São princípios que precisam ser aprendidos, repetidos, e defendidos com unhas e dentes no debate público. Alguns deles:

Experiências pessoais e relatos isolados, por si sós, não provam nada;

O fato de uma solução/terapia/intervenção ser usada há décadas ou séculos não implica que ela seja segura ou eficiente;

O fato de uma solução/terapia/intervenção ser baseada numa nova descoberta científica ou numa tecnologia maravilhosa não implica que ela seja segura ou eficiente;

Opiniões de especialistas, autoridades ou celebridades não bastam para embasar uma alegação;

E, o clássico absoluto:

Correlação não implica relação de causa e efeito! 

Ou, como os autores do guia escrevem, “muitas pessoas não percebem que duas coisas podem estar associadas sem, necessariamente, uma causar a outra”.

O artigo na “Nature” chama atenção para o fato de que a mídia – incluindo publicações universitárias e o material de divulgação produzido por institutos de pesquisa e enviado para a imprensa – perpetua esse falso elo entre associação e causação, principalmente como estratégia para “esquentar” matérias sobre dietas, saúde e hábitos de consumo.

Notando que o público tem dificuldade em discriminar o grau de confiabilidade de diversos tipos de evidência, o guia cita pesquisa realizada no Reino Unido que apontou que apenas pouco mais de um terço da população britânica confia em pesquisa médica, enquanto que dois terços confiam nas experiências pessoais de amigos e familiares com remédios e tratamentos.

Nem todos os problemas, porém, estão no senso-comum do público em geral, não escolado nas sutilezas do método científico ou nas críticas clássicas de David Hume (1711-1776) à facilidade com que fazemos inferências injustificadas sobre regularidades da natureza e relações de causa e efeito.

Há princípios no guia que dizem respeito a alguns maus hábitos que volta e meia se instalam na prática científica, por exemplo:

Mais dados não são, necessariamente, dados melhores;

Deve-se dar atenção aos resultados principais, não a indicadores indiretos (por exemplo, aumentar a sobrevivência do paciente é mais importante do que melhorar os resultados de seu exame de sangue);

Estudos pequenos podem levar a conclusões erradas;

Os resultados de um único estudo, tomados de forma isolada, podem levar a conclusões erradas;

Declarar um resultado “estatisticamente significativo” ou “não significativo” pode levar a conclusões erradas;

Revisão pelos pares e publicação num periódico científico não são garantia de que a comparação foi justa.

Estes últimos pontos são especialmente importantes hoje em dia, quando vendedores de panaceias, milagres estéticos diversos e defensores de terapias alternativas se esmeram em reunir “evidência científica” a favor de suas gororobas.

A própria “Nature”, para ficar no mesmo periódico, já publicou artigos, revisados pelos pares e nunca retratados, afirmando que o ilusionista israelense Uri Geller era capaz de, por meios paranormais, adivinhar corretamente os resultados de dados agitados dentro de uma caixa fechada; e que água é capaz de reter a “memória” de materiais com que já teve contato.

Vistos isoladamente, cada um desses trabalhos pode parecer revolucionário. No contexto maior da ciência, reduzem-se a curiosidades históricas e lições práticas sobre erros de metodologia.

Seria muito bom se o guia publicado agora fosse disseminado e passasse a embasar discussões, não só de ciência, mas também de política pública – e também, na medida do possível, os processos de tomada de decisão por que todos passamos no dia a dia. Seria uma lufada de ar puro, em meio ao miasma atual de preconceito e arrogância que passa por evidência no discurso público em que, para o bem ou para o mal, todos estamos inseridos.