Falar abertamente de sexo e de gênero não perverte crianças e jovens

Em “Três ensaios sobre a Teoria da Sexualidade” Freud desafiou a convenção da época dizendo que era um equívoco pensar que as práticas sexuais deveriam visar apenas fins reprodutivos – muitas delas (senão todas) teriam como objetivo o prazer – e que as crianças eram, sim, seres sexuais.

Alunos do colégio Magno, de São Paulo, durante aula de educação sexual.

Quer proteger crianças de abusos e preconceito? Então, precisamos falar sobre sexo e gênero com elas.

Em 1905Sigmund Freud lançou “Três ensaios sobre a Teoria da Sexualidade” e desafiou a convenção da época. Neles, Freud disse que era um equívoco pensar que as práticas sexuais deveriam visar apenas fins reprodutivos – muitas delas (senão todas) teriam como objetivo o prazer – e que as crianças eram, sim, seres sexuais. A obra escandalizou a sociedade do início do século 20 ao sugerir que a sexualidade fazia parte do desenvolvimento humano.

Hoje, quem se escandalizaria seria Freud. Passado mais de um século de incontáveis evidências sobre a naturalidade da diversidade sexual, que levaram aOrganização Mundial de Saúde, a OMS, a reconhecer que direitos sexuais são direitos humanos, a sociedade ainda não lida bem com essa ideia. Uma pequena amostra disso foi osuicídio recente de James Myles, de apenas 9 anos. Myles tirou a própria vida após ter sofrido bullying homofóbico em sua escola nos Estados Unidos.

A maior parte das crianças de 9 anos ainda não tem total consciência da sua identidade sexual e de gênero, mas já pode ser vítima de preconceito. As atitudes preconceituosas são dirigidas justamente a pessoas como Myles, que desviam do que é socialmente esperado para elas. Tragédias como essa revelam por que a população de lésbicas, gays, bissexuais e, principalmente de travestis e transexuais, são desproporcionalmente mais sujeitas aviolência letale têm maior índice de desfechos negativos em saúde mental. Inúmeras evidências internacionais mostram quejovenseadultosLGB apresentam prevalência de tentativa de suicídio duas vezes maior se comparados à da população heterossexual. O caso das pessoas trans é ainda mais grave,nos Estados Unidos41% delas já tentaram suicídio em comparação com 4,6% da população em geral.

No Brasil, o cenário não é diferente. Umapesquisa conduzidapelo meu grupo de pesquisa na PUC do Rio Grande do Sul, com amostra de quase 10 mil jovens entre 11 e 24 anos de todo o país mostrou que, de 2004 a 2012, as tentativas de suicídio entre aqueles que não haviam sofrido preconceito por causa de sua orientação sexual caíram 20%. Em contrapartida, entre aqueles que sofreram esse tipo de preconceito o aumento foi de 60%.

Orientação sexual e identidade de gênero não são doença

Historicamente, o fato de que as pessoas que desviavam do que era socialmente esperado em relação à sexualidade e ao gênero terem maior prevalência de depressão, ansiedade e tendência suicidas era encarado como indicador de psicopatologia. Ou seja, haveria algo intrínseco a homo, bi e transexualidade que as relacionaria à doença mental. Por quase um século, a heterossexualidade foi tratada, compulsoriamente, como a única forma de sexualidade – inclusive por meio de supostas terapias reversivas, conhecidas como a “cura gay”, que só promoveram mais sofrimento.

Essa coação social e médica, porém, nunca foi o suficiente para mudar o desejo sexual e a identidade de gênero naqueles que os expressavam. Portanto, não é razoável supor,como sugerem candidatos a presidente em cadeia nacional, que a mera menção da existência da diversidade sexual e de gênero seria o suficiente para que o mesmo acontecesse com a população hétero e cissexual –pessoas que têm uma identidade de gênero que concorda com o sexo atribuído no nascimento.

Com a progressiva remoção da homossexualidade dosmanuais de diagnósticos, essa compreensão ultrapassada mudou. Ser gay, lésbica ou bissexual não é um problema de saúde.O que leva a mais suicídios, depressão e ansiedade é o preconceito. Os esforços dos profissionais e políticas de saúde devem se voltar aocombate à discriminação.Na mesma esteira, em 2018, aOMS retirou a transexualidade do rol das doenças mentaisgarantindo o acesso aos procedimentos médicos de afirmação de gênero, ao mesmo tempo que diminui o estigma relacionado ao diagnóstico.

Mas como se combate o preconceito e se protege as crianças de agressões de natureza sexual? Falando de sexo e gênero de maneira franca e não estigmatizante nas escolas. Diversos estudos têm mostrado que a educação sexual, feita dessa forma, no contexto escolar écapaz de reduzir a vulnerabilidade para o HIV, aviolência sexual, e, principalmente,o preconceito. Em relação ao abuso sexual de crianças, diversas pesquisasapontam que programas que são focados no conhecimento a respeito da sexualidade, e treinamento de habilidades para identificar e evitar agressões sexuais são eficazes para reduzi-las.

Os detratores desse tipo de proposta costumam associar a tentativa de se tratar em sala de aula temas sobre sexualidade à pedofiliae à erotização precoce. Essa afirmação não tem qualquer respaldo científico. No Brasil, esse discurso é também paradoxal. Essa suposta tentativa de proteção à infânciaconvive com a produção e consumo crescente de imagens erotizadas das crianças, especialmente dirigida ao público masculino heterossexual.

Participantes da 16º edição da Caminhada de Mulheres Lésbicas e Bissexuais, com o tema “Somos Marielle”, contra a criminalização da pobreza, o genocídio e a intervenção militar, na avenida Paulista, na região central de São Paulo.
Foto: Eduardo Carmim/Photo Premium/Folhapress


Se as histórias de vida das pessoas LGBTs nunca forem contadas na escola e se os alunos e alunas nunca ouvirem as palavras homossexualidade ou transexualidade de maneira positiva, será imposto aos estudantes LGBTs que lidem com o bullying sozinhos. Enquanto o assunto for tratado como tabu, o fardo de ser “diferente” será apenas dos estudantes e de suas famílias.

Da mesma forma, quando não se discute abertamente como e quando a sexualidade deve acontecer e o que são toques e carícias esperados e consentidos, será imposto às crianças que são vítimas de abuso sexual (quase sempre dentro da família) que lidem com essa violência sozinhas.

Uma estratégia bem-sucedida nesse sentido é oGRIS – Montreal, o Grupo de Pesquisa e Intervenção Social. Fundada em 1994, a ONG realiza intervenções em escolas levando ex-alunos LGBTs para conversar com turmas de ensino fundamental e médio. Os ex-alunos contam suas próprias experiências de superação e como se preveniram de situações de violência e exclusão, além de responder a dúvidas das crianças e jovens.

Em relação à prevenção do suicídio, uma das melhores iniciativas é o projetoThe Trevor. Trata-se de uma ONG americana fundada em 1998, que oferece serviços de aconselhamento psicológico para jovens LGBTs, além de recursos educativos para pais e professores. O projeto foi lançado pelos idealizadores do filme “Trevor“, ganhador do Oscar de melhor curta-metragem em 1998, que conta a história de um jovem gay que tenta suicídio após sucessivos episódios de bullying escolar. No Brasil, infelizmente, não existem iniciativas como o Trevor e a Gris.

É surpreendente que, no Brasil, onde abundam dados sobre o flagelo doabuso sexual infantileviolência contra LGBTs, não estejamos implementando políticas para diminuir esses fenômenos com estratégias amplamente disponíveis na literatura científica. Pelo contrário, discute-se oboicotea tais estratégias, mostrando que a violência dirigida aos jovens LGBTs no Brasil não é uma crise pontual, mas um projeto deliberado.

O exemplo do GRIS, em Montreal, e do Trevor, nos Estados Unidos, revela que falar abertamente de sexo e de gênero não perverte crianças e jovenscomo acredita o candidato Jair Bolsonaro, mas previne que elas sejam as próximas vítimas da violência sexual, de homicídios e de suicídios que poderiam ser evitados.

Fonte:The Intercept
Por: Angelo Brandelli Costa
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“… o racista tem problemas psíquicos muito sérios que necessitam de tratamento psicológico ou psiquiátrico…”

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Fonte: Casa do Saber
Por Silvio Luiz de Almeida – Pós-doutor pelo departamento de Filosofia e Teoria Geral do Direito da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP). Doutor em Filosofia e Teoria Geral do Direito pela Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP). Mestre em Direito Político e Econômico e Bacharel em Direito pela Faculdade de Direito da Universidade Presbiteriana Mackenzie. Graduado em Filosofia pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (FFLCH-USP). Professor do Curso de Graduação em Direito e Docente Permanente do Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Direito Político e Econômico da Universidade Presbiteriana Mackenzie (SP). Professor de Filosofia do Direito e Introdução ao Estudo do Direito da Universidade São Judas Tadeu (SP). Presidente do Instituto Luiz Gama (SP). Advogado em São Paulo.
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Ideologia de gênero parece ideologia mas é religião

O papa Bento XVI – Ratzinger – começou a usar a expressão para advertir dos “perigos” do feminismo, especialmente para a família tradicional.ide1

                        Parece ideología, pero es religión

Igual lo has leído en las noticias, se lo has escuchado a los políticos o incluso lo has usado en alguna conversación sin saber muy bien qué significaba. Es el término “ideología de género” que nada tiene que ver con “estudios de género” o “teoría de género”. Se parecen, pero no. Pablo Casado lo ha resucitado en las últimas semanas en su campaña para las primarias del PP, como si fuera un monstruo al que abatir. Literalmente, dijo que era “un colectivismo social que el centro derecha tiene que combatir”. Lo hizo en una entrevista en esRadio, en el programa de Federico Jiménez Losantos.

Pero, ¿qué es la ideología de género de la que habla Pablo Casado? Resulta que el término tiene más que ver con la religión que con la teoría académica, aunque ha terminado siendo política. Se popularizó principalmente cuando el papa Benedicto XVI – Ratzinger- empezó a usarla para advertir de los “peligros” que podría traer el feminismo, especialmente contra la familia tradicional. En España, los sectores de derechas y ultracatólicos lo adoptaron para oponerse a la ampliación de la Ley del aborto, como recoge esta columna de 2009 de Concha Caballero:

La derecha social y eclesial ha acuñado un término con el que designan los males sociales actuales y que denominan “la peligrosa ideología de género” que está impregnando las leyes actuales. Los think tank del pensamiento ultraconservador elaboran documentos, libros y artículos con un argumento común, tan fácil de comprender como un cuento infantil: la familia tradicional es la fuente de toda felicidad y fuera de ella sólo hay soledad y conflicto social”.

“En el contexto de la política hacer alusiones a combatir la ideología de género hace mención a ir en contra de los avances en igualdad de los derechos de las mujeres que se han producido fundamentalmente en el siglo XX como el acceso a la educación, a la igualdad de derechos civiles, y de forma más específica contra los avances sociales y leyes relacionadas con la salud sexual y reproductiva de las mujeres, la lucha contra la violencia machista o los derechos del colectivo LGTBI”, explica Rosa San Segundo, catedrática y directora del Instituto de Estudios de Género de la Universidad Carlos III.

Los que hablan de la ideología de género suelen acompañarlo de palabras como “adoctrinamiento” “radical” y tildarla como “peligrosa”. También aseguran que existe una agenda perfectamente planificada para imponer sus planteamientos a través de leyes innecesarias y adoctrinar a los niños en las escuelas sin el consentimiento de sus padres.

“En el fondo, muestra mucho desconocimiento y es un mal uso de la palabra. Creo que es una confusión con un uso interesado porque todos tenemos ideología, está implícita en todo lo que hacemos. Siempre nos educan con una perspectiva ideológica. En este caso, usan ideología de género para hablar del pensamiento feminista y sus logros, como para desacreditarlo”, opina Asunción Bernárdez Rodal, directora del Instituto de Investigaciones Feministas de la Universidad Complutense. “Pero ellos también tienen ideología de género, todos la tenemos, solo que la de los sectores más religiosos es una ideología basada en la desigualdad de la mujer”.

La prueba de Google también lo demuestra: la búsqueda “ideología de género” remite a resultados de páginas como conelpapa.com o catholic.net. Cuando alguien utiliza este término está eligiendo de manera consciente la idea que quiere transmitir y dónde se sitúa respecto al mensaje feminista. Y es importante. Pero cada vez que resucita ese término, que vuelve a tomar fuerza en el debate público, también resucita un histórico cántico de las manifestaciones “fuera los rosarios de nuestros ovarios”.

Fonte: EL PAÍS
Por: Mari Luz Peinado
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O Projeto Discriminação da Associação de Psiquiatria do RGS – APRS

O fato da Conduta Discriminatória de uma determinada pessoa (discriminador) causar sofrimento mental em outra (discriminado), indica a necessidade de que profissionais da saúde mental devam se interessar pelo tema.logo

O Projeto Discriminação-APRS (PD) tem como objetivo básico a apropriação do estudo pela Psiquiatria da Conduta Discriminatória (CD), cuja origem é basicamente psicológica e que produz sofrimento mental e/ou físico no discriminado podendo chegar, em casos extremos, ao suicídio. O fato da CD de uma determinada pessoa (discriminador) causar sofrimento mental em outra (discriminado), indica a necessidade de que profissionais da saúde mental devam se interessar pelo tema.
Atualmente há na sociedade somente duas instâncias que auxiliam a inibir a CD: os grupos discriminados organizados e seus simpatizantes (organizações governamentais e não governamentais) e o Direito que considera criminosa esta conduta. O Direito já se apropriou do estudo da CD e a considera crime em muitas situações. Mesmo que a questão legal só apareça no final do processo discriminatório. O psiquismo, que está presente – no início, meio e fim do processo discriminatório – ainda não nos motivou a apropriação do seu estudo da maneira como a sociedade contemporânea o considera. Inicialmente, para isso deveríamos encontrar uma denominação-conceito compatível com crime, que é a definição da Ciência Jurídica para a CD nas sociedades mais avançadas. Certamente se a nossa área de atuação encontrar uma denominação-conceito mais atualizada, compatível com a do Direito, estaríamos criando uma terceira instância inibidora desta conduta geradora de sofrimento mental.
Para isso, é necessária uma maior mobilização e participação dos profissionais da saúde mental na discussão da CD. Estamos convidando os colegas interessados para conhecer e aprofundar o estudo sobre esse tema. A partir de encontros/debates decidiremos os próximos passos dentro da instituição. Também iniciaremos a divulgação do PD para profissionais e grupos de Saúde Mental e de Direitos Humanos com o objetivo de agregar outras parcerias que também possam contribuir para o avanço do entendimento do PD.
Interessados em participar do Projeto Discriminação, bem como em textos publicados sobre o tema, devem entrar em contato com o Dr. Telmo Kiguel através do email telki@terra.com.br

A seguir matérias com conteúdos que coincidem com as idéias básicas do PD:

1 – Do Dr. Carlos Augusto Ferrari Filho: Quem é o Discriminador Machista, Racista, Homofóbico, Antissemita, etc.: uma visão psicanalítica

2 – Duas entrevistas com o coordenador do PD:

Condutas discriminatórias precisam de diagnóstico compatível com o crime, defende psiquiatra

Uma nova entrevista sobre Discriminação: “O melhor caminho é a prevenção”

3 – A proposta diagnóstica formulada pela escritora nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie, no premiado livro Americanah.

4 – A do secretario-geral da ONU, António Guterres, sugerindo que as discriminações e o desrespeito aos direitos humanos devem ser prevenidos e definidos como doença.

5 – E um vídeo com a opinião do Dr. Drauzio Varella sobre a origem da homossexualidade.

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E por fim, as instituições que apoiam o Projeto Discriminaçã:

O Centro de Estudos Luis Guedes – CELG – do Departamento de Psiquiatria e Medicina Legal da Faculdade de Medicina da UFRGS e do Serviço de Psiquiatria do Hospital de Clinicas de Porto Alegre apoia o Projeto Discriminação – APRS.

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O Centro de Estudo de Psiquiatria Integrada – CENESPI – do Departamento de Psiquiatria e Medicina Legal da Faculdade de Medicina da PUCRS e do Serviço de Psiquiatria do Hospital São Lucas – PUCRS apoia o Projeto Discriminação – APRS.

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Os professores da Disciplina de Psiquiatria do Curso de Medicina da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre – UFCSPA apoiam o Projeto Discriminação – APRS.

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O Curso de Medicina da Universidade Luterana do Brasil – ULBRA, a Liga de Psiquiatria e a Liga de Medicina de Família e Comunidade apoiam o Projeto Discriminação – APRS.

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O SIMERS – Sindicato Médico do Rio Grande do Sul apoia o Projeto Discriminação – APRS.simers

A AMRIGS – Associação Médica do Rio Grande do Sul apoia o Projeto Discriminação – APRS
A ARI – Associação Riograndense de Imprensa apoia o Projeto Discriminação – APRS

Fonte: Projeto Discriminação da Associação de Psiquiatria do RGS – APRS

Textos correlatos que complementam o entendimento do PD:

1. Sobre definição/diagnóstico da Conduta Discriminatória:

Conduta Discriminatória: tentativa de conceituação motiva correspondência entre psiquiatras.

Eis um discriminador racista e antissemita. Reconhecendo é possível prevenir.

É possível que todas as Condutas Discriminatórias tenham a mesma origem

A verdadeira homofobia não é o ódio aos homossexuais

Prevenindo a Conduta Discriminatória Machista.

Não temos previsão de avançar no combate ao racismo

A invisibilidade dos negros é indesejável. A dos racistas é paralisante.

De onde partirá a iniciativa de prevenir a Conduta Discriminatória Racista

É possível o diálogo entre discriminado e discriminador?

Como prevenir o machismo com violência se ninguém entende o que é?

Antissemita esquizofrênico assassino ininputável

Discriminados também discriminam

Discriminados reconhecem que também podem ser discriminadores

Racista, doente mental, condenada e inimputável

Pessoas imaturas, discriminadoras, facistas, nazistas, de sangue puro e o bode expiatório

Por que mulheres, negros e homossexuais não se unem contra todos discriminadores?

Publicitários também definem o discriminador como um doente

A origem da ação do discriminador é emocional

“Raças” não existem, ou melhor, existem só na cabeça dos racistas

2. Sobre Religião e Laicidade:                                                         Religião e laicidade: discriminação e violência.

A Psicanálise, as Discriminações e as Religiões

Religiosos discriminam agnósticos e ateus: medidas preventivas são criadas

Grupos conservadores e de religiosos fundamentalistas discriminam meninas com pênis e meninos com vagina

Psicanálise, discriminação, publicidade e saúde mental

“A igreja hierárquica precisa lavar a boca antes de falar das pessoas LGBTQI”

As 10 maiores “machistadas” da Biblia

Pastor evangélico propõe que homossexuais usem roupas com cores especias para serem identificados

3. Sobre Educação:

Educação e criminalização não previnem discriminação

O que não quer mulher na política prova que educação não previne discriminação

USP um espaço educador que não previne o machismo

Machismo na Harvard e USP: a diferença do enfrentamento

Harvard expulsa 10 calouros discriminadores

Candidatos a vagas em Harvard são discriminados por raça

Terapeuta pedófilo abusa sexualmente de 35 crianças

Discriminadores: um grupo que aumentará enquanto não houver interesse em prevenção.

“Juizes e advogados não tem boa formação em violência de gênero”

O machismo e a medicina

Escolas podem debater violência de gênero e sexualidade

Pessoas mais escolarizadas discriminam as menos escolarizadas

Meios acadêmicos indiferentes a violência de gênero

Ex-ministro da cultura não é o machista agressor-padrão

Pessoas mais escolarizadas discriminam as menos escolarizadas

Machistas protegidos nas Universidades

Pesquisa constata desinformação de médicos sobre homossexualidade

5 comentários
Saul Cypel Prof. Livre Docente de Neulogia Infantil                       11 de agosto de 2016
Em momento oportuno APRS oferece a oportunidade para tratar da Discriminação de modo abrangente, com sensibilidade para o sofrimento emocional que esta condição desumana produz, introduzindo este debate com outras instituições seriamente interessadas neste tema.
Meus cumprimentos por esta escolha que certamente trará resultados úteis à nossa sociedade.

Olga Garcia Falceto        12 de agosto de 2016
Boa iniciativa! Trabalho muito necessario e atualíssimo!
grande abraco,
Olga Falceto

Flavio Aguiar          12 de agosto de 2016
Muito oportuno e com boa direção. Mais que necessário nesta nova era que se abre diante de nós, e que se pode chamar de era Temer-Cunha-Feliciano. Flavio Aguiar.

Ellis Busnello      15 de agosto de 2016
“Gostaria de nesse momento parabenizar a nossa APRS pela oportuna iniciativa, dada a importância prioritária que é lidar com a CD. Trata-se no entender nosso de uma Prioridade porque preenche os requisitos por ser ela Grave, de Prevalência Alta bem como de Importância Médico Social, e por naturalmente não ter até o presente momento recebido esta caracterização de ser uma Prioridade Psiquiátrica e/ou de Saúde Mental. Creio ter deixado claro os motivos pelos quais nós os Médicos e ainda mais os
Médicos Psiquiatras temos o dever de colocar na linha de frente das nossas atividades a colocação da Conduta Discriminatória, com possível vista a ser incorporada à toda atividade da Prática Psiquiátrica. Pela sua própria natureza de lidar com Doenças e /ou Transtornos Mentais, compreendendo uma vasta gama de comportamentos com condições de surgimento e tempos de duração que os expõem à possibilidade de serem Conduzidos Discriminatoriamente, mesmo quando na busca de proporcionar um maior nível de Saúde Mental para todos, penso ser um Compromisso e um Dever das Associações Psiquiátricas Brasileiras e orgulhoso de saber que a APRS emprestou a devida importância ao estudo do tema.”

Aracy Albani           19 de setembro de 2017
Parabéns pela iniciativa. Muito sucesso nessa tarefa complexa, necessária para termos uma sociedade mais justa e solidária.

 

“Subvenção governamental para fazer campanhas racistas, machistas e homofóbicas”

“Associação católica recebe subvenção para para fazer campanha racista, contra a comunidade LGTBIQ+ e aos direitos da mulher. Isto vai frontal e radicalmente contra os direitos humanos, da familia, da infância, da igualdade de oportunidades e tolerância”

hazte

Autobús de la plataforma HazteOír.org que recorre varias ciudades de España con lemas rotulados contra los niños transexuales

El Gobierno, “de momento, no se ha planteado” retirar la “utilidad pública” a Hazte Oír

El Gobierno de Pedro Sánchez, “de momento, no se ha planteado” retirar la declaración de “titularidad pública” a la asociación ultracatólica Hazte Oír, por la cual puede recibir subvenciones pese a centrar sus campañas que se centran en ideas racistas y homófobas.

Así lo han confirmado desde el Ministerio del Interior que dirige Fernando Grande-Marlaska a ElPlural.com, explicando también que, llegado el momento, habría que seguir la normativa que regula el derecho de asociación, en concreto la Ley 1/2002 del 22 de marzo.

Esta posición de inacción contrasta con la beligerante que tomó el PSOE hace poco más de un año cuando exigió al Ejecutivo de Mariano Rajoy retirar esta tipificación a la organización ultracatólica en plena polémica por el autobús transfobo que intentó recorrer las carreteras españolas. Su campaña y reiterados ataques a la comunidad LGTBIQ+, así como a los derechos de la mujer, provocaron una gran movilización en contra, junto con el rechazo de algunas administraciones, no así del anterior Gobierno central. Según su propia información, esta organización homófoba dispone de un presupuesto anual que supera los 2,6 millones de euros.

En marzo de 2017 Podemos presentó una proposición no de ley en el Congreso para exigir que el Gobierno dejase de dar esta calificación de forma inmediata, petición a la que se sumó el PSOE y que al final fue aprobada por sus votos más los de Ciudadanos y ERC, pidiendo al Gobierno del Partido Popular que revocase esta declaración de utilidad pública, ya que las actividades desarrolladas por Hazte Oír son “frontal y radicalmente contrarias a los valores, fines y principios que justifican la declaración de interés general de una asociación y, en concreto, a los de promoción de los valores constitucionales, de los derechos humanos, de la familia, de la infancia y de la igualdad de oportunidades y de la tolerancia”.

Motivos suficientes para retirarla

Ahora, con la llegada de Pedro Sánchez al Ejecutivo, el PSOE tiene la posibilidad de retirar de un plumazo la “titularidad pública” a Hazte Oír. Según la ley “la declaración será revocada, previa audiencia de la asociación afectada e informe de las Administraciones públicas competentes, por Orden del Ministro que se determine reglamentariamente, cuando las circunstancias o la actividad de la asociación no respondan a las exigencias o requisitos fijados” en la norma.

Hace un año, desde la oposición tenían claro que Hazte Oír no cumplía los requisitos legales para ostentar este estatus que son, entre otros, que sus fines “sean de carácter cívico, educativo, científico, cultural, deportivo, sanitario, de promoción de los valores constitucionales, de promoción de los derechos humanos, de asistencia social, de cooperación para el desarrollo, de promoción de la mujer, de protección de la infancia, de fomento de la igualdad de oportunidades y de la tolerancia”.

La portavoz de Igualdad del PSOE en el Congreso, Ángeles Álvarez, en conversaciones con ElPlural.com, señala un paso más, y es que Hazte Oír “no hace prestación de servicios” sino que sólo se dedica a la “movilización”, por lo que se podría interpretar que tampoco está cumpliendo la normativa.

Hazte Oír no, pero otras sí

El caso de la organización ultracatólica es más llamativo si se recuerda que el Gobierno de Mariano Rajoy retiró la titularidad pública a otras asociaciones como con la Federación de Planificación Familiar, dedicada a hacer campañas de prevención del sida o de embarazos no deseados que sí que son de utilidad pública. La decisión de Interior, en ese momento dirigido por Juan Ignacio Zoido, partió a partir de una denuncia de la Asociación Española de Abogados Cristianos, como recuerda Ángeles Álvarez.

Fonte: El Plural
Por: Alejandro Godoy
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“A igreja hierárquica precisa lavar a boca antes de falar das pessoas LGBTQI”

“Sob o pretexto da religião e da fé, a Igreja modela a intolerância, fomenta o preconceito e tenta justificar a discriminação”

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É preciso mudar a linguagem da Igreja sobre as pessoas LGBT, afirma grupo irlandês

Abaixo-assinados da We Are Church Irlanda se opõe à linguagem ‘cúmplice à marginalização’.

Um grupo irlandês em campanha pela reforma da Igreja Católica divulgou um abaixo-assinado antes da visita do Papa Francisco à Irlanda em agosto pedindo para o Vaticano mudar a “linguagem teológica que está gravemente insultando pessoas LGBTQI“. (As iniciais significam: “lésbicas, gays, bissexuais, transgêneros, queer e intersexuais”.)

A reportagem é de Sarah Mac Donald, publicada por National Catholic Reporter, 13-06-2018. A tradução é de Luísa Flores Somavilla.

O grupo We Are Church Ireland está incentivando a todos que se sentem ofendidos ou irritados com o uso de termos como “objetivamente desordenado” e “intrinsecamente mal” pela Igreja em relação às pessoas LGBTQI a assinarem o abaixo-assinado.

O porta-voz do grupo, Brendan Butler, disse que o abaixo-assinado exige o fim do uso de “linguagem não cristã [pelo Vaticano] para descrever nossos irmãos e irmãs LGBTQI”.

“Para uma instituição como a Igreja Católica, ensinar que essas palavras são uma expressão da mente de Deus para descrever a imagem das pessoas LGBTQI não apenas é escandaloso, mas também é uma blasfêmia”, criticou.

O abaixo-assinado está sendo liderado pela ex-correspondente política da TV3 na Irlanda, Ursula Halligan, juntamente com o senador irlandês David Norris e Pádraig Ó Tuama, líder da comunidade de paz Corrymeela.

Explicando sua participação, o trio diz que a linguagem formal utilizada faz com que a Igreja institucional seja cúmplice da marginalização das pessoas LGBTQI.

“Sob o pretexto da religião e da fé, a Igreja modela a intolerância, fomenta o preconceito e tenta justificar a discriminação”, criticaram, num comunicado.

O senador David Norris, membro da comunidade anglicana, por décadas lutou pela descriminalização da homossexualidade, atingida em 1993. Ele faz duras críticas ao tratamento que as igrejas cristãs dispensam às pessoas LGBTQI.

“Como fiel praticante da igreja cristã, tenho que dizer que sua história em relação aos gays é um registro chocante de criminalidade e brutalidade”, observou. “Por iniciativa das igrejas, os gays têm caído no ostracismo e tem sido torturados e assassinados. É inaceitável haver qualquer continuação da linguagem selvagem e insensível empregada por algumas igrejas ao lidar com os gays. É salutar lembrar que Jesus Cristo nunca menciona ou condena a homossexualidade”.

Norris, Halligan e Ó Tuama sentem que é “imperativo” para eles falar “com coragem” contra a “contínua insistência [da Igreja] de chamar as ‘inclinações’ da comunidade LGBTQI de ‘objetivamente desordenadas’ (Catecismo da Igreja Católica, 2358), ou ainda pior, ‘ordenadas em direção a um mal moral intrínseco’ (Carta aos Bispos da Igreja Católica sobre o Cuidado Pastoral da Pessoa Homossexual, 1986)”.

O grupo pediu uma mudança forma por parte da Igreja em sua linguagem sobre as incontáveis pessoas LGBTQI “cujas vidas se beneficiam da Igreja e que são impactadas por termos depreciativos como esses”.

“Como católico gay, não me reconheço nos termos usados sobre mim em documentos da Igreja ou na doutrina”, disse Ó Tuama, que atua como líder da Comunidade Corrymeela, a organização de paz e reconciliação mais antiga da Irlanda do Norte. “Os Evangelhos descrevem a dignidade da humanidade, principalmente dos que eram castigados ou marginalizados. A Igreja seria mais fiel ao seu testemunho se sua linguagem construísse pontes em vez de diminuir a dignidade”.
“Se um negócio ou uma empresa usasse uma linguagem como essa, seria publicamente repreendida e punida pelo Estado. A igreja hierárquica precisa lavar a boca antes de falar das pessoas LGBTQI”, criticou Halligan, jornalista da Dublin City University.

O abaixo-assinado foi divulgado no dia 7 de junho, e membros da rede internacional da We Are Church têm assinado o documento desde então. Representantes da We Are Church Irlanda têm chamado a atenção da quarta conferência da International Church Reform Network (Rede Internacional da Reforma da Igreja), que acontece de 11 a 15 de junho, em Bratislava, Eslováquia, para o documento. Espera-se que os representantes desses outros grupos de apoio à reforma da Igreja apoiem o abaixo-assinado e divulguem o material aos seus membros do mundo todo.

Segundo Butler, o abaixo-assinado é apenas o primeiro passo em uma campanha muito maior para repensar a teologia da Igreja sobre sexualidade humana. “É preciso haver uma mudança de cultura dentro da Igreja institucional antes de qualquer coisa”, disse ele ao NCR. Mas como a maioria dos bispos foi nomeada nos papados de Bento XVI e João Paulo II, ele não acredita que isso deve acontecer em breve. Nem acredita que os católicos LGBTQI vão liderar a mudança, já que “a maioria desistiu” e saiu da Igreja.

“Poucos permanecem”, afirmou. “Tantos saíram porque pensam que é uma perda de tempo. Eles lutaram por anos, mas acabaram desistindo.”

Butler percebe que há uma reação dentro da Igreja Católica contra uma abordagem mais compassiva em relação às pessoas LGBTQI, liderada por católicos tradicionais nos EUA, que promovem uma visão centrada no Antigo Testamento sobre a homossexualidade, considerada algo errado e mal.

“É preciso haver lideranças do topo, enquanto nós pressionamos pela base”, disse Butler. “O Papa Francisco pediu que as pessoas apresentassem ideias, e é isso o que estamos tentando fazer. Sei que ele está sendo pressionado, mas no final das contas ele tem que deixar sua marca na Igreja, também tem que mostrar liderança e dar uma orientação, dizendo que este tipo de linguagem não deve ser usada para se referir a qualquer pessoa gay.”

Halligan acredita que a “hierarquia da Igreja Católica precisa conhecer os católicos LGBTQI. Nós também fazemos parte da criação de Deus, e não vamos embora. Escutar mútua e profundamente pode trazer cura mútua e profunda, e dar espaço para novas formas de ver as coisas.”

Para ela, o Papa Francisco é “um mago no gesto simbólico espontâneo, que capta a atenção do mundo”. Acrescentou, ainda, que antes de qualquer nova teologia, o Papa deve convocar uma reunião global de católicos LGBTQI em Roma e começar um diálogo.

“Tenho convicção de que de diálogo podem surgir sementes para uma nova teologia da sexualidade humana; baseada nas pessoas humanas de carne e osso, e não nas abstrações teóricas de uma pequena elite da Igreja”, afirmou.

Halligan, que é lésbica, lembrou do quanto ficou machucada pela linguagem utilizada pela Igreja para descrever sua sexualidade. “Me senti fisicamente doente quando li a posição oficial da Igreja sobre a homossexualidade pela primeira vez”, revelou. “Me senti diminuída e ferida como pessoa. No fundo do coração, eu sabia que Deus não me vê dessa forma, mas isso fez eu me questionar o porquê de a Igreja Católica ver assim.”

“O abuso físico não é o único que existe. As palavras, usadas de forma negativa, também podem ser abusivas. Se quem faz bullying nas escolas usasse os termos da Igreja Católica, eles seriam corrigidos e disciplinados, enviados para casa ou para algum programa de reabilitação”, continuou.

Um dos grupos da conferência em Bratislava que deve apoiar o abaixo-assinado é o New Ways Ministry, liderado pela Irmã de Loretto Jeannine Gramick. Este grupo tem sua própria declaração buscando apoio à conferência de reforma de Bratislava, a respeito do Encontro Mundial das Famílias — previsto para 21 a 26 de agosto, em Dublin — e a exclusão das famílias LGBT. A questão tem perseguido o Encontro Mundial das Famílias desde a controvérsia sobre a remoção da imagem de um casal de lésbicas de um livreto de atividades e de um comentário do bispo de Los Angeles David O’Connell a respeito da existência de casais homossexuais de um vídeo.

Na declaração, o New Ways Ministry observa que Francisco tem se reunido regularmente com vítimas de abuso sexual para ouvir suas histórias e pede ao Papa para encontrar famílias LGBT, que, segundo eles, “há muito tempo são vítimas de outra forma de abuso clerical”.

O grupo acredita que as famílias LGBT devem ser convidadas a fazer apresentações no programa oficial do Encontro Mundial das Famílias para que os participantes e toda a Igreja possam ouvir suas histórias.

“O que está sendo feito para garantir que pelo menos uma das cinco famílias que vai testemunhar no EMF seja LGBT? O programa vai incluir pais que têm filhos LGBT? Será que um casal homossexual vai dar seu testemunho sobre as alegrias e dificuldades de criar os filhos? Os participantes vão ouvir uma pessoa transgênero falar sobre sua experiência de família? E será que um evento desses vai chegar a acontecer?”, desafia o New Ways Ministry na declaração.

Talvez uma pequena luz seja o convite ao padre jesuíta James Martin para dar uma importante palestra no Congresso do Encontro Mundial das Famílias, em Dublin, sobre como as paróquias podem receber os católicos LGBT, seus pais e suas famílias.

Em conversa com a revista América sobre o convite, Martin disse: “A mensagem aos católicos LGBT parece simples: vocês são uma parte importante da Igreja”.

“Estou imensamente grato por esse convite, não tanto pelo que diz sobre o meu próprio ministério ou minha escrita, mas pelo que diz aos católicos LGBT, um grupo de pessoas que por tanto tempo se sentiu excluído”, acrescentou Martin, que foi alvejado por conservadores sobre seu projeto para a comunidade LGBT. “Espero que eles vejam o convite, que teve de ser aprovado pelo Vaticano, como um sinal inconfundível de boas-vindas da Igreja”.

Fonte: Instituto Humanitas Unisinos
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E a ciência desmoralizou a homofobia

A revista Nature publicou uma revisão da literatura com o título: O Sexo Redefinido. Nela, explica que o binário XX/XY caiu em descrédito na genética moderna…

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Preconceito contra a diversidade sexual é atestado de ignorância

                       Batalhas sexuais
O binário XX/XY caiu em descrédito na genética moderna. E a ciência desmoralizou a homofobia

Se você tem cromossomo Y é homem, se não tem é mulher, diziam os antigos. Hoje, sabemos que a biologia sexual é muito mais complexa. Na primeira metade do século XX, foram descritos transtornos de desenvolvimento sexual em que havia disparidade entre os cromossomos e a anatomia dos órgãos sexuais. Em alguns deles, a distinção entre masculino e feminino era tão imprecisa que gerava dúvidas nos médicos, e nas famílias sobre a forma de educar a criança.

Alguns autores calculam que exista um caso desses transtornos em cada cem nascimentos. A revista Nature publicou uma revisão da literatura com o título: O Sexo Redefinido. Nela, explica que o binário XX/XY caiu em descrédito na genética moderna, quando foram identificadas mutações de certos genes envolvidos no desenvolvimento, responsáveis por modificações sutis na anatomia e na fisiologia sexual.

E o conceito mais surpreendente: quase todos nós somos uma colcha de retalhos de células distintas, algumas das quais não combinam geneticamente com as do resto do corpo, ou seja, células XX em tecidos de homens e XY em mulheres. O sexo de cada célula do organismo é definido por uma rede de interações de altíssima complexidade.

O especialista John Achermann, do London College, diz: “Existe grande diversidade genética tanto no sexo masculino quanto no feminino, e há áreas de interseção com algumas pessoas que não se enquadram na estrutura binária (homem/mulher)”.

A rigidez do modelo binário não deixa espaço para explicar esses casos intermediários, em que fica impossível definir limites exatos de separação entre os sexos. Na vida intrauterina os limites são ainda mais nebulosos. Até a quinta semana de gestação, o embrião tem potencial para dar origem à anatomia sexual masculina ou feminina. É só a partir da sexta semana que as gônadas começam a se diferenciar na direção de testículos ou ovários.

Se houver formação de testículos, eles secretam testosterona e outros hormônios que forçam a atrofia das tubas e do útero. Na situação oposta, a secreção de estrogênio pelos ovários e a falta de testosterona atrofiam os dutos espermáticos e o epidídimo.

Os mesmos hormônios controlam a formação dos genitais externos e, na puberdade, o aparecimento dos caracteres sexuais secundários. Pequenas alterações em algum desses passos podem ter consequências radicais. Mutação num único gene às vezes é suficiente para que uma pessoa XX desenvolva características masculinas e vice-versa.

Durante muitos anos, a ciência acreditou que o desenvolvimento masculino era consequência da ativação de um programa disparado pelo cromossomo Y. O feminino resultaria da falta de competência para a ativação desse cromossomo. A descoberta de genes que promovem a formação de ovários e suprimem a ação daqueles responsáveis pelo desenvolvimento testicular levou ao abandono da simplicidade do binário e ao entendimento do sexo como um sistema biológico complexo, mediado por uma disputa entre redes de genes com interesses opostos.

Fonte: CartaCapital
Por: Dr. Drauzio Varella
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E se um homem se sentir galinha?

Iniciamos com os comentários publicados na “Fonte*”
Aqui temos o exemplo de um “monstro híbrido”…um humano com cérebro de burro… Comentário insultuoso e absolutamente desnecessário. Para o burro claro! O pobre do burro não fez nada de mal para ser comparado a este anormal.

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UMA NOITE destas, a horas improváveis – que são aquelas a que vejo televisão, para descontrair após um serão a trabalhar – vi um documentário aterrador. O pior que se pode ver antes de ir para a cama.
O documentário era sobre um transexual. Já escrevi sobre este tema, mas não resisto a voltar a ele, pois é das coisas mais aberrantes que a evolução da medicina trouxe. Refiro-me à ‘transformação’ de homens em mulheres e vice-versa. Se as intrusões na natureza são sempre duvidosas – quer se trate de mutações do milho ou de raças de cães produzidas artificialmente – as trocas de sexo por via cirúrgica são de uma inaudita brutalidade.

ALÉM DE QUE são enganosas. São burlas. Embustes. Porque é impossível por via cirúrgica transformar um homem em mulher (ou o contrário), pela simples razão de que homens e mulheres não são apenas diferentes pelo facto de terem pénis ou vaginas: são diferentes em tudo.
Os cromossomas são diferentes (os homens têm um X e um Y, enquanto as mulheres têm dois X). O cérebro é diferente (as mulheres têm mais conexões entre os dois hemisférios, enquanto os homens têm mais trocas de informação dentro de cada hemisfério), a circulação sanguínea é diferente (menor nas mulheres, por isso são em geral mais friorentas), etc.

NO MOMENTO em que comecei a ver o documentário, passavam no ecrã imagens de uma operação às cordas vocais.
Como ainda não sabia qual era o tema, pensei que o paciente teria nódulos ou outra qualquer excrescência que fosse necessário extirpar. Mas não. Tratava-se de cortar as cordas vocais às tiras longitudinais para as tornar mais finas. Aí comecei a desconfiar. Cordas mais finas deviam tornar a voz mais aguda… E mais aguda para quê? Talvez para deixar de ser uma voz de homem e se parecer com a de uma mulher. Acertei!

Depois da operação, entrevistavam o fulano que se queria transformar em fulana. Numa voz estranha, deu umas respostas que tornaram óbvio estarmos perante uma pessoa débil mental. Dizia umas patetices. Mostrava-se ansioso por se tornar uma mulher. Mas aí eu pergunto: se em vez de lhe operarem o corpo para se parecer com uma mulher, por que não optaram por tratá-lo psicologicamente para adaptar a mente ao físico que realmente tinha?
Argumentar-se-á que, desse modo, ele nunca seria completamente um homem. Mas com a operação ao corpo ele será alguma vez completamente uma mulher?

DEPOIS da cirurgia às cordas vocais, o documentário mostrava com todo o pormenor o corte dos atributos masculinos e a construção de uma vagina.

A médica cirurgiã atuava com grande frieza e explicava o que ia fazendo. Depois de cortar o escroto para extrair os testículos, agarrava num deles com a mão, mostrava-o à câmara e dizia: «São grandes», como quem diz: o fulano era muito macho.

Depois cortou o pénis, explicando que ia aproveitar uma parte deste para fazer o clítoris. Neste ponto, não consegui ver mais e mudei de canal.

EMBORA seja um liberal convicto, entendo que estas operações deveriam ser pura e simplesmente proibidas.
As pessoas que são vítimas delas tornam-se depois umas infelizes – porque não são carne nem peixe. Deixaram de ser homens mas não são mulheres – ou o contrário. Se a sua cabeça já era confusa, tornar-se-á muito mais confusa depois da operação. Nunca poderão ter uma vida familiar normal: não podem ter filhos e qual é o homem que se vai casar com uma mulher que já foi um homem?
Só por caridade alguém condescenderá em fazê-lo.
Se todas as intrusões na natureza são perigosas, estas são criminosas – porque significam experiências limite feitas com pessoas. Criam uns entes desgraçados, uns despojos humanos que serão sempre olhados de lado pela sociedade e ostracizados.

SE UM HOMEM pensar que é uma galinha, os médicos não vão transformá-lo em galinha. Tentarão tratá-lo, levando-o a convencer-se de que é um ser humano. Por que razão, quando um homem pensa que é uma mulher, não se faz o mesmo – tratá-lo – em vez de o transformar num monstro híbrido?
Numa sociedade saudável, os médicos que fazem estas operações, usando pessoas como cobaias, seriam chamados a explicar e sustentar solidamente os seus atos. E as pessoas vítimas dessas operações deveriam ser depois acompanhadas e objeto de um estudo, para avaliar o seu estado de felicidade.
Estou em crer que os resultados seriam devastadores.

Sugestões do blog:
1. Leia os comentários na publicação original.
2. Leia o comunicado da CIG (Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género) sobre este artigo de opinião.

Fonte*: Jornal SOL
Por: José António Saraiva
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  Mi identidad natural trans (y por qué no soy una persona enferma)

¿Qué define lo natural en un comportamiento o identidad? Cualquiera que tenga interés en biología sin “ideología” –como repiten los conservadores– debería informarse y entender que la identidad no emana de nuestros genitales sino de nuestro cerebro. ¿Es tan revolucionaria esa idea? Está validada por psicólogos, psiquiatras, médicos, pediatras y neurocientíficos que las personas trans tenemos una identidad que se corresponde con el género opuesto al asignado al nacer y lo que recomiendan al respecto sus disciplinas, basándose en estudios, es que se nos permita vivir nuestra identidad en un ambiente que nos respete e integre.

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Nací en 1981. Mis padres, un matrimonio religioso, de esos que sienten orgullo por no haber tenido relaciones sexuales antes del matrimonio, me llamaron Alejandro. Era lo esperable. Me trataron como niño y me educaron sobre lo que hacen los niños y lo que no deben hacer porque son cosas de niñas.

A los cinco años me ponía la ropa de mi mamá y me maquillaba a escondidas hasta que, después de algunos llamados de atención, me quedó claro que no podía seguir haciéndolo. Mis padres no le dieron importancia al tema –era una “etapa”– y me siguieron educando como niño. Yo aprendí a comportarme, jugué fútbol, me peleé, jugué videojuegos, rechacé cualquier cosa femenina porque sabía que no era aceptable. Fue un periodo en el que casi me expulsan del colegio por conducta, y sólo me salvé por mis notas. Era un niño para quienes me veían, pero en las noches rezaba a Dios para que me convirtiera en una niña. También imaginaba historias fantásticas en las que podía ser la niña que quería ser.

Así llegó la adolescencia. Tuve pololas, carretié, terminé la universidad, conseguí un buen trabajo, escalé profesionalmente y me casé con una mujer increíble. Durante todo ese periodo seguí reprimiendo quién era porque sabía el costo social que pagaría si se sabía que me travestía a escondidas y que ésa era yo, no el hombre que proyectaba. Para quienes me veían era un hombre exitoso, felizmente casado y rodeado de amigos, pero yo realmente estaba al límite, y ya no podía más porque negarme me destruía internamente.

¿Qué define lo natural en un comportamiento o identidad? Como hombre nadie cuestionó mi identidad aunque gran parte de lo que proyectaba fuera mentira, fingido para poder encajar. Por el contrario, hoy que soy Alessia, la expresión más auténtica de mí que proyecté jamás ¿no soy natural? Cualquiera que tenga interés en biología sin “ideología” –como repiten los conservadores– debería informarse y entender que la identidad no emana de nuestros genitales sino de nuestro cerebro. ¿Es tan revolucionaria esa idea? Está validada por psicólogos, psiquiatras, médicos, pediatras y neurocientíficos que las personas trans tenemos una identidad que se corresponde con el género opuesto al asignado al nacer y lo que recomiendan al respecto sus disciplinas, basándose en estudios, es que se nos permita vivir nuestra identidad en un ambiente que nos respete e integre.

Todos somos más naturales cuando somos libres de ser y amar, y esa naturalidad nos hace felices. Las personas trans no somos enfermas, tampoco nuestra identidad, lo que nos enferma es que nos obliguen a comportarnos y vivir de una forma que no nos resulta natural. Lo que nos enferma es que cuando decidimos vivir con naturalidad quienes somos realmente, nos discriminan, aíslan, cierran la puerta, expulsan de las casas, insultan y rechazan.

Si es fácil percibir el daño que se le hace a alguien al obligarlo a casarse con quien no ama, ¿por qué es tan difícil sentir el daño que nos hacen al forzarnos a un género con el que no nos identificamos? Es ahí donde los conservadores anuncian las terribles estadísticas de suicidio de la gente trans (diez veces mayores al promedio) como evidencia de que somos personas enfermas, rehusándose a aceptar los estudios que muestran que en entornos donde somos aceptados e incluidos nuestra salud mental es igual a la de cualquier otra persona, y que es la discriminación que promueven es la culpable de esas cifras.

Hoy trabajo en un área de ingeniería gestionando soluciones y equipos en proyectos de alta complejidad, estoy rodeada de amigos y familiares con quienes tengo relaciones constructivas, tengo un matrimonio sano, una vida llena de amor, soy más segura, me atrevo a hablar en público, cambié mi cara seria por una sonrisa y me relaciono mejor con la gente. ¿Qué enfermedad mental se supondría que tengo? ¿Por qué no sería natural? Hoy no siento disforia sino euforia de género y es lo mismo que cuentan todas las personas trans respecto a aceptarse y los padres trans sobre sus hijos, niños que pasan de ser tristes y deprimidos a brillar cuando los dejan expresar su identidad y género con libertad.

Mi vida tiene muchos momentos felices, uno de los mayores es el matrimonio con mi esposa, a quien amo con todo mi corazón, pero el mejor momento de mi vida fue cuando volví a nacer, ese día en el que terminé de contar en mi trabajo y a todo el mundo: yo soy Alessia y no voy negarlo nunca más.

Hoy reconocen mi identidad mi familia, amigos, compañeros de trabajo y todos los que me conocen, menos el Estado. La ley de identidad de género no impone nada a nadie, sólo implica que el Estado acepte que todas las identidades –incluidas las identidades trans– merecen el mismo reconocimiento, entendiendo que no le corresponde a la burocracia estatal definir qué identidades son aceptables o no, que esa actitud paternalista no tiene espacio en una sociedad que respeta la libertad, individualidad y proyectos de vida de sus ciudadanos.
Fonte: El Mostrador Chi
Por: Alessia Injoque
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