Direitos Humanos recomenda reparar crianças discriminadas

Instituição de Direitos Humanos recomenda reparação integral para crianças e adolescentes que passaram a infância com grande desproteção de  direitos, tanto por não poder viver com sua família como por desenvolver uma vida em sociedade que os excluía, invisibilizava e os rechaçava.

Institución de DDHH recomienda reparación para menores víctimas de terrorismo de Estado

La directora de la INDDHH, Mariana Mota, informó sobre una resolución que la institución remitió a Vázquez y a Michelini a través de la cual recomienda la “reparación integral” para niños y adolescentes violentados por el terrorismo de Estado, desde el año 1968 y en el marco de la pasada dictadura cívico – militar (1973-1985).

Mota dijo a radio Uruguay que el planteo tiene como punto de partida una denuncia que presentó en 2018 el colectivo “Memoria en Libertad”, que está integrado por hijos de ex presos políticos, que eran niños cuando sus padres fueron recluidos, y quedaron en una situación de desprotección grave”.

Muchos de dichos niños tenían a ambos padres en prisión y transitaron su infancia con una gran desprotección de sus derechos, “tanto por no poder vivir con su familia como por desarrollar su vida en una sociedad que excluía o generaba rechazo hacia las personas privadas de libertad, por motivos políticos”.

Mota manifestó que la Ley reparatoria 18.596 es la única que hace referencia a los menores, pero solo a los hijos de presos políticos nacidos en cautiverio.

Aclaró que los niños nacidos antes de la prisión de sus padres deben tener un reconocimiento, porque si bien su condición de víctima es diferente a la de sus progenitores, quedaron “invisibilizados” y sufrieron una situación “muy lesiva de sus derechos”.

Recomendaciones

En tal sentido, la INDDHH recomienda: “Disponer medidas administrativas que garanticen la prestación de cobertura integral de salud y acompañamiento psicosocial, aprobar una normativa que contemple la reparación integral, realizar un acto público de reconocimiento de responsabilidad que incluya un pedido de disculpas por parte del Estado a las personas que siendo niños o adolescentes durante la dictadura sufrieron graves vulneraciones de sus derechos, e incluir en el relato histórico nacional lo acontecido con esta población, investigando la verdad y difundiéndola”.

Fonte: Uruguay Titulares
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Reações ao racismo do presidente de clube de futebol

É sintomático que figuras exponenciais da assim chamada elite política e econômica tenham vindo em socorro do dirigente. Para essa elite, se tratou apenas de um comentário infeliz que não deveria ser sobrevalorizado. Fica-se com a  impressão de que, para o andar de cima da sociedade, o discurso da dignidade da pessoa humana, da ética, dos valores da inclusão de todos é um discurso para boi dormir, especialmente quando um de seus integrantes é acusado de racismo e discriminação. 

Clemens Tönnies ficará três meses afastado da direção do Schalke 04

A fala racista do presidente do Schalke e o poder do vil metal

Após o bilionário Clemens Tönnies insultar africanos, fica-se com a impressão de que, para a elite, o discurso da dignidade humana é para boi dormir, especialmente quando um de seus integrantes é acusado de racismo.

Clemens Tönnies ficou bilionário com sua empresa de produtos alimentícios (Tönnies Holding, de carnes e salsichas) em Rheda-Wiedenbrück, pequena cidade de 48.500 habitantes a pouco mais de 100 quilômetros de Gelsenkirchen, casa do Schalke 04. O time sempre foi a grande paixão de Tönnies e, desde 2001, ele é o presidente do clube.

Na qualidade de empresário, e como um dos homens mais ricos da Alemanha e do mundo (atual nº 1.349 da lista da Forbes), ele foi convidado pelos organizadores do evento Dia do Ofício, em Paderborn, a falar perante 1.600 convidados no começo deste mês.

Um dos temas do seu discurso foi a possível instituição de um imposto para combater as mudanças climáticas, especialmente em países da África. Em vez de mais um imposto, Tönnies propôs o financiamento e construção de 20 usinas elétricas na África por ano.

Ele justificou sua proposta com o seguinte argumento: “Assim, os africanos parariam de derrubar árvores e de produzir crianças quando fica escuro.”

Além da estapafúrdia afirmação racista, talvez um dos aspectos mais assustadores tenha sido a não reação da plateia. Ninguém protestou. Ninguém vaiou. Ninguém se levantou e deixou o recinto como atitude simbólica de repulsa. Nem o arcebispo convidado de honra sentado na primeira fila foi capaz de um mínimo gesto de desaprovação. Pelo contrário, ao final, o discurso foi aplaudido pelos presentes.

Não bastasse isso, após a repercussão negativa de sua fala, o próprio Tönnies propôs ao Conselho de Ética do Schalke 04 o seu afastamento temporário da presidência do clube por três meses. Ditou a sua própria sentença, que foi aceita sem mais delongas pelo conselho, com a justificativa de que a acusação de racismo contra o presidente é “infundada”.

É o caso de se perguntar: o que mais precisa ser dito para considerar como racista uma afirmação que insulta toda população da África?

Houve, porém, algumas vozes que se levantaram contra o racismo explícito manifestado pelo dirigente.

Pablo Thiam, por exemplo, que nasceu na Guiné e cresceu em Bonn, onde seu pai trabalhava como diplomata. Durante anos, Thiam jogou na Bundesliga, em clubes como Colônia, Wolfsburg, Stuttgart e Bayern. Atualmente, dirige o departamento dos times de base do Wolfsburg, além de ser o responsável pelo setor de integração que luta contra discriminação e racismo.

“Estou estupefato. Simplesmente me faltam palavras. Nem sei o que dizer. Com seu discurso, o presidente do Schalke contraria frontalmente todo trabalho que estamos desenvolvendo pelo diálogo e pela integração de migrantes e refugiados”, disse.

Para Thiam desculpas não bastam: “São desculpas de meia-pataca. Por acaso ele se desculpou com a população africana que insultou? Não. O seu pedido de desculpas se dirigiu exclusivamente aos próprios alemães. Nenhuma palavra sobre os africanos alvos da sua manifestação.”

Hans Sarpei, de origem africana e ex-jogador do Schalke, foi no mesmo diapasão: “Do clube e do senhor Tönnies espero que as palavras sejam seguidas por ações. É preciso se distanciar claramente de toda e qualquer discriminação e xenofobia. O presidente deve pedir desculpas publicamente a todos os africanos.”

Peter Lohmeyer não é apenas um dos atores de cinema mais conhecidos da Alemanha, mas também um dos mais famosos fãs de carteirinha do Schalke 04. Só que depois da difamação dos africanos pelo presidente do clube e da generosa pena de três meses de suspensão do cargo, Lohmeyer decidiu devolver a carteira de sócio.

“Faço isso porque sou fanático pelo Schalke, clube que sempre esteve na vanguarda e na luta contra discriminação e racismo. Tenho muito orgulho disso. Agora vem um açougueiro rico e questiona essa postura. O clube sempre se orgulhou de mostrar o cartão vermelho para palavras e atos racistas. Quem contraria esse preceito não é Schalke de coração. Está lá por outros motivos; quiçá por interesses pessoais”,a firmou o ator.

Na TV alemã pipocaram depoimentos de torcedores, especialmente das torcidas organizadas, muito contrariados com as declarações do dirigente. Muitos pediram sua renúncia. Na partida do Schalke pela Copa da Alemanha sábado último, centenas de fãs levantaram cartões vermelhos exigindo a saída do presidente.

É interessante verificar que a maioria das críticas veio de pessoas da grande massa torcedora, dos assim chamados cidadãos comuns. Também era de se esperar que a classe dirigente deste meganegócio chamado futebol se posicionasse claramente sobre o assunto.

Cartolas influentes, como Watzke, do Dortmund, ou Rummenige e Hoeness, do Bayern, todos muito falantes quando do alto do pódio fazem discursos sobre responsabilidade social, mantiveram silêncio sepulcral e se fecharam em copas. Não reações, como se sabe, na verdade representam uma tomada de posição, porque quem cala, consente.

O próprio arcebispo de Paderborn, Hans-Josef Becker, presente no evento, só se manifestou discretamente alguns dias depois, através de comunicado oficial, ressaltando que o arcebispado é contra qualquer tipo de discriminação, seja por palavras ou atos. Aproveitou para dizer que Tönnies já havia pedido desculpas, dando assim o caso por encerrado.

Não resta dúvida de que Tönnies é muito importante para o Schalke. Basta lembrar que foi a figura-chave na obtenção do patrocínio milionário da empresa russa Gazprom e que pessoalmente injetou recursos financeiros consideráveis no clube quando necessário. Além do mais, como um dos homens mais ricos da Alemanha, é muito bem relacionado nas altas rodas políticas e empresariais, não só do país como também da Europa.

É sintomático que figuras exponenciais da assim chamada elite política e econômica tenham vindo em socorro do dirigente. Para essa elite, se tratou apenas de um comentário infeliz que não deveria ser sobrevalorizado. Fica-se com a  impressão de que, para o andar de cima da sociedade, o discurso da dignidade da pessoa humana, da ética, dos valores da inclusão de todos é um discurso para boi dormir, especialmente quando um de seus integrantes é acusado de racismo e discriminação. 

Tönnies ficará três meses afastado da direção do Schalke 04, pelo menos formalmente. Nem pensa em renunciar ao cargo. Em novembro estará de volta. É tempo suficiente para refletir e se lembrar de que o mínimo a fazer é pedir desculpas publicamente a todos os africanos que insultou com seu discurso.

Fonte:  Deutsche Welle

Trump discriminador e seus estereótipos com judeus, negros e portorriquenhos

Em se tratando de discriminação, Trump brinca com fogo como nenhum presidente em um século. Mantém a estratégia política de nós contra eles que caracterizou sua presidência desde o início. No Twitter deixa seus assessores de mãos atadas – incapazes ou indispostos – para defendê-lo.

El presidente Trump niega ritualmente cualquier animadversión o motivación racial. “Soy la persona menos racista que hayas conocido”, ha dicho más de una vez. Erin Schaff/The New York Times

Trump aviva las llamas del fuego racial

WASHINGTON—El presidente estadounidense Donald Trump despertó la mañana del domingo, miró hacia la nación que lidera, vio las astillas secas de las relaciones raciales y decidió arrojar una cerilla encendida. No era la primera vez que lo hacía y no parece que vaya a ser la última. Tiene una caja bien grande de fósforos y un suministro disponible de querosene.

A muchos les sorprendió su arenga de Twitter que incitaba a las congresistas demócratas de color a “volver”al país del que habían venido, aunque la mayoría de ellas en realidad habían nacido en Estados Unidos. Pero debería haber sorprendido a pocos de los que han visto la forma en que ha gobernado un país multicultural y multirracial en los últimos dos años y medio.

Cuando se trata de la raza, Trump juega con fuego como no lo ha hecho ningún presidente en un siglo.Aunque otros de sus antecesores en la Casa Blanca en ocasiones se acercaron o incluso cruzaron la línea al encontrar modos de apelar a los resentimientos de los estadounidenses blancos de manera sutil y no tan sutil, ninguno en la época moderna ha atizado las llamas de manera tan abierta, implacable e incluso entusiasta como Donald Trump.

Su ataque a lascongresistas demócratassucedió el mismo día que su administración amenazaba con redadas masivas a los inmigrantes que viven en el país de manera ilegal. Y fue apenas días después de que convocara a la Casa Blanca aalgunas de las voces más incendiarias de la extrema derechaen Internet y de que juró que iba a encontrar otro modode contar a los ciudadanos del país de manera separada de los no-ciudadanos, a pesar de que una decisión de la Corte Suprema le impidió añadir una pregunta al censo que se realiza cada diez años.

Su suposición de que las demócratas de la cámara de representantes deben haber nacido en otro país —o de que no pertenecen a Estados Unidos—es coherente con la estrategia política de nosotros-contra-ellos que ha estado en el corazón de la presidencia de Trump desde el inicio.En el camino a la elección del próximo año, parece estar trazando una línea profunda entre el país blanco, nacido en los Estados Unidos de su memoria, y la nación étnicamente diversa y con una población crecientemente nacida en el exterior que preside, desafiando así a los votantes en 2020 a declarar en qué lado de la línea se encuentran.

“De muchas formas, esta es la clase más insidiosa de demagogia racial”, dijo Douglas A. Blackmon, autor deSlavery by Another Name, una historia ganadora del Pulitzer sobre la servidumbre racial en Estados Unidos entre la Guerra Civil y la Segunda Guerra Mundial.

“El presidente ha pasado de invocar las obvias calumnias raciales de hace 50 años, clichés como los de los barrios negros ‘en llamas’, y ahora invoca la mentalidad de supremacía blanca de principios de 1900, cuando cualquiera que no pareciera blanco podía ser calificado como indeseable en Estados Unidos”.

Trump formalmente niega cualquier motivación o animadversión racial. Su lucha contra la inmigración ilegal, dice, es para asegurar la frontera y proteger al país. A menudo se jacta de que el desempleo entre hispanos y afroamericanos ha alcanzado récords bajos. La semana pasada le agradeció aRobert L. Johnson, el fundador de Black Entertainment Television, por reconocer su administración de la economía.

“Soy lapersona menos racistaque han conocido”, ha dicho más de una vez. 

Pero no se esmera en evitar la apariencia de que sí lo es y su seguidilla de publicaciones en Twitter del domingo dejó a sus asesores atados de manos —incapaces o indispuestos— para defenderlo. Ninguno de los seis voceros de la Casa Blanca o de su campaña respondieron en un inicio a las solicitudes de declaraciones.

Solo uno de los funcionarios de su gobierno que ya tenía previsto aparecer en los programas de conversación del domingo, Mark Morgan, el comisionado en funciones de Aduanas y Protección Fronteriza, dejó en claro que no estaba dispuesto a formar parte del asunto.“Van a tener que preguntarle al presidente qué quiere decir con esos tuits en particular”, dijo enFace the Nationde CBS.

Los congresistas republicanos en general no acudieron a ponerse del lado del presidente el domingo ni tampoco se aprestaron a denunciarlo.Aunque muchos republicanos se sientan profundamente incómodos con lapolítica empapada de racismode Trump, les preocupa ofender a los votantes de base que vitorean al presidente como alguien que dice la verdad en la tiranía de la corrección política. 

Solo por la noche Trump respondió al furor, al decir que los demócratas estaban defendiendo a colegas que “hablan mal de nuestro país” y “cuando se les confronta” llaman a sus adversarios “RACISTAS”.

Entones, Tim Murtaugh, un vocero de campaña de Trump, respondió al pedido de declaraciones y dijo: “El presidente señaló que muchos demócratas dicen cosas terribles sobre este país, que en realidad es la nación más grandiosa de la Tierra”. Murtaugh no explicó por qué Trump le dijo a las congresistas nacidas en Estados Unidos que “volvieran” a países de los que no eran.

Otros presidentes han jugado a la política racial o se han regodeado en los estereotipos.Las grabaciones secretas de Lyndon B. Johnson y Richard M. Nixon muestran que a puerta cerrada ambos hacían comentarios virulentos y racistas.La estrategia de Nixon en el sur se dice que estaba dirigida a los blancos desencantados.

A Ronald Reagan se le acusó de hacer referencias racistas en código al referirse tanto a las “reinas del bienestar”. George Bush y sus seguidores insistieron en el caso de un asesino afroamericano que estaba de licencia de una prisión llamadoWillie Horton. A Bill Clinton se le acusó de hacer una jugada racial al criticar a una estrella negra del hip-hop.

Pero incluso hace una generación había límites y la mayoría de los presidentes predicaron la unión racial por encima de la división. Johnson, por supuesto, pasó la legislación de derechos civiles más radical de la historia de Estados Unidos. Bush firmó una ley de derechos civiles y denunció aDavid Duke, el líder del Ku Klux Klan, cuando postuló a la gobernación de Louisiana como republicano. Su hijo, George W. Bush, puso énfasis en visitar una mezquita días después de los ataques del 11 de septiembre de 2001 para mostrar que Estados Unidos no estaba en guerra con los musulmanes. Barack Obama invitó a una “cumbre de cerveza” a un profesor afroamericano de Harvard y al policía blanco que lo arrestó por error.

La historia de Trump en asuntos raciales ha quedado bien documentada desde sus días de desarrollador inmobiliario, cuando llegó a un acuerdo con el departamento de Justicia en torno a una demanda por discriminación al rentar departamentos, hasta la agitación pública que causó durante el caso de los Central Park Five en Nueva York. Jack O’Donnell, el expresidente del Casino y Hotel Plaza Trump en Atlantic City, después escribió que Trump abiertamente desprestigiaba a otros según su raza al quejarse, por ejemplo, de que no quería que hombres negros administraran su dinero.

“Trump no solo ha sido siempre un racista, y cualquiera a su alrededor que lo niegue está mintiendo”, dijo O’Donnell el domingo. “Donald Trump hace comentarios racistas todo el tiempo. Una vez que lo conoces, dice lo que piensa sobre la raza de manera muy abierta”.

Dijo que Trump traficaba regularmente con los estereotipos raciales: los judíos son buenos con el dinero, los negros son holgazanes, los puertorriqueños se visten mal. “La gente blanca son los estadounidenses para Trump, todos los demás son de otro lado”, dijo O’Donnell. “Simplemente niega la realidad de cómo inmigramos todos a Estados Unidos”.

Trump impulsó su camino a la Casa Blanca en parte al promover la falsa teoría de conspiración de que Obama había nacido en África, no en Hawaii. Abrió su postulación presidencial en 2015 con un ataque a los “violadores mexicanos” que cruzaban la frontera (aunque “algunos, asumo, son buenas personas”) y después llamó aprohibir a todos los musulmanesel ingreso a Estados Unidos. Dijo queun juez nacido en Estados Unidos de ascendencia mexicanano sería justo con él debido a su origen étnico.

Como presidente, se ha quejado en reuniones que ahora son públicas de que los inmigrantes haitianos “todos tienen SIDA” y de que los visitantes africanos nunca“volverían a sus chozas”. Ha desprecado a Haití y a algunos países africanos con una vulgaridad y dijo que en lugar de inmigrantes procedentes de allí, Estados Unidos debería aceptar más de Noruega. Dijo que había “muy buenas personas en ambos lados” refiriéndose a una manifestación para salvar un monumento confederado que se volvió mortal en Charlottesville, Virginia, aunque también condenó a los neonazis allí.

Insiste en que solo dice lo que otros creen pero tienen miedo de expresar. Y cada vez que las llamas rugen, Trump agrega un poquito más de combustible a la hoguera. Puede que el fuego esté caliente, pero así es como le gusta.

Por: Peter Baker
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“Um Estado que não é regido pela justiça e a ética se reduz a um bando de ladrões”

Um Estado sem justiça, sem ética em suas autoridades não tem mais uma forma de governo do que a lei do mais forte, a lei da selva.

Las matemáticas, la ética y los valores

Le preguntaron al gran matemático árabe Al-Khawarizmi, uno de los padres del álgebra, que vivió entre el año 780 y el 850, sobre el valor del ser humano, y este respondió con la siguiente fórmula:

“Si tiene ética, entonces su valor es = 1. Si además es inteligente, agréguele un cero y su valor será = 10. Si también es rico, súmele otro 0 y será = 100. Si por sobre todo eso es, además, una bella persona, agréguele otro 0 y su valor será = 1000. Pero, si pierde el 1, que corresponde a la ética, perderá todo su valor pues, solamente le quedarán los ceros”.

Gran verdad esta simple y sencilla fórmula del matemático Al-Khawarizmi. Todo el edificio, tanto el social como el individual, se sustenta en la ética. Si la ética falla, todo se viene abajo, y más pronto que tarde: la política, la economía, el arte, la cultura, el estado de derecho, la vida en sociedad. Ya lo dijo el gran Agustín de Hipona:“Un Estado que no se rigiera según la justicia se reduciría a una gran banda de ladrones”. Y aquí podemos usar como sinónimos “ética” y “justicia”. Un estado sin justicia, sin ética en sus autoridades no tiene más forma de gobierno que la ley del más fuerte, la ley de la selva, en definitiva.

Estas definiciones del matemático árabe Al-Khawarizmi y de San Agustín, por lejanas que nos parezcan, nos ayudan a comprender mejor la afirmación del empresario chino Jack Ma sobre la necesidad de un cambio radical en la forma de educar. Una educación no basada en conocimientos, que se pueden repetir mediante inteligencia artificial que un algoritmo o un robot pueda suplantar trabajo humano.Lo que según Ma no se podrá suplantar nunca por una máquina, es una educación que se dirija a inculcar las habilidades necesarias que incluyen edificar valores, fomentar el pensamiento independiente, cuidado de los otros, trabajo en equipo.

Y la ética es una parte de esos valores que no pueden reproducir las máquinas por más avanzadas que sean. Dentro de estos valores se encuentra también la ética de la responsabilidad frente a las decisiones que uno toma, la ética de la cultura del trabajo que se viene resquebrajando a pasos agigantados en muchas partes del mundo, la ética de la ayuda a los demás colegas cuando están sobrepasados o cuando no ven la solución o cuando el peso de trabajo los agobia o cuando el trabajo en equipo potencia capacidades.

De hablar y de enseñar valores se debería tratar, por encima de todo, la reforma educativa que debemos emprender sin más demora. Una reforma que no rebaje los estándares de exigencia curricular para que todos pasen de grado y se reduzca la tasa de repetición o de reprobación, algo que se propone desde muchas autoridades de la enseñanza uruguaya que no quieren ser mal evaluadas internacionalmente o por la comparación con sus propios resultados en años anteriores.

No se trata solamente de mejorar el nivel de conocimientos para que los jóvenes puedan aprobar Primaria o Secundaria. Ello es obviamente necesario, pero si no educamos en valores, (y hay que reconocer que las autoridades educativas de los últimos lustros se han esforzado en eyectar los valores de las aulas so pretexto de una mal entendida laicidad y so pretexto de no exigir esfuerzo en momentos de la vida donde se forma el carácter) todo lo que pueda enseñarse tendrá un valor relativo y además efímero a medida que la automatización avance.

Pero esto no es solo un problema uruguayo sino mundial. Por ejemplo, las grandes escuelas de negocios, donde se forman muchos de los principales dirigentes empresariales, se han visto obligadas a repensar sus currículos y sus métodos de enseñanza al darse cuenta de que la ética quedaba por fuera de ellos. Y como consecuencia, esa ausencia se manifestaba luego en comportamientos empresariales tendientes a su maximización del beneficio a toda costa pasando por encima de personas, de reglas y de normas: volvíamos a la ley de la selva, a la ley del más fuerte, a la ley de que los fines justifican los medios.

Es importante, por tanto, que ante la contienda electoral que se avecina, los candidatos no se concentren únicamente en propuestas y programas de mejora material de la sociedad. Esas propuestas son necesarias, pero si no van acompañadas de propuestas en valores, del fomento del pensamiento independiente y del respeto a quien piensa distinto, de poco o nada servirán. Quizá se arregle el déficit fiscal o la tasa de inflación o se mejore el desempeño económico. Pero no habrá una base sólida para que la democracia y la libertad prosperen y estaremos a los vientos de los populistas y embaucadores de todos los pelos. Si ello ocurre, las personas perderán todo el valor y estaremos gobernados sin justicia. Será el sálvese quien pueda. Podremos tener prosperidad por un rato, pero las bases de la misma serán frágiles como la arcilla.

Por: Ricardo Peirano
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Ensinando, na escola, bondade e empatia, reduziríamos conflitos interpessoais?

A Saúde Mental dos políticos

“Penso que deveria ser necessário a qualquer um que quisesse participar de uma eleição nacional passar por uma formação em psicoterapia. A conclusão do curso seria a qualificação para o cargo”.

Por que os psicopatas chegaram ao poder

Quem, em seu juízo perfeito, poderia desejar esse trabalho? É quase certo que acabará, como descobriu Theresa May, em fracasso e execração pública. Procurar ser primeiro-ministro britânico, hoje, sugere ou confiança imprudente ou fome insaciável de poder. Talvez necessitemos de uma ironia como a de Groucho Marx: alguém louco o suficiente para candidatar-se a essa função deveria ser desqualificado para concorrer.

Alguns anos atrás, a psicóloga Michelle Roya Rad listou as características de uma boa liderança. Entre elas figuravam justiça e objetividade, desejo de servir à sociedade e não a si mesmo, falta de interesse em ser famoso e ocupar o centro das atenções, resistência à tentação de esconder a verdade ou fazer promessas impossíveis. Por outro lado, um artigo publicado no Journal of Public Management & Social Policy (Jornal de Gestão Pública e Política Social) listou as características de líderes com personalidade psicopata, narcisista ou maquiavélica. Elas incluem: tendência à manipulação dos outros, disposição em mentir e enganar para alcançar seus objetivos, falta de remorso e sensibilidade, desejo de admiração, atenção, prestígio e status. Quais dessas características descrevem melhor as pessoas que estão competindo para ser “governantes” no mundo contemporâneo?

Na política, vê-se em todo lado o que parece ser a externalização de déficits ou feridas psíquicas. Sigmund Freud afirmou que “os grupos assumem a personalidade do líder”. Penso que seria mais preciso dizer que as tragédias privadas dos poderosos tornam-se as tragédias públicas daqueles que eles dominam.

Para algumas pessoas, é mais fácil comandar uma nação, mandar milhares para a morte em guerras desnecessárias, separar crianças de suas famílias e infligir sofrimentos terríveis do que processar sua própria dor e trauma. Aparentemente, o que vemos na política, em todos os cantos, é uma manifestação pública de profunda angústia privada.

Essa talvez seja uma força particularmente forte na política britânica. O psicoterapeuta Nich Duffell escreveu sobre “líderes feridos”, que foram separados da família na primeira infância para ser enviados ao colégio interno. Eles desenvolveram uma “personalidade de sobrevivente”, aprendendo a reprimir seus sentimentos e projetar um falso eu, caracterizado pela demonstração pública de competência e autoconfiança. Sob essa persona está uma profunda insegurança, que pode gerar necessidade insaciável de poder, prestígio e atenção. O resultado disso é um sistema que “sempre revela pessoas que parecem muito mais competentes do que realmente são”.

O problema não está confinado a estas paragens. Donald Trump ocupa a cadeira mais poderosa do planeta, e ainda assim parece roer-se de inveja e ressentimento. “Se o presidente Obama tivesse feito os acordos que fiz”, afirmou há pouco, “a mídia corrupta os consideraria incríveis… Para mim, apesar do nosso recorde em economia e tudo o que fiz, não há crédito!”. Nenhuma riqueza ou poder parece capaz de satisfazer sua necessidade de afirmação e segurança.

Penso que deveria ser necessário a qualquer um que quisesse participar de uma eleição nacional passar por uma formação em psicoterapia. A conclusão do curso seria a qualificação para o cargo. Isso não mudaria o comportamento de psicopatas, mas poderia evitar que, ao exercer o poder, certas pessoas impusessem sobre os outros suas próprias feridas profundas. Fiz dois cursos: um influenciado por Freud e Donald Winnicott, outro cuja abordagem tinha foco na compaixão de Paul Gilbert. Considero os dois extremamente úteis. Penso que quase todo mundo se beneficiaria desses tratamentos.

A psicoterapia não iria garantir uma política mais gentil. A abertura admirável de Alastair Campbell ao falar sobre sua terapia e saúde mental não o impediu de comportar-se – quando desempenhou as funções de assessor político e porta-voz de Tony Blair – como um valentão desbocado, que intimidava as pessoas a apoiar uma guerra ilegal, em que centenas de milhares de pessoas morreram. Tanto quanto sei, não demonstrou remorso por seu papel nessa guerra agressiva, que cabe na definição de “crime internacional supremo” do tribunal de Nuremberg.

O problema, na verdade, é o sistema no qual essas pessoas competem. Personalidades tóxicas prosperam em ambientes tóxicos. Aqueles que deveriam ser menos confiáveis para assumir o poder são justamente os que mais provavelmente vencerão. Um estudo publicado no Journal of Personality and Social Psychology  sugere que o grupo de traços psicóticos conhecido como “domínio sem medo” está associado a comportamentos amplamente valorizados nos líderes, tais como tomar decisões ousadas e sobressair-se no cenário mundial. Se assim for, nós, por certo, valorizamos as características erradas. Se para alcançar o sucesso no sistema é necessário ter traços psicopatas, há algo errado com o sistema.

Para pensar uma política eficiente, talvez fosse útil trabalhar de trás para frente: primeiro decidir que tipo de gente gostaríamos que nos representassem e depois criar um sistema que as levasse ao primeiro plano. Quero ser representado por pessoas ponderadas, conscientes de si e colaborativas. Como seria um sistema que promovesse essas pessoas?

Não seria uma democracia puramente representativa. Esse tipo de democracia funciona com o princípio do consenso presumido: você me elegeu há três anos, então presumo que consentiu com a política que estou para implementar, não importa se na época eu a mencionei ou não. Ela recompensa os líderes “fortes e determinados” que tão frequentemente levam suas nações à catástrofe. Um sistema que fortaleça a democracia representativa com democracia participativa – assembleias de cidadãos, orçamento participativo, co-criação de políticas públicas – tem mais possibilidades de recompensar os políticos sensíveis e atenciosos. A representação proporcional, que impede governos com apoio minoritário de dominar a nação, é outra salvaguarda potencial (embora não seja garantia).

Ao repensar a política, é preciso desenvolver sistemas que incentivem gentileza, empatia e inteligência emocional. É preciso nos desvencilhar de sistemas que encorajem as pessoas a esconder sua dor e dominar os outros.

 

O avanço dos evangélicos na política e as discriminações

Para compreender as causas e as implicações socioculturais e políticas do fenômeno, a Fundação FHC recebeu Ronaldo de Almeida (professor do Departamento de Antropologia da Universidade Estadual de Campinas).

As diversas denominações e igrejas evangélicas formam um universo em expansão no Brasil. Heterogêneo, ele abrange 30% da população, segundo os dados mais recentes do Datafolha. Desde os anos 80, quando representavam apenas 5% dos brasileiros, a presença social e a influência política dos evangélicos têm crescido ininterruptamente.

Nas eleições de 2018, eles foram decisivos para a vitória de Bolsonaro. Para compreender as causas e as implicações socioculturais e políticas do fenômeno, a Fundação FHC recebeu Ronaldo de Almeida (professor do Departamento de Antropologia da Universidade Estadual de Campinas).

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NOTA: Caso tenha interesse assista o debate que ocorreu após as apresentações dos professores Mariano e Ronaldo aqui.

 

O avanço dos evangélicos na política

Para compreender as causas e as implicações socioculturais e políticas do fenômeno, a Fundação FHC recebeu Ricardo Mariano (professor do Departamento de Sociologia da USP).

As diversas denominações e igrejas evangélicas formam um universo em expansão no Brasil. Heterogêneo, ele abrange 30% da população, segundo os dados mais recentes do Datafolha. Desde os anos 80, quando representavam apenas 5% dos brasileiros, a presença social e a influência política dos evangélicos têm crescido ininterruptamente.
Nas eleições de 2018, eles foram decisivos para a vitória de Bolsonaro. Para compreender as causas e as implicações socioculturais e políticas do fenômeno, a Fundação FHC recebeu Ricardo Mariano (professor do Departamento de Sociologia da USP).
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Por que a ficção triunfa sobre a verdade?

A natureza dual do poder e da verdade se traduz no curioso fato de que os humanos sabemos muito mais verdades do que os outros animais, mas também acreditamos em muitos absurdos.

Sophy Hollington

¿Por qué la ficción triunfa sobre la verdad?

Muchas personas creen que la verdad transmite poder. Creen que los líderes, religiones o ideologías que malinterpretan la realidad acaban perdiendo ante rivales con una visión más clara. Por ende, creen que apegarse a la verdad es la mejor estrategia para hacerse de poder. Por desgracia, esto solo es un mito que reconforta. De hecho, la verdad y el poder guardan una relación mucho más complicada porque en la sociedad humana el poder significa dos cosas muy distintas.

Por un lado, tener poder significa tener la capacidad de manipular realidades objetivas: para cazar animales, construir puentes, curar enfermedades, construir bombas atómicas. Este tipo de poder está estrechamente vinculado con la verdad. Si crees en una teoría física falsa, no podrás construir una bomba atómica.

Por el otro lado, el poder también significa tener la capacidad de manipular las creencias humanas, con lo que lograrás que muchas personas cooperen de manera efectiva. Construir bombas atómicas no solo requiere una compresión detallada de la física, sino además el trabajo coordinado de millones de personas. El planeta Tierra fue conquistado por los Homo sapiens y no por chimpancés o elefantes porque somos los únicos mamíferos capaces que cooperar entre sí en grandes cantidades. Además, la cooperación a gran escala depende de creer en las mismas historias, pero estos relatos no necesitan ser ciertos. Es posible unir a millones de personas haciéndoles creer en historias completamente ficticias sobre Dios, la raza o la economía.

La naturaleza dual del poder y la verdad se traduce en el curioso hecho de que los humanos sabemos muchas más verdades que ningún otro animal, pero también creemos en muchas más insensateces. Somos, al mismo tiempo, los habitantes más listos y los más crédulos del planeta. Los conejos no saben que E=MC², que el universo tiene 13.800 millones de años y que el ADN está compuesto de citosina, guanina, adenina y timina. Sin embargo, los conejos no creen en las fantasías mitológicas ni en los disparates ideológicos que han fascinado a incontables seres humanos durante miles de años. Ningún conejo habría estado dispuesto a estrellar un avión contra el World Trade Center de Nueva York con la esperanza de ser recompensado con 72 conejas vírgenes en otra vida.

Cuando se trata de unir a las personas en torno a una misma historia, la ficción en realidad goza de tres ventajas inherentes sobre la verdad. La primera es que, en tanto que la verdad es universal, las ficciones tienden a ser locales. En consecuencia, si queremos distinguir a nuestra tribu de los forasteros, una historia ficticia nos servirá mucho más como un marcador de identidad que una historia verdadera. Supongamos que enseñamos a los miembros de nuestra tribu a creer que “el sol sale por el oriente y se oculta por el poniente”. Este sería un mito tribal bastante débil, puesto que, si me encuentro a alguien en la selva y esa persona me dice que el sol sale por el oriente, eso podría indicar que esa persona es un miembro leal de nuestra tribu, pero también podría indicar que es una extranjera inteligente que llegó a la misma conclusión sin la guía de nuestra tribu. Por lo tanto, es mejor enseñar a los miembros de la tribu que “el sol es el ojo de una rana gigante que todos los días atraviesa el cielo de un salto”, dado que muy probablemente pocos extranjeros llegarán a esa idea en específico por sí mismos, sin importar lo inteligentes que sean.

La segunda gran ventaja de la ficción sobre la verdad tiene que ver con el principio de la desventaja, que establece que las señales confiables deben ser costosas para el emisor. De lo contrario, pueden ser imitadas fácilmente por los falsificadores. Por ejemplo, los pavorreales macho muestran sus aptitudes a las hembras haciendo gala de una enorme y colorida cola. Esta es una señal confiable de capacidad, porque la cola es pesada, voluminosa y atrae a los depredadores. Solo un pavorreal realmente capaz puede sobrevivir a pesar de esa desventaja. Algo similar sucede con las historias.

Si la lealtad política se mide a través de la creencia en una historia verídica, cualquiera puede fingir tal lealtad. Pero creer historias ridículas y extravagantes exige un costo mayor y, por ende, es una mejor señal de lealtad. Si le crees a tu líder solo cuando ella o él dice la verdad, ¿qué prueba eso? En cambio, si le crees a tu líder incluso cuando construye castillos en el aire, ¡eso sí es lealtad! Los líderes astutos algunas veces dicen de manera deliberada insensateces a fin de identificar a los devotos confiables de los seguidores condicionales.

La tercera ventaja, y la más importante, es que la verdad suele ser dolorosa y perturbadora. De ahí que quien se apega a la realidad pura tiene pocos seguidores. Un candidato presidencial estadounidense que le dice al pueblo de ese país la verdad y nada más que la verdad sobre la historia de Estados Unidos tiene asegurada la derrota al cien por ciento en las elecciones. Lo mismo sucede con los candidatos de todos los demás países. ¿Cuántos israelíes, italianos o indios pueden soportar la verdad inmaculada sobre sus naciones? Un apego absoluto a la verdad es una práctica espiritual admirable, pero no es una estrategia política ganadora.

Algunos pueden argumentar que los costos a largo plazo de creer en historias ficticias pesan más que las ventajas a corto plazo de la cohesión social; que una vez que la gente adquiere el hábito de creer en ficciones absurdas y falsedades convenientes, ese hábito se extiende a cada vez más áreas y, en consecuencia, la gente acaba por tomar malas decisiones económicas, adopta estrategias militares contraproducentes y no logra desarrollar tecnologías efectivas. Aunque esto ocurre ocasionalmente, está lejos de ser una regla universal. Incluso los fanáticos más fervientes y extremos suelen ser capaces de compartimentar su irracionalidad de tal modo que creen disparates en algunos campos, mientras que siguen siendo sumamente racionales en otros.

Pensemos, por ejemplo, en los nazis. La teoría racial del nazismo se basaba en pseudociencia falsa. Aunque trataron de reforzarla con evidencia científica, los nazis tuvieron que silenciar sus facultades racionales a fin de desarrollar una creencia lo suficientemente fuerte para justificar el asesinato de millones de personas. No obstante, a la hora de diseñar las cámaras de gas y preparar los horarios de los trenes hacia Auschwitz, la racionalidad nazi salía intacta de su escondite.

Lo que es cierto acerca de los nazis también es aplicable a muchos otros grupos fanáticos a lo largo de la historia. Resulta aleccionador darse cuenta de que la Revolución Científica comenzó en la cultura más fanática del mundo. En los días de Colón, Copérnico y Newton, Europa tenía una de las concentraciones más altas de extremistas religiosos y el nivel de tolerancia más bajo en su historia.

Se cree que el mismo Newton pasó más tiempo buscando mensajes secretos en la Biblia que descifrando las leyes de la física. Las luminarias de la Revolución Científica vivieron en una sociedad que expulsó a judíos y musulmanes, quemaba herejes al por mayor, veía a las mujeres mayores que amaran a los gatos como brujas e iniciaba una nueva guerra religiosa cada luna llena.

Si hubiésemos viajado a El Cairo o a Estambul hace unos cuatrocientos años, habríamos encontrado una metrópolis multicultural y tolerante donde los sunitas, los chiitas, los cristianos ortodoxos, los católicos, los armenios, los coptos, los judíos e incluso uno que otro hindú vivían unos junto a otros en relativa armonía. Si bien tenían sus desacuerdos y trifulcas —y aunque el Imperio Otomano discriminaba de manera habitual a las personas por motivos religiosos—, era un paraíso liberal comparado con Europa occidental. Si entonces hubiésemos zarpado con destino al París o al Londres de la época, habríamos encontrado ciudades inundadas de intolerancia religiosa, en las que solo los que pertenecían a la secta dominante podían vivir. En Londres, mataban católicos; en París, mataban protestantes; hacía tiempo que se había desterrado a los judíos, y nadie en su sano juicio habría soñado con dejar entrar musulmanes. Sin embargo, la Revolución Científica comenzó en Londres y París, en lugar de en El Cairo o Estambul.

La capacidad de compartimentar la racionalidad tal vez tiene mucho que ver con la estructura de nuestro cerebro. Distintas partes del cerebro son responsables de distintos modos de pensamiento. Los seres humanos podemos desactivar y reactivar de manera inconsciente las partes del cerebro que son fundamentales para el pensamiento escéptico. De esta forma, Adolf Eichmann quizá mantenía desactivado su lóbulo prefrontal mientras escuchaba a Hitler pronunciar un discurso apasionado, para luego echarlo a andar de nuevo y organizar cuidadosamente el horario de los trenes hacia Auschwitz.

Incluso si hay que pagar algún precio por desactivar nuestras facultades racionales, las ventajas de la mayor cohesión social suelen ser tan grandes que las historias ficticias suelen triunfar una y otra vez sobre la verdad en la historia de la humanidad. Los académicos lo han sabido desde hace miles de años, razón por la cual a menudo han tenido que escoger entre servir a la verdad o a la armonía social. ¿Debían proponerse unir a las personas asegurándose de que todos creyeran en la misma ficción o debían dejar que la gente supiera la verdad, aunque el precio a pagar fuera la desunión? Sócrates eligió la verdad y fue ejecutado. Las instituciones académicas más poderosas de la historia —ya fueran de sacerdotes cristianos, mandarines confucianos o ideólogos comunistas— antepusieron la unidad a la verdad. Por eso fueron tan poderosas.

Por: Yuval Noah Harari

A conversa cara a cara, o aqui e agora

Estabilidade política é resultado de conversa respeitosa na qual se dá e se recebe. Deixar de lado a vaidade, a intransigência e o orgulho; assim, a antítese da conversa é a polarização exacerbada.

DIEGO MIR

Conversar é uma arte em perigo de extinção?

Conversar é uma arte em perigo de extinção? Dizer que sim seria, no mínimo, controvertido, porque hoje tudo ao nosso redor está montado de maneira que nos chegam sem cessar oportunidades de interagir tanto com amigos quanto com desconhecidos. A conectividade digital permite trocar mensagens sem limite, de modo que vivemos na ilusão de estarmos imersos em uma espécie de conversa infinita. A pergunta inicial pode não parecer tão absurda se pararmos para pensar sobre o que se entende por conversa e, especialmente, o que se espera de seus participantes: a expressão de argumentos, de um lado, e escuta atenta, de outro. Em nosso atual ambiente hipertecnificado, ambas as ações são um desafio. O primeiro exige certas doses de solidão prévia para que quem fala tenha tido a possibilidade de elaborar algo genuinamente próprio; o segundo, prestar atenção. Ou, dito de outra forma, remar contra a corrente no caudaloso rio de estímulos e interrupções pelo qual navegamos diariamente. E, além disso, dialogar não é uma troca de monólogos. Jean de La Bruyère dizia que o talento da conversa não consiste tanto em mostrar muito, mas em fazer que os outros encontrem.

Nossas vidas são baseadas em interações e a comunicação verbal é a ferramenta mais à mão para produzi-las. Ninguém discute a máxima aristotélica de que o homem é um animal social inclinado a exteriorizar opiniões e sentimentos. Portanto, o silêncio imposto implica pesar, e quando um ente querido deixa de nos dirigir a palavra, experimentamos dor. O escritor Henry Fielding, em seu ensaio de 1743 dedicado à conversa, a definiu como a troca de ideias mediante a qual se examina a verdade e na qual cada questão é analisada a partir de diferentes pontos de vista, de modo que o conhecimento seja compartilhado. A história conheceu grandes momentos dessa arte desde que Platão observou que é a mais elevada forma de conhecimento. Muitos séculos depois se começou a perceber a relação direta entre a estabilidade política e o mundo da conversa, que David Hume descreveu como a conversa respeitosa na qual se dá e se recebe no interesse de um gozo mútuo. Para manter um intercâmbio linguístico autêntico deve-se deixar de lado a vaidade, a intransigência e o orgulho; assim, a antítese da conversa é a polarização exacerbada.

A conversa, como se desenvolveu tradicionalmente ao longo da história, tem um denominador comum: o cara a cara, o aqui e agora. E essa necessidade de nos comunicar olhando nos olhos é o que a onipresença das telas já começou a diluir, a ponto de haver quem chegou a acreditar que, com esses sucedâneos de colóquios mediados por um dispositivo, nada se perde no caminho. A tela, cabe lembrar, é não apenas uma superfície que transmite conteúdos, mas também é, em sua segunda acepção, uma separação, uma barreira ou proteção que se interpõe entre os indivíduos. Por isso pesquisadores como Sherry Turkle, professora de Estudos Sociais de Ciência e Tecnologia do MIT, alertam para a crise de empatia promovida pelos aparelhos eletrônicos, pois nos privam de ver as emoções que afloram quando duas pessoas se explicam frente a frente e em tempo real. Além disso, conversar também é a maneira mais eficaz de criar laços afetivos. Turkle aponta em Reclaiming Conversation (Em Defesa da Conversa) que esperamos cada vez mais da tecnologia e menos das pessoas que nos rodeiam, às quais arrebatamos boa parte da nossa atenção para redirecioná-la a conteúdos alojados em outro lugar. “Sacrificamos a conversa pela mera conexão”, acrescenta, citando estudos científicos que demonstram que a simples presença de um telefone sobre a mesa, ainda que desconectado, desvirtua a atenção de todos os presentes. Outro dado preocupante: quanto mais tempo as crianças passam conectadas, menor é sua capacidade de identificar sentimentos alheios.

Diego Mir 

Nossa confiança na tecnologia para preencher os silêncios, combater o tédio e nos expressar sem o medo de nos sentirmos julgados é tanta que a indústria se esforça para desenvolver a inteligência artificial para que possamos falar com objetos em vez de pessoas. Os robôs de conversação já são uma realidade. Hoje é possível coletar todas as mensagens e comentários de um usuário na rede para que, uma vez morto, possam ser recriados seus padrões de conversação, de modo a podermos continuar trocando mensagens com ele. Embora isso, como Alan Turing vaticinou, não deixará de ser um jogo de imitação. A tecnologia é um meio extraordinário, mas nada é capaz, adverte Turkle, de substituir uma comunicação em pessoa e os benefícios que traz. O sociólogo Georg Simmel, já no início do século passado, qualificou a conversa de antídoto contra a pressão e o estresse causados pela vida moderna. Recentemente, um estudo da Universidade de Chicago provou que a conversa casual entre dois estranhos em um trem ou sala de espera faz desse momento uma experiência mais agradável. Talvez, apontam seus autores, estejamos superestimando o desejo de privacidade em um planeta cada vez mais povoado. Não entender os benefícios da interação social resulta inevitavelmente em solidão, empobrecimento e falta de empatia.

Ensinando, na escola, bondade e empatia, reduziríamos conflitos interpessoais?
A política, o direito de nascer, casar, adotar e de morrer

A política, o direito de nascer, casar, adotar e de morrer

 

A política que tradicionalmente se ocupo do “entre” o nascimento e a morte, agora se expande a ambos e tenta conceder às pessoas o direito de decidir o início e o final da vida.

La Moneda, el palacio presidencial de Chile, fue iluminado con los colores de la bandera LGBTQI el 17 de mayo de 2019. CreditReuters