Candidatos a vagas em Harvard são discriminados por raça

Universidade discrimina, por raça, intencionalmente, estudantes com um desempenho melhor em provas, classificação e atividades extracurriculares.

Os estudantes discriminados pela Universidade de Harvard

A Universidade Harvard intencionalmente discriminou estudantes asiático-americanos que se candidatavam a uma vaga na faculdade, uma das mais disputadas dos EUA, afirmou nesta quinta-feira (30/8/2018) o Departamento de Justiça americano.

No posicionamento formal publicado na manhã desta quinta, o departamento se posiciona ao lado de grupos de estudantes e pais de alunos em uma ação na qual a universidade é acusada de discriminar asiático-americanos em seu processo seletivo.

No processo, que corre num tribunal federal de Boston, os candidatos dizem que a universidade atribuía notas mais baixas aos asiático-americanos do que aos de outras raças em critérios como “personalidade positiva”, simpatia, coragem, gentileza e ser “amplamente respeitados”.

Esses estudantes tinham um desempenho melhor em provas, classificação e atividades extracurriculares.

As notas pessoais baixas, porém, diminuíram drasticamente suas probabilidades de ser admitidos na universidade, de acordo com a ação. Para chegar à conclusão, foram analisados 160 mil registros de estudantes.

Um julgamento sobre a ação está marcado para outubro. Se chegar à Suprema Curte, poderia ser apreciado pelo juiz conservador Brett Kavanaugh, indicado pelo presidente Donald Trump para ocupar a vaga deixada por Anthony M. Kennedy ao se aposentar. O caso pode ter implicações mais amplas para as universidades do país que consideram a raça em seu processo de admissão.

Nesta quinta, o departamento lembrou que, em 2017, abriu uma investigação contra Harvard baseada em queixa apresentada por mais de 60 organizações asiático-americanas.

O posicionamento publicado pelo governo diz que Harvard não conseguiu provar que não comete discriminação ilegal contra asiático-americanos.

O departamento lembra que, como condição para receber os milhões de dólares de recursos dos contribuintes todos os anos, a universidade concorda em não discriminar candidatos com base em sua raça no processo de admissão.

“No entanto, os estudantes e pais que entraram com essa ação apresentaram fortes evidências de que o uso de raça por Harvard discrimina ilegalmente asiático-americanos”, afirma, no comunicado.

No documento, o departamento diz que “os Estados Unidos apelam à corte que garanta aos reclamantes a oportunidade de provar as alegações em julgamento“.

“Nenhum americano deveria ter negava admissão a uma escola por causa de sua raça”, afirmou, na declaração, o secretário de Justiça, Jeff Sessions.

“Como receptora de dinheiro de contribuintes, Harvard tem a responsabilidade de conduzir sua política de admissão sem discriminação racial e usando critérios de seleção relevantes que se enquadrem nas exigências legais”, continuou o secretário.

Segundo ele, o caso é importante porque as políticas de admissão nas universidades e faculdades devem ser conduzidas de acordo com a lei.

A universidade também não conseguiu oferecer explicações sobre como mede a raça do candidato em relação a outros fatores na seleção, como pontuação e atividades extracurriculares. Harvard fracassou ainda em indicar como limita o uso da raça para assegurar que não ocorra discriminação ilegal.

O departamento critica o uso de fatores subjetivos no processo, como “ser uma boa pessoa” com “qualidades humanas”. Na investigação, Harvard admitiu que, na média, dá uma pontuação menor a candidatos asiático-americanos com base em suas “notas pessoais” do que aos de outras raças.

O governo Donald Trump acusa ainda a universidade, ao longo de 45 anos em que usou critérios raciais na admissão de estudantes, de nunca ter considerado medidas raciais neutras para melhorar a diversidade de seu corpo de estudantes, o que é exigido segundo as leis existentes.

A declaração foi emitida quase dois meses depois que Trump anunciou a revogação de ações afirmativas adotadas durante o governo do democrata Barack Obama (2009-2017).

As sete diretrizes revogadas buscavam aumentar a diversificação racial nas escolas e universidades americanas, incentivando as instituições de ensino a levar em conta a raça dos alunos durante o processo de seleção.

Na época, o próprio Sessions afirmou que as ações afirmativas “de administrações passadas” buscavam “impor novas regras à população americana” sem conhecimento do público e sem ouvir as pessoas.

Nos últimos dias, o presidente tem feito várias críticas ao trabalho de Sessions, em meio às investigações sobre a suposta interferência russa nas eleições de 2016.

Em entrevista ao programa Fox and Friends, da emissora Fox News, Trump afirmou que escolheu “um secretário de Justiça que nunca teve controle sobre o Departamento de Justiça” e que isso “é meio que uma coisa incrível”.

Também criticou o fato de Sessions ter se negado a conduzir as investigações da relação entre Moscou e o pleito de dois anos atrás.

FONTE: Pragmatismo Político
POR: Danielle Brant, FolhaPress
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FONTES ORIGINAIS:
Harvard Investigates Harvard
Too Many Asian Americans

 

 

O racista é um Doente Mental?

“… o racista tem problemas psíquicos muito sérios que necessitam de tratamento psicológico ou psiquiátrico…”

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Fonte: Casa do Saber
Por Silvio Luiz de Almeida – Pós-doutor pelo departamento de Filosofia e Teoria Geral do Direito da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP). Doutor em Filosofia e Teoria Geral do Direito pela Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP). Mestre em Direito Político e Econômico e Bacharel em Direito pela Faculdade de Direito da Universidade Presbiteriana Mackenzie. Graduado em Filosofia pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (FFLCH-USP). Professor do Curso de Graduação em Direito e Docente Permanente do Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Direito Político e Econômico da Universidade Presbiteriana Mackenzie (SP). Professor de Filosofia do Direito e Introdução ao Estudo do Direito da Universidade São Judas Tadeu (SP). Presidente do Instituto Luiz Gama (SP). Advogado em São Paulo.
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Eis um discriminador racista e antissemita. Reconhecendo é possível prevenir.
Por que não mencionar o racista numa entrevista sobre racismo?

“Não há nada de mau em ser racista”

Extremistas, intolerantes defensores do ódio, em sua maioria conservadores, nazistas, racistas y fanáticos, entre os candidatos às eleições deste ano…

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Los candidatos y marchas nazis aumentan en Estados Unidos (Twitter).

Nazis, racistas y fanáticos, entre los candidatos a las elecciones de Estados Unidos

Arthur Jones es un nazi declarado. John Fitzgerald dice que el Holocausto es un mito. Rick Tyler quiere hacer a “Estados Unidos blanco otra vez”.

Sus ideas marginales son reminiscencias de otros tiempos, pero todos estos hombres que las apoyan serán candidatos en las elecciones de este año en Estados Unidos.

Extremismo e intolerancia, e incluso supremacía blanca y antisemitismo, han renacido en la política estadounidense del siglo XXI, en la era del presidente Donald Trump, trascendiendo la retórica tóxica de algunos fanáticos ignotos.

Estas ideas han tenido más repercusión este año en la escena nacional que nunca antes en la historia reciente. Y los defensores del odio, en su mayoría conservadores que se postulan en cargos legislativos, están demostrando ser una gran vergüenza para el Partido Republicano.

extr2Arthur Jones es un nazi declarado. Y no lo oculta (Captura de TV).

En Illinois, Jones, quien llamó al Holocausto “la mentira más grande y oscura de la historia”, e incluso una vez publicó un aviso en un periódico con una gran cruz esvástica, se ha convertido en el candidato republicano para disputar un lugar en el Congreso. En este distrito de mayoría demócrata, Jones ganó las primarias del partido por no tener competencia.

Russel Walker, quien compite por una banca en Carolina del Norte, proclama que “no hay nada de malo en ser racista”, y que los judíos son “descendientes de Satán”.

En Wisconsin, Paul Nehlen, el principal candidato republicano para ocupar el escaño en el Congreso, actualmente en manos del presidente saliente de la Cámara, Paul Ryan, se ha convertido en un líder del movimiento alternativo. Sus críticos advierten que Nehlen quiere proporcionar a los nacionalistas blancos y antisemitas un apoyo más fuerte en la cultura y en la política de Estados Unidos.

El sitio de internet de la campaña de Tyler, simpatizante de Trump que se postula para el Congreso en Tennessee, exhibe la bandera confederada (considerada un símbolo de odio racial) flameando en lo alto de la Casa Blanca. Uno de sus carteles de campaña dice: “Haz Estados Unidos blanco otra vez”.

Expertos dicen que hay un número sin precedentes de candidatos fanáticos este año, y que su motivador principal bien podría ser el presidente de Estados Unidos.

extr3Jones llamó al Holocausto “la mentira más grande y oscura de la historia”, e incluso una vez publicó un aviso en un periódico con una gran cruz esvástica (Captura de TV).

“El uso poco ortodoxo del lenguaje racista y anti musulmán, todo ese lenguaje propio del fanatismo, ha abierto una puerta en la política que antes no estaba abierta”, explicó Heidi Beirich, quien como experta en el Southern Poverty Law Center (SPLC) ha rastreado grupos promotores del odio desde 1999.

“Siempre hemos tenido algunos neonazis … pero esto (el nuevo discurso político) está volviendo la situación mucho peor de lo que era antes”, señaló.

La abierta intolerancia de un candidato hubiera sido hasta hace poco tiempo su “sentencia de muerte”, recordó Beirich. Pero en el entorno político hiper-partidista de hoy, tal retórica puede no representar más un factor de ruptura.

“Derribando esos tabúes, y ganando la presidencia, Trump ha mostrado un camino de éxito electoral que la gente asumía que no funcionaría”, argumentó la experta.

extr4Rick Tyler quiere hacer a “Estados Unidos blanco otra vez” (Captura de TV).

El fanatismo se ha difundido en la vida pública. Varios videos en los que gente blanca acusa a inmigrantes o afroamericanos se han vuelto virales.

Uno de ellos, en el que se ve a oficiales sacando a dos hombres negros esposados de un local de Starbucks (sin que hubieran cometido ningún delito), hizo estallar un debate nacional sobre la raza.

Las divisiones raciales y étnicas están instaladas en la escena política en lugares como Virginia, donde el candidato republicano al Senado, el supervisor antinmigración del condado de Corey Stewart, está bajo fuego por sus provocativas compañías.

Stewart ha dicho que Nehlen es uno de sus “héroes personales”, y se ha mostrado con Jason Kessler, el hombre que organizó una manifestación de supremacía blanca en Charlottesville en agosto de 2017.

Desde entonces, Stewart ha renegado de ambos extremistas, y la jugada puede haber influido en algunos votantes. El 20 de junio, Steward ganó las primarias republicanas para el Senado.

extr5En Wisconsin, Paul Nehlen, el principal candidato republicano para ocupar el escaño en el Congreso, se ha convertido en un líder del movimiento alternativo. Nehlen quiere proporcionar a los nacionalistas blancos y antisemitas un apoyo más fuerte en la cultura y en la política de Estados Unidos.

En un debate realizado la semana pasada, Stewart insistió en que “no hay un hueso racista” en su cuerpo. Pero se mantuvo como un vigoroso defensor de la “herencia” de Virginia.

Los candidatos extremistas tienden a multiplicarse cuando ellos y sus seguidores se sienten ignorados o no representados por los principales partidos, sea el Republicano o el Demócrata.

En 2016, Trump apeló a millones de votantes “de cuello azul”, mineros de carbón, desempleados, o trabajadores de fábricas o agricultores, a quienes el magnate unió a su causa bajo la etiqueta de “hombre olvidado”.

extr6el ex alguacil de Arizona Joe Arpaio, que dirigió cárceles similares a campos de concentración para inmigrantes indocumentados y se postula ahora para el Senado. AFP

Stewart dice que el fracaso de los demócratas en llegar a esos votantes contribuyó a un escenario en el que los candidatos de extrema derecha pueden prosperar.

El Partido Republicano ha desautorizado a varios candidatos extremistas, incluidos Jones y Nehlen.

Pero Trump ha abrazado a republicanos controvertidos, como el ex alguacil de Arizona Joe Arpaio, que dirigió cárceles similares a campos de concentración para inmigrantes indocumentados y se postula ahora para el Senado.

Según Beirich, ese es un mensaje a los marginales del partido Republicano, de que hay espacio para ellos en la política.

Fonte: Clarín
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O Projeto Discriminação da Associação de Psiquiatria do RGS – APRS

O fato da Conduta Discriminatória de uma determinada pessoa (discriminador) causar sofrimento mental em outra (discriminado), indica a necessidade de que profissionais da saúde mental devam se interessar pelo tema.logo

O Projeto Discriminação-APRS (PD) tem como objetivo básico a apropriação do estudo pela Psiquiatria da Conduta Discriminatória (CD), cuja origem é basicamente psicológica e que produz sofrimento mental e/ou físico no discriminado podendo chegar, em casos extremos, ao suicídio. O fato da CD de uma determinada pessoa (discriminador) causar sofrimento mental em outra (discriminado), indica a necessidade de que profissionais da saúde mental devam se interessar pelo tema.
Atualmente há na sociedade somente duas instâncias que auxiliam a inibir a CD: os grupos discriminados organizados e seus simpatizantes (organizações governamentais e não governamentais) e o Direito que considera criminosa esta conduta. O Direito já se apropriou do estudo da CD e a considera crime em muitas situações. Mesmo que a questão legal só apareça no final do processo discriminatório. O psiquismo, que está presente – no início, meio e fim do processo discriminatório – ainda não nos motivou a apropriação do seu estudo da maneira como a sociedade contemporânea o considera. Inicialmente, para isso deveríamos encontrar uma denominação-conceito compatível com crime, que é a definição da Ciência Jurídica para a CD nas sociedades mais avançadas. Certamente se a nossa área de atuação encontrar uma denominação-conceito mais atualizada, compatível com a do Direito, estaríamos criando uma terceira instância inibidora desta conduta geradora de sofrimento mental.
Para isso, é necessária uma maior mobilização e participação dos profissionais da saúde mental na discussão da CD. Estamos convidando os colegas interessados para conhecer e aprofundar o estudo sobre esse tema. A partir de encontros/debates decidiremos os próximos passos dentro da instituição. Também iniciaremos a divulgação do PD para profissionais e grupos de Saúde Mental e de Direitos Humanos com o objetivo de agregar outras parcerias que também possam contribuir para o avanço do entendimento do PD.
Interessados em participar do Projeto Discriminação, bem como em textos publicados sobre o tema, devem entrar em contato com o Dr. Telmo Kiguel através do email telki@terra.com.br

A seguir algumas matérias para um melhor entendimento com afirmações/declarações que coincidem com as idéias básicas do PD:

1 – Do Dr. Carlos Augusto Ferrari Filho: Quem é o Discriminador Machista, Racista, Homofóbico, Antissemita, etc.: uma visão psicanalítica

2 – Duas entrevistas com o coordenador do PD: aqui e aqui.

3 – A proposta diagnóstica formulada pela escritora nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie, no premiado livro Americanah.

4 – A do secretario-geral da ONU, António Guterres, sugerindo que as discriminações e o desrespeito aos direitos humanos devem ser prevenidos e definidos como doença.

5 – E um vídeo com a opinião do Dr. Drauzio Varella sobre a origem da homossexualidade.

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E por fim, as instituições que apoiam o Projeto Discriminaçã:

O Centro de Estudos Luis Guedes – CELG – do Departamento de Psiquiatria e Medicina Legal da Faculdade de Medicina da UFRGS e do Serviço de Psiquiatria do Hospital de Clinicas de Porto Alegre apoia o Projeto Discriminação – APRS.

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O Centro de Estudo de Psiquiatria Integrada – CENESPI – do Departamento de Psiquiatria e Medicina Legal da Faculdade de Medicina da PUCRS e do Serviço de Psiquiatria do Hospital São Lucas – PUCRS apoia o Projeto Discriminação – APRS.

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Os professores da Disciplina de Psiquiatria do Curso de Medicina da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre – UFCSPA apoiam o Projeto Discriminação – APRS.

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O Curso de Medicina da Universidade Luterana do Brasil – ULBRA, a Liga de Psiquiatria e a Liga de Medicina de Família e Comunidade apoiam o Projeto Discriminação – APRS.

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O SIMERS – Sindicato Médico do Rio Grande do Sul apoia o Projeto Discriminação – APRS.simers

A AMRIGS – Associação Médica do Rio Grande do Sul apoia o Projeto Discriminação – APRS

5 comentários
Saul Cypel Prof. Livre Docente de Neulogia Infantil      11 de agosto de 2016
Em momento oportuno APRS oferece a oportunidade para tratar da Discriminaçãp de modo abrangente, com sensibilidade para o sofrimento emocional que esta condição desumana produz, introduzindo este debate com outras instituições seriamente interessadas neste tema.
Meus cumprimentos por esta escolha que certamente trará resultados úteis à nossa sociedade.

Olga Garcia Falceto        12 de agosto de 2016
Boa iniciativa! Trabalho muito necessario e atualíssimo!
grande abraco,
Olga Falceto

Flavio Aguiar          12 de agosto de 2016
Muito oportuno e com boa direção. Mais que necessário nesta nova era que se abre diante de nós, e que se pode chamar de era Temer-Cunha-Feliciano. Flavio Aguiar.

Ellis Busnello      15 de agosto de 2016
“Gostaria de nesse momento parabenizar a nossa APRS pela oportuna iniciativa, dada a importância prioritária que é lidar com a CD. Trata-se no entender nosso de uma Prioridade porque preenche os requisitos por ser ela Grave, de Prevalência Alta bem como de Importância Médico Social, e por naturalmente não ter até o presente momento recebido esta caracterização de ser uma Prioridade Psiquiátrica e/ou de Saúde Mental. Creio ter deixado claro os motivos pelos quais nós os Médicos e ainda mais os
Médicos Psiquiatras temos o dever de colocar na linha de frente das nossas atividades a colocação da Conduta Discriminatória, com possível vista a ser incorporada à toda atividade da Prática Psiquiátrica. Pela sua própria natureza de lidar com Doenças e /ou Transtornos Mentais, compreendendo uma vasta gama de comportamentos com condições de surgimento e tempos de duração que os expõem à possibilidade de serem Conduzidos Discriminatoriamente, mesmo quando na busca de proporcionar um maior nível de Saúde Mental para todos, penso ser um Compromisso e um Dever das Associações Psiquiátricas Brasileiras e orgulhoso de saber que a APRS emprestou a devida importância ao estudo do tema.”

Aracy Albani           19 de setembro de 2017
Parabéns pela iniciativa. Muito sucesso nessa tarefa complexa, necessária para termos uma sociedade mais justa e solidária.

Fonte: Projeto Discriminação da Associação de Psiquiatria do RGS – APRS

“Subvenção governamental para fazer campanhas racistas, machistas e homofóbicas”

“Associação católica recebe subvenção para para fazer campanha racista, contra a comunidade LGTBIQ+ e aos direitos da mulher. Isto vai frontal e radicalmente contra os direitos humanos, da familia, da infância, da igualdade de oportunidades e tolerância”

hazte

Autobús de la plataforma HazteOír.org que recorre varias ciudades de España con lemas rotulados contra los niños transexuales

El Gobierno, “de momento, no se ha planteado” retirar la “utilidad pública” a Hazte Oír

El Gobierno de Pedro Sánchez, “de momento, no se ha planteado” retirar la declaración de “titularidad pública” a la asociación ultracatólica Hazte Oír, por la cual puede recibir subvenciones pese a centrar sus campañas que se centran en ideas racistas y homófobas.

Así lo han confirmado desde el Ministerio del Interior que dirige Fernando Grande-Marlaska a ElPlural.com, explicando también que, llegado el momento, habría que seguir la normativa que regula el derecho de asociación, en concreto la Ley 1/2002 del 22 de marzo.

Esta posición de inacción contrasta con la beligerante que tomó el PSOE hace poco más de un año cuando exigió al Ejecutivo de Mariano Rajoy retirar esta tipificación a la organización ultracatólica en plena polémica por el autobús transfobo que intentó recorrer las carreteras españolas. Su campaña y reiterados ataques a la comunidad LGTBIQ+, así como a los derechos de la mujer, provocaron una gran movilización en contra, junto con el rechazo de algunas administraciones, no así del anterior Gobierno central. Según su propia información, esta organización homófoba dispone de un presupuesto anual que supera los 2,6 millones de euros.

En marzo de 2017 Podemos presentó una proposición no de ley en el Congreso para exigir que el Gobierno dejase de dar esta calificación de forma inmediata, petición a la que se sumó el PSOE y que al final fue aprobada por sus votos más los de Ciudadanos y ERC, pidiendo al Gobierno del Partido Popular que revocase esta declaración de utilidad pública, ya que las actividades desarrolladas por Hazte Oír son “frontal y radicalmente contrarias a los valores, fines y principios que justifican la declaración de interés general de una asociación y, en concreto, a los de promoción de los valores constitucionales, de los derechos humanos, de la familia, de la infancia y de la igualdad de oportunidades y de la tolerancia”.

Motivos suficientes para retirarla

Ahora, con la llegada de Pedro Sánchez al Ejecutivo, el PSOE tiene la posibilidad de retirar de un plumazo la “titularidad pública” a Hazte Oír. Según la ley “la declaración será revocada, previa audiencia de la asociación afectada e informe de las Administraciones públicas competentes, por Orden del Ministro que se determine reglamentariamente, cuando las circunstancias o la actividad de la asociación no respondan a las exigencias o requisitos fijados” en la norma.

Hace un año, desde la oposición tenían claro que Hazte Oír no cumplía los requisitos legales para ostentar este estatus que son, entre otros, que sus fines “sean de carácter cívico, educativo, científico, cultural, deportivo, sanitario, de promoción de los valores constitucionales, de promoción de los derechos humanos, de asistencia social, de cooperación para el desarrollo, de promoción de la mujer, de protección de la infancia, de fomento de la igualdad de oportunidades y de la tolerancia”.

La portavoz de Igualdad del PSOE en el Congreso, Ángeles Álvarez, en conversaciones con ElPlural.com, señala un paso más, y es que Hazte Oír “no hace prestación de servicios” sino que sólo se dedica a la “movilización”, por lo que se podría interpretar que tampoco está cumpliendo la normativa.

Hazte Oír no, pero otras sí

El caso de la organización ultracatólica es más llamativo si se recuerda que el Gobierno de Mariano Rajoy retiró la titularidad pública a otras asociaciones como con la Federación de Planificación Familiar, dedicada a hacer campañas de prevención del sida o de embarazos no deseados que sí que son de utilidad pública. La decisión de Interior, en ese momento dirigido por Juan Ignacio Zoido, partió a partir de una denuncia de la Asociación Española de Abogados Cristianos, como recuerda Ángeles Álvarez.

Fonte: El Plural
Por: Alejandro Godoy
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O fascismo, o nazismo e as discriminações

Nos EUA um negro era linchado pelo boato de flertar com uma branca. Hitler dizia que os judeus conspiravam para usar soldados negros para estuprar as puras mulheres arianas.

Nazi uniforms and a Swastika flag that were confiscated by the Berlin police during raids against German neo-Nazis are presented to the public during an open day at a police barracks in Berlin, September 7, 2014. REUTERS/Fabrizio Bensch (GERMANY - Tags: SOCIETY)
Nazi uniforms and a Swastika flag that were confiscated by the Berlin police during raids against German neo-Nazis are presented to the public during an open day at a police barracks in Berlin, September 7, 2014. REUTERS/Fabrizio Bensch (GERMANY – Tags: SOCIETY)

Uniformes nazistas confiscados pela polícia de Berlim

 Filósofo explica retorno de políticas fascistas nos Estados Unidos

Jason Stanley, professor na Universidade de Yale e autor de ‘How Fascism Works’, mostra como identificar o fascismo atual.

A reportagem é de Lúcia Guimarães, publicada por O Estado de S. Paulo, 30-06-2018.

Uma nova pesquisa revelou que 8 em 10 americanos temem pela democracia no país e dois terços acreditam que o sistema democrático está enfraquecido. A pesquisa foi encomendada por um grupo bipartidário, o Democracy Project, que envolve o ex-presidente George W. Bush e o ex-vice presidente Joe Biden. A mais longa campanha presidencial da história dos Estados Unidos, que começou em 2015, reintroduziu no discurso político americano palavras que muitos acreditavam pertencer ao passado. Especialmente duas palavras carregadas de temor histórico, fascismo e nazismo.

Mas o triste retorno não se deveu apenas à vitimização desonesta de tragédias históricas, como usar as palavras para xingar qualquer pessoa não identificada com a esquerda.

Simpatizantes do fascismo e do nazismo não foram erradicados nos EUA. A diferença, na eleição de 2016, é que eles deram apoio aberto a um candidato e passaram a ter mais visibilidade em comícios e na mídia digital de direita, inclusive no site do então futuro alto assessor presidencial Steve Bannon. E o candidato republicano não se indignava com o apoio. Republicanos moderados e democratas liberais tentaram ver neste súbito protagonismo de extremistas antes marginalizados uma anomalia passageira. Afinal, como disse o ex-diretor do FBI James Comey, a sem precedentes interferência russa na eleição a favor do ex-apresentador de O Aprendiz podia ser investigada sem alarde porque nem ele, nem boa parte dos observadores políticos imaginavam que Hillary Clinton não seria eleita.

Mas, mesmo antes de começar a campanha presidencial, a semente do renovado namoro com o fascismo foi plantada pelo birtherismo, teoria conspiratória segundo a qual o primeiro presidente negro do país não teria nascido no Havaí e sim no Quênia. Em março de 2011, Donald Trump disse à rede ABC que estava pensando em se candidatar e, sim, era preciso duvidar que Obama era cidadão americano, uma acusação que manteve acesa até, sem a menor sinceridade, renunciar a ela dois meses antes de ser eleito.

O birtherismo chamou atenção do filósofo e professor da Universidade de Yale Jason Stanley, um filho de refugiados da 2.ª Guerra e neto de Ilse Stanley, a atriz judia alemã que salvou centenas de judeus posando como oficial nazista em campos de concentração e narrou suas memórias em The Unforgotten, publicado em 1957. Jason Stanley lançou, no final de 2016, o elogiado How Propaganda Works (Como Funciona a Propaganda), um livro sobre a fragilidade das democracias sob a difusão de propaganda.

Em setembro, sai nos Estados Unidos How Fascism Works: The Politics of Us and Them (Como Funciona o Fascismo: A Política de Nós e Eles), a nova obra do filósofo. O livro oferece contexto e referências históricas, mas não é uma história do fascismo, é um guia de identificação de políticas fascistas no mundo contemporâneo. Numa entrevista exclusiva ao Aliás, Jason Stanley refletiu sobre o peso da palavra fascismo. Ela teria perdido o impacto? “Não”, responde resoluto. “Era a palavra apropriada em 2016. É possível ser fascista, como já aconteceu na Inglaterra, na década de 1930, e não se engajar em crimes.” O autor lembra que a origem italiana da palavra (fascio, feixe, ajuntamento) faz com que seja evitada por nacionalistas brancos, os neofascistas americanos.

Apesar do mea culpa coletivo pela complacência com o autoritarismo anunciado na campanha, o professor Stanley cobra mais sobriedade dos jornalistas. “Veja a semana que passou, quanto tempo foi dedicado à jaqueta da primeira dama, que dizia ‘Eu não me importo e você?’ Alguém notou o plano de cortar o programa de nutrição que atende a 12% da população? Os jornalistas aderiram a esta política simbólica preferida dos dependentes químicos da indignação,” denuncia.

Stanley cita Hungria, Polônia, Turquia e Rússia como exemplos de países onde políticas fascistas têm sucesso pela via eleitoral. Assim como no slogan da campanha americana de 2016, Faça a América Grande de Novo, que romantiza o país dos anos 1950, um recurso crucial da política fascista é promover a volta ao passado que não aconteceu. “É o passado mítico, glorioso”, explica. “Daí vem o outro ingrediente importante do fascismo que é a oposição à ciência e a uma educação pública liberal. A ciência e a educação ampla desmentem o passado fictício. A escola pública é inimiga, coloca pessoas de grupos e classes diferentes em contato e, se você interage com o outro, tem menos chances de considerá-lo uma ameaça.”

Como explicar a devoção cultista do eleitor do atual presidente diante de políticas como as que cortam acesso a assistência médica, benefícios e a guerra comercial que deve provocar alta de preços e desemprego? Afinal, dizia o clichê, na Itália de Benito Mussolini, ao menos os trens estavam sempre no horário. A devoção, afirma Jason Stanley, é racial, ilustrada, segundo ele, por 53% de mulheres brancas que votaram no presidente e mais de 90% de mulheres negras que votaram em Hillary Clinton. Mas, se o patriarcado é um dos elementos do fascismo, como ele explica tanto apoio feminino a Trump? De novo, raça, ele afirma. O patriarca protege o grupo interno da ameaça externa.

No epílogo de How Fascism Works, Stanley responde à possível crítica de que exagera o retrocesso democrático em curso. O problema da normalização é real, ele argumenta, e cita um estudo recente de dois acadêmicos de Yale sobre o “julgamento da normalidade.” Nossa percepção do que é normal depende, além de nossos princípios, do que consideramos estatisticamente normal. “Quando a crueldade se torna mais frequente,” ele diz, como no caso das crianças tomadas dos pais na fronteira, “ela se torna mais aceitável. É um caminho para transformar uma política fascista numa realidade fascista.”

Pergunto ao professor Stanley, que tem alunos entre 18 e 21 anos e dá um curso chamado Propaganda, Ideologia e Democracia, se está otimista com a consciência democrática de seus estudantes. “Não”, dispara. “Há dois anos, minhas turmas estavam perturbadas com a direção da nossa política. Os calouros que entraram este ano não conheceram outro presidente. Não têm memória, parecem achar isso tudo normal.”
Jason Stanley indica como reconhecer um fascista em dez etapas:

Fetiche do passado

A gênese do fascismo está no passado mítico, quando havia pureza étnica, religiosa ou cultural. A mitologia é intencional, para provocar nostalgia pelo que não aconteceu.

Propaganda

Criar um problema, como uma crise de imigração fictícia e unificar um grupo em torno do combate à invasão de estrangeiros.
Anti-intelectualismo. Para erodir o discurso público bem informado, é preciso minar a ciência, a educação liberal, o conhecimento especializado.

Irrealidade

Uma vez que o anti-intelectualismo é bem sucedido, o debate racional é substituído por medo e raiva, o estímulo de um sentimento de perda para o qual é preciso encontrar culpados.

Hierarquia

A natureza impõe hierarquias de domínio que são incompatíveis com a aspiração de igualdade diante da lei que vinha se expandindo sob a democracia liberal.

Vitimização

Aumento de representação de minorias provoca um sentimento de vítima entre maiorias pressionadas a compartilhar poder. O coração do fascismo é lealdade à tribo – étnica, religiosa, cultural.

Lei e ordem

Esse slogan mascara a licença para violar a lei e a ordem. Impunidade de assassinatos policiais, abusos carcerários são vistos como necessários para proteger a sociedade virtuosa.

Ansiedade sexual

Se o demagogo é o pai da nação, qualquer ataque ao patriarcado e à família tradicional é uma ameaça. É preciso sexualizar o outro com fantasias de agressão e “desvio” sexual. Hitler dizia que os judeus conspiravam para usar soldados negros para estuprar as puras mulheres arianas. Linchamentos de negros no sul dos EUA ocorriam pelo simples boato de que um negro teria tentado flertar com uma mulher branca.

Nós e os outros

É preciso desumanizar segmentos da população, o “outro” como imigrantes latinos, muçulmanos, o que ajuda a justificar o tratamento destes grupos.

Fonte: Instituto Humanitas Unisinos
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“Não deveria ter que me preparar para ser estuprada quando vou trabalhar na Faculdade de Medicina”.

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Maior relatório já feito sobre assédio sexual na ciência dos EUA revela um abuso sistemático

Seus amigos, aqueles que não tinham nada a ver com a medicina, não podiam acreditar. “Você está de brincadeira, né?”, perguntaram-lhe. Já os colegas e funcionários da faculdade onde trabalhava pediam para deixar para lá. “Se você relatar isso vai se dar mal. Você não vai querer armar um escândalo.” Essa mulher, membro de uma faculdade de Medicina nos Estados Unidos, sabia que seus colegas da instituição tinham razão, mas sabia também que o que havia ocorrido, e continuava ocorrendo, era demais: “Não deveria ter que me preparar para ser estuprada quando vou trabalhar”.

Este é só um entre dezenas de depoimentos citados no relatório intitulado Assédio Sexual Contra as Mulheres: Clima, Cultura e Consequências nas Academias de Ciência, Engenharia e Medicina, que essas três instituições norte-americanas publicaram na terça-feira. Trata-se da análise mais exaustiva já escrita sobre o tema, trabalhada durante mais de dois anos e baseada em centenas de estudos, entrevistas, estatísticas e relatórios feitos desde a década de oitenta. Suas conclusões apenas salientam uma realidade cada vez mais visível e menos surpreendente: mais de metade das mulheres nesses três âmbitos, e em todos os níveis (alunas e professoras), já sofreram algum tipo de assédio – trabalhista, sexual ou ambos –, abusos, agressões sexuais, desprezo ou menosprezo profissional e pessoal durante sua formação ou no exercício da profissão.

 

“Embora haja cada vez mais mulheres nos campos científicos, assumindo responsabilidades e liderando pesquisas, os dados indicam que isto ocorre com muita frequência”, comentava na terça-feira Marcia McNutt, presidenta da Academia Nacional de Ciências, segundo quem essa “cultura” provoca uma clara devastação nas mulheres, tanto em nível pessoal quanto profissional, e na sua saúde física e psíquica. “É também uma perda tremenda dos recursos humanos, de potencial, de talento e de investimento nesse talento.” Com a agravante de que as políticas e os protocolos atuais para controlar esta situação não dão sinais de funcionar, e as consequências costumam ser o freio às carreiras profissionais das mulheres ou mesmo o abandono.

Para a presidenta, o relatório foi publicado na hora certa, depois que o movimento Me Too rompeu o obscurantismo e o silêncio de milhões de mulheres no mundo, dando início a um movimento global e crescente de conscientização e rechaço a essa violação constante de seus corpos, suas aptidões e suas vontades. Frente a isto, a resposta das instituições é contundente: mudar é não só urgente como também imprescindível. E para essa mudança, observou McNutt, as academias e as organizações públicas e privadas devem criar um ambiente totalmente diferente, que consiga evitar esse assédio a partir do primeiro indício: “Nosso relatório oferece soluções específicas para os diferentes espaços, para poder reduzir ou eliminar esse assédio. É necessária uma cultura baseada na diversidade, na inclusão e no respeito”. Algo que, no momento, não ocorre.

mac2Uma das infografias que a Academia preparou para resumir algumas das recomendações que apontam no relatório.

O pesquisador Kevin Swartout, da Universidade Estadual da Geórgia, foi o encarregado de montar o quebra-cabeça com os dados dos sistemas da Universidade do Texas, aos quais foram posteriormente acrescentados os da Universidade Estadual da Pensilvânia, para oferecer uma visão mais ampla; uma base de mais de 10.000 graduandos, pós-graduandos e professores que revelou um comportamento constante de assédio por parte do professorado ou dos outros funcionários. “Cerca de 20% das estudantes de ciências (graduação e pós) já o sofreram, mais de uma quarta parte das alunas de engenharia, e mais de 40% das estudantes de medicina”, diz o relatório, referindo-se à pesquisa da instituição texana. “Na Pensilvânia, realizou-se uma pesquisa similar, que encontrou resultados parecidos: 33% das estudantes de graduação, 43% das pós-graduandas e 50% por cento das estudantes de medicina.”

Não foram obtidas cifras conclusivas com relação a grupos minoritários, mas o estudo indica que as mulheres pertencentes a coletivos LGTBIQ ou da raça negra são alvos mais habituais do que qualquer mulher branca e heterossexual. Outros dados da pesquisa revelam as mesmas percentagens, e os autores consideram que isso não deveria surpreender. “Os funcionários de instituições acadêmicas têm a segunda maior taxa de assédio sexual [nos Estados Unidos], com 58% (os militares têm a taxa mais alta, 69%)”.

As pesquisas foram completadas com quarenta entrevistas com profissionais de todos os campos, de diferentes idades e níveis. Cerca de metade denunciou algum tipo de assédio físico, mas o psíquico também se revela como uma importante aresta a aparar. “A maioria deles degrada a mulher, encerrando-a no local de trabalho, menosprezando-a frente a outros colegas, dizendo-lhes que não são tão capazes como os outros, ou falando mal delas para o resto… Não é só tocar ou invadir sexualmente, é algo em nível mais intelectual. Tentam fazer esses jogos mentais para que você não possa se defender fisicamente”, aponta uma professora-assistente de Engenharia entrevistada no estudo.

Comentários sexistas, piadas reiteradas e alusões que degradam as mulheres no âmbito pessoal ou profissional foram uma constante que os pesquisadores encontraram ao reunir essa informação. Eles citam quatro aspectos que se dão nesses locais de trabalho como algumas das causas destas atitudes: “A dependência em relação aos assessores e orientadores para o avanço profissional; o sistema de meritocracia que não leva em conta a diminuição na produtividade como resultado do assédio sexual; a cultura machista em alguns campos; e a rede informal de comunicações, através da qual se difundem rumores e acusações dentro e através de programas e campos especializados”. E acrescentaram cinco fatores que poderiam explicar, em parte, esse assédio generalizado: a percepção de tolerância frente a tais atitudes, uma maioria de homens nesse entorno, a férrea hierarquia – que além disso costuma concentrar muito poder em poucas mãos –, sem a educação nem as ferramentas para lutar contra isto, e um enfoque ruim das leis que regulam o assédio nas instituições.

O estudo explica que, muito frequentemente, a interpretação judicial dessas leis incentiva as instituições a criarem políticas que se centram mais em um cumprimento simbólico da legislação e em evitar a responsabilidade do que em realmente prevenir o assédio. Ou seja, normas que acabam protegendo quem comete o assédio, e não a vítima, o que foi definido como “desalentador”. “Ao mesmo tempo em que se investe tanto dinheiro e energia em atrair e reter as mulheres nestes campos, frequentemente elas são intimidadas ou expulsas de sua carreira. Mesmo quando permanecem, sua capacidade de contribuir e avançar pode se ver limitada como consequência do assédio sexual, seja de forma direta, pelo assédio ambiental no entorno em seu departamento, programa ou disciplina, ou através de represálias e por serem tratadas como traidoras depois de relatarem formalmente o assédio”.

Por isso, entre outros estudos, Fazer Frente ao Assédio Sexual: Reconceitualizar a Resistência das Mulheres (2002), de Vicki J. Magley, descobriu, com uma base de dados de mais de 15.000 mulheres, que com frequência as respostas eram ignorar ou tentar apaziguar o assediador. Raras vezes ele era confrontado, e sempre havia uma tentativa de manter boas relações com ele. “Por exemplo, 74,3% das mulheres em um dos sete conjuntos de dados analisados por Magley evitavam o seu autor, 72,8% se distanciaram psicologicamente da situação, 69,9% suportaram a situação sem tentar resolver o problema, e 29,5% tentaram acalmar o seu algoz inventando uma desculpa para explicar seu comportamento.”

A história de sempre. Culpabilização, medo de não serem acreditadas num primeiro momento e do descrédito posterior, e de serem pisoteadas, maltratadas ou de suportarem represálias depois. Algo que está bem refletido no testemunho de uma pesquisadora de medicina que, após sofrer vários tipos de assédio trabalhista e sexual, acabou informando ao diretor de seu programa, que deixou o assunto nas mãos do chefe da instituição em questão; foi ele quem lhe disse que ela recordava a sua ex-mulher – “a quem todos sabíamos que odiava”, comenta a médica no relatório – e que se ela chorasse menos talvez tivesse mais amigos. “A partir daí, a qualificação que fazia do meu trabalho simplesmente foi ladeira abaixo.”

mac3O iceberg do assédio.

Algo incompreensível em todos os níveis. Décadas de pesquisa demonstraram como a indústria e a pesquisa ganham em qualidade quando sua força trabalhista é diversificada. “Esse assédio contínuo tem consequências para o avanço do bem-estar econômico e social do país e sua saúde pública em geral”, sentencia o estudo.

O panorama propõe uma série de mudanças profundas, estruturais, que segundo a Academia devem ser levadas em conta desde já e que se resumem em 15 recomendações não só para sua própria organização, mas também para outros órgãos federais, e políticas para que essa guinada rumo a um mundo mais inclusivo possa chegar a todos os cantos. Entre essas recomendações estão: abordar de forma direta o assédio sexual e ir além do mero cumprimento das leis para alterar pela raiz a cultura e o ambiente nessas instituições; gerar ambientes mais diversificados, inclusivos e respeitosos; melhorar a transparência e a responsabilidade em todos os níveis; reduzir ao máximo essas relações hierárquicas tóxicas que se dão entre as alunas e o professorado, com um poder tremendamente concentrado e que paira sobre o futuro das estudantes; sempre dar apoio à vítima; começar investigações que possam continuar revelando essa realidade; e iniciar mudanças legislativas e políticas para paliá-la.

Há muitos detalhes e conselhos oferecidos nas mais de 300 páginas deste trabalho, que começou a ser preparado há mais de dois anos, quando o Comitê de Mulheres em Ciência, Engenharia e Medicina propôs a criação de um grupo especial para analisar o passado e o presente do assédio sexual em suas áreas, avaliar o impacto que ele causa e estabelecer as bases para sua prevenção e erradicação no ambiente acadêmico. Cientistas, engenheiros, médicos, especialistas no tema, juristas e psicólogos se puseram então a colher e esmiuçar a literatura existente. E, embora tenham radiografado também a si mesmos, esqueceram uma das engrenagens do seu próprio maquinário.

Parte da comunidade científica, sobretudo mulheres, notaram a ironia da publicação deste relatório quando entre suas próprias fileiras há cientistas que pedem demissão ou são demitidos de seus empregos após serem acusados por estas condutas, mas continuam vinculados à Academia. É o caso do caçador de planetas Geoff Marcy, que se demitiu de seu cargo em Berkeley (Califórnia) em outubro de 2015, do neurocientista Thomas Jessell, despedido em abril da Universidade de Columbia, e de Inder M. Verma, o biólogo molecular que está em “licença” no Instituto Salk de Estudos Biológicos, onde trabalha desde a década de setenta, e que renunciou em 1º. de maio ao posto de editor da revista Proceedings, da própria Academia Nacional de Ciências, depois que a publicação Science denunciou que oito mulheres o haviam acusado de abusos sexuais.

Mas há mais. A cientista Julie Libarkin, da Universidade Estadual de Michigan, que criou em 4 de junho um site para denunciar o assédio em sua área, o MeTooSTEM, vem desde a década de oitenta ampliando uma base de dados sobre o assédio sexual que já acumula mais de 600 casos. A revisão desses nomes pelo The Washington Post revelou que há até cinco homens já punidos por assédio sexual que continuam sendo membros das Academias Nacionais norte-americanas, e três que ainda fazem parte de pesquisas com subvenção pública. A Academia Nacional de Ciências, criada pelo Congresso dos Estados Unidos em 1863, tem como acadêmico médio um homem branco de mais de 70 anos; os novos membros são escolhidos pelos atuais, e suas vagas são vitalícias. Haja o que houver.

Em maio, BethAnn McLaughlin, professora-assistente de neurologia na Universidade Vanderbilt, iniciou uma petição no Change.org para exigir às academias que destituam seus membros se tiverem sido condenados por assédio sexual ou trabalhista ou por agressões, algo que atualmente, conforme seus próprios estatutos, encalhados em algum ponto do século XX, é impossível. Os presidentes das três academias aludiram ao assunto no final de maio e asseguraram que tinham começado a tratar o tema dos “padrões de conduta profissional para os membros”. Outras instituições, como a Sociedade Astronômica Americana e a União Geofísica Americana, já alteraram pelos mesmos motivos suas políticas de expulsão. Talvez as Academias Nacionais também devessem começar por aí.

Fonte: Instituto Humanitas Unisinos
Fonte original: El País
Por: Isabel Valdés
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O Projeto Discriminação da Associação de Psiquiatria do RGS – APRS

Quem é o Discriminador Machista, Racista, Homofóbico, Antissemita, etc.: uma visão psicanalítica

“Numa perspectiva psicodinâmica, um possível ponto de partida para o estudo da etio-patogenia da Conduta Discriminatória, com vistas a eventual proposição de elementos diagnósticos, implica em considerar a natureza das relações de objeto presentes na mente do sujeito discriminador, fato que, por sua vez, nos leva a considerar o gesto discriminatório como, além das suas importantes motivações conscientes, também expressão da satisfação de necessidades primitivas inconscientes”.

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CONSIDERAÇÕES SOBRE A CONDUTA DISCRIMINATÓRIA

Por Carlos Augusto Ferrari, psiquiatra e psicanalista

Discriminação: S.F.. Segregação; ação de segregar alguém, tratando essa pessoa de maneira diferente e parcial, por motivos de diferenças sexuais, raciais, religiosas; ato de tratar de forma injusta: discriminação racial.

Dicio – Dicionário on line de Português acesso realizado no dia 15/11/2017
https://www.dicio.com.br/discriminacao/

O que leva o indivíduo com determinadas características emocionais, em ocorrências que independe da condição sócio-cultural, a dirigir-se agressiva e preconceituosamente em relação a outro, em situações nas quais as barreiras do comportamento civilizado rompem-se, e emerge uma face primitiva e cruel?

Importante distinguir que se está expondo aqui, dois tipos de situações: aquelas que frequentemente geram atritos interpessoais ou coletivos, no limite que antecede a violência explícita, ou naquelas em que, de fato, às vezes muito rapidamente, se passa do pensamento discriminatória à ofensa e mesmo ao ataque violento contra o outro discriminado.

Típico do primeiro estágio seriam aquelas conversas sobre corrupção na politica, quando ancoradas no debate maniqueísta entre esquerda e direita, em situações nas quais a partir de narrativas aparentemente racionais, muitas vezes torna-se difícil, segundo o ponto do vista de um hipotético observador neutro, deixar de identificar no conteúdo discursivo dos debatedores evidentes elementos discriminatórios em relação ao posicionamento do oponente.

Exemplar em relação ao segundo estágio são as lutas entre torcidas organizadas dos clubes de futebol, o fundamentalismo pseudo religioso ou a ação dos grupos neonazistas. Caberia ainda lembrar que o exame das causas nesse tema é necessariamente tarefa ambiciosa que não prescinde do viés interdisciplinar. Estudar a complexidade das relações na dimensão da cultura, entre grupos, agrupamentos, bandos e indivíduos, é desafio que evidentemente não cabe dentro do escopo dessa ou daquela disciplina ou campo teórico.

Assim sendo, pensando preliminarmente, e apenas como contribuição exploratória, dentro de uma perspectiva psicodinâmica, um possível ponto de partida para o estudo da etiopatogenia da Conduta Discriminatória (CD), com vistas a eventual proposição de elementos diagnósticos, implica em considerar a natureza das relações de objeto presentes na mente do sujeito discriminador, fato que, por sua vez, nos leva a considerar o gesto discriminatório como, além das suas importantes motivações conscientes, também expressão da satisfação de necessidades primitivas inconscientes.

Independentemente do conteúdo dessa manifestação, que pode ser de natureza racista, sexista, religiosa, politica, etc, quando se tenta compreender o fenômeno como um todo, a CD nos faria pensar em algo como uma descarga, como movimentos de expulsão de conteúdos afetivo-emocionais intoleráveis de natureza destrutiva, em direção ao indivíduo discriminado. Dito em outras palavras, dir-se-ia que, do ponto de vista do sujeito discriminador, essas descargas – movimento projetivo – serviriam para aliviar elementos tóxicos intoleráveis.

Lembro a definição proposta por Mabilde sobre Conduta Discriminatória (CD): “ato maldoso e agressivo pelo qual o sujeito atua fantasias de destruição da totalidade dos outros com vistas a um mundo narcisista pleno.

”(Mabilde, L.C., contribuição pessoal, publicada neste blog em 11/05/2014, Conduta Discriminatória: tentativa de conceituação motiva correspondência entre psiquiatras.

Proponho uma releitura desse sucinto e abrangente enunciado, destacando alguns elementos que me parecem ter decisiva importância em uma possível definição psicodinâmica para CD: trata-se de ato maldoso e agressivo, através do qual o sujeito, ao atacar a integridade do objeto, submetendo-o sadicamente, tenta recriar (quase delirantemente) uma indiferenciação narcísica em bases sádico-masoquistas. Nesse movimento de natureza projetiva (colocar a ideia no outro), o objeto é, primariamente desumanizado e, em um segundo tempo, transformado em depositário de fantasias destrutivas.

PENSAMENTO DISCRIMINATÓRIO

Entendo que a CD é expressão cognitivo-comportamental de um estado da mente onde há o predomínio do pensamento discriminatório, condição que poderia ser esquematicamente descrita como uma forma operativa do pensamento, “tipo pensamento fixo”, ou ideia pré-concebida, desencadeada por uma situação vivencial que evoca agudamente no sujeito intensa reação de natureza preconceituosa em direção ao outro. Estaremos nos referindo a seguir sobre três instâncias mentais daquele que discrimina, a saber, o sujeito discriminador (a noção de si mesmo), o outro, ou seja, aquele que é a vítima da discriminação (noção do objeto interno) e o conteúdo dessa discriminação (conjunto de representações mentais).

Na medida em que esse outro é co-partícipe da mesma situação vivencial, ele é sentido conscientemente como o causador dessa reação emocional fortemente negativa. Se esta intoxica, é natural que acione uma resposta projetiva em direção ao discriminado, supostamente percebido como agente causal dessa dor psíquica. Caberia acrescentar, que havendo em grande parte uma motivação inconsciente para essa reação, do ponto de vista do sujeito discriminador, o fenômeno é percebido, ou chega à consciência, como se fosse resposta à uma ação provocativa do outro. Sendo matizada pelo (pré)conceito, dir-se-ia que a força geradora dessa resposta, aparentemente conceitual, vem imantada por elementos inconscientes.

O conteúdo formal do que é discriminado (conjunto de representações mentais), que se contrapõe conscientemente a uma determinada posição, ou atitude do outro, é de fato um conceito, mas carregado por emoções (primitivas), onde o que menos conta são as palavras. Ou seja, nessa situação, o embate é apenas, em sua superfície, no campo das ideias. Essa aparente diferença conceitual, amparado na lógica do “eu discrimino porque tenho razões para fazê-lo”, do ponto de vista do inconsciente, é apenas movimento homeostático, ou seja, uma tentativa de retornar ao equilíbrio anterior (desintoxicação), desfazendo-se projetivamente de emoções intoleráveis, em fato que dificulta, ou impede, a troca de ideias com aquele que pensa diferente.
Do ponto de vista da noção freudiana de surgimento do aparelho psíquico, que privilegia a importância dos instintos, pulsão de vida e de morte, como elemento sempre presente no nascimento da noção subjetiva do Eu, em termos da constituição do sujeito, e da noção do outro, enquanto um objeto interno, separado do sujeito, dir-se-ia que a historia pessoal de qualquer um é expressão da sucessão de vivências, e aquilo que acontece na vida interpessoal – cuidados que aconteceram, ou faltaram – vai constituindo um entremeado entre boas e más experiências, colorido pelo impacto simultâneo do acontecer instintual. A descrição do desenvolvimento inicial do ego feita por Freud em 1915 (Instintos e suas vicissitudes) e, portanto, ainda dentro da primeira tópica, refere-se à capacidade de que, através de uma incipiente estruturação psíquica, desenvolva-se ativamente, não só a distinção entre o interno e o externo, como, também, a possibilidade de processar, via identificação e projeção, as primitivas experiências de prazer-desprazer.

Proponho pensar, como possível categoria conceitual, que a presença do pensamento discriminatório poderia ser expressão, e também consequência, em termos do modelo freudiano, do ódio à diferença, ou do desprazer causado pela diferenciação entre o sujeito e o objeto. Assim, nesse sentido, a intolerância do discriminador não poderia ser entendido como expressão dessa aversão pelo objeto? Ou, olhando através do seu contrário, a repulsa ao diferente, uma evidência do apego à imaturidade? E, nesse caso, não seria essa a dor psíquica na mente do discriminador, aquela provocada pela diversidade de pensamento, que atua como motor desse mecanismo projetivo protetor?

Dentro dessa perspectiva, dir-se-ia que o ódio permeia as relações matizadas pela discriminação. Ódio ao outro, aos direitos e a natureza do outro e, em especial, ao direito deste de pensar diferente. Se fossemos colocar em palavras a intenção (inconsciente) discriminatória, dir-se-ia: não tens o direito de existir, de ser diferente, e muito menos o direito de dizer o que pensas, pois odeio perceber que pensas diferente. Não amadureci a ponto de poder aceitar como minhas, as tuas ideias, enfim, para aceitar as nossas diferenças! É o meu ódio, autocentrado, que me legitima, quando ajo para eliminar-te. A tua destruição me faz bem, porque reafirma a minha posição no mundo. Aniquilando-te, garanto a minha sobrevivência, ou a sobrevivência da minha fé, a fé na minha convicção, na certeza de que a minha cor de pele, minha sexualidade, a minha ideologia política, são a expressão da verdade absoluta.

Referências bibliográficas

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_______ (1920,B). Psicologia de grupo e análise do ego. In Edição standard brasileira das obras psicológicas completas de Sigmund Freud (Vol. 18). Rio de Janeiro: Imago, 1976.

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Green,A. (2010). O trabalho do negativo. Porto Alegre: Artmed.

_______ (2014). Por qué las pulsiones de destrucción o de muerte? Buenos Aires: Amorrortu.
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