Orbiting: uma nova forma de assédio nas redes sociais

Se alguém terminou uma relação amorosa contigo e agora aparece nas redes sociais como uma espécie de “fantasma”, que não estabelece uma comunicação mas quer, simples e unicamente, se manter presente em sua mente…

AFP

Qué es el orbiting, la nueva forma de acoso en redes sociales

Tras un noviazgo que duró aproximadamente dos años, José decidió finalizar su relación con Laura. Ella, triste, aceptó la decisión e intentó superar el luto. Sin embargo, algo extraño comenzó a suceder algunos meses más tarde: él le daba “likes” a las publicaciones que ella posteaba en Instagram y hacía lo mismo en Facebook y Twitter. Desconcertada, pensando que José quería retomar la relación, le envío varios WhatsApp y también intentó llamarlo por teléfono. Pero todo fue en vano, porque él jamás respondió. Así fue como Laura, aturdida, no supo bien cómo manejar esta situación y sintió una sensación muy extraña: la imagen de José, que había comenzado a desaparecer en su mente, volvió a rondarle.

Si alguien puso fin a una relación amorosa contigo y ahora aparece en tus cuentas de redes sociales colocando comentarios o regalándote “likes”, entonces estás siendo víctima del “orbiting”, un fenómeno que significa, en pocas palabras que, aunque el “orbitador” decidió concluir una relación, ahora aparece de forma inesperada en el universo online de la persona que abandonó tiempo atrás. Lo hace como una especie de “fantasma”, ya que no lo hace para entablar una comunicación sino simplemente para recordar su presencia.

Acuñado por primera vez por la web de moda Man Repeller, el orbiting tiene otra característica: el orbitador ignora los llamados telefónicos, mensajes de WhatsApp o cualquier intento de contacto que proviene de su expareja, pero luego se le aparece en sus redes sociales.

Razones para orbitar

Hay varios motivos que podrían llevar a que alguien cometa esta acción: porque tiene el deseo de retomar la relación y está buscando la manera de iniciar la comunicación; para mantener “la puerta abierta” en caso de querer retomar la relación, o simplemente porque desea quedar presente en la mente de su expareja.

Según el psicólogo Gustavo Farray, psicoterapeuta sistémico y especialista en familias y parejas, “este tipo de conducta relacionadas con el orbiting podría estar relacionada con mecanismos de control de personalidades narcisistas, psicopáticas o de corte obsesivo”.

Además, el profesional detalló que, con estas acciones, el orbitador podría tener la intención de influir sobre el comportamiento de la expareja y sobre su entorno social, incluyendo a amigos y posibles nuevos vínculos.

El psicólogo advirtió: “Generalmente, este accionar forma parte de una conducta abusiva o de acoso más amplia”.

AFP

Cómo evitar el dolor

Cualquiera que sea la razón por la cual uno es víctima de orbiting, lo cierto es que esta situación puede ser desestabilizadora. En líneas generales, Farray sostuvo que puede causar confusión e ira. Además, ¿a quién no le dolería que las parejas que nos han rechazado aparezcan activamente para interactuar en nuestras redes sociales como si nada hubiese sucedido?

Cuando el orbitador ya no tiene ningún peso emocional en nuestra vida es posible dejarlo orbitar hasta que se aburra, pero en muchos casos la situación no es tan sencilla y cada vez que leemos su nombre viene a nosotros una catarata de sentimientos y recuerdos que pueden llegar a molestarnos. Por eso, Farray aconseja cortar la relación en las redes sociales: insta a bloquear al orbitador para que no pueda seguir molestando. Porque después de todo, si alguien decidió dar por finalizada una relación sentimental, ahora no tiene derecho de permanecer en la órbita de nadie.

Deus, Freud, Régis Debray, Mario Quintana, Edgar Allan Poe, Lévi-Strauss, Bourdieu e a mídia

Há certos mitos, poderosos e hegemônicos, que nos convidam a crer na Palavra como força criadora de uma nova realidade. Basta que nos lembremos do Gênesis bíblico.  Neste mito fundador das religiões monoteístas, afirma-se que Deus possuiria o dom de transformar suas falas em atos. Em suma: com Deus, é dito e feito.

PALAVRAS MUDAM O MUNDO? – Reflexões sobre a performatividade da linguagem e a transformação da realidade

PALAVRAS MUDAM O MUNDO?

Há certos mitos, poderosos e hegemônicos, que nos convidam a crer na Palavra como forçacriadora de uma nova realidade.Basta que nos lembremos doGênesisbíblico,recentemente re-apresentado nos traços malandros de Robert Crumb:

Neste mito fundador das religiões monoteístas, afirma-se que Deus possuiria o dom de transformar suas falas em atos. Em suma: com Deus, é dito e feito. O cara abre a boca pra falarfiat lux,e no momento seguinte, eis a Luz surgindo pela primeira vez para iluminar a infindável treva cósmica.

Aquilo que atribui-se a deus – a potência de tornar meras palavras em autênticos atos – é aquilo que se conhece hoje, na boca de linguistas, filósofos e psicólogos, comoperformatividade. No âmbito humano, também são performativas as falas de um juiz que fala um veredito e bate um martelo ou as falas de um casal que diante do padre faz seus votos de matrimônio e assim acarreta a consumação de um pacto jurídico.

Mas voltemos um instante nossa atenção mais demorada ao Fiat Lux, fenômeno mítico-imaginário já ilustrado por vários pintores, como Gustave Doré. Segundo Debray, aperformatividade (teorizada pelo filósofo da linguagem inglêsJ. L. Austin) tem este paradigma nofaça-se a luz e nós costumamos transpô-lo para outras esferas da existência humana:

A CRIAÇÃO DA LUZ de Doré

 

“A divina aptidão para transformar um dizer em fazer:fiat lux,e a luz se fez… Enunciação = Criação. Já esquecemos, talvez, o Gênesis, mas o senso comum, no fundo, julga sempre que é Javé quando evoca não as trombetas que derrubam as muralhas de Jericó, mas os livros que ‘criam rupturas’, ‘as palavras que abalaram o mundo’, ‘as ideias que modificam a face das coisas’ etc.” (DEBRAY, 1995, p.20)

Poderíamos nos perguntar, é claro, que sentido isso tem de um Deus, antes de fazer a Humanidade, já falar latim… Mas este não é o momento de colocar dúvidas ímpias e sacrílegas, pois como nos ensinam papas e padres, diante de questões como “o que fazia Deus antes de inventar Adão e Eva?”, a resposta é: estava preparando o fogo da eterna condenação infernal para aqueles que põe questões heréticas assim. Portanto, deixemos de lado nossas cruciantes dúvidas sobre se Adão e Eva tinham umbigos, e voltemos ao fiat lux.

A dessemelhança entre o humano e o divino aí se torna explícita. Obviamente, e por sorte, nós humanos não somos nada como o Javé do Antigo Testamento. Nada do que dissermos será capaz de acender nosso cigarro caso não tenhamos à mão um fósforo ou isqueiro. Nem tentem, na ausência de algum apetrecho gerador de fogo concreto, apelar para umfiat luxmeramente labial, pois vocês ficarão no escuro e com o baseado sem queimar. E aí não tem graça…

II. LIVROS MUDAM PESSOAS?

No entanto, ouvimos por aí, da boca de Quintanas e outros poetas, que os livros, apesar de não mudarem o mundo, mudam as pessoas, e estas sim transformam o mundo. Donde, indiretamente, de modo enviesado, por misteriosas e múltiplas influências, o Verbo teria sim um poder sobre a Carne.

É o que Régis Debray chama de “o mistério performático”, ou seja, a capacidade da palavra gerar efeitos no mundo. O enigma da palavra-ação, do Verbo-fecundo, da linguagem que causa efeitos no mundo:

“O fato de que uma representação do mundo possa modificar o estado do mundo – e não somente sua percepção, considerada como natural – terá de ser encarada como um enigma”, escreve Debray. Ele enumera alguns exemplos “evidentes” do mistério performativo:

“Que a palavra de Jesus de Nazaré tenha conseguido, em certo ponto de seu percurso, transformar o Império Romano e dar origem à cristandade; que a pregação do Papa Urbano II, em Clermont – lançando nas estradas bandos de peregrinos e depois exércitos inteiros – tenha conseguido fazer surgir a primeira Cruzada; que oManifesto Comunistatenha conseguido fazer surgir um ‘sistema comunista’…” (DEBRAY, op cit, p. 20)

Façamos uma reflexão sobre “the power of words” (os “os poderes da palavra”, na expressão de Edgar Allan Poe). Este poderio de transformação que a palavra carrega entre suas potencialidades também se manifesta nas ciências humanas, em várias de suas especialidades.

Como lembra Debray, “a eficácia dos signos, a respeito desse mamífero simbólico que é oHomo sapiens e loquens,tem sido amplamente abordada. A partir do exemplo das recitações do xamã diante da parturiente de sua tribo, a antropologia nos mostrou como ‘a passagem à expressão verbal desbloqueia o processo fisiológico’ (Lévi-Strauss). O psicanalista confirma em seus clientes as virtudes datalking-cure(Freud). O sociólogo da cultura coloca em evidência a violência simbólica exercida pelos dominadores (Bourdieu)…” (DEBRAY, op cit, p. 19)

Também ouvimos falar de “livros que fazem a Lei”. Também não faltam exemplos de execuções capitais que retiram sua legitimidade de códigos jurídicos (quantas leis de pena-de-morte ainda não estão por ser revogadas?). Não faltam homicidas, terroristas,suicide bombers,serial killers, que deixem de invocar justificações verbais para seus atos, dizendo-se inspirados pelas palavras da Bíblia, do Alcorão, doMein Kempfou de um discurso de Stálin.

A revolução que Régis Debray propõe para as ciências humanas está na fundação de uma nova ciência, amidiologia,que busca compreender a eficácia dos signos, o poder das palavras, a disseminação social das mensagens, o poder de contágio e mobilização do verbo. Nos seusManifestos Midialógicos,Debray propõe que o midiólogo estáinteressado em “defender o direito do texto – surgido de experiências e necessidades estranhas à ordem das palavras – a produzir algo diferente do texto”:

“Já que os homens, após a invenção da escrita, têm feito uma mistura entre a informação simbólica e a decisão política, entre batalhas de interpretação e batalhas sem mais (como na querela das imagens, as guerras de religião ou as insurreições nacionalitárias), com verdadeiros mortos e verdadeiras armas, o midiólogo gostaria de acompanhar de pertoos avatares extralógicos do lógos.Já que umdizer,em determinadas condições, pode produzir umfazer,ou ummandar fazer…”(DEBRAY, p. 90)

Sabe-se que opoder de sugestão,ou seja, capacidade não só de comover mas de mover à ação,de discursos feitos púlpitos ou tribunas, pronunciados diante de um exército ou de uma multidão rebelada, é capaz de fazer da retórica, da eloquência, da poesia, da cantoria, da palavra-de-ordem, uma força concreta, objetiva, um poder psico-físico que gera transformações no mundo.

Para que a Bastilha fosse tomada, em Paris, em 14 de Julho de 1789, as palavras tiveram seu papel, não há dúvida; porém a eficácia concreta destas palavras não pode ser compreendida apenas pela força imanente a elas, pelas ideias que veicula, pelos conceitos que mobiliza. É preciso compreender oveículoque transmite estas palavras, amídiaatravés da qual ela viaja.

É preciso perguntar, por exemplo: é o deus Hermes, aquele das sandálias aladas, ou um trem a vapor que leva um certo recado de seu emissor a seu destinatário? Esta mensagem, de coração a coração, vai numa carta manuscrita levada pelos ares por um pombo-correiro, ou então consiste em caracteres digitais transmitidos pela Internet de PC a PC? Osuporte material da palavratem importância crucial em sua eficácia.

III. A INVENÇÃO DA MIDIALOGIA

Entre ofiat luxdo mito judaico-cristão e nosso atual estado civilizacional, muitas revoluções aconteceram pelo caminho, dentre elas a invenção da imprensa, ou seja, dos meios tecnológicos e científicos de levar o verbo aonde ele nunca antes estivera. As novas mídias nascidas da Revolução Gutenberguiana alçam a linguagem verbal para novos vôos de poder.

Agora o Verbo é mais “viralizável” (e muito antes desta viralização se tornam uma palavra que é moeda corrente na era digital). Com a imprensa, se podia fazer usos mais extremos do Verbo como ferramenta de mobilização,disseminá-lopelo tecido social de maneira inaudita e inédita, enterrando a era do manuscrito, descortinando horizontes midiáticos novos.

“A técnica de Gutenberg devia transtornar, se não as modalidades de leitura, pelo menos o estatuto simbólico e o alcance social do documento escrito através da alfabetização de massa. Por exemplo, a análise do movimento das ideias na França do século XVIII, interessante para a midiologia, há de privilegiar esses espaços-chave, pólos de atração social e centros de elaboração intelectual, como foram os clubes, salões, cenáculos, lojas, câmaras de leitura, sociedades literárias, círculos, sem falar das academias e instituições mais regulares.

Sob este ponto de vista, as Luzes não são um corpo de doutrinas, um conjunto de discursos ou princípios que poderiam ser apreendidos e restituídos por uma análise de texto, mas uma mudança no sistema de fabricação ; circulação / estocagem dos signos. Ou seja, o aparecimento de núcleos e redes de sociabilidade, interfaces portadoras de rituais e de novos exercícios, valendo como meios de produção de opinião… Trata-se de uma reorganização (…) do espírito público. Não foram as ideias ou as temáticas das Luzes que determinaram a Revolução Francesa, mas essa logística (sem a qual tais ideias nunca teriam tomado corpo.” (DEBRAY, p. 24 e 31)

Paul CŽzanne (French, 1839 – 1906 ), The Artist’s Father, Reading “L’ƒvŽnement”, 1866, oil on canvas, Collection of Mr. and Mrs. Paul Mellon

Encontramos uma reflexão sociológica inovadora sobre estes temas na obra de Gabriel de Tarde,A Opinião e As Massas,que também reflete sobre a Revolução Francesa chamando a atenção para este elemento fundamental para sua compreensão plena: a prévia invenção da imprensa e, por consequência, o advento do jornalismo público; o nascimento conexo, no seio da sociedade, daqueles agrupamentos de pessoas que são bem diferentes das meras multidões: vem ao palco da história “o respeitável público”, a quem a imprensa se dirige querendo estabelecer uma conversa entre cidadãos.

“O público só pôde começar a nascer após o primeiro grande desenvolvimento da invenção da imprensa, no século XVI. O transporte da força à distância não é nada, comparado a esse transporte do pensamento a distância. O pensamento não é a força social por excelência? Pensamos nasidéias-forçade Fouillé…

Da Revolução Francesa data o verdadeiro advento do jornalismo e, por conseguinte, do público, de que ela foi a febre de crescimento. Não que a Revolução também não tenha suscitado multidões, mas nisso não há nada que a distinga das guerras civis do passado… Uma multidão não poderia aumentar além de um certo grau, estabelecido pelos limites da voz e do olhar, sem logo fracionar-se ou sem tornar-se incapaz de uma ação de conjunto, sempre a mesma, aliás: barricadas, pilhagens de palácios, massacres, demolições, incêndios. (…) Contudo, o que caracteriza 1789, o que o passado jamais havia visto, é esse pulular de jornais, avidamente devorados, que eclodem na época.” (TARDE, p. 12)

Polemizando com a obra de Gustave Le Bon, inovadora no campo da psicologia das massas, Gabriel de Tarde contesta que o período histórico da passagem do século XIX ao XX seja “a era das multidões” e propõem chamá-lo de “a era dos públicos”.

“Não é que as multidões foram aposentadas, pararam de existir, muito pelo contrário, perseguem visivelmente presentes em vários espaços sociais, como uma espécie de re-presentificação perene de uma força de sociabilidade primitiva, ancestral, antiquíssima, mas ainda atuante. A multidão acompanha a história deste animal social que somos, mas está vinculada a um estado mais próximo da natureza, ainda pouco transformada pelo engenho humano, do que da civilização tecnológica-científica-industrial de hoje: “a multidão está submetida às forças da natureza – um raio de sol a reúne, uma tempestade a dissipa…” (TARDE, op cit, p. 15)

Dizer que entramos na “era dos públicos” significa dizer que agora lidamos com a potência social, performativa, das mensagens transmitidas por publicistas com diferentes poderes midiáticos, ou seja, capacidades diversas deeficácia performativa.O público de um zine anarco-punk pode até constituir-se em pequena multidão e manifestar-se em ato, por exemplo, através de meia dúzia demolotovslançados contras as vidraças de agências bancárias ou lojas de carros importados.

Era Primeiro de Abril, 1964, uma quarta-feira, e o jornal carioca O Globo dava boas vindas à ditadura militar no Brasil.

Porém a capacidade de mobilização deste micro-empreendimento midiático, quer circule em 100 cópias xerocadas, quer seja entregue em 1.000 caixas de e-mail, torna-se miúda diante do público de um jornal televisivo ou impresso que atinge diariamente dezenas de milhões de pessoas e que pode, tal qual a Rede Globo no Brasil, ser peça-chave de um golpe de Estado (como fez em 1964), da determinação de uma eleição para a presidência (como fez em 1989 no duelo entre Collor e Lula, em que tomou o partido de seu queridinho “Caçador de Marajás”), da convocação de mega-manifestações de rua (como fez durante o segundo mandato de Dilma Rousseff, 2015-2016, em que foi determinante para chamar multidões a manifestarem-se em prol doimpeachment).

O poderio das empresas privadas que dedicam-se à comunicação social é uma das características mais notáveis da sociedade atual: no século XXI, muitas mega-corporações transnacionais realizam uma pervasiva ação sobre inúmeros públicos, controlando simultaneamente cadeias de TV, estações de rádio, editoras de livros, jornais e revistas impressos, além dewebsitese portais cibernéticos. Constituem oligopólios de tal poderio que tornam difíceis até mesmo de serem punidos aquilo que Tarde, ainda no início do século XX, chamava de “delitos de imprensa” e que já percebia como gozando de altos privilégios de impunidade:

“Eis porque é tão difícil fazer uma boa lei sobre a imprensa. É como se houvessem querido regulamentar a soberania do Grande Rei ou de Napoleão. Os delitos de imprensa são quase tão impuníveis como eram os delitos de tribuna na Antiguidade e os delitos de púlpito na Idade Média.” (TARDE, p. 22)


IV. O CASO “DEAR WHITE PEOPLE”

Um seriado de TV pode ser reduzido a uma mercadoria no mercado de bens simbólicos, a um mero item no supermercado dos entretenimentos audiovisuais? É o que torna-se cada vez mais insustentável diante de obras-primas da teledramaturgia em série comoBlack Mirror, A Sete Palmos (Six Feet Under), Breaking Bad, Handmaid’s Tale, Alias GraceeDear White People.

Esta última, série original Netflix baseada em um filme homônimo dirigido por Justin Simien, tem interesse não só pela crônica inteligente que faz das relações humanas em um câmpus universitário da Ivy League, a Winchester. A série, de roteiro espertíssimo e montagem dinâmica, foca nas relações inter-raciais e no debate sobre o que constitui racismo – e quais as maneiras de enfrentá-lo.

Para além da multifacetada discussão sobre racismo, capaz de gerar acalorados debates,DearWhite Peopleé interessante e importante também como comentário sobre o poder da mídia e do jornalismo na transformação de certos contextos sócio-culturais.



Dois dos personagens principais, a radialista e cineasta Samantha White e o jornalista investigativo e escritor Lionel Higgins, buscam renovar as práticas midiáticas em seus respectivos campos de atuação.

A série, em sua primeira temporada, levantou muitas questões importantes em uma era caracterizada por muitos como dominada por um jornalismo abandonado à noção pouquíssimo ética da “pós-verdade”.

Sam White crê em uma mídia que toma partido, quer fazer no rádio umaprovocaçãoà reflexão que as autoridades universitárias e políticas logo irão querer estigmatizar como se fosseincitação à rebelião.

De fato, esta deliciosa e deslumbrante personagem que se dirige à Cara Gente Branca para denunciar microfascismos e racismos escondidos no cotidiano parece ter no sangue um pouco do espírito de Angela Davis. Seu programa de rádio é um pouco panfletário e incendiário, procura pôr a palavra falada (o rap radiofônico) para agir na base de uma diária intervenção pública de um verbo irreverente e rebelde, capaz de desembocar emriots, sit-ins,protestos.

Sam White é o tipo de âncora midiático que subverte todos os padrões tradicionais – como fez Antonio Abujamra na TV brasileira com seu programa de entrevistasProvocações.O tipo de ser-falante que evoca o exemplo de Jello Biafra, o vocalista dos Dead Kennedys, cujos discursos, transpostos para CDs despoken word,também contêm frases que são autênticas incitações a cessar de odiar a mídia paratornar-se a mídia. Exatamentecomo fez o personagem de Christian Slater emPump Up The Volume(1990), interessante obra do cineasta do Québec Allan Moyle.

A temporada deDear White Peopletermina com um ato de puro “heroísmo jornalístico” de Lionel. Ele é uma figura que trabalha no jornal The Winchester Independent. Ele descobre, através de suas investigações de repórter que não tem pudor de meter a fuça onde não é chamado, que a “independência” de que o órgão se gaba em seu nome não é autêntica. Ele descobre que as fontes financiadoras do jornal determinam acensuraa certos temas, transformados em tabu. Os tabus são justamente aquilo que Lionel afronta, tomando o microfone e programando umfloodingdos celulares e computadores de todos com o seufuro(scoop).

Cara Gente Brancapossui um tecido narrativo todo atravessado por táticas de resistência típicas da cibercultura, como os procedimentos dehackingpropostos por grupos como Anonymous ou deleakingtal como praticado pelo Wikileaks de Julian Assange.

Na série, a revolta dos estudantes afro-americanos, em especial os residentes de Armstrong-Parker, é vinculada com o fato de serem público do programa de rádio de Sam White e das colunas de Lionel noIndependent.Esta comunidade,incendiada pela mídia,vê-se na necessidade de mobilizar-se em repúdio e revolta contra a festa “Dear Black People”, em que os branquelos racistas e supremacistas do câmpus pintam os rostos de negro como nos Minstrels Shows, para fazerem folias com processos altamente KKK de “denegrimento” do outro…

Porém, descobre-se que a própria Sam Whitehackeouuma conta de Facebook de seus adversários, entocados da revista supremacista-racista Pastiche. Sam White acabou convidando para a infame festa racista uma pá de gente que ali se revoltaria contra as práticas dos atuais propagadores da ideologia da Klu Klux Klan (hoje infelizmente re-empoderada por presidentes da república como Trump e Bolsonaro).

Sam White quis expor uma realidade, quis que debaixo dos holofotes de todos, para que fosse plenamente reconhecido: temos sim um problema de racismo e de supremacismo étnico nesta prestigiosa instituição educacional destinada a formar uma parte da elite cultural estadunidense do amanhã. Sam White, força performativa. Uma mulher negra empoderada que varre pra escanteio o fiat lux do MachoDeus para apostar em sua própria infinita potência feminina para produzir a luz. E o incêndio.

James Baldwin, recentemente retratado no excelente documentário de Raoul PeckI Am Not Your Negro,costumava dizer: “Not everything that is faced can be changed, but nothing can be changed until it is faced.” Este pensamento fecundo deJames Baldwin, na série, inspira não só Samantha White e Lionel, os “heróis midiáticos” de Dear White People, mas sugere também algo para quem quer refutar a noção de que as palavras não mudam o mundo.

Precisamos de palavras para encarar a verdade do mundo e para estruturar nosso pensamento e nossa comunicação; se o Verbo não pode tudo, o que é verdade e deve ser reconhecido, isto não implica que não possa Nada. Na verdade, não há revolucionário que tenha desprezado a potência misteriosa das palavras que comovem e que o mundo mudam.The Word works in mysterious ways…

V. JUDITH BUTLER – UMA TEORIA EXPANDIDA DA PERFORMATIVIDADE

Em breve…

BIBLIOGRAFIA

DEBRAY, Régis.Manifestos Midiológicos.Petrópolis, RJ: Vozes, 1995.

TARDE, Gabriel.A Opinião e as Massas.São Paulo: Martins Fontes, 2005.

CRUMB, Robert.Gênesis. Graphic Novel.

Por:Eduardo Carli de Moraes

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‘Sexting’ entre adolescentes, uma prática que acontece cada vez mais cedo

JAMA Pediatrics: desde 2009, a prevalência do sexting, prática de risco que consiste em compartilhar eletronicamente material sexualmente explícito, aumentou exponencialmente. De acordo com uma meta-análise publicada no final de fevereiro na revista, um número considerável de jovens menores de 18 anos participa ou já participou de práticas de sexting em algum momento; especificamente um em cada sete (15%) enviando material sensível e um em cada quatro (27%), recebendo-o.

Embora a prevalência do sexting seja maior entre adolescentes com mais idade e em dispositivos móveis versus computadores, o estudo coloca uma questão à qual se deve prestar especial atenção: a entrada de pré-adolescentes entre 10 e 12 anos nas práticas desexting, um grupo de idade que, para Jorge Flores Fernández, especialista em uso seguro das tecnologias de informação e comunicação e fundador, em 2004, do projeto PantallasAmigas, é especialmente vulnerável. “O aumento da prevalência e da prática em idades mais precoces tem a ver com o fato de que atualmente existe maior disponibilidade de tecnologia: temos mais dispositivos portáteis, cada vez mais baratos e com conexões que também são cada vez mais baratas, por isso as limitações que podiam existir antes agora não mais existem. Por outro lado, a idade de uso da tecnologia está diminuindo e isso leva os adolescentes a entrarem mais cedo nesse tipo de práticas de risco; eles não o fazem tanto por uma questão sexual, mas como forma de travessura, para chamar a atenção ou por tédio. No fim, eles têm tanta disponibilidade que acabam fazendo coisas que talvez não fizessem se não houvesse tanta facilidade”, conta Jorge Flores.

Especialistas como Jorge Flores insistem que não existe uma idade adequada para ter o primeiro telefone, pois é mais uma questão de maturidade e de habilidades. “É como comparar com qual idade a criança pode entrar na água sozinha ou quando pode começar a esquiar. Tudo dependerá da preparação dos pais e monitores e não de uma idade específica. Com o uso da tecnologia acontece algo parecido, depende mais do acompanhamento, do conhecimento e do tempo que se dedica às crianças. No entanto, para estabelecer um marcador, considero que ter autonomia total com um celular conectado à Internet e às redes sociais parece inadequado especialmente no caso de crianças menores de 13 anos”, explica o fundador do PantallasAmigas, que acredita que o grupo de pré-adolescentes ou adolescentes de menor idade, de 10 a 12 anos, não é capaz de ver os riscos que implicam práticas como osextingem comparação com um adolescente maior “e que pode ter uma maior consciência do que está fazendo”.

Riscos do sexting

Existem múltiplos riscos potenciais derivados da prática dosexting. Entre outros, acontece que se algo é feito de modo privado e atinge a esfera pública, o direito à privacidade, à honra e à própria imagem é violado. Além disso, como Jorge Flores menciona, esse tipo de prática pode ser um indicador de vítima potencial para predadores sexuais no sentido de que “são pessoas que realizam práticas de risco”, o que as coloca no ponto de mira.Por trás dosextingestão casos de vingança, abuso e chantagem financeira, emocional ou sexual que, no caso das meninas e adolescentes, aumentam de certa forma a vitimização pelo enraizamento de certos estereótipos e lugares-comuns sociais.“Elas são apontadas e ridiculizadas com mais crueldade e isso pode ter consequências fatais como o suicídio. Já vimos isso em casos como os de Jessica Logan ou Amanda Todd em 2012, ambas são exemplos claros de suicídio porcyberbullyinginiciado a partir da publicação não consentida de uma imagem cedida na privacidade, em um caso ao parceiro e em outro a um desconhecido.”

De acordo com Sheri Madiga, professora assistente do departamento de psicologia da Universidade de Calgary (Canadá) e diretora do estudo publicado na JAMA Pediatrics, o sexting não consentido (ou seja, o encaminhamento de imagens ou vídeos sem permissão) e as formas coercitivas desexting(isto é, quando alguém é pressionado para enviar uma mensagem), “podem, compreensivelmente, causar uma angústia considerável aos adolescentes”. Também tem sérias consequências legais potenciais.“O sexting pode parecer muito como o comportamento sexual: quando é consentido, há muito poucas consequências negativas para a saúde, mas osextingnão consentido ou forçado (assim como o sexo não consensual ou forçado) está relacionado com a uma má saúde psicológica”, acrescenta.

Embora se possa pensar que osextingconsentido estaria relacionado com comportamentos impulsivos e de risco, como maior frequência de parceiros sexuais, maior número de parceiros concorrentes e o uso de drogas e álcool antes do sexo, para Madiga nem todos os jovens que fazemsextingestão se envolvendo em comportamentos problemáticos, pois essa prática pode ser realizada dentro do contexto de relacionamentos saudáveis.

Nesse sentido, teria muito a ver a influência de tudo o que acontece no outro lado da rede, ou seja, no ambiente em que as crianças e adolescentes atuais estão crescendo, no qual os meios de comunicação e a publicidade influenciam na sexualização precoce de meninas e meninos. Uma hipersexualização que, na opinião de Jorge Flores, também é transmitida por certos conteúdos digitais: “Nós a vemos emyoutuberseinstagramers, por exemplo, que transmitem modelos e mensagens muito relacionados ao sexo e ao erotismo, repetindo certos padrões, seja por convicção ou por conveniência”.

Educar cidadãos digitais responsáveis

O PantallasAmigas trabalha há anos oferecendo vários recursosonlineem três diferentes linhas de ação. O primeiro projeto parte da ideia de que, uma vez que quem fazsextingnão é culpado de nada, mas se expõe a riscos, precisa estar informado sobre esses riscos.“Muitos dos problemas advindos dosextingpartem do que a sociedade faz com essas imagens que recebe, pois é ela que as tornam virais. Osextingé um fenômeno global, não é apenas aquele namorado sem-vergonha que fica irritado e publica uma foto para se vingar, essa imagem ou vídeo pode ter sido perdida e cair nas mãos de alguém com más intenções, também é aquele pedófilo que quer se aproveitar de você. E é por isso que é interessante trabalhar em todas as frentes.”

À pergunta o que os pais podem fazer para que as crianças tenham ferramentas para enfrentar esse tipo de práticas de risco, Sheri Madiga responde que pediria aos pais que fossem “mais proativos do que reativos” em relação aosextingpara criar cidadãos digitais responsáveis. “Ter conversas abertas em idades precoces frequentemente e não somente quando surgem preocupações. Os pais devem discutir o papel potencial dosextingem relacionamentos afetivos saudáveis, bem como os possíveis riscos e consequências. As conceitos de pressão de grupo, sexualidade, relações online versus offline, etc., também devem ser discutidos dentro da família.” Madiga reconhece que, para alguns pais, a ideia de falar com os filhos sobre sexo pode intimidá-los e que agregar o ambiente digital a essa equação, “que é território desconhecido para alguns pais”, o torna uma dupla ameaça. No entanto, ela ressalta que é precisamente na rede onde os pais podem encontrar alguns recursos úteis que os ajudarão a se informar sobre esse mundo digital em constante mudança e a preparar esse tipo de conversa.

Para Jorge Flores, autor de vários materiais informativos e didáticos relacionados com o grooming, o ciberbullying e o sexting, a primeira ferramenta que os adultos têm é o exemplo e, nesse sentido, temos muito a melhorar. “Estamos dirigindo e usando o WhatsApp, andamos pela rua digitando, atendemos o telefone enquanto estamos comendo quando não há necessidade alguma, postamos fotos de qualquer um, inclusive de nossos filhos, sem pedir-lhes permissão, e assim por diante. Os adultos são exemplos muito ruins para crianças e adolescentes a esse respeito”, lamenta. Além do melhor uso por parte dos adultos, Flores acrescenta mais duas ferramentas ao nosso alcance: o acompanhamento e o conhecimento dos aplicativos e do mundo digital para poder conversar e compartilhar com eles essa informação; e o uso de sistemas de controle parental.

Jordi Jubany, professor, antropólogo e especialista em educação digital e autor do livro ¿Hiperconectados?, concorda com as recomendações de Flores e acrescenta que pode ser produtivo compartilhar com as crianças desde pequenas os protocolos que nós mesmos deveríamos usar na rede, como publicar apenas coisas úteis, verdadeiras e com bons propósitos. De acordo com Jubany, devemos prestar atenção à necessidade de desenvolver a nossa identidade digital e osextingé um bom exemplo. “Nossos rastros podem ser vistos se nos buscarem no Google, Facebook ou Instagram. E tudo o que digitalizamos, enviamos ou publicamos é suscetível de ser encontrado em um contexto não previsto. Temos que tirar proveito desses casos reais de más práticas que conhecemos no nosso entorno e nos meios de comunicação para tomar consciência, aprender com nossos erros e usá-los de modo educativo. É muito importante manter os canais de comunicação abertos com os nossos jovens em um ambiente conectado que é diferente daquele em que fomos educados”, conclui.

Por:Diana Oliver

Google contra os Direitos Humanos

Funcionários do Google disseram que a empresa não estava mais “disposta a colocar seus valores acima dos lucros”. Uma nova ferramenta de busca “tornaria o Google cúmplice de opressão e abusos de direitos humanos” “viabilizaria a censura e a desinformação direcionada pelo governo” e “ajudariam os poderosos a oprimirem aqueles que estão em posição vulnerável onde quer que estejam”.

Funcionários do Google protestam contra buscas censuradas

MAIS DE 500 funcionários do Google assinaram uma carta aberta pedindo que a empresa abandone seu plano de lançar uma ferramenta de pesquisa censurada na China, enquanto manifestantes tomaram as ruas em oito cidades condenando o projeto sigiloso.

A carta foipublicadana terça-feira de manhã e foi assinada por um grupo de 11 engenheiros, administradores e pesquisadores do Google. Ao fim da tarde, cerca de 230 outros funcionários haviam acrescentado seus nomes ao documento, em uma extraordinária demonstração pública de raiva e frustração contra a administração do Google sobre o plano de pesquisa censurada conhecido como Dragonfly (“libélula”, em português). Até a publicação desta reportagem, a carta aberta tinha 528 assinaturas.

A ferramenta de pesquisa foi criada pelo Google para censurar frases relacionadas a direitos humanos, democracia, religião e protestos pacíficos, de acordo com as regras estritas de censura aplicadas pelo governo autoritário chinês. A plataforma de busca conectaria os registros de busca de usuários chineses aos seus números de telefone e compartilharia os históricos de buscas dessas pessoas com uma empresa parceira chinesa – o que significaria que agências de segurança chinesas, que rotineiramente têm como alvo ativistas e críticos do governo, poderiam obter os dados.

Os funcionários do Google disseram na terça-feira que eles acreditavam que a empresa não estava mais “disposta a colocar seus valores acima dos lucros”. Eles escreveram que a ferramenta de busca chinesa “tornaria o Google cúmplice de opressão e abusos de direitos humanos” e “viabilizaria a censura e a desinformação direcionada pelo governo.” Eles disseram ainda:

Nossa oposição à Dragonfly não tem a ver com a China: nós somos contra tecnologias que ajudam os poderosos a oprimirem aqueles que estão em posição vulnerável, onde quer que estejam. O governo chinês certamente não está sozinho em sua disposição em suprimir a liberdade de expressão e utilizar de vigilância para reprimir dissidentes. A Dragonfly estabeleceria na China um perigoso precedente em um volátil momento político que tornaria mais difícil para o Google negar concessões similares a outros países.

Em agosto, 1,4 mil funcionários do Google se manifestaram contra a Dragonfly em privado, com muitos assinando anonimamente uma carta que circulou dentro da empresa. Segundo fontes, os organizadores das manifestações haviam tentado até o momento manter seu descontentamento a portas fechadas, sentindo que negociar com a administração longe da mídia seria a melhor forma de apresentar suas questões.

Mas eles ficaram cada vez mais insatisfeitos com os executivos da empresa que se recusaram a responder perguntas sobre a Dragonfly e a se engajar em questões de direitos humanos.Esta é uma das principais razões pela qual os funcionários do Google decidiram ir a público na terça-feira com uma nova carta, desta vez não mais assinada de forma apenas anônima, que resultou em uma reprimenda sem precedentes aos chefes da empresa.

Os autores disseram que apoiavam a onda de protestos contra a Dragonfly organizados pela Anistia Internacional, que ocorreram na terça-feira do lado de fora das sedes do Google nos Estados Unidos, Reino Unido, Austrália, Canadá, Alemanha, Hong Kong, Holanda e Espanha.

Ativistas da Anistia foramfotografadosdo lado de fora dos prédios segurando cartazes que pediam que a empresa “ouça seus funcionários”, “não seja um tijolo no firewall chinês” (um trocadilho com a canção “Another Brick in the Wall”) e “não contribuam com a censura na internet na China”. Em Madri, o grupoencheuum enorme balão em formato de libélula e o exibiu em frente aos escritórios do Google na cidade.

A Anistia publicou umapetiçãoexigindo que o Google cancele o desenvolvimento da ferramenta de pesquisa. O grupo disse em uma declaração que a plataforma “prejudicaria irreparavelmente a confiança de usuários da internet” no Google e “estabeleceria um perigoso precedente para que empresas de tecnologia viabilizassem abusos de direitos humanos por parte de governos.”

O Google tem enfrentado um crescente número de protestos conforme seus funcionários têm se tornado mais organizados e corajosos.No começo deste mês, os empregados organizaram uma greve em massa por conta da maneira como a administração lidava com alegações de assédio sexual e outras queixas. Em abril, milhares de funcionários apresentaram preocupações com um projeto que envolvia o desenvolvimento de inteligência artificial para drones do exército americano.

O Google não emitiu comentários sobre a carta dos empregados ou sobre os protestos da Anistia. Em uma declaração padrão, disse que seu “trabalho com buscas tem sido exploratório e não estamos perto de lançar um produto de busca na China.”

Conforme o Intercept havia publicado anteriormente, o chefe de buscas da empresa disse aos funcionários que o objetivo do Google era lançar a ferramenta de pesquisa entre janeiro e abril de 2019. “Nós temos que estar focados naquilo que queremos viabilizar”, disse Ben Gomes. “E depois, quando o lançamento acontecer, estaremos prontos para isso.”

Os cientistas do Vale do Silício não querem que seus filhos usem os dispositivos que eles fabricam

“Estou convencida que o diabo vive nos celulares que estão arruinando a mente dos nossos jovens”

Los tecnólogos de Silicon Valley no quieren que sus hijos usen los dispositivos que ellos fabrican

La gente que está más cerca de una situación es a menudo quien más preocupada está al respecto. Los tecnólogos saben en verdad cómo funcionan los móviles y han decidido queno quieren que sus hijosse acerquen a ellos.

Una preocupación que se ha ido acumulando poco a poco está convirtiéndose en un consenso que abarca toda una región: las pantallaspueden ser malaspara los niños, sus beneficios como herramienta de aprendizaje se han exagerado y los riesgos de adicción y obstaculización del desarrollo son altos. El debate en ese sector ahora se enfoca en cuál es el nivel de exposición adecuado.

“El que no pasen nada de tiempo frente a una pantalla es casi más fácil que si las usan solo un poco”, dijo Kristin Stecher, una investigadora de informática social quien está casada con un ingeniero de Facebook. “Si mis hijos tienen tiempo de pantalla, solo quieren más y más”.

Stecher, de 37 años, y su esposo, Rushabh Doshi, de 39 años, hicieron una investigación sobre el tiempo de uso de las pantallas y llegaron a una conclusión sencilla: querían que fuera casi nulo en su hogar. Sus hijas, de 5 y 3 años, no tienen permitido verlas en la casa y solo pueden usarlas durante un viaje largo en auto o en avión.

Hace poco, la familia suavizó este enfoque. Ahora, todos los viernes por la noche, ven una película.

Stecher, quien está embarazada, cree que se acerca un problema en el futuro cercano: a Doshi le encantan los videojuegos y cree que pueden ser un medio educativo, pero ella no.

De manera similar, algunas de las personas que crearon programas para ver video ahora están horrorizadas por la cantidad de lugares en donde es posible reproducir videos.

Cuando le preguntamos sobre cómo limita el tiempo en pantalla para los niños, Hunter Walk, quien durante años fue director de productos en Google y supervisó los proyectos de YouTube, envió una foto de una bacinica que tiene un iPad incluido: “Este tiene la etiqueta: ‘Productos que no compramos’”.

Athena Chavarria, quien trabajó como asistente ejecutiva en Facebook y ahora está en la rama filantrópica (la iniciativa Chan Zuckerberg), fue tajante:“Estoy convencida de que el diablo vive en nuestros celulares y está arruinando la mente de nuestros jóvenes”.

Chavarria no dejó que sus hijos tuvieran un teléfono celular sino hasta el bachillerato y aún tienen prohibido usar sus celulares cuando están de pasajeros en el auto y limita su utilización en casa.

“Otros padres me preguntan cosas como: ‘¿No te preocupa no saber dónde están tus hijos cuando no puedes encontrarlos?’”, comentó Chavarria. “Yo les respondo: ‘No, no necesito saber dónde están mis hijos cada momento del día’”.

Para los líderes en tecnología, esta es la hora de la verdad sobre su trabajo: ver cómo las herramientas que construyeron causan un impacto en sus hijos.

Uno de ellos es Chris Anderson, el exeditor de la revista especializada Wired y ahora director ejecutivo de una empresa de robótica y drones, así como fundador de GeekDad.com, sitio web sobre crianza para una comunidad de amantes de la tecnología.

“En la escala entre los dulces y la cocaína en crack, se parecen más a la droga”, dijo Anderson sobre las pantallas. Agregó que los tecnólogos que crearon estos productos y los escritores que observaron la revolución tecnológica fueron ingenuos.

“Creímos que podríamos controlarlo”, dijo Anderson. “Controlarlo está más allá de nuestro poder. Estas tecnologías van directamente a los centros de placer del cerebro en desarrollo. Entender la situación está más allá de nuestra capacidad”.

La agenda familiar de Google Wifi de los Anderson, con horarios para irse a dormir y cronómetros para el tiempo que deben pasar los hijos sin ver pantallas cuando son castigados. 

Tiene cinco hijos y doce reglas tecnológicas. Incluyen: no usar celulares hasta el verano antes del bachillerato, no usar pantallas en las habitaciones, atenerse a bloqueos de cierto contenido en la red compartida en el hogar, no usar redes sociales hasta los 13 años, no tener iPads y que sus celulares tengan activado Google Wifi para controlar los horarios que pueden pasar frente a la pantalla. Si alguno de ellos se porta mal, su castigo es no tener acceso a internet durante veinticuatro horas.

“No supe qué les estábamos haciendo a sus cerebros, sino hasta que comencé a observarlos síntomas y las consecuencias”, dijo Anderson.

“Hemos cometido todos los errores imaginables, y creo que por lo menos con uno de nuestros hijos nos equivocamos mucho”, agregó. “Vimos cómo comenzaba a hacerseadictoy hubo algunos años perdidos que nos hacen sentir mal”.

La idea de que los padres de Silicon Valley están preocupados por la tecnología no es nada nuevo. Los padrinos de la tecnología expresaron estas preocupaciones hace años y los que más se han inquietado son los que están en la cima de la industria.

Tim Cook, el director ejecutivo de Apple,ha dichoque no dejaría que su sobrino se uniera a las redes sociales. Bill Gates lesprohibiólos celulares a sus hijos hasta que fueran adolescentes. Steve Jobs no dejabaque sus hijosse acercaran a los iPads.

Sin embargo, durante el último año, varias personas de alto perfil en Silicon Valley han sonado la alarma en términos cada vez más fatídicos respecto a lo que estos dispositivos le hacen al cerebro humano. De pronto, parece casi una obsesión en contra: en la zona, el centro neurálgico de desarrollo tecnológico, cada vez más hogares implementan reglas de cero tecnología dentro de la casa. A las niñeras les están pidiendo que firmen contratos para comprometerse a no dejar a los menores usar celulares… y tampoco usarlos ellas.

Los que han expuesto a sus hijos a las pantallasintentan prevenirque se vuelva una adicción al explicarles cómo funciona la tecnología.

John Lilly, un capitalista de riesgo que vive en Silicon Valley y fue director ejecutivo de Mozilla, dijo que intenta ayudar a que su hijo de 13 años entienda que quienes crearon la tecnología lo están manipulando.

“Intento concientizar a mi hijo sobre que alguien escribió código para hacerlo sentir así. Trato de ayudarlo a comprender cómo están hechas las cosas, los valores que se les están adjudicando y lo que la gente está haciendo para producir ese efecto”, dijo Lilly. “Y él me dice: ‘Solo quiero gastar veinte dólares para tener otra ropa en Fortnite’”.

También están aquellos tecnólogos que no están de acuerdo con el argumento de que las pantallas son peligrosas. Jason Toff, de 32 años, quien dirigió la plataforma de video Vine y ahora trabaja para YouTube, deja que su hijo de 3 años juegue con un iPad; argumenta que de manera inherente no es mejor ni peor que un libro. Esta opinión no es nada popular entre sus compañeros del sector tecnológico, tanto es así que siente que ahora hay “un estigma”.

“Ayer me preguntaron: ‘¿No te preocupa que todos los grandes ejecutivos estén limitando el tiempo que sus hijos pasan frente a las pantallas?’”, dijo Toff. “Respondí: ‘Quizá deba preocuparme, pero supongo que siempre me he mostrado escéptico respecto a las normas’. La gente simplemente le teme a lo desconocido”.

Dijo que piensa en su propia infancia, cuando creció viendo muchos programas de televisión. “Al final me fue bien”, indicó.

Otros padres de Silicon Valley dicen que hay maneras para que sea menos tóxico dejar que los niños pasen un tiempo limitado frente a las pantallas.

Renee DiResta, un investigador de seguridad en el consejo del Center for Humane Tech, no permite el tiempo pasivo frente a las pantallas, pero sí un breve periodo de juegos desafiantes.

Quiere que sus hijos de 2 y 4 años aprendan cómo programar desde pequeños, así que fomenta la conciencia que tienen de sus dispositivos. Sin embargo, distingue entre estos tipos de uso de pantalla. Jugar un juego de construcción está permitido, pero ver un video de YouTube no, a menos que sea en familia.

Frank Barbieri, un ejecutivo que vive en San Francisco y trabaja en la empresa emergente YuMe, que distribuye publicidad de marca en video digital, limita el tiempo que su hija de 5 años pasa frente a las pantallas y solo deja que escuche contenido en italiano.

Había leído estudios sobre los beneficios de aprender una segunda lengua desde una edad temprana para la mente en desarrollo, así que su hija ve películas y programas de televisión en italiano.

“Honestamente, para decidir cuál idioma, mi esposa y yo nos preguntamos: ‘¿Qué lugar nos gustaría visitar?’”, dijo Barbieri.

Fonte:The New York Times
Por:Nellie Bowles
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A astrologia “é falsa” mas tem padrões técnicos

Para calcular a carta astral de uma pessoa, utilizada para diagnosticar a sua personalidad, seu perfil psicológico e o rumo de sua vida, o primero que se faz é identificar a alinhação dos planetas  no momento do seu nascimento, o qual está relacionado com a local onde ocorreu o parto.

Credit Ilustración fotográfica por Tracy Ma/The New York Times; cara vía Shutterstock

La astrología ‘es falsa’, pero tiene estándares

La mañana en que se celebró el examen de Certificación de Competencia Astrológica (CAP) de la Sociedad Internacional de Investigación Astrológica (ISAR), el cual se llevó a cabo en mayo en un hotel Marriot en Chicago, el clima cósmico era un buen augurio.

La Luna estaba en Sagitario, el más erudito de los signos, y el planeta de la comunicación, Mercurio, acababa de entrar al ingenioso Géminis. La noche anterior había habido una Luna llena dramática, pero el puñado de astrólogos que se inscribieron para presentar el examen no parecían sentir sus efectos. Después de todo, eran profesionales… o al menos, esperaban serlo: tras años de preparación intensa para este examen de aptitudes “metafísico” de seis horas de duración. Aunque es a libro abierto, el CAP del ISAR tiene la reputación de ser uno de los exámenes más extenuantes en el campo de la astrología.

En efecto. En 2018, hay múltiples exámenes rigurosos que evalúan la capacidad para leer las estrellas.

Sí, podría parecer extraño que se apliquen estándares extremadamente técnicos a esta práctica espiritual abstracta, pero hacerlo no es inédito. De alguna u otra forma, la astrología ha existido por lo menos desde la antigua Babilonia y durante mucho tiempo se le consideró una manera totalmente lógica de explicar el mundo. No fue sino hasta que el racionalismo se convirtió en la mayor moda en el siglo XIX que la astrología quedó relegada al terreno de lo místico y lo absurdo.

En la actualidad, se le considera un campo para revistas de público femenino y memes de Instagram; en el mejor de los casos, una ficción inofensiva y, en el peor, una seudociencia perniciosa. No obstante, una cantidad creciente de estudiantes y especialistas lo toma con una enorme seriedad pese al reconocimiento de que no tiene rigor científico.

El repunte en la popularidad de la astrología se ha atribuido a un aumento de la espiritualidad poco convencional, a un estilo juguetón de nihilismo posrecesión (la “astrología es falsa”, dice un meme,“pero…”) y, por supuesto, al internet. O también podría ser porque todos los nacidos entre noviembre de 1983 y noviembre de 1995 aparentemente son una generaciónde Plutón en Escorpio, por lo que se inclinan a las prácticas ocultas y el pensamiento mágico.

Otro factor es que ahora hay más mecanismos que nunca para volverse muy versado en astrología. Gracias a internet se pueden generar con gran rapidez cartas astrales, las cuales se pueden revisar mediante aplicaciones, correos electrónicos y otros recursos parecidos, y los astrólogos pueden conversar con miles de personas a través de las redes sociales. Son formas que superan el viejo método: generar una carta astral requería una serie de conversiones y cálculos bizantinos y al menos dos libros esotéricos de referencia.

En otras palabras, para hacerlo a mano, se necesita un experto.

The New York Times 

Por ejemplo, para calcular la carta natal o astral de una persona, la cual se utiliza para evaluar la personalidad, los patrones psicológicos y el rumbo de la vida, lo primero que se debe hacer es identificar la alineación precisa de los planetas en el cielo en el momento del nacimiento de esa persona, lo cual está relacionado con la ubicación exacta donde ocurrió el parto.

Después se hace una referencia cruzada de esta información con las doce casas astrológicas —divisiones fijas y conceptuales de la esfera celeste, cada una de las cuales gobierna un área específica de la vida (por ejemplo, el subconsciente, el matrimonio y las relaciones)— y los doce signos del Zodiaco, los cuales están en constante movimiento a través de las casas y corresponden al cielo como se ve desde la Tierra, nuestro hogar físico.

En la lectura total de una carta astral se explican todas estas variables, así como los ángulos exactos que cada cuerpo celeste crea con otros en el cielo para producir resultados personalizados. Esta parte es tan “real” en términos objetivos como cualquier otro concepto relacionado con el tiempo en la Tierra: implica la aplicación de fórmulas matemáticas invariables a datos históricos finitos.

La siguiente parte —la interpretación de esos resultados— es donde los astrólogos se sumergen en el terreno de lo que ellos llaman inferencia o intuición (aquello que los no creyentes califican como vínculos aleatorios que fueron memorizados).

La interpretación es una de las muchas habilidades que pone a prueba el CAP del ISAR. Incluye un ensayo y alrededor de seiscientas preguntas de opción múltiple, de verdadero o falso y de respuesta corta, las cuales cubren cálculos de cartas, historia de la astrología, astronomía básica aplicada a la astrología y habilidades predictivas.

Entre las preguntas están: ¿Cuál es la mayor distancia entre el Sol y el ecuador celeste? ¿Cuál es el armónico de un aspecto quintil, y cuántos grados tiene? Y ¿con qué frecuencia Mercurio y Venus están en conjunción de un trígono? (¡Es una pregunta capciosa! Un trígono es un ángulo de 120 grados entre dos planetas, lo cual aparentemente nunca sucede entre Mercurio y Venus).

“Debido a que la gente suele considerar la astrología como mística y mágica, tal vez un poco inventada, pensé que tener un certificado demostraría compromiso y diligencia”, dijo Debbie Stapleton, estilista. Stapleton, una capricornio típica: muy trabajadora, había viajado a Chicago desde Canadá para hacer el examen.

Stapleton dijo sobre obtener la certificación: “Me dará la confianza profesional para seguir en este camino una vez que fui evaluada por los más experimentados de esta comunidad, mis pares, y al saber que hay estos estándares”.

El examen de mayo se realizó durante el Congreso de Astrología Unida (UAC), un gran evento astrológico para entablar contactos que se ha celebrado una vez cada cuatro o seis años desde 1986 —todavía no queda claro quiénes deciden exactamente cuándo será cuatrienal o sexenal, ni cómo lo deciden—. El congreso de este año tuvo la mayor concurrencia de la historia: atrajo a 1500 astrólogos, quienes pasaron la semana en páneles como “Cómo trabajar con la Luna”, “Eclipses: Portales del destino” y “La astrología de una nueva visión sobre el capitalismo”.

Los astrólogos asistieron para compartir sus investigaciones y conocer a los iconos del campo. Sí, es posible que también hayan ido para comprar cristales y caftanes psicodélicos, pero muchos aseguraron que estaban muy comprometidos con hacer que se reconozca a la astrología como una profesión legítima. La certificación astrológica es una parte crucial de este objetivo; a lo largo del fin de semana, un puñado de personas la comparó con aprobar el examen para ingresar a un colegio de abogados o para obtener la acreditación de terapeuta.

“Es bueno que tengamos este nivel de aprendizaje. Es muy pero muy bueno”, opinó Shelley Ackerman, la vocera oficial de la UAC y libra (diplomática).

“No garantiza la perfección absoluta en el campo, pero es cierto que elimina y aborda muchos contratiempos que pueden presentarse si no tienes la formación”, añadió. “Podemos decir cosas que inspiren a las personas pero, si no somos cuidadosos, podemos decir cosas que las aterroricen, las dañen y las aíslen”. (El ISAR prohíbe exprofeso que los miembros hagan predicciones aterradoras o extremas, como profecías sobre muertes u otras calamidades, aun si pueden verlas con claridad en la carta de alguien).

El examen de certificación astrológica del ISAR no es el único; hay otras organizaciones metafísicas con programas propios de certificación. Sin embargo, el CAP del ISAR destaca en la comunidad astrológica por el énfasis marcado que pone en la forma apropiada de dar orientación a los clientes. Además de la prueba escrita, con una dificultad desconcertante (tiene 446 preguntas más que el examen “no metafísico” de ingreso a licenciatura en Estados Unidos), los estudiantes también deben tomar un curso de ética y capacitación de habilidades de orientación que dura dos días y medio, lo cual culmina en un segundo examen (por fortuna, uno mucho más breve).

“En resumidas cuentas, la astrología no es para gente impaciente o que teme a los retos”, expresó Ackerman. “Te deben encantar los rompecabezas, las matemáticas, los mitos y la complejidad de la vida. No puedes tener prisa y ser un buen astrólogo”.

“No es para tontos”, remató.

Fonte: The New York Times
Por: Callie Beusman
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Os efeitos psicológicos das eleições, segundo 3 especialistas

Muitas pessoas relatam desgastes em relações familiares e com amigos por conta de divergências políticas. Passada a eleição, é possível refazer as relações? Ou o que vivemos hoje está deixando cicatrizes mais profundas?

REDES SOCIAIS REGISTRAM MUITOS RELATOS DE ROMPIMENTO DE AMIZADES E DESGASTES NA FAMÍLIA POR CAUSA DE POSIÇÕES E APOIOS POLÍTICOS

Os efeitos psicológicos das eleições, segundo 3 especialistas 

Estados de espírito provocados por um embate político marcado por agressividade e intransigência vão do desamparo ao ódio, dizem psicólogos

No primeiro turno das eleições de 2018, sobraram discursos agressivos e posturas inflexíveis nos ambientes real e virtual. Todo o processo eleitoral foi marcado por episódios de embate, ânimos exaltados e até de violência – dos tiros à caravana do PT que acompanhava Luiz Inácio Lula da Silva, em março de 2018, até o atentado contra Jair Bolsonaro, candidato pelo PSL, em Juiz de Fora (MG), em setembro.

A julgar pelos muitos comentários em redes sociais, esse tem sido também um período de medo e angústia diante de algumas possibilidades de resultados, sentimentos explorados por diversos candidatos em suas propagandas.
Há muitos relatos de rompimento de amizades e desgastes na família por causa de posições e apoios políticos. Segundo uma pesquisa Datafolha realizada em 2 de outubro de 2018, o clima pouco amistoso e a situação do país provocam raiva e tristeza, compartilhadas por mais de 65% dos eleitores brasileiros.
O Nexo conversou com três especialistas sobre o estado de espírito do brasileiro pós-primeiro turno.
Ivan Estevão: professor de psicologia da Escola de Artes, Ciências e Humanidades da Universidade de São Paulo (EACH/USP Leste) e do Instituto de Psicologia da USP
Ângela Soligo: presidente da Abep (Associação Brasileira de Ensino de Psicologia)
Helio Roberto Deliberador: professor da Faculdade de Psicologia da PUC-SP
Quais os efeitos colaterais psicológicos de se acompanhar uma eleição como a que estamos tendo, tensa e polarizada? 
IVAN ESTEVÃO
Ao que tudo indica, essa eleição se dá numa circunstância de mudança no modo de funcionamento de algumas formas da sociabilidade. Minha suspeita é que a própria democracia está mudando de forma no país. E isso implica a alteração de uma série de regras que a gente tomava como dadas. Quando isso acontece, costuma haver dois efeitos, um pouco interligados: esse efeito desamparador onde eu não sei nem mais dizer o que está acontecendo, não consigo mais me apoiar nas regras antigas e isso produz efeitos sobre aquilo que me determinava, como eu sou, como funciono, porque antes eu funcionava a partir de regras que agora não valem mais. A consequência é que isso vai produzir angústia, o que eu vi bastante ontem, de um lado. Um dos efeitos que chegam para tentar amenizar essa angústia são certezas, o que é curioso. Então a certeza, que vem de vários lugares, que vem de um passado, um passado onde as coisas eram melhores, é onde vou me fiar, então a gente ouve bastante esse discurso. Ou certeza que diz respeito a como as coisas têm de ser; se não for assim, tudo está errado. As pessoas, de um lado angustiadas, de outro presas absolutamente nas suas certezas nos mais variados grupos, das mais variadas ideias.
ÂNGELA SOLIGO
Primeiro, o aumento e a exacerbação das atitudes extremadas, ou totalmente contra ou a favor, sem ponderar, refletir, sobre o significado dessas atitudes e das ideias que elas carregam. A consequência é o fanatismo, e o fanatismo em geral é obscurantista, ele impede que as pessoas reflitam sobre sentimentos, ideias ou ações. Num momento de polarização, o pensamento fica comprometido. O que vem à frente são fortes emoções, as crenças acima de tudo e o desprezo pelo pensar. Estamos vendo isso agora. É a impossibilidade do diálogo. O que fica marcado é o sentimento do ódio. Ele se tornou a marca de muitos discursos. Odiar nessas circunstâncias é abrir mão da racionalidade. Outro sentimento que vai marcar é o de impotência e desesperança. Há pessoas que olham para o que está acontecendo e sentem que não podem fazer nada. Como se tudo fosse mais forte que elas, daí o sentimento que vem junto é a desesperança. Não posso fazer nada, quero ir embora.
HELIO DELIBERADOR
As pessoas ficam mais tensas com a eleição, isso está acentuado. É uma carga emocional grande. Se acentua na medida em que há uma polarização muito forte e tudo funciona pela paixão e não pela razão. Aumenta a ansiedade e um processo de uma adesão mais emocional. Não há muita escuta, o que dificulta um processo mais racional, de análise das propostas e de ver quem seria a melhor solução para as grandes questões do Brasil. Há um desejo meio contraditório de renovação dos quadros nacionais.
 
Muitas pessoas relatam desgastes em relações familiares e com amigos por conta de divergências políticas. Passada a eleição, é possível refazer as relações? Ou o que vivemos hoje está deixando cicatrizes mais profundas? 
IVAN ESTEVÃO 
Não dá para generalizar, mas esse tipo de circunstância não é incomum. Na adolescência encontramos muitas circunstâncias assim. Se há uma situação em que as regras estão sendo postas em suspenso e produzem essa divergência, vai haver um rearranjo, uma certa cristalização, não vai durar pra sempre. Nesse rearranjo, é possível que certas famílias se rearranjem de um jeito onde não necessariamente o pai ou os filhos mudem de opinião política, mas onde se cria um universo de socialização possível. O que acontece nas famílias o tempo inteiro é que as relações são ambivalentes, ambíguas, pode-se dizer que uma mãe ame incondicionalmente seu filho mas a experiência mostra que não é isso, há amor e ódio. Aliás, outro efeito colateral é o surgimento dos ódios. É um dos afetos produzidos pela certeza. A certeza me garante uma certa unidade do que eu sou; o ódio produz esse afastamento do outro que me invade, que desmonta minha unidade. É bem possível que em várias famílias você tenha um campo já cristalizado em que o ódio se ameniza. Isso acontece independentemente do momento político. A gente já viu famílias com divergências políticas, de trabalho, de gênero, de sexualidade, o filho gay que é mandando embora. No filho gay, aparece muito da ambivalência, não é que o pai ou a mãe deixaram de amar aquele filho. no entanto se torna insuportável que seja assim. Nada impede que essas coisas sejam restabelecidas.
ÂNGELA SOLIGO
Quando as divergências se tratam de visões da política, diferenças partidárias, as rupturas não são nem rupturas, são ranhuras nas relações familiares, não são profundas e são recuperadas com o tempo. Há diferenças que se colocam hoje que estão mais profundas, que têm a ver com uma visão de humanidade, de direitos em relação à integridade dessa humanidade. Então, por exemplo, se você tem um parente que defende o extermínio de pessoas e que, passado esse vulcão eleitoral, ele continua defendo isso, acreditando nisso, você vai conseguir conviver com ele? Então há ranhuras que você consegue reconstruir, mas há coisas que não serão fáceis. Tem coisas que tocam na humanidade e que acreditamos ser direito nosso e do outro como seres humanos. Isso ficou evidente agora, estamos diante de um novo fascismo e isso produz rupturas difíceis de reconstruir. Teremos de fazer um empenho para trazer essas pessoas para uma racionalidade humana.
HELIO DELIBERADOR
Acho que está sim deixando cicatrizes mais profundas que fazem com que haja rupturas mais profundas em relações familiares por razões políticas. Está muito polarizado e, de cada lado, são ditas coisas muito ofensivas e isso deixa marcas mais profundas. Assim, fica mais difícil reatar depois.
 
Muitas pessoas estão relatando uma sensação de medo pelo futuro, ou do que pode acontecer se esse ou aquele outro candidato entrar. Como este tipo de medo, não de algo localizado, mas de uma conjuntura mais ampla, afeta as pessoas?
IVAN ESTEVÃO 
O medo vem da mesma sequência. Se tem uma alteração de toda uma série de regras, de como funciona a democracia, você encontra argumento para sustentar qualquer posição. Tem coisas que não dava para imaginar antes: um cara como o [Marcelo] Odebrecht ficar dois anos preso é realmente impressionante. Algo aí mudou de fato. A gente está sempre atrás de produzir sentido, regra, que amenize a angústia de ter que lidar com a contingência. Nessa circunstância, tudo começa a desmontar e o que vem é angústia e medo. Quando tem um efeito com esse, o que surge é um vazio, os pontos aos quais a gente se liga já não servem mais para que a gente possa pensar a realidade. O que vem então é da ordem da fantasia. Em geral, as fantasias são paranoicas, assustadoras, que dizem respeito à nossa própria agressividade e à agressividade alheia. E não importa o lado. Em 2002, dizia-se sobre o PT que iam invadir sua casa. O medo é um jeito de tentar estabelecer um ponto ao qual eu me fio para tentar amenizar de alguma forma a angústia. A hora em que determino qual é o objeto, o que me causa medo, de alguma forma tenho controle sobre ele. Isso ameniza a angústia. Quando não sei o que vem pela frente é angústia, pavor, terror, pânico.
ÂNGELA SOLIGO
Este é um medo concreto, real. Ele tem história. Quando as pessoas falam que têm medo elas se reportam a alguma coisa, mesmo que seja uma informação descabida. Quando se fala em medo que o país vire uma Venezuela, as pessoas se apoiam em uma ideia do que acontece naquele país. Mesmo que o PT tenha ficado 15 anos no poder já e o Brasil não tenha virado uma Venezuela , a que esse medo se relaciona? Se relaciona mais a uma imagem do que a uma realidade. Por outro lado, tem o outro medo que é de um discurso excludente, sectarista, dirigido a grupos sociais como negros, mulheres e homossexuais, que traz de volta a ideia de ditadura, e ele é apavorante.
HELIO DELIBERADOR
Isso leva a um processo de fragilização das pessoas, você funcionar por medo é muito complicado. De fato, acho que há certos medos que podemos crescer e a gente ter processos que foram muito negativos para a sociedade brasileira. [Era a época] quando a política estava associada ao medo, porque isso significa a ruptura dos processos democráticos,. Isso não é um sentimento que devia mover as pessoas, mas está acontecendo. Tem um certo sentimento envolvendo o medo nessa luta de opostos que será o enfrentamento do segundo turno em muitos espaços.
Fonte: Nexo Jornal
Por: Camilo Rocha
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Atalhos para memória com uma pequena ajuda de amigos

Los humanos hemos utilizado este tipo de extensiones mentales desde siempre. La transmisión de información de mente a mente de forma oral era la norma mucho antes de que naciera la escritura. Somos animales sociales y formamos redes sociales desde mucho antes de que existieran las virtuales. Estamos acostumbrados a depender tanto unos de otros para guardar información como para todo lo demás. Así que recordar quién dijo qué o quién sabe qué resulta natural.

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Tim Enthoven

          Atajos para la memoria, con un poco de ayuda de tus amigos

A mi madre le gusta decir: “Siempre recuérdalo todo”.

Por supuesto, como ella sabe, es imposible, incluso con técnicas avanzadas de memoria. Por eso tomamos notas y usamos calendarios. Son componentes de nuestra memoria externa, que son parte de nuestra mente expandida.

El hecho de que tu mente no esté completamente confinada a tu cráneo puede ser una idea difícil de asimilar. En un trascendental artículo, los filósofos Andy Clark y David Chalmers defendieron la idea de que algunas funciones que logramos llevar a cabo con otros objetos deberían ser consideradas como equivalentes a los pensamientos que ocurren en nuestros cerebros. Utilizar lápiz y papel para ayudarnos a hacer un cálculo es un ejemplo. Mucha gente —me incluyo— manipulamos palabras en una página (o el equivalente digital) para dilucidar cómo pensamos un asunto o para darle forma a un argumento.

No existe ninguna diferencia entre el hecho de que los canales de comunicación entre el papel (o la pantalla) y el cerebro involucren la visión y el movimiento de los dedos en lugar de que solo se enciendan las neuronas, según defienden Clark y Chalmers. El resultado final es el mismo que si hubiéramos hecho todos los cálculos o escrito todo el ensayo tan solo en nuestra cabeza.

“Lo que importa no es dónde se codifica la información, ni en qué medio, sino los usos que puede tener en el momento”, dijo Clark. Trabajar en una computadora ofrece una analogía. “No importa en realidad si una porción de la información se guarda en tu disco duro o en la nube, siempre y cuando esté disponible cuando lo necesites”.

Esto nos conduce a la extensión de la memoria, que es más claro y simple. Para mejorar la memoria biológica, todo el mundo consulta materiales y fuentes externas. Tomamos fotografías –que después volvemos a ver— para tener recuerdos de las vacaciones, bodas y otros sucesos. Guardamos en la memoria lo que nos vamos a poner mañana cuando sacamos nuestra ropa la noche anterior. Hacemos listas para ir al supermercado.

Podrías decir que las cosas en las que esta información se guarda –esas fotografías, el lugar donde pusimos la ropa, un pedazo de papel— no se parecen a la mente. Quizá bajo ese fundamento te opones a decir que lo que nos transmiten sean “recuerdos”. Quizá solo las mentes pueden recordar cosas y el resto son simplemente apoyos para recordar.

Sin embargo, este argumento se desmorona cuando consideramos la gran cantidad de información que no guardamos en la cabeza pero que podemos recuperar fácil y confiablemente de otro lado. Por ejemplo, quizá no sabemos y nunca retendremos en la memoria todo el elenco de Game of Thrones, pero sabemos dónde podemos encontrarlo. No necesitamos encomendárselo a nuestra memoria (biológica) porque siempre podemos buscarlo.

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Tim Enthoven

Cuando lo hacemos, no estamos utilizando la fuente de información para recordarnos lo que ya tenemos guardado en la memoria. La información no está ahí y quizá nunca lo esté. Aún así, como si lo estuviera, podemos rescatarla siempre que nos plazca por otros medios. Eso es la memoria extendida.

Estamos tan acostumbrados a depender de la memoria extendida en nuestros teléfonos inteligentes que guardamos menos en nuestra cabeza de lo que haríamos en otra circunstancia. Un estudio mostró que somos menos capaces de recordar información que creemos poder buscar en internet —y en lugar de eso recordamos mucho mejor cómo podemos encontrarlo en línea—.

Otro estudio descubrió que la gente que tomó fotografías de las pinturas en un museo fue menos capaz de recordar las obras y sus ubicaciones que aquellos que visitaron el museo sin sacar fotografías. Aquellos de nosotros que somos lo suficientemente viejos para recordar el mundo sin celulares inteligentes solíamos memorizar números telefónicos importantes. Pocos ahora lo hacemos o ni siquiera lo intentamos. Podríamos, pero ¿para qué molestarse?

Existe otro tipo de memoria extendida que es incluso más parecida a la mente. De manera rutinaria extendemos nuestra memoria al utilizar la de otras personas y la nuestra sirve como memoria extendida para otros. Cualquiera que tenga hijos está constantemente recordando cosas para ellos: a qué hora necesitan llegar al entrenamiento de fútbol, dónde es y qué necesitan llevar. Mis hijos ahora se saben el nombre de otros niños y de sus padres, y así constituyen una fuente a la que recurro con regularidad en reuniones sociales porque casi siempre olvido –o nunca me aprendo— sus nombres.

Poner atención a este tipo de memoria extendida tiene valor profesional. Hace algunos años, el exceso de trabajo comenzó a tener un efecto negativo en mi capacidad para recordar información importante. Utilizar algunos trucos mentales me ayudaba, pero de cualquier manera no podía estar al corriente.

Así que cambié de estrategia. Me di cuenta de que era redundante recordar algunas cosas que otros ya sabían, y me rendí. En lugar de eso, hice un esfuerzo en tener un registro de las áreas en las que mis colegas eran expertos. Si tenían la información guardada en sus mentes y si podía tener acceso a su conocimiento de manera sencilla –por ejemplo, con un correo electrónico breve o incluso un tuit— no había necesidad de que yo recordara esa información.

Por ejemplo, si requiero saber qué estudios sobre nutrición son confiables, puedo simplemente preguntarle a mi colega Aaron Carrol, quien acaba de escribir un libro sobre el tema.

Sin embargo, ¿qué pasa si me topo con otro colega que está utilizando la misma táctica y los dos pensamos que el otro es el que está guardando la información? Cuando presiento que ese puede ser el caso, pregunto: “¿Me toca acordarme de esto en tu lugar?”. Eso lo resuelve. De hecho, suelo finalizar muchas de mis reuniones o intercambios de correo electrónico laborales de esta manera. Una vez que un plan de acción o la solución a un problema se establece, me aseguro de que quede claro quién es responsable de que cierta información crucial no se pierda.

En casa, mi esposa y yo somos explícitos sobre quién es responsable del seguimiento de la diversidad de necesidades asociadas con las actividades escolares y extracurriculares de nuestros hijos. Lo que sea que esté en sus manos (es decir, en su cabeza), yo lo elimino de mi mente. Lo que sea que esté en la mía, ¡más me vale recordarlo!

Los humanos hemos utilizado este tipo de extensiones mentales desde siempre. La transmisión de información de mente a mente de forma oral era la norma mucho antes de que naciera la escritura. Somos animales sociales y formamos redes sociales desde mucho antes de que existieran las virtuales. Estamos acostumbrados a depender tanto unos de otros para guardar información como para todo lo demás. Así que recordar quién dijo qué o quién sabe qué resulta natural.

Aprovechar esto estratégicamente para guardar y recuperar de la mente de otras personas recuerdos no es un gran paso. Te libera de tratar de hacer lo que de todos modos no puedes: siempre recordarlo todo.

Fonte: New York Times
Por: Austin Frakt
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Por que alguns são amigos próximos e outros são só conhecidos?

Si necesitas mover muebles, dice el dicho, llama a un amigo; si requieres mover un cadáver, contacta a un buen amigo. Y es que, si ponemos de lado escrúpulos morales, ese buen amigo sin duda estará de acuerdo en que la víctima era un patán intolerable que se lo merecía y, caray, no debiste hacerlo, pero ¿dónde guardas las palas?

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Keith Negley

       En las mejores amistades se comparten hasta las ondas cerebrales

Desde hace tiempo, los investigadores saben que elegimos amigos que son muy parecidos a nosotros en una amplia gama de características: edad, religión, nivel socioeconómico, educativo, preferencias políticas, grado de pulcritud e, incluso, la fuerza de agarre al dar la mano. El impulso hacia la homofilia —es decir, a vincularnos con quienes son, en la medida de lo posible, lo menos diferentes a nosotros— ha sido hallado por igual entre grupos de cazadores y recolectores que en sociedades capitalistas más modernas.

Según nuevas investigaciones, las raíces de la amistad se extienden incluso más profundo de lo que se sospechaba. Los científicos han descubierto que los cerebros de los amigos cercanos responden de maneras sorprendentemente similares al observar videos cortos: los mismos reflujos y oleadas de atención y distracción, el mismo punto máximo de procesamiento de la recompensa por aquí y las mismas alertas de aburrimiento por allá.

Se comprobó que los patrones de respuesta neuronal evocados por los videos —sobre temas tan diversos como los peligros del fútbol americano colegial, cómo se comportan gotas de agua en el espacio exterior y Liam Neeson tratando de hacer comedia de improvisación— coincidían tanto entre amigos, comparados con patrones entre personas que no lo eran, que los investigadores podían predecir qué tan fuerte era el vínculo social entre dos personas únicamente con base en sus lecturas cerebrales.

“Me sorprendió la excepcional magnitud de la similitud entre amigos”, comentó Carolyn Parkinson, científica cognitiva de la Universidad de California en Los Ángeles. Los resultados “fueron más convincentes de lo que había imaginado”. Parkinson y sus colegas, Thalia Wheatley y Adam M. Kleinbaum, de Dartmouth College, dieron a conocer sus resultados en la revista Nature Communications.

Los hallazgos ofrecen evidencia prometedora para sustentar la vaga idea que tenemos acerca de que la amistad es más que intereses compartidos o de tener ciertas coincidencias en nuestros perfiles de Facebook. Se trata de lo que denominamos buena química.

“Nuestros resultados sugieren que los amigos son similares en cuanto a la forma en que ponen atención y procesan el mundo que los rodea”, explicó Parkinson. “Ese procesamiento compartido podría hacer que la gente se vincule más fácilmente y tenga el tipo de interacción social sin roces que puede ser tan gratificante”.

El nuevo estudio es parte del auge del interés científico en la naturaleza, la estructura y la evolución de la amistad. Detrás del entusiasmo hay una montaña virtual de evidencia demográfica que muestra que la carencia de amigos puede ser sumamente dañina; cobra un precio físico y emocional comparable con el de factores de riesgo más conocidos como la obesidad, la hipertensión, el desempleo, la falta de ejercicio y el tabaquismo.

Los científicos quieren saber exactamente qué hace a la amistad tan saludable y al aislamiento tan nocivo, y están recabando pistas provocadoras, aunque no necesariamente definitivas.

Nicholas Christakis, autor de Connected: The Power of Our Social Networks and How They Shape Our World y biosociólogo de la Universidad de Yale, y sus colegas demostraron recientemente que la gente que tiene fuertes vínculos sociales tiene, en comparación, bajas concentraciones de fibrinógeno, una proteína asociada con el tipo de inflamación crónica que se cree origina muchas enfermedades. Sigue siendo una incógnita por qué la sociabilidad podría ayudar a bloquear la inflamación.

Los investigadores también se han mostrado intrigados por las evidencias de amistad entre los animales y no solamente en aquellos conocidos por su sociabilidad, como los primates, los delfines y los elefantes.

Gerald G. Carter, del Instituto Smithsonian de Investigaciones Tropicales, en Panamá, y sus colegas reportaron el año pasado que los murciélagos vampiro hembra cultivan relaciones estrechas con otras hembras con las que no tienen parentesco y comparten dosis de sangre con ellas en tiempos difíciles, un acto que les salva la vida a estos animales, que no pueden pasar más de un día sin alimento.

No obstante, si se trata de la profundidad y complejidad de los vínculos, los humanos no tienen igual. Parkinson y sus colegas habían demostrado previamente que la gente tiene un entendimiento automático y profundo de cómo encajan los actores en su esfera social, y los científicos querían saber por qué algunos integrantes de una red son amigos cercanos y otros son solo conocidos.

Por eso decidieron explorar las reacciones neurales a los estímulos cotidianos y naturales. En estos días, eso significa ver videos.

Los investigadores comenzaron con una red social definida: una generación de 279 estudiantes universitarios en una universidad que el estudio no nombra, pero los neurocientíficos reconocen fue la Escuela de Negocios de Dartmouth. A los estudiantes, que se conocían entre sí y en muchos casos compartían dormitorios, se les pidió que llenaran cuestionarios. ¿Con cuáles de sus compañeros de estudio socializaban (compartían alimentos, iban al cine, invitaban a sus casas)? A partir de esa encuesta, los investigadores hicieron un mapeo de una red social con distintos grados de conexión: amigos, amigos de amigos, amigos en tercer grado.

Después se les pidió que participaran en un escaneo cerebral; 42 de ellos aceptaron. Mientras un dispositivo de resonancia magnética funcional rastreaba el flujo sanguíneo en sus cerebros, los estudiantes observaron una serie de videos de varias extensiones, una experiencia que Parkinson comparó con ver distintos canales de televisión cuando alguien más tiene en sus manos el control remoto.

Al analizar los escaneos de los estudiantes, Parkinson y sus colegas encontraron fuertes concordancias entre los patrones de flujo sanguíneo —una medida de actividad neural— y el grado de amistad entre los participantes, incluso después de controlar otros factores que podrían explicar similitudes en las respuestas neuronales, como la etnicidad, la religión o el ingreso familiar.

Los investigadores identificaron patrones particularmente reveladores de concordancia entre amigos en zonas como el núcleo accumbens, que es clave para procesar la recompensa y la motivación, y el lóbulo parietal superior, donde se decide cómo distribuir la atención que se presta al entorno externo.

Con ayuda de los resultados, los investigadores pudieron crear un algoritmo de computadora para predecir, según una tasa muy por encima de la casualidad, la distancia social entre dos personas con base en la similitud relativa de sus patrones de respuesta neuronales.

Parkinson enfatizó que el estudio era un “primer paso, una prueba de concepto” y que ella y sus colegas todavía no saben qué significan los patrones de respuesta neuronal: qué actitudes, opiniones, impulsos o jugueteo mental derivado del ocio podrían estar detectando los escaneos.

Ahora planean hacer el experimento a la inversa: escanear a estudiantes que todavía no se conocen y ver si los que tienen patrones neuronales más coincidentes acaban volviéndose buenos amigos.

“Me parece que es un artículo increíblemente ingenioso”, comentó Christakis, biosociólogo de la Universidad de Yale. “Sugiere que los amigos se parecen no solo de manera superficial, sino también en su estructura cerebral”.

Fonte: New York Times
Por: Natalie Angier
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O Facebook só não sabe o que você está pensando agora…

Facebook también tiene los datos de todos mis contactos y hasta el número con el que puedo abrir a distancia la puerta del edificio de apartamentos en el que vivo. La red social hasta mantiene un registro de unas cien personas a las que eliminé como amigos en los últimos catorce años… incluidas mis exparejas.

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Ainara Tiefenthäler, Robin Stein y Kevin Roose

                          Esto es todo lo que Facebook guarda sobre ti

Cuando descargué una copia de los datos de mi cuenta de Facebook, nunca esperé ver tanto. Mi perfil no es muy abarcador; prácticamente no publico en el sitio ni le doy clic a los anuncios. (Podría decirse que soy un participante silencioso).

Sin embargo, cuando abrí el archivo, fue como destapar una caja de Pandora.

Con unos clics descubrí que alrededor de 500 anunciantes –muchos de los cuales no sabía absolutamente nada, como Bad Dad (tienda de partes de motocicletas) o Space Jesus (una banda de música electrónica)– tenían mi información de contacto; eso incluye mi correo electrónico, número telefónico y nombre completo. Facebook también tiene los datos de todos mis contactos y hasta el número con el que puedo abrir a distancia la puerta del edificio de apartamentos en el que vivo. La red social hasta mantiene un registro de unas cien personas a las que eliminé como amigos en los últimos catorce años… incluidas mis exparejas.

Hay tantas cosas que Facebook sabe sobre mí; más de lo que yo querría descubrir que sabe. Al revisar todo lo que la empresa de Silicon Valley ha obtenido de mi propia cuenta, decidí entender mejor cómo y por qué mis datos fueron recopilados y guardados. También quise descubrir qué tantos de esos datos pueden ser borrados.

Durante la reciente comparecencia de Mark Zuckerberg ante el Congreso de Estados Unidos, el director ejecutivo de la red social dijo que Facebook tiene una herramienta para descargar tus datos que “permite a las personas ver y sacar toda la información que han metido a Facebook”.

Eso es una ligera exageración: buena parte de la información básica, como mi cumpleaños, no pudo ser borrada. Lo que es más, los pedazos de data recopilada que se me hicieron extremos, como el registro de personas a quienes borré de mi lista de amigos, tampoco pueden ser eliminados.

“No borran nada, y esa es su política general”, dijo Gabriel Weinberg, fundador de DuckDuckGo, que ofrece herramientas de privacidad en línea. Añadió que los datos son guardados para ayudar a las marcas a ofertar anuncios relativamente personalizados.

Beth Gautier, portavoz de Facebook, dijo: “Cuando borras algo, lo retiramos para que no sea visible o accesible en Facebook”. Agregó: “También puedes eliminar tu cuenta cuando quieras. Puede que tarden noventa días en borrarse todas las copias de la información en nuestros servidores”.

Recomiendo ampliamente revisar todos los archivos de tu Facebook si te importa cómo se guarda y utiliza tu información personal. Esto es lo que yo aprendí.

Facebook guarda más de lo que pensamos

Cuando descargas una copia de tus datos, obtienes una carpeta que tiene varios archivos y subcarpetas. La más importante es la que se llama “Índice”, o Index; básicamente contiene todos los datos en bruto de tu cuenta y ahí puedes revisar tu perfil, tu lista de amistades, la sección de Noticias y los mensajes, además de otras herramientas.

Algo que me sorprendió del Índice es una sección llamada Información de Contactos. Ahí estaban los 764 nombres y números telefónicos de todas las personas que tengo guardadas en mi iPhone. Al mirar más de cerca, me di cuenta de que Facebook había guardado toda esta información porque la di de alta cuando comencé a utilizar la aplicación de mensajería, Facebook Messenger.

Eso me preocupó. Esperaba que Messenger utilizara mi lista de contactos para encontrar a otras personas que ya utilizaban la aplicación para que las pudiera contactar más fácilmente y se quedara con la información de contacto respectiva únicamente en los casos de personas que ya usaban Messenger. Pero Facebook guardó la lista entera, incluidos los datos de mi mecánico, una pizzería y el botón para la puerta de mi edificio.

Eso me parece innecesario, aunque Facebook argumenta que guarda tus contactos telefónicos para mantener esa información sincronizada con la lista de contactos de Messenger y para encontrar a personas que recién se unieron al servicio de mensajería. Opté por quitar la opción de sincronizar y eliminé todas las carpetas con mis contactos telefónicos.

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Ainara Tiefenthäler, Robin Stein y Kevin Roose

Mis datos de Facebook también revelan lo poco que olvida la red social. Por ejemplo, además de registrar la fecha exacta en la que me registré, en 2004, había datos de cuando desactivé mi cuenta en octubre de 2010 y la volví a dar de alta cuatro días después; ni yo recuerdo haberlo hecho.

Facebook también tiene un registro de todas las veces que abrí la red en los últimos dos años, según desde qué aparato y explorador web lo hice. En algunos de los días en el historial también hay registro de mi ubicación, como cuando estuve hospitalizado hace dos años o cuando visité Tokio el año pasado.

La red social tiene estos datos como medida de seguridad para registrar ingresos sospechosos desde aparatos o ubicaciones desconocidas, como cuando los bancos te envían una alerta de posible fraude si se usa tu tarjeta de crédito en un lugar que levante focos rojos. Esta práctica me parece razonable, entonces no intenté borrar la información.

Lo que sí me alertó fueron los datos que había eliminado de manera explícita y que pese a ello seguían ahí. En mi lista de amistades, Facebook tiene un listado de amigos eliminados, con las 112 personas a las que borré junto con la fecha en la que le di clic a “Eliminar”. ¿Por qué querría Facebook recordar a las personas a las que yo borré de mi vida?

La explicación de la empresa me dejó insatisfecho. La compañía dijo que podría utilizar esa lista para que esas personas no aparezcan en mi sección de Noticias cuando Facebook te muestra “Un día como hoy”, publicaciones en las que retoma memorias de años anteriores. Prefiero tener la opción de borrar para siempre la lista de amigos eliminados.

Los anunciantes lo ven todo

Lo que Facebook guardó sobre mí no es ni remotamente tan espeluznante como la cantidad de anunciantes que tienen mi información en sus bases de datos. Esto lo descubrí al darle clic a la sección de anuncios en mi archivo de Facebook, con lo que accedí a un historial de todos los anuncios a los que les di clic mientras estaba usando la red social.

Más abajo, hay una sección llamada “Anunciantes con tu información de contacto”, seguida de una lista de alrededor de 500 marcas; nunca había interactuado con la mayoría de ellas. Algunas sonaban sospechosas: una de ellas se llama “Microphone Check”, o “Prueba de micrófono”, aunque resultó ser un programa de radio. Otras marcas eran más conocidas, como Victoria’s Secret o AARP, la asociación estadounidense para personas de edad avanzada.

Facebook dijo que podrían aparecer anunciantes desconocidos en la lista porque habrían obtenido mi información de contacto de algún otro lado, después habrían sumado esta a una lista de personas a las que querían llegar y habrían subido tal lista a Facebook. Las marcas pueden subir sus listas de clientes con una herramienta llamada “Audiencias personalizadas“, que las ayuda a encontrar los perfiles de esos clientes para mostrarles anuncios.

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Facebook lleva un registro de todos los anuncios a los que les diste clic y de anunciantes que tienen tu información de contacto.

Las marcas pueden obtener tu información de varias maneras, entre ellas:

• Comprarla de proveedores de datos como Acxiom, que tiene una de las bases de datos comerciales sobre consumidores más grandes del mundo. Las marcas pueden comprar sets de datos como el contacto de personas de cierto sector demográfico y luego usar esa información para darles anuncios personalizados, según Michael Priem, director ejecutivo de Modern Impact, una empresa de mercadotecnia con sede en Mineápolis.

En marzo, Facebook anunció que limitaría la práctica de permitirle a los anunciantes poner anuncios a partir de información de teceros como Acxiom.

• Utilizar tecnologías de rastreo como cookies y pixeles invisibles que se cargan en tu explorador web para recoger información sobre tus actividades en estos. Hay muchos rastreadores en internet y Facebook ofrece diez distintos a las marcas para que puedan aprovechar tus datos, de acuerdo con Ghostery, que ofrece herramientas de privacidad para bloquear anuncios y rastreadores. Los anunciantes pueden tomar partes de los datos que recopilaron con rastreadores y subirlos a la herramienta de “Audiencias personalizadas” para mostrarte anuncios en Facebook.

• También hay maneras más sencillas. Alguien con quien compartiste tus datos podría dárselos a otra entidad. Por ejemplo, si tienes un programa de lealtad con tu tarjeta de crédito, esta quizá comparta tu información con una cadena hotelera y esta, a su vez, la usa para mostrarte anuncios en Facebook.

El punto es que incluso la información de un participante silencioso de Facebook como yo, que no le ha dado clic a prácticamente ningún anuncio digital, está expuesta a una cantidad enorme de anunciantes. Esto no fue completamente sorprendente, pero ver la lista de las marcas desconocidas que tienen mis datos fue como recibir un balde de agua fría que lo volvió realidad.

Intenté contactar a algunos de esos anunciantes, como el fabricante de juguetes Very Important Puppets, para preguntarles qué han hecho con mis datos. No respondieron.

Más allá de Facebook

Seamos claros: Facebook es apenas la punta del iceberg cuando se trata de qué información han juntado sobre mí las empresas de tecnología.

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El puesto de Google en el CES en Las Vegas, en enero de 2018 Jae C. Hong/Associated Press

A sabiendas de esto, también descargué copias de mis datos en Google. Los archivos de datos eran mucho mayores que los de Facebook. Tan solo el archivo de Google para mi cuenta de correo personal pesaba ocho gigabytes, comparable a la memoria necesaria para guardar dos mil horas de música. En comparación, mi archivo de Facebook era de unos 650 megabytes, alrededor de cien horas de música.

Lo que más me sorprendió es qué recopiló Google sobre mí: en un archivo llamado “Anuncios”, Google guardó un historial de todos los artículos noticiosos que he leído; desde una nota de Newsweek sobre empleados de Apple que se han estrellado contra muros de vidrio en sus nuevas oficinas hasta un artículo de The New York Times que presenta al editor de la columna de Modern Love.

En otra carpeta, titulada “Android”, Google tenía un registro de las aplicaciones que he abierto en un teléfono celular con ese sistema operativo desde 2015, con la fecha y hora en la que lo hice. Me pareció extremadamente detallado.

Google no respondió de manera inmediata a las solicitudes para hacer comentarios.

Algo que no me dejó tan mal sabor de boca fue el archivo de mis datos en LinkedIn. Pesa menos de un megabyte y tiene exactamente lo que esperaba: bases de datos con mis contactos en el servicio e información que sí había agregado a mi perfil.

Aunque eso fue poco alivio ante lo demás.

Les advierto: una vez que miras todos los datos que han sido recolectados sobre ti, no puedes obviar todo lo que viste.
Fonte: New York Times
Por: Brian X. Chen, é o principal reporter de tecnología de consumo e autor da coluna Tech Fix.
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