Mutilações

A circuncisão, apesar de ser considerada um procedimento cirúrgico levada a cabo por profissionais médicos habilitados,  é realizada a despeito de não haver qualquer indicação médica para tal. E isto porque diz respeito a um ritual de passagem importante entre os judeus – e entre os muçulmanos também -, que simboliza o pacto firmado entre deus e Abraão, conforme inscrito no Livro de Gênesis.

A mutilação genital feminina é o corte ou a remoção deliberada da parte externa da genitália feminina – lábios e clitóris. Há quatro tipos de mutilação conhecidos: a clitoridectomia, que é a remoção total ou parcial do clitóris e da pele do entorno; a excisão, que é a remoção total ou parcial do clitóris e dos pequenos lábios; a infibulação, que é o corte ou reposicionamento dos grandes e dos pequenos lábios, deixando, em geral, uma pequena abertura por onde passa o fluido menstrual e a urina, sendo tal abertura muitas vezes tão apertada que é preciso abri-la para relações sexuais e o parto; e o quarto tipo, que inclui todos os outros tipos de mutilação, como perfuração, incisão, raspagem e cauterização do clitóris ou da área genital.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde, a mutilação genital feminina é praticada rotineiramente em cerca de trinta países do continente africano e em alguns países da Ásia e do Oriente Médio, bem como em comunidades de imigrantes em países europeus e da Oceania. O procedimento, “que fere os órgãos genitais femininos sem justificativa médica”, é mais comumente realizado em meninas desde tenra idade infantil até a adolescência, por volta dos quinze anos, motivado eminentemente por crenças e valores associados ao correto comportamento sexual esperado das mulheres, ao rito de passagem para a vida adulta e à ideia do que seja a “pureza feminina”.

Há, ainda segundo a OMS, 125 milhões de mulheres em todo o mundo vivendo com as suas consequências físicas e psicológicas, dentre elas, sangramentos, problemas urinários, infecções, infertilidade, complicações no parto e risco de morte do recém-nascido. Em muitos países, a mutilação genital feminina é ilegal. No Reino Unido, onde a prática pode levar à prisão por até catorze anos, uma mulher ugandense foi condenada – sua sentença ainda não saiu – por haver mutilado a filha de três anos. Os depoimentos são horripilantes. Uma ativista queniana, que passou pelo procedimento aos onze anos de idade, sem qualquer assepsia e praticamente sem analgesia – o único analgésico era feito a partir de uma planta encravada num buraco no chão, “eles amarraram minhas pernas como um cabrito e esfregaram a planta em mim” – relata o sofrimento:

“Eu estava vendada. Depois, eles ataram minhas mãos para trás, minhas pernas foram abertas e prenderam meus lábios vaginais. (…) Depois de alguns minutos, comecei a sentir uma dor aguda. Gritei, gritei, mas ninguém podia me ouvir. Tentei me soltar, mas meu corpo estava preso”

Ao testemunharmos a submissão dessas mulheres, que caminham à revelia para o cadafalso, violentadas física e emocionalmente, chegamos à conclusão de que não há relativismo cultural que dê conta da cláusula pétrea antropológica do respeito à diversidade, que exige a interpretação do outro com um olhar “familiar”, jogando para escanteio preconceitos etnocêntricos. Como defensor da autonomia feminina, em todos os aspectos, inclusive os sexuais, do direito ao prazer, do uso e abuso do próprio corpo em busca do gozo, não posso, por mais que minha verve relativista bata na porta, não me posicionar contrariamente à involuntária mutilação genital das mulheres. Concordo, assim, com Sergio Paulo Rouanet, certeiro na crítica ao relativismo de tudo e de todos, no brilhante texto “Ética e Antropologia”:

As normas que maltratam a mulher, por exemplo, têm como todas as outras uma razão de ser para os relativistas. Quando os árabes do Jordão matam uma mulher que ficou grávida fora do casamento, mesmo quando a gravidez se deve ao estupro, quando a mulher adúltera é assassinada pelo marido em certas regiões (a Calábria, digamos, para não ofender nossas suscetibilidades nacionais) ou quando a mulher indígena, na Venezuela, é violada periodicamente por parte da tribo, o relativista diria que todas essas práticas são válidas, porque correspondem aos valores da cultura, e abster-se delas seria expor os indivíduos à desonra (…) O uso do princípio U poderia elucidar a questão. Pois essas normas só serão consideradas válidas se todos os interessados (e interessadas) participarem da argumentação; se nenhum deles (sem excetuar as mulheres) for coagido; e se nenhum participante (inclusive do sexo feminino) rejeitar os efeitos da observância dessa norma para os interesses de cada um (e cada uma). Pessoalmente, acho improvável que o relativista encontre entre essas mulheres aliadas para a tese de que todas as soluções normativas encontradas pela cultura são igualmente válidas

Uma provocação, então, me vem à cabeça: o princípio U de que nos fala Rouanet não deveria ser aplicado também à prática da circuncisão?

A circuncisão é um procedimento cirúrgico frequentemente realizado em crianças, geralmente por urologistas ou cirurgiões pediátricos, no qual é removido o prepúcio, aquela pelezinha que recobre a glande – a famosa “cabeça” do pênis. No caso de indicação médica, é realizada por conta de infecção no pênis ou fimose patológica, quer dizer, quando o prepúcio não se retrai, podendo causar dificuldade de fazer xixi. Dentre os benefícios, quando feita na infância, são citados a redução das infecções urinárias, a redução das infecções no pênis, a redução do câncer peniano e do câncer de colo de útero nas parceiras. Como qualquer outra cirurgia, deve ser feita sob anestesia.

Apesar de ser considerada um procedimento cirúrgico levada a cabo por profissionais médicos habilitados, a circuncisão também é realizada a despeito de não haver qualquer indicação médica para tal. E isto porque diz respeito a um ritual de passagem importante entre os judeus – e entre os muçulmanos também -, que simboliza o pacto firmado entre deus e Abraão, conforme inscrito no Livro de Gênesis:

Esta é a minha aliança, que guardareis entre mim e vós, e a tua descendência depois de ti: Que todo homem entre vós será circuncidado.

E circuncidareis a carne do vosso prepúcio; e isto será por sinal de aliança entre mim e vós.

O filho de oito dias, pois, será circuncidado, todo o homem nas vossas gerações; o nascido na casa, e o comprado por dinheiro a qualquer estrangeiro, que não for da tua descendência.

Com efeito será circuncidado o nascido em tua casa, e o comprado por teu dinheiro; e estará a minha aliança na vossa carne por aliança perpétua.

E o homem incircunciso, cuja carne do prepúcio não estiver circuncidada, aquela alma será extirpada do seu povo; quebrou a minha aliança.

Críticos da circuncisão sem indicação médica afirmam que o procedimento traz um estresse desnecessário ao recém-nascido, que o trauma é carregado pelo resto da vida, mesmo que o indivíduo não se dê conta disso conscientemente e, mais importante na linha de pensamento que tento seguir aqui, vai de encontro aos direitos humanos porque mutila um ser incapaz de tomar decisões, independente de motivações científicas de promoção do seu bem-estar físico e emocional.

Meu filho foi circuncidado ainda na maternidade, por um urologista que também estava habilitado para realizar o ritual religioso, que dispensamos. Embora não houvesse indicação médica para a circuncisão, nossa motivação foi estética – a mãe do meu filho sempre deixou claro que os pênis circuncidados são esteticamente mais agradáveis e, digamos, tem “personalidade” – e higiênica – pênis circuncidados são mais limpos e previnem de futuras complicações – fazendo-se uso do discurso racional, médico, científico para justificar o procedimento.

Talvez devamos abandonar a tese do relativismo cultural ou, mais ainda, do absolutismo cultural, tomando partido de um dos lados, descendo do muro do politicamente correto, deixando de lado o discurso da imparcialidade e do respeito incondicional e acrítico do “outro”, reconhecendo que nossas próprias ações são culturalmente motivadas a partir de crenças e valores específicos, de interpretações do mundo específicas.

Talvez devamos admitir que algumas mutilações são menos piores do que outras…

Um matrimonio perfeito: os evangélicos, os conservadores e as discriminações

Católicos e evangélicos organizaram marchas contra o movimento LGBT no México, Peru, Colombia, Costa Rica e República Dominicana. No Brasil a bancada evangélica foi contra ações legislativas a favor da população LGBT.

Un matrimonio perfecto: evangélicos y conservadores en América Latina

AMHERST, Massachusetts — Las iglesias evangélicas protestantes, que por estos días se encuentran en casi cualquier vecindario en América Latina, están transformando la política como ninguna otra fuerza. Le están dando a las causas conservadoras —en especial a los partidos políticos— un nuevo impulso y nuevos votantes.

En América Latina, el cristianismo se asociaba con el catolicismo romano. La Iglesia católica tuvo prácticamente el monopolio de la religión hasta la década de los ochenta. Al catolicismo solo lo desafiaban el anticlericalismo y el ateísmo. Nunca había habido otra religión. Hasta ahora.

Hoy en día los evangélicos constituyen casi el20 por cientode la población en América Latina, mucho más que el tres por ciento de hace seis décadas. En algunos cuantos países centroamericanos, están cerca de ser la mayoría.

La ideología de los pastores evangélicos es variada, pero en términos de género y sexualidad por lo general sus valores son conservadores, patriarcales y homofóbicos. Esperan que las mujeres sean totalmente sumisas a sus esposos evangélicos. En todos los países de la región, sus posturas en contra de los derechos de las personas homosexuales han sido las más radicales.

El ascenso de los grupos evangélicos es políticamente inquietante porque están alimentando una nueva forma de populismo. A los partidos conservadores les están dando votantes que no pertenecen a la élite, lo cual es bueno para la democracia, pero estos electores suelen ser intransigentes en asuntos relacionados con la sexualidad, lo que genera polarización cultural. La inclusión intolerante, que constituye la fórmula populista clásica en América Latina, está siendo reinventada por los pastores protestantes.

Brasil es un buen ejemplodel aumento del poder evangélico en América Latina.Labancada evangélica, los noventa y tantos miembros evangélicos del congreso, han frustrado acciones legislativas a favor de la población LGBT, desempeñaron un papel importante en la destitución de la presidenta Dilma Rousseff y cerraron exposiciones en museos.Unalcalde evangélicofue electo en Río de Janeiro, una de las ciudades del mundo más abiertas con la comunidad homosexual. Sus éxitos han sido tan ambiciosos, que los obispos evangélicos de otros países dicen que quieren imitar el “modelo brasileño”.

Ese modelo se está esparciendo por la región.Con la ayuda de los católicos, los evangélicos también han organizado marchas en contra del movimiento LGBT en Colombia, Costa Rica, República Dominicana, Perú y México. EnParaguayy Colombia pidieron que los ministerios de educación prohibieran los libros que abordan la sexualidad. En Colombia incluso semovilizaronpara que se rechazara el acuerdo de paz con las Farc, el mayor grupo guerrillero en América Latina, con el argumento de que los acuerdos llevaban muy lejos los derechos feministas y de la comunidad LGBT.

¿Cómo es que los grupos evangélicos han adquirido tanto poder político? Después de todo, incluso en Brasil, las personas que se identifican como evangélicos siguen siendo una minoría y en la mayoría de los países el ateísmo va en aumento. La respuesta tiene que ver con sus nuevas tácticas políticas.

Ninguna de esas estrategias ha sido tan transformadora como la decisión de establecer alianzas con partidos políticos de derecha.

Históricamente, los partidos de derecha en América Latina tendían a gravitar hacia la Iglesia católica y a desdeñar el protestantismo, mientras que los evangélicos se mantenían al margen de la política. Ya no es así. Los partidos conservadores y los evangélicos están uniendo fuerzas.

Las elecciones presidenciales de Chile en 2017 ofrecen un ejemplo claro de esta unión entre los obispos evangélicos y los partidos. Dos candidatos de derecha, Sebastián Piñera y José Antonio Kast, buscaron ganarse el favor de los evangélicos. El ganador de las elecciones, Piñera, teníacuatro pastores evangélicoscomo asesores de campaña.

Hay una razón por la cual los políticos conservadores están abrazando el evangelicalismo. Los grupos evangélicos están resolviendo la desventaja política más importante que los partidos de derecha tienen en América Latina: su falta de arrastre entre los votantes que no pertenecen a las élites. Tal como señaló el politólogo Ed Gibson, los partidos de derecha obtenían su electorado principal entre las clases sociales altas. Esto los hacía débiles electoralmente.

Los evangélicos están cambiando ese escenario. Están consiguiendo votantes entre gente de todas las clases sociales, pero principalmente entre los menos favorecidos. Están logrando convertir a los partidos de derecha en partidos del pueblo.

Este matrimonio de los pastores con los partidos no es un invento latinoamericano. Desde la década de los ochenta sucede en Estados Unidos, conforme la derecha cristiana poco a poco se convirtió en lo que puede llamarse el electorado más confiable del Partido Republicano. Incluso Donald Trump —a quien muchos consideran la antítesis de los valores bíblicos— hizo su campaña con una plataforma evangélica. Escogió a su compañero de fórmula, Mike Pence, por su evangelicalismo.

No es accidental que Estados Unidos y América Latina tengan experiencias similares en cuanto a la política evangélica. Los evangélicos estadounidenses instruyen a sus contrapartes latinoamericanos sobre cómo coquetear con los partidos, convertirse en cabilderos y combatir el matrimonio igualitario.Hay muy pocos grupos de la sociedad civil que tengan vínculos externos tan sólidos.

Además de establecer alianzas con los partidos, los grupos evangélicos latinoamericanos han aprendido a hacer las paces con su rival histórico, la Iglesia católica. Por lo menos en cuanto al tema de la sexualidad, los pastores y los sacerdotes han encontrado un nuevo terreno común.

El ejemplo más reciente de cooperación ha sido en el enfoque: el lenguaje que los actores políticos utilizan para describir sus causas. Para los sociólogos, mientras más actores logren enfocar un asunto para que resuene entre múltiples electorados, y no solo el principal, más probable es que influyan en la política.

En América Latina, los clérigos tanto católicos como evangélicos han encontrado un enfoque eficaz para su conservadurismo: la oposición a lo que han bautizado como “ideología de género”.

Este término se usa para etiquetar cualquier esfuerzo por promover la aceptación de la diversidad sexual y de género. Cuando los expertos argumentan que la diversidad sexual es real y la identidad de género es un constructo, el clero evangélico y católico dice que no se trata de algo científico, sino de una ideología.

A los evangélicos les gusta enfatizar la palabra “ideología” porque les da el derecho, argumentan, de protegerse a sí mismos —y en especial a sus hijos— de la exposición a esas ideas. La ideología de género les permite encubrir su homofobia con un llamado a proteger a los menores.

La belleza política de la “ideología de género” es que ha dado a los clérigos una forma de replantear su postura religiosa en términos laicos: como derechos de los padres. En América Latina, el nuevo lema cristiano es: “Con mis hijos no te metas”. Es uno de los resultados de esta colaboración entre evangélicos y católicos.

Políticamente, podríamos ser testigos de una tregua histórica entre los protestantes y los católicos en la región: mientras que los evangélicos acordaron adoptar la fuerte condena de la Iglesia católica al aborto, el catolicismo ha adoptado la fuerte condena de los evangélicos a la diversidad sexual y, juntos, pueden confrontar la tendencia en aumento hacia la secularización.

Esta tregua plantea un dilema para el papa Francisco, que está por terminar una gira por América Latina. Por una parte, ha expresado su rechazo al extremismo y su deseo de conectar con los grupos más modernos y liberales de la Iglesia. Por la otra, este papa ha hecho de los “encuentros cristianos” un sello distintivo de su papado, y él mismo no es del todo alérgico al conservadurismo cultural de los evangélicos.

Como actor político, el papa también se preocupa por la decreciente influencia de la Iglesia en la política, así que una alianza con los evangélicos parece el antídoto perfecto contra su declive político. Una cuestión apremiante que el papa necesita ponderar es si está dispuesto a pagar el precio de un mayor conservadurismo para reavivar el poder cristiano en Latinoamérica.

El evangelicalismo está transformando a los partidos y posiblemente a la Iglesia católica. Los partidos políticos se concebían a sí mismos como el freno esencial de la región en contra del populismo. Ese discurso ya no es creíble. Los partidos están dándose cuenta de que unirse a los pastores genera emoción entre los votantes —incluso si es solo entre quienes asisten a los servicios— y la emoción es equivalente al poder.

Por: Javier Corrales, profesor de Ciencias Políticas en Amherts College, es coautor, junto con Michael Penfold, de “Dragon in the Tropics: The Legacy of Hugo Chávez in Venezuela”, y es articulista regular del The New York Times en Español.
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São maus os tempos para a paciência

É difícil recusar algo que se deseja e se consegue imediatamente. Por que esperar se é possível disfrutar já? Isto, do ponto de vista hedonista, é inquestionável e sempre foi posto em questão ao longo da história pela religião, pela filosofia e mais recentemente pela psicologia.

Las secuelas de vivir bajo un estado de urgencia pueden extenderse a otras circunstancias vitales.

Corren malos tiempos para la paciencia

En unas horas llegará un mensajero a mi casa con el último libro del tres veces Pulitzer, Thomas Friedman. Lo compré esta mañana en Amazon. La operación me llevó menos de un minuto porque opté por pulsar el botón de “comprar en un click”. Hasta que llegue, me entretendré viendo otro capítulo deTheSinneren Netflix. Pulsaré el botón de “Omitir Introducción”, pero le diré que no a la propuesta de continuar con el siguiente capítulo una vez terminado este, eso creo.

Desear algo y disponer de ello de manera casi inmediata es difícil de rechazar. ¿Para qué esperar si puedo disfrutarlo ya?

Esta afirmación que desde un punto de vista hedonista resulta incuestionable, ha sido, sin embargo, puesta en cuestión a lo largo de la historia, desde la religión, la filosofía y más recientemente la psicología.

Todos los grandes cultos predican las virtudes de la paciencia. El Antiguo Testamento, por ejemplo, en su libro Proverbios, recoge esta cita: “Más vale ser paciente que valiente. Más vale dominarse a sí mismo que conquistar ciudades”. Resulta lógico que desde los púlpitos se exhorte a desdeñar las prisas y abrazar la templanza, básicamente porque todas las religiones propugnan la reflexión como método de entrar en contacto con sus divinidades.

La filosofía, por su parte, también ha abordado la importancia de dominar las pulsiones internas. Sirvan estos ejemplos: en la Grecia Clásica el estoicismo defendía la necesidad de tener una vida contenida. Siglos después, Kant enunciaba este aforismo: “La paciencia en la fortaleza del débil”. Rousseau decía “La paciencia es amarga, pero su fruto dulce”. Nietzsche, a su vez, proponía “Ver, pensar y hablar con calma”. En un momento más contemporáneo, en el año 1947, el laureado Rafael Sánchez Ferlosio escribía en la revista Alférez: “Anda muy escasa la virtud de la paciencia”.Despotricar, por tanto, contra el modo en que la sociedad actual abraza la inmediatez no es nada original.

Detengámonos ahora con más interés en el tratamiento que da la psicología a la actitud de urgencia, por su vigencia y, sobre todo, por su base científica.

En los últimos 50 años se han llevado a cabo numerosos estudios para poner de manifiesto qué consecuencias tiene sobre la persona el ritmo con el que aborda las tareas cotidianas.

Quizás la investigación más emblemática que se conoce es la que llevó a cabo el profesor de Stanford Walter Mischel a finales de la década de 1960. Seguro que lo recuerdan. A unos niños de entre 3 y 6 años se les dio a elegir entre tomarse un dulce en ese momento o esperar 15 minutos y recibir dos. El autor hizo un seguimiento de los niños durante 20 años y concluyó que aquellos que demoraron la gratificación habían tenido más éxito académico.

Ya en nuestro siglo, los estudios realizados coinciden al identificar dos tipos de beneficios asociados a la paciencia.En primer lugar, los individuos con una actitud más serena, menos dados a la urgencia, muestran una marcada inclinación hacia la cooperación y la empatía.Es decir, son capaces de interiorizar mejor cómo se sienten los demás y ofrecer ayuda allá donde haga falta, por lo que desarrollan relaciones de mayor calidad.

En segundo lugar, estos mismos sujetos más tranquilos se benefician de disfrutar de una estabilidad emocional mayor, menor propensión a la depresión y a las emociones negativas.

Las secuelas de vivir bajo un estado de urgencia, de aquí y ahora, pueden extenderse a otras circunstancias vitales. La principal consecuencia de la inmediatez es que no deja espacio a la reflexión. Comprar tan rápido mi libro del principio no me ha permitido ver otras opciones que me ofrece Amazon y que pueden ser más interesantes. Saltar de un capítulo a otro de mi serie de Netflix, cercena el espacio necesario para analizar y poner en orden lo que acabo de terminar de ver.

Todos los días nos enfrentamos a situaciones que nos obligan a reflexionar: qué camisa me pongo, qué como hoy, quedo o no quedo con Juan, qué veo en la tele. En muchos casos son situaciones intrascendentes que no nos traerán grandes males si las abordáramos de manera impulsiva.

No obstante, hay otros momentos en la vida que sí exigen detenerse un tiempo, como dicen los toreros son instantes de parar, templar y mandar. Se trata de situaciones que van a marcar una parte de nuestra vida o toda ella, que van a implicar a otras personas o que pueden hacernos llevar la cruz del arrepentimiento durante años. Hablamos, por ejemplo, de elegir una carrera, hacer una inversión importante, tener hijos con alguien en concreto, o realizar una práctica deportiva de riesgo.

Actuar con paciencia permite disponer de un espacio de análisis que ubica al actor en el camino correcto hacia su objetivo. Un estudio suficiente de los antecedentes y probables consecuencias de cualquier iniciativa no solo genera una dulce sensación de seguridad, sino que, y más importante, empodera a la persona como ideólogo de sus actos.

Cualquier acción viene siempre precedida de una decisión y esta de un análisis, superficial, casi inexistente o más profundo. Cuando una persona toma una decisión impulsiva, impaciente, irreflexiva es porque alguien la está tomando por ella.

Fonte: Huffpost
Por:Antonio Pamos Doctor en Psicología y profesor de la Universidad Camilo José Cela
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Permitir aos padres apaixonados que se casem. Francisco pondera uma grande virada

“…o papa Francisco teria dito que entre as mudanças que mais lhe interessavam introduzir havia a abolição do vínculo do celibato para os padres”

Não se trata de vê-lo como remédio contra a pedofilia, mas como uma escolha para garantir sacerdotes apaixonados por sua vocação em tempo integral com outros casados em apoio do ministério e da própria família. Um livro deixa entender que, talvez, tenha chegado à hora certa para uma decisão do papa esperada por todos. O problema será abordado em 2019 no Sínodo sobre a Amazônia

A reportagem é de Carlo Di Cicco, vaticanista, publicada por Tiscali, 22-10-2018.

Poderia ser Francisco o papa que irá desatar o intrigado nó do celibato obrigatório para os padres na Igreja Católica do rito latino. Essa é, de fato, uma grande questão que vem atravessando toda a história da Igreja, especialmente a partir do século IV e a atitude escolhida em relação ao celibato dos padres amadureceu ou entrou em crise, segundo que a Igreja vivesse com mais força o valor da espiritualidade ou se adequasse ao modo de vida mundano.

A questão do celibato obrigatório para os sacerdotes na Igreja adquiriu novo vigor neste momento em que a opinião pública mundial está chocada pela revelação dos muitos casos de pedofilia do clero que, embora em percentual mínima em relação ao conjunto dos sacerdotes, está causando dor e desorientação entre os fiéis laicos. Pedofilia e celibato não têm nada em comum e um não é causa da outra, mas como ambos tocam a sexualidade e seu exercício, no sentido comum das pessoas são confusamente associados, multiplicando o escândalo.

O celibato para os padres decidido pela Igreja

Na verdade, desde a Segunda Guerra Mundial, a questão do celibato obrigatório como condição para se tornar padres na Igreja Católica Latina, a mais difundida no mundo e especialmente no Ocidente, começou a ser criticada, discutida, revista em círculos cada vez mais amplos. E um número crescente de vozes a partir de baixo e da própria hierarquia se pronunciaram em favor de uma revisão da lei que prevê a possibilidade de ser padre tanto a solteiros como a casados. Depois do Concílio Vaticano II (1962-1965), as vozes favoráveis a uma mudança aumentaram continuamente. Tanto a sugerir que poderia ser o próprio Francisco o papa que, com prudência e visão do conjunto, poderia iniciar uma experimentação prática nessa direção. Imagina-se que a ocasião para uma abertura como essa poderia surgir no outono de 2019, no Sínodo sobre a Amazônia, uma região imensa onde a escassez de padres e as dimensões gigantescas e complicadas em que estão dispersas as comunidades cristãs, torna difícil, quase impossível as suas celebrações religiosas, às quais eles também têm direito incontestável.

O problema dos padres destituídos

Uma das fontes à disposição de Francisco para tomar com toda a seriedade uma decisão desse tipo revelou-se um belo livro sobre a questão do celibato na igreja publicado recentemente. Foi escrito pelo jornalista Enzo Romeo, um especialista em Vaticano que estuda, se atualiza e verifica a confiabilidade de suas fontes. O resultado foi um livro interessante e confiável introduzido por uma minuciosa panorâmica do problema da destituição dos padres, assinada por Gianni Gennari, teólogo conhecido e padre romano, que teve que deixar o ministério depois de se apaixonar por uma mulher com quem se casou quando chegou a dispensa do celibato.

O livro de Romeo, confiável e excelente síntese sobre toda a questão do celibato, é resumida no título: “Lui, Dio e Lei” (Ele, Deus e Ela, 254 páginas), publicado pela Rubettino. Uma mina de informações, notícias, depoimentos, detalhes, citações estendidas em forma de narrativa que contam a evolução histórica de uma questão cada vez mais importante para compreender o cerne do problema do evangelho. Não que o celibato seja o coração do Evangelho, que continua sendo, é claro, o amor de Deus pelos homens, manifestado em Jesus e a missão de anunciar a misericórdia de Deus, que quer que todos os homens sejam salvos e conhecedores da verdade.

Amor, sexo e sacerdócio

Mas o celibato é uma perspectiva importante em pensar a fé e, portanto, a compreensão que foi se acumulando nos séculos de celibato levou a considerá-lo uma questão de amor. Enquanto nos séculos passados tratava-se de esclarecer a relação entre os eclesiásticos com as mulheres, após o Concílio Vaticano II tornou-se insistente, até mesmo no magistério da Igreja, enfrentar o problema do celibato como um problema de amor, ao invés de sexualidade. De fato, o amor representa a capacidade e a disponibilidade da pessoa de doar-se totalmente, enquanto a sexualidade pode ser vivida mesmo em uma condição de grande egoísmo que reduz as outras pessoas a instrumentos do próprio prazer. A obra de Romeo é valiosa pela simplicidade e clareza e coloca em foco essa grande verdade, levando, sem intenções apologéticas tendenciosas, a concluir que resolver a questão do celibato obrigatório não é uma concessão para a mundanidade, mas a demanda por uma responsabilidade e coerência mais radical com as escolhas da vocação de cada um. As citações do livro sobre o ensinamento dos papas do pós-concílio não por acaso colocam em paralelo a vida matrimonial e a vida missionária dos sacerdotes: nem uma nem a outra têm uma solução humana e não trazem felicidade para a pessoa se não forem vividas por amor. Para ambas as escolhas é preciso estar preparados, não é possível improvisar.

Por que impor uma regra nunca escrita na Bíblia

O sacerdócio, em particular, não tem o celibato como um elemento constitutivo, no sentido de que o ministério também pode ser exercido por padres casados. Não há uma ordem divina para ser padres celibatários, mas existe uma disposição vinculante da Igreja, plenamente legítima e racional pela qual aos padres se pede a fidelidade ao celibato, que garante alta qualidade no desempenho da missão. Por esse motivo, o celibato será frutífero e um real distintivo somente se livremente escolhido e não imposto como lei obrigatória para aqueles que queiram responder à sua vocação ao sacerdócio. Qualquer um que queira atualmente se tornar padre sabe que terá que respeitar o celibato. Mas se uma vez padre as circunstâncias da vida o levassem a quebrar esse compromisso, todos os padres sabem que a penalidade é a renúncia obrigatória ao ministério. Portanto, se pensa sobre a possibilidade de tornar a escolha do celibato opcional, prevendo padres celibatários e padres casados com um regulamento prático ainda totalmente a ser elaborado.

O que o papa pensava antes de se tornar sacerdote

E o que Francisco tem a ver com tudo isso? O livro de Romeo esclarece bastante o que Francisco pensava antes de se tornar padre, antes de se tornar bispo, antes de se tornar papa e, consequentemente, o que pensa agora que é papa. “No verão de 2015, o pastor pentecostal argentino Norberto Saracco, amigo de velha data de Bergoglio – como pode ser lido, entre outros exemplos, na página 63 – relata ao “National Geographic” uma longa conversa confidencial que teve com Francisco em Santa Marta dois meses após a sua eleição. Naquela ocasião, o papa teria dito que entre as mudanças que mais lhe interessavam introduzir havia a abolição do vínculo do celibato para os padres”.

Devemos acreditar? Talvez sim, talvez não, mas certamente está de acordo com a coerência com que Francisco está pedindo a cada cristão que viva o próprio livre testemunho do evangelho. Sua revolução e sua reforma da Igreja baseiam-se na conversão espiritual, a única que pode garantir o sucesso da reforma das estruturas e das leis. Só aparentemente a abolição da obrigação do celibato para os padres e a introdução de livre escolha da opção celibatária ou como casados pode ser considerada menos exigente. Na realidade, operar em liberdade é a forma mais exigente possível de assumir para si a responsabilidade e coerência na vida.

Fonte: Instituto Humanitas Unisinos – IHU

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O celibato na Igreja Católica e os abusos sexuais

As crises na vida sacerdotal não surgem por razões de fé, mas por razões afetivas…. pode levar um padre a abusar, porque não consegue conciliar a vida celibatária com as necessidades que brotam.

O padre jesuíta alemão Hans Zollner

“Uma vida celibatária não sadia pode levar aos abusos”. Entrevista com Hans Zollner

Acrise dos abusos sexuaiscriou uma verdadeira tempestade noVaticano. Se há alguém especialista neste campo é o padre jesuíta alemãoHans Zollner, psicólogo e teólogo, professor naUniversidade Gregorianae membro daPontifícia Comissão para a Proteção dos Menores, instituída peloPapa Franciscoem 2014. Agora, liderou o projeto que resultou na criação do primeiro mestrado para prevenir este flagelo.

A entrevista é deAnna Buj, publicada porLa Vanguardia, 15-10-2018. A tradução é deAndré Langer.

Eis a entrevista.

Que erros a Igreja cometeu com os abusos sexuais?

Os erros e crimes que se encontram há setenta anos em todo o mundo são os mesmos: não acreditar nas vítimas, não ouvi-las,proteger os abusadorespor uma dificuldade de acreditar que um sacerdote possa ter cometido esses crimes e transferi-los de paróquia com suas promessas de não repeti-los.

NaEuropa, algumas famílias das vítimas pediam ao bispo para que não o tornasse público, porque as envergonhava. A culpa era considerada da vítima e não do sacerdote. O papel do poder era mais importante, e aIgrejapreferia proteger sua fama do que seguir os ditames do direito canônico. Houve pouca seriedade na seleção dos sacerdotes.

Você disse que os seminários precisam deixar de ser centros fechados à sociedade.

As diretrizes daIgrejachamam os responsáveis para dar uma formação humana, emocional e sexual. Em muitos seminários, esta não é a realidade. Durante muito tempo pensava-se que o simples fato de estar no seminário e rezar resolvia o problema. Não é assim. Os bispos sabem disso muito bem. As crises navida sacerdotalnão surgem por razões de fé, mas por razões afetivas.

O que você recomenda?

Escolher pessoas que sejam capazes. Para um professor de teologia, os responsáveis investem entre cinco e sete anos; para um formador, nem cinco semanas. Há uma grande desproporção entre a importância da formação intelectual e afetiva.

No final dos anos de seminário não há acompanhamento. Há algum choque?

Exatamente. Muitos sacerdotes deixam o sacerdócio nos primeiros cinco anos. O trabalho de um padre hoje não é o mesmo de cinquenta anos atrás, mas o modelo de formação continua o mesmo. Os sacerdotes que querem ser pastores de almas muitas vezes são administradores de bens ou de instituições e não estão preparados. Eles estudamteologiae acabam sendo gestores de escolas. Aordenação sacerdotalnão dá essas capacidades.

Acabar com o celibato resolveria o problema dos abusos sexuais?

Todos os relatórios oficiais científicos e encomendados por governos como dosEstados Unidos,AustráliaouAlemanha, críticos com aIgreja, negam que ocelibatopor si só leve aosabusos. O que eles dizem, e isso também eu digo, é que umavida celibatáriaque não é ajudada por uma formação humana sólida e que não vem acompanhada por um estilo de vida integrado, saudável, de trabalho em equipe… pode levar um padre a abusar, porque não consegue conciliar avida celibatáriacom as necessidades que brotam.

Ele não encontra satisfação suficiente, nem espiritual, nem humana, nem profissional, em seu trabalho. Muitos abusaram de crianças e adolescentes porque imaginavam um sentido de importância. Oabuso sexualé, sobretudo, umabuso de poderde alguém que não tem a força física, nem mental para resistir. Ocelibatonão é a causa, mas umavida celibatáriadoentia pode ser um fator de risco.

5% dos sacerdotes do mundo são abusadores.

Entre 1945 e 2010 a média está entre 3,5 e 6%, mais alta entre diocesanos que entre religiosos. Mas desde 2002, nosEstadosUnidos, e desde 2010, naAlemanhaou naÁustria, as novas acusações são em menor número. Onde há escândalo público, medidas sérias de formação e diretrizes, já não existem maisabusos.

Uma parte ultraconservadora da Igreja culpa a suposta homossexualidade de alguns sacerdotes como causa dos abusos. Isso tem algum fundamento?

Os relatórios dizem que ahomossexualidadenão leva aosabusos, mas também dizem que em uma porcentagem entre 70% e 80% dos casos não se trata de crianças, mas de meninos adolescentes. Isto é significativo. Falamos de uma época, entre 1940 e 1970, em que não havia escolas mistas, ou seja, o sacerdote tinha uma relação mais normal com os meninos.

E também devemos observar que alguns provavelmente entraram para o seminário nesses anos, porque descobriram que eramhomossexuais, mas acreditavam que poderiam conviver melhor em umavida celibatária, pensando em uma solução mágica, que com aordenaçãoasexualidadedesapareceria. Isso se agrava com os fatores que eu mencionei acima. Quando se está estressado, frustrado, sozinho, essas dinâmicas aparecem.

Por quanto tempo a Igreja terá que lidar com essa crise?

Eu sempre disse que interessará durante uma geração. Onde há a atenção da mídia, as denúncias diminuem com o tempo, mas em países em que não se falou sobre isso agora, existe a sensibilidade e a disposição para denunciar. De agora em diante, haverá muito a fazer, também naEspanha, para não repetir erros e fazer justiça às vítimas. É uma infecção que está em todo o corpo, não apenas naAmérica do Norteou naEuropa Central. Devemos abri-la e erradicá-la, mesmo que isso signifique perder dinheiro, fama, nossa imagem ou poder.

Fonte: Instituto Humanitas Unisinos – IHU

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El actor Willy Toledo tras declarar ante el juzgado de instrucción número 11 de Madrid. EFE/Santi Donaire

El juez procesa a Willy Toledo por cagarse en Dios y en la Virgen María

El juez le acusa de un delito contra los sentimientos religiosos. El abogado del actor asegura que este procesamiento "implica clara y rotundamente que en este país se está criminalizando la libertad de expresión, y lo que es más grave, la libertad de pensamiento"

Un juez ha procesadoal actor Willy Toledopor cagarse en Dios y a la Virgen María en unos comentarios escritos en Facebook, en los que criticaba la apertura de juicio oral contra tres mujeres por la procesión de una gran vagina en Sevilla.

En un auto de transformación de diligencias previas en procedimiento abreviado, el titular del Juzgado de Instrucción número 11 de Madrid procesa al actor porun delito contra los sentimientos religiosos. El origen de este procedimiento está en una denuncia que la Asociación Española de Abogados Cristianos interpuso ante la Fiscalía de Madrid por unos comentarios difundidos por Willy Toledo a través de Facebook en julio de 2017, que a juicio de esta organización vejaban los sentimientos religiosos.

El procesamiento del actor era algo ya esperado, sobre todo después de que el pasado día 12 de septiembre fuera detenido —y obligado a pasar la noche en el calabozo— por no acudir a declarar tras la denuncia interpuesta por la Asociación Española de Abogados Cristianos.

Una vez ante el juez, Willy Toledo se negó a declarar. Sólo respondió a una única pregunta de su abogado, en la que se ratificó en un escrito que presentó hace unos meses donde insiste en que no ha cometido “ningún delito”al estar amparado por su libertad de expresión y, por tanto, no consideró “necesario” presentarse ante “ningún juez ni fiscal”.

A última hora de la noche del martes, el actor ha escrito en su perfil de Facebook un mensaje en el que ya intuía que iba a ser procesado: “Acabamos de recibir la resolución del juez tras tomarme declaración el pasado día 13 de septiembre.
El señor magistrado considera que, una vez revisadas por la policía cientos de mis publicaciones en mi muro de Facebook, existen dos expresiones extraídas de ellas que podrían ser constitutivas de un delito contra los sentimientos religiosos pues “contienen frases potencialmente ofensivas para la religión católicay sus practicantes”. Estas son las frases: ‘Yo me cago en dios y me sobra mierda para cagarme en el dogma de la santidad y la virginidad de la Vírgen María’ y ‘Me cago en la Vírgen del Pilar y me cago enlo que se menea’. Como lo leen”.

Endika Zulueta, el abogado de Toledo, ha explicado a través del mismo comunicado que “el juez fundamenta su resolución en que los mensajes contienen frases potencialmente ofensivas para la religión católica y sus practicantes y, por ello, indiciariamente subsumibles en el delito del artículo 525 del código penal”.

Zulueta ha criticado esta resolución del juez, al que acusa de “olvidar que el código penal de un Estado aconfesional no está para proteger religión alguna, lo que sí sucedía en el código penal de la dictadura militar franquista”.

En su escrito, Zulueta afirma que esas expresiones “se enmarcan en un contexto de sana critica política con un evidente sentido satírico”. Y ha añadido que el hecho de que pueda abrirse juicio contra el actor, “implica clara y rotundamente que en este país se está criminalizando la libertad de expresión, y lo que es más grave, la libertad de pensamiento”.

Dos mensajes

En el auto de procesamiento, fechado el pasado día 21 de septiembre, el juez considera que “al menos los mensajes publicados el 5 de julio de 2017 pudieran no estar amparados por el citado derecho fundamental y, por ello, no cabe aquí excluir la posibilidad de que integren el citado delito contra los sentimientos religiosos”.

En dichos comentarios el actor tildó de “energúmena” a una jueza de Sevilla que decidió abrir juicio oral a tres mujeres acusadas de un presunto delito contra los sentimientos religiosos, por llevar a cabo una procesión con una gran vagina, que llamaron”la procesión del coño insumiso”.

Y después escribió: “Yo me cago en Dios y me sobra mierda para cagarme en el dogma de la santidad y virginidad de la Virgen María. Este país es una vergüenza insoportable. Me puede el asco. Iros a la mierda. Viva el coño insumiso”.

El magistrado señala que “existen motivos suficientes” para procesarle porque estos mensajes “contienen frases potencialmente ofensivas para la religión católica y sus practicantes”.

Sin embargo, el juez no considera que puedan ser constitutivos de delito otros dos mensajes que Willy Toledo publicó en Facebook el 14 de abril y el 6 de julio de 2017 y que la Policía incluyó en sus diligencias.

Estos comentarios contienen, según el magistrado, “sendas críticas frente a determinadas manifestaciones religiosas” (las procesiones de Semana Santa, en el caso del primer mensaje, y los dogmas de la inmaculada concepción y la perpetua virginidad en el segundo).

“Las manifestaciones de ambos mensajes podrán considerarse duras, acerbas, ásperas o groseras, pero al realizarse en el contexto de una crítica a una confesión religiosa, deben considerarse amparadas por su libertad de expresión”, señala el juez.

Un contexto que, en cambio, opina el juez, no está presente en los mensajes del 5 de julio que contienen, sin más, “frases potencialmente ofensivas desprovistas de todo sentido crítico, por cuanto no se encuadran en comentario alguno relativo a la religión citada”.

Con esta decisión, el juez da traslado de la causa al Ministerio Fiscal y a las acusaciones personadas para que, enel plazo de diez días soliciten la apertura de juicio oral formulando escrito de acusación o pidiendo el sobreseimiento de la causa.

Fonte: Público
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O que as crianças devem saber sobre sexo antes que seja tarde

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La "plática sobre el sexo" debería ser una conversación continua, y definitivamente no tiene por qué ser incómoda.

Claro, los educadores sexuales son buenos para descifrar datos complicados y potencialmente incómodos sobre el sexo en las lecciones que los niños en edad escolar pueden entender, pero no pueden ser responsables de todo.

Incluso si tus hijos tienen la suerte de estar en una escuela que ofrece un programa relativamente completo (porque algunos se enfocan únicamente en lecciones de abstinencia o no ofrecen educación sexual), tú también eres responsable de educarlos.

“Cuando tienes conversaciones sobre sexualidad cuando los niños son pequeños, digamos 5, antes de que estén expuestos al sexo en Internet o en la cultura popular, se normaliza el tema. Si te preocupa que las conversaciones sean incómodas, tienes una ventaja si comienzas pronto; los niños más pequeños son mucho más tolerantes con los adultos que buscan tratar algunos temas que los preadolescentes, y hablar con los niños cuando son pequeños es un buen entrenamiento para conversaciones continuas”, comentó Cindy Pierce, educadora sexual.

2. Nadie tiene derecho sobre tu cuerpo, incluso si es solo un abrazo

“Consentimiento, consentimiento, consentimiento. No puedo decir esto lo suficiente. Tenemos que enseñar a los niños que están a cargo y que son responsables de sus cuerpos y que tienen que respetar el de los demás. Ahora bien, eso no significa que les pidamos permiso antes de cambiarles los pañales o llevarlos al médico, pero podemos mostrarles el respeto por lo que estamos haciendo o enseñarles por qué es importante asegurarse de que su cuerpo esté limpio y saludable” comentó Lydya Bowers, una consultora sexual para la primera infancia con sede en Ohio.

“Más tarde, significa dejar que un niño decida si quiere o no que lo abracen, le hagan cosquillas o incluso le den una palmada. También significa ayudar a los niños a procesar cuando otra persona les dice que no la abracen, y asumir la responsabilidad de sus sentimientos al respecto. Nadie tiene derecho sobre nuestro cuerpo … ¡y no tenemos derecho sobre el de otra persona!”, agregó la especialista.

3. Enseñarles los nombres correctos para cada parte del cuerpo

“Diría que lo más importante es que los niños pequeños sepan los nombres correctos de sus genitales y otras partes del cuerpo. Esto es importante porque normaliza los genitales y no contribuye al tabú o al estigma en la forma en que lo hace el uso del lenguaje eufemístico. También es importante porque es muy difícil para los niños que no tienen el lenguaje correcto denunciar el abuso sexual si les sucede, por lo que el lenguaje también es una herramienta importante de seguridad”, comentó Louise Bourchier, educadora sexual en Nueva Zelanda y Australia.

4. No uses pornografía como modelo para el sexo real

“La verdad es que el porno es el educador de la sexualidad más común para los niños pequeños, y es muy fácil de acceder. Si deseas que tus hijos tengan información precisa sobre sexo saludable, es importante entablar una conversación sobre pornografía alrededor de los 9 años de edad. Es muy común que la primera exposición de los niños a la sexualidad sea por medio de un amigo presentándolos a la pornografía o que lo encuentren por su cuenta, intencionalmente o por error.

La industria de la pornografía efectivamente atrae a los niños curiosos que saben cómo deletrear y usar un buscador en Internet. El gran problema es que la pornografía de fácil acceso a menudo desvía las expectativas de cómo se ven y responden los cuerpos. Si descubres que tu hijo ha visto pornografía, no reacciones de forma exagerada.

Reconoce que la curiosidad es normal, pero diles que la pornografía no es sexo real y está destinado a los adultos. Si no tomamos en serio nuestro papel como el principal educador de la sexualidad, Internet llenará los vacíos”, agregó Pierce.

5. Hay más en el sexo que solo el acto físico

La identidad y expresión de género, orientación sexual, actividad sexual, imagen corporal y autoestima, comunicación y límites, amistades y relaciones sanas, violencia y acoso sexual, anatomía e higiene, anticoncepción, autonomía corporal , embarazo, placer, son algunos de los temas que debes abordar según Wazina Zondon, educadora sexual.

“Empieza la conversación siempre que puedas, nunca es demasiado tarde. Y no siempre tiene que ser sobre lo ‘pesado’: puede ser en respuesta a algo que vieron en la televisión, una boda en la familia, opiniones sobre lo que una celebridad llevaba puesto, un tema en las noticias”, agregó Wazina Zondon, educadora sexual y la creadora de “Coming Out Muslim: Radical Acts of Love”.

6. Está bien tener preguntas sobre sexo

“Contrariamente a la opinión popular, los adolescentes realmente quieren hablar con los padres sobre estas cosas. Y los estudios han demostrado que cuando lo hacen, es menos probable que participen en conductas sexuales riesgosas. Continúa respondiendo sus preguntas a medida que crecen, incluso si no estás seguro y la respuesta es: ‘No estoy seguro … ¿por qué no investigamos?’

A pesar de la educación sexual, a veces nos topamos con información errónea de amigos, medios o educadores (el mío me dijo que las almohadillas y los tampones no son necesarios por la noche porque la menstruación es solo una cuestión de gravedad, seriamente). Como padre y cuidador, asegúrate de que sea un espacio seguro y sin vergüenza para los niños, comentó Bowers.

“Estas conversaciones pueden dar miedo, pero es importante que respiremos profundamente. Cuando un niño hace una pregunta y te agarra desprevenido, siempre es útil preguntarles a ellos ‘¿Qué opinas al respecto?’. Esto te permite saber, para empezar, cuál es su base de conocimientos, y te da un momento para calmar el pánico y pensar la respuesta”, añadió

7. Algo puede ser desagradable o extraño para ti, pero no para todos

“En el aula, uno de los comentarios más comunes que escucho de cualquier grupo de edad, independientemente del tema (desde la imagen corporal hasta la higiene y la anticoncepción y todo lo demás), es ‘¡Ewww, eso es asqueroso!’ Mi respuesta es simple: ‘no taches de asqueroso algo que le gusta a otra persona'”, nos dijo Zondon.

“Esto puede sonar aparentemente incompleto, pero ayuda a los estudiantes a entender cómo otros viven su vida y lo que eligen puede no ser adecuado para todos, pero es su decisión: relaciones sexuales antes del matrimonio, parejas del mismo sexo, eliminación (o no eliminación) el vello corporal, la expresión de género de uno: entiendes la idea”.

Puede que no sea tu gusto, pero está bien si a alguien le gusta. Este mensaje ayuda a los jóvenes a comenzar a comprender cuáles son sus límites. Y si están en una posición que no les resulta cómoda, sabrán que no tienen que participar en ella, ni les corresponde impedir la expresión sexual de otra persona” dijo Zondon.

 

É possível prevenir o abuso sexual em escolas católicas?

Se você tem filhos em escola católica deveria considerar estas recomendações para que não sofram abusos sexuais enquanto estudam.

Guía para un apoderado de colegio católico en la admisión 2019

De acuerdo a las palabras del Papa Francisco, la Iglesia Católica Chilena sufre de una “cultura del abuso”, manifestada en actuaciones y omisiones de sus más altas autoridades frente a las denuncias de agresiones sexuales en contra de menores de edad, y ahora último respecto de religiosas. O sea, se trata de una cultura abusiva que no distingue el ámbito en que se ejerce el ministerio de los sacerdotes y religiosos agresores.

Uno de los contextos más sensibles de desempeño de sacerdotes y religiosos, sino el más, es el de las comunidades escolares de los colegios católicos, que atienden entre un 15 a 20 por ciento del total de la matrícula escolar del país, esto es, casi un millón de alumnas y alumnos menores de edad.

Si usted pertenece como apoderado a este grupo, si le ha confiado la enseñanza de sus hijos a sacerdotes y religiosos, no obstante la advertencia pública efectuada por el Papa respecto de la cultura del abuso en la Iglesia Chilena, debiera considerar las siguientes recomendaciones para prevenir que sus hijos sufran de abusos sexuales mientras estudian.

Si el sacerdote o religioso ocupa un cargo directivo dentro del colegio, sea o no docente – la mayoría no lo es -, el riesgo es evidente pues en una misma persona confluyen la autoridad escolar y la religiosa dentro de una comunidad educativa y pastoral, que por lo general no tiene contrapeso al interior de un colegio. En el caso que estemos en presencia de un pederasta, este agresor buscará posicionarse en todas aquellas actividades escolares y religiosas que le procuren cercanía y confianza entre los menores, hasta encontrar víctimas que exhiban algún grado de descuido o abandono de parte de sus padres o tutores.

La preparación para el sacramento de la primera comunión o de la confirmación constituyen una inmejorable oportunidad para encuentros privados entre eventuales agresores y sus víctimas. Lo mismo puede decirse respecto de otras actividades en que el sacerdote o religioso pudiere erigirse como responsable del cuidado de los menores, como es el caso de comunidades pastorales y de ayuda social, que demandan traslados y visitas a poblaciones, hogares de ancianos, procesiones hasta santuarios, etc. Un aspecto clave es la extensión del tiempo en que los menores se encontrarán a disposición de su posible agresor.

Los contextos descritos son los más difíciles de controlar porque tanto el agresor eventual como la víctima no se mantienen en un lugar fijo, que pudiere estar vigilado con sistemas de cámaras, por ejemplo; el potencial agresor se desplaza junto con la víctima buscando el espacio ciego en que pueda acometer y concretar el delito. La labor preventiva de los padres demanda una comunicación permanente con sus hijos respecto de todos los detalles acaecidos en alguna de las actividades descritas, verificando si el sacerdote o religioso incurrió en conductas abusivas o precursoras de daños a la intimidad sexual; si se trató de aislar al menor respecto del grupo en que participa.

En el contexto de aula, si el potencial agresor es un sacerdote o religioso que se vale de la docencia para aproximarse a los menores de edad, sería conveniente que los padres puedan acceder on line a través de sus smartphones a todo lo que sucede al interior de la sala de clases, todo el tiempo, en especial cuando los niños la van desocupando y quede la instancia de un encuentro privado entre abusador y posible abusado. La colocación de cámaras de vigilancia al interior de salas de clases es un tema conflictivo en general, pues los docentes estiman que se vulnera su libertad de cátedra. Para mí, esta libertad debe ceder en favor de un bien superior que es la protección y cuidado en todo momento de los menores.

Ahora bien, sea cual sea el contexto, la afectividad natural que buscan con mayor o menor frecuencia los menores respecto de sus cuidadores ocasionales, genera la oportunidad para que un sacerdote o religioso efectúe caricias impropias a la víctima. A estas alturas ya es claro que no cabe ninguna posibilidad de abrazos de los menores con sus cuidadores mayores de edad al interior del colegio, en especial tratándose de los más pequeños de estatura, que con el abrazo quedan expuestos al roce de sus cuerpos con los genitales del agresor. No puede existir contacto físico, y un aspecto que puede dar cuenta de una relación sana sería la actitud del sacerdote o religioso de guardar debida distancia hacia el menor y expresar que la afectividad es posible comunicarla y recibirla sin necesidad de aproximar los cuerpos.

Las actividades deportivas también sirven de contexto para los agresores. Si un sacerdote o religioso se encuentra a cargo de una academia, esto puede servir de indicio de que un pederasta está buscando la instancia que le brinde acercamiento al menor. Qué decir si intenta compartir duchas y camarines con los menores, antes, durante o después de la actividad, como si fuera uno más del grupo de alumnos.

Posiblemente estas sugerencias puedan servir como alertas mínimas preventivas, considerando que buena parte del día nuestros hijos se encuentran bajo el cuidado de una entidad, de un grupo de personas que trabajan en un colegio, pero no bajo la responsabilidad directa de una persona determinada. Eso también podría exigirse en el contrato de prestación de servicios educacionales: que se señale con precisión al profesor o a los profesores que se hacen responsables en todo momento del cuidado de nuestros hijos mientras están en el colegio.

En fin, dado el desdoroso momento que experimenta la Iglesia Chilena, los evidentes encubrimientos de tantas agresiones que se han ido comprobando en todo el país, pareciera razonable la salida de sacerdotes y religiosos de los colegios y que la labor educativa y de acompañamiento pastoral quede entregada exclusivamente a los profesores y demás profesionales preparados para relacionarse cotidianamente con menores de edad. Esto es, separar lo educacional de lo pastoral, y que lo segundo se desarrolle siempre en presencia de los padres.

Fonte: El Mostrador
Por: Ricardo Retamal Ortiz
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“Prolongar a vida em UTIs é uma praga moderna”

“A maior dificuldade que existe hoje é tratar a morte como uma questão pessoal, considerar o próprio fim”. “As diversas incertezas que rondam a finitude fazem do último suspiro um dos grandes tabus sociais”.

MJK

Maria Julia Kováca – foto: Carine Wallauer/UOL

‘Prolongar a vida em UTIs é uma praga moderna’, diz especialista em morte

Há quem tenha medo da morte e prefira não falar sobre ela. Algumas culturas costumam celebrá-la. Há quem queira ter controle sobre o fim da vida, já outros preferem que seja natural — sem dor, preferencialmente. Fato é que as diversas incertezas que rondam a finitude fazem do último suspiro um dos grandes tabus sociais. E foi exatamente sobre esse assunto que a psicóloga Maria Julia Kovács, 65, decidiu se dedicar profissionalmente.

Professora do Instituto de Psicologia da USP e coordenadora do Laboratório de Estudos sobre a Morte (LEM), ela começou a estudar o tema nos anos 1980. O interesse surgiu de uma questão pessoal, a doença de uma tia. “Ela estava muito mal e queria falar sobre a morte. Eu me recusava, reproduzindo o jeito de ser da nossa sociedade atual. E foi aí que ouvi dela: ‘Que tipo de psicóloga você vai ser que não fala sobre o assunto?’”, contou em entrevista à Daniela Carasco, da UOL. “Comecei lendo alguns livros, até me especializar em 1982, no mestrado.”

Em 1986, ela criou na Universidade de São Paulo a disciplina “psicologia da morte” a fim de aproximar os alunos de uma questão tão implacável. “A maior dificuldade que existe hoje é tratar a morte como uma questão pessoal, considerar o próprio fim”, conta.

A “interdição” do tema, segundo Maria Julia, veio com o avanço da medicina. “Do ponto de vista médico, a morte é vista como um fracasso profissional, daquele que não conseguiu evitá-la”, diz. Como consequência, surgiu a “distanásia”, o prolongamento do processo de morte por meio de tratamentos cada vez mais modernos. Algo questionável na visão da especialista, que, como muitos, também tem medo do próprio óbito.

Aqui, ela fala abertamente sobre as mais variadas especulações e certezas que envolvem o processo de falecimento, como eutanásia, luto, cuidados paliativos, sofrimento, prorrogação artificial, suicídio e diferenças culturais.

A maneira como a morte passou a ser tratada mudou com o tempo?
Drª Maria Julia Kováca: – A grande mudança se processou na passagem do século 19 para o 20, com o desenvolvimento da medicina, principalmente na sua busca de cura e de tratamentos cada vez mais sofisticados. Do ponto de vista médico, a morte passou a ser vista como fracasso profissional. Então, houve a interdição do tema, isolamento de pessoas que estão morrendo em salas e corredores distantes nos hospitais, além da exploração de técnicas que pudessem postergá-la a todo custo. Assim se criou a “distanásia”, um processo muito sério de medicalização e prolongamento do processo de morte, que pode vir acompanhado de muito sofrimento.

Qual o lado bom e o ruim de prolongar a vida com os novos tratamentos?
Há benefícios, como permitir que pessoas com o diagnóstico de doenças sem cura vivam por muito tempo e com menos efeitos colaterais. A maior desvantagem é que muita gente não está conseguindo morrer naturalmente. Os maiores prejudicados nesse ponto são os idosos, com doenças crônicas e degenerativas. Eles são submetidos a uma série de intervenções inúteis, porque não se concebe a ideia de que possam morrer. Isso acaba ampliando o sofrimento do doente e de seus familiares, que os vê em situações muito graves, quase mortas, entubadas, sem a possibilidade de se comunicar. Prolongar a vida em UTIs é uma praga moderna.

Você é favorável à eutanásia?
Eutanásia quer dizer “boa morte”. O que aconteceu é que, nos últimos tempos, ela passou a ser associada ao apressamento do fim, possivelmente uma reação ao prolongamento. Sou a favor da sua legalização como possibilidade de atender ao desejo de uma pessoa que não quer mais viver. O direito de morrer e de planejar o final da vida é importante. Não apressá-la, mas deixar acontecer naturalmente sem muita intervenção, só cuidando para que a pessoa não sofra com dores ou outros sintomas. Daí a importância dos cuidados paliativos.

O que são os cuidados paliativos?
São cuidados de alívio e controle de sintomas de uma doença que não tem cura para garantir qualidade de vida ao paciente. Não é uma preparação para a morte, mas a dor, dificuldade respiratória, problema gástrico, ansiedade e outros problemas que ela possa ter. Eles são muito aplicados nas áreas de oncologia. Nas de doença mental precisam ser melhor trabalhados.

Optaria pela eutanásia para si?
Não, porque ela envolve uma terceira pessoa que executa o procedimento, alguém que lhe dá a medicação para morrer. E isso é complicado. Nos países em que é legalizada, ela é realizada por médicos. Para mim, seria a última possibilidade, mas quem deseja deveria ter esse direito de escolha. Se meu sofrimento for muito grande, aceitarei a sedação paliativa para aliviá-lo, diminuindo a consciência. Acho interessante a ideia do suicídio assistido.

O que é o suicídio assistido?
É quando o próprio doente executa o ato final. Ele é regulamentado em vários Estados dos Estados Unidos, onde a liberdade individual é muito prezada. Existem duas formas clássicas de realizá-lo. Um dos processos é feito com três seringas instaladas no paciente. A primeira é o acesso; a segunda, o relaxante; e a terceira, a substância que provoca a morte. Ele é quem vai acionar a última quando achar que deve. A outra forma é quando o médico entrega à pessoa a receita de uma medicação fatal e ela toma quando quiser. Isso ajuda muitas a repensarem a decisão. Essa é frequente na Suíça, onde existe uma clínica especializada em “morte com dignidade”, como preferem chamar.

Em Goiás, uma mãe entrou na Justiça para obrigar o filho a se submeter a sessões de hemodiálise. O menino de 22 anos sofre de uma doença crônica e decidiu abrir mão do tratamento. Ela pergunta se “é egoísmo uma mãe querer que o filho não desista de viver”. O que a senhora responderia a ela? Então, a morte é uma escolha pessoal?
Essa é uma grande discussão atual. Em muitas religiões, a vida e a morte pertencem somente a Deus ou a uma divindade. Portanto, não é uma escolha pessoal. Algumas até possibilitam uma conversa com o sacerdote neste sentido para um certo conforto espiritual. A Igreja Católica, por exemplo, defende que seja um processo natural, sem apressamento, nem prolongamento indefinido. O judaísmo se coloca da mesma maneira. Por outro lado, quando se tira o viés religioso, muita gente considera que a escolha do modo de morrer é própria.

Do ponto de vista dele, é absolutamente compreensível seu desejo. Mas a mãe também está certa por querer o filho vivo. Alguns dilemas nunca serão resolvidos, esse é um deles. A minha tendência seria apoiar o rapaz, porque quem está vivendo essa vida de sofrimento é ele. O que eu faria com ela seria legitimar seu sentimento e oferecer acolhimento. É um egoísmo natural de mãe. Seria até muito estranho se ela não lutasse pela vida do filho.

Culturalmente existem diferenças na interpretação da morte?
Podemos dizer que, de maneira geral, a cultura ocidental e a oriental lidam diferente. A primeira tem mais dificuldade de lidar com a finitude, a segunda enxerga mais como um ritual de passagem. Mas não existe um padrão. O México é um bom exemplo. Ele está no Ocidente, mas celebra a morte como possibilidade de evolução. Já uma metrópole como São Paulo, onde o trânsito e a rotina atribulada interferem até numa ida a um enterro, esse processo é perturbador.

“As pessoas não têm tempo de se enlutar na capital paulista. No trabalho, só podem ficar, no máximo, três dias afastadas após a perda de um familiar.

Quanto tempo dura o luto?
O luto é um processo de elaboração de uma perda significativa e não acaba nunca. Ele vai evoluindo, com dias melhores e outros piores. É como as ondas do mar, que vêm e vão. O mais importante é permitir ao enlutado expressar seus sentimentos da melhor forma para ele, seja de maneira intensa ou recolhida. Quando a gente ama profundamente uma pessoa, estão misturados aí medo, raiva, insegurança. Na hora que ocorre a perda, esses sintomas todos emergem e precisam ser legitimados. O problema é que nossa sociedade não tolera o sofrimento por muito tempo, nem muito intensamente. E isso perturba profundamente o processo. O capitalismo e a medicalização nos exige resolver os problemas emocionais rapidamente. Essa é uma característica dos tempos atuais.

O luto é uma doença?
Não. Segundo o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais – DSM-5, depois de duas semanas, se as expressões emocionais continuarem muito fortes, pode ser dado o diagnóstico de depressão. Essa, sim, é uma doença.

Por que essa obsessão pela eternidade?
Porque a gente sempre imagina as coisas boas de se viver para sempre, mas as coisas ruins também podem perdurar. À medida que você envelhece, vai perdendo a potência, a força… Pense que isso deve permanecer com a o prolongamento da vida. Aí não fica mais gostoso, nem atrativo.

É possível sentir a morte chegando?
Sim. Normalmente, a gente consegue sentir isso quando está doente e a doença agrava. Muitas pessoas têm essa percepção e é terrível quando o mundo em volta diz que está tudo bem, que ela vai sair dessa. Ela viveu com esse corpo a vida inteira, sente que está terminando.

Dentre todas as mortes, qual é a mais tabu?
O suicídio, porque é um tipo de morte muito complexo, difícil de elaborar. A gente sabe que para tudo na vida existem inúmeras possibilidades. Então, entender que ele foi escolhido em detrimento de tantas outras é muito complicado. Por isso, é muito importante falar sobre o assunto. A única certeza que temos é que ignorá-lo não resolve. Pelo contrário, pode aumentar as chances diante da falta de compreensão.

Existe morte digna?
Sim e é essa que devemos batalhar para ter. É aquela que possa acontecer da maneira como a pessoa gostaria que fosse, com os valores que são importantes para ela. Se ela quiser, com as pessoas que são importantes na vida dela, sem dor e sem sofrimento possíveis de serem controlados.

Você teme perder pessoas queridas?
Sim. O fato de estudar a morte, ministrar disciplinas e atender em psicoterapia pessoas enlutadas não me protege da dor da perda. É uma ilusão pensar que estamos protegidos e vamos saber como lidar.

“Nada nos blinda do sofrimento. Como profissionais temos a tarefa de cuidar, mas temos que ter o espaço de elaboração e também de ser cuidado se necessário.

É normal ter medo da morte?
Eu diria que o medo da morte faz parte do existir humano para o bem e para o mal. Ele nos permite lutar pela sobrevivência, evitar perigos, se cuidar. Por outro lado, pode ser danoso no momento em que faz a gente deixar de existir — não vai viajar porque pode ter atentado, não vai trabalhar para não ser castigada pelo chefe, não se relaciona para não perder a pessoa amada. Você se superprotege e não vive. Alguns riscos para a vida são necessários, seja no amor ou no trabalho.

Por que as pessoas sentem isso?
Pessoas podem ter medo de morrer, medo de perder pessoas, medo da finitude, medo do desconhecido, medo do que vem após a morte… É multidimensional.

E você tem medo dela?
Sim. Tenho medo principalmente da morte com sofrimento e dor. Vamos dizer que ainda pretendo continuar vivendo, não gostaria de morrer agora. Se tivesse que acontecer neste momento, por alguma circunstância, não gostaria de passar pelo prolongamento do processo de morrer.

Fonte: Revista Prosa Verso e Arte
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The Followers of Christ Church sign hangs in front of their church Wednesday, Sept. 14, 2011, in Oregon City, Ore. Dale and Shannon Hickman are charged with second-degree manslaughter. They are fourth couple prosecuted in the past two years by the Clackamas County District Attorney's Office for failing to seek adequate medical care for a child. The Hickmans are members of the Followers of Christ, an Oregon City faith-healing church. (AP Photo/Rick Bowmer)
The Followers of Christ Church sign hangs in front of their church Wednesday, Sept. 14, 2011, in Oregon City, Ore. Dale and Shannon Hickman are charged with second-degree manslaughter. They are fourth couple prosecuted in the past two years by the Clackamas County District Attorney’s Office for failing to seek adequate medical care for a child. The Hickmans are members of the Followers of Christ, an Oregon City faith-healing church. (AP Photo/Rick Bowmer)

          La Iglesia que prohíbe acudir al médico

Gennifer es el nombre de una bebé que murió en 2017 porque sus padres se negaron a llevarla al médico. Sus padres, Sarah Mitchell de 25 años y su esposo Travis Mitchell de 22, fueron encontrados culpables de homicidio el pasado 9 de julio. Lo particular de la joven pareja de esposos es que pertenecen a una denominación cristiana llamada “Seguidores de Cristo”. Para los miembros de esta secta cristiana acudir al médico es sinónimo de desconfiar de la voluntad de Dios.

Los seguidores de Cristo son un grupo de cristianos que se encuentran principalmente en los estados de Oklahoma, Oregon y Idaho. Esta iglesia se originó en el seno del movimiento pentecostal de sanaciòn por la fe de finales del siglo XIX.

La iglesia de los Seguidores de Cristo fue fundada en Chanute, Kansas, por Marion Reece. Después de un pequeño crecimiento y disputas con otros pastores, Walter White se mudó a Oregon City, Oregon, en la década de 1940. En ese entonces era una comunidad agrícola y maderera en gran parte rural, ahora un suburbio de Portland. Tras la muerte del pastor White en 1969 la iglesia no ha tenido un líder principal, y afortunadamente han cesado el proselitismo religioso. Sus feligreses, que son más de 1200, rechazan el uso de la medicina y consideran que toda dolencia debe ser tratada únicamente con la fe y la oración.

La historia de la pobre Gennifer

cons2Sarah Elaine Mitchell, 25, y Travis Lee Mitchell, 22, tras ser hallados culpables
por seguir absurdas creencias bíblicas.
Fuente: Oregon Live

Sarah Elaine Mitchell, la madre recientemente condenada, nunca supo durante su embarazo que estaba embarazada de mellizas. Durante todo la gestación no recurrió a médicos ni tuvo cuidados prenatales. El 5 de marzo de 2017 dio a luz en su casa. Sin embargo, al poco tiempo, ambas niñas comenzaron a tener serias dificultades para respirar. Los jóvenes padres en lugar de acudir al médico llamaron a los hermanos de la iglesia para que se iniciara una cadena de oración. Ningún miembro de la iglesia hizo un llamado a la línea de emergencias.

Gennifer empeoró y murió. Su hermana Evelyn también estaba empeorando. Las oraciones no estaban sirviendo para nada. Tras conocerse el deceso Gennifer las autoridades iniciaron una investigación y visitaron el hogar de los seguidores de Cristo.

El médico forense, al observar que la pequeña Evelyn tenía dificultades para respirar, la tomó consigo y la llevó a un centro hospitalario donde le salvaron la vida.

Ya el pasado 9 de julio una corte de Oregon, Estados Unidos, encontró a los Mitchell responsables de homicidio por negligencia y destrato criminal. Ellos aceptaron los cargos y fueron condenados a seis años de prisión. Se espera que por buen comportamiento puedan tener rebaja de la pena. La niña sobreviviente está en el momento a cargo del gobierno.

“Durante demasiado tiempo, los niños de esta iglesia han estado sufriendo y muriendo innecesariamente porque sus padres, como condición de sus creencias religiosas, se han negado a buscar atención médica para sus hijos”, afirmó la fiscalía. “Y durante los últimos 17 años y medio, la Oficina del Fiscal del Condado de Clackamas ha estado trabajando diligentemente para responsabilizar penalmente a los padres que no brindan la atención médica adecuada para sus hijos, lo que provoca su muerte o lesiones físicas graves”.

Como un signo de la disposición de la iglesia para detener finalmente el patrón de muertes de recién nacidos, la iglesia acordó como parte del acuerdo poner la siguiente declaración dentro de su edificio: “Todos en la iglesia siempre debemos buscar atención médica adecuada para nuestros hijos”.

“Esperamos que esta oficina nunca más se vea obligada a enjuiciar a los padres en la Iglesia de los Seguidores de Cristo por descuidar la atención médica de sus hijos”, afirmó el fiscal. “Sin embargo, seguimos estando preparados para hacerlo si los miembros de esa congregación no prestan atención”.

Gennifer no ha sido la única

cons3Alyana Wyland de 18 meses quedó ciega por
un tumor sin tratar. Sus padres son miembros de la Iglesia
Seguidores de Cristo,

Los miembros de esta denominación con frecuencia saltan a los titulares de prensa por dejar morir a sus pequeños por falta de atención médica.

En el 2008 fue noticia la muerte de Neil Beagley, de 16 años, por un bloqueo del tracto urinario . Su muerte resultó en la condena de homicidio por negligencia criminal de sus padres Jeff y Marci Beagley, también miembros de esta secta.

En 2011, Rebecca y Timothy Wyland fueron declarados culpables de maltrato criminal después de que su hija sufriera un crecimiento anómalo en los vasos sanguíneos de su ojo derivó en daño permanente a su visión.

La hermana de Sarah, Shannon y su marido Dale Hickman dejaron morir a su hijo recién nacido en 2009. Solo pudieron mantenerlo con vida nueve horas, sin embargo, también fueron condenados.

Otro miembro de la pequeña congregación también impidió que su bebé de 15 meses recibiera atención médica, lo que provocó la muerte de Ava Worthington. Los padres indicaron que habían dado al pequeño sanación por medio de la fe, pero no la visita de un profesional de la salud.

Segùn la doctora Karen Gunson, del Hospital Universitario de Oregon, en entrevista con People, relató que durante sus 30 años en la profesión ya ha visto 20 muertes similares.

La oración no sirve para nada

Muchos cristianos que han leído esta noticia han dicho que la inacción de los feligreses de los Seguidores de Cristo es sin duda fanática. Pero si nos detenemos a pensar, su idea de que Dios los salvará si oran con fe, como dice la Biblia, es consistente con la Biblia. ¿Entonces por qué mueren sus familiares?

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Los familiares de estos creyentes sinceros, pero engañados, se debe a que no hay nadie que escuche las oraciones, a menos los que están al lado de los que rezan. Sin la medicina científica miles que hoy se salvan por antibióticos, cirugías y atenciones de emergencias, morirían sin estas ayudas. Así que la próxima vez que alguien te hable sobre el poder de la oración ya podrás presentarles el caso de los Seguidores de Cristo, un triste pero ilustrativo experimento real del poder de la oración cuando retiras los medicamentos y lo dejas todo en las manos de Jesús.

Fonte: Blog Sin Dioses
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