A ONU e a saúde mental: mais combate à desigualdade, à pobreza, às discriminações e menos psicotrópicos

 “Muitos fatores de risco para a saúde mental precária estão intimamente associados às desigualdades nas condições da vida cotidiana. Muitos fatores de risco também estão ligados ao impacto corrosivo de ver a vida como algo injusto”.

A justiça social é mais importante para evitar doenças mentais do que medicamentos, afirma relator de saúde da ONU

Menos remédios psicotrópicos, mais medidas dos governos para combater desigualdade, pobreza e discriminação: Dainius Pūras, relator de saúde da ONU, disse ao Guardian que esse é o melhor caminho para evitar as doenças mentais: “Muitos fatores de risco para a saúde mental precária estão intimamente associados às desigualdades nas condições da vida cotidiana. Muitos fatores de risco também estão ligados ao impacto corrosivo de ver a vida como algo injusto.

A Saúde Mental dos políticos

“Penso que deveria ser necessário a qualquer um que quisesse participar de uma eleição nacional passar por uma formação em psicoterapia. A conclusão do curso seria a qualificação para o cargo”.

Por que os psicopatas chegaram ao poder

Quem, em seu juízo perfeito, poderia desejar esse trabalho? É quase certo que acabará, como descobriu Theresa May, em fracasso e execração pública. Procurar ser primeiro-ministro britânico, hoje, sugere ou confiança imprudente ou fome insaciável de poder. Talvez necessitemos de uma ironia como a de Groucho Marx: alguém louco o suficiente para candidatar-se a essa função deveria ser desqualificado para concorrer.

Alguns anos atrás, a psicóloga Michelle Roya Rad listou as características de uma boa liderança. Entre elas figuravam justiça e objetividade, desejo de servir à sociedade e não a si mesmo, falta de interesse em ser famoso e ocupar o centro das atenções, resistência à tentação de esconder a verdade ou fazer promessas impossíveis. Por outro lado, um artigo publicado no Journal of Public Management & Social Policy (Jornal de Gestão Pública e Política Social) listou as características de líderes com personalidade psicopata, narcisista ou maquiavélica. Elas incluem: tendência à manipulação dos outros, disposição em mentir e enganar para alcançar seus objetivos, falta de remorso e sensibilidade, desejo de admiração, atenção, prestígio e status. Quais dessas características descrevem melhor as pessoas que estão competindo para ser “governantes” no mundo contemporâneo?

Na política, vê-se em todo lado o que parece ser a externalização de déficits ou feridas psíquicas. Sigmund Freud afirmou que “os grupos assumem a personalidade do líder”. Penso que seria mais preciso dizer que as tragédias privadas dos poderosos tornam-se as tragédias públicas daqueles que eles dominam.

Para algumas pessoas, é mais fácil comandar uma nação, mandar milhares para a morte em guerras desnecessárias, separar crianças de suas famílias e infligir sofrimentos terríveis do que processar sua própria dor e trauma. Aparentemente, o que vemos na política, em todos os cantos, é uma manifestação pública de profunda angústia privada.

Essa talvez seja uma força particularmente forte na política britânica. O psicoterapeuta Nich Duffell escreveu sobre “líderes feridos”, que foram separados da família na primeira infância para ser enviados ao colégio interno. Eles desenvolveram uma “personalidade de sobrevivente”, aprendendo a reprimir seus sentimentos e projetar um falso eu, caracterizado pela demonstração pública de competência e autoconfiança. Sob essa persona está uma profunda insegurança, que pode gerar necessidade insaciável de poder, prestígio e atenção. O resultado disso é um sistema que “sempre revela pessoas que parecem muito mais competentes do que realmente são”.

O problema não está confinado a estas paragens. Donald Trump ocupa a cadeira mais poderosa do planeta, e ainda assim parece roer-se de inveja e ressentimento. “Se o presidente Obama tivesse feito os acordos que fiz”, afirmou há pouco, “a mídia corrupta os consideraria incríveis… Para mim, apesar do nosso recorde em economia e tudo o que fiz, não há crédito!”. Nenhuma riqueza ou poder parece capaz de satisfazer sua necessidade de afirmação e segurança.

Penso que deveria ser necessário a qualquer um que quisesse participar de uma eleição nacional passar por uma formação em psicoterapia. A conclusão do curso seria a qualificação para o cargo. Isso não mudaria o comportamento de psicopatas, mas poderia evitar que, ao exercer o poder, certas pessoas impusessem sobre os outros suas próprias feridas profundas. Fiz dois cursos: um influenciado por Freud e Donald Winnicott, outro cuja abordagem tinha foco na compaixão de Paul Gilbert. Considero os dois extremamente úteis. Penso que quase todo mundo se beneficiaria desses tratamentos.

A psicoterapia não iria garantir uma política mais gentil. A abertura admirável de Alastair Campbell ao falar sobre sua terapia e saúde mental não o impediu de comportar-se – quando desempenhou as funções de assessor político e porta-voz de Tony Blair – como um valentão desbocado, que intimidava as pessoas a apoiar uma guerra ilegal, em que centenas de milhares de pessoas morreram. Tanto quanto sei, não demonstrou remorso por seu papel nessa guerra agressiva, que cabe na definição de “crime internacional supremo” do tribunal de Nuremberg.

O problema, na verdade, é o sistema no qual essas pessoas competem. Personalidades tóxicas prosperam em ambientes tóxicos. Aqueles que deveriam ser menos confiáveis para assumir o poder são justamente os que mais provavelmente vencerão. Um estudo publicado no Journal of Personality and Social Psychology  sugere que o grupo de traços psicóticos conhecido como “domínio sem medo” está associado a comportamentos amplamente valorizados nos líderes, tais como tomar decisões ousadas e sobressair-se no cenário mundial. Se assim for, nós, por certo, valorizamos as características erradas. Se para alcançar o sucesso no sistema é necessário ter traços psicopatas, há algo errado com o sistema.

Para pensar uma política eficiente, talvez fosse útil trabalhar de trás para frente: primeiro decidir que tipo de gente gostaríamos que nos representassem e depois criar um sistema que as levasse ao primeiro plano. Quero ser representado por pessoas ponderadas, conscientes de si e colaborativas. Como seria um sistema que promovesse essas pessoas?

Não seria uma democracia puramente representativa. Esse tipo de democracia funciona com o princípio do consenso presumido: você me elegeu há três anos, então presumo que consentiu com a política que estou para implementar, não importa se na época eu a mencionei ou não. Ela recompensa os líderes “fortes e determinados” que tão frequentemente levam suas nações à catástrofe. Um sistema que fortaleça a democracia representativa com democracia participativa – assembleias de cidadãos, orçamento participativo, co-criação de políticas públicas – tem mais possibilidades de recompensar os políticos sensíveis e atenciosos. A representação proporcional, que impede governos com apoio minoritário de dominar a nação, é outra salvaguarda potencial (embora não seja garantia).

Ao repensar a política, é preciso desenvolver sistemas que incentivem gentileza, empatia e inteligência emocional. É preciso nos desvencilhar de sistemas que encorajem as pessoas a esconder sua dor e dominar os outros.

 

Enfrentando a publicidade discriminatória

Proíbem também quando é sugerido que as mães devem valorizar mais a aparência física ou a limpeza da casa em vez da sua saúde mental e que se deboche de homens por suas dificuldades em atividades estereotipicamente “femininas”.

El Reino Unido prohíbe los estereotipos de género en la publicidad

Hombres que no saben cambiar pañales, mujeres que hacen labores domésticas mientras los hombres están cómodamente sentados en el sofá, mujeres que no saben estacionarse: escenas como estas, que se basan en estereotipos de género, están prohibidas de ahora en adelante en la publicidad británica. La entidad reguladora de la publicidad en el Reino Unido anunció los cambios en diciembre, pero a las empresas se les otorgó un periodo de ajuste de seis meses antes de que entraran en vigor.

La Autoridad de los Estándares para la Publicidad del Reino Unido dijo en una declaración que también prohibiría anuncios que relacionen características físicas con el éxito romántico o social; que asignen características de personalidad estereotípicas a los niños y las niñas, como la valentía para los niños y la ternura para las niñas; que sugieran que las nuevas madres deben anteponer su aspecto o la limpieza del hogar a su salud emocional, y que se burlen de los hombres por ser malos en labores estereotípicamente “femeninas”, como aspirar, lavar la ropa o cuidar a los hijos.

Los lineamientos se desarrollaron después de que un informe del regulador encontró que la retórica y las imágenes que estereotipan géneros “puede provocar desigualdad de género en los aspectos tanto públicos como privados de la vida de las personas”. El informe surgió al poco tiempo de que hubo algunos anuncios británicos que perpetuaron suposiciones negativas sobre las mujeres, como uno de Protein World, una bebida para bajar de peso, en el que al lado de una modelo que vestía un bikini estaba la pregunta: “¿Tu cuerpo está listo para la playa?”. Los afiches inspiraron una petición en Change.org con más de setenta mil firmas para exigir que se retiraran los carteles.

La Autoridad de los Estándares para la Publicidad tiene fama de prohibir imágenes que le parecen ofensivas: en 2016, el grupo regulatorio tomó medidas enérgicas contra Gucci por emplear a una modelo que se veía “excesivamente delgada” en una campaña publicitaria y, en 2017, prohibió un comercial de Rimmel en el que salía la modelo Cara Delevingne por estar tan retocado que podía ser engañoso para el televidente. (El regulador insistió en que las pestañas de Delevingne eran descomunalmente voluminosas en el video). Más recientemente, el regulador criticó un anuncio de un concesionario de Porsche por cosificación: en la publicidad, las piernas y el torso de una mujer se asoman por debajo del carro y se lee el eslogan “Servicio atractivo”.

Con los nuevos lineamientos, el Reino Unido se une a países como Bélgica, Francia, Finlandia, Grecia, Noruega, Sudáfrica e India que tienen leyes o códigos con diversos grados y edades que impiden la discriminación de género en la publicidad. Por ejemplo, Noruega ha tenido una ley que prohíbe el sexismo en anuncios desde 1978. Una ley española de 2004 en contra de la violencia de género prohíbe que los anuncios publicitarios muestren imágenes degradantes del cuerpo femenino, y los códigos austriacos consideran que las caracterizaciones que reducen a las personas a su sexualidad son discriminatorias. En Estados Unidos, solo el grupo que supervisa los anuncios dirigidos a niños ofrece lineamientos sobre los estereotipos en la publicidad.

Las compañías están haciendo frente al problema del sexismo en la publicidad también por su cuenta. En 2017, el gigante de los productos de consumo Unilever se asoció con ONU Mujeres y una serie de empresas importantes, como Google, Johnson & Johnson y Mars, para crear Unstereotype Alliance, que busca educar a las personas sobre cómo la publicidad perpetúa los prejuicios.

El Instituto Geena Davis sobre Género en los Medios trabajó con Google para analizar más de dos mil comerciales en lengua inglesa: descubrió que entre 2006 y 2016 el número de personajes femeninos en la publicidad en video fue prácticamente el mismo. El tiempo en pantalla de los hombres fue cuatro veces mayor al de las mujeres y los hombres hablaron siete veces más que las mujeres. Mientras que los anuncios donde solo aparecían hombres sumaban un cuarto del total, aquellos en los que solo había mujeres fueron solo un cinco por ciento del total.

Un informe de Lloyds Banking Group en 2016 reveló datos similares, pues halló que solo un tercio de las personas que se veían en los anuncios eran mujeres. Rara vez ocupaban puestos de poder y, cuando lo hacían, el “papel solía estar vinculado a la seducción, la belleza o la maternidad”.

 

As pessoas vs a tecnologia

Por: Rosie Bennett
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Seita sexual ultrassecreta de Nova York

Mulheres, em especial poderosas e influentes, faziam juramentos secretos para se converter em “escravas” vitalícias de Raniere, o “amo” ou “amo supremo”. “…e poderíamos ter um candidato a um cargo político”

Lauren Salzman, una de las exintegrantes de Nxivm, camino a la corte el 20 de mayo Seth Wenig/Associated Press

Marcas, flagelación y castigos: el testimonio de otra ‘esclava’ de la secta de Nxivm

La ceremonia para marcarlas sucedió en 2017 dentro de un hogar en Albany, Nueva York, donde las integrantes del grupo Nxivm tuvieron su rito de iniciación para una nueva participante de la secta ultrasecreta dentro de la organización.

Esa nueva integrante, Lauren Salzman, testificó que la hicieron arrodillarse y decir: “Amo, por favor, márcame, sería un honor, un honor que quiero portar por el resto de mi vida”. Luego la sostuvieron en una mesa para dar masajes mientras alguien usaba una herramienta de cauterización para quemarla con las iniciales de Keith Raniere, el líder de Nxivm, en una zona cercana a la cadera.

“Fue lo más doloroso por lo que he pasado”, dijo Salzman durante el segundo día de su testimonio en el juicio contra Raniere, quien está acusado de tráfico sexual y asociación delictuosa.

Salzman también declaró que un grupo de mujeres perteneciente a la secta sexual dentro del grupo llamada Nxivm fueron sujetas a castigos sádicos que incluían azotes con una correa de cuero.

La testigo señaló que las mujeres hacían compromisos secretos para convertirse en “esclavas” vitalicias de Raniere y lo llamaban “amo” o “amo supremo”.

Se comunicaban mediante aplicaciones encriptadas de teléfono, llevaban a cabo tareas y ejercicios diseñados por él y aceptaban los severos castigos si se pensaba que habían fallado en sus obligaciones.

Dichos castigos podían incluir mantener posiciones forzadas o dolorosas, quedarse de pie descalzas sobre la nieve, tomar duchas de agua fría y azotarse mutuamente el “trasero desnudo” con la correa, afirmó Salzman. Recuerda que una vez Raniere llegó mientras se estaban azotando para decirles que se aseguraran de mover las muñecas de determinada forma para infligir el máximo dolor.

“Estas cosas comenzaron a volverse escalofriantes”, comentó. “Me preocupaba fallar”.

Salzman, cuya madre fue cofundadora de Nxivm, dio una descripción detallada de los mecanismos que Raniere y sus seguidoras más fieles utilizaban para humillar y subyugar a mujeres, muchas de las cuales,según los fiscales,eran forzadas a tener relaciones sexuales con él.

Raniere, de 58 años, cofundó Nxivm [néxium] con Nancy Salzman como una organización de autoayuda en la década de 1990. Cerca de 16.000 personas tomaron cursos de Nxivm y algunas pagaron decenas de miles de dólares.

[Lee nuestro reportajesobre el funcionamiento de Nxivm]

Raniere ahora está imputado por cargos que incluyen asociación delictuosa, extorsión, trabajos forzados y tráfico sexual. Durante las últimas semanas, cinco mujeres que también fueron acusadas, incluyendo a Nancy y Lauren Salzman, se han declarado culpables.

En su testimonio, Lauren Salzman, de 42 años, describió las operaciones internas de una secta clandestina dentro de Nxivm llamada The Vow (el voto) o DOS, en la que las participantes eran o “amas” o “esclavas”,y eran marcadascon las iniciales de Raniere.

Salzman era una “ama de primera línea”, es decir, una integrante de alto rango de DOS. El nombre del grupo, según se dice, eran las siglas de una frase en latín que puede traducirse como “Dominio de las Acompañantes Femeninas Obedientes”. Debido a su papel dentro de la secta, Salzman pudo dar un panorama amplio y detallado de la forma en que estaba estructurada la comunidad para crear un grupo de mujeres que obedecieran ciegamente las órdenes de Raniere y se sometieran a su control.

Según ella, el principal interés del grupo era venerar a Raniere y fomentar un ambiente de “obediencia y confidencialidad totales”.

Salzman testificó que Raniere reclutó a las primeras ocho amas de primera línea del grupo y que las consideraba sus esclavas. Cada una de las ocho reclutó a sus propias esclavas, en grupos separados llamados estirpes, y esas esclavas, a su vez, reclutaron a otras.

De acuerdo con ella, en total había cuatro niveles de esclavas en la pirámide, cada una de las cuales rendía cuentas a su ama del nivel superior. Todas le rendían cuentas en última instancia a Raniere, el “amo supremo”.

Las reclutas pasaban por cinco etapas, empezando como “aspirantes” que entregaban material personal comprometedor o propiedades como garantía o colateral para demostrar su compromiso. Después de unirse al grupo, proporcionaban todavía más información o material para quedar “totalmente garantizadas”, lo que significaba que podían ser objeto de chantaje.

Una integrante del grupo, Rosa Laura Junco, compró una “casa de sororidad” para las integrantes de primera línea en elpueblo de Waterford, cerca de Albany. Ahí celebraban reuniones frecuentes, y se quitaban la ropa para tomarse fotografías desnudas y enviarlas a Raniere, señaló Salzman.

Mencionó que había planes de construir un “calabozo” en el sótano de la casa que iba a incluir una jaula en la cual alguien dispuesta a “entregarse”, en presunto favor de su crecimiento personal, podría ser encerrada durante horas o días, o incluso más tiempo.

De acuerdo con Salzman, las integrantes de DOS se comunicaban a través de programas encriptados como Telegram y Signal. La agrupación era tan secreta que sus integrantes no siempre conocían las identidades de las demás.

También declaró que Raniere sometía a las integrantes a “ejercicios de disposición” en los que enviaba, en momentos inesperados, mensajes de texto que todas las integrantes del grupo debían responder en un lapso corto.

El objetivo de estos ejercicios, según la testigo, era reafirmar la idea de que responder al amo era la parte más importante de la vida de una esclava.

Una de las tareas específicas de Salzman era editar las enseñanzas y las ideas de Raniere acerca de DOS para crear un libro que iba a servir como una especie de texto de referencia y manifiesto. Salzman declaró que iban a poner el libro en un lugar seguro, tal vez atornillado a una pared, pero iba a estar disponible para referencia en ciertas circunstancias.

Los fiscales del juicio proyectaron en una pantalla algunos extractos del manuscrito, el cual exhortaba a las lectoras a pensar: “Por qué tu amo es mejor que el resto de la gente”. Incluía la orden “Siempre haz que tu amo se vea bien” y decía que todas las esclavas debían enlistar a todas las personas que conocían —“incluyendo a sus madres”— y considerar quién debía unirse a la comunidad.

“El placer más grande para la mejor esclava es ser la herramienta primordial de su amo”, decía uno de los pasajes. “Entregas tu vida, mente y cuerpo para un uso incondicional”.

Salzman mencionó que entre las principales prioridades de Raniere estaba el reclutamiento de más integrantes para DOS, en especial personas que pudieran serpoderosas o influyentes. Tan solo ella, declaró, tenía veintidós esclavas en su estirpe. También dijo que Raniere esperaba tener sedes en todo Estados Unidos.

“Creo que se imaginó que habría miles o millones de personas en la comunidad”, dijo Salzman. “Que tal vez podríamos tener un candidato de DOS para un cargo político”.

Formulan cargos contra el líder de Nxvim, agrupación secreta que marca a las mujeres

O negócio da felicidade, a fraude do século XXI

Apesar do individualismo crescente, grande parte dos nossos problemas tem dimensão social: a solidão, especialmente dos mais velhos. Tanto a mindfulness como os livros de autoajuda tentam nos convencer de que, mudando nossa mente, podemos mudar a realidade e, individualmente, podemos alcançar a felicidade.

Imagem: Joan Cornellà

Uma fraude chamada Felicidade

No inverno de 2013, a multinacional de refrigerantes Coca-Cola anunciou na Espanha o lançamento de uma páginawebcom mais de 400 estudos sobre felicidade e saúde, que se pretendia como referência no campo das pesquisas sobre bem-estar. O fez por meio do Instituto Coca-Cola da Felicidade, constituído no âmbito da divisão espanhola da companhia, que em 2010 e 2012 já tinha organizado em Madri duas edições de um evento denominado Congresso Internacional da Felicidade.

Entre o artifício publicitário e a produção de uma imagem amigável para a marca, sob o álibi filantrópico de responder ao crescente interesse sobre o tema, a Coca-Cola se juntou a uma agenda global que propõe ser feliz como resposta para todos os males.

Margarita Álvarez é uma das 50 mulheres mais poderosas da Espanha, segundo a revistaForbes, e também foi incluída na lista das 100 mulheres mais influentes do país em 2016, na categoria das executivas, elaborada pelo portal Mujeres&Cia[Nota do Tradutor: algo como a versão espanhola exclusivamente feminina da revista Você S.A.]. Álvarez criou e presidiu o Instituto Coca-Cola da Felicidade entre janeiro de 2008 e março de 2011.Ela acaba de publicarDesconstruindo a felicidade, um livro cujo propósito, conforme se lê na nota de imprensa divulgada pela editora Alienta[N. do T.: em português, “Encoraja”], é “ajudar a você a averiguar se a felicidade realmente existe e, se existe, determinar onde pode encontrá-la”.

A nota acrescenta que nas suas páginas não há “regras nem pautas, só conhecimento. Porque saber e possuir informação sobre algo tão relevante, ajudará a você a entender como funciona o cérebro, como pode utilizar os seus pensamentos e como pode identificar e aceitar todas as suas emoções, para enfrentar melhor as circunstâncias da vida”.

Parece pouco provável que a ideia de ser feliz com que lida Álvarez tenha alguma relação com a que possam ter, por exemplo, as mais de 800 pessoas demitidas da fábrica da Coca-Cola de Fuenlabrada (Madri) desde 2014.A dela se trata, antes, de mais uma das vozes dos privilegiados que durante os últimos 30 anos participaram da construção e propagação de uma noção de felicidade que repousa sobre o ímpeto, a vontade e a superação individual como ferramentas para alcançá-la. Livros de autoajuda, oficinas de pensamento positivo e palestras motivacionais difundiram a miragem de que ser feliz está ao seu alcance e que não é preciso mais que desejá-lo.

Nesses tempos da mais grave crise econômica mundial desde ocrackde 1929, discursos como esse encontraram um público desesperadamente receptivo, ao qual que se oferece bem-estar simplesmente olhando para dentro de si, sem ter que se relacionar com absolutamente mais ninguém. Claro, não é exatamente assim: essa felicidade prometida passa necessariamente por poder pagar, porque o que há detrás dela tem muito pouco de altruísta.

“Toma-se como ponto de partida que se trata de uma escolha pessoal e que, para ser feliz, basta que uma pessoa decida ser e se dedique a isso por meio de uma série de guias, conselhos, técnicas, exercícios, que esses pretensos especialistas dos mais diversos campos propõem: cientistas, psicólogos,coaches, escritores de autoajuda e uma enorme quantidade de profissionais que voejam no mercado da felicidade”, explica Edgar Cabanas. Esse doutor em Psicologia e pesquisador da Universidade Camilo José Cela, de Madrid, é o autor, junto com Eva Illouz, deHappycracia(Ed. Paidós, 2019), um ensaio que passa o bisturi nos argumentos manuseados pela “ciência da felicidade”; argumentos que ignoram questões sociais, morais, culturais, econômicas, históricas ou políticas, para apresentar teses em aparência objetivas.

“Enquanto a predisposição dessa ideia de felicidade é a de produzir seres completos, realizados, satisfeitos, o que acaba ficando é uma permanente insatisfação: a felicidade é concebida como uma meta que nunca se alcança, que nunca chega a se materializar. É sempre um processo constante, que faz a pessoa embarcar em uma busca obsessiva de maneiras de melhorar a si mesma, seu estado emocional, a administração de si no trabalho, na educação, na intimidade”, sustenta Cabanas.

Nesse sentido, a pesquisadora Sara Ahmed, que publicou há uma décadaThe Promise of Happiness[A promessa de felicidade] (Duke University Press, 2010), traduzido para o espanhol este ano pela editora argentina Caja Negra, assinalava em março, em uma entrevista paraEl Saltoque“a felicidade, como promessa de viver de um determinado modo, é uma técnica para dirigir as pessoas”.

Tornando as coisas ainda mais precisas, Fefa Vila Núñez, professora de Sociologia do Gênero na Universidade Complutense de Madrid, nota que essa concepção“nos impele, nos ordena e dirige em direção ao consumo, vinculado este a uma ideia de vida sem fim, forjada sobre um hedonismo sem limites, onde melancolia e tecnofilia[N. do T.: a obsessão pela tecnologia]se unem num abraço íntimo, para conformar a noção de ganho, de êxito, de imortalidade, de um prazer infinito para aquele que não se desvie do caminho traçado”.

A pesquisadora encontra a origem desse discurso num “maquinário de felicidade” ativado depois da I Guerra Mundial e relacionado a um “capitalismo de consumo” que foi modelando a noção de felicidade até nossos dias.

A equação da felicidade

O livro de Margarita Álvarez conta com duas assinaturas convidadas muito significativas. O prólogo é de Marcos de Quinto, ex-vice-presidente da Coca-Cola Espanha e número dois, por Madri, do [partido de direita]Ciudadanosnas próximas eleições gerais. Já o posfácio fica a cargo de Chris Gardner, cuja história costuma ser usada como exemplo pela assim chamada “psicologia positiva”. Como exceção tendenciosamente convertida em regra, a biografia de Gardner vai da pobreza ao êxito empresarial, tendo sido retratada no filmeEm busca da felicidade, de 2006, protagonizado por Will Smith.Gardner é hoje um multimilionário que se dedica à filantropia e a dar conferências sobre como a felicidade depende da vontade individual. “Se você quiser, pode ser feliz” é sua mensagem.

Um nome chave no desenvolvimento da “ciência da felicidade” é o de Martin E. P. Seligman[N. do T.: ironicamente homônimo (talvez até de forma deliberada) do personagem de Lars von Trier no filme “Ninfomaníaca”, de 2013]. Eleito, em 1998, presidente da Associação Norte-Americana de Psicologia (APA, em sua sigla em inglês), pode ser considerado como um dos fundadores da “psicologia positiva”, uma vez que participou de seu manifesto introdutório, publicado no ano 2000. Seligman propõe um novo enfoque sobre a saúde mental, distanciado da psicologia clínica e enfocado na promoção do que ele considera “positivo”, a vida boa, para encontrar as chaves do crescimento pessoal.

No seu escritório na APA, Seligman rapidamente começou a receber polpudas doações e cheques de vários zeros, procedentes delobbiesconservadores e instituições religiosas interessadas em promover a noção de felicidade que essa nova corrente da psicologia promulga. A difusão, pelos meios de comunicação e outros canais, de algumas de suas publicações gerou a impressão de que existiria uma disciplina científica capaz de aportar chaves inéditas para alcançar o bem-estar. A repercussão dessas teorias foi mundial. No entanto, seus objetivos, resultados e métodos foram criticados pela falta de consenso, definição e rigor científico.

“Mais que enganosas, eu diria que podem ser perigosas em termos sociais e políticos, além de decepcionantes em termos pessoais”, considera Cabanas, que indica o mercado, as empresas e a escola como agentes principais na elaboração e divulgação de certas noções que se articulam diretamente com valores culturais arraigados no pensamento liberal norte-americano.

Seligman[N. do T.: de fato, inacreditavelmente homônimo do personagem cheio de teorias e equações do filme citado de Lars von Trier; personagem que, ao final, cede a seus próprios impulsos predatórios]chegou a formularuma equação que explicaria a proporção de fatores que dão como resultado a felicidade. Ela seria a soma de uma grandeza pré-definida (a herança genética) com variáveis da ação voluntária e de circunstâncias pessoais. Sua fórmula outorga ao primeiro fator o peso de 50%, ao fator volitivo o peso de 40%, e tão apenas 10% a todo o resto que diz respeito a coisas como nível de renda, educação ou classe social. Seguindo essa receita, a psicologia positiva tem sido categórica ao considerar que o dinheiro não influi substancialmente na felicidade humana, por exemplo.

EmThe Promise of Happiness[A promessa de felicidade], Ahmed resumiu a tautologia que sustenta o campo da psicologia positiva. Toda ela “se baseia nesta premissa: se dizemos ‘sou feliz’ ou fazemos outras declarações positivas sobre nós mesmos ― se praticamos o otimismo ao ponto de vermos que o lado amável das coisas possa se converter em rotina ―, seremos felizes”.

Da páginawebapresentada pela Coca-Cola como o grande arquivo sobre a felicidade, não restou absolutamente nada cinco anos depois.

Felicidade Interna Bruta

Desde 2013, 20 de março é celebrado como o Dia Internacional da Felicidade. Em sua resolução 66/281 de 2012, a Assembleia Geral daONU determinou essa data para reconhecer a relevância da felicidade e do bem-estar como aspirações universais dos seres humanos, e a importância de sua inclusão nas políticas de governo. Trata-se de uma medida controversa, pela dificuldade de encontrar indicadores objetivos que quantifiquem o grau de felicidade, além das repercussões derivadas de sua conversão em norteadora de ações de governo, em prioridade a outras metas como a redução das desigualdades, a luta contra a corrupção e o desemprego. Em outras palavras, o risco de que a administração da coisa pública preste mais atenção a um guru damindfulness[N. do T.: “atenção plena”]que aos sindicatos é real.

“As formas de fazer política baseadas na felicidade ― opina Cabanas ― implicam exaltar as questões individuais e desfigurar as sociais, objetivas e estruturais. Deposita-se toda ênfase em que o mais importante é a forma como os indivíduos se sentem, como se a política se reduzisse a fazer se sentir bem ou mal, e não tivesse nada a ver com um debate moral ou ideológico”.

Depois de aprovar alguns dos cortes orçamentários mais significativos da história do país, especialmente sobre gastos sociais, em fins de novembro de 2010o primeiro ministro britânico David Cameron propôs a realização de uma pesquisa para medir a felicidade dos cidadãos, no intento de difundir junto à opinião pública a ideia de que o bem-estar se encontra em outras variáveis diferentes do Produto Interno Bruto. Essa parece ser uma iniciativa recorrente em vários países, e que pode ser entendida como uma cortina de fumaça para distrair a atenção.

Em 2016, o primeiro ministro e vice-presidente dosEmirados Árabes Unidos, xeque Mohamed ben Rashid Al Maktoum, anunciou a criação do Ministério da Felicidade, para produzir no país “gentileza social e satisfação como valores fundamentais”. Do mesmo modo, dispôs essa novidade no âmbito de una série de reformas, entre as quais se destacava a permissão ao setor privado de se encarregar da maioria dos serviços públicos.

No seu relatório de 2017/2018 sobre Direitos Humanos, a Anistia Internacional concluía que os Emirados Árabes Unidosrestringem arbitrariamente o direito à liberdade de expressão e de associação, que continuavam presas dezenas de pessoas condenadas em processos viciados, muitas encarceradas por suas ideias políticas, e que as autoridades emiratis mantinham os detidos sob condições que podiam ser configuradas como tortura. Também assinalava que os sindicatos continuavam proibidos e que os trabalhadores imigrantes que participassem de greves podiam ser expulsos, sob proibição de regressar ao país durante um ano.

Os Emirados Árabes Unidos ocupam a posição 21 de um total de 156 países, na edição de 2019 doRelatório Anual sobre Felicidade Mundial, que as Nações Unidas publicaram no tal dia 20 de março. Trata-se da sétima edição de um estudo que, neste ano, conforme seus autores, colocaria o foco na relação entre felicidade e comunidade e em como a tecnologia da informação, os governos e as normas sociais influem nas comunidades. Finlândia, Dinamarca e Noruega se situam no pódio desse ranking tão peculiar, enquanto Israel e Estados Unidos ― dois países com enormes taxas de desigualdade e pobreza; o primeiro, aliás, sustentado sobre a discriminação da população palestina ― alcançam os postos 13 e 19 respectivamente.

A felicidade na Espanha a teria elevado, em um ano, do 36º ao 30º lugar nessa lista cuja confecção levaria em conta variáveis como expectativa de vida saudável, assistência social, liberdade para a tomada de decisões, generosidade e percepção da corrupção[N. do T.: Há uma ironia sutil no texto, que pode passar desapercebida por aqueles menos familiarizados com a situação política espanhola: são exatamente essas “variáveis” que vêm sendo objeto de considerável inquietação pública no país].

Sobre os meandros onde se entrecruzam política e felicidade conhece muito bem a filósofa Victoria Camps, senadora pelo Partido dos Socialistas da Catalunha (PSC) entre 1993 e 1996 eganhadora do Prêmio Nacional de Ensaio de 2012 com o livroEl gobierno de las emociones(Editorial Herder, 2011). Na sua opinião, a busca da felicidade é “um direito, expresso de diferentes formas: o direito à igualdade, a ter uma certa proteção por parte dos poderes públicos, para que todos, e não apenas uns poucos, tenham a liberdade necessária para escolher uma certa forma de vida”. Por isso, considera que a política não deve garantir a felicidade, mas que “possamos buscar a felicidade”. Ela entende que o modelo de Estado do bem-estar “ia nessa direção, de proteger socialmente os mais desprotegidos, redistribuir a riqueza e igualar as condições de felicidade”. Para essa filósofa, o Estado do bem-estar social está em crise, mas acredita que “era um bom modelo e que deveria ser estimulado, buscando adaptá-lo à novas necessidades, corrigindo aquilo que não funciona mais”.

Camps conversa comEl Saltosobre seu recente ensaio, intitulado precisamenteLa búsqueda de la felicidad(Arpa Editores, 2019).Como filósofa, zela pela distância entre a sua disciplina e o palavrório da autoajuda: “Creio que estão nos antípodas uma coisa da outra. A filosofia não dá receitas, mas propõe questões e obriga a aprofundar, a pensar, a encontrar soluções”. Também lembra algo que o paradigma da psicologia positiva tende a esquecer: “As condições materiais afetam bastante. Aristóteles que o diga: a felicidade não está na riqueza, na honra, no êxito, mas isso tudo é necessário para ser virtuoso. Ou como dizia Bertolt Brecht: primeiro é preciso comer, e depois falar de moral”.

Por fim, reflete sobre alguns aspectos nocivos resultantes dessa promoção da felicidade como objetivo impositivo: “O que ela busca é que as pessoas estejam contentes e não incomodem muito. Em todos os domínios ― na política, na empresa, na educação ― isso é buscado por vias muito similares às da autoajuda, de forma muito simples, que não tem nada a ver com a felicidade. Na política, todas as medidas antipopulares, difíceis de explicar mesmo que sejam boas para as pessoas, são difíceis de propor porque amedrontam os políticos, que preferem que as pessoas estejam contentes com medidas muito mais simples”.

Rumo à felicidade… através da greve

Em uma entrevista publicada na páginawebdeEl Saltoem junho de 2018, o músico asturianoNacho Vegasfalava de reivindicar a infelicidade, já que, na sua opinião,“há momentos em que parece que vivemos nisso que Alberto Santamaría chama de capitalismo afetivo, no qual algumas empresas medem quanto custa para elas a infelicidade dos seus trabalhadores, e se esforçam, com essas ondas motivacionais e decoaching, não a criar felicidade, porque o capitalismo não pode fazer isso, mas em mudar a resposta das pessoas diante da infelicidade”.

Alberto Santamaría é professor de Teoria da Arte na Universidade de Salamanca. No ano passado publicouEn los límites de lo posible[Nos limites do possível] (Ed. Akal), uma tentativa de rastrear a forma como a criatividade, as emoções ou a imaginação possam conformar um mapa afetivo propício para a prosperidade econômica.“As empresas estão se dando conta de que a infelicidade, a depressão, são problemas gravíssimos. Pois bem, o que buscam não é uma solução direta. Sua estratégia se baseia em ampliar a dinâmica de duplo reforçamento entre relação mercantil e desejos. Assim, a narrativa empresarial quer nos vender a noção de que o único lugar onde realmente seremos felizes é aquele do trabalho”, comentou aEl Salto.

Para Isabel Benítez, socióloga e jornalista especializada em trabalho e conflitos laborais,a resposta que as empresas oferecem diante da infelicidade dos seus quadros de funcionários é um “mecanismo sofisticado de domesticação, que busca implementar tanto a produtividade direta, ao tentar melhorar a satisfação, lançando mão dos recursos emocionais íntimos das pessoas, como também a produtividade indireta: de reduzir o conflito trabalhista, que é a articulação coletiva do mal-estar comum”. Na sua opinião, é “imensamente difícil” que no trabalho assalariado se encontre uma possibilidade de realização pessoal-profissional, ainda que observe que “no nível individual há, sim, quem o consiga, apesar da instabilidade, da arbitrariedade, da falta de perspectiva, da ausência de controle sobre o quê, o como e o ‘para quê’ do seu trabalho”.

Benítez escreveu, junto com Homera Rosetti,La huelga de Panrico[A greve de Panrico] (Ed. Atrapasueños, 2018), umlivro sobre a experiência da greve indefinida que o efetivo de funcionários da única fábrica na Catalunha da antiga panificadora Panrico manteve entre outubro de 2013 e junho de 2014[N. do T.: A firma buscava reduzir salários e demitir quase 2.000 funcionários, na tentativa de se ajustar aos problemas econômicos, que acabaram sendo superados sem essas medidas, possibilitando a venda da empresa, em condições superavitárias, dois anos depois, para um grupo mexicano]. Ela acredita que os momentos de organização, de ganho de posições e de conquista de mudanças no campo laboral são, estes sim, fonte de satisfação e crescimento para os trabalhadores, apesar de todos os obstáculos.

Por isso, considera que a greve não deixa ninguém na indiferença:“É una alteração da normalidade em que se incrementa a sociabilidade entre trabalhadores, se põe à prova a capacidade de análise e de organização coletiva, e se descobrem habilidades ‘ocultas’: criatividade em todos os níveis para pensar ― onde, quando, como pressionar a empresa, para poder dirigir-se aos demais colegas de trabalho, para ativar solidariedades externas a ele –, para fazer — construir piquetes, acampamentos –, para negociar, para planejar. As greves, os processos de luta coletiva, modificam as pessoas que participam. São momentos de muita tensão e emoção, em todos os sentidos”.

Eu não quero ser feliz… andar tranquilamente na favela em que eu nasci… eh!

“Mas para mim tem um gosto tão ruim!…”, diz a letra de uma canção do grupo de rock espanhol Los Enemigos, que reconhece o incômodo próprio diante de alguém que consegue sorrir quando a ocasião exige, alguém que distingue os meios dos fins e sabe até onde pode ir, diante de alguém, em suma, que é tão feliz e que se entrosa bem. A canção, incluída no disco “La vida mata” (1990), pode ser lida como uma antecipação ao agastamento diante da impossibilidade de alcançar essa meta da felicidade sugerida como ideal a partir de tantas frentes. Mas também, em certa medida, como uma reação.

Quase trinta anos depois da sua gravação, Edgar Cabanas observa que está se gerando na Espanha uma certa consciência crítica. “O outro discurso ganha porque é mais simplista, facilmente traduzível em manchetes, incorporável em políticas empresariais, comercializável, mas também cresce um terreno fértil, um meio de cultura crítico para se contrapor a ele”, nota o coautor deHappycracia.

A professora Vila Núñez defende que “enquanto houver resistência, não há triunfo”, mesmo que não tenha dúvidas de que estamos em uma nova fase do avanço do capitalismo, “um estágio sofisticado, definido pelo assalto ao desejo, à própria subjetividade. Um inferno à medida do nosso desejo, nos lembraria hoje, se estivesse entre nós, Jesús Ibáñez. Já não somos apenas corpos disciplinados, mas desejos expropriados, corpos sem memória”.

No seu entendimento, numa sociedade que afirma o imperativo da felicidade “nada mais tem sentido porque nada tem nem princípio nem fim, só existe o ‘vai!’, o ‘just do it!’, porque não há nem lembranças nem compromissos, não somos ninguém, não viemos de parte alguma e não vamos a parte alguma. Esse é o estado da questão, é o conto do balanço das contas: Sísifo arrastando a pedra que, ao chegar ao alto, sempre está à beira de cair”.

La vida de las estrellas[A vida das estrelas] (Ed. La Oveja Roja), segundo romance de Noelia Pena, foi publicado ao final de 2018. Trata-se de um relato sobre outras realidades, que não aquelas impostas pelo arquétipo da pessoa triunfante, oself-made winnere feliz; realidades que essa figura pretende ocultar. Para a autora, o que interessava ― diz ela aEl Salto― era “lançar um pouco de luz sobre certos problemas e conflitos que nem sempre queremos encarar, como a doença, a solidão, o isolamento, o abuso. A proliferação de patologias como a ansiedade e a depressão evidencia que esse sistema não nos deixa viver: nos espreme e asfixia. O que acontece quando uma depressão nos impede trabalhar ou quando perdemos um emprego? Nossa segurança se estremece, e com ela o modelo de vida que projetamos em torno do êxito profissional”.

Pena acredita que o grande problema social continua sendo a emancipação, e trata disso no seu livro, mas garante que não pretendeu que seus personagens fossem o contraponto ao que prescreve a psicologia positiva: “O que se pode ver nos problemas dos personagens do romance é a dimensão coletiva dos mal-estares contemporâneos. Apesar do individualismo crescente, grande parte dos nossos problemas tem dimensão social: a solidão dos personagens, para não ir muito longe, especialmente dos mais velhos. Tanto amindfulnesscomo os livros de autoajuda tentam nos convencer de que, mudando nossa mente, podemos mudar a realidade e, individualmente, podemos alcançar a felicidade. Mas como ser feliz, se a solução para os nossos problemas não é individual, mas comporta decisões alheias, sejam políticas, médicas ou então que apontam para estruturas de poder assentadas há séculos, ou para a violência sobre nossos corpos por parte de outras pessoas?”. A resposta a essa pergunta é, possivelmente, a mais importante de todas as que se buscam ao longo da vida.

Fonte Brasil:Outras Palavras
Por: José Durán Rodriguez
Tradução: Ricardo Cavalcanti-Schiel
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Misoginia: “As mulheres são desonestas por natureza”

“Uma parte do opressor está instalada profundamente em cada uma de nós” (Audre Lorde) e …os esforços contra a igualdade “estão codificados e interiorizados, são difusos e camaleônicos” (Susan Faludi).

Los parroquianos de McSorley’s Old Ale House se mofan de Lucy Komisar, una de las primeras mujeres en beber en el pub después de que la ciudad de Nueva York aprobó una ley antidiscriminación. Antes de esto, el bar –abierto desde 1854– no admitía mujeres. Un camarero intentó impedir la entrada de Komisar y una vez que estuvo dentro algunos clientes la abuchearon y otro le volcó una cerveza en la cabeza. 10 de agosto de 1970. Barton Silverman/The New York Times

¿Cómo luce la misoginia?

La misoginia está en todas partes. O más bien, “misoginia” está en todas partes. La palabra, que convencionalmente significa el odio hacia las mujeres, solía ser una acusación radical. Sin embargo, ahora parece haber eclipsado a los más amables “sexismo” y “chauvinismo” en el habla popular. Ahora llama poco la atención encontrar “misoginia” en un titular y mucho menos en un tuit.

De un lado del espectro, el término se usa para describir la desigualdad societal evidente, por ejemplo, en la brecha salarial, las dificultades para encontrar atención médica adecuada y las prerrogativas dehombres como Les Moonvesque destruyen la carrera de quienes los denuncian.

“Desafortunadamente, la misoginia violenta no es nueva en la política”, decíaun encabezadode CNN en 2018. “La misoginia aviva la autogestión de las mujeres”,titulabaThe Guardian a finales de agosto. Unacolumna de opiniónen The New York Times exploraba “La misoginia reservada especialmente para las madres”. Kim Schrier, una pediatra que se postulaba al congreso –hoy congresista demócrata– calificó sin rodeos a Donald Trump como “misógino jefe” en untuitdel año pasado.

Una mirada a las fotografías de archivo, incluidas las de The New York Times, revela cómo, mientras el término se popularizó, la misoginia también ha formado parte del panorama visual, desde los titulares noticiosos hasta la experiencia cotidiana.

Sin embargo, como tanto de lo que ocupa el discurso actual, la resonancia del vocablo oscila entre lo importante y lo susceptible al meme. Un reportaje sugería que unamangosta en Keniapodía ser misógina. “Bájale a la misoginia”, dice una camiseta de venta en Etsy. Y cómo olvidar la taza con un tiburón tan caprichoso como concientizado que dice: “Aleta contra la misoginia”.

El desdén hacia las mujeres, suele argumentarse, también es el motivo por el cual se rechazan ciertos rincones de la cultura popular. “¿Será que mi misoginia interior me ha impedido leer novelas de romance toda la vida?”, se preguntaba una escritora.Odiar a las Kardashiantambién se interpreta como antimujer, porque al hacerlo reducimos a las célebres hermanas a simples estereotipos. Es la lógica de muñeca rusa del momento: despreciar cualquier refugio que tienen las mujeres de la misoginia –ya sea la telerrealidad, un régimen de belleza o la astrología– es en sí mismo misógino.

Así que, en más de un sentido, la misoginia ahora está de moda, pero también tiene una larga historia.

El término surgió en el siglo XVII, como respuesta a un panfleto antimujer escrito por un maestro de esgrima inglesa llamado Joseph Swetnam. El folletín de 1615, titulado en parteProceso a las mujeres lascivas, ociosas, desobedientes e inconstantes, se publicó en medio de una prematura ansiedad moderna y del debate sobre el sitio que las mujeres debían ocupar en la sociedad. Era más que nada un compendio de chistes sexistas, una obra indigesta dirigida a una audiencia de “jóvenes insensatos”. También fue muy popular.

“Las mujeres son deshonestas por naturaleza”, escribió Swetnam, como unprotoincel. Para él, “la mujer más bella tiene algo de vulgaridad en ella”. Desde Eva, la mujer “tan pronto fue creada, centró su mente en la maldad, pues las aspiraciones de su mente y su voluntad de desenfreno trajeron desgracia para el hombre que siguió la misma línea de su primera lideresa”. Eran como piedras pómez porque tenían el corazón lleno de huecos, escribió; como barcos pintados porque lucían hermosas pero contenían solo plomo. No es ninguna sorpresa que el folleto suscitara varias respuestas escritas por parte de mujeres. En una obra anónima tituladaSwetnam, el odiador de mujeres es procesado por las mujeres, el personaje que hace de Swetnam se llamaba Misogynos.

Durante los siguientes siglos misoginia se usó poco, pero su popularidad se disparó a mediados de la década de los setenta, y más o menos se instaló en el léxico del feminismo de la segunda ola con la crítica de Andrea Dworkin de 1974Woman Hating. En el libro, Dworkin argumenta que el prejuicio profundo y arraigado contra las mujeres informa distintos aspectos de la sociedad, desde la legislación hasta la cohabitación. Dos años más tarde, lo resumía así: “Como mujeres vivimos en medio de una sociedad que nos ve como despreciables. Se nos menosprecia… Somos víctimas de una violencia continua, malévola y autorizada en contra nuestra”. (Una idea que no resulta ajena para mujeres como Kathrine Switzer, quien aparece en la fotografía de abajo, que fue célebremente acosada cuando fue una de las primeras mujeres en correr la maratón de Boston de 1967).

Jock Semple, oficial del Maratón de Boston, intentó expulsar de la pista a la fuerza a Kathrine Switzer. Switzer completó la carrera, pero no fue sino hasta 1972 que a las mujeres se les permitió participar. 19 de abril de 1967.

En los años ochenta y noventa, leer a Dworkin se convirtió para muchas en un rito de iniciación universitario desconcertante y estimulante. Su escritura es una mirada estridente y salvaje al sesgo sistémico que afecta la experiencia cotidiana de las mujeres. ¿Era odio verdadero eso que se agazapaba debajo de cada reunión con tu jefe, en cada cita, sermón, novela, comercial televisivo? Sí, insistía Dworkin. En aquella época era una idea radical. Para muchos todavía lo es.

Este entendimiento de la misoginia se convirtió en una idea común entre las feministas: el asunto era estructural. La sociedad estaba organizada en modos misóginos, incluso si sus miembros no se concibieran a sí mismos como seres que odiaban a las mujeres. La escritora y activista Audre Lorde escribió en 1980 que existe “una parte del opresor que está plantada profundamente en cada una de nosotras”. Susan Faludi, autora del libro de 1991Reacción: la guerra no declarada contra la mujer moderna,hizo eco de la idea y argumentó que los esfuerzos contra la igualdad “están codificados e interiorizados, son difusos y camaleónicos”.

De modo similar a “racista” –que antes se usaba sobre todo para describir a ciertos alguaciles, políticos o vecinos–, “misógino” ahora se usa con frecuencia tanto para el sistema de instituciones que hacen de Estados Unidos un país desigual como para sus individuos. En este sentido amplio resultan involucrados hombres felizmente casados, hombres con hijas e incluso mujeres. La palabra se está usando de un modo en que no hay que odiar a las mujeres para ser misógino, a pesar de la definición que ofrece hasta hoy elDiccionario Webster.

Pero ¿puede una sola palabra con todo este trabajo? ¿Puede describir algunos de los peores y más violentos impulsos en nuestro mundoytambién los actos cotidianos de sesgo de género? ¿Deberíamos usar el término tanto para describir la violación conyugal como la ausencia de protagonistas femeninas poderosas en la televisión? Resulta que ya lo hace y ya la usamos así.

Algunos diccionarios ya lo han notado. William Safire, el columnista de The New York Times que durante décadas escribió sobre la textura de nuestro lenguaje, notó en 2008 que elDiccionario Oxfordhabía ampliado su definición en 2002 para incluir “prejuicio en contra de las mujeres” como una de las acepciones de la palabra. “Sexista y misógino ahora son en cierto sentido sinónimos”, escribió. “Como ‘sexista’ se ha utilizado de forma tan amplia, parece que la palabra ‘misógino’ –en el mismo sentido que ‘prejuicio’ mas que ‘odio’– ahora conlleva la misma fuerza, para quienes están familiarizados con la palabra”.

El vocablo solía ser una condena fuerte y personal, espantosa tan pronto nos llegaba al oído. Ahora resulta una palabra menos áspera cuando la escuchamos. Pero paradójicamente, incluso cuando se vuelve más común también es más incisiva. Captura la disonancia cognitiva de nuestra era, en la que las mujeres –tan vilipendiadas como veneradas– postulan a la presidencia al mismo tiempo que batallan por alcanzar la licencia de maternidad remunerada.

Esta holgura parece apropiada para estos tiempos, ya que la noción de Dworkin de misoginia –alguna vez radical– ahora se ha vuelto mucho más aceptada.

Consideremos esta cita de Dworkin de 1997: “Las mujeres parecemos fracasadas y atroces cuando estamos tristes. Las mujeres somos patéticas cuando estamos enfadadas. Las mujeres somos ridículas cuando militamos. Las mujeres somos desagradables cuando nos amargamos sin importar la causa de nuestra amargura. Las mujeres son unas trastornadas cuando anhelan justicia. Las mujeres odian a los hombres cuando las mujeres buscan respeto y responsabilidad de parte de los hombres”.

Suena muy parecido a una publicidad reciente que Nike difundió durante la ceremonia de los Oscar y que gozó de una cálida acogida. “Si mostramos emoción nos dicen dramáticas” dice la voz enoffde Serena Williams. “Si queremos jugar contra los hombres, somos dementes. Y si soñamos con igualdad de oportunidades estamos delirando. Si defendemos algo, somos unas desquiciadas. Si somos demasiado buenas, algo anda mal con nosotras. Y cuando nos enfadamos, somos histéricas, irracionales o simplemente estamos locas”.

Por: Nina Renata Aron
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Mulheres dramáticas, dementes, delirantes, trastornadas, irracionais, histéricas, loucas…

As mulheres que expressam suas emoções, suas paixões e suas opiniões são chamadas de dramáticas, dementes, delirantes, transtornadas, irracionais ou loucas. De loucas ou histéricas para humilha-las. A Histeria foi uma das primeiras doenças mentais atribuidas unicamente às mulheres.

Claire Merchlinsky

No estás ‘loca’: estás luchando por lo que quieres

“Si quieren decir que estás loca, adelante: enséñales lo que logra la locura”.
Serena Williams, en un nuevo comercial de Nike

Quizá no haya una mujer más apta que Serena Williams para encabezar la batalla a fin de reivindicar la palabra “loca”. En los últimos seis meses, ha sido penalizada, multada y criticada por lo que ha dicho, hecho,vestido y por cómo se ve, mientras sus detractores la llaman una “loca”.

Su capacidad para florecer a pesar de todo ha hecho que sus legiones de seguidores la aprecien más, así que no fue una sorpresa que sus admiradoras se volvieranlocas —por así decirlo— la noche del 24 de febrero cuando el nuevo comercial de Nike donde solo hay mujeres, Dream Crazier, se estrenó en los Premios Oscar (ya tiene seis millones de reproducciones en YouTube).

El anuncio es un montaje de algunas de las mejores atletas del mundo en el que hacen lo que mejor hacen y desafían a la autoridad mientras lo logran. Williams lo narra y dice que las mujeres que expresan sus emociones, su pasión y sus opiniones han sido llamadas dramáticas, dementes, delirantes, trastornadas, irracionales o locas; al parecer va más allá del mundo del deporte y también se refiere a cómo todo tipo de mujeres han sido tratadas a lo largo del tiempo.

A las mujeres se les ha llamado locas o histéricas para rebajarlas desde hace siglos. La “histeria” — que viene del griego,hystera, útero — fue una de las primeras enfermedades mentales que únicamente se atribuía a las mujeres.

“La idea era que cualquier desplante emocional que sobrepasara los límites estrictos de lo aceptable se podía considerar ‘histeria’”, según me dijo esta semana Elaine Showalter, una académica feminista que escribió un ensayo tituladoHysteria, Feminism and Gender. (Por ejemplo, unas cartas recién publicadas de Charles Dickens revelan que intentó hacer que su esposa, la madre de sus diez hijos, fuera recluida en un manicomio mientras él vivía un amorío. En ese tiempo, era suficiente decir que su esposa sufría de “exceso de emoción” para determinar que estaba “neurasténica”, y esa fue la razón que él dio.)

La verdadera politización de la palabra, explicó Showalter, se dio en 1890 cuando comenzaba el movimiento de las Sufragistas y surgía la “nueva mujer”: una mujer independiente, desafiante, segura de sí misma, osada y dueña de sus emociones.

“De eso se trataba el comercial”, dijo Showalter, quien también es profesora emérita de Literatura Inglesa en la Universidad de Princeton.

Durante ese tiempo, los calificativos de “histérica” y “loca” se usaban principalmente para atacar a dos grupos de mujeres: las que exigían un lugar en la universidad —sobre todo en la facultad de Medicina (un argumento en contra era: “Van a fatigar sus cerebros”)— y las mujeres que hablaban en público (a ellas se les consideraba “anormales, amenazantes y repulsivas”, de acuerdo con Showalter).

“Hablar en público era un tabú muy grande y se consideraba muy poco femenino; no importaba cómo se hiciera, se atacaba por ser una muestra de histeria”, afirmó Showalter.

¿Suena conocido? En 2017, la senadora Kamala Harris fue llamada “histérica” por el antiguo ayudante de Trump, Jason Miller, solo por cumplir con su trabajo (durante una audiencia, a los senadores del Comité del Senado sobre Inteligencia se les dio tiempo para preguntar a Jeff Sessions, quien entonces era el fiscal general, sobre su vinculación con los rusos en las elecciones de 2016). Cuando se le insistió para que explicara por qué decía que estaba histérica, Miller respondió: “O sea, hacía unas preguntas muy difíciles”.

Desde hace mucho Serena Williams ha alentado a las mujeres jóvenes para que sean asertivas, como lo hicieron antes otras lideresas. Las Sufragistas más experimentadas les daban valor a las más jóvenes, sostuvo Showalter. “Solían decir: ‘No tengas miedo, vas a tener que hacerlo. Ve y habla en público, di lo que piensas y sé directa’”.

Por: Maya Salam
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Educação sexual: os progressistas vencem os conservadores… na Inglaterra

 Las escuelas inglesas ampliarán de manera significativa la educación en materia de sexo y relaciones para cubrir temas que incluyen las relaciones entre personas del mismo sexo, las personas trans, la menstruación, el abuso sexual, la salud mental, la mutilación genital femenina, el matrimonio forzado, la pornografía y el sexteo.

Damian Hinds, el ministro de Educación, dijo que los adolescentes de hoy se enfrentan a presiones “que ni siquiera existían hace una generación”.

Inglaterra implementa una educación sexual progresista, aunque los padres se quejan

LONDRES — Las escuelas inglesas ampliarán de manera significativa la educación en materia de sexo y relaciones para cubrir temas que incluyen las relaciones entre personas del mismo sexo, las personas trans, la menstruación, el abuso sexual, la salud mental, la mutilación genital femenina, el matrimonio forzado, la pornografía y el sexteo.

El gobierno anunció los cambios, que representan la primera revisión del programa educativo sexual desde 2000 en esa nación y que han sido recibidos con una oposición vocal por parte de algunos padres y escuelas religiosas, que quieren poder evitar algunos de los elementos en sus programas. Pese a la oposición, el programa de estudios ya es ley y entrará en vigor en septiembre de 2020.

“No hay una guía para la educación sexual y en materia de relaciones con la que todos vayan a estar felices”, dijo Damian Hinds, ministro de Educación del Reino Unido ante el Parlamento el 25 de febrero, después de anunciar las revisiones.

“Nuestros lineamientos se basan en que estos temas obligatorios deberían ayudar a mantener seguros a los niños, ayudarlos a prepararse para enfrentar el mundo en el que están creciendo” y también “ayudarlos a fomentar el respeto a los demás y a la diversidad”, agregó.

Los padres podrían excluir a sus hijos de algunos elementos, entre ellos los que son más explícitamente sexuales, pero no de otros, explicó Hinds. Sin embargo, eso será posible solo hasta que los estudiantes tengan 14 años: a partir de los 15 dependerá del estudiante decidir si participa en todas las materias de educación sexual ofrecidas.

El programa educativo desarrollado por el gobierno británico será obligatorio para cualquier escuela en Inglaterra que reciba financiamiento público, incluidas las escuelas religiosas. Escocia, Gales e Irlanda del Norte, los demás países que conforman el Reino Unido, tienen estándares distintos.

Para el lunes por la mañana, cuando el nuevo plan de estudios fue establecido como ley, una petición en línea para que los padres tengan más poder de decisión respecto a lo enseñado a los estudiantes había acumulado más de cien mil firmas. Mientras el Parlamento debatía la política ese día, discusión que no afectó la política final, decenas de manifestantes estaban reunidos afuera.

El gobierno “prácticamente está adoctrinando a los niños con una ideología específica acerca de que no existe el bien ni el mal y que todo es como a ti te plazca, básicamente”, dijo Musa Mohammed, de 32 años, padre de tres que se unió a la manifestación. “Estos son nuestros hijos; sus padres deben encargarse de ellos, no el Estado”.

Britta Riby-Smith, madre de tres, dijo que acudió a las protestas frente al Parlamento para apoyar “la causa cristiana”.

Riby-Smith criticó que con el nuevo programa “la agenda LGBT se hará más fuerte” medida que los niños crezcan. “Es algo que quiero que sepan mis hijos; definitivamente no quiero que sean ignorantes, pero me gustaría ser yo quien se lo enseña”.

No obstante, la parlamentaria Helen Jones, del opositor Partido Laborista, insistió en que el nuevo programa no defendía ningún conjunto de opiniones en específico, sino que estaba diseñado con el fin de preparar a los niños para que se enfrenten al mundo tal como es.

“Es menos probable que los jóvenes que reciben una buena educación en materia de sexualidad y relaciones tengan sexo antes de tiempo; también es mucho menos probable que se contagien de alguna enfermedad de transmisión sexual”, comentó.

Algunas defensoras de la salud de las mujeres habían organizado una campaña a favor de enseñar acerca de la menstruación pues argumentaron que las niñas a menudo no estaban conscientes de posibles señales de padecimientos dolorosos o peligrosos relacionados.

Jessica Ringrose, profesora de Sociología de Género y Educación en University College London, dijo que el programa era prometedor. Agregó en entrevista que “será genial que logren abordar todos esos temas”.

La educación sexual ya existe en la mayoría de las escuelas inglesas, pero, según la política de 2000, el programa es más limitado y está más enfocado en las escuelas secundarias; además, gran parte del programa no es obligatorio. Los niños generalmente comienzan la educación secundaria a los 11 años.

Los nuevos estándares incluyen educación obligatoria en primaria y secundaria acerca de qué factores hacen a una relación sana o nociva, parte de un enfoque más amplio respecto de la salud mental y física. Se recomienda comenzar la educación sexual básica en los últimos años de la escuela primaria, pero no es un requisito.

El programa de educación sexual en secundaria y preparatoria incluye temas nuevos como el hecho de que “hay distintos tipos de relaciones estables de compromiso”, sobre “qué constituye el acoso y la violencia sexuales” y respecto a que el “material pornográfico a menudo presenta una imagen distorsionada de las conductas sexuales”.

Por: Iliana Magra
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Ela trocou remédios por maconha e controlou a depressão

“O mais complicado é que a depressão é uma patologia que lá fora já é tratada com cannabis, mas aqui a Sociedade Brasileira de Psiquiatria tem uma rejeição ao uso terapêutico da planta”, disse o advogado Ubaldo Onésio de Araújo.

Os remédios não faziam mais efeito. Ela trocou pela maconha e controlou a depressão.

Os remédios tradicionais, entre eles o popular Rivotril, pareciam não fazer mais efeito quando V., de 59 anos, conheceu o extrato da maconha, no começo de 2018. Segundo ela, a cannabis sativa, uma das espécies da droga, a fez dormir e acordar tranquila pela primeira vez depois de anos. Diagnosticada com depressão em 2014, V. conseguiu os primeiros frascos de extrato de cannabis com um médico – a importação pode chegar a custar R$7 mil por mês.

Sem dinheiro, disposta a dar continuidade no tratamento e a não ser presa, eladecidiu entrar na justiçapara conseguir a autorização do cultivo.

Deu certo: no último dia 31 de outubro o juiz federal Mário Jambo, do Rio Grande do Norte, a autorizou a ter até seis plantas e a transportá-las. Foi a primeira vez que a justiça brasileira liberou a maconha para tratamento de um paciente de depressão.

A ação também se estende a sua filha, que a ajuda no cultivo. Sem o apoio da justiça, ambas poderiam ser presas. Com a autorização, V. agora pode, além de plantar, também extrair o óleo de cannabis em sua própria casa. O juiz considerou que, se o uso recreativo não é considerado crime pela lei, o uso médico também não pode ser. Os argumentos do jurista coincidem com os da Comissão de Reforma da Lei Antidrogas, que apresenta nesta quinta-feira o relatório final que propõe da descriminalização do uso pessoal da maconha, de que o usuário não pode ser punido. Mario Jambo ainda reforçou que a Anvisa reconhece o uso medicinal da planta.

O caso de V. abre novas perspectivas para a maconha medicinal no Brasil – e a decisão antecipa o debate que acontece nesse momento no Senado. A Comissão de Assuntos Sociais da casa aprovou em novembro do ano passadoprojeto de lei 514/2017, que modifica um trecho da legislação sobre drogas e libera o cultivo de maconha para uso pessoal terapêutico. O projeto, agora, segue para a Comissão de Constituição e Justiça e, de lá, para a Câmara dos Deputados.

O avanço do conservadorismo no Congresso deve dificultar a tramitação da proposta, mas as autorizações judiciais já antecipam o impacto da liberação para as famílias que precisam da cannabis para tratamento. Como aautorização concedida pelo Tribunal de Justiça de SP– feito inédito nesta instância– nesta semana para uma servidora pública de Campinas, mãe de uma menina de 6 anos diagnosticada com autismo.

Produção caseira

Não foi fácil para V. conseguir a autorização. Sua defesa reuniu artigos científicos, reportagens, laudos médicos e depoimentos de familiares relatando a melhora da paciente.“O mais complicado é que a depressão é uma patologia que lá fora já é tratada com cannabis, mas aqui a Sociedade Brasileira de Psiquiatria tem uma rejeição ao uso terapêutico da planta”, disse o advogado Ubaldo Onésio de Araújo.

A defesa também conseguiu uma declaração do Instituto do Cérebro, na Universidade Federal do Rio Grande do Norte, afirmando que seus laboratórios poderiam ser utilizados para analisar o extrato e garantir que o medicamento tenha as dosagens receitadas pelo médico. Isso já acontece, por exemplo, no caso do paciente que recebeu autorização para plantar maconhapara tratar a Doença de Parkinson no início deste ano também no Rio Grande do Norte.

O tipo de óleo e a dosagem de canabinoides, as substâncias que ativam receptores no cérebro e que são encontradas na maconha, mudam de acordo com o paciente e a doença. Na fabricação artesanal é um desafio alcançar as doses adequadase encontrar qual o tipo de maconha que atende melhor ao tratamento. Para a depressão, V. precisa de um extrato híbrido com níveis diferentes de canabidiol, que tem efeitos mais relaxantes, e THC, um estimulante.

A substâncias extraídas da planta imitam moléculas encontradas em humanos e outros animais e criam sensação de conforto e bem-estar ao ativarem determinados receptores no cérebro. Os canabinoides, naturais do cérebro ou encontrados na herva, são neurotransmissores e fazem a comunicação entre neurônios.

“Muitas vezes as pessoas usam o extrato sem segurança do conteúdo que está ali dentro. Isso pode até fazê-la não sentir uma melhora, quando na verdade a combinação é que não está correta para a doença”, explica Cláudio Queiroz, professor do Instituto do Cérebro.

V. conheceu o tratamento com cannabis em uma palestra do Coletivo Delta 9 e do Instituto do Cérebro. O coletivo trabalha em parceira com a ONG Reconstruir Cannabis, de Natal, no Rio Grande do Norte, que no momento auxilia quatro pessoas com depressão e três com ansiedade. O Reconstruir está buscando na justiça a autorização para o cultivoe extração do óleo. A entidade segue os passos da Associação Brasileira de Apoio Cannabis Esperança, da Paraíba, que conseguiu liberação no ano passado.

Maconha como antidepressivo

Existem pesquisas que associam o uso da cannabis ao desenvolvimento de quadros depressivos– especialmente relacionado ao uso excessivo e precoce, na adolescência. No entanto, segundo o neurocientista Sidarta Ribeiro, diretor do Instituto do Cérebro, isso só ocorre em casos específicos. “Perguntar se maconha causa depressão só faz sentido se você perguntar qual maconha. São várias espécies diferentes”, disse ao Intercept. Segundo ele, o efeito depressivo relacionado aos jovens desaparece nos adultos e idosos.

“O THC produz novas sinapses e o jovem já tem muita atividade neural, o que leva a um desequilíbrio. No caso dos idosos, o aumento da comunicação entre os neurônios com a maconha funciona como uma suplementação. O efeito é o mesmo dos antidepressivos”, diz Ribeiro. Com uma diferença: eles não causam efeitos colaterais como disfunção sexual, irritabilidade e agitação, além de terem uma taxa de dependência menor.

“A maconha é a coisa mais importante para a medicina do século 21. Ela trata epilepsia, Parkinson, Alzheimer, câncer e depressão. Tem que ter alguém com muita grana que banque um ensaio clínico sobre a planta, isso não existe porque a planta não dá para patentear. Existe um lobby para que a maconha fique ilegal. No futuro, vamos lamentar todos os anos em que não usamos a maconha para fins terapêuticos”, garante o diretor do Instituto do Cérebro.

Outra pauta sobre maconha está no Supremo Tribunal Federal – mas, desta vez, seu uso recreativo. Quando foi à votação, em 2015, três dos 11 ministros votaram pela liberação do porte de maconha para uso pessoal: Gilmar Mendes, Edson Fachin e Luís Roberto Barroso.

O julgamento, no entanto, estava suspenso desde setembro de 2015, quando ministro Teori Zavascki pediu vistas do processo. Agora, o ministro Alexandre de Moraes liberou o projetopara ir a plenário. Os ministros do STF devem votar neste ano.

Correção: 7/02, 15h42

O título anterior desse texto falava em “curar” a depressão com maconha. Alertados por um leitor, reconsideramos e modificamos para “controlou a depressão”, uma vez que V. tem tido sucesso em aliviar seus sintomas com a medicação a base de cannabis, não necessariamente foi curada.

Fonte: The Intercept

Por: Juliana Gonçalves

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