“A crise da escola é a crise da democracia”

“…que todas as disciplinas incorporem o pensamento crítico para promover o combate a ideologias extremistas: “A direita não quer que as pessoas pensem”. “A esquerda é muito estúpida no que se refere à educação”.

O professor Henry Giroux no pátio do Centro de Cultura Contemporânea de Barcelona JUAN BARBOSA

O pedagogo norte-americano Henry Giroux defende que todas as disciplinas incorporem o pensamento crítico para promover o combate a ideologias extremistas: "A direita não quer que as pessoas pensem"

Henry Giroux (Providence, EUA, 1943), um dos acadêmicos mais reconhecidos noCanadáe um dos impulsionadores da chamada pedagogia crítica, tem um discurso radical sobre as falhas do sistema educacional. Ele não fala dos resultados dos examesPISA, que medem o conhecimento em ciências, matemática e compreensão leitora dos alunos de 15 anos de idade nos países daOCDE. Aliás, considera que provas padronizadas são uma estratégia da direita para desviar a atenção do “verdadeiro” problema da educação: não fomentar o pensamento crítico, de modo a criar cidadãos “conformistas” que não exijam nada das autoridades.

Radicado em Toronto, Giroux é conhecido por suas publicações conjuntas com Paulo Freire, um dos pedagogosde referência do século XX por sua teoria da Pedagogia do Oprimido, em que propõe a rebelião dos mais desfavorecidos através do acesso à educação. Giroux, pesquisador da Universidade McMaster de Ontário, foi incluído na obra Fifty Modern Thinkers on Education: From Piaget to the Present(editora Routledge, 2002), que seleciona os 50 pensadores que mais contribuíram para o debate educacional no século XX.

Giroux, autor de Neoliberalism’s War on Higher Education(“a guerra do neoliberalismo contra o ensino superior”, sem edição no Brasil), critica que as universidades estejam sendo atacadas com cortes contínuos em seu financiamento, especialmente os departamentos de humanas, para que deixem de ser centros de pensamento. E cita o caso brasileiro. Na semana passada, depois de dar uma palestra no Centro de Cultura Contemporânea de Barcelona, conversou com o EL PAÍS.

Pergunta.O que é a pedagogia crítica?

Resposta.Não é um método que possa ser aplicado nos colégios. É uma revisão do tipo de escola que queremos. É uma tentativa de reconhecer que a educaçãoé sempre política, e o tipo de pedagogia que se usa tem muito a ver com a cultura, a autoridade e o poder. A história que contamos ou o futuro que imaginamos se reflete nos conteúdos que ensinamos. A pedagogia tal e como está exposta ataca em vez de educar. É um sistema opressivo, baseado no castigo e na memorização, que persegue o conformismo. É preciso desenvolver outros métodos que formem alunos capazes de desafiar as práticas antidemocráticas no futuro.

P.Há alguns anos, houve uma onda de inovação educacional que transformou muitos colégios. Não acha que estão cumprindo essa função?

R.As escolas estão sendo atacadas, especialmente por Governos fascistase de direita. No Brasil, Bolsonaroincentivou os alunos a denunciarem os professores de esquerda por uma suposta doutrinação, e quer eliminar todas as referências a Paulo Freire dos currículos. Acaba de anunciar um corte nas graduações de humanas, como filosofia e sociologia, para priorizar profissões que “gerem um retorno ao contribuinte”. A crise da escola é a crise da democracia. Os governos de direita não querem que as pessoas pensem, e a educação tem um papel central na luta contra as narrativas tóxicas e o surgimento de ideologias ligadas à supremacia branca.

P.Como se pode implantar a mudança que você propõe? Acha que os partidos de esquerda estão à altura?

R.Primeiro o interesse tem que vir da rua, da comunidade de moradores e dos próprios professores. O poder tem que levar a educação a sério. A esquerdaé muito estúpida no que se refere à educação. Não percebe a importância que ela tem. Nos Estados Unidos, Obama reproduziu o programa dos republicanos, o teaching for the test(“ensinar para a prova”). As provas são parte de um discurso de opressão, são uma forma de disciplinar alunos e professores, e privam os alunos de terem imaginação. É preciso potencializar o diálogo, a construção de identidades e como encaixar os outros, como as minorias, por exemplo.

P.Qual é o perigo das provas?

R.São uma estratégia para fazer cidadãos menos críticos. Disseram aos professores que eles não são intelectuais, que são tecnocratas e que estão lá para medir o conhecimento dos alunos, que o que importa são os exames. Parece que a avaliação é o centro do sistema educacional. Mas a função da escola deveria ser conseguir criar cidadãos tolerantes, com capacidade de diálogo. O colégio é o lugar onde se criam as identidades. Quem você quer ser? Quando o professor e os conteúdos são incontestáveis, estão inculcando uma forma autoritária de entender a sociedade. Silenciar as dúvidas sobre o que vem dado de cima. A direita sabe tirar partido disso.

P.O Canadá é um exemplo de inclusão nas salas de aula. Acha que é uma referência?

R.O Canadá tem um sistema muito progressista, mas tampouco se salva. Em Ontário, o novo primeiro-ministro [provincial], Doug Ford, do Partido Conservador, suprimiu as classes de educação sexual e obrigou a retomar o currículo de 1990. Quer centrar o sistema em educar para o trabalho. Os Governos transformam a educação em algo que não deveria ser.

P.Não acha que as escolas devem preparar os alunos para as habilidades que o mercado de trabalho exige? Vão encontrar um terreno muito competitivo.

R.Não têm que preparar para o trabalho que os alunos terão no futuro, e sim para o tipo de sociedade em que eles querem viver. Eu te ofereço as habilidades digitais para que você trabalhe no Google ou no Facebook, mas você viverá numa sociedade fascista e intolerante. Isso não vale. É preciso priorizar que eles aprendam a serem cidadãos informados, quando há partidos de extrema direita que estão ascendendo ao poder.

P.Poderiam acusá-lo de ter uma visão utópica demais.

R.Sobreviver não é só encontrar o trabalho adequado, é exigir um bom sistema público de saúde ou o direito a uma moradia digna. O sistema escolar, baseado na competitividade entre iguais e na ideia de ganhadores e perdedores, ensina a acreditar que quando você tem um problema a culpa é sua. Que os problemas são individuais. As pessoas não podem transferir os problemas pessoais para as carências do sistema. Então surgem indivíduos alienados que se culpam a si mesmos por sua situação infeliz. “Não fiz o suficiente no colégio, por isso vou mal”, pensam, em vez de olhar para o Estado do bem-estar, e ver se ele está sendo desmantelado. É preciso ensinar a lutar e a exigir da administração que cumpra suas obrigações.

P.Em seu último livro você faz uma crítica muito dura ao trato dispensado pelos Governos às universidades.

R.Trump ameaçou retirar recursos federais de universidades que considera serem monopolizadas por liberais e esquerdistas, e propôs reduzir o orçamento educacional em sete bilhões de dólares em 2020. Cerca de 70% dos professores do ensino superior nos Estados Unidostêm contratos de meia jornada. Isso afeta sua liberdade de expressão, pois acham que podem ser demitidos se falarem. Têm medo de se mobilizarem contra a administração. A universidade deveria ser um espaço para o diálogo. As universidades cada vez mais funcionam como empresas, não contratam intelectuais para liderá-las, e sim CEOs. Os alunos viraram clientes. Os jovens são um valor no qual vale a pena investir, um investimento longo. Mas os políticos, tanto de esquerda como de direita, só procuram resultados de curto prazo.

Fonte:El País
Por:Ana Torres Menárguez
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Tu és o lobo

Depois do último ataque armado a uma escola nos EUA, levantou-se uma crítica antiga: deixem de proibir textos infantis catalogados como tóxicos  como o Chapeuzinho Vermelho (sexista?) e o Kinder Surpresa e ousem fazer o que deve ser feito: controlem as armas.

¿Lobo estás?

Hace algunos días una escuela de Barcelona hizo noticia por la revisión de sus textos infantiles, declarando que 200 de ellos fueron catalogados como “tóxicos”. Entre ellos, Caperucita Roja, por considerarse sexista.

No es la primera vez que este cuento es arrojado a la hoguera. En los 90 en Estados Unidos fue retirado de las listas de lectura para menores, por el hecho de que Caperucita llevaba una botella de vino a la abuelita.Tras el último ataque armado en una escuela de ese país, resurgió la polémica, cuando la agrupación Moms Demand Action levantó una crítica antigua: dejen de prohibir banalidades como Caperucita Roja y el Kinder Sorpresa y atrévanse a hacer lo que hay que hacer, controlar las armas.
Cada época cree que triunfa con sus censuras. Y fracasa en un mal que siempre vuelve, retornando de lo reprimido, aunque sea vestido de otras maneras.

Quizá sea un asunto de la modernidad que quiere convencernos de la unidimensionalidad moral o, dicho de otro modo, de que no tenemos contradicciones en el alma. Los mitos, las religiones y los cuentos populares son productos culturales que integran el conflicto humano. En sus representaciones –dioses trágicos, personajes desventurados– lo que nos ofrecen es la posibilidad de elaborar nuestras pasiones, angustias y deseos cuando aún no tenemos palabras para digerirlos.La rivalidad entre hermanos, la envidia entre padres e hijos, los deseos parricidas, la codicia, las pulsiones sexuales a destiempo, la lucha interna entre el bien y el mal.La modernidad, en cambio, nos convence de que eso puede ser borrado con el progreso, con una buena terapia, con un algoritmo que se adelante. Hoy se trata de iluminar toda la caverna.¿Y el mal? Si no hay cómo integrarlo en cada uno, entonces siempre será un lobo peligroso encarnado en otro.

Lo que este siglo anuncia es que no quiere saber nada de la posibilidad de que el ser humano pueda ser un lobo para sí mismo. Para eso hay una pastilla, para que se nos pase. Sin resolver conflicto alguno.

Volvamos a la Caperucita Roja. ¿Es un cuento sexista? Sin duda es un cuento sexual. El feminismo, así como la antropología, o la disciplina que sea, puede hacer una revisión de la cultura desde su prisma. Pero no sólo desde su prisma. Si lo personal es político, entonces hay que tomar otros conocimientos respecto de lo personal.Cualquier teoría política sin teoría de sujeto es tan estúpida como la psicología de autoayuda sin política.

Lo cierto es que respecto de la Caperucita Roja se pueden decir varias cosas, además de que hay alguna versión donde su protagonista es un niño varón. Se puede señalar que habla del deseo sexual. No solo del lobo, sino que también de los niños.La sexualidad infantil fue uno de los descubrimientos de Freud en el siglo XIX, y más allá de que hoy hablemos de educación sexual para arriba y para abajo, aún nos angustia el deseo infantil.Antes el pánico moral estaba puesto en ellos, en que cerraran la puerta, en los peligros de la masturbación, hoy, el pánico está en los adultos, en que dañen a los niños. El énfasis cambia de lugar, pero es la sexualidad de los menores la que sigue generando ansiedad en los adultos. Tanto así, que los padres consultan a especialistas por niños cada vez más pequeños o por conductas sexuales propias de la edad. Activan las alarmas cuando no son capaces de decir ellos mismos: eso no se hace (por ahora).

Tal vez porque a nosotros también nos da pánico reconocer esa opacidad: que a veces algo nos llama a buscar al lobo en el bosque, nos convoca a lo desconocido. Pero saber eso es fundamental en la prevención de los abusos sexuales, y otros tantos también.

Podemos hacer cuentos donde existan principalmente heroínas y comida saludable. Cierto, vamos en contra de un modelo sexista. Pero no podemos vaciar los relatos de contradicciones, los niños merecen un soporte donde identificar sus conflictos. A punta de fábulas y lecciones morales, lo más seguro es que criaremos lobos, que es lo mismo que decir sujetos que se creen buenos.

Fonte: LATERCERA
Por: Constanza Michelson
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Educação sexual: os progressistas vencem os conservadores… na Inglaterra

 Las escuelas inglesas ampliarán de manera significativa la educación en materia de sexo y relaciones para cubrir temas que incluyen las relaciones entre personas del mismo sexo, las personas trans, la menstruación, el abuso sexual, la salud mental, la mutilación genital femenina, el matrimonio forzado, la pornografía y el sexteo.

Damian Hinds, el ministro de Educación, dijo que los adolescentes de hoy se enfrentan a presiones “que ni siquiera existían hace una generación”.

Inglaterra implementa una educación sexual progresista, aunque los padres se quejan

LONDRES — Las escuelas inglesas ampliarán de manera significativa la educación en materia de sexo y relaciones para cubrir temas que incluyen las relaciones entre personas del mismo sexo, las personas trans, la menstruación, el abuso sexual, la salud mental, la mutilación genital femenina, el matrimonio forzado, la pornografía y el sexteo.

El gobierno anunció los cambios, que representan la primera revisión del programa educativo sexual desde 2000 en esa nación y que han sido recibidos con una oposición vocal por parte de algunos padres y escuelas religiosas, que quieren poder evitar algunos de los elementos en sus programas. Pese a la oposición, el programa de estudios ya es ley y entrará en vigor en septiembre de 2020.

“No hay una guía para la educación sexual y en materia de relaciones con la que todos vayan a estar felices”, dijo Damian Hinds, ministro de Educación del Reino Unido ante el Parlamento el 25 de febrero, después de anunciar las revisiones.

“Nuestros lineamientos se basan en que estos temas obligatorios deberían ayudar a mantener seguros a los niños, ayudarlos a prepararse para enfrentar el mundo en el que están creciendo” y también “ayudarlos a fomentar el respeto a los demás y a la diversidad”, agregó.

Los padres podrían excluir a sus hijos de algunos elementos, entre ellos los que son más explícitamente sexuales, pero no de otros, explicó Hinds. Sin embargo, eso será posible solo hasta que los estudiantes tengan 14 años: a partir de los 15 dependerá del estudiante decidir si participa en todas las materias de educación sexual ofrecidas.

El programa educativo desarrollado por el gobierno británico será obligatorio para cualquier escuela en Inglaterra que reciba financiamiento público, incluidas las escuelas religiosas. Escocia, Gales e Irlanda del Norte, los demás países que conforman el Reino Unido, tienen estándares distintos.

Para el lunes por la mañana, cuando el nuevo plan de estudios fue establecido como ley, una petición en línea para que los padres tengan más poder de decisión respecto a lo enseñado a los estudiantes había acumulado más de cien mil firmas. Mientras el Parlamento debatía la política ese día, discusión que no afectó la política final, decenas de manifestantes estaban reunidos afuera.

El gobierno “prácticamente está adoctrinando a los niños con una ideología específica acerca de que no existe el bien ni el mal y que todo es como a ti te plazca, básicamente”, dijo Musa Mohammed, de 32 años, padre de tres que se unió a la manifestación. “Estos son nuestros hijos; sus padres deben encargarse de ellos, no el Estado”.

Britta Riby-Smith, madre de tres, dijo que acudió a las protestas frente al Parlamento para apoyar “la causa cristiana”.

Riby-Smith criticó que con el nuevo programa “la agenda LGBT se hará más fuerte” medida que los niños crezcan. “Es algo que quiero que sepan mis hijos; definitivamente no quiero que sean ignorantes, pero me gustaría ser yo quien se lo enseña”.

No obstante, la parlamentaria Helen Jones, del opositor Partido Laborista, insistió en que el nuevo programa no defendía ningún conjunto de opiniones en específico, sino que estaba diseñado con el fin de preparar a los niños para que se enfrenten al mundo tal como es.

“Es menos probable que los jóvenes que reciben una buena educación en materia de sexualidad y relaciones tengan sexo antes de tiempo; también es mucho menos probable que se contagien de alguna enfermedad de transmisión sexual”, comentó.

Algunas defensoras de la salud de las mujeres habían organizado una campaña a favor de enseñar acerca de la menstruación pues argumentaron que las niñas a menudo no estaban conscientes de posibles señales de padecimientos dolorosos o peligrosos relacionados.

Jessica Ringrose, profesora de Sociología de Género y Educación en University College London, dijo que el programa era prometedor. Agregó en entrevista que “será genial que logren abordar todos esos temas”.

La educación sexual ya existe en la mayoría de las escuelas inglesas, pero, según la política de 2000, el programa es más limitado y está más enfocado en las escuelas secundarias; además, gran parte del programa no es obligatorio. Los niños generalmente comienzan la educación secundaria a los 11 años.

Los nuevos estándares incluyen educación obligatoria en primaria y secundaria acerca de qué factores hacen a una relación sana o nociva, parte de un enfoque más amplio respecto de la salud mental y física. Se recomienda comenzar la educación sexual básica en los últimos años de la escuela primaria, pero no es un requisito.

El programa de educación sexual en secundaria y preparatoria incluye temas nuevos como el hecho de que “hay distintos tipos de relaciones estables de compromiso”, sobre “qué constituye el acoso y la violencia sexuales” y respecto a que el “material pornográfico a menudo presenta una imagen distorsionada de las conductas sexuales”.

Por: Iliana Magra
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É possível prevenir o abuso sexual em escolas católicas?

Conselhos sexuais da série ‘Sex Education’ serviriam na vida real?

Ao invés de se limitar a um olhar masculino, incorpora com naturalidade vozes femininas para falar de desejo, prazer e iniciativa (Lily, quando combina um encontro sexual com Otis, diz com segurança: “Eu entro com as camisinhas, você com o lubrificante”)…

Cena de ‘Sex Education’. 

Conselhos sexuais da série ‘Sex Education’ serviriam na vida real?

O grande acerto do seriado da Netflix é falar não só de sexo, mas também de valores

Liam aparece na tela pendurado na lua que decora o teto do salão de baile do seu colégio. Todos os olhares, assustados, se voltam para ele. O que ele está fazendo lá em cima? Está apaixonado por Lizzie, mas ela o ignora, e sua vida não faz mais sentido: na adolescência tudo é muito dramático. Esta é um caso para Otis Milburn, o protagonista deSex Education, que age como conselheiro de relacionamento para seus colegas de escola [se você continuar lendo, conhecerá a história de Liam e de alguns outros personagens. Não sãospoilersrelevantes, mas não deixam de serspoilers].

Essa série, um dos últimos lançamentos daNetflix, trata asexualidadedos jovens de forma global.Fala tanto de práticas eróticas quanto de orientações ou de como administrar as relações afetivas. Mas sempre sob um ponto de vista igualitário e positivo.

Igualitário porque, ao invés de se limitar a um olhar masculino, incorpora com naturalidade vozes femininas para falar de desejo, prazer e iniciativa (Lily, quando combina um encontro sexual com Otis, diz com segurança: “Eu entro com as camisinhas, você com o lubrificante”), assim como todo tipo de orientações eidentidades sexuais(pensemos em Eric mostrando sua parte feminina comocrossdresser).

Positivo porque osexonão é visto como algo sombrio ou sórdido, que gere riscos e necessidade de prevenção, e sim como uma forma de descoberta e crescimento pessoal.Sex Educationtrata mais de valores que de sexo, e esse é um grande acerto. Tomara que a segunda temporada da série, que acaba de ser anunciada, siga pelos mesmos caminhos.

Liam, o menino pendurado na lua, tentou insistentemente cortejar a garota, com a falsa ideia de que assim conseguiria derreter o coraçãozinho da dama.Otis, por sua vez, lhe fala sobre respeitar a decisão da outra pessoa esaber aceitar umnão.A atitude de Liam revela como os clichês do amor romântico influenciam nas relações sentimentais e as nossas carências em gestão emocional.

Rafael Guerrero, um dos poucos professores da Universidade Complutense de Madri que, na falta de uma disciplina específica, ensina técnicas de educação emocional a seus alunos de Magistério, dizianesta reportagemque algumas das consequências dessa falta de ferramentas são a insegurança, a baixa autoestima e os comportamentos compulsivos.

Não nos entendemos na cama

Tanya e Ruthie são namoradas. Parece que tentam manter relações sexuais, mas com pouco sucesso. Elas se acham atrapalhadas, não sabem como fazer, como se coordenar, como terem prazer juntas. Mas, se elas se entendem tão bem em outras coisas, por que não no sexo?

Otis sabe pouco das relações eróticas entre mulheres, então para tentar lhe dar conselhos assiste a filmes pornôs e faz anotações. Não acerta muito nesse recurso, porqueo pornô é ficção, e muitas vezes só transmite alguns clichês sobre o sexo lésbico.

O conselho não funciona. O assessoramento sexual nem sempre acerta de primeira, nem neste caso nem na vida real. Otis tenta levar a situação para o seu terreno: os relacionamentos a dois.E aí acerta mais, porque os problemas de cunho erótico às vezes escondem um conflito no relacionamento.

E você, o que quer?

Aimee está fazendo sexo com seu namorado. Pergunta-lhe se ele quer gozar no seu peito ou na sua cara. Ele não se sente cômodo com isso e lhe devolve a pergunta: e você, o que quer? Aimee não sabe, porque nunca se perguntou, simplesmente repete aquilo que viu e que acredita que deseja.

Para saber o que quer, Otis dá um bom conselho a Aimee: masturbe-se. Conhecer nosso corpo e nossas reações é fundamental para saber o que queremos e, depois, poder compartilhar com outras pessoas.

A primeira reação de Aimee mostra outro mito nas relações eróticas: para que vou me masturbar se tenho parceiro? Como se fosse uma prática destinada unicamente a solteiros. Mas depois ela se anima. E como!Assistimos a uma cena de autodescoberta que, com humor, é toda uma amostra de empoderamento.E depois vemos a repercussão positiva de conhecer a si mesma na vida sexual a dois.

Problemas na penetração

A obsessão em perder a virgindade é o problema de Lily. Ela quer que a penetrem porque precisa se livrar “disso” e saber o que se sente. Tamanha é sua obsessão que, quando finalmente consegue alguém que queria transar com ela (um aplauso aqui por mostrar corpos diferentes), não consegue. O pênis se choca contra um muro.

O vaginismo é a contração involuntária dos músculos da pélvis, de tal maneira que impedem a penetração. Ocorre muitas vezes por medo da penetração. A cabeça, nesse caso, interfere e prega uma peça. Qual é o conselho de Otis a Lily? Que se deixe levar, e lhe propõe um exercício de “loucura”.

É verdade que o sexo exige certo descontrole, certo abandono. Mas o vaginismo normalmente tem a ver com um medo irracional da penetração. É uma fobia e, como tal, soluciona-se com uma aproximação progressiva da situação que gera o medo. Serão acrescidos exercícios para conhecer os músculos pubococcígeos. E também haverá reeducação para, entre outras coisas, aprender a se deixar levar, sim, embora o tratamento vá um pouco além do que a série mostra. O vaginismo não se cura descendo um morro numa bicicleta sem freios.

E, já que falamos de genitálias internas femininas, “eu também tenho vagina” é uma frase-chave em uma cena de apoio a uma vítima desexting, uma prática que vem crescendo entre adolescentese que também recebe atenção na série. Teria sido mais correto falar de vulva, porque em uma foto dos geniais femininos geralmente é a parte externa que se vê. Mas perdoem-se certas imprecisões deSex Education.Afinal de contas, a educação em valores é mais importante do que usar bem uma palavra.

Fonte:El País
Por:Arola Poch
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A “indecência” do prazer feminino…

“Quando alguém qualifica um objeto como obsceno, imoral, indecente ou profano só porque está relacionado com a vagina e o prazer feminino,
a tecnología como industria é que sai perdendo”.
La empresa Lora DiCarlo diseñó el Osé, al que le fue retirado el premio a la innovación en la conferencia CES 2019.

La ‘indecencia’ del placer femenino para el sector tecnológico

Un masajeador personal, un contador caserode espermatozoides, pornografíaen realidad virtualy algo descrito como “el primer juguete sexual que funciona con un libro electrónico”: todos estos productos han sido exhibidos en CES, la mayor exhibición de aparatos electrónicos para el consumidor. Dos de ellos fueron premiados por los organizadores.

Por eso Lora Haddock se sorprendió cuando le retiraron el premio a la Innovación CES 2019, tres semanas después de otorgárselo. Su producto Osé, un juguete sexual de manos libres que ella diseñó con un equipo de ingenieros de la Universidad Estatal de Oregón, había sido anunciado como uno de los galardonados en noviembre. Pero en un correo electrónico que explica el cambio de parecer —el cual Haddock compartió con The New York Times— un representante del congreso citó una cláusula de los términos y condiciones de los premios donde se descalifican productos que se consideran“inmorales, obscenos, indecentes y profanos o que no cumplen con la imagen de la CTA”. (CTA es la Asociación de Tecnología de Consumo, que dirige la CES).

“Me sorprendió”, dijo Haddock, de 33 años, “y luego me molestó”. La premiación original había sido “un giro a favor de la inclusión”, dijo. “Pero después lo que dieron a entender es que: ‘No, de hecho, eres obscena, indecente e inmoral, y no eres innovadora en absoluto’”.

La CES recibe en promedio a 180.000 asistentes de todo el mundo y suma más de 100.000 menciones en medios de comunicación especializados cada año, de acuerdo con su propio conteo. Para compañías emprendedoras como la de Haddock, participar en el congreso es fundamental para atraer inversiones. Incluso es mucho más importante para las empresas dedicadas al bienestar sexual pues, por su naturaleza, tienen dificultades para anunciarse en revistas, espacios públicos y plataformas como Facebook.

Haddock, quien antes trabajó en el sector de servicios de salud y estuvo en la Armada estadounidense, es fanática del estudio de la anatomía. Es por ello que desde un inicio buscó que su producto fuera personalizable, lo cual la llevó a reunir información sobre la ubicación del llamado punto G y del clítoris en distintos cuerpos. A todas sus conocidas con vagina, dijo, les pidió “literalmente que midieran la distancia con la mano y una cinta métrica”.

Y en 2017, poco después de establecer su compañía, llamada Lora DiCarlo, buscó a John Parmigiani, director del laboratorio de prototipos de la Universidad Estatal de Oregón, porque para su producto necesitaba 52 componentes de ingeniería. “Entré a la reunión sin idea de cuál era el producto y creo que la tercera oración que dijo Lora fue algo como: ‘No tuve mi primer orgasmo mixto hasta los 28 años’. Pensé que era algo fuera de mi zona de confort, pero que no tenía nada de malo”, dijo Parmigiani.

Osé, que estaría a la venta a finales de este año en Estados Unidos por un costo de 250 dólares, se expande de acuerdo con la preferencia de la usuaria una vez que se coloca en la cintura pélvica, para proveer estimulación externa e interna en simultáneo (de ahí que Haddock discutiera un orgasmo mixto con Parmigiani). Osé no vibra, sino que realiza movimientos suaves y autónomos, además de generar un flujo de aire para aumentar la estimulación.

Osé tiene ocho registros de patente pendientes de aprobación y fue creado por un equipo que incluye a la experta en robótica e inteligencia artificial Ada-Rhodes Short y a Lola Vars, doctoranda de la Universidad Estatal de Oregón enfocada en ingeniería mecánica.

Pese a ese proceso de desarrollo, los funcionarios de la CES y de la Asociación de Tecnología de Consumo después dijeron que —más que la afirmación inicial sobre que el producto contraviene la cláusula de moralidad— el galardón le fue retirado a Osé porque no encaja en la categoría de robótica y drones ni con ninguna otra de las categorías existentes para la premiación de productos.

“No cabe duda que [Osé] es un producto robótico. No hay justificación: Lora DiCarlo merecía el premio”, dijo Parmigiani.

En una declaración a The New York Times, Gary Shapiro, presidente y director ejecutivo de la Asociación de Tecnología de Consumo, afirmó: “Nos disculpamos con la directora general Lora Haddock por nuestro error, ya que el producto de Lora DiCarlo no coincide con ninguna de nuestras categorías existentes y no debió haber sido aceptado en el programa de los Premios a la Innovación. CES es una feria empresarial profesional; la pornografía, los juguetes sexuales y los productos de tecnología sexual no son parte del evento. La CES es una feria con más de 4500 expositores. Reconocemos que hay inconsistencias en las compañías que se presentan y las resolveremos”.

Pero Haddock cree que lo que sucedió se debe a algo más que una omisión accidental o un error administrativo.

El martes 8 de enero, el primer día del congreso,publicó una cartaen la que acusó a la CES de discriminación por género.

No se trata de la primera vez que la feria comercial recibe acusaciones de falta de diversidad. En 2018, una gran cantidad de personas de la industria criticaron a la CES por no incluir en sus principales conferencias a ponentes mujeres durante dos años consecutivos, una omisión que la asociación atribuyó a que hay un “grupo reducido de mujeres que ostentan puestos de ese tipo” en el sector.

Para la conferencia de este año la deliberación para los premios a la innovación corrió a cargo de 89 jueces, de los cuales veinte fueron mujeres. Los organizadores del congreso se dijeron comprometidos con la diversidad y recalcaron que este año se anunció una futura inversión de 10 millones de dólares en negocios de emprendimiento y financiamiento enfocados en mujeres, personas no blancas y otros empresarios y compañías que no suelen estar representados en la industria tecnológica.

En la edición 2019 de la CES se exhibieron varios productos orientados a las consumidoras, incluidas bombas sacaleche, sistemas para llevar un registro de la fertilidad y herramientas para el cuidado de la piel. Sin embargo, los críticos señalan que muchos de estos productos tienen como propósito que las mujeres atiendan las necesidades de otros o cuiden de alguien más. “Están al servicio de la fertilidad, de la sociedad en conjunto y del hogar”, dijo Lola Vars, la directora técnica de Lora DiCarlo.

A otros productos de bienestar sexual pensados para las mujeres les ha sucedido lo mismo que al de Haddock.

En 2015, los encargados de la CES le dijeron a Karen Long —quien se ha dedicado a las tecnologías en el ámbito de la salud durante más de veinte años— que Fiera, el dispositivo de su compañía para mejorar la libido, no calificaba en la categoría de salud y tecnología. En un correo electrónico que recibió más tarde de parte de los organizadores del congreso le dijeron que “como regla general”, la CES no acepta “productos para el bienestar sexual”.

Liz Klinger, directora ejecutiva de Lioness, que fabrica un vibrador inteligente que recolecta información acerca de la excitación sexual, recibió una respuesta similar. (Solicitó su participación en la CES de 2017 y fue rechazada). “Dijeron que no incluirían ningún producto nuevo para adultos en este espacio”, afirmó Klinger. “Mencionaron que habían tenido malas experiencias en el pasado y que no querían productos nuevos en exhibición”.

Más tarde se enteró de que a otro solicitante le permitieron alquilar una sala completa para exhibir pornografía en realidad virtual.

“Estamos hartas de esto”, dijo Haddock. “No se trata solo de nuestro producto, sino de algo más grande. Se trata de aceptar y comprender de verdad la sexualidad humana, de reconocer la innovación. Cuando calificas un objeto como obsceno solo porque está relacionado con una vagina, la tecnología como industria es la que sale perdiendo”.

Por:Valeriya Safronova
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La "plática sobre el sexo" debería ser una conversación continua, y definitivamente no tiene por qué ser incómoda.

Claro, los educadores sexuales son buenos para descifrar datos complicados y potencialmente incómodos sobre el sexo en las lecciones que los niños en edad escolar pueden entender, pero no pueden ser responsables de todo.

Incluso si tus hijos tienen la suerte de estar en una escuela que ofrece un programa relativamente completo (porque algunos se enfocan únicamente en lecciones de abstinencia o no ofrecen educación sexual), tú también eres responsable de educarlos.

“Cuando tienes conversaciones sobre sexualidad cuando los niños son pequeños, digamos 5, antes de que estén expuestos al sexo en Internet o en la cultura popular, se normaliza el tema. Si te preocupa que las conversaciones sean incómodas, tienes una ventaja si comienzas pronto; los niños más pequeños son mucho más tolerantes con los adultos que buscan tratar algunos temas que los preadolescentes, y hablar con los niños cuando son pequeños es un buen entrenamiento para conversaciones continuas”, comentó Cindy Pierce, educadora sexual.

2. Nadie tiene derecho sobre tu cuerpo, incluso si es solo un abrazo

“Consentimiento, consentimiento, consentimiento. No puedo decir esto lo suficiente. Tenemos que enseñar a los niños que están a cargo y que son responsables de sus cuerpos y que tienen que respetar el de los demás. Ahora bien, eso no significa que les pidamos permiso antes de cambiarles los pañales o llevarlos al médico, pero podemos mostrarles el respeto por lo que estamos haciendo o enseñarles por qué es importante asegurarse de que su cuerpo esté limpio y saludable” comentó Lydya Bowers, una consultora sexual para la primera infancia con sede en Ohio.

“Más tarde, significa dejar que un niño decida si quiere o no que lo abracen, le hagan cosquillas o incluso le den una palmada. También significa ayudar a los niños a procesar cuando otra persona les dice que no la abracen, y asumir la responsabilidad de sus sentimientos al respecto. Nadie tiene derecho sobre nuestro cuerpo … ¡y no tenemos derecho sobre el de otra persona!”, agregó la especialista.

3. Enseñarles los nombres correctos para cada parte del cuerpo

“Diría que lo más importante es que los niños pequeños sepan los nombres correctos de sus genitales y otras partes del cuerpo. Esto es importante porque normaliza los genitales y no contribuye al tabú o al estigma en la forma en que lo hace el uso del lenguaje eufemístico. También es importante porque es muy difícil para los niños que no tienen el lenguaje correcto denunciar el abuso sexual si les sucede, por lo que el lenguaje también es una herramienta importante de seguridad”, comentó Louise Bourchier, educadora sexual en Nueva Zelanda y Australia.

4. No uses pornografía como modelo para el sexo real

“La verdad es que el porno es el educador de la sexualidad más común para los niños pequeños, y es muy fácil de acceder. Si deseas que tus hijos tengan información precisa sobre sexo saludable, es importante entablar una conversación sobre pornografía alrededor de los 9 años de edad. Es muy común que la primera exposición de los niños a la sexualidad sea por medio de un amigo presentándolos a la pornografía o que lo encuentren por su cuenta, intencionalmente o por error.

La industria de la pornografía efectivamente atrae a los niños curiosos que saben cómo deletrear y usar un buscador en Internet. El gran problema es que la pornografía de fácil acceso a menudo desvía las expectativas de cómo se ven y responden los cuerpos. Si descubres que tu hijo ha visto pornografía, no reacciones de forma exagerada.

Reconoce que la curiosidad es normal, pero diles que la pornografía no es sexo real y está destinado a los adultos. Si no tomamos en serio nuestro papel como el principal educador de la sexualidad, Internet llenará los vacíos”, agregó Pierce.

5. Hay más en el sexo que solo el acto físico

La identidad y expresión de género, orientación sexual, actividad sexual, imagen corporal y autoestima, comunicación y límites, amistades y relaciones sanas, violencia y acoso sexual, anatomía e higiene, anticoncepción, autonomía corporal , embarazo, placer, son algunos de los temas que debes abordar según Wazina Zondon, educadora sexual.

“Empieza la conversación siempre que puedas, nunca es demasiado tarde. Y no siempre tiene que ser sobre lo ‘pesado’: puede ser en respuesta a algo que vieron en la televisión, una boda en la familia, opiniones sobre lo que una celebridad llevaba puesto, un tema en las noticias”, agregó Wazina Zondon, educadora sexual y la creadora de “Coming Out Muslim: Radical Acts of Love”.

6. Está bien tener preguntas sobre sexo

“Contrariamente a la opinión popular, los adolescentes realmente quieren hablar con los padres sobre estas cosas. Y los estudios han demostrado que cuando lo hacen, es menos probable que participen en conductas sexuales riesgosas. Continúa respondiendo sus preguntas a medida que crecen, incluso si no estás seguro y la respuesta es: ‘No estoy seguro … ¿por qué no investigamos?’

A pesar de la educación sexual, a veces nos topamos con información errónea de amigos, medios o educadores (el mío me dijo que las almohadillas y los tampones no son necesarios por la noche porque la menstruación es solo una cuestión de gravedad, seriamente). Como padre y cuidador, asegúrate de que sea un espacio seguro y sin vergüenza para los niños, comentó Bowers.

“Estas conversaciones pueden dar miedo, pero es importante que respiremos profundamente. Cuando un niño hace una pregunta y te agarra desprevenido, siempre es útil preguntarles a ellos ‘¿Qué opinas al respecto?’. Esto te permite saber, para empezar, cuál es su base de conocimientos, y te da un momento para calmar el pánico y pensar la respuesta”, añadió

7. Algo puede ser desagradable o extraño para ti, pero no para todos

“En el aula, uno de los comentarios más comunes que escucho de cualquier grupo de edad, independientemente del tema (desde la imagen corporal hasta la higiene y la anticoncepción y todo lo demás), es ‘¡Ewww, eso es asqueroso!’ Mi respuesta es simple: ‘no taches de asqueroso algo que le gusta a otra persona'”, nos dijo Zondon.

“Esto puede sonar aparentemente incompleto, pero ayuda a los estudiantes a entender cómo otros viven su vida y lo que eligen puede no ser adecuado para todos, pero es su decisión: relaciones sexuales antes del matrimonio, parejas del mismo sexo, eliminación (o no eliminación) el vello corporal, la expresión de género de uno: entiendes la idea”.

Puede que no sea tu gusto, pero está bien si a alguien le gusta. Este mensaje ayuda a los jóvenes a comenzar a comprender cuáles son sus límites. Y si están en una posición que no les resulta cómoda, sabrán que no tienen que participar en ella, ni les corresponde impedir la expresión sexual de otra persona” dijo Zondon.

 

Acadêmica feminista lésbica abusa de orientando homossexual

Reitman tinha medo de sua professora e do poder que tinha sobre ele. Por isso, em muitas ocasiões, aceitou condutas que o levaram se sentir violentado.

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 Nimrod Reitman acusó a su exasesora de la escuela de posgrado de la Universidad de Nueva York, Avital Ronell, de acosarlo sexualmente y la universidad la declaró responsable. Sin embargo, algunas académicas feministas la han apoyado de formas que recuerdan las defensas de los acosadores masculinos. Caitlin Ochs para The New York Times

¿Qué pasa con el movimiento #MeToo cuando la acusada es feminista?

El caso es una historia que resulta familiar, pero al revés: se determinó que Avital Ronell, académica reconocida mundialmente que imparte las materias de Alemán y Literatura Comparada en la Universidad de Nueva York (NYU), acosó sexualmente a un antiguo estudiante de posgrado de nombre Nimrod Reitman.

Después de una investigación de once meses en respuesta a una queja basada en las disposiciones de la norma federal Título IX —una ley de Estados Unidos que prohíbe la discriminación por razón de sexo—, se declaró culpable a Ronell, descrita por un colega como “una de las contadas estrellas de la filosofía en el mundo”, de haber incurrido en conductas de acoso sexual, físico y verbal, “a tal punto que afectó los términos y condiciones del ambiente de aprendizaje de Reitman”. La universidad suspendió a Ronell para el siguiente ciclo académico.

The New York Times tuvo acceso a algunos fragmentos del informe definitivo sobre las investigaciones basadas en el Título IX, en los que se indica que Reitman declaró que Ronell lo había acosado sexualmente durante tres años y como prueba proporcionó decenas de correos electrónicos en los que la académica se refería a él con varias frases íntimas: “mi adoradísimo”, “nene hermoso”, “cock-er spaniel” y “mi increíble y hermoso Nimrod” [cock en referencia al pene en español].

El caso, que se dio a conocer justo cuando el movimiento #MeToo comenzaba a exigir la rendición de cuentas por conductas sexuales inadecuadas, representó un reto para las feministas, quienes debieron decidir cómo reaccionar ante la conducta indebida de alguien de su propio grupo. Su respuesta ha agitado las aguas en el sector académico.

En cuanto la universidad tomó su decisión definitiva y confidencial en mayo, varios académicos de todo el mundo, incluidas algunas feministas destacadas, enviaron una carta a NYU en la que expresaron su apoyo a Ronell. Judith Butler, autora del libro Gender Trouble y una de las académicas feministas más influyentes en la actualidad, encabezaba la lista.

“Si bien no tenemos acceso al expediente confidencial, hemos trabajado durante muchos años en estrecha colaboración con la profesora Ronell”, escribieron los catedráticos en una versión de la carta publicada en un blog de filosofía en junio. “Todos hemos visto cómo se relaciona con los estudiantes y algunos conocemos al individuo que ha urdido esta campaña malintencionada en su contra”.

Los críticos señalaron que esa carta, centrada en los posibles daños para la reputación de Ronell y la fuerza de su personalidad, evoca argumentos utilizados en el pasado para defender a hombres poderosos.

“Nos constan la delicadeza, el agudo ingenio y la dedicación intelectual de la profesora Ronell, por lo que solicitamos que se le trate con la dignidad que merece alguien de su posición y reputación internacional”, continuaba la carta.

Reitman, quien ahora tiene 34 años y realiza trabajo de investigación en Harvard, afirma que Ronell en varias ocasiones lo besó y tocó, durmió con él en su cama, le pidió que se recostara en su cama y lo tomó de la mano, además de que constantemente le enviaba textos, correos electrónicos, lo llamaba por teléfono, y no accedía a trabajar con él a menos que él le correspondiera. Reitman es homosexual y ahora está casado con otro hombre; Ronell es una mujer lesbiana.

Ronell, de 66 años, negó haber incurrido en conductas de acoso. “Nuestras comunicaciones, que ahora Reitman cataloga como acoso sexual, fueron intercambios entre dos adultos, un hombre gay y una mujer queer, que comparten la misma herencia cultural israelí, así como una afición por las comunicaciones floridas y exageradas debido al ambiente académico en el que nos movemos y a nuestra sensibilidad”, escribió en una declaración dirigida a The New York Times. “Él procuró estas comunicaciones en repetidas ocasiones, respondió a ellas y las alentó a lo largo de tres años”.

Dos años después de graduarse de NYU con un doctorado, Reitman presentó una queja en contra de su antigua asesora por infracciones al Título IX, por supuestas conductas de acoso sexual, violencia sexual, acecho y represalias. En mayo, la universidad determinó que Ronell era responsable de acoso sexual y que no se habían demostrado las demás acusaciones.

El abogado de Reitman, Donald Kravet, dijo que redactó con su cliente una demanda en contra de NYU y Ronell, y que por el momento están evaluando sus opciones.

Las descripciones de Reitman y Ronell acerca de sus experiencias evocan otras historias reveladas como parte del movimiento #MeToo: según recuerda Reitman, le tenía miedo a su profesora y al poder que tenía sobre él, por lo que en muchas ocasiones aceptó conductas que lo hicieron sentirse violado. En algunas entrevistas a las que The New York Times tuvo acceso y que Ronell presentó ante la oficina encargada de las quejas por Título IX en NYU, la docente indicó que Reitman estaba desesperado por llamar su atención y recibir su orientación.

Según Reitman, los problemas comenzaron a mediados de 2012, antes del inicio oficial del curso. Ronell lo invitó a quedarse con ella en París algunos días. El día de su llegada, según relató Reitman, ella le pidió que le leyera poesía en su recámara mientras tomaba una siesta vespertina.

“Fue cuando me pareció que algo andaba mal”, dijo Reitman. “Pero también pensé, bueno, ya estoy aquí. Mejor no armo un escándalo”.

Entonces, relató, la académica lo jaló hacia la cama.

“Puso mis manos sobre sus senos y presionó su trasero contra mi entrepierna”, dijo. “Entonces empezó a besarme, a besar mis manos y mi torso”. Esa noche, ocurrió de nuevo algo parecido, dijo.

Dijo que la confrontó a la mañana siguiente.

“Le dije, mire, lo que pasó ayer no estuvo bien. Eres mi asesora”, recordó en una entrevista.

aca2Los defensores de la profesora Ronell destacaron su “agudo ingenio” y sus “posición y reputación internacionales”, después de que ella fue acusada de acoso sexual.

Según dijo, cuando llegó a Nueva York ese comportamiento continuó. Después del huracán Sandy, en octubre de 2012, Ronell se presentó en su apartamento porque no tenía electricidad. Dijo que, a pesar de sus objeciones, ella lo convenció de que ambos podían dormir juntos en su cama. Una vez ahí, lo manoseó y besó todas las noches durante casi una semana, dijo.

“La profesora Ronell niega por completo las acusaciones de contacto sexual”, escribió Mary Dorman, su abogada, en un documento dirigido a la oficina encargada de las quejas por Título IX. Ronell dijo que solo pasó dos noches ahí después del huracán, por invitación de Reitman.

El informe de la investigación concluyó que no había suficientes pruebas para declarar culpable a Ronell de violencia sexual, en parte debido a que nadie más observó las interacciones en el apartamento de Reitman ni la habitación de Ronell en París.

Reitman también dijo que Ronell tomó represalias en su contra por haberse quejado de su comportamiento, como enviar recomendaciones formales que afectaron algunas posibilidades de empleo. No obstante, el informe reveló que las cartas de recomendación “eran comparables a las que había escrito para otros exalumnos” y Reitman, de hecho, obtuvo dos becas de investigación.

Ronell y algunas personas que la respaldan han intentado desacreditar a su acusador mediante algunos métodos conocidos, como cuestionar por qué tardó tanto en presentar la queja y por qué parecía tener una relación tan íntima con Ronell si en realidad se sentía miserable. Ronell dio a entender que quizá se sentía frustrado por no ser tan listo.

“Su principal dilema era la incoherencia en su manera de escribir, y que no era posible identificar un argumento”, señaló Ronell en una entrevista realizada en 2018 y presentada a la oficina encargada de las quejas por Título IX.

Además de la suspensión, que la universidad nunca anunció en público, NYU investiga otras acusaciones de represalias relacionadas con la carta de la académica.

John Beckman, vocero de la universidad, escribió en una declaración para The New York Times que NYU lamentaba la experiencia de Reitman.

Sin embargo, añadió Beckman, “dada la agilidad y seriedad con que respondimos para investigar a fondo sus cargos, no creemos merecer ni que sea justo que promueva un juicio millonario en contra de la universidad”.

Tanto Ronell como Reitman sienten que no se les ha retratado de la mejor manera en esta historia del movimiento #MeToo.

Reitman afirma que no pretendía convertirse en una figura pública y tema de conversación en todo el país por cuestiones de género, y subrayó que este proceso inició antes de que se popularizara el movimiento. “No fue como consecuencia del #MeToo”, enfatizó.

En marzo de 2018, Ronell especialmente se quejó de que Reitman insistía en compararla “con los ejemplos más escandalosos de conductas depredadoras, asociadas con magnates de Hollywood que acechan a las estrellas jóvenes”.

Fonte: The New York Times
Por: Zoe Greenberg
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O fascismo, o nazismo e as discriminações

Nos EUA um negro era linchado pelo boato de flertar com uma branca. Hitler dizia que os judeus conspiravam para usar soldados negros para estuprar as puras mulheres arianas.

Nazi uniforms and a Swastika flag that were confiscated by the Berlin police during raids against German neo-Nazis are presented to the public during an open day at a police barracks in Berlin, September 7, 2014. REUTERS/Fabrizio Bensch (GERMANY - Tags: SOCIETY)
Nazi uniforms and a Swastika flag that were confiscated by the Berlin police during raids against German neo-Nazis are presented to the public during an open day at a police barracks in Berlin, September 7, 2014. REUTERS/Fabrizio Bensch (GERMANY – Tags: SOCIETY)

Uniformes nazistas confiscados pela polícia de Berlim

 Filósofo explica retorno de políticas fascistas nos Estados Unidos

Jason Stanley, professor na Universidade de Yale e autor de ‘How Fascism Works’, mostra como identificar o fascismo atual.

A reportagem é de Lúcia Guimarães, publicada por O Estado de S. Paulo, 30-06-2018.

Uma nova pesquisa revelou que 8 em 10 americanos temem pela democracia no país e dois terços acreditam que o sistema democrático está enfraquecido. A pesquisa foi encomendada por um grupo bipartidário, o Democracy Project, que envolve o ex-presidente George W. Bush e o ex-vice presidente Joe Biden. A mais longa campanha presidencial da história dos Estados Unidos, que começou em 2015, reintroduziu no discurso político americano palavras que muitos acreditavam pertencer ao passado. Especialmente duas palavras carregadas de temor histórico, fascismo e nazismo.

Mas o triste retorno não se deveu apenas à vitimização desonesta de tragédias históricas, como usar as palavras para xingar qualquer pessoa não identificada com a esquerda.

Simpatizantes do fascismo e do nazismo não foram erradicados nos EUA. A diferença, na eleição de 2016, é que eles deram apoio aberto a um candidato e passaram a ter mais visibilidade em comícios e na mídia digital de direita, inclusive no site do então futuro alto assessor presidencial Steve Bannon. E o candidato republicano não se indignava com o apoio. Republicanos moderados e democratas liberais tentaram ver neste súbito protagonismo de extremistas antes marginalizados uma anomalia passageira. Afinal, como disse o ex-diretor do FBI James Comey, a sem precedentes interferência russa na eleição a favor do ex-apresentador de O Aprendiz podia ser investigada sem alarde porque nem ele, nem boa parte dos observadores políticos imaginavam que Hillary Clinton não seria eleita.

Mas, mesmo antes de começar a campanha presidencial, a semente do renovado namoro com o fascismo foi plantada pelo birtherismo, teoria conspiratória segundo a qual o primeiro presidente negro do país não teria nascido no Havaí e sim no Quênia. Em março de 2011, Donald Trump disse à rede ABC que estava pensando em se candidatar e, sim, era preciso duvidar que Obama era cidadão americano, uma acusação que manteve acesa até, sem a menor sinceridade, renunciar a ela dois meses antes de ser eleito.

O birtherismo chamou atenção do filósofo e professor da Universidade de Yale Jason Stanley, um filho de refugiados da 2.ª Guerra e neto de Ilse Stanley, a atriz judia alemã que salvou centenas de judeus posando como oficial nazista em campos de concentração e narrou suas memórias em The Unforgotten, publicado em 1957. Jason Stanley lançou, no final de 2016, o elogiado How Propaganda Works (Como Funciona a Propaganda), um livro sobre a fragilidade das democracias sob a difusão de propaganda.

Em setembro, sai nos Estados Unidos How Fascism Works: The Politics of Us and Them (Como Funciona o Fascismo: A Política de Nós e Eles), a nova obra do filósofo. O livro oferece contexto e referências históricas, mas não é uma história do fascismo, é um guia de identificação de políticas fascistas no mundo contemporâneo. Numa entrevista exclusiva ao Aliás, Jason Stanley refletiu sobre o peso da palavra fascismo. Ela teria perdido o impacto? “Não”, responde resoluto. “Era a palavra apropriada em 2016. É possível ser fascista, como já aconteceu na Inglaterra, na década de 1930, e não se engajar em crimes.” O autor lembra que a origem italiana da palavra (fascio, feixe, ajuntamento) faz com que seja evitada por nacionalistas brancos, os neofascistas americanos.

Apesar do mea culpa coletivo pela complacência com o autoritarismo anunciado na campanha, o professor Stanley cobra mais sobriedade dos jornalistas. “Veja a semana que passou, quanto tempo foi dedicado à jaqueta da primeira dama, que dizia ‘Eu não me importo e você?’ Alguém notou o plano de cortar o programa de nutrição que atende a 12% da população? Os jornalistas aderiram a esta política simbólica preferida dos dependentes químicos da indignação,” denuncia.

Stanley cita Hungria, Polônia, Turquia e Rússia como exemplos de países onde políticas fascistas têm sucesso pela via eleitoral. Assim como no slogan da campanha americana de 2016, Faça a América Grande de Novo, que romantiza o país dos anos 1950, um recurso crucial da política fascista é promover a volta ao passado que não aconteceu. “É o passado mítico, glorioso”, explica. “Daí vem o outro ingrediente importante do fascismo que é a oposição à ciência e a uma educação pública liberal. A ciência e a educação ampla desmentem o passado fictício. A escola pública é inimiga, coloca pessoas de grupos e classes diferentes em contato e, se você interage com o outro, tem menos chances de considerá-lo uma ameaça.”

Como explicar a devoção cultista do eleitor do atual presidente diante de políticas como as que cortam acesso a assistência médica, benefícios e a guerra comercial que deve provocar alta de preços e desemprego? Afinal, dizia o clichê, na Itália de Benito Mussolini, ao menos os trens estavam sempre no horário. A devoção, afirma Jason Stanley, é racial, ilustrada, segundo ele, por 53% de mulheres brancas que votaram no presidente e mais de 90% de mulheres negras que votaram em Hillary Clinton. Mas, se o patriarcado é um dos elementos do fascismo, como ele explica tanto apoio feminino a Trump? De novo, raça, ele afirma. O patriarca protege o grupo interno da ameaça externa.

No epílogo de How Fascism Works, Stanley responde à possível crítica de que exagera o retrocesso democrático em curso. O problema da normalização é real, ele argumenta, e cita um estudo recente de dois acadêmicos de Yale sobre o “julgamento da normalidade.” Nossa percepção do que é normal depende, além de nossos princípios, do que consideramos estatisticamente normal. “Quando a crueldade se torna mais frequente,” ele diz, como no caso das crianças tomadas dos pais na fronteira, “ela se torna mais aceitável. É um caminho para transformar uma política fascista numa realidade fascista.”

Pergunto ao professor Stanley, que tem alunos entre 18 e 21 anos e dá um curso chamado Propaganda, Ideologia e Democracia, se está otimista com a consciência democrática de seus estudantes. “Não”, dispara. “Há dois anos, minhas turmas estavam perturbadas com a direção da nossa política. Os calouros que entraram este ano não conheceram outro presidente. Não têm memória, parecem achar isso tudo normal.”
Jason Stanley indica como reconhecer um fascista em dez etapas:

Fetiche do passado

A gênese do fascismo está no passado mítico, quando havia pureza étnica, religiosa ou cultural. A mitologia é intencional, para provocar nostalgia pelo que não aconteceu.

Propaganda

Criar um problema, como uma crise de imigração fictícia e unificar um grupo em torno do combate à invasão de estrangeiros.
Anti-intelectualismo. Para erodir o discurso público bem informado, é preciso minar a ciência, a educação liberal, o conhecimento especializado.

Irrealidade

Uma vez que o anti-intelectualismo é bem sucedido, o debate racional é substituído por medo e raiva, o estímulo de um sentimento de perda para o qual é preciso encontrar culpados.

Hierarquia

A natureza impõe hierarquias de domínio que são incompatíveis com a aspiração de igualdade diante da lei que vinha se expandindo sob a democracia liberal.

Vitimização

Aumento de representação de minorias provoca um sentimento de vítima entre maiorias pressionadas a compartilhar poder. O coração do fascismo é lealdade à tribo – étnica, religiosa, cultural.

Lei e ordem

Esse slogan mascara a licença para violar a lei e a ordem. Impunidade de assassinatos policiais, abusos carcerários são vistos como necessários para proteger a sociedade virtuosa.

Ansiedade sexual

Se o demagogo é o pai da nação, qualquer ataque ao patriarcado e à família tradicional é uma ameaça. É preciso sexualizar o outro com fantasias de agressão e “desvio” sexual. Hitler dizia que os judeus conspiravam para usar soldados negros para estuprar as puras mulheres arianas. Linchamentos de negros no sul dos EUA ocorriam pelo simples boato de que um negro teria tentado flertar com uma mulher branca.

Nós e os outros

É preciso desumanizar segmentos da população, o “outro” como imigrantes latinos, muçulmanos, o que ajuda a justificar o tratamento destes grupos.

Fonte: Instituto Humanitas Unisinos
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“A igreja hierárquica precisa lavar a boca antes de falar das pessoas LGBTQI”

“Sob o pretexto da religião e da fé, a Igreja modela a intolerância, fomenta o preconceito e tenta justificar a discriminação”

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É preciso mudar a linguagem da Igreja sobre as pessoas LGBT, afirma grupo irlandês

Abaixo-assinados da We Are Church Irlanda se opõe à linguagem ‘cúmplice à marginalização’.

Um grupo irlandês em campanha pela reforma da Igreja Católica divulgou um abaixo-assinado antes da visita do Papa Francisco à Irlanda em agosto pedindo para o Vaticano mudar a “linguagem teológica que está gravemente insultando pessoas LGBTQI“. (As iniciais significam: “lésbicas, gays, bissexuais, transgêneros, queer e intersexuais”.)

A reportagem é de Sarah Mac Donald, publicada por National Catholic Reporter, 13-06-2018. A tradução é de Luísa Flores Somavilla.

O grupo We Are Church Ireland está incentivando a todos que se sentem ofendidos ou irritados com o uso de termos como “objetivamente desordenado” e “intrinsecamente mal” pela Igreja em relação às pessoas LGBTQI a assinarem o abaixo-assinado.

O porta-voz do grupo, Brendan Butler, disse que o abaixo-assinado exige o fim do uso de “linguagem não cristã [pelo Vaticano] para descrever nossos irmãos e irmãs LGBTQI”.

“Para uma instituição como a Igreja Católica, ensinar que essas palavras são uma expressão da mente de Deus para descrever a imagem das pessoas LGBTQI não apenas é escandaloso, mas também é uma blasfêmia”, criticou.

O abaixo-assinado está sendo liderado pela ex-correspondente política da TV3 na Irlanda, Ursula Halligan, juntamente com o senador irlandês David Norris e Pádraig Ó Tuama, líder da comunidade de paz Corrymeela.

Explicando sua participação, o trio diz que a linguagem formal utilizada faz com que a Igreja institucional seja cúmplice da marginalização das pessoas LGBTQI.

“Sob o pretexto da religião e da fé, a Igreja modela a intolerância, fomenta o preconceito e tenta justificar a discriminação”, criticaram, num comunicado.

O senador David Norris, membro da comunidade anglicana, por décadas lutou pela descriminalização da homossexualidade, atingida em 1993. Ele faz duras críticas ao tratamento que as igrejas cristãs dispensam às pessoas LGBTQI.

“Como fiel praticante da igreja cristã, tenho que dizer que sua história em relação aos gays é um registro chocante de criminalidade e brutalidade”, observou. “Por iniciativa das igrejas, os gays têm caído no ostracismo e tem sido torturados e assassinados. É inaceitável haver qualquer continuação da linguagem selvagem e insensível empregada por algumas igrejas ao lidar com os gays. É salutar lembrar que Jesus Cristo nunca menciona ou condena a homossexualidade”.

Norris, Halligan e Ó Tuama sentem que é “imperativo” para eles falar “com coragem” contra a “contínua insistência [da Igreja] de chamar as ‘inclinações’ da comunidade LGBTQI de ‘objetivamente desordenadas’ (Catecismo da Igreja Católica, 2358), ou ainda pior, ‘ordenadas em direção a um mal moral intrínseco’ (Carta aos Bispos da Igreja Católica sobre o Cuidado Pastoral da Pessoa Homossexual, 1986)”.

O grupo pediu uma mudança forma por parte da Igreja em sua linguagem sobre as incontáveis pessoas LGBTQI “cujas vidas se beneficiam da Igreja e que são impactadas por termos depreciativos como esses”.

“Como católico gay, não me reconheço nos termos usados sobre mim em documentos da Igreja ou na doutrina”, disse Ó Tuama, que atua como líder da Comunidade Corrymeela, a organização de paz e reconciliação mais antiga da Irlanda do Norte. “Os Evangelhos descrevem a dignidade da humanidade, principalmente dos que eram castigados ou marginalizados. A Igreja seria mais fiel ao seu testemunho se sua linguagem construísse pontes em vez de diminuir a dignidade”.
“Se um negócio ou uma empresa usasse uma linguagem como essa, seria publicamente repreendida e punida pelo Estado. A igreja hierárquica precisa lavar a boca antes de falar das pessoas LGBTQI”, criticou Halligan, jornalista da Dublin City University.

O abaixo-assinado foi divulgado no dia 7 de junho, e membros da rede internacional da We Are Church têm assinado o documento desde então. Representantes da We Are Church Irlanda têm chamado a atenção da quarta conferência da International Church Reform Network (Rede Internacional da Reforma da Igreja), que acontece de 11 a 15 de junho, em Bratislava, Eslováquia, para o documento. Espera-se que os representantes desses outros grupos de apoio à reforma da Igreja apoiem o abaixo-assinado e divulguem o material aos seus membros do mundo todo.

Segundo Butler, o abaixo-assinado é apenas o primeiro passo em uma campanha muito maior para repensar a teologia da Igreja sobre sexualidade humana. “É preciso haver uma mudança de cultura dentro da Igreja institucional antes de qualquer coisa”, disse ele ao NCR. Mas como a maioria dos bispos foi nomeada nos papados de Bento XVI e João Paulo II, ele não acredita que isso deve acontecer em breve. Nem acredita que os católicos LGBTQI vão liderar a mudança, já que “a maioria desistiu” e saiu da Igreja.

“Poucos permanecem”, afirmou. “Tantos saíram porque pensam que é uma perda de tempo. Eles lutaram por anos, mas acabaram desistindo.”

Butler percebe que há uma reação dentro da Igreja Católica contra uma abordagem mais compassiva em relação às pessoas LGBTQI, liderada por católicos tradicionais nos EUA, que promovem uma visão centrada no Antigo Testamento sobre a homossexualidade, considerada algo errado e mal.

“É preciso haver lideranças do topo, enquanto nós pressionamos pela base”, disse Butler. “O Papa Francisco pediu que as pessoas apresentassem ideias, e é isso o que estamos tentando fazer. Sei que ele está sendo pressionado, mas no final das contas ele tem que deixar sua marca na Igreja, também tem que mostrar liderança e dar uma orientação, dizendo que este tipo de linguagem não deve ser usada para se referir a qualquer pessoa gay.”

Halligan acredita que a “hierarquia da Igreja Católica precisa conhecer os católicos LGBTQI. Nós também fazemos parte da criação de Deus, e não vamos embora. Escutar mútua e profundamente pode trazer cura mútua e profunda, e dar espaço para novas formas de ver as coisas.”

Para ela, o Papa Francisco é “um mago no gesto simbólico espontâneo, que capta a atenção do mundo”. Acrescentou, ainda, que antes de qualquer nova teologia, o Papa deve convocar uma reunião global de católicos LGBTQI em Roma e começar um diálogo.

“Tenho convicção de que de diálogo podem surgir sementes para uma nova teologia da sexualidade humana; baseada nas pessoas humanas de carne e osso, e não nas abstrações teóricas de uma pequena elite da Igreja”, afirmou.

Halligan, que é lésbica, lembrou do quanto ficou machucada pela linguagem utilizada pela Igreja para descrever sua sexualidade. “Me senti fisicamente doente quando li a posição oficial da Igreja sobre a homossexualidade pela primeira vez”, revelou. “Me senti diminuída e ferida como pessoa. No fundo do coração, eu sabia que Deus não me vê dessa forma, mas isso fez eu me questionar o porquê de a Igreja Católica ver assim.”

“O abuso físico não é o único que existe. As palavras, usadas de forma negativa, também podem ser abusivas. Se quem faz bullying nas escolas usasse os termos da Igreja Católica, eles seriam corrigidos e disciplinados, enviados para casa ou para algum programa de reabilitação”, continuou.

Um dos grupos da conferência em Bratislava que deve apoiar o abaixo-assinado é o New Ways Ministry, liderado pela Irmã de Loretto Jeannine Gramick. Este grupo tem sua própria declaração buscando apoio à conferência de reforma de Bratislava, a respeito do Encontro Mundial das Famílias — previsto para 21 a 26 de agosto, em Dublin — e a exclusão das famílias LGBT. A questão tem perseguido o Encontro Mundial das Famílias desde a controvérsia sobre a remoção da imagem de um casal de lésbicas de um livreto de atividades e de um comentário do bispo de Los Angeles David O’Connell a respeito da existência de casais homossexuais de um vídeo.

Na declaração, o New Ways Ministry observa que Francisco tem se reunido regularmente com vítimas de abuso sexual para ouvir suas histórias e pede ao Papa para encontrar famílias LGBT, que, segundo eles, “há muito tempo são vítimas de outra forma de abuso clerical”.

O grupo acredita que as famílias LGBT devem ser convidadas a fazer apresentações no programa oficial do Encontro Mundial das Famílias para que os participantes e toda a Igreja possam ouvir suas histórias.

“O que está sendo feito para garantir que pelo menos uma das cinco famílias que vai testemunhar no EMF seja LGBT? O programa vai incluir pais que têm filhos LGBT? Será que um casal homossexual vai dar seu testemunho sobre as alegrias e dificuldades de criar os filhos? Os participantes vão ouvir uma pessoa transgênero falar sobre sua experiência de família? E será que um evento desses vai chegar a acontecer?”, desafia o New Ways Ministry na declaração.

Talvez uma pequena luz seja o convite ao padre jesuíta James Martin para dar uma importante palestra no Congresso do Encontro Mundial das Famílias, em Dublin, sobre como as paróquias podem receber os católicos LGBT, seus pais e suas famílias.

Em conversa com a revista América sobre o convite, Martin disse: “A mensagem aos católicos LGBT parece simples: vocês são uma parte importante da Igreja”.

“Estou imensamente grato por esse convite, não tanto pelo que diz sobre o meu próprio ministério ou minha escrita, mas pelo que diz aos católicos LGBT, um grupo de pessoas que por tanto tempo se sentiu excluído”, acrescentou Martin, que foi alvejado por conservadores sobre seu projeto para a comunidade LGBT. “Espero que eles vejam o convite, que teve de ser aprovado pelo Vaticano, como um sinal inconfundível de boas-vindas da Igreja”.

Fonte: Instituto Humanitas Unisinos
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Maior relatório já feito sobre assédio sexual na ciência dos EUA revela um abuso sistemático

Seus amigos, aqueles que não tinham nada a ver com a medicina, não podiam acreditar. “Você está de brincadeira, né?”, perguntaram-lhe. Já os colegas e funcionários da faculdade onde trabalhava pediam para deixar para lá. “Se você relatar isso vai se dar mal. Você não vai querer armar um escândalo.” Essa mulher, membro de uma faculdade de Medicina nos Estados Unidos, sabia que seus colegas da instituição tinham razão, mas sabia também que o que havia ocorrido, e continuava ocorrendo, era demais: “Não deveria ter que me preparar para ser estuprada quando vou trabalhar”.

Este é só um entre dezenas de depoimentos citados no relatório intitulado Assédio Sexual Contra as Mulheres: Clima, Cultura e Consequências nas Academias de Ciência, Engenharia e Medicina, que essas três instituições norte-americanas publicaram na terça-feira. Trata-se da análise mais exaustiva já escrita sobre o tema, trabalhada durante mais de dois anos e baseada em centenas de estudos, entrevistas, estatísticas e relatórios feitos desde a década de oitenta. Suas conclusões apenas salientam uma realidade cada vez mais visível e menos surpreendente: mais de metade das mulheres nesses três âmbitos, e em todos os níveis (alunas e professoras), já sofreram algum tipo de assédio – trabalhista, sexual ou ambos –, abusos, agressões sexuais, desprezo ou menosprezo profissional e pessoal durante sua formação ou no exercício da profissão.

 

“Embora haja cada vez mais mulheres nos campos científicos, assumindo responsabilidades e liderando pesquisas, os dados indicam que isto ocorre com muita frequência”, comentava na terça-feira Marcia McNutt, presidenta da Academia Nacional de Ciências, segundo quem essa “cultura” provoca uma clara devastação nas mulheres, tanto em nível pessoal quanto profissional, e na sua saúde física e psíquica. “É também uma perda tremenda dos recursos humanos, de potencial, de talento e de investimento nesse talento.” Com a agravante de que as políticas e os protocolos atuais para controlar esta situação não dão sinais de funcionar, e as consequências costumam ser o freio às carreiras profissionais das mulheres ou mesmo o abandono.

Para a presidenta, o relatório foi publicado na hora certa, depois que o movimento Me Too rompeu o obscurantismo e o silêncio de milhões de mulheres no mundo, dando início a um movimento global e crescente de conscientização e rechaço a essa violação constante de seus corpos, suas aptidões e suas vontades. Frente a isto, a resposta das instituições é contundente: mudar é não só urgente como também imprescindível. E para essa mudança, observou McNutt, as academias e as organizações públicas e privadas devem criar um ambiente totalmente diferente, que consiga evitar esse assédio a partir do primeiro indício: “Nosso relatório oferece soluções específicas para os diferentes espaços, para poder reduzir ou eliminar esse assédio. É necessária uma cultura baseada na diversidade, na inclusão e no respeito”. Algo que, no momento, não ocorre.

mac2Uma das infografias que a Academia preparou para resumir algumas das recomendações que apontam no relatório.

O pesquisador Kevin Swartout, da Universidade Estadual da Geórgia, foi o encarregado de montar o quebra-cabeça com os dados dos sistemas da Universidade do Texas, aos quais foram posteriormente acrescentados os da Universidade Estadual da Pensilvânia, para oferecer uma visão mais ampla; uma base de mais de 10.000 graduandos, pós-graduandos e professores que revelou um comportamento constante de assédio por parte do professorado ou dos outros funcionários. “Cerca de 20% das estudantes de ciências (graduação e pós) já o sofreram, mais de uma quarta parte das alunas de engenharia, e mais de 40% das estudantes de medicina”, diz o relatório, referindo-se à pesquisa da instituição texana. “Na Pensilvânia, realizou-se uma pesquisa similar, que encontrou resultados parecidos: 33% das estudantes de graduação, 43% das pós-graduandas e 50% por cento das estudantes de medicina.”

Não foram obtidas cifras conclusivas com relação a grupos minoritários, mas o estudo indica que as mulheres pertencentes a coletivos LGTBIQ ou da raça negra são alvos mais habituais do que qualquer mulher branca e heterossexual. Outros dados da pesquisa revelam as mesmas percentagens, e os autores consideram que isso não deveria surpreender. “Os funcionários de instituições acadêmicas têm a segunda maior taxa de assédio sexual [nos Estados Unidos], com 58% (os militares têm a taxa mais alta, 69%)”.

As pesquisas foram completadas com quarenta entrevistas com profissionais de todos os campos, de diferentes idades e níveis. Cerca de metade denunciou algum tipo de assédio físico, mas o psíquico também se revela como uma importante aresta a aparar. “A maioria deles degrada a mulher, encerrando-a no local de trabalho, menosprezando-a frente a outros colegas, dizendo-lhes que não são tão capazes como os outros, ou falando mal delas para o resto… Não é só tocar ou invadir sexualmente, é algo em nível mais intelectual. Tentam fazer esses jogos mentais para que você não possa se defender fisicamente”, aponta uma professora-assistente de Engenharia entrevistada no estudo.

Comentários sexistas, piadas reiteradas e alusões que degradam as mulheres no âmbito pessoal ou profissional foram uma constante que os pesquisadores encontraram ao reunir essa informação. Eles citam quatro aspectos que se dão nesses locais de trabalho como algumas das causas destas atitudes: “A dependência em relação aos assessores e orientadores para o avanço profissional; o sistema de meritocracia que não leva em conta a diminuição na produtividade como resultado do assédio sexual; a cultura machista em alguns campos; e a rede informal de comunicações, através da qual se difundem rumores e acusações dentro e através de programas e campos especializados”. E acrescentaram cinco fatores que poderiam explicar, em parte, esse assédio generalizado: a percepção de tolerância frente a tais atitudes, uma maioria de homens nesse entorno, a férrea hierarquia – que além disso costuma concentrar muito poder em poucas mãos –, sem a educação nem as ferramentas para lutar contra isto, e um enfoque ruim das leis que regulam o assédio nas instituições.

O estudo explica que, muito frequentemente, a interpretação judicial dessas leis incentiva as instituições a criarem políticas que se centram mais em um cumprimento simbólico da legislação e em evitar a responsabilidade do que em realmente prevenir o assédio. Ou seja, normas que acabam protegendo quem comete o assédio, e não a vítima, o que foi definido como “desalentador”. “Ao mesmo tempo em que se investe tanto dinheiro e energia em atrair e reter as mulheres nestes campos, frequentemente elas são intimidadas ou expulsas de sua carreira. Mesmo quando permanecem, sua capacidade de contribuir e avançar pode se ver limitada como consequência do assédio sexual, seja de forma direta, pelo assédio ambiental no entorno em seu departamento, programa ou disciplina, ou através de represálias e por serem tratadas como traidoras depois de relatarem formalmente o assédio”.

Por isso, entre outros estudos, Fazer Frente ao Assédio Sexual: Reconceitualizar a Resistência das Mulheres (2002), de Vicki J. Magley, descobriu, com uma base de dados de mais de 15.000 mulheres, que com frequência as respostas eram ignorar ou tentar apaziguar o assediador. Raras vezes ele era confrontado, e sempre havia uma tentativa de manter boas relações com ele. “Por exemplo, 74,3% das mulheres em um dos sete conjuntos de dados analisados por Magley evitavam o seu autor, 72,8% se distanciaram psicologicamente da situação, 69,9% suportaram a situação sem tentar resolver o problema, e 29,5% tentaram acalmar o seu algoz inventando uma desculpa para explicar seu comportamento.”

A história de sempre. Culpabilização, medo de não serem acreditadas num primeiro momento e do descrédito posterior, e de serem pisoteadas, maltratadas ou de suportarem represálias depois. Algo que está bem refletido no testemunho de uma pesquisadora de medicina que, após sofrer vários tipos de assédio trabalhista e sexual, acabou informando ao diretor de seu programa, que deixou o assunto nas mãos do chefe da instituição em questão; foi ele quem lhe disse que ela recordava a sua ex-mulher – “a quem todos sabíamos que odiava”, comenta a médica no relatório – e que se ela chorasse menos talvez tivesse mais amigos. “A partir daí, a qualificação que fazia do meu trabalho simplesmente foi ladeira abaixo.”

mac3O iceberg do assédio.

Algo incompreensível em todos os níveis. Décadas de pesquisa demonstraram como a indústria e a pesquisa ganham em qualidade quando sua força trabalhista é diversificada. “Esse assédio contínuo tem consequências para o avanço do bem-estar econômico e social do país e sua saúde pública em geral”, sentencia o estudo.

O panorama propõe uma série de mudanças profundas, estruturais, que segundo a Academia devem ser levadas em conta desde já e que se resumem em 15 recomendações não só para sua própria organização, mas também para outros órgãos federais, e políticas para que essa guinada rumo a um mundo mais inclusivo possa chegar a todos os cantos. Entre essas recomendações estão: abordar de forma direta o assédio sexual e ir além do mero cumprimento das leis para alterar pela raiz a cultura e o ambiente nessas instituições; gerar ambientes mais diversificados, inclusivos e respeitosos; melhorar a transparência e a responsabilidade em todos os níveis; reduzir ao máximo essas relações hierárquicas tóxicas que se dão entre as alunas e o professorado, com um poder tremendamente concentrado e que paira sobre o futuro das estudantes; sempre dar apoio à vítima; começar investigações que possam continuar revelando essa realidade; e iniciar mudanças legislativas e políticas para paliá-la.

Há muitos detalhes e conselhos oferecidos nas mais de 300 páginas deste trabalho, que começou a ser preparado há mais de dois anos, quando o Comitê de Mulheres em Ciência, Engenharia e Medicina propôs a criação de um grupo especial para analisar o passado e o presente do assédio sexual em suas áreas, avaliar o impacto que ele causa e estabelecer as bases para sua prevenção e erradicação no ambiente acadêmico. Cientistas, engenheiros, médicos, especialistas no tema, juristas e psicólogos se puseram então a colher e esmiuçar a literatura existente. E, embora tenham radiografado também a si mesmos, esqueceram uma das engrenagens do seu próprio maquinário.

Parte da comunidade científica, sobretudo mulheres, notaram a ironia da publicação deste relatório quando entre suas próprias fileiras há cientistas que pedem demissão ou são demitidos de seus empregos após serem acusados por estas condutas, mas continuam vinculados à Academia. É o caso do caçador de planetas Geoff Marcy, que se demitiu de seu cargo em Berkeley (Califórnia) em outubro de 2015, do neurocientista Thomas Jessell, despedido em abril da Universidade de Columbia, e de Inder M. Verma, o biólogo molecular que está em “licença” no Instituto Salk de Estudos Biológicos, onde trabalha desde a década de setenta, e que renunciou em 1º. de maio ao posto de editor da revista Proceedings, da própria Academia Nacional de Ciências, depois que a publicação Science denunciou que oito mulheres o haviam acusado de abusos sexuais.

Mas há mais. A cientista Julie Libarkin, da Universidade Estadual de Michigan, que criou em 4 de junho um site para denunciar o assédio em sua área, o MeTooSTEM, vem desde a década de oitenta ampliando uma base de dados sobre o assédio sexual que já acumula mais de 600 casos. A revisão desses nomes pelo The Washington Post revelou que há até cinco homens já punidos por assédio sexual que continuam sendo membros das Academias Nacionais norte-americanas, e três que ainda fazem parte de pesquisas com subvenção pública. A Academia Nacional de Ciências, criada pelo Congresso dos Estados Unidos em 1863, tem como acadêmico médio um homem branco de mais de 70 anos; os novos membros são escolhidos pelos atuais, e suas vagas são vitalícias. Haja o que houver.

Em maio, BethAnn McLaughlin, professora-assistente de neurologia na Universidade Vanderbilt, iniciou uma petição no Change.org para exigir às academias que destituam seus membros se tiverem sido condenados por assédio sexual ou trabalhista ou por agressões, algo que atualmente, conforme seus próprios estatutos, encalhados em algum ponto do século XX, é impossível. Os presidentes das três academias aludiram ao assunto no final de maio e asseguraram que tinham começado a tratar o tema dos “padrões de conduta profissional para os membros”. Outras instituições, como a Sociedade Astronômica Americana e a União Geofísica Americana, já alteraram pelos mesmos motivos suas políticas de expulsão. Talvez as Academias Nacionais também devessem começar por aí.

Fonte: Instituto Humanitas Unisinos
Fonte original: El País
Por: Isabel Valdés
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