O “narcisismo maligno” de Trump está se deteriorando

Lance Dodes, professor de psiquiatria de Harvard e colaborador do libro “El caso peligroso de Donald Trump” elaborado por 27 especialistas em saúde mental, em 2017, alerta sobre o perigo “real e presente” do presidente que padece de “narcisismo maligno”, disse, esta semana, que a condição de Trump está se deteriorando.

Olhar Digital
Trump se diz o eleito

Em busca da reeleição, Trump amplia crueldade e messianismo de sua figura política

Mais que "só" um ódio contra migrantes, a crueldade do presidente americano acompanha e nutre o desejo punitivo histórico dos conservadores estadunidenses

A estonteante tormenta de insultos, ataques, mentiras e contradições que marcam cada dia sob o regime de Donald Trump está chegando outra vez a níveis em que vários analistas e observadores se preocupam pela saúde mental do presidente, e ao mesmo tempo se assombram pelo grau de crueldade nas políticas impulsionadas por este governo.

Ao longo desta semana, o presidente provocou uma crise diplomática com outro país aliado, fez declarações antissemitas ao atacar opositores aos quais acusou de antissemitas, olhou para o céu e proclamou “sou o eleito” e citou uma mensagem de ultradireitista que afirmava que ele era algo assim como o Messias.

E, como costuma fazer, o presidente se contradisse em vários temas, admitindo que seu governo está buscando promover medidas de estímulo econômico ao mesmo tempo que proclamou que a economia nunca esteve melhor na história do país que sob o seu comando, e por outro lado afirmou que está interessado em medidas para controlar as armas só para anunciar o contrário pouco depois, entre outras coisas.

Enquanto comentava sobre sua guerra comercial contra a China, entre jornalistas na quarta-feira, Trump insistiu em que só estava fazendo o que presidentes anteriores deveriam ter feito há muito tempo, e afirmou “alguém tinha que fazer isso”  e olhando para o céu, concluiu – supõem-se que de brincadeira -: “Eu sou o eleito”.

Pouco antes, o presidente já havia citado em um tuíte a um ultradireitista e promotor de teorias de conspiração que afirmava que os israelitas pensam que ele é “a segunda chegada de Deus” (os judeus não compartilham esse conceito teológico), “como se fosse o Rei de Israel”.

Por certo, o fato de Trump citar isso em um tuíte, nutriu especulações de que o presidente não só acredita no que diz de si mesmo – o melhor, o maior, o mais presidencial de todos os presidentes – mas inclusive que é algum enviado de Deus. 

De fato, alguns setores cristãos ultraconservadores expressam que Trump, mesmo que talvez não seja Deus, foi sim divinamente escolhido para resgatar os Estados Unidos, e que se opor a ele seria igual a repudiar a Deus.

Enquanto isso, em assuntos mais terrenos, depois de provocar uma crise diplomática com outro país aliado nesta semana, nessa ocasião a Dinamarca, porque se sentiu ofendido pela resposta negativa desse governo em abordar uma possível aquisição da Groenlândia – uma noção que ele sozinho inventou e que quase todos pensavam no início que fosse uma brincadeira – mas acontece que a ideia não foi algo novo. Um ex alto funcionário da Casa Branca revelou ao New York Times que Trump havia – diz que brincando- falado em 2018 sobre trocar Porto Rico – que desprezou abertamente – pela Groenlândia.

A ideia foi bem recebida agora por alguns porto-riquenhos que meio de brincadeira, disseram que seria maravilhoso desfazer-se de sua relação subordinada com os Estados Unidos, e alguns até se batizaram de “Vikings caribenhos”.

Crueldade 

Falando em trocar países morenos por brancos, o regime de Trump continuou defendendo suas novas iniciativas anti-imigrantes, sobretudo a de buscar deter de maneira indefinida os menores de idade. Isto provocou uma série de denúncias de seções editoriais (Los Angeles Times, Chicago Tribune), defensores de direitos civis e outros: “Parece não haver limite à crueldade que Donald Trump e seu governo estão dispostos a exibir e cobrar quando se trata de imigrantes e solicitantes de asilo da América Latina”, escreveu o colunista do New York Times Charles Blow.

Mas este observador e outros assinalam que isto se traduz em mais que só um ódio contra migrantes. Blow escreve que a crueldade de Trump acompanha e nutre o desejo punitivo histórico dos conservadores estadunidenses. “Este insaciável desejo de infligir dor tem alvos particulares: mulheres…, minorias raciais, pessoas LGBTQ e minorías religiosas neste país, ou seja, os castigos estão dirigidos a qualquer que não seja parte do, ou que o apoie o, patriarcado supremacista branco”.

Loucura?

Com esta combinação de autoelogio com tinturas messiânicas, e a “defesa” de seu Estados Unidos contra a “invasão” dos “outros”, se renova o debate sobre se o presidente é um jogador político brilhante que é mestre em manipular as alavancas do poder para seu próprio benefício e os interesses que o apoiam, ou se é alguém que sempre enganou a todos e que no fundo não tem a mínima ideia de como governar, a não ser por malcriação e autopromoção.

Trump “perdeu a capacidade de diferenciar entre ele e o país, entre suas necessidades psicológicas e os interesses do país. Opor-se a ele é ser “inimigo do povo”, adverte a colunista Jennifer Rubin do Washington Post.

Outros insistem em que o que ele está manifestando é um problema mental sério.

O doutor Lance Dodes, ex-professor assistente de psiquiatria na Universidade de Harvard e colaborador do libro “El caso peligroso de Donald Trump” elaborado por 27 especialistas em saúde mental, em 2017, alertando sobre o perigo “real e presente” de um presidente que padece do que alguns diagnosticaram como “narcisismo maligno”, disse esta semana que a condição de Trump está se deteriorando.

Afirmou em entrevista à MSNBC que o presidente tem “uma necessidade fundamental de ser todo poderoso e não pode aguentar nada que o desafie. Não pode aguentar nada que esteja em desacordo com ele, e cada vez que alguém o desafia, se torna mais louco, mais paranoico, e potencialmente mais violento”. Concluiu: “pensa de si mesmo como um ditador, e tudo se trata dele, e nada mais importa”.

O projeto Duty to Warn criado por especialistas em saúde mental quando Trump assumiu o poder para advertir sobre seu estado psicótico e a ameaça para o país, indicou há alguns dias que seus comentários desta semana são parte de seu “narcisismo maligno – o que está no fundo da inumanidade mais viciosa da história. Sociopatia, paranoia e sadismo…vemos algo disso agora, logo veremos mais”.

ONU: “Crimes de ódio são precedidos por discurso de ódio”

“Palavras matam assim como balas. O Holocausto não começou com as câmeras de gás mas muito antes com discurso de ódio. Com a subida de extremistas, em toda a parte, nota-se um número crescente de grupos neonazistas e neofascistas”.

 

“Temos de lembrar que crimes de ódio são precedidos por discurso de ódio”

O Conselheiro Especial para a Prevenção do Genocídio, Adama Dieng, disse que “todos temos de lembrar que crimes de ódio são precedidos por discurso de ódio.”

Adama Dieng foi o autor da Estratégia e Plano de Ação das Nações Unidas contra o Discurso de Ódio, lançada este mês em Nova Iorque.

História

Em entrevista à ONU News, o representante lembrou vários exemplos históricos de violações de direitos humanos que começaram com palavras contra grupos étnicos ou religiosos.

O representante disse que “todos têm de lembrar que o genocídio dos tutsis em Ruanda começou com discurso de ódio.” Ele acrescentou que “o Holocausto não começou com as câmeras de gás, mas muito antes, com discurso de ódio e que “o que é observado em Mianmar contra a população rohingya também começou com discurso de ódio.”

Atualidade

Na atualidade, Dieng vê um aumento do extremismo no mundo e defende que é necessário combater este tipo de incitação.

O enviado disse que “o que é visto pelo mundo, com a subida de extremistas, seja na Europa, na Ásia, em toda a parte, quando se nota um número crescente de grupos neonazistas, grupos neofascistas, e quando é observada a forma como os migrantes e refugiados estão sendo vilificados, é preciso fazer todos os esforços para abordar este discurso de ódio.”

Combate

Dieng diz que deve ser lembrado que palavras matam. Segundo ele, “palavras matam assim como balas.”

Por essa razão, o conselheiro defende que sejam feitos todos os esforços para investir em educação e na juventude “para que a próxima geração entenda a importância da vida em conjunto.

Para o alto funcionário da ONU, é necessário “fazer todos os esforços para que ataques, como aquele no Sri Lanka, quando igrejas foram atacadas, na Nova Zelândia, em Pittsburgh, tudo tenha de parar.”

Para isso, Adieng sugere “um investimento em mobilizar a juventude, usar o verbo para que se torne uma ferramenta para a paz, para o amor, para aumentar a coesão social e a harmonia no mundo, em vez de ser uma ferramenta para continuar a cometer genocídio e crimes contra a humanidade.”

Estratégia

A Estratégia e Plano de Ação das Nações Unidas contra o Discurso de Ódio foi lançada este mês pelo secretário-geral da organização, António Guterres.

No lançamento, o chefe da ONU considera que esse ato de comunicação “é um ataque direto” aos valores centrais de tolerância, da inclusão e do respeito pelos direitos humanos e pela dignidade humana.

O secretário-geral afirmou também que as Nações Unidas, os governos, o setor privado, a academia, a sociedade civil e a comunidade internacional precisam de intensificar esforços.

Fonte:  ONU
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Trump discriminador e seus estereótipos com judeus, negros e portorriquenhos

Em se tratando de discriminação, Trump brinca com fogo como nenhum presidente em um século. Mantém a estratégia política de nós contra eles que caracterizou sua presidência desde o início. No Twitter deixa seus assessores de mãos atadas – incapazes ou indispostos – para defendê-lo.

El presidente Trump niega ritualmente cualquier animadversión o motivación racial. “Soy la persona menos racista que hayas conocido”, ha dicho más de una vez. Erin Schaff/The New York Times

Trump aviva las llamas del fuego racial

WASHINGTON—El presidente estadounidense Donald Trump despertó la mañana del domingo, miró hacia la nación que lidera, vio las astillas secas de las relaciones raciales y decidió arrojar una cerilla encendida. No era la primera vez que lo hacía y no parece que vaya a ser la última. Tiene una caja bien grande de fósforos y un suministro disponible de querosene.

A muchos les sorprendió su arenga de Twitter que incitaba a las congresistas demócratas de color a “volver”al país del que habían venido, aunque la mayoría de ellas en realidad habían nacido en Estados Unidos. Pero debería haber sorprendido a pocos de los que han visto la forma en que ha gobernado un país multicultural y multirracial en los últimos dos años y medio.

Cuando se trata de la raza, Trump juega con fuego como no lo ha hecho ningún presidente en un siglo.Aunque otros de sus antecesores en la Casa Blanca en ocasiones se acercaron o incluso cruzaron la línea al encontrar modos de apelar a los resentimientos de los estadounidenses blancos de manera sutil y no tan sutil, ninguno en la época moderna ha atizado las llamas de manera tan abierta, implacable e incluso entusiasta como Donald Trump.

Su ataque a lascongresistas demócratassucedió el mismo día que su administración amenazaba con redadas masivas a los inmigrantes que viven en el país de manera ilegal. Y fue apenas días después de que convocara a la Casa Blanca aalgunas de las voces más incendiarias de la extrema derechaen Internet y de que juró que iba a encontrar otro modode contar a los ciudadanos del país de manera separada de los no-ciudadanos, a pesar de que una decisión de la Corte Suprema le impidió añadir una pregunta al censo que se realiza cada diez años.

Su suposición de que las demócratas de la cámara de representantes deben haber nacido en otro país —o de que no pertenecen a Estados Unidos—es coherente con la estrategia política de nosotros-contra-ellos que ha estado en el corazón de la presidencia de Trump desde el inicio.En el camino a la elección del próximo año, parece estar trazando una línea profunda entre el país blanco, nacido en los Estados Unidos de su memoria, y la nación étnicamente diversa y con una población crecientemente nacida en el exterior que preside, desafiando así a los votantes en 2020 a declarar en qué lado de la línea se encuentran.

“De muchas formas, esta es la clase más insidiosa de demagogia racial”, dijo Douglas A. Blackmon, autor deSlavery by Another Name, una historia ganadora del Pulitzer sobre la servidumbre racial en Estados Unidos entre la Guerra Civil y la Segunda Guerra Mundial.

“El presidente ha pasado de invocar las obvias calumnias raciales de hace 50 años, clichés como los de los barrios negros ‘en llamas’, y ahora invoca la mentalidad de supremacía blanca de principios de 1900, cuando cualquiera que no pareciera blanco podía ser calificado como indeseable en Estados Unidos”.

Trump formalmente niega cualquier motivación o animadversión racial. Su lucha contra la inmigración ilegal, dice, es para asegurar la frontera y proteger al país. A menudo se jacta de que el desempleo entre hispanos y afroamericanos ha alcanzado récords bajos. La semana pasada le agradeció aRobert L. Johnson, el fundador de Black Entertainment Television, por reconocer su administración de la economía.

“Soy lapersona menos racistaque han conocido”, ha dicho más de una vez. 

Pero no se esmera en evitar la apariencia de que sí lo es y su seguidilla de publicaciones en Twitter del domingo dejó a sus asesores atados de manos —incapaces o indispuestos— para defenderlo. Ninguno de los seis voceros de la Casa Blanca o de su campaña respondieron en un inicio a las solicitudes de declaraciones.

Solo uno de los funcionarios de su gobierno que ya tenía previsto aparecer en los programas de conversación del domingo, Mark Morgan, el comisionado en funciones de Aduanas y Protección Fronteriza, dejó en claro que no estaba dispuesto a formar parte del asunto.“Van a tener que preguntarle al presidente qué quiere decir con esos tuits en particular”, dijo enFace the Nationde CBS.

Los congresistas republicanos en general no acudieron a ponerse del lado del presidente el domingo ni tampoco se aprestaron a denunciarlo.Aunque muchos republicanos se sientan profundamente incómodos con lapolítica empapada de racismode Trump, les preocupa ofender a los votantes de base que vitorean al presidente como alguien que dice la verdad en la tiranía de la corrección política. 

Solo por la noche Trump respondió al furor, al decir que los demócratas estaban defendiendo a colegas que “hablan mal de nuestro país” y “cuando se les confronta” llaman a sus adversarios “RACISTAS”.

Entones, Tim Murtaugh, un vocero de campaña de Trump, respondió al pedido de declaraciones y dijo: “El presidente señaló que muchos demócratas dicen cosas terribles sobre este país, que en realidad es la nación más grandiosa de la Tierra”. Murtaugh no explicó por qué Trump le dijo a las congresistas nacidas en Estados Unidos que “volvieran” a países de los que no eran.

Otros presidentes han jugado a la política racial o se han regodeado en los estereotipos.Las grabaciones secretas de Lyndon B. Johnson y Richard M. Nixon muestran que a puerta cerrada ambos hacían comentarios virulentos y racistas.La estrategia de Nixon en el sur se dice que estaba dirigida a los blancos desencantados.

A Ronald Reagan se le acusó de hacer referencias racistas en código al referirse tanto a las “reinas del bienestar”. George Bush y sus seguidores insistieron en el caso de un asesino afroamericano que estaba de licencia de una prisión llamadoWillie Horton. A Bill Clinton se le acusó de hacer una jugada racial al criticar a una estrella negra del hip-hop.

Pero incluso hace una generación había límites y la mayoría de los presidentes predicaron la unión racial por encima de la división. Johnson, por supuesto, pasó la legislación de derechos civiles más radical de la historia de Estados Unidos. Bush firmó una ley de derechos civiles y denunció aDavid Duke, el líder del Ku Klux Klan, cuando postuló a la gobernación de Louisiana como republicano. Su hijo, George W. Bush, puso énfasis en visitar una mezquita días después de los ataques del 11 de septiembre de 2001 para mostrar que Estados Unidos no estaba en guerra con los musulmanes. Barack Obama invitó a una “cumbre de cerveza” a un profesor afroamericano de Harvard y al policía blanco que lo arrestó por error.

La historia de Trump en asuntos raciales ha quedado bien documentada desde sus días de desarrollador inmobiliario, cuando llegó a un acuerdo con el departamento de Justicia en torno a una demanda por discriminación al rentar departamentos, hasta la agitación pública que causó durante el caso de los Central Park Five en Nueva York. Jack O’Donnell, el expresidente del Casino y Hotel Plaza Trump en Atlantic City, después escribió que Trump abiertamente desprestigiaba a otros según su raza al quejarse, por ejemplo, de que no quería que hombres negros administraran su dinero.

“Trump no solo ha sido siempre un racista, y cualquiera a su alrededor que lo niegue está mintiendo”, dijo O’Donnell el domingo. “Donald Trump hace comentarios racistas todo el tiempo. Una vez que lo conoces, dice lo que piensa sobre la raza de manera muy abierta”.

Dijo que Trump traficaba regularmente con los estereotipos raciales: los judíos son buenos con el dinero, los negros son holgazanes, los puertorriqueños se visten mal. “La gente blanca son los estadounidenses para Trump, todos los demás son de otro lado”, dijo O’Donnell. “Simplemente niega la realidad de cómo inmigramos todos a Estados Unidos”.

Trump impulsó su camino a la Casa Blanca en parte al promover la falsa teoría de conspiración de que Obama había nacido en África, no en Hawaii. Abrió su postulación presidencial en 2015 con un ataque a los “violadores mexicanos” que cruzaban la frontera (aunque “algunos, asumo, son buenas personas”) y después llamó aprohibir a todos los musulmanesel ingreso a Estados Unidos. Dijo queun juez nacido en Estados Unidos de ascendencia mexicanano sería justo con él debido a su origen étnico.

Como presidente, se ha quejado en reuniones que ahora son públicas de que los inmigrantes haitianos “todos tienen SIDA” y de que los visitantes africanos nunca“volverían a sus chozas”. Ha desprecado a Haití y a algunos países africanos con una vulgaridad y dijo que en lugar de inmigrantes procedentes de allí, Estados Unidos debería aceptar más de Noruega. Dijo que había “muy buenas personas en ambos lados” refiriéndose a una manifestación para salvar un monumento confederado que se volvió mortal en Charlottesville, Virginia, aunque también condenó a los neonazis allí.

Insiste en que solo dice lo que otros creen pero tienen miedo de expresar. Y cada vez que las llamas rugen, Trump agrega un poquito más de combustible a la hoguera. Puede que el fuego esté caliente, pero así es como le gusta.

Por: Peter Baker
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Os Estados Unidos cheira a podre por ter um presidente racista

Trump é racista. É um problema de caráter a que se soma o sexismo e a xenofobia. “Resumindo, o racismo é malévolo porque sua lógica de fundo é o genocídio”. A boca que desdenha nem sempre está conectada com a mão que destrói, mas compartem o mesmo espírito e desejo de causar dano.

En Estados Unidos huele a podrido y es por un presidente racista

Es desesperante ser tan repetitivo y seguir señalando que Donald Trump es racista, pero alguien tiene que hacerlo. Es necesario porque se trata de un problema fundamental de carácter, que arruina y determina muchos otros rasgos, casi de la misma manera en que lo hacen su sexismo y su xenofobia.

El sábado, Trump tuiteó que el distrito del representante Elijah Cummings era “un caos terrible, infestado de ratas y roedores”, un “lugar muy peligroso y sucio”; además afirmó que “ningún ser humano querría vivir ahí”. Cummings es de raza negra, como la mayoría de las personas que viven en su distrito.

El hecho de que utilice el verbo “infestar” revela en gran medida sus percepciones, pues al parecer solo lo aplica a problemas que involucran a personas negras y de tez morena. Criticó las “áreas infestadas de ébola en África”. Dijo que el distrito de Atlanta del congresista John Lewis está “infestado de delincuentes” y le recomendó concentrarse en “los barrios pobres de Estados Unidos infestados de criminalidad, un tema imperioso”. Comentó que las ciudades santuario son un “concepto infestado de criminalidad y semillero de la delincuencia”. Advirtió que los “inmigrantes no autorizados” vendrán “en bandadas e infestarán nuestro país”. También describió la presencia de miembros de la pandilla MS-13 “en ciertas partes del país” como una “infestación”.

En ninguno de esos casos se refiere a la delincuencia como un fenómeno discreto, sino quevincula inextricablemente la criminalidad con las personas de tez oscura. Los partidarios de la supremacía blanca no siempre consideran a las personas de raza blanca como superhombres; en muchos casos, más bien clasifican a laspersonas que no son de raza blanca como subhumanos.De cualquier manera, el punto es establecer una jerarquía en la que la raza blanca ocupa la posición superior.

Un estudio de los tuits de Trump revela que cuando asocia la criminalidad con grupos de la población, casi siempre se refiere a personas de raza negra o tez morena y a “barrios pobres”, un eufemismo urbano para referirse a vecindarios de gente negra y morena.

Trump no ha perdido ninguna oportunidad para mostrar su postura, desde el caso de los Cinco de Central Park hasta una serie de tuits que publicó en 2013, cuando escribió: “Por desgracia, la impresionante cantidad de delitos violentos que ocurren en nuestras principales ciudades son cometidos por personas negras y morenas —un tema difícil— y debemos hablar de eso”.

Hay que dejar claro que las personas de raza negra no son más propensas a abusar de otros, como tampoco alguien es más propenso a abusar de los opioides solo por ser blanco. Los seres humanos respondemos a nuestro entorno, a nuestras necesidades y deseos, así como a nuestra desesperanza.

Por ejemplo, en Nueva York aumentó mucho la delincuencia en el siglo XIX, cuando casi no había personas de raza negra en la ciudad.De hecho, en 1985, un escritor y cronista prodigioso de la ciudad de Nueva York, Edward Robb Ellis, escribió en The New York Times sobre un ciudadano que se quejaba en 1852 porque “el incremento de la tasa de delincuencia, la violencia y frecuencia de los ataques a ciudadanos comunes y corrientes por la noche en la ciudad, y la… estupidez e ineficacia de la policía son motivo de gran alarma entre el segmento de la ciudadanía que actúa con decencia y respeta la ley”.

Según Ross, el propio Walt Whitman afirmó: “Nueva York es una de las ciudades más plagadas de delitos y más peligrosas de la cristiandad”.

¿Los blancos que vivían en Nueva York en esa época estaban predispuestos racial y patológicamente a la criminalidad? Por supuesto que no. Tampoco lo están las personas de tez negra y morena en la actualidad. Los racistas no consideran en absoluto ese contexto histórico y sociológico.

Lo peor es que no hay nada positivo en el lenguaje que usa Trump. Cuando hay infestaciones, existe justificación para exterminar la plaga.Por algo Martin Luther King Jr. dijo: “En resumidas cuentas, el racismo es malévolo porque su lógica de fondo es el genocidio”. Quizá la boca que desdeña no siempre esté conectada a la mano que destruye, pero sin duda comparten el mismo espíritu y el deseo de causar daño.

Sería fácil exponer fundamentos para un juicio en contra de Trump por motivos de política pública, pero las políticas no están en la naturaleza de la criatura. Más bien, en su naturaleza están la supremacía blanca, el nacionalismo blanco y el patriarcado blanco.

Este hombre es, en esencia, racista, y esa perspectiva está tan fundida con su sentido del mundo que no es capaz de reconocer que es racista. Su instinto es atacar a las personas negras.Para él resulta natural denigrar los lugares en los que viven y los países de sus ancestros.

Está tan convencido de las ideas que defiende la supremacía blanca, que su ideología ya no necesita ninguna etiqueta, según cree. Para él, esta mentira es precisamente la verdad y, si algo está “bien”, no puede ser racista.

Los racistas han operado de esta manera a lo largo de la historia para evitar que los asocien con aquellos que azotaron la piel de los esclavos, con quienes violaron a las mujeres y vendieron a los niños, con quienes soltaron los perros y apuntaron los cañones de agua, o con quienes pusieron las sogas al cuello y les prendieron fuego a las cruces.

Esos que se expresaron, consumidos por el odio y el sadismo, eran los racistas. No los grupos cada vez más grandes que se han tragado y han regurgitado una visión deformada del mundo, una visión adulterada de la historia y que presentan “hechos” supuestamente irrecusables sin contextualización.

Trump es racista. Gritémoslo a voces. Gritémoslo con la profundidad que se merece. Para mí, es el principio y el fin de la lógica que necesito para mantenerme firme en la resistencia.

Por: Charles M. Blow
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Por que a Alemanha não esquece o seu passado

Na escola, alunos aprendem exaustivamente sobre as atrocidades do nazismo. Nas ruas, memoriais e museus não deixam que a verdade histórica seja esquecida. Estratégia é lembrar do passado para que erros não se repitam.

Merkel durante visita ao campo de concentração de Dachau, em 2012

Nos ensinos fundamental e médio, tive algumas poucas aulas sobre a ditadura militar no Brasil. Aprendi em linha cronológica quem foram os generais, quais atos institucionais foram implementados, mas nunca fui informada pelos professores sobre a tortura institucionalizada, sobre quantas pessoas foram mortas ou quantas desapareceram. Eu também não tive a oportunidade de conhecer as histórias individuais de quem se posicionou contra o regime. As aulas de literatura me permitiram ao menos saber da poesia, da arte e da dor por trás das canções de protesto e de exílio.

Foi na faculdade de jornalismo que tive uma visão abrangente sobre os horrores desse período. Conheci a história do jornalista e professor Vladimir Herzog, ex-diretor na TV Cultura. De origem judaica, os pais de Herzog, da antiga Iugoslávia, imigraram ao Brasil para fugir da perseguição nazista, mas o filho não sobreviveu à ditadura brasileira. Foi torturado e morto pelos militares, que forjaram um suicídio nas dependências do DOI-CODI, para onde o jornalista tinha sido levado para prestar depoimento. Apenas há dois meses, o Estado brasileiro foi condenado pelo assassinato de Herzog, considerado pela Corte Interamericana de Direitos Humanos como um crime contra a humanidade.

Levou décadas para a Alemanha lidar duplamente com o passado nazista e o passado soviético. A lembrança sobre o Holocausto foi construída ao longo de anos como uma mensagem duradoura às futuras gerações. Por meio de museus, memoriais, disciplinas nas escolas, filmes e livros, a Alemanha formou uma memória cultural sobre as atrocidades do passado, sobretudo sobre a perseguição contra os judeus, para garantir que as presentes gerações não permitam que esses erros históricos se repitam.

Meu namorado, alemão, aprendeu exaustivamente por seis anos sobre o regime nazista nas disciplinas de História, Política e Geografia. Foram ao menos cinco horas de aulas semanais sobre a Segunda Guerra Mundial, campos de extermínio, o Terceiro Reich e o extremismo de direita, xenofobia e toda a história que culminou com a ascensão de Adolf Hitler ao poder.

Os alunos não são poupados de ver cenas reais de documentários mostrando a fumaça saindo das câmaras de gás onde milhões de judeus foram mortos e nem de ver os corpos sendo arrastados por tratores nos campos de concentração até as valas. Os alunos também são informados sobre o assassinato de negros, de pessoas de origem roma e de homossexuais durante o regime nazista. “Ouvimos e vimos tanto sobre esse período até ficarmos horrorizados e não aguentarmos mais. Mas tudo isso é para se ter certeza que as presentes gerações não deixarão isso acontecer de novo”, conta ele que é neto de uma holandesa que escondia judeus em casa para que não fossem mortos pelos nazistas.

Trazer os fatos ao conhecimento do público, admitir os erros e dar espaço à reconciliação são as estratégias que a Alemanha lança mão para atingir um entendimento nacional de que é preciso superar o passado, transformando regimes violadores de direitos humanos em democracias. Por isso, os alemães são ensinados a se confrontar com o Holocausto. Ao mesmo tempo, leis criminalizam fazer gestos alusivos ao nazismo, exibir símbolos nazistas e relativizar que houve extermínio de judeus, inclusive com pena de prisão.

Nas ruas, é comum topar com pequenos memoriais nas calçadas que homenageiam as vítimas do Holocausto. As chamadas Stolpersteine (“pedras de tropeço”), sinalizam que na casa em frente viveu um judeu morto pelo regime nazista. As placas – são mais de 60 mil em toda a Europa – indicam o nome, a data de nascimento e o dia em que a vítima foi levada ao campo de concentração.

Em muitas partes da Alemanha, cada passo é, de fato, um tropeço na história. Símbolos, memoriais e museus não deixam alemães, imigrantes e turistas ficarem alheios ao passado do país. Isso se reflete em políticas públicas que têm o objetivo de garantir que a verdade sobre o horror do nazismo não seja questionada por boatos e mentiras. E, nesse sentido, a meu ver, a educação escolar tem o papel crucial de formar uma sociedade consciente e informada.

Por: Karina Gomes
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A internet, o ódio, os racistas, os xenófobos, os antissemitas e os supremacistas brancos

A que se deve o ressurgimento do antissemitismo?

Não é surpresa encontrar um ressurgimento do antissemitismo numa época de instabilidade política e econômica prolongada, segundo historiadores e analistas, quando os cidadãos de diversas tradições políticas e culturais procuram explicações superficiais (bode expiatório) a injustiças repentinas e complexas.

El presidente francés, Emmanuel Macron, visitó el cementerio judío de Quatzenheim, donde las tumbas fueron vandalizadas con esvásticas el mes pasado. Foto del pool por Frederick Florin

¿A qué se debe el resurgimiento del antisemitismo?

BERLÍN — Esvásticas pintarrajeadas en un cementerio judío en Francia. Una campaña política antisemita del gobierno de extrema derecha de Hungría. Un grupo de legisladores del Partido Laborista en el Reino Unido renunciaron a ese movimiento político debido al arraigado antisemitismo. En un carnaval belga flotaban figuras inflables de judíos ortodoxos sentados en costales de dinero. Todo eso ocurrió tan solo en los últimos meses.

El aumento de ese tipo de incidentes en Europa y Estados Unidos muestra el resurgimiento en el siglo XXI de un viejo prejuicio que —con diversos enfoques— fusiona ideologías que de otro modo no coincidirían. Esto sucede en el contexto de una creciente incertidumbre económica mundial, un énfasis en los discursos sobre la raza y la identidad nacional, y una profunda polarización entre la izquierda y la derecha en Europa y Estados Unidos sobre el conflicto entre Israel y Palestina.

“Hay un patrón ideológico común”, dijo Günther Jikeli, experto en antisemitismo europeo de la Universidad de Indiana. “Se considera que el mundo se encuentra en una mala situación, y que lo que evita que se convierta en un mejor lugar son los judíos”.

El antisemitismo se ha convertido en una sección del diagrama de Venn de la política actual, en el que la extrema derecha puede coincidir con sectores de la extrema izquierda, la periferia islamista radical de Europa e incluso políticos de los dos principales partidos de Estados Unidos.

Esa confluencia es nueva, dicen los expertos, al igual que el surgimiento de un gobierno israelí que colabora con aliados de extrema derecha que elogian a Israel, aunque fomentan el prejuicio antisemita en sus países.

“Genera un entorno muy confuso en el que la situación es menos clara que en el pasado”, dijo Samuel Ghiles-Meilhac, experto en historia judía del Institut d’Histoire du Temps Présent, un grupo de investigación financiado por el gobierno en Francia.

Las encuestas sugieren que las actitudes antisemitas quizá no sean más generalizadas en la actualidad que en el pasado, sobre todo en Europa occidental, donde la conmemoración del Holocausto se ha vuelto un ritual para la mayoría de los gobiernos.

A pesar de esto, la gente intolerante parece haberse vuelto más descarada. “Eso es preocupante porque significa que se ha vuelto normal actuar de manera antisemita”, dijo Jikeli.

Eso incluye actos de violencia. En 2018, Francia registró un aumento del 74 por ciento en comparación con el año anterior de los incidentes antisemitas, con más de 500 ataques, incluyendo el asesinato de una sobreviviente del Holocausto en su propia casa. El presidente Emmanuel Macron dijo que ese incremento era el peor nivel de antisemitismo desde la Segunda Guerra Mundial.

En Alemania, a lo largo del mismo periodo, los ataques antisemitas violentos —62 de ellos— aumentaron un 60 por ciento, mientras que todos los crímenes antisemitas aumentaron casi un diez por ciento hasta alcanzar la cifra de 1646, según estadísticas gubernamentales.

En toda Europa la popularidad de la extrema derecha ha aumentado debido a la incertidumbre económica y el temor a la migración, casi el 90 por ciento de los judíos creen que el antisemitismo ha aumentado en sus países en los últimos cinco años, de acuerdo con encuestas de la Unión Europea.

“Actualmente, la clase política dominante europea y estadounidense, incluso presidentes, jefes de gobierno y primeros ministros, no vacilan en vincularse o adoptar abiertamente mensajes y memes antisemitas”, dijo David Nirenberg, decano de la Divinity School de la Universidad de Chicago y experto en historia judía. “La utilidad electoral del antisemitismo me resulta nueva, nuevamente flexible, y, por lo tanto, nuevamente peligrosa”, agregó Nirenberg.

Los partidos de extrema derecha a menudo presentan a los judíos como una amenaza cosmopolita a la identidad nacional, sobre todo en regiones donde el estereotipo se ha utilizado históricamente. En Hungría, el primer ministro Viktor Orban ha logrado representar al multimillonario judío George Soros como un instigador secreto de la inmigración musulmana.

En Polonia, el mes pasado un diario de extrema derecha que se vende dentro del Parlamento publicó en su primera plana el titular “Cómo detectar a un judío” junto a la denuncia de un historiador que investiga la complicidad polaca en el Holocausto.

En la extrema izquierda, algunos políticos han asociado a los judíos con el fracaso del capitalismo y las conspiraciones acerca de su supuesto control de la economía global. Esas quejas ahora se escuchan entre los radicales del movimiento de los chalecos amarillos en Francia.

El presidente Donald Trump encarna las contradicciones del momento. Trump ha cortejado abiertamente a los nacionalistas blancos diciendo que tienen en sus filas a “algunas personas muy decentes”, aun cuando marcharon al estilo del Ku Klux Klan, haciendo saludos nazis con el brazo extendido y coreando consignas como “Los judíos no nos remplazarán”.

Miembros de los movimientos de extrema derecha lideraron una marcha de antorchas en Charlottesville, Virginia, en 2017. Edu Bayer para The New York Times

Al mismo tiempo, el presidente ha presumido de su relación cercana con el primer ministro Benjamín Netanyahu y ofreció su apoyo total a Israel, como quedó claro con el traslado de la Embajada de Estados Unidos a Jerusalén, a pesar del progreso nulo respecto de un acuerdo con los palestinos.

No es sorprendente encontrar un resurgimiento del antisemitismo en una época de inestabilidad política y económica prolongada, según dicen los historiadores y analistas, cuando los ciudadanos de diversas tradiciones políticas y culturales están buscando explicaciones fáciles a injusticias repentinas y complejas.

Así como en el pasado los judíos fueron un chivo expiatorio instantáneo durante épocas de ansiedad por los cambios sociales o problemas económicos globales, ahora vuelven a serlo, dijo Stefanie Schüler-Springorum, jefa del Centro para la Investigación Antisemita en Berlín.

El gobierno israelí encabezado por Netanyahu, con una inclinación cada vez más pronunciada a la extrema derecha, es un punto de divergencia para las distintas vertientes del antisemitismo contemporáneo.

Los personajes políticos de extrema derecha como Orban se han acercado a Israel, mientras que los antisemitas de izquierda lo repudian. A ambos grupos los mueve el mismo motivo: perciben a Israel como un país que ha hecho lo mejor que puede para preservar su carácter religioso y étnico a costa de una minoría musulmana.

La principal diferencia es que Orban, el primer ministro de otro país pequeño que lucha para preservar su identidad étnica, considera una virtud el proceder de Israel, mientras que los detractores de izquierda de Israel, como los simpatizantes del líder del Partido Laborista del Reino Unido, Jeremy Corbyn, en general no lo ven así.

“Corbyn dice que Israel es un Estado que viola los derechos humanos de manera extraordinariamente beligerante y defiende su integridad a toda costa en detrimento de los musulmanes”, dijo David Hirsh, sociólogo del Goldsmiths College, de la Universidad de Londres, y detractor de Corbyn que hace campañas en contra del boicot académico de Israel. “Pero sospecho que la gente de la extrema derecha tiene exactamente la misma imagen de Israel: que es un país beligerante que se defiende en contra de los musulmanes”.

Netanyahu y Orban comparten un enfoque sobre la política interna: antipatía por las voces liberales, incomodidad con las minorías musulmanas y voluntad de trabajar con la extrema derecha.

Como Orban en Hungría, Netanyahu ha presentado legislación que va tras las organizaciones de la sociedad civil que reciben financiamiento del extranjero. Su gobierno ha prohibido que las personas que no son judías ejerzan el derecho a la autodeterminación y ha eliminado el árabe como una de las lenguas oficiales de Israel.

Aunque la relación entre Netanyahu y Orban conflictúe a algunos en la diáspora judía, quizá no sea tan inquietante para los israelíes, dijo Yossi Shain, profesor de Ciencias Políticas en la Universidad de Tel Aviv.

Orban apoya el derecho de Israel a existir, mientras que sus detractores son percibidos por algunos israelíes como
personas que “degradan el nacionalismo de Israel y su derecho a existir”, dijo Shain, autor de un libro de próxima publicación que aborda el tema.

“Además, para los israelíes, ese es el núcleo del antisemitismo en la era moderna”.

Hitler e os dois perigos: o judaísmo e o marxismo

Em seu livro Mein Kampf (Minha Luta), Hitler conta como estabeleceu como seus inimigos centrais tanto os judeus quanto os marxistas. O líder nazista associava diretamente o marxismo ao judaísmo – o próprio Marx era judeu, assim como Trotsky.

MANIFESTAÇÃO PRÓ-NAZI EM CHICAGO EM 1931. FOTO: BUNDESARCHIV, BILD

Chanceler de Bolsonaro, que disse que o nazismo era de esquerda, é desmentido por… Hitler

Há algum tempo publicamos aqui um documentário mostrandocomo os capitalistas financiaram o nazismo de Adolf Hitler e o fascismo de Benito Mussolini. Mas a extrema-direita, viciada em fake news, insiste em jogar no colo da esquerda as barbaridades do nazismo. Como se o líder da União Soviética, Josef Stalin, em que pese seus defeitos, não tivesse botado os nazistas para correr em 1943.

Agora é o chanceler (sic) de Bolsonaro, o bolsominion diplomata Ernesto Araújo, quem utiliza suas redes para difundir a mentira de que o nazismo era de esquerda.

Poderíamos fazer várias perguntas bem básicas para o ministro responder: se o nazismo era de esquerda, por que os capitalistas o financiaram? Se o nazismo era de esquerda, por que os comunistas o derrotaram? Se o nazismo era de esquerda, por que, um dia depois de assumir o poder, em 1933, Hitler baniu o Partido Comunista Alemão? Se o nazismo era de esquerda, por que os neonazis em todo o mundo são de extrema-direita, como ele e Bolsonaro?

Mas preferimos dar a palavra ao próprio Adolf Hitler.Em seu livroMein Kampf(Minha Luta), o líder nazista confessou como se apropriou da cor vermelha e do nome “Partido dos Trabalhadores Alemães” para confundir os “vermelhos”. Hitler também conta como desde cedo estabeleceu como seus inimigos centrais tanto os judeus quanto os marxistas. O líder nazista associava diretamente o marxismo ao judaísmo –o próprio Marx era judeu, assim como Trotsky.

“Nesse tempo, abriram-se-me os olhos para dois perigos que eu mal conhecia pelos nomes e que, de nenhum modo, se me apresentavam nitidamente na suahorrível significação para a existência do povo germânico: marxismo e judaísmo”, escreveu o Führer. “O problema futuro da nação alemã devia ser o aniquilamento do marxismo.” Ué, como uma pessoa que odeia o marxismo pode ser de esquerda? Só faz sentido na cabeça de quem quer enganar as pessoas, como Hitler, ou de gente com pouca leitura, alvo fácil para os enganadores de extrema-direita.

Aliás, nada mais nazista do que se utilizar de fake news na disputa política. É puro Goebbels, o ministro da Propaganda de Hitler: “Uma mentira repetida mil vezes torna-se verdade”. Não foi exatamente isso que os bolsonaristas fizeram na eleição, com seus kits gays emamadeiras de piroca? As críticas de Hitler à imprensa também parecem ter saído diretamente da pena dos bolsonaristas ou de seu ídolo Donald Trump.

Confira você mesmo alguns trechos em que Adolf Hitler ataca o marxismo em sua autobiografia.

A cor vermelha de nossos cartazes foi por nós escolhida, após reflexão exata e profunda,com o fito de excitar a Esquerda, de revoltá-la e induzi-la a frequentar nossas assembleias; isso tudo nem que fosse só para nos permitir entrar em contato e falar com essa gente.”(pág. 245)

Como não tinham logrado perturbar a calma das companhias, mediante gritarias e aclamações ofensivas,os representantes do verdadeiro socialismo, da igualdade e da fraternidade, começavam a jogar pedras. Com isso foi esgotada a nossa paciência, e, em conseqüência, distribuímos pancadas à esquerda e à direita, durante dez minutos.Um quarto de hora mais tarde, não havia mais um vermelho nas ruas.”(pág. 279)

Nos anos de 1913 e 1914 manifestei a opinião, em vários círculos, que, em parte, hoje estão filiados ao movimento nacional-socialista, de queo problema futuro da nação alemã devia ser o aniquilamento do marxismo.”(pág. 86)

Nesse tempo, abriram-se-me os olhos paradois perigos que eu mal conheciapelos nomes e que, de nenhum modo, se me apresentavam nitidamente na sua horrível significação para a existência do povo germânico:marxismo e judaísmo.”(pág. 14)

Só o conhecimento dos judeus ofereceu-me a chave para a compreensão dos propósitos íntimos e, por isso, reais da social-democracia. Quem conhece este povo vê cair-se-lhe dos olhos o véu que impedia descobrir as concepções falsas sobre a finalidade e o sentido deste partido e,do nevoeiro do palavreado de sua propaganda, de dentes arreganhados, vê aparecer a caricatura do marxismo.”(pág. 30)

Seo judeu, com o auxilio do seu credo marxista, conquistar as nações do mundo, a sua coroa de vitórias será a coroa mortuária da raça humana e, então, o planeta vazio de homens, mais uma vez, como há milhões de anos, errará pelo éter.” (pág. 38)

No meu íntimo eu estava descontente com a política externa da Alemanha, o que revelava ao pequeno circulo que meus conhecidos, bem como com a maneira extremamente leviana, como me parecia, de tratar-seo problema mais importante que havia na Alemanha daquela época –o marxismo. Realmente, eu não podia compreender como se vacilava cegamente ante um perigo cujos efeitos –tendo-se em vista a intenção do marxismo– tinham de ser um dia terríveis.”(pág. 86)

Em um tempo em que os melhores elementos da nação morriam no front,os que ficaram em casa, entregues aos seus trabalhos, deviam ter livrado a nação dessa piolharia comunista. Ao invés disso, sua Majestade o Kaiser estendia a mão a esses conhecidos criminosos, dando, assim, oportunidade a esses pérfidos assassinos da nação de voltarem a si e de recuperarem o tempo perdido. A víbora podia, pois, recomeçar o seu trabalho, com mais cautela do que antes, porém de maneira mais perigosa.Enquanto os honestos sonhavam com a paz, os criminosos traidores organizavam a revolução.”(pág. 93)

Vencendo a minha relutância,tentei ler essa espécie de imprensa marxista, mas a repulsa por ela crescia cada vez mais. Esforcei-me por conhecer mais de perto os autores dessa maroteira everifiquei que, a começar pelos editores, todos eram judeus.”(pág. 36)

Sob esse disfarce de idéias puramente sociais, escondem-se intenções francamente diabólicas. Elas são externadas ao público com uma clareza demasiado petulante. A tal doutrina representa uma mistura de razão e de loucura, mas de tal forma que só a loucura e nunca o lado razoável consegue se converter em realidade. Pelo desprezo categórico da personalidade, por conseguinte da nação e da raça, destrói ela as bases elementares de toda a civilização humana, que depende justamente desses fatores.Eis a verdadeira essência da teoria marxista, se é que se pode dar a esse aborto de um cérebro, criminoso a denominação de ‘doutrina’.Com a ruína da personalidade e da raça, desaparece o maior reduto de resistência contrao reino dos medíocres, de que o judeu é o mais típico representante.”(pág. 169)

Mais do que qualquer outro grupo,os marxistas, ludibriadores da nação, deveriam odiar um movimento cujo escopo declarado era conquistar as massasque até então tinham estado a serviço dos partidos marxistas dos judeus internacionais.Só o titulo ‘Partido dos Trabalhadores Alemães’ já era capaz de irritá-los.”(pág. 186)

Fonte:Socialista morena

Por: Cynara Menezes

Por que os supremacistas brancos bebem tanto leite (e os geneticistas estão preocupados)?

“Não existem provas genéticas que apoiem a ideologia racista”

Por qué los supremacistas blancos beben tanta leche (y los geneticistas están preocupados)

En ninguna parte de la agenda de la reunión anual de la Sociedad Estadounidense de Genética Humana, que se celebrará esta semana en San Diego, California, se encuentra un tema que atormenta a muchos de sus miembros: la apropiación recurrente de la investigación en este campo en aras de la supremacía blanca.

“Es difícil arriesgarse en asuntos políticos”, señaló Jennifer Wagner, una especialista en bioética y presidenta del comité de asuntos sociales del grupo, quien había buscado reunir a un panel para tratar el uso racista de la genética, pero no encontró mucha resonancia.

Sin embargo, el fantasma del pasado deshonroso de este campo, que incluye el apoyo al movimiento eugenista estadounidense, es importante para muchos genetistas a la luz de la política actual de la identidad blanca. También les preocupa la manera en que las nuevas herramientas que les permiten centrarse en la base genética de algunas características candentes, como la inteligencia, serán malinterpretadas para adaptarse a las ideologías racistas.

En meses recientes, algunos científicos han detectado distorsiones de sus propios artículos académicos en foros de internet de la extrema derecha. Otros han contestado consultas confusas sobre reivindicaciones de la superioridad de los blancos envueltas en la jerga de la genética humana. Los conceptos erróneos acerca de la forma en que los genes influyen en las marcadas desigualdades raciales de Estados Unidos han surgido en discusiones —cada vez más acaloradas— sobre las diferencias en el rendimiento escolar, la inmigración y el mantenimiento del orden.

Según los expertos que investigan la extrema derecha, en vez de los indicadores descartados desde hace mucho tiempo, como la circunferencia del cráneo y el árbol genealógico, los partidarios actuales de una jerarquía racial se basan en una interpretación errónea de la investigación sobre el genoma humano. Además, en debates que se han limitado mayoritariamente a foros en una torre de marfil, los científicos cuyo trabajo es extraer las variaciones genéticas de la humanidad para el bien colectivo están debatiendo cómo reaccionar.

“Es más fácil estudiar la diversidad genética humana en una sociedad donde se valora y celebra claramente la diversidad; eso lo tengo muy presente en este momento”, comentó John Novembre, un biólogo evolucionista de la Universidad de Chicago que tiende a finalizar sus seminarios con un ejemplo clásico de selección natural, que ahora se ha usado para fines antiliberales.

Una diapositiva que Novembre incluye en sus conferencias recientes muestra un grupo de nacionalistas blancos bebiendo leche a grandes tragos durante una reunión en 2017, esto con el propósito de atraer la atención hacia una característica genética que se sabe es más común en los blancos que en otras razas: la capacidad de digerir la lactosa en la edad adulta. También muestra una publicación en las redes sociales de una cuenta llamada “Pasa a la zona de leche” con un mapa extraído de un artículo científico sobre la historia evolutiva de esa característica.

En el artículo se explica que en la mayoría del mundo, el gen que permite que se digiera la lactosa se apaga después de la infancia. Pero con la llegada de los primeros pastores de ganado a Europa hace unos cinco mil años, una mutación aleatoria que lo dejó encendido proporcionó una ventaja nutricional suficiente para que casi todos los que sobrevivieron lo portaran a largo plazo. En la publicación, el vínculo va acompañado con un fragmento de un discurso de odio que exhorta a las personas de ascendencia africana a salir de Estados Unidos. “Si no puedes tomar leche”, dice una parte, “tienes que regresar”.

Una verdad incómoda para los supremacistas blancos es que algo similar en la evolución sucedió entre los ganaderos del este de África. Novembre afirma que los científicos tienen que ser más conscientes de la lente racial a través de la cual se filtran algunos de sus descubrimientos básicos y deben detectar mejor la manera en que pueden tergiversarlos.

No obstante, el capricho de los nacionalistas blancos con los productos lácteos también reforzó las inquietudes de Novembre sobre cómo manejar los nuevos estudios evolutivos que tienen que ver con características del comportamiento, como cuánto tiempo permanece la gente en la escuela.

Con el fin de anticiparse a las interpretaciones equivocadas de un estudio nuevo sobre la forma en que los genes asociados a la obtención de escolaridad superior, que se identifican en los europeos, variaban en poblaciones diferentes en todo el mundo, el director del estudio, Fernando Racimo, creó su propio documento de “preguntas frecuentes” para quienes no son científicos y lo publicó en Twitter.

Y enun comentarioque acompañaba ese artículo de la revista Genetics, Novembre advierte que ese tipo de investigación está “envuelta en muchas salvedades” que probablemente se malinterpreten.

Su comentario concluye: “Se debe tener mucho cuidado al divulgar los resultados de estos estudios al público en general”.

Algunos de estos públicos ya están presumiendo como si fueran credenciales de identificación racial los resultados de las pruebas de ascendencia del ADN que señalan una herencia exclusivamente europea. Exaltan rastros de ADN de neandertales que no se encuentran en la gente que solo tiene ascendencia africana. También intercambian mensajes con el término codificado “realismo de raza” o “racialismo”, que se basa en la afirmación de que el sistema científico liberal ha ocultado la verdad acerca de las diferencias raciales biológicas.

Algunos científicos sugieren que involucrarse con racistas simplemente daría credibilidad a afirmaciones evidentemente engañosas. Muchos señalan que, en todo caso, no estudian la raza: las categorías raciales empleadas por el censo estadounidense se correlacionan de manera imperfecta con los agrupamientos del origen geográfico que son de interés para los genetistas evolutivos. Por ejemplo, “negro” es un término definido socialmente que incluye a muchos estadounidenses que tienen mayoritariamente ascendencia europea.

Sin embargo, conforme se ha acelerado el ritmo de la investigación en la genética de la población humana, se han obtenido resultados que, al parecer, para muchos que no son científicos, cuestionan la idea de la raza como una interpretación totalmente social.

Las pruebas de ascendencia genética dan a conocer “cálculos de etnicidad” (la senadora Elizabeth Warren recurrió esta semana a las autoridades en ADN para demostrar su herencia indígena estadounidense, como respuesta a las burlas del presidente Donald Trump), y ha resultado que algunos genes relacionados con el riesgo a ciertas enfermedades son más comunes entre grupos de determinada ascendencia genética. Los médicos emplean como indicador de la ascendencia geográfica la raza que los mismos pacientes dan, debido a que las lecturas individuales de ADN son costosas y, aunque la correlación no es perfecta, existe.

Además, a medida que las bases de datos de ADN vinculadas a los registros médicos y a los cuestionarios personales han alcanzado una masa crítica para los individuos de ascendencia europea, se están desarrollando las llamadas valoraciones poligénicas que sintetizan en un solo número los cientos o miles de genes que contribuyen con muchas características humanas para predecir riesgos a la salud y, en algunos casos, comportamientos.

A mediados del año pasado, los investigadores desarrollaron una valoración que puedepredecir con el ADN el nivel aproximado de escolaridadal que llegan los estadounidenses blancos. Y aunque esas valoraciones todavía no pueden compararse entre grupos raciales o poblacionales, las nuevas técnicas han inducido a algunos científicos a pensar que este campo tiene la responsabilidad de prevenir interpretaciones erróneas pero predecibles.

“Debes saber cuándo tienes información poderosa que pueda emplearse indebidamente”, señaló David Reich, un genetista de la Universidad de Harvard que en un libro reciente y enun artículo de opiniónde The New York Times ha exhortado públicamente a sus colegas a que aborden la posibilidad de identificar diferencias genéticas entre las poblaciones con relación a características socialmente delicadas.

Los científicos subrayan que no hay pruebas de que las diferencias ambientales y culturales no sean el factor principal de las diferencias de comportamiento entre los grupos poblacionales.

Muchos genetistas muy reconocidos en este campo afirman que no tienen la capacidad de comunicarse con un público general sobre ese tema tan complejo y delicado. Algunos sugieren que los periodistas realicen esa tarea. Varios se negaron a hablar en forma oficial para este artículo.

Además, como aún hay mucho que no se sabe, a algunos científicos les preocupa que refutar conceptos erróneos sin poder ofrecer respuestas definitivas pudiera ser más perjudicial que beneficioso.

“Con frecuencia existen muchas capas de incertidumbre en nuestros descubrimientos”, comentó Anna di Rienzo, profesora de Genética Humana de la Universidad de Chicago. “Resulta muy muy difícil poder comunicar ese nivel de incertidumbre a un público que a menudo ve las cosas en blanco y negro”.

Como una medida para cambiar eso, Di Rienzo ha ayudado a organizar en la Universidad de Harvard una reunión de científicos sociales, genetistas y periodistas para la próxima semana con el fin de hablar sobre las implicaciones sociales de las herramientas más nuevas del campo.

Se ha prometido a los participantes que la reunión estará restringida a menos de cuarenta invitados y que todas las observaciones que se hagan ahí serán confidenciales.

David L. Nelson, un genetista de la Escuela de Medicina de Baylor y presidente de la sociedad de genética humana, señala que no se quedará totalmente callado al respecto, y prometió hacer una declaración más adelante en esta semana.

“No existen pruebas genéticas que apoyen ninguna ideología racista”, afirmó.

Por: Amy Harmon

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