“Se a Suíça não existisse o mundo teria um problema a mais”

Para a Suíça, a defesa dos Direitos Humanos e a promoção da democracia a eles ligada permanecem temas centrais. O conceito de “democracia direta” é pouco conhecido em muitos países. É verdade que é um sistema trabalhoso e que custa muita energia, mas ao mesmo tempo, a participação de cidadãs e cidadãos contribui para uma maior estabilidade social, política e econômica.

O ministro das Relações Exteriores da Suíça, Ignazio Cassis

(Thomas Kern/swissinfo.ch)

 

A Declaração Universal dos Direitos Humanos das Nações Unidas comemora seu septuagésimo aniversário no dia 10 de dezembro.

Para a Suíça, a defesa destes direitos e a promoção da democracia a eles ligada permanecem temas centrais, afirma Ignazio Cassis, o ministro das relações exteriores da Suíça, em entrevista para swissinfo.ch.

Este artigo é parte de #DearDemocracy, a plataforma da swissinfo.ch dedicada a temas de democracia direta.

swissinfo.ch: Seus colegas estrangeiros mencionam com frequência ademocracia diretada Suíça?

Ignazio Cassis: Raramente alguém se dirige a mim diretamente sobre a democracia direta. Isso por um motivo simples: o conceito de “democracia direta” é pouco conhecido em muitos países. Mas eu falo com frequência sobre nosso direito popular quando se trata de compreender e explicar o sistema suíço.

Como funciona a Suíça? Essa é uma pergunta que fazemos a nós mesmos com frequência. Eu acredito que todas as respostas têm muito a ver com a democracia direta. É verdade que é um sistema trabalhoso e que custa muita energia, mas ao mesmo tempo, a participação de cidadãs e cidadãos contribui para uma maior estabilidade social, política e econômica. Muitos pelo mundo afora nos invejam por isso.

swissinfo.ch: Tal sistema seria possível além da Suíça?

I.C.: Nós temos pressupostos históricos muito particulares para tanto. Jamais tivemos reis ou imperadores, e por isso tivemos pouca concentração de poder. Hoje existem, em vários lugares do mundo, novas tentativas de aumentar a participação dos cidadãos, e iniciativas de democracia direta.

“Jamais tivemos reis ou imperadores, e por isso tivemos pouca concentração de poder.”

Muitas dessas inciativas estão ainda em sua infância, como por exemplo, a Iniciativa Cidadã da União Europeia. Outro exemplo é o plebiscito pelo Brexit (saída da União Europeia) no Reino Unido cuja implementação até hoje é controversa.

Na Suíça, estamos acostumados a irmos às urnas quatro vezes ao ano. Na mesma noite do domingo em que se realiza a votação fica claro o resultado, que é aceito por todos os participantes. Soa banal, mas não é se levarmos em conta o que se passa no mundo.

swissinfo.ch: Segundo a Constituição Federal a promoção da democracia está entre as mais importantes tarefas da política externa.

I.C.: Isto não é sempre fácil para a política externa, pois em toda parte a promoção da democracia e dos direitos humanos é uma questão interna.

Isto funciona apenas quando há uma descentralização do poder propriamente dito, mas também uma democratização e descentralização do dinheiro. Aqui sempre ocorrem equívocos. A democracia direta e o federalismo na Suíça somente funcionam tão bem por que os recursos públicos também são objeto de decisões populares que, portanto, são grandemente decentralizados.

swissinfo.ch: Você poderia nos dar exemplos onde o fomento à democracia pela Suíça funcionou?

I.C.: Na Tunísia, por exemplo, nós apoiamos medidas de descentralização nos últimos oito anos desde a Primavera Árabe. Com isso a participação das cidadãs e cidadãos fica também fortalecida.

Isso passa também pela promoção das mulheres, porque a experiência nos mostrou que mulheres em muitos países lidam frequentemente com dinheiro de maneira mais responsável, assegurando que as necessidades básicas da população local sejam primeiramente atendidas.

É muito importante lembrar que o modelo suíço não pode ser simplesmente exportado, mas podemos transmitir nossas experiências.

swissinfo.ch: Isto não soa como uma receita simples de sucesso que você, enquanto ministro de relações exteriores, poderia transmitir ao mundo.

I.C.: Não, realmente não. E é claro que não devemos sobrestimar nossa influência. Descentralização também significa levar em consideração as diferenças e desigualdades entre pessoas ou regiões.

Isto ficou muito claro para mim na Índia, por exemplo. Naquele país altamente federalizado, a questão de quanta desigualdade um estado pode tolerar é colocada com veemência. Por isso se trabalha lá em uma harmonização tributária gradual. E nós temos aqui na Suíça muita experiência precisamente nessa área, o que nos permite contribuir.

swissinfo.ch: A democracia hoje em dia não anda bem em vários lugares do mundo: direitos humanos são desrespeitados, a liberdade de imprensa é restringida, eleições e referendos são manipulados. Esta situação lhe preocupa?

“Nós temos sempre que lutar ativamente pela liberdade! Se pararmos com a luta, perdemos.”

I.C.: Nós temos sempre que lutar ativamente pela liberdade! Se pararmos com a luta, perdemos. Paradoxalmente, a crise atual em muitas democracias liberais tem a ver com seu sucesso.

Como médico, eu vejo uma analogia com a vacinação: quanto mais efetivas as vacinas contra doenças, menos pessoas querem ser vacinadas. Essas pessoas perdem a consciência do risco de adoecerem. Quanto mais nos acostumarmos e vermos a democracia como algo evidente, menos estaremos dispostos a nos engajarmos por ela.

Fala-se hoje de uma onda populista, mas vemos também o ressurgimento do paternalismo que rejeita as demandas por mais voz e participação política com referências aos populistas. Também por este motivo, nossa democracia livre e liberal está sob pressão, o que me preocupa.

swissinfo.ch: Em alguns países, os problemas vão muito além: jornalistas são assassinados por fazerem seu trabalho. Enquanto ministro das relações exteriores da Suíça, qual é sua reação a essas violações crassas dos direitos humanos?

I.C.: Reagimos diretamente ao nível político, com indignação pública e com medidas concretas. Vejamos por exemplo o caso atual do assassinato do jornalista sauditaJamal Khashoggi. Aconteceu aqui uma violação horrenda dos direitos humanos. Nós exigimos imediatamente uma investigação rápida, ampla e independente. Esse fato traz consequências para a relação bilateral entre nossos estados.

Por exemplo, nóssuspendemosa exportação de peças sobressalentes de armamentos para a Arábia Saudita, e tocamos no tema da situação dos direitos humanos naquele país durante nossos contatos políticos.

“Se a Suíça não existisse, não seria o fim do mundo, mas ele teria um problema a mais.”

Mas não rompemos simplesmente o contato com Riad, pois a Suíça valoriza o diálogo direto e tem, ademais, um longo histórico como mediadora internacional; um papel que desempenhamos, por exemplo, junto a quem requerer proteção. “Se a Suíça não existisse, não seria o fim do mundo, mas ele teria um problema a mais.“

swissinfo.ch: Ao mesmo tempo existem também interesses econômicos e de política interna que,na questão das exportações de armamentos para a Arábia Saudita, acabam conflitando com os objetivos da política de direitos humanos.

I.C.: Sim, é verdade. Esse é um claro conflito de objetivos. No entanto, por causa de nossa história e democracia, somos muito mais reservados do que a União Europeia no que toca aexportação de armamentos.

De acordo com a constituição federal, temos que garantir nossa segurança e independência, o que requer uma indústria bélica mínima. E por razões econômicas, esta indústria também deve poder exportar, mas apenas para países que não estejam envolvidos em conflitos.

swissinfo.ch: Recentemente o governo federal decidiu abrir mão da flexibilização das diretrizes para a exportação de material bélico. Como isso ocorreu?

I.C.: O governo reagiu aqui a uma iniciativa da comissão de segurança do Conselho dos Estados (câmara baixa do parlamento) que se inquietava com a indústria de armamentos. Mas quando o Senado apresentou projeto de legislação ao parlamento, a reforma foi severamente criticada por razões humanitárias.

Em outras palavras; a divisão de poder que sempre vemos na Suíça funcionou. Nós queremos fazer uma coisa, e não permitir outra, mesmo em questões contraditórias como essa.

swissinfo.ch: No dia 10 de dezembro a Declaração universal dos Direitos Humanos completa 70 anos. Acordos internacionais como esse têm papel central na política mundial. Qual a posição da Suíça em relação a esse multilateralismo da promoção da democracia e dos direitos humanos?

I.C.: Para todo país pequeno, o sistema multilateral de acordos e convenções é essencial. Deve imperar o poder do direito, e não o direito do poder, pois quando o poder significa direito, não nos encontramos mais em uma situação favorável.

“Deve imperar o poder do direito, e não o direito do poder.”

O direito internacional protege a Suíça; o que não significa que precisemos tanto direito internacional quanto possível. Senão, tanto quanto o necessário, e tão pouco quanto possível. Só assim podemos garantir nossa independência enquanto estado.

Ignazio Cassis

Natural do Ticino, na região sul do país, tem 57 anos e é ministro das relações exteriores desde novembro de 2017. Até sua escolha para liderar oMinistério das Relações Exteriores da Suíça (EDA), Cassis também tinha a cidadania italiana. Entre 2008 e 2017, foi deputado federal e, anteriormente, médico no cantão do Ticino. Cassis pertence ao Partido Liberal-Radical (PLR) e vive no vilarejo de Montagnola, situada no sudoeste de Lugano.

A Declaração Universal dos Direitos Humanos

ADeclaração Universal dos Direitos Humanosfoi aprovada pela Assembleia Geral das Nações Unidas aos 10 de dezembro de 1948. Ela compreende 30 artigos inclusive o direito de toda pessoa de “tomar parte na direção dos negócios públicos do seu país, quer diretamente, quer por intermédio de representantes livremente escolhidos” (Art. 21.1.)

Embora a Carta de Direitos Humanos da ONU constitua “soft law”, ou seja, ela não é mandatória, ela serve de base para numerosos acordos internacionais e para o direito internacional como, por exemplo, oPacto Internacional Relativo aos Direitos Civis e Políticos (ONU Pacto II)e aCarta Europeia de Direitos Humanos (CEDH).

Com base na Carta, a Suíça se comprometeu constitucionalmente com a promoção da democracia e dos direitos humanos como parte integral de sua política externa.

A entrevista ocorreu em 13 de novembro de 2018, antes da decisão do governo suíço de suspender o Acordo de Migração da ONU e antes da votação da iniciativa de autodeterminação de 25 de novembro.

Adaptação: D.v.Sperling

Fonte: swissinfo.ch
Por: Renat Kuenzie Bruno Kaufmann,
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Mulheres denunciam ginecologista por abuso sexual. Mas ele tem um promotor amigo.

O promotor e o médico são amigos. Por causa da agilidade incomum no arquivamento do caso, o promotor Raulino Neto está sendo investigado pelo Conselho Nacional do Ministério Público.

Ilustração: Ana Persona/The Intercept Brasil

MULHERES DENUNCIAM GINECOLOGISTA DO PIAUÍ POR ABUSO SEXUAL. MAS ELE TEM UM PROMOTOR ‘AMIGO’.

VANESSA* PARALISOU NA CONSULTA. Ela estava sendo atendida pelo ginecologista Felizardo Batista, um médico conhecido de Teresina, no Piauí, quando ele teria apertado seus seios, coxas e nádegas. Ao final, ela conta que Batista perguntou: “quem foi o sortudo que tirou sua virgindade?”.

Quando tudo acabou, Vanessa entrou no carro e chorou. Só conseguiu reagir no dia seguinte, 17 de janeiro de 2017, quando registrou boletim de ocorrência na Delegacia da Mulher e denunciou o médico ao Conselho Regional de Medicina do Piauí, o CRM. No depoimento à polícia, ela diz que Batista teria lhe apalpado com “expressão de tarado” e que teria ficado “gelada, em choque, queria gritar e não conseguia”.

Felizardo Batista nega o abuso.

caso repercutiu na imprensa local, depois que Vanessa denunciou o abuso na Delegacia da Mulher. Estela* e Sílvia* leram a notícia. Sem nunca terem se conhecido, mas motivadas pela coragem de Vanessa, as duas mulheres decidiram contar para a polícia casos semelhantes contra Batista.

Desde então, a Polícia Civil do Piauí recebeu 10 acusações contra o ginecologista – que também atua como mastologista e obstetra – em dois inquéritos diferentes. O primeiro, que tem nove denúncias (incluindo as de Estela, Sílvia e Vanessa), foi arquivado em tempo recorde pelo promotor Francisco Raulino Neto, do Ministério Público Estadual do Piauí. Raulino alegou que não havia provas suficientes dos abusos.

O promotor e Batista são amigos, segundo a denúncia feita pelo delegado-geral de Polícia Civil do Piauí, Riedel Batista, à Corregedoria do MP do Piauí. Por causa da agilidade incomum no arquivamento do caso, o promotor Raulino Neto está sendo investigado pelo Conselho Nacional do Ministério Público.

Enquanto o médico era inocentado, mais uma possível vítima de Batista quebrou o silêncio e foi à polícia. O caso, denunciado em outubro, está sendo investigado pela delegada Adriana Xavier.

Exame para ‘verificar a lubrificação’

No primeiro inquérito, nove mulheres narraram cenas quase idênticas durante os exames no consultório do médico. Batista, de acordo com os relatos da investigação, teria acariciado a virilha e depois tocado no clitóris das pacientes. Ele introduzia os dedos na vagina com força, o que machucaria as mulheres. Ele também teria apertado nos seios delas e passado a palma da mão nos mamilos.

A delegada responsável pelo caso, Carla Brizzi, também obteve laudos psicológicos que constataram estresse pós-traumático em duas mulheres e mensagens de áudio de uma vítima contando o abuso para uma amiga, no momento em que saiu da clínica chorando.

Os relatos de Sílvia, Estela e Vanessa no inquérito são semelhantes aos das outras vítimas.

Trecho do inquérito da delegada Carla Brizzi. Foto: reprodução

 

O caso de Sílvia ocorreu em 26 de janeiro de 2016. Ela relatou, no boletim de ocorrência e no inquérito policial, que estava na posição para o exame ginecológico quando Batista teria pedido que a auxiliar saísse da sala e disse à paciente que “iria fazer um procedimento para verificar a sua lubrificação”. Sílvia relatou para a polícia que o médico passou a acariciar sua coxa esquerda, introduziu os dedos em sua vagina e tocou o seu clitóris fazendo movimentos circulares. Sílvia diz que se afastou e protegeu a genitália com a mão, o que levou o médico a encerrar o “exame”. Depois disso, ela contou que ele prescreveu alguns medicamentos e pediu que voltasse quando acabassem os remédios. Ela nunca retornou.

O que aconteceu a Estela foi parecido e se repetiu por várias consultas entre dezembro de 2014 e março de 2015, de acordo com o depoimento que está no inquérito policial. Ela estranhava a forma como Batista lhe tocava, mas ia a cada 15 dias no consultório dele porque precisava tratar o colo do útero dilatado.

Ela concluiu que estava sendo assediada quando o médico, de acordo com o relato de Estela à polícia, a convidou para tomar uma cerveja fora do consultório e anotou o número do celular que constava na ficha médica. Ele ainda mandou mensagem pedindo que Estela voltasse ao consultório para pegar um creme vaginal. Ela não respondeu e bloqueou Batista no WhatsApp.

Estela e Vanessa afirmaram ter ficado traumatizadas com o que aconteceu e precisaram de tratamento psicológico. Os laudos foram incluídos no inquérito contra o médico. Segundo o documento, Estela “apresentou sintomas de psicossomatização”. Já Vanessa, que começou o tratamento psicológico em fevereiro de 2017, sentia medo constante de encontrar Felizardo Batista na rua. Também tinha insônia, falta de apetite, delírios, taquicardia, pesadelos envolvendo o abuso ou o médico e “crises de ansiedade que caracterizavam um possível transtorno de estresse pós-traumático, mas poderia evoluir para uma depressão ou síndrome do pânico”, de acordo com o laudo. A psicóloga que assinou o documento concluiu que a situação sofrida por Vanessa “foi considerável e pode ser prejudicial para o seu desenvolvimento biopsicossocial”.

Com base nessas evidências, Brizzi indiciou o médico e a assistente dele, Rosa Moraes de Lima, pelo crime de violação sexual mediante fraude. Segundo as vítimas, a assistente era conivente, pois presenciava os abusos e virava as costas.

Os defensores do médico

As mulheres que se calaram durante muitos anos disseram à polícia que tinham medo do julgamento das pessoas, inclusive dos maridos e das outras mulheres da família que eram atendidas por Felizardo Batista. Elas achavam que as pessoas não iriam acreditar e nem iriam apoiá-las.

De certa forma, isso aconteceu. Quando os casos começaram a ser divulgados pela imprensa, muitas pessoas saíram em defesa do médico. Mulheres atendidas por ele alegavam que nunca tinha acontecido nada a elas e homens garantiam que suas esposas, mães ou filhas sempre foram respeitadas. Os médicos e os membros do CRM também se mobilizaram para proteger o colega.

Uma das defesas mais enfáticas veio do promotor Raulino Neto, que recebeu o inquérito no dia 30 de maio de 2017. Ele precisou de apenas 24 horas para escrever um parecer de 37 páginas e arquivar o caso. Duzentos e sessenta e quatro casos mais antigos estavam na mesa de Raulino.

Parecer Promotor Raulino37 pages

“Houve excessiva pressa em indiciar um médico renomado e uma de suas assistentes”, disse o promotor em seu parecer, após receber o inquérito. Para ele, a investigação não colheu provas suficientes. Ele considerou que havia encerrado o prazo para que a maioria das vítimas tivesse denunciado o abuso sexual. Os casos mais recentes, como o de Estela, foram questionados. “Foi relatado que ele é o médico de mulheres da família dela. Por que somente a ela teria agredido? Por que a mãe sabendo do ‘assanhamento’ do médico não se propôs a conversar com ele?”. O promotor ainda sugeriu uma acareação, ou seja, uma audiência que reunisse as vítimas, as testemunhas e o acusado (que nunca ocorreu).

Ele também questionou o motivo pelo qual as mulheres não procuraram a direção das clínicas para denunciar o abusador, desconsiderando o fato de que o médico é sócio de uma delas. Para o promotor, é injustificável que as vítimas tenham dado declarações à imprensa ou postado denúncias nas redes sociais antes de procurar a polícia.

Raulino Neto também sugere que as denúncias contra o médico foram “orquestradas” por mim, que fui uma das primeiras jornalistas a relatar o caso na imprensa local, e pela advogada de uma das vítimas. O meu nome surgiu no inquérito porque fui chamada pela delegada Carla Brizzi pra dar depoimento sobre os casos que acompanhei.

O juiz Luiz de Moura acatou o pedido de arquivamento da denúncia em junho de 2017, e Felizardo Batista se livrou de responder pelas acusações.

O arquivamento expresso do promotor foi divulgado pela imprensa do Piauí. Alguns meses após o inquérito ser encerrado, Raulino Neto processou a delegada Carla Brizzi e mais três jornalistas, incluindo eu. Ele se incomodou com críticas da delegada ao arquivamento e com uma reportagem que fizemos sobre o seu parecer. Raulino perdeu todas as ações.

Amizade

A decisão de Raulino sobre o arquivamento chamou a atenção do delegado geral da Polícia Civil do Piauí, Riedel Batista, que denunciou o promotor à Corregedoria do Ministério Público do Piauí. De lá, o caso foi para a Corregedoria Nacional do MP. Riedel alegou que Raulino não poderia ter analisado o inquérito porque era amigo do médico. Os indícios estavam nas redes sociais: Felizardo Batista e mais quatro pessoas da família dele eram os amigos do promotor no Facebook. Além disso, uma investigação mais detalhada, feita pela Corregedoria do MP do Piauí, descobriu outras informações relevantes.

De acordo com Erick Venâncio, relator do processo que investiga o promotor, houve “certa incoerência na manifestação de arquivamento, especialmente em se tratando de questão de elevada gravidade”, disse em seu relatório. Venâncio avalia, por exemplo, que Raulino Neto foi estranhamente ágil na análise do processo contra o médico.

Causou suspeita também a informação de um dos servidores do MP do Piauí, em depoimento à corregedoria local. Ele disse que Raulino Neto foi até a Central de Inquéritos, perguntou sobre o processo do médico e afirmou que “este rapaz está sendo injustiçado”. Para o relator, é “incomum o fato de um membro buscar informações acerca de processo específico que ainda não havia sequer chegado à promotoria”.

Em sessão em novembro, no Conselho Nacional do Ministério Público, a maioria dos conselheiros seguiu o voto do relator e confirmou a necessidade da investigação contra Raulino, que tem prazo para encerrar até 16 de janeiro e pode ter como desfecho a suspensão do promotor por 90 dias.

Tentei contato com Raulino Neto através da assessoria de imprensa do Ministério Público do Piauí, mas o assessor disse que ele não atendeu às ligações. Enviei algumas perguntas para o e-mail institucional do promotor e ele não respondeu. Também mandei mensagem pelo WhatsApp. Ele disse apenas que não iria se pronunciar a respeito disso e nem sobre o processo que está respondendo.

Em seu depoimento, que consta no relatório do conselheiro Erick Venâncio, o promotor nega todas as acusações. Ele disse que não conhece Felizardo Batista e reafirmou que o inquérito não tinha provas que sustentassem a denúncia. Sobre o acúmulo de processos, ele disse que houve um erro no sistema do MP e, por isso, recebeu mais demanda do que o normal.

Consultas de R$ 350

Felizardo Batista exerce a medicina há mais de 30 anos e é um dos poucos médicos do Piauí que realiza procedimentos cirúrgicos e exames delicados para detectar doenças no colo do útero. Por causa das suas especialidades, muitos médicos encaminham as pacientes para fazerem tratamento com o especialista.

Batista é também um dos sócios da Clínica Santa Fé, que até pouco tempo atrás era a única maternidade particular de Teresina. Lá, o médico atende mulheres com maior poder aquisitivo e cobra R$ 350 pela consulta. Ele também atende na Clínica Batista por um valor mais acessível. As mulheres que o denunciaram relatam abusos ocorridos nos dois consultórios.

À polícia, Batista se defendeu alegando que os procedimentos realizados fazem parte da consulta e que, diferente da declaração de todas as vítimas, as suas atendentes sempre ficam na sala e o auxiliam durante o exame.


Clínica Santa Fé em Teresina: um reduto de mulheres com maior poder aquisitivo. Reprodução/Google Street View

Ele admite que tocou na parte interna da coxa de Vanessa e que pegou nas nádegas dela, mas diz que o fez porque a paciente havia se retraído e impossibilitado o procedimento. Sobre o toque excessivo no seio, Batista disse que “eventualmente pode ocorrer de a palma da mão encostar na mama, mas isso não é proposital e pode acontecer em razão do tamanho do seio ou da posição”. Ele negou qualquer toque no clitóris das vítimas. Todas essas declarações do médico constam no inquérito policial.

Conversei com o ginecologista e obstetra Juvenal Barreto, diretor de defesa profissional da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia, para entender qual é o procedimento adequado em uma consulta.

Barreto, que tem 40 anos de profissão, disse que a boa prática do exame ginecológico não inclui toque na parte interna da coxa, no clitóris e nem qualquer movimento que sugira algum tipo de estímulo. A apalpação das mamas é feita com a ponta dos dedos e não com a palma da mão. A presença de uma assistente, acrescenta, também é uma recomendação importante.

Entrei em contato com o médico Felizardo Batista por telefone e também mandei mensagem no WhatsApp, mas ele não respondeu. Por meio da assessoria de imprensa, a direção da Clínica Santa Fé informou que não vai se manifestar até o final do inquérito “para não haver julgamento precipitado”.

Eu liguei para sete mulheres que fizeram a denúncia em 2017, mas só três atenderam à ligação. Nenhuma quis falar sobre o caso. Quando falei que uma nova denúncia de abuso foi registrada na delegacia recentemente, as três lamentaram. “Ele não vai parar nunca”, disse uma das mais antigas vítimas do médico, que relata um abuso sexual de 1996.

* Os nomes das vítimas foram modificados para preservar suas identidades.

Overdoses de drogas e suicidios reduzem expectativa de vida nos EE.UU

“Estas estatísticas são um sinal de alerta de que estamos perdendo estadounidenses em demasia, muito cedo e com alta frequência. Em ocorrências que poderiam ser prevenidas”

La esperanza de vida se redujo en Estados Unidos entre 2016 y 2017.

Las sobredosis de drogas y los suicidios redujeron la esperanza de vida en Estados Unidos

Las muertes por sobredosis alcanzaron un nuevo récord en 2017, superando los 70.000, mientras que la tasa de suicidios aumentó en un 3,7%, según informa el Centro Nacional de Estadísticas de Salud de los CDC.

El doctor Robert Redfield, director de los CDC, calificó la tendencia de trágica y preocupante.

“Estas estadísticas aleccionadoras son una señal de alerta de que estamos perdiendo a demasiados estadounidenses, demasiado pronto y con demasiada frecuencia, en condiciones que se pueden prevenir”, escribió Redfield en un comunicado.

Tasas generales de mortalidad en Estados Unidos

La estimación de cuánto tiempo una persona nacida en 2017 puede esperar vivir en Estados Unidos es de 78,6 años, una disminución de 0,1 años en comparación con 2016, dicen los estadísticos del Gobierno.

Como es usual, las mujeres viven más que los hombres. Tanto en 2016 como en 2017, la esperanza de vida femenina fue de 81,1 años, mientras que la esperanza de vida masculina se redujo de 76,2 años, en 2016, a 76,1 en 2017.

El número de muertes de residentes registradas en EE.UU. totalizó más de 2,8 millones en 2017, aproximadamente 69.000 más que en 2016, según el informe.Naturalmente, este aumento afecta la tasa de mortalidad general, que se ajusta anualmente para tener en cuenta la edad cambiante de la población general. La tasa aumentó de casi 729 muertes por cada 100.000 personas, en 2016, a casi 732 muertes, en 2017, un aumento de 0,4%.

La mayoría de las razas y grupos étnicos, incluidos hombres negros, hombres hispanos y mujeres hispanas, no observaron cambios significativos en su tasa de mortalidad año tras año.

Sin embargo, las mujeres negras experimentaron una tasa de mortalidad decreciente del 0,8%, en 2017, respecto al año anterior, lo que significa que vivieron un poco más, mientras que la tasa aumentó en un 0,6%, para los hombres blancos, y en un 0,9%, para las mujeres blancas.

Finalmente, las 10 principales causas de muerte en 2017, que representan casi tres cuartas partes de todas las muertes en todo el país, fueron enfermedades cardíacas, cáncer, lesiones no intencionales, enfermedades respiratorias crónicas inferiores, accidentes cerebrovasculares, enfermedad de Alzheimer, diabetes, influenza y neumonía, enfermedades renales y suicidios. Esta sombría “lista de los 10 primeros” se mantuvo sin cambios respecto al año anterior.

Muertes por sobredosis de drogas

Las muertes por sobredosis de drogas entre residentes de EE.UU. totalizaron 70.237, en 2017, casi 6.600 más que en 2016, según un segundo informe del Gobierno. La tasa aumentó alrededor de 6 muertes por sobredosis por 100.000 personas, en 1999, a casi 22 por 100.000, en 2017.

Las tasas han sido consistentemente y significativamente más altas para los hombres que para las mujeres a lo largo de los años, pasando de aproximadamente 8 hombres que murieron de una sobredosis por 100.000, en 1999, a alrededor de 29 hombres por 100.000, en 2017. Entre las mujeres, la tasa aumentó aproximadamente 4 muertes por sobredosis por 100.000, en 1999, a alrededor de 14 por 100.000, en 2017.

Los investigadores encontraron que la edad fue un factor de influencia en estas muertes.

Los adultos entre 25 y 54 años experimentaron las tasas más altas de muertes por sobredosis de drogas en 2017. El grupo de 25 a 34 años tuvo casi 38 muertes por sobredosis por cada 100.000. El grupo de 35 a 44 tuvo 39 por 100.000 y el de 45 a 54 años tenía alrededor de 38 por cada 100.000.

Las personas más jóvenes y mayores murieron por sobredosis con menos frecuencia, indica el informe. Las personas entre 15 y 24 años experimentaron aproximadamente 13 muertes por sobredosis por 100.000; las personas entre 55 y 64 años, 28 por 100.000; y el grupo de personas de 65 años y mayores tuvo alrededor de 7 muertes por cada 100.000.

La tasa de mortalidad por sobredosis de heroína se mantuvo constante en alrededor de 5 muertes por cada 100.000 personas tanto en 2016 como en 2017; dicho esto, es siete veces más alto que en 1999. Por el contrario, las muertes por sobredosis con fentanilo, análogos de fentanilo y otros opioides sintéticos (distintos de la metadona) aumentaron en un 45% entre 2016 y 2017, pasando de aproximadamente 6 muertes por cada 100.000 a 9 por 100.000.

Muertes por suicidio

En la última década, el suicidio se ha clasificado como la décima causa de muerte en Estados Unidos, según revela untercer informe final del Gobierno. Aunque constante, la tasa ha aumentado con el tiempo de alrededor de 10 suicidios por cada 100.000 personas, en 1999, a 14 por cada 100.000, en 2017. Y los suicidios femeninos aumentaron a una tasa más alta que los suicidios masculinos durante este período, aunque cada año mueren más hombres que mujeres por suicidio.

Según datos del Gobierno, las tasas en los condados rurales de Estados Unidos son casi el doble que en los condados urbanos.

“Todos debemos trabajar juntos para revertir esta tendencia y ayudar a garantizar que todos los estadounidenses vivan más tiempo y más saludables”, dijo Redfield en su declaración, sobre la disminución de la esperanza de vida. Añadió que el CDC “está comprometido a poner la ciencia en acción para proteger la salud de Estados Unidos”.

Debra Goldschmidt, de CNN, contribuyó a este informe.

Fonte: CNN

Google contra os Direitos Humanos

Funcionários do Google disseram que a empresa não estava mais “disposta a colocar seus valores acima dos lucros”. Uma nova ferramenta de busca “tornaria o Google cúmplice de opressão e abusos de direitos humanos” “viabilizaria a censura e a desinformação direcionada pelo governo” e “ajudariam os poderosos a oprimirem aqueles que estão em posição vulnerável onde quer que estejam”.

Funcionários do Google protestam contra buscas censuradas

MAIS DE 500 funcionários do Google assinaram uma carta aberta pedindo que a empresa abandone seu plano de lançar uma ferramenta de pesquisa censurada na China, enquanto manifestantes tomaram as ruas em oito cidades condenando o projeto sigiloso.

A carta foipublicadana terça-feira de manhã e foi assinada por um grupo de 11 engenheiros, administradores e pesquisadores do Google. Ao fim da tarde, cerca de 230 outros funcionários haviam acrescentado seus nomes ao documento, em uma extraordinária demonstração pública de raiva e frustração contra a administração do Google sobre o plano de pesquisa censurada conhecido como Dragonfly (“libélula”, em português). Até a publicação desta reportagem, a carta aberta tinha 528 assinaturas.

A ferramenta de pesquisa foi criada pelo Google para censurar frases relacionadas a direitos humanos, democracia, religião e protestos pacíficos, de acordo com as regras estritas de censura aplicadas pelo governo autoritário chinês. A plataforma de busca conectaria os registros de busca de usuários chineses aos seus números de telefone e compartilharia os históricos de buscas dessas pessoas com uma empresa parceira chinesa – o que significaria que agências de segurança chinesas, que rotineiramente têm como alvo ativistas e críticos do governo, poderiam obter os dados.

Os funcionários do Google disseram na terça-feira que eles acreditavam que a empresa não estava mais “disposta a colocar seus valores acima dos lucros”. Eles escreveram que a ferramenta de busca chinesa “tornaria o Google cúmplice de opressão e abusos de direitos humanos” e “viabilizaria a censura e a desinformação direcionada pelo governo.” Eles disseram ainda:

Nossa oposição à Dragonfly não tem a ver com a China: nós somos contra tecnologias que ajudam os poderosos a oprimirem aqueles que estão em posição vulnerável, onde quer que estejam. O governo chinês certamente não está sozinho em sua disposição em suprimir a liberdade de expressão e utilizar de vigilância para reprimir dissidentes. A Dragonfly estabeleceria na China um perigoso precedente em um volátil momento político que tornaria mais difícil para o Google negar concessões similares a outros países.

Em agosto, 1,4 mil funcionários do Google se manifestaram contra a Dragonfly em privado, com muitos assinando anonimamente uma carta que circulou dentro da empresa. Segundo fontes, os organizadores das manifestações haviam tentado até o momento manter seu descontentamento a portas fechadas, sentindo que negociar com a administração longe da mídia seria a melhor forma de apresentar suas questões.

Mas eles ficaram cada vez mais insatisfeitos com os executivos da empresa que se recusaram a responder perguntas sobre a Dragonfly e a se engajar em questões de direitos humanos.Esta é uma das principais razões pela qual os funcionários do Google decidiram ir a público na terça-feira com uma nova carta, desta vez não mais assinada de forma apenas anônima, que resultou em uma reprimenda sem precedentes aos chefes da empresa.

Os autores disseram que apoiavam a onda de protestos contra a Dragonfly organizados pela Anistia Internacional, que ocorreram na terça-feira do lado de fora das sedes do Google nos Estados Unidos, Reino Unido, Austrália, Canadá, Alemanha, Hong Kong, Holanda e Espanha.

Ativistas da Anistia foramfotografadosdo lado de fora dos prédios segurando cartazes que pediam que a empresa “ouça seus funcionários”, “não seja um tijolo no firewall chinês” (um trocadilho com a canção “Another Brick in the Wall”) e “não contribuam com a censura na internet na China”. Em Madri, o grupoencheuum enorme balão em formato de libélula e o exibiu em frente aos escritórios do Google na cidade.

A Anistia publicou umapetiçãoexigindo que o Google cancele o desenvolvimento da ferramenta de pesquisa. O grupo disse em uma declaração que a plataforma “prejudicaria irreparavelmente a confiança de usuários da internet” no Google e “estabeleceria um perigoso precedente para que empresas de tecnologia viabilizassem abusos de direitos humanos por parte de governos.”

O Google tem enfrentado um crescente número de protestos conforme seus funcionários têm se tornado mais organizados e corajosos.No começo deste mês, os empregados organizaram uma greve em massa por conta da maneira como a administração lidava com alegações de assédio sexual e outras queixas. Em abril, milhares de funcionários apresentaram preocupações com um projeto que envolvia o desenvolvimento de inteligência artificial para drones do exército americano.

O Google não emitiu comentários sobre a carta dos empregados ou sobre os protestos da Anistia. Em uma declaração padrão, disse que seu “trabalho com buscas tem sido exploratório e não estamos perto de lançar um produto de busca na China.”

Conforme o Intercept havia publicado anteriormente, o chefe de buscas da empresa disse aos funcionários que o objetivo do Google era lançar a ferramenta de pesquisa entre janeiro e abril de 2019. “Nós temos que estar focados naquilo que queremos viabilizar”, disse Ben Gomes. “E depois, quando o lançamento acontecer, estaremos prontos para isso.”

São maus os tempos para a paciência

É difícil recusar algo que se deseja e se consegue imediatamente. Por que esperar se é possível disfrutar já? Isto, do ponto de vista hedonista, é inquestionável e sempre foi posto em questão ao longo da história pela religião, pela filosofia e mais recentemente pela psicologia.

Las secuelas de vivir bajo un estado de urgencia pueden extenderse a otras circunstancias vitales.

Corren malos tiempos para la paciencia

En unas horas llegará un mensajero a mi casa con el último libro del tres veces Pulitzer, Thomas Friedman. Lo compré esta mañana en Amazon. La operación me llevó menos de un minuto porque opté por pulsar el botón de “comprar en un click”. Hasta que llegue, me entretendré viendo otro capítulo deTheSinneren Netflix. Pulsaré el botón de “Omitir Introducción”, pero le diré que no a la propuesta de continuar con el siguiente capítulo una vez terminado este, eso creo.

Desear algo y disponer de ello de manera casi inmediata es difícil de rechazar. ¿Para qué esperar si puedo disfrutarlo ya?

Esta afirmación que desde un punto de vista hedonista resulta incuestionable, ha sido, sin embargo, puesta en cuestión a lo largo de la historia, desde la religión, la filosofía y más recientemente la psicología.

Todos los grandes cultos predican las virtudes de la paciencia. El Antiguo Testamento, por ejemplo, en su libro Proverbios, recoge esta cita: “Más vale ser paciente que valiente. Más vale dominarse a sí mismo que conquistar ciudades”. Resulta lógico que desde los púlpitos se exhorte a desdeñar las prisas y abrazar la templanza, básicamente porque todas las religiones propugnan la reflexión como método de entrar en contacto con sus divinidades.

La filosofía, por su parte, también ha abordado la importancia de dominar las pulsiones internas. Sirvan estos ejemplos: en la Grecia Clásica el estoicismo defendía la necesidad de tener una vida contenida. Siglos después, Kant enunciaba este aforismo: “La paciencia en la fortaleza del débil”. Rousseau decía “La paciencia es amarga, pero su fruto dulce”. Nietzsche, a su vez, proponía “Ver, pensar y hablar con calma”. En un momento más contemporáneo, en el año 1947, el laureado Rafael Sánchez Ferlosio escribía en la revista Alférez: “Anda muy escasa la virtud de la paciencia”.Despotricar, por tanto, contra el modo en que la sociedad actual abraza la inmediatez no es nada original.

Detengámonos ahora con más interés en el tratamiento que da la psicología a la actitud de urgencia, por su vigencia y, sobre todo, por su base científica.

En los últimos 50 años se han llevado a cabo numerosos estudios para poner de manifiesto qué consecuencias tiene sobre la persona el ritmo con el que aborda las tareas cotidianas.

Quizás la investigación más emblemática que se conoce es la que llevó a cabo el profesor de Stanford Walter Mischel a finales de la década de 1960. Seguro que lo recuerdan. A unos niños de entre 3 y 6 años se les dio a elegir entre tomarse un dulce en ese momento o esperar 15 minutos y recibir dos. El autor hizo un seguimiento de los niños durante 20 años y concluyó que aquellos que demoraron la gratificación habían tenido más éxito académico.

Ya en nuestro siglo, los estudios realizados coinciden al identificar dos tipos de beneficios asociados a la paciencia.En primer lugar, los individuos con una actitud más serena, menos dados a la urgencia, muestran una marcada inclinación hacia la cooperación y la empatía.Es decir, son capaces de interiorizar mejor cómo se sienten los demás y ofrecer ayuda allá donde haga falta, por lo que desarrollan relaciones de mayor calidad.

En segundo lugar, estos mismos sujetos más tranquilos se benefician de disfrutar de una estabilidad emocional mayor, menor propensión a la depresión y a las emociones negativas.

Las secuelas de vivir bajo un estado de urgencia, de aquí y ahora, pueden extenderse a otras circunstancias vitales. La principal consecuencia de la inmediatez es que no deja espacio a la reflexión. Comprar tan rápido mi libro del principio no me ha permitido ver otras opciones que me ofrece Amazon y que pueden ser más interesantes. Saltar de un capítulo a otro de mi serie de Netflix, cercena el espacio necesario para analizar y poner en orden lo que acabo de terminar de ver.

Todos los días nos enfrentamos a situaciones que nos obligan a reflexionar: qué camisa me pongo, qué como hoy, quedo o no quedo con Juan, qué veo en la tele. En muchos casos son situaciones intrascendentes que no nos traerán grandes males si las abordáramos de manera impulsiva.

No obstante, hay otros momentos en la vida que sí exigen detenerse un tiempo, como dicen los toreros son instantes de parar, templar y mandar. Se trata de situaciones que van a marcar una parte de nuestra vida o toda ella, que van a implicar a otras personas o que pueden hacernos llevar la cruz del arrepentimiento durante años. Hablamos, por ejemplo, de elegir una carrera, hacer una inversión importante, tener hijos con alguien en concreto, o realizar una práctica deportiva de riesgo.

Actuar con paciencia permite disponer de un espacio de análisis que ubica al actor en el camino correcto hacia su objetivo. Un estudio suficiente de los antecedentes y probables consecuencias de cualquier iniciativa no solo genera una dulce sensación de seguridad, sino que, y más importante, empodera a la persona como ideólogo de sus actos.

Cualquier acción viene siempre precedida de una decisión y esta de un análisis, superficial, casi inexistente o más profundo. Cuando una persona toma una decisión impulsiva, impaciente, irreflexiva es porque alguien la está tomando por ella.

Fonte: Huffpost
Por:Antonio Pamos Doctor en Psicología y profesor de la Universidad Camilo José Cela
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Como ser alguém agradável socialmente

Apaixone-se por alguém que defenda os direitos humanos

Começamos a valorizar as pessoas que nos cercam por razões sobre as quais nunca havíamos refletido. Nunca ouvi nenhuma amiga minha dizer que seu parceiro (ou sua parceira) ideal deveria ser a favor da democracia e não deveria defender a tortura. Alguém que compre briga pelas minorias às quais ele nem pertence.

O resto é detalhe

Ao longo da vida, talvez por arrogância, talvez por pressão social, começamos a elencar dezenas de características ideais que esperamos encontrar num potencial parceiro. Precisa ser alto. Mas não pode ter mais de 1,85. Pode ser grisalho, mas não pode ser careca. Gosto de narizes com personalidade. Precisa ter no máximo 5 anos a mais que eu e até 2 a menos. É bom ter um trabalho estável e ser motivado. Também era importante que não morasse muito longe de mim. Deve gostar de viajar, de comer comida japonesa e de ler biografias.

De fato, esse período de trevas que o Brasil vem atravessando é ruim em muitíssimos aspectos. Mas não dá para negar que há um lado interessante:começamos a valorizar as pessoas que nos cercam por razões sobre as quais nunca havíamos refletido. Nunca ouvi nenhuma amiga minha dizer que seu parceiro (ou sua parceira) ideal deveria ser a favor da democracia e não deveria defender a tortura. Sei lá, a gente achava que isso já vinha incluído no pacote básico, não é mesmo?

Mas no meio dessa loucura toda, como diria Jout Jout, parece que pré-requisito virou diferencial. E coisas que sempre nos passaram batidas, passaram a merecer uma atenção- quiçá até uma gratidão- especial.Olhar para nossos parceiros e lembrar que são pessoas que se opõem à violência e à truculência, passou a ser um alívio imenso, quase um oásis no meio do caos.

Por isso, se eu pudesse, hoje, dar um conselho aos mais jovens- e a qualquer outro solteiro que esteja sassaricando por aí- ele seria: apaixone-se por alguém que defenda os direitos humanos. Alguém que compre briga pelas minorias às quais ele nem pertence. Uma pessoa que berre que tá todo mundo doido, que violência não se resolve com violência. Alguém que não tenha medo de se posicionar.

No fundo, a gente percebe o quão pouco importa a aparência física, a estabilidade do emprego, o endereço. De que adianta um belo par de olhos verdes, se eles não enxergam tudo o que está acontecendo? De que interessa um currículo fantástico se toda a formação e a experiência não serviram para ter análise crítica? De que interessa um peitoral definido se dentro dele não tem empatia e solidariedade? De que adianta uma bela casa se dentro dela não se ouvem diálogos em defesa da democracia?

A verdade é que são tempos para a gente repensar muita coisa. Nossas prioridades, companhias, discursos e batalhas. Mas também é tempo de ser grato por cada dose de lucidez com a qual esbarramos nos nossos dias. Tempo de criar novos laços, frutos de uma identidade tão básica como a luta contra o retrocesso social.

Jovens, apaixonem-se por alguém que defenda os direitos humanos. E que se preocupe com os gays mesmo sem ser gay. E que defenda os índios sem precisar sem índio. E que tome as dores dos negros como suas, mesmo se for branco. E que lute pelos direitos das mulheres. E que defenda o Estado laico ao mesmo tempo que respeita a diversidade religiosa. E acolha os imigrantes. E que busque compreender os anseios das pessoas com deficiência. Vai por mim. Corpo bonito, dinheiro sobrando, vários diplomas, alta performance nos esportes. Nada disso pode ser mais delicioso do que chegar em casa e encontrar uma pessoa realmente legal deitadona no sofá.

Falsa psiquiatra tenta se apoderar da herança de sua paciente

Falsa psiquiatra foi condenada a cinco anos de prisão por falsificar o testamento de sua paciente, (uma viúva de 84 anos com quem estabeleceu relação de amizade em 2016 em uma clínica para pessoas com demência) e tentar se apoderar de sua herança, avaliada em cerca de um e meio milhão de dólares.

Por una falsa psiquiatra, el Reino Unido investiga a tres mil médicos extranjeros

El caso de Zholia Alemi, una psiquiatra impostora, se suma a las presiones que ya experimenta el sistema británico de salud.Andrew Testa para The New York Times

LONDRES — En un país en el que los asuntos de salud pública siempre están bajo la lupa y, en algunas ocasiones, derivan en escándalos, las autoridades médicas del Reino Unido reconocieron el lunes haber tomado la decisión de revisar los documentos de unos tres mil médicos extranjeros, tras la condena por fraude de una supuesta doctora, a quien también se le acusa de falsificación de documentos.

El caso podría sumarse a otroscuestionamientos en torno a la seguridadde los pacientes del Servicio Nacional de Salud del Reino Unido, institución que solía ser elogiada, justo cuando sus reducidos presupuestos y lasposibles consecuenciasde la inminente salida de esa nación de la Unión Europea han agravado la atmósfera de incertidumbre.

Zholia Alemi, de 56 años, trabajó durante más de veinte años en los servicios de salud del Reino Unido avalada por un documento que, según ella, demostraba los estudios que cursó en su país natal, Nueva Zelanda. Dicho documento le permitió darles tratamiento a pacientes que padecían demencia y muchos otros problemas psiquiátricos.

Sin embargo, una investigación emprendida por un periódico provincial hace algunas semanas reveló una versión muy distinta del perfil académico de Alemi.

The News & Star, con oficinas en Carlisle, una pequeña ciudad ubicada en el noroeste de Inglaterra, se puso en contacto con las autoridades de Nueva Zelanda e informó que Alemi había abandonado sus estudios de Medicina en 1992, después de completar un año de cursos, y solo había obtenido un grado en Biología Humana.

Alemi llegó al Reino Unido a mediados de los años noventa y aprovechó un programa que ayudaba a médicos de algunas de las antiguas colonias británicas, incluida Nueva Zelanda, a obtener licencias para ejercer esa profesión en el Reino Unido con revisiones escuetas de sus constancias académicas.

“Nos preocupa mucho que una persona haya presentado constancias de estudios falsificadas”,declaróel lunes Charlie Massey, director ejecutivo del Consejo Médico General. Añadió que el grupo, encargado de supervisar la profesión médica en el Reino Unido, “estaba haciendo todo lo posible para averiguar cómo pudo ocurrir algo así”.

Como psiquiatra, Alemi gozaba de “los mismos privilegios que cualquier otro” doctor de su nivel, indicó el organismo, incluidas facultades para recetar medicamentos e internar pacientes sin su consentimiento para someterlos a algún tratamiento.

“Es evidente que, en este caso, las medidas tomadas en los años noventa no fueron adecuadas, por lo que ofrecemos disculpas por cualquier riesgo que hayan corrido los pacientes a causa de ello”, señaló.

El caso de Alemi salió a la luz porque intentó aprovecharse de una paciente, Gillian Belham, una viuda de 84 años con la que estableció una relación amistosa en 2016, en una clínica para pacientes con demencia ubicada en el pueblo costero de Workington.

El mes pasado, Alemi fue sentenciada a cinco años de cárcel por falsificar el testamento de su paciente e intentar apoderarse de su herencia, valorada en cerca de 1,5 millón de dólares. “Se trata de un delito despreciable, motivado simple y llanamente por la avaricia”, aseveró el juez James Adkin, quien anunció la sentencia, según el periódico The News & Star.

El Consejo Médico General explicó que el programa con el que se autorizó el ejercicio profesional de Alemi en el Reino Unido dejó de aplicarse en 2003 y en su lugar se implementó un esquema con verificaciones más rigurosas.

“En su solicitud, Zholia Alemi incluyó un documento que parecía hacer constar la obtención de un grado en Medicina de la Universidad de Auckland, una carta de la universidad que confirmaba su graduación y una carta de referencia de su patrón anterior en Pakistán”, mencionó el organismo. “Ahora sabemos que la constancia de estudios que presentó era falsa”.

El Consejo Médico General informó que comenzó “una revisión inmediata” de todos los doctores aprobados mediante el mismo proceso cuya licencia para ejercer la profesión en el Reino Unido sigue vigente, y especificó que son unos tres mil.

“Es importante enfatizar que se trata de un caso muy raro”, afirmó el grupo. “Aunque no hay nada que nos haga dudar de que otros médicos autorizados mediante ese procedimiento son honestos y trabajadores, es importante verificar de cara a estos acontecimientos”.

El Consejo Médico General mencionó que en la actualidad los médicos que solicitan permiso para ejercer deben cumplir procesos de verificación más amplios, además de someterse a exámenes profesionales y de dominio del idioma. También insistió en que la revisión de documentos debe ser mucho más detallada para evitar fraudes.

The News & Star informó que las autoridades médicas de Nueva Zelanda confirmaron que a Alemi “nunca se le otorgó el título de médica”.

Fonte: The New York Times
Por: Alan Cowell

Fome e obesidade

Na origem da obesidade moderna entra em jogo, cada vez mais clara e decisivamente, a questão da rentabilidade e da tecnologia. A modernidade nos mostra que o capital se agranda e se expande com o uso de tecnología. A tecnologia é usada a serviço da rentabilidade. Trata-se de produzir alimentos rentáveis, não (necessariamente) sadios. E mais, se a tecnologia produz alimentos insanos, mas de maior rendimento, adiante! O critério declarado será a saúde, mas o praticado será a rentabilidade.

Hambre y obesidad

Con motivo del Día Mundial de la Alimentación, 16 de octubre, que patrocina la FAO, esta red mundial perteneciente a la ONU ha hecho públicos los guarismos dehambre y obesidad mundiales: 811 millones de seres humanos y 665 millones, respectivamente.

Podríamos decir, que si antes teníamos un gran problema –el hambre− ahora tenemos dos.

En el penoso tema del hambre, se puede, en rigor es necesario, distinguir el hambre endémica, tradicional, que castigaba a todas las poblaciones humanas (y en general vivas) del hambre moderna, resultado de la interrelación asimétrica entre sociedades y pueblos, lo que se conoce históricamente como colonialismo e imperialismo.

La primera hambre histórica tiene que ver con la escasez de nutrientes y la humanidad la ha ido resolviendo con sus piernas, en una primera y muy prolongada era, de migraciones, y con su propia inventiva, poco a poco, que le fue permitiendo reconocer alimentos saludables y facilitar su crecimiento; la agricultura y la cría de animales domésticos. Si el recurso de las piernas fue usado durante un millón de años, el de la cría de animales y cultivos no tiene más de diez mil años.

En ninguno de tales momentos, la obesidad fue un problema; al contrario; basta ver lo que nos ha permitido conocer la fotografía desde mediados del s. XIX, apenas desde hace 150 años, para advertir que los oriundos o establecidos de cualquier lado tenían cuerpos sin grasa, piernas musculosas.

La segunda variante del hambre, poco tiene que ver con la escasez y mucho con la rapacidad humana: el colonialismo fue un proceso mediante el cual un pueblo dominando se apropia de excedentes, o no tanto, de un pueblo dominado. Frances Moore Lappé,1una investigadora norteamericana, ha registrado que los años de mayor hambruna en la India a lo largo del siglo XIX y primera mitad del XX, coinciden con los años de mejores cosechas. ¿Cómo es eso? Porque los años de cosechas excelentes eran los que aprovechaban los ingleses para cargar sus barcos y llevarse “a casa” tal producción.

Así que el hambre moderna tiene que ver mucho con el poder y la política.Veamos lo que pasa con la obesidad.

Lars Berg,2un estudioso sueco nos habla que el pasaje del mundo de las migraciones a la sedentarización significó una primera revolución alimentaria.

No hay empero un corte entre la sociedad más primitiva y la asentada, porque actividades como el cuidado de animales domésticos se va gestando en aquel mundo nómade, y por ese lado, el ingreso de lácteos y de carnes de animales domésticos en la dieta humana estaba ya presente antes de la sedentarización y la agricultura.

De todos modos, lo que Berg caracteriza como primera revolución alimentaria es el pasaje de una dieta basada en la recolección de frutos, vegetales y animales, pesca y caza, a una alimentación más bien basada en cereales y lácteos (y carne, cada vez menos de caza y más de animales domésticos, domesticados).

Y Berg nos dice que con la modernidad a pleno, en el cambio de siglo del XIX a XX, y fundamentalmente en EE.UU., se produjo una segunda revolución alimentaria. Ya no regida por la escasez sino por la abundancia. Las dietas de los habitantes romanos, medievales y decimonónicos se parecían más entre sí que con la dieta que se va imponiendo en la modernidad tardía,american. Esta dieta, hoy día la nuestra, se caracteriza por disponer de mucha más grasas y azúcares.

Esos ingredientes, aclara Berg, son muy apetitosos. La gente se tienta más. En EE.UU., para promover el consumo, para agrandar ganancias de los productores, se ha empleado la política; por ejemplo, se ha dispuesto el agrandamiento de los diámetros de los platos a 30 cm, para dar “sitio” a porciones mayores.

Con esta “segunda revolución alimentaria” empezamos a comprender más fácilmente el origen de la obesidad moderna.

Pero ahora tenemos, como dijimos, dos problemas. ¿Por qué se nos suman, complicando un cuadro de por sí ya atroz?

Aquí entra en juego cada vez más clara y decisivamente la cuestión de la rentabilidad y la tecnología. La modernidad nos muestra que el capital se agranda y expande con el uso de tecnología. La tecnología usada al servicio de la rentabilidad. Se trata de producir alimentos rentables, no (necesariamente) sanos. Incluso más, si la tecnología produce alimentos insanos, pero de mayor rendimiento, ¡adelante! El criterio declarado será la salud, pero el practicado será la rentabilidad.

Si los aditivos que prolongan la durabilidad de un alimento, son tóxicos, se usarán igual. Si los empaques que se usan para transportar alimentos para extender su alcance, son tóxicos, se usarán igual. Si los ingredientes que se agregan a un alimento para facilitar determinados procesos (de estiba, de conservación, de apariencia de frescura) son tóxicos, se usarán igual, si mejoran la rentabilidad.

¿Cómo es eso posible, admisible? Desde hace décadas lo conocemos: mediante la asignación de “límites de seguridad”.Si el veneno es chiquitito, se podrá usar, hasta determinado límite.

Claro que nuestros cuerpos van a ir recibiendo pequeñísimas magnitudes de cada tóxico, pero una cantidad inimaginable de veces y tóxicos en todos y cada uno de nuestros alimentos.

Esa sinergia no se mide. Ahí está una al menos de las trampas que le permite a cada industrializador de alimentos mantener su conciencia tranquila y sobre todo, no sentirse un delincuente, que es la tipificación de cualquier ser humano dedicado a intoxicar a otros.

¿Qué está pasando en nuestras sociedades (un proceso que con diferente intensidad y tiempos distintos abarca a todo el planeta)? En primer lugar, un proceso que hemos llamado de campesinicidio.La eliminación progresiva de quienes están dedicados a la producción rural en unidades pequeñas. Y su sustitución por la agroindustria que en nuestro país se atribuye la calidad de “agricultura inteligente”, una forma elegante de decir que la cultura campesina es de imbéciles.

Aunque justamente la agricultura de los pequeños cultivadores y granjeros da lugar a la producción de alimentos con menos agregados químicos, y es la agroindustria −que se considera “inteligente”− la que se ha “casado” con los desarrollos tecnológicos de mayor avanzada, valida de una enorme batería de productos químicos, que cada vez más, está imposibilitando una alimentación sana. Porque lo que los progresistas creen “parte de la solución” ha resultadotambiénparte del problema.Porque se ha tratado de un desarrollo tecnológico movido por la rentabilidad y no, por ejemplo, por la salud planetaria.

La expansión desenfrenada de la agroindustria, que nuestros políticos progresistas ven natural y positiva, es la que nos está dando alimentos cada vez más problemáticos, pero eso sí, con abundancia de grasas y azúcares. Lo que los dietólogos denominan“comida chatarra”y, podríamos agregar, el “mundillo de las golosinas”.

El avance de comida con enorme peso de productos químicos, de cultivos transgénicos, de uso cada vez mayor de plaguicidas y fertilizantes, ha ido generando una cultura de la góndola, y quebrando la cultura de lo artesanal (maduraciones y desecados, por ejemplo, naturales, en lugar de procesos estimulados y ayudados con aditivos y “maravillas” tecnológicas).

En muchas familias de origen rural es fácil rastrear ese proceso: cuando muere quien hacía los dulces caseros, los embutidos caseros, los encurtidos, las pasas de frutas y verduras, el secado de hongos, quienes han vivido en esa familia, si son jóvenes, suelen abandonar todo ese trajinar y pasan a comprar, a buscar en la góndola “lo mismo”. El detalle es que lo que ofrece la agroindustria y los grandes consorcios transnacionales dedicados a la alimentación,noes lo mismo.

El abuelo hacía en casa pan fresco. Dos días después, hacía otra vez pan fresco.Grandes transnacionales te ofrecen “pan fresco” todos los días, elaborado hace semanas o meses… ¿cómo pan fresco? Porque no es pan fresco, pero parece.Está igualmente tierno, ¿entonces? ¿Magia? No, aditivos. ¿Saludables? No tanto, pero es legal, porque está por debajo de los límites de seguridad que las autoridades bromatológicas han establecido.

Pero entonces, ¿es tan saludable?

A la obesidad me remito. Para abrir siquiera una discusión celosamente escamoteada por reformistas, progresistas y tantos titulares de la fraseología burocrática de organizaciones tipo FAO, que en cada encuentro mundial parecen haber descubierto la piedra filosofal de la cuestión alimentaria que tendrán que sustituir en un próximo encuentro…

18 10 18

http://revistafuturos.noblogs.org

1Frances Moore Lappé,L’industrie de la faim, Éditions L’etincelle, Quebec, Canadá, 1978.

2Lars Berg, “El estómago, los alimentos y el poder”,futuros, no6, Río de la Plata, 2004.

Fonte:Alainet
Por:Luis E. Sabini Fernández
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Médicos estão à beira de um ataque de nervos

A gravidade do aumento no número de suicídios e burn-outs – Síndrome do Esgotamento Profissional – de médicos e enfermeiras começou a ser reconhecida, e centros médicos especializados para cuidar dos profissionais da saúde começaram a abrir as portas. A taxa de suicídio é 2,5 vezes maior do que em outras profissões.

Médicos da França estão à beira de um ataque de nervos, alerta imprensa

O aumento no número de suicídios e burn-outs – ou Síndrome do Esgotamento Profissional – de médicos e enfermeiras é o tema em destaque do Le Parisien desta quarta-feira (1º). A capa do jornal evidencia o grande problema da automedicação, com médicos que prescrevem remédios para si mesmos, e acabam muitas vezes se viciando. Nos últimos anos, a gravidade desta situação começou a ser reconhecida, e centros médicos especializados para cuidar dos profissionais da saúde começaram a abrir as portas.

“É preciso cuidar de nossos médicos”. Após anos de negação, o sofrimento de médicos e enfermeiras começa a ser levado em conta. Casos como o do médico que entrou na floresta, com bebidas alcoólicas e remédios e nunca mais voltou, a médica encontrada desmaiada em seu consultório, a que chora todos os dias antes do trabalho. É com esses relatos que o diário retrata como a classe médica tem dificuldade em reconhecer quando precisa de ajuda.

“Nossos médicos são heróis. Heróis doentes por causa do ritmo infernal a qual são expostos diariamente, com a falta de material nos hospitais e o comportamento inadequado de alguns pacientes. É preciso cuidar melhor deles ”, afirma o chefe da redação do Le Parisien, Pierre Chausse.

Suicídio é 2,5 vezes maior entre médicos

Segundo uma pesquisa feita pela start-up 360 Medics, 100% dos médicos se dizem psicologicamente esgotados e 50% dizem já ter desenvolvido um burn-out. A taxa de suicídio é 2,5 vezes maior do que em outras profissões. Para tentar reverter a situação, novas clínicas estão sendo abertas para atender exclusivamente os profissionais da saúde. Em 2012, a clínica psiquiátrica Belle Rive em Villeneuve-lès-Avignon, inaugurou uma ala exclusiva para o tratamento de médicos. “Percebemos que era hora de reconhecer o problema e de fazer algo para tentar ajudar”, afirmou Emmanuel Granier, psiquiatra que criou essa unidade onde 50% dos profissionais recebidos chegam viciados em álcool e mais de 65% em remédios psicotrópicos, tranquilizantes ou opiáceos.

O Le Parisien destaca também a criação de uma plataforma telefônica aberta a todos os profissionais da área da saúde, administrado por associações e pela ordem dos médicos e enfermeiras. Mais de 700 ligações são registradas por mês. A maioria feitas por mulheres na faixa dos 50 anos. “Elas representam 72% das chamadas, provavelmente por que elas possuem mais facilidade de falar que os homens”, explica Sophie Cot-Rascol, uma das psicólogas que trabalha na plataforma.

“Graças a Deus não matei ninguém”

A cada chamada, os psicólogos precisam ser ágeis para criar uma relação de confiança, algo difícil por telefone. Muitos acabam desligando deixando apenas um nome de contato. “Para muitos médicos, cuidar de si ou adoecer não está nos planos. Muitos minimizam os sintomas, até mesmo quando já estão em pleno burn-out”, diz Sophie Cot-Rascol

O anestesista Bertrand, que preferiu manter seu sobrenome em sigilo, é um dos profissionais que conseguiu ajuda através da plataforma. “Eu chegava a tomar 50 comprimidos ansiolíticos por dia. Graças a Deus, não matei ninguém. Mas estava na hora de procurar ajuda”, afirmou Bertrand.

Desde o dia 2 de julho o Ministério da Saúde criou o Observatório Nacional para a qualidade de vida no trabalho dos profissionais da área, lembrando que um médico doente não cuida bem dos doentes.

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A internet, o ódio, os racistas, os xenófobos, os antissemitas e os supremacistas brancos

“As plataformas e os algoritmos que prometiam melhorar nossas vidas, na realidade podem amplificar nossas piores tendências humanas”.  A democracia está em jogo… e também as vidas de muitas pessoas.

“Double Poke in the Eye II”, de Bruce Nauman (1985) 2018 Bruce Nauman/Artists Right Society (ARS), Nueva York, vía Sperone Westwater, Nueva York

El internet será nuestra perdición

Nora Ephron alguna vez escribió un ensayo brillante sobre cómo ella y muchas otras personas pasaron de estar enamoradas del correo electrónico, cuando sentían la emoción de descubrir una nueva y veloz manera de mantenerse en contacto, a odiar el infierno de no poder desactivarlo.

He llegado a tal punto que todo el internet me hace sentir así.

Al inicio era un sueño dorado de conocimiento expandido y conexión mejorada.Ahora se ha convertido en una pesadilla de sesgos manipulados y odio expandido como una metastasis.

Antes de que al parecer comenzara a enviarlesartefactos explosivos por correo a Barack Obama, Hillary Clintonyotros,Cesar Sayocencontró motivación en línea —quizá no en la forma de instrucciones para fabricar explosivos, sino en el sentido de que podía vociferar sus resentimientos ante un auditorio que no lo repudiaba, sino que se hacía eco de los mismos mensajes—. Los validaba y los cultivaba. Absorbía algo oscuro y lo convertía en algo aún más lúgubre.

“Para cuando lo arrestaron en Florida el viernes”,reportóThe New York Times,“Sayoc parecía encajar con el perfil ya conocido por todos de un extremista moderno, radicalizado en línea y atrapado en un vórtice de furor partidista”.

Robert Bowers, acusado de asesinar a once judíos estadounidenses en Pittsburgh la mañana después del arresto de Sayoc, alimentó su locura y estimuló sus fantasías sangrientas en ese mismo vórtice digital. Mientras Sayoc creaba nichos terribles en Facebook y Twitter,Bowers encontró un refugio para sus pasiones racistas, xenofóbicas y antisemitas en Gab, una red social que se lanzó hace dos años y que ha servido de criadero para los nacionalistas blancos.Ahí se congregaron, se lamentaron y se alentaron —sin restricciones— con una eficacia que simplemente no existe fuera de la web.

Fue en internet, con su privacidad y su anonimato, que Dylann Roof investigó sobre la supremacía blanca y adquirió su convicción malvada de que la violencia era necesaria. Después entró a una iglesia histórica en Charleston, Carolina del Sur, y les disparó a muerte a nueve feligreses afroestadounidenses en junio de 2015.

Fue en internet —en Facebook, para ser exactos— que Alek Minassian publicó un juramento de lealtad a la “rebelión de los célibes involuntarios”, que se refiere a los resentimientos de los hombres “involuntariamente célibes” que no pueden lograr que las mujeres tengan sexo con ellos. Después usó una furgoneta para atropellar y asesinar a diez personas en Toronto en abril.

Los enclaves de internet deformaron las cosmovisiones de todos estos hombres, y los convencieron de la prioridad y la pureza de su furia.La mayoría de nosotros jamás habíamos escuchado el término “célibe involuntario” antes de la masacre de Toronto. Sin embargo, fue la pieza central de la vida de Minassian.

La mayoría de nosotros no estaba familiarizado con HIAS, un grupo judío que reubica refugiados. Sin embargo, esas iniciales dominaron las teorías conspirativas antisemitas de Bowers. Eso refleja el poder que internet tiene para presentar los agravios falsos como si fueran obsesiones legítimas y darles a los prejuicios la apariencia de ser ideales.

La tecnología siempre ha sido un arma de doble filo: el potencial y el peligro. Eso es lo que Mary Shelley exploró enFrankenstein, que este año celebra suaniversario doscientos, y desde entonces ha sido el tema principal de la ciencia ficción.

Internet es la paradoja más monstruosa de la tecnología escrita. Es una herramienta inigualable e itinerante para el aprendizaje y para el surgimiento de comunidades constructivas. Sin embargo, también es inigualable en la divulgación de mentiras, la reducción de los intereses y la erosión de la causa común. Es un bufé glorioso, pero lleva a los usuarios a los extremos: solo la carne o solo los vegetales. Estamos ridículamente sobrealimentados y desastrosamente desnutridos.

Crea terroristas. Y, por si fuera poco, siembra hostilidad al mezclar la información y la desinformación a tal punto que no hay forma de diferenciar lo real de lo ruso.

No me crean a mí. Créanlo por lo que ha dicho un gigante de Silicon Valley cuyos softwares dependen de nuestra adicción al internet. En una conferencia en Bruselas,Tim Cook, director ejecutivo de Apple, advirtió: “Las plataformas y los algoritmos que prometían mejorar nuestras vidas en realidad pueden amplificar nuestras peores tendencias humanas”.

“Los actores deshonestos e incluso los gobiernos se han aprovechado de la confianza de los usuarios para agravar las divisiones, incitar la violencia e incluso socavar nuestro sentido de lo verdadero y lo falso”, agregó.

Esto fue hace una semana, antes del arresto de Sayoc, antes del ataque de Bowers, antes de queJair Bolsonaro, un populista de extrema derecha,ganara la elección presidencial de Brasil. Como loinformó The New York Times, las fuerzas a favor de Bolsonaro al parecer intentaron afectar a sus oponentes y ayudarloinundando WhatsApp, la aplicación de mensajería propiedad de Facebook, “con un torrente de contenido político que dio información errónea sobre las direcciones y los horarios de las casillas electorales”.

Ese mismoartículode The New York Times señaló que, el lunes, una búsqueda de la palabra “judíos” en Instagram, el sitio para compartir fotografías, daba como resultado 11.696 publicaciones con la etiqueta #JewsDid911 (los judíos son responsables del 11s), con la que se culpaba de manera demencial a ese grupo religioso por los ataques del 11 de septiembre de 2001, junto con imágenes y videos grotescos que satanizaban a los judíos. El antisemitismo podrá ser antiguo, pero este sistema para expresarlo es completamente moderno.

Además, es profundamente aterrador. No sé exactamente cómo relacionar la libre expresión y la libertad de expresarse —que son primordiales— con una mejor vigilancia de internet, pero estoy seguro de que debemos abordar ese desafío con más apremio del que hemos mostrado hasta ahora. La democracia está en juego… y también las vidas de muchas personas.

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