Políticos e partidos usam grupos discriminados para fins eleitorais?

O texto gira em torno do (mau) uso eleitoral das Discriminações por políticos e partidos.

As Discriminações enfocadas por nós são as que o discriminador pode ser criminalizado ou passível de criminalização:

O racista, o machista, o homofóbico, o antissemita, etc.

O advogado e militante político português João Lemos Esteves publicou em 29/10/2014:
PS: O Partido que é adversário da igualdade dos gays! – Sol

Em que aparece mais um obstáculo para o avanço do combate aos discriminadores, no caso em Portugal

Nosso maior interesse está na idéia que permeia as seguintes frases da matéria (integralmente copiada abaixo):

“É que o Partido Socialista não quer defender os direitos dos homossexuais – os socialistas pretendem, apenas, utilizar os homossexuais como arma de arremesso político.”
“…o que os socialistas fazem aos nossos concidadãos homossexuais: a utilizá-los como meios para os seus objectivos políticos.”
“…porquê tratar diferentemente os homossexuais? Só porque o PS acha que vai buscar alguns votos?).” 

Nos links abaixo já publicamos nossa opinião sobre algumas dificuldades para combater as Discriminações aqui no Brasil.

Não temos previsão de avançar no combate ao racismo
Debater o racismo, sem o racista, é muito complicado ou quase impossível.
A eleição, os eleitores, os políticos, os debates e as discriminações
A invisibilidade dos negros é indesejável. A dos racistas é paralisante.

Até agora não tínhamos abordado, aqui no blog, esta possibilidade aventada pelo professor João Lemos.
Você conhece político ou partido, em função legislativa ou executiva, na esfera municipal, estadual ou federal que utiliza um grupo discriminado para fins eleitorais?
E de que maneira percebeu ou observou esta ação?
Já viu alguma denúncia com esse conteúdo?
Pensa que esse tipo de ocorrência deve ser comentada/denunciada aqui no Brasil?

PS: O Partido que é adversário da Igualdade dos gays!
 
1.    Um grupo de Deputados socialistas propôs que o dia 17 de Maio se tornasse o Dia Nacional contra a Homofobia. Porquê este dia? Porque foi precisamente no dia 17 de Maio de 1990 que a Organização Mundial de Saúde retirou a homossexualidade da lista de doenças: até então, a homossexualidade era classificada como uma patologia mental/psiquiátrica.
2.    Pois bem, a Deputada Isabel Moreira – que muito estimamos e por quem temos uma elevadíssima consideração pessoal e intelectual – lá se lembrou de trazer novamente a homossexualidade para a agenda política. Note-se que não escrevemos “ Isabel Moreira voltou a trazer para a agenda política o tema da defesa dos direitos dos homossexuais”. Propositadamente. É que o Partido Socialista não quer defender os direitos dos homossexuais – os socialistas pretendem, apenas, utilizar os homossexuais como arma de arremesso político. 

3.    Para nós, qualquer forma de discriminação – quer seja fundada no sexo, na idade, na raça ou na orientação sexual – é um acto abjecto. Que nos repugna profundamente. Que nos revolta – como qualquer acto cobarde, a discriminação funda-se num sentimento de pretensa superioridade, apenas e só pelo facto de o indivíduo se integrar num grupo considerado como “padrão” num dado meio social. Como qualquer acto cobarde, a discriminação dos cidadãos homossexuais só deixa ficar mal quem a pratica. Urge, pois, lutar contra todas e qualquer forma de discriminação. Lutar contra a exclusão de qualquer cidadão da sociedade, contra a privação imposta a qualquer cidadão do exercício dos direitos que lhes são legal e constitucionalmente conferidos, contra a negação do direito de todos a nós, como ficou para a eternidade expresso na Declaração da Independência dessa enorme Nação Livre que é os Estados Unidos da América, de perseguir a felicidade pessoal – são imperativos categóricos dos defensores (como nós) intransigentes do Estado de Direito Democrático. 

4.    E como poderemos lutar contra a estigmatização dos cidadãos homossexuais? Através da prática, constante e diária, da tolerância, do respeito, de mostrar que não há diferenças na dignidade dos cidadãos. Todos os seres humanos são dotados da mesma dignidade. O PS não respeita o princípio da dignidade da pessoa humana! 

5.    O Partido Socialista faz precisamente o contrário. Ao propor a criação de um Dia Nacional contra a Homofobia, e ao fazer da sua criação um pretexto para a discussão e luta política, o Partido Socialista não trata os homossexuais como ser iguais, dotados da mesma dignidade, relativizando as diferenças entre seres humanos. Pelo contrário: os socialistas lembram que os cidadãos homossexuais são diferentes, são uma “categoria social” à parte, com limitações e restrições à sua capacidade jurídica e de autodeterminação. Consequência: os socialistas só perpetuam as diferenças e a estigmatização. O PS parece querer fazer subsistir (por muitos e longos anos) a ideia dos homossexuais como coitadinhos, como dotados de uma capitis diminutio, que merecem protecção especial. Porquê? 

6.    Por uma razão muito simples: a manutenção dos homossexuais como cidadãos a carecer de protecção é muito conveniente para o PS. Quando os socialistas não têm iniciativa política, quando não sabem o que propor quanto aos grandes temas que preocupam os portugueses – vai daí e recorrem ao cliché dos direitos dos homossexuais. É sempre o mesmo filme!

7.    Ora, esta postura dos socialistas viola o princípio da dignidade da pessoa humana: converte os cidadãos homossexuais em verdadeiras “marionetas”, instrumentos ou “muletas” das estratégias políticas do PS. O PS quer desviar as atenções do vazio programático de António Costa – e, para conseguir preservar o silêncio de Costa, os socialistas utilizam o “tema fracturante” (como os socialistas qualificam) dos homossexuais. Hoje é o Dia Nacional – amanhã, o que será? 

8.    Alguém deve recordar aos socialistas que todos os seres humanos são fins em si mesmos – não podem ser tratados como objectos, como meios para atingir certos fins. Não podemos ficar calados perante o que os socialistas fazem aos nossos concidadãos homossexuais: a utilizá-los como meios para os seus objectivos políticos. Triste. Muito triste. Lamentável. 

9.    Enfim, importa reter – e lembrar todos os dias – que os cidadãos homossexuais são indivíduos dotados de plena autonomia ética, que não precisam que certos partidos políticos interfiram a toda a hora na sua esfera privada. Que o Estado os considere como seres incapazes, que necessitam de protecção especial – a solução, para acabar com a discriminação, é precisamente a inversa. Os homossexuais são tão cidadãos como qualquer um de nós – há, pois, que deixá-los viver normalmente. Sem dias nacionais do homossexual (tanto quanto sabemos, não existe nenhum dia nacional do heterossexual: porquê tratar diferentemente os homossexuais? Só porque o PS acha que vai buscar alguns votos?). 

10.    Só mesmo um partido irresponsável, sem consciência social e humana como é o PS, é que propõe a criação de um Dia Nacional para defender os homossexuais – com a mesma leviandade com que se propõe o Dia nacional do gato ou o Dia Nacional da Árvore e da Floresta. Os homossexuais merecem mais – muito mais! – consideração. E respeito. 

Telmo Kiguel

Médico Psiquiatra

Psicoterapeuta

Mulheres e drogas: relações pessoais, sociais e tratamento.

Mulheres e Drogas. Confira as recomendações da ABEAD para o tratamento resolutivo 

 

Alessandra Diehl e Selene Barreto, Analice Gigliotti, José Mauro Braz, Luís Guilherme, Maria Ângela Madeira Ribeiro, Ana Cristina de Melo, Ana Carolina Schmidt, Thais Simões, Margarida Inocência Constâncio, Ana Cecilia Petta Roselli Marques

Os dois levantamentos nacionais recentes sobre Álcool e Drogas (I e II LENAD, 2006; 2013) mostraram que 29% e 39% das mulheres ingerem bebida alcoólica frequentemente no Brasil, respectivamente. O padrão de consumo em binge (quatro ou mais doses em um intervalo mínimo de duas horas, semanalmente ou mais), aumentou 36% entre as mulheres, especialmente entre as mais jovens, muito maior que aquele encontrado entre homens. Em relação ao tipo de bebida alcoólica mais consumida, a cerveja é a mais consumida pelos dois gêneros em todo o país. Porém, mulheres consomem mais vinho em relação aos homens, mais drogas lícitas, principalmente anfetamínicos e benzodiazepínicos, hoje um dos países que mais consome clonazepam no mundo (CARLINI et al., 2006; NAPPO et al., 1998; NOTTO et al., 2002; INCB, 2009).

Vulnerabilidades Físicas, Biológicas e Genéticas

Apesar das taxas de consumo de substâncias de abuso entre as mulheres se aproximarem cada vez mais dos homens, elas ainda bebem menos, mas adoecem mais cedo e de forma mais grave – o efeito telescópico (ZILBERMAN et al., 2003; LARANJEIRA et al., 2011; DAVIS, 1998). Algumas diferenças entre os gêneros podem ser relacionadas ao fenômeno, como o menor volume de água corporal, o aumento da razão corporal gordura/água, a menor quantidade da enzima álcool-desidrogenase, responsável pelo metabolismo do álcool no estômago, e a interface do álcool com os hormônios femininos (estrógenos e progesteronas), que aumenta o dano hepático (GIGLIOTTI et al., 2007; KANDALL,2010).

Os estudos genéticos sobre alcoolismo envolvendo gêmeos monozigóticos mostraram maior influência genética nos homens do que nas mulheres, com hereditariedade estimada em 11% para mulheres (TUCHMAN, 2010; Hesselbrock et al., 2013). Usuárias de drogas ilícitas são mais prováveis de apresentarem uma família mais disfuncional e falta de modelos parentais de identificação do que seus companheiros homens em tratamento (GUIMARAES et al., 2009).

Vulnerabilidades Psicológicas e Psiquiátricas

O início do uso entre mulheres tem sido associado a um mecanismo de enfrentamento da timidez, da ansiedade, de baixa autoestima (ZILBERMAN et al., 2003a). Meninas adolescentes estão sob a influência da mídia em relação ao álcool, tabaco e anorexígenos, que associam o consumo à beleza, riqueza e sucesso profissional (NAPPO et al., 2002; BRAILIANO et al., 2005).

Os transtornos psiquiátricos tendem a ser a morbidade primária e a dependência, a secundária, ao contrário dos homens (ELBREDER et al.,2008; KANDALL,2010; ZILBERMAN,TAVARES, BLUME, 2003). O consumo de álcool e drogas também se encontra mais associado à comorbidades psiquiátricas como os transtornos do humor (mania e depressão), de ansiedade (pânico, fobias e transtorno do estresse pós traumático) e transtorno de personalidade borderline, um preditor de pior desfecho nos tratamentos (ZILBERMAN et al., 2003b).

Vulnerabilidades Sociais e Culturais

Apesar das conquistas das mulheres em relação à sua emancipação, ainda sofrem com a desvantagem social devido a uma cultura ainda muito preconceituosa e discriminatória: “a mulher não pode se embriagar”. Falta de apoio do cônjuge para o início de um tratamento e o sistema de saúde carece de serviços especializados (BRAILIANO et al., 2006; OLIVEIRA et al., 2005; ALMEIDA et al., 2009; ROSA, 2008). Assim, buscam menos o tratamento, fazem segredo sobre ele, os estudos científicos são raros, e o medo em relação à perda de seu papel de mãe e esposa é frequente (ZILBERMAN et al., 2003a; ZILBERMAN et al., 2003b).

O I Levantamento Nacional do Consumo de Álcool na população Brasileira (I LENAD, 2006) mostrou que os homens consumiam álcool em 38,1% dos casos de violência entre parceiros íntimos (VPI) e as mulheres em 9,2%. Com relação à percepção de consumo de álcool pelo companheiro/a, o homem informou consumo de álcool pela parceira em 30,8% dos episódios de VPI, e a mulher informou que o seu parceiro ingeriu álcool em 44,6% desses episódios (ZALESKI, 2009).

A relação de gênero, violência doméstica e drogas é bem estreita (FONSECA, 2009; RABELLO et al., 2007). Cerca de 43.1% das mulheres brasileiras já sofreram violência doméstica, versus 12.3% dos homens (ALMEIDA et al., 2009). O uso de álcool tem relação com agressão/violência sexual dirigida a parceiros íntimos, cujos agressores homens que relataram níveis baixos de pleno estado de consciência durante o episódio. No caso das mulheres dependentes de álcool e outras drogas estudos mostram que muitas se relacionam com homens também usuários, aumentando o risco de conflitos e violência, podendo muitas vezes o próprio cônjuge ser o fornecedor da droga, ou utilizar a mulher como moeda de troca com traficantes ou ainda, os cônjuges e outros familiares muitas vezes não toleram a condição de dependência da mulher e as agridem (ALMEIDA et al.,2009; CAMPOS et al., 2010).

Pesquisas com profissionais do sexo revelam que um dos principais motivos do consumo de drogas é a emoção/situação negativa vivenciada na prática da profissão (BUNGAY et al., 2010; DEERING et al., 2011). No caso de usuárias que inicialmente não se prostituíam, a troca de sexo pela droga se tornou uma estratégia para obtenção da substância (SILVA, 2000). Verifica-se a expansão do consumo de crack entre profissionais do sexo justificado pelo fácil acesso e baixo custo da droga, pela aceitação da troca do sexo pela droga, e pela preferência de clientes usuários de substâncias (OLIVEIRA et al., 2007; NAPPO et al.,2011).

Vulnerabilidades durante a gestação

Qualquer consumo de droga durante a gestação, principalmente no primeiro trimestre, pode causar alguma alteração na formação do feto, provocando diferentes graus de lesões, abortos espontâneos ou mortalidade perinatal, pois tais substâncias atravessam todas as barreiras biológicas, como a placenta (vulnerabilidade fetal) (LIMA, 2008; LIMA, 2013).  O álcool e o tabaco são as drogas lícitas que mais estão associadas às malformações orgânicas, principalmente, as neurológicas (cerebrais), como por exemplo, a Síndrome Alcóolica Fetal (SAF). Segundo dados de estudos americanos e europeus, a incidência de SAF varia entre 2 e 10 casos por 1.000 (mil) nascimentos vivos (LIMA, 2013, LIMA, 2018). A situação no Brasil é preocupante, levando-se em conta que a cada ano surgem cerca de 3 milhões de mulheres grávidas no país, e que pelo aumento constante do número de consumidores de bebidas alcoólicas, e utilizando a incidência esperada, surgem no Brasil a cada ano, cerca de 30 mil casos de SAF (LIMA, 2008; LIMA, 2013).

Aspectos Relacionados à Sexualidade

Na sexualidade da mulher usuária de álcool e outras drogas há de se considerar ainda dois outros aspectos importantes: o aumento do número de parcerias sexuais sem proteção, e consequentemente, infecções pelo vírus HIV, gestação não desejada, principalmente entre adolescentes, trazendo um imenso ônus psicossocial tanto para meninos quanto para meninas (SANTORO & LOPES, 2013; NAPOLI et al., 2010; SANCHEZ et al., 2013). Gestantes usuárias de drogas têm prevalência de comportamentos de risco específico e o risco adicional de transmissão perinatal do HIV (NAPPO et al., 2011; NAPPO et al., 2001; BRASILIANO et al., 2006).

A prevalência de 34.2% sintomas de disfunção sexual em uma amostra nacional de mulheres com doença relacionada com a substância psicoativa foi comum e comparável a outros estudos relatados em todo o mundo, que relataram taxas de prevalência de sintomas de disfunção sexual feminina de 12-63%. (DIEHL et al., 2013). Apesar de que a disfunção sexual feminina foi investigada em grupos de mulheres com vários problemas de saúde (síndrome dos ovários policísticos, diabetes, HIV e câncer de mama), as mulheres com transtorno por uso de substâncias representam uma população única para fatores de vulnerabilidade e que continua a sofrer das baixas taxas de detecção e acesso limitado ao tratamento para questões relacionadas as disfunções sexuais (DIEHL et al., 2013). Com relação a orientação homoafetiva em mulheres cabe mencionar que várias pesquisas têm mostrado que lésbicas estão sob risco elevado para o beber nocivo ou perigoso, são menos prováveis de se manterem abstinentes do álcool e entrar em processo de recuperação comparada às mulheres heterossexuais, assim como, menos prováveis de diminuir o consumo de álcool quando envelhecem e mais propensas a apresentarem problemas relacionados ao consumo desta substância (DIEHL, 2010).

Tratamento

Levando em consideração as características específicas associadas às mulheres e sabendo que buscam menos ajuda para as questões relacionadas às drogas, espera-se que na elaboração de políticas preventivas e assistenciais se observe as seguintes recomendações (ASHLEY et al., 2003; GREENFILD et al., 2007; DIEHL et al., 2012; BRASILIANO et al., 2006; LIMA, 2013):

  1. Treinamento de equipes multidisciplinares de saúde e educação para abordagens específicas;
  1. Prevenção voltada às meninas na educação Infantil e Fundamental e na comunidade;
  1. A adoção de equipe feminina, pois facilita a identificação positiva (“female role models”);
  1. A realização da detecção precoce nos serviços de atenção primária à saúde, tanto nos programas de Ginecologia, como de Obstetrícia (pré-natal) e Psiquiatria;
  2. A Assistência deve incluir nos programas as necessidade das mulheres como os temas de economia doméstica, relacionamento familiar, entre outros, e preparar-se para o cuidado dos filhos;
  3. Incluir nos recursos ligados à assistência, o suporte jurídico e social;
  4. Não existe nenhuma terapêutica específica para a SAF, mas a criança afetada e sua família necessitam de: intervenção precoce e seguimento aprofundado no pré-natal, antes dos seis anos de idade; estabilização da família; orientação contínua para a manutenção de ambiente estável (sem interrupção do acompanhamento com mudanças de residência), a monitoração do abuso sexual e/ou violência física;

Referências

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Fonte: ABEAD – Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas

Podemos gastar menos em Saúde e melhorar a saúde da população?

Desigualdade, prioridades e política

Não Por Acaso. Existe uma lógica

No ano de 1981 participei na Universidade de Sussex, na Inglaterra , de um curso com o título “Saúde para Todos, Políticas e Planejamento”, juntamente com outros brasileiros e representantes de países africanos, todos ligados ao setor saúde. O enfoque do curso era o da importância da identificação de desigualdades sociais capazes de determinar diferentes situações de saúde em uma mesma região. Usam-se indicadores para auxiliar na identificação de problemas sociais e de saúde e sabe-se que esses problemas não se distribuem uniformemente por toda uma determinada população, mas que há regiões, onde os problemas são mais intensos que em outras e que existem grupos populacionais onde são mais graves ou ocorrem com maior frequência que em outros. Uma vez conhecidas essas populações socialmente deprimidas, elas devem ser consideradas prioritárias para o desenvolvimento das ações sociais pontuais, necessárias. A identificação das prioridades implicará reconhecer maior importância àquele fato do que a outros. Priorizar significa creditar maior importância a determinados problemas que a outros.

No retorno do curso procurei aplicar os conhecimentos lá adquiridos em companhia do José Guimarães, amigo e colega na Secretaria Estadual de Saúde do Rio Grande do Sul. O objetivo era o de determinar desigualdades na mortalidade infantil. Um mapa da cidade foi utilizado, (nem pensar em computadores ou geoprocessamento naqueles tempos), e manualmente, os óbitos de menores de um ano foram localizados, de acordo com o endereço dos pais, em áreas consideradas como favelas, ou não favelas.[1] Os resultados mostraram numericamente, o que de certa forma se esperava: uma incrível diferença entre a probabilidade de morrer sendo morador de uma favela, em comparação com outras áreas da cidade. Posteriormente, calculou-se o risco que isso implicava.[2] Nos próximos anos outros estudos, geralmente acadêmicos, inclusive mais aprofundados seriam realizados em diversas regiões do país. O nosso trabalho foi por muitos, considerado como pioneiro na identificação de desigualdades no setor saúde, no Brasil.

No entanto, mais importante que o diagnóstico é caracterizá-lo como prioridade política, pois para o desencadeamento das ações decorrentes da identificação dos problemas será necessária a destinação dos recursos financeiros. A prioridade tem de sair do discurso e significar aplicação de recursos. Durante anos vivi com a esperança que o Brasil pudesse determinar uma política de atuação sobre os grupos menos privilegiados. Destinar mais recursos a quem mais necessita. Pois, a partir de 2003 isso ocorreu. Os programas de inclusão social, como o Bolsa-Família (BF), ao beneficiarem as populações mais desfavorecidas, melhoraram as condições alimentares das famílias pobres, permitiram a permanência de seus filhos na escola, colocaram a moeda corrente em circulação, aumentando as vendas no comércio, gerando mais impostos e, indiretamente melhorando os indicadores sociais e de saúde. A grande maioria dessas pessoas vivia em áreas deprimidas, como aquelas que, lá na década de 1980 identifiquei como faveladas. Agora transformadas em prioridade. Além do que, o BF não é um simples programa de transferência de renda. Visa a estabelecer parcerias com órgãos e instituições municipais, estaduais e federais, governamentais e não-governamentais, para oferta de programas sociais complementares, com vistas a criar meios e condições de promover a emancipação das famílias beneficiárias.

Exemplo disso é a autonomia conquistada por quatro mil famílias que dependiam do BF, no Rio Grande do Sul[3]. E milhares de outras em todo o território nacional.

Poderia me alongar trazendo outros exemplos de políticas sociais e educacionais prioritárias como o Pronatec, o Prouni e o “ Mais Médicos”. Comento algo sobre esse último: motivou-nos a criar esse site, em sua defesa, pois entendemos que a presença de médicos nos locais mais afastados, onde, na maioria dos casos, a população a eles não tinha acesso, caracteriza uma política de saúde que vai ao encontro das reais necessidades de atenção à saúde.

Sendo assim, fico surpreso com o levantamento de críticas e contrariedades a tais iniciativas. Ao notar que a população apoia essas medidas, um candidato, antes crítico do “Bolsa-Família”, agora reivindica como sendo do governo de seu partido a autoria do Programa.

Muitos anos foram necessários para que os diagnósticos de problemas sociais e de saúde das populações mais pobres contribuíssem para decisão política de transformá-los em prioridades. Hoje são realidade. Não por acaso.

[1] http://bases.bireme.br/cgi-bin/wxislind.exe/iah/online/?IsisScript=iah/iah.xis&src=google&base=LILACS&lang=p&nextAction=lnk&exprSearch=35513&indexSearch=ID

[2]http://www.revistas.usp.br/rsp/article/viewFile/23353/25382

[3] http://www.sul21.com.br/jornal/quatro-mil-familias-conquistam-autonomia-e-abrem-mao-do-bolsa-familia-e-rs-mais-igual/


Airton Fischmann
Médico especialista e mestre em Saúde Pública pela USP.
Ex consultor da Organização Panamericana de Saúde.
Médico aposentado da Secretaria da Saúde do Rio Grande do Sul

Reproduzido do blog Imagem Política

A invisibilidade dos negros é indesejável. A dos racistas é paralisante.

Prezado professor Douglas Belchior

Sou seu leitor e temos objetivos em comum: o enfrentamento das Condutas Discriminatórias (CD). (1)

No seu blog está clara a preocupação, também, com o machismo e a homofobia.

No seu texto “Para os presidenciáveis, os negros não existem” encontrei muitos trechos fundamentais para um bom debate. (2)

http://negrobelchior.cartacapital.com.br/2014/10/03/4026/

Bom debate é o que ocorre entre os que estão ativamente empenhados em enfrentar os discriminadores.

Inicio com sua muito procedente preocupação com a invisibilidade do negro. (3)

Na condição de médico psiquiatra tenho um enfoque complementar ao seu.
Diante de um agente causador de sofrimento humano temos a obrigação de descobrir/definir o mesmo.

Lá no nosso blog (1) enfatizamos como o discriminador é mantido, confortavelmente, invisível. (3)

E o desinteresse em definir, deixar a descoberto, o racista torna quase impossivel prevenir a sua ação. (4)

É por isso, no nosso entendimento, que as “declarações racistas proliferam” porque o seu agente não é reconhecido.

Mas,de qualquer maneira, o que fazer para o negro deixar de ser invisível?

Propugnamos que lute para que a ciência defina o seu inimigo: o racista invisível. (5)

Durante este movimento, que seria um avanço no combate ao racismo, o negro e o racista se tornarão visíveis.

Vejamos o trecho em que você aborda indiretamente a questão acima onde o negro ficou visível:

“Pergunto aos mais velhos: qual foi a última vez ou o último período em que o debate sobre racismo foi tão presente e evidente no Brasil? Talvez no auge do debate sobre cotas raciais há uns 10 anos? No centenário da abolição, em 1988? Na transição do trabalho escravo para o trabalho livre no final do século 19?”

Daí decorre a ideia que há dois tipos de debate/divulgação na imprensa.

Ao primeiro podemos chamar de ocorrência conservadora.

Quando o negro é vítima de algum tipo de CD do tipo “racismo no futebol”. (6)

Segue-se uma revolta, a repercussão na imprensa, a tentativa de indiciamento, etc…

E o segundo tipo é o desejado e descrito nos exemplos da sua frase acima.

O racista só pode ser enfrentado, pelo negro e por suas lideranças, porque foi reconhecido.

Esta é uma ocorrência progressista por enfrentar a estrutura construída pelos racistas.

E o que tenho proposto não é nenhum enfrentamento físico ou parlamentar.

A proposta é que, assim como propuseram à Ciência Jurídica que criminalizasse a CD.

Sugiro que proponham tornar visível o discriminador antes dele agir de forma criminosa. (4)

Reivindicando que a Medicina e a Psicologia definam a CD.

Sabemos que o discriminador age e causa sofrimento mesmo antes de ser definido como criminoso.

E para terminar, a sua referência ao “racismo estrutural e institucionalizado”.

Quem estrutura e institucionaliza o racismo?

São pessoas, racistas que agem livremente por não serem conhecidas, definidas, caracterizadas como tal.

Creio que enfrentar o racista, definido, é um bom caminho para enfrentar a questão racial no Brasil.

Textos correlatos:

A eleição, os eleitores, os políticos, os debates e as discriminações

Debater o racismo, sem o racista, é muito complicado ou quase impossível.

Educação e criminalização não previnem discriminação

Progressos na inibição da Conduta Discriminatória

Conduta Discriminatória: tentativa de conceituação motiva correspondência entre psiquiatras.

O antissemita seria um doente? E o racista?

Racista: uma definição que compete à Saúde Mental

Síndrome do Distúrbio Racial: seria um bom diagnóstico para o racista brasileiro? E para o antissemita?

Violência e racismo no futebol

Telmo Kiguel

Médico psiquiatra

Psicoterapeuta

A eleição, os eleitores, os políticos, os debates e as discriminações

Não lembro de uma eleição em que as discriminações mais conhecidas fossem tão usadas como argumento.
Sabemos que na vigência de enfrentamentos/disputas, o seu uso, como ataque ou defesa, é mais freqüente.
Como temos visto ocorrer também no futebol, aqui e no exterior.
“Discriminação na política, na imprensa, no judiciário e na medicina”.
Foi o título do evento que organizamos em 2010 no auditório da AMRIGS.
Veja em: http://jcrs.uol.com.br/site/noticia.php?codn=30197
Já na naquela época detectávamos pequenos sinais do que hoje cresceu muito.
A nossa percepção é que as discriminações estão invadindo, e muito, o espaço público e político.
Como consequência a dedicação da imprensa ao tema também aumentou.
Já publicamos, em 18/07, que não temos previsão de avançar no combate às discriminações.
As eleições, os debates e a repercussão na imprensa, ao que parece, confirma isso.
Depois de ler todas as notícias abaixo, agrupadas por categorias, repito:
Educação e criminalização não previnem a discriminação.
Em medicina quando um sofrimento humano não melhora/diminui temos que repensar a nossa conduta.
Vejamos como exemplo três frases do texto publicado por Erick Andrade em:
http://juntos.org.br/2014/10/ser-lgbtt-ser-lgbttfobico-nao/
“Fico imaginando quantos mais serão necessários para que o Brasil reaja…”
“…grandes canais de mídia, que preferem se omitir…”
“Sigamos na luta por direitos. Sem retrocessos e sem omissão!”

Todas verdadeiras e importantes mas, infelizmente, não estão funcionando.
Penso que os Grupos Discriminados (GD) não podem, na situação atual, esperar pelo Brasil…
Pelas profissões citadas no título do nosso evento, descrito acima, não se pode esperar muito deles nesta questão.
Talvez o melhor seja os GD mudarem suas estratégias de prevenção/enfrentamento dos discriminadores.

Homofobia:
http://blogay.blogfolha.uol.com.br/2014/09/30/levy-fidelix-a-liberdade-de-expressao-e-o-discurso-de-odio/
http://www.onortao.com.br/noticias/vivemos-estigma-diz-wyllys-sobre-baixa-votacao-de-lgbts,25160.php
http://politica.estadao.com.br/noticias/eleicoes,debate-de-candidatos-no-rio-tem-bate-boca-entre-crivella-e-malafaia,1573530
http://brasil.elpais.com/brasil/2014/10/07/politica/1412684374_628594.html
http://extra.globo.com/noticias/brasil/eleicoes-2014/deputado-eleito-racista-do-ano-o-mais-votado-no-rio-grande-do-sul-14158727.html
http://www.dw.de/elei%C3%A7%C3%A3o-deixa-congresso-mais-conservador/a-17981539

Xenofobia em relação aos nordestinos:
https://www.brasil247.com/pt/247/midiatech/156204/Blog-da-Cidadania-entrevista-de-FHC-estimulou-ataques-a-nordestinos.htm
http://www.valor.com.br/politica/3728162/navegacao-no-preconceito
http://ultimosegundo.ig.com.br/politica/2014-10-08/medica-de-grupo-anti-pt-minimiza-holocausto-a-nordestinos-e-revolucao-do-agir.html

Racismo:
http://www.cartacapital.com.br/politica/brancos-serao-quase-80-da-camara-dos-deputados-3603.html
http://extra.globo.com/noticias/brasil/eleicoes-2014/deputado-eleito-racista-do-ano-o-mais-votado-no-rio-grande-do-sul-14158727.html
http://www.dw.de/elei%C3%A7%C3%A3o-deixa-congresso-mais-conservador/a-17981539

Antissemitismo
http://www.cartamaior.com.br/?/Editoria/Politica/O-discurso-do-medo-versao-etnica/4/31944

Telmo Kiguel
Médico psiquiatra
Psicoterapêuta

Debater o racismo, sem o racista, é muito complicado ou quase impossível.

Hoje vamos debater a matéria publicada por Danilo Santos:
“O papel da mídia na difusão do racismo e o silêncio acadêmico”.
Em http://camanducaiahistory.blogspot.com.br/2014/09/o-papel-da-midia-na-difusao-do-racismo.html
Em primeiro lugar quero cumprimentar o autor e todos que reproduziram a matéria.
Alai Online, Geledés e muitos outros.
Na minha opinião ela contem alguns elementos para um bom debate.
Exatamente por explicitar o desejo e as dificuldades para debater a discriminação racial.
A invisibilidade do discriminador, no caso o racista, é um aspecto decisivo para a dificuldade.
Podemos dizer, simplificando, que a questão das discriminações seria um tipo enfrentamento.
O discriminador ataca o discriminado através da Conduta Discriminatória (CD).
E consequentemente o discriminado passa a ter um sofrimento mental e/ou fisico.
Constatamos que o discriminado, até agora, reagiu a este ataque criando duas instâncias de defesa.
Organizou-se em grupos ao qual se juntaram seus simpatizantes:
Organizações governamentais e Organizações não governamentais.
E conseguiu, através de pressão social e política, que o direito criminalizasse algumas CD.
Como em qualquer enfrentamento é necessário conhecer o oponente.
Sem essa premissa, o debate é praticamente impossivel.
E também só o (re)conhecendo, ele poderá ser enfrentado, neutralizado, denunciado.
Mas até agora não se tem um perfil/definição de quem é o discriminador.
Antes de agir (CD) de forma criminosa ele consegue se manter invisivel.
Não é conhecido pela sociedade e pode ter uma aparência de uma pessoa insuspeita.
Mas já é um discriminador.
E enquanto ele não for conhecido/definido pelo meio acadêmico não teremos um debate razoável, sério.
E não poderemos prevenir as ações dos discriminadores.
Como agir contra um agente de sofrimento humano que se mantém invisível?
A CD e o conseqüente sofrimento mental e/ou físico do discriminado é uma questão de Saúde Pública/Mental.
E prevenção faz parte do enfrentamento a qualquer agente causador de sofrimento humano.
Creio que a discussão do tema seria melhor se todas as mídias interessadas introduzissem uma nova pauta.
Pressionar o meio acadêmico, as ciências médicas, psicológicas, psicanalíticas, etc., para definir o discriminador.
Para que elas se apropriassem do estudo das Condutas Discriminatórias como a Ciência Jurídica já o fez.
E todas mídias inclui as ligadas aos grupos discriminados: numerosas, combativas e bem organizadas.
Agindo assim ainda enfrentariam a falácia do “coitadismo exacerbado”.
Nada melhor, para isso, do que uma atitude pró-ativa contra o discriminador.

Telmo Kiguel
Médico Psiquiatra
Psicoterapeuta

Educação e criminalização não previnem discriminação.

Para nós que pensamos no discriminador como agente causador de sofrimento psíquico e/ou físico não podemos deixar
de insistir que o fato de alguem ou um grupo ter uma educacão formal não irá impedi-la de ter uma Conduta Discriminatória. Portanto de agir como um machista, um racista, um homofóbico, etc.
Leiam mais este exemplo:
“Um grupo de estudantes da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) foi flagrado tendo uma atitude, ao menos, machista ao minimizar o estupro e ao não tratá-lo como crime. Em um bar na Savassi, na região Centro-Sul de Belo Horizonte, na noite desse sábado (20), a turma cantava “não é estupro, é sexo surpresa”, dentre outras frases sexistas”.
Leia mais em:
http://www.otempo.com.br/cidades/estudantes-da-ufmg-fazem-apologia-ao-estupro-e-geram-revolta-em-bh-1.919877

E como vemos no texto abaixo, não basta todo aparato policial e jurídico para prevenir a ação do discriminador. Apesar de todas providencias legais, os números das ocorrências só comprovam que as ações dos discriminadores não são inibidas pela criminalização:
“Vejam se não é premiar o agressor a situação revelada pelos dados a seguir; somente em 2012, foram registrados 197 feminicídios, 9.716 lesões corporais, 24.500 ameaças e 1.492 estupros apenas aqui no Ceará. Infelizmente, o resultado dessas agressões foram 7.781 boletins de ocorrência registrados, onde apenas 2.019 resultaram em inquéritos policiais, 2.435 medidas protetivas, e pasmem, apenas 348 prisões”.
Leia mais em:
http://anaeufrazio.blogspot.com.br/

Textos correlatos:
Machismo na Harvard e USP: a diferença do enfrentamento
Juízas julgam diferente de juízes em caso de abuso sexual?
Meios acadêmicos indiferentes a violência de gênero
Saúde mental dos políticos e juizes em avaliação
O que não quer mulher na política prova que educação não previne discriminação
O machismo e a medicina

Telmo Kiguel
Médico psiquiatra
Psicoterapeuta

Síndrome do Distúrbio Racial: seria um bom diagnóstico para o racista brasileiro? E para o antissemita?

A publicação de hoje consta de duas partes.

Inicialmente trechos do resumo do livro Americanah, reproduzido do blog da Editora Companhia das Letras.

E logo após nossos comentários sobre alguns conteúdos mencionados por Ifemelu, personagem do livro.

chimamanda-ngozi-adichieIfemelu é uma blogueira aclamada nos Estados Unidos e protagonista de Americanah, novo romance de Chimamanda Ngozi Adichie. Nos anos 1990, em busca de alternativas às universidades nacionais, paralisadas por sucessivas greves, a jovem Ifemelu muda-se para os Estados Unidos, deixando para trás sua família e Obinze, seu primeiro namorado. Ao mesmo tempo em que se destaca no meio acadêmico, ela se depara pela primeira vez com a questão racial e com as agruras da vida de imigrante, mulher e negra. O sucesso que obteve quinze anos depois, contudo, não atenuou o apego à sua terra natal, tampouco anulou sua ligação com Obinze. Quando ela volta para a Nigéria, terá de encontrar seu lugar num país muito diferente do que deixou e na vida de seu companheiro de adolescência.

Americanah foi o romance vencedor do National Book Critics Circle Award e eleito um dos 10 melhores livros do ano pela New York Times Book Review.

Por Ifemelu

Raceteenth ou Observações diversas sobre negros americanos (antigamente conhecidos como crioulos) feitas por uma negra não americana.

6. Ofertas de emprego nos Estados Unidos — a principal maneira nacional de decidir “quem é racista”

Nos Estados Unidos, o racismo existe, mas os racistas desapareceram. Os racistas pertencem ao passado. Os racistas são os brancos malvados de lábios finos que aparecem nos filmes sobre a era dos direitos civis. Esta é a questão: a maneira como o racismo se manifesta mudou, mas a linguagem, não. Então, se você nunca linchou ninguém, não pode ser chamado de racista. Se não for um monstro sugador de sangue, não pode ser chamado de racista. Alguém tem de poder dizer que racistas não são monstros. São pessoas com família que o amam, pessoas normais que pagam impostos.

Alguém tem de ter a função de decidir quem é racista e quem não é. Ou talvez esteja na hora de esquecer a palavra “racista”. Encontrar uma nova. Como Síndrome do Distúrbio Racial. E podemos ter categorias diferentes para quem sofre dessa síndrome: leve, mediana e aguda.

7.
Querido Americano Não Negro, caso um Americano Negro estiver te falando sobre a experiência de ser negro, por favor, não se anime e dê exemplos de sua própria vida. Não diga: “É igualzinho a quando eu…”. Você já sofreu. Todos no mundo já sofreram. Mas você não sofreu especificamente por ser um Negro Americano. Não se apresse em encontrar explicações alternativas para o que aconteceu. Não diga: “Ah, na verdade não é uma questão de raça, mas de classe. Ah, não é uma questão de raça, mas de gênero. Ah, não é uma questão de raça, é o bicho-papão”. Entenda, os Negros Americanos na verdade não querem que seja uma questão de raça. Para eles, seria melhor se merdas racistas não acontecessem. Portanto, quando dizem que algo é uma questão de raça, talvez seja porque é mesmo, não? Não diga: “Eu não vejo cor”, porque, se você não vê cor, tem de ir ao médico, e isso significa que, quando um homem negro aparece na televisão e eles dizem que ele é suspeito de um crime, você só vê uma figura desfocada,meio roxa, meio cinza e meio cremosa. Não diga: “Estamos cansados de falar sobre raça” ou “A única raça é a raça humana”. Os Negros Americanos também estão cansados de falar sobre raça. Eles prefeririam não ter de fazer isso. Mas merdas continuam acontecendo. Não inicie sua reação com a frase “Um dos meus melhores amigos é negro”, porque isso não faz diferença, ninguém liga para isso, e você pode ter um melhor amigo negro e ainda fazer merda racista. Além do mais provavelmente não é verdade, não a parte de você ter um amigo negro, mas a de ele ser um de seus “melhores” amigos. Não diga que seu avô era mexicano e que por isso você não pode ser racista (por favor, clique aqui para ler sobre o fato de que Não há uma Liga Unida dos Oprimidos). Não mencione o sofrimento de seus bisavós irlandeses. É claro que eles aturaram muita merda de quem já estava estabelecido nos Estados Unidos. Assim como os italianos. Assim como as pessoas do Leste Europeu. Mas havia uma hierarquia. Há cem anos, as etnias brancas odiavam ser odiadas, mas era meio que tolerável, porque pelo menos os negros estavam abaixo deles. Não diga que seu avô era um servo na Rússia na época da escravidão, porque o que importa é que você é americano agora e ser americano significa que você leva tudo de bom e de ruim. Os bens dos Estados Unidos e suas dívidas, sendo que o tratamento dado aos negros é uma dívida imensa. Não diga que é a mesma coisa que o antissemitismo. Não é. No ódio aos judeus, também há a possibilidade da inveja — eles são tão espertos, esses judeus, eles controlam tudo, esses judeus —, e nós temos de admitir que certo respeito, ainda que de má vontade, acompanha essa inveja. No ódio aos Negros Americanos, não há inveja— eles são tão preguiçosos, esses negros, são tão burros, esses negros.

Não diga: “Ah, o racismo acabou, a escravidão aconteceu há tanto tempo”. Nós estamos falando de problemas dos anos 1960, não de 1860. Se você conhecer um negro idoso do Alabama, ele provavelmente se lembra da época em que tinha de sair da calçada porque um branco estava passando. Outro dia, comprei um vestido de um brechó no eBay que é da década de sessenta. Ele estava em perfeito estado e eu o uso bastante. Quando a dona original usava, os negros americanos não podiam votar por serem negros. (E talvez a dona original fosse uma daquelas mulheres que se vê nas famosas fotos em tom sépia que ficavam do lado de fora das escolas em hordas, gritando “Macaco!” para as crianças negras pequenas porque não queriam que elas fossem à escola com seus filhos brancos. Onde estão essas mulheres agora? Será que elas dormem bem? Será que pensam sobre quando gritaram “Macaco”?) Finalmente, não use aquele tom de Vamos Ser Justos e diga: “Mas os negros são racistas também”. Porque é claro que todos nós temos preconceitos (não suporto nem alguns dos meus parentes de sangue, uma gente ávida e egoísta), mas o racismo tem a ver com o poder de um grupo de pessoas e, nos Estados Unidos, são os brancos que têm esse poder. Como? Bem, os brancos não são tratados como merda nos bairros afro-americanos de classe alta, não veem os bancos lhes recusarem empréstimos ou hipotecas precisamente por serem brancos, os júris negros não dão penas mais longas para criminosos brancos do que para os negros que cometeram o mesmo crime, os policiais negros não param os brancos apenas por estarem dirigindo um carro, as empresas negras não escolhem não contratar alguém porque seu nome soa como de uma pessoa branca, os professores negros não dizem às crianças brancas que elas não são inteligentes o suficiente para serem médicas, os políticos negros não tentam fazer alguns truques para reduzir o poder de veto dos brancos através da manipulação dos distritos eleitorais e as agências publicitárias não dizem que não podem usar modelos brancas para anunciar produtos glamorosos porque elas não são consideradas “aspiracionais” pelo “mainstream”.

Então, depois dessa lista do que não fazer, o que se deve fazer? Não tenho certeza. Tente escutar, talvez. Ouça o que está sendo dito. E lembre-se de que não é uma acusação pessoal. Os Negros Americanos não estão dizendo que a culpa é sua. Só estão dizendo como é. Se você não entende, faça perguntas. Se tem vergonha de fazer perguntas, diga que tem vergonha de fazer perguntas e faça assim mesmo. É fácil perceber quando uma pergunta está sendo feita de coração. Depois, escute mais um pouco. Às vezes, as pessoas só querem ser ouvidas. Um brinde às possibilidades de amizade, de elos e de compreensão.

O texto de hoje poderá ser melhor entendido acessando outras publicações abaixo.

Motivação para essa publicação:

“Ifemelu” postou em seu blog idéias semelhantes às já postadas por nós.

Textos correlatos:

1 – Propôs uma definição psiquiatrica para o racista: Síndrome do Distúrbio Racial.

Condutas discriminatórias precisam de diagnóstico compatível com o crime, defende psiquiatra

Conduta Discriminatória: tentativa de conceituação motiva correspondência entre psiquiatras.

O antissemita seria um doente? E o racista?

É possível o diálogo entre discriminado e discriminador?

De onde partirá a iniciativa de prevenir a Conduta Discriminatória Racista
Eis um discriminador racista e antissemita. Reconhecendo é possível prevenir.

2 – Enfatizou a invisibilidade do racista: “os racistas desapareceram”.

Violência e racismo no futebol

Protegendo o discriminador

Proteja o discriminador e modifique o discriminado

Debater o racismo, sem o racista, é muito complicado ou quase impossível.

A invisibilidade dos negros é indesejável. A dos racistas é paralisante.

3 – Lembrou que a conduta do antissemita pode vir acompanhada de inveja.

O antissemita seria um doente? E o racista?

O antissemita, o racista, o machista e a inveja

4 – “Mas os negros são racistas também”. Porque é claro que todos nós temos preconceitos”…

Uma contribuição exploratória psicodinâmica para o estudo da etiopatogenia da Conduta Discriminatória.

Conduta Discriminatória: tentativa de conceituação motiva correspondência entre psiquiatras.

Discriminados também discriminam 

O Feminismo, seus mitos e as mulheres machistas

5 – “Os Negros Americanos não estão dizendo que a culpa é sua”.

Progressos na inibição da Conduta Discriminatória

Projeto Discriminação – APRS

Agora uma possível discordância: diz respeito à conduta discriminatória racista que, segundo a personagem do livro, não viria acompanhada de inveja. Ela se refere aos Estados Unidos. Na nossa idéia, e o que temos acompanhado a respeito do racismo no futebol, os discriminados, também poderiam ser atacados por inveja: da sua fama (visibilidade) e de situação financeira invejável.

Esperamos que este livro estimule, aos brasileiro interessados em diminuir o sofrimento dos grupos discriminados, a procurar outras alternativas para prevenção das Condutas Discriminatórias além da educação e criminalização.

Telmo Kiguel
Médico psiquiatra
Psicoterapeuta

Convertendo gente sadia em enferma e cronificando doenças ao invés de curá-las

Para o médico venezuelano Oscar Feo, a indústria que produz sementes transgênicas e agrotóxicos é a mesma que está produzindo medicamentos
Para o médico venezuelano Oscar Feo, a indústria que produz sementes transgênicas e agrotóxicos é a mesma que está produzindo medicamentos

“Os interesses da saúde são substituídos pelos do mercado”

Maíra Mathias e André Antunes.

Da EPSJV/Fiocruz

Expoente do pensamento da Medicina Social latino-americana, o médico venezuelano Oscar Feo visitou a Escola Politécnica no dia em que a instituição completou 29 anos. Coordenador nacional da Universidade de Ciências da Saúde da Aliança Bolivariana para os Povos da Nossa América (Alba), Feo tem um profundo conhecimento da dinâmica da cooperação internacional em saúde e alerta que o interesse privado tem tido participação crescente na elaboração das políticas de saúde em nível global.

Nessa entrevista, ele explica o que entende por Complexo Industrial Médico e Financeiro da Saúde, fala sobre o lobby em torno da construção da proposta de Cobertura Universal em Saúde recentemente criticada pelo Centro Brasileiro de Estudos de Saúde (Cebes) em manifesto publicado em seu site.

Feo defende que é necessário resgatar a potência do pensamento contra-hegemônico da Medicina Social e adotar um novo modelo de desenvolvimento.

EPSJV/Fiocruz – Eu gostaria que o senhor falasse um pouco sobre a influência do que chama de Complexo Industrial Médico e Financeiro sobre as políticas de saúde globais.

Oscar Feo – Entender o que acontece hoje no cenário das políticas internacionais da saúde implica compreender que a saúde passou a ser um espaço fundamental da economia. Hoje, a saúde é o local onde se jogam os interesses do lucro e da acumulação de um setor fundamental da economia mundial que é a indústria farmacêutica e a indústria técnico-médica. Trata-se da segunda indústria que mais lucra no mundo e isso faz com que as políticas de saúde sejam influenciadas pelos interesses do que estamos chamando na América Latina de Complexo Médico-Industrial e Financeiro da Saúde, conformado pelas grandes corporações privadas. Essas empresas não têm como interesse a saúde da população e, sim, a acumulação de capital e realização do lucro. O melhor exemplo disso é a criação da proposta de Cobertura Universal da Saúde.

Em sua conferência, o senhor resgatou o histórico de construção da proposta de Cobertura Universal em Saúde, que está sendo assumida pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Essa proposta foi construída com uma participação importante de fundações filantrópicas privadas como a Fundação Rockefeller e organismos financeiros internacionais, como o Banco Mundial. Baseado na sua visão sobre o papel da saúde na economia hoje, o que faz com que essas organizações se articulem em torno desse tema agora?

A proposta de cobertura universal é funcional ao mercado e ao capital. Ela foi assumida pela OMS [Organização Mundial da Saúde] e Opas [Organização Pan-Americana da Saúde] depois de ser desenhada nos grandes centros financeiros internacionais. A Fundação Rockefeller tem uma longa história na saúde e temos que relembrá-la. A Fundação Rockefeller é o braço filantrópico da ExxonMobil, indústria petrolífera fundada por John Rockefeller. Ela é o instrumento filantrópico para concretizar os interesses econômicos da Exxon. Em 1978, em uma cidade da extinta União Soviética [Alma-Ata, no Cazaquistão], se realizou uma reunião que postulou a ‘Atenção Primária em Saúde para todos no ano 2000’. Que fez a Fundação Rockefeller? No ano seguinte, reuniu um grupo de especialistas em seu centro de formação em Bellagio, na Itália, e converteu a Atenção Primária, que era uma concepção integral da saúde, em uma APS seletiva, voltada para a prestação de um pequeno pacote de serviços para os pobres, como imunização, orientação à amamentação, etc. É isso o que querem fazer com a cobertura universal. E ainda por cima nos roubam a palavra universal. O mesmo poderíamos dizer da Fundação Bill e Melinda Gates ou do Banco Mundial: são instrumentos do grande capital. São essas organizações – que constroem a proposta da Cobertura Universal em Saúde para propiciar o asseguramento privado como instrumento fundamental de lucro desse complexo industrial e financeiro. Não sei bem se em português acontece o mesmo, mas em espanhol cobertura é uma palavra que diz respeito à quantidade de serviços cobertos, profundamente vinculada à indústria seguradora. Nós dizemos que esse foi um ato falho. Nós da Venezuela e do Brasil nos opomos à proposta da cobertura universal da saúde e defendemos o acesso universal através de sistemas de saúde públicos e universais.

O senhor relembrou Alma-Ata, uma conferência da Organização Mundial da Saúde. Este ano, na 67ª Assembleia Mundial da Saúde da OMS, vemos o lançamento de um documento que monitora o progresso da adoção global da Cobertura Universal em Saúde assinado conjuntamente pela OMS e pelo Banco Mundial. Existe um rebaixamento do papel dos organismos internacionais hoje?

Os organismos internacionais são um grande espaço de confronto hoje. Neles se dão as mesmas contradições que vemos no conjunto das sociedades, pois os organismos também foram penetrados pelos interesses do capital e do mercado. O Parlamento Europeu move um processo contra a OMS em razão de a Organização ter mudado os critérios de declaração de uma pandemia mundial a partir da [Gripe A] H1N1. São exemplos concretos de como muitas vezes os interesses da saúde são substituídos pelos do mercado. A publicação no ano 2000 de um documento da OMS que classifica os sistemas de saúde e coloca o Brasil em um dos últimos lugares, enquanto que eleva a Colômbia – onde a saúde é totalmente privada – é um claro sinal de como o mercado está penetrando nos organismos de saúde. Essa é uma briga que temos que comprar. Os organismos internacionais são formados pelos Estados nacionais, então devem seguir as políticas que esses países defendem, e não as políticas advogadas pela Fundação Rockefeller ou pelo Banco Mundial. Agora mesmo, na reunião do Conselho Diretivo da Opas, marcada para o final de setembro, vai haver uma discussão sobre Cobertura Universal onde países como Brasil, Equador e Venezuela contestarão essa proposta e defenderão os sistemas universais de saúde. Os organismos internacionais seguirão sendo cooptados pelos interesses do capital e do mercado na medida em que nós não sejamos capazes de defender com força – e ganhar – nossas posições.

Agora e na conferência o senhor cita a questão da H1N1 e a pressão para que a OMS a reconhecesse como pandemia para alavancar a venda de medicamentos que ficaram encalhados, sem uso. Neste caso mais uma vez os Estados nacionais se viram enfraquecidos frente ao lobby da indústria farmacêutica. Como o senhor vê essa indistinção entre interesses de mercado e de Estado?

Há muitas epidemias que são vistas pelo mercado como oportunidades para a comercialização de seus produtos. É ai que temos que ter cuidado, porque se surge uma epidemia, os interesses do Complexo Médico Industrial podem fazer como terminemos fazendo para a epidemia de H1N1 comprando medicamentos e vacinas que depois nunca utilizamos. Os governos terminam se transformando em instrumentos para satisfazer as necessidades de lucro da indústria. E, para isso, é preciso ter ciência e conhecimento independentes. Implica que não podemos permitir que a indústria farmacêutica siga determinando o que deve ser investigado. Nesse sentido, países como o Brasil, que tem um desenvolvimento científico e técnico avançado, têm um papel importantíssimo. Nós precisamos construir em nossos países soberania sanitária. E isso se faz com investigação, com inovação tecnológica convertida em instrumento que vise à saúde das pessoas e não o lucro do mercado. Lamentavelmente há muitas denúncias sobre isso. Hoje a indústria farmacêutica está pouco interessada em curar as enfermidades, ela quer clientes. E, para isso, está promovendo políticas para mudar os padrões de diagnóstico de algumas doenças ou mesmo inventando doenças que não existem. Isso permite com que convertam gente sadia em gente enferma ou pré-enferma, angariando mais clientes. É uma indústria interessada em cronificar as doenças ao invés de curá-las, garantindo consumo permanente de seus medicamentos.

Atualmente assistimos ao quadro lamentável da epidemia de Ebola nos países africanos e alguns analistas argumentam que essa epidemia foi potencializada, de um lado, pela adoção de um modelo de desenvolvimento baseado na expansão da agroindústria exportadora, que, ao desmatar a savana, contribuiu para que os animais silvestres que transmitem o vírus se aproximassem das populações humanas; por outro, pela falta de interesse da indústria farmacêutica em pesquisar sobre uma doença que atinge principalmente populações empobrecidas. Hoje há, inclusive, indústrias que atuam tanto no fomento ao modelo agroexportador, produzindo agrotóxicos e fertilizantes, quanto na produção de medicamentos, caso da Bayer. O que essas ‘ligações perigosas’ nos dizem sobre o mundo hoje?

Essa é uma clara demonstração da integração de interesses. Hoje já não é mais é possível diferenciar os interesses do capital financeiro daqueles interesses do capital industrial, ou dos interesses dos donos dos meios de comunicação, por exemplo. A General Electric é dona da NBC [emissora de rádio e TV baseada nos Estados Unidos], a Westinghouse por sua vez, é dona da CBS [idem]. A indústria que produz sementes transgênicas e agrotóxicos é a mesma que está produzindo medicamentos. E, em muitos casos, o dono da indústria farmacêutica é o mesmo dono dos meios de comunicação que alertam sobre possíveis enfermidades criando na população matrizes de opinião, às vezes simplesmente difundindo o pânico nas pessoas que prontamente pressionam seus governos a comprar coisas desnecessárias. O atual modelo de desenvolvimento capitalista propala o extrativismo intensivo, que deteriora profundamente o meio ambiente, o agronegócio, que também deteriora o ambiente e tem um impacto totalmente nocivo sobre a saúde e a vida. Há locais em nosso continente em que o aumento da incidência de câncer está diretamente vinculado a esse modelo agroexportador intensivo. Há alguns anos na América Central, ocorreu uma epidemia de insuficiência renal crônica terminal, vinculada fundamentalmente às condições de trabalho nos plantios da cana-de-açúcar para a produção intensiva de etanol ou açúcar. Há vinculação direta entre o modelo de produção que busca a extração máxima do lucro e a deterioração do ambiente e da vida. Hoje estamos diante de um nível de deterioração do mundo que nos obriga a pensar em um novo modelo de desenvolvimento, de produção e de consumo. Precisamos uma mudança de paradigma.

Esse paradigma seria o Bem Viver?

Sim, o novo paradigma é o Bem Viver, um modelo de produção baseado não na acumulação de riquezas, mas na satisfação das necessidades coletivas, em equilíbrio com o meio ambiente. Essa é a diferença entre o modelo de desenvolvimento capitalista e um modelo de desenvolvimento alternativo, que [o presidente] Evo Morales na Bolívia chama de socialismo comunitário, na Venezuela chamamos de socialismo do século 21, em outros países recebe outros nomes, mas para nossos povos originários era simplesmente o ‘viver bem’. Viver bem é satisfazer as necessidades de todos e todas em harmonia com o ambiente. Mas vivemos num mundo individualista, consumista, cravado pela necessidade do dinheiro, e estamos defendendo algo que rompa com esses interesses. Algo muito mais simples: produzir aquilo que precisamos para viver. Hoje, ao contrário, a produção tem em vista o consumo supérfluo, massivo para o intercâmbio comercial lucrativo. O melhor exemplo é o que acontece com os alimentos. O mundo produz alimentos que poderiam nutrir toda a população mundial, até mais. Imperam a desnutrição e a fome. Por quê? Os alimentos se converteram em mercadorias, em commodities que se vendem e se compram. O alimento não é para alimentar, compra quem pode. É um modelo absolutamente falido e fracassado.

O senhor, juntamente com Asa Cristina Laurell, Nila Heredia, dentre outros, construiu sua trajetória dentro desse movimento que ficou conhecido na América Latina como Medicina Social. O senhor define a Medicina Social fundamentalmente como um “pensamento contra hegemônico” em oposição ao que seria o pensamento que dominou a saúde pública. Como essa hegemonia se dá hoje?

Na década de 1990 houve uma mudança fundamental: desapareceu a bipolaridade que existia e que cindia o mundo em capitalista e socialista. A partir desse momento, falamos de algo que se chama hegemonia planetária do capital. O que é hegemonia, segundo Gramsci? É quando a classe dominante faz com que as classes subordinadas da sociedade assumam suas concepções – as da classe dominante – sem coerção. O que é mais eficaz: dominar alguém pela força ou pelo pensamento? Hoje a hegemonia planetária do capital faz com que as pessoas pensem segundo sua lógica através dos meios de comunicação. Há de se compreender que uma tarefa fundamental é quebrar essa hegemonia. Por isso falamos da necessidade de construir pensamento e ação contra-hegemônicos. Que diz a hegemonia? Ela defende que as funções dos sistemas de saúde são a gestão, o asseguramento, o financiamento e a prestação de serviços. Isso se estuda nas Escolas de Saúde Pública. Nós dizemos não. Não aceitamos essa abordagem. Para nós, a função fundamental do sistema de saúde é a garantia do direito à saúde, e para garantir o direito à saúde nós não devemos ter somente a gestão. Temos que ter o controle total do sistema de saúde.

Qual é o papel da educação nesse processo?

Boa parte dos centros de formação está cooptada pelo pensamento hegemônico. A Escola Politécnica, por exemplo, é uma escola que nasce como parte do pensamento contra-hegemônico. Quando vou ao pátio, leio nas paredes frases de Paulo Freire, Antonio Gramsci, Karl Marx, José Saramago. Gramsci diz que uma escola politécnica não deve ser um local para se aprender técnicas, mas para aprender a vida. Resgatar esses elementos é fundamental, fazer com que o ensino não se conforme em torno do positivismo, do academicismo, do cientificismo e, sim, vise o mais importante: formar homens e mulheres livres para a transformação social. Esse é o desafio que temos pela frente. O que fazemos hoje? Formamos médicos ou enfermeiras para o setor privado, profundamente desumanizados, mercantilizados. O desafio é romper com esse modelo de formação que visa o mercado, para o uso excessivo da tecnologia, e construir um novo modelo de formação de profissionais para a vida, profundamente humanos e solidários.

Reproduzido do blog Brasil de Fato

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O neuropsiquiatra e o ditador

Orgulho de ser discriminador

Paul Weston
Paul Weston

Prezado leitor.

Gostaria muito de saber sua opinião sobre esta manifestação.
Já viu algo semelhante (e tão explícito), sobre questões nossas, aqui no Brasil?
Qual foi a reação ao fato na grande imprensa e na internet?
Se não viu, pensa que isto possa ocorrer, em relação a algum grupo em nosso país?
O que pensa que deva ser feito para evitar este tipo de conduta discriminatória?
Esta manifestação é, na sua forma, diferente das que ocorrem em campos de futebol.
E nas suas essências, são diferentes?
Na sua opinião qual delas é mais perigosa para sociedade como um todo?
Qual delas é mais fácil de punir? E de prevenir?

Sobre o uso da palavra “racista” no video (Inglaterra) e na tradução.
Aqui utiliza-se a palavra/expressão discriminador.
Em muitos países a expressão “racista” tem o significado que aqui atribui-se a “discriminador”.

Veja abaixo o vídeo “I am a racist”. O vídeo é falado em inglês. Ao lado tem uma tradução em francês. E, a seguir, a tradução para o português.

Olá, meu nome é Paul Weston e eu sou um racista. Eu sei que sou racista porque muitas pessoas me dizem que sou racista. A extrema esquerda pensa que sou um racista, o Partido dos Trabalhadores pensa que sou um racista, conservadores pensam que eu sou um racista, democratas liberais pensam que sou um racista, a BBC pensa que sou um racista. Portanto, devo ser racista. Por que sou racista? É muito simples: eu desejo preservar a cultura do meu país, o povo do meu país e ao fazer isso eu sou designado racista na sociedade atual.

Isso é algo que tem sido movido pela esquerda, o cursor do racismo mudou consideravelmente. Para se tornar racista 30 ou 40 anos atrás, teria que realmente desgostar de estrangeiros. Eu não desgosto de estrangeiros. O que eu gosto mesmo, o que eu amo é meu país, minha cultura e meu povo. E eu vejo isso sob uma terrível ameaça atualmente.

A Inglaterra é um país muito pequeno que abriu suas portas para uma massa de imigrantes do Terceiro Mundo e estamos sobrecarregados. Nossas escolas não conseguem lidar com isso, nossos hospitais não conseguem. Na verdade, muito poucos setores ainda conseguem lidar. O sistema de bem-estar social está afundando também. Então, se eu quero defender o lugar que nasci e cresci, meu país, minha cultura britânica, meu patrimonio e minha história eu sou, aparentemente, de acordo com todo mundo diz atualmente, um racista.

Mas não acho que seja o caso. Não que eu não seja racista, eu vou assumir isso completamente. Porque claramente eu sou. Eu ouvi isso de tantas pessoas que só pode ser verdade. Eu sou provavelmente também islamofóbico. Uma fobia é um medo irracional de alguma coisa, e eu não tenho um medo irracional do Islã. Eu olho para o mundo hoje, para a Síria, por exemplo, onde 100 mil pessoas morreram nos últimos 2 anos, onde muçulmanos xiitas estão matando sunitas e vice-versa. Eu olho para lugares como Indonésia, Egito e China e as Filipinas. Em todo lugar que se olha, se vê problemas com islamismo. Eles são violentos e são, me atrevo a dizer para reforçar meu caráter racista, profundamente selvagens em ideologias políticas e religiosas.

Agora, muitas pessoas descordarão disso. A extrema esquerda dirá que não se pode criticar o Islã porque Islã é uma religião e agora há regras nesse país que dizem que se você criticar religião, está incitando o ódio religioso. Mas o Islã não é apenas uma religião, é uma ideologia política também e precisamos chamar dessa forma. É uma cultura que é política e religiosa. E eu gostaria de saber se posso dizer algumas coisas sobre isso. Nós temos um grande problema nesse país que não irá embora, vai piorar cada vez mais. Nós, como povo, estamos decrescendo demograficamente, e a população islâmica está crescendo nove vezes mais rápido do que qualquer outra.

Quando eu olho para o futuro, vejo uma grande guerra civil religiosa ocorrendo nesse país. As coisas impensáveis que estão acontecendo na Síria atualmente irão acontecer aqui antes de 2040, certamente antes de 2050. E eu não quero que a Inglaterra se torne assim, então vou denunciar o Islã como uma ideologia religiosa e política retrógrada e selvagem. E que vá para o inferno o que as pessoas pensem sobre isso. Porque se não fizermos algo sobre isso, vamos nos envolver em algo que a maioria das pessoas nem consegue imaginar na Inglaterra.

Então, precisamos denunciar isso pelo que é e começar a montar alguma defesa contra isso. O problema de montar uma defesa é que deparamos com a acusação de racismo, com o “Eu não sou um racista, mas…” Bem, aqui está: eu sou um racista. Se eu quero evitar uma guerra civil em meu país, estou preparado para ser chamado de racista. E você deveria aceitar ser chamado de racista também.

Vamos apenas dizer que somos racistas detestáveis e começar a denunciar uma ideologia que é a mais primitiva, selvagem e retrógrada que foi importada para dentro desse país pela esquerda, por pessoas como Tony Blair, que fizeram isso deliberadamente para debilitar meu país, meu povo. Eles fizeram isso deliberadamente e depois disseram que não temos permissão de discutir sobre isso. Bem, eu discuto sobre isso, e eu vou lhe dizer que você denunciou e retirou a Lei da Traição logo que chegou ao poder. Eu acho que você cometeu traição quando disse que nós vamos importar o terceiro mundo para esfregar a diversidade na cara da direita (política). Para mim, isso é traição.

Sua missão foi esquecer do melhor interesse das pessoas desse país para deliberadamente nos menosprezar e nos subverter, e isso é um ato criminoso. Não importa que você repeliu a lei, as leis podem retornar e algum dia você será julgado por traição, junto com o resto de seu gabinete e todos os políticos em altos cargos que permitiram esse ato criminal. E eu vou lhe dizer isso: não importa que você possa me processar por racismo ou incitar violência religiosa, eu não acredito nisso. Acredito apenas na defesa de meu país, a defesa do meu povo e da minha cultura. Todo o resto pode ir para o inferno. Eu sou um racista.

Tradução: Débora Fogliatto.

Por: Telmo Kiguel, médico psiquiatra e psicoterapeuta
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